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1777 - QUEM PROTEGE AS CRIANÇAS?: D'AMICO, SALADA, DAVICO E PIMENTEL

03 de março de 20261h54min
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DRA. ANAHY D’AMICO é psicóloga, LUANA DAVICO é delegada, RICARDO SALADA é perito criminal e RODRIGO PIMENTEL é ex-capitão do BOPE. Eles vão bater um papo sobre os casos de abuso infantil e de quem é a responsabilidade de proteger as crianças.

Assuntos15
  • Estatísticas de abuso infantilPartos em menores de 14 · Estupros diários · Distribuição racial · Regiões mais afetadas · Taxa de subnotificação · Material de abuso infantil
  • Relacionamentos AbusivosPadrasto · Pai biológico · Tio · Avó · Família conivente · Abusos transgeracionais · Venda de filhas
  • Lei contra estupro de vulnerávelMenores de 14 anos · Falta de discernimento · Impossibilidade de consentimento · Lei brasileira · Atenuantes legais · Síndrome de Romeu e Julieta
  • Perfil e motivação do abusadorSem rótulo aparente · Conquista de confiança · Poder vs atração · Seleção de presas fáceis · Frequentadores de casa · Vizinhos próximos
  • Tráfico e desaparecimento infantil66 mil desaparecimentos anuais · Rota para Guiânias · Possíveis fins (sexual, órgãos) · Ilha de Marajó · Venda de crianças · Sequestro
  • Poder JudiciárioDecisões judiciais problemáticas · Súmula do STJ · Prescrição de crimes · Delegacia de Defesa da Mulher · Depoimento especial · Relato de vítimas
  • Responsabilidade coletiva e sociedadePapel da família · Papel da escola · Papel do Estado · Vigilância pública · Modelos internacionais · Denúncia como dever
  • Sinais silenciosos de abusoComportamento introspectivo · Problemas de sono · Xixi na cama · Medo de pessoas · Desempenho escolar ruim · Recusa de afeto · Desenhos reveladores
  • Manipulação e groomingMenina acha que é escolhida · Presente e dinheiro como isca · Ilusão de maturidade · Isolamento gradual · Confiança conquistada · Desigualdade de poder
  • Educacao SexualEnsino em escolas · Orientação sobre limites · Educação familiar · Conscientização de risco · Debates públicos · Desmistificação de tabus
  • Sexualização infantil em mídia e redes sociaisFantasias sexualizadas · Bonecas infláveis · Dança erótica infantil · Músicas pornográficas · Exposição em redes · Objetos de consumo sexual
  • Casos emblemáticosMenino Bernardo Boldrini · Menino Henry Borel · Crianças do Maranhão · Meninas da Ilha de Marajó · Sinais não percebidos · Falha do sistema
  • Idade de consentimentoLegislação brasileira (14 anos) · Padrão ONU (18 anos) · Casamento com consentimento dos pais · Comparação com outros países · Evoluções históricas
  • Parafilias e distúrbios sexuaisPedofilia · Voyeurismo · Micrófilia · Necrofilia · Bestiality · Falta de cura · Reincidência
  • Violência PsicológicaTortura psicológica · Abuso sem marcas · Espancamento · Castigo educacional · Identificação profissional · Laudo psicológico
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Olá, terráqueos, como é que vocês estão? Eu sou o Rogério Vileira e está começando mais um Inteligência Limitada, o programa onde a limitação da inteligência acontece somente por parte do apresentador que vos fala. Sempre trago pessoas mais inteligentes, mais interessantes e com a vida muito mais com sabedoria do que a minha e do que a sua. Eu trouxe só pessoas hoje com sabedoria, com ensinamentos para a gente, para evitarem cair em problemas que todo mundo está caindo agora. É verdade, isso é bom, hein?

podcast que eu nem sabia e vamos dividir com todo mundo antes. Quero que você fale com o pessoal aí de casa, querido Homer. Bom, hoje é aquela leve supimpa, então deixa aí o seu like, se inscreva no canal, torne-se membro, é importante aí tornar-se membro do canal pra ter acesso às nossas regalias e compartilhar também esse vídeo aí com toda a sua patotinha, fechou? Fechou, antes de falar com os especialistas, quero falar com você, Terráquio, porque hoje inicia uma nova parceria aqui no Inteligência Limitada, que é o Pix do Milhão.

maior clube de benefícios do país com várias premiações toda a semana. Infelizmente, o prêmio de hoje já foi. Foi o sorteado 100 mil, é isso mesmo? Foi sorteado 100 mil na segunda dos sonhos. Mas amanhã tem a terça premiada com o prêmio de 40 mil reais. Tem a quarta premiada com mais um prêmio de 100 mil. E na sexta, meu caro Mancebo, tem o brabo sorteio de 1 milhão. É isso mesmo. Além disso, tem vários outros prêmios de

20 mil no Raspol Achou Epix. E tudo bem simples e legalizado pela SUSEP. Pode ir na fé, mas também na responsabilidade. Aqui na descrição, além do link do site, tem os certificados da SUSEP pra você conferir. Então agora é sua chance de ficar milionário. Vai no link da descrição, cadastre-se e compre os seus pontos para concorrer. Mas só pra quem tem mais de 18 anos. Você tem mais de 18 anos, né? Rapaz... Faz um tempo. Faz um tempo que eu tinha 18 anos, hein?

Eu posso. E vamos falar coisas de menores de 18 anos aqui, que pode e que não pode fazer, certo? É isso aí. E para começar, quero a apresentação do Salada, que já veio várias vezes aqui, sua câmera aquela. Muita gente com saudade de você, Salada. Coisa boa. Fala com o pessoal, se apresenta e manda um oi para o pessoal. Bem, meu apelido Salada, hoje aposentado, já me despedi da nobre carreira e participando, fazendo o curso,

Passando conhecimento Participando de eventos importantes Onde a gente encontra só pessoas muito inteligentes Para avivar a nossa cabeça Hoje é uma exceção que você está abrindo Hoje é bom, aprendi bastante coisa Estou falando de mim, porque eu tenho inteligência limitada Mas seja bem-vindo, Salada Obrigado E a doutora, que essa câmera se apresenta para o pessoal É um prazer estar aqui de novo Verdade

Nico, sou psicoterapeuta, terapeuta sexual. Tenho um canal no YouTube, que é o Papo com a Anaí da Nico. Estou sempre fazendo vídeos para alertar a mulherada, para alertar um monte de coisas que estão acontecendo. Então a gente está se dedicando a muitos vídeos. E sou conselheira do programa Casas de Família há 21 anos. Verdade, o pessoal está falando aqui. Falando do Casas de Família e tal. O pessoal está falando da minha cabeleira aí, cara. Bloqueia esse pessoal, cara.

Eu fiz implante no cabelo pra poder ter uma cabeleira. Então ele tá grandão mesmo e eu vou deixar crescer pra fazer trancinhas. Tem o pessoal na linha aí pra eu dar um oi pra quem tá remotamente com a gente, o Homer ou não? Tem. Então deixa eu baixar aqui, tá muito alto o meu retorno. Quem tá? Pimentel tá aí com a gente? Cadê aqui? Pimentel tá me escutando? Não tô escutando ele, gente. Pimentel não tô te escutando. Abre pra mim aí.

certo? Nada. Pimentel, não estamos te escutando. Você escuta a gente? Escuta a gente? É, não escutamos ele. Vamos ver se resolve esse problema e daqui a pouco a gente volta aqui, tá? Ou já pode? Alô? Pimentel? Alô? Oi? Agora sim, agora sim. Eu tava abaixando o volume de alguém aqui. Não, mas tava bom. Agora tá bom. Pimentel, seja bem-vindo. Se apresenta pro povo que não te conhece. Eu sou sócio do Velela aí. Ele é um dos sócios

para quem não sabe. E é seu aniversário hoje também. Hoje? 55 anos. 55? Minha idade, olha só. Parabéns, toda a felicidade do mundo. Você é um cara que eu admiro demais, respeito demais. Então, seja bem-vindo e parabéns para você nessa data querida. Obrigado, Salada. Obrigado, Luana. Obrigado, Anaí. Obrigado, hein? Obrigado a todos. Seja bem-vindo. A Luana também está no ponto para a gente dar um oi. Como que está? Então, vamos lá. Chame ela.

tela para a gente dar um oi também. Tudo bom? Olá! Oi, Lela! Olá, pessoal! Querido Salada e doutora Nair, doutor, professor aqui, meu colega Pimentel, todo mundo, muito obrigada, todos que estão aí no chat, sejam bem-vindos, sejam muito bem-vindas. Para mim é uma grande honra, sempre estarei aqui de portas abertas para o Estado de Inteligência Limitada e sempre debatendo os assuntos mais interessantes, os mais, os clamores públicos necessários,

Pra quem não me conhece, sou professora de legislação extravagante, delegada de polícia. E tô aqui, pretendo, de alguma forma, acrescentar um pouquinho, né? Porque são muitas pessoas boas hoje nesse bate-papo. Tá bem servido aí os nossos colegas e o nosso público. Eu quero aproveitar o Pimentel mais no começo, porque ele tem que sair pra comemorar o aniversário. Então vamos aproveitar o conhecimento do Pimentel logo no começo pra liberar ele e poder comemorar também o aniversário, coitada, né?

Sim, um pisciano aí, mais um pisciano. Salada, eu gostaria que você começasse, você e o Pimentel,

Vamos fazer um contexto, dar um contexto da parte legal, do que está acontecendo. Vamos lá. Bem, o que acontece? Segundo a legislação no Brasil, a pessoa com menos de 14 anos é considerada uma pessoa vulnerável. O que significa isso? Ela não teria discernimento com relação a alguma prática sexual, atos libidinosos.

ter a vontade própria para praticar um ato sexual. Então, pela lei, é considerado estupro de vulnerável, mesmo que essa relação seja consensual. Não existe consensual para quem é barato. Então, o estupro de vulnerável é considerado, por lei, para meninas com menos de 14 anos e também é considerado estupro de vulnerável,

Se a menina ou mulher for alguma pessoa especial, que não tiver discernimento mental, capacidade intelectual, também é considerada um estúpido e vulnerável. Então, isso é lei. Então, não é questão de... Quando a pessoa estiver bêbada ou fora de si também, ou não. É outra questão aí. É outra questão. O que eu falo assim,

No sentido, vamos dizer, mesmo uma menina de 13 anos tem a intenção ou ela quer praticar sexo com uma outra pessoa, mesmo ela tendo a intenção, é considerado estúpido e vulnerável. Ainda mais, vamos dizer, o que dá uma atenuada é, tipo, se está uma menina de 13 anos com um menino de 17, é diferente.

adulto, uma pessoa maior de idade, vai ser considerado estupro de vulnerável. Dentro da legislação, existem alguns atenuantes que podem ser levados em consideração. Agora, não vai pegar uma pessoa para ela, de 13, uma pessoa de 40, 50 anos, que já seria praticamente um idoso para criança, de repente ter relação sexual e dizer que foi consensual. Isso aí não existe.

estúpido e vulnerável, segundo a nossa legislação. Eu peguei alguns dados interessantes, Guilherme, para crianças de entre 10 e 14 anos no Brasil, com relação ao ano passado. 2025. Então, houve com essas meninas, essas crianças, menor de 14, de 10 a menos de 14, de 26 a 27 partos por dia.

Por dia, com crianças nessa faixa etária. Cara, que desesperador. Então, a grande maioria, 75% crianças negras, 25% crianças brancas, e predominantemente nas regiões do Norte e Nordeste, onde é muito mais comum, ou por falta de instrução, ou por hábito, ou por cultura, a grande maioria são das regiões do Norte e Nordeste.

porque dentro de uma região existe esse fato que ele deixou de ser crime. Então, eu acho que a situação é muito mais grave que a gente está olhando um ponto onde um desembargador inicialmente inocentou o autor, depois acaba voltando atrás, até por uma conotação social que houve, ele acaba voltando atrás, então aplica a pena. Mas eu acho que a gente tem que ir um pouco mais além, porque

O que esse desembargador acabou julgando é um fato solado. E a gente não pode, de repente, dentro da nossa sociedade, a gente tem que ter uma preocupação maior. Então, houve esse caso, que o homem alegava ter um relacionamento com essa criança, como se ele tivesse esse relacionamento dentro da nossa legislação, não fosse crime. Em outras religiões de outros países, se não houver uma legislação, pode ser, às vezes, algum absurdo,

o problema psicológico da criança, mas pode não ser crime, como a gente vê atualmente no Irã ou outros países muçulmanos, onde uma pessoa de 40, 50, 60 anos casando com uma criança de 8 anos, 9 anos, 10 anos, 11 anos. Mas o que diz a legislação deles? Aqui no Brasil é crime. Então a gente tem que analisar

parte a legislação e, por um outro lado, o lado psicológico, a preparação da pessoa, da criança, para esse tipo de situação que ela vai ter que enfrentar. E a gente tem ainda uma questão de estupro, de uma forma geral. A gente tem no Brasil, de uma forma geral, estupros, na faixa de 227 estupros por dia, em torno de 83 mil estupros por ano,

70% são com crianças abaixo de 14 anos. 83, 70%. 7 vezes 8, 56. Então, em torno de 56 mil estupros com crianças menores de 14 anos. Que é um volume muito grande. Isso é nível Brasil, do ano passado. Então, são números assustadores. Então, eu acho que o Estado, como um todo, deveria ter essa preocupação.

essa divulgação e cuidar de nossas crianças. Então, é questão de cultura, questão de educação, tem muitas questões regionais, mas eu acho que, como um todo, o país tem que se importar. O país todo tem que fazer programas de orientação, de educação e de cobrança e penalização dessas pessoas. Coisa que não acontece.

26 e 27 partos por dia. É muita coisa. Fora as crianças que foram abusadas e fora aquelas que nem deram queixa. Porque, de repente, uma criança é abusada, aquele constrangimento de ir na polícia, divulgação da criança, do nome da criança, você acaba sabendo que existe o constrangimento de toda a situação. Então, eu acho que

O Estado, com uma estrutura maior, deveria ter mais cuidado com essas crianças, porque o futuro é delas. Então, acho que deveria ter mais cuidado, mais orientação, mais preparo, mais cobrança dos responsáveis para que isso venha a diminuir. Uma outra coisa que é interessante, no Brasil, desaparecem por ano em torno de 66 mil

mil pessoas por ano. Olha que absurdo. O que é isso? Morreu, desapareceu, foi para tráfico. Foi tráfico sexual, tráfico de escravas. Eu não sei. Entende? A gente ouve falar as crianças da ilha de Marajó. O que foi feito? Foi a medida que o governo está fazendo para coibir esses atos. Então, eu acho importante de uma forma maior o envolvimento

do Estado, tem que ter a participação do Estado para coibir esse tipo de prática, porque eu acredito, a doutora pode falar até com mais propriedade, do abalo psicológico de uma criança que é abusada, é uma criança, 12, 13 anos, menos de 14, ainda 14, continua sendo criança abusada, qual é o abalo psicológico que elas vão ter, e muitas vezes o porquê que

ela mantém relação com o sentimento, é consensual, embora seja crime. Mas muitas vezes o relacionamento é consensual. Mas o que causou o efeito psicológico, mediante a cultura, a sociedade, para uma criança querer ou praticar alguma coisa que a gente foi criada no meu tempo, era um tabu,

falava muito, não havia divulgação. E hoje, com todo o conhecimento que existe, a gente ainda convive com esse tipo de barbárie. Mas aí é que está. Ela não consente. Ela é manipulada. Aí é que está. Ela acha que está bonito, que está legal, que ela é escolhida. Que ela é especial. O que chama a minha atenção é a atração e o relacionamento com mulheres cadastras.

vez mais novas. Sim. Sendo que hoje em dia a mulher tem liberdade pra sair, pra, né? Com tantas mulheres adultas disponíveis e afim de um relacionamento, por que pegar crianças de nove, dez, onze, doze anos? Isso pra mim não tem nada a ver com atração sexual, tem a ver com poder. Tem a ver com poder e tem a ver com um tipo de perversidade também, né? Acabar com toda a infância, com toda a pureza, com toda a

e levando a criança a pensar que ela está abafando. Primeiro que chama a atenção da família. É isso que eu queria colocar. A família deveria ser os protetores dessa criança. Exatamente, mas muitas famílias, infelizmente, porque pode acontecer em qualquer classe social isso, mas geralmente a gente vê com crianças de renda baixa, em que um mercado compra.

vai fazer um mercado, compra um brinquedo. Por cesta básica, por comida, por dinheiro. Que foi o que a gente viu no caso. E a família aplaude. E não é só isso. Então tem que orientar famílias, porque esse senso de proteção não pode faltar. Como é que as famílias estão consentindo? Muitas famílias. Obviamente que tem pais que protegem os filhos e as filhas enormemente. Mas o que está acontecendo? O que colapso moral?

sexual é esse que está acontecendo na nossa sociedade e no mundo, porque não é só aqui. Sim, sim. Então, o que é isso que está havendo? A gente tem que tomar muita atenção nisso. Eu quero colocar outra questão aí que tem a ver com o Pimentel também, que é o tráfico. Você chega numa casa e fala essa menina aqui é minha e é isso. E os pais ou mudam naquela casa ou são mortos ou não tem outra alternativa. Então, mas eu acredito também que a parte desse tráfico,

Está dentro dessa enorme quantidade de pessoas que simplesmente desaparecem, evaporam. E até no comércio. Eles compram a criança. Chega numa família, olha, te dou 200 reais e vou levar a sua filha. E eles ok. Então ela não é simplesmente tirada do convívio. A criança é vendida. Ou às vezes é dentro de uma negociação.

para um estranho, para outra pessoa, e para ser levada sabe-se lá para onde. Quantos casos assim a gente tem tomado conhecimento? Por isso que eu falo assim, que eu acho que o lado desse abuso, dessa violência contra as crianças é uma coisa que é muito mais ampla. A gente não tem como individualmente a gente brigar. Tem que ser o Estado.

como um todo. Tem que ter uma política pública, eficaz. Exato, mas eu digo assim, eu sou honesto, eu não sei como fazer, mas com certeza devem existir especialistas na área para criar alguma situação nesse sentido de proteção dessas crianças. Pimentel, está escutando o papo aí, Pimentel? Perfeitamente, estou assombrado com esse dado aí do Salada, 26 casos por dia, puxa vida, Salada, não sabia disso não, tomei um baita

susto, viu? Que coisa. Mas assim, Vilela, deixa eu dar uma abordagem aqui importante. Eu vi mais de uma vez o traficante assediar e convencer uma menina de 15 anos. Isso eu vi. Mas uma experiência de periferia que eu compartilhei com você, eu comandei uma companhia de polícia numa cidade no Vale do Paraíba, de 100 mil habitantes. A Luana conhece isso certamente. Eu comandei uma companhia de polícia. Você não tinha o Minha Casa Minha Vida. Você tinha o COAB, unidade de um quarto só.

Boa parte das famílias de baixa renda. O padrasto, muito padrasto, tá? Dormindo com a mãe na cama. Ele fazia sexo com a mãe até a mãe atingir 40 anos ou 45. Ele virava de lado e transava com a filha de 12. Isso era uma rotina assombrosa de um caso por semana numa cidade com 100 mil habitantes. E a menina chamava a polícia. Ela tinha 12 anos, 11 anos. Ela conversava com uma coleguinha, com uma amiga. Ou então com o primeiro namorado dela que dizia

o teu padrasto não pode transar contigo. Então, muitas das vezes, o primeiro namorado de 17 anos ou 16 que tinha esse discernimento. E quando eu conto isso para algum colega de polícia que trabalha em periferia, ele conhece essa dinâmica. Quando eu converso isso com um colega de DECAV, que é a Delegacia Especializada da Criança Vítima, tem a DPCA e a DECAV. Eu não sei se tem essa ferramenta em Goiás, depois eu vou perguntar para a Luana. Mas o colega de DECAV, Pimentel, são dois casos por dia.

sacana do bandido, ele tem uma ligação familiar muito intensa. Ele é padrasto, ele é avô, ele é tio, porque ele precisa de confiança, de tempo. Confiança e tempo. E infelizmente, quando a gente conversa isso no âmbito da politização, da polarização política, a gente fala do velho do saco, do tarado na rua. Mas o tarado está em casa, ele está próximo, ele é o tio, ele é, às vezes, o irmão mais velho,

é o vovô. Eu lembro de um debate que tornou o Bolsonaro muito famoso do Brasil, que foi a cartilha sexual. Ele chamava de kit gay. O kit não era um kit gay, era um livro que dava uma noção de educação sexual. Aliás, eram dois livros distintos. Quando aplicados em algumas escolas de São Paulo, o aluno levantou a mão e disse, tia, o meu vovô fez isso comigo. Em dois casos, em uma cidade de 100 mil habitantes.

colocou aí, é educação. E a mãe de 24 anos, ela não tem discernimento, tempo, coragem, didática, para ensinar uma filha de 9, de 10, o que é um ato de violência. Então, a primeira grande política pública, Anaí, Salada, é a educação na sala de aula, é a gente pedir que os nossos educadores façam o que a gente não faz. Eu não tive a sorte de ter uma filha, eu tenho dois filhos, mas eu tenho uma esposa que tem uma filha,

que orientou a minha enteada sobre tudo, sobre todo comportamento, sobre todo tipo de ameaças. Eu, na condição, inclusive, de padrasto, desde a minha origem, nunca andei com uma camisa, sem camisa perto dela, de cueca. Isso tudo acontece num ambiente promíscuo da periferia brasileira. E a primeira prevenção era proibir uma menina de 9, 10 anos dormir num quarto com uma mãe, com um padrasto, sabe?

Mas só questão habitacional, que envolve o Ministério do Interior, que envolve políticas públicas de habitação. E aí está o nosso problema. Agora, de positivo, Salada, eu falei para o Vilela semana passada, eu estive com o Vilela no Rio. Pela primeira vez eu vejo a Erika Hilton e o Nicolas concordarem em algo. A direita brasileira e a esquerda brasileira, vários deputados de esquerda bem ativos, de direita vários também,

foram as suas redes sociais condenar essa decisão absurda, desumana, covarde, criminosa desse desembargador. Você tem lei, eu não tenho que interpretar nada. Uma menina de 12 anos não tem discernimento para se entregar a um homem. É isso aí. Luana, queria um pouco da tua experiência e do que você tem visto para contribuir com o papo. Bom, pessoal, eu acho que eu já previa isso desde o começo do convite,

que sem ser um debate, todos estamos em um grande consenso. Como bem disse o Pimentel, a gente viu o início de direita e esquerda num país extremamente polarizado sobre o mesmo assunto. O que eu vejo não é diferente do que vocês possam presumir, na qualidade do meu trabalho, também nas redes sociais, sobre as denúncias que recebo. A gente precisa entender que quando o Código Penal definiu o valor, a idade de consentimento,

como 14 anos, foi uma idade biopsicológica, tá? Não foi algo, não foi um sorteio, vou sortear aqui uma idade, não, colocaram 14 anos, que ainda assim, sabe, Vilela, é bem curioso, porque os nossos códigos anteriores tinham a idade de consentimento com 16 e 17 anos, e até concordo, prefiro, inclusive, acho 14 anos ainda muito nova, na minha opinião, tá? Então, seria, acho que é uma luta que a gente deveria, assim, como resposta a tudo que está acontecendo, e que eu preciso

Abri aqui um parênteses para falar o quanto eu me emocionei com essa união e com a força de todos nós para combatermos essas decisões e depois, se quiser, eu posso comentar tecnicamente sobre elas. Mas assim, ouvi-la ela, então antigamente a gente tinha uma idade de consentimento maior, embora a gente saiba que vó nossa casava muito nova, tudo era muito novo, que bastava menstruar, já estava se casando.

sexual, ela é maioria, a grande maioria é uma figura feminina. E é uma figura em que há desequilíbrio. Para eu ter um abuso sexual, tem que ter desequilíbrio, tem que ter assimetria. Então, tem que ter essa relação de hierarquia. E é como a doutora Anaí falou, não tem nada a ver com desejo. O debate aqui não é sobre impulso, atração por tesão. É exatamente essa ideia de poder. Por isso que você vai ver relacionamentos, não só com meninas novas, de menos de 14, mas aquela ideia de quanto mais

ele vai se interessando pelas mais novas. Isso vai acontecendo dentro da sociedade, porque o abuso sexual não nasce do erotismo. Ele nasce de uma noção de hierarquia. E isso vem pelo fato de objetificação de corpo de mulher. Então, é óbvio que quanto menos instruída essa menina, mais obediente, mais subordinada, mais interessante para o abusador. Então, numa sociedade em que a comunicação,

As informações, elas caminham muito rápido, querendo ou não. Quando que eu tenho uma menina pura, inocente, um pouco menos, né? Apresentada aos riscos. Por isso que a gente bate tanto na tecla da educação sexual, não no sentido de ensinar crianças a fazerem sexo, mas no sentido de ensinar a criança a dizer não, a saber o que não é permitido, o que pode e o que não pode. E nesse sentido, você vê que cada vez mais os abusadores

com meninas mais novas. A gente tem registro, eu tenho também alguns dados aqui que são maravilhosos. A gente precisa falar que a ONU colocou como idade de consentimento para casamento 18 anos. No Brasil ainda é 16. A ONU coloca 18 anos e no Brasil ainda meninas, né? A gente vai falar adolescentes e homens podem se casar com 16 com consentimento do pai. A gente precisa falar do boletim de material de abuso infantil de 2004 e 2025.

que registrou aqui, eu estou lendo, uma produção e distribuição de material de abuso sexual infantil de nove casos por dia. São nove casos por dia de material envolvendo abuso infantil. Sem contar uma sociedade que a gente vive que adora permear essa ideia de mulher inocente, essas fantasias com lolitas. Eu nunca vou achar normal, né, o Vilelo? Eu já falava nos outros programas, eu vou falar novamente.

sex shop e ter ali fantasia de estudante, ter fantasia de menininha, ter fantasia sexualizada, voltada a corpos de crianças, corpos de meninas. Eu já contei o caso do empresário asiático que ficou absolutamente rico vendendo boneca inflável com corpo e aparência de criança. E ele era um pedófilo condenado e ele dizia que isso era para evitar novas

de pedofilia. Então, existe toda uma sociedade, não é só no Brasil, a gente precisa deixar isso muito claro, em que há uma cultura de objetificação de corpos de mulheres e uma tarefa, um desejo desassociado, óbvio, para corpos de crianças. Então, todos os dias, o Vilela, e eu acho que todos os colegas aqui, todos nós quatro, sabemos ou lidamos com casos de abusos infantis, com abuso com as crianças, com essa...

essa vontade, essas piadas, toda hora isso permeia a nossa sociedade, pra onde a gente vai. Então, o cérebro infantil... Novinhas, né? Na música, as novinhas. Exato, as músicas. As cachorras. Exato, sempre uma sexualização de crianças o tempo todo, e que vai se armazenando no subconsciente. Eu fiz até um vídeo uma vez, que eu acho que talvez a doutora Anaí também, ela vai atestar, quando a gente tem uns 14 anos,

nós meninas, a gente, nós somos levadas a achar que um homem mais velho se interessar pela gente é porque a gente é mais madura do que as nossas outras colegas. Sim. Quando isso não é verdade, a gente acha que a gente é um troféu, que a gente tá assim, ó, acima das colegas porque tem um homem maduro interessado pela gente. Na verdade, a gente é uma presa fácil de internalização, de submissão. E a gente precisa falar que crianças, elas,

vivem a referência de casa, elas vivem uma referência do que elas têm dentro da casa delas. E por que eu estou falando isso? Porque como disse o Pimentel, é passado de pai para filho culturas de estupro, culturas dentro daquela família. Eu já contei de casos de atuação não minha, mas de colega, principalmente em alguns estados em que tem uma população mais afastada, em que é completamente

normal, né? A frase é eu plantei o cacho de banana, eu tenho que ser o primeiro a provar. Essa é a frase. Então, onde há a perpetuação patriarca daquela família, ele tira a virgindade de todas as mulheres. Então, assim, isso quer dizer o quê? Que também tem uma dinâmica familiar complicadíssima por trás disso e que precisa ser rompida. E o Vilela tá certo quando fala que a família tem que ser a primeira a proteger. Mas quando a família não protege,

o Estado tem que proteger. Se nessa decisão, assim como em outras decisões, a família consentiu, o pai aprovou, a mãe aprovou, a avó aprovou, o papagaio aprovou, todos falharam. Quem não pode aprovar isso é o Estado. Quem não deve aprovar de forma alguma é o Estado. Eu com 12 anos, se minha mãe falasse que pedra era pão, eu acreditava que pedra era pão.

ou casar com um rapaz, eu iria casar com ele. É como a doutora Ney falou, não se trata de consentir, se trata só de obedecer. Perfeito. Isso. Doutora, e a parte psicológica, como que é? Então, primeiro que existe uma ruptura em todo o sistema de espera de proteção. A criança, ela se sente desamparada. Isso quando ela entende aquilo como um estupro ou como uma coisa,

indesejada. Porque o que nós estamos vendo, o que eu tenho notado é que, claro, existe o abuso, mas existe esse abuso travestido de coisa legal. Você entende? A criança, essa menina de 12, 13 anos, muitas vezes ela não está encarando aquilo como uma violência. Ela pode encarar, como no Irã, que a gente vê as meninas chorando. Você já viu? Já chegou a ver cena. Eu chorei junto. Me deu desespero de ver aquilo. E os pais,

não sei se aquilo é forçado, se eles são obrigados a aceitar. Eu não sei como é que funciona. E nem me aprofundo, sabe? Eles recebem dinheiro pelo dote da criança. Então, mas não é muito diferente do que a gente vê. Porque tem um ganho material. Ou de proteção, ou de validação. Simplesmente de não ter aquela despesa mais em casa. Também. Porque o que a gente vê? Por exemplo, uma

que casa aos 18 anos, não é uma coisa fácil de a gente ver. Não é? Aos 18 anos, você está pensando em faculdade, você está estudando. Então, o que acontece? Geralmente, pelo menos na minha experiência, casar muito cedo está fugindo de alguma coisa. No ambiente familiar, às vezes, não é muito legal. Então, a pessoa vai buscar fora uma independência ou tem um relacionamento muito ruim.

ruim na família, tem muita violência, violência doméstica. Isso a gente costuma ver em todas as classes sociais, mas a gente vê mais nas classes menos favorecidas, infelizmente. Então, realmente, precisa haver tantas mudanças e que o Estado tem que ajudar, tem que haver realmente políticas para ajudarem a não se perpetuar esse modelo de jogar as crianças na rua para ir à luta,

Porque não tem como sobreviver, são muitos filhos, tem que ter um controle maior. Tem que ter tanta mudança para isso melhorar? Concordo. Vilela, posso fazer uma pergunta? Desculpa. Desculpa, Salada. Pensando em 2026, eu sempre lembro de Pocahontas. Pocahontas era uma indígena de possivelmente 14 ou 13 anos, foi dada a um capitão inglês, comandante de um navio, depois foi levada para Londres.

colocou isso uma coisa muito fofinha e bonita. Mas Pocahontas é uma história já com mais de duas décadas. Hoje nós faremos uma Pocahontas porque nós temos certeza que ela foi vítima de uma ação, ela foi vítima de um pedófilo, de um capitão de navio. Ela foi ofertada para fins sexuais, possivelmente, certamente sim, para casamento. E é a evolução da cultura. Nós estamos falando aí de uma ONU, eu não sabia da informação da doutora Luana,

a ONU coloca 18 anos, eu nem sabia disso. Mas pouca ontas é um caso que a gente pode debater com mais maturidade hoje? Eu quero até acrescentar, inclusive, o Pimentel, que o direito brasileiro chama essa síndrome de síndrome de Romeu e Julieta. É mesmo? Exatamente, porque Julieta tinha 12 anos. Não sabia. Não sabia também.

Foi o nome técnico jurídico que o STJ utilizou nos distinguished para afastar o crime de estupro nesses casos. Nunca mais vou ver o Romeu e Julieta com os mesmos olhos, viu? Mas você vê como tudo é romantizado? Aí que é o problema, aí que está o negócio. Fica bonito, né? É uma coisa que acaba ficando bonitinha, é romântica, aquele amor, aquela coisa maravilhosa. Está muito complicado, eu acho que a gente está vendo coisas... Eu estou vendo coisas, Vilela, que eu achei que eu nunca fosse ver.

na minha vida. Eu sou de outra geração, também sou de peixes, viu, Pimentel? Dia 11 eu completo 67 anos. Então, eu já estou numa idade em que eu, na minha época, quando eu era novinha, as coisas eram diferentes. Todo mundo me fala, você está vendo a violência cresceu, as coisas pioraram, ou é porque agora tudo a gente sabe mais, tem mais informação? Eu acho que é um pouco de tudo. Mas as coisas,

que eu tenho visto hoje em dia, que eu tenho sabido, que eu tenho atendido? Eu não me lembro de ser assim tanto assim. Não lembro. É que os meios de comunicação, a gente tem informação de tudo ao mesmo tempo. Coisa que eu fiz 65, da nossa época. Você me respeite, que eu sou mais velha. Não existia esse tipo de informação. Simplesmente não existia. Há muitos anos atrás, mesmo quando eu

entrei na carreira, a polícia era um clube do Bolinha. Então, 99,9% eram homens e só se conversavam entre policiais. Aquele assunto não era debatido com outras pessoas fora do meio. Então, ficava tudo restrito dentro do meio policial. Hoje, não. Então, hoje acontece um crime, alguns absurdos,

em questão de minutos, caiu na rede, o mundo inteiro está sabendo. Então é uma quantidade de informação muito grande. Então isso é um ponto. É claro que, paralelamente a isso, a gente tem o crescimento da população, a perda, eu acredito, da perda muito da moralidade como um todo. O afrouxamento dos valores. É, eu digo quase que perda, porque afrouxou tanto que tem muita gente,

nem sabe o que é isso. Então, se perdeu dentro da história. E as pessoas, no nosso tempo, o pai trabalhava, a mãe cuidava das crias. Então, a mãe estava em casa. Hoje em dia, o pai trabalha, a maioria, o pai trabalha em uma área, a mãe trabalha em outra. O cuidar das crias fica para uma terceira pessoa,

lá o que ensina, o que educa. Eu acho que o que educa hoje em dia está sendo a internet. A internet é algum conhecimento de, entre aspas, de vida. Mas quem é que for um caráter dessas pessoas? O que é certo? O que é errado? Antigamente era mãe. Olha, isso não pode por isso, por isso. Antigamente, quando você fazia uma coisa errada, você recebia um corretivo. Hoje é um diagnóstico. Ou é TDAH, ou é isso, ou é aqui.

Então, fica complicado. Isso é uma coisa que é muito curiosa, porque a cada dia que passa, a gente conversa com pessoas da área, surge um transtorno novo. No meu tempo, o cara era o mal-educado, apanhava e botava na linha. Hoje tem o TDAH, tem não sei o quê. A quantidade de pessoas atípicas, que eu acho um termo

feio para se usar, que são os autistas. Eu particularmente discordo desse termo, pessoas atípicas. Mas está cheio. No meu tempo não tinha. Não tinha pessoa atípica. É que hoje em dia se dá nome para aquilo que sempre existiu, mas também precisa tomar cuidado com os diagnósticos. Mas a quantidade, pelo menos que era diagnosticada, o que a gente tinha conhecimento, era uma quantidade muito pequena. Hoje está praticamente normal.

Mas eu concordo, Salada, que hoje em dia se sabe mais, se tem mais divulgação das coisas, mas também, junto com isso, veio uma maior exposição de tudo, que coisa que nós não tínhamos antigamente. Então, a gente já tem uma sociedade machista, onde o homem, a mulher está muito objetificada, ou não? Eu vou até assustar você,

aqui um pouquinho, que quando a gente fala de abuso infantil, eu pergunto para os três aqui, vocês acham que esses dados são reais? Não. Ou há uma subnotificação absurda? Subnotificação total. Total. A gente fica assustado com os números, mas o Centro de Pescrição Childhood Brasil, ele presume que os casos de denúncia de abuso infantil no Brasil hoje equivalem a 10% dos reais.

10% dos reais. Tem muito silêncio, né, Luana? Tem muito silêncio em torno da situação. Claro, as crianças são silenciadas, as meninas, como a doutora falou, não é nem que não há denúncia, é que a criança não sabe que aquilo é errado. Ela não tem nem noção que o que ela está passando é algo que não deveria estar acontecendo. Principalmente quando vem da família, que são pessoas em que ela confia.

Por isso que no protocolo, na reunião de Estocolmo, se levantou que 82% das mulheres vítimas de abuso sexual, essas mulheres só vão se dar conta disso depois de um prazo alongado de quando aconteceu e normalmente nós não queremos denunciar mais, não queremos passar por isso. E falo mais, a gente está falando de meninas.

vai ter. De quantos casos aí são colocados por debaixo dos tapetes, dos panos, porque é um tabu sexual. Porque ainda tem a vergonha, exatamente. E olha, eu vou falar uma coisa, Luana, eu atendo muita mulher em situação de violência, violência doméstica, relacionamentos abusivos, e muitas chegam pra mim e falam assim, eu não sabia que eu vivia um relacionamento abusivo. Você imagina, uma mulher adulta, você imagina uma criança que sofre um abuso por parte, porque tudo bem, ela pode

sofrer de gente estranha, mas geralmente é de dentro de casa. Em torno de 70% do primeiro abuso, ou é por parente ou por uma pessoa próxima da família. Próxima, que ela confia. É aquele vizinho que frequenta a casa, aquele parente que vai na casa da criança, é o parente, é o avô, o padrasto, o primo, é alguém da família. Olha, quantos casos eu atendi?

de meninas e meninos que sofreram abuso do pai, quando ela chega e reclama com a mãe, a mãe não acredita. Fala, você está querendo me separar do seu pai, você tem inveja de mim. Se é do padrasto, fala, você está querendo o meu macho. Gente, pelo amor de Deus. Quanto que eu já ouvi isso? Eu já ouvi isso várias vezes. Me perdoa, essa é a rotina da Rádio Patrulha em periferia,

escutava após o acionamento, justamente isso. A mãe defendendo o padrasto. Era uma situação bem vergonhosa. Olha, eu preciso me ausentar que eu tô com a minha esposa aqui pra gente jantar nos 55 anos. Parabéns pra você. Vai lá. É um prazer conhecê-la todos, tá? Já sou fã de vocês aí. Então é um prazer conhecê-los. Vilela, muito obrigado pela oportunidade. Doutora Luana, obrigado. Obrigado. Obrigado, doutora Anaí. Obrigado, hein? Tudo de bom. Felicidade. Se puder,

Guarda uma sobremesa para mim quando estiver no Rio ou eu como. É isso aí. Um abraço. Tchau, tchau. E essa realidade, ela é absurda, viu? Inclusive, em âmbito de experiência policial, eu já contei vários casos. Nos casos que eu lidei com o abuso infantil, em que a criança, ela acha que aquele abuso que ela está vivendo é um gesto de amor. Ela se sente culpada de ver o pai indo para a cadeia,

colega, o irmão, mesmo de desestruturar, de destruir as palavras que eu ouvia na delegacia. Isso vai destruir com a nossa família. Isso que a criança só conseguia entender que era ela. Ela estava destruindo com a família. Então, assim, a gente tem a lei aí, a 13.431, que instituiu, acho que o Salada e a doutora Ana aí devem conhecer, o depoimento especial de crianças e adolescentes vítimas de abuso sexual, exatamente

para não reviverem essa cena, para não serem revitimizadas. E principalmente pelo fato de que, às vezes, aquele momento da prisão, o momento do inquérito, do indiciamento, da tomada de atitude de justiça, para ela é um grande choque, porque é o momento que ela descobre que o amor que ela vivia, na verdade, era errado. Na verdade, era um abuso. Então, assim, qual que é o meu interesse como policial de ouvir uma criança nessa situação? Nenhum, ela só vai chorar, como acontecia.

pedir pelo amor de Deus, solto o meu papai, que é as coisas que eu já ouvi. Então, assim, é o ponto dessa situação de não compreensão de realidade. E aí a gente vê tribunais, o Estado que deveria proteger, dizer que a formação de vínculo, que o consentimento de pais, que a estrutura familiar justifica essa atitude, em que essa menina, essa criança, ela ainda está com...

completamente distorcida da realidade, ela precisa de proteção. Claro, a gente tem casos e casos, eu até vou abrir uma polêmica, que em certos casos eu entendo até que o Estado perdeu o momento, passou-se o ponto, mas a maioria dos casos não. Olha, pegar exceções para criar a regra não é o caminho. Então, assim, é muito importante a gente perceber isso, que a criança não consente com nada,

porque ela não tem nem noção do que ela está sendo submetida. E ela não tem essa percepção. Quem tem que tomar essa atitude é o Estado. E o caso de Minas Gerais é um caso muito interessante, porque quem tomou a atitude foi a escola. Olha que importante. Foi notado que a menina faltava à escola. Olha como é importante o aparato do Estado ficar ligado 24 horas por dia. Não é só a polícia, pessoal. É a saúde, é o sistema social.

é a escola, é a igreja, é todo lugar em que essa criança, ela tem que ser responsabilidade de todos, a Constituição Federal fala isso. Eu fui ao Japão, Vilela, no final do ano, e lá é interessantíssimo, porque a criança, a partir de uma determinada idade, se eu não me engano, a partir dos oito anos, ela vai sozinha para a escola, porque ela é responsabilidade de todo mundo, toda a sociedade, toda a sociedade olha para ela, toda a sociedade olha com o que ela está falando. Aqui no Brasil,

Eu vi um vídeo sobre isso, é incrível. Ah, é? É incrível, incrível. Então, assim, a gente precisa mudar o padrão de sociedade que vivemos, o padrão de aceitação social do que vivemos, e eu sou a favor de sermos implacáveis com esse tipo de crime, sabe? Ou salada. Não sei se você concorda, é parar de ficar relativizando, de ficar procurando brecha, brecha, brecha, pra falar, não, nesse caso aqui,

nesse caso, toda hora fica nisso. Ah, ficou determinado que a experiência sexual anterior não afasta o crime. Ficou determinado que o consentimento da vítima não afasta o crime. Ficou determinado que o consentimento dos pais não afasta o crime. Mas toda hora afasta? Então a gente vive num momento em que ao invés de nós estarmos ensinando e melhorando e protegendo essas crianças, a gente está abrindo a porteira.

não tiver uma proposta radical, uma resposta radical a esse sistema que tanto enfraquece e abusa das nossas crianças. Em várias vezes a gente talvez vai ser injusto, pessoal, capaz. Em algumas vezes a gente ser injustos, entre aspas. Mas é a única forma de a gente dar uma resposta rápida e mudar esse sistema. É verdade. Porque, mas você veja que faz parte do esquema todo. Você vê uma mulher sendo abusada, você, ah, em briga de marido e mulher,

não se mete a colher. Não é assim? A gente tem que meter a colher. A mesma coisa quando você percebe um comportamento esquisito, estranho com uma criança. Denuncia. Por que não pode dar gente... Ah, mas você não se meta na vida dos outros. Você não sabe. Você pode estar sendo injusta, deturpando a realidade. Na dúvida. Porque criança dá pista, dá sinais de que tem alguma coisa errada. E como dá? Eu não sei o que é mais triste. Se é a criança perceber que está sendo abusada ou achar que

que está bonito fazer aquilo, que está legal, que ela está ajudando a família. Porque ela não tem condição de entender as consequências daquilo. Ela não tem. O córtex pré-frontal de uma criança de 12 anos está imaturo. Ela não tem condição. Não vai discernir. E ela quer acolhimento, ela quer pertencer. O que acontece? Por isso que eu falo, eu comentei, que tem que ser uma coisa ampla. Não adianta

que nem a doutora Luana comentou, não adianta ser só em casa, não adianta ser só na escola, tem que ser a sociedade como um todo que tem que tentar mudar até um padrão criminoso. Tem que tentar mudar esse padrão, botar a consciência nas pessoas entre o certo e o errado. Então, eu acho que é um trabalho de educação, orientação,

de divulgação de toda essa matéria que deve ser estendida, tanto as crianças como pais, parentes, e a doutora falou no Japão, onde toda a sociedade cuida. Aqui, uma criança de 8 anos, 9 anos, uma menina bonitinha, vai ter aquelas pessoas, nossa, que delícia. Não vai, de repente, olhar com o intuito

proteção. Vai sentir um desejo ou atração para com aquela criança. É um absurdo. Quanto mais vulnerável está sendo, parece que mais atrativo. Eu acho que até um problema do ser humano é que é difícil dizer. Eu não olho uma criança de 12 anos e pode dizer nossa, que linda essa criança. Não tem desejo.

Uma criança linda. É, uma criança. Eu não tenho o desejo de ter alguma relação, de beijar, de tocar. Eu posso falar, nossa, que menina linda. Mas pelo aspecto físico dela, que eu acho que é muito diferente de eu sentir uma atração. Mas com certeza. Se eu sentir um desejo pelaquela criança. Isso aí é quase que dentro de uma forma, quase que doentia essa necessidade. É uma atária, é uma pedofilia, é uma parafilia.

parafilia, mas isso aí o ser humano tem que ser cuidado. O ser humano tem que ser orientado. O ser humano tem que ser colocado freios. Mas a objetificação de uma mulher começa muito antes disso. Começa na dancinha que a criança faz na internet. Começa na cobiça dos homens olhando aquilo. Você entende? A gente precisa cuidar de tudo que o filho faz. Ficar de olho. Mas o que acontece? Está a criança até antes

cidade, com seis anos, sete anos. Nossa, dança aí pra ver. A menina tá rebolando, tá empinando a... Que a gente vê essas comissões. Porque os ídolos fazem isso, elas cupiam. Tem que ter um crivo. Tem que ter um crivo. Tem que ver o que teu filho tá vendo, o que a sua filha tá fazendo na internet, nas redes sociais. Precisa haver um pouquinho mais de atenção. E aqui não é culpa a paz. Não é nada disso. Não tem culpa.

A gente tem que ter mais foco nos filhos, no que eles estão fazendo, ao que eles estão se expondo, que conteúdo eles estão consumindo. Hoje em dia os pais trabalham, ninguém quer culpar ninguém, mas a gente precisa chamar a atenção dos pais um pouquinho mais para os filhos, precisamos prestar mais atenção. Deixa eu chamar a Luana também, que ela tem um compromisso, então a gente se despedir. Luana, quer completar alguma coisa com o assunto? Obrigado demais pela sua presença,

compromisso aí, é contigo. Lela, só agradecer mais uma vez todo mundo que está aqui presente, muito obrigada aos alunos da Parabelo que vieram também assistir a aula que eu ia comentar, né, exatamente sobre esse distinguish do STJ, só para deixar claro para o público, a gente tem uma súmula, tá, uma súmula é algo que tem um precedente, eu acho que qualquer coisa salada pode explicar, ela deixa um precedente que deve ser obedecido pelos tribunais e esse precedente dessa súmula, ela

que o menor de 14 anos, independente do seu passado, do histórico sexual, independentemente do concedimento ao sexo, a constituição carnal, ato libidinoso com ele será interpretado como estupro de vulnerável. Então, se não há abertura por meio dessa súmula, esses entendimentos copiosos que começaram desde 2023, eu tenho batido na tecla, era a ministra Laurita Vaz, a sexta turma, sempre vencida no STJ,

o ministro Rogério Schietti, também na sexta turma, e a ministra Daniela Teixeira, vencida na quinta turma, ou seja, sempre vencida, assim, de lavada, entendeu, Vilela? E público que está aqui. Era sempre 4 a 1, era lavada mesmo, perdia para poder inocentar casos, todos os casos aí, em que falava, ah, houve consentimento, está tudo bem, relativizando o que a lei diz, relativizando o que a súmula diz. E eu acho interessante, aplaudo

todos que se movimentaram pela decisão do TJ Minas Gerais que, repito, só estava repetindo os precedentes do STJ e que a gente não pode parar, tá, Vilela? Não pode. Eu espero não ver mais nenhuma decisão nesse sentido no STJ e eu soube de uma DPF impetrada junto ao STF para que o STF suspenda todas essas decisões do STJ e dos tribunais que vieram em cascata relativizando essa súmula e a gente precisa

a lutar disso até o fim. A resposta, como disse o Salada, como diz a doutora Nath, tem que ser ampla e restrita e forte. E eu conto com todos vocês. Parabéns pela inteligência limitada de dar essa abertura. Parabéns, Vilela. Obrigada, Fabi. Obrigada a todo mundo. Um beijo grande. Beijo. Beijo, Ana. Obrigado, viu? Vamos continuar aqui, então. Eu vou abrir para uma pergunta do público para saber do que eles querem saber também, para a gente continuar aqui. Vamos lá, Romero.

pergunta aqui, da Sweet Fut, ela mandou aqui o seguinte, é uma pergunta até um pouquinho longa, mas ela mandou aqui o seguinte. Sofri dois abusos sexuais durante a minha infância e abuso fixo dentro da minha casa por conta do meu padrasto. Isso trouxe tantos problemas que nem sei da onde tiro forças pra continuar. Sofro com ansiedade alta, síndrome do pânico, depressão e aicomofobia. Ao contar pra minha família, eu fui descredibilizada e ignorada pelo meu próprio porto seguro. Agora, como

Estado pode ajudar tantas pessoas assim como eu, que são silenciadas e muitas vezes não são levadas a sério. Em termos legais, não sei dizer. Em termos legais, eu não sou advogado, não sou operador de direito, mas eu acredito que o crime de violência sexual ele não prescreve. Então, se um crime de violência sexual aconteceu hoje,

daqui a 20 anos, 30 anos, ficarem sabendo, isso aí é passível de pena. Então, de repente, a pessoa que foi submetida a esses maus tratos, esses abusos, essa violência, ela pode procurar uma delegacia da mulher, fazer a denúncia e pegar maiores orientações de como proceder. Porque eu sei que é uma coisa que... Como é que vai provar um abuso

que houve há algum tempo atrás, alguns meses, alguns anos, como que vai aprovar? Então, nada melhor do que uma delegacia da mulher. A delegada dessa delegacia vai poder dar uma orientação com muito mais propriedade, porque isso aí é o dia a dia dessa equipe que trabalha na Delegacia de Defesa da Mulher. Então, eu acredito que o primeiro ponto inicial

é ir numa delegacia. Delegacia de defesa da mulher. Aqui em São Paulo, DDM. Às vezes as siglas mudam de estado para estado. Mas é ir numa delegacia da mulher. Lá vai ter uma delegada, uma autoridade policial, que vai poder ver como proceder, o que fazer, com muito mais propriedade do que eu. Porque é o dia 10, garanto que tem N casos diários,

dessa situação. E acredito que haja um acolhimento. Com certeza. Porque o que acontece? Uma pessoa que ela venha tomar consciência de todos esses abusos, de tudo que ela sofreu, eu acho que é difícil a pessoa sair sem um trauma, não sair machucada. O abuso sexual para a mulher é uma violência tão grande que

Aquelas mulheres que... Não é que elas consigam... Elas superam, entre aspas, para tocar a vida delas da melhor forma possível. Mas é um fato que elas não vão esquecer nunca. Não é aquilo que, de repente, a pessoa esquece. Não vai esquecer. E elas ficam com um registro da dor, que é uma dor física e psíquica ao mesmo tempo. Então, mas a grande maioria das mulheres que sofrem do abuso, para elas conseguirem ter uma vida, vamos dizer assim, normal...

ela tem que conseguir pegar esse sentimento e guardar numa caixinha. Porque não vai conseguir tirar. Mas ela pode trabalhar esse sentimento. Mas então não consegue guardar. De forma que ela consiga ter uma vida normal, conhecer alguém, se dar bem, ter um bom relacionamento. E sem que esse fato extremamente traumatizante influencie ela numa relação legal. É nesse ponto que eu digo. Porque o trauma existe. Não tem como não ter.

Mas tem um trabalho bem grande para ela conseguir isso. Sim, mas eu conheço mulheres... Se ela der sorte de pegar um parceiro complexivo, que entenda que acolha os medos dela, a insegura. Você imagina a dificuldade para confiar que ela tem. Principalmente, Salada, quando depois de tudo que ela passou, ainda ela é descredibilizada. A família não acredita, a família culpa, a família diz que é mentira.

Então, além da queda do coice, sabe como é? Aí não tem pra onde correr. Então tem que ter realmente muito tratamento. Vá fazer terapia. Tem que trabalhar, mexer nesse conteúdo. Entender que ela não teve culpa. Porque muito da violência ainda é imputado. O abusador ainda fala, você me provocou. E se você contar pra alguém, ainda te mato. Eu mato a tua família. É sem fim o trauma. É aquela história. A mulher que foi abusada por causa da roupa que ela tá abusando.

Você pediu. Eu estava pedindo. Então, quer dizer, acho que uma pessoa normal, antes de tudo, existe o respeito. Claro. Entende? Não pode ser nada forçado. Mas quando uma criança sofre abuso, ela começa a achar que ela vale mais pelo tanto que ela é desejada e não tanto por ser respeitada. Porque vai deturpando. Ela é muito nova para aquilo.

Mas até no sentido de ser desejada. Uma criança sabe o que é ser desejada? Então, mas você veja, sofrer um trauma, uma violência sexual, esse caso que a gente está falando aqui foi uma violência. Mas o cara foi legal, o cara deu dinheiro, o cara deu presente. É visto pela criança de uma outra maneira. Eu não sei o que é pior,

que aquilo é uma violência. Você entende? É complicado agora, quando é um abuso ainda mais ostensivo ainda. É traumático. Mil cruzes, gente. Mil cruzes. A gente tem aqui a pergunta do EstilFJM. Ele está perguntando se vocês sabem dizer sobre as notícias da criança do Maranhão que sumiram, os dois irmãos. Eu não sei. Não tenho conhecimento. Você tem? Gente, só que me mata essa banhinha.

Até onde eu tenho conhecimento, não foram localizadas. Então eram três crianças, uma aparecia de volta, duas continuavam desaparecidas. Meninos? Três meninos? Não sei se agora são dois meninos ou um casal que está desaparecido ainda. Mas é criança pequena. Eles se embrenharam no meio da mata, uma das crianças foi localizada e as outras duas não foi. Só que mata.

Entende? Na mata, que era bem ou mal, existiam animais selvagens. Então, pode ter sido algum animal? Pode. Pode ter sido sequestrada? Pode. Não se tem informações de nada. Surgiu um boato que elas foram vistas numa outra cidade, não sei aonde, mas também não foi comprovado nada. Pequenas que idade? Pequenas, sete anos, oito anos.

eu tive conhecimento, permanecem desaparecidas. Então não se sabe qual foi o destino delas. Agora, criança em mata, vamos dizer, eu já fui pro interior do Amazonas e de repente fui lá numa casa saber que tinha uma onça que andava rondando as casas. E o pessoal é preocupado, querendo caçar onça, porque come bicho, pode matar eventualmente alguém, principalmente se for uma criança.

Se vai na parte do rio, pode ter jacaré, crocodilo. Então, não se sabe, não se tem informação, não se encontrou nada de restos mortais, roupa, alguma coisa dessas crianças. Simplesmente elas evaporaram. Agora, pode ter sido algum animal? Pode. Pode ter sido algum sequestro? Pode. Então, até onde eu sei, não tem nada, nenhuma informação, nada de concreto. Ai, tomara que dê tudo certo.

Já faz um tempo. Faz mais de um mês. E a relação de tráfico infantil? A gente está falando de alguns casos, mas também tem o caso de crianças. Sim, sim. Desaparecimentos? Em termos de desaparecimento, 66 mil pessoas desapareceram no Brasil o ano passado.

61% menina, 38% meninos. Como assim 23 mil, 24 mil crianças que desaparecem? Ninguém acha. Evaporam. Pode ser tráfico? Pode. Pode ser tráfico para o uso de escravo, escravo sexual, órgãos. Pode ser de tudo. Simplesmente é muita gente.

vinte e tantas mil crianças. Mas imagina o esquema que tem por trás. É monstruoso. É assustador. O que veio mais ou menos à tona eram as crianças na ilha de Marajó. Se fala que elas eram levadas para as guiânias, por traficantes de crianças. O que eles faziam com essas crianças também não se tem a certeza. Ou para o lado sexual ou para órgãos. De qualquer maneira é monstruoso.

Então é monstruoso. Mas eu falo assim, o Estado sabe, tem a ciência. O que o Estado está fazendo para isso? Então essa é uma preocupação talvez maior do Estado ter essa informação e o que está saindo de investigação para acabar com essa situação, para mudar essa realidade. Só está piorando. Então, como a doutora Ana falou,

Isso aí é o que é notificado. E a subnotificação? Esse número aqui que eu procurei estava lá, CNJ. E agora, quantas famílias que moram em locais mais isolados, que as pessoas desaparecem? Quantos abusos que acontecem que as famílias não notificam? Segundo a Luana, em termos de abuso, é notificado em torno de 10%. Imagina.

É mais preocupante. Eu achei que fosse uma porcentagem maior. 10% e o caramba. É muita violência. E quanto ao desaparecimento, também acontece. Acredito que números reais seriam maiores. Mas o que é notificado já é assustador. E geralmente são. Geralmente o número é maior. Os notificados já são assustadores. Imagina 23 mil crianças. Tá louco. No Brasil.

Brasil em um ano. Então, se isso é 10%, imagina. É. Mas que seja 50%, que seja real. 23%. Nossa, absurdo. Isso não tinha que acontecer. Mas isso, isso. Por isso que eu falei que o Estado tem que se manifestar. O Estado tem que criar estrutura. O Estado tem que ter essa provocação, a investigação e punir os culpados. E tem que ter punição. Tem que ter punição. Só assim que tenta melhorar.

Exatamente. Mas tem que ser uma punição real. Não pode ser que, às vezes, a gente vê, acontece um crime bárbaro, o cara é condenado há um ano. Entende? Como é um ano, já cumpre liberdade. Pelo amor de Deus. Aí, do cara dar uma cesta básica por mês, está liberado. Triste, né? É triste. Mas isso aí não é punição. Não é triste. Eu acho uma vergonha. É vergonha.

O sistema todo é vergonhoso. O Carlos Henrique mandou aqui uma mensagem perguntando o seguinte. Quando o abuso acontece dentro de casa, como em tantos casos no Brasil, qual é o maior obstáculo para a prisão do agressor? É a falta de provas? É o medo da vítima ou a pressão da própria família? Tudo. Só deixando claro que o fato de ser pai ou mãe não é o impeditivo para a justiça. Não. É crime do mesmo jeito. Com certeza.

Eu acredito que um pai seria ter um agravante. Com certeza. O próprio pai, o responsável pela proteção da criança, ele é o abusador, ele é o criminoso. Então, no meu ponto de vista, é um agravante. Muito. Agora, o que acontece? A criança, dependendo da idade, ela tem que tomar cuidado

que aquilo é um crime, que aquilo está errado. E não é uma coisa que seja natural. A criança ser abusada pelo pai ou pelo padrasto, isso é normal. Não, não é normal. A criança tem que ter essa ciência. E o problema maior, que é claro que existe, se tiver a mãe como conivente, ela também vai ser apenada. Imagina uma criança, ela pega, vai numa delegacia, faz a denúncia,

O pai e a mãe são presos. Como é que fica também a cabeça dessa criança? Que ela foi responsável por isso. Ela não, né? Mas é entre aspas... Ela acha. Entre aspas, ela foi o responsável, quer dizer, a vítima... Por aí você vê como ela não tem a menor condição, porque ela ainda se acha culpada. É culpada. Então, existe aí um problema a ser administrado

que é o problema psicológico. Muitas vezes, tenho certeza que muitas vezes vão acontecer, que os avós vão ficar contra a criança porque o filho foi preso, a filha foi presa por causa que a netinha falou. Mas isso acontece quando são pessoas que não estão na plena capacidade mental. Porque uma mãe que percebe que o filho ou a filha está sofrendo abuso do próprio pai, ela é a primeira que tem que defender.

Você entende? Teoricamente, o mundo policial... Eu imagino as coisas que vocês tomam conhecimento. É FDP. Sim. Então, você vê a mãe agenciando a filha. O pai abusa, a mãe também agencia. Não é que a mãe... Os dois têm a função também de proteção. Imagina uma mãe agenciando os programas da filha. A gente ouve casos assim. Eu... Teve um caso.

No DHPP, um cara abusou de uma criança de, se não me engano, três meses. Eu fiquei sabendo disso. E a criança morreu. Sim, claro. O que pode passar na cabeça de um ser humano? Não é nem ser humano, né? Eu acho que não é. De uma pessoa... Estuprar um bebê de três meses? Pegar uma criança de três meses... O que você faz com uma pessoa dessa? Eu acho que uma pessoa dessa dá para voltar a ter convívio na sociedade. Não!

Então, Vilela, o que acontece? Existem esses distúrbios, quando é do lado sexual, a gente chama de uma forma geral parafilia, são distúrbios sexuais. As taras, como a gente disse antigamente, taras. Tipo assim, tem aquele cara que sente prazer olhando, tem o nome voyeur. Comer cocô, sei lá. É, entende? Às vezes é com sexo com animais. Isofilia. Isofilia. Microfilia.

com mortos. Então, são distúrbios. Essas pessoas têm cura? Vão fazer de novo? Não, mas não tem cura essas pessoas. Não tem cura. É tipo da situação. O cara chega... Dependendo da parafilha, ela encontra um parceiro que toca e fica na dela. Mas ela não tem cura. Sim. Eu ia falar uma coisa. Vamos dizer, os pedófilos. Os pedófilos que eles têm

a atração por crianças, quando eles vão presos, eles estão sempre no bom comportamento quando ele está preso. Por quê? Dentro da prisão não tem criança. Então, às vezes, eles ganham uma saídinha, os benefícios. Na rua tem criança. Então, eles passam lá alguns anos presos, com aquela necessidade reprimida. Quando sai. Quando sai, o que ele vai sair? Sai atrás de quê? Não vai ser de uma adulta.

De uma pessoa adulta. E o que eu vejo, o problema do sistema, qual foi o acompanhamento psicológico que esse indivíduo teve em 10, 15, 20 anos preso? É muito pouco. Acompanhamento. Não é teste. Vou fazer um teste para ver como ele está. Acompanhamento. Uma conversa com um profissional da área, uma vez cada 15 dias, para ver, para dar orientação, para ver se ele melhora, se ele continua.

Tem isso aí? Não sei. No sistema carcerário, não sei. Eu trabalhei na FEBEM e tinha. Na polícia, tem psicólogo? Tem. Eu fiz acompanhamento. Na polícia técnica, tem psicólogo? Tem. Só que eu tenho que notar que eu não estou legal e eu ia atrás. Então, se eu estou completamente... O maluco não vê que ele está maluco? Ele não sabe, né? Então, por que não monta um esquema?

todo policial tem que passar por um psicólogo uma vez cada seis meses. Se for identificado algum distúrbio, alguma noção de alguma coisa errada, o psicólogo tem que voltar daqui a um mês, ou daqui a uma semana, ou sei lá. Mas ser obrigado a passar uma vez a cada seis meses. Não seria uma coisa interessante? Seria preventivo. Preventivo, exato. Mas aí está o problema. Mas o problema é que isso aí tudo

investimento, que, vamos dizer, na grande maioria dos casos, porque não existe a carreira psicólogo na polícia civil, nem na superintendência. O que é? É um policial que fez o concurso para escrivão, ou para investigador, aí ele fez o concurso superior de psicologia, e aí, então, ele é desviado de função para trabalhar como psicólogo, que é algo extremamente importante. Extremamente importante.

Nada melhor que um policial, alguém que viva dentro da carreira, que tenha esse conhecimento, para entender o outro maluco que está lá. Olha, eu sei que a gente tem sim que trabalhar no âmbito da prevenção. Tem que trabalhar. Eu concordo que tem que existir políticas públicas, porque realmente está uma coisa, uma epidemia absurda. Mas tem que começar na família. Se a família deixar de proteger, o negócio vai ficar...

Mas, às vezes, o problema é o seguinte. A família também tem que ser desperta com relação a esse lado. Eu não sei, Salada, qual é a dificuldade dos pais entenderem que eles têm que proteger o filho, que uma criança de 12 anos não pode ter sexo. Não é novidade para ninguém. Mas é aquela situação que tem o padrasto que abusa, tem a mãe que agencia. Mãe, não é madrasta. Então, como é que faz? Você percebe que...

Como é que vai fazer? É aquilo que eu digo. Eu não sei como fazer. Realmente, eu não sei. Eu sei que é complicado. Eu não tenho a solução. Tem que haver uma mobilização geral em todas as esferas sociais. Mas tem que ter especialistas e fazer um programa de melhora desse lado. Não sei como. Que tipo de programa? Não sei. Eu sei que é um problema que eu acho que o Estado,

situação, de todo esse abuso, de toda essa violência, se o Estado não começar a fazer alguma coisa, a tendência é só piorar. Se ele começar a fazer alguma coisa, pode ser daqui a 20, 30 anos de uma melhora significativa, porque não vai ser do dia pra noite, mas ao longo do tempo vai se conseguindo alcançar os objetivos, as metas. Sim, porque se isso não parar, quem é machucado vai machucar ou se machucar mais ainda. E uma criança,

Quando uma criança é colocada num lugar de um adulto, ela não amadurece mais cedo, ela se machuca mais cedo. Então, se isso não parar, se não houver uma reversão desse quadro, um entendimento do que está acontecendo, dos limites que têm que ser respeitados e da punição para quem não... E deixando claro que tem pais maravilhosos que protegem, obviamente, a coisa vai piorar. Infelizmente,

do jeito que vai, às vezes a gente se sente medo daquelas pessoas que estão gerando novos seres. Tipo assim, que mundo que essa criança vai enfrentar? Eu ainda não sou avó. A minha mãe fala, mãe, a minha filha fala, você não quer ser vovó? Eu falo, quero filha, claro. Mas às vezes eu me pego pensando assim, como que vai estar isso daqui 10, 15, 20 anos?

Mas é, coitado das crianças. Pois é. Fala, Rúmer. Vamos lá. Tem uma pergunta aqui da Fernanda Oliveira. Desculpa. Ela mandou aqui. Existe algum perfil psicológico comum de um abusador? Ou ele pode ser o tio legal, o vizinho simpático? Isso é o que mais confunde as famílias? Com toda certeza. Nenhum vem com crachá, sabe? Vou abusar, eu sou perigoso. Não, ele é legal. Ele é o legal.

Eu acho que ele é tão legal, ele é tão legal, tão, entre aspas, atencioso, generoso, que ele cria acesso. Ele conquista a família. Ele conquista a família. Então, ele conquista todo mundo para dar acesso àquela família. Por isso que acontece que a grande maioria dos abusadores ou são familiares ou vizinhos muito próximos. São pessoas que frequentam a casa.

ou um vizinho, alguma coisa, uma pessoa que eu não gosto, ela não vai frequentar a minha casa. Se tem um parente que eu estou sempre atritando, ele não vai estar frequentando a minha casa. Agora aquele lá, bonzinho, que está lá, vamos fazer um almocinho, vamos comer. Olha, trouxe um presentinho para a sua filha. Aquele que realmente se aproxima. Então não existe um rótulo. O que a gente tem que entender é assim,

A doença, eu quero dizer como uma doença, uma parafilia, um transtorno sexual, né? E eles enganam todo mundo. Não tem como permitir. Eles enganam todo mundo, mas o filho dá sinais, a criança dá sinais. Ela começa a fazer xixi na cama, ela vai mal na escola, ela fica... Mas eu tinha uma... Começa a investigar se teu filho tinha...

que ela falava o seguinte, a minha filha não senta no colo nem do pai dela. Ela vai sentar no colo é no meu, não senta no colo de ninguém, nem do pai. Que triste chegar nesse ponto, um pai não poder pegar uma filha no colinho, né? É, entende? Mas você vê... Porque tem um medo. Medo, medo, exatamente. Um medo que isso aí possa instigar o pai a uma coisa tão... É, mas não é assim. Não, não, mas eu digo...

a situação dela. Mas não é um absurdo uma pessoa pensar dessa forma. Então, não existe o perfil que a gente consiga diagnosticar de uma forma dentro do convívio quem seria um provável abusador ou não. Exatamente. Eles não dão pista. Eles são bacanas, são simpáticos, são gentis, são divertidos. Porque é como um

no relacionamento abusivo, o cara não chega batendo. Ele chega príncipe. Quando a intenção é fazer essa maldade, a pessoa vai disfarçar muito bem. Tem a pergunta aqui do Rafael Mendes. Ele perguntou aqui para o Salada. Em muitos casos, a denúncia só acontece anos depois. Quando a vítima denuncia já adulta, como funciona a questão das provas e da prescrição no Brasil? Como a pessoa consegue provar?

até onde eu tenho conhecimento. Não sou operador do direito. Então, até onde eu tenho conhecimento, esse é um dos crimes que não prescreve. Eu não sabia. Eu sei que o mais trabalho é homicídio. A princípio, homicídio prescreve com 20 anos. Então, existe uma regra de prescrição da pena em função da maior pena, da menor pena, tendo esses cálculos.

que se faz e segue uma regra. Eu sei que homicídio 20 anos, se não mudou. E até onde eu sei, onde eu tenho conhecimento, o crime de violência sexual não prescreve. Agora, como provar? É uma coisa que é delicada, por isso que eu falo. A situação toda começaria com uma denúncia numa DDM. A delegada de uma DDM vai ter muito mais condições de orientar

saber o que fazer, como dar andamento no caso. Imagina a prática. É o dia a dia. É uma prática da qual eu não tenho esse conhecimento. Então, eu acho que eu começaria por uma denúncia na DDM. Falar com escrevãs, conversar com delegados, para começar todo um processo de andamento.

crime, né? Esse abuso. Sim, claro. Com certeza. E demora mesmo, né? Demora mesmo. Porque ela guarda aqui. Ela guarda. Morre de medo. Tem medo do agressor. E tem medo até da situação... Imagina ela dentro da família, né? Não só irmão, mãe, parentes, que ela foi abusada pelo padrasto. Ela foi abusada pelo pai. Olha que trauma. Nossa, é vergonha. É vergonha. Incrivelmente.

vítima tem vergonha. Ela foi vítima e ela tem vergonha de ter sido a vítima. Então, é complicado? É. É uma barreira a ser rompida? Sim. Tá certo? Tá. Foi crime. Se a gente busca a justiça, a justiça tem que valer e a lei tem que valer pra todos. Com certeza. Pergunta da Mariana Souza. Ela tá querendo saber no caso do menino Bernardo Boldrini. Muita gente dizia que havia sinais claros

de que algo estava errado. Porque mesmo quando os sinais aparecem, os adultos ao redor não conseguem enxergar ou agir. Conseguem enxergar. O que não conseguem é admitir a omissão. É muito complicado admitir que deveria ter agido antes, deveria ter prestado mais atenção, deveria ter feito qualquer coisa para proteger e falhou. Então, é muito difícil essa admissão. Esse que é complicado. Até tem aquele ditado, né? Casa de Ferreira Esperto de Paulo.

Então, a gente vê o que está errado, mesmo por profissionais da área, e consegue ver o problema em outras pessoas, mas o problema, quando acontece dentro da gente, dentro do nosso seio familiar, simplesmente a gente não consegue enxergar. Então, às vezes pode ser que tivesse alguém de fora que conseguisse observar. É um outro exemplo, aquela pessoa que está jogando xadrez e não há de resposta,

se vem alguém de fora, põe aqui. E a jogada dá um checkmate. E a gente não conseguiu enxergar. Mas quem veio de fora está vendo. É que às vezes a violência é uma coisa tão horrível que a pessoa custa acreditar naquilo também. Ou às vezes custa, ou em alguns momentos pode se tornar natural também. Que é uma coisa que infelizmente a gente está vendo. Vai banalizando.

É normal a criança tomar uns tapas, a criança ser oprimida, a criança não sei o quê. Normal, é o dia a dia. A criança dá trabalho. Então, vamos castigar. Mas aí existe o castigo, existe o castigo. Existe o bater, existe o espancamento. Que é uma diferença muito grande. Você bater para educar é uma coisa. Você espancar é absurdo. Então, eu sou a favor dele.

dar uma espalhada como corretivo. Sou absolutamente contra a violência, o espancamento. Sou totalmente contra. Mas acho que o bater educacionalmente, para mim, funcionou. Então, aquilo que a gente aprende é aquilo que a gente transmite. Então, acho que funciona. Eu nunca apanhei. Melhor. Não tem motivo. Eu fui uma pessoa...

apanhei, mas apanhei muito pouco. Com meu filho, eu batia pouco, quando precisava, no intuito de educar. O que é certo, o que é errado, o que pode. Não pode. Não me arrependo da educação. Hoje é um formado que está com a mulher dele, feliz da vida, trabalhando, se virando. Só falta ficar rico, mas chega lá. Mas acho que isso aí...

Entende? Agora, o que eu acho que é muita coisa que varia muito é o trabalho psicológico, o psique. Mas as pessoas estão um pouquinho mais voltadas agora para a saúde mental. Não, estão buscando. Estão buscando. Mas estão buscando porque acho que não estão aguentando mais. Não está, não está mais dando. As pessoas, ninguém aguenta mais o tumulto

do dia a dia, da vida corrida, do jeito que vai, acho que a grande maioria das pessoas, se não buscar um apoio por esse lado, qualquer hora a gente vai começar a diminuir a população, que vai começar a matar gente. A gente tem a pergunta da Bianca Frattini, ela está perguntando aqui, quando um caso expõe na mídia, como aconteceu com o caso do menino Henry Borel, a exposição ajuda a proteger outras crianças ou ela atrapalha a investigação e transforma

e um espetáculo. É um pouquinho dos dois, mas eu acho que ajuda, sim. No caso daquela menina também, a Nardone, quantas mães ficaram... Deu um rolo, porque as mães começaram a não querer deixar os filhos irem com o pai, que era casado com outra mulher, que era casado. Também não é assim, mas eu acho que chama atenção. Você fica muito em estado de alerta quando você vê

crime bárbaro desses acontecendo. Mas você vê, no caso do menino Henry, a mãe sabia? É. Por isso que eu te falo. É a família. Se a família para de proteger, a coisa degrigola totalmente. Pelo que foi divulgado na mídia, a mãe tinha ciência do Henry Borel. Ela sabia. Isso o próprio pai do menino? Se vê que a mãe era tão preocupada que ela

estava lá na delegacia se maquiando, se arrumando, na delegacia, sabe? No momento que é de uma tristeza que não tem dimensão, uma mãe vê um filho morto, não se dimensiona o abalo que uma mãe deve sentir nesse momento, uma criança, tá? E ela é preocupada com a imagem dela, olha, tem que passar blush, tem que passar batom, sabe? Eu diria que, por alguma característica, essa mulher,

mal, ela não é. Deve ter algum outro distúrbio que teria que ser avaliado. Então, uma mulher que tem ciência, sempre pelo que é divulgado pela mídia, pela informação que chega na gente. Uma criança, o meu filho, ser sujado e para mim tudo bem, eu não funciono. Eu morrer espancado. Eu não funciono também. Eu tenho que ter algum problema. Porque se eu vejo

alguém encostar a mão no meu filho desde pequeno quanto até hoje, vai dar briga. Não sei se eu vou ganhar, mas vai dar briga. Posso até perder. Sim, mas não vai ficar quieto. Mas não vou ficar quieto. Então, eu acho que essa é a situação. Eu acho que essa é a reação de qualquer pai, de qualquer mãe. Proteger. Fala, Romer. A Camila Torres quer saber sobre casos onde a violência física não é evidente.

A justiça age quando a criança sofre uma pressão psicológica de algum motivo, uma tortura psicológica. Não sei se ela quis dizer isso. Depende. Ou o que ela quer dizer é que a criança apanha ou tem violência, mas não é visível também. O que acontece? O Estado tem que ser movimentado. Não vai acontecer de, de repente, uma criança que só afirma tortura psicológica ou mesmo uma tortura física que não seja evidente.

O Estado não vai na casa das pessoas. Não tem como saber. Exatamente. Se houver uma denúncia. Então, o que acontece? O Estado tem que ser acionado. O Estado tem que ser movimentado. Eu já fiz... Não interrogatório, nem oitiva, mas queria saber algumas posições de uma vítima que era menor de idade. Ela tinha que ser acompanhada por uma psicóloga. Sim.

perguntas para uma criança, estava mãe e estava psicóloga, porque eu não posso induzir a criança, ela tem que sentir liberdade de falar o que aconteceu. Então, numa situação onde houver uma denúncia de uma criança que está sendo agredida fisicamente, que não deixa marcas, ou psicologicamente, um médico dentro do lado físico teria condições

provavelmente identificar alguma coisa. E, no lado de um abuso, de uma pressão psicológica, a presença de uma psicóloga infantil... Sim, através de desenhos. Ela vai conseguir tirar essa informação. A criança vai soltar alguma coisa. A psicóloga vê que tem alguma coisa estranha, precisa ver direitinho, vai fazer outro teste, vai fazer outra atividade, até que leve a comprovação

tem algum abuso psicológico ocorrendo com aquela criança. Então, mesmo dentro da área da psicologia, que a gente tem que entender, existem diversas áreas, diversos especialistas em áreas. Treinados para conseguir investigar isso. Mas eu digo o seguinte, tem várias especialidades. Aquele psicólogo, eu nem sei os nomes,

de Santar, que é especializado em criança. Então, o psicólogo, nessa especialidade, com a prática dele, ele vai conseguir extrair aquele sentimento que a criança está tendo, aquilo que ela está passando, e documentar e vai dar uma posição. Ela consegue dar um laudo. Essa criança está sendo abusada psicologicamente. Mas aí precisa haver um movimento também familiar. Não, assim, para procurar ajuda.

Eu passei por isso. No meu consultório tinha uma psicóloga infantil. Ela estava atendendo uma criança. Uma criança que estava dando problema, chorando, não dormia, xixi na cama, blá, blá. Ela falou para mim, você atende a mãe? Eu estou atendendo a criança, você atende a mãe? Comecei a atender a mãe. Ela um dia me chama e fala, você me ajuda a analisar esses desenhos? Para resumir, descobrimos, entendemos que ela estava sofrendo abuso do pai. Aí ela começou a trabalhar isso com a criança e eu fui tocar nesse assunto.

com a mãe. Nunca mais apareceram no consultório. Você entende? Então, dá pra gente entender, dá pra você averiguar, dá pra você investigar. Porque a criança pode não verbalizar, mas ela mostra. Então, os pais têm que estar atentos pra isso. A mãe tem que estar atenta e buscar entender o que está acontecendo. Se não houver esse pedido de socorro, levar a criança pra ver o que está acontecendo, aí nem o Estado, ninguém vai poder fazer nada.

Tem que haver esse movimento de buscar ajuda e entendimento. Com certeza. E a Mariana, ela perguntou aqui se existe algum sinal silencioso que você identifica uma criança quando ela sofreu algum tipo de abuso. Sim, sim, vários. Vários. A criança, ela fica diferente. Ela fica totalmente introspectiva. Ela fica chorona. Ela mexe com o sono, com a alimentação. Ela tem medo, começa a ter medo das coisas.

ou não quer ir para a escola, na escola ela não interage, tem muitos, muitos sinais. E mesmo que ela não dê pista de nada, ela vai ficar mais quieta e os pais vão entender que aquilo está diferente, o comportamento da criança. Uma pessoa que conhece, você conhece teu filho, você sabe como é que ele se comporta, como é que ele age quando ele está triste, quando ele está assustado, você percebe. Então, dá para notar que tem algo, você não vai saber o que é,

Sim, para você entender que tem alguma coisa muito séria acontecendo com o teu filho. Perfeito. Aqui foi. E aí, gente? Faltou algum ponto? Alguma coisa que vocês teram ressaltar? A criança tem que viver a infância, a criança tem que ter sossego, tem que se sentir protegida, tem que se sentir amparada, vista, olhada, respeitada. Tem que viver a infância, as fases naturais da infância. Não tem que ter vida de adulto, não tem que viver coisas que ela não esteja preparada para viver.

porque a coisa está mudando, as configurações estão mudando, as crianças têm acesso a coisas que não tinham, a gente não tinha. Então, se a gente não prestar atenção no que o filho está consumindo, com quem ele está conversando, esses jogos absurdos, onde eles são chamados a fazer coisas, ou pedófilos que entram em contato, se passando por criança, por mulher. Então, a gente precisa, sim, aumentar a vigilância.

E teve um debate recente sobre adultização nas redes sociais. Eu acho que também pode estender esse debate para músicas ou para cultura que incentiva esse tipo de coisa. E a gente sempre vai esbarrar em as pessoas falando de liberdade de expressão. Eu acho que nesse caso não existe liberdade de expressão quando tem crime sendo cometido. Sim, e quando é criança que está consumindo. O problema é quem consome. Porque eu conheço crianças

que vai dentro da dancinha, entre aspas, erótica, né? E todo mundo aplaude. Que pra elas é farra, né? Polia, os pais acham bonitinho. Então, ela não entende, não sabe exatamente o que está acontecendo. Desde a boquinha da garrafa, não é uma coisa recente. Mas, vai, começando a desenvolver esse lado de uma coisa que é tipo assim, o pessoal fala, ai, funk, tá? Existe alguns, eu particularmente,

sou fã, mas existem músicas de funk que são extremamente pornográficas. Existem músicas de funk, principalmente com a mulher. A mulher é um lixo dentro de algumas músicas. É um objeto, não é um ser humano para se trocar, ter crescimento, para ter companheirismo. Não, é um objeto para ser usado.

que as músicas transmitem. Culturalmente, tem muita coisa que mudar. Tem alguns países já proibindo o uso do celular até certa idade. Que seria perfeito. Porque a cabeça não está feita ainda. Mesmo a nossa que está feita, você não aguenta ver tanta desgraça. Na escola, não se entra com o celular. Então, você está começando a ter uma restrição a esse aparelho. Para mim, um dos problemas maiores que tem

no celular, é onde você tem acesso a tudo e acesso com um imediatismo. Tudo tem que ser na hora. E sem preparo psicológico pra consumir aquilo. Sem nada. Entende? Sem nada. Mas é um imediatismo terrível. Obrigado demais aos dois. Salada. É um prazer. Redes sociais, alguma coisa que você queira divulgar, essa é a hora. Rede social, perito de salada. Livro? Eu tô com livro. Exato.

Cadê esse livro? Não trouxe, né? Eu não trouxe de propósito. Eu vou ter que me voltar. Promete? Promete? Prometo. Então, beleza. Qual que é o assunto do livro? Na cena do crime, por trás da fita amarela. O que é o livro? As pessoas têm aquela curiosidade. Então, quando acontece um crime, todo mundo quer ver. E não tem acesso. Onde é que a pessoa é barrada?

Fita amarela e preta. E o que acontece depois dessa fita? O que o perito está vendo? O que o raciocínio está se tendo? O que está sendo visto? O que está sendo esclarecido? De que forma a gente está direcionando para tentar esclarecer o crime? A gente conseguir dar uma dinâmica. O que nós estamos vendo de errado? O que fecha? O que não fecha? Então, é justamente esse olhar pericial que eu transmito no livro.

Então é aquela curiosidade que todo mundo tem, que vai na cena do crime e é barrado pela pinta amarela. E eu conto o que acontece depois. Legal, muito legal. Então é uma... Interessante esse episódio. É uma linguagem bastante acessível. Porque o Objetivo não é um livro técnico. Não falo nada de técnico, mas faz em termos de observações. Que acontece. É legal, né?

É uma tensão, curiosidade. Mas é o que acontece. O que você tem que olhar? O que você tem que cuidar? O que você está vendo? Porque o perito... Existe aquela romantização. A última voz da vítima. A última? O voz da vítima numa cena de crime. É um lado romântico. Eu falo que o perito tem que trazer a verdade. A análise dos indícios, dos vestígios.

para que se traga friamente, tecnicamente, porque perícia é uma atividade técnica. Sem paixões, sem ideologia. Sem achismos. Então o pessoal, mas o que você acha? Eu não tenho sorte, eu não acho nada. Então tudo tem que... O que é isso aqui que você está colocando? Olha, está vendo isso aqui? Está aqui, aqui, aqui, assim, aconteceu isso. Portanto é tal coisa. É, é tal coisa. Então tem que ter uma razão,

uma descrição técnica, uma explicação técnica daquilo que eu estou analisando para dar a conclusão que eu estou chegando. Na perícia, eu não posso ter astismas. Tem que ter deduções. E eu tenho que saber essas deduções. Então, eu tenho que levantar todos os vestígios e trazer de uma forma entendível. Para um leigo. Para uma pessoa de conhecimento médio.

ser um gênio, mas também não pode ser uma pessoa com pouco conhecimento. Uma pessoa mediana de entender aquilo que eu estou trazendo. Porque o que acontece? Se eu for alguma coisa altamente técnica, é que nem a gente brinca do médico, que eles falam medicinês. O médico conversa com o outro, mas ninguém entende o que eles estão falando. Alguém tem que traduzir. Nem a letra. Mas a gente tem que ser um...

o fato levantado de uma forma entendida. Vamos marcar, hein, Salada? Essa live vai ser maravilhosa. E eu quero deixar claro também, o Homer deve estar acompanhando aqui, muita gente contando casos que passaram de abusos quando era criança. Coisas muito pesadas aqui. E todo carinho, toda empatia em relação a vocês, eu não imagino o que pode passar na cabeça de uma pessoa que sofreu abuso quando era criança. Muita gente falando que até hoje tem medo de dormir em quarto escuro,

ou tem medo de se relacionar com uma ou outra pessoa. Então, assim, é muito relato. Ou seja, não é uma coisa pontual que a gente está falando. É uma coisa muito mais presente na nossa vida que a gente às vezes não sabe que pode estar no nosso vizinho do que a gente imagina. Inclusive dentro da própria família, né? Com certeza. Eu diria que se nós formos analisar friamente, eu digo que é uma situação no mínimo assustadora. E mais comum do que deveria ser.

Muito mais. A gente não imagina. Por isso que quando você traz esses números que são subnotificados ainda, são assustadores. E a gente sabe que é muito mais do que isso. Doutora, obrigado demais. Redes sociais, onde a gente te acha? Instagram, Dranaidamico. O meu canal no YouTube é Papo com Anaidamico. Estou lá no caso de família. E meu livro, O Amor Não Dói, onde eu falo sobre relacionamentos abusivos. E estou aí na luta, tentando ajudar.

É verdade, né? Amor não dói. Isso vale pro assunto de hoje também, né? Isso, exatamente. Se tá doendo, tem alguma coisa complicada. Se tá fazendo mal, né? Obrigado demais aos dois e ao Pimentel e à Luana que estiveram aqui com a gente. Que mesa que a gente montou hoje. Fico feliz da gente conseguir fazer programas tão especiais e tão importantes quanto esse. Obrigado demais. A gente atrasou um pouquinho, tivemos problemas técnicos, não é, Romano?

É verdade, mas já foi resolvido. Teve uma inundação aqui no estúdio com as chuvas da semana passada, talvez? Semana passada.

Sério? Começou a entrar água aqui de tudo quanto é lado aí. E aí, né? Vamos consertar isso, mas deu certo. É isso aí. Foi muito bom. Homer, primeiro eu quero saber se o seu cabelo agora está perto do que vai ser daqui pra frente ou ainda vamos ver mudanças no seu corte ainda? Ah, eu acho que vai haver mudanças ainda, viu? Depende do meu humor. Careca! Rapá? Rapá, ou vou fazer moicano de novo, vamos ver. A moicano vai demorar um pouco, né? Pra fazer rasta?

Tá certo. Homer, e você, o que tem pra dizer pro pessoal que participou dessa live? Bom, agradecer a nossa patrocinadora Pix do Milhão, tá aqui patrocinando o episódio de hoje. Se você ainda não deixou o seu like, tá panguando. Tem que deixar o like. Deixa aí o like, que o papo foi maravilhoso. E o pessoal tem que escrever alguma coisa pra criar um compartilhamento, um comprometimento com você e ajudar essa live a chegar a mais pessoas.

O que o pessoal escreve nos comentários pra provar que chegou até o final desse papo? Pra provar que chegou no final, coloca aí. Protejam as crianças. Protejam.

Muito bom, Homer. Fiquem com Deus. Beijo no Cotoveli. Tchau. E que bom que vocês vieram. Valeu. Fui.

a todos.

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