Episódios de Inteligência Ltda.

1795 - FABIO PORCHAT

25 de março de 20262h44min
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FÁBIO PORCHAT é humorista, ator, roteirista e apresentador. Ele vai bater um papo sobre sua carreira, o começo da comédia stand-up no Brasil e o sucesso do Porta dos Fundos. O Vilela nem tomou banho porque achou que iria conversar com o Fábio por chat.

Assuntos15
  • Origem do Porta dos FundosReunião inicial com Antônio Tabet e João Carvalho · Recusa de TV aberta · Lançamento no YouTube · Primeiros sketches de sucesso · Crescimento viral · Venda para Paramount e recompra
  • Impacto das Redes SociaisImpacto do algoritmo · Cultura do cancelamento · Haters e ataques virtuais · Diferença vida real vs virtual · Saúde mental online · Restrição ao uso por menores
  • Feminismo e MachismoViolência contra mulheres · Red pill e masculinidade tóxica · Representação de mulheres · Licença paternidade · Igualdade de gênero · Cancelamento de mulheres
  • Atentado e bomba ao Porta dos FundosEspecial de Natal A Primeira Tentação de Cristo · Reação religiosa e política · Responsabilidade artística · Polícia e investigação · Saúde Emocional
  • Educacao TeatralInfância e escola · ESPM e administração · Aparição no Jô Soares 2002 · CAL - Casa de Arte Laranjeiras · Aprendizado prático
  • Trabalho em grupo vs soloImportância de colaboração · Grupos de humor históricos · Dinâmica criativa · Ego e produção · Evolução do mercado
  • Atuação de Lucia na políticaPosicionamento em eleições · Importância do Congresso · Deputados e políticas públicas · Saneamento básico · Rio Tietê despoluição · Cobrança de posicionamento
  • Humor e ComédiaLimites da piada · Contexto e cancelamento · Personagens vs opinião pessoal · Debate vs rede social · Importância do formato
  • Carreira TV GloboSaída da Record · Entrada na Globo · Papo de Segunda · Junto e Misturado · Risco de mudança
  • Bullying EscolarAbuso verbal na escola · Ser alvo de brincadeiras · Isolamento social · Amizade com meninas · Impacto psicológico
  • Escrita e roteiroProcesso criativo · Zorro Total · Aprendizado na profissão · Textos de stand-up · Colaboração com outros escritores
  • Desenvolvimento de PersonagensMauro César resolvedor de crise · Judite TIM · Personagens do Porta · Diferença ator vs comediante · Uso de ficção pra falar de política
  • Turismo em RoraimaTurnê pelos EUA · Maldivas · Suécia e Spotify · Impacto de viajar · Histórias de viagem
  • Relacionamentos FamiliaresMãe professora · Pai organizador de exposições · Tios que apoiaram faculdade · Relação com avó · Estrutura familiar
  • Filmes de Fábio PorchatEntre Abelhas · Primeiro filme do Porta dos Fundos · Crítica vs público · Redescoberta e cult · Performance em dramas
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Olá, terráqueos! Como é que vocês estão? Eu sou o Rogério Vileira e está começando mais um Inteligência Limitada. O programa onde a limitação da inteligência acontece somente por parte do apresentador que vos chama, que vos fala. Sempre trago pessoas mais inteligentes, mais interessantes e com a vida muito mais alegre. Comédia do que a minha educação. Sua vida é uma comédia. A minha vida é uma grande comédia. Você não vai fazer piada hoje que tem um comediante aqui, cara.

Sério? Você veio com uma piada preparada? Você me proibiu de fazer piada. Não é que proibir, é que as suas piadas... Você está me censurando aqui.

Suas piadas. Se pensar em alguma boa, você faz, cara. Ah, é? Então tá bom. Cuidado com o horário também, né? Você pode. Porque outro dia você mandou logo no começo, o convidado aqui, ele ficou e não passou. Aí o pastor não sabia se ria, cortava pra câmera dele, ele tava... Como que vai ser a participação do pessoal nessa live especial e aguardada? Hoje é uma live maravilhosa, supimpa, dedicada para pessoas especiais. Você vê que ele é um cara do momento. É, do barco barco.

Balacobaco. Será lá é pipimpão hoje. Eu tô aqui com o Fábio, né? Então, hoje é uma live especial da Glicada para Pessoas Especiais, que são os nossos membros. Se você ainda não é membro, torne-se membro. Além dos membros, quem são pessoas especiais? Olha, tem bastante gente aí, cara. Tem Naldo Baguncinha. Naldo Ben e Mike Baguncinha. Você viu que eu já emendei. Não, na realidade, eu cortei caminho e juntei os dois. Naldo, o Henrique Cristo.

Henrique Cristo. O Pablo Marçal, pessoas especiais, né? Exatamente, cara. E os nossos membros. Minha mãe passando aí atrás,

Apareceu ela na câmera ou não? Já vem causando aqui, ó. Fica aí. Já tá valendo. Ué, dá um beijo depois. Tá, entra aqui. Vai, vai, vai, mãe. Como é que ela chama? Dona Iraildes. Iraildes. É Iraildes. A gente tá ao vivo, mãe. Tranquilo. Vai no seu tempo aí. É tranquilo. É de boa aí. Desliga o celular, tá, mãe? Tá bom. Se tiver pergunta, vem aqui no microfone.

fone, tá bom? Onde a gente tava? Eu esqueci já. Bom, eu estava anunciando que é uma live especial, dedicada para pessoas especiais. Ah, é que os membros sabem na agenda, quem vem antes manda as perguntas. Exatamente, eles passam na frente aí do chat, já sabem quem vai vir e manda a pergunta com antecedência. Então já deixa o seu like, se inscreva no canal e torne-se membro. Exato, antes de falar com o Fábio, quero falar com você.

Pessoal, essa dica aqui é pra você que trabalha por conta e recebe no Pix, mas ainda não tem CNPJ. Tudo porque você pode estar perdendo oportunidade de ganhar mais dinheiro e profissionalizar

de vez o seu trabalho, porque uma hora alguém vai pedir nota fiscal e se você não tiver CNPJ aberto, pode acabar perdendo clientes grandes. E aí que entra a Contabilizei. Sabe quando você quer se organizar, crescer, trabalhar de um jeito mais profissional, mas acha que regularizar vai dar dor de cabeça? Então, a Contabilizei ajuda justamente nisso. Eles fazem tudo online, abrem seu e-CNPJ, te ajudam a entender qual é o melhor tipo de empresa para o seu trabalho,

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o teu celular pro QR Code que tá aqui na tela e fala com a Contabilizei. Use o cupom inteligência e ganhe dois meses grátis. Quantos meses grátis? Dois meses grátis. Olha só, é simples, é online e pode te ajudar a dar um passo importante pra profissionalizar o seu negócio. Ô, Romer, quero dar outro recado. Posso dar outro recado aqui? Pode, pode sim. Você tem tempo? Você tá com tempo aí? Eu tô aqui com todo o tempo livre. Então, beleza.

Ó, Terracos, vocês têm acompanhado aqui no Inteligência Limitada sobre essa situação delicada que tá acontecendo no

Então, em momento de turbulência geopolítica, é comum procurar formas de proteger seus investimentos e patrimônio. E isso está acontecendo agora também no Irã. Com a estabilidade econômica e política, muitos iranianos têm buscado uma forma de se proteger. E uma das alternativas tem sido o quê? Você sabe, Homer? Opa, é o Bitcoin, hein? Bitcoin. Até o Homer está sabendo disso, é óbvio.

A moeda perdeu mais de 30% do seu valor desde que o conflito escalou. E segundo, porque o Bitcoin é um ativo global consolidado que muitas pessoas usam justamente para se proteger da inflação e também de possíveis restrições financeiras ou decisões políticas, como limites ou bloqueios

de saques. O Bitcoin está cada vez mais presente na chamada economia real. Um exemplo disso é o mercado Bitcoin. A empresa, que foi a primeira corretora de criptomoedas do Brasil e já tem 13 anos de mercado, acaba de lançar uma novidade chamada criptocrédito. Se liga só no que é. A ideia é bem simples. É um crédito em que a garantia são seus próprios criptoativos, ou seja, sem análise de crédito, sem burocracia.

do Bitcoin tem crédito. E é na hora. O valor cai na conta em até 5 minutos e você pode usar como quiser, inclusive sacar. Porque no final das contas a vida não precisa de aprovação. Então fica a dica, quem abrir a conta e investir agora no mercado do Bitcoin ganha 48 horas de taxa zero. É isso mesmo que você está escutando. E usando o cupom COMECE você ainda recebe 25 reais. É só apontar a câmera para o QR Code que está aqui na tela.

acessar o site do mercado Bitcoin. Não é isso, Homer? É isso aí. Fechou. Quero também falar com você, Terrac. Vamos falar de amor? Aquele amor verdadeiro que temos pelos nossos bichinhos. Nossos companheiros fiéis precisam sempre do melhor cuidado possível e é aí que entra a Pet Love. A Pet Love é o maior plano de saúde pet do Brasil e tem tudo que nossos pets precisam. É um plano especializado no bem-estar e felicidade deles. Quem ama, protege. A Pet Love oferece até

5 opções de planos. Desde o mais padrão até o mais completo. Todos com valores super acessíveis. Tem plano que você gasta menos de um real por dia, sabia disso? E se sua família de pets for grande, tem descontos progressivos de acordo com a quantidade de amores da sua vida. Olha que legal. Ei, Homer. Eu aqui já tenho um gatinho chamado Morango. Eu tenho duas gatinhas também. Eu tenho duas gatinhas também. E meu filho quer mais um gatinho.

E a cachorra fica aqui, fica na casa da mãe, fica aqui, fica lá. Então, quero mais um cachorro só pra mim agora. Ó, pra contratar, a PetLob é simples, tudo digital por site ou aplicativo. A rede credenciada de clínicas, hospitais, laboratórios, etc. é super ampla, com mais de 8 mil credenciados. O valor é o mesmo pra qualquer pet. Não importa a raça, porte, doença ou idade. Além disso tudo, a microchipagem é gratuita.

Tio Inteligência Limitada, ô, Homer? Tem sim. Como que é o esquema? Olha só. Cupom Inteligência Limitada 50, você ganha 50% de desconto na primeira mensalidade. Repita. Repita. Quanto? 50% de desconto. Olha que coisa bacana, então, hein? 50% de desconto na primeira mensalidade. Contrate já o plano que mais se adequa aos seus pets. Cuide do seu amor com o plano de saúde PetLobby. Se tem pet, tem que ter. É só ir no QR Code que tá na tela ou...

Link na descrição. Fechou. E agora, vamos pro papo? Vamos. Fabiões. Alô. Finalmente, cara. Falei que vinha, não falei? Antes de mais nada. Aqui, duas mãozinhas pra ser bonitinho. Levanta, levanta. O que é isso? A gente tá de parte dos operados aqui. Então, eu fiquei preocupado e falei, ó, Fabio, eu tô operado. Ele falou, não, relaxa, eu também tô aqui. Então, os dois aqui, né? Muito bem. Pô, cara, eu tô feliz pra caramba de você estar aqui.

Ainda bem que assim, não deu, mas eu acho que quando dá também é pra ser na hora certa também, né?

tentando marcar bastante tempo, e agora depois você vai falar sobre isso também, tá com um espetáculo aqui em São Paulo, então casou, né? É porque, na verdade, aconteceu uma coisa que é o seguinte, eu sempre dei entrevista pra todo mundo, eu falo isso pra minha assessoria de imprensa, eu quero falar com todo mundo mesmo, com a pessoa que tá na faculdade fazendo negócio, quero falar com, sei lá, com Bial, entendeu? E aí, e falo mesmo com todo mundo, só que aí eu comecei a sacar que aí eu comecei a falar as mesmas coisas nos mesmos lugares, e começou a ficar meio...

E meio nada. Eu não tinha sobre o que falar. Você se sentia meio mal de falar, putz, cara, essa história já contém. Eu não tinha novidade. Aí eu falei assim, quer saber? Eu vou começar a dar entrevista quando eu tiver sobre alguma coisa pra falar. Então eu tô estreando a peça, vai estreando o programa, o que história é essa nova temporada hoje. Aí faz sentido eu dar essa entrevista. Entendi. Talvez em junho. Não tenha muita lógica.

Sei lá, em agosto eu vou falar sobre o quê? Se eu não tiver nada. Então, no fim das contas... Mas hoje, por exemplo, o tema é guerra na... É isso. É Ucrânia. Eu vim preparado pra isso. Se não tiver Beirute e Israel no nosso papo... É, vamos começar.

E aí, hein? Irã? Como que tá? O meu presente tem a ver com isso. É mesmo? Já manda o presente. Pode ser? Ó, então vou já explicar. Eu tô mudando. Eu comprei uma casa... Você mora... Sua base é onde? É no Rio? No Rio. Eu comprei uma casa no Jardim Botânico, vivi um pesadelo de reforma, um negócio horrível, foi terrível. Não, nojo. Aí consegui vender minha casa. Depois que ela ficou pronta, eu não tenho casa nesse momento. Estou nesse momento sem casa. Você fica onde? Em pedaço.

minhas roupas estão em malas na casa da minha tia. Eu vivo com uma mala de um Airbnb pra um hotel. Então eu tô sem lugar. Mas a ideia é morar ainda no Rio. É. Se der. A Priscila mora aqui. A Pri Castelo Branco. Amigona. Isso. Tá muito bem acompanhada. E eu no Rio. Aí agora a gente vai morar junto. Então a gente vai morar junto no Rio e em São Paulo porque a gente vai ter os dois lugares. Só que aí pediram o apartamento dela em São Paulo também. Ah não, cara. Então não tem lugar nenhum. Eu tenho só a caliseta preta.

Tipo a guarda-roupa da Turma da Mônica. Que já é um pouco meu. Carro sardinha e camisa preta. Só que aí, quando fala assim, tem que levar um objeto seu que seja importante, tudo que é meu está em caixa. Aí eu falei, não, mas eu não vou ser o chato que vou levar a jujuba, não sei o quê. E eu viajando, fazendo turnê pelos Estados Unidos, agora no começo do ano, eu me deparei em Washington com uma lojinha que eu falei, cara, essa loja é perfeita porque eu tenho um personagem novo agora que eu passo nas redes com o Porta do Sunto, que é o Mauro César, que é um resolvedor de crise.

Ele tá sempre resolvendo coisa. E aí era uma lojinha do Trump. Só com coisa do Trump. E a coisa mais divertida do mundo é ver aquelas coisas cafonas de presidente. Qualquer que seja presidente. Mas do Trump ainda tem um cafonista a mais. E eu vi um negocinho. Eu comprei uma camisa do Trump pra fazer o Mauro César. Fiz. Comprei um bonezinho pra fazer isso que funciona. Maga. Maga, exato. E aí eu comprei um bonequinho do Trump. Ah, não.

Vai ficar lindo aqui, né? Mas eu queria propor pra você. Pode tirar da caixa. Porque ele é uma maravilha. Aquele que balança a cabecinha.

queria propor pra você que assim como o Santo Antônio, eu queria que a gente resolvesse a guerra do Irã, você pegasse um pote com água e toda vez que o Trump fizesse uma guerra, você botasse o bonequinho de cabeça pra baixo. E aí quando a guerra acabasse, você voltava de volta. Se acabar a guerra, a gente sabe que foi a gente. Exato. Não é uma maravilha esse moleque do Trump? Cara, que maravilhoso. Isso é genial. Veja que o pessoal falar de geopolítica, a gente já coloca aqui o Trump. Exatamente.

Dá pra deixar no carro também, né? Arranja uma vasilha, alguma coisa. Acabou a guerra, voltou. E é sempre bom ter um bonequinho de um sociopata em casa pra dar uma... Make America Great. Yes! Gostei. Isso é divertido, moleque. É o presente do Mauro César pra você. Obrigado, obrigado. Porra! E a gente tá falando aqui, a gente não sabe o que ele está fazendo agora. Nesse momento. Pode ter invadido Cuba, pode ter... Invadido a Colômbia? Colômbia. O Cuba ele vai já já resolver isso.

Copa, porque falam, não, a Copa eu não quero agora aqui. Eu gosto muito daquela teoria da conspiração de que a Copa vai ser no Brasil, né? Você viu? Porque se o país tá em guerra, não pode ser lá. Então tem que ir pro país anterior, que é o Catar, que tá em guerra. Aí a Rússia é o anterior, que tá em guerra. É o Brasil! Cara! Ia ser incrível! Os caras fazendo a lista, apontando, quando vê, tá a França jogando no minerão. 7x1 de novo, né? Isso tudo faria sentido. Porra, a gente desconfortou.

um tal 7x1, cara. Puta merda, é isso, rapaz. Porque alguma coisa aconteceu naquele 7x1 que a linha temporal do mundo... Pode ver, depois daquilo tudo bagunçou. Foi aquilo ali o negócio. 2014 bagunçou tudo, veio pandemia, veio Trump, veio tudo, cara. Olha que bonito senhor. Mas, cara, se apresenta pra quem nunca te viu lá. Como você se apresentaria? Como eu apresentaria? Eu sou Fábio Porchat, eu sou ator, roteirista, produtor, criador do Porta dos Fundos e hoje apresentador de um programa chá do Que História é essa, Porchat? Que estreia hoje, inclusive.

Inclusive, no GNT, no Globoplay, toda terça às 9h45 da noite. Oitava temporada começa hoje. Eu acho que isso já... Tô te devendo mandar as histórias. Manda em áudio mesmo? Você falou, manda umas histórias em áudio. É, o que eu faço sempre com todo mundo? Ah, é, com o quê? Vamos já falar aí. Isso, é bom. Eu falo com qualquer pessoa. Manda o áudio. Quando é anônimo, eu peço vídeo também. Porque eu preciso ver como é que a pessoa se desenvolve.

Ela consegue desenvolver. De um modo geral, o cara que já tem uma experiência em falar e tal, me manda o áudio. E as pessoas me mandam, eu sempre peço umas duas opções de áudio. Eu ouço todas as histórias de todo mundo. Sério? É você mesmo? Sou eu.

Tem uma primeira triagem na produção pra jogar fora aquilo que realmente não serve. Aí chega pra mim o resto. E aí umas muito boas, tem umas incríveis, tem umas muito fracas, tem umas assim, meu Deus, não dá. Só que tem umas pessoas que como é que você diz não? Entendeu? Você vai, a pessoa, puxa vida, como é que você fala não pra Suzana Vieira, ela mandou uma história. E aí o meu cachorrinho fez xixi na rua. Mas como esse programa só é história, não é um game, não é uma brincadeira.

Então, é só a história. Se a história da pessoa não for boa, não adianta ela ir. Se o Obama tiver uma história horrível, não vou levar ele. Porque o público agora, ainda mais na etapa temporada, o público já gosta do programa e tal. E avalia, né? É. História é merda. É ruim pro convidado. Você não pode deixar ele passar essa vergonha. Exatamente. Não, eu falo isso. Muitos convidados falam assim, não sei se a minha história é boa.

Eu falo, pode mandar que eu vou te dizer se não for. É, então. Eu tenho essa dúvida. Por isso que eu vou te mandar três, porque... Não, pode mandar. Cara, e as histórias são... Você meio que já sabe se ela fosse um texto

de stand-up. Agora, pra ser história, como que é? Então você pensa assim. E não é. Eu falo isso até pra quem é comediante e faz stand-up. Porque você não fica forçando a barra, né? Exato. É pra contar uma história. Não é pra fazer um show de stand-up. É diferente. Porque não é pra você ficar fazendo piada. É só pra contar uma história interessante. Pode ser engraçada, pode ser assustadora, pode ser intensa, pode ser o que for.

E você falou que não aceita uma história de cocô, né? História de cocô, a gente botou agora o sarrafo que é o seguinte. Porque todo mundo tem uma história de cocô. Cocô agora só pode ser assim. A Xuxa pode estar de cocô. Tá, porque é a Xuxa.

Porque o cocô da Ivete Sangalo é mais interessante que o seu cocô, o seu, o seu, entendeu? É o cocô diferenciado, mais fibroso. Então eu quero... Eu quero saber do cocô da Xuxa. Agora eu não quero saber do cocô do ator da Globo. O cocô do Luciano Huck, não te interessa? Pô, muito, cara. Loucura, loucura. Loucura, loucura, loucura. Então é isso. O sarrafo é. Não é qualquer história de cocô. Não é. Cocô agora virou um lugar de...

Porque todo mundo tem uma história de cocô. Começou a acontecer assim. História de assalto, infelizmente, o Brasil virou...

Então tem muita história de assalto. E ano passado, por acaso, já tinha muita história de velório. Sério? Velório errado, velório que a pessoa se confundir e tal. Então a gente tenta fazer também essa triagem. Você sabe da história, fala, já teve muita história disso, vamos tentar coisas diferentes. E eu tento coordenar ali quem são os três convidados que vão estar, pra não ter três histórias parecidas, pra ser uma coisa diferente.

Eu gosto de botar convidados totalmente, assim, que não se conhecem, ou diferentes, que pelo menos uma pessoa nunca teve com a outra. Isso é legal quando isso acontece.

ano eu tô fazendo uma coisa diferente, que eu sempre fui contra, mas fiz o ano passado e deu certo, que é pessoas contarem histórias juntos. Como assim? Então, por exemplo, a Renata Sorrá tinha uma história que ela viveu com a Cláudia Abreu. E elas falaram, a gente só conta se for junto. Como era a Cláudia, a Renata Sorrá e a Cláudia Abreu? Bom, tá, são maravilhosas. Mas, qual era o meu medo? Um, de um ficar interrompendo o outro.

Ah, não, não, não foi assim. Dois, o terceiro convidado ficar de fora excluído. Só que as duas contaram, foi maravilhoso.

complementou a outra. Incluíram o terceiro convite. Achei excelente. Falei, olha, tá aí. Funcionou. Era uma ideia que eu tinha errada. Funcionou. Falei, esse ano eu vou botar de volta. Porque já veio muita gente aqui que contou uma história e alguém falou, você precisa ver o outro cara que tava na história, ele vai te contar também. E aí o outro cara contou e a história parece que é outra história. É. É muito legal. E aí, esse ano foi a Cleo Pires com o Rafael Infante contar uma história que eles participaram juntos.

Foi demais. Aí a Juliana de Doni foi com o Alejandro Clavô, contou uma história que por acaso eu também tava. Então juntou. Então isso funcionou muito.

Então esse ano eu tô colocando gente pra contar a história em dupla que tá funcionando, tá dando certo. E continuando isso, achando gente que nunca foi. Juliana Paiva foi agora, Juliano Casarré foi, que nunca tinham ido. Então é muito legal ver... Mas, por exemplo, você me convidou. Você faz muito convite ainda? Você, Paulo? Faço. É que nem eu. Tem gente que não acredita que eu mando coisa no Instagram. É você mesmo? É sua equipe?

Não, sou eu. É mais fácil porque aparece mais rápido do que essa equipe e tentem achar o assessor. Você que tem um programa diário, você sabe que é difícil.

Eu sempre falei isso no programa diário. Não existe assim. Ah, ele não sei. O não de hoje é o sim de amanhã. Cara, se a pessoa tem o que falar, convida, vambora. E no meu caso é a história. Pra mim tanto faz se a pessoa é mega, ultra conhecida ou se a pessoa não é tão conhecida. Eu quero uma história boa. Quantas vezes no programa o anônimo tinha uma história melhor que a sua amostra? Ah, sim, com certeza. Que terminava o programa e pensava, pô, aquele cara da plateia é muito mais engraçado.

Você já foi em churrasco que tem um cara extremamente engraçado com uma história que você fala, cara. Exatamente. Aí o que eu tento é isso.

maluco das histórias. Então, todo lugar que eu vou, as pessoas já meio fogem de mim. Então, eu tô, sei lá, numa festa da Globo. Fica tudo... Ai, meu Deus. Outro dia, Sophie Charlotte me viu de longe e saiu correndo. Eu achei até que ela tava brava comigo. Que ela me viu... Aí na terceira festa que eu fui, ela... Fábio, eu não aguento mais fugir de você, mas eu não tenho história. Eu não tenho. Pelo amor de Deus, me perdoa. Falei, nossa, eu achei que você tava brava.

Ela não é brava, eu tava com vergonha de não ter história. E eu entendo, porque eu virei um maluco da história. Porque eu não sou muito de festa e tal, mas por conta do...

No programa. Tem que. A minha roteirista final lá, a Paula Miller. Você faz uma social aí. Ela fala, você tem que ir. Eu voltei em festa e evento por causa disso. Porque você tá nos lugares e é mais só, vai lá no meu programa do que ir. E você, quando você chega na chincha ali. É. Agora, eu também faço muita coisa. Uma coisa que é o seguinte. Chega a pessoa e fala, me diz a verdade. Se você não quiser ir, não tem ofensa. Eu entendo 100%.

Aí eu paro de te encher o saco. Eu falei isso pra você, lembra? Oi? Eu tô te chamando várias vezes. Não, não, não. É que eu não consegui ir mesmo. Pode continuar. Exatamente. Porque eu também fico chateado assim.

Às vezes a pessoa não quer ir e fica chateada de falar que não quer ir. E eu prefiro, quando eu olho no olho, eu falo, cara, fala que não pode, tá tudo bem, eu não tenho problema nenhum. Eu até prefiro, se você disser, eu não quero, ótimo, tá tudo bem, tá tudo certo, mas eu não te encho o saco. Enfim, mas eu preciso, todo ano são 30, 40 programas, então eu preciso de 90 pessoas famosas, mais 60 anônimos que vão contar a história.

Então eu preciso ouvir muita história. Os anônimos, para a gente ter 60, eu ouço 180.

histórias, entendeu? Três vezes mais do que precisa. A minha produção, então, ouve muita coisa. E eu vou angariando gente. Agora que o programa já funciona, as pessoas na rua vêm. Pô, eu tenho uma história mesmo. Imagina o teu Instagram, que deve ter gente mandando, você precisa escutar a minha história. Exato. E eu acho ótimo. Porque eu quero ouvir essa história. Porque eu quero encontrar uma pessoa em Manaus pra me dizer, eu tenho uma história.

Esse você lê, me conta. Me dá aí qual é. Volta e meia, eu mando a minha produção. Esse é um cara que eu encontrei na rua, me contou uma história ótima, tá aí. E mando pra pessoa o contato, entende? Porque eu preciso de história. E eu sempre fico

receio assim de, será que ano que vem vai ter programa? Porque eu não sei, porque se eu começar a sentir, se eu sentir que já saturou, eu vou embora, não tem essa de, ah, mas fica, é um programa sucesso, mas dá um dinheiro legal, eu sempre fiz isso na minha vida, eu sempre fui, fui sentindo, papo de segunda, pô, eu fazia o papo de segunda, eu amava o papo de segunda, fiquei cinco anos lá, com o MC da Francisco Bosco e o João, era um, pô, a gente era um grupo fodão, chegou no quarto ano ali, eu falei, ih, eu tô me repetindo, tô com as mesmas opiniões, falando a mesma coisa,

Tô achando que eu não vou continuar. Aí eu falei, quero sair. Aí a Globo falou, fica mais um ano que a gente precisa se organizar aqui. Eu falei, tá tudo bem, porque não era um drama. Era só porque eu senti. Aí chegou no quinto ano, eu falei, gente, eu vou embora porque eu não tenho mais nada a acrescentar. Eu tô achando que eu tô fazendo a mesma coisa. Entendeu? Então eu fui lá na Globo pedir pra sair. Na Record, a mesma coisa.

Falei, esse programa não vai ter fôlego, não vai ter... Fui lá na Record e... A nossa percepção sempre é diferente da do público. Porque pelo público, você pode fazer a vida inteira a mesma coisa.

uma coisa, você fala, ah, eu gostava tanto, o que você parou de fazer? Por isso que é tão importante a gente estar, o artista, estar atento pra si, pro redor, porque se você ficar ouvindo o seu fã, o seu fã que te acha um gênio, ele vai ficar... Ele sempre quer que você faça a mesma coisa. Você faz um horror, ele fala, mas é gênio, mas é maravilhoso. Você não pode acreditar nisso. Você tem, claro, tá convido atento pra perceber se as pessoas estão gostando, não estão gostando.

Até hoje eu ia falar, continua fazendo o Mundo Canibal. Eu falo, pô, o Mundo Canibal foi legal naquela época. Exato. Hoje em dia eu vou fazer outra coisa. Então, você que tem que ter essa percepção, tem que ter esse feeling. Por isso que a gente não pode se anestesiar, não pode

se acomodar. A gente tem que estar atento. Então foi isso. Eu sempre fico atento. Estou com que história é a mesma coisa. Se eu começar a sentir que as histórias estão fracas, que eu não estou tendo convidado... Ah, e aí faz isso aí. Experimenta novos formatos dentro do formato. Duas pessoas contando a mesma história. Depois três pessoas que participaram. Exatamente. Então eu seguro, então eu fico sempre de olho. Esse ano a gente já começou a fazer umas gravações.

Hoje tem o programa ao vivo, às 9h45. Por enquanto, todas as gravações foram muito legais. As histórias foram boas. Gente diferente que nunca tinha ido. Eu falei, bom, isso é um bom início.

De programa mostrando que o programa ainda tem fôlego. Que acho que esse é o mais importante. Ele não tá cansado. Quantas vezes vários programas que a gente viu acontecer. Que a gente fala. Puta. Se a pessoa tivesse parado 3 anos antes. Ela saia no auge. Tipo o Letterman. O Letterman quando parou o programa dele. O David Letterman. Ele tava ótimo. Ele tava bem. O programa indo bem. Funcionando. E ele falou. Não quero mais. Saiu.

Como assim? O que é isso? Saiu bem no auge. Depois ele ficou sei lá. Alguns tempos parado. Depois voltou ainda na Netflix. Com os programas pontuais. Pontuais. Então eu acho lindo quando isso.

muito difícil, né? Assim, eu não cheguei num ponto alto assim. Não, tem banda que os caras estão obrigados a ficar a vida inteira contando sucesso. Mas aí... Eu entendo. E é isso mesmo. E tá certo. Mas ao mesmo tempo, você tem que ter a clareza. É o que eu digo. A gente na vida faz coisa boa, faz coisa ruim. Faz trabalho que a gente olha e fala, puta que vergonha, como é que eu fiz isso? Mas se você souber que é ruim, tudo bem.

O problema é você fazer um negócio ruim e falar, né? Isso é maravilhoso. Aí temos um problema. Mas se você sabe... Por que a gente faz isso? Por dinheiro. Porque precisa conhecer alguém.

pra estar devendo um favor, pra ajudar alguém. Tá tudo certo. Você fazer uma aposta mesmo, você não tem a menor ideia se aquilo vai ser bom. Cada um tem o seu motivo. Mas se você olhar aquilo e souber que aquilo é ruim, beleza. Pelo menos você tem essa clareza. O problema pra mim é isso. É fazer uma coisa horrível e falar essa é melhor, maravilhoso, hilário. Aí você olha um negócio péssimo. Então a gente tem que ter esse tipo de autoanálise. Já falei com o Tabet também aqui, mas você fala de saber que faz coisa ruim,

sabia que fez coisa boa. Entre Abelhas, um filme maravilhoso. Ah, legal. E teve o primeiro filme do Porto dos Fundos. O que aconteceu, cara? Cara, eu gosto daquele filme. Você gosta? Eu adoro aquele filme. E outro dia eu reassisti, ele tá mais legal. Contrato vitalício. Você sabe que as pessoas foram ao cinema... Então, por que que eu e vários... Porque eu não sei, na linha do tempo, onde ele entra na história. 2016. E o Porto dos Fundos começa? 2012.

Tá. Porque acho que todo mundo tinha uma expectativa tão alta. É, é. E decepcionou muita gente. Eu acho que as pessoas queriam muito.

As pessoas que queriam que fossem. Os personagens. A Judite. O Espoleto. Eu lembro de ter ouvido isso na época. É claro que quem quiser achar ruim, pode achar ruim. Mas você gosta do resultado? Eu gosto. Eu assisti outro dia pensando. Poxa, faz tempo que eu não vejo. Ele ainda é super atual. Ele tem um assunto ainda super atual. A gente falou. É que agora já é meio cansativo ficar falando de blogueira e tal. Mas a Tati fazia uma blogueira viciada naquilo. Que não se falava tanto na época.

o ator que tá refém de um mesmo trabalho e resolve fazer uma coisa diferente. Então eu acho que tem uma ideia original no filme, ideia esquisita. Eu adoro coisa estranha. Então eu gosto do filme, eu acho muito legal. O Ian dirigiu bem pra caramba, acho o filme super bem dirigido. Mas na época não bateu, assim. Não pegou, as pessoas não quiseram. E sabe quando eu vi que ia mal? Quando a crítica falou bem. Ah, tá. Comédia, quando a crítica fala bem, o filme vai mal de bilheteria. Isso é uma lei. Você tem que assistir porque...

crítico gosta, o público não vai gostar. Pra comédia tem muito isso. É muito difícil. Algumas vezes acontece, mas são as exceções que comprovam a regra. De um modo, quando eu vi que a Folha fez uma crítica boa, acho que a Veja fez uma crítica boa, foi... Não vai ninguém nessa merda. Não tinha pensado nisso. Mas o Entre Abelhas, como foi descrito? Deve ter ido bem também. Mas aí não era comédia o Entre Abelhas. O Entre Abelhas é um drama. O filme foi bem, porque eu imaginei...

Deu meio milhão de espectadores. Que eu achei super bom pra um filme super cabeça. Porque eu tentei na divulgação mais falar gente, não é comédia. Não é comédia. Não vai rir. Muita gente. Não ri de nada. Achei péssimo. Eu pensei que não é comédia. Por isso eu não ri de nada. Mas esse filme engraçado, o Entre Abelhas, eu ouço mais gente falar dele agora do que quando eu lancei. É, porque tem essa coisa do pessoal redescobrir. Ele vira cult, né?

Ele vira cult. Aconteceu com Blade Runner. Aconteceu com um monte de filme. E aí esse Entre Abelhas, que é um filme que eu adoro.

super diferente também, esquisito também, super intimista, com o Luiz Lovianco. Olha, cara, você tá diferente. É, eu tô vagrim. E tô... Eu não sorri no filme. Isso era uma coisa que eu tentei fazer pro personagem. O personagem não sorria em nenhum momento. Ele tá vendo uma coisa meio... Um momento ruim. E aí ele... Eu não queria sorrir. Então eu passei o filme inteiro sem dar um sorriso. Era meio um trabalho. Então o meu cartaz, inclusive, era sem isso.

E aí as pessoas, tadias, foram assistindo. Mas olha a cara dele. Não tem graça. É, você vê um cartaz,

desse entre a beleza. É, nossa, vai ser engraçado. Não, eu acho que é pegadinha. Eu acho que o filme é engraçado e eles querem fazer o contrário do cartaz. Mas sabe que agora que eu tô buscando uma nova peça pra fazer, eu tô em cartaz com o Histórias do Porchat, que é o meu show de stand-up, que é o último ano dele. Eu tô em cartaz aqui em São Paulo, ano J. Safra. E chama Histórias do Porchat por quê? Qual é a ligação com o teu programa?

No programa eu ouço histórias. Aqui eu conto as histórias. Mas você não fala sobre batidores? Não, não, não. Eu conto as minhas histórias de viagem. Então as minhas histórias de viagem pelo Brasil e pelo mundo. E viaja pouco também, né? Pois é.

Sempre acompanhando lá. Eu amo viajar, então aconteceu coisa em viagem de todos os tipos. Aliás, vocês responderam aquela pergunta? Tinha uma foto de vocês pulando pelado, não sei o que o Maio falou. Quem tirou essa foto aí? Estão os dois pelados pulando na água. Essa foto ficou linda, então pelado. Tem uma coisa chamada timer no celular, que eu acho que é importante o pessoal saber. Vai lá, corre e pula. Agora também nas Maldivas.

Tinha mais uma pessoa lá e os caras estão em três. Agora nas Maldivas, vale chamar uma meia dúzia pra fazer o Surubão, que ia ser gostoso. Surubão e Maldiva.

Em Maldívia, né? É, na Oronha já se foi. Agora é Maldívia. Mas agora o que tá rolando é surubão de Brasília agora. Tá saindo as fotos, os vídeos. Tá todo mundo desesperado, cara. Isso é bom demais. Você não vai estar lá não, né? Eu queria tanto, sabia? Eu queria um dia você pegando a surubão. Ia ser interessante. Do lado tem o ministro, do outro lado tem o político, o irmão Fábio Porchão. Opa, tudo bom? Você fudendo o Gilmar Mendes do lado, assistindo com charutos, sabe? Um copo de uísque. Cara, você fala que...

Silo Nogueira de quatro, levando... Passa o André Surac atrás, assim, falando que absurdo, gente. Que maravilha. Isso é seu suruba interessante, hein? Tá aí. Porra... Tá aí, não? Tá aí, aí. Tá aí, aí. Mas vamos fazer uma viagem no tempo, então, cara. Qual foi a primeira vez que... Pensa lá atrás. Criança mesmo. Você falou, cara, eu sou engraçado. Ah, eu me lembro de... Ah, tá. Talvez eu tenha uma primeira lembrança, assim.

A segunda série, eu acho que era a segunda série isso, teve um festivalzinho na escola, uma coisa assim de apresentação de cena, de ator, de teatro, alguma coisa, sei lá, oito anos, sete anos, eu tenho até essa foto. A gente coloca, a gente coloca aí. E aí, cara, eu nem sei o que passou na minha cabeça, essa foto talvez me traga mais lembranças do que a lembrança em si. Eu sei que quem iam votar eram os alunos, os alunos que iam votar, quem iam ser as pessoas que iam ser escolhidas

fazer essa apresentação e eu fui vestido de empregada doméstica

Ou seja, eu fiz uma mulher com oito anos na escola de teatro pra tu. Imagina. Isso era 92, 93. Fez voz diferente? Fiz. Fiquei uma vassoura, me vesti e fiz um personagem pra tu. E a galera riu? São Paulo, São Paulo. A galera riu. Então, riam porque me escolheram. Toparam que eu fizesse a ceninha depois pra todo mundo. Eu nem lembro o que eu fiz exatamente, mas era de comédia.

Tanto que eu tava vestido de mulher, fazendo alguma coisa engraçada. E eu apresentei nas três turmas. E as três turmas riram e me escolheram. E eu fiz essa apresentação geral pros pais, pros alunos, pra todo mundo. E eu lembro que minha avó foi assistir. Minha avó Lourdes. E ela não me reconheceu. Quando terminou, ela falou, o Fabinho não entrou? E meu pai falou, o Fabinho era aquele vestido de mulher. E a avó me perdeu lá. Era de 93.

uns nove, meu. Então eu lembro assim, eu já fazia Zé Graça, entendeu? Eu já tinha ali. Cara que soltava piadinha do lado. Eu amava piada, piada, piada mesmo. Anedota, você tá falando? Eu ganhava livros de piada da minha tia Lúcia, da minha tia Denise, elas me davam livro de anedota. Ari Toledo. Costinha. Pacente do Planeta, Costinha. Eu lia todos os discos. E os discos? Não tinha os discos, nunca ouvia os discos. Não dos Costinha?

O Peru da Festa? Não, eu tenho 42, então acho que o disco já tinha meio esse disco de humor, já tinha passado. Já tinha passado, é verdade. Eu tinha os livros de piada.

Eu decorava tudo. Eu amava contar piada. E contava na escola. Eu era um bom contador de piada. Contava bem piada. E as pessoas me contavam. Eu adorava ouvir piada também. Porque eu adorava saber piada nova. Claro. Desde o papagaio... Era meio que um superpoder quando você era criança saber piada. Era. Porque quando todo mundo contava piada, não podia ter silêncio. E agora? Quem conta próximo? E conta um arquivo de piada, você vira o centro de atenção.

Eu sabia tudo. Eu li, eu grifava as piadas que eu mais gostava no livro e tal. Então eu também tive isso. Eu gostava de piada muito mais.

Você não era o garoto estranho no canto. Você era o enturmado. Não, eu era amigo de todo mundo. Você era enturmado. Era enturmado. Teve uma virada de... Quando saiu a primeira, quarta série, tudo de boa, a parte da tarde. Quando virou quinta série, que virou de manhã, que aí a gente ficou mais adolescentinho, né? Quinta série ali é 11, 12 anos. Ali eu sempre fui muito novinho. Então todo mundo foi espichando, eu continuei novinho. Ah, você era mais novo que a maioria do pessoal.

de 83 e faço aniversário em julho. Eu entrei na turma do pessoal de 82. Tá. Ou de quem faz aniversário no comecinho de ano. Então eu sempre fui o mais novinho e com cara de mais novinho. E eu sempre fui lourinho, cabelinho muito lourinho, muito caidinho aqui, assim, pequenininho. E eu dei uma engorduchadinha ali com 12 anos e tal. Então eu fiquei um gorduchinho de cabelo louro, louro, louro aqui, meio novinho e todo mundo foi meio crescendo.

Ah, é? E aí quando virou quinta série... Isso é alto, né? Eu tenho o de 81. Então, isso era mais baixo? Era baixinho. E aí

eu virei ali o viadinho da turma. De zoeira? De zoeira, de bullying, viadinho. Eu nem sabia o que era viadinho, exatamente. Eu só sabia que era alguma coisa terrível que não podia ser jamais. E aí eu fiquei amigo das meninas, o que transformou minha fama de viadinho em uma coisa maior ainda, mas eu era muito amigo das meninas. Mas eu sempre tive uma turma assim. Tinha os caras que implicavam, infelizavam a minha vida. A quinta e a sexta série foram muito chatas pra mim, porque as pessoas começaram a implicar muito

Olha lá, olha lá. Olha aí, eu era pequenininho. Ah, mas não era gordinho aí, hein? Não, não, não. Aí não, porque aí eu tinha seis anos. Ah, tá. Foi lá pros onze e doze. Foi doze. Eu posso te mandar a foto do gordinho pra você ver também. Tá bom. E aí, a quinta, sexta série foi mais chata pra mim, porque implicaram comigo. Aí, na sétima, mudou essas turmas. Não sei o que aconteceu, só sei que daí eu fiquei mais amigo. Mas eu sempre fui enturmado, sempre tive amigos.

Mas sempre foi de ler, de atra... Sempre. Era um nerd ou não? Ah, eu gostava de jogos, gostava de RPG. Tinha uns quadrinhos também.

mas eu gostava mais de jogo mesmo. Eu adorava jogar jogo de tabuleiro e RPG. E meus amigos gostavam também. Jogava. Jogava. A D&D. Dancers and Dragons. Hero Quest eu tinha. Eu ainda tenho esses jogos antigamente. Isso deve valer um dinheiro. Olha lá. Olha aí. Aí eu já tomo ali. Ah, rapaz. É. De pochete. É uma pochete isso. Achei que era camisa. É uma pochete. Eu gorduchinho. Olha o meu cabelo de cura. Combinação fantástica, Didi.

Essa roupa. Laranja em cima. Uma estampa. Amarelo quadriculado. Meia branca até o alto. É.

Nossa Senhora. E aí, isso aí. Isso aí eu tinha exatamente. E um corte de cabelo. Cuia. Cuia, pinico. O irmão do meu amigo chama de pinico. Quero colocar o pinico e cortar a cabeceta. A gente tem uma pessoa que trabalha aqui com a gente que tem esse corte aí, que é o bigode. O bigode é esse corte aí mesmo. É o corte e cuia. Ele pediu pick blinders e os caras erraram. Que nem eu quando fui comprar um... Eu fui uma vez numa loja de CD e falei, é Joey Satriani, o cara me veio com Jerry Adriani. Eu falei, então eu... Eu entendo.

Entendo, legal. Não tem a ver. Mas eu sempre fui enturrado. Eu sempre falei muito. Eu sempre fui muito aparecido. Eu adorava chamar atenção. Eu sempre me impunha muito. Eu era o cara, por exemplo, eu nunca joguei bola muito bem. Era um nota 6. Eu adorava jogar futebol. Eu gostava de futebol e tal, mas eu jogava... Eu era médio. Você era de ir no campo? Como eu morei em São Paulo a minha infância inteira, até os 19, muito difícil ir em jogo aqui. Eu fui num jogo, no Canindé,

com um amigo meu que é Lusa. E eu assisti muito o jogo da Lusa. E quando tinha Vasco e Lusa, eu ia lá com ele. E sempre que eu ia assistir o jogo do Vasco, eu assistia na torcida adversária. Então não podia muito comemorar gol. A única vez que eu fui mesmo no jogo do Vasco foi numa final de Rio-São Paulo contra o Santos, que o Vasco ganhou. Foi o único título do Vasco. Do Vasco. E aí a gente quase apanhou. E tem que comemorar o disco do Vasco.

Tem que comemorar mesmo. Mas naquela época era moleza. Ah, naquela época ainda era. Eu me lembro. Mas você não viu o Roberto Dinamite?

Eu lembro uma vez que ele meteu 5x1 no Corinthians. Foi a volta dele. Mas aí eu não lembro. Eu não tenho recordação do Dinamite. Eu tenho recordação do Edmundo, do Romário e tal. Vasco ali de 94, 5 pra frente. Porque eu era Vasco e São Paulo. Porque eu morava aqui. Então eu era meio Vasco e São Paulo. Aí chegou ali na adolescência e falou, tem que tomar uma decisão. E tem umas decisões que a gente toma na vida, né? São Paulo. Tem as coisas que a gente vê. Campeão mundial ou Vasco?

o São Paulo já era bi-mundial e o Vasco, enfim, era o Vasco. E eu falei, eu vou com essa meninada. Eu vou com essa cruz do Malta. Mas é porque tem uma coisa de time que... Não tem como, cara. Eu amava o Vasco e aí eu falei, é ele mesmo. É que nem meu pai, meu pai é corinitiano na época que o Corinthians não ganhava nada, que foi na fila, não ganhava do Santos. Mas você sabe que tem uma coisa interessante, claro que você não quer perder, você não quer ser humilhado, você quer ganhar. Mas a coisa de perder é na derrota, é na merda que você percebe a força do

time da torcida. Cara, o que é a torcida do Vasco? Sem nenhum título há 100 anos. Ferrada, só tomando porrada. O que ela faz no estádio? É, cara, é incrível. Cara, é um nível que você fala assim, cara, isso me dá orgulho. Eu fui na final Corinthians e Vasco e Corinthians e Flamengo. O Vasco deu um pau na Corinthians e Flamengo. Não dá pra comparar. A torcida do Vasco canta ser louco, é louco, porque é isso. Então eu acho que, assim, em 2047 a gente vai lembrar com carinho dessa época. Agora que a gente tá ganhando tudo. Agora que somos um sucesso.

a Leila comprar o Vasco, a gente vai resolver isso. Ou alguém... A gente tá contando que esse enteado dela leve o Vasco. É, que alguém dê avião. Mas você tava falando de jogar futebol, né? Jogar futebol. E aí, boa. E aí eu era o cara que, por exemplo, como eu era um jogador médio, pra eu jogar bola, eu tinha que ser o dono da bola. Na escola não tem dono da bola. Ou goleiro, né? Eu era goleiro. Então... E eu ia no... Eu era o cara que saía da classe, ia pegar a bola e levava a bola. Então quem pegava a bola, jogava. Então eu sempre era o cara que...

Zezinha era o cara que jogava a bola e mandava a bola, eu ia pra lá e eu devolvia a bola. Então esse cara, eu sempre fui meio de organizar. Eu sempre fui meio produtor. Ah, se eu não fosse ator, roteirista e tal, eu seria produtor. Eu adoro organizar, fazer acontecer. E eu sempre fui isso, assim, quando a gente ia sair. Os amigos, vamos sair. Vamos no teatro. Gente, tá bagunçado aqui. Deixa eu organizar. Eu levava o pessoal no teatro, já comprava o ingresso com antecedência.

Eu já chegava lá e dizia onde era. Numa viagem você é esse cara também. Sou esse cara também. A outra pessoa só te diverte e você é o cara que planejou tudo, ó. Não esquece que amanhã não sei o que pega. Sou eu sempre.

Eu também sou esse cara. Eu sou até Augusta da viada. Eu também sou esse cara. Então eu era esse cara que organizava. Eu sempre tomei muito à frente. Vamos fazer, vamos fazer acontecer e tal. E sou assim até hoje. Então isso também sempre me fazia falar muito. Tá sempre à frente e tal. E o que eu percebi criança é que toda vez que eu contava uma história, falava alguma coisa e acrescentava uma coisa divertida, as pessoas prestavam mais atenção em mim.

Entendi. Gostavam mais. Você viu o poder que tinha essa parada, né? E eu já gostava disso. Eu já gostava de rir.

Você consumia muito humor. Consumia. Consumia muito humor. Eu lembro assim, TV Pirata, por exemplo, que a primeira lembrança que eu tenho de humor, que eu vi assim, adulto, né? Que eu tinha seis anos, sete anos. Eu assistia e meus pais saíam sempre na noite que meu pai organizava exposição de arte e tal. Eu gravava no VHS pra assistir de novo, pros meus pais verem depois. Eu amava aquilo. VHS, o Bigoda nem sabe o que é isso, né? O rec, o play. Ao mesmo tempo. E era maravilhoso aquilo.

conversando com o pessoal do TV Pirata, eles falaram que os primeiros fãs deles foram as crianças. Por algum motivo, as crianças... Era um programa que passava a noite, mas as crianças amavam. E aí depois... Eu lembro que minha mãe não entendia nada porque eu tava rindo, cara. É, olha aí. Eu lembro do primeiro sketch que eu vi lá, que era do... Ô, me dá dinheiro aí, um morador de rua. Me dá dinheiro pra eu comprar pinga. Não, você vai comprar pão.

Não, não, eu vou comprar pinga. E eu rio. Esse bafo de pão. Minha mãe, por que o cara tá falando que vai comprar pinga? Que graça tem isso, cara? Era muito bom. Eu amava. O primeiro que eu lembro, assim, é um do Luiz Fernando Guimarães tentando

entrar, era aquela época que começou a moda nos prédios a ter interfone no apartamento. Que você apertar a outra, abriu! Não, não abriu, abriu, abriu, não abriu. E era ele, primeiro empurra, depois puxa. Abriu, não, abriu, abriu. Aí quando falava, abriu, abriu, ele abriu. O pessoal lá de dentro, abriu. Aí saía um monte de gente presa no prédio. Tavam os entregadores de pizza. Abriu! Abriu! Olha só, cara, na época. Olha que loucura. É, 89.

90. E aquilo era horrível, muito daquilo. Eu tenho, eu lembro... Você lia o Planeta Diário aqui? Não, não. Tinha aqui? O Planeta Diário. Sim, mas tinha no Rio isso. Não, isso é o caceta. O caceta era do Rio e o jornalzinho era daqui. Ah, não. Que eu era viciado no Planeta Diário, que era o jornal. Não, não tinha acesso. Aí eu assistindo TV Pirata, vendo essas coisas, eu com 14 anos eu ganhei uma câmera. E aí eu comecei a filmar.

A fita grande ou aquela pequenininha já? Não, aquela pequenininha. Sei. E eu comecei

me filmar fazendo umas coisas. Eu tenho uns vídeos. Eu amava o Vida ao Vivo Show, que era com o Luiz Fernando e o Pedro Cardoso. E aí eu comecei a filmar uns esquetinhos meus que eu fazia pra mim mesmo. Que você escrevia ou era improviso? Que eu escrevia. Só que eu não sabia editar. Então eu me vestia de mulher e falava, oi, tudo bem? Me vestia de homem e falava, oi, tudo. Então eu fazia o play. Só assim. Então eu tinha um diálogo, levava horas pra eu gravar aquela métrica. Eu não sabia editar aquele troço. Então Vida ao Vivo foi um negócio que me

Aí eu assisti e comecei a gravar com uns amigos. E como eu era esse cara aqui, vamos pra frente, vamos fazer. Então, por exemplo, meus amigos olham em casa, falaram, vamos gravar um negócio. O quê? Aí eu gravava umas sátiras... Você vai ser tal coisa? Exato. Eu gravava umas sátiras do... Naquele... Linha Direta. Sei, sei. Eu aprendi na Linha Direta. E tem uns, isso era maravilhoso, que era uma mesa redonda. Você não tem essas fitas ainda?

Tenho tudo. Tenho tudo, cara. Uma mesa redonda. Eu era o apresentador, o Avalone. E todos os outros... O Palmeiras! Primeiro bloco, o Palmeiras! Segundo bloco, o Palmeiras! E mais Palmeiras! E aí, eram...

os craques tirou da rodada. E aí, meus amigos faziam, um era o corintiano, um era o palmeirense, um era o São Paulo, e não era não sei o quê. E a gente fazia de improviso. Bate-boca, sim. Eu anotava no papel uma classificação de campeonato brasileiro fictícia, com jogos fictícios, e eu chegava pros meus amigos, aí a gente botava a câmera geral, e eu falava, hoje jogou Palmeiras e Remo, quanto foi o jogo? Aí meu amigo me leva. Uma vergonha, o Palmeiras perdeu de 4x2, bem feito,

um discurso. Aí tinha um que era puto. Aí o outro fazia um personagem de... Também não foi assim. O Palmeiras jogou bem. O outro jogou, não. Chega, eu não aguento mais. E aí eu falava... Então a gente ficava gravando isso. Horas gravando isso. Só pra gente. Não mostrava pra ninguém. A gente nunca mostrou pra ninguém. É mais pela diversão de fazer. É. Então eu tinha isso de gravar essas coisas. Tem até hoje. É muito divertido assistir.

E já mostrava como eu tava ali querendo fazer uma coisa. Mas nessa época você imaginava um dia vou trabalhar com humor ou não?

Nem pensei nisso. Nunca passou na minha cabeça. Ah, não. Não é possível. Pois é. Olhando para trás... Mas você pensava em alguma outra coisa? Estava encaminhado para... Não sabia o que eu queria fazer. Seus pais faziam o quê? Minha mãe era professora e meu pai organizava exposição de arte, marchão, avaliava obras e tal. E não te perguntavam? E você respondia o quê? Cara, eu falei para eles. Eu falei, como é que vocês não viram que eu era professor de ator?

Era independente. Estava muito claro. Mas eles não viam eu gravar esses vídeos. Eles não viam essas coisas. Tá, mas quando te perguntavam o quê? Ah, o que você vai ser? Você não responde. Não tinha o que falar.

Não sabia o que eu queria. Não, na verdade, eu falava que eu queria ser diplomata. Ah. Eu queria ser diplomata, porque eu queria conhecer países, viajar. É mais pelo lance de viajar. É. E eu, quando brincava criança, eu adorava brincar de bancário. Eu amava. Eu pedia pro meu pai ir no banco. Meu pai, quando ia no banco, ele voltava com uns papeizinhos de depósito. Então, eu tinha uma máquina de escrever. Eu escrevia, abria a conta pro meu pai, pra minha mãe.

Fazia papel carbono. Escrevia. Aí, abria uma conta, fazia depósito. Toda coisa louca.

papeizinhos dos depósitos na conta e tal. Mas nunca quis ser ator. Perdemos o bancário também. Um excelente bancário. Mas eu, como ator, olhando hoje, falo, meu Deus, era tão evidente, era tão na cara. Por que ninguém me falou isso? Eu fazia curso de teatro, eu adorava, me sentia bem. Aqui? Aqui. Eu fazia uns cursos livres, curso na escola, e depois fui fazer até o INDAC, que é um curso de teatro. Aí sim, bom curso de teatro. Eu fiz um pré,

profissionalizantes, assim, que eu adorei fazer. Mas era isso, era meio uma brincadeira, não é isso que eu quero. Nem imaginei que isso era possível querer. Quando eu entrei na escola de teatro no Rio, na CAL, que é a Casa de Arte Laranjeiras, eu fui pra fazer teatro. Foi quando eu descobri que eu queria fazer teatro com 19 anos, eu falei, vou pro Rio. Família da minha mãe é do Rio, eu sou carioca, né? Mas eu vim com um mês pra cá.

E aí eu fui morar com a minha tia e meu tio, tinha Flávio e tio Júlio, e eu fui fazer a CAL. Conhecia só eles dois e minha avó, lá no Rio.

Mas ninguém... Fui lá. Cara, eu lembro de entrar na escola de teatro. Primeiro dia que eu entrei. Quando eu olhei aquilo... Porque eu fui meio na... Puta, será que é isso? Será que vai dar certo? Será que não vai? Quando eu entrei, que eu fiz a primeira aula, ficou tão evidente pra mim. Primeiro assim... Você se encontrou? Não. Eu olhei aquilo e falei... Meu Deus, eu pertenço 200% a esse mundo. Primeiro que assim, uma junção de gente.

Tinha rico, tinha pobre, tinha preto, tinha branco, tinha viado, tinha hétero, tinha velho, tinha jovem. Essa mistura é um negócio que eu já amo. Que é um negócio, assim, de ter todo mundo. E uma coisa assim...

uma libertação de preconceitos, de o que você acha, o que você viu. Uma junção de gente. Você tá fazendo cena com um cara que é do Ceará e é milionário, com um cara que é de Porto Alegre e dorme na casa de um barraco, não sei aonde. E na cena é todo mundo a mesma coisa, todo mundo tem a mesma importância. Você tem que se respeitar, você tem que ouvir o outro. Tem uma coisa de estudar, de ler, de ver, de assistir. Parece que o mundo se abre, porque daí você começa a ouvir

interessante falar coisas do mundo. Você começa a ler Pensadores, começa a ler Dramaturgos. E aí você vai se preenchendo, aí você vai... Pô, isso é demais. Que livro é esse? Godot. O que é Esperando Godot? O que é Casa de Boneca? O que é Deus lhe paga? Ariano Suassuna. Aí tudo vai abrindo. E eu dei a sorte de cair numa turma que era o Marcos Magela e o Paulo Gustavo. Então era uma turma de comediante. Imagina, era eu, o Paulo e o Marquinho.

A gente tem esses vídeos, inclusive, que a gente fazia com essa minha câmera em casa. A gente fazia duas bobagens.

Você morava sozinho nessa época? Eu morava com a minha tia. Durante todo o período da escola de teatro, eu morei com a minha tia e meu tio, que abriram as portas pra mim. E eu sou muito grato a eles, porque realmente, assim, a gente não tinha... Aqui do meu lado, meu pai e minha mãe, a gente não tinha... A gente nunca passou a necessidade, mas a gente não tinha um centavo. Não tinha. Meu pai, um dia, ganhava um dinheiro. Aí ele pagava todas as dívidas, aí ele passava meses sem dinheiro nenhum.

Aí ele ganhava um dinheiro. Ei, que bom! Então eu sempre vivi meio nisso. E meu tio e minha tia me deram uma estabilidade. Falei, não pode vir aqui, você não precisa pagar a conta. Isso era um quarto.

pra mim. Não, eles fizeram um quarto pra mim. Eles, tipo, mobiliaram um lugar e falaram, é seu quarto, fica aqui. Não, um negócio tipo que... E aí, me possibilito ao privilégio de não ter que trabalhar pra me sustentar pra conseguir fazer teatro. Os caras falam, não, enquanto você tá estudando, foca aí. Então eu escrevia, eu tinha a possibilidade de ficar escrevendo. Aí eu comecei a descobrir que eu escrevia. Aí eu comecei a escrever.

Pra escola? Pra fazer... Pra mim mesmo. Ah, pra você. Fui escrevendo umas coisas. Aí com o Paulo Gustavo eu comecei a escrever umas cenas engraçadas pra eu fazer.

fazer com ele. E aí eu e o Paulo, imagina, a gente ficava na escola de teatro, éramos a atração. A gente ficava fazendo as ceninhas, todo mundo parava pra ver, a gente ficava... Aí o Paulo... Não tinha WhatsApp, não tinha nada disso. Então eu levava escrito, ele tava em 2004. Aí eu levava uma cena escrita, e aí o Paulo batia comigo a cena, eu anotava na hora a coisa que o Paulo falava, coisa que ele dizia, isso aqui não tá bom.

Voltava pra casa, reescrevia, voltava no dia seguinte, de novo, a gente apresentava, a gente fazia. Aí o Paulo ia pra casa, a gente ficava criando. Então, tinha essa coisa de...

porque eu não tinha o que fazer, ficar trabalhando uma coisa totalmente fora do que era pra ter que ganhar um dinheiro, pra eu conseguir. E aí eu aproveitava isso. Eu acho que eu sempre tive essa noção de já que eu tô aqui me propondo a isso, eu vou fazer isso. Claro. Então eu passava a madrugada escrevendo. Felizão. Não era uma... Feliz da vida. Eu escrevia muito à mão no início. Quando você lembra disso, deve dar uma felicidade.

Dá uma nostalgia, sim. Porque você não imaginava onde você ia chegar e tava com a mesma...

mesma vontade de hoje, né? Isso faz 20 anos, quando eu me formei. Eu me formei em 2025. Isso não tinha acontecido ainda? Aquela participação no Jô? No Jô foi. No Jô foi em 2002. Tá, coloca depois uma foto dessa. Qual era o momento da sua vida, então? Ali eu tava na faculdade de administração. Foi ali no Jô que eu descobri porque eu queria ser ator. Você começou a estudar administração, velho. Porque como a gente não sabe o que a gente quer, a gente vai fazer uma coisa meio neutra. E eu fui fazer administração na ESPN. Gosto de organizar as coisas.

não era um bom aluno. Eu não era um mau aluno, mas não era um bom aluno. Nesse último ano do terceiro colegial, eu fiquei um aluno um pouco pior. E aí eu prestei vestibular, eu passei pra FAAP e pra ESPM. E aí eu entrei na ESPM de administração. E os dois? A FAAP era o quê? Administração também. Cara, nem publicidade ou alguma coisa assim. Que doido, velho. Cara, eu nem sei por que te falar. Não sei se eu não pensei a respeito disso.

Ou sabotou mesmo e tipo... Não sei, eu só sei que eu vou lá fazer isso aí. Aí quando eu entrei, olha lá.

Bonitinho. Sabendo que a vida não sabia de nada. Sabia nada, cara. E não sabia que depois eu ia ser amigo desse cara. E aí, nesse programa eu descubro que eu quero ser ator e me mudo pro Rio com 19 anos. Então você tá fazendo administração? Não tá feliz, provavelmente? Eu tava adorando a administração. Sério? Super legal. Bons professores. Poderia seguir e tal. Eu acho que eu seria infeliz no futuro. Eu acho que eu ia ser o engraçado da firma. Mas tava gostando. Tava fazendo umas aulas legais.

E nos outros seis meses, quando eu comecei a fazer, teve isso. Então, é isso que muda? Aí eu larguei, irmão. Aí foi. Porque nesse dia do Jô... Você tava com os seus amigos lá? Com a faculdade, o pessoal da faculdade. Como foi, então? E aí você vê como é que é interessante. Eu tava na faculdade e, por acaso, um dia eu fiquei de tarde lá. Não era pra estar. E aí, quando eu tava saindo, andando ali na quadra da SPM, um amigo passou.

Porra, amanhã a gente vai lá no Jô. Você vai também? Eu falei, a gente vai assistir o programa do Jô.

é isso, né? As faculdades já assistiam pro ano do jogo e tal. Eu falei, ah, não estou sabendo. Ah, vem amanhã aí que a gente vai sair daqui. Uma da tarde, vai lá. Falei, ah, beleza. Por acaso, eu encontrei esse cara. Eu nem ia saber. Cara, olha o que... Aí, no dia seguinte, por acaso, também não tinha nada. Eu fui fazer aula, fui ter aula. Não planejou nada. Tipo, vou lá e vou... Aí, o que que eu pensei? Pô, vou levar meus textos.

Eu tinha uns textos escritos que eu escrevia dos normais, para o dia dos normais. Vou levar lá pra dar pro Jô os textos. Aí, fui lá no ônibus e tal. Foi no ônibus da faculdade. Aí, chegamos lá, sentamos pra assistir.

E eu lembro de estar assistindo o Jô na plateia e na plateia com aqueles textos. O Jô não vai ler isso nunca na vida dele. Olha, eu vou dar esses textos. Vou dar para alguém da produção que vai jogar essa merda fora. Eu vou pedir para ir lá na frente para fazer um negócio. E aí peguei um dos textos, rasguei o texto também e escrevi o bilhete na hora. E aí foi curioso porque eu realmente queria só... Eu não queria uma chance para ser ator.

Eu queria me exibir para os meus amigos. Eu queria ser engraçadão. Vocês duvidam? Eu vou lá, cara.

A coisa do texto, talvez eu quisesse escrever, talvez eu achasse legal ver o que o Jô diria do meu texto. Mas eu não queria propriamente dizer, quero ir escrever para os normais, quero escrever para a Globo. Eu achava que aquilo tinha uma escrita bacana, as pessoas riam do que eu escrevia, então eu queria mostrar ali umas coisas. E aí pedi para ir lá na frente, ao invés de pegar os textos. Jô, gostaria de... Ele até fala exatamente o que eu escrevi. Jô, gostaria de fazer uma breve apresentação de um texto cômico baseado no...

normais, um texto de minha autoria, que eu achei importante colocar um texto de minha autoria. E aí, quando deu o intervalo, eu entreguei lá pro Jô, o papel rasgadinho. E o Jô deixou. Peguei o Jô no Bom Dia e o Jô deixou eu fazer. E aí eu fiz lá na frente um texto de minha autoria. Mas ele deixou pra fazer, a princípio, pra ser cortado? Cara, eu acho que ele arriscou. Ele arriscou, né? Já tô aqui. Vambora. Corrível, corta. E ele me chamou lá na frente.

E aí eu fiz a cena ali, vestido, não tava nem preparado. Tava de bermuda, camiseta.

E aí eu fiz a... O Jô falou, então tá bom, o palco é seu. E aí ficou ele me vendo, a plateia muito feliz, me vendo meus amigos ali. E eu fiz aquilo que eu sempre fazia. E pra você não deu um... Fiquei nervoso. Fiquei nervoso. Eu erro logo no começo, eu erro uma frase. Porque eu fazia aquilo ali muito, muito. Então não era pra eu errar. Pra eu errar é porque eu tava nervoso. Eu tava quente. Eu lembro de estar quente. Lembro da sensação de estar quente, assim.

Mas de fazendo... Você lembra de flashes na parada? Hoje, você pensa. É, lembro. Eu lembro do... Assisto muito.

Muita gente mostra pra ver esse vídeo. Mas quando você assiste é igual ao que você lembra? Eu acho que é. Eu acho que é. O que eu me lembro é do início a plateia não rindo. Porque era muito maluco. Era eu fazendo o Rui, eu fazendo o Rui. Então eu já tinha uma coisa. O que tá acontecendo? O que esse menino tá fazendo os dois? Isso te bateu? Eu lembro nos primeiros 30 segundos, sei lá, 20 segundos, ninguém ri de nada. E eu me lembro. Ih, rapaz. Esquisito. Porque na faculdade o pessoal ri de mim.

20 segundos. E aí talvez seja uma das melhores sensações pra um comediante, que é quando finalmente alguém ri. É. E quando vem a primeira risada... Te dá um alívio. Aí eu fico à vontade. E aí quando começam a rir, aí eu tô solto. Aí quando começa a rir, eu volto. Mas esse tempo, até conseguir... Que é uma eternidade, né? E isso é uma realidade até hoje. O pessoal não sabe que 30 segundos é uma eternidade pra comediante, né? E isso até hoje. Quando eu vou fazer uma peça nova, um texto de stand-up novo.

Essa entrada no palco, esse início, essa primeira piada, essa piada entrar é um dos momentos mais aflitivos e angustiantes pra um comediante. Ninguém tá rindo. Não tá acontecendo. O que que eu falei? O que que tá acontecendo? Claro, lá naquela época eu nem sabia do que se tratava. Eu nunca tinha elaborado comédia na minha vida. Mas ali eu tava. Hoje em dia eu tô e eu penso, caramba, realmente foi a primeira vez que eu me apresentei assim pra uma audiência. Quer dizer, eu já tinha feito na escola de teatro peça,

Pra pais e irmãs. Lógico. Ali eu tava na televisão, na TV Globo, fazendo pro Jô. Então tinha uma coisa estranha de perceber isso. Não riram, riram. Tanto é quando terminou e todo mundo riu muito e aplaudiram. E o Jô riu. Primeiro o Bira riu. Quando o Bira riu, ele chegou lá, galera. Aí quando o Jô riu, eu falei, ufa. Que ótima imitação do Fausto. Eu imito o Jô Santos. Muito bem. Esse é fera, galera. Eu sou um imitador. Sabe que na época da faculdade eu imitava o Maluf?

Bem. Imitava bem o Maluf. Como que é o que ele falava? O Leve Leite. Eu nem sei fazer hoje em dia. Isso é uma inverdada. Ele falava o Jacopê. Eu não sei fazer mais ele. Obra de Maluf. O Leve Leite. Tudo é o Mario Maluf. Ser imitador, então, antigamente. Não era, mas eu imitava o Maluf. Por algum motivo eu imitava o Maluf. As pessoas riam, gostavam muito do Maluf. E eu imitava o Alexandre Frota. Mas eu não sei mais imitar essas pessoas. Eu não sei imitar. Perdeu no tempo isso. É, perdi.

se foi. E eu fazia a monga. Aqui em São Paulo é a monga, mas não é a conga. A mulher gorila. Só que a minha imitação não era da monga. Era do... Era transformação. Eu fazia o narrador. E as pessoas amavam o que eu fazia. Parava a aula. Eu parava no lugar. Era assim. Durante o dia, ele é uma linda doncele. Mas quando a luz do sol se extingue,

Ela vira. É monga. Calma, monga. Pegue um quilo de alimento não perecível e suma as montanhas e vá para o abrigo. Eu fazia isso no meio da aula. Era muito tosca na ração. As pessoas amavam. Eu fazia no meio da aula. E eu fazia... Calma, monga.

Eu não sei o que eu vou fazer isso. Você viu isso no Playstation também? É, lógico. E eu fazia isso. Eu estudei no último semestre da minha escola. Eu resolvi sair. Eu estudei a vida inteira no Nossa Senhora do Morumbi. Eu estudei na primeira série ao terceiro colegial. Em junho, no terceiro colegial, eu... Aquelas coisas de adolescente. Eu falei, eu não aguento mais pra escola. Eu não quero mais. Eu vou embora. E eu fui pro INDAC.

Que escola que aceita você em junho do terceiro colegial? Só uma escola como o INDAC.

que naquela época era isso. Não sei como é hoje. Mas o Indak só pegava de repetência. Só tinha gente que não deu certo em lugar nenhum. Gente que já trabalhava e não podia estudar. E aí eu fui pro Indak. O Indak era numa casa, inclusive. Ah, o Mamonga. Que é o Mamonga. Ah, o Mamonga. Ele é fuxil. Eu não sei se dá essa. Outra coisa que era engraçada também era o Chico Landorfei apresenta água dançante. Isso eu não sei o que é isso.

Usos do Polo Norte. Lembra disso, Romero? Eu fazia o Fábio Pontes. Chico Landorfei apresenta água dançante.

Urso do Polo Norte e apareceram umas coisas. Eu fazia o Fábio Puente. Eu hipnotizava falsamente as pessoas na escola. Mas no Indac eu lembro que eu fazia tanto a monga. As pessoas amavam tanto que eu parava as outras aulas. E um dia a diretora veio. Fábio, vou te pedir que não faça a monga hoje. Porque o pessoal do MEC vem aí. Pode ser que atrapalhe a nossa nota aí. E o melhor de tudo.

horas, ela, já pode fazer. Aí eles foram embora. Ela falou. As pessoas amavam. E eu falava obrigado. Eu imitava o Maluf na aula. Aí eu lembro que um dia o Maluf ganhou, sei lá, essa época era esse, 99, 2000, que o Maluf começava de prefeito, que eu entrei na escola e o pessoal, Maluf, você ganhou! E eu falava obrigado. Obrigado a todos do Leve Leite, do Projeto Singapur,

Eu fazia essa liada. Então eu fazia essas maluquices. Eu gritava. Eu aparecia. Eu adorava fazer isso. Eu gostava de fazer essas coisas doidas. Então quando eu entrei na escola de teatro e ouvi aquilo... Aí corta então no tempo. Aí você faz isso aí do Jô. Aí te dá uma luz que você pode... Aí é a luz. Aí é a luz. Aí que eu abandono a faculdade. No dia seguinte eu cancelei a faculdade. Então é isso que faltava na escola. Não, eu pensei sozinho.

Eu me dei conta daquilo. E aí eu fui-me embora pro Rio pra ser ator. E aí me formei na escola de teatro.

teatro, na cal. E fazendo o que lá? Fazendo já peças? Fazendo peças deprimentes infantis em teatro de graça. Sério? Aí aquelas coisas assim. E por quê? A peça, pensa, a peça não é que era assim, era o Pinóquio. Era Meninas Superpoderosas versus o Rei Leão. Ah, tá. Sabe aquela coisa assim? E com baixo orçamento. Não, nenhum orçamento. Zero orçamento. Era uma companhia de um cara, era um meio pilantra, um cara que dava uns golpes, não pagava ninguém. A peça era sempre meio dia, céu aberto, na barra.

E aí...

Eu fazia, então eu me vestia. Só que você se trocava meio na frente das crianças. Um negócio horripilante. Eu fiz muita peça ruim dessa. Mas é isso. É o que te dá caráter. É o que faz você criando casca, conhecendo gente, fazendo. O movimento de stand-up não tinha começado. Imagina. Vai ser quando isso? O movimento de stand-up vem... Claro que a gente tá falando desse novo movimento. Ah, sim, sim. Nesse novo stand-up. Em 2005,

Existiu o Comédia em Pé. Primeiro, no Rio. Foi o primeiro grupo de stand-up do Brasil. E em São Paulo, o Clube da Comédia. Você entra no Rio, então, na escola? Escola de Tiago 2002. Me forma em 2005. Aí vai fazendo... Aí fico de 2005 a 2006 fazendo uma peça que eu escrevi, que eu fazia com o Paulo Gustavo. Infraturas. Infraturas. Um nome horrível, porque não dá certo. Você acha o cartaz disso? Ah, eu tenho. Eu tenho fotos com ele, posso tudo botar. O que era essa peça? Eram skets que eu escrevi. Eram oito skets que eu escrevi.

e fazia com ele. E... Na época, as pessoas que assistiam gostaram muito. Eu assisti hoje, é um horror. É mesmo? Nossa, mas a gente é péssimo. Não é porque na época era engraçado nem isso. Cara, mas então, o texto não era ruim. O texto era legal. Mas a gente era muito cru. Ah, claro, imagina. Eu não é que era ruim. Eu era assim, que falta de alguém pra dizer, para, não faz mais isso. Por que você tá aqui? Hoje você falaria pra mim. Com toda certeza. Eu me desincentivaria.

Evidentemente. O Paulo, quando fazia mulher, fazia bem, mas assim, sempre no mesmo registro. E quando fazia homem, era ruim. Nós deramos ruins, a peça era ruim. Só que, isso eu tô dizendo eu hoje assistindo, quem tava lá vendo, adorava. Tanto é que me chamaram pra escrever pro Zorro Total, com o texto, por causa dos textos. O Mauro Charma foi assistir essa peça, que era um fracasso total, mas ele foi lá, assistiu, gostou dos textos, me chamou, não me chamou pra atuar, porque eu era péssimo. Aí me chamou pra escrever, o Paulo foi fazer o Minha Mãe uma peça,

que ele concorreu ao prêmio Shell, que era maravilhoso. Mas, ou seja, foi uma peça fundamental pra gente. Com certeza. Pra gente escabaçar. Você tá em cartaz três vezes a semana fazendo. Você perde a vergonha de qualquer coisa, né? Você vai fazendo, você vai criando, vai se apresentando. Foi gente assistindo a gente. Pouca gente, muita gente assistindo. Ninguém assistindo. 10 pessoas na plateia e tal. Aquela tristeza, um teatro mofadinho, acabadinho e tal.

E aí a gente ficou um ano em cartaz com essa peça, nesse fracasso absoluto. E aí...

O Sherma me chamou. Um ano de fracasso absurdo. E insistindo. Firme, firme. Porque a gente adorava fazer a peça. Era legal, era divertido e tal. E que a gente tinha risado. E você percebia que ia melhorando, pelo menos? Não sei te dizer. Não sei te dizer. Eu sei que o vídeo que eu tenho hoje é um vídeo do início. Ah, então é isso. Não, não, não. Mas era ruim. Era ruim mesmo. Era muito ruim. Mas as pessoas não achavam muito ruim. As pessoas riam. Gostavam. Mas era ruim. E aí quando te chamam pra...

pra ser redator. Um pesadelo, porque eu achava o Zorro Total um programa horrível. Achava muito, muito ruim. Mas o que eu pensei? Vai ser meu primeiro emprego, com carteira assinada, e eu vou estar na Globo. E lá eu vou encontrar gente. Era ok. Não era ruim. Pra mim, que eu nunca tinha ganhado nada, era um sonho. E aí, o meu planejamento deu certo, na verdade, porque eu realmente encontrei gente muito legal escrevendo. Era o quê? Você tinha que ir num lugar e ir a uma galera?

Era um aparte hotel no Leblon. E todo mundo ia lá. Segunda, sexta. Tipo, umas quatro vezes a semana. Tinha um briefing. Trocava ideias. Aí era assim. Hoje você vai escrever pro Paulo Silvino Severino. Cara, isso é uma bichonra. Aí o redator-chefe era o Cláudio Torres Gonzaga e o Daniel Jafre. Eles escolheram. Vocês três vão fazer esse. E vocês três vão escrever pro... Sei lá. Pra Lady Kate. Aí a gente escrevia. Dava pra ele. Ele fazia a correção. E o texto era aprovado. E aí eu encontrei muita gente.

Foi ali que eu aprendi a escrever. Ali é mesmo que eu encontrei gente que... Porque quando você escreve, é um trabalho muito solitário. E você escreve, na tua cabeça, coisas hilárias, maravilhosas, geniais. E quando você dá pra alguém ler que alguém fala que tá ruim, você tem que aprender a lidar com gente, com o outro. E até entender onde tá a graça e onde não tá. E lidar com o outro. Você não pode pegar o do outro e falar assim, isso é uma bosta.

Porque o outro tá aqui e lá vai se fuder. Você pega o do outro e você tem que... Puxa, eu não sei se eu gostei tanto dessa. Eu acho que eu gostei mais dessa. O que eu fazia na aflição? Porque eu era muito novinho. Eu tinha ali 22 anos.

Todo mundo era mais velho? Todo mundo. Eu era muito, muito mais novo que todo mundo. Acho que o menos velho tinha 33. Então eu era muito moleque que chegou ali. Então eu não podia também chegar... Não só eu percebo que eu tô aprendendo. Eu adoro grupo. Então eu gosto de estar escrevendo juntos. Mas eu também não consigo deixar umas coisas que eu... Então o que eu fazia? Eu assumi o computador. Falar, vamos tendo ideia, eu vou escrever.

Porque um tinha que escrever enquanto todo mundo ia falando. E eu ia meio tentando fazer do meu jeito com as ideias do pessoal. E colocando e tal.

Era o meu jeito de tentar produzir. E aí dava para o redator final. E foi muito legal. Muito legal. Conheci muita gente boa ali. Quanto tempo fazendo isso? Eu fiquei seis, sete, oito. Acho que eu fiquei uns quatro anos no Sorra. E a sensação de, mesmo não gostando do programa, de uma coisa escrita sua estar na boca de um ator? Eram atores maravilhosos. Os atores eu adorava. Os atores eram excelentes. Leandro Hassum, muito bom.

Era o Chico Anísio, o Paulo Silvino. Então era uma coisa legal você conhecer o gestor. Isso era. E conhecer essa gente. Eu ia para a gravação. E o pessoal mudava também alguma coisa. Sim.

eles gostavam assim de mim, viam que eu tinha um certo frescor, que eu tinha uma coisa no texto um pouco diferente do pessoal que já tava escrevendo lá. Não é assim, porque eu era melhor aquelas pessoas? Eu tinha um frescor, eu tinha uma novidade. As referências eram outras, né? É, o pessoal escrevia muito bem também. Mas ao mesmo tempo você tinha que escrever umas merdas. É. Era isso. É trabalho, né? Mudava o cenário. Então era o Paulo Silvino na feira.

Então ele ia falar, esse abacaxi, quem é que segura? Esse pepino não é meu. Você tinha os mesmos caminhos da coisa e tal. E tentava propor umas coisas diferentes e tal.

Mas os caras escreviam, tipo, bordão. Nunca escrevi bom de bordão. Nunca escrevi bom bordão. Então eu não sabia. Tinha gente ali que era especialista em bordão. Só que, além de tu não só em conhecer muita gente legal dos atores e tal, como eu conheci um cara muito especial, chamado Claudio Torres Gonzaga. Cara. Que era o roteirista final do Zó Total e o cabeça do Comédia em Pé. Que tava começando? Que tinha começado e parado. Ah, é? E parou e ia voltar no final de 2006. Ele começou que ano? Começou em 2005.

Fez umas apresentações. Parou. Parou porque não deu certo? Não lembro. Não era a minha fase. E ele era um dos cabeças. Ele era um dos cabeças. E aí, em 2006, o Claudio era o meu chefe. E ele fala pra mim. Cara, você é engraçado. Você conta uns causos aqui. Porque eu sempre ficava perguntando coisas. Tu não quer fazer stand-up? E aí, em 2006, eu não sabia o que era stand-up. Nunca tinha visto stand-up na minha vida. Assistia Sainfield já? Não. E aí,

Eu falei, o que é isso? Aí ele me explicou o que é. Quando ele falou, ah, comediante, não tem cenário, não tem figurina, é você sozinho no palco. Tem o texto. Com o texto teu você escreve. Eu falei, cara, eu acho que eu tenho uns textos assim. Por quê? Como eu escrevia muita coisa, pra mim, eu tinha um dia escrito um texto sobre gente chata. Mas que não era um personagem, mas não era o Fábio, era um comentário sobre gente chata, com punch... Eu tinha escrito stand-up, vocês sabiam o que era stand-up.

Eu cheguei no dia seguinte, peguei o meu texto, escrito à mão. Falei, Cláudio, lê isso aqui. Aí o Cláudio leu e falou, isso é stand-up. Decora e faz. Em final de outubro, o Comédia em pé vai voltar a fazer uma apresentação num barzinho em Copacabana. Quem que era? Cláudio, Paulo Carvalho, Caruso e o Niso faziam uma participação. E eu ia fazer também como um teste. E aí eu fui lá fazer o bar só pra amigo. Tinha, sei lá, 20 pessoas. Num barzinho. Aquele bar que não é pra stand-up.

Meio adaptada. Adaptada ali. Eu cheguei de bermuda e chinelo. Opa, tudo bem? O Claudio, o que é isso? Eu falei, não é pra fazer aquele? Ele falou, você vai fazer de chinelo? Porque não pode? Ele falou, não pode não. E desde esse dia eu só fiz de chinelo o resto de todas as apresentações de comédia em pé. Eu só fazia de chinelo. E aí eu fiz stand-up. Muito duro, muito difícil. Funcionou. Funcionou? Super legal. Na primeira já? Na primeira.

Deu super certo. O texto era engraçado. Você entrou em que ordem? Você lembra? Eu entrei. Era o Claudio.

Paulo, entrava eu. O MC. Ele sempre fez o MC. O Paulo fez. Eu acho que eu entrei depois do Niso. E o Caruso fechava. O Caruso era muito engraçado. Mas o Caruso era o mais famoso. Já fazia stand-up. Ele tinha um solo de stand-up. Nessa época, o Caruso sempre foi muito cachês. Ele sempre escreveu. Sempre fez o texto dele. Escrevia bem. Escrevia no sentido de colégio em pé. Escrevia bem. E fazia. Era muito engraçado. E era mesmo.

Então eu entrei ele no meio. Fiz. Foi legal. Não devo ter sido incrível, mas devo ter sido muito legal porque o Claudio falou, deu certo. A gente tá tentando ver se mês que vem a gente faz mais uma apresentação. Se você tiver aí um texto, faz um novo. E aí, na verdade, não foi novembro, mas foi em dezembro. A gente conseguiu umas apresentações num bingo. Num bingo na rua da minha mãe. Então, era um bingo onde foram quatro quartas-feiras que eles davam um cachezinho zero.

Mas era de graça pro pessoal do bingo. Porque eles queriam manter o povo no bingo. Então o pessoal cansou de jogar. Vinha lá. Vinha uma comédia. Voltava. E a gente fez quatro apresentações. Eu, Paulo. Aí sem o nítio. Era eu, Paulo, o Caruso e o Cláudio. Alina Lira, nossa produtora eterna. E aí a gente fez quatro. Aí eu escrevi um texto diferente por quarta-feira. Peguei o do chato e fiz de novo. Fiz um texto sobre a primeira vez na vida das coisas.

Aí escrevi quatro textinhos. Fiz em dezembro. Deu certo. As pessoas gostaram. Era engraçado.

A gente se deu bem os quatro. E aí o Claudio falou, vamos entrar em cartaz? Em janeiro? Então eu diria que foi o meu teste. E aí em janeiro de 2007 é quando eu estreio. Eu digo que a minha estreia é na Comédia Stand Up porque é quando eu começo a fazer valendo. E aí a gente estreou. As quartas-feiras a gente fazia no teatrinho do Laura Alvim. E sextas e sábados na Barra. E a gente começou um movimento do Comédia Impédia Stand Up que a gente começou a fazer em teatro. E a Comédia Stand Up a gente fazia aqui.

em São Paulo era em Barzinha e tal. A gente começou a fazer em vários lugares. Quarta em Ipanema, sexta e sábado na Barra e domingo em Literal. A gente começou a fazer meio... E começou o stand-up, começou a pipocar. Começou a surgir. Por quê? Porque os comediantes stand-up de São Paulo, principalmente, se filmavam e postavam no YouTube. E o YouTube tava começando. E o stand-up é a única forma de teatro que funciona filmada. Porque o comediante soca o microfone, é meio online, então vai pra tela. E o YouTube funcionando,

moçada, a juventude, assistia o stand-up, e a gente começou a postar também, e o stand-up começou a virar uma certa febrezinha. Sim. As pessoas começaram, a juventude, a meninada, queria ser comediante stand-up. Eu lembro que teve a vez e a hora dos personagens, ter-se insano e tudo mais, e passou um tempo depois... Virou stand-up. E aí, o que que... O Jô não tinha ainda. Já tinha o stand-up lá? Muito. O Jô foi um dos pessoas. Não, no programa dele já ia. Ah, o caneca não.

Não tinha, não tinha. Eu lembro daquela apresentação do Diogo Portugal. O Diogo foi um dos pais do stand-up, porque ele começou a fazer em Curitiba, antes mesmo até dos grupos. É mesmo? Ele e o Bruno Mota são os dois pais do stand-up, assim, porque faziam... Na pré-história. Na pré-história. Entendi. Quando eu vim me apresentar com o Paulo Gustavo, aqui em São Paulo, tipo 2005, com alguns skets que a gente tinha antes da peça, o Bruno Mota que recebeu a gente aqui, no teatro dele, no teatro que ele fazia,

que ele já fazia meio stand-up, MC. Então, o Bruno e o Diogo são os cabeçudos e os dois grupos, o Clube da Comédia e o Comédia em Pé. Só que, qual que também foi a importância do Comédia em Pé? A gente fez uma coisa, isso a gente fez mesmo, que é, começou a trazer gente de fora. Murilo Gã de Recife. Vem, a gente começou a trazer. Vamos trazer gente. Mas como vocês conheciam esses caras? A gente via na internet um cara em Recife fazer, ô, você não quer vir fazer aqui no Rio?

E a gente pagava, sei lá, 100 reais pro cara. Acho que ele pagava um hotel, ficava na casa da produtora. Era assim, começamos.

E a gente começou a convidar o pessoal de São Paulo para vir. E eles começaram a vir. E a gente começou a se convidar para ir em São Paulo. Falei, eu vou estar em São Paulo, não posso fazer aí, não? E a gente começou a se apresentar. E no Clube da Comédia, tinha gente que gostava. Tinha gente que não gostava. Rafinha, por exemplo. Ele até já falou isso, que ele não gostava. Ele já assumiu. De a gente ir lá fazer. O que é isso?

Ficava meio puto e tal. E a gente começou a convidar as pessoas. E começou a fazer o intercâmbio da comédia. Chamar a gente de Curitiba.

fazer com a gente, aí o Bruno foi fazer, e a gente começou a fazer e foi chamando gente, aí o stand-up foi surgindo, então eu fico muito orgulhoso de ter feito parte do Comédia em Pé, de estar lá nessa retomada do Comédia em Pé, ter esse primeiro grupo de stand-up, e ter me formado ali pelo Comédia em Pé, porque a gente começou a se apresentar, a gente se apresentava loucamente assim, teve uma vez que a gente se fazia no mesmo, olha lá, isso aí, a gente fazia no mesmo dia em dois lugares, às nove em Ipanema e às onze na barra, então o Cláudio fazia, apresentava o Paulo,

O Paulo saía, tomava um táxi, ia pra Barra. Aí a gente ia fazendo e ainda enquanto... Entendeu? Que doideira, cara. A gente foi fazendo. Que saudade desse começo do stand-up. Isso é legal. Era uma primeira turma mesmo. A gente falava de tudo. Mas quando você acha que começou a dar certo? Que lotou? Demorou quanto tempo? Em 2007 já era meio uma febrezinha. Em 2008 a coisa foi tomando. E aí a gente já foi indo pra lugares. E aí em 2008, 2009, já tinha expandido. Aí quando veio o CQC, que eu não lembro quando foi. Aí o Danilo...

O Oscar e o Rafinha entram no CQC. Aí todo mundo... E eles voltavam o stand-up, eles faziam muito bem stand-up. Fazem ainda, mas ali no começo, né? E aí as pessoas tipo, caraca! Que porra é essa? Que que é isso? Aí virou a sensação do momento. E a gente viu que tava dando certo, porque começaram a falar mal do stand-up. A turma do teatro começou a falar muito mal. É, porque tava tirando pauta. Então, mas aí que tá. Isso que eu acho uma bobagem desse pessoal no início. Ah, tá tirando o público do teatro. Muito pelo contrário.

A gente tava levando pro teatro gente que jamais iria ao teatro. E tá vendo os posters. E que entrou pela primeira vez. Sentou, viu aquela coisa. Que legal vir aqui. Que legal da risada. E esse povo foi acompanhando. Porque eu, por exemplo, eu sou ator também. Então eu faço stand-up, faço umas peças tradicionais, faço outras coisas. E o público vai acompanhando. É verdade que o público quer se divertir. Então tanto faz se é o Pedro Cardoso fazendo uma puta peça maravilhosa.

Se é um stand-up, se é um improviso do Barbixas. Se é um monólogo. Cara, é engraçado. Improviso você nunca foi pra esse lado.

Eu fazia participações. O Zé lá no Rio, que era o Gregório, o Adneu, o Queiroga e o Caruso. Você fazia, então, participações? Fazia, pontuais, mas nunca fui do improviso. Adoro improvisar, acho dificílimo. Mas essa turma se conversava, se encontrava. Super, super se conversava. Porque o Caruso também era uma ponte entre as duas. Total, o Caruso fazia os dois principais grupos do Rio e tal. E os barbichas aqui ficaram sucesso, estouraram. E aí eu comecei também a encontrar essas pessoas e fazer.

Você começou a publicar também no YouTube nessa época ou não? Eu sempre tive muita preguiça. Eu nunca fui muito tecnológico. Eu não sabia muito como fazer. Como é que edita, publica, faz. Então eu deixava as minhas pessoas publicarem os vídeos. Alguém publicar. E aí eu lembro que numa dessa, o Rafinha, ele publicou um vídeo que era um texto que eu fazia também. Que foi um dos primeiros textos que eu escrevia até lá pro bingo. Que era falando sobre as cantigas infantis. Ah, sim. Nananenê. Nananenê.

Que a cuca vai pegar. Como é que sai do visto? E eu tinha um texto sobre isso. E ele também tinha. E ele postou. O Nelson Freitas também tinha um texto sobre isso. Mas enfim. Postou a gente. E quando alguém postou. O Rafinha ficou puto. Achando que eu tinha copiado ele. Tinha ficado bravo e tal. Aí o Rafinha veio tirar satisfação. Falar comigo. Eu falei. Mas eu nunca nem tinha visto esse texto. E o Rafinha disse que um dia ficou.

Entendeu que ele tinha sido meio babacão de fazer isso. Porque ele estava conversando com o Sérgio Rabelo. Era um comediante.

muito antigo. Ele falou, pô, eu fazia uma piada do nananeném, ou seja, bom, eu faço isso há 40 anos. Aí ele falou, não, é. Ele falou, como assim? É meu texto. Ele disse, é o texto do meu Rafinha. Eu fiz isso em 72 pra... Eu lembro dele no Jô Soares. Ele ia direto no Jô. Ele era muito engraçado. E aí o Rafinha se deu conta, assim. E aí uma das coisas que eu acho muito legal... Que algumas ideias estão no ar, né? Do Rafinha, as pessoas tinham muitas questões com o Rafinha.

E eu me dou super bem com o Rafinha. Hoje, sempre que eu vou a Nova York, encontro ele, vou lá assistir, adoro ele. Ele tá arrebentando. Ele me ligou. Um dia eu tô deitado.

tava em Ubatuba, ele tava com o telefone, Rafinha Barça. Ubatuba. Aí eu, oi, Fábio, tudo bem? Pode falar rapidinho, pode. Pô, eu queria te pedir desculpas. Eu falei mal de você no início. Isso aí ainda era, sei lá, 2008. Pô, eu fui meio contra vocês fazerem peça lá, mas eu fui babaca. Eu tava conversando. Sei lá, Fábio, desculpa. Cara, eu achei aquilo tão legal. Um cara que eu nem me dava bem, que tinha falado mal de mim. Eu vi esse movimento dele com várias pessoas, assim, também. Mas isso lá atrás, não tô dizendo agora. Ah, tá. Tô dizendo 2008.

2009. Tô dizendo um cara que olhou e falou, errei, desculpa. Falei, cara, quanta gente não fala mal da gente? A gente nunca mais fala, não fala nada. O Rafinha ligou pra falar, olha, eu fui babaca mesmo, fiz isso aqui, fui babaca. Eu falei, isso aqui. Ele falou, não, isso eu não fiz. Isso não fui eu, você pode descobrir quem foi. Achei legal pra caramba. Falei, esse cara é bacana. E acho que o Rafinha hoje até tá com outra cabeça.

Sim, com certeza. Até que amadureceu pra caramba e tal. E acho uma sacanagem. Ainda cobrarem dele a piada da Vanessa Camargo.

Eu acho que 50 anos depois. Mas e a Vanessa, cara? E o bebê. O bebê, que já lembra bebê, já é um adulto. Daqui a pouco o adulto vai falar, gente, eu perdoo. O feto vai perdar o Rafinha. Mas enfim, isso é uma outra história. Mas então esse começo do stand-up foi muito legal. E a gente via fazendo comédia ao vivo. E aí tinha o Márcio Ribeiro, com o Bruno Mota, com o Fábio Rabin, com a Calabresa. Aí todo mundo se encontrava. Aí era legal demais.

Foi nessa fase que você começou a ganhar dinheiro bom, então. Que dava muito dinheiro no stand-up. Mas eu não tinha solo. Eu comecei a ganhar um dinheiro que eu nunca tinha ganhado.

minha vida. Mas o solo você demorou, então, pra fazer? O solo foi ali em 2010, eu acho que eu comecei a fazer meu solo. No CQC, quando começou o CQC. Exatamente. No CQC eu já tinha um solo, mas ainda não fazia muito. Mas não era conhecido. Então meu solo não lanchia, exatamente. Eu fazia um show pra 150 pessoas. Legal, as pessoas riam e tal. Mas ao mesmo tempo foi bom, porque quando eu fiquei famoso, eu tinha um solo pronto. E já testadinho. Então quando eu fiquei famoso, eu rodei o Brasil

Daí eu ganho dinheiro. Porque aí fazendo teatro, ganho dinheiro com teatro. Sem lei Rouanet. Com a roupa do corpo. É a roupa do corpo. Aí eu comecei a fazer. Aí eu já estava escrevendo para o Esquenta, a Regina Cazé. Já aparecia um pouco lá. E o Anões de Chamas? Já existia? Não, foi 2011 o Anões de Chamas. E ali eu comecei já a ter um dinheirinho legal de solo meu. Eu já comecei a fazer uma viagem. Como chamava o seu primeiro solo? Fora do normal. E era divertido mesmo. Era engraçado. Era bom pra caramba.

Era legal, assim. E eu adorava fazer. Comecei a fazer tudo. E é engraçado porque... Você tinha um estilo que era muito diferente dos outros, né? Era um estilo muito meu. Eu fazia de um jeito... E era engraçado ver esse início. Mas a galera falava isso pra você, não falava? Falava. Mas é tudo isso assim. Tipo assim, coloca o Porchat no final ou não sei o quê. Ah, porque eu tinha um... Era muito agitado. E fala, cara, colocar ele no meio do show que vem depois.

Era quente, era quente. Mas era interessante ver nesse início como cada um tinha uma personalidade própria. Sim, uma persona, né? Ninguém fazia o outro.

começaram a vir umas outras gerações, naturalmente elas foram se inspirando. Então você viu um cara mais Rafinha, você viu um cara mais Oscar, você viu um cara mais Cláudio Torres. Era legal ver isso, assim. E não tinha tanta mulher fazendo. E hoje em dia tem gente já imitando Ventura, que é de outra geração. É isso, o Rodrigo Marques, a Bruna Luiz. E é muito legal ver também como as mulheres foram tomando uma... Esse é dessa época?

É, esse é o Faro do Normal, exatamente. Esse aí, o chinelo, ó. Eu não parei de fazer chinelo. Mas tá falando das mulheres, como as mulheres...

Algumas mulheres começaram a ter mais espaço. É porque no começo era a Marcela aqui e lá no Rio. Marcela não é a calabresa. No Rio? No Rio ninguém, né? Cara, assim... Eu não lembro também. Claro que tinha um monte de comediante, mas tô dizendo assim, stand-up, stand-up fazendo, não tinha. E é difícil mesmo. As mulheres tomam muita porrada. Os caras... Se você for nos comentários de um show da Bruna Louise e nos comentários de um show de um cara merda, a Bruna Louise é excelente.

Você pode falar que ela não gosta do humor dela, mas não pode dizer que ela não tem graça.

Você pode não gostar disso. Cara, as pessoas querem a morte da Bruno Luiz. Os homens têm uma raiva de mulher na comédia muito, muito forte. E as mulheres também, tá? Mas os homens começam... E agora começou esse movimento Red Pill, um movimento muito, muito nocivo. Agressivo. Pra tudo. E é uma coisa assim, você vê adolescentes entrando nesse lugar. É porque é muito fácil, né? O cara pega... Você é solitário? Você não consegue ninguém?

A culpa é das mulheres, né? E o cara fala, é, não tinha pensado nisso. O cara pega um problema do cara que não tem a ver com isso

e joga um monte de... Tem um documentário na Netflix que saiu agora, Macho Sfera, que é assustador. Porque assim, não adianta chamar esses caras. Ah, esse cara não é que é o cara que não pega ninguém, que fala mal de mulher. Não, não, não. São os caras fortão, que comem as mulheres gostosas, que aparecem as mulheres no documentário. É, os daqui do Brasil são os caras que não pegam ninguém. É só ver os caras. Os caras meio pegam, porque a questão não é essa.

Tem uma tentativa meio de dizer, ah, esse cara tem pau pequeno, ah, esse cara é gay, ah, esse cara não pega ninguém.

a verdade é que esses caras, eles são nocivos. Isso é criminoso. Porque os caras, primeiro que eles estão falando com adolescente, com gente que tá começando a formar, vulnerável, gente que vai tomar uns não. Na adolescência a gente é meio feio, a gente é meio esquisito, a gente tá crescendo. Então eles estão pegando esse pessoal com a cabeça assim e falando a culpa é das mulheres. Mulher tem que... Mulher tatuada não serve, mãe solteira não serve, mãe acima de trinta, mulher acima de trinta. Os caras colocam tanta regra assim. Quem é que esses caras

E aí você vê... Tem umas meninas fazendo muito engraçado nas redes sociais. Olha o cara que me chamou de feio. O cara é um puta do Lorpa. É um tiozão. Mas é um tio com algum tipo de deficiência complicada ali. E aí você vê o cara e esses caras vão incentivando as pessoas a ficarem mais agressivas. E as redes sociais... Bom, eu frequento uma rede social, mas...

Normal. Esses caras estão no submundo. Esses caras têm lá o... Como é que chama aquele? O mais difícil de todos é o... A rede social... A Deep Web. Não, não é a Deep Web. Não, é aquele que... Ah, não é Discord, né? Discord. Tudo nesse lugar. E começam a incentivar as pessoas a atacar, a gritar, a bater. E a gente tá num... Pô, o que tá acontecendo de... Com que as mulheres estão sofrendo. Não, mas é isso que tá vindo à tona. Se você perguntar pro pessoal de antes que não aparecia...

As mulheres foram abusadas, elas foram estupradas, elas foram agredidas, elas têm medo. As mulheres têm medo da gente. Da gente. Elas têm pavor. Elas têm medo de sair na rua. Elas têm medo de atender o cara na porta. É uma coisa que a gente não passa por isso, a gente não entende, né? A gente nem sabe, nem passa pela nossa cabeça. Eu vou pegar quando o cara daqui tá vindo me entregar. Eu vou de cueca, cara. Eu vi as mulheres comemorando uma coisa assim.

Pô, agora tem Uber. Dá pra você chamar uma Uber mulher. Olha que legal, que vontade. E a gente fala, pô, por que que ela tá... Porque, porra, já deve ter sido assediada.

medo de chamar. Evidente. Quando você chama pra uma namorada sua, você também fala, ó, ela fica, às vezes, conversando com você pra saber que alguém tá acompanhando. Tem uma coisa que os homens têm que conversar sobre isso. Claro que a gente, entre os homens, a gente fala umas bobaras, a gente fala as coisas, é isso mesmo e tal. Mas a gente tem que começar, entre nós, homens, no nosso grupo, a entender que tem umas... Outro dia eu vi uma frase que eu achei muito boa, que é toda mulher conhece uma mulher que já foi abusada. Nenhum homem conhece um abusador. É. O que você conhece que é estuprador?

Eu realmente não conheço. Bom, está sendo estuprado uma mulher a cada seis minutos. Você conhece. Você conhece. A verdade é que você conhece. O cara não tem uma cara de estuprado. Você conhece estuprado. Não tem uma cara. Não tem um cara que é mau. Eu vou estuprar mulheres. Não. É isso. A gente conhece. Tem um vizinho. É o cara da tua família. É o cara da tua família. É o teu amigo. É isso que acontece. Mas aí a minha dúvida, e aí eu quero te ouvir também, que assim, porque eu vi muita mulher, quando teve estupro coletivo, essas coisas malucas, muita mulher falou assim,

não vão se posicionar. E aí eu pensando assim, cara, isso é tão absurdo. É uma coisa tão... Quem é que é a favor do estupro coletivo? Ninguém. É um negócio pavoroso. É um dos piores crimes da humanidade. É muito agoniante você ter que falar que o estupro coletivo é errado. Porque quando você fala assim, o fio fio na rua, o passar a mão na bunda, tem um lugar aí que era uma cultura masculina, escrota, que de algum jeito era permitido. Pegar o cabelo da mina na balada. Que a gente fala,

isso que tá acontecendo e tal. Mas esse é um tipo de, e sempre, claro, um tipo de agressão, mas, digamos, comparado com estupro coletivo. Agora, um estupro coletivo, eu não sei muito que toque eu dou pra um cara que estupra coletivamente uma mulher, porque eu não sei como é que eu me posiciono a favor das mulheres. Gente, parem de estuprar coletivamente as mulheres. É um negócio louco. É uma conversa que eu acho que a gente tem que ter muito entre nós, homens.

É com os filhos. Com os filhos, com os amigos, eu acho também. Porque eu acho que tem uma

coisa de os homens sempre tratarem mulher como um pedaço de carne. O homem sempre tratar a mulher como, né? Peguei, comi, uma coisa dessa que não tem a ver com... E eu acho que é isso que fica uma cabeça desses redpill maluco que você... Macho alfa, né? É uma coisa do macho alfa, não tem nada a ver com você não ser macho alfa, não. Isso é uma doença mesmo. É, não tem a ver com deixar de ser masculino, com deixar de ser... É uma gente ruim. Eu já pensei assim,

É uma gente ruim, criminosa. É uma gente que incentiva crime. E a gente tinha que comprar essa briga. Porque toda mulher que vai comprar essa briga, elas são soterradas de comentário desses caras batendo, humilhando, escrotizando. Mas eu acho que está mudando. Pergunta para as mulheres se está mudando. O movimento de a galera não achar mais normal. Eu acho que está mudando já. Eu não sei. Eu vejo esses caras que vão fazer comédia escroto. Eles só atacam as mulheres.

mulheres. Eles só interrompem o show das mulheres. Sim, mas já não é mais normal, cara. Eu espero que não seja. Mas a gente tem que começar, eu acho que a gente tem que começar a não dar mais voz pra esses caras. Tem que começar a dizer assim, não, não, esse cara eu não vou falar com esse cara. Esse cara ele é nojento, ele é criminoso. Não dá pra ser não. Hoje eu vou entrevistar um nazista aqui que vai falar sobre como a raça ariana é superior.

Eu quando trago esse pessoal é pra colocar uma mulher porque os caras ficam fininhos na frente. Os caras falam, falam. Aí você vê os comentários, ué, fala pra ela, não sei o que. Exatamente.

mas você fala que mulher é acima de 30, eu sou eu 30, e aí? Não, não, mas veja bem, não é assim. E os próprios fãs do cara falam, pô, a mulher tava aí na sua frente porque se afinou. Porque na frente o cara afina, cara. Uma coisa é na rede social, uma coisa é no canal dele. Quando eu trago aqui com feminista, com mulher e tal, os caras não falam, cara. O discurso muda total. Eu acho que o que falta é, e a gente tá chegando perto de eleição, mulher no Senado, mulher pra deputado, mulher na Câmara, mulher vereadora.

Mulher em alta situação de poder. Então, quando fala pro Lula... Lula, tem que botar uma mulher no STF. Não é militar. Tem que ter. Não é cota. Mulher é mais que metade da população brasileira. Tem que estar representada igual. Preto é mais que metade da população brasileira. Tem que estar lá. Então, mulher tem que estar. Porque só quando essas mulheres estiverem lá é que elas vão conseguir mesmo ter voz. Não é ter voz, mas serem ouvidas, talvez.

Porque os caras vão estar em menor número lá. Porque os caras são grandão com mulher. Vê se eles são grandão com homem.

Não são. Mas mesmo com mulher não são, cara. É o que vocês falam. Quando tá na frente ali. Não faz, cara. Então eu sinto que é isso. A gente tem que achar... E tem um monte de mulher boa. Boa candidata. De direita, de esquerda. Tem. Não vem com essa. Ah, não sei quem é. Pesquisa. Vai atrás. Porque tem que ser assim. E a verdade, a verdade é que o mundo coordenado pelas mulheres é muito menos bélico do que o mundo com homens. Tem números já.

Já tem número. Se você for em lugares como Ruanda, Islândia, que as mulheres são um número muito alto,

no governo, é um país que não tem guerra, é um país que se resolve ali. Claro que tem mulher filha da puta, claro que vai ter mulher corrupta. Mulher bélica também. Não tô dizendo que toda mulher é uma santa. Não, não, não. Filha da puta tem em todo lugar. Tem minha mãe que me batia quando eu era criança. Tô dizendo aqui, não dá pra ter 20 deputadas. Tem que ter 250 deputadas. Tem que ter de direita, de esquerda, do agro, da evangélica, de pró.

E tem que mudar inclusive a cabeça das próprias mulheres, porque se elas são mais... Também.

Delas votarem, né?

Porque, claro, o machismo tá aí pra todo mundo. O machismo, ele é tão perfeito em sua maldade que ele consegue fazer com que o homem nem precise falar nada. As próprias mulheres começam a brigar umas com as outras. Porque o machismo pode... É, porque o machismo faz isso. Ele deixa o homem quietinho aqui, ó. Lutem vocês, mulheres, por mim. Lutem por estar aí toda fodida, botando salto, batom, fazendo plástica, se furando, tendo filho. Cara, licença paternidade. É cinco dias. Gente,

Cara, você tem filho ou não? Tenho, oito anos. Bom, imagino eu que você fica abastando seu filho? Sim, sim. Acho que é importante estar junto do filho, né? Você ficar cinco dias seu filho assim que nasce, eu não sei se você ficou perto quando seu filho nasceu. Ah, é uma vergonha. Meu trabalho é diferente, né? E foi na pandemia, então... Ah, bom, ainda tem isso. Eu tava direto com isso. Mas diga-se assim, né, como um detalhe, é muito, muito, muito importante que nesses primeiros seis meses a mãe tem alguém do lado. O Brasil já não tem os pais, já tudo abandona os filhos.

que as mães tenham algum tipo de apoio, que é o pai. Porque, na verdade, não é que a mãe tem que ter o apoio do pai. Os pais têm que cuidar do filho. Os dois. Alguém precisa dormir. A mãe precisa dormir enquanto o pai cuida, o pai dorme enquanto a mãe cuida. Então, assim, agora aumentou a licença paternidade, vai ser pra dez dias. Enfim, acho que em três anos vai virar um mês. Que é, bom, claro, melhor do que cinco dias, mas é ridículo.

Tem que ser seis meses. Em países desenvolvidos de verdade, nórdicos, é um ano de licença.

filho, da sua família. E tira o preconceito do cara que tá contratando também e fala, puta, é mulher, se engravidar. Fala, não, o homem vai ter o mesmo tempo. Exatamente. É só assim que você acaba com isso. Equipara, né? Não é aumentando o salário de mulher. Claro, tem que ser o mesmo. Mas tô dizendo, é quando você bota licença paternidade igual e aí contratar pai e mãe, tanto faz, porque vai ficar o mesmo um ano fora. Porque isso é que não tava na conta até, sei lá, o século passado, até o início do século, que é a tal da saúde mental. A gente não falava disso. Isso não era um assunto exatamente tão disseminado.

Burnout. Pessoa ficar cansada. Isso não existia. Não se falava disso. A saúde mental agora entrou no jogo. A saúde mental sua, da sua família, do seu filho. O que é a saúde mental? É não só trabalhar pra viver e viver pra trabalhar. Precisa estar incluído no pacote trabalho um dia pra eu ficar em casa. Um dia pra eu ir no médico. Um dia pra eu brincar com meu filho. Então o papo do 6x1 e tal, eu entendo que economicamente é um papo interessante de ser dito.

pagar essa conta? Como é que vai ser isso? Como é que vira? As pequenas empresas que pagam ali do bolso dela, como é que isso vai acontecer? Econômica, eu não sei te dizer. Aí vai ter gente muito mais habilitada que eu pra dizer. Agora, no público pessoal, eu entendo de gente. No aspecto pessoa, cara, você não quer pessoas trabalhando menos? Sendo mais felizes? Tendo mais lazer? Outro dia eu vi um filho é de uma puta, de um deputado qualquer dando uma entrevista dizendo, não, é até ruim a pessoa trabalhar menos.

Ela precisa trabalhar mais, porque ela é pobre, ela não tem com o que fazer. Ô louco! Não, os caras falam aberto,

Exatamente isso. O cara fala isso sem vergonha na cara. Eu diria um amigo meu que falou. Queria que você estivesse aqui pra escutar o que você falou. Cara, o cara fala. O cara não tem vergonha de dizer isso. A gente precisa de gente com tempo livre. A gente precisa de gente feliz. Que vai lá, que trabalhe. Claro, tem que trabalhar. Mas que possa voltar pra casa. E hoje você vai fazer o quê? Puta, hoje vou dar uma cerveja vendo o Corinthians.

É isso que eu vou fazer. Fazer nada. Puta, hoje eu vou levar meu filho pra passear. Vou no parque. Vou na praia com os moleques. Ficar lá.

Entendeu? É isso que a gente precisa de gente que ocupe a cabeça com coisa que não seja só o trabalho. Que não é a moça que pega duas horas de ônibus, trabalha 12 horas na casa de alguém, volta duas horas de ônibus e não cuidou do próprio filho, mas tá cuidando do filho da patroa. Ela precisa sim cuidar do próprio filho. Então a gente precisa começar a colocar. Ah, mas quanto isso vai custar? Desculpa, o desgaste mental das pessoas vai custar muito caro num curto prazo, mas digamos num médio prazo. Isso precisa estar dentro do negócio.

Se você pegar grandes empresas, pegar o boticário. O boticário tem licença de paternidade. Claro que tem. Porque a empresa boa, direita, que pensa no outro... Ah, é outra. Aí o cara já entende. Tem que ter férias, boa. O cara tem que ter a possibilidade de ter coisa no trabalho pra levar as crianças. Tem que ter... É isso. A gente tem que deixar os funcionários felizes. As pessoas trabalham pra você. São eles que estão te fazendo bilionário.

Então a gente precisa que eles estejam com o que a gente consegue dar pra eles. Com coisa boa.

implementar nas empresas isso. Empresas grandes, boas, já têm essa cabeça. Já sabem disso. Você vai nesses lugares e já vê que essas pessoas amam estar naquele lugar. É isso que a gente precisa fazer. A gente precisa incluir a saúde mental num capitalismo moderno, numa vida no dia a dia hoje. A gente precisa entender que as pessoas também precisam não fazer nada. O povo brasileiro trabalha muito. Essa coisa que o brasileiro é vagabundo, quer trabalhar, isso é uma mentira deslavada. Uma mentira.

Claro que tem safado, vagabundo que não quer trabalhar. Mas no geral, cara. No geral, o povo brasileiro é batalhador pra caceta. Se vira. Pergunta aí fora pros brasileiros que tão morando lá fora se os caras não preferem eles do que qualquer outro. Claro. O brasileiro vai lá pra fora, trabalha pra caceta. Gosta de trabalhar. Vai atrás. Quando a gente fazia quadrinhos, cara, e os brasileiros dominaram o mercado. Pronto. Aonde o brasileiro vai, ele domina.

Os caras faziam 32 páginas por mês e o brasileiro pegava três revistas. Fazia três vezes isso. Onde ele vai, ele domina. Os caras tão estragando o nosso mercado. O que que acontece é que aqui,

Por que o cara não gosta de trabalhar? Porque ele tem que acordar às 5 da manhã. Ele tem que preparar tudo pro filho. Ele sai do lugar onde não tem água. Ele desce no lugar perigoso onde tem traficante. Ele pega um serviço público de ônibus. Duas horas de trânsito. Chato pra caralho. Apertado sem ar-condicionado. Puta de um barulho porque não é elétrico. É a diesel. Aí esse cara faz uma baldeação. Coisa pra caralho. É assaltado.

Tem medo. Pega um outro carro. Chega no lugar. Tem que ir caminhando. Chega nesse lugar. Aí tem uma patroa. Um patrão safado.

possível, que acha péssimo ter que pagar qualquer direito pra essa pessoa. Ele trabalha que não condenado. Volta nesse mesmo esquema que eu falei. Chega em casa, os filhos já estão dormindo. O filho que, pô, tem problema na escola, a mãe não consegue. Aí ele não quer trabalhar, mas eu também não quero trabalhar. Você adora trabalhar. Cara, pô, você tá aqui, você faz seu trabalho, você adora fazer isso. Você trabalha diariamente.

Você entrevista um monte de gente. Você não é um cara que não... Mas você tem o quê? Descanso. Você faz as coisas com calma. Você tem uma equipe boa. Você tem uma equipe que

Exatamente. Você falou equipe... Boa. Não tô dizendo que são os que estão aqui. Não são os que estão aqui. Não é os que estão aqui. Não, mas tem, tem. O Homer, cara. Bigoda que acabou de entrar. Nossa, tava ontem bebendo lá na festa que nem louco. O negócio é, essas pessoas estão felizes? Estão ganhando bem? Estão ganhando direito? É isso que a gente tem que olhar. Então, eu sinto que hoje um dos assuntos que precisa entrar na roda é esse. Porque a questão é que a saúde mental, ela não tem um

Ela tem um custo. Você já teve algum problema disso? Não, não. Porque eu sempre dei meus termos. Você trabalha muito. Você sempre trabalhou muito também. Sempre trabalhei muito. Mas nunca fazendo o que gosto, fazendo o que quero. Chegou algum ponto que você falou, cara, eu tô mal de tanto trabalhar? Não, não chegou esse ponto. Não, já até vai estar cansado. Já tô, puxa, tô com uma torcicola. Mas umas coisas assim. Mas eu gosto muito do que eu faço.

Claro, eu tenho esse privilégio maravilhoso de poder fazer o que eu gosto, gostar do que eu faço. Consegue ter férias. Consegue ter férias. Não precisei trabalhar dos 16 aos 25 pra conseguir.

fazer um negócio. Quem pagou minha faculdade foram meus tios. Então, assim, eu tenho tudo esse privilégio. Ah, muito fácil você falar, né, Fábio? Seu pai não teve que trabalhar de motorista, sua mãe de empregada vai conseguir você fazer uma faculdade. É verdade, é muito fácil pra falar. Mas o que eu tô tentando falar aqui é, a gente precisa incluir o assunto saúde mental no gasto do governo, do Estado, no gasto das empresas. Precisa ter isso.

Precisa ter um lugar no seu trabalho que você consiga respirar. Eu fui agora pra Sué,

Eu fui lá no Spotify. Spotify é sueco, eu não sabia. Também não sabia. É, tem uma sede lá super legal. E aí eu postei que eu tava lá, um brasileiro falou, pô, vem visitar aqui no Spotify, eu trabalho aqui. Cara, você vai na sede no Spotify? Os caras incentivam os funcionários a levar os filhos lá. Tem uma sala de karaokê, uma sala de jogo, uma sala... Os caras trabalham, entregam. Mas eles querem que os filhos estejam lá, que as pessoas vão lá.

Falei, onde é que você passou seu ano novo? O cara falou, no Spotify. Falei, puta, quem é que quer passar o Spotify na firma? Não, não, a gente não trabalhou. Mas eles deixam o prédio disponível.

Você traz as suas bebidas. Tem uma varanda linda. É frio, né? No ano novo lá na Suécia. Mas tem uns fogos. Dá pra ver daqui. Todo mundo traz a família. Tem muita gente de fora. Tem muito brasileiro, muito mexicano, muito argentino. Os caras estão sozinhos. Se juntam. Que empresa é essa? É uma empresa que quer o quê? A cabeça boa dos caras. Claro que deve ter um monte de problema nas empresas. É isso. Não tô dizendo que achamos o céu.

Tô dizendo que é uma empresa que, pelo que me pareceu, se preocupa com a cabeça dessas pessoas. As pessoas vão estar bem.

Quando você tá fudido de cabeça, você não consegue fazer uma entrevista direito. Se você tá com um monte de problema, um monte de questão e tem que fazer, você senta aqui, sua cabeça tá em outro lugar. Isso serve pra o gari, serve pro presidente da república, serve pro dono da... Serve pro vocaro, serve pra caralho a toda, serve. Se o cara tá com a cabeça... Pergunta se o vocaro tá trabalhando bem agora. Tá com a cabeça ruim, tadinho dele. Ninguém pensou nisso, cara. Gente, desviar bilhão é difícil pra caramba.

chamar Peleleca. Peleleca. Eu fico arrebentado. Volto e me tento desviar um bilhão. Não consigo. Não é pra qualquer um. Tem aqueles contatos todos. Mas isso é Brasil, né, cara? A gente, ao mesmo tempo, vê o maior desvio, o maior escândalo... Cara, deixou os escândalos lá dos Estados Unidos no chinelo. O nosso é o maior escândalo bancário da história, do mundo. E a gente rindo com o Peleleca, ele mandando... Envolvendo todo mundo.

Um monte de... O Centrão totalmente enrascado com isso. Gente do Supremo envolvida.

Imagina agora a gente em Brasília suando frio. Caramba. Quando o cara falou, vou fazer a delegação. Aquela foto não pode vazar, aquele vídeo. Tem gente rasgando a peleleca de ódio, de desespero. Mas isso é muito o Brasil, né? E por isso que eu entendo gente que perde a esperança. Eu perco um pouco, cara. Mas é claro que perde. Quantas vezes a gente teve no quase, né? Sabe, putz, agora parece que o Brasil vai, vai. Ai, merda. É que a gente tem que olhar, eu acho assim, claro que... Você é otimista? Eu sou. Tem que ser?

Tem que ser realista pra saber o que tá acontecendo. Mas eu tenho. Eu acho que o Brasil hoje é melhor do que o Brasil em 88. Acho. O Brasil que tinha saído da ditadura ali é melhor. Acho que o Brasil hoje é melhor do que o Brasil em 94. Acho melhor. Mas você não vê meio sombrio daqui pra frente, assim? Com o mundo de guerra, a inteligência artificial. Mas tinha um mundo de guerra lá atrás também. Tinha a Bósia, Zergovina, tinha o Guslado.

É que nem chegava pra gente direito, né? Não chegava. Claro que eu tenho mais medo agora porque a gente tem um negócio que é a inteligência artificial.

o algoritmo e as redes sociais que levam as pessoas. A gente é massa de manobra, todos nós somos. Só chegam as notícias que a nossa bolha chega, que o algoritmo quer que chegue em você. E a gente acredita. A gente vai. A gente vai sendo levado. Mesmo quem é muito afim, muito dentro, muito ligado, é levado. Toda hora você tem que estar esperto. Toda hora você tem que estar esperto. E começa a te dar uma raiva de alguma coisa, você fala, por que eu tô com raiva?

Espera aí. É feito pra você ficar indignado mesmo. É, e tem um negócio que eu acho que é assim,

Olha os seus últimos 10 posts. Se mais do que... Mais do que 5 deles são de política, você tá doente. Porra, claro. Você tá doente. Sua vida virou isso. As pessoas começaram a viver a política como se fosse time de futebol. E elas estão ficando doentes. Doentes mesmo, assim. De brigar com gente. E brigar pro político. Gente, político... Você pergunta pra qualquer pessoa. De esquerda ou de direita. O cara vai falar, político é tudo labrão.

Político é tudo filha da puta. Aí você tá... Cara, eu recebo os caras aqui, velho. Aí você defende os caras. Eu recebo os caras aqui.

desliga as câmeras, você sabe que os caras são meio que todo mundo amigo. Um assessor tá falando com o assessor do adversário. Totalmente. Os caras acabaram de fazer não sei o que, me avisaram, vou fazer também. Cara, eles são inimigos, mas não são tão inimigos assim. Nada, você imagina. O que eu acho que é importante, assim, pras eleições que estão vindo, o tempo todo é Lula e Bolsonaro, Lula e Bolsonaro, Lula e Bolsonaro. E eu acho que já deu pra entender que a reclamação do Lula e do Bolsonaro foram as mesmas. Não deu pra governar. É. O que isso quer dizer? O Congresso é quem...

Das cartas. Das cartas. Ou seja, eu por mim, caguei se eu ia votar no Lula ou no Bolsonaro. Eu quero saber, e eu acho que o Brasil tinha que começar a amadurecer, quem você vai votar pra deputado? Quem? Porque assim, quando você fala presidente, o cara da direita fala, porra, eu vou votar contra o Lula, porque eu sou contra ele. O da esquerda fala, eu vou votar contra o Bolsonaro. Desculpa. No Congresso, tem um monte de cara de direita e um monte de mulher de direita legal.

Tem um monte de mulher e de cara de esquerda legal. Tem filha da puta pra caceta, mas tem muita gente legal. Eu tava vendo a entrevista no Roda Viva do Alessandro Vieira falando,

E ele falou, e eu achei muito interessante, é quase básico, mas é verdade. Ele falou, tem que ter duas coisas um político. Ele tem que ser honesto, lógico, mas ele tem que ser capaz. Se você bota um cara que só é capaz, mas é desonesto, não funciona. Se você bota um cara que é só honesto, mas é incapaz, ele também é um caos. Verdade. Você tem que olhar para esses deputados todos, ali quando chegar agosto, que vão todos os candidatos.

Sou de direita, eu gosto de direita, sou de direita. Vai lá nos de direita. Vamos ver qual é a pauta do cara. Aí eu vou botar nele, porque ele falou que... Não, não, não.

Vamos ver o que ele falou. Vamos ver o que ele acredita. O que ele fez, se ele já foi. E eu sugeriria votem o outro, que nunca foi. Mas, o que ele fez e o que ele propõe? E perceba se o que ele propõe é propositivo ou é contra. Ou é reativo. Todo mundo que propõe contra, não vota. Eu sou contra a direita. Isso não significa nada. Eu sou contra e tudo está aí. Não significa nada. Eu não vou deixar a pessoa... Não interessa. Eu quero quem é a favor.

Eu quero o que você vai fazer a favor. E aí, a minha tática para votar é a seguinte.

O que eu quero? Então, eu quero hoje... Acho que a violência é um tema que o Brasil inteiro está falando. Vai ser grande pauta. Então, eu vou olhar ali alguém na esquerda ou na direita que me diz qual é a proposta. Me fala o seguinte. Eu já estou marcado, já está marcado os principais candidatos já estão marcados aqui. O que, por exemplo, você gostaria que eu perguntasse para os três ou quatro principais? Você acha que é importante os caras... Por quê? Se não vira só pauta moral, é só pauta... Isso é um pesadelo.

Isso é um pesadelo. O problema do Brasil não é o banheiro no sexo. O problema do Brasil é que 50% das pessoas não tem saneamento básico. Eu adoraria falar sobre isso. Cara, a periferia não tá nem área. Eu adoraria que você perguntasse pra eles o que eles vão fazer pelo saneamento básico no Brasil. 50% da população brasileira, 100 milhões de pessoas no Brasil não tem esgoto. Não tem água. E a gente não consegue nem imaginar o que é isso.

Eu não sei o que. Parece uma mentira. Isso eu adoraria que você falasse pra eles. Mas eu quero... Primeiro, por que que tá assim? Quero saber se eles têm noção de por que que tá assim. Porque eles têm que saber por que que tá assim. E não falar uma coisa vaga também.

Ah, porque é o Lula. Não é o Lula. Não tem esgoto desde o Itamar. Por que que não tem esgoto? Itamar, coitado. Por que que não tem esgoto e como é que faz pra ter? Como é que faz pra ter? Pra todo mundo. Pra todo mundo. Não é que eu tô falando assim, como é que eu faço pro pessoal ir ao cinema? Não, não, não. Como é que faz o pessoal limpar a bunda? Como é que faz o pessoal tomar banho? É isso. Então, pra mim, essa é uma boa pergunta pra você fazer pra eles.

Por que que tá assim e como é que faz? E se você for receber governador... Vou também.

Tietê não é despoluído? Até hoje, né? Não. Por que que não é despoluído? É. Despoluíram o Tames, despoluíram o Senna, despoluíram todos. Dá pra fazer? Não. Dá pra fazer. É só pegar um... Por que que não pegaram a emenda parlamentar? Cara, você imagina o que seria a cidade com o rio navegável. Pensa o Rio de Janeiro com a Baía de Guanabara. Nossa. Limpa. E aí o que que acontece? As pessoas podem nadar nesse lugar. É. E aí o cara fodido que tá morando lá na Baía de Guanabara. Primeiro, um fedor, um cheiro. Então, esse cara que tá morando na comunidade,

morando no cocô, com cheiro horrível, com água. O que o Estado está dizendo para as pessoas? Eu caguei para você, literalmente. Eu não estou nem aí para você. E se o Estado não está lá, alguém tomou o lugar do Estado, que é o que acontece. Se eu não ligo para você, você não vai ligar para mim. Se o Estado está dizendo, fica aí, sem saneamento, no cocô, nessa Baía de Marabara poluída, com esses carros... Então eu queria muito entender por que o Rio Tietê... Porque assim, muitos falaram, o Fleury falou que ia beber água do Rio Tietê.

Ele falou isso. Por que que não despoluí? É. Bilhões já foram enterrados nesse livro. Muito. Pra mim é uma coisa assim. Estão jogando esgoto no Rio Tietê. Quem joga esgoto no Rio Tietê? É. É essa empresa, essa empresa, essa empresa? É o governo? É o Estado? Beleza. Parou. Fechou os canos. Não pode mais jogar. E aí? Como é que faz? Se o Rio Tietê fosse limpo, olha o que muda pra cidade. Ah, aí você vai na Europa. Aí você anda naqueles rios.

Se aquele... Ah, andar do lado do Rio Sena. Se aquilo fedesse a merda, ninguém tava andando. Claro que não.

Isso é bom pro turismo, traz gente, traz dinheiro. Isso é bom pra locomoção, você bota barco levando as pessoas. Tudo é bom. É bom pra férias, é bom pras pessoas estarem lá nadando, é bom pra todo mundo. Meu avô fazia remo no Tietê. O quê? É, ele fazia remo no Pinheiros, no Rio Pinheiros. Fazia. Onde é que o pessoal do clube Pinheiros fazia remo? Você chega um pouquinho no interior, você vê o Rio Tietê como que é. Exato. E isso é um bilhão de reais limpa o Rio Tietê. Um bilhão de reais, dois. Isso aí é um pedacinho.

da emenda parlamentar? É um pedacinho do que... Aí desviam metade, aí não sei o que. Não vou nem entrar no evidente caso que se pegasse todo o dinheiro da corrupção, ajudava bastante. Estou dizendo assim, o dinheiro... Existe o dinheiro. Existe. O dinheiro que sai de emenda parlamentar. Por que não tem alguém, os deputados todos de São Paulo, que tem emenda parlamentar, não se reúne, esquerda e direita, e fala, gente, vamos pegar nossa emenda parlamentar e limpar o Rio Tietê?

Vamos limpar o Rio Tietê? Porque daí limpa o Pinheiros. Vamos. Vamos pegar essa emenda. Quando é que tem? 2 bilhão de emenda pra São Paulo. A gente quer limpar o Rio Tietê.

nossa mão. Primeiro, esse cara vai ser reeleito quando for. Esse cara politicamente é bom. As pessoas vão adorar o cara. O cara vai se vangloriar. Eu tava lá quando o Rio de Janeiro foi limpo. Eu fui um dos caras que dei dinheiro. O cara faz o cálculo. Ah, eu tenho quatro anos. Quatro anos não limpo, então vai ficar pro outro cara. Porque esse cara é o quê? Ele pode ser honesto, mas ele é incapaz. O cara capaz faz. É isso que eu tô dizendo.

Ele quer deixar o legado dele, né? E saneamento ninguém tá vendo. Tá isso errado. Mas eu tenho certeza que se você... Dá pra

que está a voto com isso. Foi você que foi o responsável por levar saneamento pra comunidade da Barreirinha? Tu vai lá e fala, fui eu. E o pessoal de Barreirinha vai falar, foi você mesmo, eu vi você vindo aqui. Mas esses deputados não vão em lugar nenhum. Não se metem, não sobe a Rocinha. Cadê essa gente indo na Rocinha ver como o povo tá lá? Vai na Paraisópolis aqui, vai conversar. Tem uma coisa que os americanos fazem que eu gosto, não são exatamente muitas, mas tem alguma coisa que eu gosto muito, que é o congressman lá. O cara tem um contato direto com o votante dele.

distrital. Você vê até em filme os caras falam, não posso votar nisso porque os meus eleitores não vão gostar. O cara vai ser cobrado. Hoje em dia o cara falou assim, não, não posso ser visto com cara de direita porque vão me cobrar. Você estava muito louco. Eu quero saber, você foi eleito prometendo melhorar o bairro do Morumbi. Se o bairro não melhorou, eu vou lá. Oi, amigo. Como é que é isso? Tem dois anos. Nada aqui. Como é que é isso?

vou mais votar em você. A gente vai fazer uma campanha aqui pra não votar mais em você. Pra isso que o brasileiro tinha que se mobilizar. Eu sinto que é isso que o brasileiro tinha que fazer pra mudar o jogo. Como é que a gente muda o jogo? Mudando o Congresso. Botando direito. Eu acho muito importante ter gente de todo tipo. É claro que tem que ter gente evangélica. Tem que ter gente que é cateu. Tem que ter de todo jeito. Tem que ter indígena, tem que ter preto, tem que ter tudo.

Agora, tem que ter gente que quer fazer. Então a gente tem que olhar. Essas, não me diga que não tem oferta. Tem. Tem um monte de deputado lá, bom,

Pra votar. Tem um senador bom lá pra votar. Agora, você vota num senador que, na verdade, você quer que ele esteja lá só pra não ganhar o outro, você tá jogando seu voto fora. Porque esse cara não faz nada. Quanta gente vem na aba e não sabe o que tá fazendo ali. Se você olhar o Congresso, é porque a gente vê aqueles mais midiáticos. Que também eu acho que nem nas escolas que é proibido celular, pra mim, Congresso é proibido celular.

Tipo escola. É lógico. Celular numa sacolinha aí, deixa aqui. Fica o pessoal lacrando. Olha eu aqui, ó, na frente dela.

Isso, mas aqui tá louco, amigo. Pra que você fazer vídeo pro YouTube? Você tá doente? Eu quero que você lá no Congresso, em casa, você faz vídeo no YouTube, o que você quiser. Vai dar sua dancinha. Aqui, eu não quero que você fale uma coisa. Pra mim tinha que ser proibido. Aí ia parar a lacração. Aí ia começar a prestar atenção no que a amiga não tá dizendo. Aí a gente ia começar a ver a mulher lá fazendo alguma coisa. Aí fica lá, eu boto a peruca, aí o outro pita de não sei o que, aí o outro cria uma briga com não sei quem.

Pô, eu quero saber isso. Eu quero saber de proposta física. Pessoas tão morrendo de fome. Tem gente no Brasil morrendo de fome. Tem mulher sendo estuprada.

Como é que a gente faz isso mudar? Como é que a gente mexe essa lei? Como é que a gente faz a lei de criança e adolescente não poder usar rede social? Porque tá matando essa gente. Na Austrália já tem. Não pode ter rede social. Zero. É isso que tinha que ser aqui. Faz mal pra cabeça. Cara, é o que você tava falando. Você era a sua classe te zoando. Agora é o mundo inteiro que pode destruir a vida de uma pessoa. Que tá julgando e...

nova, cara. Você vê que tem pouquíssimos posts. Os caras publicam e deletam. Você não entende por quê. Pô, é medo de avaliação, cara. E você vê a rede social é novo. E tá na mão de três caras muito poderosos. Mas a gente tinha que dar um jeito, porque não tá funcionando. As pessoas te atacam no nível. Não pode ser assim, gente. Ah, é liberdade. Eu entendo a liberdade. Mas é como se você dissesse assim. Eu quero liberdade. Eu não quero sinal de trânsito.

Eu quero andar pra onde que eu estiver. Eu quero passar reto. Ih, botou sal vermelho. Eu quero andar pelado. Eu quero andar pelado em casa. Eu quero andar pelado errado.

Eu quero ou não vou usar cita. Eu quero fazer o que eu quiser. Aí vai virando um negócio. Não, não. Precisa ter algum tipo de organização. Aí você vai falar. Não, não. Mas eu queria andar sem poder parar em lugar nenhum. Pois é. Aqui não dá. Mas aqui no Brasil vai ter um sinal vermelho que você tem que parar. Porque o outro pessoal vai passar. Aí depois vai abrir e você vai. Na rede social tinha que ter um sinal vermelho e verde.

Penso exatamente da mesma forma. Você precisa ter o quê? Ah, pra ter uma conta lá na rede social você precisa ter seu cadastro? Talvez. Talvez você precisa cadastrar seu CPF. Sim. Você pode ter o nome que você quiser.

É, chamar o Guinho 00. Mas se precisar, vai saber onde você mora. Exato. Que aí fica mais fácil, né? Quer ter 10 perfis? Pode ter, mas tudo dentro do Fábio Porchat. Porque daí eu vou lá e falo assim, vou pro teu filho de 12 anos e falo pra ele, vou chupar você todo, vou te comer. O que que é isso? Você tá muito louco? Criança. Vai ser preso agora. Vai ser preso. Por quê? Porque esse cara aqui, que fez, não pode falar com criança, você sabia.

Pronto, acabou. Tá preso. Então tem que ter algum tipo de sinal verde e vermelho.

Você fala isso e a pessoa... Tá, censura! Quer censurar? Não, não quero censura. Eu quero organizar o trânsito. Eu quero que tenha... O sinal vermelho abre. É que o pessoal acha... Sabe do perigo que tem, claro. E tem perigo realmente de quem tá no poder usar essas informações pro mal ou das empresas que já tão com nossos dados usar isso pro mal. Mas elas já têm os nossos dados. Então. Mas elas podem usar pra outras coisas piores ainda.

Mas já tão usando. Sim, sim. Você fala o celular hoje. Não, mas o que eu tô falando é... Outras vezes você fala, tava falando aqui com o Vilela, abriu meu celular e tava o Vilela. É.

Lógico, porque ele está ouvindo. É o que eu estou falando. Já está acontecendo. E o que tem que fazer? É fazer essas empresas e o governo tem que ter uma controle de quem controla também. Como as empresas não vão fazer isso, o governo, o Estado... Tem que fazer. Tem que fazer. Independente de que Estado seja. Tem que fazer. A Austrália fez. E vai melhorar demais a vida das crianças e adolescentes. Porque mexe com o cérebro e informação.

Mas se você falar com qualquer neurocientista, eles vão dizer que isso aqui, o curtir infinito, o scroll infinito, para gente adulto,

É um horror. É, cara. Eu comecei a desmamar disso. Nossa. Eu tô desmamando. Concentra-se em muitas coisas. Eu tava com dificuldade de ler livro, cara. Não, eu também. Tava com ler livro e aquele cara com o celular. Eu tinha que pegar o celular, colocar em outro lugar. Você não conseguia ler. Eu tava vendo uma mulher falar, uma neurocientista ótima, americana, que... Não, eu não vou mexer no celular. Vou deixar ela aqui e vou escrever.

Só do fato do celular estar no mesmo ambiente, o seu cérebro já não está 100%. Exato. Porque um pedaço do seu cérebro quer ver o celular e um outro pedaço está impedindo ele de ver. Pois é. Então você já tá numa luta aqui que você já não tá a fundo.

em outro ambiente, que aí você não tem ele aqui. E aí o seu cérebro já foca. Com criança e adolescente é isso. Então a gente precisa ter um sinal vermelho e verde ali, organizar e saber como é que a gente vai funcionar. Eu acho que tem que ter umas medidas simples, por exemplo, WhatsApp. Qualquer coisa que você recebeu, você só pode passar pra alguém depois de um minuto. Uma bobagem. Um minuto. Significa que você não pode de imediato.

Com um minuto, você pensou, você parou. Se a gente ficar um minuto mudo aqui, vai levar uma eternidade. Um minuto.

É uma bobagem. Aí você olha, você vê de novo, você pensa, será que vale? Isso podia servir pra qualquer coisa, qualquer comentário em rede social. Tudo! A rede segura-se 15 minutos. Você quer mesmo publicar? Cara, acho que não. Daqui 15 minutos você volta. Porque a gente é um impulso. O ser humano não é exatamente racional. Eu faço isso eu. É lógico. Tem coisa que eu escrevo e não publico. Não pode. E aí eu vejo... Não, não, eu não publico de verdade.

Mas o fato de escrever já me libera. Ah, já botou pra fora. Botei pra fora, escrevi e depois deleto. Por quê?

O dia Paulo Vieira mandou. Acho que eu vou publicar isso. Eu falei. Pera lá. Ele falou. Não, não. Eu só botei pra fora. Eu falei. Tá bom. Tá bom. Bota pra fora. É porque às vezes você tem que escrever. Tem. Mas não publica, cara. Isso. Porque antigamente era assim. Antigamente você falava pro cara do lado. Você não ia na janela e falar. Gente, olha o que eu acho. Eu adorei. Outro dia o Claudio Manuel falou isso. Que eu achei maravilhoso.

Que era o hater de antigamente. Pro cara falar mal de você. Ele tinha que escrever uma carta. É. Botar no envelope. No correio. Pagar um dinheiro. Selar. Botar lá. Passa cinco dias. Aí eu respeito esse hater. Eu respeito.

que é um hater que ele te odeia a ponto de, porra, tem que você ter que ir realmente. Porque isso não é muito fácil, né? Eu tava lendo um livro chamado Animal Social, que é um livro muito legal, e ele vai falando de experimentos, de como a gente não... Nenhuma decisão que a gente toma na nossa vida é porque a gente quer tomar. Ah, é? É porque a gente foi levado a isso. É porque a gente acha que tem que ser assim. É porque o grupo tomou essa decisão.

É porque a gente acha que é o certo. É muito interessante esse livro. Depois, ler... E aí a gente tá vendo que a gente não tá lidando com uma máquina.

Porque o ser humano não é uma máquina. A gente faz um monte de coisa errada. A gente faz um monte de coisa que a gente acha que é certa e não é. A gente toma umas decisões depois. E aí, arrependi de não ter feito. A gente fala umas coisas assim. Eu vejo muito isso. Uma das coisas que eu também quis trazer esse presentinho pra você, esse Donald Trump aí que você vai botar de cabeça pra baixar já, é porque eu percebi isso na minha vida.

Ali, meio durante a pandemia e tal, eu fiquei muito ativo, dando opinião, falando, comentando, política e tal. Você se arrepende?

Dependo. Mas percebo que eu tava fazendo de um jeito muito vaidoso. Muito egóico. A rede social é vaidosa. Claro. Olha como o pessoal tá concordando comigo. Olha só. Isso é muito perigoso. Porque você fala e vai embora. É. O negócio é o seguinte. Eu quero dar uma opinião agora. Eu vou dar uma opinião batendo um papo. Conversando. Ou numa mesa de barra. Ou com você aqui. Aqui a gente tem tempo de trocar. De falar. De eu desenvolver.

Sim. Eu sei que vai ter gente que vai pegar um pequeno pedaço. Mas tem o trecho longo lá. Mas tá lá. Tá gravado. Uma frase.

Um que eu coloco numa coisa. E aí, o que eu percebi? Por isso que tem a ver com esse bonequinho. Eu comecei a fazer agora uns vídeos engraçados. Eu comecei a perceber que eu tava perdendo a graça. Eu tava querendo falar sério, só que eu sou comediante. Então, qual é o meu superpoder? É claro que eu posso falar sério. Claro que eu posso ter opiniões. Mas o meu superpoder é pegar a minha opinião, misturar com a minha arte e fazer piada, que é o que eu sei fazer, em cima de um assunto.

Quando eu comecei a fazer o Mauro César, esse resolvedor de crise, que liga pra quem tá...

Eu comecei a falar de assuntos super polêmicos, super pesados, de uma forma leve, engraçada, rindo. E não deu nenhuma polêmica. Porque não é o Fábio falando. É o Mauro César falando. Isso é uma coisa que o Pedro Cardoso bateu muito nessa tecla de falar. O personagem pode falar qualquer coisa. Porque é um personagem de mentira. E é isso. E quando você usa a comédia pra fazer isso, você percebe que você pode falar do Donald Trump.

A força é muito maior também. Muito maior. Então esse bonequinho do Donald Trump também representa muito eu querer falar as coisas que eu quero falar.

de forma cômica, divertida, com personagem, com brincadeira. Mas já que você falou de personagem e tudo mais, vamos voltar na sua lenda do tempo que a gente parou lá. O fenômeno Porta dos Fundos. Então a gente parou. Você estava fazendo comédia, rodando com seu solo, ganhando seu dinheiro. Primeira vez que você começou a ganhar bom dinheiro foi com o stand-up. E aí? O Porta dos Fundos aparece quanto tempo depois? Eu lembro da gente fazendo um show no Beverly Hills e eu estava comentando de um vídeo seu de zumbi.

Não era? Então, não tinha partos fundos ainda. Não, não. Era um embrião. O que era o Anões? O Anões em Chamas é um projeto do Ian SBF, que é o diretor. Você conhece ele como? Eu conheci ele, olha que curioso, quando eu cheguei no Rio de Janeiro para

ser ator, em 2002, eu também fui fazer faculdade de cinema. E uma menina que fazia faculdade comigo, conhecia esse cara, diretor, que tava procurando um cara pra fazer um curta-metragem pra ele, e era o Ian. Eu conheci o Ian quando eu cheguei na faculdade. E aí eu conheci o Ian, e o Ian é um cara muito legal, muito interessante, cheio de ideia. Queria fazer. Mil coisas e tal, e fazia na casa dele, do jeito que dava e tal. E eu, na hora, conectei com ele.

Achei um cara muito legal. Que era o seu problema que você falou, de editar, de não sei o que. Isso aí. Completava. E aí,

A gente foi ficando amigo e tal, e aí fazendo umas coisas. Mas, quando chega ali em 2011, o Ian faz com a produtora dele, o Anões e Chamas, que eram textos malucos na cabeça dele. Ele tinha uma câmera, ele tinha uns... Inclusive, foi o que a gente usou no Porta dos Fundos. E aí ele começou a fazer esses videozinhos e lançar na internet. E quem atuava? Eu atuava... Ah, ele chamava uma galera pra... Ele ia chamando uns amigos. Olha lá, ele...

O Magalzão... O Magal dirigia o Porta dos Fundos depois. Não, mas isso é depois. Isso não é Anões.

Então, era você e ele ou tinha mais gente? Não, não, era só ele. Ele escrevia, ele dirigia, ele editava. Ah, você não tava junto na parada? Não, eu era muito amigo dele, então ele me chamava pra fazer uns vídeos. E aí eu ia lá, fazia, adorava fazer e tal. Era muito engraçado, muito esquisito. Pras pessoas, era o humor, o que é isso? E aí o Ian era amigo do Kibe. E publicava no YouTube mesmo. No YouTube. O Ian era amigo do Antônio, o Antônio escrevia com o João no Caldeirão.

O Tabet, tá. Eles três se encontraram, eles três falaram, vamos fazer alguma coisa?

iriam fazer pra rádio. O quê? Vamos fazer uma coisa na rádio. Uma coisa de humor na rádio. E aí o Ian falou, temos que chamar o Fábio. Fábio tem que estar junto. Eu cheguei, eu lembro de chegar no dia, mas eles não sabiam o que eles queriam. Era num bar no Astor, lá no Rio. E eles assim, é, então vamos ver. Só pra dar o contexto, o Tabet tinha o Kibilou, que era enorme. Era o maior canal de humor da América Latina. Absurdo. E o João vinha da publicidade e tal.

O Gregório não tava. O Gregório não tava. E aí eu cheguei lá e eles não sabiam muito o que eles queriam. E nesse momento, em 2011,

ali, eu já tava fazendo stand-up pra caramba, ganhando dinheiro, viajando o tempo inteiro, Bauru do sábado, em Portucatu, domingo, não sei o que. Então eu não tinha muito tempo pra ficar, vamos ver, vamos juntar. Era tipo, e aí, tem o que? Não, uma coisa, a rádio, a gente podia pensar, e eu lembro que eu saí dessa reunião dizendo, gente, quando vocês tiverem alguma coisa, me falem e vamos nessa. E aí o Júlio e o Kip já falaram, bom, o Fábio, vamos tirar ele, ele não quer ir.

Eu falo, não, ele quer, mas é porque ele é prático. Ele quer saber o que a gente quer fazer. Vamos ter alguma ideia do que fazer.

Aí eu falei, aí quando a gente se juntou e a gente pensou, vamos fazer alguma coisa pra internet? Falei, você viu? Eu pedi pra minha mãe desligar o celular. Ah, foi o celular da sua mãe? Desligado e tocou? Ah, e tocou? Não, tá certo. É pra tomar o remédio da pressão. É, o remédio da pressão. Você viu que eu nem olhei. Quando eu olhei, falei, é certeza que é minha mãe. Continuando aqui. Se tivesse no teatro, ia ficar mal, hein, mãe?

E aí, eles falaram, vamos fazer alguma coisa pra internet, mas a gente ainda queria fazer pra TV.

Quando a gente criou o projetinho Porta dos Fundos, eles foram vender pra Fox e pra Sony e nenhum deles quis. A Fox quis um programa do Rafinha e a Sony não quis o projeto. E aí a gente não tinha lugar nenhum pra fazer. A gente só fez no YouTube, porque não havia onde fazer. Ah, não foi uma opção primeira. O YouTube era a nossa emissora, entendeu? A gente falou, ah, vamos lançar no YouTube. Tá bom, vamos. E aí cada um, ah, vamos escrever uns textos.

E cada um escreveu uns textos. E a gente se reuniu pra ler esses textos e a gente sacou que muito diferentes os estilos,

Mas a ideia era fazer sketch. Era sketch, sempre foi. A gente até falou, vamos fazer um programa longo. É, eu vi o primeiro que lançaram. Os primeiros quatro programas. Quinze minutos? Quinze minutos. Era, sei lá, uns seis, sete sketches que dava quinze minutos. E tinha uma ligação. Que a gente quis fazer longo, pras pessoas entenderem que a gente... Que você lança um vídeo e a pessoa fala, ah, que engraçado. Você lança oito vídeos numa sequência e a pessoa fala, ah, tem alguma coisa ali.

Então, o Porta veio desse anseio nosso de querer fazer um tipo de humor que não se fazia. Eu já fazia com o Greg o Junto e Misturado na Globo.

também, o Greg tava no teatro, então a gente se encontrou, escreveu uns textos. Você que chamou o Greg? Não, não lembro agora quem chamou, a gente chamou pra uma leitura, e aí veio o Lobianco, o Greg, o Infante, a Júlia, o Veras, a Clarice, a Letícia, todo mundo, e a gente leu uns textos. Quando a gente leu esses textos, foram muito engraçados, a gente viu, ó, funciona, engraçado, e aí quando o Greg saiu de lá, ele ligou e falou, quero ser sócio.

Só faço eu vou ser sócio. A gente falou, ótimo, o Greg é sócio, tá excelente. E aí juntamos nós cinco. E o Luciano Huck. Por que que ele entra?

O Luciano Huck entra porque ele é... Bom, o Luciano Huck, tudo que ele toca vira ouro. A gente pensou, bom, ter o Luciano como sócio... Não, pra vocês tudo bem, mas porque ele... Ele viu ouro. Ele viu ouro. E ele ganhou ouro. Porque na venda ele ganhou dinheiro. E ele apostou nisso. O Luciano tem uma visão muito grande. O Luciano é um cara que tá sempre atento ao que tá acontecendo. Sempre trazendo gente. Ele viu o Porta. Ele conhecia o Antônio e o João que escreveram lá.

Ele entrou como? Colocando dinheiro no começo? Todo mundo botou 5 mil reais no começo. Cada um de nós. É sério. O Luciano entrou muito dando um auxílio...

jurídico, então quando a gente precisou profissionalizar a coisa, ele tinha já a galera dele, ele tinha o escritório dele, então ele ajudou muito nesse lugar. Mas evidente, ele não fez nada artístico ali. Por que que a gente também achava bom ter o Luciano? Porque dá um respeito pro Luciano, os moleques fazendo um troço engraçado ter o Luciano, só que mal sabia a gente que a gente deu certo muito rápido, muito sem precisar do Luciano. Então quando deu certo, a gente também foi o Luciano. Parabéns pra ele ter tido

a visão, né? Mas ele nos auxiliou juridicamente com coisas. Tinha uns caras lá que ajudavam a gente e tal. Então ele foi... Ele é muito boa gente, Luciano. Ele é muito legal. E ele tava atento. Sempre que a gente precisava de alguma coisa, ele tentava fazer um contato com o Brasil inteiro. Então era sempre assim, pô, a gente queria falar uma Coca-Cola com alguém. Ele tinha o cara. Então ele ajudou a gente, sim, nesse contato. Mas, claro, artisticamente era só a gente fazendo e tal.

E aí quando a gente vendeu pra Paramount, o Luciano vendeu a parte dele também e ficou só a gente. Ficamos os cinco sócios ali.

E aí a gente comprou de volta o Porta dos Fundos agora da Paramount e o Ian e o Antônio saíram. Então eu fiquei, eu, o João e o Greg. E foi rápido, né? O Porta dos Fundos estourar. Estourar foi. Não foi? Foi super. Porque eu lembro que começou os vídeos e de repente já virou uma febre. Virou assim, último capítulo de novembro. As pessoas assistiam. Era terça e quinta? Todas as terças primeiras. Não, terça e quinta, tem razão. Começou já terça e quinta?

Depois entrou sábado, é. E a gente lançava os vídeos e as pessoas assistiam. 11 horas da manhã era o comentário do dia. As pessoas paravam o trabalho. Ó, lançou o vídeo do Porta.

assistia e voltava a trabalhar. Era isso mesmo, assim, não é modo de dizer. E parece que foi ideia do Tabit isso, né? De ter um horário no dia fixo e tal. A gente usou muito, assim, o expertise do Ian com produção de internet e a expertise do Antônio com entendimento de... Ele tinha o blog dele, né? Então foi muito bom por isso. Os dois foram fundamentais por muitas coisas, mas principalmente por isso, nesse início, né? Quando a gente não lançou.

E quando a gente lança, a gente percebeu que sem querer querendo, a gente inventou um jeito de fazer.

Tem um sotaque do porta ali. E trouxe uma qualidade pro YouTube que não tinha. Que não tinha. A gente faz aquilo, uma câmera que o Ian fazia, que ninguém fazia. O Ian é um puta diretor. E ele estabeleceu aquela... Por exemplo, a ideia de ter os créditos depois é do Ian. O Esteves, Gabriel Esteves, que é o nosso roteirista até hoje, ele que fez a vinheta. Porque a gente sentiu que tinha que ter alguma coisa. Lançar tal dia, tal hora.

Na mesma hora, o Antônio que falou. Qual que é o primeiro que estoura? O primeiro sketch, você lembra?

Ou foi escalando? Estourou, estourou. Eu posso estar... Porque o Judite é anterior. O Judite antes. Não existíamos. Mas já tinha estourado o Judite? O Judite já tinha estourado. Não, antes. O Judite estourou quando lançou. E um dia tinha um milhão. Que era uma coisa que na época, em 2012, não existia isso. Um de um milhão é um negócio assim brutal. E aí no segundo dia, dois milhões. Terceiro dia, três milhões. Foi um negócio que a gente só se falava nisso. Mas do Porta, eu acho que o que estourou, estourou mesmo, foi o do Espoleto.

Foi logo no começo? Foi logo no começo. O Que Eu Quero... O Que Eu Quero Maralberto também. É logo no começo também. É logo no começo. Esse também foi muito marcante. Então, os vídeos foram ficando muito fortes. Cara, era uma coisa tão absurda, né? Pra aquela época. Era, era. E assistindo hoje... Os caras falaram isso mesmo. Ainda é engraçado. Assistindo hoje é engraçado. Por isso que a gente continua tendo muito view em vídeo antigo.

Porque os vídeos lá atrás ainda funcionam. Tem essa, né? Um catálogo, né? Ainda dá certo. Esse já é...

patrocinou. É, não é o primeiro, né? O primeiro, primeiro, nem podia chamar Spoleto, porque a gente ficou com medo de se perguntar. Claro, né? A gente chamou de fast food. Depois que o Spoleto comprou, a gente botou o Spoleto. E aí a gente fez o 2 e o 3 do Spoleto. E aí foram um case de sucesso, super legal. Fizeram vários cases, assim, né? Super, super. E acho que a gente, inclusive... Aquele das latinhas também, né? Aquele não era merchan.

Virou merchan depois, o 2 e o 3. Foi no Porta. Foi no Porta. Como que era o nome lá? Kellen. Que é o nome da irmã...

E a ex-mulher, cara. Que maravilha. Volta e meia e encontra a Kelly. Sabe o que é o mais louco? Eu encontrei outro dia o Wellerson, que é o nome do meu personagem. O Wellerson. Que eu inventei esse nome. Eu nunca vi ninguém chamar esse nome. E volta e meia e alguém fala, pô, chama o Wellerson. Eu falo, caralho. Existe. Tentando inventar um nome, eu escrevi um nome que já existe. Olha que coisa louca. Você viu. E aí o Porta foi gerando isso e as pessoas foram gostando do Porta.

E o Porta, assim, era uma junção de muita coisa legal. Textos muito bons, um jeito de fazer a internet que nunca tinha sido feito. E o YouTube cresceu. Atores incríveis. E o YouTube também explodindo também.

explodiu. Então foi assim, realmente uma junção de gente muito legal fazendo coisa muito boa junto. E grupo. Eu acho que esse é o segredo que hoje em dia não tem mais. Eu me sinto com o Procópio Ferreira falando. Claro que existe ego sempre, mas... Era todo mundo muito legal. A gente queria. Mas por quê? Porque era grupo. Diferente de vou juntar você com o Claudinho e com a Soninha que você não conhece. Eram amigos. E aí tinha uma coisa que grupo não tem mais hoje.

se juntam em grupo. Caceta Planeta era um grupo. O Chico Anísio tinha um grupo de atores na escolinha. O TV Pirata era um grupo. E o Porta dos Mundos é um grupo. Não tem mais grupo. Hoje em dia, o que acontece? As pessoas são sozinhas. E aí, sozinho, você pode ser brilhante sozinho. Mas você não tem uma opinião diferente. Você não tem alguém dizendo, puta, não tá tão bom hoje. Eu tenho um negócio que é mais legal. Ou reescreve.

Ou daqui que eu vou dar uma sugestão. Não tem, porque você escreve. Você edita, você atua, você posta, você bota. Por quê? Porque é mais barato.

mais no tempo que você quiser, na tua casa mesmo, com o seu celular. É a época dos humoristas de rede social, né? Que ele faz tudo. Exato. E tem ótimos humoristas de rede social. Tem, pô. Só que pra mim, eles começam de um modo geral a se repetir ou a ficarem reféns do algoritmo. Do que estão fazendo, ele vai lá e faz pra ficar na trend. Não, ele fica refém total. E por mais engraçado que seja, não é original. Não é novo. Não tem uma coisa ali.

E quando tem, o cara fica só nisso. Por quê? Porque não tem um grupo. Eu sinto muita falta de gente boa se juntar.

fazer coisa junto. Gente na internet se junta. Se junta pra criar coisa doida, diferente, engraçada. E eu acho isso é um segredo de uma coisa que tá acabando. Porque por conta de rede social, algoritmo e financeiramente, mesmo os podcasts. De um modo geral, é sempre um cara entrevistando, ou dois. E aí, muito legal, é ótimo. Mas no fim das contas, é sempre uma pessoa fazendo. Não é um grupo de gente. Não são os amigos fazendo.

Não é o escroto, sacana, filho da puta, o cara que fala, o cara que te bota no...

E acho que isso faz muita falta pra comédia de um modo geral. Mas eu citei já aqui uma vez o Mundo Canibal. Eram três caras bebendo no bar e tendo ideia e fazendo desenho animado, fazendo vozes e tal. Era, era. E essa é a graça. Porque daí você ri de um. Aí o cara faz um negócio que você não sabe fazer. Ele faz de um jeito que você não tinha pensado nisso. Que engraçado. E eu acho isso muito legal. Quando você junta gente boa e eles trabalham a favor.

E de forma natural. Gente que veio do teatro. Gente que veio do improviso. O outro veio do não sei o que.

na noite fazendo. Esses caras de hoje, eles não se encontram na noite fazendo. Não, não, não. Eles fazem na casa deles. O começo do stand-up era muito turmas, né? Turmas. Comédia em pé, turma. Os grupos eram muito legais. O clube da comédia, turma. E hoje em dia é mais solo, né? Não tem mais o lance de turma. Por isso que quando tem... Agora os quatro amigos se juntaram com a culpa é do Gabriel e a culpa é dos amigos. Ah, é? Eu achei super legal.

Tudo bem que eles... Eu não assistia ainda, então eles falam separados. Mas é gente, junta. Aí um vê o show do outro, um fala se tá ruim,

É legal. É gente boa fazendo aventura, padilha. É legal ter gente unando. É bom ter gente assim. Cambota. Vamos embora. Vamos fazer. Eu acho isso legal. Juntar grupo. Juntar gente. Fazer. Porque daí também é isso. Junto eu, os caras se encontram. Aí tem umas mulheres ali que falam. Pô, vocês estão fazendo umas coisas que não tá chegando a gente. Ah, é verdade, pô. Então é bom ter diversidade. O porta começa todo branco. A gente não tinha essa preocupação.

São cinco homens. Branco, hétero e cis. Não pensaram pra juntar esse grupo? Não, eram de amigos.

era. Agora que a gente já tem, vamos começar a trazer um pessoal. Mulher, mulher fazendo, mas vamos dar protagonismo pra mulher. Vamos deixar a mulher só dando oi, alô. Vamos também botar um sketch. E aí, quando a gente começa a trazer roteirista, mulher, roteirista, preta, a gente vai aprendendo, vai evoluindo. Mas falando do Porta, ele começa a criar outros braços, né? Começa a ter o especial de Natal, que vai pro Netflix. Isso era ideia de vocês já?

Vai pra filme, vai pra... Aí nossa ideia era começar... Quando deu certo, a gente falou, cara, a gente

Tem possibilidade de fazer filme, série, conteúdo. E hoje o Porta dos Fundos é uma produtora de conteúdo. A gente faz propaganda, a gente faz filme, série, a gente faz novelinha vertical. Não necessariamente tem que ter vocês. Não, e não necessariamente nem pra gente. A gente já faz umas propagandas pra Netflix, pra Posto Ipiranga. Nenhum de vocês tá envolvido como ator, nem nada. O povo fazendo, escrevendo, e é isso. E a gente produz esse negócio.

A gente tem um monte de ideia lá. Agora entrou um... A gente botou um roteirista chefe lá, que é um Head of Creation, aqueles nomes em inglês.

que é um cara fodão que organizou a sala de roteiro, que a gente tem uns roteiristas muito legais lá, e a gente começa a fazer vídeos mais quentes, então a gente sai o especial de Natal, é o que ganhou o Emmy, esse aí. A gente já fez 10 especiais de Natal. O primeiro foi ideia de vocês ou convite da Netflix? Não, não, o primeiro foi em 2014, não tinha Netflix nenhuma. Ah, vocês fizeram no canal mesmo? É, no canal, a gente tem em 2014, 15, 16, 17, 18, aí que foi para a Netflix.

Ah, tá, eu não lembrava, achei que já tinha direto. Então nasceu de vocês mesmo.

Netflix. Fez em 19 pra Netflix. Aí parou. Aí teve a bomba no Porta. A gente lançou em vídeo no YouTube. Aí depois a gente fez pra Paramount Plus uns quatro. Mas a bomba tá relacionada com o especial de Natal? É, com o especial. A primeira tentação de Cristo. Essa é qualquer. Esse é o que eu faço o demônio e o Gregório faz Jesus. Porque na Bíblia o Jesus ficou 40 dias andando no deserto e foi tentado pelo demônio durante 40 dias. E a gente não sabe como o diabo tentou Jesus.

Então Jesus volta pra casa com um amigo que é animadíssimo. Ele adora. Oi, gente. Adorei estar aqui. Que é o demônio, uma bichona louca. E Jesus foi tentado por ele. Agora, não tem nada de... Vocês mostraram Jesus gay. Não tinha nada de Jesus gay. Inclusive o demônio é gay. A gente tinha que ter ficado bravo. Eram os LGBT. Não, os satanistas, né? Os russverianos. Mas mesmo os LGBT.

Ah, por ter colocado um demônio. Eles têm humor, eles acham divertidíssimo. Porque a gente não tá ali escrutizando LGBT. A gente tá ali sacaneando um certo poder e tal. Então foi muito legal. Eu adoro esse especial. Ele é bem quinta série, assim. Bem bobalhão. Acho muito divertido. E aí as pessoas não acharam muita graça nisso. E aí jogaram bomba na gente. Curiosamente, no primeiro ano de governo Bolsonaro. E a gente tomou essa bombona. Não foi investigado. Não foi? Não, não foi investigado. Ficou por isso.

Aí teve um cara foragido que foi pra Rússia. Já tinha rolado lá na Inglaterra ou na França? No Charlie Hebdo, já, já. E aí o cara, evidentemente, era um atentado, né? Porque era sobre isso. Mas aí conseguiram mexer na lei. Não é mexer na lei, mas conseguiram mexer ali no caso e disseram que não, na verdade, não foi um atentado. Foi uma tentativa de patrimônio. De você... Não sei o que, patrimônio. Então o cara pega cinco anos de prisão. Ele ficou preso na Rússia.

você deve ter sido chato pra ele. E ficou preso no Brasil e agora já tá solto. E a gente ficou ali... Aí esse período de bomba foi chato, foi mais triste. Como que bateu pra você se falar? Tipo, pode ser pior, vai escalar? Pois é, meu medo era esse agora. Vamos ficar jogando bomba na gente, vamos bater na gente, na rua, vamos esgotizar. E isso é uma coisa muito interessante. A vida real... É diferente. É só carinho, é outra coisa.

Só carinho. É? O pessoal não tem ideia. Até hoje... Aí deve ser difícil andar... Não, cara, a galera só te fala...

Você fez diferente na minha vida? Fiz seu show? Não é, cara? É outra coisa. 100%. É? Nunca, nunca, nunca na rua ninguém falou nada ruim. Não teve isso. Pois é. Nunca. Só vem bom. Foto, foto, foto. Porra, que legal. Nossa, eu adoro seu programa. Nossa, foto dos fundos. Puta, como eu vi tua entrevista. Puta, que legal. Caraca. Nunca, nunca, nunca. Porque a vida virtual é de ali, a pessoa que vive aquilo, é uma gente ressentida, é uma gente precária, miserável. Não miserável financeiramente, miserável de uma vida,

de uma vida que não tem, que não faz nada, que vive daquilo, que é uma vida muito triste, muito infeliz, é uma gente que tem tempo. Qual foi a última vez que você foi lá no UOL fazer um comentário? Desculpa, eu não tenho esse tempo. Eu leio as matérias do UOL, mas eu não vou lá no UOL dizer é verdade isso aí. Quem é que tem esse tempo? Qual foi a última vez que você teve tempo de brigar no Instagram de um outro cara? Quando é que você foi?

Eu não tenho esse tempo. Quem tá com a vida boa, que tem uma família, que tem coisa pra fazer,

O meu slogan, gente feliz não enche o saco. Eu vivo sobre esse molde. Ô, Romer, tem perguntas aí do pessoal? Fala comigo. Tem sim. A primeira pergunta aqui é da Priscila Engel. Ela tá perguntando, afinal, quem é Judite? Judite Arlene, uma atendente da TIM. Cara, isso é uma coisa absurda, né, cara? Absurdo esse sketch, né? Não, esse sketch foi aí que eu descobri a força do YouTube. Foi quando eu fiz Judite e as pessoas ficaram loucas com aquilo e se estourou, chegou em tudo que é lugar.

que aconteceu comigo mesmo. A Helene, da Tim, infernizou minha vida e me ameaçou. Começou a me ameaçar. Se você ficar falando da Tim, vai ser complicado pra você. E aí cancelaram um evento meu que eu ia fazer de telefone. Mas não era de operador de telefone. Era, sei lá, de uma marca de telefone que eu nem lembro qual era. E aí foi cancelado misteriosamente. Pediram pra eu não estar. E aí quando começou a mexer no meu bolso, eu falei, eu preciso me vingar dessa gente de alguma forma. E aí falei, vou me vingar como? Com humor. Olha a força que tem a palavra.

mesmo. Ao invés de fazer o humor e falar coisas com o humor de vez em quando. Mas enfim. E aí eu fiz. Mas é normal. É só você de vez em quando falar, puta, volta pro humor. Volta, volta. Eu tenho que voltar. Mas é que eu acho também que você não pode entrar na pilha do pessoal te cobrando posicionamento. Isso também. Porque eles só querem te levar pra lama. Não vai falar agora. É isso. Cara, isso me dá uma raiva. Eles não querem que você fale.

Eu não tenho que ter opinião sobre tudo. Eles não querem que você fale. Eles só querem te levar pra lama pra você pra eles poderem jogar ovo pra você.

Por que tem que ter opinião sobre tudo? Não tem. O que você acha sobre isso? Fala, não sei, cara. Nem pensei. Não vai falar nada do Lula? É. Aí eu falei, primeiro, o que adianta eu ir lá falar do Lula? Dois, o que vai mudar? Por que você não tá cobrando do Lula, caralho? Vai lá cobrar do Lula, do Bolsonaro, do que quer que seja. Aí você fala do Lula e fala, é, mas na época do Bolsonaro era diferente. Você falaria tal coisa. Eu adoro ter uma coisa assim.

Você nunca vai satisfazer o pessoal. Nunca, porque eles vivem disso. Eles estão lá vivendo disso. Você vai falar e vai viver. Eu já tentei bater boca ou explicar educadamente.

Eles não querem explicação. Eles não querem. Não adiante. Então, tem umas coisas assim. Você faz uma coisa errada. Digamos, falei uma coisa errada. Filha da puta, por que você falou isso? Aí você pede desculpa. Agora não adianta pedir desculpa. Cara, mas você quer que eu faça o quê? Que eu me mate? Que eu me suicide? Se eu não falo, é problema. Se eu falo, é problema. Infelizmente, infelizmente, no fundo, eu acho que a galera quer isso mesmo.

Mas é lógico. Porque eu trouxe uma garota com câncer. Olha aí. Ela falou, o médico me deu tantos meses de vida, ela não morreu e começou a ser xingada e eu.

morrer em seis meses, ela tá um ano aí aí ela morreu esse ano todo mundo pedindo desculpa, perdão cara, custava simplesmente você deixar ela em paz? cara, que desespero isso mas é que de alguma forma as pessoas estão doentes ela não tinha câncer, olha o cabelo dela cara, ela falou que abandonou o tratamento elas estão doentes, elas estão doentes, elas já não conseguem é vício, é vício mesmo, que nem cocaína que nem bebida alcoólica a pessoa fica viciada, jogo, né? as pessoas estão doentes então elas não percebem que tira o pior delas e querem puxar a gente pra isso, cara e é um exemplo

exercício, é o que você falou, exercício diário de você falar, não vou comentar, não vou pegar pilha. Eu nem vejo mais. Eu não vejo mais comentário de ninguém. Então, o meu sonho é transferir tudo pra outras pessoas. Eu ainda tenho que ver algumas coisas, mas eu tô vendo bem menos. Eu não vejo nada. Tem que ser assim. Não vejo mais nada. O X, por exemplo, é só divulgação. O X acabou. O X é só divulgação. O X agora é pornografia...

Nossa, cara, ele tá muito estranho. Não, um negócio terrível. Mas é só... O Instagram, que era legal, já tá ficando meio também, né? Mais doido ali, mais diferente. Mas eu não vejo mais comentários. Sabe quando dá pra ver

comentário, assim que você posta no Reels ou no feed, os primeiros 10 minutos é limpo. Sério? Depois é que suja. Começa o compartilhamento. Os primeiros 10 minutos é fã teu. É gente que gosta, a gente fala, pô, que legal. Pô, adorei. Ih, que engraçado. É que você deve ter passado no começo e agora você já aprendeu isso e eu aprendi também depois a duras penas. Porque às vezes dá um desespero e fala, meu Deus, o mundo me odeia.

Depois você fala, não, cara. É um grupo barulhento. Tem uma hora que você fala assim, ferrou, né? Cara, eu nunca pensei que o mundo me odeia. Sabe por quê? Porque eu faço

teatro todo final de semana. Ah, tá. Você tinha um contato pessoal. Tá lotado o teatro. Eu tô lá fazendo, tem 700 pessoas dando risada, tirando foto comigo no final. Então eu falei, bom, o mundo me odeia. Tem um pedaço do mundo que me odeia. Mas é verdade, é verdade. É que esse pedaço que te odeia, não odeia. É isso que eu falo. Eu já fui na DM do cara e falo, não, eu sou teu fã, cara. É que você só me respondeu porque eu falei isso.

É isso, é isso. Cara, é carência, né? 90% das pessoas que te xingam é carência. Carência. Carência absoluta. 10% é uma gente que te odeia mesmo.

Mas a verdade é que 90% das pessoas que te xingam, ela quer a tua atenção. Mas a maioria do pessoal que te odeia faz uma imagem de você que não existe também, não é? É, totalmente. Comunista, você é comunista. Como é que você está na Tailândia? Eu estou na Tailândia pagando em dólar pensando, meu Deus, eu sou o comunista mais escroto mútuo. Te chamam de comunista? Os comunistas é que tinham que vir. Não é comunista! Você está estragando o nosso convivimento.

É o comunismo, exatamente. Os pessoal me chamam de comunista. O que mais que te chama? Comunista? Comunista muito.

Juané, mamador de Juané. Nunca usei Juané na minha vida. Eu poderia ter usado, mas por acaso não usei. Eu até falei, vou começar a usar, porque eles me xingam por ter usado. Juané muito, muito. Juané, comunista, faz o L. E faz o L de questões assim, roubaram minha mulher em São Paulo. Faz o L. Eu falei, mas o governador de São Paulo é o Tarcísio. Tem nada a ver com o Lula. Em cima de uma tragédia, os caras mandam. Muito, muito. E eu acho que tudo bem as pessoas cobrarem posicionamento no sentido de...

Mas eu sinto que elas não cobram delas mesmas. Porque assim, o cara vota no Witzel. Aí o Witzel é caçado. Ninguém fala, porra, mal aí, gente. Desculpa, eu votei no Witzel. Não, não, não. As pessoas querem. E muito assim, o tempo da internet não é o tempo da vida real. Então sai uma notícia, a pessoa nem conferiu, nem sabe o que é, nem fez nada. E ela, ué, não vai falar nada disso? Muitas vezes a pessoa, não vai falar nada do Vilela?

Mas o Vilela nem se posicionou. É, calma. Deixa ele falar. Depois que ele falar,

o que ele tá falando pra eu poder me posicionar. Mas é que elas não querem que você se posicione. Elas querem que você venha pro lodo, pra lama e pro lugar onde elas são as pessoas mais valorosas do mundo. As pessoas mais corretas. As pessoas mais... Porque isso, o arroba, Fábio Porchat, é perfeito. O Fábio não. O Fábio faz um monte de coisa errada. O arroba não faz nada errado. E quando você faz uma coisa errada, eu falo... Mas se o arroba ainda tem um desenho de anime, tem uma coisa que não é

Aí é outro nome, a pessoa fica muito corajosa. O arroba... Exato. O arroba, ele tá acima de todo mundo. Porque o arroba não tava lá no seu lugar fazendo aquilo. Mas é estranho, porque você entende e eu entendo. Mas às vezes minha mãe não entende. Não entende. Você vê o pessoal tá comentando e falando, mãe, nem lê, nem lê. Mas pensa... Porque, por exemplo, esse ano, vou chamar o Flávio Bolsonaro e o Lula. Você imagina o quantidade de ataque que vai vir dos dois?

Claro, claro. Dos dois. Mas eu acho que a conversa... Se minha mãe for ler os comentários... A gente tinha que tentar sair. É porque é tentador pra quem faz conteúdo

trend da polêmica. Eu acho que é tão melhor fugir, primeiro num debate sério como esse, com o Lula, com o Bolsonaro, são os candidatos que provavelmente vão pro segundo turno, como é importante que a gente ouça alguma coisa que não seja só um fuxico, o que você acha. Porque assim, quando falam pra mim assim, e a Venezuela? Eu pensando, caralhos, a minha opinião sobre a Venezuela faz alguma diferença? Primeiro que eu não tenho opinião sobre a Venezuela.

Uma ditadura lá que acontece, que eu não moro lá. Até já fui pra Venezuela, por acaso.

Cuba eu já fui. Eu fui pra Cuba também. Então até já fui. Deve a gente falar também, vai pra Cuba. Vai pra Cuba. Mas como eu já falei, já fui, acho que eles não me mandam lá. Vai lá pra financiar que eles não sabem que eu fui. E é um favor, é realmente horrível. Mas ter esse lugar assim de... A pessoa só quer brigar, ela só quer xingar, ela não percebe que ela é massa de manobra. Você acha que essa pessoa que briga, que xinga e dá esse hate, ela fica bem depois?

Porque eu acho que não fica. Não, não, ela fica mal. Eu não acho que... Porque isso até entenderia. Não, não. O cara tá botando pra fora, ela tá botando pra fora, ela se sentiu melhor. Não acho.

que ele foi dragado pra isso. No WhatsApp é disso que vem pra ele. Ele tá fazendo parte do grupo que fala disso. Ele vive de política. Por isso que eu te falei. Se os seus 10 posts, 5 são de política, você tá doente. Tem que ter assim. Um post seu é de política e 20. Não, eu não falo nada. O seu problema é diferente. O meu é relacionado a... Vai dar palco pra esse? Vai dar palco pra esse? Sendo que eu trago todo mundo. De religião, de política, todo mundo.

Então assim, a maior parte sabe, já entendeu. Mas tem esse pessoal só pra encher o saco mesmo. É, mas eu acho que é isso.

não entrar nessa. Não, eu não entro nessa. Porque eles não querem. E aí, o que que acontece? Como eu entendi isso e resolvi, até olho lá atrás e falo, poxa, por que que eu fiquei falando dessas coisas? Podia ter feito com o personagem, podia ter feito com outra coisa. Tem um pessoal que ainda tá nessa. Porque, por exemplo, vocês fizeram uma zoeira agora com STF, tudo mais. A gente sempre fez. E a galera falou, é? Que estranho, Porta do Sul.

É, a gente sempre fez. Tinha um vídeo sacaneando o Gilmar Mendes lá atrás, do Posto Ipiranga, que é ótimo. A gente sempre fez vídeo sacaneando o Lula, sacaneando a direita,

Tem um vídeo que tá o Lula de camisa de força. Que é o Hannibal Lecter, de camisa de força, falando que não quer ser preso na mesma cela que o Lula. A gente sacanava nesse ponto. Mas você não vai satisfazer. Sabe o que eu sinto? É que a direita não gosta que sacaneiem o seu. A esquerda não gosta que sacaneiem os seus. Sim. É, mas é. É uma coisa assim. A direita você não pode falar dele. Ih, falou dele, ele fica chateado. A esquerda você não pode falar do outro que ela acha que é a esquerda.

E fica a esquerda criando confusão com isso. E o tipo de hate é diferente da esquerda e da direita. É porque eu acho que tem a extrema. A extrema dos dois, claro. Mas é aí que eu digo hoje. A extrema dos dois. Não é verdade, Vilela. Tem. A extrema direita foi presidente da república. A extrema direita ainda está no poder. Não, tu tá falando dos haters, não do... Mas eu tô dizendo o extrema direita teve um poder e uma força que a extrema esquerda...

Me dá aí cinco nomes de extrema esquerda. Não, eu sei. Eu tô falando dos haters.

com o nome de extrema-direita. Você tem 20. O que eu tô dizendo é que, essa coisa um pouco de falar, os dois lados são ruins? São. Mas a verdade é que... Não, eu tô falando um ataque das pessoas da esquerda extremistas e da direita extremista. Mas é isso que eu tô te falando. A esquerda extremista, eu acho ela... Ela ataca? Claro que ela ataca. Tem dúvida. Mas eu acho ela muito mais insignificante do que a extrema-direita. A extrema-direita teve um...

Mas eu tô falando dos reis. Os dois são insignificantes. Estão pessoas desconhecidas. Não, não, não tô dizendo a pessoa insignificante. Eu tô dizendo como força. A extrema-direita, por ter estado no poder... Ah, tá, força.

A força da extrema direita hoje no mundo, ela faz com que o gabinete do ódio tenha sido criado. A força da esquerda quando ataca é grande, de cancelamento, de fazer você querer que você pede patrocínio é muito grande. Concordo, concordo. Mas a gente tá falando da esquerda, eu tô falando da extrema. O que a gente fala é a mesma coisa, mas eu acho que as armas são diferentes. Um quer te matar e o outro quer te cancelar, é diferente.

Pronto. Eu prefiro que me cancele do que me mata. Exato, exato. Tá ótimo, então tá bom. Mas você entendeu que também é pesado. Lógico, é pesado. Você já foi cancelando pela esquerda também? Ah, lógico. Sério? Eita, eu já fui cancelando.

Eu já fui pedófilo, eu já fui racista, eu já fui machista, eu já fui gordofóbico. Se você quiser, eu já fui. Quem me cancelou pelo filme do Gentili foi a esquerda. Foi a esquerda. Depois a direita veio e bateu. Mas foi a esquerda. Quem me cancelou pro Léo Lins foi a esquerda. Quem me cancela de Bolsonaro é a direita. É, do Léo Lins eu lembro. O cara tá defendendo o indefensável. O negócio é o seguinte, eu já fui atacado por todo mundo.

Como você faz em relação a isso? Você desencana? Eu presto atenção no que eu fiz.

Porque tem isso. Será que eu fiz uma coisa que é realmente errado? No caso do Leo Lins, por exemplo. Qual o meu erro?

Você foi no pior lugar. Você escolheu todas as opções e falou, eu vou na pior possível. Olha que cabacice. Não foi no sketch? E não foi no começo da carreira, foi agora. O que eu fui falar no Twitter? Mas o que é? Vou falar, vou me posicionar. O que eu devia ter feito? Marcado esse papo. Marcado a conversa.

tem... Vamos organizar um debate? Vamos organizar um debate? Vamos estar aqui, eu, você, chamar um cara preto, um cara gay, o Léo. Vamos conversar sobre isso? Vamos fazer um debate de duas horas sobre isso? Puta, errei, não errei. Por que você acha que é errado? Tem que ter limite? Primeiro, muito melhor pro debate. Dois, muito melhor pros envolvidos. Terceiro, muito melhor pras pessoas que estão nas redes. Eu sei que a gente tá chegando perto do papo que você tem em horário, mas só esse lance da... Piada é opinião ou não é? Porque eu acho que

opinião, opinião, piada é piada. Mas tem, claro, tem a sua parte lá. Tem piada que é opinião e tem piada que não é opinião. Eu faço uma piada brincando com a minha avó no palco, que eu tenho uma avó, e aí eu falo que a gente tava em Israel, a gente foi lá ver as coisas e minha avó não queria tocar nas coisas que era. E minha avó é super religiosa. Por quê? Porque achava... Não sei, ela achava que era a pedra que todo mundo tocava, ela achava que era nojento.

Só que era a pedra que Cristo tocou. Falei, ó, toca no Cristo. Aí ela fala, na próxima eu vou. Eu falo, não vai ter próxima, a senhora vai morrer, a senhora é velha. Eu não quero que minha avó morra. É óbvio.

vai morrer. Eu espero que ela veja isso. É um exagero pra criar um riso. É uma brincadeira. Claro que é. Mas é evidente que existe uma responsabilidade em cima do que eu tô falando. Você é um emissor, né? Tem que saber quem é meu público, tem que saber pra quem que eu tô falando, aonde eu tô falando. É, exatamente. Só que, num mundo de hoje, onde todo mundo quer conseguir ter o seu minuto de fama, a sua luz, qualquer pessoa pega um pedaço de um trecho que você falou e ganha em cima disso. Na época do Léo Lins, você ia lá na pessoa que foi me criticar.

Os posts dela. Dez comentários, dez comentários, quinze comentários. Falou de mim do Léo Lins. Mil comentários. Aí o cara olha e fala... Vou continuar. Vou continuar. Vou pegar assunto assim. É, o algoritmo, ele preza isso. Claro. E a pessoa percebe. Porque daí ela ganhou uma relevância. Porque daí o quê? Vem as pessoas falarem o quê? Parabéns. Genial. Só você pra falar isso mesmo. Falou a verdade. Confrontou ele mesmo. E aí a pessoa também cresce.

Ela cresce. Então, que coisa imbecil da minha parte. E falar de um assunto como esse no Twitter. É de alimentar.

E eu ainda por cima tenho a possibilidade e o poder de organizar uma mesa de debate. Sim. E falar, ligar. Já fiz várias. Eu falei o seguinte, eu queria fazer um debate sobre um negócio que eu falei. Por que eu vou lá brigar? Aí eu não consigo falar meu ponto certo. Aí as pessoas começam a distorcer tudo que você falou. Eu já vi inclusive participando de programas, você e mais comediantes falando sobre isso. É, não é muito melhor isso?

Muito melhor. Aqui a gente pode debater, você pode falar uma coisa e falar, não concordo, não acho.

Mudar de ideia em alguma coisa. Não faremos mais isso. Nunca mais. E isso falando das coisas que me deixou com mais raiva. Porque eu falei... Não foi pelo que eu falei. Foi porque eu falei dessa forma. Eu poderia ter falado de outra forma, de outro jeito. Mas se tivesse aquilo que eu te falei do aplicativo de segurar 15 minutos... Perfeito! Fala, Fábio, você quer realmente postar isso? Não, claro que não. Sabe que tinha que ter uma coisa, um aplicativo, um desse que você...

Toda vez que você mandasse uma mensagem, ela não fosse pra todo mundo. Primeiro ela fosse pra um amigo teu.

Alguém que é o cara que fala, mantém, fode. Ou não, não, não. Tem certeza disso? Isso ia ajudar muito a gente. Não poderia ser minha mãe. Vamos chegar no primeiro final. Então, mais última pergunta aí. Escolha com sabedoria. Vamos lá. Tem a pergunta do Tiago Martins aqui. Ele perguntou, hoje em dia parece que tudo pode virar problema. Você sente que ficou mais difícil fazer humor? Como é que ficou mais difícil? Eu acho que você tem que estar preparado para todo tipo de repercussão. Porque as pessoas, é isso.

Pessoas no mundo virtual, como na vida real, de um modo geral, as pessoas não têm tanta relevância, não têm tanta importância e têm uma vida muito precária, na vida virtual elas têm a sensação de que elas têm. Então elas precisam de assunto. Porque tem essa proximidade. Ela pode mandar um recado direto pra você. Pra você. Aí outras pessoas chegam e elas conseguem falar com a empresa que tinha não sei o quê. Então essas pessoas, elas precisam de qualquer migalha, qualquer fagulha pra dizer, ó, consegui, consegui superar. Então ficou mais chato nesse sentido.

de que toda hora, todo mundo, alguém pega um assunto seu. E a internet às vezes volta com assuntos antigos. E a gente viveu vários momentos que a comédia também tinha vários problemas a fazer. Os caras eram presos no palco também, no ano passado. Isso é de tempo em tempo, vai ficando difícil. Então tem mais essa dificuldade de encheção de saco. Quando você tira do contexto e tira do lugar do debate. Quando você tirou daqui e botou naquele canto com aquela bolha, eu não chego mais lá.

Outro dia chegou um amigo que minha avó recebeu aqui no WhatsApp dela. Era uma santa ceia só de travestis. Com Jesus travesti. E a legenda era, olha o que o Fábio Porchat tem no camarim dele na Globo. Só que isso não chega nem pra mim. Porque fica só numa bolha de gente. Eu não tenho nem camarim na Globo. E eu tenho um quadro de Jesus travesti. Não faz nem sentido. Mas as pessoas ficam se mandando entre elas. E isso nem chega. Então eu não consigo nem me defender lá.

Por isso que eu agora só quero criar lugares onde eu consigo debater. Então, eu não quero falar na internet. Eu quero falar aqui. Uma entrevista, uma conversa. Vamos falar disso? Vamos. Falar dos assuntos? Vamos. Quero que, inclusive, as pessoas... Vamos assistir no teatro? Cadê? Sexta, sábado e domingo, Teatro J. Safra, aqui em São Paulo. Histórias do Porchat. Eu vou ficar abril e maio em cartaz. Então, corre pra assistir. Irei com a minha mãe, então.

Vai mesmo? Vou. Estou dando a sua palavra. Já dá pra comprar pela eventinha, enquanto antecedência. Tem lá no meu arroba, Fabio Porchat. A gente coloca aí.

link, num comentário fixado. Boa. E no seu Instagram? No Instagram tem lá. Onde vai ter... O pessoal tá vendo. No arroba Fábio Bochá vai ter lá. Não, todas as informações de tudo. Todas as informações de tudo, as peças todas que eu tô fazendo e tal. Ó, eu vou agradecer o papo e você vai me prometer aqui que tá gravado, vai ficar pra todos... Você vai voltar um dia. Claro. Porque, pô, tem muita... Vai ficar muita coisa de fora.

Quando eu for divulgar outra coisa. Mas é isso. Ano que vem eu volto pra gente falar. Exato. Boa. Ó, hoje estreia a nova temporada do Que História É Essa? Inclusive, daqui a pouco. É todo... Toda terça-feira,

45 da noite no GNT e no Globoplay. Sempre convidados diferentes. Hoje é ao vivo. Eu saio daqui e vou fazer. E vou fazer com gente muito legal que vai fazer. Pode falar? Pode. Hoje vai estar Giovanni Ubank contando uma história boa, que ela foi enganada, feita de trouxa. Nicolas Prat, que quase trocou a Sabrina pelo piloto do helicóptero. O gancho assim é bom, né? E a Mônica Martelli, que se estiver bem da Virose, vai contar uma história engraçada. Ela vem aqui também. Está marcada aqui. Obrigado demais. Obrigado você.

Cara, a gente sempre faz três perguntas no final, então... Vamos lá. A primeira é qual foi o momento mais difícil da tua carreira ou da tua vida? Momento mais difícil. Pode até ter virado coisa boa depois. Eu não vou nem dizer que foi assim, quando eu tava lá começando, porque sempre é difícil pra todo mundo começar, então eu vou tentar não dar essa resposta. Eu acho que talvez o momento mais difícil... Aquele momento que você não sabe que vai dar certo, dá uma agonia, né, cara? Eu acho que foi quando eu saí da Record,

e eu fui pra Globo, eu não tinha isso ainda. Quando eu decidi sair da Record... Você sai do programa de talk show e vai fazer o que na Globo? Vou fazer o que história é essa. Já? Direto? É. E aí? E aí? Vai dar certo? Não vai? Sério? Você tava nessa dúvida? Tava nessa dúvida. Porque hoje que deu certo é fácil pensar. Não, não tinha como não dar errado. Porque eu saio de um programa que tá diário no ar, com o meu nome, ganhando bem, audiência boa, de repente... Uma aposta. Saí. Eu quis sair. Eu pedi pra sair. Aí eu vou lá pra Globo.

uma merda. Você faz um programa ruim. Você faz um programa inferior. Então ali eu falei, puta merda. Ali eu falei, eu saí de um programa meu diário. Será que eu vou? E deu tudo certo. Hoje, então, a história é boa. A segunda é o seguinte, cara. Não sei se te avisaram. Desculpa dar esse recado pra você agora, esse horário, mas a gente vai morrer um dia. Isso. Já te avisa. Você sabe dessa parada? Eu soube. Outro dia me disseram.

É arrasado. Mas esse programa vai ficar um bom tempo. Então manda recado pra quem tá vendo 200 anos do futuro. Quais seriam suas últimas

Últimas palavras? Patrick Maia falou assim, colocaria... Eu avisei que eu tava doente. Eu acho que eu colocaria morrendo ali, né? Pra pessoa que é 200 anos. Faça exercício físico. E você faz? Tem que fazer essa bosta, essa merda. Tem que fazer, né? Eu acho que é isso. Faça exercício. Não há nada mais importante pra articulação pro joelho e pros músicos. Tem que fazer exercício físico. É uma coisa que eu teria dito pro Fabinho lá embaixo. Faz alguma coisa.

Na viagem você sofre? Lembra disso que precisava ter treinado mais? Porque viagem é perrengue, né? Não, mas não por isso. Eu sofro porque eu já penso... Meu corpo não tem memória muscular. Eu vejo a Priscila, minha namorada, por exemplo, que fez balé, que fez dança, atleta e tal. Ela é magrinha e tal, mas ela é muscular. Ela faz três dias de exercício, parece que ela é uma marombeira. Eu, amigo, posso dar uma volta no planeta Terra, que eu continuo flácido. A memória do teu corpo tem Alzheimer. É, a minha memória não...

Você nunca fez, agora vai querer fazer esse negócio. E a terceira pergunta é qual a sua dúvida atual? Você colocou algumas questões aqui, a gente colocou, mas o que você se pega pensando antes de dormir? Cara, a minha dúvida atual pode ser quanto a mim mesmo ou você diz quanto ao mundo? Qualquer coisa, qualquer coisa. Minha dúvida atual é como vai ser a criação de conteúdo daqui a cinco anos? Por causa da inteligência artificial?

Por causa de tudo. Por causa de internet, algoritmo, inteligência artificial, o que está mudando no mundo, o jeito de fazer. Também não faço ideia.

não sei. Cada hora, quando tem uma hora que eu falo assim, bom, já deu de podcast, aí todo mundo tem um podcast, aí sai a pesquisa, as pessoas querem mais podcast. Meu Deus! Os números aqui só crescem. É uma loucura, é isso. Então, acho que é isso, assim, o que vai estar acontecendo? Eu queria muito prever, queria muito saber o que está acontecendo, porque eu tento sempre estar de olho. Com comédia pra stand-up estourou, aí com porta dos fundos deu certo, é o que história é essa?

Funcionou. Hoje, me parece que o contato pessoal e a coisa mais artística, mais pura, por causa da

vai ser muito mais valorizado o contato. Eu acho também. Essa conversa aqui, os especialistas em IA falaram que daqui a um tempo ela vai ter que ter um selo de autenticidade que eu e você realmente tivemos aqui. Acho que sim. Porque vai ser muito fácil a gente mesmo programar essa conversa que não aconteceu. E mesmo assim vai ter um selo de notificação falso dizendo o que aconteceu. Exato. Ou seja... Obrigado demais que não demore tanto tempo a vender. Não, vai dar tudo certo. Pô, vai ao teatro me vendo, já tá safra.

assistiu, que história é essa, Mochá, e é isso. Eu irei, eu irei e falarei aqui do que eu achei. Muito bom, muito obrigado por toda a recepção, muito obrigado por tudo e fiquei muito impressionado com tudo isso. Você realmente elevou o podcast pro outro patamar. Somos os maiores, você sabe, né? Sei, tô sabendo, mas isso aqui é reflexo. Olha, mamãe, vai viver no teatro. E a sua relação? Ele tem que ir embora, tá? Ela é fofa demais.

camarim, conversa lá com ele. Eu tenho que ir pra peça agora. É, vai lá, vai lá. Obrigado demais. Valeu, gente. Valeu. Peraí, peraí, peraí. É, cara, o Porchat tem que sair correndo aqui e a gente esqueceu, esqueceu de falar a palavra final, agradeceu aos passos assinadores, agradeceu ao pessoal de casa. É verdade. Então ele tá indo agora, já tá indo. Já tá, já tá indo. Já tá pegando o Uber e a gente tá aqui. Calma, ele subiu aqui, deve tá agora no portão lá.

É verdade. Primeiro eu agradecer o pessoal que esteve até aqui, tem que dar like, cara, porque é um papo desse, cara. Pô, cara, merece, hein, cara.

a maior tempo. Ele falou, não, eu vou aí, eu vou... E veio. É. E teve muita coisa engraçada, muita coisa séria. Merece inscrição também. Estamos chegando perto de 6 milhões, né? Pô, ajuda a gente aí, né? Ajuda. Agradecer também o pessoal que está com a gente aqui fazendo esse programa acontecer. Claro, nós temos aí o pessoal da Contabilizei, nós temos também o Mercado Bitcoin e a Pet Love, que são os nossos parceiros que estão patrocinando o episódio de hoje. Então, todos aí com link, você vai até pegar mais informações, tem que

code na tela que a gente deixou durante o programa também. Tem link na descrição. E é muito importante porque o programa só existe por causa desses caras. Exatamente. Porque você de casa não paga nada. É de graça o conteúdo, não é? É isso aí. Sabe o que é de graça também? É você falar o que o pessoal escreve nos comentários pra provar que chegou até o final. Eu acho que só tem uma frase. Só tem uma coisa. Na minha cabeça só tem uma.

Pra você provar que você chegou no final desse episódio, coloca aí Calma, monga. Não, não era assim que ele fazia. Calma, monga. Calma.

Você lembra? Você foi no Play Center e viu a monga? Ah, eu já fui algumas vezes. Eu tinha medo da monga. Eu saí correndo da monga. Eu tinha medo. Aquelas, sei lá, minha garraça se apaixonasse por mim. Era uma mina de biquíni, né? Que transformaram em uma monga. Então escreva calma a monga nos comentários. Fiquem com Deus agora. Beijo do cotovelo e tchau.

participantes. Caso você se sinta ofendido ou tenha qualquer questionamento sobre as declarações feitas neste vídeo, por favor, entre em contato conosco para esclarecimentos. Estamos abertos a avaliar e, se necessário, editar o conteúdo para garantir a precisão e o respeito a todos.

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