1839 - CÉSIO-137 ACIDENTE RADIOATIVO: WALTER MENDES E LUCAS ZANANDREZ
WALTER MENDES é físico. Ele vai bater um papo com o Vilela e o co-host LUCAS ZANANDREZ, biomédico, sobre o desastre do Césio-137 em Goiânia no ano de 1987. O Vilela diz que só conhece mesmo o FIAT 147.
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Homer
Rogério Villera
Lucas Zanandrez
Walter Mendes Ferreira
- Acidente Cesio-137 GoianiaDescoberta e identificação do material radioativo · O papel da Nuclebras e do IPEM · Ações de contenção e descontaminação · Impacto na população e consequências sociais · O papel da mídia e a percepção pública · Lições aprendidas e protocolos de emergência · Comparativo com outros acidentes nucleares e radiológicos
- Energia NuclearAplicações médicas da radiação (diagnóstico e tratamento) · Uso industrial da radiação (esterilização, medição) · Meia-vida de materiais radioativos · Diferença entre contaminação e irradiação
- Emergência RadioativaFiscalização e controle de fontes radioativas · Responsabilidade legal e criminalização de negligência · Protocolos de emergência e comunicação com a população
- Importância da ciênciaA importância da divulgação científica · O uso da ciência para o bem e para o mal · A capacidade brasileira em resolver problemas complexos
Olá, terráqueos! Como é que vocês estão? Eu sou o Rogério Villera e estou começando mais um Inteligência Limitada. O programa onde a limitação da inteligência acontece somente por parte do apresentador que vos fala. Sempre trago pessoas mais inteligentes, mais interessantes e com a vida muito mais radioativa do que a minha, do que a sua. Pois é, hein? Apesar que meu final de semana foi radioativo. É mesmo, cara? No final de semana passado, estamos de sexta. Eu comi uma costela cheia de gordura. Ô, louco!
Tomei refrigerante e comi um pudim de sobremesa. Ou seja, no dia seguinte, meu banheiro ficou radioativo. Imagina. Você imagina? Imagina o estrago. E você tem hábitos radioativos ou não? Ah, cara, eu gosto, né? Eu gosto da radiação, cheirinho de gasolina, andei muito de Fiat 147. Acho que tá lindo, tá? E hoje vamos falar... Transcrição e Transcrição
Desse desastre que aconteceu aqui no Brasil. Uma série de sucesso. Está todo mundo falando sobre isso. E a galera pode mandar perguntas. Mas... Hoje é uma live especial. Que é dedicada para pessoas especiais. Que são os nossos membros. Quem mais? Tem aí, ó. Mike Baguncinha. Tem Naldo Bene. Tem Henrique Cristo.
Tem uma par de gente aí, tem uma galera aí. E eles têm um benefício, né? Que é? Eles passam na frente da galera do chat e enviam a pergunta ou a antecipação. Eles recebem agenda antes também. Com certeza. A gente coloca agenda no domingo, eles estão sabendo antes quem vem. Exatamente. Então faça parte do clube de membros também, se inscreve no canal para a gente chegar aos 6 milhões e dá like, porque esse papo vai ser fantástico. Vai, vai ser maravilhoso.
O querido Homer, antes de ir para o papo, tenho que falar com o pessoal aqui. Galera, rapidinho, antes de começar o episódio, deixa eu te mostrar uma parada que pode ajudar bastante. Principalmente se você já pensou em fazer concurso, mas ainda está naquela fase meio travada, sem saber direito por onde começar. Porque isso acontece com muita gente. Às vezes a pessoa até quer entrar nesse mundo, mas trava em uma dúvida básica. Tá, mas qual concurso eu procuro? Essa é a voz do pessoal que faz as perguntas.
Será que tem alguma coisa perto de mim? Fiz outra voz, você viu? Você viu? Vou fazer outra voz. Por onde eu começo? E foi pensando nisso que o Estratégia Concurso, que é parceiro nosso, criou o radar do Estratégia. Ele é basicamente um mapa dos concursos. Então, em vez de ficar caçando informação solta e tentando montar esse quebra-cabeça sozinho, você entra lá e consegue olhar as oportunidades de um jeito bem mais claro. Está bem isso daqui? Está no...
Tá na tela, né? Tá na tela. Tá na tela. Então, ó, esse é o radar do Estratégia, um mapa que reúne concursos do Brasil inteiro. Se você está assistindo agora, é só apontar a câmera do celular para o QR Code que está na tela. Ou...
O link na descrição. Que também cai nesse radar aí, né? Cai direto na página. Então é isso. É isso aí. O link ou o QR Code. Tá cansado de roupa que incomoda? De roupa que te limita? A solução é a nossa parcerona Insider. Roupa pra quem quer reduzir o atrito da rotina. Use o nosso cupom pra descontos especiais. Link na descrição. E QR Code onde? QR Code na tela. Em francês. QR Code no Tele? Tele? Em japonês. Otoshiro Onozaro.
Tô aprendendo com o Leni, tô fazendo o intensivão... Otoshiro... Otoshiro Orozaro. Tá certo. Tô fazendo intensivão de japonês com o Leni. Fazendo escola. Não sei se eu aprendi bem, hein, Leni? Com certeza não. Vamos direto pro papo, então. Eu começo com quem já veio aqui. Claro, bora lá, bora lá. Se apresenta pra quem não te conhece.
Obrigado, Vilela, pelo convite. Bom estar aqui com o Walter, que é um grande prazer. Sou o Lucas. Sou o Lucas Anandres, biomédico, divulgador científico. Há mais de 10 anos nas redes sociais fazendo meu trabalho. 10 anos já? Mais de 10. Agora vai fazer 11 em agosto.
Então já estamos nessa jornada aí há bastante tempo. Internet sempre altos e baixos e tudo. Mas já tem uns bons anos aí que está dando certo. Falar de ciência na internet. E falar também de coisas radioativas, coisas difíceis de serem faladas. Eu fiz um vídeo recente. Desde que saiu a série eu cobri o assunto com muito afinco. Porque é um negócio que eu já queria falar há muitos anos.
Desde 2016, 2015, eu já me interessava bastante sobre isso, porque na formação biomedicina você aprende sobre radiótopos, sobre radiação, para uso em medicina mesmo. E era um assunto que eu achava muito interessante, porque desde criança eu via as histórias do que foi esse acidente.
Então eu queria comunicar isso para as pessoas e quando veio a série, falei, é agora. Então publicamos um vídeo ali que teve bastante sucesso, estava quase batendo um milhão de visualizações. Pois é. E fiz lives também com físicos e agora estou aqui com a honra de conversar com o nosso convidado, né, não, Vilela? O Walter, como é a primeira vez que ele vem, além de se apresentar, eu quero o meu presente inútil, hein? Tua câmera é aquela, Walter.
O que é isso? Se apresenta primeiro e depois me explica o que é essa pedra aqui. Isso é uma pedra da 57? Não é radioativa? Não é radioativa. Mas que as pessoas imaginavam o que era. Sério? É, é uma pedra normal. Olha aqui, ó. Olha, diretor.
Cara, parece uma pedra normal, né? E é normal. É? Então tudo bem. Ela não é a normal, não é a normal. Mas, Walter, se apresenta para o povo. Meu nome é Walter Mendes Ferreira e eu sou o físico que em 1987 casualmente identifiquei o acidente em Goiânia.
E vamos falar sobre isso, né? Vamos dar um contexto da época. Vamos relatar tudo o que houve realmente, as casualidades, o estado local, tudo, né? E a gravidade que foi o acidente. Isso é muito importante falar, Virela. Então, é considerado o maior acidente como a fonte, o acidente radiológico, né? Ela é uma fonte que foi violada no centro de uma cidade, uma parte antiga da cidade, né?
contaminou várias pessoas, né? Isso é a gravidade, né? E ela foi... Esse acidente ocorreu um ano após o Cherubil, né? Um ano? Um ano após o Cherubil, então a correlação foi imediata, né? Com certeza. Na realidade, acabou se estabelecendo, em Goiânia, uma chamada pandemia radioativa. Eu classifico até como uma pandemia radioativa, porque todo mundo imaginava que o estado todo estava contaminado, né?
E a gente teve um trabalho muito grande de divulgação, de mostrar que não era. Na realidade, a fonte tinha praticamente quase 20 gramas de material radioativo, que era o sal altamente solúvel, que foi espalhado por pessoas que encontraram, abandonado, não foi roubado, estava abandonado mesmo.
abandonado, e esses catadores de papel acabaram encontrando, e era natural mesmo, levaram para casa, violaram um cabeçote de quase 400 quilos, chegaram no cilindro, do cilindro começaram a ser irradiados. Mas vamos então do começo. Vamos começar pelo começo. Walter, eu queria que você contasse um pouquinho como que foi para você, o que você estava fazendo em Goiânia, como estava a sua vida naquele momento, quantos anos você tinha.
Porque quando eu descobri esse acidente, eu nasci em 93, então para mim eu não vivi a situação do dia a dia. Mas eu queria entender de vocês também que estavam lá vivenciando isso. Como que estava a situação do Brasil naquela época em termos de energia nuclear?
O que você fazia da sua vida naquela época? Bom, eu sempre trabalhei com material audioativo. Eu sempre fiz essa parte com material audioativo. Eu tinha trabalho aqui, feito curso aqui no IPEM, em São Paulo, eu oriundo daqui, eu já morei em Goiânia. A época que eu morei em Goiânia, essa história começa comigo, Vilhena. Quando eu morei em Goiânia, havia um colega da Fundação Estadual do Minha Vida, chamado Femago.
que é um grande amigo, né? E eu fiz um levantamento radiométrico para ele numa mineração catalão, né? E era um levantamento radiométrico de radiações naturais dessa mineração. E sempre tive um contato com ele.
A série mostra eu chegando em Goiânia que é aniversário do meu pai. Ali tem um certo contexto, tem que ser explicado. É que dia 29 realmente era aniversário do meu pai mesmo, só que eu não estava lá. Houve uma certa dramatização ali, né? Então, mas era aniversário, realmente é verdadeiro aquilo lá.
Eu cheguei um dia antes em Goiânia, eu estava em São Paulo, cheguei um dia antes, eu tinha feito um trabalho, estava voltando para Goiânia, e ele me ligou no dia 29 de setembro, umas 7 e meia da manhã, 7 e meia, 8 horas da manhã, e fazia muito tempo que eu não tinha contato com ele. Ele ligou na casa, casualmente, na casa da minha sogra, tinha o telefone ainda.
E eu perguntei para ele se havia... Não, eu guardei esse telefone e fiquei. Da época em que a gente desenvolveu um trabalho conjunto. E ele me relatou o seguinte, que numa reunião social, um dia antes, dois dias antes, que havia alguns médicos, alguns profissionais, um médico havia relatado para ele que...
tinha internado num hospital de referência em Goiânia, sob o cuidado dele, 11 pacientes. Esses pacientes tinham vômito, febre, diarreia e perda de cabelo, que é epilação, né? E não tinha diagnóstico ainda. Não tinha diagnóstico, não sabia qual era a doença tropical.
A primeira coisa que você pensa na situação dessa é que é algum vírus novo, alguma coisa que você conhece. Exatamente. Há 40 anos atrás, até que você imaginava, mas era uma coisa extremamente... Ele achava estranho, o médico, eles não conseguiam fazer o diagnóstico. E nessa reunião, levantou-se que poderia ser radiação. Alguém? Alguma pessoa falou lá. O que poderia ser além de radiação? Como? O que poderia ser além de radiação?
Não com isso. Por exemplo, se você pensar que está perdendo cabelo, a perda do cabelo imediato é uma coisa muito rara, porque você já tem sido exposto. Agora, quando você pega vômito, pode até ser dengue, no caso, se você pensar. Setembro até que não é época de dengue, mas uma cidade interior do Brasil, vamos dizer assim, capital no meio do Brasil, calor.
umidade, qualquer vírus tropical ali que seria dengue, outros vírus, vírus da gripe, uma gripe muito forte poderia dar isso, alguma infecção intestinal, algum alimento. Tirando a queda de cabelo. Agora, a queda de cabelo é um negócio que não é do dia para a noite. Tem que dar muito estranho. Aí chamou a atenção. Aí chamou a atenção pelo seguinte, Vilela. Ele perguntou se isso poderia ser radioativo. Eu falei, olha, o termo técnico chama síndrome aguda de radiação.
São efeitos determinísticos com alta taxa de dose. Eu falei para ele, eu não acredito que em Goiás tenha matéria rototil para isso. Ele falou, olha, vamos fazer o seguinte, eu vou pedir para o médico te ligar, você pode falar com ele para mim. Eu falei, tudo bem. Meia hora depois, o médico doutor Alonso Monteiro até faleceu ano passado. Ele me ligou e relatou a mesma conversa que o Jato sabia me passado, que ele não conseguia fazer esse diagnóstico.
E eu falei para ele, olha, o que é característica dessa história toda aí são os sintomas que você está descrevendo, principalmente a perda de cabelo. Isso significa doses extremamente elevadas, né? Com material de atividade, não é creio que tenha. Olha, há uma senhora internada aqui e ela está culpando uma peça que ela levou na vigilância sanitária e deixou para se examinar. E essa peça ela acha que está intoxicando toda a família.
Você poderia verificar se é radioativo? Eu falei, eu disse aí, eu falei, olha, o doutor Alonso, para mim verificar a matéria radioativa, eu tenho que ter um instrumento chamado detetor. Eu não tenho instrumento. Se você tiver, posso até te auxiliar, Bande, nessa parte. Se a gente conseguir, você faz essas medidas. Tudo bem.
E havia na cidade um escritório da Nuclebras, que é a antiga, hoje a atual indústria nuclear do Brasil. O que era a Nuclebras? É a indústria que faz a prospecção de urânio. E lá provavelmente teria algum detetor. E ele disse o seguinte...
Se eu pedia dois veterinários, dois sanitaristas da vigilância sanitária, que vá até a sua casa, e eles se responsabilizaram pelo detetor, pelo instrumento de medida, como você fala, você faria a medida para eles? Tudo bem, não há problema nenhum. Eu fiz até uma consideração com ele, que era um grande amigo. Os dois veterinários, que são veterinários, sanitaristas, passaram na casa da minha sogra, e nós fomos até a vigilância sanitária, até o ar do Clebras.
E aí encontramos um detetor que não é específico para medir dose, mas ele é extremamente sensível, que é um cintilômetro. Um cintilador, ele tem a capacidade de detectar radiação extremamente baixa e ele é muito adequado. Tanto é que quando ela é acoplada a um helicóptero para fazer varrer.
uma superfície de terra, você consegue identificar material audioativo, anomalias de material audioativo, principalmente urânio. Quando você não sabe de onde vem a dose, você usa esse aparelho para detectar a mínima radiação no ambiente e depois você usa algo mais específico para conseguir detectar. Hoje a gente poderia ter, você tem o chamado Identifier do equipamento.
que você está medindo, você sabe, dentro dele tem uma biblioteca com toda a tabela periódica, hoje, você identificaria o material, isso não tinha antigamente, há quase 40 anos de um acidente. É esse equipamento? Exatamente, é esse o equipamento. Ele é robusto, é portátil, extremamente confiável, e dificilmente ele falha, dificilmente.
Eu fui até a vigilância sanitária e aproximadamente uns 70 metros, mais ou menos. Quase um quarteirão de distância, né? É, e é uma distância muito grande, né? E ele começou a dar sinal, como ele... Nossa! Ele começou a dar sinal e eu achei que ele estava equivocado. Casualmente, ele tem um bip sonoro, que a partir do momento que você vai entrar dentro do câmbio de radiação, ele vai aumentando a intensidade do som.
E ali, praticamente, ele saturou a medida. É a contagem por segundo que ele tinha. A primeira coisa que eu imaginei é o seguinte, está com defeito. Está com problema, né? Está com problema. Voltei, Vilela, e falei com o gerente do escritório novamente. E eu recordo que ele era uma pessoa extremamente nervosa. Ele falou, você que não sabe medir. Bom, eu tinha 31 anos, né? Você que não sabe medir. Eu falei, eu sei medir. Você que é o detetor que está errado.
É que deve estar com defeito. Mas nessa época também, eu acho que nem você acreditou naquela hora. Não, eu não acreditei. Porque como é que 60, 70 metros? Como é que eu estou dentro de um campo de radiação, uma distância dessa aqui? E você está saturando uma medida de um detetor. Você vê que a 15 mil contagem é uma taxa de dose muito baixa. De qualquer maneira, é uma distância longa. E aí pegamos um novo detetor, um novo cintilômetro.
E ele tem uma fonte de teste para você verificar, de aferição. A fonte de teste, por exemplo, ele fala assim, essa fonte tem 120 contágeis por segundo. Você põe o detetor e vê escalar, se bater, está ok. E batia, né? Eu fui com o novo detetor, nesse mesmo ponto, Vilela.
Ele realmente saturou novamente. Caramba, isso é radioativo, né? Mas exatamente nesse momento foi quando alguém da vigilância sanitária, alguém, isso eu não sei quem foi que chamou, o corpo de bombeiro que era para descartar esse material.
que esse material que estava retirado de lá, que estava causando intoxicação nas pessoas. E havia, eram três, eu recordo que eram três integrantes do corpo de bombeiro. O soldado estava saindo com o cilindro, ele estava dentro de um saco plástico, pesava 23 quilos, o cilindro metálico, né? E ele disse abertamente, não se preocupe, doutor, que eu vou jogar dentro do rio Capim Puba.
E era o Rio que realmente abastece a cidade. Não, olha esse tempo. A série mostra isso. A série mostra, e é verdadeiro. Ele recebeu uma dose muito elevada, esse bombeiro. E eu pedi para ele deixar, para ele voltar, porque o material era radioativo. Eu não sabia quantificar, nem qualificar esse material, mas que era radioativo. E solicitei que a vigilância sanitária fosse evacuada por precaução.
dos servidores fossem retirados. Houve um debate, né, que o superintendente da EVE não queria retirar e isso, me parece que era o sargento que estava acompanhando isso, foi fundamental que ele falou, vai ser retirado e as pessoas foram retiradas e eu perguntei aos dois sanitaristas que recebeu o cilindro, né, dos dois dias anteriores, se ele havia notado quem havia deixado o endereço da pessoa e ele havia notado.
Que era a senhora Marília Gabriela, né? Que veio a falecer depois. Não, a Marília Gabriela... Não, não. É a Maria Gabriela. Não é a Marília Gabriela. Não, é a Maria Gabriela, né? Esse é o cabeçote. Não é o cilindro. Isso é a proteção. O cilindro estava dentro do cabeçote. Ah, estava dentro desse cabeçote. Esse cabeçote, toda a engrenagem dele pesava 300 e poucos quilos.
Eles retiraram isso. O tamanho que é isso daí? É mais ou menos que tamanho? Metade dessa mesa aqui. É? É mais ou menos isso. É pesado. Pesado. Tanto é que a blindagem dele, essa blindagem é para proteger o paciente, né? Porque quando ele é irradiado só fica o paciente lá dentro, né? Aí ele é aberto externamente a uma sala, né? Que a pessoa calcula o tempo, quanto que vai ser irradiado o paciente, né? Ele fica aí dentro, né?
O que que é esse cabeçote? Ele foi retirado da clínica, levado para a rua, 57, por dois catadores de papel, e lá, 13 de setembro, foi retirado, e lá começaram a violar, né? O Valtero, eu acho que nesse momento, acho que é interessante a gente explicar para que serve isso daí do ponto de vista médico, né? Por que que tinha Césio 137 em Goiânia, de qualquer forma? Existe uma clínica de radioterapia que fazia tratamento de câncer, né?
E esse aparelho que mostramos agora, ele tem uma pequena abertura, coisa de poucos centímetros assim, que ela fica aberta por poucos segundos ou alguns minutos para poder enviar a dose de radiação que o Césio manda. Para irradiar o paciente. Num ponto específico. Por quê? O que é o câncer, né? O câncer é um conjunto de células que está ali se proliferando muito rapidamente.
Por estar multiplicando rapidamente, ele está com o DNA das células mais exposto. Isso vai fazer sentido depois quando a gente falar de efeitos da radiação na saúde. A radiação é muito boa para matar câncer. Por quê? Porque o câncer está se multiplicando, então o DNA dele está muito exposto.
A célula está o tempo todo se multiplicando, ela expõe o DNA muito fácil para qualquer coisa de fora. Então na hora que você direciona um jato, vamos dizer assim, um feixe de radiação para um ponto específico, que você já detectou, por exemplo, no pulmão, no fígado da pessoa, você tem ali um ponto muito certeiro de ação da radiação ali por alguns segundos. Tem uma mira.
Exatamente. E aí a pessoa faz essas sessões seriadas uma vez por semana, duas vezes por semana, uma vez a cada três semanas e vai passando por alguns minutos aquilo ali vai matando as células do câncer. Imagine isso exposto ao ar livre para quem abriu, que é o que o Val estava contando agora. Os rapazes que pegaram esse cabeçote, eles abriram ele.
Na verdade, eles venderam para um ferro velho? Eles retiraram da clínica, do instituto, e levaram para a rua 57. E no dia 3 de setembro de 14 e 15, eles começaram a martelar esse cabeçote.
Cadê? Você achou a foto? E aí chegaram o cilindro, né? Dentro do cilindro ele tem uma fenda, né? Uma espessura que é onde fica o material radioativo, né? Esse é o cilindro que estava dentro do cabeçote, exatamente. Parece um saco, né? Ele estava dentro do saco plástico, né? Ah, tá. Isso aí é o cilindro em cima da cadeira que fica dentro do cabeçote, né?
Dentro desse cilindro contém o material audioativo. Dentro desse cilindro, quando eles violaram o cabeçote, os dois catadores de papel, imediatamente eles começaram a sentir o efeito da radiação. Tanto é que um deles foi internado.
E o médico diagnosticou ele como se ele tivesse uma noite anterior no churrasco, uma intoxicação, tudo isso. Ele achou. De qualquer maneira, eles falaram, vamos vender isso, né? E venderam para o ferro velho. Eles foram as primeiras vítimas, de qualquer forma, né? Muito antes do... Mas voltando um pouco o assunto, Vilela. E aí eu fui até com os dois veterinários dar o endereço dessa pessoa, que ele havia levado lá, que era a dona Marília Gabriela, né? Era por volta de umas nove e meia, dez horas, né? E...
Eu já fui com o cintilômetro ligado, o detetor ligado. No quarteirão todo, ele já dava sinal, um pouco antes de chegar ao ferro verde, ele já dava sinal de presença de material audioativo acima de background. Ali eu tinha certeza que o material não era sólido, mas poderia ser o líquido também espalhado. Eu não sabia nada até aí.
E aí quando eu fui ao Ferro Velho, eu não cheguei a entrar no Ferro Velho, era muito grande, né? Era o Ferro Velho de Bahia, que ele havia comprado esse material. E ele, os dois catadores de papel de bílcio Israel, que vieram a falecer depois, eu perguntei para eles quem era o dono do Ferro Velho, ele falou que era o senhor de Bahia, né? E ele me disse o seguinte, eu falei, de quem ele comprou isso, né? Ou de onde foi retirado esse material.
Ele falou que havia comprado de dois jovens da Rússia 57. E um deles, eu não me recordo agora qual deles, disse o seguinte, isso aqui foi tirado aqui de uma avenida Paranaíba com a avenida Tocantins, um instituto de radiologia. Eu falei, radiologia ou radioterapia? Eu conheci os três médicos físicos.
Os três médicos físicos que eu conheci. Radiologia ou radioterapia. Radioterapia. A diferença. A diferença, a radiologia, eu não teria material radioativo. Não? Não, não tem. É como o raio-x, você liga na tomada, desligou. Então, eu falei, por acaso, no Instituto Goiânia de Radioterapia, eu falei o local que é esse mesmo, né?
imediatamente eu comecei a relacionar, falei, poxa, não é cobalto isso, né? Mas eu conheci os médicos e o físico. E eu sabia que eles trabalhavam também no Hospital Araújo Jorge, que é um hospital de combate ao câncer muito grande que tem em Goiânia. Eu fui até o hospital e falei com um deles, né?
E perguntei, fazia tempo que eu não ouvia, a Neva falou, volta, que bom que você faz tempo que a gente não se vê. Eu falei, meu amigo, eu estou aqui por uma condição. O que que houve com a sua constituição, com a clínica? Ele falou, por que você está dizendo isso? Eu acho que a sua fonte de César foi retirada e violada em um local. Eu falei, isso é impossível.
Eu falei, eu acho que não. Por que ele falou que era impossível? Por causa do procedimento? Primeiro, isso é uma coisa extremamente pesada. E é extremamente, rigorosamente selado e sob efeito de segurança.
A segurança disso, do material audioativo disso é muito grande e tem que ser. É evidente, tem que ser, é natural isso. E aí ele disse o seguinte, há uma demanda judicial entre a clínica e o Estado. A Comissão Nacional de Energia Nuclear solicitou...
que a gente ia retirar esse material de lá. Já levamos a fonte de cobalto para um novo local, aprovado pela Comissão Nacional de Energia Nuclear. Enquanto isso, a fonte de incésio ficou aguardando até a construção de uma nova casamata, onde ela fica, que é um lugar todo brindado. Eu falei, provavelmente ela foi retirada do local. Ela falou, isso é impossível. Nós fomos até o local, estava tudo abandonado, realmente tudo abandonado, né, Vinícius?
E aí eu fiz a medida ali, ali não tinha nada, não tinha material de ódio, não tinha nada. Ou seja, ela havia sido retirada dali e violada em algum outro local. Qual era a primeira providência? Eu falei, olha, você tem que notificar a Comissão Nacional de Energia Nuclear. Eu não sou funcionário. Ele perguntou se eu poderia falar com o secretário de Saúde, o doutor Antônio Faleiros, na época, e eu falei com ele.
Nós fomos até a praça do governo, no edifício onde estava a Secretaria de Saúde, Dona Andar, e eu disse a ele o que estava ocorrendo, né? Ele perguntou se eu tinha algum contato na Comissão Nacional de Energia Nuclear. Eu tinha COIPEN aqui em São Paulo, que é o Instituto de Pesquisa Energia Nuclear, que fica dentro da Universidade de São Paulo, né? Aqui, dentro da própria cidade universitária, de colegas, de curso, de fazer aqui, né?
E eu liguei para um colega, ele já está falecido. Ele falou, Walter, não é aqui. A sede da comissão fica no Rio de Janeiro e você tem que ligar para a diretoria de segurança, que na época chamava diretoria de instalações nucleares, DIN. Eu falei com uma colega.
Liguei, eu falei com ela, Vilela, ela até, a gente até, ela aposentou ano passado, retrasado, me parece, ela depois a mão no bocal daquele telefone antigo, o pessoal nem sabe o que é isso. Nem sabe o que é isso. Descar, ela colocou a mão no bocal, doutor José Júlio Rosenthal.
Tem um físico falando um monte de besteira aqui, vê se fala com ele aqui. Isso que eu ia te perguntar, desde que você começou a conversar com o secretário de saúde, o pessoal acreditou em você de cara? Acreditou porque o médico estava. Foi tipo um filme de apocalipse. O médico já estava também, já tinha comprovado que a fonte tinha sido violada. Entendi. Ele acreditou, né? E aí eu falei com ele, né? Ele realmente atendeu logo depois, né? O doutor Rosenthal, ele me disse o seguinte.
Volta, isso é uma coisa, ele era extremamente tranquilo, muito calmo, doutor Rosenthal. Isso é uma situação extremamente difícil de ocorrer. Esses médicos também trabalham no Hospital Araújo, olha, fale com eles lá. Eu falei, olha, eu estou com um aqui hoje. Um dos donos já está aqui, já foi violado. Eu me recordo que o telefone ficou mudo, provavelmente pelo SUS que ele tomou. E aí, qual era a providência?
O secretário de saúde solicitou que, vamos falar com o governador, o doutor Henrique Santillo, e era médico. Coincidentemente, ele já tinha feito matéria sobre higiene de radiações.
E quando eu relatei para ele, ele falou extremamente sério. Ele convocou o gabinete militar e foi decidido ali que o estádio olímpico antigo, o estádio olímpico hoje não, hoje está tudo remodelado, né? Seria armado barracas e a gente iniciaria fazer um procedimento, um processo de recorrer essas pessoas contaminadas, se eu poderia ajudá-los identificando isso como material de um ativo.
E ali começou a operação de buscar pessoas contaminadas. O primeiro local foi nesse ferro velho do Devaía. Foi onde? No ferro velho? Ferro velho de Devaía. E aí, eram as oito e meia da noite, ele estava no ferro velho de Devaía, ele tinha um problema de álcool. Mas isso é foto do ferro velho, Romer.
Ele tinha um problema de alcoolismo, ele estava bem alcoolizado, não estava nervoso, como mostra a série, ele era muito tranquilo também, muito. Ele não teve nenhuma discussão com o militar, nem nada. Ali, pequenos micro-ondos da polícia foram forrados, assim que a gente achar as pessoas contaminadas, elas seriam retiradas e levadas para o Estadio Olímpico Armado e Embarra. Essas pessoas teriam que ser retiradas de qualquer maneira, Vileira.
Primeiro o ferro velho estava todo contaminado. Quanto mais ficasse ali dentro, pior era. Mas aí tem um negócio, né? Como que você convence... Esse é o ferro velho. Sim.
Como que você convence pessoas que não fazem ideia do problema? Não houve relutância. Ah, é? Não houve relutância. É porque a série mostra isso. Mora, mas não houve relutância. Foi explicado para eles, entraram tranquilamente, né? Que ali estava contaminado, era muito mais perigoso eles ficarem ali, né? Não houve isso. Tanto é que o Devaí saiu. Eu me recordo que ele disse o seguinte. Você falou da gravidade também, né? Falamos, tanto é que o doutor Faleiro é médico, né?
Então eu estava com o secretário de saúde, havia polícia militar, mas para recolher os, né? Então não houve esse debate entre eles lá. E aí o Devair falou, olha doutor, eu estou sangrando aqui o lábio, a parte de todo, e colocou a mão no cabelo e disse o seguinte, meu cabelo está caindo tudo, estava soltando.
Como que é assim? Cai de chumaço de cabeça? Sai, né? É porque a radiação vai atuar ali, como eu falei, destruindo células e atrapalhando o ciclo celular. Então em alguns dias, aquelas células que estão vivas, por exemplo, células que se multiplicam muito. Pele, intestino, mucosas, mucosa parte interna da boca, por exemplo. Cabelo, folículo capilar.
e medula óssea, que é a que produz o sangue, todas essas células vão sofrer. Elas têm uma parada do ciclo celular. Quando elas não morrem de primeira por algum dano muito sério, elas param o ciclo celular. Então, na hora que ela vai multiplicar, ela não consegue continuar e morre. Então, você vai perdendo isso, o folículo capilar vai morrendo, o couro cabeludo.
E aí na hora que você vai ver, o cabelo está soltando. Então o que é uma das vítimas? É ele do devaí. Agora, de qualquer maneira ele sendo irradiado ou qualquer coisa, a capacidade do organismo é regenerar. Quando uma pessoa está sendo irradiada em tratamento de câncer, ela perde o cabelo, natural. Às vezes, dependendo do local, mas ele regenera. É a capacidade do seu organismo regenerar. Senão ninguém... Bom...
E aí os dois catadores de papel também, que faleceram, estavam no ferro velho também. E aí a gente recolheu e fomos ao segundo ferro velho, que era o Ivo, que era o irmão dele, que era o pai da Leide. Porque ele havia dado um material, um pouco do cloreto de Césio.
para ele. E ele levou para casa dele, ele deixou cair sobre uma mesa, ele colocou, e a menina brincando, a Lady, brincando com ela, segundo fala que é o pão que ela comeu, era um ovo, né? E ela contaminou, ela ingeriu, né? A Lady era uma fonte ambulante.
completamente é porque ela comeu o pó né eu o devair é o que ele conta o que ele conta que ele viu um brilho azul de noite que é o parece o césio emite esse brilho né a radiação dele emite esse brilho é um azul muito intenso é esse azul até separei aqui tem mais ou menos isso aqui é brilhante agora na câmera né é não a lá ó
É bom esclarecer também que é o seguinte, ele tem que combinar com alguma coisa, com alguma coisa de água hidrolisar para ele se tornar isso. Não é tão entendo.
E segundo ele, quando ele chegou, a identificação por ele, que ele achou que tinha algum valor comercial isso, ele chegou um dia à noite e esse cilindro estava na parte externa do ferro velho, em cima de uma prateleira. Como estava muito escuro, ele viu alguma coisa que tinha uma cor azul.
Ele não fala sentenso nem nada, mas ele viu. E ele achou que tinha valor comercial. Ele pegou e levou para dentro do quarto dele. E guardou e achou, e se eu tenho algum valor comercial? A gente pode achar um absurdo, mas pensa em pessoas mais simples, naquela época, não tem informação nenhuma. Uma coisa brilhante. Ele achou bonito. Ele achou que tinha algum valor comercial.
Por isso ficou entre famílias, entendeu? Ele passou para o irmão, para sobrinho. E aqui ficou um grupo pequeno que frequentava ele. O Devairi era uma pessoa extremamente inteligente, muito inteligente. Ele era uma pessoa de uma capacidade de inteligência extremamente inteligente mesmo. Ele achou que tinha, começou a distribuir a família.
E aí a menina ingeriu isso, né? No segundo ferro velho, que era o ferro velho do Ivo, irmão dele, onde residia a Leide, e tinha, na próxima, várias casas estavam contaminadas também. E a gente recolheu. Nesse primeiro momento, Vilela, nós recolhemos 26 pessoas do Estado de Olímpico, as mais contaminadas.
26 pessoas, né? E ali, como é que a gente identificava? Porque você ia passando de casa e monitorando, e você verificava que estava tudo contaminado. Então, isso era importante, se retirar desse local, para depois fazer uma triagem, para verificar se estava realmente contaminado. Se era só externos, era internamente, né? Então, isso era fundamental. Nesse momento da retirada do...
da Leide, o físico do hospital estava também. E ele já estava com o GARG, que é um detetor que consegue medir a taxa de dose.
A gente não conseguia medir a lei de tão alto que estava. Então ela é uma criança de 6 anos, ela estava altamente contaminada, muito contaminada, ela entrou dentro do ônibus e foi para o Estádio Olímpico. Acho que uma coisa importante... Essa é a menina? É ela. Ela mesma. Uma coisa importante de explicar, essa questão da contaminação versus a fonte. Porque como é um pó, eu vou passar para você, só explicar o negócio do higroscópico, que a galera pode não entender.
Porque ele é um pó. Então ele consegue absorver quase que a umidade do ar ali. Ele vai pegando a umidade do ar. Imagina uma colher de sal. Que quando você coloca a água em volta dela, ele meio que puxa a água. Só que o césio ele consegue puxar isso a umidade do próprio ar. Então ele consegue, por exemplo, se você passa na pele...
O próprio suor da pele já facilita a entrada do material, ele se dispersa muito facilmente, e quando ele entra no corpo, aí eu vou deixar o Walter falar que ele é o especialista. Exatamente. Lembre-se o seguinte, esse material dentro desse cilindro, ele tinha 19,6 gramas e 63 de material aglutinante, que poderia ser uma forma também de hidrólise ter ocasionado essa cor que ele relata.
Bom, contaminação é quando você tem a presença do material radioativo dentro do seu organismo. Ou seja, são três formas de se descontaminar. Você inalar, ingerir, ou você passar no contato da superfície do seu corpo, seu corpo absorvido e você está contaminado. Contaminação é a presença do material radioativo dentro do seu corpo. E radiação é quando você está a uma certa distância do material, você está sendo irradiado. Quando você tira um raio-x, você está sendo irradiado.
Mas é uma radiação segura. É uma radiação que não tem material audioativo. Ela é produzida... Controlada. Com ondas eletromagnéticas. Ou seja, energia elétrica que faz isso. Bom, isso foi feito. A gente levou essas pessoas para o estádio Olímpico. Elas ficaram isoladas. A 0h30 do dia 30. O Dr. Rosenthal já tinha chegado.
com dois técnicos do IPEM aqui, na série mostra ele medindo, a quem mediu na realidade foi os dois técnicos daqui, um deles, Francisco Miazini, e aí ele levou um detetor específico chamado teletécnico, em que a gente mediu lá na vigilância sanitária qual era a dose que estava dentro desse cilindro, e era muito alta ainda, significava que tinha um percentual de material radioativo dentro do cilindro ainda grande.
Depois, com o cálculo que a gente fez, a gente calculou que tinha 1,5 grama mais ou menos, quase estava dentro do cilindro ainda. Por isso que as dovas eram extremamente elevadas e foi a necessidade de evacuação da vigilância. Então, o ato de evacuar a vigilância foi extremamente correto para as pessoas irradial.
Tanto é que as pessoas que trabalharam lá, alguém foi radiado? Foi. A gente identificou todas as pessoas. E se existe maneira de se fazer isso, que é chamado dos metrôs estogenéticos, você coleta sangue e você consegue diagnosticar qual é a dose que você recebe nisso aí. E aí o doutor Rosenthal já convocou, já foi acionada a emergência da quinen.
Na manhã chega o primeiro médico, o Dr. Cássio Eduardo Brandão, depois o Dr. Nelson Valverde e o Dr. Alexandre. E a primeira providência era o seguinte, essas pessoas eram pessoas bem humildes, viviam, dormiam nesse papelão, todo contaminado. E a primeira providência era o seguinte, você dá um banho neles com sabão neutro, retirar pelo menos a contaminação externa do organismo, do organismo, da superfície do corpo deles.
E aí foi disponibilizada uma ala do terceiro andar de um hospital chamado Hospital Geral de Goiânia, porque essas pessoas teriam que ser internadas, a avaliação delas, né? Tinha que ser internada imediatamente, até porque você teria que ter feito um diagnóstico disso, né? Imediatamente, né?
Uma pessoa contaminada é uma pessoa imunodeprimida. É como se fosse um aidético. O que quer dizer isso? Qualquer uma gripe, qualquer um resfriado. Ah, ele fica mais suscrito. Exatamente. Seu organismo não tem muita resposta. Ele não tem resposta. É como uma criança. Por que deve-se evitar que uma criança deve receber dose, alguma coisa? Porque até são células de informação.
Enquanto ela está trabalhando, esse sistema está gastando energia na formação do ser humano. Então ele não tem muita defesa contra qualquer agente externo. Gripe, essa coisa toda. Radiação é uma delas. Essas pessoas foram levadas, internadas no hospital HGG. Essas 23 pessoas foram avaliadas. Aquela imagem que você tinha colocado, o Romero, é do quê?
Eles estavam fazendo a medição das pessoas através do ferramenta. Depois eu vou falar sobre isso também. E aí, os 11 do hospital também foram transferidos também para o HGG, que era para o médico específico fazer o tratamento correto. Seis deles imediatamente foram transferidos para o Rio de Janeiro.
Postal Naval Macilo Dica, que é o hospital de referência para tratamento com rádio acidentado. Era extremamente grave, entre elas a criança, né? Os dois catadores de papel, o Devair, né? Então, eles já foram transferidos. Posteriormente, depois, a série mostra que foram transferidos mais gente. 20 pessoas tiveram síndrome aguda de radiação. Quatro morreram, né? Foi a dona Marília Gabriela, esposa do dom do Ferro Velho, a Leide, que é a sobrinha, né? E os dois catadores de papel que trabalhavam no Ferro Velho lá.
E essa foto, Walter, o que é? Bom, e o que foi estabelecido aí? Imediatamente começou a chegar a Goiânia todos os técnicos da Comissão Nacional de Energia Nuclear. Nós atuamos lá, Vileira, com 244 profissionais da Comissão Nacional de Energia Nuclear, com mais 125 instituições parceiras. Entre elas, a Nuclebras, com um grupo grande de pesquisadores também, de técnicos também, 62 integrantes da Escola de Instituição Especializada do Exército.
que é o grupo especializado com material radioativo, que fizeram a demolição de seis casas, né? Eles trabalham com isso, né? Então é um grupo que já trabalha há muito tempo em parceria com a comissão, eles são treinados para isso também, isso fazia parte do sistema, né? E ali se estabeleceu o seguinte.
Era importante que a população fosse monitorada. E aí escolheu-se o Estádio Olímpico, estabeleceu um telefone. Lembro-se, não tinha internet, não tinha nada. Então tinha um número. Então a divulgação para que fosse que apareceu o Estádio Olímpico. E a gente monitorou. Se alguém achasse que tivesse... Contaminada, essa pessoa era separada e depois diagnosticada. Nós monitoramos ali 112.800 pessoas, 20% da população.
249 pessoas foram contaminadas, sendo que 120 eram realmente contaminadas internamente. Essas pessoas teriam que ser cuidados médicos, né? Umas menos intensidade, outras não. E 129 eram em sapato.
em roupa, que andam circulando pela cidade, alguns locais desse próximo aí, que acabou se espalhando, né, dentro de Goiânia, e aí, qual era o procedimento que fazia com essa pessoa? Essa pessoa, quando era identificada algum ponto de contaminação em sapato ou roupa, alguma coisa, ela era separada da fila, levada para uma triagem fina, e ali você começava o tipo de interrogatório com a pessoa onde você mora, né, porque era importante, né, você onde você mora, onde você passou, você tem algum parente dessas pessoas aqui.
E era importante isso aí na casa dele, porque de repente a casa dele estava contaminada. É, tinha mais algum objeto contaminado. Exatamente, se tinha contaminado, era obrigatório, né? E aí ali começou a fazer a triagem de toda a população. Então, só no estado de Olímpio foi esse valor, esse número de pessoas, 112, 800. Nós monitoramos quase toda a cidade de Goiânia, né?
Posteriormente a gente fez um levantamento radiométrico com um detetor específico instalado em carro e varrendo as ruas de Goiânia e posteriormente com um helicóptero com levantamento aéreo radiométrico também. Então era muito importante a gente fazer isso. Então ali a gente identificou uma parte muito grande. E uma parte interessante nessa aí é...
A forma de você encontrar outros locais contaminados era você falando com a pessoa que foi contaminada, onde você morava, onde você estava. E ali as pessoas começaram a falar, eu passei em rua tal.
na Avenida Tal, até a época eu estava, então a gente tinha que monitorar esses locais todos. Isso era fundamental. Nós achamos 158 casas com pontos residuais de contaminação. 48 delas foram reparadas. Você teve que tirar piso, teve que tirar alguma bancada, alguma coisa, para você descontaminar. Isso tudo estourou o rejeito.
50 veículos tinha ponto de descontaminação. Esse deu para descontaminar. É muito diferente se você pegar um sal nessa mesa aqui, que aqui tem ranhuras, alguma coisa, eu jogo aqui, Vilela, eu não consigo descontaminar, porque já penetrou aqui dentro. Então vira rejeito.
Agora, soltando a superfície metálica aqui, que eu consigo passar um pano, por exemplo, aqui, nessa haste aqui, eu tiro, está descontaminado. Evidentemente que o material que eu tirei virou rejeito, mas eu não consigo, isso vira rejeito. Ou seja, o microfone aqui, a haste do microfone vira rejeito. Então, por exemplo, rejeito radioativo. Ah, rejeito. Rejeito radioativo, né? Por exemplo, quando estava dentro do sofá, você não tem como. É. É rejeito.
geladeira, pontos, alguma coisa, cadeira, tudo isso tudo virou rejeito radioativo. Então, essas 19,26 gramas de clore de césio gerou 6 mil toneladas de rejeito. Como assim? Pouco pó, porque ele vai se espalhando, e a capacidade de emissão de radiação é muito grande. Esse daí é um mapa. Esses aí são os locais onde foram contaminados. Foi bom ele ter falado aí. Nós identificamos sete pontos, sete focos principais altamente contaminados.
O resto era contaminação secundária, em calçado, em pontos, nogradores, público, entendeu? Agora, esses sete pontos aí eram altamente contaminados. E corresponde, Vilela, exatamente onde eram parentes dessas pessoas.
Então esses pontos são aí. E é realmente no ponto central da cidade. Os outros pontos eram porque tinha pequenas concentrações de pó espalhadas para a cidade? Não, eram pontos muito residuais. Ponto residual. Exemplo. A série mostra, por exemplo, a história de um papel, do caminhão de papel.
Havia em Goiânia uma unidade de um centro papelês chamado Copel, em que é uma tradição de Goiânia, até hoje tem, 40 anos depois. As pessoas cataram, os catadores de papel, e vendiam para essa empresa, que era numa avenida, na saída para o aeroporto lá.
Eles coletavam esse material, enchiam o carrinho e entregavam esse papel. Vendiam esse papel por sendo papeleiro. O empresário comprava, reciclava depois, naquela época já. E aí a gente fazendo um levantamento radiométrico numa avenida, longe desses locais que foram mostrados aqui, fazendo um levantamento, o carro passando numa avenida que ia em direção a esse papel, o detetor acusou alguma coisa entre as duas avenidas.
ou seja, era um gramado grande, e onde eles andavam com os carrinhos. E aí a gente conseguiu identificar o seguinte, que alguns pontos na grama estavam contaminados, e a gente achava estranho isso. E aí vários outros pontos a gente encontrava. Era onde eles paravam e urinavam.
E aí a gente conseguia detectar. E a gente foi rastreando. Matéria radioativa é fácil de ser rastreável. Não tem como. A ser que você não tenha detetor. Se você tiver detetor ou decote, você vai identificar. Não existe nenhuma câmera, nada que mostre algum tipo de mudança?
Tipo um mapa de calor. Não existe isso para a radiação. A radiação não existe. Completamente invisível. Inclusive, eu estava até comentando com o Walter aqui, que na série Chernobyl, por exemplo, cria-se a ideia de que a radiação é visível, porque fala que no reator nuclear que estourou lá, o ar ficava infravermelho, ele ficava...
Não dá pra ver nada. As consequências, os efeitos determinísticos e estocásticos, que fala. Uma coisa é o efeito no corpo na hora, só que ali você só vai sentir isso em algumas horas ou dias depois. E o estocástico é o efeito depois de anos, que seria pelo fato de você ter se exposto hoje, o risco de você ter, por exemplo, câncer, algum problema de produção de sangue no futuro e outras doenças também.
Então a gente conseguiu identificar. Quando nós chegamos até o centro papeleiro, a equipe chegou, o empresário falou, não, eu comprei material, compro material, mas não tinha nada a ver com aquilo, não sabia também. Mas ele foi bem coerente. Ele disse o seguinte, eu vendi um caminhão para São Paulo, um caminhão desse papel que está contaminado.
E aí a gente acionou aqui o IPEM, com os técnicos aqui, tinha um grupo grande do IPEM trabalhando lá também, com a gente lá da comissão, que é uma unidade da comissão aqui, e aí esse caminhão foi detido aqui próximo a Ribeirão Preto.
Ele estava totalmente contaminado, esse material foi confiscado aqui e foi isolado. O motorista estava contaminado? Não, não estava não. Eu tenho uma dúvida com relação a isso. O quão arriscado, perigoso era essa contaminação? Ou é isso, assim, é lógico que é importante você restringir? Evidentemente que é uma contaminação, mas não era uma contaminação do CTD1, e é um efeito determinístico.
Manda-se a regra, manda-se as normas, é o seguinte, você tem que evitar qualquer contaminação, seja ela pequena ou não. Não tem sentido. Eu vi que havia um limite, a partir de 2 microsieverts, que é uma dose, vamos dizer assim. Isso é uma taxa de dose. Isso. Já era suficiente para separar aquele rejeito.
Não, isso não. Aí a gente classificava para atividade. Na época era 74 bequereu por grama, né? 74 nanokiri por grama, né? E a gente classificava isso, né? Ou seja, você mede uma taxa de dose aqui, exemplo.
Um detetor. Se eu saio ali fora, e ele começa a dar um valor muito acima, hoje você tem detetor que você quantifica e qualifica que tipo de detecção. Então, quando a gente sabia o background da região de Goiânia, quando dava assim, você começa a fazer a investigação se realmente tinha ou não. Então, a gente começa a caracterizar isso. Então, esse material, ele provavelmente a gente recolheu. Tanto é que...
40% desse material praticamente poderia ser descartado, mas ele tinha uma pequena taxa de dó, ele já está dentro do depósito, e nessa pandemista que a população estabeleceu, não tinha nenhum sentido ser explicado, dizer o seguinte, isso aqui está barco do limite normativo, pode ser descartado, ninguém ia acreditar nisso.
Então, ali se decidiu que a gente ia levar tudo para o depósito. Praticamente tudo foi levado ali. E quanto tempo demora para esse depósito, vamos dizer assim, se tornar seguro? Se alguém quiser cavar lá e construir alguma coisa. Bom, não sei se tem foto do depósito aí.
ali esses 19 gramas gerou 4.223 tambores de caixa de metade, 1.375 caixas que foram, elas são tudo projetadas para isso. Depois elas foram reacondicionadas em tubulações de concreto para depois ser armazenadas definitivamente. Não tem como cavar, ele está enterrado. Ele está dentro de embalagem de concreto de marita.
Então não tem, o que se faz? Não vai vazar, nem para baixo, nem para cima. Não, não tem. E aí isso foi levado para a Badia de Goiás, depois do próprio local, ficou do próprio local, porque as áreas que foram apresentadas para fazer o depósito eram áreas piores do que essas. Esse local onde é o depósito, exatamente aí, esse é o depósito, esse local onde é o depósito, o Vilhela...
É uma cascalheira. Então, todos os estudos técnicos indicavam o seguinte. Se você soltar uma partícula livre de césio, ela migrava aproximadamente 1 centímetro por ano, mais ou menos. Sim. E aí, 1 centímetro por ano, isso daria o quê? 300 centímetros. Seria 10 meia-vida. E já deixaria de ser rejeito. Só que o aeroporto do lar é 4,20 metros. Então, era muito seguro. É porque a gente não falou da meia-vida, né?
O César tem uma meia vida. Ela tem uma meia vida de 30 anos. O que é meia vida? Meia vida eu tenho, por exemplo, se eu tenho uma atividade de 10, eu não vou falar unidade para ser melhor compreensivo, de 10. Após 30 anos, ela cai pela metade, 5. Após mais 30 anos, 2,5. Após mais 30 anos, até deixar de ser radioativo. 10 meia vida dele, você deixa isso. Depende da atividade. Por exemplo, tinha material por ali, poderia ser descartado já.
Só que ninguém estava abaixo disso, só que abaixo do normativo. Isso seria impossível se eles carregavam com a população, praticamente dizer, olha, isso não é radioativo. Então, para a segurança da população, e esse é considerado um acidente extremamente bem resolvido pelo seguinte, nós limpamos Goiânia.
Nós tiramos tudo que podia dar. Uma pergunta que se faz é o seguinte, Virela. Você conseguiu... Isso é sal. É um sal, cloreto. É um sal, cloreto e céssio. Você conseguiu pegar, recuperar as 19,26 gramas? Evidentemente que não.
Mas isso foi espalhado de tal maneira que não tem impacto, você nem consegue medir mais. A radiação hoje é a mesma de qualquer cidade do Brasil. É o background. A não ser, por exemplo, os locais onde foram contaminados, que foram todos contaminados. Por exemplo, a Rua 57 foi o local mais contaminado. Nós cavamos ali até 50 centímetros ali.
Por que a gente não cavou mais? Porque, por incrível que pareça... É porque você vai... Imagina que o César está espalhado. É um buraco. Ele migra, ele desce. Ele vai infiltrando. Lembra que eu falei que ele absorve água? Então ele vai infiltrando tudo que é solo. Por incrível que pareça, esse local, é um terreno arena giloso.
E essa arena gelosa tem o poder de reter sal. E o César era o sal. Então, abaixo de 50 centímetros, toda a perfilagem que a gente fez, a gente não conseguia identificar. Então, cavamos 50 centímetros ali e retiramos tudo ali como rejeito. Essa era a característica do terreno. Isso teve toda uma parte técnica, a gente foi verificando disso e a gente foi recuperando todo esse material. Esse foi disperso. Se você medir ali, por exemplo, tem 50 centímetros de concreto.
Você vê o background, a radiação natural de Goiânia. Ali é um pouquinho acima que não tem nenhum impacto para nada. Não tem efeito clínico nenhum. Agora, deixa eu te perguntar uma coisa. Você falou da pandemia, a pandemia do CES-137, porque, na verdade, vocês estavam agindo basicamente com... O que acontecia ali, vocês tomavam decisões na hora, porque não existia um protocolo. Eu queria entender, é um paralelo muito com o que a gente viveu agora, em 2020, com a pandemia, que também não existiam tantos protocolos.
Como que foi esse dia a dia seu lá? É intenso igual a série Mostra? O que é diferente do ponto de vista? Você sentava toda semana, todo dia para poder reunir com o pessoal e tomar decisões complexas? Bom, é intenso igualzinho a série Mostra. Extremamente intenso. A gente não tinha hora. Nós trabalhamos sábado, domingo, feriado, à noite, madrugada. Quando você começava o processo de contaminação de um local, você não podia parar.
Foram 90 dias. Foi do dia 30 de setembro até dia 21 de dezembro. Em 88 de janeiro nós fizemos um pente fino, descobriu-se algum ponto, mas essa parte toda. Agora, a pergunta que você tinha, vocês estavam preparados para um tipo de acidente desse? Evidentemente que não. Só que...
A gente sabia medir, sabia quantificar, sabia caracterizar a rede rede, sabia fazer tudo isso aí. Até porque é o seguinte, todos os técnicos, os principais técnicos da Comissão Nacional de Energia Nuclear, pertencem ao Instituto de Radioproteção e Dosimetria, e uma das obrigatoriedades, o Instituto foi montado para caso de ocorrer o pior acidente possível, que seria Angra 1. A gente só tinha Angra 1. Então, dentro ali, a gente sabia o que estava fazendo.
Então, nós sabemos que nós sabemos que nós sabemos nós sabemos e nós sabemos nós sabemos nós sabemos nós sabemos nós sabemos
10 dias após o acidente, o Dr. Rex Nazaré, essa é a pessoa chave do acidente, ele era o professor Dr. Rex Nazaré, que foi extremamente, ele era extremamente técnico, ele chegou para organizar o acidente. Então, ali se criou equipe médica, já estava equipe médica, equipe de radioproteção, equipe de instrumentação nuclear, equipe de rejeito de transporte. E a primeira coisa que foi feita, Vilela,
Mídia. Quem é que vai falar com a população? O que nós estamos fazendo? Porque começava aqueles... Não existia essa expressão. O fake news, né? Que a cidade estava toda contaminada, a economia de Goiás, os produtos agrícolas, o Estado, essencialmente agropecuário, estava todo contaminado. Então, ali começou todo o procedimento sob o comando do professor Dr. Rex Nazaré.
A gente estava preparado para isso? Evidentemente que, tecnicamente, a gente sabia qualificar e quantificar o que a gente estava fazendo. A gente só não estava preparado para ver uma população em pânico. Gerou um pânico. Você entrar dentro de uma casa de uma pessoa e dizer o seguinte, por favor, a senhora tem que sair, estou recolhendo a sua geladeira, se eu só faço a televisão.
Isso é complicado, extremamente complicado. Isso é um impacto para a gente, até porque nós somos pais também. Nós somos pais. Tinha filhos, tinha tudo, isso é complicado. E ali a gente notou que é o seguinte, precisaria de um apoio a mais, que esse tipo de acidente é vilena. Ele comporta todo tipo de profissional. Exemplo, o assistente social que acompanhava a gente quando você fazia misturinha numa casa. O material rejeitado, o forno.
uma televisão, isso teria que ser anotado porque teria que ser indenizado. E era muito complicado isso, você falar para uma pessoa. Mas não houve nenhuma relutância, as pessoas saíam até com medo, era um pavor. E você ver uma população em pânica é extremamente complicado. E você saber que pessoas contaminadas... Eu, por exemplo, tive um impacto muito grande. Claro, tem 40 anos que as pessoas me fazem essa pergunta.
Como é que você se sentiu na hora? No momento que você está executando, Vilela, você não tem muito tempo de pensar isso. Só depois que eu calculei o que tinha sido feito. E as medidas foram corretas.
As medidas foram corretas. Agora, com o passar do tempo a gente trabalhando, que eu passei a integrar a equipe de busca e denúncia, que era do Estádio Olímpico, que a gente ia nas casas, monitorava a população. Isso era muito estranho para a gente, muito estranho. E aí, quando veio a primeira morte, as duas primeiras mortes foram a Leide e a Dona Marília Gabriela.
O pânico aumentou muito mais porque todas as pessoas que foram irradiadas ou que ainda estavam internadas, achavam que elas também... Quem será o próximo? Quem será o próximo que vai morrer? Isso é muito complicado de se explicar para uma pessoa. Então, esse impacto a gente guardou com a gente, mas a gente conseguiu superar.
conseguiu superar, tanto é que a gente a própria comissão também tinha um sistema tinha uma colega nossa psicóloga que conversava com a gente também, com técnico e com as pessoas e ajudou muito agora volta, deixa eu te perguntar, você não estava preparado, vamos dizer assim, você acabou de falar que vocês não tinham esse preparo vamos dizer assim, psicológico preparado para lidar com pessoas você ali
Você tinha um outro trabalho. Seu trabalho não era fazer isso. Eu não era servidor público. Você ligou para o seu chefe e falou agora eu vou cuidar aqui de Goiânia. Porque bate uma questão do eu preciso ficar aqui. E a série mostra muito isso, do protagonista lá. Era praticamente quase um autônomo freelancer. Trabalhava com isso. Logo depois eu fui convidado. A série mostra que o Dr. Rosenthal me recomenda a contratação. Foi ele.
o doutor Rex Nazaré, a série mostra que, a história do caminhão que eu já comentei aqui também, a série mostra um cachorro contaminado, ele me mordendo, não é, aquele cachorro estava muito contaminado, e ali houve uma decisão, ele estava dentro do ferro velho, totalmente, eu dormia no meio desse material todo contaminado, e ali quis fazer, vamos fazer, vou levar esse, para algum laboratório, 40 anos atrás,
Então decidiu que ele seria sacrificado e foi sacrificado. As pessoas perguntam ali, a série do Mórdoba, essas pessoas que estavam enterradas no terceiro andar dessa aula, desse hospital, o que foi feito de fezes e urina? Era tudo contaminado. Isso tudo foi segregado. Extratado, solidificado, se não se enterra. Eles separaram o esgoto do hospital?
Totalmente, era obrigatório Então a coleta era obrigatória Isso foi tratado, solidificado Virou rejeito também Virou rejeito Não pode ser líquido Nada, então é transformar em sólido Pode tirar o dor com o carvão ativado Você fazer toda uma reação química Com isso e depois solidificado E enterrado depois Com todos os rejeitos lá no depósito Então para Para
Para qualquer tipo de material radioativo é sempre a mesma coisa, enterrar e esperar acabar a minha vida até ele parar? Nem sempre, né? Nem sempre. Você pode deixar, por exemplo, fora de acidente, o material radioativo chega nos depósitos intermediários, ele é deixado ali do lado. E aí ele pode decair.
após estando a meia-vida, por exemplo, material radioativo da área médica, medicina nuclear, por exemplo, ele tem uma meia-vida muito rápida. Depois do certo, por exemplo, quando você vai fazer um tratamento com, por exemplo, com câncer, por exemplo, da tiroide, você toma um material, você ingere um material radioativo chamado iodo-131. Ele tem meia-vida de oito dias. Então, o paciente fica internado oito dias. O material dele lá, feze, urina, é coletado, tudo isso.
Mas depois de um certo tempo, isso pode ser descartado, já deixou de ser rejeito.
Só que o SES não. O SES tem 30 anos. E no caso do urânio, por exemplo? Aí é 30 e tantos mil anos. Ah, é? É impossível. E aí faz o quê? O caso do Chernobyl, que é brutônio, que é 500 mil anos. E aí faz o quê? Não tem como. Concreta e deixa lá. Concreta e deixa lá. E a radiação do Chernobyl ainda passa um pouco, tanto que tem uma área de exclusão lá que não pode ninguém entrar, ficar 15 minutos lá porque a radiação está saindo ainda. Ali você tem uma área contaminada ali muito grande.
O Xerubil é um acidente nuclear. Ali houve uma explosão do reator, esse material foi jogado ao ar, pegou uma corrente de ar e ela espalhou por um certo tempo, por uma certa parte da Europa. Há uma zona de exclusão de cerca de 30 km em torno da central de Xerubil, que é a linha da Ucrânia hoje.
que está sofrendo algum bombardeio, inclusive o colega nosso que trabalha lá também, sob vigilância disso. Então ali é uma área isolada. Só que acidente nuclear, acidente radiológico, é muito diferente. O acidente nuclear libera vários materiais radioativos. Césio, protônio, iodo, tudo esse material radioativo.
O que aconteceu lá em Fukushima? É um acidente nuclear. Mas lá o que aconteceu? O que aconteceu foi o tsunami, que ele entrou dentro da central e acabou liberando material. Não foi tanto grave assim. O que foi na realidade foi o seguinte, há uma comoção muito grande de Fukushima. Claro que não teve o impacto de Chernobyl.
mas teve um impacto de material, da água que levou esse material, né? Então, há uma diferença. Goiânia, não. Goiânia era uma fonte de SESIC, espalhada, né? Partícula de SESIC em várias partes da cidade, né? Sendo que sete locais, como eu mencionei, foram os mais contaminados, né? E grande parte da geração de rejeito foi isso, né?
Ele falou do iodo, eu estou lembrando aqui do Tecnésio, porque quando a gente trabalha na faculdade com materiais para medicina nuclear, um dos principais utilizados hoje é Tecnésio. Se chama Tecnésio 99 MetaEstável, que ele vai decair ali e produzir um tipo de radiação que as máquinas conseguem detectar. Então ele tem uma meia-vida de seis horas.
Então você consegue, por exemplo, colocar ele junto com uma molécula que atinge o coração, por exemplo, ou que vai para o pulmão, que vai para os rins, e você consegue ver o órgão funcionando. Aquela radiação ali ser detectada por uma máquina e ver se o órgão está funcionando direito. E depois a pessoa às vezes elimina na urina, elimina o tecnéseo mais pela urina mesmo.
Existe uma outra, não sei se alguém já fez ou conhece alguém que fez, que é o PET-CT, o exame para detectar metástase, que é com glicose. Eu falei agora há pouco que o câncer é um grupo de células que está multiplicando muito rápido. Então ele utiliza glicose igual água. Ele está bebendo glicose o tempo todo, muito mais do que as outras células. Então o que você faz? Você insere um flúor radioativo dentro da molécula de glicose.
Na hora que o câncer pega essa glicose, você tem a emissão da radiação do flúor ali, que é detectada por uma máquina. E ali você consegue milimetricamente saber onde que tem metástase no corpo da pessoa. É um exame caro, que é um exame, vou dizer, na casa dos 5 mil reais. Mas uma pessoa que fez um tratamento de câncer, é importantíssimo ela fazer esse exame para detectar, por exemplo, se tem alguma metástase que ainda não produziu sintoma.
Então a pessoa descobre, ah, tem uma metástase no osso aqui, tem uma metástase no pulmão. E aí ela vai para a radioterapia ou para a quimioterapia específica. Porque aí você fala, pô, esse cara tem uma metástase no osso do fêmur. Vamos fazer uma radioterapia aqui nessa área milimétrica que essa pessoa tem essa metástase. Bom, a medicina hoje não vive sem material audioativo, né? Isso é natural. Não só a medicina, a pesquisa, a indústria, né? Você vê a indústria, por exemplo, medidor de densidade, por exemplo.
Fábrica de cerveja, como é que você acha que está cheio ali? É o medidor de densidade ali, que ela corta ali, está na medida ali. Outra coisa, iogurte. Também. Iogurte, você usa, muitas marcas de laticínios e tudo, usam radiação para descontaminar. Porque a radiação, igual o Walter falou, uma coisa é a contaminação, que é você absorver o material radioativo no seu corpo, que não tem nada a ver com a irradiação, que é você usar uma fonte de radiação para você irradiar alguma coisa e matar tudo que está ali. Por que isso não contamina?
Porque é só uma radiação, uma energia que está sendo liberada. Que não está em contato com ela. E ela mata bactérias, por exemplo, que estão no alimento. Então tem muito laticínio que usa, queijo. A própria indústria alimentícia como um todo usa muita radiação. Tem descontaminação com UV, que na verdade não é uma radiação nuclear. Todo o material que é utilizado no hospital hoje, grande parte é tudo esterilizado com radiação gama.
Ou seja, joga um feixe em cima, mata tudo quanto é bactéria. E não faz mal para a gente. Não, aquilo não fica lá. Quando a gente vai trabalhar no laboratório... Quando você, por exemplo, tira um raio-x, você foi irradiado. Não tem nada. Mas o cara que faz, ele tem que ficar protegido. Porque ele faz todo o dia inteiro.
Não, e aí sim, o operador, né? Por quê? É o operador. Não, porque ele está recebendo. Pode ter radiação secundária, ele receber isso, né? Por segurança. Ele tem um limite de como trabalhador, que ele tem que ser o normativo da própria Comissão Nacional de Energia Nuclear, hoje da Autoridade Nacional de Segurança, a norma regulatória, que tem um limite por ano, abaixo do qual nunca vai aparecer nenhum efeito para ele.
Não significa que ele tem que retirar uma dose um pouco maior, vai ter alguma coisa. Só para comparação, a dose do raio-x é muito pequena em relação à dose que a gente está falando do césio aqui, por exemplo. Uma hora exposta ao césio equivale a mais ou menos 10 mil raio-x. Uma hora de disposição. O pessoal ficava com isso em casa, debaixo da pia da cozinha. Não, era uma dose muito elevada, muito elevada vir ela, então não tinha como.
tanto é que as doses eram tão elevadas que começou o sintoma, né? Vômito, febre, diarrea. E o que aconteceu, então, com as pessoas desde o mais grave até o menos grave? Quatro vieram falecer, depois tratamento recuperaram, né? E essas pessoas hoje são acompanhadas obrigatório, né? Legalmente, né? Por uma fundação que foi criada em Goiânia, né? As pessoas que morreram morreram um mês. Chama Centro de Assistência aos Rádios Acidentados. Essas pessoas são acompanhadas.
Nenhum deles teve alguma coisa, algum princípio oriundo dessa radiação que receberam. E aliás, doses altas. O que se espera da primeira coisa, uma pessoa que sobreviveu, que recebeu uma intensidade de radiação muito grande? A primeira coisa seria uma leucemia.
uma catarata, né? Esse é o primeiro... Nenhum deles. Porque... É o primeiro princípio que tem da pessoa altamente irradiada. Isso é feito chamado o estudo epidemiológico em todas as unidades. No Japão, da Fukushima, Nagasaki, Xerobio, tudo isso. Então, o primeiro... Pode ser esse, uma leucemia, né? Uma catarata. Agora, esse grupo de controle, esse grupo que é controlado, já faleceu alguém, mas não tem nada a ver. Câncer de próstata...
Tumor de pulmão com alguma coisa, não tinha nada com câncer, não tinha nada ali, coração, doenças cardíacas. Mas os que morreram? Os que morreram, eles morreram rapidamente ali, coisa de um mês. Não, é isso não. Um mês depois da irradiação. Esses não, esses já sabiam que era irradiação mesmo. Os que morreram fizeram o quê?
Eles tiveram contato direto com a fonte, que foi a menina que comeu. Estavam contaminados também. A esposa do dono do ferro velho, Maria Gabriel. Estavam contaminados e foram irradiados também. E os dois catadores que trabalharam com a abertura da cápsula ali. Então eles morreram porque eles receberam uma dose gigantesca. O Devair, que é o dono do ferro velho, foi a pessoa que mais recebeu dose. Mas como a gente estava falando aqui, uma coisa é você receber isso de uma vez. Outra coisa é você receber isso ao longo de muito tempo.
O Devair, ele deixou o pó em casa e ia trabalhar todos os dias. A esposa dele e o pessoal da casa ficavam ali em contato com a substância o tempo todo. Ele não, ele recebia um pouquinho, saia para trabalhar. Recebia um pouquinho, saia para trabalhar. Ele não ficava muito dentro do quarto. A série mostra como se a casa dele fosse diferente do ferroverde. Era junto.
Só que ele não ficava por ali, ele saia à noite. Essas pessoas ficavam ali praticamente recebendo direto ali. Então ele é chamado de doses fracionadas. Então dava tempo do corpo dele se recuperar daquela dose inicial e aguentar. Só que mesmo assim quase que ele morreu.
A questão que pega muito, eu estava até pensando aqui, é a questão social e a questão de saúde mental. Porque imagina você levar para sua casa e perder sua esposa, fazer a sobrinha, a Lady é a sobrinha dele. É a sobrinha dele. E várias outras pessoas, eu imagino a cabeça dele, que já era um alcoolista crônico.
Ele veio a falecer sete anos depois da cirrose hepática. Dez anos depois. Dez anos depois da cirrose hepática, devido ao álcool. Mas tem o Ivo, que era fumante, intensificou o fumo. Exatamente. E o Oderson, que é da família, também conta que ele entrou numa depressão profunda. Exatamente. Porque 40 pessoas da família foram afetadas de alguma forma.
E além do mais é o seguinte, perdeu uma filha. Com certeza. Isso aí, o seu organismo já é deprimido naturalmente com isso. Só a perda de um filho deve ser uma coisa muito triste. A série tem tudo isso aí. A série mostra que eu fui contaminado. Eu não fui contaminado.
Então eu não fui contaminado. Teve alguém da equipe que teve que ficar lá no hospital junto, igual a série mostra? Não. Então isso foi uma invenção deles mesmo. Não, de alguém contaminado? Não, é uma criação da equipe técnica, não. A gente não teve. Teve alguém que recebeu uma dose um pouco maior do limite, mas não tinha nada. Não houve nenhuma intensificação de algum efeito disso aí.
Minha esposa estava grávida, é verdade, três meses depois perdeu o bebê, mas não tinha nada com relação, tanto a ganada de placenta, tudo isso indicava. Com cinco dias após a identificação do acidente, eu fui ao Rio de Janeiro, fiz o chamado corpo inteiro, você faz uma varredura com um detector para verificar se você tem a presença de material radioativo. Esse corpo inteiro foi levado para Goiânia, para monitorar os pacientes.
para verificar como é que era a eliminação do césar do organismo. E aí, como é que elimina césar do organismo? Existe uma resídua chamada azul da prússia, que a finalidade dela é combinar com o césar do sal e eliminar isso por urina ou por fezes. É ele carrear esse material do organismo e ser descartado dessa parte. Uma outra coisa também, você eliminar por sudorese. Tanto é que a gente identificou.
Suor. Botava o pessoal para fazer bicicleta. Porque a gente colocou crianças para fazer a parte ergométrica, me aparece eu fazendo uma bicicleta. Eu não fiz isso, eu não fui contaminado. Então, na realidade, é o seguinte, as crianças eliminavam muito mais do que o adulto. O metabolismo dela é muito mais dinâmico do que o adulto, entendeu?
Então, todo esse material, esse é o tratamento que se faz, né? Que se faz com o pastor. Retirar, fazer a decoporação desse material de tal maneira que ele seja eliminado de alguma forma. Para o césio, no caso, urina e fezes, né? O problema do césio com relação à saúde é que ele se comporta no corpo como potássio.
Como um mineral essencial para a nossa saúde. Então ele se deposita, ele pode espalhar para o fígado, para osso, para o sistema nervoso, para vários músculos. Então ele está disseminado no corpo. A gente tem que fazer com que isso saia o mais rápido possível. O azul da Prússia, na verdade, é uma coisa que você come, ela se deposita no intestino e ali ela vai se ligar no césio e sai nas fezes. Então ele não está eliminando o que está no sangue. Ele está deixando você de absorver mais.
Porque existe césio depositado ali no intestino das pessoas que acabaram comendo ou respirando aquilo ali. E a questão do suor é para você metabolizar mesmo e eliminar. Apesar do césio ter uma meia vida de 30 anos, a pessoa que comeu ou que respirou, ela não fica 30 anos com césio no corpo, senão ela morria.
Minha vida biológica é 150 dias. Então essas pessoas, isso é muito maluco, porque você ainda tem que ficar 150 dias em um hospital. Adulto sim. Em observação. E a criança em torno de 110 dias. Ou seja, 1.500 dias. Normalmente se eu não tivesse nenhum tratamento com ele, ele eliminaria naturalmente. Mas demora. Foi grau 5, o acidente foi classificado grau 5 na escala internacional de acidentes que vai de 0 a 7. Exato. Para dar uma ideia...
O Chernobyl foi o quê? O máximo. Foi sete. É porque esse foi o maior acidente radiológico, fora de uma usina nuclear. Esse é um acidente radiológico, não é nuclear. Por que ele é considerado tão grave? Porque o primeiro é o seguinte...
Gerou uma grande quantidade de rejeitos, mas gerou um impacto muito, várias pessoas irradiadas, contaminadas, quatro faleceram, né? Deixou em pânico toda a nossa cidade, gerou uma quantidade de rejeitos violenta, né? Que vai ser acompanhado durante um bom tempo, né? Ou seja, além do mais, é o seguinte, isso ocorreu dentro do centro urbano.
Isso é mais grave ainda, né? Então você trabalhar com isso, né? Rua era isolada, dos material eram condicionados, né? E tem que se explicar isso, a parte ambiental muito bem equacionada, tudo, né? Isso gerou um trabalho enorme para a gente, muito grande.
complexo o negócio do César que fica me batendo a cabeça é o quanto que as pessoas que viveram essa situação ainda se lembram você acha que a série vai ajudar com certeza mas antes da série o pessoal falava isso ainda em Goiânia? não esqueceram? não, as pessoas da época que tinha uma certa idade conhecem, sabem a história do acidente e nós nós nós nós
Essa juventude hoje não tem, até 30 anos, tanto é que profissionais, né? Médicos, engenheiros, físicos, químicos, biólogos, não tinha, não se falava mais. A série serviu para reviver o seguinte, Vilela, houve um acidente, os cuidados que tem que ser, vamos falar disso agora.
O acidente se viu como base para toda a experiência, por exemplo, na área médica. Por exemplo, vários médicos internacionais atuaram junto com a nossa equipe. Os dois médicos de Xerobito atuaram junto com a gente.
Atuaram junto com a gente. Um dos maiores médicos americanos nessa área, do Robert Gale, atuou junto com a gente. Vários outros médicos, né? E ali as decisões eram conjunto. Isso é um trabalho conjunto, né? Por que isso era importante? Porque isso a gente sabia, hoje, 40 anos, que isso seria transmitido. Por exemplo, alguém tinha alguma experiência de como era a migração de César mesmo numa terra de... Ninguém fazia isso, né? Não tinha isso. Como era tratar um paciente dessas condições? Isso não tinha.
Então, isso tudo ficou como a literatura científica, qual é o procedimento. E a partir do acidente é o seguinte, qual é o comportamento, por exemplo, no meio ambiente de César, desse tipo de solo? Não tinha. Isso tudo, o Brasil passou a ser uma, em que pese a tragédia, ele passou a ser uma referência para todo mundo. O que se aprendeu nessa história toda? Por exemplo, um poder regulatório muito maior.
Aspecto jurídico ilegal, hoje, por exemplo, você tem extremamente rígido, já era, hoje é muito mais ainda. Se você quiser, por exemplo, o médico quiser importar um material radioativo, a primeira coisa, ele entra com o material de importação, não sei como é o nome hoje, a Cassexa, exportação, importação.
Ele entra lá. Mas é um sistema hoje online, ao mesmo tempo, que a própria local onde é solicitado, comunica à comissão para falar quem é que ele está importando. É médico? Ele está cadastrado? Ele tem curso? Ele tem supervisor de proteção radiológica? Senão ele nem importa. Ele nem importa. E além do mais, o seguinte...
Toda instalação tem um supervisor de proteção radiológica. Esse cara passa por provas e esse supervisor tem o poder de dizer o seguinte. Se eu sou supervisor do seu instituto ou do local onde tem material radioativo, eu tenho o poder de dizer o seguinte. A prática que você está fazendo aqui não é adequada. Se você persistir, ele pode comunicar com hoje a Autoridade Nacional de Segurança Nuclear. E imediatamente é interditado esse local.
Ou seja, isso serviu para o seguinte. O material radioativo era bem cuidado? Era.
É muito mais hoje. O mundo todo aprendeu isso. Outra coisa. Tinha plano de comunicação para falar com a população? Não tinha. E é muito importante. Hoje você tem sistema de emergência, plano de emergência, que a gente faz treinamento com defesa civil, com o bombeiro. Para mandar para o celular um alerta. Hoje tem, automaticamente. Por exemplo...
É muito comum, às vezes, identificar algum material radioativo em algum lugar. O material não, um símbolo, às vezes só o papel. E aí você fala para o cara o seguinte, hoje, tira a foto aí para mim. Teve um caso na escola, no Paraná, que eu até achei engraçado quando estava pesquisando para escrever o vídeo.
Que foi o seguinte, uns alunos fizeram um trabalho de escola, colocaram o símbolo de radiação e falaram Césio 137, colocaram lá. E fizeram uma cápsula parecida e colocaram uma coisa brilhando dentro azul. E aí o professor esqueceu de jogar fora e deixou lá, na escola. Aí o pessoal ligou para a vigilância, a vigilância chamou a equipe de especialistas ali da cidade para poder olhar e eles constataram que não tinha radiação. Então teve que chamar.
a equipe com o material físico, o medidor, para poder detectar. Exatamente. Vê se pode. Esse é o símbolo da radiação, conhecido mundialmente. Mas eu estava pensando aqui que não é um símbolo que, apesar de ser conhecido, eu penso no símbolo de risco biológico.
Ele é muito conhecido, mas será que ele é... Mas ele é conhecido pela população também. Será que as pessoas têm medo disso? Mas isso é uma linguagem... Todo mundo fala isso, né? Mas é o seguinte, você falou sobre o símbolo biológico, né? Mas a população em geral, ela não tem que conhecer símbolo.
O que existe é o seguinte, quem opera esse material, tem que ter uma certa responsabilidade. Eu não posso falar para uma pessoa leiga, esse aqui é o símbolo biológico, esse aqui é o trifólio. Então não adianta você falar para ele. Isso é uma coisa que a gente aprendeu em Goiânia. A população não tem culpa disso. O que na realidade tem que ser feito é o seguinte.
Quem opera com material radioativo, quem opera com algum produto que tenha risco, seja de que natureza for, que pode ter implicação séria para a população, ele tem que ser guardado realmente. Se você mostrar, por exemplo, esse aqui é o símbolo de um produto biológico, ele acha estranho. Aí vamos para uma caveira.
Bom, tudo bem, a caveira pode ser. Mas aí quem vai fazer um raio-x lá? Vai entrar na sala para a caveira. Não, isso é, por exemplo, hoje é muito comum isso, né? Então a presença do símbolo radioativo, ele causa medo, é natural isso, né? Porque ele não tem que entender, ele não tem que entender. Agora...
Presume-se que a pessoa que está operando com alguma unidade que tenha material radioativo está seguro. Pois é. Seguro. Ninguém imaginava que um cabeçol de quase 400 quilos que fica a 1,80m pendurado seja retirado depois. Ninguém imaginava uma coisa dela. E essa coisa, a fiscalização dele não é uma fiscalização que vai todo dia.
todo mês. Quer dizer, isso é uma coisa muito rara, porque ele está dentro de uma casa mata, né? Quer dizer, os médicos pecaram nisso aí, abandonando isso, né? Deixando frouxa a segurança da clínica. E aí, esses meninos catadores de papel dormiam todo esse lugar lá. Dois deles que retiraram o Vilhelo, olhou aqui, pô, eu trabalho com material. É bem rico. Um negócio de 300 tantos quilos, eu vou levar pra mim.
Eu acho que a maioria das pessoas faria a mesma coisa. Qualquer um. Você pensa na situação econômica, você fala, caramba, o cara faria isso. Depois o cara viu o brilho azul lá, achou bonito, tinha valor econômico, faria a mesma coisa, levaria para a família. Vamos distribuir. Teve um que tentou até fazer um anel para a esposa, aí depois viu que não ia dar certo, porque o anel brilharia com a pedrinha, só que é um pó. Ele até conta num documentário.
Um deles agora, daqui a pouco... e nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós nós
passou no pescoço da esposa, Luiz Odete. Esse é um caso estranho, porque agora, até há pouco tempo, agora a gente estava em Goiânia com ela.
E aí ela foi altamente irradiada e contaminada. Ela teve os dois fatores ao mesmo tempo dela. Três meses depois, logo após o acidente, em janeiro, fevereiro, por aí, ela é acompanhada, foi acompanhada pelos médicos da comissão.
Ela apresentou no médico do exame normal, ela falou assim, eu estou grávida. Olha só. Aí ela. Caramba. Exatamente. Ela é saudável hoje e aí ela apresentou como grávida o Villela. E aí os médicos reuniram e disseram o seguinte, é uma gravidez de alto risco. Não tinha história disso. Não tem. Você não tem nenhum parâmetro para falar isso. E aí recomendaram que fosse retirado.
Poderia buscar o juiz, o juiz ia autorizar tudo e ela falou, não vou. Vai seguir? Não vou. E aí foi uma preocupação muito grande dos médicos em acompanhar essa gravidez. Durante todo o tempo era a gravidez.
Nasceu. E tanto é que alguns jornalistas, alguma parte do jornal, nasceu o filho do Césio. Isso é horrível, né? É horrível. Eu me recordo, né? Eu me recordo que tinha um tabróide que circulava pela região lá. Jornal pequeno, né? Nem jornal, alguma coisa. Isso fazia isso. Deve ser fundo de quintal.
O cara soltou uma quantidade pequena desse material, desse papelote aí de propaganda. Mulher de física descobre o acidente perto de bebê. Com Deus os acuda, né? Que era o meu caso, né? E aí ela teve um filho, né? O médico que atendeu ela, um dos médicos lá, um deles, caso Eduardo Brandão.
E o outro chefe da área médica era Alexandre de Oliveira. Nasceu um menino, extremamente saudável. A gente mediu a placenta dele, não tinha nada de contaminação. Nasceu com quase 4 quilos. Saudável. E aí a placenta dele não estava contaminada, não foi nada. E agora a gente encontrou esse colega médico agora, que já não acompanha. Hoje já tem a fundação, os médicos da fundação que acompanham esse pessoal todo. Ele foi visitar Goiânia e pediu para vê-la.
E aí, casualmente, o filho dela, que tem 36 anos, chama Carlos Alexandre, em homenagem aos dois médicos, é uma atleta e vive em Roma. E ela já tem um netinho também. Ele já tem filho. Extremamente saudável.
Falando dos sobreviventes, das pessoas que viveram, muita gente se perguntou se aumentaria a taxa de câncer e tudo. Saíram estudos recentes, o pessoal, como o Walter falou, é monitorado, eu não sei se é todo ano, mas eles são monitorados de tempos em tempos. Não, é acompanhado, dependendo do grau de radiação deles, tem grupo 1, grupo 2, é obrigatório comparecer para ver o exame e tudo. Isso.
Como eu estava falando antes, as principais consequências acabam sendo sociais e a questão de saúde mental. Porque a consequência social, o preconceito, se você entrevista as pessoas, conversa com elas, você vê que elas ainda se sentem injustiçadas, se sentem isoladas. Elas vão em restaurante, elas são conhecidas ali na micro região onde elas moram. Então, são os radioacidentados, que é um nome que, apesar de técnico, é um nome que estigmatiza a pessoa. A versão dos leprosos que tinha no passado, como se fossem...
Os caras vão transmitir alguma coisa e não tem nenhum perigo. Não, com certeza não. A pessoa não transmite isso. Não é uma doença que você vai transmitir para ninguém. E elas estão livres. Hoje essa rejeição melhorou muito. Mas no início do acidente, logo após o acidente, nos primeiros anos era muito complicado. Extremamente complicado. Hoje são pessoas que têm a sua vida normal. Algumas vezes vão uma vez por ano para fazer o exame obrigatório.
dependendo do caso, eles não vão todo mês lá, eles têm uma vida normal, eles são acompanhados, são rastreados, eles são convocados, quando tem que ir lá para fazer os exames, volta, volta. Agora, no início o estigma foi violento, inclusive com a população, todo mundo achava que quem era de Goiânia tinha sido contaminado ou não, tinha uma fobia violento com relação ao acidente.
Walter, deixa eu fazer uma pergunta. Se você tivesse a oportunidade de voltar no tempo, você faria alguma coisa diferente? Faria melhor ainda. O que você faria diferente? Eu faria muito melhor ainda. Se fosse hoje, eu voltaria com um detetor específico. Voltaria com o celular na mão, fotografava tudo. E nesse tempo tudo.
Eu acho que a atitude que foi tomada ali, Vilela, foi a atitude correta. O momento... O mundo todo... Já me perguntou, já imaginou se fosse o HD do Rio?
Todos os cálculos que nós fizemos ali, isso ia ficar no sedimento ali. Mas isso ia dar um impacto tão grande para querer evacuar a Goiânia, que é o rio que abastecou a Goiânia. Isso seria gravíssimo. Não ia ter um impacto de radiação, porque ia se dispersar pelo rio. Não ia ter impacto em saúde. Mas só de falar que você poderia beber uma água contaminada...
calça. E não ia ter problema. Porque ele ia depositar no sedimento e ia ficar por ali. Não ia ter problema nenhum. Mas isso seria um impacto psicológico violento. O grande problema no acidente dessa parte não é você...
caracterizar, medir, descontaminar, tratar do paciente, essa coisa. O grande problema dessa história toda é o chamado, é aquele ponto de interrogatório psicológico. E isso não tem médico, né? Nem técnico, nem nada. Não adianta, porque tem pessoas, a gente sabe, não sei se eles vão com radiação, se eu não falar que essa mesa aqui é pedra, e ele pedra e pronto, acabou. Ninguém tira da cabeça dele, né?
Então, isso é natural. A gente falava, então tinha que ter um treinamento, um desgaste muito grande, e dizer que não ia ter problema, não ia ter nada. Então, era muito comum. Por exemplo, há uma cena na série que o Dr. Rosenthal bebe água. É verdadeira.
É verdadeiro aquilo lá, porque as pessoas tinham medo da... E foi boa, foi boa a ideia dele. Foi boa a ideia. E outra coisa, na Rua 57, que foi o último local a ser descontaminado, e esse local, e por que foi o último? Porque ali se concentrou todas as equipes, porque era altamente contaminado. Você tinha que fazer o trabalho na parte interna do lote lá, você poderia ficar cinco minutos e sair, depois ir outro técnico, até a gente se contaminar.
Nesse local, tem um mercado muito próximo lá, a rua toda foi isolada e evacuada.
pra gente trabalhar. Mas tinha um local lá, esse mercadinho lá, que é um hábito do Goiânia, comer muito espetinho no final da tarde, essa parte toda, fazer isso lá. Quem sumiu de lá. E casualmente, eu lembro que o doutor Rosenthal falou assim, após os trabalhos, sete, oito da noite, que a gente parava, né? Vamos no local chamar o dono do bar pra ele abrir pra gente, a gente ia tomar um chope, faz espetinho pra gente pra chamar a população pra dizer que não tinha nada.
Legal demais. Era fundamental isso. Então aquela cena dele beber na água era para dizer que a água não estava contaminada. Saúde. Também. Saúde. Homer, vamos ver algumas perguntas para a gente tocar o assunto. Vamos lá. Tem a pergunta aqui do João Paulo Gonçalves. Ele mandou o seguinte. Como que uma parada tão perigosa como essa ficou simplesmente largada num prego abandonado?
BR. Pode repetir?
como que uma parada tão perigosa como essa ficou simplesmente largada num prédio abandonado? Pergunta do João Paulo Gonçalves. Essa é a pergunta que nós fizemos durante todo o tempo. Quem tinha por obrigação cuidar dela, que era uma fonte que salvava a vida, como é que se retira a segurança de uma clínica dessa e deixa abandonada? É isso que nós técnicos inicialmente, a gente não acreditava.
A gente achava... Não, foi lá retirada, algum atentado, não, foi abandonada mesmo, a gente não entendia isso, nunca conseguimos entender. Pois é. Mas nunca aconteceu de novo, nunca. No Brasil e no mundo não tem nada igual. Tem alguma coisa que o Brasil fez, mostrou para o mundo, acabou que não teve tanta oportunidade de usar os protocolos que foram gerados aqui.
Todos os protocolos que foram gerados aqui foram incorporados, inclusive, para a Agência Internacional de Energia Atômica. Na época do acidente de Goiânia, um ano antes havia o acidente de Eurobil. E ali tinha o Departamento de Emergência, que é a Agência Internacional de Energia Atômica. Tinha o próprio departamento ali de emergência para esse tipo de acidente nuclear. E não tinha para esse tipo de acidente.
10 anos depois, foi um colega nosso que foi para a agência e que a gente começou, foi estabelecido, em virtude do acidente de Goiânia, um sistema de emergência para esse tipo de acidente. Tanto é que logo 10 anos depois eu fui para o Rio de Janeiro e eu passei a atuar como um perito da América Latina e Caribe, em curso de preparação, como preparar as pessoas, e depois voltava no mesmo país, como responder.
em caso de acidente. Então, todos esses protocolos foram disseminados no mundo inteiro, não só lá na Agência Internacional de Energia Atômica, como para a universidade, para a área médica, para tudo. Por exemplo, tinha alguma coisa, instrumentação nuclear? Tinha. Porque quando você faz a medida com o detetor, você está fazendo dentro do laboratório com ar-condicionado.
Temperatura adequada, umidade adequada. Você saía para o tempo, lá era calor, chovia. Isso alterava a medida. Tanto é que uma parte do laboratório da osteometrologia de aferição foi transportada para a Goiânia.
Então, tudo isso, todos os ensinamentos, procedimentos e protocolos, isso foi disseminado no mundo inteiro. Mas voltando à pergunta, alguns responsáveis foram criminalizados por homicídio culposo, apesar disso, a pena foi diminuída ao longo do tempo, tem que ver, cada caso é um caso.
Me parece que os três médicos foram condenados à prisão albergada, acho que três anos, não me recordo agora. E o físico também. Só que é o seguinte, a prisão albergada é aquela que você, acho que trabalha durante o dia e volta à noite para a prisão. É porque eles eram os únicos que eram terapeutas na cidade. Eles tinham que cuidar do outro hospital também.
Teve o dono do terreno também que foi condenado. Exatamente. E teve uma outra senhora também que foi condenada e recentemente teve uma outra condenação de outra coisa também. Não foi a primeira vez. O ser médico físico e o dono da clínica também. Um dos donos da clínica.
Que são os verdadeiros responsáveis do problema. Porque a população não tem culpa. Mas como que isso acontece no Brasil? Por isso se modificou totalmente os procedimentos legais dentro da comissão. Pois é. Falta de fiscalização, abandono, negligência. É isso.
Tem uma pergunta aqui da Carol Machado. Ela mandou o seguinte. Eu fiquei pensando, se eu visse um pó azul daquele brilhando, eu provavelmente ia achar bonito também. Porque parece que ele era tão inofensivo visualmente.
Que ele era o quê? Inofensivo. É porque ele não tem cheiro, ele não tem escrito César ou nada. Qualquer pessoa, eu pegaria também. Você vai numa loja de fantasia, você vê aquelas purpurinas. Purpurina. Aquelas coisas que são inofensivas. Não teria como. Qualquer um. Aí fala, os meninos... A única forma de... Os meninos pegaram aquilo porque eu não conhecia.
Qualquer pessoa poderia pegar. Se eu me desse, também eu pegaria. A única forma de detectar, infelizmente, foi quando as pessoas começaram a sentir mal. Foi quando eu fui me informar do diagnóstico, que aí a gente comecei a medir. E a única forma de identificar é medindo. Isso poderia acontecer com qualquer um.
Walter, e em algum momento ali, principalmente quando você detectou que havia uma fonte de radiação absurdamente alta, você chegou a sentir algum tipo de medo ou não deu tempo? Não, eu não senti, em nenhum momento eu tive medo. Nem quando você estava de frente para o bombeiro lá? Não, nem isso também. Aliás, quando eu estava em frente ao bombeiro, eu falei com ele bem...
foi muito incisivo me largue isso aí porque é muito sério muito sério e é sério no momento eu não sabia que era César é radioativo eu não sei a atividade disso só sei que ele é uma intensidade de radiação muito grande, não sei o que é
Nenhum momento eu tive medo. Essa é uma pergunta que sempre me fazem. O nome da criança que nasceu, vocês sabem ou não? É o Carlos Alexandre. Em homenagem aos dois médicos, Carlos Eduardo Brandão e Alexandre de Oliveira. Verdade, você falou. Porque eu ia chamar de César, né? Podia ser César. Não, e teve todos os fake news com relação a César também. Por quê? Pessoas perguntarem se a gente tinha um percentual mínimo para fazer pesquisa. Olha, como assim?
Com o SESI, é natural. Não entendi. Não entendi também. Não, pessoas profissionais mesmo. A gente vai contar se chegar aí na comissão depois, passar o tempo. Ah, se vocês tinham guardado um pouco. É, alguma coisa para fazer pesquisa. Ah, entendi. Que isso, negócio perigoso. Não teria sentido. Falando nisso, hoje em dia não se usa mais SESI para a máquina de radioterapia. Não tem mais. Não, não. O que foi? Agora é cobalto, não é só? É cobalto, irídio.
São materiais mais seguros, cuja meia-vida é menor. Hoje, a maioria do tratamento com câncer hoje é feito com acelerador linear, né? Que não tem nada de material radioativo. É ligado à tomada, a quantidade de energia muito grande que é gerada. E esse feixe é muito melhor, colimado hoje, né?
Inclusive, como é que está essa produção de materiais? É lá no Sirius? Não, é aqui no IPEM. É aqui em São Paulo. Ah, tá. É aqui em São Paulo. Entendido. É que tem um acelerador de partículas que é exclusivo do Brasil, que é aqui em Campinas. Em Campinas, que é o maior acelerador de um certo tipo de feixe lá. Enfim, não é a minha área. Nem a minha também. Então tá bom.
Pois é, fala Romero. Tem uma pergunta aqui do Chato da Esquina. Ele mandou aqui, ó. Walter, qual foi o exato momento que você percebeu? Deu ruim aqui de verdade. Foi tipo um susto ou você já sabia do tamanho da tragédia ali na hora?
O exato momento foi quando eu retornei à vigília sanitária com o segundo detetor. Eu não levei susto. Eu achei que era... Eu achei não. Era material radioativo, mas eu não tinha noção qual é a quantidade de material que tinha ali.
E qual era a atividade, qual era a dose realmente. Porque esse tipo de detetor ali, eu não conseguia medir a dose. Se eu tivesse com o detetor hoje lá, por exemplo, um teletécnico que hoje tem, que me disse aquelas, hoje, 10 cíveres por hora, eu jamais nem chegava próximo, talvez. Eu nem chegava. Então, nesse momento da segunda, que eu identifiquei que o material era radioativo, aí eu imaginei, deu ruim aqui. Essa coisa vai ser complicada.
Mas eu não imaginei que tinha uma extensão tão grande dessa. Tem uma pergunta aqui do Medo do Invisível. Medo do Invisível? Medo do Invisível. Ele mandou para o Lucas. Depois desse caso, dá para confiar que hoje não tem nada radioativo largado por aí? Ou isso ainda pode acontecer de novo?
Desse tipo de acidente não tem mais não. Agora, sempre você encontra alguma coisa, alguma denúncia de algum material radioativo, e aí tem uma equipe de emergência que é a nível nacional, que a gente atende todos. Quem é... A gente está em todo o território nacional, não está. Mas depois do acidente de Goiânia, ali o ensinou o seguinte, houve uma interação muito grande, bombeiro, defesa civil, as forças armadas, por exemplo.
Todos os pacientes foram transportados em avião da Força Aérea Brasileira. Como é que você transporta uma pessoa contaminada dentro de um avião de carreira? Não, não tem. A Marinha, o Hospital Naval Marcílio Dias, que tratou os pacientes, o Exército, que participou da demolição das casas. Ali a gente percebeu o seguinte, esse tipo de acidente só foi possível porque teve uma interação e um planejamento estratégico muito grande, principalmente por parte do presidente da Comissão Nacional de Energia Nuclear.
Esse eu considero que foi o verdadeiro pessoa capaz de identificar a gravidade do assunto e como é que a gente tinha que atuar. Respondendo a pergunta e contribuindo, eu acho que dá para acreditar que não existe, ou pelo menos onde há, está listado. Porque é a responsabilidade da Kiney fazer esse trabalho, de você listar as fontes radioativas, todo o material. Toda fonte que tem material radioativo está catalogada com a gente.
toda. Então, por exemplo, quais são as fontes que estão no Estado de São Paulo? Você tem um banco de dados que está lá, está autorizado pela comissão. Se você fizer uma inspeção lá, numa clínica, e achar um material que não está no banco de dados, essa pessoa seguramente vai ser detida. A não ser que tenha sido contrabandeado, entrou no país legalmente.
De qualquer maneira ela vai ser detida para explicar de onde ela apareceu com esse material radioativo. Então a única fonte de radiação não detectada, não catalogada, seria através de contrabando. Mas ao mesmo tempo, a intenção não seria uma intenção boa. Então não dá para a gente falar nunca, mas o que está ali é... O nível de segurança hoje com certeza é maior. Então o risco disso acontecer de novo é muito pequeno. Muito pequeno, para não dizer zero.
Pergunta da Juliana Freitas. Ela perguntou para o Walter se você já sentiu ou ficou com medo de morrer naquela época. Tipo, você sabia que estava se expondo também? Não, eu não tive medo. Eu sabia o que eu estava fazendo. Eu não tive nenhum medo de morrer. Tanto é que...
Logo em seguida eu fiz a dosimetria, estogenética, para ver qual a dose que eu tinha recebido e se eu estaria contaminado ou não. A dose que eu tinha recebido é praticamente duas vezes o limite de trabalhador. A única coisa que eu fiz foi afastar de área quente, ou seja, não participar da descontaminação e ficar no estádio olímpico ali monitorando a população. Mas eu não tive medo de nenhum momento de morrer.
Aliás, eu tinha muita vontade de viver mesmo. Que inclusive, Walter, a dose limite do trabalho é bem abaixo da dose que seria capaz de causar problemas. Se você estava duas vezes acima da dose, você ainda estava muito longe da dose de causar algum efeito clima. Pergunta do Diego Nunes. Ele perguntou se a radiação some completamente depois de um tempo ou se sempre fica algum resquício ali escondido?
Bom, a radiação não some, o material é que decai e deixa de emitir. Então, se você tem uma certa quantidade de material, com o passar do tempo ele vai decaindo até se tornar, deixar de ser radioativo. Está certo? Então, não é que a radiação some, é que o material deixa de ser radioativo. Ele passa a emitir uma certa energia e vai decaindo com o tempo.
Tem uma pergunta de mãe de dois filhos. Ela mandou o colo aqui. Walter, como você lidou emocionalmente vendo uma criança sendo afetada por algo que ninguém entendia direito naquele momento?
Eu senti muito mal quando eu retirei a lei, às 22h30, 10h30 da noite lá, eu senti uma certa preocupação, mas eu não sabia também qual era o grau de contaminação dela, por isso eu não tive tanto impacto imediatamente. Eu sabia que ela estava contaminada, poderia ser roupa.
Eu não sabia que ela estava contaminada inteiramente, não sabia que ela tinha ingerido, então eu não tinha essa noção. Mas depois, para todos nós, o impacto grande foi quando ela faleceu, que era uma criança.
Cada pessoa acho que vive essa tragédia de uma forma diferente. Logicamente você viveu lá o dia, então você sabe exatamente, muito mais do que qualquer pessoa, o que essas pessoas passaram. Mas, por exemplo, quando eu penso na tragédia, o que mais me choca é, por exemplo, a questão da demora das pessoas a entenderem que aquilo ali era um risco.
Eu fico pensando assim, como a gente já sabe hoje, é muito fácil falar, mas eu viveria com a culpa, eu sinto culpa, vamos dizer, se eu estivesse envolvido ali, eu sentiria tanta culpa, que seria muito maior do que tristeza, medo ou outra coisa. Eu fico pensando nisso, fico pensando na família das pessoas e tudo.
Olha, é muito complicado você, como eu falei para vocês, você entrar dentro de uma casa e evitar tudo contaminado. Essas pessoas, é um lar, né? E a gente entrava dentro da casa dessa pessoa, conversava com ela. Às vezes a pessoa ficava certamente, às vezes tinha uma certa relutância, aí a gente explicava, e aí já acompanhava gente de assistência social, né? E a pessoa...
passaram a entender que era melhor sair fora mesmo, era melhor sair fora do que ficar contaminado. E tanto é, isso ocorreu. Agora, em nenhum momento assim, houve relutância, briga, discussão para sair. Por exemplo...
Na série mostra lá quando foi feito o depósito, a população não era nem cidade de Abadir de Goiânia, que teve aquela manifestação para não levar os rejeitos para o local. Isso houve realmente. E depois, muito explicar que o depósito seria seguro, que não teria problema, que deveria, tinha que ser retirado da cidade de Goiânia. Esse material que era rejeito estava emitindo radiação e ninguém poderia ficar próximo. Ou isso houve.
Tem uma pergunta aqui do Sem Empatia. Mandou o seguinte. Walter, teve algum momento em que você chegou em casa e pensou isso aqui está pesado demais para mim?
Não, você estava pesado para mim, é? É. Não, eu não senti o pesado, não. Mas quando eu cheguei em casa, eu tomei o cuidado também depois de monitorar a minha casa. Porque como eu estava caminhando nesses locais possivelmente contaminados, e na série mostra, né? O doutor Rosetal tirando meu sapato, jogando... Não é bem... A primeira coisa que eu chequei foi verificar se estava contaminado ou não, né? Não estava. Eu monitorei a casa toda.
Porque pode ficar em algum ponto, alguma coisa. Então, eu verifiquei, eu tomei esse cuidado. Minha esposa não foi para o Rio de Janeiro, ela não foi contaminada também. Não houve isso. Eu não tirei a roupa para entrar dentro de casa. Eu monitorei antes de entrar dentro de casa. Tem uma pergunta aqui do Nui do Avesso.
ele mandou o seguinte, voltem, na sua visão, quem foi o maior responsável por essa tragédia? Como eu não leio o nome dos caras, se é os nomes assim, perde todo o respeito. Perde a credibilidade do podcast. Nu e do avesso. Repete, por favor. Na sua visão, quem foi o maior responsável por essa tragédia? Dá pra apontar um culpado nisso tudo?
Olha, a história já diz, né? Houve uma série de erros ali. Por exemplo, o material radioativo é o seguinte, quem tem a propriedade dele é o responsável por ele. Esse é o principal responsável. Exemplo.
Suponha, por exemplo, que a comissão um ano antes já tinha feito anual essa inspeção. Como eu lhe disse, ninguém imagina que você vai retirar uma coisa de 400 quilos dentro de uma sala, de uma casa mata, que é, por exemplo, as paredes de lado é quase um metro. Exatamente.
É quase um metro de espessura, né? A porta de entrada. Quando a pessoa está sendo irradiada, ou seja, está fazendo o tratamento de câncer, ou seja, irradiada, só fica ela lá dentro. E o feixe é dirigido no local do tumor onde ela vai ser irradiada. Isso é operado de fora.
isso era de fora, essa porta também não tinha essa porta, essa porta já tinha sido perdida, ou seja ninguém imagina, a gente imaginava que isso poderia ser possível, por exemplo, eu poderia ter feito a inspeção, a comissão ter feito um dia anterior, um mês depois entra alguém lá, tira a segurança e leva isso então independente disso a comissão acabou sendo responsabilizada também
Eu concordo, acho que os maiores responsáveis são quem detinha o material, são os donos da clínica, os donos do terreno, quem não cuidou da segurança. Só que acaba que é uma responsabilidade compartilhada, porque também você pode levar filosoficamente até atrás a falta de conhecimento, a falta de divulgação científica, vamos dizer assim, também tem uma certa responsabilidade. Se a população conhecesse os perigos...
Mas aí também você está levando assim, como que essas pessoas poderiam saber? Não tem jeito. Nas condições daquele momento ali, elas não tinham como saber. Não tem como. Se eu chegasse aqui, Vilela, talvez por aqui, você ia pegar eu também? Sem a referência? Não tem.
Tem uma pergunta aqui do Muhammad Salim. Espero que eu tenha falado certo o nome dele aqui. Qual seria o impacto real caso vocês demorassem mais tempo para identificar que naquele material era perigoso e radioativo?
Eu entendi, materioso, que é um material perigoso. Material perigoso, você viu? Eu só encurtei. Materioso. Materioso. Mas é uma boa pergunta, né? Eu acho o seguinte, isso poderia intensificar muito mais. Poderia ter espalhado mais? Poderia ter espalhado mais. Essas pessoas que foram irradiadas, se isso não fosse identificado...
poderia morrer, poderia ser classificado como uma morte comum, um surto de alguma doença, poderia ocorrer uma comorbidade, alguma coisa assim, e isso ia proliferar muito mais, muito mais gente contaminada, não seria identificado, por exemplo, o tratamento, como é que deveria ser feito.
Se a Maria Gabriela não levasse para a vigilância sanitária, isso ia ficar na casa dela. Ela ia morrer, a família ia morrer e ia ficar lá dias, semanas e ninguém ia saber o que era. E é por isso que todo mundo, ainda bem que você identificou, conseguiu identificar.
Tem uma pergunta aqui do André Matos. Ele perguntou o seguinte, se isso acontecesse hoje, você acha que a resposta seria mais rápida ou a gente ainda cometeria os mesmos erros? Não, seria muito mais rápida. Seria muito mais rápida. Hoje, por exemplo, um local contaminado, por exemplo, um dos locais contaminados, altamente contaminados.
Eu ia colocar dentro de um drone, um detector altamente sensível, ia fazer o levantamento de radiométrico, ia mapear ponto por ponto que estava lá dentro. Seria muito mais fácil. Seria muito mais fácil fotografar. Com drone? É, o próprio drone a gente faz isso. Eu sabia que já estava usando desse jeito, mas faz sentido. Não precisa do helicóptero, né? Bota no drone, vai no voo baixo. O drone está carregando quase caminhão já na vida. Não, tem drone aí.
Os caras fazem, já viu as imagens que os caras fazem de drone? Exato, não, é enorme. É enorme. Tanto é que na Ucrânia, a guerra entre Ucrânia e Rússia, são drones enormes, né? Pois é. E que jogam bomba lá dentro. Explosivos, né? Explosivos. Fale aí, Romero. Tem a pergunta aqui do Marcos Tartarossa. Ele perguntou o seguinte, já surgiram teorias da conspiração sobre esse caso? Tipo, o governo escondendo coisa, isso tem algum fundo de verdade?
Já surgiram várias teorias de conspiração. Por exemplo, no dia 29, acho que era uma terça-feira, dois dias antes, um domingo, teve a primeira corrida de motocross em Goiânia. A primeira teoria da conspiração que surgiu é que o governo do estado de Goiás ocultou.
justamente para correr a corrida. Não é verdade. Tanto é que eu só identifiquei dois dias depois. Ninguém tinha identificado nem nada. E aí sempre isso ocorreu. E isso foi feito no levantamento policial, Polícia Federal, para ver o que era. E realmente foi isso. Chegou a ser sabotagem. Não houve.
É que foi abandonado mesmo, a coisa foi abandonada e isso foi jogado à rua, as pessoas encontraram, achavam que tinha algum valor e praticamente não houve assim, levantou-se muito, mas tudo foi investigado. O pessoal que teve contato com a substância pensou de alguma forma que era sobrenatural, alguma coisa assim? Não, em nenhum momento. Em nenhum momento. Nenhum, eu conheço todos.
Nenhum deles chegou a isso. Realmente eles falam que achavam que tinha realmente valor comercial. Por isso que ficou muito circunscrito a uma área ali do centro de Goiânia, a parte antiga da cidade de Goiânia, entre famílias, porque eles achavam que tinha algum valor. E o mentor dessa história toda é o Devair, que era extremamente inteligente, que governava todo mundo.
Tem a pergunta aqui da Katia Suyama. Ela perguntou se, Walter, olhando para tudo isso hoje, você sente mais orgulho do que fez ou mais peso por aquilo que viveu? Eu não sinto, não é que eu sinto orgulho. Eu senti que é um trabalho que tinha que ser feito e eu fiz da melhor forma possível. Hoje eu posso falar que foi da melhor forma possível. Era o que dava para fazer. E acabou sendo bem feito, por exemplo.
Se questiona por que eu isolei uma área que poderia isolar a 20 metros, eu isolei a 50. Eu fui super conservador. E isso foi ótimo. Você não sabia o que estava acontecendo. Isso foi ótimo. Eu não sei. A 20 metros está bom. Tudo bem. Eu fiz mais. Como eu não estava com o equipamento adequado para isso, eu vou isolar muito mais. Tanto é que na vigilância sanitária, ali praticamente foi tudo isolado. As casas todas isoladas.
Sim. Melhor pecar por excesso. Precaução. Aqui foi. Foi. Ô Walter, devido a esse sucesso absurdo aí da série, que impacto que você acha que ele tem pro futuro?
Olha, eu acho o seguinte, a série, o ano que vem completa 40 anos desse trágico acidente, né, desse trágico acidente, mas ela serviu para mostrar alguma coisa, o seguinte, despertar um interesse, principalmente para os jovens, os jovens pesquisadores, os jovens engenheiros, físicos, químicos, entender melhor o que é material radioativo. O material radioativo não é material de acidente.
O material radioativo é o material que você usa para salvar a vida. E hoje a medicina, por exemplo, a aplicação da medicina hoje, as melhores técnicas de diagnóstico hoje são empregadas com material radioativo. Na indústria, na pesquisa, em todo local hoje você tem material radioativo. Ela serviu para mostrar o seguinte.
Tem que, como qualquer outra ciência, como qualquer outra tecnologia, tem que ter uma certa... tem que ter responsabilidade. Claro. Um acidente desse jeito pode acontecer novamente. Como meu amigo aqui falou, a probabilidade é mínima. Pode ocorrer, pode. Mas, primeiro, com esse material, a gente não tem esse tipo de material mais. Agora, há sempre alguma denúncia, algum material radioativo, tudo.
Mas serviu muito para a população dizer o seguinte, pelo mesmo símbolo de material radioativo trifólio, as pessoas já têm um certo respeito. E é muito comum, às vezes, encontrar o material e ligar para a emergência da Comissão Nacional de Energia Nuclear para a gente verificar. E por obrigação, nós temos que ir no local.
justamente. Qual é o primeiro procedimento de um plano de emergência desse tipo de coisa? A gente convoca o pessoal, é um policial militar, é um bombeiro, isola 20 metros, 30 metros até a gente chegar. Isso tudo foi, são lições extraídas do acidente de Goiânia. Agora, a série veio para mostrar o seguinte.
Não se brinca com material radioativo. Há uma certa responsabilidade para isso. E serve muito bem para que todo jovem saiba que é o seguinte, foi um acidente seríssimo e que o Brasil se capacitou para isso e resolveu da melhor forma possível. E é um exemplo para todos os ensinamentos adquiridos. A duras penas do acidente, ô Vilhela, isso foi transferido para o mundo todo.
Eu acho que, como uma consideração final aqui, eu acho que o acidente ensina três coisas. Primeiro, a questão da humanidade, de você olhar para as pessoas que estão envolvidas ali como seres humanos e que muitos deles precisam de apoio até hoje. Segundo ponto, multidisciplinaridade de ciências, porque radioatividade e estudos de física nuclear é uma ciência, mas também tem ali a epidemiologia.
Quando você pega os relatórios oficiais, você vê como foi feito o trabalho do Walter, o trabalho da equipe técnica. Você vê os mapeamentos, são os mesmos mapeamentos que é utilizado para, por exemplo, o vírus. Você mapear como é que está caminhando uma epidemia. É a mesma coisa, são os mesmos princípios. Tem pessoal médico, físico, tudo misturado ali para poder resolver o problema da população.
E a terceira coisa que deixa é justamente o que o Walter falou, que é a questão de você respeitar o risco, mas respeitar também a ciência. Mostrar para as pessoas o conhecimento, mas também mostrar para elas que tudo pode vir para o bem e para o mal. Então o respeito parte daí, de você usar a ciência para o bem.
e conseguir evitar negligências, evitar problemas. Então, para mim, esse é um grande exemplo de como o Brasil consegue resolver problemas, criar problemas também, mas resolvê-los da melhor forma possível. Todos os cientistas brasileiros são inteligentes, são cientistas de ponta.
Então agradecer o trabalho do Walter aí também, toda a equipe, porque eu queria muito estar aqui justamente para entrevistar, para poder conversar, porque o Walter representa para mim a ciência brasileira sendo usada na sua máxima potência. Se não fosse ele e outros cientistas ali na hora, a gente, igual estava comentando aqui, poderia ter tido realmente uma tragédia muito maior. Com certeza. Então agradecer mesmo.
Eu também agradeço aqui. Foi uma surpresa para mim participar desse podcast aqui, que eu achei extremamente interessante. Extremamente interessante. Já participei de vários, aliás, que eu tenho feito agora. Por causa da série. Por causa da série. Mas esse aqui, para mim, foi bem diferenciado, extremamente...
Quero voltar aqui, mas não para fazer podcast, para ficar aqui, porque eu acho que é um ambiente tão diferente, que foi tão diferente aqui. Impressionante. Agradecer você, Vilela, pelas perguntas. Agradecer a equipe toda aí, muito obrigado. Meu amigo aqui também, que é entendedor de radiação também. Mas é o seguinte, eu acho que a gente está servindo, a gente está mostrando para todos hoje o que realmente foi o acidente e o que não deve acontecer mais.
Com certeza. Obrigado demais, Walter. Se quiser deixar redes sociais, alguma coisa para divulgar, agora é a hora. Eu tenho o Instagram. Aliás, eu não tenho porque está tanta coisa para responder todo mundo. Imagina quanta gente tem lá. Do mundo todo. Até esqueci dele, mas eu te passo aqui o nome dele. A gente coloca na...
Coloca na descrição do vídeo também. Assim que você passar para eles, eles colocam na descrição do vídeo. Na descrição e no comentário fixado. E você, Lucas, também. Agora é a hora. Beleza, Vila. Canal, rede social. Obrigado demais aí, cara. Obrigado você. Você é o cara. Obrigado. Agradecer a todo mundo aí que está ouvindo a gente até o final. Para quem não me conhece, Olá Ciência em todas as redes sociais. Falo de ciência, de saúde principalmente.
divulgando ciência há mais de 10 anos. E se você quer compartilhar conhecimento com a gente, viajar comigo e com a minha equipe, que a gente vai para a África do Sul agora no final do ano, em outubro. O quê? Sim, estamos indo para a África do Sul numa viagem educativa. A gente vai levar... Cabe eu aí? Bora lá, estamos precisando. É o seguinte, a gente está montando um grupo de 20 pessoas... A gente vai colocar o link aí no comentário junto. Vamos colocar. Para dar uma força aí.
A gente está montando um grupo de 20 pessoas para poder viajar, fazer safári na África do Sul. Vão ser 11 dias lá, parques nacionais, museus. E eu estou indo com o Bruno e com a Amanda do Zoomundo, que já inclusive vieram aqui, para a gente fazer uma viagem mais para se desligar de rede social, conseguir desligar ali durante esses 11 dias em outubro.
para realmente recarregar as energias e viver a experiência educativa. É uma coisa que eu sempre quis fazer desde criança, safari e tudo. Minha mãe estava falando hoje que para eu procurar um pacote para ela, olha que coincidência para a Tráfica do Sul. Inclusive, é para todas as idades. Minha mãe está com 75. Olha, tem uma pessoa que está com 71 lá, a pessoa mais velha, que a pessoa que comprou lá, está indo sozinha. Que legal.
Porque é para todas as idades e a gente está indo com uma agência parceira que é bastante conhecida no mercado já. Fechou, então se me convidarem, eu vou à minha mãe. Bora lá. Até amanhã aí.
Não seria melhor convidar vocês para ir a Goiânia também? Claro. Goiânia é mais fácil. Goiânia é muito mais fácil, não é, Vilela? Eu vou. Então vai lá, pode marcar. Onde você mora lá? Não, eu fico em Goiânia, no Rio. Você já tem meu telefone, todo mundo aí fala, estou chegando. E aí eu vou te apresentar todos os locais, vamos fazer um tour radioativo lá. Um tour radioativo é bom. Visitar os locais, pô, é interessante essa. Mas e a comida de Goiânia, o que é bom de lá?
Bom, primeiro, você gosta de churrasco? Adoro. Você está na terra da carne. É mesmo? Então, fichou. Tem tal do piqui. Eu não gosto particularmente do piqui. O piqui eu como também. Piqui é ângulo mínimo de Goiás. Mas eu não como. É prato lá. Goiás é uma capital nova, tem 90 e poucos anos. Então, é uma cidade muito agradável, tranquila. A gente vive desse tumulto.
É quente, mas não é tão quente assim. A gente vive nesse tumulto. A minha família aqui de São Paulo, Rio também, tudo aí. Quando você chega no local daqui, parece que você está no interior. Eu até falo assim, é muito tranquilo. E aí, falar com todo mundo, vai conhecer lá também. Aproveita a série agora e vamos lá. Claro, fechou.
É ao vivo, hein? É isso aí, olha só. A gente vai bater lá na casa dele e falar, cadê o churrasco? Vamos, hein? Exatamente. E o Homer come, hein? Eu como. Ainda põe o temperar azulzinho. Exato. Temperar. Sazão agrativo. Homer, além de agradecer a quem está assistindo aqui agora e mesmo quem não deu like, porque vai dar agora.
Vai ter que dar agora, senão o dedo vai cair, cara. Quem mais a gente vai agradecer mesmo? Agradecer também os nossos patrocinadores aí, o Estratégia Concursos e também a Insider, que está patrocinando o episódio de hoje. Todos têm link e QR Code na tela, certo? É isso aí. Dá essa força porque o pessoal faz esses episódios especiais acontecerem, certo? Agora é hora de você brilhar assim como o Césio. Vamos lá. O que a pessoa escreve nos comentários para provar que chegou até o final desse papo? Para provar que chegou até o final desse papo, coloca aí iogurte radioativo.
E iogurte radioativo. Achei que você ia falar Sérgio ou então César, né? Pique. Pode ser também. Coloquem iogurte radioativo nos comentários e para o que você chegou até o final. Fiquem com Deus. Beijo no cotovelo e tchau. E que bom que vocês vieram. Valeu, fui.
As opiniões e declarações feitas pelos entrevistados do Inteligência Limitada são de exclusiva responsabilidade deles e não refletem necessariamente a posição do apresentador, da produção ou do canal. O conteúdo aqui exibido tem caráter informativo e opinativo, não sendo vinculado a qualquer compromisso com a veracidade ou exatidão das falas dos participantes. Caso você se sinta ofendido ou tenha qualquer questionamento sobre as declarações feitas neste vídeo, por favor, entre em contato conosco para esclarecimentos.
Estamos abertos a avaliar, e se necessário, editar o conteúdo para garantir a precisão e o respeito a todos.
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