1834 - DIRETORES DO PRIMEIRO FILME EM IMAX: ABDALA BROTHERS
SALOMÃO ABDALA e ANDRÉ ABDALA são diretores e produtores audiovisuais. Eles vão bater um papo sobre a Abdala Brothers e sua visão diferente na produção de filmes e vídeos. Já o Vilela trabalhou para os Lumière brothers.
- Filme To Die ForProdução independente · Filme de corrida autêntico · Narrativa e edição · Desafios de produção · Le Mans 101 · Felipe Nasser · Porsche
- Filme em IMAXExperiência IMAX · Tecnologia de película IMAX · Lentes esféricas vs. anamórficas · Filmes do Nolan em IMAX
- Carreira dos Abdala BrothersInício com GoPro · Trabalho na loja do pai · Parceria com a Honda · Projetos de alto risco · Desenvolvimento de lentes · Influência de diretores
Olá, Terráqueos, como é que vocês estão? Sou o Rogério Vileira e está começando mais um Inteligência Limitada, o programa onde a limitação da inteligência acontece somente por parte do apresentador que vos fala. Sempre trago pessoas mais inteligentes, mais interessantes e com a vida muito mais automobilística do que a minha e do que a sua, cara. Você tem uns caras que sabem filmar carros, são esses caras. Uma vida mais cinematográfica também, né?
Então, mas se fossem fazer um filme com o seu carro, seria um filme bom ou não? Eu tenho um Sandero. Então, os caras conseguem transformar tudo em arte, cara. Pode, faz o próximo Herb, o Herb brasileiro. Meu Sandero turbinado. Aí sim, hein? Herb com o meu Sandero falasse. Pelo menos é o RS. Não é o RS, cara. Como assim? Estou decepcionando vocês. 1.6, 1.0. É 1.0. Nossa, velho. Então vai ter que fazer um milagre.
Aí a limitação... Bota álcool e gasolina nele. É que nem o meu carro, se começar a perguntar muito também. Tem motor? Tem, tem banco. Mas o seu carro dá um filme mais legal. Qual que é o seu carro? É uma Defendem, mas ela está toda... Eu gosto, meio overland. Está com kit urban. O Kiron fez todo o interior. E a troca de óleo? Tem que arrancar ela assim? Abre ela toda? Descaminhar, isso aí é outro modelo antigo.
Discovery, talvez? É de outro modelo. Seguinte, diretor, como que vai ser hoje? Você sabe como é o esquema hoje? Você sabe aquele esqueminha, né? Que é um programa especial por quê? Por os nossos membros. É tão especial que eu trouxe aqui. É muito especial.
uma cachaçinha lá da China, que eu tive lá na China aqui. Bacana demais, velho. É o olho que tudo vê. Eu pensei que você estava me dando ela. Não, é uma câmera aqui de cima, olha ali. Os caras não entendem de câmera, né, cara? Os caras não entendem nada. Não, mas você tinha que virar um top view aqui. Olha que bonito. É o olho que tudo vê. Em homenagem ao Problema dos Três Corpos, que é um autor chinês, a trilogia é muito bacana.
E a gente já está bebendo aqui, vamos fazer muito louco esse episódio. Você também bebeu, diretor? Eu bebi. Então, cara, vai ser demais.
Qualquer erro aqui é culpa da bebida. Ontem, devo dizer que eu me senti importante. Você não se sentiu importante? A gente foi no Bourbon, no IMAX, só eu e você. Cara, cara. E outra, tanta cadeira para sentar, você sentou do meu lado, cara. Eu me senti num date com o Rogério Vilão. Exato, tinha tanta cadeira. Eu me senti num encontro romântico. Você podia ter pulado uma cadeira e sentado do lado. E aí o nosso amigo Klaus chegou, faltando 15 minutos para o filme acabar. É, deixa eu...
Aí é um desrespeito. E os últimos 15 minutos do nosso filme são boas. Então ele não vai poder opinar sobre nada. Nada. Mas eu e você assistimos o filme. Então vamos falar muito sobre ele. Uma sessão exclusiva. Em IMAX. Muito obrigado, Abdala Brothers. Som absurdo. Absurdo. Cara, IMAX. Quem não tem experiência de ver filme em IMAX está perdendo a vida. O cara não sabe o que é cinema ainda. É verdade. Eu já assisti cada filme lá.
Qual foi o primeiro filme que você assistiu em IMAX? Ah, em IMAX. Eu não vou lembrar, cara. Eu lembro de grandes filmes que eu assisti, né? Eu lembro de grandes filmes que eu assisti.
Quais foram os grandes filmes que você assistiu em IMAX? Blade Runner, o último. Blade Runner, eu gosto muito. Cara, ele no IMAX, a experiência é outra. Os do Nolan sempre assistam lá. Mesmo o ruim. Você sabe do que eu tô falando? Qual que é o ruim? O Tenet, né, cara? Tenet não deveria ter acontecido. Aquele filme nem ele entendeu.
Tem uma hora do filme que o cara fala assim, a menina fala assim, não é pra entender nada. Ela mesmo fala assim. Só pra sentir. Ela tá falando pra você, seu otário. Não dá pra entender esse filme. Eu gosto do que você tá falando, é muito interessante. Porque realmente, assim, de verdade, eu acho que... Porque os filmes do Nolan são complicados, mas dentro da lógica dele dá pra entender, concorda? Sim.
Eu acho o seguinte, o Nolan é o seu convidado perfeito, porque o QI do cara é, tipo assim, ele é literalmente um gênero. Tem as camadas do sonho, esse dura tanto, esse é tantas vezes esse, esse daqui acontece no seu... E aí a trilha sonora toca do mesmo jeito que deveria tocar nessas camadas, ela vai ficando cada vez mais devagar. Então, assim, o Nolan, pra mim...
Interstellar tem a música que cada batida lá é... É um dia na terra. Então assim, o cara... São muitas camadas que o cara pensa... Mas no Tenet, o que aconteceu? Ele ligou... Vamos falar de Tenet, que eu amo esse assunto. Você ama o filme ou eu amo o assunto? Não, eu amo o Tenet, mas eu não acho melhor. Não de qualquer coisa. Então vamos fazer a boa aí, né? Você se inscreve no canal, estamos chegando a 6 milhões aqui, já tem 4 milhões no outro, vai dar 10 milhões, então ajuda a gente.
Dá like, porque o papo é muito legal. Vai ser um papo. A gente vai começar leve.
No final, cara, vai ficar papo pra quem gosta muito de cinema. Mas no começo a gente vai pegar leve. Então fica aí e a gente vai no final. E torne-se membro. E torne-se membro. Porque hoje perguntas do membro dos membros têm prioridade, certo? Exatamente. Antes de mais nada, se apresentem aí pro povo. Quem começa?
Pô, Vilela, meu nome é Salomão Abdala, eu sou o... Salomão não é nome de criança, né? Quando você nasceu, imagina um bebê chamado Salomão. Salomão. Salomão, já nasceu de bigode já, né? Cara, eu sofri bullying por isso. Imagino, cara. E aí hoje, quando a minha esposa, a gente tá falando de, tipo, ter filho, ela começa a falar uns nomes, eu falo de jeito nenhum. Que é nome de velho? Não, nome diferente, não. Clovis. Não, é. Não, tem um que é tipo Águeda. Porque agora... Mas que nomes, por exemplo?
Tem um nome lá que a Tina fala. Sakura. Sakura é um negócio. Sakura é um negócio. Sakura é um negócio. Não, é o seguinte. É que a nossa nova geração quer dar nome de gente para cachorro e nome de cachorro para gente. E é um nome curto, né? Todo mundo querendo inventar os nomes. Meu filho chama Noah. É tudo um nome curtinho. Tem H no final? É, tem. Claro que tem. É a nova geração.
E aí? E aí eu sempre falo isso. Eu falo, cara, não, tipo, eu penso como essa pessoa, criança, vai estar com o nome. Hoje eu amo o meu nome. Eu acho legal. Não, adulto, beleza. Seu nome é a paz mundial, né? É, não, eu resolvo o problema da guerra, você já percebeu? Eu sou, meu nome é Salomão, que é o rei judeu. Tá. E Abdala, árabe. É árabe mesmo. Então, mano, vai lá na faixa de Gaza, vai lá e resolve o problema na hora. Dependendo do que você tá, você fala o primeiro ou o segundo nome, né?
Abdala em algum lugar. Israel é Shlomo. É. É engraçado, porque na época de escola todo mundo fazia essa pergunta até com um pouco de vergonha, porque meu nome é André. Aí ele fala, mas por que o seu nome é normal e o do meu irmão é diferente? É, faz saber. Mas se apresenta então. Cheira o uísque e cheira a mesa.
São dos mesmos elementos Subinil Fazemos tintas e bebidas É o saque da sua especialidade Subinil Fazemos saques e Bebidas Pinte sua casa bêbado
Foi assim que você pintou a geladeira? Foi tão bom. A gente não conseguiu se apresentar ainda. Vai, se apresenta. Vamos lá, Salomão. Eu sou o André Abdala, meu irmão Salomão Abdala. Nós somos os Abdala Brothers, diretores do filme To Die For, 24 horas no limite. Primeiro...
Filme em IMAX brasileiro? Primeiro filme em IMAX brasileiro e nosso primeiro filme também. Então é uma conquista de muitos sonhos que a gente está vivendo aqui agora. E o nosso filme é um filme de corrida. É um filme sobre um artista obcecado que se passa nas 24 horas de Le Mans com o Felipe Nasser, que é um piloto de ponta da Porsche, que é as 24 horas de Le Mans, uma corrida que dura durante 24 horas. E o Felipe Nasser é um dos...
maiores nomes do automobilismo hoje. E talvez a corrida mais icônica que existe. É a corrida mais icônica. Tem uma discussão que a gente fala, pô, o Indy que antes também é gigantesco, mas se a gente for falar de a corrida mais importante de se ganhar, historicamente os pilotos falariam que Mônaco é a corrida mais importante de se ganhar.
Só que Mônaco, na época do Senna, realmente era incrível. Hoje os carros são grandes, a corrida está muito previsível, é uma corrida de pole, quem faz a pole ganha a corrida. Então hoje eu acho que Mônaco tem muito do fator histórico ajudando ele na moral que ele tem, mas é uma corrida sem graça pra caramba. É que o carro está gigante hoje e nem tem ultrapassado, basicamente. Mas Le Mans, cara, tem uma questão que pra mim é bizarro de lá, porque tanto que tem até um lema que eles falam que...
Você não vence o Le Mans. O Le Mans deixa você vencer. Que bom isso, cara. Mas é insano, porque tem histórias como Fernando Alonso. O cara é destinado para ganhar. Ele queria ganhar a triplice, coroa, né? Que é ganhar as 24 horas de Le Mans, Indy 500 e Mônaco. Ele já tem Mônaco.
E aí ele estava indo para o caminho de ganhar a Le Mans e Indy 500. E em Le Mans ele está com o melhor carro, ele lidera a corrida inteira, anda bem para caramba. E o carro dele quebra na última volta, de parar na linha de chegada. Então o Le Mans não é sobre ser o piloto mais rápido com o carro mais rápido. O destino também tem que querer que você vença. Isso é muito louco. Total.
Não, eu vi isso no filme, vamos falar muito, mas agora voltemos ao Nolan, que aí eu te cortei só pra ter essa apresentação. E vamos falar também do filme de vocês, filme maravilhoso, que estreou sexta-feira passada. Isso. E a gente conseguiu ver ontem, foi maravilhoso. E espero vocês no cinema. E quero ver de novo com a galera. Vou levar a minha mãe, que é viciada em cinema, né? A Fabi sabe, minha mãe adora. Sério? Sério. E meu médico que vem aqui sempre, ele tem três Porsche.
Ele corre de Porsche. E falou que tá louco pra ver esse filme, hein? Que animal, cara.
Vou levar uma galera aí. Vamos falar do filme, mas antes vamos terminar o assunto do Nolan. Por que você acha interessante a história do Nolan? O Tenet para mim é o pior filme do Nolan. E o Nolan tem uma característica que a gente está falando aqui, o QI dele é muito alto, que eu acho que os filmes dele têm pouquíssimos defeitos. Ele vai moldando o filme dele de um jeito que...
o nível de complexidade do que ele está abordando e o jeito que roda é quase que assim, na minha opinião, perfeição. O cara é um dos melhores que já existiu e ele é muito fera nisso. E o Tenet é o primeiro filme que eu vi ele ter defeitos. Eu gosto do Tenet porque eu acho que ele... Você acha que ele fez as pressas?
Não foi às pressas. Tem um estudo muito legal disso, que eles falam que o Nolan está fazendo um hit check. Eu não entendo nada de basquete, mas o hit check é basicamente o seguinte. O Steph Curry, que é aquele cara que faz os três pontos, está jogando basquete. E aí ele começa a fazer, ele faz uma cesta de três pontos, exatamente onde conta os três pontos. Aí ele depois pega a bola, e aí ele dá um passo para trás e faz outra cesta de três pontos.
Aí ele começa a cada vez mais ficar mais longe da cesta e arremessar. Enquanto ele vai fazendo três pontos, cada vez mais ele vai pegando confiança do quão bom ele é.
até o momento que ele faz uma loucura assim que ele pega a bola, tipo, do outro lado da quadra e arremessa. Isso é um hit check, é pra tentar medir o quão quente ele está. Então se você for ver os filmes do Noam, eles vão crescendo numa complexidade, numa nível de complexidade que ele tá levando a audiência e de que ele tá se testando, cada vez mais complicado e mais complexo.
E aí quando ele foi fazer Tenet, isso é a minha opinião, tá? Tipo, de ver todos os behind the scenes, a história do filme e tudo mais. Ele tentou um conceito que era complexo até demais. Do tipo, os atores tiveram que aprender a falar russo. Mas não só aprender a falar russo, ele tem que aprender agora a falar russo ao contrário. Então você vê fotos no set que tinha o jeito fonético de falar a palavra, que quando invertesse ia parecer que ele estava falando aquela palavra. Que é uma palavra em inglês com o sotaque russo.
porque o vilão é russo. Então, assim, vendo os behind the scenes do filme, deu para ver que estava todo mundo confuso. Até o Nolan. Tipo, eu nunca vi o Nolan parar assim e todo mundo falar, peraí, onde a gente está? Essa aqui eu vou dar um soco invertido que vai para frente e aí ele cai para trás ou para frente? Tipo, estava todo mundo.
ele realmente tentou uma coisa complicada demais da conta. Que aí eu acho que é uma parte que eu admiro demais aí entender. Que tipo assim, se a gente for julgar sem pensar no contexto do filme, tipo, ah, o Tenet por si só. Se você pensar que você vai pra ter uma experiência, porque o Nolan sempre te carregou nesse tipo de experiência completamente absurda e que te faz questionar a sua própria vida. Ele faz filme e evento, né, cara?
Filme que você sabe que é um universo, que você vai entrar e tal. Você não pode morrer sem ver, né? Você fala, mano, se for morrer amanhã, o que você assistiria? É o Odisseia. Quem viu falou que é absurdo, né? 15 primeiros minutos, eu acho. A gente assistiu os 8 primeiros minutos. 8 primeiros minutos. Em película.
IMAX. Lá em Nova York. Pancada. Final já ou ainda pode mudar? Não, final. Quando ele mostra final. Isso é muito legal, porque você está falando dessa questão de filme e evento do Nola, mas é porque ele se importa demais pela experiência e por também ter esses rituais de coisas legais que ele faz. Por exemplo, o Nola foi o primeiro cara a usar uma câmera IMAX. O Nola, o que começou esse movimento IMAX?
No mundo foi nulo. As câmeras... No mundo de ficção. No mundo de cinema. Porque antigamente era um filme normal que era adaptado para IMAX. Não, IMAX é uma empresa canadense de, tipo, 1960. Eles faziam câmeras para documentários e para fazer, assim, por exemplo... Ciência. Ciência. Levar a câmera para o espaço, para filmar a terra. É porque a câmera de película IMAX é a maior película que existe.
E essa película, ela tem mais resolução que existe no mundo até hoje, inclusive. Então você usa pra filmar a ciência, você usa pra filmar o espaço. Então ela sempre foi feita pra isso, não era pra filmar cinema. E tinha alguns parques, alguns lugares que passavam isso, né? Isso, museus e centros de ciência, que são os museus lá nos Estados Unidos. E aí um dia o Nolan, maluco, falou, quero testar essa câmera no filme. E aí ele fez o Cavaleiro das Trevas. Que é toda aquela sequência do Coringa roubando o banco.
Que você ainda não viu ele, que ele está de máscara. Só para ter uma base, uma... Vou falar uma película 35mm, que todos os filmes de película geralmente sempre foram filmados nela. Ela é uma resolução equiparável a 4K. A película IMAX 70mm é uma resolução equiparável digital a 18K. Só que... Eles falam entre 18 e 21. Só que a quantidade de contraste que você tem a mais por conta da emulsão da película é absurdamente a mais. Então hoje...
mesmo com toda a tecnologia que a gente tem, a melhor câmera que existe no mundo em questão de qualidade é uma câmera de 50, 60 anos atrás. Cara, que doideira.
E aí o Nolan foi quem começou a fazer usar esses tipos de câmeras. Só que assim, o que é legal, que eu acho muito da hora, que ele valoriza... Por que o filme do Nolan é um evento e às vezes tem filmes que são muito bons, que não puxam da mesma forma? Porque ele valoriza a experiência do cinema. Ele usa todas as tecnologias e a gente acredita do mesmo jeito, cara. Tipo assim, cinema é uma arte, claro. Mas é uma arte que te dá tanta...
ferramenta pra você deixar ela mais legal? Ele usa todas as outras artes ao seu dispor. Então você tem a ópera, você tem a pintura, você tem... A pintura é onde? A pintura é a fotografia. Ah, tá, nesse sentido. É, a pintura é a fotografia. Enquadramento. E aí você tem... Quando eu falo de... Você tem o teatro que é a montagem, atuação. Então ele junta todas as artes numa só, numa coisa só. E aí quando o cara é um mestre de todas essas artes...
Então você tem uma ópera, você tem uma trilha sonora incrível, você tem uma montagem incrível. A preocupação dele com a trilha é sempre absurda. Todas são memoráveis, né? São memoráveis, mas isso de dois que soma como... Pô, da origem lá? Meu Deus, meu Deus. Pra mim é a melhor, tá? Eu também acho. Eu acho a origem... É que de Interstellar era os caras usar...
qualquer videozinho do motivacional do Instagram, os caras usam. Aí enche o saco. Uma coisa muito louca, porque assim, o meu ponto que eu estou tentando chegar aqui é o seguinte, por que são tão memoráveis? Não é só porque foi uma coisa com muito carinho feito. Porque foi colado a um bom filme, não é? Não, mas é que ele usou tudo que era o mais difícil, o mais especial ao dispor dele. Por exemplo, a trilha de Interstellar.
Ele usou um órgão, que é o órgão mais antigo do mundo, que é um lugar X da Europa, 2, o que é só autorizado para tocar... Ele é famoso por isso, né? Eu não quero coisa fácil. É só tocado por um senhorzinho, que a vida dele foi cuidar desse órgão, de uma igreja que nunca foi usado para nada. Ele conseguiu autorização para ir lá com o Hans Zimmer, e o senhorzinho tocou a trilha, e eles gravaram, e é esse órgão que toca. Por isso que ela tem tanto peso, que é um dos maiores órgãos do mundo. Sim.
E aí, por exemplo, o Nola tem esse costume de pegar e antes do filme dele lançar, tipo, seis, sete meses antes, passar os primeiros minutos de alguma sequência, oito minutos, não o trailer, porque vai apagar as luzes do cinema e todo mundo vai poder experimentar uma sequência do filme. E ele nem te avisa que vai tocar o filme.
De repente começa. Como assim? É como se fosse um trailer. Não fala, vai passar agora dez minutos de Odisseia. Você está sentado, você está esperando um trailer e começa a aparecer uma história. No meio? No meio. Eu vou te contar a escritória com a gente com o Tenet. Quando a gente foi ver Tenet.
que não foi Tenet, né? A gente tava vendo Star Wars. Sei. E aí passou os sete, oito primeiros minutos de Tenet. Quando começou, eu falei, o que é isso que tá passando? Não tem aviso, não tem logo, não tem nada? Nada. Você começa a ser... Legal, velho. É muito incrível, porque você fica assim, cara, o que é isso? Eu tô sentindo que eu conheço essa história, porque você tá... Mas...
Por que eu tô vendo um trailer longo? Que trecho que era? Era o começo de Tenet. Quando aquele cara que bate... Da ópera. Que ele entra lá, quebra... Então é muito estranho. Você fica assim, você fica se perguntando por muito tempo o que você tá vendo. Até você entender, tô vendo um filme do Nolan. E o Odisseia é a mesma coisa, entendeu? Tipo, ele começa numa conversa, assim, e aí, tipo, uns caras dentro de um lugar fechado, claustrofóbico.
Ah, é o Cavalo de Troia. Aí, de repente, corta pros caras, puxando uma corda, de repente, revela o Cavalo de Troia. Aí você fala, meu Deus, eu tô vendo Odisseia. Cara, que legal. Mas a sequência...
de arrepiar inteiro. Porque, mano, o cara recriou, né? É incrível. O som é bom demais. Vocês viram lá? Forte. A gente viu em Nova York no cinema que é o Lincoln Square 13, que é o cinema que ele faz todas as estreias em película. Então foi muito interessante. Vocês estão baseados onde? Aqui no Brasil? Mas vocês pretendem ir para os Estados Unidos? Sim. Isso é um sonho, cara. Porque, assim, eu acho que...
Não tem jeito, né? Não tem que estar lá perto. Em algum momento vai ter que estar lá. É porque, sabe o que é muito louco? Toda vez que a gente vai pra lá, e a gente procura muito ir pra lá, toda vez que a gente está fazendo algum projeto, a gente está desenvolvendo uma coisa relativa ao filme, porque é lá que as coisas acontecem. Tipo, a gente está desenvolvendo uma lente protótipo com a Panavision agora.
Porque a gente vai pra lá, conversa com os caras, tem uma ideia, faz uma coisa nova. E aí você encontra outra pessoa da indústria. O nível de evolução é muito grande. Por exemplo, a última sequência do To Die For, que você viu, aquela sequência na cafeteria, ela é filmada de um jeito que nenhum outro filme IMEX foi filmado na história.
Por quê? Porque é o seguinte, basicamente é o seguinte, você já conhece pra caramba de IMAX, você percebeu que a tela é muito mais alta do que larga, né? Normalmente, antigamente, as telas eram mais largas e menos altas. Durante a história, vou tentar ser didático com isso, que é o seguinte, durante a história do cinema, a gente tinha... Pode levar seu tempo pra isso, que é uma história bem legal. A gente tinha as películas, elas têm esse formato mais quadrado.
E aí eles exibiam em telas quadradas, pequenas. Aí eles começaram a aumentar o tamanho da tela. O que eles fizeram? Eles começaram a abrir... Que é parecido com a TV 3x4. Vamos lá. É 4x3? É 4x3. Tem aqui. A TV era quadrada. Tudo aqui se formava quadrado. Esse é 4x3. 4x3, tá. E aí tudo era quadrado. A película, quando você pegava a película de 16, 35mm, 5 perfurações, ela é super quadrada.
Só que eles começaram a querer aumentar o tamanho da tela. E eles aumentaram através do CinemaScope, por exemplo, que é você usar uma lente anamórfica. O que é a lente anamórfica? É uma lente que tem uma distorção horizontal e vai abrir essa película quadrada em uma coisa mais larga, horizontalmente.
E aí as telas todas, o cinema que a gente conhece como cinema, é tudo filmado desse jeito, com lentes anamórficas, que pegam essa imagem e deixam ela bem larguinha. Então, Star Wars, todos. 007, todos. Filmes do Spielberg, todos. É tudo lente anamórfica. Então a gente tá acostumado a ver aquele flare. Daí que surgiu a barra preta em cima e embaixo. Em cima e embaixo, que é o que você imagina como filme de cinema. Que na época não existia barra preta. A tela era aquilo ali.
Quando o IMAX veio, e é uma câmera de documentário e etc, e o Nolan resolveu usar ela lá em 2008, 2008 não, 2010 eu acho que foi Cavaleiro das Trevas, 2009, é 2009, Cavaleiro das Trevas, e a película IMAX, ela volta para esse estilo de, em vez de ser uma coisa fina, ser uma coisa alta, porque ela tem uma película de 15 perfurações, 70 milímetros de largura e 15 perfurações, então ela é muito alta, o formato é 1,43 por 1.
Que é parecido com a sua TV antiga.
E por que esse formato? É porque o formato vertical... A resposta é o que... Não, é a película. É a formada da película. É o que eles conseguiam. A maior película que o homem tinha de resolução... Por que sair do formato wide? É isso que eu... Então, o... Não, sair do formato wide é porque é o seguinte. Eles queriam ter a maior resolução possível. Eles estavam buscando resolução, contraste e qualidade ali. A maior película que o homem conseguiu criar até hoje, ela tem 65 milímetros de largura.
E aí ela era filmada com cinco perfurações, então ela era fininha. E ela passa verticalmente na câmera. Aí os caras falaram, a gente precisa fazer isso ficar maior. Então o que eles fizeram? Em vez de ela passar verticalmente na câmera, eles viraram ela para ela passar horizontalmente, então é igual a câmera de fotografia. E em vez de ter cinco perfurações, eles triplicaram para ter 15. Aí essa película tem esse tamanho. É simplesmente por causa da ciência, por causa de ter resolução.
Quando eles começaram a projetar essa tela, que agora que essa película é tão grande, você consegue fazer uma tela enorme para projetar. Você se sente caindo dentro do filme, porque ela é tão alta que você se sente participando do filme, vivendo esse universo. É porque que acontece também pela questão de um filme, você assistindo ele com uma maior amplitude vertical, ele te puxa muito mais, porque você não tem que... Pensa o seguinte, você fazer um cinema panorâmico. Eles tentaram já.
Esse Cinerama Dome. Você precisa de três projetores. Um para essa lateral, um para o meio, um para cá. Só que o problema é que, beleza, você vai sentir porque vai fechar o seu campo de visão, mas você tem que ficar fazendo assim o tempo todo. A tela vertical maior, ela enche o seu campo de visão de uma forma que é meio natural, porque a gente vê mais vertical. Eu estou vendo o gigante de você aqui. Tipo, esse periférico não me chama tanta atenção.
O Salomão aqui, o pessoal ali do lado. O que me chama atenção é isso aqui, mas eu estou vendo aquela TV. Então, te puxa mais para dentro. Então, eu vou te mostrar.
Aí traz uma imersão maior. Aí qual foi a questão? Para você filmar com a película IMAX, você não pode alterar essa película. Você não pode usar uma lente que tenha distorção horizontal, ou seja, lente anamórfica, porque não tem nem tela para projetar uma coisa desse tamanho. Então, por causa disso, todas as lentes usadas na película IMAX são lentes esféricas, que são lentes que pegam o tamanho do sensor e mantêm ele do jeito que ele é.
Então os filmes do Nolan, eles começaram desde Cavaleiro das Trevas até hoje, como ele vai usando cada vez mais IMAX, a ter menos lentes anamórficas. A ponto de que Oppenheimer... Mas tem alguma desvantagem? É gosto. Gosto, né? É gosto. Aquele flare mais ovalado. Isso é anamórfico. O flare ovalado... É.
Coloca aí uma imagem que a gente está falando, a galera não está fazendo ideia do que a gente está falando, esse flare ovalado de anamórfico. Coloca tipo J.J. Abrams anamórfico, que vai ter um monte de... Porque o J.J. Abrams ama os flares anamórficos. O flare anamórfico, na verdade, ele é horizontal e o que é ovalado é o bokeh, que a gente chama. Eu acho que nem é uma questão muito nem de gosto e questão do que você perde entre fazer com lente esférica ou anamórfica.
A questão é que você difere de tudo que é tradicional, porque ainda mais hoje em dia, todo mundo tem um telefone, todo mundo tem um telefone com uma câmera boa, todo mundo produz conteúdos, ainda mais hoje com a rede social do jeito que a gente está. Então, qual é a diferença entre uma câmera profissional e seu iPhone? Você puxa uma lente anamórfica, você traz uma textura de sistema que é totalmente diferente. É aí, ó.
Coloca um... Esse flare é da anamórfica. Esse flare é da anamórfica. E aquele glow, né? Que chama... Como chama? É boquê. Boquê. O boquê é... É isso. Coloca um esférico versus anamórfico pra, tipo, a gente ter a comparação certinha. Então, na nossa cabeça, de pessoas que consumiam o filme a vida inteira, assistindo Star Wars 007, filme do Spielberg, o que é cinema pra gente? Cinema é anamórfico.
E aí o cinema moderno hoje, que está caminhando cada vez mais a fazer filmes IMAX, porque é a experiência mais imersiva, por conta do jeito que a tela é, está parando de usar anamórfica. Então se você for ver Dune...
é o nosso novo Star Wars, concorda comigo? Com certeza. Duny não tem lente anamórfica. Não? Não, 100% esférica. Se você for ver todos os filmes do Nolan hoje, 100% esférica. Então, se você for ver o cinema moderno hoje, está cada vez mais saindo do anamórfico, porque o anamórfico gera a barra preta em cima e embaixo, e todo mundo quer ver isso tudo. Então, o anamórfico, vamos falar assim, ele está começando a deixar de ser utilizado no cinema gigantesco, que é o Blockbuster.
e tá voltando a essa ressurgência da esférica. Qual o problema disso? Eu não sou tão fã da esférica. Eu, sinceramente... Você achou a imagem aí? Pra gente mostrar. Quando você achar, me avisa. Eu vou falar, tipo... Eu sou fã de Anamorfo. Eu também. Eu sou fã dos filmes do Spielberg. Eu sou fã de assistir aquilo daquele jeito. Eu acho incrível. Eu acho que a Anamorfo, quando as coisas estão desfocadas, parece que você tá vendo um filme 3D. É uma coisa linda.
Só que você tinha um problema, que a gente queria fazer um filme IMAX, então a gente tem esse aspecto mais alto. Não tinha como resolver esse problema. Então a gente filmou o filme inteiro com lentes esféricas muito especiais da Panavision, que é a System 65, a mesma lente que o Nolan usou em Oppenheimer e Tenet, que era, tipo assim, das lentes esféricas é a mais especial do mundo, uma dá, sem dúvidas. A gente filmou inteiro de esférica com as lentes esféricas mais especiais que existem hoje, que geram qualidades até parecidas um pouco com o anamórfico.
E quando a gente terminou de filmar o filme e a gente tinha que gravar essa sequência final na cafeteria, eu finalmente resolvi o problema da anamórfica. Eu fiz alguns cálculos, alguns testes, e basicamente pensei assim, cara, e se eu pegar essa câmera e rodar a câmera, e manter a lente na orientação correta dela, eu conseguiria usar a distorção anamórfica que normalmente distorce o sensor assim, para crescer essa imagem para preencher a película IMAX.
Que é essa tela altíssima. Eu testei. Ficou incrível. Eu conversei com o Dennis Sasaki. Ele fez algumas lentes especiais para a gente poder testar. Dennis Sasaki é o... Ele é o cara que faz todo o design e projeta todas as lentes da Panavision. Ele é o cara que faz o design e cria todas as lentes. Ele é o cara mais importante. É o cara que o Nolan liga, o Tarantino liga. E fica discutindo como vai ser a linguagem do próximo filme.
E aí eu conversei com o Dano, o Dano fez um protótipo pra gente, a gente testou essa sequência final inteira filmada. E aí é o primeiro filme a preencher o formato IMAX, que é alto, com lentes anamórficas. O segundo filme é o Devoradores de Estrelas.
A gente fez antes deles. Caramba. E a gente tem esse claim que a gente pediu para a AMX. Eles lançaram antes, mas vocês fizeram... É que a gente lançou antes deles nos Estados Unidos. O filme está pronto antes. Vocês lançaram antes e filmaram... E filmamos antes. E filmaram antes. Dois anos antes. Não, não, não. Os filmes começaram a filmar mais ou menos igual. É que a gente... Um ano. Tipo, o que a gente fez foi antes. O que vale é o lançamento.
O que vale é... Para falar. O que vale é quando fechou o projeto. E quando foi o de vocês? A data exata.
Nós fechamos o nosso filme em janeiro de 2025. Foi quando a gente apresentou ele final. Tá. E isso foi uma coisa que a gente teve que verificar com a IMAX, que foi a pergunta. Porque quando saiu junto, a gente ficou quem fez primeiro. São técnicas completamente diferentes. Ele fez o contrário do que a gente fez. Enquanto eu rodei a câmera, ele rodou a lente. Só que quando ele rodou a lente, eu não gosto muito do que ele... Aí!
Agora sim. Aí sim. Irado. Olha o desfoque do anamórfico, olha o do esférico. O anamórfico parece que está vendo um filme 3D.
Cara, que legal. Você tem muito mais informação de imagem também, tem muito mais coisa. Porque você pode ver que assim, a questão é que no esférico, ele é a mesma lente que tem no seu iPhone. Certo. Então assim, no modo cinema, é isso que você vai ter. O anamórfico, ele existe uma distorção na imagem que ele traz esse look de cinema. Que cara... Ele basicamente estraga a imagem inteira e só não estraga o que está em foco.
Então o que está em desfoco está tudo distorcido. E é isso que gera, tipo, você ter uma... A imagem fica mais bonita, na minha opinião. Você pode ver que, no caso, está vendo que a imagem é mais fechada que a outra? Isso não é crop. A anamórfica, ela depende... Isso é bem legal. A anamórfica tem vários tipos de anamórficas. 1.3x, 2x... Isso é um fator de o quanto ele vai corromper a imagem, o quanto ele vai esticar a imagem. Então, por exemplo, você tem uma lente, no caso, umas 50 milímetros.
Uma lente 50mm seria equiparável com o seu olho.
Sim, ao seu olho, mas eu estou querendo dar uma referência que todo mundo vai conseguir entender, tipo, a lente 3X do iPhone? Mais ou menos, vamos falar. Ela fecha bastante, né? Só que ela dá uma distorção mais legal. Fica mais bonito do que a meio. A meio não é tudo a Bertão, a 1, e fica parecendo normal. Quando você fecha, ela fica mais bonito. É a distorção. Só que quanto mais você fecha, mais bonito fica, mas você tem menos informação. A anamórfica, você pode pegar uma 50X. Se ela for um fator 2X, no caso...
Ela tem abertura de ângulo de visão de 25 milímetros, só que a distorção de 50 milímetros. É um hack. Então, assim, você vai pegar a quantidade do que é uma meio, mas com a distorção dá três. Então, você vai ter muita informação com...
A distorção é bonita. Entendi. Então, por isso que a anamórfica é tão legal, mas o que a gente está desenvolvendo, que é um protótipo único com a Panavision, a gente está, inclusive, patenteando isso, porque nunca foi feito, que é o que a gente testou no nosso filme, fez esse protótipo com eles, e agora a gente está lá em Hollywood com eles, desenvolvendo essa versão final. A gente estava lá semana passada, que ficou pronta V2, a gente está ajustando algumas coisas, vai ficar pronta em um mês, a versão 3 da lente.
Que é uma lente que ela vai inclusive quebrar alguns recordes. Porque nunca foi feita uma lente anamórfica. Com o fator de distorção que a gente está fazendo. Ela vai ver o mesmo tanto que a sua câmera meio do iPhone vê. Mas ela vai ter a distorção de uma 50. Ou uma 70. Não tem nenhuma distorção. Sem dúvida. E a imagem, a gente fez alguns testes. E a imagem é uma das imagens mais lindas que eu já vi. Testando numa salinha com uma mini luz.
Entendi. Vamos falar então da carreira de vocês. Como vocês começaram nessa vida de audiovisual?
Cara, nossa família, nós viemos de uma família que em casa nunca teve futebol. A gente não torce para nenhum time, nunca fui no estádio. Torce para o Brasil na Copa. Só no Brasil na Copa, nunca fomos no estádio de futebol. O nosso jogo de futebol de domingo era Fórmula 1, X Games, moto, kart, corrida. A gente sempre foi apaixonado com isso. Meu pai sempre foi apaixonado. Colocou a gente desde muito cedo a andar de moto. Quando a gente tinha quatro anos de idade, a gente começou a andar de moto sozinho.
e nosso sonho sempre foi muito doido, porque assim nosso sonho começou como querendo ser atleta e muito cedo quando eu tinha 9 anos de idade quando a gente começou a competir, começou a correr de motocross, eu tive um acidente e com 9 anos eu quebrei 5 ossos aqui inclusive foi uma fratura exposta caramba, quase morreu quase morri, e foi aí que meu pai falou, não cara, vamos uma coisa mais leve calma Alright
E assim, mas mesmo assim o nosso sonho, cara, a gente sempre foi apaixonado com esporte radical, a gente sempre queria estar próximo. E aí foi bem numa época que a GoPro estava surgindo, que revolucionou o jeito de você mostrar esporte radical, que era a primeira pessoa. E nós temos uma ascendência árabe e somos mineiros também. Então, assim, cara, eu acho que é muito da cultura e nossos pais desde muito cedo disseram para a gente que se você quer alguma coisa você tem que correr atrás.
Não espera cair do céu. Não existe. Não vou te dar. Não vou te dar. Então, nosso, meu pai tinha uma loja de carro, revenda de seminovos e aluguel de carro. E vocês nunca pensaram em seguir esse ramo? De carro? Era o que a gente pensou a vida inteira. Era mesmo? A gente tinha certeza que é isso que a gente fazia. Então, quando muda isso? O que mudou foi o seguinte, a gente estava pirado nessa ideia da GoPro revolucionando o YouTube e vendo aquele tanto de vídeo. O sonho era ter isso, mas... Mas para quê? Para brincar ou...
Virar atleta, o sonho era virar atleta. Só que muito cedo, meus pais falaram, tipo assim, cara, não tem grana pra isso não, esquece, não dá pra você virar piloto, custa caro demais, não dá certo. Aí a gente queria comprar a GoPro, não tinha grana pra comprar a GoPro, a gente tinha que trabalhar pra conseguir juntar essa grana. E aí, um dia, em 2013, a gente ganhou um sorteio a GoPro. Tava até no X Games, a gente conseguiu no X Games, era a nossa Copa do Mundo, é a viagem dos sonhos, assim.
e lá eles sortearam duas GoPros, uma delas a gente ganhou. E a partir do momento que a gente ganhou essa GoPros, a nossa cabeça desbloqueou. Nós vamos conseguir virar atletas ou viver esse mundo que... Esquece, a gente vai fazer um vídeo que a GoPros vai postar e a gente vai fazer os vídeos mais loucos de todos. Ela nunca postou. A GoPros nunca postou um vídeo nosso. E aí a gente começou a fazer vídeos de vários esportes. O esporte que a gente começou a mais fazer vídeo foi de Wake.
A gente queria muito andar de wake, wake também é um esporte caríssimo, você tem que ter prancha, capacete, culete, tem que pagar lá pra andar no Cable Park. Só que o filho do dono do Cable Park é o melhor atleta do Brasil, hoje é um top 3 do mundo, é um brasileiro chamado Pedro Caldas. E a gente tem mais ou menos a mesma idade, a gente começou a fazer vídeo dele.
E a gente trocava os vídeos com o pagamento de permuta. Então ele deixava a gente andar no cable e dava todo ano um kit de prancha para a gente, para cada um, e a gente conseguia andar lá. Só que foi muito engraçado, porque nossos amigos começaram a chamar a gente mais para filmar do que andar junto, porque a gente começou a ficar muito bom na filmagem.
Foi mal legal, né? Porque os atletas, os caras massa começaram a chamar a gente pra andar junto. Ficaram lá pra dar o rolê, porque a gente tava aprendendo ainda. Mas era pra filmar eles. A gente começou a perceber, nossa, a gente é melhor atrás da câmera do que andando junto com eles. E sem problema também. Não, vamos estar junto. Só que aí, cara, foi muito louco, porque do esporte virou uma chave de tipo, pô cara, a gente gosta demais desse negócio de fazer vídeo.
Isso é muito da hora. A gente consegue fazer uma coisa diferente. Aí a gente criou a assinatura, Abdala Brothers, era eu e o Deco editando e a gente não tinha nem, tipo, placa de vídeo no computador, mas...
Tipo, tinha que editar a cegas. Tipo, você editava, renderizava e via se ficou bom. Aí tipo, não tinha playback. Tipo, não dava pra ver se o vídeo tava ficando bom. Tipo, a gente tinha que renderizar, esperar algumas horas pra ver porque não tinha playback. Que doideira, cara. E aí nesse começo... Errou o 5 e tinha que renderizar de novo. E nesse começo, assim, quando a gente começou a fazer vídeo, tipo, a gente fez de tudo, cara.
A GoPro que vocês ganharam, qual que é pra ele colocar aí na tela? A GoPro foi... Hero 3. Hero 3. Hero 3? Hero 3. Hero 3. Era boa?
Não. Na época era maravilhosa. É, mas a gente achou o máximo. Qual que era o problema dela? O problema dela é que ela não tinha a estabilização interna que as GoPros hoje tem. Nossa, cara. Tudo muito tremido. Isso mudou o jogo. Era igual, tipo aquela ali que você tem ali, tem uma ali, aquela ali é a Hero 1. É a original.
É, a Insta é bem boa. Estou mostrando a câmera, galera. Toda vez que ele estiga para cá, eu acho que ele está em frente à câmera. Mas não é só você, todo mundo, né? Você tem que colocar um aviso aqui. Eu vou colocar aqui e todo mundo pega assim. É muito louco, né? Fico feliz que eu não estou sem saio ainda. Aliás, vocês não me deram o presente inútil, cara. Ah, presente inútil. Está no momento perfeito. Já começamos a conversar.
Está no momento perfeito. Está aí dentro. Está aqui dentro? Não, está aqui, ó. Aí o...
Aí o Vim fica me cobrando. Cadê o presente inútil? Fica me mandando aqui. Eu quero presente. Já que a gente tá falando de... Sabe por que ele chama Vim, né? Não, não.
Vim diesel. Vim diesel. Porque quando ele veio aqui, acabou a força. Não é, cara. É porque eu sou um piloto muito bom. É exatamente por isso. E ele ajudou a consultar o gerador. E ele chegou aqui com cheiro de diesel. A mangueira de combustível do nosso gerador estourou. E eu fui lá remendar ela. Fiquei banhado a diesel.
Aí virou o Vinho. E ganhou o apelido. Aí veio o Vinho e depois o Diesel. Você já conheceu o Can I Hugs lá? O cara que é o sósia do Vin Diesel? Que eles colocaram no pânico. Cara, você viu? Esse é o melhor vídeo da internet. Eles botaram dois sósias do Vin Diesel e falou, você vai conhecer o Vin Diesel. E os dois não falam inglês. Cada um achava que o outro era o Vin Diesel. Can I Hugs? Nossa, cara. Can I Hugs? Muito bom. Ó, o seguinte. Presente inútil.
É um presente que representa a nossa história, como a gente começou e como a gente trata os nossos limites e tudo que a gente quer fazer. Então, essa aqui, ó. Cara, olha aqui, toda detonada.
Essa foi usada, hein? Essa foi usada. Essa é uma Osmo Action 6 protótipo. Então essa câmera foi antes dela existir. Mandaram para vocês? A gente fez o comercial de lançamento dela para a DJI Global. O que aconteceu? Caiu de um carro fazendo drift em Tóquio. Não, não só caiu. Porque caiu não faz isso, né? Foi detonada. Um outro carro passou em cima. Ah, tá. Que legal, hein, cara. Vocês vão deixar aqui? Aham. Pô, que legal, velho. Tem histórias aqui. Muito bom. Muito bom mesmo.
Aí, ó. Daquele jeito. E aí, essa aí... O Pedro da Caravan aqui do Ricardinho é CF. Ó, CF é lendário. Que foi pra Las Vegas, né? É. Nossa, que insano, é. Tem história. Mas foi bem legal, cara. E representa muito o nosso buscar o limite sempre, sabe? Então, às vezes, a gente vai acabar quebrando uma coisa ou outra. E a gente começou filmando de action camera. Então, é isso. Não é GoPro, mas é a melhor agora de hoje em dia. É DJI.
E aí foram fazendo... Aí 2013 até 2018 a gente foi fazendo vídeo, cara. E a gente ficou bom de fazer vídeo. Foi aí que a gente descobriu. Cara, acho que a gente é bom, porque a galera gosta muito. Só que a gente trabalhava na loja do meu pai. E assistindo muito filme no cinema. Muito filme no cinema. E ainda não entendendo porque a gente gostava tanto daquilo. Mas assim, é muito engraçado, porque esse tempo foi muito importante pra gente descobrir o que a gente queria fazer e o que a gente não queria fazer. Porque assim...
A gente trabalhava de manhã, estudava, de tarde trabalhava na loja de carro do meu pai. A gente começou como lavador de carro e depois foi para vendedor, motorista. A gente ganhava R$5 para lavar carro. R$2,50 para cada um. O pai é árabe, então o negócio é bom para a gente. Nossa, o cara explorando os filhos. O negócio é bom para a gente. O bom era quando chovia. Que a gente precisava nem molhar o carro, nem enxugar. Você já falava metade de serviço. Metade de serviço. Lavei 30 carros hoje. Como?
Tá chovendo. É. Mas aí, cara, assim, foi nessa época que a gente começou a fazer vídeo de tudo quanto é tipo de coisa. A gente fez casamento, vídeo pra imobiliária, clipe de um cara da nossa igreja lá de saxofone. Tudo, cara. Tudo que você pode imaginar. E aí a gente descobriu as coisas que a gente não queria fazer.
Curso uma vez, naquela época Segurança do trabalho Eu não gosto disso aqui Mas eu gosto quando eu estou fazendo Um assunto que eu ligo e me importo Bastante e foi aí que a gente Definiu a nossa linguagem A gente aprendeu a fazer vídeos do começo ao fim
Então em 2018 a gente fez um vídeo para um piloto da Honda que chama Eric Granado. Esse vídeo a gente postou no Facebook na época, ele está no nosso canal de YouTube acho que a gente deu um reupload, mas ele foi no Facebook na época, acho que deu uns 300 mil views. Ele explodiu. E todo mundo falando sobre o vídeo, três meses depois eu estou lá trabalhando na loja de carro, recebo uma ligação o cara fala, alô, é da produtora Abdala Brothers?
E cara, não tinha produtora. Nunca tinha ouvido uma ligação dessa da produtora Abdala Brothers.
Não tinha CNPJ. E eu falei, é, é da produtora Abdelabrosa. Ele falou, meu nome é tal pessoa, eu trabalho no marketing da Honda. Foi a produtora de vocês que fez o roteiro desse vídeo, do Eric? Foi. E foi a produtora de vocês que fez a produção também?
Foi. E foi a produtora que fez a edição. O produtor era eu e meu irmão editando embaixo da escada de casa num PC sem placa de vídeo. Mas foi. Não falei isso pra ele. Então vamos marcar uma reunião. Resumindo a ópera, a gente chegou na ronda pra uma reunião. O André tinha uns 18 anos, eu tinha 20. Ele com esse boné pra trás, os caras ainda...
pediu pra tirar o boné pediu pra tirar o boné cheguei e entra tem que tirar o boné não pode entrar de boné era o segurança nossa véi tá bom humilhação você já chega assim com a moral meio eu falo que quando a gente for fazer o nosso primeiro filme tipo nível Hollywood eu vou fazer um que nem o do James Cameron o James Cameron tem um bonezinho dele que ele fez Motherfucker in Charge
E aí a gente chegou na Honda E resumindo a história Eles basicamente falaram Nós queremos contratar vocês Para filmar a nossa equipe durante o ano inteiro Fazendo o que vocês fizeram E para desenvolver uma linguagem Da Honda Racing no Brasil De vídeo Isso foram um mês de reuniões E a gente ia para lá
conversando com eles, desenvolvendo ideia. Eu olhei para o André e falei, cara, nós ficamos ricos. Tipo, realizamos o sonho. Agora a gente vai estourando. Estouramos. Estouramos no norte. Aí eu falei, mano, quanto que você quer ganhar? Olhei para o Salamão e falei, mano, 3.500 eu estou bala. O cara deve ter entendido nada. Véi, 7 pau, vamos colocar 500. Não, 7,5, 500 de custo. 500 pau de gordura ali de custo para qualquer coisa que aparecer. Ia ter que viajar o Brasil inteiro, mano. A gente errou muito, mas...
Mas assim, para nós foi tipo um sonho, cara. Eles aprovaram o contrato muito rápido, não entendi o porquê. E o contrato foi a coisa mais legal também. Assim que a gente fez o orçamento, eles fecharam quase muito rápido, sem negociar nada. É, a gente achou que eles iam achar muito caro. E aí, mano, os caras viraram para a gente, não, beleza, vamos fazer o contrato. Só que na hora eu falei, putz, fodeu, a gente não tem CNPJ. Eu lembrei na reunião, eu falei, faz o seguinte.
deixa que o meu jurídico faz o contrato meu jurídico uma equipe de mas na época a gente tinha várias assinaturas falsas tinha Rita do financeiro, João do atendimento Pedro do Solomão, várias assinaturas a gente falou assim se a Ronda tiver noção que são dois moleques de 20 e 18
fazendo esses vídeos aqui, eles não vão contratar a gente. E a gente sabe que a gente dá conta de entregar. A gente sabe que eu vou fazer uma coisa que eles vão ficar surpreendidos. Só que eles não podem saber da nossa estrutura ainda. A gente tem que criar essa estrutura. E aí foi por isso que na reunião eu falei, deixa eu e o jurídico fazer. Demora uns 15 dias para o contrato sair e a gente manda para vocês.
Merda nenhuma, porque eu sabia que em 15 dias, mais ou menos, se fosse na junta, saiu o número do CNPJ. A gente saiu do reunião da Honda, foi no contador para abrir o número do CNPJ. Assim que saiu, eu peguei um contrato de compra e venda de carro da loja, troquei em vez de vender um carro um vídeo, o comprador a Honda, vendedor nosso CNPJ, o Abdella Brothers, e mandamos. Tinha duas páginas o contrato, não tinha merda nenhuma de licenciamento de imagem, de direitos, de nada, de nada.
Eles devolveram o contrato falando que estava tudo errado. É, foi uma merda dessa que demorou 15 dias para sair.
A gente começou a fazer vídeos pra Honda. O primeiro vídeo demorou um mês pra ser aprovado, porque eles não acreditavam que a gente não tava cobrando um extra deles pra aquele vídeo. E aí eles fizeram a gente mandar um e-mail garantindo que a gente ia manter a qualidade do vídeo. Falando, você me garante que se eu postar esse vídeo agora, o próximo não vai ser pior?
Aí eu falei, não, eu te garanto que o próximo vai ser muito melhor, porque essa é a minha primeira vez em Interlagos. A segunda eu vou estar conhecendo mais ainda, eu vou saber de novos ângulos, novas coisas. E aí a gente criou um lema, né, que era tipo... A gente sempre teve esse lema, na verdade, que era eu vou destruir o Abdala Brothers do vídeo passado. O meu objetivo é fazer o do vídeo passado parecer que eu nem sabia fazer o que eu sabia fazer.
E aí nossa evolução foi realmente nesse ano de 2008. Exponencial. Exponencial. A ponto de que eu recebi uma segunda ligação no fim do ano de um cara que trabalhava no marketing da Mercedes-Benz. Tem um vídeo aí? Ah, eles conseguiram o vídeo. Olha só. Comentar. Melhor, melhor. Ele está falando que ia ver. Esse qual que é que você... Vamos fazer um vídeo acompanhando e comentando. Mas para a gente está sem som.
Se tivesse som, você ia ver a gente ripando o Hans Zimmer em Dunkirk. É mesmo! Tem um relogio de Dunkirk nesse vídeo. Mas o que é o lance aí? Cara, isso foi a primeira vez que a gente estava filmando com a Honda, numa garagem de moto. E assim, foi muito louco, porque na equipe inteira, foi só eu e o Salomão. A câmera era uma GH4.
De H4, eles fizeram a primeira vez a gente voando com o Spire 1 No Interlagos E assim, tem uma história muito louca com o Spire Foi que a gente nunca tinha ido pra Interlagos E Interlagos é muito concreto E o que acontece? Tem muita interferência Na hora que foi decolar pra largada Da corrida, o drone O drone deu interferência e falou Não decola direito, nem ligo As motos apontando Desespero, irmão, eu ajoelhei e orei Botei na mão do drone Em nome de Jesus, senhor, liga esse drone
Mano, o drone ligou e decolou. Eu falei, amém e vamos embora. E aí a gente chegou e falou, continuou. Você acredita em Deus, né? Acreditamos na sua descrição. Depois disso, irmão, quem não acredita? Deus te manda uma resposta na hora. E depois você fala, será que Deus existe? Pô, ele levantou. Cara, o drone, ele estava preocupado com fome na África.
em guerra. Um monte de coisa. Na hora do meu drone. Aí vem um abdala lá e fala, Deus, ajuda a levantar esse drone. Ele fala, ah, tá, beleza. Esquece a criança na África. É o drone do André. Se você existe, levanta o drone. Tá bom, ele tocou o dedo, levantou. E se ainda falar que não existe, velho. Irmão, tá maior pra o meio. Pra todo mundo que é ateu tiver vindo aí, esquece, vai rolar pro seu drone.
Mas, mano, os deus pra muita coisa. E só vocês dois fazendo tudo, tudo, tudo. Aí, ó, esse é o shot de drone que o drone tinha acabado de ser... Tinha acabado de dar benzido. Benzido e decolado pra fazer os shots. Mas, cara, esse final de semana foi absurdo. Absurdo, absurdo de louco. É, isso foi a nossa primeira vez em Interlagos. Nunca tinha pisado na pista. Qual que era o briefing?
nenhum, eles só precisam de gente lá inclusive toda a nossa carreira é mais ou menos assim os clientes que nos contratam das grandes marcas vem com a página em branco, tem um produto pra lançar o que vocês querem fazer, como que a gente vai fazer isso e aí a gente estuda o produto do cliente e a marca pra fazer um produto pra ele se eu falasse assim pra eles, o diretor faz um documentário sobre o podcast a gente vai fazer seis anos só o brinco é exatamente gostei da ideia ia começar com a vaiana de pau voando ia começar com a vaiana de pau voando a vaiana de pau voando
Pô, ia ser demais, né? E a gente ganhou aqui. Quem mandou fazer? Mentira. Quem foi o convidado que deu para a gente aqui? O cara mandou fazer. Graças a Deus, minha mãe não tinha isso. Se insistisse isso daí, estava arrebentado. Minha mãe já bateu. Você não tem ideia da influência que você tem nas pessoas da minha geração.
vocês não tem noção da influência boa estragou o cérebro eu não esqueço de chegar na escola e todo mundo zoando Mr. M Mr. Brasile eu vi assistir no Partoba Partoba é muito bom Partoba operava eu lembro até hoje que o Prime Partoba é o 4, 5, 6 até hoje eram os melhores muito legal
Mas, voltando para a história. Vamos lá. Então, a gente fez esse vídeo, o Honda contratou, o Honda aprovou o vídeo, demorou para provar, porque eles não acharam que a gente ia conseguir entregar a qualidade, a gente melhorou para caramba. Aí veio o pessoal da Mercedes, estava acompanhando todos os vídeos, contratou a gente para fazer vídeo para a Mercedes. E aí, depois de Mercedes, veio Porsche, Red Bull. A gente rapidamente estruturou uma produtora.
onde o nosso tipo de trabalho era fazer trabalhos, a gente até fala isso, que o Abdallah Brothers é Special Operations e toda hora que alguém fala que uma coisa é impossível e não dá, é ali que a gente gosta de entrar, é esse lugar que a gente se sente confortável. O João Adib foi lançar um remédio, que eles estavam fazendo um teste do remédio no espaço e precisava de fazer um filme em gravidade zero.
E aí? E aí a gente foi lá, lá na NASA, lá nos Estados Unidos, no Kennedy Space Center, tem um voo de zero gravidade, que você voa, aí fechou o lábio. O avião, né, que fica dando os mergulhos? Exatamente, mas aí tem uma questão. Só que só pode duas pessoas filmar, porque eles estão fazendo um monte de experimentos da NASA ali atrás.
Isso é legal falar, porque o seguinte, esse projeto, no caso, quando você vai fazer, você pode contratar pra ir. É caro pra caramba, mas pode. Só que, tipo, é um voo que ele tem 10 parábolas. Só como que a gente ia filmar, precisava de muito mais. Precisava de umas 30 a 40. Então, é esse vídeo. É esse vídeo mesmo. Isso aqui é em gravidade zero. Isso não é, não tá sendo pendurado, é gravidade zero de verdade. Ah, e um parênteses, sou eu de um astronauta.
Ah, é? Porque chegou na hora, o cara que era pra ser um astronauta pra gente, que era um instrutor dessa empresa, o cara, velho, era muito...
Muito molenga. Eu fui trocar ideia. Quando eu apertei a mão dele, o cara direitinho falou. Eu falei, você já fez o Moonwalk? Tinha uma cena que a gente queria fazer o Moonwalk, sabe? Acho que ele pensou no Moonwalk do Michael Jackson. O cara, não, eu já fiz dez. Eu falei, quantos voos você já fez? Ele, dez parábolas. Dez parábolas ou dez voos? Ele não dez parábolas. Então, quantos voos? Um.
Aí, mano, na hora eu olhei pra sua mão, velho, você só tem uma pessoa que eu confio... A gente só tinha duas pessoas pra filmar, aí o André falou, não, agora só tem uma. Eu vou dar minha câmera pro outro cara aqui que é instrutor e eu vou ser o astronauta, que eu pelo menos me mato ali, mas eu vou fazer isso acontecer. Eu sei que vai dar certo. Então, assim, a gente costumou se especializar nesses projetos que são bem difíceis de gravar.
Então, Letícia Buffoni um dia acordou de um sonho maluco que ela teve e falou quero mandar a manobra de skate mais alta do planeta Terra.
Então eu vou subir num avião militar, instalar um corrimão na ponta dele, vou sair e vou mandar um grind nesse corrimão e pousar no ar, que vai ser a manobra mais alta de skate. Como se filma essa merda? Não sei. Aí a gente entrou no projeto e desenvolveu todo um filme da Letícia, super inspirado no Missão Impossível. Pegou um Hércules C-130, que é o mesmo avião que foi usado em Velas Furiosas. Isso a gente filmou lá na Califórnia.
Ele construiu uma pista de skate dentro do avião. E a gente prendeu as câmeras para fora do avião igual você prenderia uma GoPro. Mas aquilo ali é head, é câmera de cinema. E o medo de cair. Então o cara que prendeu a câmera... Por isso que o presente é aquilo. Porque a gente sempre vê a tecnologia e as câmeras e tudo que a gente usa a favor do que a gente está querendo fazer. Então eu não tenho dó de colocar uma câmera para fora, uma head dessa para fora com uma lente Panavision que estava ali.
Óbvio que você não pode ser responsável sem noção. Vai para o meio do vídeo. Mas...
Traz esse tipo de qualidade, traz uma coisa que a audiência não viu ainda. E aí, cara, esse projeto... O cara que pulou com a Letícia, filmando ela com a câmera na cabeça, é o mesmo cara que treinou o Tom Cruise no Missão Impossível, que pula naquele Halo Jump.
E é o cara que pulou com a Letícia filmando ela. É o cara que filmou Missão Impossível pulando com o Tom Cruise. E o cara que pendurou as câmeras, as heads nas asas que a gente está usando, igual algumas GoPros, é o cara que construiu os mesmos suportes para o filme Top Gun Maverick. Então a gente foi atrás dos caras que trabalhavam nisso. Ela faz o grind e pousa, está vendo? Nossa, mano.
Então a gente sempre se especializou nesses projetos, são meio difíceis de filmar, entendeu? Tipo, não tem muito um jeito bom de filmar isso aqui com câmeras de cinema. A gente sempre tentou. A gente sempre fala que a gente usou os projetos dos nossos clientes para nos treinar. Cadê? No shot anterior você vai ver. Volta, volta um shot para você ver. Se você pausar, você vai ver. Eu te falo para... Não, pode deixar aí. Vou te falar na hora de pausar. Dá para ver no cantinho amarrado ali.
Pode usar. Ali, de bonézinho. Cadê? Ali, no escuro ali. No canto direito. No canto superior direito. Vai ver um bonézinho rosa. É isso aí. A gente amarrou ele no avião porque eu tinha medo dele correr e pular junto com a letra. Porque o shot estava legal. Esquecer, né?
Estava com paraquedas pelo menos? Não. Foi a discussão que a gente fez. Eu falei para o Luke, que era o cara que cuidava da segurança. Eu falei, Luke, meu irmão é meio maluco. Se ele vê que o shot está ficando legal, ele pula. Então prende e bota o paraquedas. Ele falou, então, você tem que escolher. Ou eu boto o paraquedas ou eu prendo. Porque se eu prendo e boto o paraquedas, ele fica para fora batendo na aeronave com o paraquedas aberto.
Meu Deus. Nossa, que situação. Que situação bacana, né? Então a gente meio que, tipo, a gente está acostumado. A gente se especializou a fazer esses tipos de projetos. Eu acho que entra uma dificuldade. Entra legal porque a gente tem passado de estar aqui para conseguir ter essa conversa um pouco mais longa que é o seguinte.
O motivo que a gente começou essa jornada era porque a gente começou no meio com o sonho de ser atleta. E a questão de atleta em alto nível, em questão até em esportes de velocidade, ou seja piloto, ou seja esportes radicais, você tem uma questão de uma mentalidade competitiva.
É muito competitivo de eu quero ser o melhor no que eu faço. E o que é o melhor para eu conseguir chegar lá? E para a gente sempre foi muito pessoal. A gente nunca fez e que pensou em fazer. Vamos fazer publicidade, vamos fazer cinema, vamos fazer os comerciais, os projetos, pensando em grana ou pensando em fazer isso, porque é da hora demais.
Sempre teve uma coisa pessoal para mim de estar, desde aquela época da Honda, de a gente tem que dar um pau no Abdallah Brothers no vídeo passado. Então, a gente nunca se acomodou. A gente começou fazendo vídeo de evento e aí a produtora cresceu, a gente começou a pegar esses projetos maiores autorais.
A gente parou de fazer evento. Porque, tipo, pra mim chegou uma coisa ali que, por mais que a gente chegou num ponto que a gente mandava muito bem, estavam clientes muito legais naquilo, tipo, perde um pouco da graça de... Pô, eu já meio que descobri a fórmula de fazer isso legal. Eu quero ir pro próximo passo, o que vai me continuar desafiando, sabe? E aí, isso foi chegando num ponto que a gente olhou, começou a criar uma paixão muito forte pelo cinema.
E, cara, como qualquer moleque que corre de kart, você manda pra ele qual que é o seu sonho, onde é que você quer chegar?
Fórmula 1. Fórmula 1 é o Endurance, é o Alemã. É nesse alto. Por quê? Porque eu quero me desafiar com aquela máquina para ver se eu sou realmente bom do jeito que eu acredito. Por isso que eu trabalho para cacete. Não tem um cara desse que chega no topo sem ser obsessivo. Você tem que ter uma obsessão absurda. Não só no automobilismo, mas no cinema também. Aqui, cara, eu sou obsessivo com cada detalhe. E às vezes eu penso, cara...
Por que eu sou assim? Mas não tem outro jeito você conseguir manter a parada no alto. A gente chegou aqui e você está nas câmeras. Exato, exato. A gente está com luz e tal. É aquele lance de cada dia você tentar melhorar uma coisinha, tentar trazer uma coisa nova. Eu acho isso muito interessante. Eu acho que você descobrir qual é a sua paixão. Exatamente. Exatamente. Porque não é trabalho, não parece trabalho. E esse é o problema.
Esse é um problema. Porque quando a gente fala isso... Invade a tua vida pessoal. Essa frase motivacional linda com o som de Interstellar no fundo, a pessoa acha...
Não, é que assim, descubra o que você gosta de fazer. E você nunca vai ter que trabalhar um dia. Você nunca vai ter paz na sua vida. Exatamente isso. É basicamente assim, ah, não é trabalho. Não, não é não, é porque você dorme pensando nisso, você acorda pensando nisso, você trabalha mais que 12 horas por dia pensando nisso. Eu chego a dormir, cara, estou lá vendo vídeo, vendo coisa nova, tendo ideia nova, não tem jeito, cara.
Mas o contrário disso também é um vazio, né? Cara, eu sou muito feliz de ser assim. Eu também. Eu sou muito... Viagem, cara. Na viagem de turismo, eu estou com a cabeça no trabalho. E não é ruim assim. Não, não é uma coisa produzindo conteúdo. Mas é porque você encontrou uma coisa que te move e uma coisa que te faz desafiar, que é o sonho, que é encontrar a sua paixão. E para a gente, no nosso caso, foi nesse momento que a gente descobriu que isso era o cinema, que isso era a obsessão de falar, cara...
o Nolo um dia foi nada. O Tarantino um dia foi nada. O Tarantino também um dia foi nada. O Tarantino também um dia foi nada. O que me para de querer ser que nem os caras? E não é questão de ego, de falar eu acho que eu sou o maioral e eu preciso chegar lá. Não, é uma questão de responsabilidade pessoal de olhar para isso e pensar, cara, eu preciso acreditar em mim mesmo de uma forma que eu quero me desafiar para chegar lá, porque se eu não fizer isso, o que eu estou fazendo aqui, sabe?
É nessa ambição que eu quero poder testar. A gente fez uma coisa que a gente pegou todos os filmes que a gente gostava e começou a ver a história dos caras que a gente gostava. E todos eles, um dia, eles eram ninguém. Uns é ninguém. Tem muito Népo Baby? Tem. Tem muita gente que comprou ali o caminho? Ele tem, mas tem muita gente que era ninguém, velho.
Que veio do nada, né? E aí você fala, eu olhei praquilo e falei, André, cara, existe oportunidade pra gente, a gente tem que cavar o nosso caminho. Todos esses caras botaram tudo que eles tinham. Meu irmão, o Coppola, depois que ele fez Godfather, ele foi fazer Apocalipse, não? Ele hipotecou a casa dele, velho.
Ou ele já era o herói do cinema. Ele hipotecou a casa dele. Todos esses caras são obsessivos. Amor, vem cá, nossos filhos, vamos mudar lá pra perto do Vietnã pra gravar um filme. Então, assim, todos esses caras que a gente gosta muito, eles são muito obsessivos e por isso que eles chegaram nesse nível muito alto. Então, assim, eu quero saber se eu tenho dentro de mim o que é necessário pra brigar com eles no meio que eles andam. No mesmo ringue. No mesmo ringue.
E foi aí que a gente falou, a gente tem que fazer o nosso primeiro filme. E o nosso primeiro filme precisa ser a maior dinamite possível. E vocês pensaram, vamos fazer sobre carro, que a gente já tem essa expertise. Ou passaram outras ideias na cabeça. Tinha várias outras ideias. Por exemplo.
De temas? De temas. De temas. Tem um roteiro que a gente está trabalhando que supostamente deve ser o nosso... Porque você é fã do Nolan, provavelmente ficção científica deve ter passado na sua cabeça. Muito, muito. Ou o Villeneuve, né? Então, na verdade, ficção estava um pouco fora porque a gente falou que ficção é lá na frente, né? Quando a gente estiver no décimo filme. Mas tem vários tipos... Um dos roteiros que a gente trabalhou muito e que supostamente deve ser o nosso segundo filme é um heist. É um assalto. Um assalto do quê? De banco?
Dentro de uma cadeia, mas é que o tema é de um height, mas é dentro do mundo de uma cadeia. Mas é que ele brinca muito com a estrutura de montagem de um filme mesmo. Só que uma das coisas que eu sentei com o André e falei foi vamos parar e dar uma analisada bem legal nos diretores que a gente gosta, o Nolan.
desde o primeiro filme do Nolan, ele está abordando o tempo. O cara é fascinado como o tempo passa para a gente. Então, ele começou no following, depois ele vai para Memento, que é um filme ao contrário. Você sabe que Amnésia é o pior título de todos os tempos, né, diretor? Não é? Por quê? Porque no filme ele fala que não é amnésia. O pessoal pergunta que problema que você tem. Ele fala que não é amnésia.
É outra coisa. Ele esquece os 15 minutos anteriores. E os caras colocam no mesmo filme. Amnésia, cara. E sabe qual é o pior? Confunde muito. Sabe qual é o terceiro filme dele? Qual? Insônia. É. Então assim, quando a pessoa fala amnésia no Brasil, ele tá falando do segundo filme, não do terceiro, não tô lembrado. É muito difícil isso. Com o Albatino, né? É. Que é bom também. Eu acho o pior. Eu acho o pior que Tênet.
Eu também acho, mas... Ele é mais passável. Mas assim, nenhum filme dele é ruim. Vamos falar a verdade. Sim, sim, sim. Tudo estão num patamar aqui que o pior dele é melhor do que muito claro. Não, para deixar muito claro. Na nossa opinião, Nolo é o melhor de todos os tempos.
Ponto. Na minha opinião. É forte isso. Eu não sei se está na frente do Kubrick, por exemplo, mas tudo bem, é um dos melhores. Na minha opinião, o Nolan é o cara, porque eu acho que ele constrói, eu acho que consistência fala muito, e é o que você falou. O Tarantino também, né, cara? É, mas você já assistiu From Dust to Dawn? Sim. Você não gosta? Eu não gosto. Sai daqui, cara. Eu não gostei. Quem convidou esses caras? O cara não gosta! Eu não gostei. Mano, que maravilhoso. Por que você não gosta?
Não é que eu não acho uma alva-prima. Não, não é. Não acho uma alva-prima. O próprio Tarantino fala, quando ele fez Death Proof, ele fala que... Mas não é dele, a direção não é dele, é do Rodrigues, né? Sim, mas roteiro. Sim, sim. Mas ele fala que...
Eu achei que a audiência iria comigo nas mais loucuras de todas as coisas. E eu perdi um pouco a mão ali. Eu fui maluco demais. Eu amo Tarantino. Existia um momento que ele estava ali, assim, absurdo os filmes dele. Mas eu acho que, sendo sincero aqui, na época que ele estava fazendo esses filmes, era quando o PTA... O Tarantino chegou e me mandou uma porra de Pulp Fiction. Reservoir Dogs e Pulp Fiction. Ele explodiu. O cara ganhou Oscar no primeiro filme, entendeu? Isso é coisa, tipo, como assim? E não é qualquer Oscar.
Não é uma categoria bosta ali, entendeu? É tipo... Foi bem quando... Ele, inclusive, em algumas entrevistas falam disso, que foi quando ele estava meio que, tipo assim, se descobrindo no estilo dele, e o PTA lançando também bomba atrás de bomba, e isso entrou num pouco do pessoal para ele.
Porque quando ele lançou Death Proof, foi meio que quando o PTA lançou There Will Be Blood. Que é considerado um dos melhores filmes. Não, esse filme é... E ele fala, tem uma entrevista muito da hora, ele fala, nesse dia, eu levei um tapa na cara, porque eu vi o meu filme, eu vi o dele, e ele falou, ele me deu um cacete. E aqui agora eu tenho que me reestruturar, pensar que não é só o que eu acho muito da hora, eu tenho que ir um pouco mais profundo.
Eu acho que isso é uma maturidade muito da hora, porque às vezes você como diretor e criando alguma coisa, você acha que isso aqui é muito louco, eu tenho certeza, mas dá um passo para fora, será que é mesmo? Tipo, ele fala que ele se reposicionou nisso e começou a tratar um pouco mais sério o jeito que ele estava abordando os projetos, os filmes que ele estava fazendo.
E aí, mano, é o Tarantino que a gente conhece, todas as coisas que ele fez. Então o ponto é, não é que a gente não gosta, eu tô falando de questão de consistência. Tarantino é o nosso segundo preferido, mas o meu segundo preferido, não vou falar pro Odeco, talvez ele... É também? Não, acho que não seria não. Mas tá no top 5.
eu acho que é a questão de consistência em entregar a masterpiece. O Nolan, ele assusta. Porque o primeiro filme dele que ele fez com nenhum dinheiro, que é o Following, já é assustador o conceito. Tem muita coisa ali que você fala, mano, não tem dinheiro. Você tem que entender o filme pelo contexto.
Não dá pra você avaliar o filme, tipo, ah, só vou assistir esse filme. Então, o following, o cara não tinha nada, aluno de faculdade fazendo filme com os amigos. O conceito dele, você já vê genialidade. Aí, a primeira vez que eles dão um pouco de dinheiro pro Nolan, ele vai fazer Memento, que é o Insônia, Amnésia. Com 6 milhões de dólares, se a gente corrigir isso pra inflação, hoje deve dar uns 20. É uma grana boa. E ele faz um filme.
que pra mim é um masterpiece. Foi bem de bilheteria esse filme? Não, esse filme ficou dois anos sem ser lançado. Ô louco. Ficou brigando. E ninguém queria lançar o filme. Ele tava tendo dificuldade pra lançar o filme, porque o estúdio que lançou o filme quebrou e não conseguia fazer a distribuição. E o filme só foi lançado porque um outro diretor chamado Steven Soderbergh viu o Memento e falou...
Se um filme igual o Memento não é lançado no cinema, eu não sei se eu quero continuar fazendo o cinema. Porque a gente não está dando oportunidades novas para quem está vindo. E aí, por causa dessa fala dele, o filme ganhou a distribuição, foi distribuído. Não foi bem, foi um filme que deve ter se pagado ali, mas não foi um sucesso de box office, mas deu um nome muito forte para o Nolan. Que aí a Warner Bros. foi e deu uma grana para ele fazer Insônia, que é o único filme que a história não é dele.
uma readaptação do outro filme que já existe. Então, assim, se você pegar a filmografia do Nolan, eu acho que ele tem um filme que é... São todos bons, muito bons. Então, a consistência, o nível dele já está muito alto. Ele tem um filme que ele fez perto de ser um filme passável.
que é o Insônia, que eu acho que é o filme menos Nolan possível, menos, tipo, dá pra ver que é uma história que não é dele, que ele tá dirigindo ali, mas ele não tem controle de tudo, e tá no começo da carreira dele. E ele fez um filme que é o único filme que eu consigo falar, esse tem mais defeitos que as pessoas conseguem apontar, que é o Tenet. O resto, cara, é obra-prima. E eu falaria, eu discutiria que Tenet é obra-prima. O de mágica, ela como chama?
Prestígio é bom demais Eu ia traduzir na pedra a letra Tudo que tem mágica em português tem que ter mestre Então é truque de mestre Não sei o que, jogada de mestre É o grande truque Não tem mestre Mas combinaria Mas é porque tem um que chama o truque de mestre também Ah, deve ter Mas esse é o grande truque Donola é um grande truque
O grande mestre de truque, sei lá. O pessoal não está nem aí. Essa é uma coisa que eu tenho que manter. Esse filme aqui, no The Prestige, o grande truque, é que o tempo todo o filme está tentando te contar o final. É. Já começa com a primeira coisa. As cartolas. Não, as cartolas, mas a questão de quando mata o passarinho e a criança chora e fala, mas você matou o irmão dele. Verdade.
Na verdade, eu acho a narrativa de The Prestige apaixonante. É tão complicada e tão bem feita, cara. É porque ele... Desce fácil. Ele, assim... O J. Cole tem uma música que chama Wet Dreams, que é exatamente o mesmo estilo de narrativa do The Prestige, que é uma narrativa que ele te conta o final o tempo inteiro e você não consegue perceber.
E aí no final, quando ele bota a última pecinha, e aí você fala, peraí, você está me falando no final desde o começo do filme? Ah, isso é muito massa. Eu acho um momento que explode a cabeça, é incrível. E aí tem essa música do J. Cole, que chama Wed Dreams, que faz isso, The Prestige faz isso, e é uma coisa que eu acho muito incrível. Acho muito da área também.
Vamos falar do filme, então. Tem o trailer. Deixa no ponto o trailer do filme deles. Como que começa a ideia do projeto, então? Escolha do tema, o que mais? Cara, eu acho que primeiro antes de... Filme de corrida. É, a gente estava nesse assunto. Exatamente. Filme de corrida. Isso. Por que filme de corrida? Eu sentei com o Deco e falei, tem algumas características nossas que são únicas.
e tem algumas qualidades nossas que são únicas, qual tipo de coisa que a gente se colocaria no meio que você teria coragem de brigar com os caras que você mais gosta? Ou seja...
Que tipo de filme você toparia fazer? Você falaria, bota o Nolan, eu, o Tarantino e vamos ver quem faz melhor. A resposta certa é nenhuma. Mas qual que a gente tem mais chance? E aí a gente sentou e falou, cara, a corrida é um mundo muito interessante. Porque tem muito filme de corrida, tem muito filme bom. Mas a maioria dos filmes de corrida, eles fazem uma coisa de que é de quem não entende de corrida.
Você não entende corrida e você não sabe o meio que essas pessoas passam. Você só vê o que te falam e só ouve o que as pessoas te contaram, a historinha de o que é uma corrida. Então, os filmes de corrida normalmente vão na linha tradicional de mostrar a história da equipe, a história do chefe de equipe, a história do mecânico, a história do piloto. Então, eles vão se perdendo para mostrar tudo. E, cara, é legal, de verdade. É legal porque todo mundo sai entendendo a dinâmica, sai entendendo como funcionou aquilo e etc.
Mas eu não tinha visto ainda um filme que realmente abordasse o que é ser um piloto de corrida. Um piloto de corrida. O que é ser aquele cara, o Verstappen, o Hamilton. Pensa assim, tem uma marca e tem centenas de pessoas que investiram milhões e milhões de dólares.
pra criar um carro rápido pra cacete. E aí você vai lá, você é o cara que vai sentar nisso aqui e vai tentar ser a próxima Ayrton Senna e fazer a corrida mais incrível de todas. Tem tantas decisões e tantas coisas que esse cara tá se colocando na pressão pra poder se sentar ali e performar, que é muito interessante se for pensar. Porque entra muito no que a gente tá falando sobre o artista obcecado, sobre a questão do sonho. Porque esse cara que sentou ali...
Ele pode ter muita grana, ser um Lance Stroll da vida, que o pai dele comprou a equipe, fez tudo, beleza. Mas geralmente não é ele que performa. Porque o cara... Ele não sabe o que quer estar em primeiro. Ele não sabe o que quer estar em primeiro. Porque o cara que está em primeiro, a gente falou, Max Verstappen, da vida aqui, é o cara que desde que é moleque, está dentro de um kart, chuva, noite, o que for, a vida inteira dele é obcecado por isso.
Então, a mentalidade dessa pessoa é muito diferente. Então, era isso que a gente queria abordar, porque eu acho que isso mexe muito com a gente, a questão do artista obcecado. A gente falou, você falou pra você, tudo que você faz, pra gente é cinema. Pro piloto, é vencer uma corrida, geralmente. Uma corrida específica. Ou seja, um campeonato, alguma coisa que ele tem. Só que tem uma diferença muito grande. Eu não arrisco minha vida, minha vida não tá em jogo. Tentando ser diretor.
Na porta do avião você estava arriscando. Na porta do avião tudo bem. Mas o piloto está arriscando a vida dele enquanto ele está tentando fazer aquilo. Então tem um extra a mais do que o cara está fazendo no limite, porque se ele errar, já era. O cara foi embora. Então foi nesse momento que a gente falou, pô, isso junta com uma coisa muito legal. Uma coisa que a gente já tem familiaridade de fazer e outra com um conceito muito interessante.
Eu acho interessante o seguinte, tem certas coisas que o dinheiro não compra. E você pode ser o Jeff Bezos, você não vai saber o que é seu Verstappen. Você não sabe, você pode comprar a equipe inteira, falar vou dar uma volta, vai estar todos os engenheiros rindo da sua cara. Ninguém vai estar ali trabalhando horas e horas e horas para melhorar o carro, melhorar meio centésimo de segundo para você tirar um centésimo inteiro.
E eu acho muito interessante o que deve passar na cabeça desse cara quando ele senta lá na corrida e todo mundo que está sentado está pensando a mesma coisa. E ele tem que se contar uma mentira, que é você consegue ganhar essa corrida e ser mais rápido que todo mundo. E por que é uma mentira? Porque está todo mundo falando a mesma coisa. Todos os grandes pilotas estão falando a mesma coisa. Você acha que o Hamilton senta no carro de frente do Verstappen?
Não, os dois sentam falando, eu sou muito melhor que o... O Verstappen senta pensando, eu sou muito melhor que o Hamilton. E o Hamilton senta pensando, eu sou muito melhor que o Verstappen.
alguém ali está errado no fim da história. Mas nenhum deles deixa de acreditar nisso enquanto eles estão andando. E eu não tinha visto um filme que abordasse esses temas. Eu tinha visto filmes que abordam os temas do que o piloto faz quando ele sai do carro. O que o piloto faz quando ele sai do carro? Ele tira o capacete.
E aí ele faz o que ele foi treinado a vida inteira para fazer pela equipe, que é fazer o que a gente chama de conversa de imprensa. Ele senta com um repórter importante e ele fala fofo. Digo, minha equipe, não sei o que, a gente está pensando nisso, aquilo. Tem um problema outro, mas tudo bem. Está tudo bem, não sei o que. Não é o que ele pensa.
Você sabe que aquele cara está falando uma coisa que ele está pensando. Será que eu vou ser cancelado? Será que as pessoas vão gostar de mim? Então, existe uma dinâmica em vários pilotos de corrida de identidade. Que eles têm uma dupla identidade. Meio que um Batman Bruce Wayne.
Então você tem estilos de pilotos. A maioria dos pilotos tem a identidade que eu estou falando agora, que é a do Batman Bruce Wayne. Qual que é? Dentro do carro, eles são o Batman. Ou seja, dentro do carro eles são quem eles queriam ser. Eles estão pensando apenas em velocidade, em performance, em colocar tudo em linha.
Quando ele desce do carro e tira o capacete, é que ele coloca a máscara dele. E ele vira o Bruce Wayne, que ele finge ser uma pessoa normal. Ele finge que ele não pensa sobre corrida. Ele finge que está tudo bem, a perda dele. Enquanto tudo que passa na cabeça dele é o quê? Como que eu faço para ser mais rápido? Você não falou que durante as férias você está pensando em trabalho? É a mesma coisa. Durante o piloto, quando ele saiu do carro, ele está pensando em como ele podia fazer para ser mais rápido. Mas ele está fingindo que está prestando atenção na conversa com você.
Os filmes normalmente acreditam na história que é essa conversa de entrevista de piloto. Entendeu? E a gente falou, não, eu quero fazer um filme que expõe esse lado dessa personalidade. E aí você tem vários tipos de personalidade. Por exemplo, o Verstappen é uma personalidade que eu descreveria como Batman Batman. Então o Verstappen descobriu que ele não precisa fingir ser ninguém. Ele é o Batman dentro do carro e ele é o Batman fora do carro.
A esposa dele está tendo a primeira filha dele e ele está em Nürburgring quebrando o recorde da pista.
Ah, porque a filha não é importante? Não, é porque ele não conseguia dormir sem quebrar o recorde da pista. Depois ele voltou e estava lá. Concordo? Não, mas é o que ele quis fazer. Aí você tem outros pilotos que são tipo o Hamilton. Batman, Bruce Wayne. Ele é o Batman dentro do carro. Se você ouviu os rádios dele, ele está brigando com a equipe, ele xinga as pessoas, ele acha ruim. Mas quando ele desce do carro, ele fala super fininho, super fofo. Ai, não sei o que, não sei lá.
Mas quando você ouve o rádio, ele não tá falando desse jeito. Tá puto. Não tem nada a ver. Aí você fala, cara, esse cara tá usando uma máscara. Então eu quero expor essa máscara. E o Felipe é um personagem muito interessante. Porque o Felipe, ele, pra mim, ele é muito melhor que o Hamilton. Nessa questão das personalidades. Porque o Felipe, se você conversar com ele fora do carro, você fala, cara, esse cara é piloto? Que cara é educado? Gente boa, ele olha no seu olho, ele presta atenção na sua conversa.
cara top, tipo um gentleman. Só que aí ele bota o capacete e você ouve o rádio dele e ele tipo assim, cara, ele tá brigando por centésimo de segundo. Discutindo a solução com a equipe de colocar pneu ou não e falando, não concordo, não vamos, vamos fazer isso, vamos fazer aquilo. Então ele tá pronto pra botar tudo em linha.
E aí foi aí que a gente falou, cara, isso é um personagem muito legal da gente abrir essa vulnerabilidade pras pessoas, sabe? E trazer um pouco mais do o que é ser um piloto de verdade, sabe? Não o piloto da entrevista, o piloto, o que ele pensa mesmo? Só que isso tudo chegou num ponto que o conceito era muito legal, a gente tinha algo que a gente poderia mostrar que era diferente só que tinha um problema muito grande. Gênero de corrida é um dos gêneros mais caros que existem pra fazer um filme.
Fórmula 1, 250 milhões de dólares, o filme da Fórmula 1. Ele falou por quê? É, por quê? Porque é caro. Porque você tem que fechar um autódromo, você tem um custo absurdo, porque gravar cena de ação é a coisa mais cara que tem. Por exemplo, se a gente for fazer um filme dentro dessa sala, você tem que construir uma sala, câmera e ator. Você tem carro, você tem engenheiro, você tem equipe. Para fazer... E outra, movimentos de câmera. Aqui você vai... Dentro daqui você vai ter um tripé, às vezes um dolly.
Você precisa de um câmera car gigante Você precisa de um helicóptero E você precisa bater o carro, que todo filme de carro tem batida Aí você tem que quebrar o carro que você construiu que já custou uma nota pra fazer Então são custos absurdos que vão somando pra fazer com que o filme de carro seja um gênero muito caro Um dos mais caros Por exemplo, Fórmula 1, 250 milhões de dólares Ford vs Ferrari 100 milhões de dólares
E assim, mano, uma coisa que a gente sabia desde o começo, nenhum estúdio ia virar pra gente e falar, pô, essa ideia é muito bacana, você fez uma carreira super legal, já fizeram uns projetos bem legais, toma aqui 10 milhões de dólares, 20 milhões de dólares pra fazer seu primeiro filme. E assim, muito inspirado, carreira de Tarantino, carreira do Nolan, carreira de vários diretores que a gente admira, Francis Ford Coppola também, que em algum momento na vida deles, eles olharam pra...
Eles mesmo falaram, eu preciso contar a minha história e mostrar para o mundo que eu tenho algo para contar. E eu quero viver isso. E aí chega nesse momento que você tem que colocar a sua grana onde é que sua boca está. E você colocar todas as fichas na mesa e acreditar em você.
E foi ali que a gente olhou para isso, porque a gente tentou mostrar para alguns estúdios, tentou mostrar para alguns streamings, e todo mundo falou, cara, muito legal, só que, cara, isso é muito difícil, é meio inviável, é muito caro, pode ser muito arriscado fazer isso. E foi nesse momento que a gente falou, tá, cara, nós precisamos fazer isso acontecer. Então, nesse momento que a gente olhou e falou, cara, a gente tem que financiar nosso próprio filme.
Vamos pegar a grana toda que a gente juntar esse ano, vamos vender nosso carro. Nesses últimos anos, na verdade, né?
E vão fazer o filme. Independente de se ele vai dar lucro ou não. Em cima dos caras que vocês falaram também. Muita gente fez isso, né? Botecou casa, vendeu o Stallone, vendeu o cachorro dele, né? O Stallone vendeu o cachorro dele. Depois pegou de volta. Pegou de volta. Bate-se. E que tentaram comprar ele, né? Sério? Não, tentaram comprar o Stallone. Quando ele fez o roteiro do Rock, tentaram tirar ele de atua.
A gente gosta da ideia, mas você... Você não como ator. E ele sabia que, independente do dinheiro que ele ia receber, se ele saísse do filme e o filme fosse um sucesso, o dinheiro ia acabar e ele ia ser matado, porque ele sabia que aquela era a chance. Então assim, mano, tipo... Essa história... A gente olhou pra isso tudo e a quantidade de pessoas que chamam a gente de malucos por querer filmar um filme que você não sabe se o piloto vai sobreviver à primeira curva.
E o jeito que eles estavam falando disso, a gente falou, ah, eles estão falando isso porque ninguém nunca fez. Porque realmente é maluquice. Então, isso é um sinal bom. É isso que eu quero fazer. Quando todo mundo está falando para você, não, de jeito nenhum, e você treinou a vida inteira para aquilo, cara, está na hora de se analisar. Será que essas pessoas estão erradas? Ou será que eu sou realmente maluco? O seu instinto está bom e é a hora de seguir ele muito forte.
Porque o nosso conceito foi, tá, filme de corrida é caro para caro. E se o nosso objetivo é fazer o filme de corrida, tentar fazer o filme de corrida mais autêntico possível,
O que é mais autêntico do que uma corrida real, com um piloto real, com consequências reais? Porque pensa o seguinte, o casting, as pessoas que vão estar atuando para o filme, é o casting perfeito. O meu mecânico, que eu estou fazendo casting para ser mecânico, é o melhor ator do mundo. Porque o cara apertou roda dele a vida toda. O cara não precisa ensinar para ele como encaixa, porque o cara está apertando pela vida dele, porque ele quer fazer o pit stop mais rápido de todos.
O engenheiro de equipe fala perfeitamente como engenheiro de equipe. Porque é um engenheiro de equipe. O protagonista não tem que fingir como é ser um piloto, porque ele é um piloto. E os extras? Você quer colocar um monte de extras na arquibancada. A gente tem os melhores extras perfeitos. Não funciona direito de imagem nisso. Quando você vai... Nós pagamos para a ACO, que é a organizadora da equipe. Dilemã. Dilemã. Do evento.
Do evento. Os direitos de imagem, que foi bem caro, para poder filmar dentro do dilemã. Caro quanto?
100 mil dólares? 100 mil euros. Cara. Os direitos... E aí pode aparecer plateia. Aí quando você compra o ingresso... Só fazer um detalhe nisso. Você já entra no ingresso. A nossa budget, quando a gente fala o filme custou 800 mil dólares. Metade disso foi direitos. Então tem tipo 100 mil ali de Le Mans e aí tem as três músicas que a gente usou que são músicas muito grandes. Caras, né? Caríssimas. Então foi...
O filme foi bem mais barato do que o budget que a gente fala, porque a gente está contabilizando o custo de negócio. E o que o Deco ia falar agora é que quando você compra o ingresso, está escrito. As coisas que você não lê lá embaixo é que você vai aparecer na transmissão, você pode aparecer em qualquer coisa aqui. Você não pode processar. Você não pode processar. Enfim, aí entra isso a parte dos direitos. Porque o nosso conceito foi que assim, cara, nós queremos fazer o nosso primeiro filme, mas eu não quero que pareça um primeiro filme financiado pelo próprio diretor, uma coisa pequena. Porque o que me move...
São os filmes que nem a gente falou aqui agora. Os filmes do Denis, os filmes do Nolan. Você entra pra lá e ele te transporta pra uma nova realidade. E por que ele te transporta pra uma nova realidade? Porque o que você tá vendo é maior que a vida. Então, se a gente quer fazer um filme de corrida, que já é muito difícil, cara, eu tenho que ter um cenário insano. Então, é o seguinte.
Se a gente for para essa corrida real e mudar nosso pensamento de como que a gente vai filmar e abordar isso. Porque se o Nolan fosse fazer um filme sobre o Le Mans, o que ele faria? Ele alugaria o circuito de La Sartre, lá na França, o circuito mesmo, onde acontece o Le Mans. Ele fecharia todos os boxes com todas as equipes. Ele contrataria as melhores pessoas para os seus pilotos, os carros reais para rodar na pista e ele encher aquelas arquibancadas com 300 mil pessoas que cabem naquela arquibancada. Que parecem francesas.
que parece francês. No nosso caso, o set estava montado. Então, a vez de eu pensar que eu estou indo filmar um documentário, eu estou vindo filmar o meu filme, só que o set está pago aqui já. Só que o roteiro você não controla, né? Só que o roteiro eu não controlo. Então, a gente tinha que ser hipersensível. Exato. Porque a história, o roteiro está acontecendo na nossa frente.
E depende da gente de captar essa história ou não. Então tem muitas cenas ali de plateia sentada, de chuva, que você está tentando encontrar o roteiro com a câmera, encontrar a história na frente da sua câmera. Então, por exemplo, eu era quem estava majoritariamente com o Felipe.
Eu estava com ele ali pensando, me perguntaram isso, tipo, você alguma hora pensou, pô, o Felipe podia fazer isso? Eu falei, não, cara, nenhuma hora eu consegui pensar alguma coisa além de o que está acontecendo na minha frente, qual é a história que está acontecendo, para eu captar ela melhor. Então você tem momentos, por exemplo, de construção de personagem muito interessante.
no começo do filme o Felipe desce do carro um fã pede pra tirar uma foto mas o outro pede um boné e ele tira a foto mas não dá o boné se eu não estou pensando nisso, eu não gravo esse take ele só tá indo pra almoçar com o pai dele então a gente grava ali com o pai dele, mas não isso é um momento importante de construção de personagem outro momento, no final do filme, ele está tentando melhorar a cada décimo de segundo possível ele vira pra um cara que é colega de equipe dele e fala, o carro tá performando bem nos dois pneus, o macio e o de chuva tá
E o cara não responde ele. O cara, tipo, coloca o capacete. E aí ele fica, tipo... O cara não quis ajudar ele. São momentos extremamente importantes de construção de personagem. Coisas que a gente teria roteirizado no passado. Mas ali a gente teve que ser hipersensível com a câmera pra entender o que tá acontecendo. O que a gente escolheu fazer é muito... A gente se expôs muito e foi muito vulnerável. Porque a gente já sabia que as pessoas iam julgar nosso filme e falar... Ah, mas e se o filme for curto?
Pô, eu fiz um filme em dois dias, cara. Normalmente você gasta 40, 60 dias pra fazer um filme. E aí a gente tá aqui saindo com dois dias de gravação pra fazer um filme de uma hora. Já é muita exposição. Aí você diminui agora a sua equipe pra oito pessoas e seu orçamento pra baixo de um milhão de dólares.
fica difícil de criar essa história então a gente tinha muitas dificuldades na nossa frente, que na verdade foi o que deu um fogo bizarro na gente de falar, eu quero fazer isso simplesmente pelo fato de que é quase impossível fazer o que eu quero fazer e aí vamos falar da prática disso qual foi a dificuldade
Choveu no dia. Choveu no mundo. O que deu errado e tiveram que adaptar ou tudo deu certo conforme o plano? Tudo deu errado. Tudo deu errado? Para começar, qualificatória. Não, para começar antes. E a Porsche? A Porsche liberou tudo para vocês? Ou fala isso não pode, aquilo não pode? Isso foi uma das coisas que mais aprovou rápido e de uma maneira incrível.
Que foi o seguinte, porque a Porsche é uma grande cliente da produtora Abdala Brothers, a gente trabalha para o Porsche Brasil, para o Porsche Norte América, para o Porsche Latino América e para o Porsche Global. Então todos esses são clientes nossos. Então a gente conhece as pessoas lá dentro, conhece a marca, ama a marca, admira a marca. Então a gente tem pessoas que você sabe que tipo...
eu sei quem contatar isso pra fazer esse projeto. A gente teve alguns apoios e um deles, sem dúvidas, foi o que a gente conseguiu com a Port. A Port não participou financeiramente dessa produção e isso foi muito bom, porque a gente queria ter controle dessa história, do começo ao fim, sem que eles pudessem falar um A de tipo, ah, tira isso aqui porque não é bom pra gente. A gente não queria que isso fosse um comercial. A gente queria que isso fosse uma história real.
E a gente vai mostrar defeitos. Toda história real tem defeitos. Seu personagem, seu protagonista, quem você gosta, tem que ter defeitos. E a gente vai mostrar a eles. Mas você coloca a audiência num lugar que ela nunca foi antes.
que é dentro de um box de corrida, mostrando a intimidade real. Porque, cara, todo filme... O que o filme de corrida quer fazer? É tratar, mostrar uma realidade, mostrar uma história, não é? O filme é isso. Conflitos e tudo mais. Os conflitos. O que acontece dentro do box? O que você vai ver ali? Isso que é muito interessante do tema do nosso filme. Você mostra uma coisa que você nunca viu antes.
Aí entra num ponto que quando a gente foi abordar isso pra Porsche pra mostrar pra eles, a gente mostrou todo o projeto. Falou, cara, a ideia é fazer isso. Já conhecendo a marca, a gente sabia que, cara, é muito difícil deles apoiarem financeiramente isso. Porque eles vão querer controle do projeto. E eu não quero fazer com eles com controle. Então a gente deu o que eles queriam e pediu o que a gente queria. Como? A gente deu o que eles queriam e pediu o que a gente queria.
Eu quero fazer um filme na sua garagem. Você vai ter muita exposição da sua marca.
Você não precisa colaborar financeiramente na produção, mas você não tem controle nenhum sobre ela. E eles?
Eles falaram sim. Eles falaram sim pelo fato... Mas eles falaram assim, ó. Se acontecer tal coisa, isso não vai pro filme. Nunca existiu. Mas... Mas teve um detalhe que eles foram entendidos. Não, não. Mas aconteceram coisas no filme que eu não posso falar. Não sei se eu posso falar. Posso? Não. Deu problema no carro. É spoiler. Deu problema no carro. No começo do filme? Pode. É, deu problema no limpador de para-brisa. Por exemplo, os caras falam, pô, não fica mal colocar isso? Não, nenhuma vez.
eles falaram nada. Eu vou te contar a história de como a gente passou o filme pra eles e a gente aprovou depois na Alemanha, que é muito legal. Mas o ponto foi, antes de ir, não existiu nenhum desse tipo de conversa. A gente podia filmar tudo. E isso é a parte mais legal. Só que aí a gente, por causa disso, a produção é 100% na gente. A gente se vira com ela. A porta só tá abrindo as portas. E você pode levar só oito pessoas, porque não dá pra atrapalhar a equipe que quer ganhar a corrida.
beleza, fomos fazer esse filme e logo após fazer o filme, eles queriam ver esse filme, pra decidir se eles iam apoiar o filme ou não como marca porque eles podem apoiar o marketing do filme, se eles acharem que é um filme legal pra eles, eles podem falar, cara, vou te apoiar inclusive a Porsche do Brasil, ela é uma patrocinadora da distribuição aqui no Brasil é, você tá dando um spoiler agora do final que eles apoiaram
que a história é o seguinte o filme ficou pronto eu acho que é uma das melhores histórias do filme o filme ficou pronto, a gente fechou o filme e aí eles queriam muito ver o filme e aí eles falaram, manda o link aí a gente falou, não manda o link você vai assistir meu filme no seu celular enquanto o filho tá chorando e alguém te chama e você não vai ver nada isso aqui é um filme feito pra assistir no cinema
Eu vou para a Alemanha alugar um cinema e passar o filme para você. Igual a gente fez por inteligência. Igual a gente fez por vocês. Eles mandaram e-mail. Não precisa, a gente não quer gerar esses gastos. Porque a gente, infelizmente, eu não quero decepcionar vocês. Vocês gastarem isso tudo e a gente, no final, falar que vai apoiar. A gente só respondeu para ele. Cara, não tem problema.
Se vocês forem ver, vocês vão ver do jeito certo. Pô, já tinha investido tudo, já tinha feito todo esse projeto. A gente não ia mandar um link pro cara. Já pisou na bosta, né? É, vambora. Vambora. E aí a gente foi pra Alemanha, alugamos um cinema, mandamos o arquivo do filme. Chegamos lá, marcamos de manhã, às nove horas da manhã, pra passar o filme pros alemães. A gente chegou no cinema, tipo, oito.
Os caras demoraram Chegar e tal, não sei o que Foi dar play no filme na hora que a gente chega E dar play no filme A imagem da projeção tá cheio de glitch Cheio de linhas fazendo assim Durante o filme inteiro Aí a gente olhou aquilo e falou Não dá pra assistir o filme assim Que merda é essa
O cara, putz, cara, eu acho que ele deve ter feito o ingesting do filme do jeito errado. Porque para você passar um filme no cinema, você tem que passar ele, ingesting é o jeito, a nomenclatura de passar o arquivo para dentro do projetor. Só que o que acontece? Isso demora. Geralmente, dependendo do projetor, se ele é novo, antigo, três horas pode demorar para fazer o ingesting.
Deu algum problema fazendo isso e corrompeu o arquivo. Aí o André pegou o Macbook dele, abriu com a timeline do filme e re-renderizou a timeline numa nova versão com nova formatação de arquivo para ver se não ia dar pau. Ele terminou de renderizar.
E quando ele tá terminando de renderizar A gente falou, cara, vão atrasar com os alemães Vão falar pra eles chegarem daqui uma hora e meia Na hora que eu vou mandar um e-mail Eu recebo tipo uma ligação, ó, a gente tá aqui na porta Alemão não é igual brasileiro Aí o André falou, Sá, vai lá E distrai os alemães
Enquanto isso, eu vou tentar me virar aqui. Extrai os alemães, faz um malabarismo. Não, o Salomão foi fazer um tour pelo cinema com os caras. Vem cá conhecer todas as salas de cinema. Não tinha nada pra fazer. Vão lá conhecer a sala. Sala 1, sala 2. Eu nem conheci o cinema, velho. Eu também tava conhecendo o cinema pela primeira vez. Enquanto isso, eu tava lá. E aí, assim, essa história é bizarra, cara.
Eu subi pra sala de projeção. Aí eu fiquei assim, meu Deus, o que eu faço, cara? Tipo, beleza, a imagem tá cagada, mas o áudio tá bom. Aí eu pensei, virei pro cara e falei, tá, eu tô com o vídeo renderizado aqui. Tem como a gente passar o filme novo pra cá? Vai demorar três horas. Eu falei, é, três horas o Salomão não consegue enrolar esses caras, não. Então, melhor, ferrou. Eu falei pra ele, você tem um HDMI?
O cara falou, tenho. O projetor dá pra conectar HDMI nele? Dá. Beleza. HDMI no projetor, HDMI no Mac. Apareceu a imagem. Dei play, imagem lindona. Falei, top. Mas cadê o áudio? Ah não. Ele só passa vídeo no HDMI, não passa áudio.
Meu Deus do céu. Então vamos lá. Sincronizar com... Eu tenho com ou vídeo cagado e áudio bom, ou cinema mudo e imagem linda. Chá, chá. O que a gente faz? Aí o Salomão ligou e falou, véi, eles estão falando que eles têm uma reunião, sei lá, 11 horas da manhã, e eles têm que ver agora.
Cara, e a gente tava assim, com todo o head da Porsche global naquele cinema. O cara de marketing, o cara de motor esporte, de press, spokesman, todo mundo. Tipo, só faltou o CEO. É. De verdade. Aí o senhor falou, é, eu tô levando eles pra aí. Eu falei, pode mandar. Salamão chegou. Aí eu falei, e aí, o que aconteceu? Ele falou assim, seguinte.
nós temos vídeo e temos imagem, mas eles não estão cincados. Eu tenho que dar play no projetor pra passar o filme com áudio, e aí eu tenho que plugar o HDMI, dar play no HDMI pra passar o vídeo e tentar cincar. O problema disso é que o projetor, como uma máquina antiga, você clica e ele fica...
e do nada vai. Então não dá para ele dar play nos dois ao mesmo tempo. E assim, dois frames errados, a boca mexe e o áudio vem errado. Tudo errado. Então a chance disso dar errado é muito grande. Aí o Deco falou assim, eu vou tentar três vezes.
Três vezes. Se der pau, eu pauso o filme e a gente volta até três vezes e a gente vai tentar fazer isso dar certo. Mas assim, nós não vamos expor esse problema pros caras. Chegamos lá na frente, fizemos uma introdução do filme, falamos sobre o projeto, o que a gente desenvolveu, o que a gente ia mostrar pra eles. Falei, agora eu vou lá dar play no filme. Tipo, como se alguém realmente foi lá, né? Dar play no filme. Falei, vocês podem sentar e vão lá. Cara, eu fui pra lá.
De novo. Deus. Orei. Lembra de mim? Deus lembra de mim daquele drone? Então eu preciso do senhor aqui de novo pra dar play nesse filme. Cara, sem zoeira. Eu peguei. Dei play no áudio, fiquei vendo. A bolinha girando com o dedo aqui na barra de espaço.
Aí eu fiquei lá de cima olhando Beleza, time code 001 002 Tipo, acompanhando, um segundo, dois, três Parece que tá batendo, parece tá batendo Tá próximo, vamos lá E aí no nosso começo do filme Ele tem uma coisa que é muito marcante Que é quando aparece logo, que é dar uma porrada na tela Então ali eu já saberia se estaria fora Eu desci Sentei do lado do Salomão, cara A gente pegou meio que deu a mão assim E falou, mano, é agora Obrigado
Quando bateu, bateu perfeito. Pá! E aí, de repente, depois tem a sequência. Escrito, dirigido e editado pelos... Pá! Abdalabrodes, mesma coisa. Irmão. É que a gente já viu esse filme de sincado, entendeu? Já muitos testes a gente já fez. E a gente sabe como ele toca de sincado. Erra todos os beats. E ele tava tudo perfeito. Perfeito. Aí o mulher tá assim, mano, deu certo. Deu certo. Aí ele, no meio do filme, quando chegou na primeira cena de diálogo, o lip-sync perfeito. É assim, cara.
A gente já rindo e falando, eu não acredito. Loteria ou em... A gente conseguiu alugar um cinema. A gente está aqui com todo o escalão principal da Porsche global e a gente está passando um vídeo de HDMI e um áudio de projetor. É muito insano o nível disso estar dando certo. E a gente ali tão feliz. Que gambiarra insana. Aí, cara, a gente está ali no meio do filme. Chega aquele momento da segunda música. A segunda música é uma música famosa. Você gostou? Gostei.
Música do... Não pode contar. É, Caneta Azul do... Manuel... Não é? Manuel Gomes. Caneta Azul foi a terceira ou a segunda música que eles tocam? Segunda música. Cara, quando entra Caneta Azul...
O cara na disputa, entre os primeiros lugares, é emocionante. Que ideia. Se estiver de colocar a caneta azul. Azul, caneta, caneta azul. Tem tudo a ver com o filme. Totalmente. Vejam lá que é impactante. Na hora que entra essa música.
Eu tô ali assistindo o filme e apareceu a coisa mais engraçada que eu já vi na tela de um cinema. A coisa mais absurda e que eu não acreditei quando eu vi. Ué? Eu tô aqui assim, vendo o filme, de repente no canto superior direito aparece assim, seu Mac está acabando a bateria, plugue na tomada senão ele vai acabar, 10%. E apareceu assim numa tela de cinema gigante. Eu tinha renderizado o filme, ou seja, eu drenei a bateria do Mac.
E aí, cara... Aí eu olhei pro André assim e falei... Que merda é essa? Vai acabar no meio do filme. Não vai durar. Não vai durar. Não tem chance. Aí o André falou... Não, acho que vai durar. Eu falei... Não vai durar. Esse negócio vai acabar no meio do filme. Vai, tipo... Como assim? Apareceu uma notificação numa tela de cinema. Eu nunca vi uma notificação. Imagina você receber... Sua esposa perguntou... E aí, amor? Vem pra jantar ou não? Na tela de cinema. É uma coisa muito absurda. E aí eu, tipo...
resolve isso? Aí, na hora, o Felipe Nassa, que é o piloto, protagonista do filme, tá sentado na frente. Na hora eu pensei, falei, cara, o Felipe tá indo de uma cidade pra outra. No carro dele deve ter um carregador. Porque, bro, você tem um carregador? No meu carro. Falei, me dá a chave. Ele só se estendeu assim. Eu acho que ele não entendeu porquê, mas eu vou dar. Deu a chave. Falei onde é que tá ali no estacionamento. Você não viu carregador?
Não tinha. O carregador tava no hotel. Não tinha. Lá não tinha. Aí, mano... Essa é a razão pela qual hoje, na case do nosso notebook, tem um powerbank que carrega ele. Foi por causa desse dia. Que a gente falou assim, um dia isso acontecer de novo, eu tô preparado. Eu tô preparado pro apocalipse. Eu peguei a chave do carro. Só que o cinema... Lá fora é muito normal. Isso é cinema de rua, não é em shopping.
Então, você sai pra fora da sala, você sobe a sala até o final, tem a sala do projecionista. Você sai. Geralmente, é uma escada de emergência. Só que o sistema é alto, é cinco andares. Cara, eu saí lá por trás. Eu desci correndo, velho. Não é velocidade. As escadas de emergência. E aí eu corri até o carro. Era longe. Abri o porta-malas do carro dele. Cheio de mala. Onde é que tá essa bosta desse carregador, mano? Falei, mochila, mochila. Mas no primeiro bolso, eu abri. Carregador.
Meu Deus, valeu. Peguei e puxei o carregador. Bati o pão da massa. Saí correndo. Mas correndo tanto. E o estacionamento era longe, tá? Subi a escada de emergência tudo de novo. E quando eu cheguei na porta, ela tava fechada. O projecionista bateu. Eu tinha colocado a minha carteira pra ela travar. Porque se ela fecha, ela não abre por fora. Se ninguém invade o cinema. E é a prova de som.
O projecionista viu aquilo e falou que alguém deixou aberto, puxou a carteira e trancou. Irmão, na hora eu batia. E a prova do senhor batia gritando. O filme lá dentro passando, ninguém consegue ouvir o que está acontecendo para trás. Mas lá fora o André está tipo...
abre meu Deus do céu, olha o irmão, filho da mãe, abre essa porta. Aí, graças a Deus, meu irmão resolveu pensar, cadê o deck, tá demorando? Ele abriu a porta, passei correndo, cara. Conectei na tomada, coloquei no note, isso não dava pra saber se tava carregando. Não, mas ele vai fazer o pururu na tela, lá no cinema, eu tava daqui, eu não consegui ouvir. E aí eu falei, cara, tá carregando e vambora.
Carregou e deu certo. E os alemães nem sabem o que aconteceu nessa loucura. Eles não têm noção de que isso aconteceu. O filme terminou. Então vem agora isso daqui. Eles aplaudiram. E eles olharam para a gente e falaram... Um deles falou, estou indo para o Alemanha faz 15 anos. E eu nunca vi esse alemão que vocês mostraram aqui hoje. Vocês mostraram uma visão que eu não sabia que existia.
E aí foi uma... Aquela missa rolando no vídeo alemã. Isso que ele tá falando. E foi muito especial, porque foi o melhor elogio que ele podia fazer. Porque a gente não queria que esse filme parecesse a visão de um noob de alemã. Entendeu? Você nunca foi lá e a primeira vez, vou filmar o óbvio. A gente ficou tipo, a gente estudou muito o alemã e tudo que já foi feito lá.
pra tipo, quero trazer uma visão de quem já foi lá muitos anos e conhece tudo. E aí foi aí que o Deco descobriu, por exemplo, a missa que acontece há mais de 100 anos, desde o primeiro ano em Le Mans, e que gera uma coisa maluca, né? Que você tem pilotos rodando em círculos, gladiadores modernos arriscando a vida dele ali, e você tem padres rezando pela vida desses caras, pra que não aconteça acidentes, porque Le Mans é uma das pistas mais mortais do mundo. Ele tem um acidente que matou mais de 70 pessoas. Um acidente. Pô louco.
Na época, lá em 1960, eu acho. Acho que foi em 1960 ou 70. O carro voou para cima dele? Um Mercedes tinha um chassi de magnésio.
E esse carro, ele perdeu o controle, ele entrou para dentro da arquibancada de pessoas. Ele fez isso. Ele degolou várias pessoas. Tipo, parece que teve mais de 10 pessoas que perderam a cabeça pelo tipo capô voando, assim, peça voando. Ele entrou no meio da arquibancada, ele começou a pegar fogo. E porque o chassi é de magnésio, ele pegou fogo por horas e os bombeiros não conseguiam apagar os corpos. Tudo no chão. E a corrida não parou. E a Mercedes estava liderando com outro carro. E eles continuaram correndo.
por horas. O piloto deles, obviamente, morreu também, faleceu na hora. Eles continuaram liderando a corrida. E chegou um tempo, uma hora... Eles continuaram correndo, porque tem dois carros. Antigamente era diferente o negócio. As pessoas eram muito loucas. E aí chegou um ponto que os engenheiros, os mecânicos falaram, cara, a gente não consegue, meu Deus. Eu estou morrendo por dentro. A gente acabou de perder um piloto. E morrer 70 pessoas.
Aí o chefe de equipe atravessou a pista, porque tem um túnel que você passa embaixo, foi lá e viu a cena, voltou e falou, chama o carro.
Não vamos correr mais. Eles estavam liderando a prova, faltavam algumas horas para acabar só. Entrou para dentro, aposentaram. E a Mercedes foi tão séria. A Mercedes aposentou para sempre nas corridas, desde aquela época. E só voltou na Fórmula 1 com o Schumacher. Ela ficou assim, 40 anos sem correr. Por trauma desse acidente. E tem uma placa em Le Mans, que é em homenagem a essas pessoas que morreram nesse acidente.
É absurdo, assim. É por isso que a gente falou, é uma corrida muito espiritual. E é por isso que a gente também queria filmar alemã, cara. Porque esse nível de história e coisa já aconteceu ali é um nível a mais. E quando a gente pisou lá, cara, a galera leva de um jeito tão até meio que espiritual e respeitoso como uma religião, tipo, estar em alemã. Porque você tá ali, velho, tá o Max Verstappen, tá o Alonso, tá o Kivet, andando ali na sua frente. E tem ninguém tirando foto, velho.
Porque todo mundo está ali e respeita, sabe? Isso aqui é o templo do automobilismo. A corrida é uma das mais perigosas do mundo. E a corrida é que todo mundo mais respeita. E aí foi por isso que a gente também arriscou de falar vamos gravar em um lugar sem roteiro. Porque a gente sabia que lá o cara ia ter drama o suficiente, sabe? Essa história carrega... Tem bastante drama no filme, não tem? Tem, claro que tem. Mas e o problema de costurar depois tudo? É, isso aí foi melhor. Porque tem off, tem coisas que são feitas depois, né?
Cara, eu acho assim, ó, tem muitas histórias que a gente estuda, né, de filmes que foram salvos na edição. Tipo, tem a história famosa de que o Star Wars original, o New Hope, que na época não era New Hope, era só Star Wars, o filme do Lucas, foi completamente salvo na edição, né?
Tanto é que a história é que ele chamou todos os diretores amigos dele, inclusive o Spielberg, pra assistir o Star Wars que ele fez. E todo mundo estava falando, mano, ficou uma bosta isso aqui. E aí as pessoas normalmente tentam achar o lado de... Conselho, como é o nome disso?
De frase motivacional. De que, olha, o Spielberg falou que Star Wars era ruim. E Star Wars foi o maior sucesso de todos os tempos. Não, mano. Star Wars era ruim. Era muito ruim. E foi a esposa do Lucas que consertou com ele na edição. E o filme foi inteiro salvo na edição. Com um monte de corte e voiceover que eles adicionaram. Feitos na edição.
É, tropa de elite, o Wagner Moura não era o protagonista. Isso é loucura. Não tinha aquela narração em ontem. Não tinha. Então, e fez o filme, né? Pois é. Então, assim, esse filme, eu acho que é um nível muito elevado de salvo na edição. No ponto que é, ele não existia. Nós voltamos pro Brasil sem filme, Vilela. Mano, imagina só, a gente vai lá pra filmar alemã, a gente filma um monte de coisa que acontece na corrida, a gente volta pro Brasil e fala, será que a gente tem uma história? É.
E aí foi o momento que o André virou pra mim, a gente trabalha junto, a gente trabalha dentro da mesma sala. E o Deco virou pra mim e falou, eu não quero conversar com você, você precisa me dar um mês, pelo menos. Eu falei, como assim? Ele falou, não, eu preciso de um mês sozinho. Eu tô muito vulnerável aqui. Tipo, eu não sei o que a gente tem. Era um momento que, tipo, eu como editor, eu tava muito disposto de pensar, cara, tá na minha mão agora de encontrar uma história.
E aí a gente tem um cinema lá dentro do nosso estúdio. E aí eu peguei meu setup todo de edição, montei lá.
Cara, eu me tranquei lá por um mês. Você já viu aquele filme Rede Social? Tem. Sabe, tem uma parte que um cara vai conversar com um programador e o programador tá de fone, aí o outro fala ah, ele tá conectado. No México é que ele tá conectado. O André imprimiu essa cena do Rede Social.
E colocou, Deco is wired in, não batam aqui. E aí, tipo, ele colou na porta do cinema e ninguém podia conversar com ele por um mês. Porque, cara, durante esse tempo eu tive que ver e rever todas as imagens e reassistir a corrida inteira pra não entender só o que aconteceu com o Felipe, mas o que aconteceu com toda a dinâmica da corrida.
e tentar encontrar o que aconteceu ali, o que nós tínhamos de imagem, que eu conseguia construir um personagem, um protagonista, criar um arco narrativo e poder mostrar o que era o principal nosso, mostrar a ambição do Felipe para ganhar a corrida. O que são as atitudes dele, as coisas que aconteceram que mostram que ele é um cara incansável, que é um cara que vai perseguir o sonho dele.
independente das circunstâncias que aparecem na frente dele. E aí foi um momento que, tipo, cara, eu fui montando bloco por bloco das coisas que aconteceram e tentando fazer de uma forma que, muito inspirado na edição do Lee Smith em Dunkirk, que é uma bola de neve, que também é um filme curto, que é sobre uma bola de neve de dramas que vão acontecendo, que vão te carregando, que o filme vai cada vez mais crescendo. É, o filme que você vai apertar uma cadeira.
Jogando mais coisas na mesa, jogando mais riscos, até chegar um ponto que, cara,
ou quebra ou vai, sabe? Então, foi muito nesse estilo da montagem e aí foi ali que eu encontrei que nós não queríamos, porque qual que é o problema quando você está fazendo um filme nesse formato ou também os documentários? Porque o documentário, ele se baseia muito na entrevista. Porque quando você tem a sequência A e a sequência B, pra você colar ela, você precisa de alguma coisa narrativa pra levar. E muitas vezes você não tem essa imagem.
Então, você precisa de uma entrevista pra contar, ah, depois eu saí daqui e fui pra lá.
só que a gente não queria isso, porque quebra muito a experiência, pega a sua audiência e vai lá e ela desconecta na hora que você está vendo um filme você está vendo um documentário, e a gente não queria colocar o filme nem na caixa de documentário nem na caixa de filme, a gente queria falar o seguinte, cara você vai ter uma experiência única no cinema, você vai sentir o que é ser um piloto, ponto
Então, se a gente colocar isso, a gente vai entrar na parte de documentário. Então, o que a gente faz? Muito inspirado com... Eu estava reassistindo o Apocalypse Now na época. Eu falei, cara, é muito interessante você estar na pele do protagonista, vivenciar o que ele está vivenciando. Você só sabe o que ele sabe. E ouve o pensamento dele. Você está dentro da cabeça dele. Então, é uma baita de um jeito narrativo legal de eu colocar a audiência dentro da cabeça do Felipe e resolver o meu problema.
que é guiar a história. E foi aí que a gente começou a escrever o voiceover do Felipe para ligar de uma parte para outra. Deixa eu te cortar aqui. Então o André editou por um mês e depois desse um mês ele me chamou. E todo dia eu perguntava e aí, como que está? Cala a boca. Deixa eu, deixa eu, deixa eu.
Aí depois de um mês, ele me chamou e falou, vem aqui no cinema. Aí eu sentei. Ele falou, não fala nada, só assiste. Porque isso é uma coisa até que a gente tem um pouco dessa... As pessoas normalmente assistem um negócio e já querem falar o que ela tá pensando na hora, mas você tem que deixar a história te levar, você tem que acreditar na história e vão ver ela como um todo, sabe? E foi aí que ele falou, não fala nada, só assiste.
E ele deu play. E o que ele deu play foi os 20 primeiros minutos do filme que você viu ontem.
É exatamente aquilo. E eu assisti aquilo, eu fiquei arrepiado, eu olhei pro André, eu, tipo, fiquei emocionado, assim, segurando o choro e falei, a gente tem um filme, a gente tem uma história, tipo, isso aqui é um, eu quero acompanhar esse cara. É, tipo, a gente tem uma, o que acontece? Você tá criando aqui, usar o Shrek, de, de, de, vou parafrasear o Shrek, você tá criando aqui uma cebola e tem várias camadas.
A primeira camada é você veio ver um filme de corrida? Toma. Música de rock. As cenas pós-corridas, vocês filmaram depois, já sabendo que faltava algo para completar. Ou vocês gravaram aquilo do café e, tipo, beleza. Tudo gravado durante a corrida. Sério? Dias antes da corrida. A sequência literalmente final, final. Não, não, não. A sequência da cafeteria, a última sequência do filme, foi pós-corrida. Foi a única coisa pós-corrida.
Seria legal gravar isso daqui? É, a gente não tinha um final. A gente precisava finalizar essa história, concluir esse capítulo. E aí a gente, depois de ter finalizado o filme inteiro, a gente voltou. Ele leva um tiro na cafeteria e acaba o filme. Isso, aí você descobre que ele matou a mulher do melhor amigo. Ele matou o Robert Ford. Exato. Covarde. O ponto foi... Mano, eu tô me ajudando a galera vendo isso aqui. Que filme maluco. Os caras vão ficar esperando esse... Até o final dos créditos pra ver. É.
Então o que aconteceu foi, eu vi que aquilo era uma história de camadas, onde a primeira camada é você veio ver um filme de corrida, tá aqui um filme de corrida. Mas depois que você passa essa camada do filme de corrida, que é cena de ação, jato, helicóptero e música de rock...
Você vê o Felipe saindo do carro do primeiro instinto dele e você entra numa camada de... Eu chamo de camada da estranheza. Você fica... O que eu estou assistindo? É um documentário? É um filme? Quem é esse cara? Eu gosto dele ou não? Porque você não viu o rosto dele até agora, né? Você passa 20 minutos no filme, vendo ele pilotar, mas você ouve a voz dele e não vê o rosto dele.
E aí você vê ele conversando com os engenheiros, ele indo almoçar com o pai dele, e aí você fica tipo, ainda estou decidindo se eu estou torcendo para ele ou não, sabe? Então é a camada da estranheza onde você está acompanhando esse personagem igual num videogame em terceira pessoa, e vendo ele, você é uma mosquinha na parede, vendo o que ele está fazendo.
Até o momento que a gente entra pra terceira camada, que é a camada que a gente queria estar o tempo inteiro, que é a camada da ficção, é a camada do tipo, o que é ser um piloto de corrida, e nós vamos falar nesse filme muito mais coisa do que só pilotar carro. Então é isso, quando eu vi o filme e vi essa primeira camada e a entrada da segunda, eu falei, cara, a gente vai conseguir levar as pessoas numa jornada.
Foi muito emocionante. O Deco descobriu esses 20 minutos sozinhos e a partir daí a gente começou a colaborar nessa história e escrever esse novo roteiro com base de saber que a gente tinha um voiceover para narrativa e criar essas histórias com as imagens que estão ali na frente. Então a gente escreveu esse voiceover e o Deco ia montando essa história.
um fato engraçado, o filme inteiro foi editado com a voz do André primeiro então o André interpretou o Felipe porque o Felipe tá obviamente correndo corrida e ganhando todas elas então ele não tem esse tempo pra parar e fazer isso escrevendo o voiceover e gravava e o pacing pra funcionar e um fato muito engraçado que a gente fechou o filme que eu falei em janeiro de 2025, nós fechamos a edição mas o primeiro corte não tinha mix final, depois a gente trabalhou quase um ano de som, imagem, color e tudo e tudo isso
mas a gente precisava mostrar para a IMEX para eles aprovarem como um filme IMEX. Então, tudo que a gente saiu do Brasil para filmar na França, a única coisa que a gente tinha da IMEX era depois de várias reuniões, foi bacana a ideia. Eu não posso dar um green light para vocês, uma aprovação nem a pau. Vocês são Nolan, o primeiro filme de vocês que vai ser um filme IMEX. Vai lá, filma, se for bom, mostra para a gente ano que vem.
a nossa época que a gente pode ver filme que é mais tranquilo entre janeiro e fevereiro, e a gente fala pra vocês se a gente vai apoiar o projeto ou não. Pra gente, aquilo era suficiente, vamos embora, gravamos. E aí a gente foi mostrar pra eles o filme que a gente mostrou é com a minha voz. Só que como eles são...
Eles não sabem a voz Mas o voiceover é em inglês A gente escreveu em inglês A versão que você assistiu é em português A gente fez uma versão especial para o Brasil Mas a primeira versão que a gente fez é em inglês Mas é com a minha voz E aprovou com a minha voz Aí depois a gente foi, sentou com o Felipe no estúdio E teve que botar ele no personagem Tipo, cara, vem cá, isso aqui é uma versão de você Sabe, vamos sentar isso aqui Vamos chegar nesse personagem aqui Tentar chegar nesse personagem Que maravilha E teve sessão teste?
Vocês são testes do? Do filme. Vocês mostraram o filme pronto para uma galera no cinema? Ah, não, não fizemos isso. Não fizemos. Não, a gente fez com algumas pessoas. A gente fez na IMAX. A gente mostrou na Panavision. Você tem razão. Mostrar, mostrar, mostrar. A gente testou na Panavision para todo mundo que estava na Panavision, funcionários e convidados. E a gente queria ouvir. O que acontece? Está comendo a jujuba aí? Jujuba do Bolsonaro.
Ele comeu isso aqui, não foi? Comeu, comeu. Todo mundo come. E foi a única coisa que ele não tinha provado.
É, a equipe de segurança não checou as jujubas. Checou só a mesa lá que estava lotada de comida. A nossa equipe de segurança não checou. Chegou, né, Edu? Tá bom, tá bom? Pode comer? Tá bom. Tá, beleza. Cara, a gente passou o filme na Panavision porque eu queria ter uma opinião do que as pessoas fora do Brasil iam achar do filme, né? Porque você tem um protagonista brasileiro, os atores do filme é brasileiro, mas a gente não está tentando fazer um filme que só funciona no Brasil. A gente quer fazer um filme universal.
que funciona em qualquer lugar. E a gente queria ver se elas iam gostar, iam se apegar ao personagem, iam se deixar levar pela história ou não. E foi aí que o Dan Sasaki, que é o cara do Special Optics da Panavision, assistiu e falou que a gente inventou um novo gênero. Ele falou, tipo, cara, isso não é documentário, não é drama. Existe um gênero que chama Docudrama, que foi meio que criado assim... Netflix tem muito isso, que são documentários que usam algumas cenas com ficção. Então...
Mas no nosso caso, ele é um filme que parece inteiro de ficção, mas as imagens são reais. Aí ele falou que a gente inventou um dramamentary. Você fez um dramamentary. Isso é um novo gênero. Não tem como colocar em casa. O que é interessante que eu lembro que ele falou, e a gente teve um feedback da galera que assistiu lá, é que chega um momento que eles se perdem de que eu estou assistindo a uma coisa real, só que toda vez que...
O próprio Dan falou isso para a gente. Toda vez que eu me lembro que... Pô, meu Deus.
O cara que está sem limpador de parabrisas a 340 km por hora, realmente é uma pessoa arriscando a vida dele aqui? Jesus amado. Ele não está enxergando mesmo. Isso não é um ator, isso é real. O cara que desespero que dá aquele negócio, o cara não enxergando nada. Quando você está com uma visibilidade ruim com o limpador funcionando, já dá um desespero. É horrível. Mas ele estava virando volta mais rápido. Ele está sem ver nada e o engenheiro está lá.
Felipe, volta mais rápido, volta mais rápido. Ele não está vendo bosta nenhuma. Imagina se estivesse vendo. Ou talvez por isso ele estava virando rápido.
as vezes é isso, tava perdendo todos os pontos de frenagem mas eu quero te perguntar você assistiu ontem, o que você achou do filme? a gente chegou nesse até agora cara, eu achei incrível sabendo da história do filme sabendo da dificuldade eu não sei se ele funcionaria se eu visse ele totalmente como uma ficção sabe? sem o contexto com o contexto ele é maravilhoso
Entendeu? E esse contexto que a galera tem que saber antes de assistir o filme. Porque se você assistir um Fórmula 1 e assistir esse filme, não dá pra comparar. A proposta é diferente, concorda? Sim, totalmente diferente. Não tem como você colocar aquela emoção e tanta coisa que vai colocando pra gerar conflito, conflito, conflito. Você tem o que aconteceu em cima disso. Você tem total razão. E eu concordo muito. Eu acho que o contexto é extremamente importante.
Porque é o seguinte, se você tenta rotular, vai assistir o To Die For e fala, não, não conheço nada. É que nem um bruxo de mulher. Você fala, pô, puta câmera ruim, tudo tremido.
sabe qual é a proposta? Sabe qual é o contexto? É outro, cara. Quantos filmes são muito melhores por causa do contexto? Exato. E é uma coisa que eu sempre falo muito com o André, a gente é muito preciosista com filme antigo. E o que eu quero dizer é isso? É que todos os nossos filmes favoritos são sempre filmes antigos. Aí o filme antigo tá cheio de defeito, e a gente não chama de defeito, a gente chama de característica. É. Só que aí o filme moderno tem defeito, aí você, não, isso é defeito.
Entendeu? Não é característica. Então, cara, pensa o Kubrick, quando ele lançou 2001, a doceano espaço.
Você sabia que as pessoas levantaram do cinema e foram embora? Por quê? Um monte de gente. Primeiro porque você tem 10 minutos de música tocando com tela preta. E depois começam os macacos por 30 minutos.
As pessoas foram embora e perderam o filme, um dos melhores filmes de todos os tempos. Porque naquela época, as pessoas olham para o Kubrick e não estão pensando no Kubrick como o Kubrick histórico. Eles estão vendo o Kubrick atual. E eles viram o 2001 e falaram, mano, que bosta é essa de macaco? E muita gente falou mal de 2001. O 2001 levou um tempo para ser apreciado. Por isso que eu falo que às vezes o Tenet vai ter esse tempo de apreciação.
Blade Runner também aconteceu. Blade Runner aconteceu pra caramba. Speed Racer agora, voltando para o cinema.
O Speed Racer, o filme? Sim. Ele voltou para o cinema aqui no... É. Ele voltou... Eu gostei, cara. Mas na crítica... Na época os Watch Owls que foram massacrados. É, massacrados. Eu também gostei demais. Eu percebi que eles estavam muito à frente, cara, da parada. Eles são à frente. E hoje é um filme culto e um filme histórico. E agora voltou para os cinemas e todo mundo... E lotou as salas. Não veio para o Brasil, mas rodou no mundo todo.
Então assim, eu acho que contexto pra filme é muito importante e melhora muito muitos filmes. Porque se você vai lá, tipo, não, eu assisti Fórmula 1 e vou lá assistir To Die For. A gente não tem um ator, um ator, a gente tem um piloto de verdade, o outro tem um dos melhores atores de todos de hoje em dia, que é o Brad Pitt. O cara tem um magnetismo incrível, o cara é bonito, o cara é engraçado, ele consegue fazer tudo.
E aí você tem uma história que foi roteirizada do começo ao final, você tem quantos dias você quiser para gravar. Então é um filme que foi gravado em mais de dois meses com equipe do tamanho do mundo. Você tem pós. Vocês não podiam colocar pós e mudar. Não. Mudar a cor do carro, mudar não sei o quê, mudar... Não dava. Então assim...
O contexto faz isso ser especial. Mas a gente poderia se basear e utilizar da melhor coisa que o nosso filme vai ter que, no caso, Fórmula 1 não teria, que é a autenticidade no nível que tem. É tipo assim... Mas eu vou te falando. Exatamente isso que acontece. Você saiu da proposta, você fica meio arrepiado. Fala, caralho, cara, e agora? O que o cara vai fazer? Mas não porque o Brad Pitt é uma ficção e um roteirista vai pensar num plot twist muito foda. Não, ninguém pensou num plot twist.
Foi a vida que fez a parada lá. Então, se você se despluga disso, é uma coisa que a gente fala bastante. Se você despluga de pensar, eu não estou vindo assistir um filme que eu sou acostumado, ou um documentário. Eu vou ter uma experiência e ver uma coisa que eu não estou vendo antes. Sabe uma coisa que eu achei que faltou? Por exemplo, eu não manjo nada de Le Mans.
Eu não sei quantas horas cada piloto fica, eu não sei quanto troca, isso eu fiquei perdido. Eu falei assim, meu, faltou alguém explicar, falar assim, eu fico, sei lá, eu vou falar a BC, depois vocês me digam, eu fico quatro horas, eu fico três horas, depois tenho que trocar o piloto, depois é mais quatro horas, porque ele vai dormir. Ele dormiu quanto tempo? Que hora que ele tem que acordar para voltar?
Essa parte de quem não manja da corrida, eu fiquei perdido. Agora o podcast melhorou muito. Boa. Porque eu queria ouvir a opinião do Vilela e está muito legal. Seguinte, isso foi uma decisão que a gente escolheu fazer isso. A gente poderia ter tentado educar você em Le Mans e em Endurance e explicar as regras do jogo. Mas aí a gente tirou o nosso lado diretor e a gente entrou o lado... Tirou o lado nula.
Porque o Nolan explica tudo, né? Então, é isso que eu ia falar agora, que a galera reclama que o Nolan explica demais, não é? Pois é, o nosso filme não explica nada. Sabe por quê? Porque eu como moviegoer, eu como o cara que vai no cinema, eu queria fazer o seguinte, como audiência, tem algumas coisas que me irritam em alguns filmes. Uma delas é como ela me trata como idiota. E ela fica me explicando dez vezes. Mas eu sou um idiota, cara!
Eu não preciso me tratar como idiota. Eu sou idiota. Por isso de carro... Não sei, você também ou não? Eu não sei também. Eu não entendo nada. Cara, mas... Então, eu vou chegar no meu ponto. É o seguinte. Vão tratar a audiência como inteligente. Eu não gosto quando eu vou vendo um filme e o filme me insulta. Fala, você é burro demais para entender isso aqui e vou ficar te explicando. Eu gosto de filme, por exemplo, Whiplash.
O Whiplash, eu sou um idiota pra música também. Eu não entendo nada de jazz, eu não entendo nada de bateria. Em nenhum momento o Whiplash parou pra me explicar qual é a diferença de um baterista bom ou ruim. Ou de uma batida X, batida... Você lembra quando... Você tá gostando ou demorando. Você lembra quando... Exatamente. Você lembra quando o personagem, o... Como é o nome dele? O principal? Não, o professor. O professor.
Vê pra gente, cara. Fletcher. O nome do personagem é Fletcher. Ah, do personagem. Quando o Fletcher vai... Agora eu vou misturar as coisas. Quando o Fletcher vai com o personagem do Miles Teller e ele dá um tapa na cara dele e fala, você está acelerando, você está adiantado ou atrasado? Você está adiantado ou atrasado? E dá um tapa na cara dele? Pra mim, eu não sabia. Você sabia se ele estava... Não, eu ia...
uma outra ponta. Eu também não sei. E até hoje, eu já assisti esse filme mais de seis vezes. Eu não sei se ele tá adiantado ou atrasado. Mas aí outro dia eu saí do filme, e eu gosto muito dessa experiência de você sair de um filme e assistir um vídeo no YouTube que explica os detalhezinhos do filme. E aí sabe o que você descobre? Que o diretor do filme, o Damon Chazelle, é um cara fascinado por música. Ele ama jazz, por isso que todos os filmes dele tem jazz.
E tudo no filme tá em ritmo. Então a cabeça do Fletcher, quando eles estão tocando, e ele tá tipo...
Curtindo a música, a cabeça está dentro do que eles chamam de 4x4, da batida da música, do tuk, tuk, tuk. Ele está sempre na batida. Então, se você olhar a cabeça dele, você consegue ver se o personagem do Miles Teller está atrasado ou adiantado. E aí, quando ele bate na cara dele, ele bate no tempo certo. Ele bate, ele começa a bater. Pá, pá.
No tempo certo. E ele fala, eu tô... Aí quando ele bate na cara dele, o que ele fala? Eu tô adiantando ou atrasando? Então, assim... E você não sabe a resposta. Ele responde e o cara para de bater e você não sabe se ele respondeu certo ou se o cara falou, mano, não posso te bater mais. Então, é um filme que te trata como muito inteligente. Por que ele te trata de inteligente? É o seguinte, você não precisa entender nada de bateria pra entender o whiplash.
Esse cara quer ser o melhor. Quando que ele vai ser o melhor? Quando ele quebrar a cara desse professor. Não é isso?
O meu filme é o seguinte, o Felipe quer ser o grande vencedor de Le Mans. Como que ele faz para ganhar Le Mans? Ficando em primeiro. Se ele não está em primeiro, ele está puto. Se ele está em primeiro, ele está feliz. É isso que é o filme. Mas qual é a regra? A regra é, eu não queria fazer Exposition. Eu não queria parar. Qual é a regra do Le Mans? Ah, tá. Eu te explico.
Mas o ponto é, eu não queria gastar tempo te parando a história do filme para falar, vem cá, deixa eu te explicar o que vai acontecer agora. Não, cara, é o seguinte, você é inteligente o suficiente para saber que ele quer ir rápido, se ele não está em primeiro, não está ganhando. Ah, eu não entendi tudo. Irado, a próxima vez que você for ver o filme, você vai assistir o corte do Inteligência que eu vou explicar agora, você vai saber, e quando você for ver o filme, você vai ter uma segunda experiência nova.
Então, como funciona a regra? Antes de você falar como funciona a regra, que a gente garra a galera um pouco mais nisso aqui.
Porque você falou uma coisa muito da hora de ritmo. E aí eu puxo outra referência. Quando eu tava fazendo a montagem, a coisa mais importante pra mim era o ritmo. Era eu pegar a audiência e deixá-la cada vez mais na ponta da cadeira. Aí o seguinte, quando você vê Dunkirk, o filme do Nolan da Guerra, a única exposition que tem é no começo do filme, nos primeiros segundos, que cai uma folha na mão que mostra que nós estamos te rodeando. Quem tá rodeando? Nazista.
só. Depois, cara, como que eles vão fugir? O que que tá acontecendo? Você só tá vivendo como aqueles caras ali na frente. Ele não te explica mais. Cadê o inimigo? Cadê a galera rodeando? Cadê as coisas? Quanto tempo eles têm? O que que tá acontecendo? O filme, ele te coloca num ritmo de você sentir o que que era estar naquela praia.
O nosso objetivo era colocar audiência, sentir o que era ser o Felipe tentando ganhar aquilo. Então você abre mão um pouco, porque se eu tiro agora ali e falo, agora eu vou te explicar as regrinhas de Le Mans, eu perco esse ritmo. E aí para eu ganhar audiência de novo, eu vou ter que encher alguma linguiça ali. Então isso era uma coisa que a gente não queria abrir mão, porque a gente sabia que a gente vai tomar alguns compromissos, vai perder de explicar algumas coisas, mas eu vou te tragar uma coisa nova, que é sentir o que é ser esse piloto. É sentimento.
Agora eu vou explicar as regras de Le Mans, como funciona. Le Mans 101. Isso. Regras básicas. Tudo que você precisa saber para assistir... Viraram o Felipe Nasser. Não, não, não. Eu vou dar o corte no podcast. Tudo que você precisa saber antes de assistir To Die For, sem spoilers. Primeira coisa. Existem três categorias correndo em Le Mans. Três categorias diferentes de carros. Ao mesmo tempo? Ao mesmo tempo.
Você tem a Fórmula 1 dos carros, que é o Hypercar, que é basicamente um Fórmula 1 carenado. Só para você ter noção, esse carro é quase tão rápido quanto o Fórmula 1. Inclusive a geração anterior, eles botaram na pista de Spa-Francorchamps e ela quebrou o recorde da Fórmula 1 em Spa-Francorchamps com esse carro, sem nenhuma limitação. Então é um carro que vamos falar assim, quase um carro de Fórmula 1, só que fechado para durar 24 horas, passar chuva e etc.
E aí você tem a categoria abaixo desse carro, que é o LMP2. E esse LMP2 é tipo um protótipo, tipo um Fórmula 2.
Chegou a entrega especial ali. Opa, tudo bom? E aí? É tipo um Fórmula 2. Então ele é um carro bem mais devagado que o Hypercar, mas ainda um protótipo. E aí você tem a terceira categoria de carro, que é o GT3, que é basicamente o carro da Porsche Cup ali, que corre na corrida. É um carro de rua preparado para ser carro de corrida. Esse carro, a diferença de volta entre o hipercarro e o GT3 é tipo assim, 20 segundos, cara.
é muito grande essa é a graça é o endurance basicamente você está correndo no tráfico de São Paulo os caras do hipercarro estão ultrapassando o Felipe nasce e os outros estão ultrapassando pessoas fazendo assim, tipo 15 ultrapassagens por volta é 24 horas sem tirar o olho não é eu estou disputando em primeiro e eu estou ali tranquilo mas um carro que não é o hipercarro pode ganhar?
Pode. Se os hipercarros quebrarem, pode. Inclusive, historicamente, aconteceu uma vez. Que todos os carros da categoria Fórmula 1, que é o protótipo quebraram e um carro ganhou. Sabe que carro que é? Um 911. Um Porsche GT3. Da categoria GT3. E esse carro é um carro único no mundo.
que por alguma razão era tipo do Pablo Escobar, ligado com o narcotráfico daqui da América Latina. Que doideira. E hoje está com um colecionador americano que a gente conheceu, assistiu o To Die For e amou o filme. Falou, cara, um dos meus filmes favoritos de corrida que eu já vi na vida. Que é dono do Museu Peterson. Sabe Peterson, museu lá em Los Angeles? Não sei se você sabe qual que é. Museu de Automobilismo? Não. E ele chamou a gente para conhecer a coleção dele. Eu chego lá, está esse carro lá.
Então assim, beleza. Finaliza o corte. Voltar ao corte agora de coisas que você precisa saber para assistir To Die For sem spoilers. Então você tem três categorias extremamente diferentes de velocidade. É muito normal acontecer incidentes, inclusive no nosso filme acontece um incidente de um hipercarro com GT3.
e é muito normal isso acontecer porque eles estão ultrapassando o tempo inteiro. E é um dos maiores medos da galera do carro muito rápido, é de, tipo, você está disputando a posição com outro carro, hipercarro, e aí você vai desviar e bate num GT3 e acaba com sua corrida, por besteira. Isso pode acontecer. Então você tem esse perigo, que é essa diferença de categorias. Em cada categoria, em cada carro, você pode ter três pilotos.
Então você... É isso, na categoria hipercarro você tem 3 pilotos por carro. Então o que corre por 24 horas? Não são os pilotos, é o carro. E quem ganha é quem percorre a maior distância. Você não pode trocar o carro. Não pode trocar o carro. E é quem percorre a maior distância pelas 24 horas. Então dura. É isso? É isso.
E aí a parte muito legal é que esses pilotos, eles ficam trocando entre eles três de acordo com a performance deles. Ah, não é por hora? É por hora, mais ou menos, porque assim, não é muito inteligente você trocar só por trocar. Você tem que trocar porque está acabando o pneu ou está na hora de abastecer, então eles fazem para dar tempo. Então geralmente o cara anda de...
duas horas e meia, três horas, às vezes, no máximo. Mas o cara está muito bem, ele fica mais? Fica mais. Eles deixam ele ficar. Eles veem a cadência. É pacing, né? Assim que você vai ficando mais devagar, eles te chamam e trocam. O piloto mais importante, normalmente toda equipe, eles fazem o pelotão. Aí você tem o piloto que é o piloto estrela, que é o cara mais rápido. Aí você tem o piloto mais consistente para os momentos mais difíceis.
Tem o piloto mais cuidadoso, sabe? Tem tudo, eles sempre pensam nisso. O piloto mais importante, normalmente, é o piloto que faz a largada.
que é um momento muito definitivo, e o piloto que finaliza a corrida. Esse piloto é o Felipe Nasser no carro 4. Então ele faz a largada e ele finaliza a corrida. É sempre assim. E aí a parte interessante do filme é o seguinte. Tem uma dinâmica muito engraçada acontecendo no nosso filme, porque esses três pilotos, eles na verdade são concorrentes.
eles correm outro campeonato, que é o campeonato do IMSA, e lá no IMSA eles são inimigos um do outro. Então o Jaminei e o Tendi são parceiros e correm contra o Felipe e outro piloto lá nos Estados Unidos. Só que quando vêm para o Alemã, eles pegam os melhores pilotos e juntam num carro só. Então esses caras normalmente estão um contra o outro. Então tem uma dinâmica interessante acontecendo no filme que a gente percebeu muito. Sabendo disso já é outra informação.
Que muda. Tem uma coisa interessante que acontece, que a gente percebeu que tem um jeito, que é o seguinte, o Felipe ele bota o capacete, cara e ele, assim, é o meu momento Ayrton Senna é o momento dele fazer a pilotagem da vida dele aí o cara vai lá e faz a pilotagem da vida dele quando ele vai entregar o carro pro companheiro dele ele tira o capacete e ele basicamente tá tentando acalmar o companheiro dele e fala, cara, vai de boa não precisa fazer mais nada não e aí o cara fala, relaxa, aí o cara bota o capacete
Ele fala, vai cagar, é meu momento. Eu sou o próximo Ayrton Senna? E aí ele entra no carro e faz isso. Aí quando vai o terceiro, eles fazem a mesma coisa. Então eles sempre ficam, tipo, falando assim, acalmando um outro pro outro, não exagerar. Mas ao mesmo tempo, todos eles querem, todo mundo quer ser o melhor.
Então existe a fricção até ali dentro. E essa dinâmica para mim é tão louca, e esse é o motivo que a gente quis fazer uma corrida de endurance, que não é muito popular, poucas pessoas, não é todo mundo que conhece sobre, porque imagina o seguinte, o piloto vai dormir, enquanto o carro dele está correndo.
Isso que é o que no filme isso mostra. É, fala, né? Quando acorda, a corrida pra ele pode ter acabado já. Se ele acordar com a mensagem, o carro bateu. É. O que você faz? Tipo, é muito louco essa dinâmica. Isso é uma coisa que o Felipe, a gente conversou bastante com ele, também mostra no filme, que eu acho bem legal, ele falou, cara, imagina o seguinte, você sai de uma corrida, você tá na corrida, você fez uma puta pilotagem, e agora você tem que chegar e você tem que dormir. A adrenalina do cara tá a milhão, e ele tem duas horas pra dormir.
Porque daqui 3 horas ele vai entrar no carro de novo. Se ele não descansar, ele não está bem. Ele fala, por isso que ele usa a meditação. Que ele abaixa a atividade cerebral dele e vai dormir. E aí ele acorda, faz a meditação de novo, que ele sobe a atividade cerebral dele e entra no carro. Então, tipo, o cara é um reloginho. É muito louco isso, porque ele vira a chave. Isso é muito da hora. Aí, agora mudou o contexto do filme para você? Total, total. Diretor, mande umas perguntas aí.
Vamos lá. A Ana Mendes, faz parte do nosso grupo de membros, está perguntando aqui. Como é dirigir um filme em dupla? Ainda mais você sendo irmãos. Vocês discordam muito? Já teve briga no set? Cara, já teve briga no set. Óbvio, óbvio. Nesse set, não. Mas é briga boa. Sabe por quê? Eu vou complementar para explicar uma coisa. Tipo assim, desde que eu me conheço por gente...
esse cara é meu melhor amigo e a gente faz tudo junto. Tipo, foi muito lógico quando a gente foi fazer o Abdala Brothers como irmão. Porque nós fomos criados com a criação dos nossos pais de que, tipo, vocês são irmãos, vocês têm que ser os melhores amigos, vocês têm que ser o parceiro um pro outro pra vida. E por isso a gente sempre foi muito junto. A gente sempre aprendeu a dividir as coisas. E por a gente fazer tudo junto, acontece que nosso interesse e as coisas que a gente gosta sempre foi muito parecida. Então, a ambição minha de ser diretor é a mesma dele.
É mesmo que a gente quis fazer tudo. Então pelo fato de a gente ter essa cabeça muito parecida nisso, existe uma coisa que quando você está fazendo, que é muito doido, que é quando você está fazendo uma parada e você está ali tentando e difícil e não sai. E eu estou, no caso, editando o filme, me mexendo e não está 100%. E você fala, está legal aqui, deixa eu pular para o próximo. No fundo da sua cabeça, você sabe que não é 100% o que você entrega. Não está lá.
só que não tem ninguém pra admitir aquilo só que o Saio, o cara quando eu faço uma coisa dessa, vem me cutuca mano, você entrega melhor, isso aqui não tá legal eu falo, filho da mãe tá bom, cala a boca, deixa eu mexer mais de novo e eu faço a mesma coisa com ele às vezes eu tô tentando uma coisa e tipo já dei meu máximo, já fiz, é isso aqui e aí o André vira tipo e me pega na sua conversa fiada entendeu? na conversa fiada que você se mentiu mas isso aqui não tá bom não
Tenta de novo. Aí você muda tudo e... Puta, tava certo, sabe? E foi meio que cedo que a gente percebeu que, mesmo a gente sendo irmão, e óbvio que aí tem discussão normal, mas, mesmo a gente sendo irmão, em vez de a gente tentar focar em quem que é o melhor dos dois, é admitir que as coisas que eu sou bom...
e vice-versa, então se a gente somar dessa forma e também aprender a se respeitar eu acho que é muito interessante na maturidade com o passar na zona a gente parou de brigar mais e conseguiu entender de rodar isso melhor, a gente consegue fazer uma coisa eu tenho a palavra final no set de filmagem o André tem a palavra final na pós-produção e assim a gente se afia a gente se corta, a gente respeita um outro mas se um outro tentar o que o outro falou e não deu certo, ele pode falar não, esse aqui é meu call e não vai ser basicamente é isso
O que chegou aí pra gente ver aí? Ah, chegou algo muito especial. Ó, isso aqui, ó. O que que é isso? O que que é isso aí? Não, não, não, não tô filmando. Mas abre. Ah, você deu. Não tô filmando. Calma, Guilherme. Tô usando a câmera overhead aqui, ó, pros caras verem a caixinha. Não, mano, peraí, peraí, peraí. Então enquadra lá que tá de ponta cabeça. Ô, diretor.
toma, se quer enquadrar dá na minha mão que eu sei enquadrar o cara assim, ó, aqui ó eu ia pegar pra mudar aqui, agora tá certo o Filaela agora sentou do outro lado da mesa eu tava torcendo pra ele tentar pegar foi pensado isso aqui é a explicação do que a gente tava falando antes então, ó, isso aqui é super legal parece um guardanapo branco aqui que a gente consegue aqui que ele consegue ver bem legal
Basicamente é o seguinte, isso aqui é a película que gravou Lawrence of Arabia. 2001, o Ocena no Espaço. É a película de 65 milímetros. Então o que quer dizer? Quer dizer que essa largura aqui que ela tem é 65 milímetros. Certo. E aí ela tem cinco perfurações. Então se a gente pegar, tem uma caneta aqui. Aqui, um palitinho. Ah, boa. Se a gente pegar aqui, a gente tem... Dá pra ver aí, diretor? Tá dando pra ver? Quer que chegue a pé? Tá dando pra ver? Não, ele pode aproximar a lenha. Dá um zoom aqui na...
Conseguiu dar o zoom aí? Ah, colocou um celular aqui? Ah, agora sim. Olha que legal. Ó, o seguinte, a gente tem aqui, ó. Essa aqui é a película de 65 milímetros da Kodak, tá? Então, basicamente, isso aqui era... Deixa eu virar o microfone pra mim. É a película que mais tem resolução na história, tá? E eles filmaram Lawrence da Arábia, filmaram 2018 no espaço, Ben Hur, todos os maiores filmes de todos. Então, o que ela tem? Ela tem 65 milímetros daqui até aqui.
E aí ela tem cinco perfurações. Então você pode ver aqui que tem uma, duas, três, quatro, cinco. É assim que essa película sempre foi usada. Isso é para rodar a película. Rodar a película na câmera. Então roda 24 vezes frames desse aqui verticalmente. Então ele roda verticalmente na câmera.
O que foi a tecnologia IMAX? Esses caras pensaram, velho, se a gente pegar essa película, em vez de rodar ela verticalmente, a gente constrói um mecanismo que vai rodar ela horizontal. Então, agora a gente vai ver a imagem assim. E aí, em vez de a gente ter cinco perfurações, a gente tem 15. Então, tem um, dois, três, quatro, cinco, um frame.
6, 7, 8, 9, 10, outro frame. 11, 12, 13, 14, 15, terceiro frame. Então a gente tem aqui o frame IMAX, são três frames de 65 milímetros juntos. Então você tem a resolução de três, do que era a maior resolução que existia. Então, quer ver a película IMAX, que legal? Essa aqui, isso aqui é uma impressão, tá? Isso não é uma película real, é só uma impressão. Aqui é a película real.
Pera aí. Boa. Aqui é a película real. Vou usar o celular porque senão não dá pra ver. Tá. Essa película aqui é a película real. Pode colocar o celular aqui embaixo. Aqui em mim? Tá. Vou fazer assim de lado. Pra gente poder apoiar em cima do celular. Aqui é a película real. Tá. Agora tem que aumentar a claridade porque tem mais... Deixa eu aumentar aqui pra você. Boa.
Caralho, pega uma cena clara. Olha que legal. Então, isso é a película real de IMAX. E os 15 frames? Se você contar aqui, tem 15. Então, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 13, 14, 15. Aqui, olha. Eu achei que era maior. Olha isso. Tem 3 frames. Você consegue ver? Que duro. Deixa eu ver se eu consigo alinhar.
Aqui, ó. Três frames. Tá vendo? Então, isso aqui, quando você vê isso aqui projetado, a resolução disso é muito superior a isso aqui. A gente assistiu esse filme na Premiere com o Nolan. A IMAX convidou a gente pra assistir lá em Nova York. Os ingressos estão aqui. Tá aí um ingresso pra ninguém achar que a gente é o Naldo. É mentira. Fala sim, cara. O pessoal vai achar que o Naldo mente, né? Olha só.
O cara não contou uma mentira na vida. Depois que apareceu Will Smith lá, foi... E quando você vê essa película projetada e passa essa que é a segunda maior resolução que existe, você vê diferença. Eu achei que não ia ter diferença. É muito legal. Então, isso é a película IMEX, esse é o formato IMEX. Que bacana. Foi uma experiência de vida. Aqui, olha a explicação aqui. Ah, tá. Putz, muito legal.
E esse aqui foi um presente que eles deram pra gente. É a única da América Latina. É? Que é um corte selecionado pelo próprio Nolan da película original das cenas que ele queria. Eles sabem que o Nolan é a maior influência pra gente que tem.
E essa lente que vocês usaram só tem duas ou três no mercado? Três no mundo. Tem três jogos dela no mundo. E quando vocês usaram, o Nolan estava usando para filmar o... Odisseia. Ele estava usando uma delas para Odisseia. Estavam sobrando duas. Olha só. E foi aí que eles falaram com a gente, cara, é meio difícil de conseguir. O Nolan está usando para Odisseia uma. E a terceira ele deixou de backup, talvez? Não, alguém está usando.
Alguém está usando. É porque acontece, a Panavision é uma empresa que você não compra uma lente dela. É uma empresa familiar que ela aluga as lentes.
Então não existe você ter uma leite. É. Não existe. É impossível. Só para você não ser uma história muito melhor. O Nola que é o Nola não tem. O Spielberg. O Spielberg foi na Panavision. E na Panavision lá em Los Angeles, eles têm como se fosse... É um museu. Tipo, você vai andando, é um museu. Muito legal. Que nem aqui você tem. Você tem várias coisas que são partes de história. E tem lá a câmera que filmou Jaws.
E aí, com aquele tanque gigante que eles fizeram pra filmar subaquático, pra filmar o tubarão, tudo. O Spielberg que tava lá e falou, cara, me vinde essa câmera. Isso, tipo, é meu primeiro filme, foi o que me tornou quem eu sou. Eu queria ter isso na minha casa. Aí eles falaram, olha, não tem problema, mas a única coisa que você tem que comprar Panavision primeiro, mudar as regras, aí você pode comprar a sua própria câmera. Então assim, eles são, isso pra mim que é o mais insano, cara, porque ali...
Toda a galera que trabalha, eles vivem e respiram o cinema de uma maneira tão legal. É uma parada. Por isso que eles não vendem. É um legado, é uma história que cada um está construindo um pedacinho. E tentando evoluir um pouco mais. E agora a Netflix acabou com tudo. Comprando tudo. Eles fizeram uma lente para a gente. Como assim fizeram uma lente? O que acontece? Vocês pediram umas especificações, é isso? Que eles não tinham? O que era diferente?
O que aconteceu foi o seguinte, normalmente os filmes grandes, então tipo, o cara vai filmar Star Wars, a Panavision faz um set de lentes para Star Wars com as fontes do Star Wars. É uma coisa maravilhosa para fazer aquele filme. 007 foi feito, Elvis foi feito, os filmes do Nolan tem lentes exclusivas para ele. Quando a gente conheceu a Panavision, quando começou o nosso relacionamento, foi naquele vídeo da Letícia Buffoni que estava pulando do avião.
e a gente foi na Panavision simplesmente fazer um tour, a gente só queria conhecer lá, eu não tinha a mínima pretensão de alugar uma lente lá, eu sabia que era muito cara, coisa de 100 mil dólares, para você conseguir fazer um trabalho inteiro lá na Panavision, era mais que o orçamento do que a gente tinha quase.
Ou então 100% do orçamento. E aí, cara, a gente pediu pra fazer um tour, pra conhecer lá. Enquanto a gente tá fazendo esse tour, eles estavam nos recebendo, a gente conhecendo lá. Eles foram muito gente boa com a gente. Tipo, eu mandei uma mensagem pelo Instagram, falei que a gente era muito fã do Nolan e do Tarantino. E eles falaram, ó, quem vai te atender é o Jim, que é o cara que atende o Tarantino. E a outra pessoa é a Amanda, que atende o Nolan.
Pra eles, tipo, te contarem historinhas desses caras. E o mais doido que isso foi num DM, tá? A gente mandou pra eles. Tipo, quero conhecer vocês.
E aí a gente foi pra essa viagem, que foi a viagem mais feliz da nossa vida, que a gente não tava acreditando que isso tava acontecendo, vendo histórias do tipo como a Panavision criou um mag de filme de mil pés, normalmente o mag é de 500 e dura tipo 5 minutos, 4 minutos de película, pro Tarantino poder gravar Sete Odiados, uma cena de 10 minutos sem cortar. Porque o Tarantino falou, eu não quero fazer aquelas merdas que o Hitchcock fazia de corte invisível. Foi a palavra dele, tá?
Foi literalmente o que o Tarantino falou. Abre aspas. Abre aspas. I don't wanna do that old Hitchcock bullshit de Invisible Cut. E aí a Panavírus teve que criar um mecanismo novo pra colocar o dobro de quantidade de filme pra poder rodar por 10 minutos e ele fazer a sequência de 10 minutos sem corte de 8 minutos. O único motivo que deu certo foi porque eles realmente filmaram num lugar que tava absurdamente frio, tipo, menos 15 graus, porque como é muito filme rodando muito rápido...
esquenta demais. Só porque tava muito frio, não dava overheating na câmera e não dava pra... A gente ouvindo as historinhas todas, muito doidas. Uma hora, o Jim fala, e o que vocês estão fazendo aqui?
Falei, cara, eu vim aqui porque a gente está fazendo uma campanha para Red Bull que vai quebrar três recordes mundiais. Quando eu falei isso, o Dennis Azaki, que na época eu não sabia quem era, estava passando na sala, parou, ouviu e olhou e falou, ah, o quê? O que é? Vocês são diretores? Tipo, o que vocês estão fazendo? Falei, ah, estou fazendo um projeto para Red Bull. Expliquei o filme da Letícia Buffone, e a gente queria muito filmar com uma qualidade boa.
O salto. Aí o Dan falou assim, mas que lente que você quer usar? Eu falei, cara, na hora que ele falou isso, eu achei estranho a pergunta, que lente você quer usar? É. Tipo, eu falei, mano, a gente não tá no seu calibre. Tipo, como assim? Mas aí eu pensei assim e falei, sem pensar muito, eu só falei assim, cara...
A lente que eu queria não tem. Não existe. Aí ele falou, como assim? Eu queria uma lente anamórfica com fator de stretch de duas vezes, só que ela precisa ser menor que um quilo e ter esse tamanho. Não existia na época isso no mundo. Aí ele olhou, parou, pensou, falou, I can get that for you. Aí eu fiquei assim.
Ok, tipo, não entendi. Aí ele pegou e saiu. Porque ele não fica muito tempo assim, sabe? Aí o Jimmy olhou pra minha cara e falou, sabe o que acabou de acontecer? Eu falei, não. A Panavision vai fazer a lente pra você. Aí eu falei, mas como assim? Eu não tenho grana pra pagar vocês. Ele falou, grana não é um problema. Quanto que é o seu budget?
cara, tipo, não tem nada eu tenho uns 10 mil dólares pra gastar de câmera e lente é nada, é literalmente nada ele falou, se for zero é zero se for 10 mil é 10 mil, não tem problema a gente vai apoiar vocês nesse projeto
E os caras perceberam que essa era uma lente que outras pessoas vão usar, provavelmente. Era. Eles têm uma... Depois eu perguntei pra ele, por que vocês estão fazendo isso? E ele falou assim, a gente tem uma tradição de ficar de olho de quem vão ser as pessoas que vão surgir depois. Ah, tá. Dos próximos diretores. Que a gente quer ter eles dentro da casa. A gente não quer que eles saiam daqui.
E a gente tá colocando vocês, tipo, tô querendo conhecer vocês. Quando a gente chegou pra ver a lente, eu não sei se você consegue puxar a imagem aí, se você quiser. Eles fizeram a lente customizada pra gente, e eles colocaram nossa assinatura na lente.
Então, que nem eles fazem Star Wars Que nem fizeram Duel 007 E o mais legal é que eles vieram pra entregar pra gente Tipo, com a lente assim, saca? Tipo, e foi entregar E quando eles foram entregar, a gente pegou na mão Peguei assim, quando eu girei Cara, juro, quando eu girei e vi o nosso logo, eu falei, não
É, chorei esse dia. É, chorei esse dia. Porque, mano, é tipo assim, não era pra ser, não era pra ter aquilo. E foi aí que na nossa cabeça, assim, foi esse momento, nesse ano, lá na Panavídeo, que a gente percebeu, cara, nada vai parar, gente. A gente só precisa acreditar, ter coragem, porque se a gente tem uns caras que são, tipo...
basicamente a definição de Hollywood acreditando no nosso trabalho, por que a gente não tá fazendo filme? Foi a nossa nova GoPro nessa... É, porque a gente brinca que teve muitas GoPros que Deus nos deu ao longo da vida, que nem a primeira GoPro que nos bloqueou, queria fazer vídeo, seguir aquele sonho. Teve muitas coisas no meio da nossa jornada, de tudo que a gente seguiu, que foi tipo, degrau por degrau mostrando, caraca, velho, eu consegui um pouco mais, eu consigo fazer isso. E quando a gente teve esse acesso na Panavid, a gente falou, velho...
É aqui que o Nolan entra, velho. E eu tô aqui. Então a gente precisa aproveitar dessa oportunidade. A gente precisa. Tipo, não é tão longe quanto eu imaginava, sabe? E é muito louco, porque... Quando a gente pensou em fazer o nosso filme, você foi pensar, é muito retardado. A primeira coisa que estava na nossa lista era fazer o filme.
é, essa lente olha o logo lá e é um protótipo, você pode ver que todos os números estão escritos na canetinha porque ela acabou de ficar pronta ela é muito pequena e ela tem a qualidade de uma lente anamórfica do Star Wars ela imita a Panavision Retro C que é a lente do Star Wars que doida aí você pode ligar lá e falar que era a lente dos Abdalas aí eles tem lá pra lugar já tá lá no catálogo tem lá pra eles
Obrigado demais. Informações para quem quer ver o filme. Acabou de ver a entrevista aqui e quer ver o filme. Como que é o esquema? To Die For 24 horas no limite está nos cinemas. Agora. Gente que estava morta, voltou à vida, cara.
Olha quem voltou aí a vida. Eu conheço esse careca que passou aí, cara. Eu conheço. O cara voltou, cara. Achou que ele tinha morrido atropelado, né? Precisamos de reforço aqui. Ah, tá certo. Chamamos reforço antigo. Então é isso, desculpa. Não, o que é isso? Vamos lá. Cinemas... Cinemas... Ingress.com. Ingress.com. Ingress.com, a gente tem o site do filme também, que é o Te Dive for Film.
Uma hora, é um filme divertido. A gente pode criar o Barbenheimer brasileiro. Vai assistir Diabo Fest Prada com a namorada e ela assiste o filme com você de uma hora. Ela vai reclamar filme de coisa. É uma hora só. E você já foi assistir o filme dela. Pronto, vai todo mundo se divertir. Vai ver dois filmes juntos. O Diabo Fest Prada e o To Die For. É isso. Para quem não entende francês, é...
É algo que você morreria por? É, algo que você... Não, mas é por isso que a gente colocou 24 horas de limite. É inglês? Eu sei. É uma piada, né? É uma piada. Eu falei, mas travou aqui. Mas eu só queria explicar uma coisa para quem é brasileiro, por que o nosso título é inglês. A gente queria ter a temática de 24 no título.
E o título é 2, dá 4. E eu não tinha me ligado nisso, porque tem o 2 e o 4. A gente não fez um título em inglês só para fazer um título. Não, é tipo assim, existe, você consegue usar... É que é um puta nome também, né? É um nome legal. É um nome porque junta com o que o Felipe falou, que é uma corrida que ele morreria por, é uma corrida que ele quer ganhar ou morrer tentando. E junta com você poder fazer a abreviação dessa fala de algo que você morreria por, com o 24, que a gente queria ter muito, que simboliza as 24 horas de Le Mans. Total, total.
Obrigado demais, então. Redes sociais. Abdala Brothers. Abdala Brothers. E em todas. Que legal. Você viu o presente que eles deixaram aqui para mim? Não, não. O presente é... Ah, hein? Quase. Vai que dá certo. Vai que, né? Não custa pedir, né, cara? Vai que dá certo. Eu tenho medo de trazer isso aqui, vai confundir o presente. É zero inútil.
Obrigado demais aí. Sucesso. E quem sabe no futuro a gente não faz um filme juntos, né? Por favor. Vou deixar meu livro de ficção aí. Quem sabe não é o segundo ou o terceiro filme deles. Não é? Fechou? Vai ter uma Havaiana voando. Não tem. É sério. Cara, muito obrigado. Obrigado a vocês, cara. Recomendo demais. Eu e o diretor fomos ver ontem. Maravilhoso. Vejam num IMAX perto de você. E se o cara não tem IMAX?
Está em cinema tradicional também. Está em cinema tradicional também. É o primeiro filme brasileiro em IMAX. Isso é uma chancela para o Brasil enorme. A gente queria trazer isso. Mas ele está tocando bem em todas as salas. A gente fez uma versão especial para a sua sala de cinema normal tocar para arregaçar. É isso aí. Fechou. Então vejam lá. E é isso. E o que você tem que dizer agora?
Curtam, comentem, vão assistir o filme. E aqui, vou pôr o Abdalaz na saia justa agora. Eles vão dar dois ingressos para a gente sortear para os membros. Será? Vão. Fechou, então. Fechou. Você quer dois ingressos? Eu quero dois pares.
Dois pares, claro. Isso, melhorar que vai. Vai com alguém. E redes sociais, você não passou, né? Abdala Brothers. Abdala Brothers. E quiser ver qualquer coisa sobre o filme, qualquer atualização, onde é que está passando os cinemas, nós temos um site que é todieforfilm.com. Film em inglês, tá? To Die For Film, não tem o E no final. .com. E lá tem um mapinha que mostra todos os cinemas que está passando e todas as notícias. Vai ter algum...
Algum making of, alguma coisa que vocês vão soltar depois? A gente está soltando muita coisa no nosso YouTube, que a gente mostra o processo de como a gente fez o filme, o processo de coloração da imagem, o que a gente criou, como a gente filmou. Tem bastante coisa. A Panavision mesmo, a gente fez um behind the scenes featurette com eles, está no canal oficial da Panavision. Fez um com a IMAX também, que está no canal oficial da IMAX Global, que mostra os behind the scenes do como que a gente filmou.
Tá tudo lá. Tem bastante coisa. Maravilha. E o drone lá, vocês mesmo que pilotaram? Foi a gente que pilotou. Eu sou a mão, piloto de drone e eu sou operador da câmera do drone. O nosso drone a gente volta com dois operadores. É um drone bem legal, porque aí você consegue ter uma imagem tipo um helicóptero. É o Spire 3. TDI e Spire 3.
É um drone de cinema. É um drone grande que a câmera pode... A câmera de baixo, que é a câmera do André, ele pode virar para onde ele quiser. E eu tenho uma camerazinha pequenininha que fica travada no drone. Eu fico pilotando o drone igual um caça, assim. Você vê a imagem igual um caça. E o André tem a imagem bonita que ele pode ir para onde ele quiser.
Tá. Pô, é bem legal. Maravilha, então. Se inscreva no canal. Dê like, muito like. Manda, manda, diretor. Inclusive, para provar que chegar a tua final... Calma, calma, calma, calma. É que a nossa palavra tem a ver com o tema de agora. Ah, então assim, o que o pessoal escreve nos comentários para provar que chegar a tua final? Drone abençoado.
amém porque esse também tem um outro esse drone também também deu problema? tem história ô louco cara vocês são cagados mesmo hein mas deu certo no final que a gente viu a imagem a France perdeu o drone só chegou no dia da corrida chegou no dia da corrida o drone cara
E o desespero, né? É grande, mas você sabe que o meu aluno é braba. Não, é nosso. O drone é nosso e o problema desse drone é o seguinte, a gente tem esse drone, ele é super raro, no Brasil tem poucas unidades e fora do Brasil você não entra na loja e compra esse drone. Então o que aconteceu foi quando ela perdeu, ela nunca tem estoque.
Quando ela perdeu, a gente foi na DJI da França e foi em todos os estoques dele. Nenhuma loja tem esse drone em estoque, porque é um drone muito caro e que a pessoa compra e espera ele chegar. E aí a gente falou, cara, como que eu vou ter imagem aérea? E a gente ficou desesperado. O drone chegou no dia da corrida, de manhã. O André, quando ele foi buscar, ele entrou no carro, ele deu play. E quando ele deu play no Spotify dele, começou a tocar Greta Van Vliet, Safari Song.
E essa é a história da primeira música do To Die For, como que ela foi parar lá.
Aí a gente dá um spoiler da primeira. Sendo que a segunda é Caneta Azul. Caneta Azul. Então escrevam um drone abençoado. Sejam felizes, fiquem com Deus. Beijo no cotovelo e tchau. E vá ver o filme. Ajude o cinema nacional. Quem ajuda o cinema nacional? Ajuda filme bom, né?
Ajude o cinema nacional. Eu sei, mas é que fala isso da impressão que você está fazendo um favor em assistir o filme. Então ajude filme bom. É isso. Não é? Não é ajude o cinema nacional. Ajude os filmes bons nacionais como esse. Vão lá. Eu assino embaixo. Depois comentem o que vocês acharam do filme. Deixa nos comentários, além do... Duran e abençoado, o que você achou do filme. Valeu. Fui. Até mais. É isso.
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