Episódios de Inteligência Ltda.

1814 - COMÉDIA GRINGA: LEA MARIA E SPENCER

14 de abril de 20261h49min
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LEA MARIA e DANIEL SPENCER são humoristas. Eles vão bater um papo sobre suas carreiras e descobrir quem é o gringo mais brasileiro da internet. O Vilela não pode participar, pois a competição para alienígenas é outra

Participantes neste episódio3
R

Rodrigo Cáceres

HostHumorista
L

Lea Maria

ConvidadoHumorista
S

Spencer

ConvidadoProfessor de inglês
Assuntos5
  • Diferenças culturais e de negócios entre Brasil e exteriorCumprimentos e interações sociais · Comida e refeições · Relações e namoro
  • Desafios de criadores de conteúdoExpectativas do público brasileiro · Críticas e legitimidade
  • Patriotismo e identidade nacionalPercepção de Spencer sobre o Brasil · Comparação entre Brasil e Alemanha
  • Humor e ComédiaExperiência de Lea Maria no Brasil · Experiência de Spencer no Brasil
  • Casos de Assalto e InsegurançaAssalto de Spencer em Salvador · Percepções sobre segurança no Brasil
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Olá, terráqueos! Agora temos um estúdio na Cidade Maravilhosa. Em uma parceria incrível com o hotel Rio Otton Palace, estaremos debruçados sobre a praia de Copacabana com convidados especiais, sempre debatendo e comentando os assuntos mais importantes para o Brasil. Então você está mais que convidado para colar com a gente. Vem!

Quer ser um milionário terráqueo? Eu sou um milionário e posso te dizer que é muito bom. É bom demais. Estou me zoeira agora? O Pix do Milhão é o maior clube de benefícios do país com várias premiações toda semana. 20 mil na hora com o Achou Raspou Epix e prêmios durante a semana de 40 mil, 100 mil e até 1 milhão de reais.

Você quer saber mais? É só acessar o QR Code que está aqui em cima da tela e tem o link na descrição também. É tudo legalizado pela SUSEP, mas vai com responsabilidade. Tá, Terráquio? Ó, e é só para quem é maior de 18 anos. Beijo no cotovelo e tchau!

Olá, terráqueos, como é que vocês estão? Eu sou o Rogério Vileira e está começando mais um Inteligência Limitada, direto do Rio de Janeiro. Aqui estamos, aqui, Lênio, num hotel fantástico de frente para a praia. Exatamente, bem na frente da praia de Copacabana. Você já tinha ficado num hotel tão alto, com um visual tão bacana desse? Não, é a primeira vez. Vocês não viram? Eu não estou fazendo um convite para você, não, tá? Entendi, entendi.

Mas você não viu no meu quarto o visual. Ah, tá. Porque se eu falo isso sem avisar... Aham.

né, a impressão que fala, ai, vamos lá ver e eu nem posso dizer que eu fui buscar a sua carteira lá agora, pô, que eu vi, senão vai ficar estranho mas você foi lá? Eu fui, eu fui você viu o visual? Pô, demais ô, Leni, como que o pessoal vai participar hoje? porque a gente tá no Rio, é um episódio especial então vamos dar preferência pra quem?

pros nossos membros, né? Então se você não é membro, primeiro você deixa o like, depois você se inscreve no canal e aí você se torna membro. Exato. Aí você, se tornando membro, você tem acesso ao nosso grupo do Telegram, onde você sabe de todas as coisas que vão acontecer antecipadamente, e aí você pode mandar uma pergunta pra gente antecipadamente também. Eu já percebi que você tem uma dificuldade em ser conciso. É verdade. Não é?

A minha mente me trai, às vezes. Eu fico lembrando do que eu falei e do que eu preciso falar ao mesmo tempo. E aí...

Mas hoje você foi mais curto Não, mas dá um desconto porque eu tô com muito sono É, precisa dormir Não agora É que aqui não dá pra dormir, essa cidade linda, maravilhosa Você quer aproveitar ela ao máximo É, Rio, a cidade da Garoa, não é isso? Exatamente

Obrigado demais, você já dá um like, então, que o papo é hoje muito bom. Estamos lá, minha amiga, que comediante de uma outra vida que eu tive de comediante. Então você, como é véia de guerra, já veio aqui no programa. Qual que é a câmera dela, Luciano? Essa daqui, né? Dá um oi pro pessoal, se apresenta pra quem não te conhece.

Estou muito feliz de estar aqui. Eu sou alemã mais brasileira que... Mais brasileira que é a gente. Mais brasileira que eu autodeclaro. Mas eu estou aqui há oito anos no Brasil. Faço comédia e faço umas crassinhas no meu Instagram e YouTube. E está morando no Rio. Estou morando no Rio agora. Decidi finalmente que vou aproveitar o Brasil. Que é legal. Do jeito certo. Do jeito certo.

Então me acompanha. Tem agenda daqui a pouco. Março. Tá certo. A gente vai deixar o link então na descrição com o link para a sua agenda.

Spencer, é isso? É isso. Cara, ô Lenny, quando você tem esse nome Spencer, metade da sua vida já tá resolvida. É, verdade. É um nome já legal de filme. Bem diferente, né? Não, filme. Ator de Hollywood, é. Roger Spencer. Então, já pensou? Lenny Spencer. Lenny Spencer, gostei. É, demais. Você apresenta pro povo e como é a primeira vez, tem que me dar presente pra eu colocar no meu cenário. Tua câmera é essa daqui, ó. Tá bom, você quer que eu dê presente agora?

Não, depois. Tá bom, então. É, você falou que o presente é constrangedor, eu tô com medo.

Vamos ver, vamos ver. Gente, eu sou Spencer, sou professor de inglês aqui, moro no Brasil desde 2018. E eu também, o Alea, sou brasileiro autodeclarado. Sabor! Isso, sabor brasileiro. Sabor, tipo, no processo, ficando. Mas é isso, eu moro aqui desde 2018, moro em São Paulo. E é isso. E cadê o presente? Tá. Ah, meu Deus. Não sei se...

Ó, tranquilo, cara. Que tamanho que é? Não vai me servir, né? Então vou ter que colocar no cenário. Tamanho 44, velho. 40.

Mas esse presente é muito legal, eu achei. Porque eu tô aqui, não moro no Rio, tô aqui, sou de mochila. Onde você tá? Onde você mora? Eu moro em São Paulo, né? Então, me avisou que preciso levar presente. Então, pensei o que eu poderia dar pra vocês. Mas esses chinelos, tipo, Havaiana pra gente, foi a primeira coisa do Brasil que eu conheci na minha vida. Antes de conhecer o Brasil. É mesmo? Porque Havaiana é, tipo, muito grande no exterior. Para! Mas são muito caros lá. A galera conhece Havaiana? Cara, eu acho.

que Havaianas é a empresa brasileira mais conhecida nos Estados Unidos. Eu acho. É Havaiana? Havaiana. E a depilação brasileira. Isso. Tive esses conceitos, né? Também. É famoso também. É, é muito famoso. É muito famoso. Mas Havaianas, pra mim, eu conheci há muitos anos, então...

Pra mim, foi a minha primeira conexão. Havaiana de pau, você não conhece. O quê? Havaiana de pau, você não conhece. Não. Não é da época de vocês, né? Não. Então, tá certo. Lenin, deixa rolando aí, no fundo, a Havaiana de pau, que é uma coisa muito brasileira aqui, né? Total, total. Todo mundo aqui apanhou, quando era criança, de Havaiana.

A mãe jogava A mãe jogava a baiana e te acertava Onde você tava, era um míssel teleguiado Moleque e tal Aquela baiana na cara Ficava a marca em você Então a gente apanhava muito de a baiana Por isso que a baiana tem essa relação com o Brasil Todo mundo da minha geração Apanhou de a baiana A baiana patrocina a gente, depois disso Olha que propaganda legal Eu tenho um filho de 8 anos, nunca bati no meu filho Ainda É outra época agora né É outra época

Outra época. Ó, mas sejam bem-vindos, então, principalmente você que eu não te conheço. E vamos falar disso, começar com a velha troca de experiências, né? Do país de vocês versus Brasil, assim. Tentem lembrar essas primeiras diferenças que vocês notaram até hoje, porque eu acho que até hoje ainda tem coisas que ainda...

espantam vocês de cultura diferente, né? O que que você... A primeira coisa que você achou estranho e até hoje você acha estranho aqui do Brasil. Deve ter muita coisa, né? Ah, tem tanta coisa. Você quer ir? Eu acho que... Minha experiência, acho que foi um pouco diferente da sua, né? Porque eu já logo comecei a morar aqui no Brasil, né? Eu já cheguei, tipo, fodida mesmo. Eu já cheguei, precisando... Tipo, não falava português, né? Nada. Nada. Coragem.

Eu só lembro que a minha sogra Ela falava tudo no diminutivo Então a única coisa que eu entendia do português Era inho, anho, aum, aum Isso era a única coisa que Esse era português no início Isso

E aí a primeira palavra, na verdade, que eu aprendi aqui no Brasil era cagadão. Cagadão? Cagadão. Sério? Qual é o contexto disso? Porque a casa que eu estava, tipo, ficando, né? A família era uma casa de madeira. Sim. Então, existe até isolamento, mas não é acústico. Então, cada vez que alguém foi no banheiro, todo mundo, ah, cagadão.

Aí, isso foi a primeira coisa. Achei que vou começar o programa leve. Leve. E você, Spencer? Eu falava um pouco de português quando vim pra cá. Eu fui pra Recife primeiro, mas não falava muito bem. Ah, passeio lá. Não, é porque, na verdade, eu mudei pra cá trabalho. Eu era diplomata dos Estados Unidos, então eu fiz intercâmbio. Então, o governo americano me mandou pra cá inicialmente pra fazer um curso de português pra gringos em Olinda. Tá.

E eu lembro que eu estava no supermercado, não sei se você também teve essa experiência, e eu falava, tipo, básico, bom dia, tudo bem, e ele CPF. E eu, não, CPF, não entendi. CPF na nota? Eu achava que era português, uma expressão, entendeu? CPF na nota, eu tipo, o que é isso? Tipo, isso é bom dia, tudo bem, e eu tipo...

tudo bem, e ela tipo, não, CPF na nota eu não entendi esse conceito porque aqui no supermercado, quando você passa, tem tipo 10 perguntas é, é débito ou crédito é, isso também foi outra coisa, eu tipo é embalagem, né nossa cara, eu tava muito confuso muito confuso, mas o CPF, tipo hoje, você dá o CPF no supermercado eu nem entendo porque existe isso é

Também não dou. Você dá o CPF? Não. Inclusive, no início, eu até me irritei com isso, porque o Alamal tem toda essa questão de privacidade. Então, ter registrado o que você compra no supermercado, no seu CPF, é um absurdo para o Alamal. Não gosto muito disso. Não quero o meu perfil de compras registrados.

E então, até hoje também eu não dou o meu CPF. Mas sempre, na verdade, recebo da pessoa, tipo, quando eu quero evitar, quando eu já vejo que a pessoa vai reagir estranho, eu dou o meu CPF. Só pra evitar uma situação. Eu dou o CPF errado. Eu mudo os dois números no final. Porque às vezes na entrega, sei lá, Mercado Livre, o cara, ah, o RG ou o CPF. Eu faço qualquer CPF mesmo. Só pro cara ter lá. E o que mais?

Não, tipo, é o jeito brasileiro. Eu acho mais do que português. Esse negócio do beijinho pra cumprimentar. Eu já experimentei isso porque eu já tinha ido pra, tipo, Colômbia, México, Espanha. Eles beijam também. Então, já conheci. Mas essa coisa de brasileiro conversa muito, né? Na fila do supermercado eu fico conversando, puxando a minha... Não é todo brasileiro, não. Eu não sou assim, não, tá? Você não é? Não, nem a pau. Mas no Nordeste é assim, eu acho.

Não, a maioria é. Você pega o Uber e o cara fica trocando ideia com você. Sim, sim, sim, fica, né? E quando fica sabendo que você é gringo, eles ficam perguntando muita coisa. Tipo, curioso. O Brasil é curioso. É. Eu acho muito massa isso sobre vocês. Vocês são muito curiosos. Tipo...

Pergunta sobre como é que você conhece o Brasil, blá, blá, blá. Eu acho muito massa. Eu acho legal também que agora que estou morando no Rio, para mim é uma coisa que eu consigo muito mais fácil fazer amizades aqui. Ainda mais do que em São Paulo. Sério? Aqui é mais fácil? Eu acho que as pessoas se abrem mais. Claro que os convites para casa você não leva a sério.

Ah, passar em casa. Você sabe disso, né? Isso aí é só formal, né? Não, mas isso é uma coisa que eu não... Não que não gosto, tipo... É tipo, se você não quiser fazer uma coisa, só fala que não quer. Mas brasileiro não gosta de falar não. Não consegue falar. Por quê? Eu vou dar um exemplo. Na Alemanha, que aconteceu comigo, eu tava lá, tava com a família e passou lá em Berlim. Eu falei, pô, você pode tirar foto aqui pra gente? Ele falou não e foi embora, sem o menor problema. Nunca um brasileiro vai falar sim.

Ele vai demorar mais tempo explicando que ele não pode tirar foto, que ele podia tirar foto e não. Mas ele não vai simplesmente falar não e vai embora. Claro, tira foto. Putz, eu não posso porque não sei o quê. E lá eu já percebi que lá os caras falam não, é não. E sim, é sim. Aqui a galera não sabe falar não, cara. E por quê? Não sei, é da cultura.

Porque vai machucar, né? Eu não consigo também alguém falar, você pode tirar foto. Por mais que eu não queira tirar foto, eu nunca vou falar não. Acho que o brasileiro também quer evitar um pouco a briga, né? Tipo, esse negócio de, ah, eu vou precisar explicar. Lênine, me explica. Por que você acha que o brasileiro, assim, não sabe falar não e você pediu, ele vai fazer? Cara, é que, geralmente, a gente... É aquilo que eles falaram, né?

A gente é bem curioso e é aquela coisa de você ser gentil, né? De você ser solícito com a pessoa, pelo menos pra mim, né? Ajudar o outro, né? Na Alemanha...

Pra ele, na cabeça dele, eu não senti que ele falou eu sou mal educado e eu vou responder assim pra ele. Era uma coisa normal. Não, não posso e vou embora. Ele não ficou sem graça de me falar não. Porque aqui a gente fica sem graça quando tem que falar não. Putz, eu não vou poder ir. Mas aí você explica por que você não vai poder ir. Porque eu já marquei antes, não sei o que. É só falar não e a gente não consegue, cara. Não consegue. É isso. Tipo, vamos fazer uma coisa amanhã. Você quer sair sexta?

Vamos falando. Não, que nem hoje. A gente marca. Os caras saíram daqui hoje, né? Vamos marcar de jantar e falar, putz, mas tem jogo hoje à noite. Eu tenho que explicar, né? Exato, é. Porque senão o cara fica chato. Por que você não vai jantar comigo? Você não disse não, né? Você não disse não. Você disse, putz, tem jogo hoje à noite. Você não falou, não, não, não vou porque tem jogo. Eu não falei não, né? Eu falei, putz, tem jogo hoje à noite.

Ah, mas vem aí, então. Não, eu vou vir e tal. Eu não vou. É sempre uma saia justa pro brasileiro isso, né? Exatamente. Eu acho isso. Vocês não falam não e vocês não falam sim.

Por exemplo, você aceita uma água e nunca sim, é aceito. Você quer comigo? Quero. Percebeu o que ele não fala? Você gosta? Vamos amanhã à noite? Pode ser. Estou dentro. Vocês não usam sim muito. É verdade, o cara não tinha reparado nisso. Então o brasileiro não fala não e não fala sim. Na verdade, ele abre uma conversa já com uma resposta que você já vai conseguir entrar. Eu acho que eu vou aceitar. Tem todo um contexto.

É isso. Mas é legal, porque eu acho que assim não fica esse momento... Monólogo. É monossilábico. Monossilábico ou esse momento também constrangidor. O brasileiro não... Não deixa silêncio. É, acho que até pelo estudo vi recentemente que o menor tempo de silêncio constrangidor numa conversa é no Brasil. Porque o brasileiro sabe sempre dar um gancho para... Você sabe que no elevador a galera vai puxar papo contigo, né?

Já percebi isso. Já percebeu. Mas Curitiba, não. Não, Curitiba é diferente. Curitiba, eles são mais frios, né? É, mais introspectivo, é. Tanto que a galera zoa Curitiba por causa disso. Ah, entendi. É um lugar mais de boa. Mas, tipo, indo embora sempre, tchau, tchau. Você não fala com a pessoa e você vai embora, tchau, tchau. Falou. Falou. Falou mais. Por quê? Não despede?

Lá nos Estados Unidos? Não. Como que é? Você saiu só? É. Você entra, fica em silêncio, você vai. Nossa! Que estranho. É diferente, né? Na Alemanha é igual? Na Alemanha é igual, sim. Com certeza. Se você ainda fala com a pessoa, a pessoa fica... Porque tá puxando papo comigo. Essa pessoa, ela... É muito diferente, né? Então imagina pra gente...

Então, pessoas perguntam, voltando para essa pergunta que você fez, como foi sua experiência no Brasil, não é somente português, não é língua portuguesa, é tipo cultura que é tão diferente para a gente. Cada processo, o jeitinho, como vocês conversam, como vocês socializam, isso é um processo muito legal para conhecer. E especialmente nós dois, né? Temos sempre um tempo também nos nossos países originais. Então, a... De ficar um tempo, vocês fazem isso constante. Isso é bom, né?

Não, isso é bom, mas ao mesmo tempo eu sinto muito essa diferença, né? Tipo, mexe muito na cabeça, porque aqui... Saiu do avião, você já sente a diferença. É, mas aqui eu nunca vou ser tipo 100% brasileira e lá... Não é mais. Não é mais a mesma coisa, né? Você só sente muita diferença de você agora lá? Ah, sim. Eu arrumo muita briga porque eu sempre atraso.

Isso é a primeira coisa. Já pegou o nosso lance do atraso? E quando eu chego no horário, eu falo que, ó, cheguei. Cheguei hoje. Hoje foi a da má. Mas isso é complicado. Você chega no horário? Você chegou a eu? Você chegou a um almoço, a um churrasco, era o primeiro já? Não. Eu acho que eu atrasava. Eu acho que pra mim é coisa. Pra mim é comida.

Porque lá nos Estados Unidos come muita coisa processada, muita coisa já pronta, entendeu? Então vamos comer, vamos para esse fast food. Eu falo, gente, agora eu quero comida de verdade. Eu sinto falta de feijão, eu sinto falta de arroz, eu sinto falta de carne, de alface. Uma coisa que há seis anos...

Normal eu comer tipo, vamos almoçar um, sei lá, um sandwich. Sandwich, fala isso? Sandwich. É, isso, sabe? Mas no Brasil, isso é uma coisa que me surpreendeu muito, que vocês comem comida, almoçam comida de verdade.

Sério? Que isso é uma coisa diferente? E todos os Estados fazem. Eu acho, Brasil inteiro, arroz, feijão, vinagrete, deve ser uma coisa assim. Eu acho muito legal que vocês tenham uma culinária que une o país inteiro, entendeu? E todo mundo vem, almoça, e vocês valorizam esse momento pra socializar, pra relaxar, pra tomar um cafezinho. Nós não temos essa cultura. Não sei se na Europa é diferente, eu acho que vocês devem ser melhor com isso do que a gente.

Eu não tenho esse problema de comida muito industrializada Porque minha família também é super Cozinha E não gosta Acho que é mais Estados Unidos mesmo Mas tipo Realmente de ter vários potinhos Com várias coisas Isso é muito Brasil Mas você já foi pra lá, Estados Unidos? E você sentiu como brasileiro? Sentiu falta de um lugar pra almoçar? Ou tipo uma coisa? Eu acho, mas não é tão fácil E aí

É, eu vi brasileiros falando isso, que sintam falta de comida, entendeu? Mas uma coisa, por exemplo, que é um clichê também que é verdadeiro, por exemplo, ano novo eu passei na Alemanha, eu fiquei muito mal. E aí tinha uns... Queima de fogos tem lá também ou não? Tem, inclusive é até mais perigoso lá, tipo, tem muita galera que não vai pra rua, porque tem uns doidos que vão, tipo, uma vez por ano eles têm essa liberdade de usar fogos artificiais.

Aí acontecem vários acidentes. Nossa. E aí eu não fui pra rua também por causa disso. Eu fiquei com minha irmã e minha sobrinha. Aí tinha os vizinhos que a gente queria cumprimentar. E eu sabia que um dos vizinhos estava com câncer. Ô louco. Então ele tinha tipo o último final do ano. E eu fui lá tipo querendo já abraçar. Querendo todo mundo desejar um feliz ano novo. E todo mundo ficou tipo... Sério?

Eu fiquei, nossa, mas é ano novo. Eu tô aqui, tô emocionado. Eu tenho isso me animar pra abraçar. Tem abraço, sim. Ano novo é muito melhor aqui, cara. Réveillon no Brasil é muito legal. É legal pra caramba. Porque imagina, no frio, no frio péssimo. Tá tudo caro, tipo, tem neve, frio, todo mundo tá preso em casa. É muito caro ir pra qualquer restaurante, precisa reservar antes. Você vai pra lá, todo mundo...

volta meia-noite e meia, sei lá. No Brasil, vocês têm essa energia, né? De tipo, qual cor vamos usar? Vamos pra praia, tem as ondas, tem energia, tem... Se une na casa de alguém. É legal isso, vocês têm isso. A gente não tem essa cultura. Então, Reven, é um mil vezes melhor aqui. Natal é melhor. Natal ainda é. Eu acho legal. Natal aqui e lá também é legal, mas Ano Novo, não.

Natal na Alemanha tem esse negócio de família também, de reunir? Tem, tem. Inclusive com umas brigas também. Igual aqui. Igual, igual. Eu agora, tipo, eu passei muitos Natais, na verdade, no Brasil, né? E sempre, eu acho que realmente Natal é uma data que você quer estar junto com sua família. Mas, tendo lá, você também entende porque é bom. Nossa, nossa. Aí você lembra porque que você não... Lembra porque...

Eu viajei com a minha família e a gente foi para uma área mais rural também, então a gente estava realmente precisando passar tempo junto. E acontece, né? Eles foram para onde lá? A gente foi para uma região que se chama Hats, que tem vários, na verdade, pontos históricos das bruxas, inclusive uma cidade... Bruxas mesmo. Bruxas mesmo, historicamente. Que foram queimadas e tal. Que foram queimadas.

Uma das cidades que mais tinha Quimação de bruxas A gente vai lá É mais ao norte É mais ao norte E aí tem muita floresta Tem toda uma coisa mística Acontecendo lá E a galera usa hoje também para turismo Muita gente vai lá Vários contos de infantis Saíram lá da floresta negra Lá embaixo

vem de lá irmãos crimes, inclusive a cidade mais próxima da minha é Steinal onde eles moraram, tem na casa deles onde os irmãos crimes moraram e escreveram as histórias na verdade eles colecionaram eram histórias tradicionais que já conheceram

mas afinal, né? Ficou muito conhecido e realmente como... Mas é engraçado porque você estando lá, você entende que tem uma coisa sempre brutal, uma coisa de violência, né? Porque a vida é mais brusca quando realmente faz menos 10 graus, né? Verdade, fica meio sem paciência. Nossa. Eu acho que por isso também, quando eu fui lá agora tipo, também tava muito frio. Você gosta do frio ou não? Não. Também não gosto.

Uma semana. Eu acho legal durante Natal. Uma semana, sabe? Neve. É tudo legal. Uma semana. Porque minha cidade, a gente faz menos 25, 30 graus. Durante meses. E, cara, a coisa mais complicada é a escuridão. Porque na Alemanha também, né? Não tem sol. E quando o sol sai, é tudo nublado. Brasileiro é alegre.

Porque vocês têm sol. Vocês têm... Eu acho que faz muita diferença, na verdade. Muito mesmo. Esses clichês parecem muito tipo... Todo mundo já ouviu. Mas quando você realmente fica longe disso, você sente muita diferença. Eu ligo pra minha família agora. Todo mundo ainda tá triste. Eu tô tipo... Vem pra cá, me visitar só um pouquinho. Aí vocês vão sair da depressão.

A minha tia já me visitou, mas o resto da família ainda não. Porque também é longe, né? Vocês estão morando onde? Não, você mora em São Paulo, mas aqui você mora onde?

Agora estou em Santa Teresa, mas eu já morei também. No Rio, na verdade, já morei em vários cantos. Já fui no Recreio, já fui aqui na Copacabana. Agora estou em Santa Teresa porque tu sempre entra em Brasil, Alemanha, e para ter um lugar fixo com minha amiga lá. É mais fácil. E você viu a diferença também entre São Paulo e Rio, né?

Eu vi, sim. Você gosta dessa diferença? Ah, eu cresci no interior da Alemanha, né? Então eu sou mais a natureza, eu gosto assim, tipo, dos bichos. Aí então, quando eu tô tipo perto do mar, perto da floresta, eu já me sinto muito mais à vontade, assim, mais tranquilo, né? E o que você viu de diferença, assim, de carioca, que é bem de carioca, assim.

Olha, eu vou te falar que uma coisa que fica bem visível, né? Infelizmente, é a diferença social, né? Sim, você tá do lado da favela, da comunidade, né? É, e aí tem realmente também nas mentes das pessoas, né? Tipo, você tá aqui na Zona Sul, você fala com eles, né? Tem uma galera que, né? Tipo, tem preconceito com favela e que tem todo esse mindset que...

negativa, né? E aí, tipo, você tá lá e tem também uns preconceitos. Então, é muito mais rígido, eu acho, tipo, essa diferença e essa rivalidade, assim, do que em São Paulo, por exemplo. Porque em São Paulo, eu acho, ainda tá mais... Tem uns regiões também, tem, né, periferia também. Sim, mas é distante, né? É distante. É periferia aqui não, cara. É do lado, né?

Sim, mas aí, tipo, claro, uma coisa que eu sinto também de diferença é que aqui, quando faz sol, ninguém trabalha. Quando faz sol, ai, tu na praia, já te respondo. Olha que legal. Lá não dá pra usar essa, né, Eleni? Tá sol, tá aí, daí, entrega meu trabalho. Tô no trânsito na Marginal TT. É, olha a diferença.

É, mas aí realmente ao mesmo tempo, né, é a coisa que é também um clichê, mas é verdade porque ao final do dia, se você tinha um dia estressante, você vai na praia, respira profundo e fala que amanhã é um novo dia, né? Em São Paulo você vai pra onde? E aqui dá vontade de andar pra praia, dá uma corridinha, né? Muito. Mas você gosta de São Paulo?

Eu gosto. Minha turma de amigos, eu mudei pra lá, então meus amigos moram lá, né? Mas eu adoro o Rio também. É outra vibe, né? Outro português. Eu acho outra cultura também, totalmente. Totalmente. Eu acho carioca...

Pessoas falam que carioca é meio grosso, né? Mas eu acho carioca... É o jeito de falar. É mais aberto, mas eles são mais amigáveis. Você vê dois cariocas falando, porra, meu irmão, não sei o quê. Sim. Fala que os caras estão brigando, não. É o jeito dos caras falarem. É isso. Eu, inclusive, eu estava considerada em São Paulo subulgar e aqui eu estou falando normal. É, então. Eu uso palavras de vez em quando.

De vez em quando já está dentro do vocabulário. E aqui está... Aqui é vírgula. Porra é vírgula. Eu vi isso. Eu usei uma palavrão uma vez quando eu estava aprendendo português com uma colega. Ela ficou ofundida.

Então deixa então, eu tenho muito medo, Tisa. Mas qual palavra você falou, puta? Eu não, eu falei caralho. Sério? E eu falei tipo, caralho, não sei, estava atrasado. Porque eu tinha ouvido, né? Eu trabalhava com muitos cariocas. Mas ela ficou ofendida com caralho? Ela não, ela só me pegou e falou pra mim, tipo, talvez você não saiba, mas isso pode ofender as mulheres aqui que trabalham com você no escritório, então não deveria falar essa palavra. Eu tipo...

Já ficou. Então eu tô com... Porque, não sei, não entendo o peso da palavra, sabe? Porque não fui criado com essas palavras. Eu acho que você colocou peso a mais de uma palavra, né? Porque aqui o caralho é mesmo. Ah, caralho, pô, não. É, foi isso que eu falei. Eu falei tipo, ah, caralho, tô atrasado, caralho. E aí depois ela... Fica diferente, né? É diferente, né? Total, total. Fica mais pesado, né? Fica mais. Fica.

Então, talvez seja isso. Não sei se eu estou empatizando de um jeito. É que você ouça duas vezes em seguida. Talvez. Talvez.

Mas assim, tipo... Mas você teve problema de palavrão? Não, né? Não. Na verdade, eu sou, às vezes, e reparo quando me comparo com outras pessoas falando e reparo que a minha expressão quando eu tô, né, assustada ou alguma coisa, eu falo bastante caralho. Eu já tentei também diminuir um pouco. Só que aqui no Rio, né, já... Ninguém liga. Ninguém liga, é. Você já errou o palavrão? Quis falar um palavrão e falou outro? Já aconteceu com vocês?

Não sei, deixa eu pensar, eu acho que não. Ou de errar palavra? Eu errei palavra. É lá nos Estados Unidos que eu queria falar napkin, falei kidnap, né?

O quê? Era napkin, eu queria pedir um guardanapo e falei kidnap. O cara não entendeu nada, que eu tava pedindo sequestro. Não, uma vez, eu sei que uma vez, quando vim pra cá, sabe piranha? Tipo, piranha. Peixe? Sim, mas você refere a uma mulher como piranha. Ah, sim, sim. Mas de um jeito pejorativo, né? Sim, pejorativo. Eu achava que piranha é uma pessoa muito foda, uma pessoa muito legal.

Nossa, você é muito piranha. Eu deixei muito foda, né? É, nossa. E uma amiga fofocava sobre outro colega falando que ela era piranha. Aí quando o chefe tava com a gente, eu falei, ela é uma piranha. Ela é um... E o meu chefe como? Isso foi nos primeiros meses que eu tava aqui. Eu falei, não, ele tipo, como assim? Eu tipo, não, mas ela é muito foda, ela é muito boa em que ela faz isso. E a amiga que falava dela, tipo, sobeu por mim. Eu falei, eu acho que eu usei errado.

Então já aconteceu várias vezes. Ah, mas também, você usa a frase ela é uma puta mulher. Se você falar de forma errada, é uma puta mulher. Uma mulher puta é diferente de uma puta mulher. É. Uma puta mulher é uma mulher foda. Uma mulher puta é uma prostituta. É. Português é muito difícil. Aí eu prefiro não me arriscar, porque eu já passei vergonha tantas vezes, cara.

Tipo, não quero. Não, mas realmente, eu acho que a definição das palavras é às vezes ainda difícil pra gente. O peso, tipo, o que a palavra significa, né? Tipo, eu vejo isso bastante quando eu tô numa conversa e quero, não sei, impressionar a pessoa ou mostrar que eu falo bem português. Aí, normalmente, sai uma coisa que ofendo ela. Não, porque nós não somos criados com as palavras.

se identificam com a palavra, porque você foi criado com essas palavras. É, claro. Pra gente, é... Eu aprendi num livro, eu aprendi ouvindo de você, então não sei qual contexto eu deveria usar, com quem, quando, sabe? Então tem esse desafio com idiomas, eu acho, em geral. Com certeza. Então, porque eu, por exemplo, eu ouço muito estrangeiros, por exemplo, usando muito a palavra fuck, sabe, em inglês. Mas essa palavra é muito pesada. É.

E eu acho que eles não sabem. Então eles usam tipo fuck, fuck, fuck. Eu falo tipo não deveria falar isso aqui nessa situação. Sim. Mas não sabe. Não sei se é mais uma coisa com tipo schaiza. Schaiza. Tipo o que é schaiza? Schaiza é merda, né? Merda. Merda? Mas no sentido vocês usam como numa frase normal? Não, é um palavrão.

Só que, por exemplo... Essa merda de lugar, assim, existe esse tipo de... Mas em certos momentos parece também mais agressivo. Você vai ter que saber onde usar. É melhor não riscar. Sim. Não, mas em português, né, eu não sei. Você tem um jeito de... Como é que é?

Não deixar mais sofisticado, mas deixar mais suave palavrões. Você tem isso? Sim, tem. Tipo o que você usa? Usa diminutivo. Diminutivo? É. Isso é legal que vocês têm. Não, mas... Diminutivo é legal. Vocês falam na hora de falar palavrão? É. Como é que é o diminutivo? Bunda é uma coisa, bundinha é outra. Ah, tá. Como tá essa bundinha aí? É. Que outro palavrão que a gente ameniza, Aline?

É que eu não sou de falar muito palavrão, né? Eu também parei de falar palavrão. Eu parei total. Depois que meu filho nasceu por causa do meu filho. Sempre faz sentido. Aí eu falava muito no palco. Muito, muito. Aí quando nasceu meu filho em casa, eu parei de falar palavrão. E no palco eu também mudei pra... Foi falar de outros assuntos. Ah, porque você usava no seu show muito palavrão. Muito, muito. Era, caralho, porra, aí a mina veio, não sei o quê. Aí o cara falou, vai tomar no cu. E aí...

Tanto que no podcast, hoje eu já estou acostumado, no começo do podcast, o pessoal falava que eu falava muito caramba, mas é que eu ia falar caralho e terminava com caramba. Caraca, caramba, né? Pô, o negócio... Era muito caralho, era tipo vírgula, caralho. O que é caralho? O que é? Um pinto. Ah, é? Cola, é. Dic. Ah, eu não sabia o que era. Não, eu achava que isso era uma palavra. Caralho, cassete.

Rula Pau também é Eu sabia Cara, tem muito apelido E vocês tem muito pra coisa da mulher também Não tem muito não Xochota Tem um Que não é utilizado muito pelos homens Que é a Neca Neca também é pinto Ah, para Nunca ouvi isso daí É sério?

Nossa. Nica? Nica. Nica. É, mas para mim é novo também. Esse eu não sei. Esse é pau pequeno, né? Nica. Porque parece um pau pequeno, né? Depois eu te explico. Agora fiquei com medo. Tem palavras também que hoje em dia já não pode mais usar. Por exemplo, travesti hoje já não é tão usado quanto trans. Entendeu? Então tem palavras até do português que...

Não usa mais. Não é que não usa. É que você tem que... Dependendo de como você usa, pode pegar mal. Sim. Não, é a mesma coisa em inglês. Também? É, porque a sociedade... É, mudou. É, muda. Mas eu acho que também, por exemplo, quando eu cheguei aqui, né, eu comecei a estudar antropologia, né? Eu já tava estudando, fiz um intercâmbio aqui. Aí o que aconteceu foi que, tipo, certas palavras que ainda são usadas aqui, tipo, já não eram mais adequadas na Alemanha. Aceitam. É mesmo?

Você lembra de alguma?

Ah, por exemplo, índio, né? Uma coisa, né? Índio era, tipo... Já não estava mais usando, que é indígena ou povos originários e tal. Sim, e aí quando eu cheguei na USP, estava na USP... Ainda se usava? Ainda usava. E, por exemplo, também ainda estudava Levi-Strauss, que é um pesquisador que já é também, né? Tem certos preconceitos na Alemanha por causa dos escritos dele, né? Ah, é? Dos diários. Porque ele também tinha pensamentos preconceituosos, né?

E aí na USP tava ainda... Como que é índio e indígena? A diferença entre um e outro em alemão. Em alemão? No mal a gente fala, na verdade... Putz, agora me pegou. É que nem esquimão, né? Não pode mais falar esquimão. Esquimão é um... Aqui no Brasil é um termo pejorativo.

Qual é? Inuit. Ah, sim, sim, sim. Pra gente também. É porque Esquimó era comedor de carne crua, alguma coisa. Era usado como pejorativo pra aqueles povos. E não deve falar favela também, não, né? É comunidade. É comunidade. Mas isso ainda falam favela, né? Favela venceu e tal. Ainda tem... Se usa o termo de favela, mas...

é mais certo, sei lá se é o mais certo, mas é o mais usado é comunidade. Entendi. É que tem muita coisa que, é, não sabe se... Não, se você falar favela, acho que não vai pegar mal, né? É, tem uma licença poética aí na favela que em músicas tem favela, então acaba que não passa tão, não é tão mal, não pega tão mal falar, né?

Entendi. Pega mal, fala Palmeiras. Falam Palmeiras. Corinthians pega muito bem, Palmeiras pega muito mal. E Flamengo? Flamengo pega bem. Vocês têm time aqui ou não? Tem time? Ah, eu tenho que ser a Flamengo, né? Agora que eu tô no Rio. E você? Não tenho, mas uma coisa que eu quero fazer é eu quero ir pra vários jogos. Eu quero fazer isso. Pra escolher? Aham, pra escolher.

Pô, então eu vou te levar na arena do Corinthians já pra... É o lugar. Pra levar gringo tem que ser na arena Corinthians. Tem que ser na arena. Eu quero Flamengo, Corinthians, Palmeiras. Quero Galo, BH, né? BH. Inter e Grêmio. Eu fui pra um jogo alguma vez. Recife foi Grêmio contra Recife. E aí? Eu acho. Foi em qual torcida, você lembra? Não, cara. Eu lembro que eles tinham...

Fala de palavrão, tipo, atrás de mim, foi assim, viado, cruza, viado, viado, viado, viado, tipo assim. Você achou que é o nome do jogador, né? Não, eu achava que viado era o servo, o bicho. Aprendi como vocabulário queria ser, tipo, não entendia o que era foda. Cadê o viado, né? Caralho, porra, cruza, centro, viado, viado. Foi assim.

Mas se quiser aprender palavrão, vai pra um jogo. Vai pra um jogo. E sabe que o senhor não pode gritar gol antes de acontecer o gol, né? Senão os caras ficam putos. Não? A bola tá pra entrar e você fala gol!

boca, cêsicou. Porque se a bola não entra, os caras acham que você é o culpado por a bola não entrar no gol. Não pode gritar gol antes da bola entrar no gol. E vocês são muito sérios com futebol, né? Sim, os caras ficam putos, cara. Tem que colocar pra fora do estádio. Se você for no jogo do Corinthians com camisa verde, os caras te expulsam, você não pode. Ou tira a camisa ou você vai apanhar.

Você tá animado pra Copa do Mundo? Ah, cara, não... Foi o tempo, né? É, então, já foi. Então não? Não, durante a Copa a gente se anima, mas não tem aquela... Antigamente já tava preparado, já agora, comprando camisa, pintando rua, mas, cara, hoje em dia a gente não tá tão assim.

Mas eu vou te falar que pra mim, essa época também, especialmente no Brasil, é pra mim quase a mesma coisa como o Carnaval, pela energia do povo, que sempre... eu gosto também muito de ir no Maracanã, ir pra um jogo, assim. Mas já foi? Já foi várias vezes. Para os times ou para a Copa?

a Copa, não, para os times para os times, para a Copa acho que não é o que eu falei, aqui o pessoal torce muito mais para o time do que para a seleção, se você fala para qualquer assim, você prefere que o Corinthians seja campeão ou o Brasil seja campeão todo mundo fala, o Corinthians, o Paulo claro, é óbvio, não é Lene?

Dane-se o Brasil, né? Mais os corinthianos. É recorrente, né? Mas vocês têm essa coisa no Brasil, vocês apoiam muito... Eu acho muito engraçado isso, cara. Brasileiro, quando tem uma coisa...

Sabor brasileiro aconteceu fora, vocês aponham muito. Tipo, Jogos Olímpicos, tipo, tem um brasileiro agora, eu acho, Jogos Olímpicos... Jogos de inverno lá, todo brasileiro Eu acho que tem um cara que a mãe é brasileira, ele nem tava representando o Brasil, tava representando a Noruega. E a mãe é brasileira, e todo brasileiro, tinha mídia brasileira, só tipo, olha ele, olha ele. O Brasil quer torcer pra alguém. É, e vocês torcem pra sempre, eu acho incrível isso.

É, isso é verdade. A gente não tem... O cara levantou uma bandeirinha brasileira, a galera já... É isso.

Porque eu acho também que o esforço é muito mais valorizado, né? Porque é também a barreira para conseguir chegar lá. Eu acho que é também. Tem a ver. Tipo, na Alemanha, quando alguém faz algo extraordinário. Ok. É, para a gente também. Normal. Quando eu estava também nos Jogos Olímpicos, tinha também. Eu acho que eu fiz um vídeo também com uma treinadora também, que era alemã. E ela, tipo, ganhando a medalha do ouro.

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não, eu acho o brasileiro muito patriota eu já falei isso, eu acho que tem política, tudo isso que tá rolando, tem muito briga aqui no Brasil, mas em geral eu acho o brasileiro muito patriota, muito você acha, Lenin? ah, eu acho eu acho que quando se refere a evento esportivo o brasileiro ele representa mesmo mas não é que nem qualquer coisa, eu acho que vocês apoiam é que nos Estados Unidos tem muita casa com a bandeira dos Estados Unidos na porta, aqui não tem isso

Eu acho que é outro tipo de manifestação de patriotismo. Os caras no canto nacional, eles falam meu Palmeiras, meu Palmeiras. Mas isso não quer dizer que Brasil... Mas Brasil, eu acho patriota de outro jeito. Mas eu acho que é muito. Eu acho que é um orgulho de pertencimento. Cara, uma coisa e as redes gringas entenderam, é this New York Times.

um jornal de posto uma coisa que tem a ver com o Brasil ator brasileiro atriz vai ter milhões de curtidas milhões de comentários tipo se for alemão na nada Canadense nada é o carinha lá do todo mundo né

Cara, o cara não aguentava mais. Era todo mundo lá no perfil dele em português. Pois é. Vem pro Brasil, te adoramos. Aí o cara ficou puto com isso, falou nos programas de entrevista. Aí o que o pessoal fez? Fez com o outro cara que veio aqui pro Brasil. O Greg. O Greg. Aí fez esse cara ficar maior do que o ator principal, porque ficaram putos com o cara que não aceitou o carinho do Brasil, entendeu? Vocês são muito assim. E sabe que esse seriado foi muito, muito, muito mais famoso aqui do que lá?

Sim. Tipo, a gente, eu nem lembro desse. Não, cara, é absurdo aqui como eu fiz sucesso isso aqui.

Repete até hoje, né? Repete até hoje. TV aberta passa todo domingo. Todo mundo deu isso. E Branquelas também, vocês gostam muito. Cara, Branquelas é... Todo mundo adora. É porque dublagem é muito melhor em português também. Quando eu assisti pela primeira vez... Não, eu acho muito um filme, cara. É sério? Nossa, dublagem em português brasileiro é muito melhor.

Inglês é meio sem graça, mas eu entendo porque vocês adoram tanto, porque é tipo outra coisa. Outra vibe. Nossa, outra. É. Mas é isso. Olha, eu nunca vi um filme da Alemanha dublado em português. Não? Você não assistiu Dark?

Série Dark. Eu assisti em português. Ah, tá. Sassi achou alemão, né? Sim, verdade. Porque em alemão é difícil o idioma, né? Aí eu coloquei em português. E eu achei todo mundo parecido. Você não achou? Na série. Na série. Eu achei todo mundo meio parecido. Na Alemanha é meio assim. A galera é meio parecida. As pessoas. Você disse, tipo... Não tem muita variação ética. É.

Ah, eu acho que sim. Algumas cidades onde tem muito alemão, alemão mesmo, deve ser meio parecido, né? É, eu acho que mais do que aqui no Brasil. Aqui é muito variado. Muito variado. Alemanha é pra ser mais... Mas tem muita imigração, né, na Alemanha? Tem muita imigração também, sim. Nos últimos 40 anos, né? Sim, com certeza. Inclusive, a minha, tipo, na escola, o que eu mais tinha era turcos e russos, na minha turma.

Tipo, a maioria dos meus amigos na verdade é imigrante, eu vou e truco o russo.

Na verdade, eu acho bom porque você aprende com outras culturas, diversidade e tudo mais. E aconteceu também porque a gente fez um pacto até com a Turquia depois da Segunda Guerra, né? Para vir trabalhadores para a Alemanha. E por isso tem a segunda, terceira geração agora de turcos já. O Kebab, que vem de Istambul, foi criado em Belém.

Que é a comida nacional, na verdade. Muito mais do que a salsicha. Sério? É.

Eu adoro Doner Kebab. É, não sei. Nunca comeu? Sim, eu gosto. É muito bom. Mas o Spence também morou na Alemanha um tempo. Morou? Onde? É uma cidade que se chama Bonn, perto de Mannheim. Perto de onde você é, mais ou menos, essa região. E qual foi a tua percepção lá? Cara, era de 8 até 12 anos, então pra mim não tem muita percepção da cidade. Você só vive.

Então, pra mim, era normal, né? Mas, coisa de... Aí eu peguei futebol. Tipo, gostei de futebol por conta de morar lá. Eu sempre jogava no parque com os alemães. Você pega... Muitos brasileiros zonam de você porque você é alemã, a Copa do Mundo, tudo isso? Do sete a um? Ah, com certeza. Ah, até hoje. Tipo, você nunca sai. Eu não sei, na verdade, como é que é. Eu acho que tenho, de gringos, a posição mais difícil, porque a Alemanha fez muita coisa errada. É.

e aí tipo isso é muito bom a Lemônia fez muita coisa errada só do holocaust tenho muitas coisas pra tipo com futebol ou em geral? não, eu tô falando em geral a segunda guerra é uma coisinha

Um detalhe lá. Um detalhe ali. Não, mas eu acho que, assim, por isso, inclusive, hoje eu sou mais patriota brasileira do que qualquer outra coisa, né? Mas alemão não é muito patriota, né? Mas eu não acho que... Nem pode ser. Não pode colocar a bandeira, né? Não pode? Eu acho que por conta da... É verdade isso? Não, assim, quem coloca, inclusive, é... Já sabe. Mas aqui no Brasil, você sente o peso por ser alemão? Acho que não, ninguém tá nem aí, né?

Não tem essa coisa histórica de o cara lembrar a Alemanha que fez isso. Tem isso, você acha? Ah, eu acho que muito brasileiro, pela aula de história, é a única coisa que tem de referente assim, né? Pessoal mais velho?

Não, também não chove, mas eu acho que está entre isso e o 7x1. É, o 7x1 também. Algum prazo, alguma negatividade a pessoa tem contra mim. Aí tem que ser o topo simpático para conseguir. Mas é complicado.

Assim, mas eu acho que agora que estou morando no Rio, eu já estou virando, na verdade, cringafóbica, cringofóbico. Você mesmo já está... Nossa, eu estava na sua... Eu estava tipo, meus amigos aqui, sou tão gringo aqui na cidade.

Pelo amor de Deus, eu sou tão gringo. Eu sou tão gringo. Aqui é nóis. Eu acho que nós dois realmente também contribuí para isso. Os gringos contribuímos com os vídeos. Mas realmente o turismo aumentou muito. O Brasil está na moda.

com geração Z, entendeu? Então, com a geração mais nova, tá muito na moda, tipo, as cores do Brasil, camisas do Brasil, essa vibe, porque eu acho que o mundo tá tão pesado agora, com guerras e tal, o Brasil realmente representa...

Uma liberdade, claro que é muito mais complexa do que isso, mas pra muita gente de fora, essa coisa, energia, samba, música, praia, então eu acho que tá chamando a atenção de muita gente, entendeu? E também porque sabe usar as redes sociais aqui, né? Tipo, eu acho que muitos países que têm também belezas naturais e tudo mais... Ah, mas o Brasil é incrível. Essa verde, essa...

Mas pra Rihanna vier menos Pra Rihanna vier menos Ah, é muita gente Para, para Mas aqui tem muita variedade Vocês já foram pra Amazônia? É muito louco lá Pantanal, Amazônia Você vai pro Nordeste, vai pro Sul, é muito legal É um país gigantesco Tem tanta variedade de comida, natureza O povo, o sotaque E a ideia de vocês é ficar pra cá mesmo É morar pra cá ou não? É por um tempo só?

Eu acho que, assim, eu me pergunto isso bastante, mas cada vez que eu tô, tipo, um tempo na Alemanha, é que tô longe da minha família. Isso é o único ponto, porque eu sempre volto pra Alemanha, mas fora disso. Mas o que eu sinto, tipo, depois de mesmo oito anos, o Brasil é um mundo que... Mas você já sente que é sua casa, então? Sim, é minha casa, é minha casa. Feliz, né? Mais feliz.

aqui eu acho, é minha vida mas profissional, social menos minha família, né? eu acho que é aqui, eu gosto de estar lá também eu gosto dessa variação, mas Brasil é incrível, eu gosto, e tem muito mais por explorar ainda, com certeza

Vamos, eu queria alguma dúvida do pessoal pra ver pra onde a gente caminha a conversa. Quero ver a dúvida da galera. Vamos lá, o Arthur tá mandando aqui o seguinte. Em que momento vocês perceberam que deixariam de ser apenas gringos no Brasil pra se tornarem criadores de conteúdo profundamente conectados com o público brasileiro? Foi natural ou é uma coisa pensada? Em começar com heads? É. Pra mim foi durante... Covid.

Foi durante a Covid, eu estava de home office. E aí eu sempre relatava a minha perspectiva sobre coisas brasileiras, comida, sotaque, blá, blá, blá. E aí meus amigos falaram, você deveria compartilhar isso nas redes. Então eu comecei no TikTok, tipo, meio estourou, e foi isso.

Pra mim foi também pandemia, mas o que aconteceu foi que o meu primeiro vídeo de stand-up, na verdade, viralizou, né? Foi ainda antes da pandemia, um pouco antes da pandemia. Mas você fazia alguns vídeos engraçados antes ou não? Nada. Na verdade, eu tinha um clube de comédia, né? E aí o primeiro vídeo que coloquei de stand-up viralizou. Aí aconteceu a pandemia. Aí eu comecei a fazer vídeos online só pra captar também o público e continuar com comédia. Mas o primeiro... O primeiro já viralizou?

Era dos primeiros oito minutos no YouTube. Oito minutos. No YouTube, no YouTube. Viralizou depois no TikTok e aí a galera foi emigrando. Eu lembro do seu vídeo, um dos seus primeiros sobre São Paulo, estava na sacada. Isso é um dos seus primeiros, né? Isso é pós... Isso é pós-Panamia, inclusive. Isso foi, tipo, um quadro com que eu viralizei depois e viralizei como sandáculo. Tinha aquela narração em off, você pensando.

aí aí a vida aconteceu né é que virou quase uma categoria no Brasil de gringo sabe é pensamento de outros de gringos sobre o Brasil é tem vários é mas cada um tem uma pegada diferente total Pô é totalmente diferente da Paula e cada e tem outros países né tipo francês angolano é angolano

japonês, chinês, tem tudo, né? É você que tem mais rivais. Tem mais americanos. Eu não vejo ninguém como rival. Eu realmente acho que tem espaço para todo mundo. Todo mundo tem perspectivas diferentes. Mas como é a percepção do brasileiro com o americano? Tem preconceito ou tem uma abertura melhor, assim, maior? Brasileiro, sobre a gente? É, quando sabe que você é dos Estados Unidos. Então, eu acho que em geral... É uma vantagem ou é uma desvantagem?

Eu acho que, infelizmente, eu acho que politicamente os Estados Unidos meio virou um assunto político nos últimos... Pós-Trump, né? É. Então, pessoas associam o amor pelos Estados Unidos com a direita. Ah, tá. Se você gosta dos Estados Unidos, ah, você deve ser de direita, bolsonarista. Mas eu não acho que deve ser assim, porque quem sabe daqui a três anos como vai ser, eu não sei, não estou falando nada político, mas não é um país, entendeu? Muito complexo, igual o Brasil, entendeu? Então, eu acho, em geral... Ahem.

Não sei. As pessoas não entram muito na política, eu acho, mais ou menos. Mas eu não converso muito sobre isso. Eu evito isso nas redes. Porque é muito pesado, entendeu? Eu não acho o meu lugar para ficar falando sobre coisas do meu país, esse Brasil, etc. Fico fora. Como que está... A gente sabe que o Trump na Alemanha está quem? Está mais à direita ou mais à esquerda lá?

Está o centro, na verdade, é o MET, do CDU, o Partido Cristão.

Mas lá está polarizado também, que nem aqui. Você falou alguma coisa sobre ele, né? Quando ele estava... Não, porque ele foi para Belém e deu um comentário, né? Ah, foi ele que falou, né? Foi ele que falou. Aí, inclusive, né, depois eu falei que, bom, o Paulo fez amizade com o presidente e eu tenho um presidente dessa forma que preciso.

Criticar, porque é impossível que ele fale sobre o Brasil, né? Tipo, julgando um país através de uma visita que ele fez. Um evento que ele fez. Aí, então... Ele pediu desculpa depois, né? Não pediu? Ah, menos. Teve um... Mas depois, depois ele foi pra África e falou do pão. Que também tá ruim. Então, não adianta. Então...

Ele tem personalidade forte, não é? Sim, sim. Ele é tipo meio sem noção mesmo. Mas vocês tinham Angela Merkel durante muitos anos, que era muito tipo... Então, a Maisona. Ah, é? Era mais tipo centralizada, mais calma, né? E agora ele vem mais com essas formas dele. Ela é pseudo física, né? Tipo, ela é uma mulher também muito estratégica.

Muita gente sente falta dela, né? Ele também fez muita coisa errada, claro, mas, tipo, assim, o Mertz, ele realmente está sempre no Leo Dias. Mas lá não tem essa polarização que está acontecendo aqui nos Estados Unidos? Esquerda e direita?

Um pouco mais, agora a gente tem a AfD, que é o partido que hoje, inclusive, foi julgado de não ser extrema direita, só ser da direita, esse partido na Alemanha, porque pela justiça foi julgada. Mas, querendo ou não, claramente eles defendem ideias que são muito erradas. O mundo está virando assim, eu acho. Está radical para os dois lados. É, nos últimos dez anos, sei lá. E tende a piorar, né?

E mídia não ajuda, porque as pessoas têm acesso a tanta informação hoje em dia que você fica escutando uma pessoa que nem tem conhecimento sobre esse assunto e você consome isso, acredita que é verdade, nem sabendo. Todo mundo vive na bolha, né? É, é isso. E você fica, e o algoritmo dá mais esse lado para você e, sei lá.

É muito doido, igual o que aconteceu agora em um juiz de fora. Eu também fiz um vídeo sobre e muita galera nem sabia o que estava acontecendo. É sério? É, sendo que para mim apareceu direto no...

meu feat as coisas acontecendo. É, depende do algoritmo, vai te alimentando com o que você vai atrás, né? É doido isso. Eu vejo o celular do Lenin só uma mulher gostosa no feat. Ele fala, não sei porque que aparece e tal. Pois é, eu tô tentando descobrir também isso. Na verdade, mulheres gostosas acima de 60 anos, né? Também, também, também. Vamos falar de relacionamento, porque eu já fui pros Estados Unidos, eu tô solteiro e é diferente lá.

Você vai em balada, tem hora pra acabar, você não vê gente se pegando na balada, pelo menos eu não vi, né?

E aqui no Brasil, vocês ficam assustados, né? A cultura de beijo no Brasil é muito diferente. Especificamente beijar. Carnaval talvez seja uma exceção também. Porque beijar é uma etapa muito adiantada pra vocês, é isso? Eu acho... É, mas também é tipo uma pessoa ser beija, duas. Mas aqui no Brasil, carnaval é tipo...

aí também é o pessoal do carnaval a gente não é dessa comigo não tá tão assim isso não é uma regra não, hein mas brasileiro é, eu acho que beija muito mais facilmente é, Brasil um monte de gente pegando lá não não, não é tão comum na Anomã também não? na Anomã eu viro como é que é a pessoa que vai na igreja fica lá ah

Beata. A Beata? Você chama Beata? É, Beata é a... Freira. Freira. Ah, Freira. Eu viro a Freira porque nada acontece. Nada acontece. Claro. É, não, é bem mais difícil. Então, mas você não tem o hábito das pessoas se beijarem em público ou na frente das duas pessoas, é isso? Isso acontece, mas no Brasil, por exemplo, eu vou para um restaurante e, tipo, tem um casal se beijando no restaurante. Tipo...

com língua é, isso é estranho também, né? eu vi isso tantas vezes não, é estranho, mas acontece nos restaurantes da Augusta, assim, né? não, mas tipo, eu ou ficando sabe, bem ao lado do outro no mesmo lado da mesa a gente nunca sente no mesmo lado da mesa não, tipo, você fica ali ou aqui sério? é, aqui é normal então, e fica

Mas eu tinha também certos problemas de mostrar afeto em público, mas eu acho que, para mim, por exemplo, a minha primeira relação foi com uma mulher. Então eu tinha certos problemas também com isso. Aqui ou lá?

lá por causa da homofobia que também... Lá também tem? Tem. Na Alemanha? Claro. Eu cresci numa cidade católica pequena, senti homossexualidade. Em Belém, por exemplo, não tem problema, mas em cidadezinha. Sim, sim. Na minha época eu tinha, e os padres, o resto era tipo... Caramba. E aí, o que acontece é que quando eu cheguei no Brasil, eu, na verdade...

Eu aproveito hoje, eu acho legal mostrar também afeto em público, porque afinal é um negócio natural. É, eu gosto disso de vocês. Eu acho que brasileiro...

É muito interessante como vocês abordam relacionamentos, sexualidade, essas coisas. É uma sociedade mais conservadora, mas, tipo, sei lá, vocês têm PDA, sabe? Tem essa coisa, você pega a mão no público, você abraça, você beija, fica à vontade. Mas, sei lá, é outra perspectiva.

É sociedade americana muito puritana. É muito tipo, não deveria, não deveria. Não deveria estar bonito, não deveria estar bonita. Não deveria ficar de roupa assim. Não deveria. É, é muito julgamento. Muito julgamento. Não, por exemplo, o meu namorado também, quando ele foi pra casa, ele tava lá, ele tava sem camiseta.

A minha... Tava sem camisa. Sem camisa. Ele tava. Ele tava, é. E aí? Isso é estranho? É, a minha família falou que não tem camisa não pra agora. Ah, ninguém anda sem camisa assim mesmo em casa? É? Não. Assim, tipo, os dois depois foi muito... Anda, anda sem camisa. Anda. Eu acho que é. É, anda. É diferente, eu acho, em geral. Mas eu já vi muitos...

brasileiros também que não gostam disso. Tipo, não sei nas suas redes, mas eu acho que tem muitos brasileiros. Por exemplo, eu posto um vídeo comendo, sei lá. E aí, pessoas comentam. É falta de respeito comer na mesa sem camisa. Ô, louco!

Não recebo... Sério? Sério? Ah, mas aí é internet, né? Aí tem chato... Não, tem tanta coisa, é. Mas eu vejo isso às vezes. Vixe, aqui os caras comem de biquíni, de sunga, né? Aqui no Rio, você vai ver o cara de sunga no... Mas, cara, no Brasil, me ajuda aqui, porque é muito interessante. Você tem esses coisas de carnaval, sapucaí, né? Que eu acho muito massa isso, mas tem um lado muito grande de cristianismo no Brasil, evangelismo. Então tem um lado muito conservador. Então...

Eu sempre vejo... O Brasil é só... O Carnaval é tipo, vai, aproveita, a histórica e a Tengel deveria aproveitar o Carnaval. Aproveita, porque daqui a pouco a gente já vai...

Mas é isso mesmo. Isso é novo, essa coisa? Ah, sempre foi assim, né? Essa coisa do catolicismo e agora... Sempre. Protestante e ao mesmo tempo carnaval, futebol. É uma briga constante. Entendi, entendi. Eu fico confuso. Tanto que tem julgamento, né? Veio a Lesha aqui e ela fala que ela é cristã e é julgada porque ela vai ao carnaval. Entendeu? Ela é rainha. Quem? Lesha é uma cantora.

Ah, a carioca, né? É, entendi, entendi. Eu mesmo trago, falo com o padre, com o pastor, e depois trago uma outra pessoa. Ah, você acabou de falar com o padre, e hoje você está falando com não sei quem, como se tivesse alguma relação. Tem esse julgamento. Mas assim, eu lembro também bem quando eu cheguei no Brasil, e tipo, liguei a TV, e a primeira coisa que eu vi foi uma bunda...

dançando assim, né? Uma bunda dançando. Aí eu já fiquei também chocada no momento, porque não estou acostumado com isso, né? Aí você troca, tem um padre ou um cara tirando o demônio da pessoa. Mas eu acho que a coisa que eu nunca entendi, eu acho interessante, porque nos anos 80, 90, tipo com Xuxa, e tem esses programas de televisão com mulheres no banho.

Era muito mais... Era muito mais mulher, tipo, sem... Agora não, mas antes era... Tipo, mais interessante. Banheiro do Google, já viu? Banheiro do Google. Eu tô falando sobre isso. Uma sociedade tão católica, conservadora, mas ao mesmo tempo que tinha isso, como é que isso mudou? Tipo, a sociedade virou mais conservadora. É assim? Quando, tipo, só mudou esse aspecto. Não acho que mudou, não, né, Leni?

Acho que não. Mas esse programa que você falou, o que era? Com banho? É, do Gugu. Banhada do Gugu. Mas não rolou isso mais na televisão? Não, mas isso é mundial, né? A televisão, antigamente, no mundo inteiro, era um pouco mais... Não, mas nunca com o corpo assim, pra gente, nos Estados Unidos, não que era. Lá nos Estados Unidos não tem problema de auditório com as meninas de biquíni, por exemplo? Não, nunca. Não, a mãe também não. Nunca. Paniquete. Você lembra das paniquetes? É, então...

A Paniquette era quase sem roupa. Mas eu tô falando, no Brasil era assim, e tipo, isso desapareceu. Era assim há 10 anos, no máximo, né? 10 anos já mudou. Mas acho que assim, essas músicas também, né? Que a Xuxa cantava com as criancinhas. A gente também tem versões disso na Alemanha, né? Tipo, inclusive, isso que eu acho engraçado, tipo, as schlagas, né? Que também são cantadas. O que é schlagas? Schlagas é um ritmo alemão.

que é... Octoberfest. É, que é... Tocaram no Octoberfest e também no Carnaval. E aí tem várias letras que são basicamente o que eles cantam no funk. Putaria. Putaria, é. Só que a galera fica, tipo, com essa ritmimada. Mas no St. Louis também tem letra mais picante, não tem? Claro que tem. Claro que tem. Mas eu acho uma coisa que nunca tinha essa coisa de...

as mulheres assim de biquíni na televisão sabe essa coisa que eu acho que existia no Brasil se não me engano nos anos 80 90 e a sexualização da mulher é muito mais forte aqui eu acho que ainda era mais né era muito mais propaganda de cerveja era só mulher gostosa hoje já não é mais é para gente isso é eu acho isso era mais os anos 60 70 para gente entendeu e mudou muito mas no Brasil não durou mais para mudar mas mudou

Mas eu acho interessante que, por exemplo, na Alemanha também tem muito cristianismo, tem muita gente também religiosa, mas ao mesmo tempo tem essa cultura de nudismo. É. Aqui não tem, por exemplo. É muito difícil arranjar lugar. Não tem parque onde tem nudismo. Não tem praia. Tem pouquíssimas praias. E se você vai, você é pouco... Na Alemanha é normal?

Muita gente, muita gente vai ou se sente mais livre. Inclusive tinha recentemente dois alemães que foram para o jornal porque eles foram banhar pelado. Em um lugar que não era? Que não era Copacabana. Ah!

Nossa! Peladão? Peladão. Eles voltaram e todos os petentes estavam indo embora, né? Eles precisavam ir, tipo, pelados pra delegacia. Pra delegacia, pra achar uma pessoa. Aí existiu um vídeo depois que eles pegaram as pessoas que roubaram e eles xingando no fundo. Como é que vocês podem? E eles viram mal. Xingando eles, mas realmente, né? Tipo, na Copacabana, pelado, na água.

Ai, meu Deus. Aí você passou a mão. É, top less aqui não rola. E na Europa tem top less. É, rola na Europa. Eu acho a Europa mais liberal nessas coisas. E todos os países, tipo a Espanha. Mas é mais liberal nesse sentido, mas ao mesmo tempo também você não vê a sexualização. É mais esse corpo natural.

Mas ao mesmo tempo, né? Tipo, é topless no parque, a galera vai... É sociedade muito complexa. Eu tô falando, tipo, sobre o Brasil. É uma sociedade muito ultraconservadora em alguns aspectos, mas outros não. É, depende. Não dá pra... E lá também é a mesma coisa. Tem assuntos que são mais liberais lá e menos. Depende, eu acho, do assunto. Sim.

Mas acho que uma coisa que é igual, que começou até mais na Alemanha, é essa cultura também de ficar... Ah, é? O relacionamento que não é mais tradicional, né? Não é uma coisa séria. Super séria, é que você vive mais nessa... Não tinha isso.

Há muito tempo, não tinha não. Quando eu cheguei aqui, já tinha o conceito ficante na Alemanha. Tem esse conceito? De ficante? Tem, mas eu acho, em geral, a galera lá mais... Você sai com uma pessoa. Não é sempre, não dá pra generalizar sempre, mas eu acho que, em geral, depois você manda mensagem, você gostou? Quer um segundo date? Você formaliza isso, já comunica. No Brasil é mais...

Vamos ver qual que é. É, tipo, eu acho, em geral, não sabe. Se rola, rola. Tipo, vamos várias vezes. Você lê a química mais. Lá, usa mais cabeça. É mais, tipo, cheguei em casa, gostei muito. Você tem que avisar, é isso?

Não tem que fazer nada. Só que eu acho que é mais cultural pra gente. Você comunica como você sentiu. Gostei muito da Date. Eu adorei. Você quer um segundo? Vamos. É mais assim. É, e no Brasil é mais... É um jogo.

Eu acho mais um jogo aqui. Eu acho mais... É melhor em alguns sentidos, mas eu acho mais complexo também. Mais complexo, sim. É que se você não entende como é o jogo, você fica perdido, né? É isso, porque somos gringos. Que sinal que você tá dando, né? E não conseguimos ler os sinais igual vocês podem. Porque vocês são criados nessa sociedade. Então pra gente, tipo... Não entendo. Estou vendo as coisas com meus olhos de gringo. Então fica complicado, entendeu? Não, às vezes eu chego em casa... Tchau!

Por isso ele tocou essa música. Porque ele tava querendo dizer isso. É todo um sistema que você precisa. É pra você ser natural. Só que agora tem uma coisa adicionada que são as redes sociais. Então tem a paquera na rede social ainda. Que lá também tem. Manda foguinho.

Mano Foguinho sim, mas indiretas nos stories, essas coisas... Como que é indireta nos stories? Ah, indireta nos stories, que normalmente você não conhece esses vídeos de galera que está apaixonada, que coloca umas músicas, umas letras, né? Não, como que é? Não, tipo, quando a pessoa está sofrendo, tipo, o brasileiro adora a sofrência, né?

vocês adoram sofrência tipo sertanejo, tipo tudo é sofrência chamado de música de corno, né, Leni? exatamente tem toda uma categoria de música, sabe o que é corno? vocês adoram corno, né? música de corno não, não, a gente não adora corno eu tenho uma pergunta pra você não sei se é na Alemanha, mas no Brasil a gente nem tem palavra pra corno no Brasil eles você zoa muito corno aqui no Brasil não tem uma palavra? não? e na Alemanha também não?

A gente não usa dessa forma aqui, não. A gente fala mais a pessoa que foi traída. E vocês falam corno, corno. A pessoa que foi traída. Nossa, meu tio é corno. Cuidado, vai virar corno. Vocês fazem isso, né? A gente não tem essa cultura de zoar o corno.

Zero Mas zoa quem tá traindo Vocês julgam quem é o traidor Julga, julga A gente não acha graça Na pessoa que foi traída Por que você tá rindo, Fabi? Olha, tudo brasileiro aqui rindo

Mas vocês realmente acham muito engraçado, né? Tem toda uma cultura, clube de corno. E a gente não tem nada perto disso. Que louco. Isso foi uma coisa que inicialmente, quando eu ouvi essa conversa sobre corno, eu tava pensando, eles estão rindo sobre a pessoa que foi traída? E eu não falava nada, né? Mas lá não tem o Corn Flakes? Tem Corn Flakes. Não tem nada a ver, né?

Não, mas eu acho que inclusive já me sinto brasileira porque também já virei corna, então eu faço prazer. Agora também, agora eu sei. Se você foi corna, você... Já estou. É automaticamente uma brasileira, né? Exato. Até existe uma frase que é aquela aceita que dói menos. É. Que é por causa do corno, né? Exato. Mas agora eu acho. Você já foi corno? Já. Aqui.

Não, vale só se for aqui Então, pra mim, tipo, acontece Eu acho que já virei meio brasileiro nesse sentido também Agora eu entendo essa coisa É engraçado, eu acho Mas você acha que o problema é você saber que é corna? Ou é melhor não saber? Porque tem gente que fala, é melhor não saber Os olhos não veem, coração não sente Coração não sente

Então, eu descobri depois de ter me divorciado. Ah, depois? Você não soube durante? Não, sim. Eu não consegui colocar raiva contra a pessoa. Porque já tinha acabado. Já tinha acabado, é. Mas então eu só entrei, porque o cara já tava fora. Entendi. No Clube das Cornas. Entendi. Mas eu acho melhor saber... Do que não saber. É, porque aí você se sente muito burra, né? É. Se você não sabe, aí... E você? Ah, eu acho melhor saber, né? Sempre. É.

Eu sabia. Fabi, fale então, Fabi. Conte. Não, o quê? Não, o quê? Alguém já foi traída, você só não sabe. Normalmente você já rolou uma traição aí. Você também? Eu já fui traída, já. Já? E soube? Soube. Depois também, quando eu terminei. É? Lene. Triste. Ah, eu já traí, já fui traído, já. Ah.

Mas você traía depois de ser traído? Não, uma coisa não está relacionada com a outra. É que foram tantas vezes que eu fui traído, tantas vezes que eu traí, então não dá para... É, porque quando você é traído, você acaba tipo assim, ah, então agora eu vou...

A traição, geralmente, não é com quem você está muito envolvido. É aquele rolinho que você sabe que não vai dar certo, você não tem certeza se vai rolar. Aí pinta uma oportunidade, você não quer perder a oportunidade. E vice-versa também. Às vezes a pessoa do lado de lá também acontece. Espera aí, você é rolinho.

É também considerado traição. O rolinho não é traição. É, então. Você não está namorado. É fiel. É que geralmente o rolinho é assim. Nunca os dois estão totalmente oficialmente entendidos. Tipo, é só um rolinho. Tem alguém que está mais apaixonado do que o outro. Sempre tem isso, né? Então, acaba que a gente comete essas gafas aí. Você andou de mão dada no shopping? Então, é... Poxa, teve uma pessoa que eu andei de mão dada no shopping, mas eu ainda não tinha certeza e ela me traiu.

Aí já é traição. Ela me traiu. Eu andei de mão dada e falei, poxa, eu acho que tá rolando, hein? Quando vocês acham que estão namorando? Porque às vezes não é dito, não é... Você pede a mão, ó, você quer namorar comigo. Quando pra vocês, vocês entendem aqui no Brasil que é namoro e quando não é namoro? Vocês não pedem aqui? Não. Eu achei que é difícil. É difícil. Alguns pedem, mas não é normal. Tem pessoas que usam até anel de namoro. É, mas não é o comum. Não é? Não.

Não, mas eu também, pra mim... Você teve pedido de namoro? Tive pedido. Eu também, eu... Hoje eu só falo que eu tô namorando quando alguém tá me pedindo. Porque senão... É. Você fica nessa, tipo, ah, ele não fala nada, eu não falo nada. Fica naquela. Fica naquela, né? Você fica desfixo ou qualquer outra situação. Mas, tipo, eu... Se a pessoa não me pergunta, eu não tô namorando. Ah, faz sentido.

a gente tem um nos Estados Unidos a gente tem um uma coisa que se chama de talk tipo é a conversa a conversa e a gente se sente e fala a o exclusivo sério que se diz somos exclusivos é isso aí e você decide normalmente eu acho naquela hora mas no Brasil sempre achava que era tipo pedido sei lá não

Mas, tipo, pra gente é isso. Às vezes tem uma pessoa só namorando e a outra não tá. Que nem o Lene. O Lene falou. Pois é. Tem que avisar, né? Às vezes, pra pessoa que você não tá namorando. É, tem que avisar, tem que avisar.

Não, mas é complicado, né? Porque você, aos poucos, você já vai fazendo, tipo, a escova de dente no apartamento. Exato. A escova de dente no apartamento aí já é um sinal, entendeu? Com certeza. É, tipo, tá indo pra direção, né? Mas não é namoro ainda. Mas não é namoro ainda. É, né? Claro. Não, junto. Aí não tem outro. Morando junto. É, mas ela falou, não mora junto, mas já deixa a escova de dente.

Lá. Já tem um pijaminha. É. Pode ser. Já é namoro, né? Já é namoro. Mas olha... A não ser que tenham várias escovas lá. A sua escova de dente é essa vermelha, né? Ah, então aqui, ó. Lê, escova vermelha, escova azul. Não, se tem só uma escova... Não, mas peraí. Tudo isso acontece antes do carnaval.

Ah! É complicado, né? E você não falar sobre se vai acontecer ou não. É tipo, não fala comigo durante o carnaval, faça o seu carnaval e eu faço. Ou briga antes do carnaval. Arranja o vídeo de brigar. Não fala comigo. É, depois volta. É. Fala, Lenis.

Cara, eu tenho uma curiosidade, que é sobre cantadas, assim, se vocês recebem muitas cantadas... E como são, né, as cantadas, assim... Deve ser cantadas criativas em relação aos países de vocês, não rola isso? Nem tanto, na verdade. Eu acho que cantadas menos, tipo, a galera escreve poemas.

Você tá brincando, escreve poemas. Escreve poemas, escreve tipo coisas, escreve às vezes sonhos. Tem uma galera que me escreve, ah, eu sonhei com você, sonhei não sei o quê. Ah, esse papinho de sonhei com você, esse eu escuto direto, eu mostro pra Fabiá Z, sonhei com você. A pessoa quer, ah, é? Que tipo de sonho? Ah, eu tô com vergonha de falar. Ah, para, oh, isso é véio, esse negócio. Não, mas a pessoa já me explica todo o sonho. Já conta. Já conta. Mais sexual.

Não, às vezes é um sonho Tipo, dá um exemplo assim Sonhei que a gente estava É, que a gente vivia algo muito extremo E a gente se abraçou E a gente estava de boa Mas não conseguia identificar De onde vem isso Tipo, uma loucura assim de sonho Pode desse tipo de pessoa aí Não respondo Já meteram essa de sonhar com você? Não, eu acho que não

Isso aconteceu muito com você? A galera manda bastante. Nem tá de sonho, mas... Agora acho que vamos parar. Depois que eu falo isso, já... Coitado. Deu a dica, né? Deu a dica.

Não, mas as declarações ou a galera falando alguma coisa ou quer me conhecer ou não sei o que. Aí, né? Brasileiros ou tipo alemães? Não, não. Brasileiros. Ah, entendi. Na sua conta. Brasileiras também? Sim. Mulher dá em cima. E é diferente. É diferente. Mulher é mais direta, não é?

É, depende. Tem umas mulheres que são, tipo... Quero você, quero sair. Com muita dinâmica, muita frequência também. Alguma Andréia já mandou recado pra você? Quem? Alguma Andréia? Andréia? Porque tá falando com você. Não, não, não. É um nome, assim, que me vem à cabeça. Não, né? Tá, tá só pra saber. Olha o Lili. Oi.

Tem uma pergunta da Luana aqui. Ela falou o seguinte. Existe algum hábito brasileiro que vocês criticavam no começo e hoje defendem com unhas e dentes? Boa pergunta. Coisa que achava... Tipo, tomar muito banho...

é que mais é beijar toda hora aqui aqui no Rio a gente já todo mundo que cumprimenta a gente é com dois beijos e eu acho que no Rio Grande são três até né é três nós é o espaço né o espaço aqui é menor do que nos outros lugares as pessoas com mais perto no elevador no negócio que que gostava vocês hoje já acostumaram

Não sei se eu critico, eu nunca criticava uma coisa, eu achava coisa diferente, eu acho, nossa, deixa eu pensar.

Acho que pra mim foi, especialmente aqui no Rio, acho que em São Paulo é um pouco menos, mas também tem esse negócio de marcar coisas e remarcar e colocar pra outra hora. Aqui acontece mais. Aqui, tipo, a semana eu sei que vou fazer essas coisas, mas não sei qual o dia e que horário. Sempre vai depender como é que tá o tempo, como é que tá a saúde da pessoa, não sei o quê.

Eu já me acostumei um pouco com isso, porque eu sei que, pelo menos, eu vou concluir essas tarefas essa semana, mas não sei quando e que horas. Mas acho que isso é uma coisa. As coisas relacionadas a trabalho é mais certo que aconteçam, né? Reunião. Não, sim, reunião, sim. Mas, tipo, encontros para qualquer gravação, qualquer coisa. Eu acho duas coisas. Eu acho café quente. Vocês...

Toma café quente sempre. A gente adora café gelado. Com gelo. Sério? E com muito leite, açúcar. E aguado, né? É, muito. Agora eu adoro um cafezinho. Você acostumou. É, muito. E a segunda coisa, eu acho comer. Eu falei sobre isso já, mas brasileiro. Eu achava um pouco chato, porque...

Sei lá, eu sou americano, gosto de eficiência, entendeu? Então, toda vez você sentar e sentar com garfo e faca e, tipo, sabe, montar o prato e comer. Pra mim é tipo, gente, vamos. Só pega uma coisa e fica andando. Mas pra mim também é igual. Sério? É.

Na Alemanha também? Sim, eu também, tipo, vou pegar um sanduíche e vou continuar. Mas sempre senta, vamos sentar, monta prato. Agora eu valorizo muito isso e não gostava inicialmente. Era tipo, putz, vamos sentar de novo? Tipo, vamos comer na mesinha quando eu estou trabalhando. Não, vamos aqui, vamos sentar, vamos conversar. Eu acho muito legal essa conexão que vocês têm com refeições.

E café da tarde, você sabe que é muito brasileiro também, né? Um bolinho, um cafezinho. Ah, sim, sim. Essa refeição nem existe pra gente. É, agora que eu moro sozinho, não. Mas com minha mãe, cara, tem sempre um cafezinho da tarde. É muito legal isso. Os mais velhos, eles... Cara, é batata. É esse negócio. Pão de queijo, bolinho, café. Mas por isso, por exemplo, por causa dessas conexões, né? Que você tem na conversa, na família e tudo mais.

Eu sinto aqui no Brasil também muito mais integrado em certos momentos. Você tem umas conexões diferenciadas, porque você realmente compartilha momentos do dia de uma outra forma. E quando eu estava estudando na USP, eu lembro que comecei também a comer almoço e feijão. E sempre achei muito pesado. E hoje, tipo, meu corpo já se acostumou, mas no início também achei, tipo... E aí

Não sei sobre você, a primeira coisa que eu faço quando eu chego aqui no Brasil, depois de estar fora, é comer arroz, feijão, carne e alface. Nossa, muito, né? E limão em cima, vocês pegam esse limão e colocam em cima. Porque lá, acho que nos Estados Unidos nem tanto, mas na Alemanha é muito batata, né? Come muito batata, carne e não tem o arroz ou o feijão lá. Arroz, feijão, nada. Salada, talvez? Salada tem, a gente tem muito molho, né?

Molho, né? Molho, a gente adora molho também. Trabalho com salsicha também bastante. É.

E lá nos Estados Unidos O feijão é doce, né? Vem numa lata É que nós temos muito brasileiros também Claro, Orlando, então vai ter brasileiro falando Nossa, mas aqui em Boston tem um monte Em Orlando tem, mas eu não sou brasileiro Nunca conheci um brasileiro na minha infância inteira Então pra mim Eu não tinha experiência com isso Então é feijão numa lata Que é docinho E é isso, e você coloca no microondas É

Com pedacinhos de bacon. E tipo, é açúcar. Mas não come com o arroz. Come sozinho, normalmente. Nossa. Não quero. Tem uma pergunta do Ricardo aqui. Essa pergunta é para o Spencer, tá? Ele está falando o seguinte. Mesmo após o assalto traumático no Carnaval de Salvador, você reafirmou o seu carinho pelo Brasil. O que te fez continuar apostando no país, apesar dos riscos e as contradições?

Conta, conta com o Pão, eu não sabia o que aconteceu. No ano passado, eu estava em Salvador, e no último dia, eu estava voltando para casa da Ondina. Ondina? Ondina? Ondina. E... Ondina, né?

Eu estava perto de casa, na porta, e eu olhei para trás e vi tipo, oito rapazes, sete rapazes. E eles tipo, me atacaram, me jogaram no chão, pegaram meu celular, e tipo, bateram em mim e foram embora. Foi muito rápido, aí fiz B.O. com a polícia.

e foi foi isso né fui assaltado e muita gente nossa como que você vai voltar para Salvador Bahia Brasil em geral e tipo gente eu sempre sabia que existe esse risco mas existe em qualquer lugar entendeu também nos anos tem bairros que são perigosos também então para mim era óbvio que ia voltar eu acho que eu fiz uma comparação é como

Sua ex tóxica, sabe? Ela é meio tóxica, mas ela é muito gostosa. Então, você sabe que tem risco, mas você vai voltar. Faz parte do pacote, né? É, faz parte. Tem tanta coisa boa, mas tem esse probleminha. É, e eu sempre sabia que existe isso. Faz parte. Infelizmente, é um lado aqui no Brasil. Vocês têm carro aqui ou não? Não.

o que me incomoda aqui esse negócio de tem que ter carro blindado porque é perigoso e tal e lá fora não existe esse negócio de ter carro blindado e você sabe que cada vez mais tem carro blindado você já foi assaltado? não, eu só fui eu tenho um anjo de guarda nem celular, nada eu fui furtada mas não não foi

Foi durante o carnaval, tipo, eu tava tirando do meu bolso, não sei nem perceber. Mas assim, aconteceu uma em oito anos, né? Então eu tô muito tranquila também. Mas se você for assaltado, muda uma coisa na sua cabeça, porque antes eu nunca pensei...

na rua uma pessoa vai me roubar ou vai me assaltar. E hoje em dia eu tenho... Você fica olhando. Eu fico com medo mais. Não, eu também. Fico esperta, né? Eu fico mais esperta, com certeza. Mas, tipo, eu não fico com tanto medo, assim, de não conseguir ir para os lugares. Ah, tá. É, não isso, mas tem uma coisa na cabeça. Tipo no Uber agora, eu fico pensando, a janela está fechada, eu estou no meio, porque pessoas quebram. O cara quebra o vidro, né? Olha isso. Sim. É loucura, né?

Mas acontece, faz parte. Fala, Lilianas. Tem uma pergunta do Anderson aqui. Ele direcionou para a Léa, mas acho que pode ser para os dois também. Ele fala aqui o seguinte. No duelo pelo título de estrangeira mais brasileira da internet, o que pesa mais? Falar português perfeito, entender as gírias, sofrer no carnaval ou reclamar do preço do café como se tivesse nascido aqui no Brasil? Vou falar uma coisa.

A Leia fala o português perfeito. Exato. Ela usa o sotaque porque é o charme, senão ela perde. Exatamente. Porque ela chegou aqui e falou, e aí, galera, beleza, bro? Isso aí. Ligou a câmera, ela mete esse sotaque aí. É o personagem, né? Personagem. Personagem.

Não, mas é pra, tipo... O que... E torna mais brasileira? E torna mais brasileira. É, o que pesa mais. Falar o português perfeito, entender as giras, sofrer no carnaval ou reclamar do preço do café como se você fosse brasileira. Ah, eu acho que... Eu me sinto brasileira. Fazendo o quê? Ah, agora eu sou brasileira. Me irritar com umas 50 ligações do telemarketing.

Isso, pra mim, é a coisa mais... Nossa! Nossa! Eu já... Olha, eu já te falei que não quero. Não, mas isso realmente... Isso realmente... Toda vez que eu chego aqui no Brasil, eu tenho dois celulares, né? Que eu tô roubo. Agora me revela. Um é pro ladrão. Agora os caras estão sabendo.

Mas aí, tipo, os dois celulares tocam e recebem ligações. Isso pra mim é muito... Eu acho que muito mais esses negócios do dia a dia, que são irritantes, né? Que da burocracia, da vida adulta, afinal, né? E acho que isso me torna mais brasileira do que... As gírias já vêm como a sobrevivência, né? Mas lidar com o sistema, realmente, acho que isso que me tornou brasileira a raiz aí. E pra você.

Não sei, pessoas falam sobre falar um idioma perfeito. Não existe, né? Não. Eu acho que mesmo em inglês tem tantos sotaques diferentes, tantas formas de se expressar. Então eu nunca senti obrigado a falar um português brasileiro perfeito. Eu acho que isso também, inclusive, impede muitas pessoas a falarem outros idiomas, a aprenderem outros idiomas. Eu sou professor de inglês, né? E muita gente tem vergonha, medo de falar inglês porque não sei, não fala perfeitamente. O que é isso?

Tipo, ninguém eu falo perfeitamente, entendeu? Não tem esse julgamento e a galera fica... Não, não tem. Não, inclusive, eu não sei como é que tá o teu inglês, né? Mas pra mim, o alemão já tem sotaque também. Então, em qualquer... Você tem sotaque no alemão? Tem sotaque no alemão. E eu uso, tipo, palavras em português.

traduzidos. É, pra mim, pra mim, tipo, falar, e aí a pessoa fala que essa palavra não existe, não. Eu invento palavras em ambas as línguas. Não, faz sentido. Tem tanta coisa em português que existe, que não existe em inglês. Então, eu sinto falta, às vezes, de algumas expressões que eu queria usar em inglês. Sim.

Mas é isso. Isso é mito. Falar perfeitamente. Ah, não existe. Para com isso. Só fala, vai falando. Eu sempre falo, criança aprende a andar sem cair? Não, cai mil vezes. Faz parte. Só que com adulto, a gente tá com muito orgulho, eu acho. Muita gente quer fazer tudo perfeitinho. Eles vão zoar de mim. Eu fui fazer intercâmbio agora em San Diego e tinha gente do mundo inteiro, cara. Os caras não tão nem a falar tudo errado. Claro. Coreano, australiano. Australiano não, mas...

O que mais? Tinha japonês e tal. Você vê os caras falando com um puta sotaque errado e não estão nem aí. E eu ficava me corrigindo às vezes. Aí eu desencanei. Cara, os próprios brasileiros são os que julgam os outros brasileiros com inglês, não os gringos, entendeu? Então eu acho que vocês têm esse trauma da escola aqui, que eles estão julgando vocês, mas a gente não julga. Entendeu?

É só pensar um gringo aqui e a paciência que a gente tem com um gringo lá. Os caras também têm, né? Sabe que você não é local, né? Exatamente. Fale, Lenin, inglês agora. Ixi, agora você me pegou porque eu sou bom em japonês, né? É, só em japonês. Fala bem em japonês. Sério? É, fala alguma coisa em japonês. Ah, muito, muito bom. É. Cara de pau. Parabéns, parabéns. Agora eu sei uma frase em alemão.

Ah, esse é o clássico Todo mundo Eu queria saber quem começou com isso Em qual momento o brasileiro falou Não, isso parece muito mal Igual Guttas Cain Ou alguma coisa assim Essa eu não lembro, mas eu já ouvi Também é bem parecida com essa também

O Paulo está falando aqui o seguinte. Qual foi a situação mais raiz brasileira que vocês viveram e pensaram pronto, agora eu virei oficialmente um brasileiro? Perrengue. Programa de índio. Perrengue não, mas eu tive uma experiência. Eu estava em Recife.

Eu estava indo para a praia de galinha, porto de galinha, é uma praia, né? É, é uma praia. Então, eu estava com o meu amigo e o cara era o taxista, o motorista de lá. A gente estava simplesmente dirigindo numa rua no meio do nada, da mata. Ele parou...

tinha uma faca desse tamanho. Eu, tipo, olhei para o meu amigo, a gente está bem, ele vai matar a gente. Não, ele só, você já experimentou cana-de-açúcar? Eu, tipo, não, nunca. Ele parou o carro, tirou essa faca assim, foi, cortou uma cana, voltou, tipo, e você, tipo, chupa. Eu, tipo, eu achava que ia morrer, né? Que ele ia matar a gente no meio do mato. Não, mas ele só queria que... Eu falei, dá para você pegar uma cana aleatoriamente do campo assim? Ele, tipo, sim, de boa.

Eu acho que isso foi a experiência, uma das experiências mais brasileiras, raiz que eu já tive. Puts, eu vou ter que pensar, mas eu acho que assim, eu acho que raiz, brasileira raiz, foi realmente, tipo, umas feras, né, que você... Feras. Nas feras. Na rua, feiras. Ah, feiras. Feiras, feiras. Feiras. Que você vai, tipo, você...

Tem um monte de coisa acontecendo. Porque não tem isso lá? Feira de rua não existe? Não, assim, a gente até tem, só que ninguém fala, e a Angelina? Angela, não sei, vai de táxi. E aí, também, a galera, tipo, tá o tempo todo falando alguma coisa, anunciando nos microfones. Aranjo, laranja, não sei o que.

Na Alemanha até tem um pouco, mas não dessa forma aqui. Eu acho que essa bagunça acontecendo, várias coisas ao mesmo tempo, a galina correndo. Tudo ao mesmo tempo. Pastel. Pastel. É clássico, né? E aí você sente, senta na... Na verdade, eu gosto de sentar nesses lugares, é só observar. Eu vou pegar meu livrinho. E ficar escrevendo piada. É. Porque pra mim, tipo...

Uma obra de arte, assim. Boa? Certas coisas, é. É, feira é realmente uma experiência única aqui, né? Esse teu novo show chama como? Ale Malandra. Ale Malandra. E é mais essa coisa da gíria, do quê? Você tá falando mais do quê nesse show? É que, na verdade, né? Eu falo que é que é malandragem, né? Eu não sei qual é o conceito que você, por exemplo, tem. De malandragem? De malandragem. Ah, é isso de...

Tomar vantagem de querer ser esperto. Sim. É o cara que ultrapassa pelo acostamento. O cara quer ser malandro. Quer tirar vantagem. Mas eu já acho que, por exemplo, todo brasileiro tem isso um pouco no sangue, né? Que vem um pouco no molho de que ele fica esperto e tem essa inteligência social. É, você tem que ter uma malandragem para não sofrer malandragem dos outros. Isso, isso. Você fica esperto para não ser passado para trás, é.

É que nem o Lênin, que falou com medo de ser traído, ele já trai antes. Exato. Eu entendi que foi isso que você explicou. Exatamente.

Mas aí, para mim, é isso. Eu não me considero malandro porque não cresci nesse país. Você não tem essa malemolência. Essa malemolência. Tem da meio... Como fala? Quando não é malandro, o contrário é... Ingênuo. Ingênuo. Ingênuo. Eu iria falar otário, mas... Também. Certo. Tá certo. Otário também. É um sinfônimo. É um sinfônimo. Também.

Mas eu acho que eu sou no meio disso, né? Que eu sou Alemalandra, por isso o nome. Alemalandra, muito bom esse nome. E aí eu falo bastante sobre essa confusão que acontece na cabeça, que tem as coisas que você vê bem como a educação, né? Que está organizadinha, a Alemak, que é uma vida organizada. E ao mesmo tempo o Brasil, que veio influenciando os últimos dez anos, quase dez anos aqui, né?

e que me fude tanto que eu me considero... Ela falou me falar... Ela já está na clima, já é. Que hoje já me considero brasileira. E aí eu conto um pouco as coisas que aconteceram, também me divorciei, e aí estou vivendo entre esses três mundos, porque eu sou tia também agora, então... Verdade, como quer ser tia?

Então, isso é engraçado, porque ninguém me pergunta isso no Brasil. Como é certinho? Não, porque todo mundo tem 20 sobrinhos. Ah, sim, sim. Não é nada especial. Não, normal, tranquilo. Mas pra gente é um negócio. É um acontecimento. É, todo mundo se junta e pergunta por que você fez isso, sabe? É louco. Não, mas a minha é muito legal porque eu tenho uma certa responsabilidade, né? De trazer o Brasil também pra minha sobrinha, né? Mostrar isso um pouco. É.

Mas é engraçado, porque certas coisas que tem aqui no Brasil, por exemplo, o mucilão. Eu pensei em trazer o mucilão e trouxe o mucilão para minha irmã. E ela não quis dar, porque ela falou que parece uma arma química.

Porque são muitos ingredientes que eu nem sei explicar também o que está dentro, mas nunca fiz mal para o brasileiro, não sei. Estamos vivo até aí. E aí, tipo, tem muitas diferenças. Eu, por exemplo, trago também uns brinquedos que têm uma estimulação maior. A minha emagre. Você leva lá para a Alemanha? É.

A minha irmã não gosta de ver ela pra tela, né? Tipo, não mostra nada de TV pra ela. Nossa! E eu, tipo, traço um pouco do Brasil e um pouco disso, né? Mas também, por exemplo, as músicas, né? Eu trago as coisas, tipo, eu tento trazer um pouco o Brasil pra ela. Galinha pintadinha, dar um tijolo pra ela comer. É. Coisa que criança que faz, né? É. E você?

Ela falou que a família dela é pequena Você já tem uma família grande, né? Tenho duas irmãs, dois irmãos

E dou 13 sobrinhos embaixo de 11 anos. Então é uma bagunça. Para mim, na verdade, quando eu vejo as stories do Spencer, parece uma família que você fez nos Sims. Porque não é possível. Tantas pessoas que fazem parte dessa família. É muita gente. Sempre coisa acontecendo. E eu gosto. É legal porque... Casa cheia, né?

É, e também pra mim, não tem atenção. Pra mim, eu gosto. Eu sou do meio. Então, eu gosto de só ficar ali, ficar observando. Meus pais não perguntam sobre minha vida, entendeu? Se você for, me ama muito, mas eles têm 12 netos e não sei o que, muito drama acontecendo, então é muito legal. Eu consigo voltar pra casa, ter meu papel como filho, como irmão, como tio.

E sair também, voltar pro Brasil. Então pra mim é legal, mas família grande é muita bagunça. Sempre tem grava, sempre tem coisa acontecendo. Mas eu gosto. É legal. O Leni, fala. O Wagner perguntou o seguinte aqui. Depois de experiências pessoais difíceis que vocês viveram aqui, o que fez vocês reafirmarem a escolha de continuar no Brasil e manter o carinho pelo país? O que segura vocês?

No caso da Aleia, é o trampo, né? É o trampo. É, deu muito certo, né? É, mas também passei o inverno na Alemanha e lembrei... Você lembrou porque você tá aqui. É, pra mim é trabalho também. São os meus amigos também. Eu fiz os melhores amigos da minha vida, eu acho, aqui no Brasil. Então, realmente tenho família aqui. E o clima, a comida...

Nossa, eu posso continuar. Tipo, eu acho que essas coisas são as principais. Mas são várias coisas. É, mas, por exemplo, também na Alemanha, eu não consigo mais gostar de sair à noite, tipo, fazer alguma coisa, porque... É diferente? É, tudo sem graça. Não tem comparação. Uma roda de samba, que tem a galera cantando. Tipo, na Alemanha, ninguém...

Você canta junto, é uma música tipo, música eletrônica, toca muito, sabe? Aí fica muito distante, tipo, fica mais robotizado, né, de certa forma, e não fica, tipo, aquela coisa mais humana, mais, né? Agregador. É. É, eu acho relacionamentos, no fim das contas. Pra mim, são as pessoas. São as pessoas, eu acho.

A Ana perguntou o seguinte, a internet brasileira tem fascínio por estrangeiros que adotam o jeitão do Brasil. Vocês acham que isso ajuda na carreira ou cria uma expectativa difícil de sustentar?

Acho que até agora nos ajudou muito, sim. Mas, claro, você fica também nessa de... Tem disso, né? É, um pouco, né? Tentar fazer outra coisa. Ah, gostava quando você fazia aquelas coisas. Mas eu achei importante, tipo, talvez seja a entrada, né? De mostrar o Brasil. Mas eu acho uma coisa que... Não sei se você... Eu sei que você faz isso também, mas...

mostrar quem você é também como pessoa, um lado mais único, que não é só gringo, entendeu? Então, quem é Spencer, o que eu faço, meus interesses, meu dia a dia, eu tento fazer isso mais também para criar uma conexão mais pessoal com a galera também. Então, pra mim eu faço isso. Mas realmente ajudou inicialmente, com certeza.

Mas eu, por exemplo, também no meu show, né? Tipo, as coisas que eu conto, tanto do meu primeiro especial quanto do meu segundo, são coisas mais... Tipo, histórias também mesmo da minha vida, né? Além de observações sobre a sociedade. Mas eu gosto também porque é terapêutica, afinal, né? É, porque no fim das contas, o público é um relacionamento.

Eu acho que é. Realmente é uma parte muito importante das nossas vidas. E você precisa entender como lidar com esse relacionamento de uma maneira saudável, né? Quanto interajo, quanto entro, quanto converso, porque temos um limite. Me mostra quando eu tô mal, isso também não é dúvida. É. É isso. O Anderson perguntou o seguinte aqui. Se tivessem que ensinar para um estrangeiro recém-chegado três regras básicas para sobreviver no Brasil, quais seriam?

Não case. Ah, nossa. Eu acho que a primeira coisa é aprender umas respostas que todo mundo gosta de ouvir. Tipo... A gente vai se falando. A gente vai se falando. Nunca fala. A gente vai se falando, hein?

Vamos marcar. Nunca fala não. Vamos marcar. É uma coisa que você tem que usar para a vida. Vamos marcar, vamos marcar. Eu acho também que você vai ser rude se você não fala oi e tchau para todo mundo indo para o pé e saindo. Se eu preciso cumprimentar ou eles vão achar que você é rude. Ou você some sem ninguém ver você saindo também. Eu já fiz isso. Se ninguém ver você saindo, não tem problema. Então é permitido isso. Nem vi você.

Ah, tive que sair. O problema é o pessoal ver você saindo. Não vai dar tchau. Aí pega mal.

Eu acho que ser aberto para a experiência, né? Porque eu lembro quando eu cheguei aqui também, tipo, me assustava. Eu não conseguia entender as pessoas. Tipo, cara, todo mundo está muito legal comigo. Eu estava, tipo, pensando o que está acontecendo, né? Porque como... Achava que era só com você? Não, eu achava que...

que tem um segundo pensamento, né? Porque desconfiava, né? Uma segunda intenção. De certa forma, tem. Às vezes tem, às vezes não. É pessoa só simpática mesmo. Sim. E acho que isso que o gringo tem que ser, né? Aberto pra essa, porque realmente bem também sem julgamento, sem, né? É. O terceiro. Não falar não.

Eu acho também, talvez, se arrumar. Eu não me arrumava muito, entendeu? Se arrumava para sair. Para sair. Eu usava de pijama, entendeu? Tipo, sério. Eu usava... Qualquer coisa. Eu uso mesmo, é que você sempre toma muito banho. Não sei, você se cuida muito mais do que a gente. Valoriza muito mais esse aspecto. E a gente não tanto. É tipo, pijama. Mesma camisa desde 15 anos que eu uso para a academia. Tipo, toda semana.

Então eu acho que se arruma um pouco mais. Porra, para ir para a academia, galera, a melhor roupa, se maquia, toma banho. Toma banho antes de ir para a academia. Que isso? Não entendo isso. Perfumado.

Mas depois que começou, tipo, depois que eu voltei pra Alemanha pra academia e ver que as pessoas não fazem isso, tu vai, de repente. Não, com certeza. Eu falei isso, e eu falava isso, é verdade, eu não sentia, sentia CC durante o carnaval. É.

E todo o Brasil, nossa, então você deveria estar sem habilidade de cheirar. Não. Passa um carnaval com essa quantidade de pessoas em outro país e você vai ver a diferença. Tipo, brasileiro... Qualquer festa no verão na Europa também. Claro, os Estados Unidos também é tipo, nossa, meu Deus, mas no Brasil é todo mundo cheiroso. É? É, comparado, né? Você pega um trem na Europa, você sente a diferença, cara. Sente.

E um trem, você tá num trem bom, não é? Na França, por exemplo. É, só oito horas de manhã já começa. E é um perfume misturado com CC, né? É, é, exatamente. Né, Leni? É, é verdade. Pega o metrozão aqui, oito horas da manhã, né? Mas a gente tinha um cara que trabalhava com a gente que tinha esse problema aí. Tinha, tinha. Ó, a Evelyn perguntou o seguinte. Se já houve algum momento em que vocês pensaram em desistir de produzir o conteúdo aqui pro público brasileiro? E o que fez vocês continuarem?

Já? Normal, acho que você pensa às vezes em fazer outra coisa, porque cansa, né? É, porque cada situação...

é uma oportunidade para você sente sobre a ligação de gravar. Eu acho qualquer creator pode se identificar com isso. Tipo um sábado à tarde aproveitando uma samba praia você fala putz deveria gravar uma coisa. É sempre porque se não for um story é um reels. Então eu acho que às vezes não dá para aproveitar o tempo livre que tem. Sim. Você concorda comigo? Não, total. A minha família também fala muito sobre isso. Agora que eu passei por exemplo também Natal.

E eu também precisava um dia dedicar ao trabalho de gravar, editar e não sei o que. E eles tipo, nossa, você não consegue nem viver esse momento 100%, porque você tá sempre precisando, na verdade, relatar a sua vida. De certa forma... É que é o seu trabalho, né? É, o meu trabalho. Mas isso é uma coisa que eu relatei para os meus pais, porque eles não entendem nada sobre essa coisa de internet. Minha mãe, por exemplo, tava...

nasce trabalhavam de home office e ela tipo não entendo essa coisa de home office, não entendo como as pessoas não vão para o trabalho, tipo ela é outra geração né. Eu falei mãe eu estou no meu celular estou fazendo isso porque isso é trabalho, isso é trabalho, entendeu? Eu estou trabalhando, eu sei que eu estou aqui na mesa da senhora de pijama, mas eu estou trabalhando, isso é trabalho, mas ela meio não entende, eu preciso.

entrar no carro e dirigir, entendeu? Ela não entende. E ter um saco e ficar com a mão. Pois é, pois é. Mas a minha família também é assim, tipo... A maioria, na verdade, não trabalha online ou de home office. A maioria trabalha num lugar presencial que tem que ir. A minha também. Então, é muito difícil também pra eles entenderem, né? Eles sempre falam que... Quando vai arrumar um trabalho de verdade? Sério?

Um trabalho fixo. Minha família está nessa ainda. E o lance de roupa que ele falou, você sentiu esse negócio? O pessoal se arrumar muito ou não? Na Alemanha já era assim também. Não, eu acho que aqui no Brasil na Alemanha, acho que na França tem mais essa consciência também para a moda, mas acho que para a Alemanha é mais muito básical, muito preto, tipo, esportivo.

Aqui no Brasil eu comecei a Ouvir comentários dos meus amigos gays Sobre a minha escolha de looks Dos looks Precisa se arrumar mais? É, não, porque eu saí e falei que Olha, dei meu melhor, mas não deu certo É Não deu seu melhor Depois a gente conversa

Mas é realmente, não, aqui no Brasil eu nunca imaginei que ia ter uma estilista, uma pessoa como... É que quando você também começar a ser uma pessoa pública, você começa mais... É, é, é, é. Mas já, tipo, chegando aqui já comecei a mais me ligar, né, por exemplo, não me maquiava. Só me maquiava quando chegava aqui. Era bem hiponga mesmo, viajando o mundo.

E aqui as minas se maquiam todas. É, aí eu comecei a tomar banho e me maquiar. Que bom, mulher. Que bom, né? Que bom que você me encontrou agora, né, Silvento? Ainda bem que eu conheço você nessa fase, então, né? Mas lá o pessoal não usa a sandália que nem da Fabi, assim, por exemplo.

Olha só essa sandália da família. Sandália da fama. Fala, Lenin. O Paulo perguntou como vocês lidam com críticas que questionam sua legitimidade para falar sobre o Brasil sendo estrangeiros.

Tem um chato, né? Quem é você para falar disso? Isso é muito difícil para mim. Porque eu, por exemplo, eu sempre vejo um comediante turco na Alemanha como referência. Ele falando da Alemanha? Ele falando da Alemanha. Só que assim, um imigrante da Alemanha falando da Alemanha é uma coisa. Porque ele tem mais do que o direito até pela história.

E aí, aqui no Brasil, já é outra coisa, né? Mas é muito difícil dizer porque, afinal, né? A gente avalia um pouco a nossa experiência que a gente viveu e como é que a gente consegue julgar certas coisas, né? Mas eu, até hoje, tenho certas dificuldades porque 100% entendimento nunca vai ter porque eu não cresci aqui, né? E aí, começando pela língua, né? Pelo significado de certas coisas. Então...

Eu acho difícil, mas ao mesmo tempo acho que a partir do momento que você sofreu o suficiente aqui, você tem o direito de também falar as coisas.

Quando eu fui assaltado, eu senti que eu tinha direito, finalmente, de falar sobre isso. Mas o público é brasileiro, meu público é brasileiro. Então, eu estou relatando minha experiência sobre o Brasil para brasileiros. Então, se eu estivesse falando sobre o Brasil para estrangeiros, seria outra coisa. Às vezes, eu faço esse conteúdo. Mas eu sempre falo que é complexo, não dá para generalizar, se não for um vídeo de comédia, né? Claro. Então, eu acho que...

Quem consome meu conteúdo é brasileiro. Então eu acho que vocês já entendem que vem de um gringo, né? Sim. Sei lá. Aqui foi. Valeu, Leni.

É isso, gente. Algumas coisas que vocês queiram falar no final. Agradecimentos, shows, divulgação de redes sociais. É ficar com vocês agora. Eu queria que a gente faça mais gravações aqui. Porque essa vista é uma maravilha. Nossa, sério? Eu estava só ativismo quando sonhando. Sendo distraída pelo mar. É, não arreda perto. O pessoal está surfando lá. Está vendo?

Nossa, cara, é muito legal. Tem tubarão aqui? Cara, não tem. Se tiver, eu vou mesmo assim. Não, não tem. Tem em Recife que tem? É, em Recife tem. Recife tem. Sim. E o tubarão, você sabe. Se dá a mão, ele quer o braço, né? Eles não são muito... Mas aqui é tranquilo, cara. É muito lindo. Olha só esse visual, cara. É maravilhoso. Azúcar.

É, Lênia. E lá a gente tem um Rio Tietê, né? É. Rio Pinheiros. Obrigado demais. Rede social, o que vocês querem divulgar aí? Se quiser, eu sou Spencer Sabe nas redes sociais. Se você quiser aprender inglês, eu tenho uma escola de inglês também. Não importa o seu nível, eu falo que idioma sobre identidade, como eu falava sobre hoje, tipo, como português transformou minha vida. Realmente, eu estou aqui falando com vocês porque eu aprendi português.

Então, se você quiser fazer a mesma coisa com o inglês, aprenda inglês comigo. É isso. Léa!

vocês podem ver para o meu show Ale Malandra, já que adaptei um pouco a malandragem aqui, mas eu vou estar no Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo, agora em março. Mas a sua agenda é o que? No Instagram, para a pessoa saber? Sim, no meu perfil Lea Maria Jan. Para quem está vendo isso mais para frente, é só chegar no meu perfil porque eu vou ter também uma turnê na Europa. Vai fazer? Vou fazer. Irlanda o quê?

Eu não sei ainda as datas certas, então não vou falar, mas eu já fui algumas vezes para a Europa, os brasileiros realmente gostam de ouvir, e se identificam bastante, especialmente na Alemanha, então podem me aguardar para o verão da Alemanha, que vou estar lá fazer umas graças. Verão da Alemanha? Da Alemanha, que é inverno aqui. Solzão, né? É, solzão, 20 graus. Nossa, 20 graus esquentando, né?

Mas é isso, espero que gostaram, me seguem aí e até mais.

Obrigado demais, gente. Obrigado você, Lene. Lene, é hora de você brilhar. É isso aí. Se você não deixou seu like ainda, corre que ainda dá tempo de deixar o like, né? Aproveita e se inscreve no canal, já se torna membro. E pra provar que você chegou até aqui no papo... O que o pessoal escreve nos comentários? Escreve aí, CPF na nota? CPF na nota? Ele achou que era um termo. Algum termo brasileiro. Exato. Tipo, é um cumprimento, né? CPF na nota.

Valeu gente, escreva o CPF na nota Fique com Deus, beijo no cotovelo e tchau Que bom vocês vieram, valeu

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