1810 - BONI
JOSÉ BONIFÁCIO DE OLIVEIRA SOBRINHO, mais conhecido como BONI, é diretor, publicitário, empresário e produtor executivo. Ele vai bater um papo sobre sua histórica carreira e sobre como fez a Globo ser uma das maiores emissoras do mundo. O Vilela nunca trabalhou na Globo e também nunca comeu o biscoito.
- Emagrecimento e EsportesHistória da TV Globo · Censura na televisão · Desenvolvimento do Fantástico · Relação com Chacrinha · Impacto do Rock Santeiro
- Trajetória na televisãoCensura durante a ditadura · Mudanças na programação · Relação com anunciantes
- Influência de BoniInovações na TV brasileira · Relação com artistas · Criação de programas icônicos
Olá, terráqueos! Agora temos um estúdio na Cidade Maravilhosa. Em uma parceria incrível com o hotel Rio Otton Palace, estaremos debruçados sobre a praia de Copacabana com convidados especiais, sempre debatendo e comentando os assuntos mais importantes para o Brasil. Então você está mais que convidado para colar com a gente. Vem!
Quer ser um milionário terráqueo? Eu sou um milionário e posso te dizer que é muito bom. É bom demais. Estou em lazoeira agora? O Pix do Milhão é o maior clube de benefícios do país com várias premiações toda semana. 20 mil na hora com o Achou Raspou Epix e prêmios durante a semana de 40 mil, 100 mil e até 1 milhão de reais.
Você quer saber mais? É só acessar o QR Code que está aqui em cima da tela e tem o link na descrição também. É tudo legalizado pela SUSEP, mas vai com responsabilidade. Tá, terráqueo? Ó, e é só para quem é maior de 18 anos. Beijo no cotovelo e tchau!
Olá, terráqueos, como é que vocês estão? Eu sou o Rogério Vileira e está começando mais um Inteligência Limitada, o programa onde a limitação da inteligência acontece somente por parte do apresentador que vos fala. Sempre trago pessoas mais inteligentes, mais interessantes e com a vida mais global do que a mim, do que a sua, Leni. É, hoje a gente estourou a boca do balão com o global, hein? Exato! Falando nele, Boni, eu não sei nem como apresento, porque é redator, diretor, produtor, publicitário.
jornalista acho que é tudo né eu quero saber depois como ele se define mas seja bem vindo é estranho falar seja bem vindo dentro do espaço dele ao meu programa como você se apresentaria Boni? eu acho que pra começar pra me definir eu sou um operário que carrega nas costas o trabalho de todas essas especialidades vamos complementar então operário das artes
Não exatamente das artes Operário da comunicação Que eu acho mais adequado O lado ruim é que eu sou um cara interesseiro Não sei se te avisaram Eu sempre peço presentes para os meus convidados Para deixar no meu cenário Eu sei que não é uma coisa boa para eles falarem Mas eu estou sendo sincero O que você trouxe para mim?
Olha, eu ouvi dizer que você gosta de receber esses presentes inúteis, então eu trouxe um presente inútil. Que pode deixar comigo. Vou ficar com você. O especial que eu tirei da minha coleção é que eu recebi esse presente inútil da minha mãe. É tão importante. Está aqui, eu vou apresentar para você. O que é o seguinte? Minha mãe fumava...
Eu jamais fumei na minha vida, fui antitabagista o tempo todo. De vez em quando um charutinho com os amigos, mas como raridade. Comemorar um negócio fechado. Mas a minha mãe dizia assim para mim, você não tem cinzeiro na sua casa.
Vou te dar um cinzeiro revolucionário Que a pessoa bota o cigarro dentro E não sai a fumaça Poxa Inútil porque eu não deixava ninguém Que fumasse na minha casa E ficou lá Mas era uma obra de arte Era uma coisa Extremamente estranha Mas é o cinzeiro virgem Não foi usado? É o cinzeiro de verdade Um furinho aqui Para você colocar o cigarro e não sair fumaça Que línio?
Você leva isso de presente, agora leva essa colinha da vanguarda. Essa colinha da vanguarda. Isso me lembrou uma surdina de trompete. Isso me lembrou uma surdina de trompete. Ô, louco. Parece uma surdina referência. Vou dizer uma coisa para você. Boa observação. É? Quando ela tirou esse negócio da alfabidade, eu pensei que era uma surdina de trompete.
E não. Não era. Era um senso. Que parecia uma sordinha. Obrigado demais. Não esqueci de levar. E lembrando aí o pessoal que você pode mandar superchat. Mas hoje a gente vai dar preferência para os membros aí. Que já mandaram pergunta anteriormente para a gente. Por isso torne-se membro do canal. Já deixa o like agora que o papo promete. Eu trouxe os dois livros que eu li dele aqui. Um melhor que o outro. Um completa o outro. Um é uma linha...
Temporal muito boa. E aqui ele pega alguns acontecimentos. E descreve com mais detalhes. E tem muito humor no seu livro. E eu sei que isso está presente na sua vida. Desde o começo. Como redator. Mas vamos falar isso e muito outras coisas. Eu queria antes, Bonnie. Tentar entender. Essa tua infância. Onde você nasceu. O que você queria ser quando crescer. Porque você fez tanta coisa na tua vida.
tanta mudança, né? E parece aquela coisa de ligar os pontos, sabe? Que você vai ligando os pontos e não sabe que figura vai formar, né? Não parece isso? A vida te joga pra cá, te joga pra lá. Não sabe o que vai dar no final. Exato. Você como desenhista sabe disso muito bem. Exato. E parece que não faz sentido quando tá acontecendo, né? Não parece. Mas você olhando pra trás, a gente olhando a tua vida, faz tudo sentido. Todo o teu caminho. Uma coisa complementou a outra e te levou a outro lugar.
Quando eu olho para trás, eu vejo que essa linha Era quase uma linha reta Exato E para mim, durante a minha vida, foi tortuosa Exato, porque você tentava uma coisa e te jogava Aparecia uma oportunidade Eu não assino um contrato aqui, vem para cá Mas vamos falar de tudo isso, é muita fase da tua vida É assim, em Osasco Osasco A cidade tem esse nome Que foi fundada por um italiano chamado Antonio Gull
Osasco era uma cidade do Piemonte, na margem do rio Pó, e ele fundou essa cidade lá. Na época, era um subúrbio de São Paulo, fazia parte da cidade de São Paulo. E a minha avó havia comprado terras contíguas em Osasco, que era presidente altino.
E depois ela comprou parte também de Osasco, onde eu nasci numa casa, que era uma casa que naquele tempo estava na rua, que é a rua que dava no quartel do Quitaúna, de onde passavam os pelotões, e chamava-se Glória dos Rufadores. É mesmo? Glória dos Rufadores, 77.
A casa era enorme, tinha um campo de futebol, quase que, não do tamanho natural, mas um campinho de futebol. Na tua casa? Na minha casa. E meu pai colocou lá com o orintiano, tinha até o placar, visitantes versus corintiano. Não só eu jogava com meus amigos, mas meu pai jogava com os amigos dele.
Então, a nossa casa é... Então, os seus pais não tinham aquele negócio de cadê o Boni? Ele tá na rua? Não, tá em casa mesmo brincando. Tá em casa brincando. Então, os seus amigos vinham pra jogar em casa? Vinha pra jogar em casa. E ali eu aprendi a cozinhar. Por quê? Porque a minha avó, toda vez que terminava o joguinho... Galera faminta. Tinha o pessoal querendo comer, minha avó fazia alguma coisa, uma massa, um macarrão... Aí chega um ponto e fala, chega, não vou pra cozinhar pra esconde barbante. Não vou cozinhar pra barbante.
Então eu tive que entrar na cozinha com o auxílio de alguns outros colegas e dão de fazer a comidinha sempre. E a minha avó sempre dizia o seguinte, olha, esse pessoal aqui não vem jogar futebol, vem comer a comida. O pessoal está vindo mais pela comida do que pelo futebol. Exatamente, porque os times 11x11, numa pelada geralmente é 6x6, mas na minha casa era 15x15. Era mais gente, né? Tinha mais gente por causa da comidinha.
Que legal. Um dia, todo mundo chegou atrasado pro jogo. Não teve nem jogo. Vamos direto pro Rangler. Aí eu entendi que a minha avó tinha razão. E você... E essa lembrança pra você é você jogando futebol, brincando... O que mais? Meu pai era dentista.
Ao mesmo tempo ele era protético e ele era músico. E você pensou em seguir essa carreira também? Foi muito importante. Porque o meu pai era, na realidade, calouro. Ele gostava de cantar. Cantava bem? Cantava bem, mas cantava muito mal. Ah, é? Mas o Richter só levava gongadas. Buzinas, né? Sim. Mas é o seguinte, ele tinha uma grande habilidade com violão.
Tanto que para acompanhar um desafinado como ele, precisava ser bom mesmo. Tem que ser bom. E ele acabou sendo contratado pela Rádio Cultura para fazer parte de um programa de calouros. Era um programa chamado Peneira Rodini, que era aos sábados, e era apresentado pelo Tuma, que foi o primeiro narrador de futebol do Brasil, que não tem nada a ver com o Tuma político, o delegado Tuma.
Mas, na verdade, o programa era um programa de muito sucesso. Eu ia lá, ficava na cabine de som. Estamos falando de quantos anos você tinha? Estamos falando da década de 40, começo da década de 40. Eu nasci em 35, eu tinha 5, 6 anos. Nossa, super pequenininho. Então, eu ia para lá.
E eu pegava os scripts, que é o texto, né? Eu aprendia a ler roubando o texto da cabine de sogra. Ficava tentando entender o que estava escrito. Eu levava o texto para casa e ficava tentando entender aquilo que estava lá. Minha avó me ensinava alguma coisa para poder aprender a ler.
Além disso, meu tio Reinaldo, pai do Busone, me dava os jornais para eu poder ver a posição dos aliados, a posição dos inimigos, do eixo e recortar aqueles assuntos. Na verdade, eu acabei sendo o Jornal Nacional de Osasco, porque para me exibir, eles me levavam para a praça mais importante da estação de Osasco, botavam um caixote.
Eu subia no caixote e contava. Você contava aquilo que eu lia e aquilo que eu ouvi. Então, todo mundo... Era um resumo das notícias. Era o exibicionismo. Puxa! Eu tinha uma boa memória. Eu conseguia.
Falar aí durante uns 15, 20 minutos, com mais precisão e mais síntese do que o Jornal Nacional faz hoje. Mas, de certa forma, você estava tentando encontrar seu lugar no mundo também, né? Porque aquilo te dava uma... Na época não me ocorria isso, porque nem sabia o que era mundo. Exato, né? Aquele era teu mundo. Bem no lugar. Eu estava ali. Mas eu tinha prazer em fazer isso aí.
E depois que eu acompanhei meu pai na rádio, comecei a pensar em que talvez eu gostasse de trabalhar em rádio. Nós estávamos em plena guerra e a coisa mais importante naquele momento era o locutor de rádio.
E eu conseguia ouvir no meu rádio em ondas curtas, a Rádio Nacional do Rio de Janeiro. Era AM? Não, eu conseguia ouvir em ondas curtas. Ondas curtas, médias e frequência modulada. E pegava rádio de outros países também? De outros países também, mas especialmente me concentrava na Rádio Nacional do Rio de Janeiro. Eu adorava ouvir o Heron Domingues.
E o Euron Domingues me despertou a vontade de ser locutor. Jamais teria aquele voceirão dele, jamais seria o Euron Domingues, mas eu tinha uma certa inveja do Euron Domingues. E outra coisa que eu adorava eram programas murísticos. E eu assistia naquela época na Rádio Cultura mesmo, o programa do Escolinha do Inhototico. É uma espécie de escolinha, pessoal remunda. Personagens. Em 1940, você vê, tantos anos atrás, já existia uma escolinha.
Era um programa de humor, só com vozes De atores fazendo os alunos E um professor caipira Mas como que era? A família ficava em volta do rádio ouvindo? Era tipo televisão assim? Reunia para ouvir? Todo mundo reunia O rádio tinha até vizinho
Como assim? Tinha um rádio, nós tínhamos um belo rádio. Ah, os vizinhos vinham para... Eu imaginava a escolinha. Uma escolinha que era uma cadeira de professor com os bancos dos alunos. Como é exatamente a escolinha do professor? Imaginava a cara dos alunos, como era. Imaginava os alunos e tudo, que eram muito bons. E o Niototico era... Tinha sonoplastia também, barulhos. Era precioso o Niototico. Era um grande redator, que ele escrevia todos os...
Todos os personagens. Todos os alunos. E ele apresentava. Era muito interessante. Durante muitos anos, eu ouvi diariamente... Mas o rádio nessa época, que era a televisão da época, era o que? Basicamente era notícia, programa de humor, novela? Já existia novela? Nesse tempo, a novela estava começando. Na rádio? Na rádio.
O rádio era para programas de entretenimento, a música era fundamental. E a notícia é fundamental. O Repórter Esfo foi um marco no rádio, começou na Segunda Guerra Mundial. E a parte da música dos grandes cantores e tal, tinha programas, programas de uma hora. Programa de Francisco Alves, programa de Orlando Silva.
Então tinha um tipo de coisa. O rádio, então, foi a base de tudo que a gente tem hoje e nasceu lá. Exatamente. Inclusive do que a gente está fazendo agora aqui. O esporte tem um valor enorme na televisão de hoje, já tinha no rádio.
Os jogos de futebol eram transmitidos. Mas ao vivo? Pelo rádio ao vivo. É mesmo? Já se transmitia diretamente. Era um processo de... Pela linha... Chegava mal o som, né? É? O cara transmitia pela linha telefônica. Caramba! Usava linha de quatro fios, linha telefônica. Sei. Para chegar no transmissor, o transmissor transmitia para a gente. Qual foi a primeira?
A primeira Copa que você se lembra de... O rádio já transmitiu alguns jogos da Copa de 1930. Nossa! Mas eu não tinha nascido ainda. É, então, mas... Que você se lembra? Eu já tinha. O rádio nasceu no Brasil em 1928. Então, essas eram experiências. Uma coisa experimental. Mas já existiam essas transmissões. Transmissões ao vivo eram raras.
Mas isso admitia. Em 1932, o César Ladeira, grande loutor César Ladeira, depois da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, ele narrava as batalhas da Revolução Constitucionalista.
Ele narrava... Um toque épico? Ele ia com o carro dele, e o telefone via com um fio, emendava no poste mais próximo que tivesse um telefone, e o cara narrava da rua as coisas que estavam acontecendo na Segunda Guerra, na Revolução.
constitucionalista de 1932, da qual inclusive meu pai participou como artilheiro. É? E o que seu pai te contava dessa época? Meu pai, você imagina que ele foi convocado, uma coisa que ele tinha ainda de 19 anos, e meu pai, ele era um grande caçador de perdizes.
E Osasco não sabia a vida de todo mundo, porque Osasco devia ter 200, 300 habitantes. Então, Quitaúna convocou meu pai para ser artilheiro, porque ele matava perdiz. Tinha uma pontaria boa. Ele foi atirar com o canhão .50. Era um canhão especial. Existia naquela época um trem, blindado da Revolução Paulista, chamado Fantasma da Morte.
E meu pai era artilheiro quando saiu o Fantasma da Morte. Eram quatro ou cinco carros. Quando saiu um deles, meu pai era convocado para ser artilheiro. E a minha mãe ficava ouvindo o César Ladeira. Aí já acontecia alguma coisa com meu pai. Como se o César Ladeira estivesse presente em todos os cantos da Revolução. E quando acaba a Revolução... Todos os meus tios participaram da Revolução porque a minha avó...
Tem aquela história do pessoal que entrou na sua avó aqui. A minha avó obrigou todo mundo a lutar pelo bem do Brasil.
E aquela história da tua avó que o pessoal tentou entrar lá na... Depois disso já terminada, a edição que durou meses, né? Durou meses. A guarda federal de Getúlio Vargas, eles revistavam as casas. Para ver se tinha algum armamento ainda. Resquício, armamento de granadas, bombas, armas, fuzis e tal. E na casa da minha avó estava lá uma grande quantidade de fuzis que ela guardava debaixo da cama do quarto dela.
E aí Os cabeçores bateu lá E ela falou à vontade Pode olhar o que vocês quiserem Ela tinha o porão da casa Foram lá no laboratório de prótese Do meu pai Foram lá todas as coisas E não tinha nada E só faltava parte dela Desculpa, agora temos que Aqui o único homem que entra aqui É meu marido E aqui não entra outro homem Nunca entrou, não vai entrar
Ela se muniu de uma espingada De caçar perdido Olha aqui Primeiro que entrava é morrer Depois vocês vão me prender E vocês vão ser acusados de ter perdido uma velha louca Que matou um policial Então é melhor vocês irem embora Não é política É uma questão de honra
No meu quarto, isso é uma coisa que eu pensei, jamais entrará outro homem. Então, um morre, e os outros vão me matar ou vão me levar a minha louca presa. Aí os caras olharam para ela, não era conhecido dela. Ah, dona Nicol está bem. Foram embora e ficou lá.
Um arsenal. Que história maravilhosa. É porque ela está nesse livro e depois você descreve com detalhe no lado B. É muito boa essa história. É muito importante. Nunca virou nada audiovisual isso? Não, nunca virou, mas era interessante. É interessante para a cara. Tem coisas muito interessantes.
Mas ela morreu com 93 anos de idade e ela gostava de tomar água de poço, tirando a água do poço. Não, eu tenho que tirar a minha água. E ela não pode tirar o poço. É interessante.
Mas meu pai era apaixonante, né? As histórias dele. Você era muito ligado a ele, né? Ele me contava tudo isso aí, como é que era. Ele se sentia muito seguro por causa do trem blindado. Pois é. Mas não se contava na época que eles iam usar os aviões para fazer bombardeios e tal. Mas o trem era...
Prova de qualquer tipo de ataque. O fantasma da morte era isso. Quatro ou cinco carros feitos pela indústria paulista. Ah, é? Trens que andavam pelas várias linhas de trem. Uma para La Sorocabana, outra para o lado de Campinas. Então, o principal era a linha que vinha para o Rio de Janeiro.
essa linha que tinha dois ou três desses trens, porque tinha o túnel que separava Rio de São Paulo, e a posição dos paulistas era não deixar os cariocas, os mineiros, que eram os guardas de Getúlio, atravessarem o túnel. As grandes batalhas de 1932.
Tem um livro, inclusive, escrito O Túnel. O Túnel, porque era um conteúdo estratégico. É, mas eu tinha uma ligação com meu pai durante 1932, conheceu minha mãe como enfermeira, fazia um livro, coisa de novela, acabaram casando. Eu nasci em 1935.
Eles casaram novos? Meu pai me deixou... Minha mãe tinha 20 anos, meu pai tinha 23. Novinhos, né? Depois, meu pai acabou indo para fazer...
essa carreira dele no rádio, sem deixar de ser protético, sem deixar de ser dentista. Mas em algum momento você pensou também em seguir essa carreira do seu pai de dentista? Eu adorava fazer prótese, polimento de dentadura. E uma coisa engraçada, que eu me lembrei agora, nunca me ocorreu muito claramente. Eu adorava fazer...
fundir microfone. Porque as pessoas do rádio utilizavam um pequeno microfone aqui para dizer, eu sou do rádio. Era importante ser do rádio. Entrar no ônibus, no trem, você fazia um microfonezinho, trabalha em rádio. Todo mundo usava o rádio. Eu não trabalhava em rádio, não podia comprar um microfone desse, mas eu esculpi em cera um microfonezinho e fundi um microfone em prata.
Sei, parecido com... Igualzinho, não tão bem feito, né? Com a minha capacidade do momento. Mas parei, porque eu tinha que fazer os buraquinhos. Sei. Meus buraquinhos são meio tortinhos. Mas eu fiz, então eu usava aqui. Aquela trama, né, de metal. Quando eu ia na rádio com meu pai, eu já ia, já ia, eu dava o microfone aqui. Poxa vida. Eu tinha orgulho do microfonezinho que eu mesmo fiz. E por que que não seguiu, então, a carreira do teu pai? Olha, eu não segui a regra do meu pai, porque meu pai acabou...
morrendo cedo. A minha mãe costuma dizer, se seu pai não morre, você seria o maior dentista de Osasco. Perdemos o maior dentista de Osasco. Porque meu pai morreu, eu resolvi fazer, fui para outro caminho. Então, eu... Meu pai foi... Ele faleceu do quê? Meu pai morreu de corinthianite aguda. Eu sou corinthiano também, mas me fala como é para não morrer disso. Em 42, 43...
Dependia de uma vitória do Corinthians sobre o Santos, para ele se tornar campeão sem ter que jogar a final com o Palmeiras. Ele tinha, nos pontos corridos, bastava a vitória do Santos. Meu pai foi assistir, foi lá para a Vila Belmiro, levou a tradicional farofa e o frango assado. Ele levava sempre? Ele levava sempre o violão debaixo do braço.
O jogo foi disputado debaixo de chuva. Meu pai foi comemorar. Quanto foi o resultado? Foi 2x0. Por Corinthians? Ah, então ele foi comemorar. Ele foi comemorar a vitória do campeão.
É uma vitória sobre o cano de campeão. E aí ele foi tomar com os amigos, e meu pai desapareceu. Na chuva? Na chuva. Minha mãe foi encontrar. Desapareceu assim, tipo, não voltou pra casa. Não voltou pra casa. E não era comum isso. Naquele tempo, telefone era uma coisa pra cabine telefonar, né?
Não tinha em casa. A minha mãe registrou que o meu pai não voltou. Não tinha telefone público na rua. Era uma cabine. Como assim? Eu ficava esperando, eu pedia uma ligação. Uma cabine? Não, uma sala como essa aqui. Tinha várias pessoas esperando na sala.
E tinha uma cabine onde você entrava para falar. Então você pedia ligação, a telefonista atendia a sua ligação. Tinha os cabos, né? Os cabos lá. E eu ficava aqui esperando a minha vez. Sim. Aí você falou, daí estava lá. O cara tinha direito de falar dois minutos. Não mais que isso. E era caro? Na cabine. Sim. A cabine era pública. Você não pagava nada por isso. Ah, é? É, mas usava a ligação. Mas não recebia. Você só ligava. Sim.
Não dava para você passar aquele número para alguém te ligar. Exatamente, não tinha número, você não sabia qual era o número da cabine. Então, a mãe foi para a cabine, ligou desesperadamente em todo lugar, não achou meu pai, depois ela acabou achando em São Paulo, na Santa Casa de Misericórdia.
Ele vivo ainda? Vivo. Vivo e... Estava mal. Meu pai tinha o fígado dele um pouco abalado por causa do hábito de fazer seresta, de tomar uma caninha. Sim. E ele tinha adquirido uma gripe muito forte que se transformou em... Penumonia. Penumonia chamada penumonia galopante. Na época não havia penicilina. Não tinha chegado ao Brasil ainda. Já existia penicilina, mas não tinha chegado aqui.
Então ele foi medicado com sulfanilamida, que era um altamente tóxico, e arrebentou com o fígado do meu pai. Mas ele foi tratado e minha mãe recebeu notícia de que ele teve alta. Então minha mãe foi buscar o meu pai em determinado dia da semana. Você estava tudo acompanhando. Para você, sua mãe foi buscar seu pai e ela ia voltar. Nós preparamos comida para o meu pai, uma festinha para recebê-lo. Eu estava lá e a minha mãe voltou sozinha.
Eu pressenti que alguma coisa tinha acontecido, que naturalmente ela teria vindo com ele. Ainda pensei, quem sabe se ele vem de carro, está dando mal, mas minha mãe me disse, seu pai morreu. Eu desesperadamente saí correndo para a minha casa, onde tinha esse campinho, correndo em zigue-zague, sem saber o que fazer, o que pensar, só corria.
para correr. Depois eu resolvi sair da minha casa. Minha tia morava perto. Fui para a casa da minha tia. Ela já sabia da notícia. E eu fiquei lá e dormi na casa da minha tia, porque eu não quis participar de nada disso. Não quis ver enterro, não quis saber de velório. Não quis ver de nada. Minha vida tinha ido embora junto com o meu pai.
Então, eu tinha uma ligação com ele muito grande, a gente tinha uma coisa afetiva extraordinária. Ele era meu pai, minha mãe, ao mesmo tempo, era uma coisa muito carinhosa. Então, foi isso ali e aquilo marcou a minha vida para sempre. Mesmo depois de adulto, depois de estar trabalhando. A noite, de vez em quando, eu pensava no meu pai e falava em voz alta.
Você não sabe a falta que você me fez. Poxa, mole. Ele fez uma falta muito grande porque eu tive que sair depois da morte do meu pai. Eu tive que ir para o colégio interno. Ele era amigo do governador. Fazia seresta com ele, que era o filho da paz. E me arranjou um lugar gratuito no colégio. Ele seu coração de Jesus em troca da prestação de serviço.
Eu tinha que arrumar o dormitório, preparar o banho quente para os alunos que pagavam para tomar banho quente. Ah, porque era pago lá. Banho quente era pago, separado por causa do consumo de energia. Era guerra, tudo era racionado. Então, limpar as coisas, eu gostava até muito de ir no... Tinha um estúdio, os alunos que estudavam música praticavam à noite.
Eu gostava muito de dar polimento nos instrumentos, sabia dar polimento dentro da dura. Também ia lá, trompete, ouça coisa lá, porque eu ouvia ficar tocando lá. Nesse momento, quem estudava comigo e que era, estava estudando música, era o Júlio Medalha. É mesmo? O meu colega de colégio, ele era um nível, um pouquinho à frente do meu, mas ele estava estudando música.
E vocês tinham que idade, mais ou menos? Eu tinha, na época, 10 anos de idade, ele devia ter uns 15, por exemplo, por aí. Como eu era não pago, ele tinha uma certa resistência. Não era do mesmo nível deles. Então, você não se sentia muito incluído assim? Não, eu não sei como é. Vinha o bullying, porque eles não precisavam fazer coisa.
faz isso, faz aqui como se eu fosse empregado mas eu nunca aceitei esse negócio saí na porrada fisicamente quando alguém exagerava se fosse mandar fazer coisa mas era uma brincadeira realmente não havia nada para eu fazer
Eu continuava assim. Um dia, houve uma distribuição de taças de futebol, eu jogava futebol, e um dia o técnico. Hoje é um jogo de passe.
que conta aqui, quem interceptou ou que fez mais passes vai ganhar. A taça. E tinha várias idades, quatro ou cinco categorias. Eu era da categoria dos menores, então a categoria recebia na frente. Era dos pequenos, pequenos, até os menores.
E os maiores chegando lá e me tiraram tiraram o nosso grupo da fila e me botaram para trás. E quando o padre chegou com a taça
Eu falei assim, o clérigo que veio pegar a taça, queria dizer para o senhor uma coisa. Eu li uma vez que os últimos serão os primeiros. Então nós temos os últimos aqui e vamos receber a taça primeiro. Que já era a organização inicial. Os caras dos maiores ficaram com conta. Então é verdade, passa aqui para frente. Nossa! E nós recebemos a taça na frente.
Mas o colégio foi sempre uma coisa assim, difícil. Fiquei três anos no colégio e não recebia visitas. Ficava enxurrado? Onde era o colégio? Minha mãe tinha o Guga, que tinha um ano de idade, que ela tinha que cuidar dele. Ela tinha que vender pratos, aqueles pratos que pintavam fotografia da família. Sim, sim. Ela viajava.
A minha avó não tinha muita saúde e não tinha ninguém me visitar. Eu passei três anos sem ninguém aparecer no colégio para me ver. Mas como foi para você isso? Para mim foi porque as pessoas ficavam no domingo, você ia para a sala de aula e ficava os nomes sendo chamados. Flamital, Flamital. Aí o cara vinha com a ficha.
Dava a ficha para você, você ia encontrar com a família, na volta você tinha que entregar a ficha, na sala de doutor que você voltou. Então, a minha ficha... Estava em branco. Não caiu a minha ficha. É, não caiu a ficha. Não caiu a ficha. Então, até mais um dia, minha mãe foi me visitar e me avisar que ela ia casar de novo. E foi num dia que eu estava jogando futebol.
Nunca fui um grande jogador. Não? Eu nunca fui bom de esporte em geral. Mas esse dia eu era zagueiro.
Eu fui correndo pra área. Sentia que tinha... O cara bateu um escanteio e eu marquei um gol de letra. Nossa! Nunca tinha marcado gol nenhum na minha filha. E ainda faz um de letra. Minha mãe tava lá assistindo o jogo. Nossa! Aí fui lá cumprimentar a minha mãe, mas eu fiquei mais uns seis meses e tal, que terminou o rosto. E aí eu resolvi pedir pra sair. Eu queria vir pra eu ir trabalhar.
Mas sua mãe estava vindo para o Rio também? Minha mãe estava em São Paulo Depois eu levei para o Rio Mas eu vim trabalhar E vim aqui para a casa De uma tia postiça Vim Que bairro? No bairro Santa Tereza Na favela Olhando para a central do Brasil Aí a irmã da minha avó Tessiz Tessiz Tessiz
tinha a família dela aqui, que na realidade era um parentesco relativo. Eu vim ficar um pouquinho na casa da tia Artemia e depois eu fui para... Mas você tinha algum plano aqui? Queria tentar trabalhar em rádio, alguma coisa? Eu vim para trabalhar em rádio. Ah, veio para isso. Eu vim para trabalhar em rádio porque em 1949, eu vim para cá, eu tinha 14 anos de idade, e eu vim pensando em rádio.
Quem estava aqui no Rio também era meu tio, o Zé Ito. Ele era revisor do jornal O Globo, mas ele era um feito com uma competência intelectual muito grande. Então ele montou uma editora de livros. A editora chamava de Assunção, porque Assunção era o financiador da obra dele.
E ele, meu tio, lançou dois escritores desconhecidos na época. Dias Gomes e Nelson Rodrigues. Só esses dois? Esses dois, é. E faliu. Como assim? Não deu tempo... O meu certo primilívio, saber livro, divulgar livro, ele não entendia esse negócio. Ele só tinha os autores, ele não era um livreiro. É, não era bom de... Não era bom de comércio. Mas foi através do meu tio.
que eu acabei conhecendo o Dias Gomes, que era diretor da Rádio Clube do Brasil. E eu fui lá e pedi para o meu tio me apresentar o Dias Gomes. E eu me apresentei o Dias Gomes, ele falou, eu quero trabalhar em rádio.
Experiência nenhuma você tinha. Experiência nenhuma. Nada, só tinha esse negócio de... Nada. Eu achei que eu poderia fazer... Naquele momento, eu já acompanhava bastante rádio, eu tinha... Eu achava que...
Tinha que mexer em alguma coisa na rádio. Eu sentia isso aí. Ele perguntou, o que você quer fazer? Eu disse, eu quero ser diretor de rádio. Você nunca trabalhou em rádio? Eu disse, você está querendo logo de cara o meu lugar? Digo, não, seu lugar, por enquanto, eu não quero. Talvez mais tarde. Por enquanto? Você falou isso? Eu falei. Aí ele falou, muito bem, olha aqui, eu tenho muita coisa que fazer. Não me fique fazendo perguntas, não me faça perguntas. Mas vá atrás de mim.
Todo lugar que eu for, você vai atrás de mim e ouça com atenção o que eu estou dizendo para os redatores, para os músicos, as instruções que eu estou dando, você guarda para você. Ele entrava no banheiro, eu ia atrás. O que ele veio fazer aqui? Você não falou para eu seguir. Aí um dia, o Dias Gomes estava andando na Avenida Rio Branco, aqui no Rio de Janeiro, e eu não estava lá. Ele gostava de tomar um refresco de coco ali num bar que tinha quase em frente a Rádio Clube do Brasil.
Aí ele falou, sei daí, Boninho. Mas eu não estava lá. Ele já tinha ficado maluco com a minha presença. Você era a sombra dele. Era a sombra dele. Um dia eu vou estar em casa com a gente. Você vai passar no meio da cama. Você olha aqui. Então você sai daqui agora. Vou te mandar você para o Berlê Júnior. Para o Berlê Júnior. Grande cineasta. Grande produtor de rádio. Um dos maiores homens do rádio brasileiro. Na Rádio Roquete Pinto. A Rádio Roquete Pinto tem um curso.
de profissionalizante de rádio, em vez de você ficar aqui estagiando comigo, vai fazer o curso. Não custa nada, é da prefeitura, de graça você vai fazer. E lá eu me dei bem com, até no livro, me dei bem com o Belia Júnior, porque ele entendeu que eu tinha realmente vontade.
Não vocação, mas vontade. E você vai... O que você quer fazer? Digo, olha, eu gosto de locutor, eu gosto de escrever, eu acompanhava a escolinha do professor Raimundo, eu gosto de escrever coisas engraçadas. Você já escrevia algumas coisas para você e guardava? Eu guardava, já fazia quadrinhos. Eu escrevi várias escolinhas. É, esquetes assim. Esquetes na própria escolinha. É mesmo? Eu guardava para vir fazer exercício. Sim.
Então eu fui lá e ele falou assim, mas você é capaz de escrever uma crônica romântica? Eu escrevo. Se me mandasse fazer um tratado sobre sexo, tanto que eu teria feito, sem saber o que era. Eu escrevo.
E eu fui lá na discoteca, e eu tinha assistido um filme que uma música marcou muito pra mim, que era Stella by Starlight. Eu usei a Stella by Starlight como prefixo da minha crônica, cinco minutos, uma crônica romântica, e o Berlieu falou pra mim, quem escolheu essa música pra abertura?
Eu digo, foi o Chuey. Sabe que essa minha música é a minha música favorita. Você não sabia? Eu não sabia. Eu adoro essa música, porque eu gosto do filme. Aí começamos a falar sobre cinema. Eu tive uma experiência de cinema muito intensa em Osasco, antes de ir para o colégio interno, porque eu namorei a filha do dono do cinema.
Então você ficava na sala de projeção? Eu tinha ingresso livre no cinema. Você estava direto lá? Eu fui direto. Inclusive eu tive o meu Alfredo do Cinema Paradiso. Do Cinema Paradiso, né? Porque eu ia na cabine de edição. Então, para ver alguns filmes. Quando você assistia o Cinema Paradiso, você falou, é a minha história. Para o filme menores. É. Eu ia ver na cabine de edição. Mas aí o pessoal falava sobre cinema, essa coisa todinha, e ele...
Gostou muito e me franqueou totalmente. Pode fazer, vou operar microfone, grava como locutor, faz o que você quiser. Você tem uma sensibilidade para essa coisa da comunicação, então vamos fazer. E assim foi, um dia era necessário, uma agência de publicidade queria fazer um programa juvenil na Rádio Nacional, que eu tanto admirava, eu com 15 anos de idade.
fui convidado pela agência para redigir o programa, à tarde, uma vez por semana na Red Nacional. Então, eu fui fazer o programa. 15 anos. Eu fui fazer o programa, que era um clube juvenil. O que era? Era um programa que contava sobre as...
os problemas dos adolescentes, relações com pais e filhos, como é que se faz para você estudar no colégio e passar no exame, o que matérias podem cair, é um plano de utilidade para adolescentes. Vamos incluir o Juvenil TOD, atrocinado pela TOD. De lá, é que a gente está pulando falando de coisas aí, mas... A gente volta a qualquer momento. De lá, eu acabei conhecendo o Manuel de Nóbrega.
que ia montar a Rádio Nacional de São Paulo, que não existia. E eu pedi a ele se eu podia ter uma entrevista com ele, porque eu era paulista e queria voltar para São Paulo. E queria voltar? Para São Paulo. E eu contei, eu tinha uma tia minha que foi fundamental na minha vida, foi as minhas relações públicas, a Marina.
Eu vim a São Paulo e contei à tia Marina que eu estava querendo voltar para São Paulo e que eu tinha conhecido o Manuel de Nóbrega. A mulher dele é minha cliente aqui. Minha tia tinha um cabeleireiro. Olha as coincidências da vida. Instituto Pompeia, em São Paulo. Eu disse, então pede para ele me receber, porque eu já pedi para ele. Ele ficou de me marcar uma coisa e eu ligo para casa dele e ele não me atende.
Você era cara de pau, assim? De ligar pra... Eu queria trabalhar de qualquer maneira. Eu pedia todo mundo. Eu fui pedir pro Dias Gomes e... Onde tinha oportunidade, você ia bater. Onde tinha oportunidade. Eu tinha um músico, que era o garoto, Aníbal Augusto Sardinha, que tocou com meu pai. Foi na Rádio Nacional pedir pro garoto que me arranjava um emprego no rádio.
Os moleques querem trabalhar mesmo, né? Querem trabalhar mesmo. Esses trabalhos já eram remunerados na rádio? Na rádio é remunerado. Na Rádio Roquete Pinto, não. Mas na Rádio Nacional é remunerado pela agência. E daí eu acabei... Como você chegou no Número? Com o Manoel de Nóbriga, porque minha tia pediu para a dona... Dona Florinda, não lembro o nome dela. Dona Dalila. Ah, tá. Dona Dalila, para me... Vou lá com o Nóbriga para me receber.
E a dona Dalila, quando falou com ele, ele me recebeu. Você é aquele chatinho lá da... Eu digo, eu tenho aqui uns scripts que eu fiz. Ah, não. Você já fez isso? Eu disse coisas dos outros. Eu quero assistir o meu programa e escreva alguns quadrinhos dos meus personagens. O que era o programa dele? O meu programa era o Meio Dia, na Rádio Nacional de São Paulo, quando ele tinha programas de... Tipo...
Um programa de chico anísmo com o tipo, só que eram vários atores que faziam. Eu chamava de humorismo de quadrinho. Tá. Então, esses quadrinhos, ele me deu lá três ou quatro quadrinhos, eu escrevi, ele falou, olha, tá muito bom escrito aqui. É que você botou aqui algumas coisas assim que... Naquele tempo o rádio era muito conservador. Botou, chamou o cara, o professor chamou o cara de burro.
A pessoa jamais seria o cara de burro. Ali de mente é capto. Burro não, mente é capto. Então ele corrigiu algumas palavras. Eu digo, mas e o resto do texto? O texto está ótimo. Olha só. São as palavras que você está usando aí inadequadas para a coisa. Você tem que tomar bagunça. Bagunça vem de bagunça. Tem que usar essa palavra. Sim. Bagunça não se deu. Sacanagem. Você pode fazer televisão em rádio. Pode usar essa palavra. O cara é sacana. Não pode dizer que o cara é sacana. É.
Eu era moleque, não sabia nada disso aí, para mim eu escrevia. Aí ele se limitou a corrigir palavras. Ele falou assim, olha aqui, você toparia ser um aprendiz?
de texto comigo, e cuidar das minhas coisas pessoais. Eu tenho pagamentos a fazer, tenho coisas de rádio. Ele tinha feito uma empresa cinematográfica que vendeu ações, e a empresa faliu. Ele tinha que pagar, ele era muito honesto, o Nobrega, pagar do bolso dele as ações, devolver o dinheiro para o cara que investiu na companhia.
Então os caras, atender os caras, ver quanto é que tem de pagar, dizem eu faço o cheque, eu faço isso na rádio, você fala lá comigo, tudo bem. Então eu sou um assistente do Nóbrega, né? Mas ganhou alguma coisa? Junto comigo, quem aprendia a escrever com ele era o Carlos Alberto. O filho? Nós dois tínhamos a mesma idade. Ah, é? E nós dois éramos aprendizes.
do Nobre, que eu me dei muito bem. Mas você ganhava alguma coisa? Eu ganhava, eu já ganhava. Eu ganhava pouco, mas eu ganhava porque eu fazia o trabalho. A aprendizagem de texto não era pago, mas o trabalho de assistência do Nobre era pago. Eu ganhava pouco. Nesse momento, eu comecei a escrever alguns quadrinhos para ele.
Quando ele não podia escrever... E era um... Estava sendo tados. Estava sendo tados. E ele assinava o meu quadrinho que eu escrevia. Sim. Mas era de vez em quando. Ele falou assim, não, eu vou botar o teu nome, você vai se queimar. Daqui a pouco nós vamos contratar e você vai assinar todas as coisas, tudo direitinho. Vai ter o nosso... Quem era o diretor da rádio na época era o Costa Lima. Tá. O Costa Lima me prometeu que ia me contratar, assim e tal. Mas eu fiquei lá...
dois anos e não fui contratado. E nem assinei meus quadrinhos. E fui fazendo os quadrinhos. Não teve crédito. Mas você gostava daquilo? Você tinha se encontrado já? Naquele momento eu já me considerava radialista. Porque no programa da Rádio Nacional eu não só escrevia, como eu apresentava alguns quadrinhos.
Com a tua voz mesmo. Minha voz mesmo. Eu já era meio redator, meio loutorado. Era uma dor, mas eu estava fazendo aquilo. Não tinha a menor vergonha de fazer, bem feita ou mal feita. É, tinha que fazer. Nada que eu tinha que fazer. Então eu fiquei lá com o Nóbrega.
E imaginou que a tua vida ia ser dentro de rádio mesmo? Já tinha decidido que eu ia trabalhar em qualquer rádio, em qualquer emissora, o que aparecesse. Ali eu abandonei todos os outros caminhos. Nunca deixei de estudar. Paralelamente, a coisa importante para mim era a minha carreira de rádio. Eu queria trabalhar em rádio. Eu queria realmente dirigir rádio. Eu queria mexer na programação da rádio.
E o Nobre, que era muito carinhoso comigo, quando foi fazer um programa noturno, ele pedia a minha opinião. Então, você achou bom, achou ruim? Então, as opiniões que eu dava, ele acatava. Então, eu achei que eu já estava bom. Entendendo já, né? Mas um dia eu recebi um telefone, na rádio.
Focou o telefonema lá na rua 24 de maio, São Paulo. Recebi o telefonema que eu não tinha. Na minha sala, eu só tinha intercomunicador. O que é um intercomunicador? O telefonema era na sala do Nóbrega. O comunicador você fala, mas não liga para fora. Ah, tipo um interfone, assim. É um interfone. Tá, tá.
Na época, eu chamava a gente de comunicada em telefone. E aí o telefone, eu falava assim, mas é que eu atendo o telefone? Ele disse, na sala do Nóbrega. Putz. Eu digo, na sala do Nóbrega, ele está lá na sala? Não, ele não está. Atende lá. Eu fui lá, atendi. Eu sei, aqui é o Teófilo de Barros Filho, sou diretor artístico da rádio TV Tupi.
Eu queria que você viesse aqui, eu queria fazer uma entrevista com você. Só para dar um contexto, a TV Tupi nessa época era a maior TV? Eu já estava no ar. Estava no ar. Já tinha no ar, era dois anos eu já estava no ar. Prete e branco? Foi em 52, Prete e branco. Tá. 52. Naquele tempo eu não tinha televisão em casa nem dinheiro. Eu trabalhava de noite na organização de luto.
São as lojas na passaporte do Pai do Péricles. Ah, é? E lá que eu escrevia os programas de humor. Depois eu atendia lá. Vai o zônio, que as moças vão na rádio. E aí eu montava uma máquina de escrever. Cara, e máquina de escrever. Andava com a máquina de escrever para cima e para baixo. Era uma olivética.
Mas o... Essa ligação, então, da TV Tupi? A Rádio Tupi... A Rádio TV? A Rádio TV Tupi. Eu conheci o Teófilo de nome. Ele tinha sido diretor da Rádio Nacional, tinha sido diretor da Rádio Tupi do Rio. Era um homem de confiança do Chateaubranha. Então eu achei que podia ser um trote. Eu não falei com ele. Falei com a secretária.
Eu falei, se ela podia me dar o seu telefone, porque eu estou em um outro lugar que eu não posso usar o telefone há muito tempo. Eu vou ligar da minha sala, me dar o seu telefone. Eu não tinha sala com ele nenhum. Peguei o telefone dela e falei, isso é trote. Fui na lista telefônica e verifiquei que era o telefone da Rádio Tupi.
E liguei. Tudo bem, não disse que eu fui conferir. Desculpa, eu estava na outra sala. Então, ligasse. Olha, doutor Teó, quando é que pode ser? Falei, a hora que quiser. Então, um minutinho que eu te ligo de volta. Tudo bem. Porque lá do lado do telefone, tocou assim, olha aqui, ele quer que você amanhece aqui às seis e meia da tarde. Mas ele é pontual. Realmente, eu digo, pô...
Tô chamado pra outra emissora. E agora? Tô começando agora. Como é que eu vou? Como é que eu digo pro Nobre, cara? Puts! Como é que eu vou lá? E eu fui na rádio. 6h30. Chegou pontualmente lá? E aí? Chegou no horário. Meia hora antes. Meia hora antes. Aprendi que nunca mais na minha vida chegaria fora do horário. Porque você já perdeu? Ele já tinha me avisado que ia lá. Ah, tá. Eu vou chegar certinho lá.
Esperei lá e me entendeu. Olha aqui, nós vamos lançar um programa de rádio ao meio-dia, concorrente do Manuel de Nóviga. Sei que você escreve para ele. Ele sabia que você escrevia para ele. Ele está sendo o Sine Oasis, na Praça Júlio Mesquita. Eu sei que você escreve para ele. Nós gostaríamos que você viesse a escrever.
Um dos quadrinhos aqui. No mesmo estilo. Eu escrevo sobre a orientação dele. Não, a gente sabe o que você fez. Já li quadrinhos seus. É? Tem um script seu aqui, quer ver? Eu tenho aqui. Como os caras? Queremos te contratar, mas não precisamos de gente. Quem vai apresentar o programa é o Jota Silvestre. Nossa. É um programa importante e tal.
Aí, tudo bem. E você, a minha vontade era fazer televisão. Eu assistia televisão na casa da vizinha, com o televizinho, e via chuvisco. Cedoário, eu continuava assistindo. Podia aparecer alguma coisa lá. Corrida de arroz lá. Alguém carregando no cenário. Sim. Eu ficava vendo. Ah, você achava que quando saía da programação ia mostrar os bastidores. Continuava lá. Mas e aí, como você pensou? Eu vou falar para o Nobrega. Eu comecei a falar.
o Teófilo primeiro o meu interesse é televisão eu vou fazer televisão eu quero saber se eu tenho oportunidade de fazer televisão ele disse, eu vou te chamar aqui teu futuro chefe
O Cassiano Gabos Mendes tem apenas 5 anos mais que você, é da tua turma, você vai poder conversar com ele, você não está lá com a velharia lá, o Costa Lima está com 60 anos de idade, vamos entrar em um outro ambiente de juventude. Ele fazia o que na TV? O Gabos Mendes fazia o que na TV? Era o diretor artístico da televisão. Ele era o que decidia. Era o facto da televisão, ele era o que malava em tudo.
Aí eu conversei com o Cateciano O Cateciano me disse Logo você chegar aqui, vamos utilizar você Você não só vai escrever Como você vai ser ator São os atores aqui Vim pra cá Falaram de dinheiro? Era mais Eu ganhava naquela época
Foi apenas um padrão. Ganhava mil reais. Mil dinheiro. Cinco vezes mais. Ganhava mil dinheiro, era cinco mil dinheiro. Cinco mil dinheiro. E ainda fazendo televisão. Cinco mil dinheiro. E na possibilidade de fazer televisão. A imagem do Cassiano falou assim, eu vou te dar uma televisão. Você vai levar para casa. Ah, é porque você não tinha televisão em casa. Vai passar no almoçarifado.
Eu vou te emprestar uma televisão Para você assistir televisão E você puder entender um pouquinho Dessa coisa Agora tem um negócio, eu tenho que conversar com o Nobre Como é que eu vou fazer Você tinha medo de falar com ele? Eu tinha medo Eu tinha certeza absoluta Porque ele não ia me liberar Porque ele vinha me prometendo Dois anos esperando Eu falei Você tem que falar com o Nobre Não
Só vale a proposta se você assinar o contrato. Assim? É, junto com o Cassiano lá. Saiu daqui, a proposta não vale mais. Saiu daqui, a proposta não vale mais, porque o Nóbriga vai brigar comigo também, que ele é meu amigo. Putz. Se você quiser saber, eu sou muito mais amigo do Nóbriga do que você. Ele vai ficar mais bravo comigo. Trabalho é trabalho, negócio é negócio, amizade é outra coisa.
Eu faço reconhecimento que ele me ajudou. Não, não tem nada disso. Você tem uma profissão. Se você quer possuir uma profissão, você tem que progredir com as oportunidades que você tem. E você não vai ter outra oportunidade igual a essa. Quantos anos você tinha? Eu tinha 17. Nossa! 17. Eu tinha 52, eu tinha 17. 17 anos e tem que tomar essa decisão. Aí eu assinei. Assinei. Aí eu vou pegar um ônibus.
Isso é naquele mesmo dia já? No mesmo dia. No final da tarde? No final da tarde. Eu vou na casa do Nobrega, pegar um ônibus lá para Pompeia, pegar um ônibus, Sumaré Pompeia. Já imaginando como que ia falar com ele. Já imaginando como que ia falar com ele. Daí eu disse o... Não, aqui ônibus, coisa nenhuma. Estamos adiantados aqui, não estamos mais de carro. Estamos aqui. Estamos mais de táxi? Sem dinheiro. Sem dinheiro. Estamos mais de carro. E aí? Eu peguei o dinheiro, vou guardar. Claro, né? Vou guardar. Café joada.
Vou de ônibus mesmo. Fui de ônibus. E fui de ônibus falar com o Nóbrega. Sabia como falar com ele. Comecei a falar, olha, aquele negócio do Costa Lima, tem muito trabalho. Está demorando muito. Eu já não sabia mais o que era do Nóbrega do que era meu. Não assino. Não é nem questão da vaidade. Eu não faço nem questão disso aí, porque eu estou aprendendo, reconheço.
Mas é o dinheiro Eu moro com a minha mãe Dentro de uma organização de luto E trabalho lá E Coisa de humor E a gente está comendo feijoada de lata E é verdade mesmo? É de lata mesmo, Swift Nossa Aí ele falou assim Bom, olha aqui Eu vou continuar falando com
com o Salim, mas você sabe, está difícil, as coisas são difíceis, você não pode aproveitar nada. E depois é o seguinte, você não fica imaginando que você vai ganhar fortunas para resolver esse teu problema.
Você vai ganhar, você vai conseguir lá na rádio 2 mil, 2 mil e 500. Eu preciso de mais. Eu preciso de muito mais do que isso aí. Vai ser difícil. Para não ficar enrolando para não ficar mentindo, eu consegui um emprego de 5 mil.
Então, eu pensei, eu aonde? Na Tupi. Ah, na Tupi, não se conversa, fiado. Eu ligo lá para o Teófilo e em dois minutos eu acabo com essa história. Você vai ficar aqui, depois você vai ganhar dinheiro, você vai ganhar mais do que isso, mas com o tempo, que me dá mais de dois, três anos. Eu já assinei o contrato. Você não assinou o contrato. Você não assinou. Ou, só. Sai daqui de casa.
Assinei? Você assinou o contrato? Assinei. Ele disse que eu ia falar com o contrato. Não vai adiantar porque eu já assinei o contrato. Tudo bem, saí. Vou bravo. Saí sem falar com ele. Aí, agora, não tem que fazer. Eu fui lá, fui ao Teófilo o dia seguinte, eu tinha comunicado ao Nobre.
É assim mesmo, depois eles esquecem. Isso é comum entre os artistas e os empresários. A gente precisa... Se eu pudesse trabalhar de graça, eu também queria. Eu também estava interessado. Então, assim, uma coisinha só. Daqui a um mês eu vou receber o meu primeiro salário, vou poder sair do lugar onde eu estou morando. Mas até para eu poder dar conta da minha tarefa, eu queria ver se eu... Um adiantamento. Um adiantamentozinho.
Ele falou, olha, aqui nós não temos esse tipo de procedimento. Mas existe uma organização aqui, chama-se Seara, que é a Associação dos Funcionários, e você vai lá, a Associação dos Funcionários, o presidente é o Pérez Leal, e o Pérez Leal, você vai lá e fala com ele, ele vai te arranjar.
Eu fui lá no Pérez, eu pego e falo, ele era cearense, tudo bem. Eu estou fazendo um programa, não vou aqui fogar um negro, você não quer fazer um papel no meu seriado? Eu faço. Assim? Você vai ser o assistente do Falconeiro, você gostaria, você vai ser o pé de coelho.
Nunca tinha feito ator de coisa nenhuma, nada. Como assim? É, como assim? Mas eu vou receber o... Vou te emprestar aqui na caixinha dos funcionários três meses de salário. O louco. Tudo bem. Pronto. Resolvi, tirei minha mãe lá da organização de lutos.
Aluguei um apartamento pequenininho. Onde? Mas eu fui fazer a minha vida. Fui lá. Você mudou para onde? Com o Falcão Negro. Fez mesmo? Fiz. Era bom ator ou não? Era bom ator? Eu era tão bom ator que o Cassiano Gavos Mendes me convidou para fazer um repórter num programa chamado O Maestro. Que era um maestro que é jovem.
um gênio, havia sido sequestrado, e eu descobria quem era o sequestrador dele. O repórter. E aí eu não tinha muita participação. Era apenas o que... Mas eu tinha a chave do... Era uma TV de vanguarda. Sim. E eu suspeitei de que ele foi sequestrado nas vésperas do concerto.
e eu suspeitei que quem tinha armado... Eu suspeitei no texto, né? Sim, sim. No texto, eu era um repórter que suspeitava que quem tinha gostado dele era o próprio empresário. Tá. Então eu consigo um jeito de entrar escondido, entrar na casa do empresário, dizer que eu tinha que fazer uma entrevista, esqueci uma coisa lá, etc. E eu tinha que achar a gravata, a boboleta.
com o qual ele regeria o conceito. Para ter a prova de que ele esteve lá naquela casa. Porque sempre o cara diz que nunca passou na casa dele. Dizia o presário. Eu entro em cena e, porra, de gravata boboleta, coisa nenhuma. Não tinha gravata boboleta debaixo. Era para estar lá e não estava? Daí eu comecei a virar móveis. Então ele estava em cena ao vivo? É. Eu comecei a virar. Os cameramenes todos davam risada. Todo mundo davam risada. E aí? Eu lá procurando aquele trocadinho. Daí eu...
Cortou o som e ouvi a voz do Cassiano. Ajoelha. Que eu vou jogar a gravata por baixo do... Ajoelha, ajoelha. Eu ajoelhei. É, achei a gravata. Passou por baixo. Está aqui a prova do crime. Eu com aquele chapéuzinho. Tipo americano. Sim, sim. Está aqui a prova do crime. O vivo terminou. Terminou o tosse. E o Cassiano. E o Cassiano. Vou ver aqui na minha sala.
Nunca mais na sua vida aceite papel nenhum para fazer qualquer peça que seja séria Você é humorista por excelência Ah, porque o galera riu quando se achou E todo riso vazou Foi o TV O guarda mais engraçado De onde surgiu essa porra De virar o mal Tinha que fazer alguma coisa Nunca mais na sua vida Tinha que fazer Tinha que fazer
Mas essa coisa de TV ao vivo Acontecia muita coisa, tem uma coisa que você descreve aqui no livro Que a pessoa tinha que escutar o coração E pra pessoa, está morto, né? Como que é essa história aí? Os estúdios eram contigos Um do outro, uma porta grande Quando tinha uma coisa muito importante Usava o cenário dos dois Estúdios Usava as câmeras dos dois estúdios Duas câmeras em cada estúdio E tinha que Uma peça russa Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess Tess T
Dostoyevsky, uma lua branca, na guerra, o sujeito fazia uma fuga estratégica numa carroça, que era o comandante, tinha que ser ali, e passava para o outro lado, e ia das ordens do outro lado. Então, avançava aquela porta, ia para outro cenário, e a câmera acompanhava. O general era o Jaime Barcelos.
E aí ele... As pressas... Tinha que ser muito rápido isso. Ele se jogou em cima da carroça e o cara saiu correndo com a carroça. A perna ficou de fora, pegou na porta e quebrou a perna dele. O quê? Quebrou a perna. E ele do outro lado. E o microfone em cima dele, porque ele tinha que dar as novas orientações para o campo de batalha. Sim.
doendo pra caramba. Aí o cassero que ele tava dirigindo também pegou um figurante e tinha médico. Vai lá, você que tá com uma lenta de médico aí, vai lá e diz que ele parou o coração. O figurante resolveu.
Se bacanhar. Ah, vou brilhar, né? Chegou a hora, tirou o estetoscópio, botou na testa dele. Na testa? Na testa. Tá morto, confusão cerebral. Vou improvisar aqui. Improvisar. Confusão. E o cara... Já vai...
Isso tudo ao vivo? Tudo ao vivo. Que maravilha. É coisa engraçada mesmo. Ô, Boni, eu acho que não é no seu livro, eu não lembro, tem outra história também de TV ao vivo de uma arma que era para disparar e não disparou. É você contando isso ou ouvi de alguma coisa? Não, eu estou contando isso aí. É? Como foi essa história? O negócio é o seguinte.
toda a parte de dermatologia, feita ao vivo. O videotepe apareceu dez anos depois que existia a televisão. Cara, feita ao vivo, tipo teatro. Por exemplo, um tiro. O espectador, o público não sabe em geral, se você vai dar um tiro para algum lugar qualquer que você precise usar...
a arma não direcionada a uma pessoa, você dá para um canto qualquer, você protege aquele canto e usa pólvora seca. Mas sai alguma coisa? Sai, pólvora seca. Dá o tiro e sai.
Mas se você vai dar um tiro numa pessoa, ou vai dar um tiro na cabeça, você vai se queimar com a pó. Então, como faz? Não usa. Aí o processo é o seguinte. E sincronizar ao vivo, se puxar o gatilho e o cara soltar um som lá, Ah, na hora? Na hora é difícil. Então a solução que foi encontrada é uma solução normal do teatro. Que era? E do circo. Que é uma caixa de pó. Com prego. A caixa tem vários pregos. Você, com martelo,
dá uma porrada, o cavaleiro vai ter, pá, bate junto com o cara, explode a pólvora, faz o barulho. Isso é do teatro e do circo. Então, a televisão adotou esse procedimento. E numa peça dessas também, Grande Jato Tupi, a Maria Fernanda, que é filha da Cecília Meirelles, era uma grande atriz, extraordinária atriz, ela terminava uma cena que ela cometia o suicídio.
Então pegava o remóvel e pá. Pontava para a cabeça e quando ela fazia isso alguém tinha que ir lá com o prédio. Pá, no prédio. Sincronizado. Tá aqui, me quente, pá. E ela? Ela aqui, plec. E nada. Nada. Ela, ela, ela, ela, ela, ela, ela tem o negócio, não, não, maldito remóvel, plec. Nada. Aí, ela, ela, ela, ela, é da terceira vez.
Eu não tenho problema, me mato com um punhal E saiu pra frente Daquele chamado penteadeira Na época era pichinché Pichinché? Era uma penteadeira Ela abriu a gaveta Não era um punhal Era um pente Ela passou a mão no pente Então eu morro com esse punhal E o cara acertou o tiro
Na hora que ela bateu o punhal, faz. Ela tava de costa, ela não viu. E o Leónia... O punhal deu um tiro.
E o cara felizão lá atrás. Eu sincronizei na hora certinha. Que maravilha. E ainda está desregistrado. Não ficou registro agora. E tem várias versões. Essa versão que eu estou te contando da Maria Fernanda é absolutamente verdadeira. Às vezes tem outras pessoas. Eu uso outras pessoas. Mas essa é verdadeira. Não que eu tenha assistido. Mas aconteceu. Eu estava trabalhando lá. Aconteceu no tempo que eu trabalhava lá. Eu estava lá no estúdio.
E comigo, dirigindo um musical no programa da Clube Jutupi, eu tinha uma cantora chamada Vilma Bentivenha, e ela fazia a Julieta.
Então, no estúdio... Essa história é maravilhosa também. No estúdio não é muito alto. Então, a sacada, assim, ela está lá, você tá... Romeu aqui... E o Romeu aqui, o meu Férez... Sim. Raul Férez tocando o Alaúd. O Alaúd. E lá de cima para lá, o bum ia daqui para lá.
Mas eu precisava... O boom é o microfone para captar o... Para subir para lá. Mas o boom é o boom. Atrapalhava um pouco a nossa sombra. Sim, sim. Então, o jeito que eu fiz foi arranjar, nós chamamos catwalk.
Que é onde andam os iluminadores, uma passarela. Passarela alta. É uma passarela alta, longe da iluminação, com mais distância do que o bom, um sarrafo. Que eu passei o fio, um sarrafo de madeira. Sei, sei, sei. Passou o fio e na ponta pendurei o microfone. E o cara podia chegar bem perto. Que não vazava na câmera. Porque não vazava, porque era mais baixo do que o take que eu estava fazendo. Ah, entendi. E eu me posicionei mais do lado do sarrafo. E eu fiquei assim.
Então, lá também, daqui a pouco, a gente vem cantando, e eu fazia texto aqui na Vida, e mostrava embaixo o Romeu. Cortava o Romeu. O Férez tocando a laúde. E eu corto para baixo, e ele sai correndo de cena. Botou a viola debaixo do saco, no braço correndo. Aí eu cortei para a Julieta. Vem ela desabando assim.
Ele viu que estava caindo em cima do... Em cima do... E eu contei para ela, porque não sabia, não estava vendo. Sim. Ela veio descendo em cima da câmera, que eu tinha posto no chão. E aí? Eu tinha desmontado o tripé e posto a câmera no chão. E ela veio... Caiu a estrutura inteira? Caiu a sacada. Nossa. Porque o cara com o sarrafo... Pô, empurrou a sacada. Encostou na sacada.
O microfone vai O microfone vai Bota o microfone mais pra frente
Isso aconteceu comigo Que maravilha Tem só o Jacaré do Lima Duarte O Lima Duarte aconteceu comigo também Essa seta O Jacaré O pedido da contra-regra Se eu preciso de um copo De uma tortura tal Tem que especificar Então o Cassiano Tinha mandado fazer
lá no estúdio, um foço, para fazer uma piscina, para fazer uma cena que fosse subterrânea, para fazer um poço. Eu resolvi aproveitar esse poço, e o autor da coisa faz o cara jogar o herói, que era o Lima do Arte, jogar ele no poço de jacaré.
Bota um sonho de jacaré empalhado lá e botar um jacaré de verdade. Olha a ideia, colocou jacaré de verdade. Tem movimento. Sim, sim. O jacaré se mexendo, os outros parados. Os outros trabalharam. E aí, então, está mexendo. Vai lá no luta, consegue um jacaré. Usa o zoológico, qualquer. E o cara, o fosso tinha três metros.
3 metros de... 3 por 3. Você pega um jacaré de 2 metros e meio, mais ou menos assim, que é um jacaré que pode caber no fosso da jacaré. E aí, o jacaré, anestesia no jacaré, né? Para ele ficar tranquilão. Mas não, é só um sedativo, para ele não perder o movimento. Ah, tá. Ficou sedado, não anestesiado.
E quando o cara joga o Lima, o jacaré abre um olho desse tamanho, segundo o Lima, e dá uma carrabanada naquela ponta ali. O Lima pula, o forçado é baixinho. O Lima pula pra fora do forçado, o jacaré pula atrás. O jacaré saiu do forno, não vou atrás dele.
saiu do fosso não tinha palha no fosso e tal e depois saiu do fosso e destruiu o estúdio lâmpada iluminada aquilo foi o pessoal de casa você estava lá? eu estava dirigindo o diretor era o turinense do Seabra eu era o supervisor, eu estava junto com ele
E aquilo foi pro ar, daquele jeito lá. E foi muito elogiado pela crítica. Do realismo. Do realismo, você tá. No laboratório, o estúdio que eles entenderam era um laboratório. Sim. O cara do laboratório, você destruiu o laboratório. Não era nada disso. Mas foi lá, saiu do estúdio. Mas aí eu cobrei do contrário. Pô, mas eles não deram? Não deram.
Eu falei com o cara do treinador Do zoonológico Se tivesse pedido um jacaré maior Mas esse de 1,50m Esse daí é foda Esse daí Mas pediu 2,5m Então passou a ser Passou a ser Utilizado como um jargão Dentro da produção Não me peça um jacaré de 2,5m
usar isso não precisa de me tremer não precisa de me tremer não o Lima Duarte o Lima Duarte pulou pra fora e foi correndo no estúdio
Foi ele que salvou o... Aliás, as histórias do Leve no Espaço preenchem um livro. É mesmo, de tanta coisa. Porque era uma ficção científica, com pessoas com roupas inchadas de ar. Você imagina as coisas que aconteceu. Como é que alguém na televisão, um idiota qualquer, em 1957, com cinco anos de televisão, eles vão ao vivo, resolve fazer... Vai inventar. O imbecil aqui pensou.
Vamos complicar, né? Então, um dia o Dionísio Azevedo, que era grande, a gente bombava a comprimida lá dentro, durava pouco tempo. E eram cenas específicas. Não podia cortar, nem montar, ao vivo.
Então ele Tinha um banquinho assim do lado Ele estava descansando para entrar em cena O maldito do banco tinha um prego Ele saiu do banco E no ar Murchando Em cena Socorro, problema no macacão Olha só Alô, alô Rapidinho, também é engraçado Quem fazia os foguetes E quem ajudava no texto era o Mario Fanuc Tinha um neném Tinha um neném Tinha um neném Tinha um neném Tinha um neném Tinha um neném Tinha um neném Tinha um neném Tinha um neném Tinha um neném Tinha um neném
um importante autor e diretor da televisão brasileira no começo. Criador, inclusive, do Tá Na Hora de Dormir. É? O Fanuc. Tá na hora. Não do jingle, que é o jingle do Galion Chaves. Mas a ideia. Depois eu aproveitei para o Cometor de Paraíba. Ah, é? Você que fez o jingle? Foi, o jingle foi a música do... Eu que montei o filme.
E eu que bolei colocar três bonequinhos para dormir, porque achava que era muito triste mandar um bonequinho só isolado. Então eu arranjei dois irmãozinhos para ele. Nossa, eu fiz muito desespero. A pessoa da Tupi reclamava muito. Coitado do menino que manda ele embora. E eu fiz eles indo para uma luminária, cada um com uma vela. Os três indo dormir. Os três indo dormir, porque dava uma sensação de conjunto. Exato. Mas eu falo que era importante.
e o Fanuc fazia os foguetes. Naquele tempo era tudo 16 milímetros, dupla perfuração, para garantir a estabilidade da imagem. Não tinha áudio, era só vídeo. Então ele filmava aquilo. Numa cena, vinha um meteoro que ia se chocar com uma... Com a nave. E daí corta para o telecine.
O que é telecine? Onde passa o filme na televisão São as máquinas que exigem filme Então corta o telecine E o telecine solta o foguete Ah, foguete à frente Olha o foguete Isso já estava filmado O projetor, um japonês Montou o filme ao contrário Quando cortou para o filme O foguete saiu andando para trás Engolindo fumaça Deu um ré foguete no espaço Engolindo a fumaça Tessizinho
Aí eu contei para o Lima, Lima, pede emergência, socorro, que o foguete entrou em ré. Aí eu falei, rápido, foguete está com problema.
acelerar a frente, é todo o vapor aí o cara trocou um filme saiu tudo feito de imposto o foguetinho adou a ré primeiro foguete no espaço agora o Alomansky fez ré, mas na época o seu foi o primeiro mas a gente parou na tua história então com esse convite pra trabalhar na TV Tupi, certo? exatamente, e aí? bom, aí eu fui fazer os sketches chamamos Caravana da Alegria na rádio T T T T T T
Eu fui fazer, fazia cinco quadrinhos. E era concorrente mesmo do Nobre? Do Nobre, que nós conseguimos ganhar do Nobre. Batia ele. Porque, não pelos meus quadrinhos, mas que tinha muito prêmio, o Jócio Silvestre era muito importante, a gente tinha orquestra ao vivo, o programa era uma produção maior do Nobre, e conseguimos ganhar do Nobre. O Nobre ganhava de pouco, mas conseguimos ganhar. E o programa foi indo lá. Com isso aí, o Cassiano me chamou um dia para fazer televisão.
fazer televisão como ator fazer esses papéis mas o próprio escrever é televisão
É uma doce irresponsabilidade. Pegar um garoto de 18 anos de idade, mandar ele escrever um programa que ia antes do Repórter Esso. Nossa, responsabilidade, né? Horário nobre, né? É, horário nobre. O Repórter Esso é a coisa mais... O Repórter Esso entrava às 8 ou 8 e meia e a gente entrava 15 minutos antes. Foi de 15 minutos. Chamava-se Família Sears.
Foi a primeira família da televisão mundial. E Cias era patrocinador. Antes do All the Family, foi a primeira família humorística que foi feita na televisão. Então, era Maria Vidal, que era a mãe, era o Walter Sturge. Mas era um conceito de sitcom ou não existia esse conceito? Não, era uma historinha que fechava diariamente.
Uma história completamente... Ela terminava... Quem resolvia a história era um produto da Sears. Tinha um problema e resolução... Era o primeiro grande merchanda.
Era tudo feito por mexando a Sears. E aquilo era três de semana, no Tupi, às 19h45, ou por aí, e me entregaram para escrever esse troço com 18 anos. Em responsabilidade do Cassiano, em responsabilidade do Fernando Severino. Que loucura sua de aceitar. A minha não, o meu desejo. É, deixa comigo. Eu tomava qualquer coisa. Se me mandasse a ser diretor do TV Tupi naquele ano, eu tomaria o lugar do Cassiano. Eu tomaria.
sem a competência dele, não tomaria. De qualquer forma, o que aconteceu foi que o programa durou um belo tempo, mas a história do Mecham acabou se desgastando.
Pessoas compravam pipoqueira, rolo de pintar casa, o programa fazia de tudo. Então o programa terminou e nós ficamos discutindo outros projetos. Mas o produto entrava com...
Esse chamado Product Placement, ele entrava na cena? Não, ele entrava como uma comédia. Ah, tá. Ele estava no cenário, no roteiro. Foi comédia. A gente só falava do produto como desfecho. Boqueira, por exemplo.
Entrava como... O cara foi lá esperando assistir o programa TV de Vanguarda, que o cenário atrasou, os caras estavam em casa assistindo o programa TV e não terminavam nunca. Então o cara foi fazer pipoca. Para esperar. A pipoca queimou, não sei aonde. Então se ele tivesse comprado pipoqueira da Cias... Era assim que entrava.
O cara chega na casa dele, resolve pintar, o Walter Sout pintar a casa dele, ele vai pintar e cai tinta no olho dele, ele resolve pintar com óculos escuros. E daí ele pinta a casa todinha e suja a casa inteira, porque ele molha o pincel de cores diferentes.
Então quando ele tira Não tinha cor naquele tempo Era preto, branco Então se ele tivesse comprado um rolo de pintura Das Sears Ele não ia ter pintura correta E não ia cair a tinta no olho dele Era assim Eu escrevi durante um ano essas besteiras Três vezes por semana E vendia tudo
E chegou uma hora que começou essa coisinha, essa pegadinha, começou a reduzir o efeito, também já não havia tantos produtos assim, curiosos para resolver o problema. Então o programa acabou e eu estava esperando fazer alguma outra coisa. Eu mandei várias...
Seu gestão educacionais para fazer. Na época, nem me lembro delas. Mas várias coisas sempre ligadas ao humor. Sim. Mas aí inaugurou a televisão paulista. Para o nosso cinco. TV paulista era... Era paulista. Era de um deputado. Que fez a coleta de verba pública para montar essa estação.
E quem eu conheci, fiz muitos amigos na TV Tupi. Um deles, o Roberto Cotirreal. E o Roberto Cotirreal foi convidado para ser diretor artista. Pai do Renato Cotirreal? Irmão. Irmão? Do Renato. Irmão do Renato Cotirreal. Irmão mais velho do Renato Cotirreal. Bem mais velho.
E ele me convidou para... Você não quer vir? Você gosta tanto de televisão, mexendo? Vi que você escreveu essas... Era uma novidade na televisão que nós fizemos, que era uma coisa muito ágil de 15 minutos. E até aí também você perdeu contato com o Nóbrega, estavam brigados até aí. Não falamos mais nada dele. De vez em quando ele reclamava que alguma coisa que eu usei era dele, mas eu não sabia mais o que era meu e o que era dele. Eu não sabia mais.
Mas ele não perdi o contato com ele. Aí o Beto José Limeira, você vai fazer tudo. Você pode ser ator, pode dirigir. Te deu carta branca? Pode fazer carta branca, você vai ser meu assistente. Assistente da direção artística do canal, sim. Vamos levar para lá coisas novas. Acabamos levando Cacilda Becker, por exemplo. Teatro Trigiões, uma função de coisa. Mas aí o salário é um pouco...
Menor. Ah, era menos? Era menos porque não tinha dinheiro. Não tem dinheiro, você vai poder fazer tudo. E aí? Eu falei para mim assim, não tinha nenhum. Dinheiro não era menos. Tudo pagava-se em permuta. Ah, não é que era menos dinheiro? Não tinha dinheiro. Não tinha dinheiro. Então, aquilo estava começando, era de aula pública, não tinha planejamento nenhum.
o deputado da casa não tinha um centavo de investimento para fazer programação. Então não tinha. Você tinha que chamar, dar o teatro, vender para o cliente, pagar os atores e ficar sem dinheiro. Três de ondas dava dinheiro para fazer o teatro, ficar com a Silvia Beck e pagava todo mundo e nada. Então o que você tinha é muita permuta. Muita permuta. Então nessa época o cara chegava para o labormerchiorato, era o caixa. Então chegava a ele e dizia, o que tem aí?
Então ele diz assim, Timarara, tem pneu. Mas eu não tenho carro. Eu não tenho carro. Não, se tem o Casimira Masberg, eu uso o terno. E tem passagem do Expresso Brasileiro. Me dá. Eu vou na porta do Expresso Brasileiro, sábado, vai tudo para Santos, vou vender passagem. Então eu passei, vendedor de passagem do Expresso Brasileiro e diretor, assistente do artista do canal. Para conseguir o dinheiro. Do canal 5 sem...
Sem dinheiro. Aí eu fiquei sabendo que... Eu fui vetado pelo chamado, na época, convênio. Havia um convênio. Convênio era um acordo entre TV Tupi e TV Record, que eram as duas que existiam na época, que uma pessoa saindo daquela emissora não podia trabalhar na outra.
Não podia voltar para Tupi, nem podia ir para... Era um convênio. Qualquer pessoa, qualquer nível, artista, que fosse, saiu de uma emissora, se fosse mandado embora, até tinha a possibilidade de arranjar emprego. Mas pedido de emissão atraiu a empresa, não votam mais. Então, eu fiquei barrado pelo convento. Eu fui na Record, o Blota Júnior quis me contratar, mas aí o convênio não deixou.
Eu fiquei lá recebendo, não aguentava mais vender passagem. Então eu soube que a agência Lintas, que era a Lever International Advertising System,
estava precisando de um chefe do departamento de rádio. E o Alberto Cotihau e o Scatena, que eu conheci no estúdio da Bandeirantes, da rádio, que eu comecei a fazer freelance para rádio, fazer texto para rádio em 1955. Então, aí, o professor me diz, olha, publicidade é o caminho.
É o que estava pagando dinheiro, é o caminho. E eu fui ao Alíntas e me inscrevi para ser entrevistado pelo Rodolfo Lima Matos. Pela minha idade...
Eu não fui chamado. Mas aí apareceu a super-tia Marina. A o quê? Super-tia Marina. Ah. Super-tia Marina. Por acaso, eu fiquei sabendo... A tia dos contatos. Eu fiquei sabendo que o Rodolfo Lima Márcio morava na Pompeia.
Digo, por acaso, Dona Arminda, a mulher do Rodolfo Amar, é sua cliente? É minha cliente. Pronto. Então, peça para ela me receber. A segunda vez. A sorte estava ali. Então, eu recebi ele e falo aqui. O negócio é o seguinte. Uma coisa que eu sou muito jovem.
Eu falei, tudo bem, mas eu quero que eu me pergunte, faça o que eu sei, veja meus textos que eu fiz de rádio, textos que eu fiz de televisão. O que eu fazia em televisão praticamente era publicidade. É a minha jornada. Eu preciso ver esse texto. Volto aqui amanhã. Eu não tive examinado esse material, estou muito bom, mas não é exatamente a pessoa que eu preciso, porque eu preciso de um chefe para o rádio e televisão. Você é muito moço.
Eu, espertinho, tinha lido a biografia do Rodolfo Lima Matas, que começou aos 16 anos na Rádio Rio Grande e que era diretor artista da Rádio Rio Grande aos 19. Aí você deu essa cartada. Ela tinha 20. O senhor começou antes de mim, ela diretou artista da Rádio com 19. Por que eu não posso ser chefe da parte de rádio de uma universidade com 20? Não tem mais argumento. Ele disse, é. Três meses de experiência. Três meses de experiência.
Eu fiz um sucesso enorme como publicitário. Criei gingos, fiz anúncios e fiz programas. Para você não era um retrocesso trabalhar com publicidade, você gostava também? Era uma desistência daquilo que eu queria. Do teu sonho. É um dos sonhos, mas eu não... Você não me encarou como... Não, mas eu comecei a fazer programas.
Dentro da agência. Ah, é? Porque a agência criava programas para ser feitos. Levere no Espaço, por exemplo, foi criado dentro da... Então você continuou trabalhando. Dentro da LITAS, você continua fazendo. Temos que produzir parte do programa CESDLNK. Sim. O importante é fazer o CESDLNK. Fazer concurso para movimentar as missões do interior.
Eu criei um negócio de caixa de vidro dos Lever, que as pessoas faziam pedido de música num envoltório do sabonete, pra provar que comprou o sabonete. Essa caixa de pedido não foi um sucesso no interior inteiro, dedicar a música. Fulano de tal, dedica pra fulano de tal. No Anembalag? Antigamente era pago. Se ela era rádio, a gente pagava pra dedicar uma música.
Então não falava mais, bastava levar a embalagem do produto e entregava a embalagem. E aí a emissora para provar que era, recolhia as embalagens e mandava para a empresa para a gente conferir. A ideia foi minha. E eu tive na Lintas uma ideia porque nós tínhamos que vender aqui um sabão em pó chamado Rinço. Rinço? Rinço. E não havia máquina de lavar roupa.
sabonete, sabonete, sabonete, sabonete, para a máquina levar roupa. E a Lever resolveu testar esse produto nas poucas máquinas que tinha. Mas não sei, um produto de massa. Não havia máquina de roupa. Elitista ainda. Mas aí o Rodolfo Lima Martins inventou um negócio chamado molho super espumoso. Que é um negócio que você faz em casa um molho de sabonete, não precisa esfregar roupa no tanque, o lesco, o lesco do tanque acaba.
e você tem a coisa todinha, você vai ter... Se o seu marido... Ele tem que ter cuidado com ele, porque achar que a mulher estava querendo ser vagabunda e não fazer trabalho nenhum. Preguiçosa, né? Então, mas você tem que fazer. Você tem que vender isso para vender em casa para quem não tem marca dentro. Com essa ideia do molho... Molho, é. E eu conversei isso através de campanha, de rádio, era difícil. Então, eu bolei uma ação de marketing, em 1955.
que é um negócio de quinzenas de Brancura Renço. A gente ia para uma cidade e eu comprava todas as sessões de cinema, eu comprava todos esses negócios de dedicação de música, comprava passagem de ônibus.
Só podia funcionar, entrar no cinema, só podia dedicar música, só podia viajar de graça, pagava quem quisesse pagar. Mas de graça podia viajar com a tampinha. Bastava levar a tampinha do Rinsu. Durante 15 dias a moeda da cidade era a tampinha.
Eu ganhei o prêmio de marketing De Londres E o pessoal aderiu Pesado Total, toneladas de venda De rinço E vocês faziam demonstração Na máquina de lavar Durante o filme Todo filme Tinha demonstração Do produto Do mundo
Então foi feito assim. Na televisão nós também fazíamos isso aí. A vida alfa é que fazia essa demonstração na televisão. Isso é ganhar um prêmio de marketing. Eu não sabia nem que era marketing em Londres. Você só fazia, né? É o que me levou a ganhar uma viagem.
para os Estados Unidos e para Londres para observar a televisão. Tudo o que eu queria. Então eu fui para fazer essa viagem. Eu fiz Miami, Nova York, Los Angeles, Londres. Para ver... Você teve acesso? Para ver tudo o que era feito. Estúdio, estudar gravação, ver essa coisa. Não era um curso.
Era um workshop. Mas eu fui fazer, cada uma dessas cidades, eu conheci os estúdios de Los Angeles, da televisão. Eu fui para Washington para ver como era feito o jornalismo e uma parte é radiada de lá, outra parte era de Nova York. Eu fui olhar a situação daí. E voltei com duas coisas na cabeça. A primeira delas, eu tenho que fazer televisão.
E a segunda dela, eu tenho que fazer uma rede de televisão. Porque não existia. Não existia. Era locais. A rede americana já existia no rádio. Coast to coast. Sim. Então já existia no rádio. E a televisão também, logo que abriu os Estados Unidos, já veio de cara. Mas aqui no Brasil tinha tecnologia para unir? Não havia tecnologia, porque com a Segunda Guerra Mundial...
foi desenvolvido nos micro-ondas. E a televisão, quando terminou a guerra, houve uma sobra, um surplus.
Uma sobra enorme desses equipamentos. Então, dava para cobrir o território americano inteiro. Foi assim? O micro-ondas usado na Segunda Guerra Mundial. Por causa da guerra? A guerra sobrou o equipamento. Então, o rádio já era feito por rádio. Mas aqui no Brasil ainda não. O rádio era feito por lia, telefônica. Mas a televisão só foi fazer isso aí nos anos 50.
E aqui no Brasil vem quando essa tecnologia? O microondas no Brasil vem logo depois disso aí, mas até no começo, no final dos anos 50, mais ou menos 5, 6 anos depois, já havia aquela aventura por transmitir o futebol de Santos. Então eu reuni a engenharia toda, fazia aquele jogo e desmontava aquele jogo sozinho. Vou fazer uma ligação Rio-São Paulo.
E a propaganda das missões daquele tempo Era a entre a Record A briga entre a Record e a Tupi Então a A Record fez Rio São Paulo Então 500 quilômetros na frente E aí o Castelo lançou, fez ida e volta Seus 500, mais 500 Dobrou Era a época da época Que o curioso A televisão entrou nessa briga Geralmente era para transmitir o futebol E aí
ou para transmitir um grande evento político. Sim. Então, mas não tinha micro-ondas suficientes. Mas você voltou com isso na cabeça. Não tinha micro-ondas suficientes. As micro-ondas começaram a chegar, depois comprados pelas emissoras, para ligar os estúdios. Era uma fortuna. Mas era investimento do Estado? Era investimento de cada emissora? Não, era nosso. Era de vocês? Era da emissora. Agora, desde que as emissoras inauguraram...
A TV Record já inaugurou em 1953 com o micro-onda. Porque era para transmitir do local onde ela estava para a torre, ela tinha que usar a micro-onda, mas era uma coisa tão cara que não se cogitava de usar a micro-onda. A TV Tupi era por cabo, entre o estúdio e a torre que ficava no Sumaré. Mas a coisa não era para o micro-onda. A TV Paulista era para o cabo. O cabo ficava na rua da Consolação e a torre ficava no mesmo prédio.
Não que o micro-onda Ele vem dos anos 40 Ah, é? Como invenção Usado largamente na guerra Pós-guerra Para essa função Ele teve uma estratégia Na guerra Mas ele já existia disponível para comprar Mas era uma coisa muito cara Porque era um instrumento Não de comunicação Claro, de guerra
E depois que virou o mais importante instrumento da comunicação, só que foi batido mais tarde pelo satélite. Ah, tá. Então ele foi muito importante. Durante uma era. Durante muita era. O interior, tudo linkado com micro-ondas. Caramba. Nós mesmos no Globo compramos restos de micro-ondas da guerra. É.
para poder fazer isso aí. Mas vamos lá, você volta então dessa viagem com essa coisa na cabeça. Volto com rede, com televisão, tem que voltar para a televisão. Mas ainda continua uma carreira na publicidade. Ainda joga na publicidade. Não havia oportunidade para mim na televisão, porque o dinheiro que eu ganho na televisão era muito maior. Era muito mais. E eu trabalhei em várias agências. E fundei a primeira empresa de produção de comerciais para a televisão.
Foi a RG Links Filme, feita com o pessoal da Veracruz. Era o... Estúdio lá em São Bernardo. Fotografado, fotógrafo-meado do Cagaceiro. Sim. O César Membro Júnior. Vocês usavam o estúdio do Veracruz? Não usavam, não. Usavam o pessoal da Veracruz.
Nós alugamos, ela é, já alugamos um estúdio em São Paulo na Consolação. Tá. Um pequeno estúdio, e nós fazíamos lá na produção, os editores... E era especializada para a televisão? A televisão compramos da Vera Cruz, uma máquina, uma Mitchell, aquela máquina que pesava 300 quilos. Para fazer o quê? Para fazer filmes de 35 milímetros.
porque a televisão exibia filmes de 16, mas a gente queria fazer em 35 e reduzir para 16, para aumentar a qualidade. Nós criamos a primeira indústria de filme comercial para a televisão. Tinha já essa demanda? Deu certo. Nos anos 58, 57, depois do Lever no Espaço, eu saí e fui fazer.
e da volta na televisão americana eu fui fazer, em vez de fazer trabalhar em agência eu fui trabalhar na produtora e deu certo? a produtora foi um sucesso muito grande nós fizemos várias coisas lá, inclusive as campanhas da Varig Varig, Varig, Varig foi o que eu criado por mim como que saiu essa ideia, Dudu? Varig, Varig, Varig o pessoal novo nem sabe que isso é Transbrasil, Varig, Vaspe o Rubem Beto
que foi um cheio extraordinário na aviação, criou a fundação Rubem Betta, que era a Varig, era dono dos funcionários, era um dono da empresa. Ah, é? Sensacional. Ele era um funcionário, começou como office boy e passou a ser o presidente da Varig, um altamente competente. O Varig era do Rio Grande do Sul? A gente resolvia a publicidade com ele. Ah, tá. Ele cuidava. O Clóvis Azar era o diretor de propaganda, mas a gente ia falar com o Beto.
Ele tinha uma visão enorme sobre essas coisas. Então ele não queria nada cantado. Não queria jingle? Jingle. Jingle não. Por quê? Não queria funcionar. A visão era séria demais. Ah. É uma coisa séria. Tem que inspirar segurança, embora não se fale de segurança. A aviação e tal. Tem lá que jingle era uma coisa... Eu cheguei para ele, eu vi para ele revistas americanas, eu mostrei que nos Estados Unidos fazia jingle para aviação, mas ele não quis.
E daí eu pedi para ele deixar, pelo menos fazer uma assinatura.
E eu tinha feito um jingle pra ele baseado no... Camila Camila... Tem... Na Baixa Pateira... Na Varga... Na Varga tem... Ah, sim. E eu fui lá e ele... Não é de Bahiana? E... Mas... Eu terminava com... Tem, tem, tem...
É que ele toscou na minha cabeça. Tem, tem. Não era Varig, Varig. Eu não sei. E eu dizia para o Beto, o velho, o Beto, morreu com 50 e poucos anos de idade. Ele tinha 45, eu chamava ele de velho Beto. Nós chamávamos ele de velho Beto. Porque ele já tinha cabeça de velho, é isso? Não, porque ele era mais velho. Ah, tá. Ah, vocês eram novinhos, tá certo. Eles eram novinhos. Era o velho Beto. A gente achava que ele era velho.
Imagina, mal sabia. Jovem é besta. Se não tivesse morrido, a Vale também ia ter hoje. Mas aí, essa questão da música, eu vendi para ele, que eu também queria mexer no logotipo.
O logotipo da Varing é muito pesado. Mas tem que ser sério. Não pode ser... E a marca da Varing era a Ícaro. Berta, a Varing, a marca da Ícaro, o Ícaro fez uma asa de cera e caiu. É mesmo, né? Ele derreteu. Derreteu a asa.
Não pode. Vamos fazer um concurso, então. Fez um concurso e várias pessoas participaram. Apresentou um tucano. O Petit da DPC.
Vários artistas para ver. Um ganhou um artista, eu não me lembro o nome dele agora, mas um artista de desenho muito importante que fez de um quadrado, que fez um recorte onde em cima era um pássaro, embaixo era o Veda Varing. Era muito bonito, graficamente impecável.
Mas o... Humberto não gostou? É um urubu em cima da Vargas. Eu só posso fazer esse símbolo colorido. Se o Zion der em preto e branco... O pessoal vai baixar com urubu. É um urubu em cima da Vargas. Eu vou fazer. Ele fez a Rosa dos Ventos. Ele mesmo desenhou o tom dele. Não, não, não. Desenho final. Claro, mas ele... Ele rabiscou uma Rosa dos Ventos. Eu quero uma Rosa dos Ventos. Porque a Vargas não voava para a Europa naquele momento. Para as Américas. Sim.
Não é porque eu vou conquistar a linha da Europa, agora eu quero a Rosa dos Ventos, porque ela não vai para o mundo inteiro. Então, a Rosa dos Ventos que está aí, foi uma sugestão do próprio Bertha. Mas aí, quando chegou no Natal, eu resolvi fazer para ele um jingle. De Natal. De Natal.
Eu fiz o jingle, eu estava procurando, estou correndo muito lá, muitas coisas semelhantes, nada que eu gostasse. Mas eu tinha feito um abismo, um rascunho da letra. Você mesmo? Eu mesmo tinha feito a estrela das Américas, que depois virou estrela brasileira, porque ela, quando passou a voar para a Europa, tirou a América e passou para a brasileira.
Eu escrevi o Papai Noel voando ajeta para o céu, na Tua Felicidade e tal. E eu tentava fazer os inglês, eu mesmo tentei fazer a melodia, achei barral, não gostei. Tinha um amigo meu, que era o Caetano Zamataro, que tocava de Bossa Nova, ele fazia parte do movimento de Bossa Nova dos Estados Unidos, e nunca tinha visto um jingle na vida dele. Estava assim uma semana antes do Natal.
E eu chamei o Zé Marconiçor tocar violão, falou, faz uma melodia, por favor, essa letra, pode mexer, se você quiser mexer, faz uma melodia. Ah, vou levar pra casa. Não, não vou levar pra casa nada. Você vai ali pra aquele cantinho ali, pro estúdio ali, e faz a melodia. Eu já fiz mais de seis. Eu não gostei, eu quero levar um jingle, nadar pro beta, pra chegar na hora, tal, não sei o que.
Aí ele falou, tá lá, posso cantar pra você? Ele cantou Estrela das Américas, de cara. E ficou bom? Ficou Estrela das Américas no céu azul, iluminando, dança. Foi o jingle da Varg, e eu deixei ele usar a minha assinatura. Varg, Varg, Varg, porque ele usou a assinatura minha. Então, eu falei, vou levar pro Beto, fui levar pro Beto.
Que não gostava de ginho. O Natal, uma coisa emocional. Não estou vendendo avião. Abre uma exceção. Não estou vendendo serviço de bordo. Não estou vendendo nada. Eu achei linda a melodia. Mas você não vai me botar nenhum papelão pilotando o Jardim do Árvore? Não, não vou botar o Jardim do Árvore. Vai botar aí o papelão montado no avião? Não, não vou botar o papelão montado no avião. Eu tive uma ideia. A melodia é boa.
e a letra tal interessante que eu vou fazer a Rosa dos Ventos, que o show pensou marcando o negócio da letra vai usar a Rosa dos Ventos? A minha Rosa dos Ventos? Vou usar. O comercial vai ser a sua Rosa dos Ventos. Mas precisa de uma música pra acompanhar a sua Rosa dos Ventos. Então faça. E atualizou a Estrela das Américas.
Foi um sucesso enorme. Com essa assinatura Varig, Varig, Varig. Com essa assinatura Varig. Passou por assinatura o tempo todinho. Durou enquanto a Varig durou. Sim. Porque depois que, em 1960, eu fui convidado com um amigo meu, Jorge Adib.
para ir para a Multim, ganhando um dinheiro realmente maior do que eu ganhava na minha própria agência. Então, eu fui para lá trabalhar com ele. E eu fazia, cuidava da Varg. Eu não pude mais cuidar. Então, na segunda época, veio a Varg, colocou lá um produtor de gente, o nome da Kiménez Messina.
que fez outros ringos da Vale, que às vezes as pessoas pensam que foi da minha época. Isso é a segunda fase. É o cara mais sofisticado. Entendi. Ele fez o português, o japonês, que vinha para o Brasil e voltava pela Vale. Muito sucesso. E também autorizei ele a usar a assinatura. O Vale de Vale.
Mas... Quanto tempo você ficou na cidade? A partir dos anos 60, eu fui trabalhar com o Jorge Adib, larguei lá a agência de cinema, em 1963, em 1962, eu deixei o Jorge Adib e montei minha própria agência.
Foi a primeira agência de marketing do Brasil. Qual chamou? Propaganda e Mercadologia. Depois o Enio Mainart comprou a agência e eu fui trabalhar em 1963. Eu fui para Alcantara Machado, mas trabalhei um único dia. Por quê? Eu cheguei na Alcantara Machado de manhã cedo e fui lá para tomar conhecimento do que eu ia fazer. Eu ia ter uma posição quase que de sociedade na empresa.
Eu vendia a minha empresa. Sim. E aí chegou lá o Edson Leite. Era na Paulista, né? Era na Paulista. Chegou lá o Edson Leite e de manhã... Olha, nós estamos deixando a Bandeirantes e indo para o Excelsior. Como eu tinha feito freelances na Bandeirantes, tinha mais ou menos um acordo com o Edson que o dia que a Bandeirantes fosse ter televisão eu ia trabalhar na Bandeirantes. Era um acordo.
Mas foi combinado. Ele disse assim, eu não vou mais sair da Bandeirantes. Vou montar a TV Excelsior. E você vai ser meu assistente. E eu comecei aqui hoje. Já falei com o José Alcadrachado. Já peguei o negócio, peguei teu paletó. E vou embora. Já chegou a esquentar a cadeira lá. Não sei, já chegou. Vamos almoçar. Vamos no Rodeio.
E vamos trabalhar na cor da tarde. Pega o paletó, vai embora. Não posso. Por quê? Você não tem paletó. Não usa paletó, não consegue paletó. Não usava paletó? Não usava, não. Então, vamos para lá. Eu fui no Celca Antamachado, fui no Alex por esse noto, agradecer a eles. Agora eu fui para a TV Excelsior, sem saber o que ia fazer. A TV Excelsior, ela era... Sem saber o que ia ganhar. Ela estava começando? Não, estava começando. Desistia a TV Excelsior.
Eles tinham TV Celso, Canal 9, mas era uma empresa voltada para coisas de elite, teatros, filmes. Qual que é a ideia dele? Não tinha programação. Não tinha programação, não tinha artista contratado. O Álvaro de Moia era o diretor, mas ele tinha uma sensibilidade artística muito grande. Ele gostava de longa-metragem, passava de longa-metragem franceses, europeus em geral. Estava os dois o Álvaro de Moia. Ele estava lá. E aí eu fui para... Quando eles compraram, o Álvaro saiu.
E eu fui, não para o lugar do Alvaro. Mas foi fazer o quê? O assistente do... Qual seria a tua função? O assistente do Edson Leite. Assistente da direção geral. Programação? Tudo. Direção geral. Edson é o diretor geral da empresa.
Mas eu fui lá para o governo, porque eu não tinha pouco tempo. Por quê? Porque, primeiro, eu não sabia, mas a função era política. Eles estavam lá para tentar segurar o governo João Goulart. Ah, é? O dinheiro vinha do Simons, do café. Aquela coisa. E o dinheiro era fundo perdido.
E eu tirava quanto eu quisesse. Eu fiquei perdido lá dentro. E eu queria fazer planejamento. Queria ter orçamento, eu queria ter custo. Eu queria saber o que eu podia fazer. Eu levei para lá o Walter Osdurce, levei tudo de Lemos, levei a Roda Maria Moutinho, depois levei o Tarcísio, o Glória. Mas eles queriam fazer coisas assim muito populares e rapidamente.
Eu queria planejamento, eu queria ter responsabilidade para poder levar as pessoas. Eu convido uma pessoa sem dizer para ela o que ela vai fazer, que empresa ela vai fazer, como ela vai ser. O Jorge Adib, que era meu companheiro da Mult, meu amigo, junto com o Penharanda, estava com o Gatim Palmo Livre, nós precisamos de dinheiro. Nós só fazemos se vocês tiverem uma novela diária. Aí eu comecei a estudar uma novela diária.
com o Túlio e com o Otis Anjos Durschi, mas o Edson Leite comprou uma novela na Argentina, 5200 Ocupado, com o Tarcísio Góra, feita num estúdio. O texto era uma coisa horrorosa. Tarcísio Góra e o Guadalhante odiavam. E eu comprou a minha revelia. Sim. Eu estava insatisfeito lá. E, de repente, numa noite...
a direção do Rio de Janeiro da TV Excélsio, levou todos os funcionários da TV Rio, que era especializada em humor. Todos, sem nenhum. Eu estava um advogado, dois advogados, secretária e tal, e os contratos foram feitos de madrugada. Não ficou um funcionário na TV Rio. Na TV Rio. E a noite que eu chamo no meu livro de A Noite de São Bartolomeu. É. Da mafia, né? E no dia seguinte o Walter Clark me ligou, que era meu amigo.
e nós tínhamos feito coisas juntos quando eu era da Lintas, eu disse, poxa, você veio aqui me tomar todos os meus funcionários. Você? Eu não sei. Não, foi em Celso. Eu fui para o Celso para fazer uma rede, mas o Rio de Janeiro até agora é hegemônico.
Então, faz um negócio deles aí, eles mandam em tudo. Ele quer fazer, não vai fazer. Eu não soube disso. Eu vou apurar. E depois eu te digo, senão não fui eu. Ele quer para ele, olha. Nem o Edson Leite sabe disso.
O Olinho Simons, que era o filho do Simons, fez isso com o Ricardo Amaral. Eles foram lá e esvaziaram a TV. Eu porque o Chico Anísio quis trazer o pessoal todinho junto com o Carlos Manga. Então eu expliquei isso para o Walter. Então agora você vem me ajudar aqui? Porque eu fiquei sozinho. Na TV Rio? Na TV Rio. Eu digo, mano, estou aqui começando a montar, Celso, você tem que vir para cá para me ajudar. Ele não tem outro jeito. Então em 63...
Eu fui para a TV Rio como diretor artístico. Mas não era uma roubada assim? E lá esvaziada? Era uma tentativa. Mas na TV Celso era outra roubada. Tanto que eu chamo de salto triplo sem rede. Exato. Tudo era uma roubada. E aí chegou... Eu cheguei na TV Rio e o problema, as novelas da TV Celso estavam estourando. A moça que veio de novo. Estava bem? Era um sucesso total. Ela assumiu a liderança rapidamente com essas novelas.
Então nós tínhamos que fazer uma novela para competir. E eu falei, olha, a moça que veio de longe foi um sucesso no rádio. O maior sucesso do rádio foi o Direito Nascer. Vamos comprar o Direito Nascer. Eu comprei, eu e o Walter sozinho, no nosso bolso. Põe o nosso bolso, os direitos da novela Direito Nascer. Vocês como pessoa física. Porque a TV Record não quis entrar na sociedade. E a TV Rio não tinha dinheiro para comprar.
Nós compramos direitos, ficamos com direitos na mão. E ia ganhar como? Sem a Recó, que era a emissora, que fazia parte da Rio, querer produzir, sem ninguém para produzir. Sem ter onde produzir. Então, eu apelhei de novo para a publicidade. Eu fui no Rodolfo Lima Martens, que era a Lever.
Ele tem um direito de financiar que eu comprei por Tilex. E quem foi pagar foi a Dersi Gonçalves, que levou o dinheiro, 5 mil dólares na época. Levou o dinheiro para pagar por Félix Cunha, que estava no México. E o advogado dele se chamava-se Guevara de Letrón.
Ladrón? Ladrón. E ela falou assim, Ladrón de Guervara. Quando ela recebeu a mala, os escritos todos amarelados, bom batidos, os escritos originais, feitos para a rádio, ela falou assim, vi aquela mala, você pagou 5 mil dólares por uma mala de papel velho. São realmente ladrões. Guervara de Ladrón. Ela pagou lá, ladróns. Nossa, que era pinto o negócio. E eu consegui com o Lima dele reembolsar a mim.
e ao Walter, mas manter a novela, caso fosse produzida, na TV Rio. E eu precisava arranjar o produtor. E eu falei, vou tentar a TV Tupi. A TV Tupi tinha uma rede. A TV Tupi do Rio. Então, eu fui ao Cassiano Gomes Mendes. Cassiano, comecei com você, você que ensinou.
Eu aprendi aqui. Preciso desesperadamente para você. Eu tenho aqui o maior sucesso da televisão brasileira e ninguém quer fazer. Não encontrei ninguém a regola que quer fazer, não tem o que fazer. Você precisa produzir. E daí, posso sentir... O que é? O direito de nascer. Desnascer, guada mais, isso e tal. O que é que meu pai falava que era uma coisa... Eu não lia o direito de nascer.
Eu tenho aqui na mala. Eu levei a mala. Eu falei, posso abrir a mala? Tudo cheio de papel amarelo. Amarelo. Borrada, porque era impresso a álcool, né? Ah, sei. Extensio. Extensio. Aí, falei, tá que lê a sinopse. Era uma sinopse de umas três, quatro linhas. E eu falei, pô, essa aqui é ótima. Vamos fazer? Eu falei assim, vou fazer. Você tem um problema. Eu vou fazer pra tupir. Eu pago a você.
e tal, você, a mulher dos direitos, te dou um lucro. Eu tenho que dizer, não, eu preciso fazer a TV Rio, estamos lá na TV Rio, eu preciso da TV Rio. Mas como é que eu vou vender, vou fazer uma novela, vou dizer para a TV Tupi de São Paulo, e vou passar na TV Rio do Rio de Janeiro, e não vai passar na TV Tupi do Rio de Janeiro. Eu digo, Cassiano, deixa eu falar com o Fernando Severino, que foi com quem eu tinha feito a Família Cias.
E eu falei, vou chamar meu irmão, que era o Fernando Severino, que era o Rogério Severino, diretor da TV comercial, da TV Tupi do Rio. Tá. Eu falei, olha aqui. Aí eu usei uma lábia. Eu não vou comprar essa novela para fazer sucesso na TV Rio. Eu vou comprar essa novela para destruir a TV Celso. Isso interessa para a TV Rio, interessa para a TV Tupi. Entendi. A hegemonia da novela, se o Celso vai cair.
E vocês vão poder fazer outras novelas. Vão poder fazer outras novelas. E a nova novela vai durar seis meses. A TV Rio Tupi do Rio faz um sacrifício de seis meses em função da gente derrubar a liderança da Excelsior. Essa é uma questão estratégica, não é uma questão de audiência. Eu preciso fazer isso. Se não tiver na TV Rio, eu não vendo para vocês e não tenho direito de vencer. É o Cassiólogo.
deu uma palavra com o Fernando, temos que fazer isso aí. Eu vou conversar com os... Todo mundo comprou ideia. Não é contra a TV Tupi do Rio, é contra a TV Celso. Essa foi estratégia? Foi estratégia. E a novela foi feita assim...
Foi um sucesso absoluto na TV. Em São Paulo foi... No Rio, no Rio. E lá a TV Rio e o resto do Brasil, as emissoras associadas. Foi um sucesso total. Quem estava? O sucesso era tão grande...
que a gente vendia espaço para passar salmos de evangélicos antes da novela, e os salmos davam 60%, porque a novela dava 60%. Nossa, e quem que eram os atores? Fizemos um concurso para escolher o Albertinho de Monta, que foi o Milton Fernandes.
Eu pedi que a novela fosse feita pelo George Durst, mas ele não aceitou porque era muito ruim o texto. Então o Talma de Oliveira, que era o cunhado dele, pegou a missão, que era muito bom autor também. Então foi feita pelo Talma de Oliveira, dirigida pelo Lima Duarte, e com a interpretação...
principal. O Lima Duarte, ele era diretor também? Era o primeiro diretor dele. Era diretor de coisas esporádicas, mas ele pegou a novela para dirigir. Ninguém queria dirigir, o Cassiano pediu para ele dirigir.
Então foi um sucesso total e quebrou a hegemonia da... E que devolveram o dinheiro. Quebrou o dinheiro de volta. Você não tomou prejuízo. Quebrou a hegemonia. Nós passamos a TV Rio para o primeiro lugar. É? A TV Tupi passou para o primeiro lugar também. Bateu a Excelso, então. Derrubou a TV Excelso. E o Cassiano, em cima disso aí, montou um deputado de novelas sensacional e continuou com as novelas.
Mas a TV Rio não conseguiu continuar, porque a TV Reconnaz não quis saber de novela. Não quis. Nós não fizemos mais nenhuma... Mesmo com sucesso. Não fizemos mais. Em razão disso, eu voltei para trabalhar com o João Saad e com a Bandeirantes, porque a Bandeirantes já ia colocar. Eu larguei a TV Rio e vim tomar conta da Rádio Bandeirantes.
Aqui? Lá em São Paulo? Lá em São Paulo. A Rádio Bandeirantes foi diretor artístico da Rádio Bandeirantes. E comecei a planejar a TV Bandeirantes. E ficou no papel, não saía nunca. Dependia do quê? De dinheiro. Ah. O João estava... Não tinha aquele prédio no Morumbi ainda? Tinha. Já tinha? Aquele prédio foi a judeia construir. É? Na minha época foi feito o prédio. Poxa, mas com os estúdios, já de televisão? Com os estúdios, todos. Inclusive a Rádio Bandeirantes passou por lá.
E o que faltava? Foi dinheiro para o equipamento. Já tinha tudo lá. Tudo foi comprado lá. Tava sempre o equipamento de Marconi, inglês, tava tudo cachotado lá. E era tudo de última graça. Tava tudo lá comigo cachotado. Os controles prontos. Tava pronto. O estudo de gravação de áudio pra apoiar, fazer vinheta, tava pronto. Toda a rádio mudou pra lá. Então eu trabalhei quase um ano.
Para implantar. Para de novo. A minha sala, não, para de novo. Mas você foi contratado para implantar a TV. Para implantar a TV. Começamos, nós saímos de montar ferraria, coisa aqui. Eles foram montando. Por cenário. As fábricas foram montadas, as câmeras estavam lá, as cores, Marconi, tudo pronto para fazer a televisão. Mas não havia dinheiro para montar a programação. Nem para comprar filme.
cliente nada. O João Sade estava, o João Sade pai, esperando um momento para dar uma instrução, que seria um ano antes da cidade de estreia para a gente poder montar programação, preparar elenco, preparar esse elenco. Começamos a fazer. Nesse tempo a Globo não tinha missão em São Paulo.
E eu estava tentando com o Dr. Roberto Marinho. Existia Globo já? Globo em São Paulo não. Não, mas no Rio já existia. E tinha o quê? E eu tentei... O Globo era quarto lugar. É? Era super... A situação que acabou falindo antes da gente chegar lá. Mas eu... Porque o forte era o jornal. Era o jornal impresso, né? Não, o jornal impresso. O jornal impresso era o forte. Eu fiz um acordo com o Time Lash naquela época. Então, eu tentei com o Dr. Roberto um acordo.
entre Bandeirantes e Globo, fazer uma rede. Globo Umbar. Seria uma rede... São Paulo, Bandeirantes, Rio, Globo. O Globo e o resto, nacionalmente, nós iremos dividir. Sabe uma coisa engraçada? Que o Dr. Roberto aceitou a ideia. É? E quem não aceitou? O Saad não aceitou a ideia. Por quê? Talvez pela munição. Ele diz, Roberto, é porque era necessário que o Time Life participasse disso.
Eu não faço contrato com estrangeiro. Foi isso que pegou o Jossad. E outra coisa, gente, eu não sei se esse contrato tem base legal. Eu tenho receios. Posso acontecer qualquer problema. E com o Time Life eu não quero entrar. Então foi por isso...
A gente poderia ter tido uma Globo Band? Poderia ter tido. Nós chegamos a assinar um documento de... não de formar uma rede, mas um um um um contrato de mútua produção. Sim. Então, um contrato de integração das duas empresas. Mas não foi pra frente porque o João não quis. Foi aí que você se aproximou do Roberto Marinho. Aí que o Roberto Marinho comprou a TV Globo de São Paulo.
Mas comprou de quem? Canal 5. TV Paulista. Ah, TV Paulista. Como que estava a TV Paulista? A TV Paulista estava mal. Mal? Estava mal. Estava falida também. O Roberto comprou. Ele não foi mal aqui. E a TV Globo foi mal lá no Rio de Janeiro. Sim. O doutor Roberto perdeu tudo que tinha. De dinheiro. De dinheiro que estava devendo.
Para o Time Life. Putz. E aí o Time Life mandou para cá um sujeito chamado Joe Wallach, que foi a salvação da Globo. Por quê? Porque o Joe convenceu o doutor Roberto Marinho que ele tinha que contratar profissionais. Porque a Globo foi montada com o pessoal de confiança do doutor Roberto Marinho. Não necessariamente na área. E a maior parte deles militares. O diretor técnico era militar.
o diretor de administrativa era militar e o diretor artístico era um capitão. Meu Deus! Ou seja, ninguém da área. Estava difícil ali. O João convenceu o doutor Roberto que para fazer televisão, ele sabia disso, tinha trabalhado na NBC nos Estados Unidos, era preciso de profissionais. Ele disse, não de baixo para cima, de cima para baixo, para planejar. Claro.
Então a primeira pessoa que ele contratou foi o Roberto Montoro, que era o maior vendedor de comerciantes da televisão, porque ele vendia a TV Rio quando a TV Rio assumiu a liderança. Ah, é? Mas o Roberto Montoro era um homem exclusivamente comercial. O Walter era o diretor comercial da TV Rio, e sabia mais televisão do que o Montoro. Sim. Então o Montoro contratou.
sugeriu ao doutor Roberto que contratasse o Walter Clark e o Walter Clark me procurou e me apresentou ao John Wallach e depois eu convenci o Walter Clark naquele momento era o diretor comercial da TV Globo
E procurou para quê? Para cuidar da programação e da produção. Mas com as ações do Walter e do Montoro, o Rúmes Amaral, que é o diretor-geral, se demitiu. E o Walter assumiu a direção-geral.
e eu fiquei com a direção de programação e produção. Então, a produção veio comigo, mas depois eu assumi a engenharia. Ah, e você voltou para o Rio, então? Eu vim para o Rio. Ou ficou lá? Não, eu vim para o Rio.
Vim para o Rio, vim para o Rio de Botânico. Em março de 1967. Mas não tinha Projac, não tinha isso? Não tinha Projac, nem tinha TV Globo. TV Globo era o quarto lugar. Era o quê? Falida. A única coisa que ela tinha, o único programa que ela tinha, era o prédio construído com o auxílio do Time Life. Tá. Tinha bom equipamento. Tinha? Ela foi desenhada no início para ser apenas uma emissora de jornalismo. Então... Era restrita. Pequeno, tem lá. Pequeno, pequeno.
Eu fui para lá, o Walter foi no final de 1966 e eu fui no início de 1967. E você já tinha experiência de programação, de grade, essas coisas? Foi tudo comigo. O Louvre foi inaugurado em 1965 e faliu em 1966. Faliu mesmo? Não faliu porque o doutor Alberto Marinho, que ele estava nisso, graças à visão do doutor Alberto Marinho, ele vendeu casa.
carro, quadro, ele se desfez de tudo para continuar com a... Acreditava na televisão, achava que não tinha saído. Caramba, sabia dessa parte. É, ficou difícil, ele empenhou tudo. Acreditou na televisão, empenhou tudo.
E como era a cartada dele? Contratar esse pessoal E fazer o que? Ele nos contratou com o dinheiro que tinha Um pouco sobrou Mas eu fui contratado De graça Por que? Você fez vários contratos bem ruins Mas eu queria fazer Era muita vontade de fazer Então o meu salário Que eu ganhava na TV
No outro lugar, se trocar por produto, tinha que vender passagem. E aí na Globo? Aí eu larguei meu contato na Tupi, que era excelente. Era bom? Na bandeiração, era altíssimo. Era da cúpula da empresa. E aceitou ir para a Globo? Eu fiz um salário maior do que eu ganhava lá, mas para receber quando a empresa desse lucro.
Fiz um contrato que... Então você acreditava. Fiz um contrato da seguinte maneira. Eu participava dos lucros da empresa. Que não tinha. Que não tinha. E não tinha salário. Nossa. Então eu tinha direito a uma retirada. Uma retirada para a minha sobrevivência. Claro. Mas eu não tinha salário. Mas super pouco. Era pouco. Era necessário para viver. Eu tinha promissórias.
na TV Tupi tinha muita... Promissórias é o quê? A moderante sempre pagou um dia. Cliente, por exemplo, Casa da Banha, pagou a promissória, pagou o dinheiro a TV Tupi. Mas a TV Tupi não tinha...
audiência ou espaço para entregar. Então, me tinha promissória. E você pegava? E eu pegava, a Turbina não descontava, eu pegava porque não conseguia descontar tudo que tinha, e eu ia descontar para mim. Mais ou menos de passagem. Quem resolveu a minha vida foi o Joel Lins Magalhães Lins.
diretor do Banco Nacional e empreendedor, financiou quase todo o cinema brasileiro. É mesmo? José Luiz Magalhães Nisse foi o mecenas da arte no Brasil. Poxa! E ele descontou meus títulos. Eu consegui viver com meus soldados. Durante três anos eu vivi recebendo um prolabore, de espera de lucro. Somente no terceiro ano é que veio o lucro demonstrado, eu pude tirar meu dinheiro.
Em 1970. Mas essa aposta que você fez. Em 1970. O Volta recebia o dele desde cedo, porque ele ganhava comissão sobre vendas. Ah, tá. Eu ganhava sobre lucro. Então, quando eu passei a receber o dinheiro de lucro... Três anos depois? Três anos depois, 1970. Mas você acreditava. Eu recebi o dinheiro de lucro quando a Globo assume a liderança brasileira. Tá. Três anos depois do nosso trabalho.
Nós havíamos dito ao doutor Roberto Marinha que em cinco anos nós colocaríamos a Globo em liderança, mas nós perguntamos a ele o que ele precisava de dinheiro e tudo, precisava pedir dinheiro emprestado, precisava do aval dele e tudo.
Então, nós dizemos para ele, o que o senhor quer que a gente faça? Nós temos menos de 30 anos. Ele falou assim, não, vocês é que me diam o que eu preciso fazer. Eu assino o que vocês mandarem. É mesmo? Se vocês quiserem fazer, eu faço.
Então foi assim que foi feito. Ele confiou demais na gente e nós pudemos fazer. Sem nenhuma interferência dele em momento nenhum, a não ser nos assuntos estruturais ligados à política, coisa do governo. Era dessa época os três mosqueteiros? Era dessa época os três mosqueteiros? Você chamava de três mosqueteiros? Era você?
O João e o... Não era no começo da... Não, era os três monquiteiros. É porque o Montoro, com a minha chegada, resolveu sair. Por quê? Porque ele era eu, eu e o doutor Roberto referiu a mim. Ah, tá. Então ficamos os três. Tá. Eram os três monquiteiros. Começamos a montar a estrutura da empresa. Mas qual era a tua ideia? O teu plano... O projeto era aproveitar...
Tudo que eu passei.
nas outras emissoras. Eu tinha aprendido que não se dá crédito para a repetitora como fizemos na TV Tupi. Nós não recebemos dinheiro dos associados nenhum. Você tem que pegar o dinheiro e repassar. Era o contrário. Esperava eles pagarem. Tomar um calote. Então quando chegaram na TV Globo íamos tomar calote também. O projeto comercial era o mesmo. Não dá certo. Não dá porque eu já me apanhei lá. Graças a Deus eu tinha passado por lá.
Mas as experiências que eu tinha feito no rádio, na televisão... Mas a ideia da grade, essa ideia é sua? A primeira ideia por que nós sentamos é que nós estamos aqui para fazer uma rede de televisão. É por essa razão que eu aceitei trabalhar... Que você tinha visto lá nos Estados Unidos... Eu já tinha conversado com o Walter 10, 15 anos atrás. Vamos fazer uma rede. Vamos lá para fazer.
Então, nós precisamos ter, como a gente não tem produção própria, porque a televisão brasileira foi a primeira do mundo a ter que produzir seu produto. Eu vi você explicando porque a americana tinha os estúdios de Hollywood que eles compravam. A poderosa indústria de Hollywood sustentava a programação da televisão americana. E a pessoa produzia...
Telejornalismo. E esporte. E esporte. E na Europa era estatal. A televisão era estatal. Então, a maneira de você poder operar essa quantidade de emissoras e receber o dinheiro para produzir com qualidade, era concentrar a produção em um lugar só e vender para a rede. E em vez de mandar o dinheiro...
para os afiliados tirar o dinheiro da produção antes e mandar o troco para eles. Sobrar. Não ficar dependendo deles serem cotistas de uma produção nas quais eles jamais pagariam como aconteceu nos diários associados. Exato.
Mas não tinha dinheiro, e aí como fazer? Aí fomos buscar, todos nós, com conhecimento de publicidade, fomos buscar nas agências de publicidade. Mas já vendendo essa ideia da rede ou não? Com a ideia da rede, já teve o Globo de São Paulo comprada. Porque nessa época o jornal não era nacional, era um jornal regional só que existia, né? O Jornal Globo era regional. Era regional, cada um fazia o seu... Era um jornal vespertino.
Não era nem matutino. Era um vespertino do Rio de Janeiro. E você já tinha ideia de fazer um jornal? O jornal era separado. Sempre foi separado. Nunca tivemos nenhuma interferência. O jornal era outra área. Nós apoiamos o jornal. O Marinho. Apoiamos a transferência dele de vespertino para o matutino. Apoiamos o Globo ser lançado nacionalmente. Mas o jornal... Nós nunca tivemos nenhuma interferência no jornal.
Mas de cara na Globo nós vamos procurar afiliados, antes de procurar anunciantes. Então nós vamos procurar a TV Gaúcha, a TV Liberal, emissoras no Brasil inteirinho.
montando a rede. Você fez parte disso? Eu fiz parte absoluta disso. Inclusive, todas as... Inclusive, a primeira grande afiliada TV Gaúcha fui eu que resolvi. Como que é uma negociação? Você tem que oferecer o que para eles? Como? Como que você ganha um afiliado? O que você oferece para eles? O primeiro é o seguinte, você tem que ver onde ele está localizado. A TV Gaúcha, que era uma das principais emissoras do Brasil,
Era filha da TV Excelsior que estava em decadência. Agora o pessoal da TV Gaúcha tinha ligação comigo, porque eu era muito amigo do Maurício Sirotsky. Então eu estava na TV Tupi ainda.
Mas fui ao Rio Grande do Sul, com Walter Clark e o Joe Wallach, negociar com ele a filiação da TV Globo. Eu consegui a TV Gaúcha ser filiado da Globo antes mesmo de eu chegar na Gaúcha, meses antes. É mesmo? Eu já estava de saída. Você já sabia que ia para lá? Eu fui lá. Foi a primeira, então? A primeira filiada total da coisa foi a TV Gaúcha.
Isso foi crucial, você acha, para a Globo? Foi, porque nós fomos montando a rede diretamente, a TV de Uberlândia e o Bach. Foi a primeira emissora que ficou com toda a programação. A TV gaúcha não tinha quase tudo, mas tinha parte. Mas nós fomos planejando a rede e nós fomos vender isso aos...
anunciantes através das agências. Agora você vai anunciar uma coisa e vai comprar o Brasil inteiro. Vai ter o controle da rede inteirinha, vai poder programar na rede. Nós vamos vender a rede e você vai ter garantia da exibição e nós vamos... Garantir isso. Nós vamos controlar essa exibição, nós vamos fiscalizar essa contribuição.
E assim nós fomos ao Cantar Machado, nós fomos para a minha própria Proene, McEnrickson, Thompson, Standard, nós fomos para todas as agências, eu em algumas, eu em outras. Vamos pedir ajuda às agências e aos clientes. Algumas agências até que compravam propaganda antecipada para nos ajudar, no caso do Cantar Machado, para vender depois para os clientes. Compramos, passo. Ela foi, do ponto de vista...
de produção, o que nos levou à viabilidade foi a rede. Entendi. Do ponto de vista de existência, o que nos levou à viabilidade foi o fato de nós sermos um veículo de publicidade.
liderado por pessoas que vieram de agências de publicidade, que o Walter também veio, nós éramos publicitários, criando um espaço para colocação de anúncios com qualidade, localizado, responsabilidade. Então, assumimos duas pernas. Primeiro, nós éramos produtores. E como produtores, nós íamos vender o nosso produto.
não alugar o nosso produto. E a segunda coisa, nós éramos agência de publicidade, é direito de publicidade. E nós temos que vender nosso espaço para as agências e precisamos das agências como parceiros.
para poder montar essa rede. Então, nós oferecemos a eles, publicitários, aquilo que eles queriam, um lugar para exibir seus anúncios de qualidade, com frequência, exibidos com fiscalização controlada. Então, essas duas coisas nos levaram. Uma tempestade perfeita. E uma parte central foi uma administração muito forte.
exercida pelo John Wallach, que era o seguinte, trabalhar com orçamento, planejamento, mesmo os empréstimos calculados dentro da nossa possibilidade de pagar. Dessa forma foi se montando uma empresa que a base dela foi uma estratégia e resultou num processo de três pilares.
E assim que ela foi... Três anos para estudar. À medida que foi aumentando a verba publicitária, aumentando a qualidade e a quantidade de produção. E à medida que nós íamos fazendo a produção, nós íamos fazendo a caixa.
da empresa para liquidar seus débitos. Coisa que nós fizemos e pagamos o time life. Mas tinha essa dívida ainda com a time life. Tinha essa dívida, era pequena. Hoje, se falar, eu vou dizer que não era nada. Na época era 3 milhões de dólares. Para a época? Há 60 anos atrás era muito dinheiro. Então, essa foi a... A grande virada, então. A virada que nós demos na...
Qual foi o primeiro produto Que a Globo Alcançou a liderança A Globo começou Aqui no Rio O primeiro produto de sucesso Foi uma novela Que foi Eu Compro Essa Mulher Uma novela Feita à noite Às 10 horas da noite Pela Glória Magadã E eu só E eu só
mesmo exibida em outros lugares, nunca ninguém tomou conhecimento dessa zero. A gente só funcionava aqui. Era Carlos Alberto e Ana Magalhães, que não eram conhecidos no resto do Brasil. Então, quando eu vim para a TV Globo, a primeira coisa que eu pensei, temos que fazer novelas, mas o elenco tem que ser nacional. Que funciona. Então, fui a que contratei a região do arte.
Foi que contratei Tarcísio Glória. Ele já era um nome de sucesso? Já era um nome de sucesso. A Regina Duarte, começando, ela foi indicada pelo Walter Avancini. Tarcísio I já tinha estourado na novela da TV Excélsio, mas estavam insatisfeitos.
com a qualidade dos textos e com a programação, eu vou conseguir trazer o Tarcígio agora, especialmente fazendo com que eles acreditassem no projeto. Nós não contratamos isso com dinheiro. Nós contratamos Tarcígio, Glória, nós queremos criar uma máquina que vai servir.
de oportunidade e a garantia de trabalho para o mercado técnico e artístico da comunicação brasileira. É isso que nós queremos fazer. Uma indústria. Nós vamos fazer isso aqui. E nós vamos usar os nossos business plan, todos eles na mão, para mostrar o que queremos fazer e tudo isso. E eu consegui, às vezes, até ganhar, ver menos do que estava ganhando. Tinha a vantagem da gente contar com salários atrasados da Excel. É. Então eu pude ir a resenhar.
não achia casado, estava precisando de dinheiro. A 17 não pagava há três meses. Então, por aí a fora, nós vamos... E tem uma história que... Ela estava com um personagem que aparecia maquiado, né? Exatamente. Como que é essa história? O personagem dela continuou lá. É, outra pessoa fez ela que ninguém percebeu. Eu tinha um nome engraçado, Pimpinela. É, alguma coisa assim. Eu tinha um nome engraçado. E continuou o personagem dela maquiado. Que ninguém percebeu, está todo maquiado.
E nós, primeira coisa, nós nos direcionamos, esquecemos o Brasil inteiro, nos tiramos para o mercado de São Paulo. Por quê? Porque era mais difícil? Porque lá estavam as agências, lá estavam as difíceis, lá estava 60%, 60%, 70% da verba de publicidade estava em São Paulo. Ganhando São Paulo, você ganharia o Brasil? Nós ganhamos São Paulo. Nós, em 70%, assumimos a liderança no Rio de Janeiro.
Em 1969, assumimos a liderança em Rio de Janeiro. Em 1970, assumimos a liderança nacional, inclusive em São Paulo. A TV Paulista era a quinta colocada em São Paulo. E nós, em três anos, colocamos a TV Paulista em primeiro lugar. Com novela, jornalismo. O primeiro grande sucesso de São Paulo foi uma novela.
O véu de noiva Depois Sangue e Areia Quem que eram os autores dessa época? Janette Clerc Ah, Janette Clerc Nós tiramos agora a Magadã Você teve vários problemas com ela Você tentou achar alguma coisa Ela tinha um poder muito absurdo Eu queria uma armadilha
É só explicar para o pessoal, porque o contrato dela era... O Magadã era uma produtora cubana que gostava de novelas cubanas e mexicanas, especialmente passadas em reis e rainhas, coisas desse tipo, fora da realidade brasileira. Ela, com isso aí, fugia da censura e podia apelar dramaticamente para coisas mais populares, e nós não queríamos isso.
Nós queríamos fazer uma remissora que fosse realmente de interesse dos publicitários, dos clientes. Onde o sujeito pudesse anunciar e saber que vendia. Mas pelo contrato ela podia fazer o que ela queria, basicamente. E eu estudei durante, acho que durante um ano. Eu li o contrato dela todo dia. Você deixava ele pendurado na parede? Na parede, atrás da minha sala, para poder mandar o Armagadão embora e eu descobri. Eu descobri que ela podia fazer o que ela queria.
menos dizer quantos capítulos foi a novela e menos dizer quanto tempo a novela durava. Isso estava na mão de vocês. Eu não estava no contrato. Era uma brecha. Eu escolhia a novela, ela dizia qual era o horário, ela não dizia o número de capítulos, mesmo porque ela ficava livre para esticar, para fazer. Então, isso não constava da novela. E nem dizer de que período a que período ia.
Então eu falei, olha, é muito simples. Se você estreia a novela hoje, eu determino que ela tem um capítulo só. E que ela encerra amanhã. Então a novela ficou especial. E os advogados dela falaram, é, ele pode fazer isso mesmo. Os advogados foram consultados e falaram, ele pode fazer isso. E aí o pacote sugeriu para ela, não aceite isso não. Nós queremos nos livrar dela, né? Você vai lá e bata na mesa e peça demissão bônica, que ele não vai ter coragem de aceitar.
Eu já tinha combinado com a empresa inteira, inclusive com o Walter. Ela chegou lá. Então eu me demito. Tá bom. Como? Você pediu, você me demitia. Você quer que eu fique algum dia? Não, eu não quero nada. Pode ir embora. Pode pegar as suas coisas. E embora agora. Vou lá pegar. Se me permitir, vou mandar um secretário. Não vou mandar o seu secretário ajudar você a ajudar. Saber que a sua mesa está vazia. Pode ir embora.
Ela que editou no Renato Pacote. Exato. Caiu na armadilha. E a Janete Clare já estava encaminhada. A Janete Clare já tinha acertado, resolvido a Anastácia, que fez um terremoto. A novela matou todo mundo. A novela era da... A novela era da Guadalhães, escrita por um autor indicado e supervisionado pela Guadalhães Magadá.
E a gente chegou e mantou, acabou. Num dia só, morreu todo o elenco. Um terremoto. Agora, no dia seguinte, foi grave. Por quê? A gente me perguntou, bom, aconteceu um problema. Eu matei o único cara que sabia o segredo. E agora? Eu tenho que inventar um outro segredo. E tem que achar esse cara em algum lugar. Ele sobreviveu? Eu tenho que ressuscitar o cara. O cara, na verdade, não morreu. O cara, não, ele tinha fugido. Ah, tá. Mas eu tive que inventar isso aí. Eu matei o cara que sabia o segredo.
São coisas da televisão O Irmão Coragem Vem depois disso? Vem depois disso e o Irmão Coragem Trouxe o público masculino pra televisão Era um cowboy Era um faroeste Faroeste Então ele trouxe o público pra televisão Que não saiu mais Era basicamente o público feminino E o homem tinha vergonha de falar que Raros assistiam Mas aí assumiram Tessizinho
Totalmente no Irmão de Coragem. Irmão de Coragem foi um sucesso nacional. Foi o primeiro sucesso em que eu senti que a Globo tinha tudo para ser aquilo que a gente imaginava. Dava quanto? Ele dava 40, 50 aqui em São Paulo e 60, 70 aqui.
Mas era Rio São Paulo E não tinha Ibope em outras praças Não tinha medição? Não, Ibope era só Rio São Paulo Se chegaram a dar 100% Chegou um capítulo, chegou a dar 100% Cara, que... Também chegou... O Oxanteiro também chegou O Oxanteiro e... Três novelas O Oxanteiro
Irmãos Corachi também? No Rio de Janeiro, Irmãos Corachi. É assim, toda a televisão... Os Outas Duas e Rio de São Paulo. Toda a televisão que estava ligada, estava ligada na Globo. Estava ligada na Globo. E aí a gente precisava ter uma ideia de como era no resto do Brasil. E aí? Por acaso, o Valen Sué me convidou para passar o envião da Bahia.
O Briciúrez era o quê? Eu era o contratado da Globo. Ele fazia um quadro na TV Globo. Fazia um quadro no jornalismo da Globo, antes mesmo do Fantástico. Mas aí ele me convidou para ir passar o Reveal na Bahia. Eu fui... A prefeitura queria... Os artistas e tal. Da Globo.
E achei um bom sinal. Para medir, né? Para medir. E para a prefeitura querendo, tinha a Casa da Excelsis também. E nós fomos, foi o Tarcísio, foi a Glória, foi o Francisco Coco. Mas na época de qual novela? Novela de Monsporante. Ah, no ápice de Monsporante. Mas nós não sabíamos onde ia ser Monsporante. E nós, no dia 31, saímos a procissão de manhã cedo.
nós saímos com o barco, mais ou menos, quantidade de 2 mil, 3 mil barcos, na Bahia de Todos os Santos. E nós saímos do barco, e de repente um barco, pequenininho, encostou na gente e reconheceram o Tancir e a Glória. E aí começaram a cantar. Irmãos, é preciso coragem.
O outro barco ouviu o canto e encostou. Daqui a pouco tinha uns 3 mil barcos cantando na Bahia de Santos e Santos. A música do Mão Scoragem. Você estava lá? Eu estava lá. De arrepiar o negócio. Eu estava com o Tassígio agora, chorando. É, deu certo. A Globo existe. E é nacional. É nacional. Cara, que história maravilhosa. A rede está pronta. Que história maravilhosa. Que história maravilhosa.
Contendo os dois livros, foi uma história com muita emocionante. E para eles? Porque eles também apostaram, né? Eles apostaram. Tassísio, Glória, Coco, Regina Duarte e Rosa Maria Moutinho. E viraram a cara da Globo durante muito tempo, né? Esses atores, atrizes. Caramba, que turma. E tudo isso passava por você em algum momento? Tudo passava por mim.
Por exemplo, planejamento? Ah, planejamento. A parte comercial participava. O Arce... E quando começou essa ideia? Nós tínhamos um comando, eram quatro pessoas. Na realidade. Porque o Arce, que era o chito de rua, de campo comercial, não participava.
chamavam-se comitê executivo. E o Paulo César Ferreira, que era o assessor do comitê executivo. Então, nós brincamos com o Paulo César, porque o comitê executivo, ele era assex. E ele, como ele era assessor, era assex da assex.
Mas aí, infelizmente, o Walter foi faltando periodicamente, e de uma maneira bastante desagradável para todos nós, ele nunca aparecia, saiu das reuniões, embora a presença dele fosse fundamental, porque foi o Walter que deu uma cortida nisso.
Mas aí começou isso repercutir mal, depois que teve uma briga pessoal com o doutor Roberto, ele foi aliviando. Na verdade, a postura do doutor Roberto em relação aos militares era uma postura de respeito, mas não de subserviência. Porque tem esse debate. Toda, quando houve a revolução...
O Estado de São Paulo, a Folha de São Paulo, o Ando Brasil, Correio da Manhã, todo mundo apoiou a Revolução. E todo mundo achou que ela ia durar meses. E com a morte do Castelo Branco, ela se eternizou. Mas a postura, alguns jornais assumiram a postura contrária à Revolução, foram censurados. Nós fomos também censurados, sem assumir nem posição favorável.
posição contrária. O Dersi Gonçalves era muito censurado. As coisas que às vezes pareciam um tipo de contribuição era censura pesada. A TV Globo era o veículo mais importante do Brasil e nós éramos os mais censurados. Você tinha que mandar quanto tempo antes o roteiro da novela. É importante, por exemplo, que a gente está falando aqui, lembrar desse período, porque quem deu a concessão para a Globo foi o Getúlio Vargas.
no tempo dele eleito. Sim. Depois, nos anos 45, 50. Não no... Não no período de ditadura. Quando o doutor Roberto malhava o Getúlio, ele caçou a Conceição. A Conceição, ainda no governo dele. Durou uns dois anos a Conceição da Globo, ela não fez nada. Foi caçada. Juscelino Kubitschek.
num jantar, num guardanapo, restituiu a concessão. Ah, é? Foi assim? E daí para diante, todas as emissoras da Globo, no Brasil inteiro, filiadas, repetidoras, todas elas foram compradas com dinheiro da Globo. O governo militar não deu um só canal, nem do interior, nem do lugar nenhum. Mas é uma mentira que é repetida, né? E mesmo o doutor Roberto disse, não, não quero.
Eu quero comprar porque eu não quero ser pressionado por uma coisa que eu dei. Posso ser pressionado por outros motivos. Pressionado porque eu recebi um favor, eu não quero. Não quero favores. Então, eu nunca recebi um favor, embora tenha ficado com essa pecha, porque nós fomos os mais censurados.
E como que era a época de censura? A época foi difícil para mim. Tudo era... Eu sempre gostei muito de planejamento. Mas eu tinha que planejar capítulos de novela.
para estar pronto, editado e entregue na censura 20 dias antes de ser exibido. E a novela é uma obra aberta. Eu precisava da referência do grupo, do grupo de discussion, para poder elaborar a novela. E ter que elaborar a novela com muita antecedência prejudicava a própria história. Então, foi uma coisa difícil. O próprio Rock Santeiro foi censurado, a primeira versão.
A Adersi Gonçalves tinha censura de o programa ficar tão curto que... A Adersi Gonçalves saiu da TV Globo porque não tinha mais o que ela fazer. Porque ela primeiro era ao vivo, ela fazia duas horas ao vivo. Depois ela passou a ser gravada. Começaram a cortar.
Aí passou por uma hora e meia, uma hora. E no último momento ela tinha 15 minutos de ter se permitido, porque não permitiu ficar com ela. E foi explicado para ela. O que é palavrão? O que é? Não, pela doação de cadeira de roda não pode. Porque ele estava dizendo que o governo é incompetente. Coisas desse tipo. Nada que tivesse uma lógica.
O palavrão já cortavam direto. Já não tinha uma palavrão. Já sabiam, né? Não tinha. Era qualquer atitude que ela tivesse, proteção a um candidato de esquerda, porque ele entrevistou um cara que não era candidato. É coisa dessa natureza. Ela teve que enfrentar isso aí. E a DC era tão inteligente, uma pessoa maravilhosa, uma pessoa talvez uma das mais importantes. Você conviveu muito com ela? Ela entendeu.
ela era, de repente, na TV Globo, nossa rainha. De repente, era a nossa demitida. Então? Eu fico nessa cara assim, eu sei. Eu não posso fazer, mas o dia que passar isso, você me traz de volta. Pode deixar, tá? Mas não deixa de ser meu amigo, não. Continua com seu amigo. A primeira oportunidade que eu tive, eu trouxe ela de volta.
Ela fez o que sou eu, ela fez várias outras coisas. Trouxe ela para fazer o teatro dela na televisão. A Globo deve muito algumas pessoas, entre elas a Dersi Gonçalves. E o Roque Santeiro, qual foi o problema? O Roque Santeiro, na realidade, era uma obra do Dias Gomes, uma peça, que ele fez o berço do herói. Era um herói que havia desertado de uma batalha.
E esse herói foi considerado morto. E a viva por cima ficou jovem, sem nunca ter sido. E esse herói tornou-se um símbolo na cidade. Fazia milagres. Todo mundo acreditava na imagem dele. Era um milagreiro. Então, quando... Chamava-se o berço do herói. O berço do herói que era na cidade.
onde ele tinha nascido, de onde ele desertou, mas tinha fugido. Na verdade, ele virou o santo da cidade. E aí os militares não gostaram dessa ideia. Essa peça foi proibida no teatro. E o Dias Gomes resolveu fazer, baseado nela, o Roque Santeiro, tirando a parte militar.
E transformando, em vez de um militar, num fazedor de Santos. Era um boxe artéria. Mas um dia o Dias, no telefone, contou para um outro senhor de esquerda, que era o Ferreira Goulart, e disse, estou fazendo...
o berço do herói na televisão sem que a censura saiba. E estava sendo grampeado. Estava sendo grampeado. E daí a nossa guerra com a censura foi mostrar que o Oxenteiro não era o berço do herói.
Já tinham os capítulos filmados. Tinha uns 30 capítulos filmados. Então. Não era o best-herói. Mas a discussão era essa. A história era baseada, mas a crítica aos militares não estava lá. E não estava mesmo. E eles foram levando a gente. Vamos ver amanhã, depois. Troca aquilo ali. E todo efeito de xerazade.
E eu tinha que trocar toda noite um pedaço da história. Mas ela chegou e euaram ou não? Não. Eu mandava essa história para mandar para eles e olhar de novo. E tinha data de estreia já ou não? Tinha data de estreia, já estava anunciado. Porque eles davam a impressão de que, melhorando, tirando algumas coisas... Ia passar. Ia passar. Mas a ideia deles não era liberar. Não, porque eles inventavam cada coisa que se tinha, inventavam outra. Era a mínima noite. Aí eu mandei o último capítulo.
E eles ficaram de responder. Era uma opinião. Fizesse isso, está ok. Fiz, mandei para eles e estava certo que eu iria exibir. E chegou aí, a novela ia lá às oito e meia, chegou às sete horas, um ofício proibindo a novela ser exibida em qualquer horário. E aí? Aí eu tive que pegar um selva de pedra e exibir uma reprise.
A sorte foi que o Dr. Roberto Marinho topou e dissemos o editorial no ar, até aquele momento no Brasil, se falava indiretamente em censura. Não era declarado? Não era declarado. O jornal publicava receta de bolo, não sei o que, dizia que estava sendo... Ninguém dizia isso. Nós estamos sob censura e vai sair em branco.
Então, fizemos um texto. O texto foi feito a... Submeteram esse texto à censura também? Não, submeteram. Compraram a briga? Compraram a briga. O texto foi escrito por mim, pelo Armando Nogueira. Na íntegra pelo Armando Nogueira, corrigido por mim, por algumas coisas, e pelo doutor Roberto e outras coisas. E o doutor Roberto liberou. O texto pediu, perguntamos, ele disse que queria que...
Mas não, não assustem o texto no ar sem assustar ninguém. Caramba. Eles não vão deixar. Faz direto. Então nós estivemos explicando ao público. Nós íamos exibir aquela coisa porque existia no Brasil a censura, que já havia censura nas novelas, que dessa vez havia proibido.
Uma novela inteira que nós lamentávamos, mas que nós estávamos... Nós produzimos uma novela que já tinha sido aprovada antes, que foi um sucesso, que nós íamos continuar batalhando para liberar o Voxanteiro. E foi para o ar. Não foi um sucesso danado. Não, não, mas... A reprise. Mas e os militares, a partir dessa declaração? Ah, os militares... Ficaram doidos. Contaram a relação com o doutor Roberto.
Mas o doutor Roberto... Figueiredo contou a relação. Ah, o Figueiredo. Gostava mais de cavalo do que pessoa, né? Mas o doutor Roberto ficou bravo contigo, falando que você queria destruir a emissora, não foi? O doutor Roberto, embora tenha autorizado, ele me disse que eu coloquei em risco a empresa. Que eu devia ter, embora ela puder acreditar que não tinha nada, eu não podia ter corrido o risco.
Eu fui tomar um frontal, né? Fui pra casa dormir, defendendo a TV Globo. Mas aí, no dia seguinte, ele me chamou na sala dele. Vamos assistir. Os capítulos. Vamos assistir. Eu tô com a pedida de assistir, chamar algumas pessoas. Ele chamou o Daniel Filho, chamou o Lima Duarte.
para participar no elenco, para assistir o senhor. Não. Chama o Daniel Filho só. O elenco não chama ninguém. Eu quero ver, fazer o meu julgamento. Quero ver até que ponto vocês fizeram meter um erro. O senhor lá, ele assistiu a novela, terminou ele com esse disparate. Por quê? Vocês tinham razão. Fui traído. Não tem nada. Não tem nada nessa novela. Não tem nada.
Desculpe o que eu te disse, eu errei, fui traído. Ele não tinha visto e achava que vocês tinham pisado na bola? Ele achava, ele acreditou na última hora, ele não acompanhou a luta. Nós estávamos brigando, ele não soube do exame, nem pediu para ele ligar lá para liberar.
Essa história do Bacchantino, o Aguinaldo. A partir de agora, se não tiver aprovado 20 dias antes, não chama nem por nós. Porque nós sempre fizemos. Dessa vez, eles nos enganaram. Porque eu perguntei se podia chamar. O cara disse que mudando isso, pode. E foi mudando, mudando. Não tinham intenção. Essa história... E aí, depois, mais tarde...
Quando nós estávamos, em 1910 anos depois, nós estamos procurando uma novela e o outro, Lara Rezende, nós estávamos almoçando. Nós temos até esquecido a imagem tão desgastante da novela, do Rock Santeira. E o Rock Santeira, todo mundo pulo na mesa. É mesmo? E o Rock Santeira.
Aí saímos correndo. A Jeanette Clare, para substituir o selva de pedra, escreveu as peças Pecado Capital. E foi um dos maiores sucessos. Ela não tinha nenhuma novela na mão.
numa segunda-feira, e a novela estreou 15 dias depois. Recurtamos o Salva de Pedra, e estreou o Parcato Capital, com a música do Palminho e da Jola, e foi um sucesso absoluto, um dos maiores sucessos da história, e o maior sucesso que as outras coisas anteriores, se você considerar a audiência nacional. É? Um sucesso total.
Foi sempre para a gente uma coisa sofrida. Eu entrevistei o Aguinaldo e ele contou a história do Roque Santeiro. Depois ele foi chamado para escrever porque o Dias Gomes não quis fazer de novo o Roque Santeiro. Foi isso? É, teve um momento que a pressão da censura ficou tão grande. E o Dias Gomes não quer passar por isso. É o que eu escrevi.
ou é outra coisa. E o Aguinaldo, o senhor deu de letra, porque ele pegou, ele deu um drible na censura, continuou com a história todinha, fez uma... chamar para o humor, fez um negócio, de tal maneira que no final...
O Dias falou, eu quero escrever o final. E o Gualtano falou, não, agora não escreve. Fogo de escrever lá. Mas, na minha ligação pessoal com o Dias, eu tive que contrariar. Fogo de nada, o senhor falou, o Dias vai escrever o último capítulo, afinal, a história era dele.
Então ele escreveu o último capítulo. São coisas emocionantes que a gente vive no nosso dia a dia. A Santeira foi um sucesso absurdo. Regina Duarte e o Lima Duarte fez o mesmo personagem que ele fazia na primeira versão? Fez o mesmo personagem.
Mas mais cômico. Mais cômico, porque ele inventou um negócio lá e quem ia fazer a primeira vez a viva porcina, que faria bem, era a Bete Faria. Ah, não era a Região do Arte. Mas a Região do Arte resolveu fazer uma coisa que ela...
mesmo determinado de operístico. Uma ópera, uma coisa louca, desvairada. Não era assim. Não era originalmente assim. O personagem era um personagem sério. A Bete estava fazendo muito bem. Mas essa loucura da Viola Porcina Louca, quem inventou foi a religião do arte. E quando que ficou essa pecha da Globo, dessa qualidade, o padrão Globo? Quando que surge? Foi por causa das novelas?
da grade, para o jornal? Acho que a grade, a qualidade de jornal, bem feita. Nós compramos, eu comprei pessoalmente, tudo que for necessário, câmera de rua. Porque antes era feito... O jornal que dominava na época era o Repórter Esso, que era escrito nos escritórios de uma agência de publicidade, que era a Macanection, e vinha num rolinho, e o cara vinha lá na estação que ele podia ilustrar.
daquele rolinho que veio escrito imprensa escrita pela imprensa escrita pela agência pela macan vinha o material num rolinho
o gatinho com o do Rex, que era o texto do jornal inteiro. Aí o antigo Teodoro abria aquilo, e a pessoa procurava junto com a redação ver fotografias, filmados, filme mudo, para ilustrar aquilo para aparecer no jornal. E nós viemos para o jornal ao vivo.
um texto ao vivo, um texto ao vivo, e eu decidi pessoalmente colocar em cima do Repórter Esso. Porque era tão mal feito o Repórter Esso, que eu falei, vamos fazer um jornal com um repórter, com pessoas falando da rua, com não sei lá, vamos matar o Repórter Esso. O pessoal não sabe. Aí o pessoal, volta, você acha que teve muita resistência? Um ano, um ano a gente mata. E um ano o Repórter Esso foi do ar. E foi isso mesmo? Foi.
E o desafio de fazer nacional o jornal? Porque era regional, né? Exatamente. Essa briga foi muito importante. Essa briga, o Maurício...
porque ele foi o primeiro a reagir contra. Eu tenho meu iniciante aqui, eu digo, você vai voltar no outro horário. O Jornal Nacional, ele viajava muito. É como se fosse um Infini News, os Estados Unidos. Vamos falar com o Brasil inteiro. E você, quando fizer a notícia do Rio Grande do Sul, vai estar no Brasil inteiro. E você pode fazer a notícia local em outro horário. Você não vai perder. Vai fazer em outro horário.
Ele disse, pois é, embaixo dos jornalistas americanos, que eu sempre fui fã, assisti. Pois é, não, você tem razão. Eu sou a favor. A TV, a Uxa vai entrar na Zona Nacional. Digo, olha, alguns que já tinham aceito, mas tem outros que estavam brigando. Que não queriam. Ele falou assim, se você quiser, eu falo com meus colegas afiliados, que não estou querendo fazer. Isso aí o jornal ia ser em setembro. Nós estávamos ainda no meio do ano.
E daí ele me ligou, o Maurício disse assim, olha, meu aniversário, era junho ou julho. E todos estão de acordo, vai ter informação, vai estar todo mundo. Já assinei acordo, assinado, todos vão assinar. Tem um ou dois caras que tem problema com anunciante, que não pode entrar em setembro ou vão entrar em janeiro.
Mas são casos raríssimos. Nós vamos entrar com 95% da rede. E foi uma ajuda grande para a gente poder... Porque havia uma resistência. Então o Jornal Nacional foi para o ar. Primeiro que não queria fazer o Armando Nogueira, que é do nome. Por quê? O Banco Nacional, o Jornal Nacional. Ah, para parecer que era comprado. Eu não vou fazer o Jornal que tem o nome do banco. Mas é assim que fala. A Vida do Jornal Nacional.
É uma coincidência. E o banco não vai interferir. Se o banco interferir, uma coisinha eu paro. Se interferir, qualquer um interfere, você para. Vamos fazer o nosso... O Arce, o nosso só foi pro Ar porque o Arce arranjou dinheiro no Banco Nacional. A gente queria fazer, mas não tinha dinheiro. E o Arce falou, se eu arranjar o dinheiro, vocês fazem? O diretor comercial acabou resolvendo o problema jornalístico. Então ele conseguiu o dinheiro.
Então nós tínhamos que fazer. Nós queríamos fazer. Então ele com a grana na mão, ele decidiu isso aí, março, abril, e em setembro estava no ano final. Boni, e tem uma coisa que eu acho revolucionária na TV, que foi a ideia do Fantástico, de você ter uma revista que mistura...
música, humor, parece que é um recorte de toda a programação da Globo, eu não sei se já existia esse modelo em algum lugar, saiu da tua cabeça, qual foi a ideia do Fantástico? Esse recorte eu nunca vi em nenhum outro lugar, tanto que o pessoal lá fora comprou até esse formato nosso. E outros usaram sem comprar também, né? Com a saída do Chacrinha,
Posso fazer uma parte do Chacrim, então? Eu precisava de dois programas.
Um para a quarta-feira, porque o Chacrinha tinha a discoteca. Era a quarta? Era a quarta. E o outro no sábado, quando ele tinha, no domingo. No domingo. Porque ele tinha a vozinha. E eram programas que davam audiência. A audiência. A discussão do Chacrinha. Nós éramos muito amigos e tal, mas chegou um ponto que eu não podia mais continuar com o programa. Não pelo personagem do Chacrinha, mas pela qualidade do programa.
Estava muito apelativo. É, apelativo pelo temperamento dele. Ele imaginava que a gente queria prejudicar o programa, mas na realidade a gente tinha imensa participação em tudo que ele fazia para ajudar a que o programa fosse melhor. Entendi. E eu tinha uma admiração muito grande pelo Chacrinha. Mas aí o desenhasse.
Mas o Estopim foi aquele médium que ele trouxe, aquela incorporação? Na realidade, aquilo foi um pretexto. Ah, tá. Já vinha desgaste... A gente já vinha tendo problema que ele já vinha atrasando o programa. No negócio do médium, né? Joãozinho, não sei como é o nome dele. Mas de qualquer forma, ali foi um momento de máximo desrespeito e desobediência.
Ele não podia aguentar. Ele fez aquilo, sequestraram o Sr. Sete da Lira. Verdade, essa história mesmo. Ele ia para o Flávio Cavalcante. Que era o concorrente no horário? No horário. E eles resolveram dar um dinheiro para o Sr. Sete da Lira. O Sr. Sete da Lira virou chacrinha. E ele receberia esse dinheiro e depois eles liberariam ele. Daria tempo de ele fazer o Flávio Cavalcante.
Mas o pessoal, esperto da época, deu só o dinheiro para ele, como também se a gente arranjou um jeito de fechar o trânsito. Ele não podia sair.
Para não chegar. Para ele não ir, o Flávio, foram atrasando a entrada dele. Sim. E fecharam os adibotânicos inteiros. Arranjaram carros. Fecharam os carros dos amigos. Olha só. Arranjaram 200 carros. Não saíram nada lá. E o castanho já vai, já vai, que está esperando o trânsito. E assim foi. Bom, como houve uma desobediência, eu tirei o problema do ar.
Mas não é só isso, o programa também atrasava, né? Quando eu tirei o programa do ar, ele estava, perdão, 15 minutos atrasado. Era para entregar ou para outra atração? Era importante para a gente. Claro. Já vinha uma edição para o Flávio Convocante. E o próximo programa era um programa importante para nós, porque era um programa de cinema e rendia faturamento mais até do que o já queria. Entendi. Então, houve uma briga, foi inevitável, mas eu tinha que resolver essas coisas, né?
Então, eu precisava de tempo para ter um programa novo. E esse programa foi o seguinte, eu vou fazer um domingo, tirar o foco do domingo de programas de nível mais baixo. O que tinha, né? Subir o programa de nível, tirar o programa da classe CD. E jogar um programa para a classe B. E a saída do Chacrinha era sempre pensada, mesmo antes da briga.
Era sempre pensado que um dia nós teríamos que fazer isso. Então, quando ele saiu, eu não estava preparado para a saída dele. Demorei mais ou menos dois, três meses para fazer um programa novo. E eu pensei assim, vou botar toda a força na Globo. E também tudo o que faz a televisão. Humor, dramaturgia, jornalismo. Musical. Musical. O que tiver na televisão.
vai estar nesse programa. Primeiro porque vai dar para o público de domingo uma visão geral do mundo, do que existe na vida. Vai ser um programa que vai fazer com que o domingo não seja essa coisa abandonada, de calor, nem jornal não tem, não tinha informação, vai ter informação e vai ter entretenimento de alta qualidade.
E montei o programa, um programa que foi totalmente montado. Eu chamei as pessoas, uma a uma, e depois eu apresentei a todos eles o conjunto da coisa que eu tinha feito. E explicando o programa, que era um mosaico, com tudo que havia de melhor e possível na televisão, eu falei, o Bosco, que estava na reunião, mas isso é fantástico.
Ah, porque não tinha esse nome, né? Não, era o show da vida. Eu tinha pensado no show da vida. Pensava na vida como tudo tem na vida. Eu disse, então agora vai ser fantástico. Aí o pessoal, mas o show da vida é muito bom. Então é fantástico o show da vida. Pronto, fica os dois. Fica os dois. Então o fantástico nasceu com o objetivo.
primeiro, de dar para o público um domingo de melhor qualidade. Segundo, ele dá ao anunciante uma possibilidade de ele atingir um público de nível melhor. E terceiro, tapar o buraco do sacrinha. Mas esse era o terceiro. Na realidade, ele nasceu assim. E foi um sucesso tanado, que todo mundo entendeu.
Ele já começa com Chico Anísio, com todo mundo? O auge do Fantástico foi no primeiro dia. É mesmo? Já entrou com todo mundo, Santa Bré, Chico Anísio, quatro clipes musicais que ainda não existiam na época, não eram comuns aqui no Brasil, a dramaturgia. Tudo que o Fantástico teve de melhor, ele já teve desde o primeiro dia. Ele só entrou no ar.
Quando eu senti, eu tinha todas essas coisas na minha mão. E ele foi sucesso logo de cara ou ele demorou para pegar? Eu assisti todo o primeiro dia. É? Foi uma coisa, assim, alucinante. Porque... Era uma necessidade que o público tinha que nem sabia que queria. Eu montei o programa, tudo bem, espera que fosse bom, você tal. E aí, de repente, você sabe, eu nem na emissora estava no primeiro programa. Não? Que eu montei, deixei lá.
Mas eu queria vir de casa. Ter experiência como espectador. Como espectador. Eu passei na casa de um amigo meu, minha família, eu nunca imaginei isso. Estavam todas as pessoas da casa, mais de 20 ou 30 pessoas, sentadas em volta da televisão. Por exemplo, hoje vai estrear o Fantástico. Porque é um negócio novo, um negócio que todo mundo está querendo ver.
Então vocês fizeram esse esquenta, essa preparação para esse produto. Exatamente. Quem que apresentava no começo? Não tinha, no começo não tínhamos apresentado. Ah, não? Não, nós chamamos cabeças. Foi uma ideia do Newton Travesso. Para a gente, em cada assunto, ter uma pessoa apresentando que tivesse a ver com aquele assunto. Entendi. Nós tínhamos vários atores, atrizes, jornalistas, e o Manuel Carlos escrevia um texto.
de forma que um assunto não fosse isolado do outro. Uma ligação entre... Uma ligação entre... Não, costura. A música tinha alguma coisa a ver com... A música já contava o que era o conteúdo. Tanto que eu pedi para alguém fazer a música, procurar a música, ninguém conseguiu fazer. Eu tive que fazer, porque eu sabia o conteúdo. Então eu fiz a... A letra. A letra. E o Guto Graçamelo...
Fez a melodia. Aliás, ele fez primeiro a melodia e eu depois botei a letra na melodia dele. Ah, já tinha a letra. Ele fez a melodia. Foi assim. Nesse dia que nós assistimos, está todo mundo notado e interessante. Até o final do programa, ninguém arredou pé. A audiência ficou estável. A casa que eu fiquei vendo, estável, todo mundo gostando, no dia seguinte, igual que não é hoje, é online.
Recebi o Ibope no dia seguinte. Ah, só no dia seguinte. Então, no dia seguinte, à tarde, eu nem almoçava, eu estava nervoso. Estava nervoso. Nada, estava passando mais fome do que hoje. Olha só, coitado. E aí, quando veio a audiência, nós esperávamos um programa. O Chacrinha dava 25, 30. Você esperava o quê? Eu esperava um programa de 20, 20 pouco, mas como ele ia desclassear, melhor, e já era mais interessante para a gente.
No primeiro dia o programa veio com os 58. Caramba. Primeiro dia. Olha só. E depois a gente ficou nessa média. Enquanto ele foi o Fantástico. Depois mudou o Porta Ração. Virou outra coisa. Mas enquanto ele foi o Fantástico, era um programa que trabalhava na casa dos 50. Quem entregava para ele eram o Trabalhões?
No trabalho, porque, numa época, os trapalones começaram a incomodar a entrada do Fantástico. Não ganhar do programa, é um outro horário. Os trapalones viram para o ar e davam tanta audiência na Tupi, que o Fantástico, em vez de começar com 30, começava com 18, 20. Ia crescendo, ganhava deles. Mas demorava para engatar. Mas demorava para subir.
Então eu trouxe os trapalhões para a sua. Mas já era trapalhões na Tupi ou não? Já era trapalhões. Era? Trapalhões. Eu trouxe trapalhões, não tinha projeto.
Não ia perder o Fantástico. Mas aí, na Globo também. Ele veio como pilastra. Mas na Globo ele aumentou a audiência. Ah, ele ia fazer 18 lá, 19. Eu comentei quando entrevistei. Ele veio para 30, 40. Eu comentei com o Renato Aragão. O Trapalhões, eu acho que era o único programa que juntava criança e adulto assistindo junto. Porque o adulto já queria esperar para o Fantástico e assistir a família inteira.
Funcionou. Durante muito tempo essa estratégia funcionou. E vocês concorreram? Nessa época vocês concorreram com o Silvio Santos também? No domingo a gente sempre concorreu com o Silvio Santos. Até seis horas da tarde, cinco horas da tarde, o Silvio era imbatível. Nós perdíamos ele. Nós só viemos a ganhar no Silvio Santos quando o Faustão...
Veio para a Globo. Ah, bem depois, então. Então, o Faustão ganhou desde o primeiro dia. É? O Faustão entrou ganhando o Silvio Santos. O Silvio Santos era líder absoluto. Absoluto. E onde ele fazia programa, ele dava audiência. O Silvio Santos sempre foi. O Silvio emprestou dinheiro para a Globo? Prestou dinheiro para a Globo. Quando a Globo começou, ele falava que estava falido. Não tinha dinheiro, não tinha para pagar a Folha. O Rio de Janeiro conseguia pagar a Folha.
com uma certa dificuldade, em São Paulo, com muita dificuldade. Então a gente pedia ao Silvio que ele comprava o horário, ele antecipasse. Ele não emprestou dinheiro, mas antecipava o pagamento. Dois anos na frente. Sério? Para a gente ter muito dinheiro para fazer alguma coisa. E o Silvio foi importante também, no sentido do seguinte, eu precisava promover a novela.
A audiência de São Paulo era muito ruim no Canal 5, só quem tinha audiência mesmo era o Silvio, em São Paulo. Então eu pedi a ele para levar o elenco da novela, para ele promover, no domingo antes da segunda-feira. E ele me dava duas, três horas de programa para ajudar, sem cobrar nada. Olha só, isso eu não sabia. Foi importante, ele ajudou a Globo a se consolidar em São Paulo.
E a figura do Chico Anísio? Você estava envolvido também? O Chico Anísio, desde cedo. O Chico Anísio é uma... A vida de vocês, ela cruza algumas vezes? É isso? Eu conheci o Chico Anísio ainda na Lintas. Como? Nós tínhamos um programa da Lintas patrocinado pela Lever, chamado Levertimentos. Era escrito pelo Haroldo Bagosa.
Pelo Estadional Pão de Preta. Do FBAPA. Ah, exatamente. Festival de Besteiras que Assolam o Pai. É, é, é, é. Ele escreveu o programa. É? E, ah, o, nós precisamos de alguns quadrinhos e tal. E o Haroldo Barbosa, eu vim aqui um dia no Rio, nesse momento nós estamos falando, ele falou que eu tinha 22 anos de idade. Chico, eu devia ter 18, 19. Ah, são mais ou menos... São da mesma idade. Tá.
Mas ele era famoso já? Ele era o Chico? Ele fazia uma prova na Rádio Marinha que veia. Era bom, mas não era famoso. Ele tinha tentado ser locutor esportivo. Sério? Ele tentou ser locutor, perdeu para o Silvio Santos no concurso. Ele ganhou. Ele perdeu para o Silvio? No segundo lugar como locutor. E aí o Auronco Babosa me apresentou. Esse rapaz aqui é um talento imenso. Você precisa conhecer.
Ele pode ajudar a gente a fazer os quadrinhos do programa, melhorar o programa. Então nós saímos, existe uma coisa onde o bonde fazia curva no final da Rio Branco, na Galeria Cruzeiro, que era uma choperia cujo bonde passava do bando de dentro. Então vamos vir andando. Ele fazia uma curva mesmo? Coberto, no bar. Passava na parte coberta do bar, assim por dentro. A galera já saltava. Passava o bar aqui, passava o treinar.
Aí chamou o Chico para a gente conversar. E o Chico chutou assim, muito quieto, falava nada. Aí eu comecei a falar da necessidade de renovar, de fazer coisas brasileiras, de ter um pouco de crítica. Aí ele gostou, tomou isso aí e ninguém falou mais nada.
2, 3 horas lá, ele falando as coisas dele, o que ele queria fazer. Ele já tinha os personagens? Ele já fazia um personagem lá. Mas não tinha ainda, o Raimundo ainda não tinha. O Raimundo ele fez depois. Mas eu fiquei muito animado com o Chico. De forma que quando eu vinha ao Rio, eu sempre chamava o Chico para tomar um chopinho. Para beber, inclusive, da criatividade dele. Então a minha amizade com o Chico vende.
de 1957, nós estamos em 27, são 70 anos de amizade. eu acompanhei o Chico. Depois, o Chico foi para a TV Rio. Ele foi para a TV Rio e ele que deu a ideia para Walter Klaff de fazer a linha de humor, que era a mesma linha da Rádio Marinho que veia. Cidade se diverte, a mesma coisa exatamente.
E foi um sucesso na TV Rio, mas foi uma sugestão do Chico Anísio. Me chamou para fazer algumas aberturinhas de programas. Eu fiz a abertura da Vila dos Dávila para ele, que era um dos programas da TV Rio. E sempre a gente... Mas fazer abertura é o quê? A abertura de um programa musical. Ah, a parte musical. Eu fiz ele. Essa Vila é a dos Dávila. Era uma abertura musical.
E sempre conversando com o Chico. Em 1963, quando o Chico voltou para a TV Rio, ele me convidou para dirigir o programa dele. Qual era? Era o Chico Anísio Show. Já era o Chico Anísio Show. Ele começou na TV Rio, foi para a TV Excelso e voltou para a TV Rio. Mas a minha função na TV Rio, ela é ser diretor artístico.
E acabamos acertando a sugestão desse trabalho. E o Chico não se acostumou, foi pressionado para voltar para o Celso, voltou para a TV Celso. Em 1966, o Chico me chamou, ele tinha sido convidado para ser o diretor artístico do Telecentro.
Ele me disse assim, eu não tenho capacidade para mexer jornalismo, telematurgia, eu posso mexer em humor e tal, mas mesmo assim eu não quero dirigir um depósito de humor, eu quero fazer o meu programa. E eu então indiquei você, o Imundo Monteiro e o Calmon, para você vir para o Telecentro. Então eu fui para o Telecentro, o Gico Inês.
vim aqui para o Rio, com uma família que cai em São Paulo, chegou assim, vamos fazer uma república, vamos morar juntos. Então fui eu morar, eu e o Robertinho Silveira, Chico Anidio, morando juntos, o Gustavo Sampaio, durante o longo, ele havia acabado de se separar da Rosa e do Rondelli.
Solteiro. Três solteiros. Três solteiros. Nossa. E fomos morar na na na Gustavo Sampaio. Tem história então. Eu achei o seguinte, vai ser divertido porque o homem já tá, vamos dar risada nessa com o chimpanejo. O diabo era depressivo. Sério? Deve morrer.
Então, a gente começava a falar de programa, e eu falava, se você quer falar de programa de humor, vamos falar um pouquinho da vida. Ele era depressivo. Reclamava de tudo. Da pobreza, da miséria, da política, da televisão, do rádio, do jornais. Nada divertido. Nada, nada. Divertido tinha os nossos encontros com as nossas namoradas. Aí era divertido.
Era muito divertido. E aí ele se tornava engraçado. Nós morávamos juntos, fazendo programa, discutindo coisa, e com códigos de entrada no programa, porque, eventualmente, uma namorada podia ser a mesma do outro. Ah, é? Então tinha código? Podia ter a coisa. O negócio do código era o seguinte. Você chegava na porta e tocava campanha. Se ninguém respondesse, você ia embora.
Ah, porque tinha gente lá Se tivesse alguém lá Ou tinha um de nós três Ou tinha empregada
Quando tinha aparecido, ele mandava o empregado embora. Ah, entendi. Se o empregado atender, ele entra. Aí pode entrar. Se for muito urgente, a gente vai embora para os quartos, se for urgente, se necessário. O senhor Chico está fazendo trabalho na TV, ele não está aqui hoje. Então, você pode ligar para o senhor Chico?
Eu espero aqui. Diga para ele que eu preciso urgente fazer uma coisa no apartamento. Se eu posso entrar. Mas eu estava olhando com quem? Era hóspede do apartamento, mas eu não era dona.
O Chico era muito triste. Mas era um gênio, o maior gênio da televisão brasileira. E para trazer ele para a Globo, como foi? Olha, nós estávamos juntos na Tupi, ele que me levou para o Telecentro. E a primeira pessoa que eu queria trazer para trabalhar comigo, eram duas pessoas, o Daniel Filho e o Chico Anísio. O Daniel Filho logo conseguiu uma verba para ele.
Como diretor. Como diretor. Ele veio inicialmente para dirigir uma novela. Depois ele assumiu a Central Globo de Produção. Ele chegou a fazer a novela ao mesmo tempo. Depois ele recebeu a novela. Ele veio para dirigir Rainha Louca. E depois ele assumiu a Central Globo de Produção. Na verdade, o Chico Anísio começou a trabalhar com a gente para o cachê.
Eu tinha um programa de humor. Eu chamava o Chico Inês, o colega linha que eu tinha rajado. Não tinha dinheiro para pagar o Chico. Então, olha aqui, vai fazer isso aqui. Ela dava um dinheirinho para ele. E ele ficou assim. No dia que o Chacrinha foi embora, eu passei a ter dinheiro. Nós pagávamos muito caro o Chacrinha. E aí abriu o quarta-feira, né? Eu tinha dinheiro. Eu não queria botar o Chico no Chacrinha.
Eu não queria fazer essa experiência. Eu queria brigar com o Chacrinha na quarta-feira. Era música, queria brigar com música. Ah, tá. Então, criamos o Globo de Ouro. Mas o... O Roberto Carlos. É? O Roberto Carlos apresentou. O Roberto Carlos. E ganhou do Chacrinha. O Roberto Carlos fez uma gentileza para mim. Ele só tinha que fazer um programa por mês como convidado. E ele veio como apresentador durante dez semanas. Com uma certa relutância. Ele queria muito bem o Chacrinha.
Mas ele veio e liquidou, sabe? Roberto Carlos com o Lobo de Ouro, com todo aquele elenco que a gente tinha. Nossa! Liquidou, sabe? E depois do Roberto Carlos, quem apresentou e foi muito bem também, com sucesso, que foi embora cedo, Lauro Corona.
Verdade. O Laurinho Corona apresentou. A Miriam Rios não apresentou. Continuou o mesmo modelo de audiência. A Miriam Rios chegou a apresentar com ele no Globo? A Miriam Rios apresentou com o Roberto Carlos. E aí que eles se conheceram? Ou já eram o cachorro? Eu que apresentei a Miriam Rios. Eu que escolhi ela como apresentadora. E ele era simplesmente a apresentadora. Começaram a gravar o programa junto, participar junto. Começou aí. Pois é, porque ela contou lá no programa. Ele conheceu quem apresentou foi eu.
Mas a gente passou esse... Eu fiz com a ideia, então, para qual dia, para qual horário? Eu pensava no Chico na quinta-feira, ou na terça-feira, no dia da semana. E o dia que o Shaquinha saiu, no mesmo dia, o Chico estava fazendo uma turnê no Recife. De shows. De shows.
Eu liguei pro Chico. E ele ia fazer sucesso em chatear. Chico, eu tenho uma notícia pra você. Eu tenho dinheiro pra te pagar. Ele falou assim, é, é. Pra quando seria isso? Eu digo, assim que você terminar o show aí, ou castelo, ou faz qualquer coisa, vem pra cá. Eu quero lançar você urgente. Eu não podia deixar um buraco. É, na programação. Na programação.
Eu tinha um especial americano que eu mudei de dia, precisava do Chico. Então eu não vou aí, o Chico só quer uma coisa, me dá um número.
Pra você poder vir pra cá realmente Eu não sabia que eu pago você Você pediu o número ou ele pediu? Eu pedi pra ele, me deu o número Você não vem aqui à toa, eu posso te pagar, eu sei Mas eu não quero te pedir não Não, não, não, não escolhe você Tudo bem, eu vou ver o número que eu tenho aqui Vou botar um número bom Você precisa vir aqui, assinar o contrato Assina por mim, ele falou Assina por mim
Não, você assina pra mim aí. Tá assinado em branco. Assina aí. Quando eu votar, eu assino com testemunho aí. Caramba! E foi isso mesmo? Foi. Perfeito assim. É muita confiança, né? Ele veio. Nós tínhamos... Ele já tinha me indicado pra ser chefe dele na Tupi, né?
De forma que a gente tinha essa amizade. E a grana era boa, no final das contas? Metade da grana era o Chacrinha. A metade eu usei para fazer o Globo de Oda. Chacrinha e o resto... Deu para fazer dois programas? E mais um Chacrinha fantástico. É verdade. Com dois Chacrinhas eu fiz três. Nossa! Deu para resolver. Melhoramos o nível de classe B, de classe social.
melhoramos a programação e tornamos uma coisa um pouco mais sólida, no sentido de variedade, mais diversificada. Como chamava esse primeiro programa dele? Chicanísio. Chicanísio? A primeira coisa que ele não quis colocar Chicanísio Show.
que foi um programa que ele usou na TV Celso, e depois usou na Tupi também, foi chamada Chico City. Ah, já vai como Chico City. Nós fizemos uma cidade... O cenográfico, no Nordeste, né? É, eu já fizemos uma cidade. Toda aqui passava uma cidade onde o Chico, ele era não só personagem, mas era prefeito.
Então o Chico City era muito bom. E foi sucesso também. O Chico foi total, o Roberto Carlos estourou do lado e o Fantástico é muito bom. O Chico Anísio é um cara que, se nascesse nos Estados Unidos, era a lenda mundial. A criatividade do Chico Anísio era muito grande. E a capacidade do Chico Anísio como ator... Nossa, cara, um personagem não tem nada a ver com o outro. Nada a ver com o outro.
Não é aquele cara que imita ou faz personagens que todos são meio parecidos. É absurdamente isso. Os Jô Soares são muito bons, todos são os Jô Soares. É, exato. Os Jô Soares, o Jô Soares de mulher, os Jô Soares de barba, os Jô Soares... Agora o Chico Onísio não. Não, não é muito. É um ator, mesmo por uma dramaturgia coisa séria, né? É. Ele foi... Não, ele era muito bom ator. O Chico Onísio fez uma besteira.
De casar Várias vezes Não, em Quar Quazém Ele casou tantas vezes Que a primeira era a pensão do catete É mesmo? Ele ganhava para pagar as pessoas Era a rua do catete Cara, que absurdo
Que força da natureza que era aquele cara. O Chico é muito bom. O Chico... E no Fantástico também, ele arrebentava, né? Arrebentava. Textos do Marco César, textos dele, muito bom. Uma pena ter perdido. Ele não conseguia mais...
falar com as pessoas e com os médicos e eu dei para ele um iPad. Ensinei ele a usar o iPad para ele se comunicar mais facilmente. E saiu o som mesmo assim? Não, não falava. Ah, escrito mesmo. Escrito. Falaram escrito no iPad. Então no final ele se comunicava pelo iPad? Aí ele... Dizia assim, vou deixar um...
Vou deixar uma mensagem para você. Esquenta aqui no iPad. Poxa. Eu falei, deixa lá. Ele morreu, eu não vi o iPad. Mas um dia a mulher dele falou assim, olha, estou com o iPad do Chico. Você fica com ele e eu mando apagar. Eu não quero saber o que ele escreveu. Sério? Eu não quero saber.
Você não sabe até hoje? Não sei até hoje. Cara, vai atrás desse iPad, pelo amor de Deus. Eu achei que você falava. Eu ia me mover para sempre. Eu não quero saber. Ele terminou de ir embora, morre com ele. Ele está falando, vai ser a senha de um cofre.
Ele deixou dinheiro no esticô Não, eu não pensei nisso Não, eu estou brincando Ele não deixou não Porque ele morreu com dificuldade Foi sempre vítima das pessoas Muito generoso E outra coisa De uma ingenuidade
Fora do mundo. É mesmo? Com aquela inteligência ingênua. Passava ele para trás. Passava ele para trás. Fizeram foto de táxi com ele. Sério? É. Foi onde ditou a foto de táxi. Corrida de cavalo. Comprou um Aras. Sem saber? Sem saber o que era. Ai, caramba. Um amigo dele. Não sei se você quer dar dinheiro e tal. Me ajuda. Tá bom, mano.
Esse é o Chico Anísio, grande Chico Anísio. E o Jô Soares não era teu amigo, assim, pessoal? O Jô Soares era amigo também. Também? Não, não. Mas ele era mais novo que você ou da mesma ideia? Mais novo que eu. O Chico, o Jô Soares, como eu digo todo mundo, eu conheci ele na cama. Porque eu estava... Isso é um corte bom, né? Eu escrevi o Simonet Show, que eu criei, TV Excesso, e o... Eu estava de um redator.
porque eu estava muito mal, não conseguia escrever. Mal de saúde. No meu casamento eu apanhei uma gripe que virou uma pneumonia. Eu estava mal, não tinha como escrever. E vários redatores, o Simonetti foi me levando lá, redatores para poder substituir um programa semanal de uma hora de duração. E cada um pior que o outro.
Até que chegou lá um gordinho, né? Sentou lá na beira da cama e mostrou o trabalho dele. Eu gostei. E eu falei, olha aqui, então, escreve, mano, que eu quero ver. Como o Nóvriga fez comigo.
Ele falou assim que eu adorei E o jogo foi contratado Ele começou como o Boni do Nóbrega O Boni do Boni Mas você estava de cama quando ele foi? Estava de cama Ele tinha feito o que já? Ele terminou e disse Muito obrigado por ter me ajudado Só uma coisa Nunca mais usei o senhor Esse pijama Eu fiquei de repente equipado De uma hora pra outra
E ganhei um presente desses inúteis. Sim. Que você promove. Eu ganhei um pijão todo cheio de flores e de avocados. Aí ficou usando ele. O maior gosto. Nem nas casas penambucanas tinha igual. Você não usa mais aqui. Que maravilha.
Mas isso, Família Trapo, já tinha acontecido ou não? Não. Ele era novinho, então. Ele estava começando. Nem o programa do Jô, ele fazia nem nada. Ele era um assistente do Silveira Sampaio que fazia o que o Jô veio fazer depois. Era aquele programa de talk show. Eu acho legal essa tua ligação com o Moro, né?
Porque, inclusive, a renovação do humor que veio depois com o TV Pirata, com o pessoal do Cassete Planeta, né? Eu estive envolvido nisso tudo. Exato. Eu contratei. Mas como você descobriu isso, Carlos? Porque eu conhecia eles de São Paulo, fazia muito sucesso. Não sei se fazia sucesso, mas o jornal Planeta Diário lá em São Paulo fazia um certo sucesso nas faculdades e tal. E se conheceu...
Por causa da revista, como foi? Eu fui assistir o show no Canecão. Eles fizeram um show lá? Fizem um show no Canecão, na estreia do show do Canecão, e a mulher contratava. Você viu aquilo e... Mas estavam prontos ou precisavam ser cuidados? Não, precisavam tratar. Tanto que o Daniel Filho, não vai dar para usá-los direto na televisão. Vamos usar o texto deles, fizemos o TV Pirata.
Vamos usar o texto deles. Antes teve dólares para maiores. Eles escreviam, faziam parte da redação do TV Pirata. Tá. Quando eu contratei... Que, aliás, era uma seleção que era o TV Pirata. Exatamente. Eu contratei para colocá-los no ar direto. Mas o Daniel ponderou que a gente devia fazer o TV Pirata com o texto deles. E, enquanto eles amadureciam, para a televisão e depois usá-los. Tá. E assim foi feito. E foi, eu acho que, acertado, né? Porque o TV Pirata também... Acerto total.
Foi um absurdo. Ela não acertou muita coisa. É, é muita coisa, vô. Eu lembro de assistir TV Pirata com a minha mãe. Eu rindo e ela falou, você tá rindo do que? Eu não entendo. Minha mãe não entendia aquele humor. O primeiro quadro que eu lembro era um morador de rua, chegava, pedia dinheiro pra uma mulher, falava assim, me dá dinheiro que eu quero comprar pinga. Ela falou, mentira, você vai comprar pão. Eu juro que eu vou comprar pinga. Não, você vai pegar meu dinheiro e vai comprar pão.
E aí a gente ria e falava, minha mãe, mas não faz sentido. Ele falou que vai comprar pão e ela tá brava com ele. Ela não entendia esse humor. Era um humor muito diferente. Não sei se não. Não sei se total, né? Não sei se não. Cara, que legal. Mas o Jô Suárez, o grande talento. O professor da... Foi sucesso também, né? O Chico. O Renato Aragão. Por que que não rolou ele na Globo fazendo talk show? Não tinha espaço? Não.
Não havia espaço nenhum. De horário? Na grade? Não, não. Primeiro não tinham onde produzir. E no negócio da grade ele queria um compromisso. Um compromisso de horário certo. 11h30.
Eu não posso fazer isso aí Porque eu tenho futebol, tenho filme Eu não vou fazer com vocês Juro por Deus que é verdade Eu não vou assumir um compromisso com vocês Eu não vou cumprir Porque podia assinar, né? Tem dia que vai ser Como o Silvio Santos fez Ele não cumpriu
Que era Jô Soares a qualquer horário, né? Não tinha horário certo. Às vezes, eu estava no horário de competir com a Xuxa. É, de tão cedo, né? É verdade. Ele estava em um programa infantil. Mas ele ficou chateado com vocês? Ele ficou chateado com a Globo por não colocar o Tocque? Não, eu fiquei chateado com ele e com o Globo, porque eu poderia encontrar...
Um programa pra ele. Nós já tínhamos feito com ele, com o João, esse mesmo programa dele uma vez por semana, que era o Globo Gente. Eu não lembro. Como era? Era sextas-feiras, às nove horas da noite. Mas era uma entrevista? Era uma entrevista. O programa dele, o mesmo programa. Ah, é? Com banda. O João Show foi feito na Globo. Feito pelo Renato Pacote. Sim. Uma bandinha espetacular que ele montou igual.
Eu poderia ter tentado fazer. Eu vou fazer neles porque eu não tenho horário. Ele queria ser um narciso. Nenhum horário. Porque eu não posso entregar a programação da TV Globo para o Jô Soares. Então você agora vai mandar na programação. Não posso fazer nada porque eu tenho as 11h30. Agora não posso fazer nada. Você vai no fim da programação no horário que tiver.
vou procurar colocar sempre vocês nas 11h30, mas o compromisso de fazer as 11h30 eu não posso. E nós estamos conversando sobre isso, encontrar outro caminho, talvez fazer semanal, e ele assinou o contrato lá sem avisar. Sem avisar. Igual eu fiz com o Nobre.
A vida da volta, né? A volta. Ele fez sempre avisar. Tomou um susto. Tomei um susto. Briguei com ele, briguei com todos os companheiros que acompanharam. O Marcos Nunes. O Marcos Nunes.
O Bastos era muito meu amigo. É? Desde o começo do rádio, né? Rádio Nacional, não podia. Redator também. Redator, é. A tia dele era representante dele, a Branquinha. Eu resolvia tudo com a Branquinha.
Eu não podia ter ido embora sem falar comigo. Poxa, aí. Mas eu adorava. Mas depois a volta dele foi com as suas mãos também? Já não foi com você. Mas eu traria eles a qualquer momento. Claro. Fui várias vezes no jogo depois disso. É mesmo? Minha mãe foi, eu fui. Fomos várias vezes. Então a amizade continuou. A briga durou pouco tempo.
Eu expliquei, vou até que achava engraçado O negócio é o seguinte Quando você é apaixonado por uma mulher E a mulher vai embora, você fica bravo Você tem que reagir Eu tive que tomar minhas providências Bom, mas eu não sou sua mulher E você que pensa Você não está sabendo então
E aí ele foi para lá para fazer, além do talk show, também um programa de humor, né? Um programa de humor. Veja o Gordo. Eu tinha um estoque de filmes muito grande. Eu sempre comprei, eu tinha lá o Pedro de Gão, o Paulo de Gão, que era um grande crítico de cinema. E a gente comprava muita coisa, eu sempre guardava. Não tinha tela quente ainda. Os filmes iam tarde.
E eu guardava os grandes nomes para poder ir umas 9 horas da noite, no caso de uma emergência, um futebol que não aconteceu, ou então um feriado grande, um Natal. Eu guardava esses grandes nomes. Quando o Jô foi lançado o programa dele na segunda-feira, você gastou. Eu peguei o Talaquente. Estava com raiva. Perdigão, me vê quantos programas eu tenho aí.
De qualidade. De qualidade, vou pegar. Ele voltou para mim e falou, você tem aqui 60 filmes, eu digo, o ano tem 52 semanas, manda a palma. Era um pau em cima do outro. Eu vou comprar, e tenho tempo para comprar outros. Um pau em cima do outro. Não tinha como, né? Até bem que o levou foi. É? Nossa, nunca economizaram. Nunca economizaram. No primeiro dia que o jogo foi,
Nós fizemos uma convenção, por acaso, comercial, e todo mundo estava nervoso. A princípio. Consegue ver o Ibope, que chegava meio-dia, duas horas da tarde. E eu estava na... Não dá para ninguém. Eu queria saber. Sabia antes. Ela trouxe, eu falei, eu já tinha dado 12, nós tínhamos dado 40 e tantos. Putz! Eu falei, olha aqui.
Tô com uma notícia triste aqui pra vocês. O Jô Soares, sabe que eu tenho muito carinho por ele, ele tirou só com 18. Nós tiramos com 42. A galera soltando fogos. Foi uma festa lá. E daí ele teve que tirar o pano do ar. Porque ele pensou em mudar. Eu liguei pra ele. O Jô, você vai mudar de horário? Eu vou mudar também. Onde vai a coda vai a caçamba.
Onde você estiver, eu vou estar igual. Qualquer lugar que você for, eu estou com dança dos lobos e só filmar. Você não vai fazer isso, eu faço. E o Faustão que ficava falando do final dos filmes no Perito da Noite, lembra disso? Lembro, lembro. Ele contava o final dos filmes. Então ele estava lá, não volta para a Globo não, que o filme acaba, a mulher mata não sei o que. É.
E depois o Faustão foi trabalhar lá. Você acompanhava? Foi por causa do período da noite? Eu não tinha percebido a existência do Faustão. Quem me falou dele foi o Marcos Lázaro. E ele vem do esporte também. O empresário Marcos Lázaro, a Elis Regina. Do próprio Jô. E o Marcos...
Tem que ver o programa perdido na noite. Eu vi e achei muito ruim. Era totalmente... O padrão Globo era o contrário do padrão Globo. Tudo acontecia. Achei mal feito, mal produzido. Mas achei o jogo. O jogo falso. Original. Original, engraxado. Uma simpatia muito grande. Você viu nele uma...
Aí o Marcos Lácio negociou com ele para o primeiro dia, ele só viria para a Globo se fosse fazer de madrugada o pedido da noite. É mesmo? Ele não queria viver de outra coisa. Então eu falei, eu quero conversar com ele. Expliquei o que eu queria fazer, investimento em compra de direitos autorais. Mas a ideia já era jogar ele para o domingo ou não? Domingo. Ah, é? Eu só queria ele para o domingo.
Para bater com o Silvio Santos? Para bater com o Silvio Santos. Eu achei que ele podia bater com o Silvio Santos. Caramba. Foi o que eu achei isso aí. Não, hoje as pessoas podem pensar, é claro, mas na época eu não pensaria isso, né? Era outro perfil, né? Então eu fiz a campanha de lançamento dele. É uma campanha de lançamento da empresa. Mas como você convenceu ele para o programa de domingo? Vamos investir. Vamos fazer. Se você acertar...
Você vai fazer isso de noite? Ele ganhava uma porcaria. Você vai ter um dinheiro, eu vou propor a você, que você faça a chamada dos comerciais, que você faça comerciais ao vivo. Você vai ser uma máquina de ganhar dinheiro.
não sabia quanto. Você vai ganhar dinheiro. Se eu fosse contratar você para fazer qualquer coisa, você não ia nem passar perto desses volumes que você vai ganhar. Se perder do Silvio Santos, não é uma vergonha. Se ele der 30, se ele der 20, está de bom tamanho. Vamos fazer, acertamos lá.
E eu fiz uma produção, comprei quadros, comprei o Hollywood Square, pra fazer com ele, ensaiamos. E fiz uma campanha da imprensa dele, que era assim, eram fotos grandes, página inteira dos jornais. Onde está o Faustão nessa foto? Não tinha Faustão nenhum. Era o cara, fazendo um churrasco, os amigos estão fazendo churrasco. O Faustão foi buscar água pra jogar na brasa. Mas vai sacanagem qualquer. Sim, sim. Pra fazer bem reverente.
E no dia que ele ganhou do Silvio Santos, eu fiz com o Silvio Santos um... Ele deu um soco na cabeça do Silvio Santos. Ô, louco! Foi o que ele falou. Eu vou fazer. E o Silvio ligou para mim. Ah, porque eu preciso fazer uma coisa dessa? Não, não falou assim. Não, não precisa. Vai, vai, vai. Falou assim. Não precisa fazer uma coisa dessa.
Aí eu disse para ela, o negócio é o seguinte, foi uma brincadeira, você faz brincadeiras. Você já me disse quando eu levou o jogo que eu era o seibó de doutor Roberto Marinho. É? Mas eu não tinha me dito, não disse no ar uma vez. Eu não reclamei, brincadeira é brincadeira. Está tudo bem. Então disse, mas você não faz isso na mesma vez. Não tem a segunda vitória dele não, esquece. Ah, conta mesmo, nunca mais perdeu. O Silvio Santos, que era chamado de peru que fala.
Por que Piruque fala? Bom, eu conheci o Silvio Santos na Rádio Nacional. Estou trabalhando com Nóbrega. O Silvio Santos não era apresentador, nada. Ele era um locutor de comerciais. No comercial, o locutor vinha naquele tempo, tinha um auditório, o locutor aparecia na frente do auditório, foi bem vestido, gravado e tal, e lia o anúncio. Assim, né? Tudo formal. E ninguém, o público que estava no auditório, nem tomava conhecimento, porque ele estava lendo. Não ia para casa. O pessoal estava conversando durante o anúncio.
Mas o Silvio Sérgio é diferente. Ele entrava no Vitória, todo mundo prestaria atenção nele. Porque era bonitão? Não, bonito é o voz de falar, o jeito de falar. Ele já gesticulava. Os outros... Então, quando ele terminava de fazer o comercial, ele era aplaudido. O único lucutor de comercial que eu vi na minha vida sendo aplaudinho ele. E ele ficava vermelho.
De vergonha? Um peru, de vergonha. Ele ficava sem jeito, ele tinha que sair, não tinha continuidade. Ele saía devagarzinho, ia embora com o papel na mão, vermelho. Todo vermelho. Aí ele começou a fazer caravanas. Apresentar no interior, pagar dinheiro. Ele ia reunir os artistas e ia fazer show em cada lugar. O Silvio é um outro talento na televisão. Fantástico, indiscutível. Grande figura. Boni.
Eu queria agradecer demais esse papo. Você não tem noção do quanto foi despejado aqui de conhecimento, de histórias. E pra quem leu esses livros, sabe que dava pra gente fazer mais 10 programas desses e ainda ia faltar história. Mas teve papo, é bom conversar. Muito bom conversar. Você deixa a gente fazer isso. Puxa. A gente fica à vontade. Em vez de você ter levado o programa pra 4, 5 horas de gravação... Não, a gente gravou só uma hora, só. Eu que entrei nessa. Até agora eu tava pensando que eu tava na hora do almoço.
Pois é, né? Nem almoçou ainda, coitado. Nem almoçou. Mas agradeço demais, Boni. E todo mundo que vem pela primeira vez ao podcast, eu faço três perguntas finais e eu queria terminar com essas três perguntas. Faça. E, cara, você que está em casa merece muito like, porque é uma conversa histórica. E obrigado demais por estarem aqui com a gente também. A primeira pergunta eu queria saber, não sei se ela já foi respondida em algum ponto da conversa, mas qual foi o momento mais difícil da tua vida ou da tua carreira, Boni? Bom, eu acho que o momento mais difícil da minha carreira foi a censura Tchau.
do Arxanteiro. Foi porque não só o caso da sensora em si,
Mas foi uma proximidade de rompimento meu com o doutor Roberto Marinho, e a possibilidade de eu deixar a TV Globo por uma coisa que eu não havia cometido. Foi um bom e difícil. Foi a única vez na minha vida que eu tomei um calmante dentro de uma situação difícil. Deve ter sido esse momento um momento muito ruim. Da tua vida...
Na minha vida, as perdas são fantásticas, né? Familiares, perdas de amigos e tal. Eu sofro muito por essa lapidação forçada que a vida nos impõe. Pois é, né? Perdendo um pouco da sua identidade, né? Eu comecei cedo, meus amigos eram mais velhos, tanto na publicidade como na televisão. Então, a minha vida é marcada por perdas.
Então, toda perda me atinge muito. Tenho pavor de perder quem eu gosto, de perder... Tenho pavor. Isso é uma coisa que me deixa realmente assustado. É uma coisa que está enfiada na cabeça e não há psiquiatra que te... E não dá para acostumar, né? Não dá para acostumar. A perda não tem cura. A segunda pergunta é a seguinte...
Esse programa que a gente está gravando em 2026, certo? Mas a internet está aí, vai ficar essa conversa para sempre na internet. Então vamos mandar um recado para o futuro, Boni. Para quem está assistindo há 200 anos do futuro, quais seriam suas últimas palavras, teu epitáfio? Meu epitáfio? É. Eu vou fazer piada, porque eu gosto de jazz, né? É. Aqui, jazz Boni, não vou fazer esse troço. Mas eu prefiro o epitáfio em branco.
Porque aí a gente pode, eu posso, de alguma maneira, de algum jeito, de alguma forma, escrever coisas novas nele. Pois é. Mas eu não deixaria, não escreveria nada, porque seria perpétuo. Seria uma coisa só que não... Eu não tolero nada que seja perpétuo, só gosto do novo. Do novo.
E a terceira pergunta é o que te faz perder o sono? Qual é a tua dúvida atual? No que você se pega pensando antes de dormir, na hora do banho? Qual é a sua dúvida? Quem pensa reflete, né? Então, os reflexos que a gente tem no mundo hoje, não sei se no passado as pessoas tinham a mesma coisa, mas é assustador. Então, você vê, por exemplo, que os sistemas de governo do mundo todos acabaram.
O socialismo não deu certo, a democracia, o sistema dela de eleições é um fracasso. Nós estamos diante da necessidade de uma nova instituição, de uma democracia renovada, aquela democracia sonhada na velha Grécia não existe mais há muito tempo. O processo que a gente usa para eleger nossos representantes é horroroso.
O processo que eles usam para captar votos é terrível. Então a gente é mal representado, a gente sempre está perdendo oportunidades. O Brasil, como dizia o Roberto Campos, ele não perde uma oportunidade e perdeu a oportunidade.
Então, me preocupa o meu país, me preocupa o mundo, porque, para mim, a única coisa que importa é o ser humano. Nós vamos ter, o melhor que você possa imaginar, vamos ter uma vida daqui para frente muito difícil. Também acho. O Brasil é o eterno país do futuro, né? A crise é mundial. É. E com a inteligência artificial, dá para a gente saber para onde vai a comunicação? Você consegue imaginar alguma coisa?
Geralmente eu entendo que a inteligência artificial depende muito da nossa inteligência. Do que a gente programou. Pode aprender tudo, mas não tudo. Sempre você tem correções a fazer. Mas eu acho que a inteligência artificial é um auxílio. É uma ferramenta. É uma ferramenta. Eu não tenho medo da inteligência artificial como inteligência artificial. Vejo na inteligência artificial uma belíssima ferramenta, se bem usada como todas as ferramentas do mundo.
Como uma câmera quando surgiu. Uma fotográfica. Um soneto. Uma pena de galinha para escrever um poema. Exato. Tudo vale. Obrigado. Obrigado demais, né? Obrigado, querido. Obrigado, obrigado. Obrigado por esse papo. Obrigado vocês que estiveram aí. Fiquem com Deus. Beijo no cotovelo e tchau. E agora eu tenho que perguntar para o Leni, né? Você tem que se desculpar com ele de ter escolhido um chato como eu. Que isso, Boni?
que isso? Você vai ver os comentários depois aqui embaixo, a galera louca com esse papo. E, Lene, é hora de você brilhar, cara. Eu vi você ligadão nessa conversa. O que que você tem que falar agora? Ó, é o seguinte, deixe seu like, se inscreva no canal. Você viu que eu nem chamei pergunta do... É verdade, é verdade. Não deu tempo. Não deu tempo, não deu tempo. Fica pra próxima. Não, não, eu queria só as minhas dúvidas. O pessoal hoje, desculpa, eu não vou pegar as perguntas de vocês.
Ó, e pra provar que você chegou até o final dessa live aqui, escreve aí, jacaré de dois metros e meio.
cuidado quando for escolher o jacaré exatamente qualquer coisa que você faça na vida cuidado com o jacaré das vezes meia exatamente isso porque a gente nem contou a história dos nabos lá beijo meus nabos, como que é? é, se eu não paga 30 é, se eu conte, eu conto escuta essa história o Lauro Borges é um extra com ele para o Brasil inteiro
Aprendi muito, veja a ligação que eu tenho com o humor, porque eu tive uma missão da Lever, é de colocar os comerciais integrados no programa, para não cortar a piada e entrar um comercial que nada a ver. É transformar os comerciais em piada. Eu precisaria conquistá-los para isso aí. E, vendo meus textos e nossa conversa, eu consegui a liberdade de interferir no texto do PRP30 para fazer um comercial.
Nós fomos amigos demais, amigos de jantar, amigos de passear, amigos de viajar. E em excursões, quando eles iam para fora, eu ia na frente para preparar auditório, parte técnica, coisas desse tipo, e depois a gente fazia o programa e nós vimos comemorar os sucessos. Mas o Lauro Borges de mania.
E chegava num restaurante, e dizia, senhor, quer me chupar os nabos aqui, por favor? Aí o garçom olhava. Quer chupar os nabos? E assim. O que o senhor falou? Chuparam os nabos? Não, você entendeu mal. Foi o gato do Guadalajara, por isso aqui. Chegou um dia, foi na Bahia, no hotel Bahia. Estamos lá, ele chamou um cara, quer chupar meus nabos aqui, por favor?
Aí o cara chegou e... Eu queria perguntar o que o senhor disse. Eu chupo, senhor. Senhor Lauro Borges, sou seu fã, minha família é seu fã, eu já assisto o seu programa desde que eu sou pequeno e a coisa que eu quero fazer para dar prazer na minha vida é chupar os seus nabos. Ele falou, não, é guarda-napa! Aconteceu o seguinte, nunca mais na vida dele... Falou isso!
Obrigado demais, gente. Fiquem com Deus. Beijo no cotovelo e tchau. E bom que vocês vieram. Valeu, olha aqui.
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