1804 - ODISSEIA: A MELHOR HISTÓRIA DE TODOS OS TEMPOS: CLÓVIS DE BARROS
CLÓVIS DE BARROS é jornalista, escritor, filósofo e professor. Ele vai bater um papo sobre seu livro “"Ilíada & Odisseia: Reflexões Sobre As Obras-primas De Homero”. O Vilela disse que é fã de Homero, mas prefere o Bart.
- Odisseia e IlíadaClóvis de Barros · Ulisses · Poseidon · Calypso · Atena · Telemaco · Ciclopes · Cavalo de Troia · Jornada do Herói
- Impacto da TecnologiaInteligência Artificial · Pandemia · Conflitos bélicos
- Felicidade e propósitoEudaimonia · Autoconhecimento
- Bet EducarPapel do professor · Métodos de ensino
- Desafios da Vida ModernaIsolamento social · Pressão social
Olá, terráqueos, como é que vocês estão? Eu sou Rogério Vileira, está começando mais um Inteligência Limitada, o programa onde você já sabe a limitação da inteligência acontece somente por parte do anfitrião que vos fala. Sempre trago pessoas mais inteligentes, mais interessantes e com a vida muito mais.
Aventuresca Odisseia-ca. Odisseia-ca é boa, hein? É boa, né? Eu inventei essa palavra. Depois eu vou perguntar pra ele se existe isso. Se existe, né, meu? É, porque tem... Porque Odisseia é porque ele é odisseu. Então, eu... Vilela... Vilela... Vileleia. Vileleu. Não, Vileleua. Vileleua. A minha Odisseia seria... Vileleua. Vileleua. Não sei. Mas como que o pessoal vai participar nessa live que eu tenho certeza que vai ser incrível, extraordinária, and...
inesquecível. Inesquecível. É o seguinte, você pode mandar pra cá o seu superchat, mas eu já vou te falar que é uma live especial e como você já sabe, as nossas lives especiais são dedicadas aos nossos membros lá do nosso grupo do Telegram. Exato. Então se você não se inscreveu no canal ainda, se você não é membro ainda... Tá moscando. Tá moscando, tá vacilando.
Já se inscreve no canal, então a gente vai dar preferência para os membros, mas pode mandar seu superchat com observações, perguntas e incentivo. Mas antes, falar com o professor, Olênio, eu tenho que dar um recado para o pessoal. É verdade, pode, pode. Olha o seguinte, galera, deixa eu dar um recado para quem carrega o piano nesse país, que é o empresário. Muita gente acha que ser dono de empresa é só glamour, mas a gente sabe que na vida real o cara está muitas vezes sozinho, tomando decisão no escuro e arriscando tudo que tem. É um isolamento que ninguém conta.
E o G4 está com a gente porque eles entenderam exatamente essa dor. Eles deixaram de ser apenas uma escola de negócios para se tornarem a plataforma completa de quem lidera no Brasil. O G4 agora é a bússola que te dá o norte quando o mercado parece um caos. Eles criaram um ecossistema que une método e conhecimento aplicado para dar direção, voz e poder aos empresários que fazem o Brasil avançar. Mas o papo lá é reto. O G4 é para quem quer mais.
Se você está satisfeito com mais ou menos, nem clica. Mas se você busca dominância e quer direção real para crescer, os caras são a autoridade máxima. Assina embaixo. Chega de tentar inventar a roda sozinho. Escaneia o QR Code aqui, né, Lene? Que está na tela. Está na tela. Ou o link é na descrição. E conheça o novo G4 e alinhe sua rota com quem entende de execução no mundo real. G4, para quem quer mais. Vamos para cima, Lene. Bora, bora.
Mais um recadinho, pode ser? Pode, pode. Então é o seguinte, eu até rá que o Guenta um pouquinho aí, porque eu quero te mostrar uma ferramenta que pode facilitar muito a vida de quem está de olho em concurso. Porque muita gente trava logo no começo, sem saber qual concurso, meu Deus, vale a pena acompanhar, qual que eu vou fazer? Você abre um site, depois outro, depois mais um, aquele monte de janela aberta, vê notícia solta, edital espalhado, um monte de informação desconexa. E aí começam as dúvidas. Quantas vagas tem?
Qual é o salário? Até quando vai a inscrição? No fim, o que era pra te ajudar, acaba só deixando a busca mais cansativa. Agora, olha isso daqui, Helena. Helena, põe na tela aí pra gente. Olha lá. Ó, isso daqui é o radar do Estratégia. Bom, na prática, deixa eu explicar aí. Na prática, ele funciona como um mapa dos concursos. Então, por exemplo, se você é de São Paulo e quer saber quais concursos estão rolando no Estado, quantas vagas cada um tem, qual é o salário e até quando vão as inscrições, é só abrir aqui.
E olhar, você bate o olho e já entende melhor o cenário. Em vez de juntar informação espalhada, você já entra numa página feita para mostrar isso de forma organizada. Se você está assistindo, aproveita e aponta agora a câmera do celular para o QR Code que está na tela.
Também tem link na descrição? Tem. Sempre tem. Se preferir, o link também está na descrição, galerinha. Então faz o seguinte, abre agora o radar do Estratégia e dá uma olhada nos concursos que estão mais pertos de você, porque às vezes a oportunidade está ali, você só precisava de um jeito mais fácil de encontrar. Estratégia.
Valeu pela parceria de sempre. E também, sai daí na Helena, que tá sempre com a gente aqui. Começo do mês com decisão inteligente. Vai na minha. Usando meu cupom INSIDER, você já garante desconto no site. E pagando no Pix, ainda tem 10% off no carrinho. É isso mesmo? É, total. Então vai aí. Não perde tempo.
Estou aqui com o professor, que satisfação. Seja bem-vindo de novo. Obrigado, obrigado pelo convite. Eu sei que dispensa apresentações, mas eu gostaria que se apresentasse para quem não te conhece lá. Como você se apresentaria, professor?
Olha, eu sou Clóvis de Barros Filho e me apresento como alguém que sempre gostou de explicar para os outros alguma coisa. É explicador, é o meu hobby e também o meu ganha-pão. E nos últimos tempos tenho me beneficiado.
das novas técnicas para alcançar pessoas que, durante o período pré-internet, eu precisava da sala de aula e agora não preciso mais. Então, é um pouco isso que eu tenho feito e com muito gosto. Tenho estado em uma inteligência limitada para conversar com o Vilela sobre as coisas da vida e também sobre as coisas que eu, de vez em quando, escrevo.
Como explicador, imagino que até uma fase da tua vida você tinha outros explicadores que explicaram as coisas para você. Foi, foi. E você tem uma gratidão em relação a esses professores da sua vida? Há muitos deles, né? Muitos deles. Não só professores na sala de aula, né? Não.
Acho que começo com meu pai e minha mãe, que não só me ensinaram o mais fundamental, como também me mostraram que a vida valia muito a pena e que era possível ter uma infância feliz, porque fizeram o possível e o impossível para que a minha fosse assim.
Depois, na escola, eu tive professores dedicadíssimos e interessados, preocupados com a minha formação. E a eles eu devo esse gosto por explicar também. E até mesmo aos professores que me deram a oportunidade de começar a explicar para os meus colegas em seminários. E a esses, então, eu devo...
aquelas convicções primeiras do que você quer ser quando crescer. Então tinha de tudo, tinha bombeiro, antigamente era mais diversificada a coisa. Pois é, advogado. E hoje em dia, eu acho que é sonho de pouca gente, mas sempre foi o meu ser professor. Então eu nunca tive muita crise existencial quanto a isso.
Ou era professor ou a coisa ia ser ruim. Então foi professor e ótimo, porque se não é uma maravilha, é o que eu sei fazer de melhor. Eu fico à vontade porque meus pais, eu sou uma família de professor, meus pais foram professores, minha irmã é professora até hoje, eu dei aula durante 20 anos, então eu sei da importância. Mas a gente pode começar também falando sobre...
Sobre explicar o mundo atual, né? Que eu acho que é difícil, né? Hoje em dia, tentar explicar esse mundo que a gente está vivendo. Eu não sei se na tua vida você viu algum momento tão diferente, né? Tantos paradoxos, tantos paradigmas quebrados, guerra. Teve a...
teve a pandemia, agora inteligência artificial, em que momento que a gente está vivendo agora? Você vê uma mudança ou isso mesmo é cíclico e na sua vida você viu isso várias vezes acontecendo? Não, não. É um momento especial. É, nem eu e nem ninguém, eu acho. Porque, claro, alguém sempre dirá, olha, guerra sempre houve. É verdade.
Alguém também dirá que de tempos em tempos, pandemia também sempre houve. Mas aquilo que hoje a gente chama de mundo da técnica...
E as transformações que o humano, com a técnica que tem, operam sobre o mundo, isso de fato nunca aconteceu, pelo menos não na intensidade e na velocidade que acontece hoje. Então, definitivamente não era possível nem sequer supor e ir no espaço de uma vida. Quer dizer, imagina você virar e dizer, ó...
sei lá, na década de 80, você vai ser professor. E aí você vai dar aula na universidade e tal. Ok, bacana. E você vai dar aula sobre isso. Ok, bacana.
Só que alguém vai filmar a sua aula com o telefone. Aí você já vai olhar... Você lembra daquele telefone... É, torto, é, torto, né? Com o telefone, entendi. Vai filmar de tal maneira que você sequer vai ver você sendo filmado. Porque o telefone está ali atrás, muita gente na sala e tal. E que o vídeo capturado...
será visualizado
por 40 milhões de pessoas. No mundo inteiro. É, é. Possivelmente no mundo inteiro. Com destaque para os lusófonos, né? É. Mas aí você olha e diz, ok, né? Bacana, tal, vamos em frente, né? Quer dizer, esse tipo de projeção faria dos Jetsons, lembra? Lembro. Que vinham voando e tal.
uma perfumaria, né? Aquela televisão no teto, né? Plana, já tem, né? Tem tudo que você podia imaginar de futurista já é realidade, fora o que não tínhamos como imaginar. Então, é claro...
É estarrecedor e não adianta você dizer, ah, alguém é muito experiente, então tem muita sabedoria, observou muito a própria vida, etc. Sim, mas a vida que ele observou era bem diferente da vida que nos toca viver agora. Então eu acho que é um pouco inédito para todo mundo. Pega de surpresa todo mundo.
E, claro, a partir daí, quando, eu diria, as ameaças recrudescem e as potências bélicas se manifestam e há desentendimento...
e há conflito, também as possibilidades que ameaçam a vida no planeta nunca foram como são hoje, nunca foram, por definição. Então, é claro, tudo é exponencial, tudo é gigantesco, e talvez a única coisa que a gente não observa como sendo mais elevada
são as coisas relacionadas ao espírito humano, no sentido de lucidez, ponderação, capacidade de avaliação crítica das consequências. Isso aí sempre foi um pouco acanhado e aparentemente continua sendo.
Dá a impressão que a gente evoluiu demais na nossa competência técnica, mas não evoluiu com a mesma velocidade na nossa capacidade de atribuir valores às coisas e do nosso discernimento sobre como deveríamos agir no mundo.
com base em construir uma humanidade mais harmônica e com possibilidades de vida boa para todo mundo. Então isso é uma coisa que a gente aparentemente não evoluiu na mesma velocidade, fazendo com que toda essa potencialidade técnica acabe não tendo uma referência, uma orientação norte.
que é o norte de o que faremos com isso, onde queremos chegar com o uso disso, o que disso nos convém usar e o que disso não convém usar. Isso parece que ficou faltando, de tal maneira que nos vemos quase que obrigados a usar a técnica pela técnica, só porque a técnica está aí à disposição para ser consumida. Então, nesse sentido, é amedrontador porque...
alguma referência que poderíamos ter, que poderia oferecer limites ao uso dos meios, essa referência é fraca.
Ela é muito pouco chancelada por todos, ela é muito pouco discutida, se não completamente ignorada. Ou seja, produzimos meios pelos meios, produzimos os meios para usar meios, produzimos técnicas para usar as técnicas, mas o que vai acontecer não temos a menor ideia. É verdade. E isso é muito desesperador. Peraí, você está usando isso, mas o que você tem em mente? Como assim?
Estou usando porque está todo mundo usando, porque está à disposição, porque está à venda, porque circula o capital. Parece que é do interesse de quase todo mundo que ninguém ofereça alguma resistência ao consumo desenfreado dos recursos técnicos.
E veja, todos aqueles que poderiam oferecer resistência, que são as pessoas, digamos, mais maduras, mais assim... Resistentes, né? Essas foram sendo pouco a pouco deslegitimadas pelo sistema. Então, quando você pensa, digamos, no papel dos anciãos, que em algumas sociedades já foi um papel de referência, de norte, de...
de definição de grandes princípios. E o ancião foi colocado numa posição de fragilidade simpática. Alguma coisa assim que, na melhor das hipóteses, a gente deve proteger para uma velhice feliz. Mas uma velhice feliz quase sempre jogando dominó. E é alguma coisa que não tem a ver com as grandes decisões, com as grandes reflexões.
Da mesma maneira, a falta de credibilidade hoje dos professores, e não é só numa sociedade como a nossa, é no mundo todo, com honrosas exceções, parece ter a ver com isso. Todos aqueles que tinham a possibilidade de propor reflexão crítica ao consumo desenfreado foram sendo pouco a pouco erodidos na sua legitimidade. E com isso...
foram ganhando estatutos pouco decisivos na sociedade. E aí o que você tem hoje, enfim, essa histeria de consumo de recursos técnicos sem que tenhamos a menor ideia de para onde queremos ir. Sem que o valor da vida transcenda a esse uso.
Sabe? Usando isso para aquilo. Eu estou usando isso para aquele outro. Eu estou usando isso para diminuir a desigualdade entre as pessoas no mundo. Eu estou usando isso para aumentar a liberdade das pessoas no mundo. Eu estou usando isso para... Não tem um porquê. Eu estou usando isso por isso. E ponto final.
Nesse sentido, alerta máxima, porque quando você reduz as referências da vida a enriquecer e ficar famoso...
vamos combinar que isso aí resolve pra quase todo mundo a vida boa você chega o cara é rico e famoso, ponto final o que mais ele quer? o que mais ele quer? parece que ele era meio triste então
Vai ser triste em Paris. É um xarope, entendeu? Triste, triste. Tem tudo o que quer. Não tem o direito de se posicionar como triste. Então, a partir do momento que tudo se reduz a capital econômico e capital simbólico, ou seja, fortuna e reconhecimento,
É claro que a vida perdeu muito do seu charme. Chegou a hora de deixar os carros da idade da pedra para trás. O BYD Dolphin Mini foi o elétrico mais vendido no varejo por dois meses consecutivos. Pela primeira vez, um carro 100% elétrico lidera essa posição no Brasil. E chegou a sua vez de ter um carro mais econômico que moto. BYD Dolphin Mini, a partir de R$ 109.990 para a CNPJ.
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Porque, vamos parar para pensar, a degustação do que há de mais fino na produção humana não depende nem de ser rico, nem de ser famoso. Claro. Hoje em dia você pode visitar os principais museus do mundo.
Da sua casa e de graça. Com visitas guiadas. Se você tiver condições para degustar o que há de mais elevado, você pode fazer isso. Todos os livros estão na palma da sua mão. Todas as obras artísticas. Nossa, nossa. Então, quer dizer, todo o resto parece ser uma imensa compensação pela nossa incapacidade de ter prazer com o que é simples. Sim.
Nunca vi ninguém à beira da morte reclamar ou falar que devia ter juntado mais dinheiro, devia ter comprado mais casas. Ninguém vai se lamentar sobre isso. Aí fica mais claro a vacuidade do instrumento. O instrumento enquanto instrumento sem referência de propósito.
Pois é. Nada vale. Mas vamos falar de uma coisa arcaica. Algo que, hoje em dia, algumas pessoas mais novas podem até nem conhecer. Um negócio é um dispositivo onde tem várias letras lá dentro.
Você folheia e tem palavras e você vai entrando num mundo chamado livro. Não sei, tem pessoal que não sabe o que é livro. Eu trouxe um. Então, vamos mostrar. Vamos dar um exemplo. Mexa com cuidado, porque pode ser um dos últimos exemplares. Olha que beleza. Ilíada e Odisseia. Vamos falar de livros. Esse artefato que mudou a história do ser humano.
A partir do momento que as pessoas começaram a colocar no papel ideias e pensamentos, e isso foi passado, eu pude saber o que você pensava, pude aprender contigo, e daí colocar o conhecimento um pouco mais para frente, né? Foi. O livro, ele mudou a história. Ah, não tem dúvida. Porque ele criou condições de maneira organizada, sistemática e em larga escala.
de você chegar mais rápido ao conhecimento acumulado até então. Antes disso era passado de uma pessoa para outra só. Pois é, com todos os percalços que esse tipo de comunicação e tradição incorrem.
O livro permite que você, num espaço de tempo relativamente curto, você percorra séculos de produção de conhecimento até chegar no ponto de propor conhecimento inédito.
A propositura de um conhecimento inédito é uma propositura que exige condições materiais de conhecimento do que foi proposto até então. E o livro é peça fundamental na história da nossa humanidade.
E por que esse em especial, essas duas obras, Ilíada e Odisseia, são especiais? Eu sei que você tem uma paixão quando fala dessas duas obras, mas por que elas são especiais? Bom, minha história com elas é curiosa, porque eu ia lá para a escola, né? E depois, digamos, de um certo nível escolar, todo professor que entrava, ou quase todo,
em algum momento virava e sacava essa. Olha, inclusive tem a Ilíada e a Odisseia. Citava. É. Será que são duas irmãs? A Ilíada e a Odisseia. A Ilíada e a Odisseia. Será que são tal? Aí o cara falou, olha, são obras e tal. Bom, e aí...
O aluno mais, assim, levanta a mão e diz, escuta, é para ler, né? O professor diz, olha...
Pode até ler, tal, mas não se exige a leitura completa do texto, até porque o texto é isso, o texto é aquilo, o texto tem um estilo muito antigo, o texto é poesia, o texto, entendeu? Então, talvez você encontre dificuldades na leitura. Então, pelo menos saiba que um tal de Homero...
Produziu essas duas obras, a Ilíada e a Otisseia, que são séculos e séculos antes de Jesus. E aí era um atrás do outro. E em um determinado momento da vida eu peguei e falei, não, mas não é possível.
Vamos pegar esses textos e vamos ver do que se trata. Porque, pô, se todo mundo se dá o trabalho de citar, uma coisa tem que ter de relevante. Não é possível.
E aí, é uma questão mesmo de maneira de ser, deixa eu fazer do meu jeito, deixa eu ler, vamos ver. Se tiver difícil de entender, paciência, mas eu, vamos, conforme um dia eu disse, fui alimentado na infância, tomei leite, tenho cérebro de tamanho normal, porra, se o cara escreveu, eu tenho que conseguir entender um pouco do que ele quis comunicar, não é possível.
E aí, então, eu fui me deparar com essas duas obras que me encantaram e de entendimento difícil é bem verdade, é fato, etc. E aí, um dia, eu, sem ter o que fazer, falei, pô, por que eu não pego...
essas duas obras, e eu não escrevo a história dessas duas obras, de maneira a permitir que quem for ler as duas obras, tendo uma ideia da trama de maneira mais fácil, tenha mais condições de entender. É um facilitador. Existe para substituir as obras, mas é evidente que não.
É evidente que não. Agora, ajuda a leitura das duas obras? Eu acho que é evidente que sim. Ajuda. Por quê? Porque é escrito de maneira atualíssima, sem nenhum tipo de jargão.
sem nenhum tipo de noção complicada que não for explicada, sem nenhum tipo de complicador. Pelo contrário, a pretensão é de contar a trama para ser compreendida por qualquer um. Inclusive...
jovens, etc. Então, aí eu peguei e fui destrinchando, destrinchando, destrinchando. O que dava a impressão que estava mais complicado, eu pegava e destrinchava mais, destrinchava mais, contrastava com ocorrências contemporâneas.
Então foi das coisas que eu mais gostei de escrever na vida, foi isso aí, que é um livro que não é um livro ordinário, porque ele é uma escada, ele é um esquenta, ele é um aperitivo, ele é secundário, ele é periférico para a leitura de dois clássicos.
Leitura essa que deve ser feita porque são clássicos fundadores da nossa cultura ocidental.
E a figura do herói, ele se manifesta aqui? Aquela trajetória do herói, de sair da sua terra? Tem tudo isso? Tem, tem, tem. A jornada do herói. Você tem aí, pelo menos, dois grandes nomes.
que são Aquiles, de um lado, e Ulisses, de outro lado. Então, claro, a Odisseia é uma obra mais redonda do que a Ilíada, no meu entendimento. A Ilíada é a narrativa dos últimos momentos da Guerra de Troia.
Então, é uma obra muito mais árida, factual. Enfim, ela é menos atrativa, menos fantasiosa, menos poética do que a Odisseia. A Odisseia é o retorno de Ulisses para casa, depois da guerra.
porque Ulisses, em grego, é Odisseu. Então, seria como se fosse a Cloviséia, que eu falo. A Cloviséia é a volta de Clovis para casa. Odisseia é a volta de Odisseu, a aventura de Odisseu. A Odisseu para casa. É uma loucura, porque... E Odisseia virou um termo para aventuras fantásticas. É, difícil também, desafiadora e tal. E, claro, Ulisses...
Passou 10 anos numa guerra que ele não queria lutar, mas chamaram porque ele era rei em Ítaca. E aí...
Os gregos entraram em guerra com os troianos e ele era rei grego e foi meio que convocado por aí, foi forçado nessa espécie de solidariedade entre os reis gregos para enfrentar inimigos externos. Então, lá vai ele.
Ele que estava de boa em Ítaca. Sabe, o cara no lugar certo, um rei aplaudido, adorado. Tudo redondo com ele e, de repente, ele é mandado por uma porra de uma guerra feroz. Ele não tinha nada contra os troianos. Ele não tinha nenhuma razão para atacar os troianos. Nada a ver. Mas acabou.
E aí, no final, conforme a lenda nos conta, Ulisses monta a estratégia, a astúcia do cavalo de Troia.
E graças a essa astúcia, os gregos viram, porque os troianos já estavam comemorando a vitória. E graças a essa astúcia, os gregos viraram o jogo de uma guerra de dez anos, que foi destrutiva, destruiu tanto gregos, aqueus, como eles diziam, quanto os troianos completamente. Aí o Ulisses fala, bom, agora ganhamos, vamos voltar.
Só para contextualizar, porque tem gente que pode não entender qual foi a estratégia do cavalo de Troia. Eles construíram um cavalo enorme. Um cavalo, botaram os soldados dentro e deixaram como se fosse um presente para os vitoriosos. Aí puxaram para dentro da cidade, estavam bêbados, desarmados, despreparados e tal. E os soldados saíram de dentro do cavalo e trucidaram os troianos. Dentro da fortaleza.
Então, claro, Ulisses então disse, bora voltar. Acreditando aí que em alguns dias de trajetória ele estaria em Ítaca com Penélope. E o que ocorreu é que ele levou dez anos para voltar. E é sobre isso o livro? É sobre isso o livro. Porque o que foi que aconteceu? O nosso amigo Poseidon, Deus dos mares.
que também é o próprio mar, quer dizer, é toda essa riqueza, o Deus dos mares é ele mesmo o mar também. Ulisses arrumou confusão com Poseidon. O que ele aprontou? Primeiro, porque o símbolo de Poseidon era o cavalo.
E Ulisses usou o cavalo para uma artimanha entendida como eticamente muito discutível. Como uma trapaça. Uma trapaça mesmo. Então, o cavalo entra para a história como símbolo de uma safadeza, de uma artimanha indevida. Essa foi a primeira razão que Poseidon já não ia com a cara de Ulisses. Porém, a coisa não parou aí.
Porque Ulisses, dentre os diversos lugares onde ele acabou parando por conta da ação de Poseidon, ele acabou desembocando lá num lugar onde viviam os ciclopes, figuras gigantescas de um olho só.
Semideuses, o que que eles eram? Não, é. Mas esses ciclopes eram figuras monstruosas que não eram humanas, mas também não eram deuses. Estavam ali no limbo. Bom, aí o que aconteceu? Ulisses, com os seus, entra lá na casa de um ciclope. A coisa estava de boa, assim. Tinha.
todas as iguarias do bom e do melhor. Ela falou, porra, é aqui mesmo, né? E fizeram a festa, fizeram uma jantinha, entendeu? Serviram o melhor vinho e tal. O ciclope voltou. Era previsível que fosse grande pelo tamanho da proporção do lugar, né? Mas eles não tinham muita ideia do tamanho da encrenca, né?
Então o Ciclope logo pegou dois assim, dos de Ulisses, e pegou pela canela e pum, bateu com a cabeça no chão assim, esmagou assim, aí comeu um, depois comeu o outro.
Ulisses falou, acho que estamos com um problema. Estamos com um problema e tal. E a coisa continuou agressiva, hospitalidade zero e tal. Até que Ulisses, num determinado momento, consegue pegar uma estaca, fazer uma espécie de um... Sabe o antigo apontador de lápis? Só que alguns...
faziam com gilete, apontavam o lápis, ele deve ter feito alguma coisa desse tipo com uma estaca. E meteu isso no fogo. Quando o ciclope, muito confiante de si, adormeceu, você sabe que uma coisa que eu esqueci de dizer é que o ciclope é uma figura gigantesca de um olho só, centralizado no meio da cabeça. Então Ulisses subiu no ciclope. Tem uma representação.
Olha aí. Ulisses subiu no ciclope e... Cravou. Cravou a estaca no único olho do ciclope. Aí. Aquela dor toda e papapá e papapá.
Muito interessante que na conversa o Ulisses tinha dito para o Ciclope que ele chamava ninguém. Então, quando os outros Ciclopes vieram acudir, Ciclope disse, ninguém me atacou, ninguém me atacou, ninguém me feriu e tal. E essa seria sido a astúcia.
E aí o que aconteceu? Ulisses, com o ciclope cego, conseguiu montar um esquema dos combatentes dele remanescentes. Ele amarrou embaixo...
dos carneiros do ciclope, de maneira que o ciclope apalpava um a um dos carneiros que ele levava para rebanhar e não via nada de anormal. Mas saíram da gruta onde eles estavam presos, amarrados na barriga desses animais. E aí, Ulisses podia ter ficado na dele.
Mas ele pegou e falou, tá vendo? Eu enganei você, eu me liberei e tal. Saiu correndo, pegaram os botes lá, botaram no mar. Aí o ciclope estava bravo, velho. Ele pegou uma pedra lá, arremessou a coisa por pouco. E a causa mais... Errou por muito pouco. O cara tinha uma força descomunal e tal.
O problema é que esse ciclope era filho de Poseidon. O ciclope Polifemo, né? Filho de Poseidon. Aí, Poseidon, ouvindo os gritos de dor do filho, foi verificar de quem, né? O que tinha acontecido. Qual não foi a sua surpresa que, de novo, é o mesmo cara do cavalo?
Ele falou, ah, não. Agora? Ah, não. Então, ah, ele quer voltar para Ítaca? Pelo mar? A ilha é, a Ítaca é ilha. Arrumar confusão com o deus dos mares morando numa ilha não é a coisa mais inteligente a se fazer. Conclusão. Poseidon azucrinou a vida de Ulisses como pôde. Como pôde.
Claro que no final Ulisses consegue, porque é um herói, porque também ele tinha do lado dele a deusa Atena, que gostava muito dele, que intercedia junto a Zeus. Olha, estão exagerando.
O cara é um cara legal, é um herói, não consegue chegar em casa, alguém tem que ajudar e tal. Então acabaram meio que facilitando o esquema para Ulisses conseguir chegar em Ítaca. A passagem, digamos, mais destacada da Odisseia, ela faz muito pensar, viu, Vilela?
Porque Ulisses foi parar na ilha de Calipso. Não a banda. Não. Da Joelma. Bom, a banda da Joelma com certeza tem o seu nome inspirado na ilha de Calipso. Calipso é uma deusa, não é uma deusa do Olimpo, não é uma deusa do primeiro time, mas é uma deusa e é uma deusa, digamos,
marcada pela sua... Não, obrigado, obrigado. Uma deusa marcada pela sua beleza.
Ulisses caiu ali, estenuado, destroçado, já praticamente sem ninguém na sua comitiva. Poseidon já tinha dado um jeito de matar todo mundo pelo caminho e tal. Ulisses chega em cima de uma tábua. É, coisa feia mesmo, né? E aí Calypso, que morava com umas ninfas.
Ninfas eram assistentes de deusas, viviam junto. Na prática, eram um pouco isso, eram inferiores às deusas e ajudavam. Inspiravam artistas. Também, dependendo da ninfa. Outras aborreciam as pessoas, tem ninfa de todo tipo.
como as Eríneas, deusas do ódio, eram ninfas. Enfim, tinha ninfas de todo tipo. Essas ninfas eram do secto de Calypso. E Calypso, a palavra Calypso vem do grego kaluptain, que quer dizer esconder. Tem a ver com o que aconteceu ali. Quer dizer, Calypso apaixonou-se por Ulisses.
E segurou Ulisses na sua ilha o quanto pôde. Dos dez anos da Odisseia, sete foram passados na ilha de Calypso. Como que ela fazia isso? Bom, em primeiro lugar, ela não era francamente desagradável de estar perto. Era bonita e gostosa. Isso. E mais do que isso, gostava do riscado.
Era uma deusa ávida por intimidades com Ulisses. Ela era louca por Ulisses e gostava de intimidades com Ulisses.
Ela era fissurada. Mas ele foi meio enfeitiço. Tinha um lance de feitiço também? Não, não. Ele não. Ele estava ali e tal. Ele ia comparecendo na medida do possível. Mas assim...
Até doce de abóbora, nesse nível de oferta, acaba enjoando. E ele... Chegou uma hora. Chegou uma hora, olha. Mas ele estava com o secto, ele tinha um pessoal lá com ele. Não, ele já estava meio sozinho. Ali na ilha mesmo ele estava sozinho. O que tinha eram as ninfas. Organizavam churrasquinho de lagosta, sabe? Com abacaxi, camarãozinho. Preparavam a cama, arrumavam a coisa e tomem.
Ulisses com Calipso. E Ulisses, toda noite, ia para a praia chorar e reclamar da vida, porque o que ele queria era voltar para a casa dele. E ali ele estava preso, na verdade. É claro que ele estava preso, você vai dizer, ô professor, é isso aí, numa ilha grega.
No mar grego, na praia, com uma deusa grega, ninfas. Comida à vontade. Comida à vontade, etc. Que espécie de tortura é essa? Mas não era o lugar dele, né? Pois é, cara. Essa lição é a lição. Ou é a maior delas. Ulisses... É claro que Calypso era...
incomparável em relação a Penélope, que era uma humana com a idade de Ulisses, sabe aquela colega de escola, primeira namorada? Penélope. Calypso era...
Uma mistura de xuxa com, sei lá, vamos pegar alguém da moda aí, a nossa amiga Charlotte, Sophie Charlotte. Coisa de louco. Só que Ulisses queria voltar para Ítaca. E ele...
E ele dizia isso. Claro que Calypso não entendia, se zangava, se ensumava. Está faltando alguma coisa, bebê. O que está faltando? O bebê, você tem tudo aqui. A gente manda buscar brinquedos eróticos japoneses.
A gente manda buscar. Eu sou uma deusa. Bonecas infláveis na Suécia. Manda buscar o que você quiser. E o Ulisses falou, eu só quero ir embora. Sabe quando você quer ir embora para cá? Porra, daí 10 anos de guerra. E 10 anos para voltar, eu quero ir embora. E aí, Atena, conversando com Zeus, disse, ó, o que está acontecendo aqui é uma grande sacanagem.
Porque Calipso está lá segurando o rapaz, se aproveitando dele. O rapaz quer voltar para casa. E aí Zeus se convenceu. Então mandou Hermes, filho dele. É o deus Mercúrio. Que é o deus do... É o deus DHL.
É o Deus da comunicação e dos correios. Ela é o mensageiro do Olimpo.
Ele tinha sandálias aladas. Ele se deslocava numa velocidade. Esse Hermes valeria a pena um livro. Ah, porque ele era figura. Ele era figura, ele era folgado. Ah, é? É, ele era folgado. Sabe desses caras que encara assim gente muito maior do que ele, sempre dá um jeito de... Uma espécie de asterix, sabe? Uma figura mesmo.
E Hermes, então, amando do pai, veste as sandálias e vai lá na ilha de Calipso. E o Zeus diz, olha, você vai lá. Vê o que está acontecendo. Leva isso aqui a um mandado de liberação de corpos. Manda soltar Ulisses. Aí Hermes chega e diz, ó. Ordens de Zeus.
Ulisses quer voltar para casa e é preciso que você dê condições para ele voltar para casa. Então aí, Calypso tenta uma última cartada. Agora, ela só poderia ter Ulisses se Ulisses quisesse. Então ela ofereceu a Ulisses a imortalidade.
Aí o negócio muda, hein? Muda. É a imortalidade... Ou seja, fazer de Ulisses um Deus. Ele já era um herói, fazer de Ulisses um Deus. Aquilo que a gente chama de apoteose. Apoteose seria isso. Conversão em Deus. Apoteose. E mais. Ofereceu a imortalidade...
nas condições físicas atuais. Ah, ele ficaria pra sempre. Não adianta. Em 300 anos, o senhor vira uma uva, passa. É. Impróprio ao consumo. Iria congelar no tempo. Congelar no tempo.
porque já tinha tido antes, na mitologia, casos com a deusa Europa, prometeu a imortalidade, chegou uma hora que não adiantava nada, a coisa estava decrépita. E aí Ulisses se vê diante dessa proposta. A proposta de não morrer mais, e a proposta de...
de não morrer mais e de viver ali com o calypso. Então, Ulisses responde aquilo que é esse grande ensinamento. Eu prefiro viver uma vida de mortal finita e no lugar certo a uma vida...
De Deus infinita no lugar errado. Porque, curiosamente, a finitude já faz parte do lugar certo. Como assim? É, porque, observe, a proposta que Calypso faz é uma proposta que introduz a proposta que faz parte do lugar certo.
uma bagunça no cosmos. Sim. Na ordem das coisas. Claro, claro. A proposta que Calypso faz é uma proposta ofensiva ao cosmos elaborado por Zeus. Por quê? Porque o humano
Ele integra o cosmos na finitude. Sim. É as gerações que se seguem. Sim. Entende? O humano... Agora, se o humano se torna imortal, é evidente que, em algum momento...
Haverá uma confusão imensa, porque não vai ter lugar para todo mundo, não vai ter condição de vida para todo mundo, não vai ter... Não é assim que deve funcionar o cosmos. O humano integra o cosmos vivendo por um certo tempo e morrendo, e procriando, e dando, assim, na sequência das gerações. Então, o que Calipso fez foi uma ofensa a Zeus.
Ataque a Zeus. É. E nessa questão da ordem cósmica, a finitude é um aspecto da existência ordenada do humano. E o outro aspecto é espacial.
É haver um lugar onde você vive melhor por ser quem você é. Um pouco como acontece com o habitar dos animais.
Um animal com certas características tem por habitar tal lugar, porque tal lugar é adequado para um animal com as grandes. Um animal absolutamente cheio de pele e pelo é um animal que tem que ficar em um lugar mais frio e um animal despelado tem que ficar em um lugar mais quente e assim por diante. Ora, os animais têm o seu lugar natural. Os humanos também. Exato. Os humanos também. Então...
Qual é a graça? A graça é que, dependendo, digamos, de quem você for, você terá um lugar onde a sua existência será mais fluida, mais harmônica, mais integrada, mais ajustada ao todo. Portanto...
O fato de aceitar a própria morte é um aspecto da índole cósmica do humano. O outro aspecto é buscar o lugar onde a sua vida, digamos, tem a ver com você. Não é? Então, o que eu estou dizendo aqui? Que não há lugares universalmente adequados.
Não há lugares universalmente bons. Há lugares bons para alguém. E há lugares ruins para alguém, dependendo, digamos, da essência, da natureza. Mais ou menos a pessoa quando pergunta, estou no caminho certo? Depende, não sei para onde você está indo, onde você quer ir. Mais do que isso, eu não sei quem é você. Eu não sei quem é você. Como que eu vou saber isso? Então, vamos lá ver como é que isso é bacana de entender.
Eu estou vendo esse livro com várias... Não sei se foi a intenção do Homero, mas ensinando coisas para o povo da época. Claro, claro. Tem ensinamento. Não é simplesmente uma aventura. Não, aventura é só um pretexto para fisgar. Ele tinha essa intenção, os livros tinham essa intenção de passar moral, ética. Com certeza, com certeza. Tanto é assim que...
Essa expressão lugar natural é uma expressão de Aristóteles. Nós já estamos na filosofia conceitual, que não tem historinha, não tem Deus, não tem herói, não tem porra nenhuma. Mas é claramente inspirada daqui, quer dizer, o lugar natural do golfinho é no Golfo. Inspirado em Odisseia e Elíada. E o lugar de Ulisses é em Ítaca. E não adianta vir com... Por quê?
Por que que Homero criou o paraíso de Calypso? Para mostrar?
que você pode botar o que você quiser no paraíso, se não for a tua praia, não é aonde você deve viver. Então, eu queria, para quem estiver nos ouvindo, trazer aqui alguma aproximação. Nos últimos 40 anos que eu estou trabalhando como professor,
Eu já tive, assim, uma ou outra proposta de vida, digamos, de mudar de vida. Propostas boas. Como? Propostas entendidas como tentadoras por quem as fez. Sim. Não tem como ele não aceitar o que eu estou oferecendo. Entendeu? Quer dizer, por quê? Primeiro porque, em relação ao professor, todo mundo acha que qualquer coisa é melhor. É. Não é?
E segundo, porque eram propostas, digamos assim, com penduricalhos atrativos e troféus e coisas que, de uma maneira geral, no senso comum, têm valor. Então, eu poderia destacar duas de naturezas muito diferentes.
A primeira delas foi um cidadão que me propôs entrar de sócio numa pousada em Búzios. Nunca imaginaria uma proposta dessa assim para o senhor.
larga isso e vem ser feliz em Búzios aonde é? porque havia assim eu por conta da minha dos meus estudos eu acabei aprendendo a falar mal e mal que fique claro, alguns idiomas francês, inglês espanhol espanha, italiano então, pô
Nós vamos montar uma pousada, pousada firmeza em Búzios? Vamos receber a gringaiada? Você vai ver, é só alegria, só gente querendo se divertir, mulherada top. Vamos ser dono do negócio, vamos encher a lata de ganhar dinheiro.
Vamos ficar curtindo a praia. Então, pare para pensar. É muito parecido com o Calypso. É muito parecido. E eu imagino que todo mundo, escutando isso, em algum momento da vida, teve alguma oferta que era parecida com isso em proporções diferentes. Não, mas e a vantagem do negócio é que a pessoa em questão...
A única coisa... Mas e o capital inicial? Quanto eu tenho que entrar? Eu ia depois devolver... Porque a pessoa que me convidou tinha condição de bancar a posada sozinha. Aliás... Entraria com você. Como fez? Como fez? Ele acabou fazendo. Acabou fazendo. Mas eu ia depois devolvendo...
Dentro dos vultosos lucros que a pousada traria, eu ia devolvendo aos poucos, a perder de vista aquilo que... Foi investido. É, é. Então, eu peguei e falei, olha, não tem nenhum aspecto negativo à sua proposta. Calilpi. Ela é ótima, maravilhosa, espetacular, etc. Mas não para mim. É. Mas não para mim.
Porque o meu lugar natural é a sala de aula. Você chegou a pensar na proposta ou nem pensou? Não fazia o caminho. É tão na contramão.
Tamanha a minha convicção de ter vivido no lugar certo. De propósito. Que na época era tão grande a minha convicção de estar já no lugar certo que assim, o cara me propõe a abrir uma escola. Eu vou pensar. Mais uma pousada. O que o senhor tem contra o turismo?
Nada, eu adoro, eu quero ser cliente da pousada de vez em quando. Nada contra o turismo. Apenas não é para mim. Proposta 2. Professor, eu sou do partido político X. P alguma coisa.
Nós vamos montar um esquema, e aqui nós não temos coisa, na proporcional, o senhor entra para a estadual, porque o senhor vai ter uma votação, o senhor vai ser o primeiro da lista, vai entrar, nós vamos ter o coeficiente para pelo G pelo menos um, vai entrar, depois federal, e depois quem sabe senador, quem sabe presidente da república, o camarada foi falando, isso levou uma meia hora, 40 minutos para chegar até a presidência da república, falando como o senhor fala,
com algum carisma e com bom marketing. Não tem erro. Não tem erro. De fato, é que nem a posada. Uma maravilha. O senhor tem contra a política. É, eu não tenho uma política. Nada, nada. Eu adoro, acho... Mas não é para mim. Por que não? Porque eu sou um explicador. Não, mas...
Como deputado, o senhor vai falar também. Eu falei, não. Não está entendendo. O meu negócio não é propriamente falar. O camelô também fala. Eu sou uma pessoa que explica conceitos. Não é o mesmo trabalho legislador. O trabalho legislador é nobilíssimo. Mas não para mim.
Ora, esses dois exemplos ajudam a entender uma coisa, quer dizer, que quando você não tem uma ideia muito clara de qual é a sua praia,
Toda proposta parece colorida. Você abre posada, depois você... Por que não um açougue? Depois um não sei... Tanto faz, na verdade. Não tem referência. Tanto faz. Vamos abrir um parque de diversões... Temático. Temático. Vamos abrir. E aí fica só... Eu vou botar quanto e vou tirar quanto.
Não, o senhor entra com X, daqui cinco anos o senhor tira 10X. Porra, é nós, estamos juntos, não importa muito o quê. Porque tanto faz, é como está a deriva no oceano sem terra firme à vista. Pois é. Porque você não sabe, vou nadar para que lado? Tanto faz, eu não tenho a menor ideia de onde eu estou. Não tem, né? Então, quer dizer, agora.
O que a Odisseia ensina? Que Ulisses virou e falou, viu, Calypso? Adorei sua proposta. Você é... Incrível. Fique claro antes que você me interprete mal. Não tenho nada contra a ilha. Você é uma maravilha. Você na cama é um espetáculo.
Os brinquedos japoneses que você trouxe são incríveis. As ninfas são maravilhosas. Aquelas sereias que você colocou aqui. Aquela coisa. A lagosta. O molho.
Molho rosê pra chuchar o camarão. Não tem nada de ruim aqui. Nada de ruim. Tudo é maravilhoso, mas não pra mim. O famoso problema não é você, sou eu. Não, sou eu. Mas é verdadeiro, quer dizer... E por quê? Porque eu sou um gestor público.
Eu sou o rei de Ítaca. Estou me esperando lá. Estou me esperando lá e eu sou adorado lá. E assim, é minha mulher. O que a sua mulher tem que eu não tenho? Nada de positivo, digamos assim. Nada. Eu tenho nada. Mas é ela que eu quero. Com ela eu quero ficar. Então.
vai, não tenho o que fazer e a mulher quando se sente rejeitada e o homem também, e todo mundo é duro agora imagina uma deusa imagina uma deusa linda
Teria o orgulho. É que Zeus estava lá, Ernest olhando, arrume aí uma barca pra ele, mantimentos, e Calypso tinha noção de hierarquia, não quis encarar essa briga. É, mas... Por ela? Por ela, porque ela ofereceu pra Ulisses muito além do que seria aceitável.
Eu repito, o que ela propôs é uma heresia cósmica, é uma desordem universal. O que ela propôs é inconcebível, mas enfim, ela arriscou tudo por tudo.
para ficar com Ulisses. Agora, Ulisses era alguém que tinha um extraordinário conhecimento de onde é que a sua vida valia a pena ser vivida.
A idade dele quando ele sai para a guerra, você fala isso no livro? Então, partindo da premissa que o filho dele nasceu quando ele foi para a guerra... Quando ele volta...
Telemaco, né? Ele volta, o filho tem quase 20 anos. Ele perdeu os 20 primeiros anos de convivência com o filho. Então, você deve aí imaginar que dos 20 aos 40, ele ficou fora. Claro, cara, de 40 anos, herói e tal, ele tava voando baixo. É, voando baixo. Agora, ele queria passar o resto da vida dele
no lugar onde a vida dele era legal para ele. E agora, que fique claro para quem está nos ouvindo. Ah, então o legal é ser professor? Não faz nada disso. Ah, o legal é ser gestor em Ítaca? Não.
O legal é você saber quem você é. Pois é. Isso é que é o legal. Se o cara quer fazer gestão de uma pousada e isso é o propósito dele, ele quer a coisa mais legal do mundo. Nossa! Porque alguém está falando, nossa, como ele não aceitou isso? Seria o meu sonho. É o teu sonho, né? É o teu, exatamente. Como alguém já me ofereceu aqui sociedade, eu falei, não. Por que eu vou querer alguém dando opinião no meu negócio, sendo que ele funciona? Eu não quero crescer desse jeito. Mas veja, ainda que aí...
Digamos, é menos... Você fica em casa, né? O cara só vem se juntar. Ah, o caso deu abrir uma pousada... Você teria que mudar toda a sua vida. O cara ainda pegou e falou, você pode, no domingo, reunir o pessoal e contar histórias e não sei o que? Ele já fez toda a sua vida. Ele imaginou toda a sua vida.
Por que não ficar onde eu estou? Por que deixar só para o domingo contar a história se eu já faço isso de segunda a sábado onde eu estou? E aí vem um terceiro degrau dessa questão, que é a situação que eu me encontro hoje. E aqui eu estou me direcionando ao pessoal de RG mais curto.
O pessoal da minha... O pessoal da turma do 60+. 16 mil. É 16 o RG. O senhor é 16? É. O seu é? É 10. Não, é 7. E o seu, Nani? O meu é 25. Tá. Então, 7, 16, 25. Estamos indo bem. Estamos indo bem. Estamos indo bem. Então, é 7, 5, 7, 5. É isso mesmo, 7. Bom, muito bem. 10 é o CPF, né? É. Então, vamos lá.
O cara vira para mim e diz, professor, o senhor está aí se aposentando e tal. De fato, idade para isso, considerando que eu comecei, estou aí nos últimos 40 anos. E o que o senhor pretende fazer agora quando for se aposentar? Eu pretendo fazer...
Exatamente o que sempre fiz. Mas agora... Não precisa. O senhor pode... Vai curtir o Caribe.
Vai fazer caça submarina no Mediterrâneo? Eu estou falando de coisas que eu já ouvi, porque eu não tenho criatividade para estudo. Esquiar na Suíça. Vai, né? Como é que é o outro? Sei o quê de Dubai, de primeira classe, vai transsiberiana, não falta... Tailândia.
É que a Tailândia, os argumentos são... Eu não sei que horário vai ser assistido o programa, mas a Tailândia... É à noite, pode falar. A gente está à noite. A Tailândia tem essa fama toda. Eu peguei e falei... Mozado, todos esses lugares que você falou, eu nunca fui.
E por que será? Ah, porque tinha que trabalhar. Não, senhor, você se engana. Não é uma questão de ter. Claro que tem que trabalhar. Mas, assim, eu sempre vivi no lugar onde eu sempre achei que mais valia viver. Ora, sendo assim, eu pretendo. Porque eu não estava preso. Eu não estava encarcelado.
Eu estava porque eu queria. Como nada mudou substancialmente, o melhor para mim é continuar fazendo o que eu sempre fiz. Ah, mas e todos esses lugares? São lindos, mas o problema de viver é isso. Eu não tenho como estar aqui e no Caribe ao mesmo tempo.
Os instantes de vida, eles exigem escolha. E aí, eu me permito escolher com base numa grade de valores que eu criei em cima de quem eu acho que eu sou.
Então, eu continuarei explicando onde tiver gente interessada em explicação. E o caça submarina no Mediterrâneo? Eu acho que a água no Mediterrâneo é fria, não sei porquê e tal. Ah, mas no Caribe a água é quente. Pois é, mas aí talvez já seja quente demais.
E a trans-siberiana e tal? Não passa muito perto da guerra lá, é melhor deixar para depois. E Dubai de primeira classe, conduz na aeronave? Eu tomando banho antes de sair. Quando chegar lá, para mim, basta que eu não sou fedido a esse ponto.
Conclusão, fico onde eu estou. E por quê? Porque eu adoro estar onde eu estou. Porque eu gosto do que eu faço. Eu, na sala de aula, sou Ítaca. E não preciso de uma ruptura. Vai dizer, pô, mas não descansa? Descanso. Claro que descanso.
Mas eu não preciso ir longe. Eu não preciso, como é que é? Me...
desapegar, me desinfetar, me higienizar, me coisar do que eu faço sempre, porque o que eu faço sempre é bom para mim. Então, qual é a graça da história? É que existe toda uma cultura de que agora é a hora de aproveitar a vida.
Ora, se você precisa se aposentar para aproveitar a vida, a sua equação de gestão do tempo é muito ruim. Você é ruim de viver. Me perdoe. Por quê? Porque era preciso ter aproveitado a vida desde sempre. E quando é que você aproveita a vida desde sempre? Quando você antecipa o bem bom.
E antecipar o bem bom é coincidir o trabalho com o que é legal. Antes de mais nada. E é o que acontece comigo. O que eu gosto é de falar. Você não percebeu ainda, não? É, claro. O que eu gosto é de falar. Eu não gosto de ficar tostando debaixo dos atos. Como, aliás, você pode perceber? Se eu podia mostrar, eu faço questão. Na perna. É, olha.
Olha o bronzeado aqui. É um tofu. Corta a outra cana. Agora deu para ver. É um tofu. É um tofu. E qual é o problema? O problema é meu. Meu. E de quem se incomodar com isso? Mas como eu não constranjo ninguém a nada...
e o seu bronzeado. A única coisa é me deixar onde eu tô. Não gosto de ficar tostando debaixo do ar. Não gosto mesmo. Não gosto. E você não tem que ter raiva de mim porque você gosta. Porque eu não tenho raiva de você. Eu não desprezo você. Eu não rebaixo você. Eu não diminuo você. Pelo contrário, eu te respeito por fazer o que você gosta de fazer. Desde que você me deixe branco.
Você entendeu? Entendi. Ficou claro isso? Claro. Se cada um respeitar o que o outro vislumbra para si e para a sua vida boa... Isso vale para qualquer coisa, né? Eu faço o que quiser da sua vida, mas me deixa... Me deixa... Mas é tão óbvio. Só que, não sei se você já reparou, é dificílimo encontrar alguém assim. O que mais tem é mala.
Você não sabe o que está perdendo Já comeu o bife à parmejana Você não sabe Não conhece É que nem doce de leite Você não conhece o doce de leite E se for O negócio de
Proteína, carboidrato. Então nós podemos focar na proteína. Aí tem isso e tal. Você joga isso, joga aquilo. Já acabou? Já acabou? Pronto. Está tudo certo. Você pega o seu liquidificador e faça todo dia. É.
Tome cinco litros disso. Mas você me deixa, cara. Me deixa. Deixa eu viver como eu quiser. É incrível como as pessoas têm enorme dificuldade em se até a gestão da própria existência, deixando que o outro... Assim, é óbvio que eu não sou superior a você.
para entender o que é melhor para mim. Eu não sou superior a você. Mas não suponha também que eu seja inferior a você. Sabe por quê? Porque você pode saber sobre quase tudo mais do que eu. Mas sobre mim, me conceda essa exceção. Sobre mim, eu devo saber mais do que você sabe de mim.
Porra, estou há 60 anos do meu lado, 24 horas por dia. Quem conhece mais de você do que você. Não é possível que eu não tenha aprendido mais sobre mim do que você que acabou de me encontrar. Então, então me deixa. Não quero, não quero o que você acha que eu deva querer. A menos.
Que você precise da minha chancela para você ter certeza das tuas escolhas. Então aí vai pensar melhor sobre a sua vida, mas não vai querer bagunçar a minha. Eu aqui estou bem, eu estou de boa, eu faço as minhas coisas, eu gravo meu podcast, eu converso com as pessoas, eu escrevo meu livrinho, e tudo isso na sombra.
Ah, e tem vitamina K ou vitamina D ou vitamina... Então, então, se por acaso eu quiser viver com um pouco menos de vitamina do que você acha que é o ideal...
Tem alguma coisa que vai te prejudicar muito? Não tem. Então me deixa. Me deixa. Até porque para alguém que precisa tomar imunossupressor, a vitamina não é bom. Exato. Então me deixa. Eu devo saber mais o que é melhor para mim. E isso é alguma coisa que a Odisseia ensina como nenhum outro texto.
Eles colocaram lá um mapa. Ô, Lenis, aí é a trajetória de Ulisses? Isso. É isso? Olha que legal. Olha lá, Troia. Isso. E a história com Circe? É antes que a tripulação é transformada em porco? Não tem isso também? Tem, tem. Isso foi antes da Calilpi? Foi antes, foi antes. Ah, então ele já sofreu antes. Ficou um tempo ainda. Ele sofreu do começo ao fim, cara.
não teve paz. Tem lá a porra da erva que tira a memória. Ah, ele perde a memória. Ele não, mas os outros sim. Ah, os outros. É, e o porco O porco é incrível. Naquela ilha lá em cima, né? O porco é incrível. E também tem as sirenes, o canto da sereia, né?
as sirenes cantavam e aí iludiam os embarques. Aí tinha que se amarrarem. Aí, naufragava. Então, ela avisou o Ulisses, olha, ninguém resiste ao canto da sereia. Você mete uma porra no ouvido.
Pra passar por lá, porque senão ela atrai, quando você chega perto, você naufraga. E aí o Ulisses, que era abusado, abusado, ele pegou e falou, ó, eu quero ouvir a porra do canto. Ah, é? Então, ele avisou os outros, vocês ponham aí o tampão.
Eu quero saber qual que é isso. Se porventura eu demonstrar sinais de descontrole, vocês me amarrem no mastro e não me deixem de jeito nenhum desviar. Por mais que eu mande.
E assim articular o negócio. E assim se safar o dessa. Mas se não tivesse tido essa precaução prévia, aliás, toda precaução é prévia. É o que acontece e eles teriam se dado mal. Então, quer dizer, é uma série de aventuras espetaculares, sem falar na descida aos infernos. Ele também desce? Ele também, ele também.
Antes de chegar? É. Mas qual que era o motivo? Ali é que tá. Aí você começa a fazer spoiler. Tá, mas só uma... A ideia é a ideia de que quando você vai entre os mortos... Não tem nada a ver com a história de Orfeu, que foi atrás da Mada. Não, não, não. Aqui nós estamos em outra narrativa. O que importa aqui...
É... Você entender que no esquema montado por Zeus essas coisas não eram para acontecer, sabe? Por quê? Porque o mundo funcionava meio que certinho. Não. O universo funcionava impecavelmente. É o cosmos que quer dizer ordem. Sabe? O vento venta o cosmos. Cosmos quer dizer ordem.
Portanto, tudo o que foge da ordem é desordem e é agressivo ao que Zeus estabeleceu. Então, o vento, o vento, a maré, a maré, o sapo, a peia, a lua gira, não sei o que coisa. Tudo funciona perfeitamente. Como um brinquedo em cima de um berçário de bebê, assim, gira e tal.
E cabendo ao humano integrar esta ordem. Entendi isso. Tem um papel. A justiça é ajustamento. É integração. É uma existência em harmonia. Qual é a crença? A natureza nos deu atributos. Alguns são comuns entre nós. Outros são específicos a cada um de nós. Certo. Conhecendo-nos bem, nós vamos viver...
explorando o que a natureza nos deu. E esse é o manual de instrução para a nossa inserção no cosmos. Está perfeito? Sim. Então, se o indivíduo é obviamente dotado para desenhar, é um indicativo que o cosmos espera dele desenho.
Se o indivíduo é obviamente dotado para cantar, é um indicativo que o universo espera dele canto. E quando você não segue isso, cria uma desordem. Você vive na contramão do cosmos. Você vive... Então, veja, existe aqui uma ética. Mas não é uma ética em relação ao outro só. É uma ética em relação ao universo.
É uma ética cósmica que se traduz numa espécie de bem-estar. É quando você, ao longo da vida, consegue...
o maior desabrochar possível da sua natureza. A planta pode virar uma planta exuberante ou não, porque foi lá um pentelho e deu-lhe um pontapé e ela deu o xabu. Mas a planta pode virar uma planta exuberante, sobretudo quando ela é plantada no lugar certo, etc. Então, esse é o pleno desabrochar da natureza da planta.
É um mamoeiro que vai, vai, cheio de mamão e tal. É o animal também e nós também. Então, é o pleno desabrochar da natureza. Isso eles chamavam de eudaimonia. O daimon é quem você é. Eudaimonia é o desenvolvimento ao longo da vida desse bom daimon. E aí eles chamavam isso de felicidade.
É você ser quem você foi feito para ser. Felicidade é a tradução de eudaimonia. É você alcançar o pleno desabrochar da sua natureza. Eles quem? Quem que falava isso? Ah, os pensadores de então...
É, Aristóteles, em especial, ética eudaimônica. Eudaimônia. É, eudaimonia. Se você pegar o manual da história da filosofia, ou da história da ética, você tem lá um capítulo, ética aristotélica, ou ética eudaimônica, ou ética cósmica, onde você tem um compromisso.
De desabrochar a sua natureza, qual é a coisa. De um lado, você faz o universo funcionar bem, porque o vento faz o universo funcionar bem, por isso que ele existe. Essa é a crença, não tem nada no universo de bobeira. Tudo tem a sua função. A maré, mareia. A lua, luneia.
Mesmo que a gente não entenda, tem uma função. E Vilela, Vileia. Vileleia. Clovis, Clovizeia. O Mamoeiro, Mamoneia. E aí, quando você vai o mais longe possível...
a promessa é essa. De um lado você se sente muito bem, eu da imunia, e de outro lado o universo agradece. Porque você está em harmonia. É como se a energia do universo passasse por você, sabe?
Não sei se você já pegou jacaré na praia. Já, já. Então, quando você pega no ponto, porque tem horas que você pega errado, a onda passa por você e não acontece nada. Mas na hora que você começa a dar a abraçada...
No ponto certo, a onda te pega e, obviamente, você é turbinado, você é energizado por uma força muito maior do que você. É a promessa do que acontece na eu da imunia.
Você colaborando para a perfeita engrenagem do universo, a energia do universo passa por você. Entendeu? É incrível. E o que é mais legal é que quem vive no lugar certo sabe que isso é assim.
Qual é o momento da vida que eu vibro? Quando eu estou explicando. E nos outros momentos? Não. Não. Pode vir com o que você quiser. Vamos tirar uma partidinha de buraco.
me proponha isso, é uma tristeza, é uma desgraça. Eu gosto de fazer o que eu faço. Aí eu sinto que... Entende qual é essa convicção, né? De um universo ordenado, integrado e você em harmonia com o todo. Agora, claro.
Eu podia ter aberto a pousada em Búzios. E aí, qual é o problema? O problema é que tudo sempre me mostrou que a gestão não é o meu forte. Eu não consigo gerir.
Nem o meu quarto. Imagina eu administrando uma pousada. Eu não consigo. Se eu tiver que fazer uma cama impecavelmente, é tudo mais ou menos. É tudo ruim. É tudo mal feito. Não é do ramo. Não é do ramo. Eu sei o ramo a que eu não pertenço. É quase tudo.
É ruim, é ruim. E não adianta, eu posso até me esforçar, é ruim. Agora, como é que eu sei qual é a minha praia? Ah, pela vibração, sabe? A eudaimonia é vibrante. É como se surgisse uma outra pessoa. E eu penso que o que Homero quis ensinar
contrastando a ilha de Calipso com a ilha de Ítaca, é exatamente isso. Aqui tem família, esposa, trabalho, mas é o seu lugar. Aqui tem deusa, ninfa, ressorte, mas não é o seu lugar. Então, é...
Para você que gosta de uma referência alternativa para pensar a própria vida, comece a observar o número de vezes que pessoas te propuseram soluções existenciais obviamente apetecíveis, desconsiderando a tua especificidade.
Porque isso vale também para trabalhar no mercado de capital. Vamos trabalhar não sei aonde e tal. E a única coisa que você tem para dizer é o seguinte, nossa, se tudo der certo, você enche a lata de ganhar dinheiro. Então, talvez eu não precise de tanto dinheiro assim para viver bem.
Mas talvez eu precise não fazer nada disso para viver bem. Então, me deixe. Agora, não que não haja o investidor talentoso, o comerciante talentoso, o banqueiro talentoso, o gestor talentoso. E esse nada de braçada. Esse está em casa, esse está jogando o jogo em casa. Da mesma maneira que o empreendedor vibra.
empreendendo, eu vibro ensinando. Isso deixa claro que o empreendedorismo também é uma especificidade de quem tem talento para a coisa. Não é para qualquer um. Para mim, eu tenho certeza que não é.
Nem tenho ideias fantásticas de presença no mercado, de oferta de coisas inusitadas no mercado, de oferta de serviços inusitados no mercado e nem tenho habilidades de gestão, nada, nada, nada. Então, eu torço para que os que têm talento empreendedor empreendam, mas os que têm talento musical...
Se dediquem à música. Para os que têm talento cênico, se dediquem ao teatro, ao cinema. Para os que têm talento de redação, que se dediquem à redação. E que não tenham medo das ameaças. Porque sempre haverá alguém para te dizer isso não enche o bucho de ninguém. Isso não dá camisa para ninguém.
Isso coisas que eu ouvi em casa, né? Isso não é... Como é que é? Não garante nada pra ninguém. Não vai dar em nada. Veja, por exemplo, quando uma pessoa é avaliada por outra, né? Então, ah, a minha filha tá namorando não sei quem. É um ótimo partido.
se formou, já está trabalhando em tal lugar, já está fazendo carreira, já está para o papai, mas não é considerado, não é sequer perguntado, não é avaliado, não entra na equação se é uma pessoa feliz.
eu daimonicamente falando, às vezes é importante que seja. Porque uma coisa é uma pessoa bem sucedida aos olhos da sociedade. A outra coisa é uma pessoa bem sucedida aos olhos de si mesmo e da própria existência. E esses dois sucessos não são necessariamente equivalentes.
A sociedade tem seus critérios. A sociedade tem seu modo de distribuir prêmios. A sociedade tem os seus troféus. Mas quem sabe de você é você. Então, às vezes...
É o caso do explicador, é o caso do professor numa sociedade como a nossa. Aqui, de fato, começar a vida assumindo-se professor é realmente heróico. Sim, já é uma escolha que a maior parte das pessoas falam. Você está louco. Você está louco e veja, o número de pessoas que hoje no ensino médio sonham com a vida de professor...
foi minguando a zero. Foi minguando a zero. Então, é uma sociedade que mostra as suas cartas. Isso vale, isso não vale. Isso vale, isso não vale. O que você pode? Você pode viver de acordo com o que a sociedade estabelece? Talvez aí Ulisses, obviamente, toparia a imortalidade com o Calypso.
É, se ele tivesse uma vida que não faz sentido. Porra, ia virar Deus pegando Calypso. Já imaginou? Numa festa no Olímpico. Num resort. É um resort. Ele tá num resort eterno, né? Mas tem uma hora que a galera se reúne. Quem que eu sou? Eu sou aquele que pega Calypso, mora na ilha de Calypso, eu era humano, virei imortal, eu sou o fodão do pedaço aqui, entendeu? Muito mais do que ser um reizinho em Ítaca.
mortal insignificante. Quando ele volta, até fazer um paralelo também com o momento atual. Quando ele volta, o que ele encontra? Porque às vezes a pessoa fica tanto tempo fora do que ela nasceu pra ser o que o universo pretende que ela seja que quando você volta, às vezes é tarde demais. Ele encontrou o que ele tava buscando ou o tempo passou e ele ficou fora daquilo. Ele não se encontrou mais.
Ele encontrou... Porque isso é perigoso pra nossa vida, a gente ficar tanto tempo fora, que quando a gente tenta voltar pra nossa casa, ela não faz mais sentido, né? Ele encontrou Penélope sendo assediada por pretendentes. Porque Penélope, ela continuava acreditando que Ulisses estava vivo. Ele não mandou e-mail, no... No Insta, havia dúvida.
Ela acompanhando no Instagram. E colocando esse safado aqui. Parou de postar faz alguns anos. Parou de postar e tal. Então, o que que acontece? Os pretendentes dizendo, não, já morreu e tal. Então, Penélope... Vamos tocar o reino aí, né? Você se lembra, Penélope, ela dizia, quando eu terminar de cozer isso aqui, costurar e tal, aí...
Eu vou me decidir. Durante o dia ela costurava e durante a noite ela desmanchava o que ela tinha feito. Para enrolar, enrolar, enrolar, enrolar, enrolar. Quando Ulisses voltou...
Ele encontrou aquele monte de picareta chavecando... Usurpar o seu lugar. Trono, posto de rei e tal. E aí, então, chegou uma hora que ele tem que encarar. E aí que vai ser bem legal, porque Hollywood tem condição de fazer isso como ninguém. Ele e o filho...
porque ele encontra primeiro o filho. Que reconhece ele ou não? Não. A aproximação é lenta e custosa. Ele chega andrajoso, ele chega depauperado. Ele não chega com a menor pinta de rei.
Mas aí ele... O filho já sabe e tal. Olha lá no palácio, tá foda. Foi a frase do filho. Ele falou isso. Olha lá no palácio, tá foda. O que tem é um monte de picareta chavecando a minha mãe. E a minha mãe costura e descostura. Costura e descostura. Costura e... Ah, eu vou lá. Mas olha, são muitos, hein?
vamos lá quebrar esses caras no meio e tal. E aí vem a batalha final de Ulisses em dupla.
com o Telemaco enfrentando os pretendentes de Penélope. E, bem, aí você acompanha a saga, é muito legal. Eu gostei de ter feito o que eu fiz. O livro ficou legal, porque é o tempo inteiro...
dialogando, sabe? Contando histórias da minha vida, tentando ajudar a entender e tal. Então, o livro, eu adorei ter escrito. É dos poucos livros que eu escrevi que depois eu reli. Ah, é? É, porque os outros são chatíssimos. Mas esse, esse é muito legal. Esse é muito legal. Esse é muito legal.
É a melhor história? Ah, é a melhor história. É delicioso o livro. Pô, desgrila. Eu, assim, detesto falar bem do meu trabalho. Porque é questão de formação mesmo. Não fui educado para fazer isso. Falar bem de si, na minha educação, é...
um rebaixamento. É uma grosseria. Mas, eu não estou dizendo que o livro é bom. Eu estou dizendo que eu adorei ter escrito e adoro reler. Porque, quando eu releio, eu rio de novo das palhaçadas que eu botei aí.
que é preciso, de fato, já ter vivido muito para ligar o foda-se para certas coisas e dizer, não, vou pôr aí. Eu vou ler esse livro? É melhor eu ler a Odisseia primeiro ou eu leio esse livro junto? Não, leia primeiro a Ilíada. A Ilíada tem que ler. Por quê? Porque a Odisseia é, bem ou mal, é a continuação da Ilíada. E depois...
Por conta do que eu já falei, se você ler primeiro a Odisseia, vai ficar meio broxante ir pra Ilíada. O livro aí vai numa crescente, sabe? A Ilíada é mais amarrada, muito embora, assim, mais amarrada, o que eu fiz aí foi te contar. Tirar leite de pedra. Falar que Homero é pedra, pelo amor de Deus.
o texto é genial o que eu fiz foi dar leveza e graça ao negócio, agora a Odisseia é impagável a Odisseia é impagável nossa, muito, muito bacana
ter tido a iniciativa de botar isso com as minhas palavras. Cada um que recontar, vai recontar do seu jeito. Vai escolher seus episódios. O próprio filme agora que vai ser. É, claro. Cada um vai fazer do seu jeito. Você está ansioso de como eles vão retratar num filme uma obra tão grande? Claro. Pode ter certeza que vão fazer uma coisa maravilhosa. Maravilhosa. Nossa.
Isso aqui é uma historinha de quem sentou na frente ali, sabe? Encostou na cama, vamos continuar agora e tal. E fez o que fez, com a simplicidade de quem quis dar um contributo. Eu fico pensando num aluno de ensino médio.
no aluno de ensino médio, que o professor manda ler a Ilíada e a Odisseia, e o cara vai ler e fala, porra, isso aqui é foda. E se ler isso aqui primeiro...
Vai ajudar. É o que eu vou fazer. Vou encarar, nunca encarei Elia, vou encarar e depois te falo. Olha, eu espero que nós tenhamos mais oportunidades para bater papo e você terá essa chance de me dizer o que você achou. Tá bom. Beleza. Leni, o que o pessoal quer saber sobre...
Vamos lá. Tem uma pergunta do Lucas. Ele fala o seguinte. Clóvis, seu livro não quer substituir Odisseia e Ilíada, mas qual foi o maior atalho perigoso que você teve que evitar ao simplificar essas obras gigantes? Ah, assim... A primeira cautela é dizer logo de cara a pretensão modesta do livro.
O livro é uma ajuda, entre outras, que você oferece para quem vai ler. É claro que...
É claro que isso aí e o texto são incomparáveis. É claro que aí não tem tudo. É claro que aí há interpretações que outros fizeram diferente. Ah, tem de tudo. Tem de tudo. Portanto, é preciso que o livro seja lido de maneira desarmada. Como uma contribuição entre outras. Como uma leitura entre outras.
Haverá tantas leituras da Ilíada e Odisseia quantos forem os leitores, sabe? Cara, eu resolvi botar no papel o que eu achei. É só isso. Mas é importante que o leitor saiba disso. Pois é. O Henrique perguntou o seguinte. Por que você acha que a Odisseia continua sendo mais identificável psicologicamente do que a Ilíada?
Eu acho que ela aborda questões mais próximas da nossa humanidade, sabe? A Ilíada é uma narrativa de guerra que também traz questões importantes, mas eu penso que a Odisseia, para quem é...
gente como a gente aqui, a Odisseia tem mais pontos de tangência com a nossa vida vivida. É isso que eu acho. O Carlos perguntou o seguinte, Zeus patrocinando a guerra para controlar a população parece uma teoria conspiratória moderna. A mitologia já antecipava esse tipo de pensamento? Essa é uma tese, né?
Gaia teria reclamado com Zeus. Tem muita gente em cima de mim. Então Zeus teria, de maneira muito velada, de maneira muito assim, não teria se incomodado com a guerra, não teria feito parar a guerra para dar uma limpada.
É, naturalmente que isso é o tipo da interpretação que pode ser estendida até hoje, se você quiser. Pois é. Até porque, se Gaia estava reclamando, quantas pessoas tinha sobre ela nessa época? Agora, com 8 bilhões, ela deve estar pisoteada.
É preciso, haja guerra. E Zeus tá fazendo um monte de guerra. É, tá distribuindo estilingue pra todo mundo, né? Pois é. A Ana perguntou o seguinte, Polifemo representa o que hoje? Ignorância, força bruta ou ego ferido? Ah, um pouco de tudo, né? Claro. É. E também filhinho do papai, né?
Tem muito disso, sabe? Hoje em dia, não é só o professor na escola, não é só o aluno indisciplinado que ele tem que enfrentar. Ele tem que enfrentar o pai que vai...
em defesa do filho, seja lá no cenário que for. O professor está desautorizado a educar de todo jeito. Então, no final das contas, essa...
Essa vingança de Poseidon em relação a Polifemo é alguma coisa que você encontra... Tudo que é competição de criança, que tem os pais na arquibancada...
Você encontra pequenos polifemos e poceis dons na arquibancada querendo arrumar confusão com o árbitro. E mesmo em cenários assim, digamos, de...
de escopo estritamente lúdico, não está valendo nada e tal. A coisa pode descarrilhar de maneira muito imprevisível. Então, eu acho que essa relação de Poseidon com Polifemo tem várias facetas, mas a pergunta é matadora, é isso mesmo. Todos eles.
Ô professor, a gente tá chegando ao final e eu acho que tem muito a ver com esse tema. Uma história aí, eu vi um corte rolando na internet, um trecho que a galera tava elogiando muito, que é essa história fantástica do teu encontro com um matemático aí, um cara que manjava de matemática. Pode contar essa história pra gente?
Não, foi logo no começo da vida de palestrante. Eu fui lá no HSM, que é um evento muito grande, e havia um espaço destinado ao Hospital Sírio-Libanês que patrocinava o evento, entre outros patrocinadores, claro. E era um espaço de meia hora, como se fosse assim...
Um esquenta do que vinha depois. Uma coisa pós intervalo, enquanto não estava todo mundo ali. Um horário de valor menor. E aí, então, o hospital me propôs para ir. Num primeiro momento eu não entendi porque eu não era palestrante ainda, mas...
Eu acabei indo. E lá eu me deparei com um cenário simbolicamente muito marcado, gigantesco. Vários telões. A figura do palestrante lá na frente do tamanho de uma pulga. Eu me vi muito intimidado ali. Então me sugeriram que fosse para o camarim.
E no camarim eu encontrei um senhor vestido de maneira muito despretensiosa. Que de certa maneira lembrava o meu pai na maneira de se vestir. Eu achei pelo menos uma espécie de sapatênis, uma calça social marrom.
uma camisa, alguém assim que não estava preocupado em parecer nada. E rapidamente ele me saudou e eu vi que era um estrangeiro. E ele então entendeu que eu estava muito incomodado ali. Ele sentiu? Ele sentiu. Falei, não, eu só vim no lugar de outra pessoa, eu nem devia estar aqui.
Ele então disse, não, você deve ser incrível. E eu disse, não, você não está entendendo. Nem tenho como ser incrível, porque eu nunca fiz isso aqui. Não tem como. Não, mas se te chamaram é porque você é do caralho e tal. E eu dizia, olha, tudo bem, né? Obrigado aí pela força e tal.
Está sendo gentil. É, é, legal. Aí eu perguntei para ele, e você? Ah, vou falar depois de você. Ah, legal. E sobre o quê? Sobre matemática. Vim apresentar minha teoria. Eu achei aquilo... Não sei por que eu fiquei internecido. Porque ele parecia tão despretensioso.
E ao mesmo tempo dizendo, vim apresentar a minha teoria, eu nunca acho que tinha ouvido alguém dizer isso, sabe? Vim apresentar a minha teoria. Eu falei, nossa, você tem uma teoria. Mas falei assim... Ele disse, é, depois que eu ganhei o prêmio Nobel, ela ficou muito conhecida. Não é algo que alguém fala numa conversa normal, né? Nossa, eu... Aquilo foi como se fosse, sabe, quando...
É um chute com sapato bico fino. De baixo pra cima. Você com as pernas levemente entreabertas. É assim o negócio. Eu abri os olhos e ainda chequei. Eu falei... Escutei direito? Nobel Prize. Ele... Yeah. Eu olhei assim e falei... Ih, que teoria é essa? Teoria dos jogos, né? Porra.
Ele podia falar de 200 mil teorias de prêmio Nobel, que eu nunca ouvi falar, mas essa teve até filme. É. Falei, eu vi um filme, uma mente brilhante. Ele falou, é, aquele é um ator, ele falou. Eu falei, não, eu... Isso eu percebi. Eu acho que eu percebi. Isso eu cheguei a alcançar. É, é um ator. O matemático sou eu.
Aí eu olhei. E ele falou, eu faço questão de assistir a sua palestra. E eu falei, hum... Não perde tempo. Nobel, Nobel, né? Fica aqui, ó. É a minha primeira palestra, não faz isso. Cheio de fruta. Come aí e tal. Foi logo que me chamaram. E aí quando eu tava...
ali esperando para começar a falar, ele veio correndo assim. Se instalou na minha frente, botou o auricular e fez assim, num gesto assim de... Estou contigo, sabe? Se der tudo errado... Estou aqui. Eu estou aqui. Eu olhei aquilo e eu entendi que era um momento...
muito significativo para mim. Porque era uma sucessão de rupturas, de ineditismos, de experiências sequer sonhadas. Devia ter umas oito mil pessoas, o prêmio Nobel. Então...
Eu me lembro de ter dito pra mim, assim, parte pra briga, né? Se apanhar, pelo menos, vê se consegue dar um soco, né? Parte pra briga. Não tem o que fazer. Cair atirando. É. Não tem o que fazer. Vai sair correndo. Não tem como. Então, dei uma palestra com todos os recursos que tinha.
Eu me lembro de ter mobilizado ali uma energia de ao cabo de meia hora, porque era só meia hora, e eu estava estenuado, eu tinha feito de tudo. E houve um acolhimento, houve aplausos de pé, todo mundo... E ele celebrava com os braços para cima, como que comemorando a vitória de um evento esportivo.
Então eu resolvi esperar por ele lá no camarim. E quando ele voltou, ainda perguntou, você ainda está aí? Eu falei, é que eu queria fazer uma pergunta. Ele? Eu falei. Ah. Pô, você vem aqui, a estrela do dia, a estrela do evento, a estrela não sei o que, entra um pé de chinelo de quinta.
Você podia ter se desagradado. Seria normal, eu acho. Dividir o camarim, né? Dividir o camarim. Você podia ter me ignorado. Ou me desconsiderado. Ou me humilhado. Ou pedido pra eu sair. E era tudo, tipo, normal. Mas o que você fez foi levantar a minha bola o tempo inteiro a ponto de ir assistir uma porra de uma palestra.
X, né? Palestra que tinha tudo para ser um fiasco. Eu perguntei por quê? Foi quando ele me disse, olha, como o próprio filme que você viu mostra, durante muito tempo da minha vida eu tive a mente perturbada e o coração vazio. Era um tempo que eu pensava só na minha própria glória.
Mas aí eu cheguei muito mais longe do que eu imaginava e continuei esvaziado. Foi quando então eu percebi que eu poderia estender a mão, ajudar as pessoas, deixar de ser o centro, passar a promover. Isso é muito recente na minha vida, ele disse.
Eu sempre fui uma pessoa egoísta, centrada em mim mesmo. Mas eu passei a me sentir muito melhor. Então eu vim aqui fazer a minha palestra e a minha palestra foi inútil.
Ele usou a palavra useless. Ah, é? É. Porque quem sabia o que eu ia dizer, já sabia o que eu ia dizer. E quem não sabia o que eu ia dizer, não entendeu nada do que eu disse. Então, tipo, foi inútil para todo mundo. Mas a minha vinda aqui, não. Graças a você, ele falou. Professor Clovis. Porque você estava precisando de mim. Poxa. E aí...
Eu acho que ter ido assistir você foi decisivo. A partir de agora, você pode sempre imaginar que eu estou ali, mas não precisa mais de mim. Já sabe do que é capaz. E eu, que sou de me emocionar fácil, eu lembrei, claro, do meu pai, da minha mãe, de todas as pessoas que um dia acreditaram em mim. Porque...
no mundo que a gente vive, onde todo mundo é tão focado no próprio sucesso, encontrar alguém que fica genuinamente feliz em ajudar o outro é muito raro. Agora, quando esse alguém é prêmio Nobel, aí é uma espécie de mosca branca. E aí eu resolvi contar essa história porque muita gente...
que me assistiu nesse primeiro evento, está por aí, sabe? Muita gente se lembra das pessoas, algumas ameaçando sair, de repente me viram começar a falar, outras foram chamar quem estava fora, outras estavam fora e foram entrando. Então, se lembram assim...
Desse momento que não era favorável para mim. Eu não tinha todo mundo ali como um palestrante. O pessoal foi lá para te ver. Para me ver. Você tinha que conquistar. É. Eu fui pegando as pessoas no laço. Mas no final estava todo mundo ali.
Como o universo atravessando o seu corpo. Você pegando um jacaré. Pegando um jacaré. Ali eu peguei um jacaré espetacular. Pegando aquele perfeito jacaré. Eu fui parar na Avenida Copacabana. Foi espetacular. Fui parar...
Fui parar longe, porque tem horas que você sente que você pega na veia. Você faz aquilo para o que o universo te abençoa. Agora, se quiser também chamar esse universo de Deus, fique à vontade, porque funciona também.
Obrigado, professor, mais uma vez. Que legal. Que papo legal. Que bom, cara. E teremos surpresas aí, né? Ah, teremos. Fique aí ligado que teremos mais professor aí no canal. E agora é aquela hora que... Onde o pessoal compra seus livros, vê da sua agenda, tudo no seu Instagram ou tem um site, como que é?
Você pode entrar no Instagram, arroba Clóvis de Barros, lá tem os links da Bill, tem pra você se inscrever nas reflexões matinais, no WhatsApp do Clóvis, que você recebe por WhatsApp todo dia uma reflexão matinal. Entra lá, põe o seu número de telefone e é o que basta. Um áudiozinho. Um vídeo. Ah, um vídeo? Não, um áudio. Um áudio. Todo dia? Todo dia.
Todo dia. Seis da manhã. Tá. Seis da manhã. Os amigos de Portugal, nove. E os amigos de Luanda, dez da manhã. Porque tem bastante. É? Tem. Muito legal. Já teve em Luanda? Tive. Muitas vezes já. É.
Quinze dias atrás, inclusive. Poxa, e Portugal está sempre lá, né? Portugal sempre, é. Luanda é um especial para mim. Luanda eu não conheço ainda, preciso conhecer. E Portugal, nossa. Então, tem esse problema. Aí, lá também tem os cursos e tal, que você, no link da build, arroba clóvis de barros, você pode... Pode... É...
enfim, saber quais são, etc. Estamos fazendo um novo curso sobre o amor.
Porque há uma demanda muito grande. O curso que tinha lá é um curso muito antigo. Então eu estou filmando, estou gravando vídeos. São sete vídeos de 15 a 20 minutos. De sete concepções diferentes de amor. Que deve sair aí lá pelo mês de junho. Aproveitando o dia dos namorados e tal. Vai sair com o livro junto. Tem livro novo então? Ah, vai ter. Sobre o amor. Vai ter. Depois, no canal do YouTube, Clóvis de Barros.
Incrível como o canal do YouTube está indo bem, está com uma adesão muito bacana e a gente também está procurando abastecer o quanto pode. Recentemente, eu fiz uma turnê lá pela Europa e foram me acompanhando, fazendo coisa e tal. Foi muito legal.
O pessoal quer ver também os bastidores. Ah, quer, quer. E os bastidores os bastidores são... Tal qual a Odisseia acontece em perrengues. Divertidos, divertidos, muito legal e eu curti demais fazer isso. Estou animado já para a próxima turnê. Tomara que na próxima turnê a gente tenha ainda mais recursos.
Estamos pensando em fazer em mais cidades. Estamos pensando em incluir Milão, Madrid, Barcelona, Paris e Amsterdã. As de Portugal e Dublin, que fizemos esse ano.
Então, acho que o ano que vem vai ser incrível. Será? Vai ser incrível. Será? Precisamos juntar forças para isso. Depois, enfim, aqueles que também quiserem estar comigo podem estar no TikTok, no LinkedIn, que também tem conteúdo para isso.
O último livro que eu escrevi foi Happy Hour é na segunda-feira, que foi publicado pela Citadel. E é um livro que eu também adorei escrever, muito provocativo, muito desafiador para o mundo do trabalho. E agora nós estamos fazendo, às terças-feiras, o podcast Hashtag Partiu Pensar.
Com o novo patrocínio da DV Box, nós estamos fazendo em vídeo, portanto um videocast, hashtag Partiu Pensar, fazendo toda a história do pensamento. Estamos aí em Aristóteles agora, vamos começar Aristóteles.
E já fizemos um ano, hein? Pô. É. Então, vamos longe. E, às quintas-feiras, o Inédita Pamonha, que está cuidando das parábolas de Jesus, que vai virar um livro também, onde eu também estou com um material enorme, porque em breve vai dar um ano também que eu estou cuidando das parábolas de Jesus.
Na razão de... Esse livro eu tô... Dois, três episódios por parábola. Quero ver esse livro, hein? Por parábola. É? Eu tô com uma média de uma hora e meia de comentário por parábola. Nossa. Então, assim... É muita coisa. É bastante coisa. Quantas parábolas, mais ou menos? É, nós vamos parar em 40 parábolas. Mas há mais, né? Tá.
Aquelas mais curtinhas. Há mais, mas 40 vamos fazer. De tal maneira que o trabalho continua e todo mundo, que a gente queria muito agradecer quem nos acompanha, quem nos apoia, quem nos aplaude.
quem nos critica, todo mundo. Todo mundo que participa, eu acho muito legal, muito gratificante ver como essas pessoas, às vezes, se esforçam por um momento de...
de conversa, de compartilhamento, de gratidão, de abraço. E tudo isso precisa ser, também da minha parte, motivo de muita gratidão. Então, é mais ou menos por aí que a gente está indo. Acho que está.
E olha, há projetos. Eu não estou autorizado a falar nada, mas há projetos incríveis que estão me animando demais da conta. Demais da conta. Mais do que as pessoas podem imaginar. Não é uma posada. Não é. É bem diferente, mas é... Olha...
Vai ser objeto de um trabalho muito, muito, muito bonito. E estejam de ouvidos bem abertos, porque haverá novidades auspiciosas.
Ô, Lenny, está chegando o final, é hora de dar tchau. Infelizmente, a gente sempre quer mais horas com o professor, mas vai ficar pra próximo, porque ele sempre está aqui com a gente. Exatamente, exatamente. O que o pessoal tem que fazer aqui nessa hora aqui, quando está chegando o final? Ó, é o seguinte, se você não deixou o seu like, ainda está moscando, então corre, deixa o like. Não está nada. Mesmo que você estiver na televisão, cara, dá um trabalhinho a mais, mas se inscreve no canal e dá o like lá, porque ajuda demais, cara.
Exatamente. Eu falei pro pessoal do YouTube, tem que ser mais fácil a ferramenta na televisão. Muita gente assiste na televisão. Eu, por exemplo, assisto na televisão. É, muito melhor. Você tá lá na sua sala, no seu quarto, batendo o seu ranguinho e deixa rolando o podcast. E, Lene, agradecer também nossos patrocinadores. A Insider, que tá sempre aqui com a gente. Tem o nosso cupom, a G4. G4 aí, se você quer fazer diferença, tem que clicar no link na descrição ou no QR Code que tá na tela.
E também? O Estratégia. O Estratégia. Pare de ficar sofrendo aí, ganhe instabilidade com esse mapinha e você vai estar sabendo qual concurso está perto de você. Link na descrição que é recorde na tela também. Total. Certo? Certo. Então vamos agora pra aquele momento que você brilha. Total. Que o pessoal escreve nos comentários pra provar que chegou até o final dessa conversa. Escreve aí, pegando o jacaré.
Fechou. Pegando o jacaré, é isso aí. Então pegue o jacaré perfeito. Fiquem com Deus. Beijo no cotovelo e tchau. E que bom que vocês vieram. Valeu.
As opiniões e declarações feitas pelos entrevistados do Inteligência Limitada são de exclusiva responsabilidade deles e não refletem necessariamente a posição do apresentador, da produção ou do canal. O conteúdo aqui exibido tem caráter informativo e opinativo, não sendo vinculado a qualquer compromisso com a veracidade ou exatidão das falas dos participantes. Caso você se sinta ofendido ou tenha qualquer questionamento sobre as declarações feitas neste vídeo, por favor, entre em contato conosco para esclarecimentos.
Estamos abertos a avaliar e, se necessário, editar o conteúdo para garantir a precisão e o respeito a todos.
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