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COMO CONSTRUIR PATRIMÔNIO E VIVER DE RENDA | Os Sócios 304

25 de junho de 20261h53min
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Você sabe como construir patrimônio e viver de renda? 🤔

O cenário econômico em que vivemos hoje é desafiador: crises, juros altos e inflação podem parecer grandes ameaças ao seu patrimônio — ou até uma justificativa para nunca começar a construí-lo.

Por isso, entender como o mercado funciona e aprender a usar esses fatores a seu favor pode fazer toda a diferença ao longo da vida.Nesse contexto, os investimentos têm um papel importante: ajudar a transformar renda em patrimônio e fazer esse patrimônio crescer ao longo do tempo.

Com disciplina, boas decisões e uma visão de longo prazo, é possível acumular recursos suficientes não apenas para aumentar seu patrimônio, mas também para conquistar mais liberdade financeira.

Mas como exatamente fazer isso?

Afinal, é possível enriquecer apenas investindo? Como construir patrimônio com segurança sem abrir mão da qualidade de vida no presente? Quanto dinheiro é necessário para viver de renda? Como saber se você está no caminho certo para alcançar essa meta?

Até que ponto vale a pena poupar hoje para colher resultados no futuro? E como equilibrar o desejo de aproveitar a vida agora com a construção de uma independência financeira duradoura?

Para responder a essas e outras perguntas, convidamos Ricardo Figueiredo, Evandro Medeiros e Eduardo Perez para o episódio 304 do podcast Os Sócios.

Falaremos sobre os diversos caminhos para construir patrimônio, como utilizar os investimentos a seu favor, como evitar armadilhas financeiras, além de riscos, enriquecimento e muito mais.

Hosts: Bruno Perini @bruno_perini e Malu Perini @maluperini

Convidados: Ricardo Figueiredo @ ricardo.fiis, Evandro Medeiros @ oevandromedeiros e Eduardo Perez @ eduardo.finclass

Participantes neste episódio4
B

Bruno Perini

Hostjornalista
E

Eduardo Perez

ConvidadoAnalista CNP e Plan com certificações CGA e CGE da Ambima, especialista em renda fixa na Finclass, economista
E

Evandro Medeiros

ConvidadoAnalista CNPI, economista e especialista em mercado acionário da Finclass
R

Ricardo Figueiredo

ConvidadoSócio do Grupo Primo, responsável pela área de fundos imobiliários na Finclass, economista
Assuntos10
  • Proteção de patrimônio e investimentosCenário econômico atual · Investimentos como ferramenta · Liberdade financeira · Enriquecer apenas investindo · Equilíbrio entre presente e futuro
  • Paciência e ConsistênciaEvitar perdas definitivas · Humildade diante da incerteza · Ser mediano por mais tempo · Foco na qualidade e referências · Educação financeira e busca por conhecimento
  • Timing de investimentoOportunidades em renda fixa · Ativos descontados · Qualidade como critério de investimento · Risco de crédito privado · Diferença entre preço e taxa implícita
  • Fundos ImobiliáriosFundo de papel vs. Fundo de tijolo · PVP (Preço sobre Valor Patrimonial) · Risco de crédito em CRIs · Seleção de fundos de qualidade · Impacto da taxa de juros no VP
  • Tipos de Impostos no BrasilDívida pública e endividamento do governo · Política fiscal expansionista · Cenário eleitoral e incertezas · Comparação Brasil vs. Argentina · Instituições e Banco Central independente
  • Títulos públicos e FGCIPCA+8 e oportunidades · Títulos indexados à inflação · Taxa de juros e Selic · Risco de reinvestimento · Duração e marcação a mercado
  • Análise de empresas e setoresEmpresas 'à prova de Brasil' · Múltiplos de mercado (EV/EBITDA, P/L) · BB Seguridade como tese de investimento · Setores resilientes (agro, seguradoras) · Importância do ROE
  • Oscilação de Preços de CommoditiesDemanda global por petróleo · Baixo custo de extração da PRIO · Potencial de dividendos da PRIO · Sentimento de mercado e petróleo · PRIO como tese arriscada e dolarizada
  • Fundos de crédito privadoCRIs, CRAs e Debêntures · Risco de inadimplência · Cláusulas de recompra antecipada · Análise fundamentalista de empresas emissoras · Pulverização do risco
  • Expansao InternacionalValuation de mercado americano (S&P 500) · Investimento em tecnologia e IA · ETFs como veículo de investimento · Legítima defesa contra mazelas brasileiras · Diferença entre retorno de mercado e investidor
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BPBruno Perini

E aí, pessoal, vamos começar mais um episódio do podcast Sócios. Quem fala é Bruno Perini, host do podcast. Hoje estou sem minha esposa Malu Perini porque acabamos de voltar de viagem, estávamos na Croácia. Inclusive recomendo bastante o destino. Você vê que não precisa de muito para ser feliz, pessoal. Só um barco gigante no Mediterrâneo ali com tudo incluso e já dá para viver muito bem. Mas entre as lembranças de viagem, Tetê infelizmente ela pegou uma doença chamada pé mão boca.

Então, para quem não tem filho, talvez seja desconhecido. Para quem tem filho, provavelmente o pessoal conhece. É muito comum, é hipercontagioso. Eu sou da teoria de que se você junta 5 crianças, uma vai estar doente, vai passar para as outras. E no barco tinham 6 crianças, e foi justamente isso que aconteceu. Tete tá bem, antes que alguém fique preocupado ou queira saber, mas a Malu tá com ela em casa agora. Por isso eu estou aqui no podcast sem a minha esposa.

E hoje nós falaremos sobre como construir patrimônio e viver de renda com convidados muito especiais do time da Finclass. E antes de apresentá-los, eu tenho alguns recados para vocês, pessoal. O primeiro deles é a respeito do Legado, aquele mega pacote que o Grupo Primo montou junto com o pessoal da GF. Então você vai encontrar, por exemplo, viver de renda, Turma 36, o Do Mil ao Milhão, assinatura da Finclass durante 2 anos, carteiras recomendadas, o app da GF, jeito Basti de investir.

Na minha opinião, a cereja do bolo, um MBA de Value Investing do Barsi, que sozinho custava R$12.000. Tudo isso num pacote, a gente for considerar o preço de cada item, com 87% de desconto. Mas atenção, porque o carrinho ele fecha amanhã. Então você tem basicamente quinta e sexta para tomar decisão se quer aderir ou não esse mega pacote, que vai realmente ajudar a investir muito melhor do que você faz hoje. Então, para quem quiser, tem um link aqui na descrição para você obter mais informações.

O outro recado é da Coinbase, aproveitando esse momento de baixa do Bitcoin. A última vez que olhamos aqui tava em coisa de $58.000, né? E não quer dizer que ele não possa cair mais, só que meio que quando ele baixa de $60.000, liga um alarme para muita gente que começa a comprar. E se você é uma dessas pessoas, tá procurando local bom para comprar, eu vou lembrar que a Coinbase é uma das maiores corretoras do mundo, é listada na bolsa de valores americana, na Nasdaq.

Eles são custodiantes de 8 dos 11 ETFs de cripto existentes nos Estados Unidos, e você pode começar a investir de maneira muito tranquila tranquila, mandando um Pix para lá e fazendo compras a partir de R$10. Para quem quiser abrir a conta, que ainda não tem, vocês podem utilizar o link que está aqui na descrição, que vocês têm um bônus. Você, depois de comprar os primeiros R$1.000 em Bitcoin, recebe R$50 de cashback de volta.

Inclusive, lá você pode comprar outras coisas também. Tem como comprar stablecoin de dólar e deixar rendendo 7% ao ano, o que na minha opinião é bem interessante, né? Sempre fico pensando, o que que é melhor, IPCA +8 ou dólar +7? Uma dúvida boa, né? É uma dúvida boa. Então, na minha opinião, tem que ter os dois. E uma das maneiras de ter isso é através da Coinbase. E último recado é para aquele que quer começar a empreender igual eu fiz lá atrás, digitalmente, mas com muito menos trabalho do que eu tive no começo.

Eu lembro quando eu criei meu primeiro site, Malu, que na verdade fez toda a parte da criação, só escrevi o conteúdo, a gente levou uma semana para configurar tudo. E aí eu li num desses blogs que ensinava você obter mais acesso, que era melhor ter a barra do site em vez de estar na direita, na esquerda. A gente foi mudar isso e muito grosso, site em tudo, foi horrível. E foi mais uma semana para voltar ao normal da maneira que a gente queria.

Mas hoje em dia tá muito mais fácil. Para quem quiser um serviço bom para começar a empreender online, você precisa basicamente de duas coisas: hospedagem e um domínio. E eu recomendo a Hostinger para isso. Lá você consegue fazer hospedagem de sites, criar os sites, tem um WordPress gerenciado, tem e-mail profissional, tudo para colocar seu projeto online de pé da maneira mais rápida possível, com as ferramentas já dentro da plataforma.

Então, para quem quiser mais informações, tem um link aqui na descrição. Agora apresentando nossos convidados para que a gente possa começar a falar sobre formação de patrimônio. Estou aqui novamente no Podcast dos Sócios com Ricardo Figueiredo, aniversariante hoje inclusive. Já deixa os parabéns para o Ricardo aqui nos comentários. Para quem não conhece, ele é sócio do Grupo Primo, responsável pela área de fundos imobiliários na Finclass, é economista com especialização em mercados financeiros, em gestão financeira e atuarial, além de analista CNPI.

Ele atua há mais de 20 anos no mercado financeiro, com experiência em gestão de portfólio imobiliário e carteiras de FIIs na Vivest, o maior fundo de pensão de capital privado do Brasil. Ricardo, bem-vindo novamente ao Podcast Sócios.

RFRicardo Figueiredo

Muito obrigado, Perini. Uma honra estar aqui, de vir no Bancada com os meus amigos, contigo, e vamos nessa, ajudar a turma.

BPBruno Perini

Vamos lá. Recebemos também pela primeira vez aqui Evandro Medeiros. Ele é analista CNPI, economista e especialista em mercado acionário da Finclass. Iniciou sua carreira em análise de ações em 2019, com foco no mercado brasileiro, e posteriormente em mercados internacionais, especialmente Estados Unidos e Argentina, onde também residiu. É adepto do Value Investing, focado em empresas subvalorizadas e menos óbvias do mercado. Evandro, bem-vindo ao Podcast Sócios.

EMEvandro Medeiros

Poxa, eu que agradeço o convite e feliz de estar aqui com meus colegas, esse time de peso.

BPBruno Perini

E também recebemos Eduardo Pérez. Ele é analista CNP e Plan com certificações CGA e CGE da Ambima, especialista em renda fixa na Finclass, economista, atuou em áreas como atendimento na Easy Invest, Research Renda Fixa e Análise Macroeconômica no Nubank, além de integrar a mesa de operações de renda fixa no book proprietário. Acredita no potencial de crescimento do mercado de capitais brasileiro e no papel da educação financeira para investidor pessoa física. Eduardo, bem-vindo ao Podcast Sócios.

EPEduardo Perez

Obrigadão, Bruno, uma honra aqui, como todo mundo falou, né, equipe de peso aqui para representar aqui os investimentos, para a gente poder falar um pouquinho de renda, que acho que é o que o pessoal tem muito interesse.

BPBruno Perini

Bom, começando, o que que vocês acham do momento atual para quem quer construir patrimônio, né? Porque eu sempre fico pensando numa frase do célebre Howard Marx, e eu repeti muito essa frase, inclusive na viagem, conversando com amigos agora, de que o mais importante não é comprar coisas boas, é comprar bem as coisas. Estamos no momento de comprar bem as coisas, na opinião de vocês, ou não, né? É um barato que pode ficar cada vez mais barato dependendo da conjuntura econômica dos próximos anos.

EMEvandro Medeiros

Acho que vai depender bastante do ativo, né? Por exemplo, quando você compra um fundo imobiliário Você não tá comprando exatamente a expectativa de que a cota vai se valorizar, você quer em grande parte a renda. Então é um ativo que você não depende tanto da opinião de outro no longuíssimo prazo. É claro que no curto prazo saiu um relatório de banco, ah, tal fundo imobiliário cai, tal ação cai, né? Mas se você segurar, comprar assim hoje um determinado fundo, uma determinada ação, se ela continuar performando e pagando dividendos e você nunca vender, pensa que por toda a sua vida contanto que a empresa não vá à falência, né, o que é um risco a ser monitorado.

Em fundo imobiliário isso é um risco menor porque tem uma limitação de alavancagem e tudo mais, mas também tem, você precisa fazer uma boa seleção. Para o resto da sua vida você vai receber esse dividendo. Então quando você tem um juro longo muito elevado, o dólar baixo, né, que eu acho que dá uma oportunidade interessante também de você alocar em alguns ativos dolarizados aqui no Brasil inclusive, você não precisa necessariamente lá fora.

Isso tem muita oportunidade porque você acaba comprimindo os valuations, dado que você utiliza uma taxa de desconto mais elevada. Então, na minha visão, quando juro longo tá muito estressado, eu acho que o juro tá disfuncional e o mercado tá precificando um cenário que não necessariamente vai se concretizar. É claro que nós não temos bola de cristal, tá? Mas assim, uma Selic a 14,8% em 2027, 2030 por volta de aí também, me parece— país não cresce assim, realmente parece um momento muito estressado.

Então eu enxergo muitas oportunidades O que que vocês acham, professor e Eduardo?

RFRicardo Figueiredo

Olha, vamos lá, é, acho que o Bruno tocou num ponto que é importante, né? A gente sempre fica nessa ansiedade de: será que eu tô comprando no melhor preço possível, ou será que mais adiante vai cair mais e eu poderia fazer uma compra mais eficiente? Fato é que a gente não tem dom da premonição. Então, o que a gente procura encontrar são assimetrias. Acho que essa é a grande palavra. E hoje o mercado tá repleto de assimetrias, pelo menos na minha leitura.

E essas assimetrias, elas tendem a jogar a seu favor o quão mais paciente você for. Se você for muito irritadíssimo com seu investimento, esse PCA+8 que a gente tá vendo aí com fartura na lista de títulos públicos oferecidos no Tesouro Direto, Pode virar um IPCA+8,5%, IPCA+9% num stress aí de curto prazo, pode virar. Agora pense no seguinte aspecto: se você calibrou um tamanho de carteira em que essa volatilidade não vai te estressar e você tem condições de carregar aquele título no limite até o vencimento, escolha um prazo adequado, né? 8% de juro real é uma beleza.

E não só nos títulos públicos, quando você olha para ativos de risco, você olha para fundo imobiliário, por exemplo, Você tem uma série de carteira de ativos sendo vendidos por preços por metro quadrado, você olha, você fala: pô, desculpa, eu não consigo nem construir esse negócio, né? Essa semana, por exemplo, saiu fato relevante de um fundo imobiliário que ele tá desenvolvendo um ativo logístico em Osório, no Rio Grande do Sul.

A gente não tá falando de nenhuma praça fantástica do ponto de vista logístico, daquelas que chamam muita atenção. É um belo point logístico, mas não é o Raio 30 de São Paulo, não é o Raio 15 de São Paulo que chama atenção. R$3.800 por metro quadrado. É um desenvolvimento, será construído e já tem locatário, né, empresa de e-commerce, por 10 anos. R$3.800 por metro quadrado. Você olha os fundos que estão na bolsa com os ativos todos prontos, performados, gerando renda: R$3.800, R$4.000, R$4.100, alguns até menos do que isso, com localizações no mínimo iguais, se não melhores.

A maior parte inclusive melhores. Me parece muito claro que tem uma simetria aí, né? Mas eu preciso ter paciência porque esse negócio pode ficar mais barato. Eu vejo a simetria em basicamente todas as classes. Você citou Bitcoin, né? 58, pode vir para 50?

BPBruno Perini

Pode, pode, pode. Muita gente inclusive acredita que vai, que vai para 50, caso preditivos, etc. Exato, expectativa disso.

RFRicardo Figueiredo

Pô, mas pensando numa janela de 3 anos Me parece que comprar 58 é interessantíssimo, me parece.

BPBruno Perini

Não, eu concordo absolutamente com você, porque eu sempre falo que daqui a uns 3, 5 anos a diferença não vai ser ter comprado por 58, 50 ou 49, por exemplo, para esperar baixar um pouco mais, né? A diferença vai ter comprado, ter pego um preço realmente bom nessa fase.

RFRicardo Figueiredo

Na tua opinião, Eduardo?

EPEduardo Perez

Acho que até um pouquinho diferente do pessoal que ver mais renda variável, né? Porque a gente pode olhar o mesmo ativo por duas perspectivas: de preço e de taxa implícita, no caso de equity, fundo imobiliário. Só que a renda fixa, eu acho que tem esse componente aqui que dá uma segurança, que é se você pegar um ativo específico, um título do Tesouro Direto, você tem uma data específica para recebimento. Então você tem, consegue ter esse upside, né, esse lado bom de que você vê a taxa novencimento específico.

Você não fica dependendo de, poxa, mudou, mudaram as premissas aqui, agora a gente está esperando uma outra rentabilidade. Então o momento agora para renda fixa, ele é muito bom, apesar do lado de vista de um cidadão brasileiro ser ruim, porque a gente está levando em conta endividamento super alto do governo, cenário macroeconômico mais desafiador. Mas do ponto de vista do investidor, você tem títulos indexados à inflação emitidos pelo governo com prazo mais curto, ou seja, Você não tem que levar por tanto tempo, você tem a data específica, você vai ganhar IPCA +8%.

Cara, mas aí IPCA pode explodir para 10%, pode cair para 2%, não importa, você vai ganhar acima da inflação. É um título que quando você olha outros mercados internacionais, dificilmente você vê títulos indexados à inflação que tem um apelo, até porque a gente tem um histórico aqui de inflação bem descontrolada. Então, para renda fixa, todo dia Black Friday aqui. A única coisa que é, eu só direciono falando, vamos ver da perspectiva de taxa.

Ah, mas o preço caiu, cara. Mas aí é parte do jogo, é a regra. Sabendo jogar, eu só tô vendo coisa boa aqui, pensando que temos desde a renda fixa mais arriscada até a renda fixa considerada a de menor risco. Não vou dizer risco zero, né, mas dentre o que temos aqui de possibilidades na renda fixa, aqui agora é o ano para você fazer a festa.

BPBruno Perini

É, eu já usei uma analogia Sei lá, uns 100 podcasts atrás. E aí outro dia o seguidor veio me cobrar disso, ele falou: pô, lembra que você falou em determinado momento das oportunidades no Brasil que era tipo uma nuvem de patos voando e você é um caçador, entendeu? Basta mirar mais ou menos ali que você vai matar algum pato. Cara, a nuvem não passa de passar, tá passando há 2 anos a nuvem e não para. Porque lá na renda fixa tem gente que lembra muito bem da época pré-pandemia, você tinha título pagando IPCA +3.

Uhum. Agora está IPCA+8. É, e tem gente brincando que vai IPCA+9, né? Não, na verdade, se você pega lá no Tesouro, você tem a aba dos títulos onde você pode investir, tem a aba do resgatar, né? Para quem já investiu em títulos que não são mais oferecidos, mas você pode vender antes do prazo se quiser. Eu fui olhar o que vence em 2026, é IPCA+11 a taxa. Isso é muito bizarro o que está acontecendo na curva de juros aqui no Brasil.

Mas é nesse tipo de momento onde você tem a renda fixa pagando muito e aí a bolsa cai, os FIIs caem também. Para ficar competitivos, né? A renda fixa acaba sugando dinheiro do mercado. Então tudo acaba tendo uma taxa implícita, como Eduardo falou, que é muito interessante. Então, sem dúvida, né, na minha opinião, é um momento de comprar bem. A gente tá passando por isso. E aí, o que que vocês recomendam para quem tá assistindo aqui?

Porque uma coisa é você entender que é um momento bom, outra coisa você conseguir usar isso a seu favor para construir patrimônio. E considerando que boa parte da audiência já teve um contato com o mercado, mas não são especialistas, Qual seria uma conduta adequada nesse momento?

RFRicardo Figueiredo

Eu vou, eu vou, eu fiz, como você colocou na minha apresentação no começo do podcast, eu fiz escola num fundo de pensão. Então eu sou estruturalmente mais avesso a risco.

BPBruno Perini

Explica, pessoal, inclusive, como é que era o fundo de pensão, qual é a missão dele.

RFRicardo Figueiredo

Vamos lá, né, o fundo de pensão é uma entidade sem fins lucrativos. Então, via de regra, ele pega parte do salário do colaborador da empresa que aderiu ao fundo de pensão para fazer uma reserva previdenciária. Então é um produto de previdência com todos os benefícios que um PGBL, por exemplo, oferece, tributário, mas tem a vantagem de que, via de regra, as empresas dão uma contrapartida. Então se o trabalhador coloca lá R$100 por mês, a empresa vai e coloca mais R$100 juntos.

Até brincava: na largada, rende 100%. Né, porque a empresa te acompanhava até um determinado percentual. E aí esse time do fundo de pensão de investimentos aloca no mercado seguindo as regras específicas, né, do regulador e do plano de previdência. Eu integrei esse time e cuidava ali da parte de investimentos imobiliários, né. E fundo de pensão, você tá cuidando do dinheiro que a pessoa vai tocar a vida dela pós-laboral, né. O diretor dizia que tinha uma regra que era bem simples, né? Fiducia, fiducia, fiducia, né? É cuidado com dinheiro dessa pessoa.

BPBruno Perini

Tipo o do Rio de Janeiro que botou dinheiro no CDB do Bocomar.

RFRicardo Figueiredo

Infelizmente essa turma não conheceu o meu diretor, né? Se tivesse conhecido, tinha respeitado essa regra básica. E aí no final do dia a gente era muito zeloso, né? E quando você vive num país igual o Brasil, Invariavelmente essas taxas, né, que não são inéditas, né, já vivemos no passado, não faz muito tempo assim, vira centro de massa de alocação de recurso, né. Então tudo isso para dizer que no final das contas você pega um fundo de pensão lá fora, os caras tomam risco, bastante risco.

Aqui você consegue conforto ali na renda fixa para entregar rentabilidade aderente à tua obrigação atuarial lá na frente. Pagar o plano de previdência lá para o colaborador, bem tranquilo, né? Se você fizer uma boa locação, a nossa meta era inflação mais 6 durante muito tempo. Aí depois veio caindo, inflação mais 5. Tinha muitos planos lá dentro, ela era multipatrocinada, então tinha plano que era inflação mais 5, 5,5, 6, mas muito durante muito tempo inflação mais 6, e durante muito tempo foi GP mais 6.

GPT tinha ano que era paulada, né? Mas no final do dia, como eu fui criado nesse ambiente, eu sou mais cauteloso por padrão. Então quando eu olho para esse cenário atual, acho que um erro que acontece comumente é você olhar só para o que tá acontecendo agora, olhar para fotografia e não olhar filme. Então o que acontece quando a gente olha para taxa de juros hoje? Ela é alta. É, a gente tá no 5º ano consecutivo de CDI em 2 dígitos.

As pessoas esquecem disso, né? E vamos para o 6º tranquilamente, porque ano que vem vai fechar em 2 dígitos na média, vai fechar. Você imagina como tá o empreendedor, como tá a empresa que tá devendo, né, alavancagem dessa empresa. É por isso que a gente tem essa situação caótica de ver empresa entrando em recuperação judicial, recuperação extrajudicial, agro sofrendo. É por isso. Então, na hora que você vai montar uma carteira hoje, foca em qualidade, porque esse tipo de cenário ele também cria os vencedores.

O cara que sobreviveu e tá conseguindo entregar resultado depois de 5 anos seguidos com CDI em 2 dígitos, meus parabéns! Você tem que colar nesse cara. Você tem que colar nesse cara. Então, em todos os segmentos, a minha leitura é que a gente precisa encontrar quem são esses vencedores, esses portos seguros, e colar neles. Por quê? Porque tem muita coisa que tá com preço esmagado, mas vai continuar. E talvez tem muita coisa que tá com preço esmagado e talvez seja o último suspiro, porque você já tá no 5º ano de CDI em 2 dígitos.

Então eu peço para as pessoas tomarem cuidado e focar em qualidade, né? Então você tem fundo imobiliário, procura aqueles mais diversificados, imóveis bem localizados, né, que tem um histórico, como é que eles atravessaram, por exemplo, a última crise. Alguns já estavam aí na praça. Você vai para as empresas, eu acho que a mesma coisa, né? Procurar essa turma que— porque descontado é o seguinte: em todos os setores a gente vai encontrar ativo descontado.

Em ação, em fundo imobiliário, tem. Então não é a nuvem de pato gigantesca, só que tem pato manco ali. Você vai querer derrubar o pato manco? Não, né? Então também tem que ter cuidado com isso, né? Porque se atirar a esmo, você pode derrubar um pato manco. Então acho que é focar em qualidade, é procurar quem são esses nomes que, se a gente tiver mais 2, 3 anos de June 2, disso essa turma vai aguentar. Então vai com eles, porque também tem uma coisa, vai passar uma hora, isso vai passar, não é possível, uma hora isso vai passar.

E aí, e aí você vai estar do lado desses vencedores, porque vamos lá, tem empresa no Brasil que já tem décadas aí no mercado, essa turma pegou hiperinflação, pegou maxidesvalorização lá no final dos anos 90, pegou tudo quanto é crise do começo dos anos 2000, mexicana, asiática, russa, e estão aí, não estão? Vamos atrás dessa turma, vamos atrás dessa turma, né? Cuidado com isso aqui, tá muito barato, mas será que ele tá muito barato porque ele merece estar muito barato?

Culpar só o juro também, enfim, foca em qualidade. Acho que essa é a mensagem inicial que eu deixo. E aí depois a gente pode entrar no mérito de onde tá essa qualidade em cada em cada classe.

EMEvandro Medeiros

E vocês enxergam da mesma maneira assim? Você tem hoje tantos ativos descontados que você não precisa ir naquela coisa que tá mais descontada, que tem uma alavancagem elevada, que é talvez excessivamente cíclico, né? Então eu buscaria esses setores e essas empresas que são de qualidade, os melhores imóveis, os melhores, melhores locações, que hoje você consegue pagar um preço por metro quadrado, um EV por EBITDA, um preço sobre lucro muito barato.

Empresas de altíssima qualidade negociando 6 vezes lucro. E qualquer alívio no juro— e eu não quero dizer de maneira alguma que o juro ele vai cair excessivamente, eu só não acho que ele vai ficar neste patamar indefinidamente, a não ser que, é claro, nós mantenhamos essa política fiscal expansionista, que na minha visão ela é insustentável. Ela tem um quê de eleição, né, de você querer estimular a economia. Então você vê o crescimento do PIB nos últimos anos, ele em grande parte foi impulsionado pelo agro, por incrível que pareça, né, e pela expansão dos gastos do governo.

Com uma limitação de despesas discricionárias, né, e uma— nós já cobramos aí 32% do PIB em impostos, né. Você ainda tem um déficit que você acaba emitindo dívida para poder sustentar um gasto elevado, vários programas sociais, alguns justos, não tô discutindo mérito aqui, uma despesa previdenciária muito, muito robusta também. Mas eventualmente isso vai ser revertido, e eu acho que vai doer. Quando doer, nós temos que estar posicionados nas empresas de maior qualidade.

E eu me lembro que quando eu entrei na Finclass, o Thiago me chamou para gravar assim, vamos gravar do nada, uma empresa, me recomenda uma empresa. Aí eu pensei assim, poxa, de todas as empresas que eu posso recomendar, o que que eu vou, eu vou, vou no mais, na mais conservadora, eu vou na que vai ganhar em todos os cenários. E eu recomendei BB Seguridade. Que que eu recomendei BB Seguridade, que é uma empresa estatal Durante um governo que não é exatamente pró-mercado, sem fazer juízo de valor, porque a BB Seguridade ela tem um fator em que ela tem participações que são controladas, o capital votante ele tá na mão de parceiros privados, então o governo não tem tanta ingerência.

Então quem toca, por exemplo, a Brasil Prev, salvo engano é a Principal, quem toca a Brasil Seg, que é a seguradora do grupo, é a Mapfre, que é espanhola, então ela não tá tão sujeita a ingerência como o Banco do Brasil, por exemplo. Num cenário de juros elevados, ela tem o que se chama de float. Então imagina que você faz um seguro, você recebe a pólice, a seguradora não sabe, ela tem um passivo que ela não sabe quanto que vai ser, né?

Ela recebe isso e aí ela aplica em títulos de curto prazo. Então um cenário de juros elevados beneficia ela muito, né? Num cenário que o juro cai, talvez, beleza, o resultado financeiro não vai ser 2 bilhões líquido por ano, mas ela vai emitir mais prêmios, ela vai vender mais capitalização, né? Ela ganha em todos os cenários. Ela tinha ali, quando eu recomendei, tinha uma simetria muito positiva. Hoje a BB Seguridade tá 39, tá próximo do topo histórico.

Então não sei se é a hora de comprar com a sinistralidade tão baixa, né? O agro esse ano, nós temos perspectiva de El Niño, isso deve impactar a sinistralidade, que é uma métrica importante para seguradoras. Você tem um juro muito alto. Então eu entendo que as seguradoras elas já estão bem precificadas. Ah, então eu olharia para os negócios que também não tem tanta dívida, né? No caso da Bicicleta, ela não tem dívida per se, mas ela tem.

Olharia para— tem negócio caixa líquido na bolsa de setores como agro, por exemplo, né, que estão totalmente esquecidos e tá se perpetuando essa ideia de que o agro vai mal por muitos anos, o que para mim não é verdade.

BPBruno Perini

É, já aproveitando esse ponto, tanto em FIIs quanto nas empresas da bolsa, vocês têm uma ideia do número de empresas negociando abaixo de valor patrimonial, por exemplo. Até porque outro dia eu tava discutindo com um conhecido meu, ele tem um fundo de private equity, uns poucos aqui no Brasil, né? É uma atividade que não tem muito como crescer aqui, dado como é que tá nossa economia. Eu tava falando, cara, mas como é que você faz negócio aqui no Brasil?

Como é que você compra empresa? Ele fala, ah, tô pegando umas empresas por 6 vezes EBITDA. Eu falei, puta, deixa eu abrir umas empresas da bolsa aqui. Eu demorei para achar uma empresa Dentre grandes assim empresas que era negociada acima desse múltiplo. Falei, para que comprar empresa fechada se aquela cresça muito? Você pode comprar na bolsa uma 3 vezes EBITDA, 2 vezes EBITDA. Eu achei a empresa negociando a 1 vez EBITDA. Quando você tira o caixa da empresa, ele falou, é, realmente tem que pesquisar bastante.

Aí eu falei, pô, mas eu não tenho aqui a métrica de quantas empresas negociam no patamar tão barato assim. Vocês têm ideia? Ou por exemplo, IFIX, quanto é que tá o valor patrimonial agora?

RFRicardo Figueiredo

Roda abaixo do patrimonial agora. 0,90, pouquinho, um pouquinho de desconto, tem um pouquinho de desconto. Mas, e aí, isso tem um fator importante, né? Porque o IFIX hoje ele é quase 40%, mais ou menos 40%, fundo de papel, né? Quando você olha especialmente para as carteiras de melhor risco de crédito, eles estão ali muito próximo do patrimonial, algumas até acima de patrimonial. Então essa turma já é um colchão segurando os tijolos que esses estão bem mais descontados.

Então quando você abre por classe, e mesmo os fundos de papel na média estão abaixo do, tem um PVP menor do que, do que 1, porque a turma que é high yield tá sofrendo mais, né, os que tem o risco de crédito de menor qualidade. Mas quando você vai para o tijolo, né, raiz, por isso que o IFIX às vezes engana, você pega escritório, tá rodando a 0,74, 0,75 de PVP na média, né. Shopping center, 0,90, mais ou menos. Logístico, que melhor que isso?

Então, no IFIX, você achar os elementos com PVP 1 ou acima de 1 é medusa de gato pingado ali. Normalmente fundo de papel de melhor qualidade, e é esse cara, porque o resto tá tudo abaixo de— e tem um outro fator que é uma segunda camada, Perini, que a turma que saiu Esse daí é quem percebe quem é, respira esse meio, né? O VP, né, do PVP, tá muito castigado. Ele tá castigado justamente por conta desse cenário de juros, porque quando você pega nos fundos de crédito, você tem a marcação desses títulos que sofre, só a marcação sofre porque você tem um juro mais elevado.

Exato. No tijolo é laudo anual. Então sentei com o time de fundo imobiliário, pegamos lá os principais fundos, abrimos os laudos do ano passado, né? É, as taxas de desconto, as taxas de capitalização utilizadas para descontar o fluxo de caixa que valora esses ativos, né? Como é que você— quanto vale um shopping center? Fluxo de caixa de 10 anos, pega esse fluxo, traz todo a valor presente. Esse fluxo do décimo ano você traz por um cap, como se tivesse vendido o ativo naquele cap, traz tudo a valor presente.

Foi mais— a diferença em relação ao ano anterior foi mais ou menos de 0,75%, de meio a 0,75% em cada imóvel, né? Isso é uma boçalidade de destruição de valor no valor do ativo. Por quê? Porque é por ano. Então é 0,75 que você vai encaixando exponencialmente, ano após ano. O fluxo tem 10 anos, então você destrói muito valor do ativo. Ou seja, o VP tá esmagado. Esse PVP na bola mesmo, com juro que não precisa nem ser decente não, tá, é que não seja esse juro absurdo que a gente tem, você tem pelo menos uns 15% aí, no mínimo uns 15% de um VP mais alto.

PVP ainda é ainda menor. É que essa segunda camada não fica clara quando você só olha para o número atual, quando você olha só para fotografia. Então o buraco é bem mais embaixo, tem muita, tem muita coisa muito mais barata, né? Mas esse IPCA +8, esse 8 de juros real, é um centro, ele funciona como centro de massa, ele atrai tudo, entendeu? Você competir com isso tá difícil.

EMEvandro Medeiros

Acho que tem dois fatores sugando também. Além da renda fixa, você tem uma SpaceX, por exemplo, As empresas ligadas à AI estão sugando uma parcela relevante do mercado.

BPBruno Perini

Em cripto essa acostumação é uma desculpa muito boa assim. Quando a pessoa fala de queda de Bitcoin, fala: "Cara, tá ligado a esse aqui com certeza." Esse hype da AI.

EMEvandro Medeiros

Não sei se você já viu uma relação entre o Nasdaq 100 e o Bitcoin. Parece que historicamente eles andavam com certa relação e agora essa se abriu, descolou bastante. E nas ações sim, eu não saberia dizer exatamente quantas estão negociando abaixo do VP, porque eu não sou investidor mais micro, eu olho mais teses pequenas. Por que que eu não olho tanto valor patrimonial, tá? Salvo para bancos, construtoras, talvez. É porque, por exemplo, quando eu recomendei a BB Seguridade, ela tava, sei lá, 6 vezes valor patrimonial.

BPBruno Perini

Não serve para tudo.

EMEvandro Medeiros

Exato. E as pessoas olham, poxa, eu lembro de comentários nos vídeos, né? A BB Seguridade tá cara, 6 vezes valor patrimonial, né? Mas poxa, ela tem um patrimônio líquido de uns 12 bi, né? Entrega um lucro líquido de 9. Então assim, ROE de 80, 90, dependendo do ano, uma máquina de fazer dinheiro. Então o valor patrimonial, o preço sobre valor patrimonial, vai depender da rentabilidade daquela empresa em relação ao seu patrimônio.

Então eu não olho tanto, eu olho mais preço sobre lucro, EV por EBITDA. O EBITDA, né, que se usa tanto, ele é basicamente o lucro operacional, aí você soma de volta a depreciação e amortização, é que são despesas não caixa. Eu também não gosto tanto dele porque ele não considera o CAPEX, que é uma despesa muito real, né, que sai caixa. Para você manter a operação e expandir também. Mas assim, de maneira geral, nós vemos múltiplos muito deprimidos.

O Ibovespa negociando aí a 8 vezes lucro contra 26 do S&P. O S&P merece negociar no múltiplo maior, tá, porque ele tem empresas com ROI maior.

BPBruno Perini

Mas merece esse múltiplo em si?

EMEvandro Medeiros

Aí que tá a questão. Eu acho que não, eu acho que não, porque hoje nós temos empresas de AI capecando muito, ou seja, fazendo muito investimento. Você viu o Google, cara, o Alphabet, que é a empresa mãe do Google, fez uma chamada de capital de 80 bilhões. O Google historicamente é uma máquina de gerar caixa. O Google Ads, o YouTube geram muito caixa. E ele remunera os seus acionistas como se fosse um dividendo, que é a recompra, né?

Porque o dividendo nos Estados Unidos ele é bem tributado. Dependendo de onde você mora, o estado, você paga 35, 40% de alíquota. E aí o que que as empresas fazem? Elas recompram as suas próprias ações e você aumenta o valor intrínseco por ação, tá? Vamos dizer dessa maneira. E o Google, ele historicamente remunera seu acionista, ele não chama capital, porque é uma máquina de imprimir dinheiro. Google tá chamando dinheiro para investir em AI.

E qual que vai ser o retorno disso? Nós não sabemos, eu realmente não sei. E eu lembro de uma discussão quando eu cobri o mercado internacional, eu lembro que nós estávamos discutindo sobre o Meta, que o Meta tava investindo no Meta Labs. Vocês lembram do Metaverse que vai ser o futuro? E eu lembro da discussão assim, nesse ponto eu tava correto, que eu falava assim, eu acho que ele deveria abandonar isso porque não se sabe o retorno, você já tem uma máquina de gerar dinheiro que é o Instagram e o Facebook em certa medida.

E no final das contas ele queimou alguns bilhões, deu para trás, que foi uma decisão acertada como gestor, eu acho que reconhecer que você tá errado.

EPEduardo Perez

Mas demorou um pouquinho, né?

EMEvandro Medeiros

Demorou, foram bilhões aí.

EPEduardo Perez

Falavam, meu, isso aí não vai para frente. Zuckerberg vinha público lá falando: não, mas a gente vai colocar mais grana, agora vai pegar.

EMEvandro Medeiros

Sim, e ele, mérito dele ter reconhecido e dado para trás. Eu acho que isso é um mérito de um gestor, reconhecer quando o projeto tá errado e você cortar, né? A própria Amazon, ela faz vários projetos pequenos que não dão certo e vão cortando. Alguns dão certo, como a AWS, né, que é fantástico. Então você tem o juro drenando capital, as small caps escondidas, esquecidas na bolsa, esquecidas assim, não tem fluxo. O fluxo estrangeiro, ele vai só para as blue chips.

Saiu muito desde março, abril e maio. As small caps têm fluxo somente local, em grande parte. Os gestores locais estão sendo amassados, sofrendo resgate. Então a oportunidade que eu tô vendo me lembra muito aquele período ali pré-Dilma, assim, pré-impeachment da Dilma, que você tinha um mercado tão estressado que parecia que aquilo ia se perpetuar, o Brasil ia degringolar. Parece que o Brasil assim sempre tá por degringolar, aí ele volta, faz uma lição de casa, E eu acho que nós estamos próximos da lição de casa, a depender, é claro, da condição da política econômica futura.

Mas acho que tem empresas que você consegue se posicionar independentemente do cenário que vão te dar dinheiro.

BPBruno Perini

Vocês falaram, o Ricardo falou, né, depois você comentou também, Evandro, sobre essas empresas que são as vencedoras. E basta pegar um tempo a maior de Brasil para você ver alguns nomes assim, né. Eu gosto sempre de citar o caso da Klabin. Klabin tem mais de 100 anos de história. Então não é que ela passou só por hiperinflação dos anos 80, ela passou por um monte de mudança de moeda, passou por mudança de regime político aqui no Brasil.

Eles pegaram o começo da República, República da Espada, café com leite, Vera Vargas, depois uma parte mais democrática, vieram os militares, aí tudo que a gente viu nos anos 90, anos 2000, etc. Então aqui até hoje. Então deve ser um negócio muito bom para ter sobrevivido ao Brasil durante todo esse tempo, né? O Itaú também. Eu lembro que uma vez, faz bastante tempo, mas eu fui voltar nos resultados trimestrais que estavam no site para ver se eu achava algum trimestre com prejuízo.

Eu fiquei voltando um tempão e eu não achei, simplesmente eu não achei. Em várias conjunturas econômicas diferentes, o Itaú, ele teve lucro. Então tem empresa realmente que elas são meia-prova de Brasil, mas tem outras que com juros tão altos assim, elas meio que perdem um porquê de existir, vamos colocar dessa forma, né? Então vamos imaginar uma empresa que tá na bolsa negociando no seu valor patrimonial, por uma empresa onde interessa realmente essa métrica, e aí ela obtém como rentabilidade sobre esse patrimônio no ano, digamos que o ROE dela é 10%, Então ela obtém uma rentabilidade de 10% do patrimônio.

Só que o dono da empresa, vamos dizer que ele pode vender a empresa pelo valor patrimonial e pegar essa grana e botar na Selic, pagar 14%, sem ter um estresse com funcionário, sem ter que fazer reunião de conselho, falar com acionista, lidar, né, com os perrengues, né, que é ser empreendedor aqui no Brasil. Então tem empresa que com juros muito alto realmente ela não deveria mais existir. É isso que o Brasil fala para gente, olha, O negócio, para existir, ele tem que ter uma rentabilidade sobre o capital muito mais alta que a taxa de juros. Ele consegue?

RFRicardo Figueiredo

Não.

EPEduardo Perez

Então ele vai morrer.

BPBruno Perini

É isso que o Brasil tá falando, né? Só que são poucos os negócios que conseguem ter uma rentabilidade mais alta do que uma taxa de 14% ao ano, quando você pega a Selic, né? E aí você tem taxas até mais altas, considerando aí uma perspectiva de inflação maior para frente. Então, por isso a pergunta. Mas já aproveitando uma analogia que você fez, Ricardo, o Buffett Ele tem aquela ideia de que os juros estão pelo preço dos ativos de risco, assim como a gravidade está para matéria, que eu acho muito interessante.

Uma vez eu vi na Netflix uma série que ela buscava imaginar como seria a vida em diferentes planetas. Eles pegaram um planeta que tinha uma gravidade que era muito maior que a da Terra, então a atmosfera era muito mais densa e tinha bichos lá que eles conseguiam voar, enormes, porque era quase como nadar na atmosfera. Só que quando o bicho ele chegava no chão, se ele tocasse o chão, ele não voava mais de tanto peso que ele tinha.

E esse planeta tinha uma gravidade tão forte que não era só esse bicho que era atraído para o centro da Terra, mas também corpos celestes. Então lá a vida acabou por causa de um meteoro que foi atraído para o planeta. Vocês não acham que essa taxa de juros tão alta assim, ela meio que atrai um meteoro para o mercado? E que tem gente que fala, pô, o Brasil tá barato, mas tem que estar barato porque tem muito risco de, por exemplo, em renda fixa, o que a gente tá vendo em vários bancos por diferentes motivos, né, muitas fraudes.

Mas com esse juro tão alto assim, não vai ter muita gente quebrando? Como já tá acontecendo, se a gente pega empresas fora da bolsa que tem menos acesso a crédito.

EPEduardo Perez

Com certeza. Acho que a gente pode separar análise em duas etapas, né? A de curto prazo, onde no começo do ano o mercado tava muito mais otimista para o Brasil, porque, poxa, estamos entrando num ciclo de cortes, ano de eleição, talvez uma mudança de governo trouxesse novas reformas aí necessárias. Então curto prazo, apesar da Selic alta, a expectativa era que ela fosse caindo e o risco fosse se amenizando. A nossa curva de juros, um formato natural dela seria ter taxas menores no curto prazo e vai crescendo conforme os prazos vão se alongando.

E o que pegava muito a taxa de juros de longo prazo, que era o que a gente já vinha falando bastante, inclusive o Gui Cadenhoto falava do IPCA praia, justamente porque a parte longa da curva ela não estava tão otimista porque ela olhava muito mais a parte fiscal. A parte fiscal, a gente não tinha nenhuma atualização sobre, poxa, existe uma proposta que o mercado acredita que vai mudar o perfil de endividamento do governo ou a própria relação dívida-PIB?

Não era falado. E a gente sabia que no eleitoral sempre é o ano que, assim, a gente até brinca que o único cargo que ganha falando que vai gastar menos é o de síndico, porque de resto, assim, é, pô, o cara vai falar que vai gastar mesmo na cara dura. Então a gente tinha uma perspectiva de curto prazo, diminuição de juros. Longo prazo tava indefinido. Mudou bastante coisa depois desse conflito. Petróleo subiu ali para mais de $100.

Então agora o mercado ficou muito mais pessimista no curto prazo, começou a colocar em xeque a condução da política monetária pelo Copom, que aí também até a gente em reuniões tem chegado no consenso de que tá tendo um exagero aí pelo mercado, mas De qualquer forma, o que tá pegando no longo prazo continua sendo o problema estrutural que o Brasil tem. E aí a gente tem problemas do tipo, puts, antes a gente tinha perspectiva de uma mudança de governo, agora já tá mais cinzento, né?

O Rodrigo, que é o nosso analista de fundos, ele falou com alguns gestores, inclusive ele trouxe esse insight para gente, que os gestores da Faria Lima agora não tem um cenário mais previsível de eleição, ou de pelo menos nome para alguém que vá competir com o Lula nesse, nessa eleição presidenciável. Então fica um cenário assim, no Brasil sempre tudo foi muito turbulento, muito cinzento. Ano eleitoral já é difícil, agora tá 10 vezes pior no curto prazo por causa do petróleo, no longo prazo por causa de tudo isso.

Então a gente vê tudo muito descontado, até demasiadamente descontado. Então por isso que até brinquei, na renda fixa, para a gente que olha da perspectiva de taxa Tá uma maravilha. Porém, como cidadão que paga imposto, eu fico preocupado que, cara, tá no nível insustentável. É, por exemplo, aposentadoria indexada ao salário mínimo. Você pega o governo que tem uma política de fazer reajuste de um salário mínimo acima da inflação, só que isso funciona como um ciclo que retroalimenta a inflação.

Então você explicar isso em um ano eleitoral, esquece, você não vai conseguir. E se você tentar falar com números, você será taxado de o cara mais desumano da história da humanidade ali. Mas enfim, eu acho que assim, é uma lombada na estrada que a gente vai ter como investidor. Esse período agora é uma lombada e a gente, a gente tava numa velocidade alta, a gente bateu a cabeça no assoalho do carro, mas vai passar alguma hora.

Então esse, para a gente como analista, é um momento em que a gente quer começar a focar ali em bons ativos, igual o Ricardo falou, você tem que ver os fundamentos da empresa. E assim, tem coisas que a gente pode filtrar com facilidade. Por exemplo, o próprio cenário bancário que você comentou, né? Tem alguns bancos que naturalmente a gente já não gosta. Por exemplo, na Finclas aqui, seja por motivos de perfil de negócio do banco, seja por desconfiança de governança, que a gente também não sente confortável.

E tanto que a gente vê notícias aí do Digimais, notícias de é, Reagi, Banco Master, tem uma lista de nomes. Mas eu acho que para a gente aqui em algum momento é isso aí. Eu acho que até questão de 12 meses a gente deve ter um cenário mais benigno para gente, nem que seja de falar, beleza, não mudou estruturalmente ainda, mas temos o nome de quem vai governar o Brasil por mais 4 anos, e agora podemos cobrar atitudes que levem aí uma mudança estrutural.

Mas aí também depende muito da população, né? Não é só o presidente que resolve o país. Tem ali deputado, tem senador. E aí esse que é o ponto que o pessoal peca muito, né? Achar que o presidente que resolve todos os problemas.

BPBruno Perini

É, o sucesso político infelizmente ele não é ligado ao controle da máquina de imprimir dinheiro, mas sim ao seu uso, né?

EPEduardo Perez

Exato.

BPBruno Perini

Então é muito raro um político querer segurar a mão na hora de gastar. Mas já aproveitando esse ponto da questão da dívida, eu queria ouvir a opinião de vocês em diferentes setores, né? Porque, por exemplo, o Evandro ele citou que evitaria empresas mais endividadas agora. E no começo do ano tinha muita gente que tava falando, não, o juro vai cair. Então era de pegar uma empresa aí que ela, por exemplo, ela tem um EBITDA positivo, uma varejista, Magazine Luiza, mas o resultado financeiro dela é altamente negativo, é muito juros.

A hora que o juro cair, cara, a margem dela que tá em -4% vai para 1%, e parece uma pequena mudança, mano. Porra, exatamente, é transformacional. Até porque empresa de margem baixa é isso, né, saiu de 1% para 2%, Claro, lucro dobrou. Agora o cara tem mais de 40 para 41, não é tanta coisa assim, mas isso meio que foi desfeito. E nos fundos imobiliários tem muita gente que adora os fundos de papel, Ricardo. Você comentou, pô, tem vários negociando até com pequeno desconto, inclusive tem outros negociando com prêmio.

Será que é justo pagar um prêmio num fundo de papel? Não seria bom vender esse para comprar outro? E qual o risco de esses fundos terem uma surpresa aí? Porque é muito bacana quando você entra no fundo e fala, caramba, carteira do fundo tá rendendo IPCA mais 12. Até alguém pagando IPCA mais 12, né, para que o cara recebesse dividendo. E a mesma coisa nos CDBs.

RFRicardo Figueiredo

Eu falei ontem com um gestor, tava numa reunião com gestor e a carteira de crédito, né, e a gente tava falando exatamente isso, né. Ele, o que ele tá conseguindo, ele tem originação própria, né, o que ele tá conseguindo colocar de CRI novo na carteira, tudo CDI mais, né. Porque quando ele vai fazer a conta para o IPCA+, tinha que ser, ele tem um perfil de risco mais intermediário, né, não é high grade, melhor qualidade, é um risco mais intermediário.

Fala, para conta fechar para um construtor, principalmente assim, construtora menor, né, aí IPCA+13, eu falo, pô, IPCA+13, o problema já deixou de ser de quem tomou o crédito, é de quem cedeu o crédito. Você tem um problema já, porque do outro lado tem um cara que vai ter que rentabilizar PCA +13. Não é brincadeira num negócio em que o cliente dele também precisa de crédito, né, porque é construir residencial. Enfim, é duro, né?

Então nesse cenário de juros tão elevado, e mais uma vez eu chamo atenção para isso, a gente não tá falando de um ciclo em que o juro tá alto há 1 ano e meio 2 anos, vai ser CDI 2 dígitos há 5 anos, caminhando para o 6º, porque ano que vem vai ser também. Agora é hora de, na minha leitura, pé no chão. Não adianta, porque quando você vai olhar carteira ali, carteira boa, de qualidade, pagando yield de 13,5% ao ano, isento, isento.

Aí vem esse outro isento de. O, para que que você vai se aventurar no negócio lá que tá, sei lá, 17, 13,5% isento, distribuído mensalmente, pingando, entendeu? Ah, mas tem um pedaço que é CDI e pode cair um pouquinho, porque se a Selic cair, o CDI cai também. Tá bom, primeiro que vai cair a conta-gotas, 0,25, 0,25, você mal vai perceber. Tem a outra parte, que a maior parte da carteira, que é inflação mais Bom, inflação mais 9, que é outra coisa que eu comentei com esse gestor.

Eu falei, esse nível de taxa, além de tudo, ele esconde muita alavancagem que foi feita aí, que tá mal feita. Porque quando você toma lá IPCA mais 9 e o título público tá IPCA mais 7,5, assim, mais longo, né, 150 pontos em cima do ativo livre de risco. Só high grade, custa caro para caramba isso, entendeu? Sabe por quê? Porque se crie tem 20 anos, essa taxa não vai ficar IPCA mais 7 meses durante 20 anos. Lá na frente essa conta vai chegar para esse cara ainda, mas hoje tá bonito.

Então eu falo para as pessoas, esquece essa turma mais apimentada, entendeu? Fica onde o jogo. E aí você olha o histórico, tem alguns fundos pegar notoriamente fundo de gestão quineia, né? Adoro gestão quineia muito bem feita. Você tem um histórico ali, não tem operação dando dor de cabeça para o gestor e por conseguinte para o cotista, né? Aí esse cara tá rodando a patrimonial, o cara, mas olha o histórico, tá te pagando ali bem, não tá pagando pouco mesmo na patrimonial.

Para que que você vai olhar, vai crescer o olho, né, e vai olhar o negócio? Joga tranquilo, né? Porque a experiência ruim no produto faz muitas vezes com que o investidor critique o produto, né? Tem gente que me pergunta agora: Ricardo, vou colocar tudo em fundo imobiliário, tá barato. Porque também tem essa turma, né, que olha o negócio barato, falando: agora é hora de encher o carrinho, vou comprar, vou ficar over, né, vou ter mais do que eu quero em fundo imobiliário.

Não, calma, respeita a locação. Sabe por quê? Nos últimos 5 anos, eu fiz esse estudo ontem, até 23 de junho, nos últimos 5 anos o CDI foi 77% e fixo foi 36%. Você aguentar 5 anos vendo CDI enfiar o dobro na sua cara? Desculpa, você não ia aguentar, você não ia aguentar. Se eu fizer o gross up do IR ainda, deixar 85% CDI, dá 62 contra 36. Não vai aguentar. Sabe o que que quanto foi IPCA nesse, nessa mesma janela? 34%, já acompanhou inflação.

EPEduardo Perez

Ufa, ufa!

RFRicardo Figueiredo

Então nesse momento, ah, você pegar nossa seleção de fundo imobiliário, a gente entrega nessa janela que a carteira existe 130% mais ou menos do IFIX. Pô, com 130% do IFIX a gente já consegue ficar ali, buscar quase, praticamente busca o 85% do CDI. Então, se fizer uma boa seleção, mas no meio do caminho chacoalha para caramba. Então diversifica, foge do— e a gente foca no quê? Foca na qualidade, foca na qualidade. Eu tiro as tranqueiras que estão lá dentro do IFIX.

EMEvandro Medeiros

Então, o ponto que você fez de seleção, né? Porque eu confio tanto na carteira dele que eu recomendei alguns fundos do professor para minha mãe, tá? E aí, quando você vai pegar um fundo de crédito, de CRI, por exemplo, é um fundo de crédito na sua essência. Então, ah, tá pagando, poxa, 14%, 15% líquido, beleza. Ele vai pagar contanto que não haja inadimplência no futuro.

BPBruno Perini

Pagar se tem alguém pagando, exato.

EMEvandro Medeiros

E aí, por que que eu prefiro esses fundos de high grade que o professor escolhe? Porque, poxa, você tem uma previsibilidade, você pode até ter um calote eventualmente, pode, Acontece, faz parte do jogo, né? Mas eu não preciso me aventurar e pegar uma taxa muito elevada quando já tem um high grade pagando 13. Tem high grade pagando?

EPEduardo Perez

Tem.

RFRicardo Figueiredo

Não, e tem outra coisa, né? O Perini acabou de falar, ele mesmo abriu lá os informes do Itaú e ficou buscando prejuízo. Busquei, buscou, buscou, nada, nada, né? E o Itaú ganha dinheiro com quê? Com crédito. E adivinha, todo dia o Itaú toma calote, mais ou menos. É banco com serviço, banco. Banco ganha dinheiro dando crédito, né? Toma, toma CDI, empresta, toma CDI, empresta CDI mais alguma coisa.

EPEduardo Perez

Ele é o que leva menos calote, né?

RFRicardo Figueiredo

Mas todo dia o Itaú toma um calote, todo dia. Ou seja, quando você se aventura no mundo, pelo menos, quando você se aventura no mundo do crédito, não é será, é quando eu terei um evento de crédito na minha carteira. Terei. Por isso você tem que ter conforto. Isso, isso eu acho que ainda falta no investidor de fundo imobiliário. Quando ele olha a carteira de CRI, ele acha que aquela carteira de CRI é a prova de balas. Não, não é.

Vai ter alguma coisa ao longo do tempo, vai ter. É por isso que você tem que fazer o quê? Pulveriza o risco, empresta para uma galera, porque um ou outro que vai dar problema ali vai machucar pouquinho, segue a vida. E foca na qualidade, porque quando você foca em qualidade, o teu risco de dar problema, ele é muito menor. Ele não é zero, Né, mas a gente minimiza, né? Risco a gente não anula, risco a gente minimiza.

BPBruno Perini

Não, se fosse fácil dar crédito, a AJ não matava as pessoas.

EPEduardo Perez

Exato, cara.

RFRicardo Figueiredo

Excelente.

BPBruno Perini

Pensa aí como um AJ bonzinho, um cara que não faz muita conta, ele empresta 10% ao ano, né? Enfim, não existe esse cara. Se ele emprestou para 10 pessoas, 9 pagaram, se uma não pagou, ele tá no prejuízo. Se foi a mesma quantia, ele tá no prejuízo, ele não recuperou nem o principal, por isso que ele vai lá e mata a pessoa. Tem que se colocar no lugar desse cara também, ver que ele só quer colocar comida na mesa, entendeu, pessoal?

Mas brincadeiras à parte, é difícil realmente lidar com crédito, né? Até porque em renda fixa a gente não tem, não vê muito essa volatilidade do crédito. Às vezes um CDB do Banco Master, se você só olhasse lá como é que tava o teu extrato na corretora, ele tava rendendo simplesmente o que ele prometia até a hora que você não foi pago.

EPEduardo Perez

Linearmente, maravilhosamente.

BPBruno Perini

Exatamente.

EPEduardo Perez

Aí você compara com um título pré, do Tesouro Selic, tem um pouquinho de volatilidade daquele 0,1 de taxa de deságio. Aí você compara com CDB do Master, fala assim: pô, CDB do Master é mais tranquilo, afinal ele sobe linearmente, né? Aí pronto, toma, FGC vai, faliu o banco. Então é, tem vários riscos que ficam camuflados. Por exemplo, né, pega fundos de crédito privado, é muito disso. Você não pode só ver o preço da cota para ver realmente confiar 100% naquilo como uma proxy da qualidade da carteira.

Você tem que abrir a carteira, tem que analisar realmente ativo por ativo, se for possível. Vai ser chato, vai dar trabalho, vai. Para isso que tem analistas aqui que fazem isso, por isso que tem um gestor lá no fundo que faz isso. Então é bem importante.

BPBruno Perini

Eduardo, até aproveitando sua expertise em renda fixa, né, a gente tá falando sobre construir patrimônio aqui no podcast. O Munger, ele tinha uma frase que é simples, mas ao mesmo tempo ela é genial e muito verdadeira. Ele falava que Não tem que ser um gênio, basta não ser um idiota, né? A gente pode falar que a principal maneira de construir patrimônio é não perdendo patrimônio. Isso não tem a ver com oscilação de mercado, tem a ver com perdas definitivas.

E, por exemplo, se em fundos imobiliários de papel, onde o cara tem uma carteira, o Ricardo já fala, pô, fica mais distante do pessoal que tem mais risco, porque vai que tem um CRI lá que é mais pesado na alocação e você tem um calote, cara, e aí você perde 2 pontos percentuais de uma vez. Agora tem muito investidor que ele simplesmente pega um CRI, um CRA diretamente, e eu duvido que ele tenha lido as 100 páginas de como funciona aquele negócio, ou visto o que são as garantias, né?

A garantia do cara é um trator. Quem vai buscar esse negócio lá longe para cacete, no Centro-Oeste, para vender depois? É, entendeu? Então queria saber na sua visão, porque agora se você tem título público pagando IPCA+8, cara, os privados estão pagando IPCA+9, +10, até mais do que isso quando é alguma coisa mais estressada. E o investidor pessoa física muitas vezes ele não quer saber de nada, só da taxa. Vou pegar esse negócio aqui e vamos ver o que acontece, né?

Acho que eu vou ser pago. Qual a sua visão, cara, sobre isso? É bom evitar CRIs, CRAs de benturis no geral? É melhor se expor via fundos, por exemplo?

EPEduardo Perez

É, eu tive contato com alguns investidores que eles falavam isso. Pô, eu cansei de bancário porque o bancário ele dá uma rentabilidade próxima de um título do governo quando você compara a taxa. Então eu quero ir para o crédito privado como se fosse assim sei lá, o bancário paga IPCA +8, o crédito privado fosse pagar IPCA +50, pensando em taxa, né? Mas eu acho que não existe uma distância tão significativa assim de retorno quando a gente olha.

E o risco é, primeiro, que o crédito privado ele tem vários vou fazer do meu jeito. Como assim? Você vai pôr no mercado um título, um CRI, CRA, uma debênture, você vai colocar ali periodicidade de amortização da cota, tem classe de cota, se você vai pagar juros ou amortização sobre o valor que você aplicou, tem a questão da recompra. Então eu já ouvi falar muito de investidores que, conversando com eles, eles falavam: poxa, eu comprei uma debênture super da hora aqui com uma taxa super boa, do nada sumiu da minha carteira.

Falei: como assim sumiu? Você tá na Citip lá, tá escrito quando você comprou e quando você vendeu. Aí o cara puxa o extrato, ele fala: não, teve um evento de, não é um evento de crédito, mas teve um evento de recompra antecipada, tava na cláusula de uma das 500 páginas lá que o cara provavelmente não leu, e tava falando, ó, a gente dá para o emissor do título a opção de você poder fazer a recompra quando for mais apropriado, né.

Então o que que o emissor faz? Ele pode recomprar a dívida que ele emitiu a IPCA+10, se o cenário de taxa de juros permitir com que o emissor faça uma nova emissão de dívida IPCA+7, ele vai recomprar o que tá IPCA+10 e remite a IPCA +7%. Aí, até você explicar isso para o cara, que é pessoa física, o cara fala: não, você roubou meu dinheiro, eu perdi dinheiro. Investimento no Brasil é bolsa, é cassino, e renda fixa não vale a pena.

Fala: não, não é bem assim. Então, para pessoa física, para você fazer uma análise que faça muito sentido e que combine bem com a carteira, e na grande maioria das vezes vale mais a pena um fundo. Um fundo pode ser um fundo aberto, um fundo fechado, um fundo listado em bolsa, ele também ele acaba sendo bem utilizado quando ele tem uma liquidez boa. Então o crédito privado, e aí eu entendo que vale mais a pena quando você tem um super patrimônio, você já diversificou em vários produtos, tipo na renda fixa, né, Tesouro Direto, produtos bancários.

Aí você já, pô, eu tô super exposto ali, tô saindo da concentração do FGC, meu perfil permite com que eu vá um pouquinho mais além, já tenho ali o que eu quero em equity, eu quero algo entre equity e renda fixa bancária, aí sim você tem a opção de crédito privado, mas você tem que ter uma boa consultoria para te dar esse apoio de falar assim: não, olha, esse produto ele faz sentido porque ele vence nesse, nesse prazo, ele vai pagar mensalmente, anualmente, tanto ali o período que tá no prospecto, e tem esses riscos.

Então é como se fosse o consultor trabalhando como um tradutor, você pega um um livro em alemão, você não sabe ler alemão, cara, você provavelmente vai ler errado. Então hoje tá muito mais fácil, você tem muito mais acesso à informação, muito mais acesso a consultor. E sendo bem sincero, na grande maioria dos casos, um fundo ali que é negociado em bolsa, um fundo aberto, ele já resolve bem a sua dor de crédito privado.

BPBruno Perini

É, eu sou dessa opinião também, cara. Eu acho que muito investidor acaba com CRI, CRAI e debênture na carteira porque ele tá sendo assessorado por um profissional, que ele ganha comissão quando indica aquele produto. Porque pensando friamente, para que pegar um CRI de uma empresa que você não sabe nada, você não tem informação sobre aquilo, não sabe como funciona, você não vai ter liquidez se você precisar, se você pode pegar um fundo imobiliário que tem 100 CRIs, com gestor que analisou cada um deles, entendeu?

E que provavelmente vai pagar a mesma coisa, talvez até mais, se for, se você for olhar às vezes, né? Para que pegar um CRA se você pode ter um fundo que faz a mesma coisa? Para que pegar uma debênture se tem lá um fundo de infra com uma série de debêntures? Também com a mesma, com o mesmo esquema, e você podendo vender quando você quiser. Aquela analogia do Benjamin Graham, do senhor mercado, acho brilhante, né? Imagina que você tem um negócio e tem um sócio, e que todo dia esse sócio fala: eu compro a sua parte.

Só que sócio, ele é meio megalomaníaco, então tem dia que ele dá um preço, no outro ele dá um preço radicalmente diferente, mas todo dia ele tá lá.

EMEvandro Medeiros

Isso é o mercado.

BPBruno Perini

Então, quando você tem produto listado, você pode sair a hora que você quiser, só que o preço vai estar oscilando todo dia. Então, a liquidez Ela existe. Então, se você tá assistindo isso aqui, tá lotado de CRI na carteira, de CRA na carteira, de debênture, e nem entende como isso funciona, acho que você deveria dar uma olhada em quem tá te assessorando e talvez trocar esse modelo para ter um cara que esteja do mesmo lado da mesa que você, não ganhando comissão quando coloca as coisas na sua carteira, mas sim ganhando por fazer o seu patrimônio crescer ao longo do tempo, tá?

Acho que o principal é não perder dinheiro com essas bobeiras, pessoal. Seria a primeira coisa para que você possa construir patrimônio.

EPEduardo Perez

E outro ponto, pera aí, só para complementar, o pessoal acha que a renda fixa é você saber o melhor momento desde o Tesouro Direto até crédito privado, que é meio que o limite. Só que o crédito privado a gente conversa muito melhor com analista de equity, porque o analista de equity ele é o cara que ele vai falar: eu preciso entender a empresa, o business dela, onde ela tá inserida, se ela tá indo bem, tem que analisar fluxo de caixa de uma maneira muito mais detalhada que olhar um banco, porque o banco pode ter as suas variações, mas é basicamente emprestar dinheiro e não tomar calote, né.

É uma análise, não é simples, mas ela é mais rápida de se fazer quando você faz bem feito do que se você fizer crédito privado. Conversa um pouquinho, conversa até que bastante, né, mano? A gente fala sobre empresa que emite crédito privado e a gente vê que não dá para você utilizar os mesmos padrões de análise para todas as empresas. Então às vezes vem assinante aqui que fala: Edu, o que que você acha do CRI da JBS? 'Que paga tal?' Falo: 'Cara, eu não posso te dizer aqui agora, olha, é um produto bom, é um produto ruim.' Eu tenho que entender você como investidor e a empresa.

E para isso eu tenho que analisar não só empresa como os múltiplos do setor. Eu tenho que analisar o múltiplo dos pares dela também, que não adianta falar que a minha empresa é boa, mas você tá pagando por um produto caro. Então a gente fica muito mais próximo nessa, nesse momento do analista de equity. Então É, você vai para uma abordagem muito mais fundamentalista, parecido com de ações.

EMEvandro Medeiros

Eu vejo muita sinergia entre análise equity e análise de crédito, né? Porque análise de equity e crédito nada mais é, a diferença é que além de entender o modelo de negócios, entender as vantagens competitivas, estimar um fluxo de caixa, a análise de equity tem um passo a mais, que você tem ainda que precificar aquela ação, que é mais difícil na minha opinião. Com todo respeito aos analistas de crédito, também tem um trabalho super difícil e muito importante.

Eu particularmente gosto muito de crédito privado, mas é porque eu olho empresas, a minha paixão, eu faço final de semana, né, eu olho balanço, fluxo de caixa, vontade competitiva, entrevista com CEO. Inclusive eu olhei a sua com o Wilson Matheus, né, eu tava estudando as varejistas alimentares, açaí, o grupo Matheus, muito legal, recomendo o episódio. E eu particularmente gosto porque eu tenho, eu vejo essa sinergia e eu consigo ficar posicionado tanto no equity quanto no crédito, com risco que eu entendo.

Até o momento não tomei nenhum calote no crédito, até o momento, né? É possível que um dia vai ser, mas estou sendo mais que recompensado por isso. Porque além de analisar todos esses fatores que eu mencionei, você tem que analisar os spread, né, se vale a pena. Exato. Então não é muito complexo, cara. É assim, eu vou dar uma opinião que talvez seja um pouco polêmica, tá? Eu acho que agora é hora de você assumir risco de duration, tá?

Não em crédito privado, mas em título público, para a maior parte dos investidores.

RFRicardo Figueiredo

Por quê?

EMEvandro Medeiros

Porque se você pega um título de, sei lá, 6 anos, tá, daqui a 6 anos, beleza, você vai ter um retorno muito bom, IPCA +8 ou 7 e poucos, vários, beleza. Só que aí você vai ter que pagar imposto, né? Ao passo que o investidor que investiu no título mais longo, ele deixa compondo aquilo sem pagar imposto, ele tá diferindo imposto. E o poder de fazer isso é absurdo. E eu faço isso em ações, eu faço isso em renda fixa, Eu faço isso em fundos imobiliários.

Eu tenho uma mentalidade de vender pouco, gerar pouco a minha carteira, né? Porque você consegue não pagar a sua cota, né? Você vai pagar, justo, tem que pagar para o governo eventualmente, né? Todo mundo, né?

RFRicardo Figueiredo

Devido tempo você vai pagar.

BPBruno Perini

Agora usa a regra a seu favor, usa a regra a seu favor.

EMEvandro Medeiros

Então a ação mais antiga que eu tenho, eu tenho até um pouco de vergonha de falar isso, tá? Porque eu acho muito curto, mas foi 2020 que eu comprei. Comprei uma empresa de shopping na Argentina. Eu não vou vender, cara. Teve um lucro absurdo, vou pagar imposto. Ela tá lá, tá indo barata, eu na minha opinião, né? Eu falo muito de imóvel com o professor, aprendo muito com essa turma, sou muito privilegiado. Que eu falo de renda fixa, falo de fundo imobiliário, falo de internacional com a Raiz.

Então eu gosto de ter uma visão mais holística, ainda que eu ame ações, o instrumento. Cara, não importa de onde vem o dinheiro, eu gosto de dinheiro. Se vai vir fundo imobiliário, se vai ser renda fixa, se vai ser ações, tô nem aí, eu quero ganhar dinheiro.

RFRicardo Figueiredo

O Evandro trouxe um ponto importante, que além de tudo é a gente aprender a utilizar os diferentes veículos que existem para investir no mesmo tipo de produto. Então, se você vai para um título público mais curto, você vai ter essa questão mais adiante, que são duas. Primeiro é o imposto, ele chegará. Segundo é o risco do reinvestimento. Que taxa eu vou reinvestir esse recurso quando ela vencer? Mas como é que eu— mas você olha, pô, mas essa turma mais curta tá com uma taxa que é uma belezinha, né?

Vai para o ETF, porque esse ETF vai ficar rodando em cima dessa turma que é mais curta mesmo. Então você não vai ter esse tipo de risco, né, do risco do reinvestimento. Não, você tá uma parte da sua carteira, você sempre vai estar ali no inflação de duration mais curta. Você pode ter uma parte na longa também, mas você usou o veículo ETF, inclusive igual a eficiência tributária, porque vai ser 15%, a melhor alíquota que você vai ter lá na renda fixa é essa.

EMEvandro Medeiros

E tem produtos cada vez mais competitivos em taxa.

RFRicardo Figueiredo

E aí esse é o ponto, né? A gente precisa— não existe só uma maneira de investir num determinado produto. Por exemplo, fundo imobiliário. ETF para fundo imobiliário é ruim porque eu mato a eficiência tributária que o FII tem, né? Quando eu recebo ali o pinga-pinga todo mês isento de IR, o ETF não vai me dar isso.

BPBruno Perini

Teria um IR de 15% no dividendo.

RFRicardo Figueiredo

Então você vê o mesmo veículo por um produto maravilhoso, para outro nem tanto. Mas a culpa é do produto? A culpa é do veículo? Não, é só você saber fazer esse encaixe na tua locação, obviamente com orientação, né? Porque também tem esse outro ponto. Às vezes eu acho que as pessoas elas meio que se iludem, Perinho. Se iludem em que sentido? Você não vai dar conta de tudo, de aprender tudo para poder extrair dos melhores produtos, os melhores veículos a melhor rentabilidade, né?

Aproveitando que o Evandro falou, aí eu vou dar uma opinião polêmica, eu também vou dar minha opinião polêmica, né? Eu acho que às vezes o brasileiro, ele tem raiva de pagar para o serviço, né? O mecânico é caro, dentista é caro, médico é caro, dermatologista é caro, barbeiro é caro, tudo é caro, menos a remuneração dela. Ela acha que tá sempre ganhando pouco. Falei, que azar, hein, meu? Você paga caro para todo mundo e você ganha pouco.

EPEduardo Perez

Coincidência, né?

RFRicardo Figueiredo

Lástima, né? Às vezes a gente tem raiva de pagar por serviço. Eu pelo menos entendo, você vê isso, né, nas expressões das pessoas. E no final do dia, quando você paga por serviço, você tá tentando inclusive fazer uma melhor alocação do seu tempo, né? O professor, a dentista, engenheira, o motorista de aplicativo, bota energia na tarefa em que você faz mais dinheiro e vai alocando o seu tempo nisso e pagando para que outras pessoas resolvam os pepinos em que você não é tão bom, em que você não é tão bom.

Uma paródia com isso, tava conversando com tio, ele tem sistema de geração solar na casa dele, eu também, e a gente falando, pô, de vez em quando tem que limpar, né? Eu falei, é, tio, semana passada eu coloquei lá uma equipe para limpar o meu, né? Ele falou, não, eu mesmo subi e limpei. Falei, eu Falei, falei, o exato exemplo que eu falei, falei, por muito menos o Gugu foi embora e eu não sou nem o Gugu, eu não vou correr o risco.

Foi no ar-condicionado. E segundo, bem, eu acho que eu consigo remunerar meu tempo melhor do que o tempo que eu vou gastar em cima do telhado esfregando aço. Então é isso, procura orientação do especialista porque ele vai saber te orientar. Ó, para esse produto vai nesse veículo, veículo é melhor para você. Para esse produto, vai nesse veículo que é melhor para você. Porque, mais uma vez, para o mesmo produto, veículos diferentes vão trazer resultados diferentes.

E isso a gente precisa aprender a incorporar na nossa análise de montagem de carteira. Não tem ativo mágico, não tem bala de prata que vai resolver nada. É o tempo e a melhor alocação que caiba para o teu perfil de risco, que é outro elemento que as pessoas ignoram. Na hora do oba-oba, todo mundo quer colocar dinheiro em ações, em fundo imobiliário. Falei, a montanha-russa subindo, montanha-russa subindo, você não, você olha para o rosto de todos, em todos os carrinhos, você não sabe distinguir quem é que não tinha que estar ali.

Tá todo mundo sorrindo. Aí quando ela embica e começa a descer, você vê quem é que não tinha que estar na montanha-russa.

EMEvandro Medeiros

Que bela analogia.

RFRicardo Figueiredo

Então respeite o teu perfil de risco também, que eu acho que é importante.

EMEvandro Medeiros

Bruno, se você me permite só fazer um disclaimer a respeito da minha opinião polêmica, tá? Quando você aloca no título longo, você tem o risco de marcação a mercado. Então a taxa ela até pode subir e o seu título se desvalorizar no curto prazo, tá? Mas a minha ideia aqui é você diferir o imposto e segurar ele por muito tempo, que aí você vai receber a taxa contratada. Só esse disclaimer, porque dependendo do título ele pode ter mais rentabilidade, mais volatilidade que bolsa.

BPBruno Perini

Sim, não, concordo com você, né? E também quando você fala de alocar, você não tá falando, cara, botar 50% no Renda Mais 2065. Quando o cara só pesar um pouco mais a mão, você tinha 1%, vai para 3%, vai para 4%, né? Eu gosto de títulos públicos de longo prazo. Acho que no curto prazo a gente endereçou bem com ETF, um GPCA11, por exemplo. A carteira tá pagando alguma coisa em torno de IPCA+9%. Se você compara com o título de prazo mais curto disponível no Tesouro, é o 2032, daqui a 6 anos.

Então, para quem quer menos oscilação, já é um título que vai oscilar um pouco, né? 6 anos já é um duration respeitável, enquanto a nossa carteira tem um prazo médio em torno de 2 anos. Então ele vai oscilar muito menos no cenário que essa taxa tá subindo, por exemplo, preço do título caindo. Se você mudar de ideia no meio do caminho, uma coisa que eu acho que o pessoal também subestima muito é liquidez. Cara, não precisa de liquidez não, bota nesse CDB para travar durante 5 anos.

Aí no meio do caminho o cara fala: puta, eu preciso de liquidez, dor de barriga veio, vou ter que pegar meu dinheiro. E aí você vai pegar se o banco liberar para você, se vai liberar com um pênalti ali, né? Então liquidez eu considero muito importante. E aí no Tesouro você vai vender antes de 2 anos, o imposto vai ser mais do que 15%. Se vender 6 meses é 22,5%. Se vender no mesmo mês porque alguma coisa mudou, e muda. Tem cara que investiu na Previdência, na nossa Previdência Fundo Arca lá na Grão, e quando você investe em Previdência você não pode mexer no dinheiro durante 60 dias.

Não é uma regra da Grão, é uma regra de Previdência. Teve cara que investiu, 20 dias depois ele tá botando reclame aqui: não libera o meu dinheiro. De pagar meu IPVA e não liberam. Falei, pelo amor de Deus, cara, explicar para essa pessoa, não leu nada, né, sobre previdência, não viu, assistiu as explicações. Mas é questão de liquidez. Então você quer vender no mesmo mês lá no Tesouro, além do imposto de renda de 22,5%, tem o IOF que começa em 96% e só cai a zero no 30º dia.

Então para o cara que vendeu no mesmo mês, é tipo, o IOF tá segurando você, o fiscal da Receita vem e soca você na barriga, entendeu?

EPEduardo Perez

Aí tem a taxa de ADM também.

BPBruno Perini

Que o proporcional da DM, que é 0,2% ao ano, né? O Selic não cobra, reserva não cobra, os títulos IPCA cobre. Então, para curto prazo tá muito endereçado. Agora, para ganhar na marcação a mercado, ou para perder, títulos longos vão dar muito mais volatilidade, ou para segurar até o vencimento. E isso, vocês conhecem alguém que segurou um título muito longo até o vencimento? Tipo, agora 2035 não tá mais tão longe. São 9 anos, não é mais tão longe, mas 50 vai ser difícil.

Eu desconheço, cara, eu nunca conheci alguém que comprou um título, esperou 20 anos para ele vencer. Geralmente quando abre uma janela boa de marcação a mercado, a gente não sabe quando vai ter, mas eu acho que em 10 anos vai estar uma janela muito boa que a gente vai poder vender um Renda Mais que tá pagando 7, alguma coisa, aí IPCA +4, por exemplo.

EMEvandro Medeiros

Isso é melhor de fazer com título público do que CRI, LECRA, privado. Tem aquele spread da corretora, né, que você leva o spread na entrada E na saída, a corretora veio: ah, tá ganhando bem na marcação?

EPEduardo Perez

Acho que não, hein, acho que eu preciso ganhar.

BPBruno Perini

Eu comprei uma debênture de SEMIG na época da crise do governo Dilma, eu peguei a taxa de IPCA +10. Aí depois sai governo Dilma, entra o Temer, a taxa da SEMIG caiu pra cacete, foi para IPCA mais— acho que na época que eu quis vender tava IPCA +5. Entrei no chat da Easy Invest, eu atendi um influencer de mercado.

EPEduardo Perez

Eu atendi o pai dela e também fiquei assim, pô, o pessoal realmente fala com atendimento, legal, legal. Mas pode falar, desculpa.

BPBruno Perini

Então eu pensei, pô, vou sair antes da hora, né? Já tive um tempão de marcação a mercado, não sei como é que vai ser o futuro. Aí fui negociar uma saída, o melhor que me ofereceram, quebrando meu galho, né? Pô, cara, difícil, é quem pode quebrar o galho. PCA mais 7 mil, eu falei, caceta, cara, eu vou lá, eu vou lá olhar a referência na internet, quanto é que tá, tá IPCA mais 5. Não, mas veja bem, né, liquidez trita, vou ter que ver alguém para realocar.

EPEduardo Perez

Aí eu falei, ah, vou ficar até o final então. Mas hoje em dia, o Bruno, hoje tá muito mais transparente, porque antes você tinha marcação na curva, né? O ativo ele se valorizava igual o CDB do Master que a gente falou aqui brincando. Hoje em dia você tem que marcar mercado, crédito privado. Então você tem um senso de realidade. Além disso, você pode consultar no site da Ambima o preço indicativo do seu crédito privado. Então hoje você tem uma camada mais de transparência, mas ainda assim é um risco maior.

Só que aí, agora a minha opinião polêmica, né? Todo mundo fala muito de marcação a mercado, e beleza, eu acho legal, acho bacana, mas ninguém se pergunta o que que eu vou fazer depois que eu resgatar da marcação a mercado. Se eu resgatar um IPCA+8, que que eu vou realocar? Mesmo que eu multipliquei por 5, 10, 15 vezes patrimônio, provavelmente se você fez isso, tá ganhando na marcação, é porque a taxa de juros e o cenário macro, eles melhoraram muito.

Aí você vai aplicar, vai ter o risco do investimento que o professor falou. Você vai investir com uma Selic em 3%, em 5%, em 7%. E aí, tão ruim quanto você fazer esse resgate e ficar vacilando sem saber onde você vai colocar, é só colocar no meio termo assim. Pô, eu tô no momento exato onde se eu pegar um pré, eu não vou ganhar uma taxa tão boa. Se eu pegar um CDI, eu não vou pegar uma taxa tão boa, porque eu tô no meio do caminho de um Ciclo expansionista, um ciclo contracionista de juros.

E aí é muito difícil, porque no Brasil a gente tá, pô, começo do ano, janeiro, a gente tinha um cenário muito otimista. O Brasil é a prova de falhas. Aí passou 3 meses, o Brasil falhou, olha só. Então assim, é muito complicado. E aí é justamente um pouquinho dessa filosofia de você comprou um ativo com uma boa taxa, por mais que você tenha essa sensação de rentabilidade muito boa, que é bacana, simula levar até o vencimento IPCA +8, cara.

Você é mais 7 para 2050. E o 2050, que o renda mais, que o pessoal fala muito, é porque ele começa a pagar em 2050, ele vai vencer 20 anos depois. É 2080, 2070, 2065. Então assim, você ainda tem um fluxo de caixa maravilhoso ali, 20 anos, cara, que você vai receber é muita coisa.

BPBruno Perini

Então, mas eu vou sair antes do prazo, porque 2084 eu acho que vou estar com quase 100 anos.

EPEduardo Perez

Mas isso por quê? Porque você tem Mas esse é um ponto que é legal, porque pode ficar no inventário. Claro que vai dar uma mega burocracia para você repassar, mas você tem conhecimento de mercado que te proporciona isso. O investidor médio, ele não sabe o que é duecho, ele não sabe exatamente o que é marcação a mercado e tal. Então assim, para grande maioria, grande maioria, tanto que você falar para mim que você tem crédito privado não me surpreenderia.

Você falar que você tem título para ganhar na marcação Ninguém dessa mesa aqui me surpreenderia, mas é bom ouvir que o analista aqui, o Evandro, ele mostrou umas alocações de crédito privado que ele tinha feito. Cara, você bate palma porque não teve evento de crédito. Quanto que tava a taxa?

EMEvandro Medeiros

Ela, umas taxas absurdas, percentual de CDI, mas eu mesclei equity com crédito privado, que é assim, alguém já me perguntou assim, poxa, mas você não corre muito risco porque você tá posicionado no equity e no crédito privado da mesma empresa? Eu acho que não, porque eu entendo os riscos daquela empresa, eu entendo a empresa em si, e aí eu me sinto mais confortável em ter essa posição dupla, né? Então eu ganho tanto pelo crédito quanto pelo equity, e foi uma alocação muito feliz, mas eu não recomendo para vocês. Eu recomendo ter uma alocação estrutural, diversificada, com fundo imobiliário.

EPEduardo Perez

O maior risco que eu vi ali foi dele virar analista de renda fixa. Cara, show!

EMEvandro Medeiros

Eu realmente, assim, eu entendo de— eu vi uma boa taxa, essa é uma boa empresa, acho que ela não vai falir, eu vou comprar. E eu seguro até o vencimento. Você viu que tem títulos ali que eu seguro desde 2017, mas assim, vários termos técnicos de renda fixa ali, você viu que eu sou assim um zero à esquerda. Então, como analista de renda fixa, não tem problema nenhum, seu emprego não está sobre isso, que é muito complicado.

EPEduardo Perez

De mercado financeiro, às vezes é igual falar com o Supla, é vários termos em inglês que poderiam ser em português, né? Tipo, vértice, vende.

EMEvandro Medeiros

Olha, olha, eu só, poxa, eu tenho alguns anos já de mercado, invisto desde 2013, aprendi o que era vértice da curva esse ano, né? E olha minha ignorância. E eu sei a louca renda fixa, na minha opinião, com todo respeito.

BPBruno Perini

Não, mas acho que até para pessoa física que não sabe o que é duration, por exemplo, pessoal, é o prazo médio do retorno do dinheiro. Se um título ele não paga juros lá, tem o IPCA+ que paga juros, o que não paga, o que não paga, se ele vence 2032, a gente tá em 2026, o duration é 6 anos. É isso. Ah, o 2035, mas ele paga juros. Então, como ele vai devolvendo o dinheiro a cada 6 meses, Então ele tem um, o duration dele encurtado, não vai ser até 2035, mas é só esse tempo de retorno do seu dinheiro.

Quanto maior o duration, mais você larga esse negócio devido à marcação a mercado. E aí, Evandro, queria aproveitar a sua experiência de ter vindo na Argentina, cara, porque a gente olha essa taxa de IPCA+8 e a gente achou que era uma baita oportunidade quando ele IPCA+6 já, porque se você pega assim, temos históricos, foram raros os momentos de IPCA+6. Aí chegou IPCA+7, imperdível, porque é mais raro ainda você ser de IPCA+7.

Aí chegou IPCA+8, fala, cara, a gente olha a história recente do Brasil, foi só na época Dilma, em um período muito curto de tempo inclusive, depois a taxa já caiu. Então a pessoa física, não só pessoa física, mas é que eu vi uma matéria outro dia falando, ó, o pessoal tá triplicando a quantidade de alocação em título público por conta da taxa de IPCA+8. Você me viu na Argentina, Quando você tava lá, inflação era o quê, uns 50%?

EMEvandro Medeiros

Foi 2019 que você viu isso aí?

BPBruno Perini

Depois bateu 300%. Eu fico pensando no cara, e bateu 300, e que depois começou a cair com o Milei, né? Se fosse um outro governo, tinha 500%, 1000%. Fico pensando no título público argentino pagando, cara, IPCA deles mais 50. E o pessoal falando, pô, isso aqui é uma baita oportunidade. Depois chegou IPCA mais 70. Caraca, oportunidade! Uma hora foi Mas antes disso, a curva abriu muito. Qual seria, na visão de vocês, assim, o risco que a gente corre de ter uma situação parecida?

Não digo Brasil virar uma Argentina, mas as taxas agora, a gente achando que elas estão altas, na verdade elas têm que estar bem mais altas porque a situação fiscal do Brasil vai degringolar. Por exemplo, você citou que, pô, no começo do ano tinha muita animação, tanto com cenário internacional, desdolarização, mas aqui nacionalmente você tinha uma tendência Né, se acreditava mais numa possível mudança de governo. E agora, se você olha mercado preditivo ou pesquisas eleitorais, a tendência meio que se esvaziou.

E não há um certo risco de que a gente possa ter uma situação fiscal mais descontrolada que leve as taxas para um patamar ainda mais alto? Há um risco de virar tipo uma Argentina? Sabor Argentina?

EMEvandro Medeiros

Ele deve estar sempre sendo monitorado, mas eu entendo que institucionalmente nós somos um pouco mais maduros que Argentina. A gente é um país muito sui generis, porque se você vê renda per capita, escolaridade, IDH, eles estão na frente da gente. A gente não é um país na média mais rico que o Brasil, né? Mas assim, eles não têm um Banco Central independente, por exemplo, que é uma vitória na minha visão brasileira. Nós temos mais controle desse tipo de assim descontrole do que Argentina.

E lá eu não investiria tanto em bondos, né? Os argentinos gostam muito, não sei o quê e tal. Eu gosto mais de ações lá, porque justamente por esse descontrole você não sabe, pode confiar necessariamente no cálculo da inflação de lá, né? E aí quando eu aloquei na Argentina, a minha opção foi, poxa, estou durante, imagina, pandemia 2020, empresa de shopping, né, tudo fechado. Apesar, ela não tinha muita alavancagem, tá? Ela tinha uns 400 milhões de dívida, pequena fração em relação ao valor do portfólio, um monte de terreno, 3 hotéis, mesmo Dívida em dólares, um custo aí tipo 6, 7% em dólar, tá?

BPBruno Perini

Porque dívida em peso era até bom, né?

EPEduardo Perez

Era até bom.

RFRicardo Figueiredo

Inflação, não tem dívida.

EMEvandro Medeiros

Lá é um país muito dolarizado, né? E o que que eu via naquele ativo? Você tinha ali, até vou citar aqui a empresa, você não deve comprar porque ela tem um monte de riscos, mas você tem que fazer análise.

BPBruno Perini

Você tá falando de 2019 também, mudou coisa para caramba.

EMEvandro Medeiros

Ela foi a minha única tembagger, nunca tive investimento.

BPBruno Perini

Explica o que é uma tembagger.

EMEvandro Medeiros

Uma 10-bagger é uma empresa que, um ativo que multiplica por 10 vezes.

BPBruno Perini

Por isso que é 10-bagger, esse 10 é de 10 em inglês.

EMEvandro Medeiros

É um termo que foi cunhado, eu acho que pelo Peter Lynch naquele livro.

BPBruno Perini

É, eu conheci com ele.

EMEvandro Medeiros

É, eu também. E é basicamente 10-bagger em dólares.

RFRicardo Figueiredo

Em dólares.

EMEvandro Medeiros

Em pesos argentinos muito mais, nem sei, não importa. E a beleza dela é que ela tinha shoppings. Shoppings, eles são dolarizados na sua essência, especialmente em Buenos Aires. Em Palermo, Palermo é um bairro histórico tombado, você não consegue fazer um shopping como o Alto Palermo, né? Você não, o Patio Burghese, você não tem como replicar aqueles empreendimentos. E tem um fluxo de turistas que vai todo ano, como Perini, que gosta muito de ir para Argentina tomar vinho, Malbec, comer boas carnes, né, que traz dólares para aquele lugar.

Então eu preferia estar posicionado nas ações. Por incrível que pareça, eu achava as ações mais seguras do que os próprios títulos públicos, né? Ou no Brasil eu vejo esse cenário de argentinização como remoto, mas é sempre possível, tá? E nesse cenário eu quero ter os imóveis, eu quero ter tijolo, né, que eu tô comprando um pouco de tijolo ali do professor. Eu quero ter talvez uma Klabin da vida que você citou. Klabin tem 911 mil hectares de terra, e terras assim, a terra agrícola ela varia muito de preço, né?

Uma terra em Mato Piba vale um X, É uma terra no sul ali, Paraná, que por exemplo tem um índice pluviométrico muito bom. Ela vale muito, são terras que são muito valorizadas porque elas produzem muito, elas têm um bom índice de chuvas, elas têm uma logística boa ali no sul. Você tem, né, então você consegue escoar matéria-prima para os portos. E a Klabin, ela tem ativos reais, ela vai conseguir repassar inflação, né. Não importa onde você esteja, você vai num país que pega uma lata de Coca-Cola, o Pabrai fala isso, imagino que você conhece ele, Monte Pabrai.

Não conhece? Acho que você vai gostar. Você gosta bastante de Munger e Buffett? Ele é um grande amigo do Munger, por exemplo. Ele fala que não importa se você tá na Turquia, que tem uma inflação muito elevada, você vai trocar algumas horas do seu trabalho, alguns minutos do seu trabalho, por uma lata de Coca-Cola. E essas empresas, aí que tá o desafio, você achar essas empresas que conseguem repassar inflação. Isso te protege mais do que os títulos públicos nesse cenário mais extremo.

BPBruno Perini

Eu lembro sempre da minha renegociação da minha conta de celular com a Vivo. Foi bem interessante, na época da pandemia. Minha conta ela aumentou, tipo uns 20%. Eu falei: "Pô, tô em casa sem fazer nada, né? Vou ligar aqui pra ver se eu consigo reverter esse aumento." Liguei, aperto a opção tal pra ser atendido, não sei o quê. No final cai numa gravação que era mais ou menos assim, parafraseando a gravação: "Você ligou porque sua conta aumentou." E é isso aí. Ela aumentou mesmo.

EPEduardo Perez

Não tem o que você fazer.

BPBruno Perini

Aí, caraca, eu fiquei um tempão no telefone, uns 20 minutos, e no final eu não saí da Vivo, que eu falei, porra, minha internet é boa, aumentou 20%, mas não é uma conta que eu acho que é tão cara.

EPEduardo Perez

Então fiquei, né?

BPBruno Perini

Foi até olhar mais as ações da Vivo depois desse pricing power. Isso é interessante, mas isso que você citou no Brasil já aconteceu, né, cara? Durante a época da hiperinflação, o pessoal queria trocar o dinheiro mais rápido possível por uma coisa real, porque realmente o Reidaglio, ele fala muito isso, que nesses cenários onde você tem simplesmente, sabe, a estrutura de um país se esfacelando devido a uma inflação alta, você não quer estar em dívida, porque a dívida vai valer zero.

Se eu peguei R$1 milhão emprestado e 1 milhão para de comprar, cara, um apartamento no Itaim e começa a comprar nada, então não tenho mais a minha dívida. Então você quer estar em empresas, você quer estar em imóveis que são irreplicáveis, porque tirando simplesmente uma destruição total do país, geralmente as esquinas mais caras de um país continuarão cada vez mais caras. A não ser que o país seja Venezuela, mas que, né, no principal ponto de Caracas hoje, acho que vale menos do que há 30 anos.

Agora, em Buenos Aires, isso não aconteceu, apesar da inflação muito alta que você teve naquele país, né. Eu também acho que a chance do Brasil virar uma Argentina é muito mais baixa, mas você citou, pô, aqui nosso Banco Central independente há pouquíssimo tempo. Se não fosse, será que a gente estaria no ambiente tipo Turquia, onde o presidente resolveu virar presidente do Banco Central também, falar, cara, o juro tem que ser mais baixo, a inflação lá disparou?

Felizmente aqui no Brasil não aconteceu, então a gente não tem a resposta dessa questão. Mas já aproveitando esse ensejo, como é que vocês enxergam a diversificação internacional? Tanto lá fora ou usando meios indiretos aqui no Brasil, já que tem vários ETFs, por exemplo, BDRs hoje, que propicia esse tipo de coisa? Porque há uma dicotomia aqui, né? Por um lado, as pessoas tendem a achar que isso é importante. Afinal, outros países podem crescer mais do que o Brasil.

E abrir uma boca de jacaré que já existe entre a nossa economia americana, por exemplo, né, graças à tecnologia que eles têm lá. Por outro, lá fora, como você citou antes aqui no podcast, a gente tá pagando 26 vezes lucro no S&P 500, enquanto aqui tá pagando 8 vezes lucro no Ibovespa. Saiu outro dia que a bolsa do Brasil é uma das mais baratas do mundo no momento atual. Então vale a pena estar lá fora também? Seria um momento, pensando em construção de patrimônio nos próximos 5 anos, de estar muito mais alocado em Brasil?

Apesar de depender um pouco também da parte política. O que que vocês pensam? O que que vocês estariam fazendo com patrimônio de vocês?

RFRicardo Figueiredo

Eu vou dizer o que eu tô fazendo com o meu. Minha alocação fora, ela continua mesmo com os níveis de preço que a gente encontra, no especial, especialmente olhando para mercado americano, especialmente olhando para as empresas de tecnologia. O que eu não gosto de fazer, não recomendo, e acho que isso é É o início no nosso time, pelo menos na locação para os nossos assinantes, é tentar acertar qual é a mosca branca. Porque o stock picking aqui, dadas as simetrias que a gente tem, todas as mazelas brasileiras, ele deixa o nosso trabalho mais simples. Mercado menos eficiente lá fora, é mais difícil você fazer isso.

EPEduardo Perez

É você, mas não sei quantos milhares de gestores concorrendo para ver quem acha da música.

BPBruno Perini

Exatamente. Está já dando $20 mil por mês.

EPEduardo Perez

Cara, a galera asiática fazendo os robôs que fazem o prédio do JPMorgan em Nova York tem mais terminal Bloomberg do que o Brasil inteiro.

RFRicardo Figueiredo

É sério que você aí no seu horário de almoço, né, enquanto tá na marmita, vai encontrar uma hora por semana o papel lá fora, outro médico olhando lá, né. Sim, nunca vi humildade fazer vítimas fatais. Vamos tentar ser um pouquinho humilde. E aí, pô, vai num bom ETF, ETF barato, né, e que procure abraçar o mercado como um todo, na minha leitura. Se você acha que esse negócio de tecnologia e a é disruptivo. E eu acho que inclusive a gente tá vivendo, é a nossa eletricidade, a nossa geração tá vendo que a turma, quando a eletricidade chegou, descobriu, chegou a nossa vez agora, né?

Você pode, através de um ETF, colocar ali uma pitadinha disso na tua carteira, porque na brincadeira do do bobô, né? É bolha ou é, né? É, se a gente não sabe porque a gente tá vivendo a história, e depois o engenheiro, os engenheiros de obra pronta vão aparecer, não, mas quando você tá vivendo a história, né, só perde pênalti quem foi para marca lá para bater, entendeu? Quem não bateu nunca perdeu um pênalti na vida. Coloca uma fraçãozinha, fica lá Pô, era bolha, cara, sua vida não vai mudar por causa de que isso daqui deu ruim.

Ah, era boom, pô, legal, incrementou o retorno total da minha carteira, não fiquei de fora da brincadeira. E isso acho que é importante, porque a gente tem uma série de coisas que existem lá fora que a gente não tem aqui dentro. Olha para nossa bolsa, você vai investir em tecnologia, em quê? Ah, com todo respeito às empresas que tentam fazer esse papel de tecnologia lá dentro, Não dá para comparar.

EPEduardo Perez

Tanto que empresa de tecnologia aqui no Brasil faz IPO lá fora porque às vezes o valuation é melhor.

RFRicardo Figueiredo

Então, cara, eu olho para o meu mercado, fundos imobiliários, cara, o que que a gente tem de data center aqui? A gente tem algumas teses que estão dentro de outro fundo que você tem que abrir ali. Hoje achei um data center. Ah, eu quero comprar um FII de data center. Não tem lá fora. Você tem um setor consolidado que inclusive tem muito bem, inclusive tá indo muito bem. Ou seja, eu diria, quando você olha para todas as mazelas, os desafios que a gente tem aqui dentro, disposição internacional é legítima defesa.

Você tem que ter primeiro para acessar tudo isso que a gente não tem aqui e que faz parte do nosso dia a dia, né? Eu sentei, abrir um computador, eu tenho um computador em casa, ou pode ser um Mac, pode ser um Dell, Tá tudo lá fora. Vamos beber dessas empresas. Tô usando, e aí, ChatGPT, Cláudio, tá tudo lá fora. Vamos beber dessas empresas. A gente não tem isso aqui. Então eu acho que é importante. E o valuation tá esticado nessas teses que a gente tá vivendo a história.

Não sei quantas teses a gente viu no passado que A gente tava vivendo a história em outras. Ah, tá esticado Amazon. Ah, tá esticado, tá esticado. E as teses de e-commerce, enfim, algumas ficam pelo meio do caminho, ficam. Pô, mas quando você olha assim, você já dá para começar a entender quem é o cavalo, né, que pelo menos tem cara de chance de vencedor aí, né? E o ETF, adivinha? Onde ele tem mais peso? Nesses caras, nesses caras.

Então procura um veículo simples. É que não é sexy, né? É chato para caramba você chegar no churrasco de final de semana e falar, encher a boca, vai falar: eu comprei um ETF de S&P 500.

BPBruno Perini

E não fez mais nada, só todo mês você investe nele.

RFRicardo Figueiredo

Puta, chato, né?

BPBruno Perini

Mais legal o cara que tem as teses.

RFRicardo Figueiredo

Eu comprei tal ação, entrei no IPO da SpaceX, entendeu? Aí o cara vira centro das atenções no churrasco. Me conta mais, conte-me mais sobre isso, entendeu? Você fala: comprei um ETF de S&P 500, chato, esquece ele para lá. Mas investir bem é isso, é chato, né? A gente abriu aqui falando um pouquinho do meu passado lá no institucional. Cara, era chato para caramba, entendeu? A gente fazia um monte de reunião e alocação que era a mesma assim, de vez em quando fazia alguma coisa. Você alocou o dinheiro, pronto, e você ficou olhando, esperando acontecer.

BPBruno Perini

Também é ter IPCA mais 6, agora que IPCA mais 8, não tinha o que fazer.

RFRicardo Figueiredo

A gente Você fala, quando você chega nessa época, você fala gestão praia. Porque além de tudo, essa turma ainda pode marcar na curva, Perini. Quando você chega nesse cenário, no fundo de pensão ele tá fazendo gestão de ALM, que é o passivo. Quanto é que eu tenho que pagar de benefício? Ah, eu tenho que pagar, sei lá, 1 bilhão por ano. Então você gere ali para deixar 1 bilhão no caixa, o resto é curva e praia.

BPBruno Perini

Sobre isso que você falou, Ricardo, né, eu tô lendo o livro do John Bogle. O Investidor de Bom Senso. E lá ele defende que nada errado em você ganhar a média. Eu concordo com ele, né? Você simplesmente ter o retorno da média do mercado americano, S&P 500, eu considero maravilhoso. O único ponto é que se você for investidor mediano que obtém essa média, para você ter um baita resultado, só faça isso acima da média do que o pessoal faz.

Então seja mediano por um tempo maior do que a média das pessoas. É só isso. Se a gente pega os grandes vencedores de bolsa geralmente são pessoas de cabelos brancos, né? Que no Brasil é referência ao Barsi, lá fora é o Warren Buffett. Então são caras que eles simplesmente estão no mercado há muito e muito tempo, e o próprio mercado favorece a pessoa construir patrimônio. Porque ele vai lá e tem as teses dele, tem 10 teses, algumas vão dar errado, ele vai perder dinheiro, vai perder 10, 20, 30, 40, 50% antes de mudar.

Talvez ele deixa uma empresa quebrar, porque era pouco experiente na época e acreditou até o final e perdeu 99%, o que pode acontecer. Mas se pega uma que multiplicou por 10 vezes, o que ao longo de alguns anos pode acontecer também, só essa pagou mais 10 erros daquela anterior que quebrou. Então, com o tempo, seus retornos, eles vão acontecer. Basta ser paciente. Se você quiser ter um retorno mediano, tem um ETF para isso, pô, com vários índices diferentes hoje em dia, né, cada vez mais.

RFRicardo Figueiredo

E tem um ponto, né, quando você pega esse retorno mediano nos Estados Unidos, É a média dos negócios de mercado, não é a média do retorno dos investidores.

BPBruno Perini

Ah, o deles é menor, né?

RFRicardo Figueiredo

Porque quanto tempo segurou? Vende rápido. Aguentou? Não aguentou? Quando— e a turma que investe em fundo lá fora, o que fundo toma de surra do benchmark é uma grandiosidade. Então o cara botou lá o dinheiro no fundo, no melhor mercado do mundo, as empresas maravilhosas, e o cara tá perdendo do benchmark. Puts, eu fico aqui no ETF, então eu tô pagando barato pelo menos, né, cara?

BPBruno Perini

Tem a história famosa do fundo do Peter Lynch, inclusive. Ele teve um retorno ao longo de 13 anos, 77 a 90, se eu não me engano, foi alguma coisa da ordem de 29%, 29,2% ao ano. Na prática era, você dava $100 mil para ele, 13 anos depois o cara te devolvia $2,8 milhões antes de impostos. Seria isso. Só que quando foram ver o retorno não do fundo, mas dos cotistas do fundo, a maioria perdeu o dinheiro. Que o cara entrava no fundo Peter Lynch quando ele saía na capa da revista, né? 40% de performance no ano, o cara entra no fundo.

Aí no outro, retorno às médias, o mercado caiu, ele acabou caindo junto. Aí ele perdeu 10%, o cara vende. Então o cara pensava: não vou participar de bolsa diretamente, que eu vou comprar na alta, vender na baixa, vou fazer isso. A Via Fundos, ele fez a mesma coisa, ele comprou na alta e vendeu na baixa, porque ele não teve paciência, simplesmente entender que o mercado ele é zigzag, ele sobe e caindo. E cai subindo, né? Mas você ia falar uma coisa, Evandro.

EMEvandro Medeiros

Ah não, perfeito. E é um exemplo legal que você deu aí, é do Peter Lynch, é que o investidor que mais ganhou dinheiro no fundo dele, o Magellan, é um cara que morreu. Ele simplesmente deixou o patrimônio compundar. Eu ia dar duas recomendações para quem quer investir internacionalmente, tá? A primeira é trazer o Felipe Reis para esse podcast. Exato, um monstro. E a segunda é: dá para investir internacionalmente, ou ao menos em empresas dolarizadas, via bolsa brasileira.

E eu vou trazer aqui uma tese pública minha, que é a Rojada. Ela tem vários riscos, né, empresa de commodities, tá exposta também ao dólar, por exemplo, que abriu. Por que abriu? Eu recomendei abrir em janeiro. A gente via análises falando, poxa, o petróleo vai a 55, 50. Eu fiz uma análise macro, que não é usual, normalmente eu sou mais micro. Aí eu fui ver, poxa, consumo de petróleo no mundo, cara, todo ano cresce. Aí tem uma depressão, uma crise, aí ele declinou um pouquinho, né, depois ele recupera, né.

E aí ano passado nós consumimos 105,6 milhões de barris ao dia, um topo histórico. Por quê? Porque, poxa, microfone tem petróleo, petróleo não é só combustível, ele faz parte da nossa vida, né. E a Prio especificamente, ela é uma empresa que tem um baixo custo de extração. Em commodities é muito importante, porque quando a maré baixa, né, agora petróleo tá, sei lá, Última vez que eu vi tava 70 e poucos, né? Chegou a 120 recentemente.

Agora tá tudo bem. As que produzem petróleo de xisto nos Estados Unidos, na Bacia do Permiano, beleza, elas têm um break-even cost aí de uns $55 o barril, estão fazendo lucro, tem alavancagem operacional, né? Mas quando baixa, a PRIO, por ela ter uma gestão muito eficiente, um baixo custo de extração, campos muito bons e concentrados, né, ela consegue diversificar, ela consegue utilizar a mesma infraestrutura, ou seja, FPSOs, que barcos plataforma, barcos de apoio em campos adjacentes, ela consegue reduzir esse lifting cost, né, que é o custo de extração.

E é uma empresa que, curiosamente, ela pode pagar muito dividendo para fazer ano que vem, porque tá sobrando muito caixa. Ela pagou dividendo uma vez na vida, foi lá 7 centavos, não é nada em relação ao preço dela.

BPBruno Perini

Eles aprovaram dividendo nessa janela que teve para isso?

EMEvandro Medeiros

Não sei se aprovaram, tá. A pista que a gente tem é porque no Investor Day que ocorreu no ano passado, eles falaram que tá se considerando já pagar dividendo, porque a empresa tá gerando muito caixa. Na minhas contas, esse ano ela consegue gerar, e assim, tem muito para correr ainda, né, posso estar equivocado, mas as minhas contas ela consegue gerar aí uns 3 bi de dólar de caixa livre ao acionista. Essa é uma empresa que hoje vale 9 bi, 9,5 bi de dólares, ela tem mais 4 bi de dívida em dólares.

Eu penso nela dolarizada, que é uma empresa que, né, troca barris por dólares. É isso. Então fica a recomendação da Prio. Tem uma exposição pequena porque é uma tese arrojada e tudo mais, cheia de riscos. Eu posso estar equivocado, mas acho que não estou.

EPEduardo Perez

É hedge do IPCA mais, então. É, não é porque aí a expectativa de inflação para o longo prazo aumenta, só que a Prio se valoriza com isso, né?

EMEvandro Medeiros

É assim, com petróleo subindo, o petróleo ele deve acompanhar o O dólar hoje, na minha opinião, parece atraente. Eu não sei para onde vai o câmbio, tá, mas próximo de 5 me parece interessante, né. Então você tem upside da redução do custo de extração, que eles estão fazendo muito bem, muito bem. Tem o dólar subindo e talvez o petróleo estabilizando num preço maior do que eu tô estimando, né, porque eu estimo ali, o professor, você já viram meu modelo, né, é $80 para esse ano, $70 para o ano que vem, $65 para o restante.

E isso em termos estáveis, né. Em termos reais, e ela ainda consegue gerar muito caixa nesse cenário. Então eu particularmente sou grande fã da Prio nestes preços.

BPBruno Perini

Como é que tá o sentimento de mercado em relação a petróleo agora? Porque tem uma regra que se tá todo mundo otimista, é melhor tá pessimista, e o contrário. Eu lembro que bem no começo do ano eu tava assistindo um podcast, pessoal muito pessimista com petróleo. Eu pensei, puta, cara, eu não sou muito de commodities, mas acho que eu vou comprar. E não comprei, comprei Bitcoin, deixei passar. Mas depois que estourou a guerra, foi lá comprar essa porra.

Mas enfim, né, o Buffett também fala isso. E até brinco com o pessoal que, por ter um canal no YouTube, a gente aqui no grupo tem vários canais, tem um pouco mais sensibilidade às coisas. E eu cheguei a arrumar lei que simplesmente é: se é ruim de postar, se eu posto um vídeo não dá view, então é bom de comprar. E vice-versa, se você posta e dá muito view, cara, tem muita gente olhando, já deve estar num preço mais próximo do que seria o justo, né.

Agora, você não tem ninguém olhando. Se você posta, os comentários são: meu Deus, você é muito burro, você tá comprando Bitcoin ainda? Então deve ser uma coisa boa, porque o sentimento de mercado, ó, tá pessimista, é melhor comprar nessas horas. O pessoal já tá pessimista com petróleo ou não?

EMEvandro Medeiros

Acho que tem visões mistas, tá? E eu nem olho tanto, porque se eu tivesse olhado para o que o pessoal olhava, em janeiro não teria recomendado essa de petróleo. Então eu faço o meu dever de casa, eu olho os meus dados, né, tento fazer as minhas leituras. Você é um cara que lê bastante? Nós temos vários livros em comum, inclusive você citou o Guns, Germs and Steel, o Armas, Felipe. Cara, se você tiver uma visão holística, multidisciplinar da realidade, eu acho que você vai interpretar melhor os dados do que se você ficar lendo relatório de bancão que tenta estimar o preço de petróleo daqui a 12 meses.

Eu não sei para onde vai o petróleo, mas eu sei que, cara, provavelmente com o break-even cost da bacia do Prêmio nos $55, é difícil ele cair muito menos que isso. Ah, então vou fazer uma projeção de 65, acho razoável. Nessas condições ela gera caixa? Nas minhas contas gera. Então vou alocar. E mesmo ela tendo subido muito por conta da guerra, ela fez o dever de casa, ela chegou a ser a ação que mais subiu no Bovespa esse ano.

Agora devolveu boa parte da alta, né, porque o petróleo caiu. E aí que abriu novamente uma oportunidade na minha visão. Então concordo que tem que ser contracíclico. Em janeiro postei um vídeo sobre ela, não deu view, né? Olha aí, né?

BPBruno Perini

As comentários, que burro, que burro!

RFRicardo Figueiredo

É perfeito.

EMEvandro Medeiros

E agora também muita gente, pelo menos os nossos assinantes, né, pensando: não, a guerra acabou, petróleo vai cair. E o pessoal já mais pessimista com a Prio, e eu tô super otimista.

BPBruno Perini

No Oriente Médio a guerra não acaba, só recessos.

RFRicardo Figueiredo

Não, e assim, essa especificamente ela deixou algumas sequelas que mais uma vez a gente vai aprendendo conforme a história for sendo contada, né. Primeiro é a facilidade do abre e fecha do Estreito de Hormuz, né, que talvez fosse o poder que o Irã não soubesse o quão grande é. Ele aprendeu, falou: opa, é uma bela moeda de troca que eu tenho aqui. Acho que esse ponto. Segundo é o tamanho das reservas de petróleo que as economias precisam ter, porque o Irã agora, com esta, sabendo o tamanho da força que ele tem com esta moeda de troca, É, a gente viu algumas economias olhando e falando: pô, eu tenho reserva para 3 dias, eu tenho reserva para 4 dias, eu tenho reserva.

As coisas normalizando num patamar agora, Coreia do Sul, Japão, o pessoal vai falar: então vamos rever aqui, né? Vamos, a turma vai rever a conta disso. Eu não tenho a menor dúvida. É segurança nacional, né? Não é a palavra da O termo da vez não é segurança nacional? Então eu acho que tem alguns elementos que foram colocados na mesa que são elementos novos, que mais uma vez a gente vai descobrir para mais adiante. E isso vai, por isso que eu não acredito nessa recuperação em V do preço.

A gente vinha sempre nas nossas reuniões, eu venho colocando isso para turma, né, falar o quão mais este impasse demorar mais a abertura desse V para o preço do petróleo vai ficar, porque ele foi e a volta não vai ser assim. Quanto mais demorar, vai demorar mais tempo para esse petróleo buscar lá os 70, 65 e por aí vai. Também por esses elementos, teve infra que foi destruída, precisa ser reconstruída, e não é uma varinha de condão que faz aparecer.

Tem o fato das empresas precisarem de, os países precisarem rever as suas reservas estratégicas. A turma vai subir o sarrafo para reserva estratégica, disso aí eu não tenho a menor dúvida. E isso vai tudo batendo o preço da commodity nesse curto médio prazo assim. Então aqueles calls de petróleo a 50 e pouco, eu não compraria tão cedo esse tipo de call. Acho que 70, 65 ali já vai ser heróico, entendeu? Pensando aí 12 meses. Mas commodity e câmbio foi feito para enterrar a previsão de economista, né? Então acabei de arriscar a minha aqui.

BPBruno Perini

São muitos fatores que influenciam o preço, né? É realmente muito complexo. Inclusive, na viagem teve uma hora que alguém começou a perguntar lá que superpoder você teria. Aí eu cheguei depois na conversa, falei 'Ah, o que que vocês escolheram ainda?' 'Ah, eu queria ser invisível, eu queria voar.' Perguntaram: 'E o seu?' Eu falei: 'Eu queria prever o futuro.' A pessoa: 'Ah, você queria prever o futuro, né? Mas pô, mas não ia gerar uma coisa ruim, tipo prever o dia da sua morte?' Falei: 'Não precisa ser muito futuro não, um dia no futuro para mim tá bom. Minha alavanca e opções eu tô feito, né?' O Trump tem isso com ele, hein?

EPEduardo Perez

A gente já percebeu um padrão ali.

BPBruno Perini

Às vezes basta ser presidente que você consegue prever o futuro.

EPEduardo Perez

Financiamento amanhã, vai amanhã, galera, não é hoje.

BPBruno Perini

Mas esse é um ponto, se eu soubesse um único dia do futuro, eu já tava bilionário há muito tempo. Agora eu não sei, então sou obrigado a diversificar meu patrimônio e pensar inclusive que eu não sei o que vai acontecer. Então não dá para você ser muito direcional se você não quiser, né? Se você quiser minimizar o risco, você tem que ter mais diversificação.

RFRicardo Figueiredo

A brincadeira do câmbio, que você falou, olha, assim, eu tenho convicção que em 5 anos ele vai estar acima dos R$5 que a gente tá vendo agora.

BPBruno Perini

É um bom manejo para o futuro, porque é uma questão lógica.

RFRicardo Figueiredo

Semana que vem eu não tenho a menor ideia, mas para 5 anos serve, vai estar acima do que tá hoje.

BPBruno Perini

Outro dia eu usei uma analogia sobre isso também, que eu li num livro onde os caras eles estavam bem pessimistas com o IA. O nome do livro é Se um criar, se não me engano, Se um criar todos morrem, falava sobre a superinteligência, né? E o cara usou uma analogia muito interessante para falar sobre o surgimento da superinteligência. Ele falou, olha, eu Eu não sei quando, né, mas eu sei que vai surgir. E ele falou assim: se a gente coloca um copo com água nessa mesa, que água e gelo, eu não sei determinar a posição das moléculas daqui a 10 minutos, eu não sei se ela vai derreter em 3, 5 ou 10 minutos, mas eu sei que meia hora o gelo vai ter derretido.

Então ele consegue prever o futuro através da lógica. Através da lógica, quando você compra bem as coisas diversificando, você tende a ter um bom resultado. Então a gente falou aqui diversificação internacional, diversificação no Brasil entre anotei algumas teses, eu anotei alguns pontos de você usar eficiência tributária. Então pensar que você vai ter que pagar imposto num título público de curto prazo, vai vencer em 5 anos, tem imposto para você realocar de novo em outro que vence em 5, vai ter imposto.

CDB a cada 2 vai vencer, às vezes vai ter imposto. No ETF você pode ficar 30 anos sem pagar imposto, por exemplo, né? Ou num título público de longo prazo, para quem tem mais estômago para aguentar marcação a mercado, com menores percentuais Do patrimônio, a gente falou que para construir patrimônio, a primeira regra: não perder patrimônio, evitar fazer grandes burradas, saber onde você tá se enfiando, pensar sempre a alocação de ativos, não só falando diversificação da carteira, mas também na alocação do seu ativo mais importante, o tempo.

Se você é regiamente remunerado para fazer o que você faz em termos profissionais, é melhor que você pague a hora de uma pessoa mais barata para administrar o seu patrimônio e continue focando em ganhar cada vez mais dinheiro, já que o aporte durante um bom tempo da sua vida vai ser muito mais importante do que a rentabilidade. Também falamos sobre ser mediano por muito mais tempo do que a média das pessoas. Isso vai ajudar a construir patrimônio.

E uma frase que eu achei genial, que é humildade, ela tem um total de zero vítimas fatais. Então seja humilde perante a incerteza do mercado, né? Eu queria saber se vocês têm algo mais acrescentar para audiência que está assistindo aqui, pessoal.

RFRicardo Figueiredo

Eu acho que nesse Nesse mundo tão polarizado e em que a gente é bombardeado de informação o tempo inteiro, eu acho que a pessoa ela precisa ter tranquilidade, né? É, as informações elas vão chegando numa velocidade absurda, muitas vezes com zero filtro, né? Na maioria das vezes, infelizmente, com zero filtro. Recentemente saiu uma matéria num veículo especializado no mundo imobiliário falando sobre os problemas de um fundo imobiliário aí que tá dando rolo para caramba, dizendo a carteira aqui, maior parte desses CRIs está no empreendimento lá e tem atrelado ao nome de um confeiteiro.

O gestor soltou o relatório, fundo tá passando um show de horrores, o fundo tá passando ali por um momento difícil, mas relatório, o gestor falou, é um homônimo. Olha só, quer dizer, o fundo já tá sofrendo para caramba e a mídia vai e me solta um negócio desse, entendeu? Então é só um exemplo, só um exemplo para você ver como o mínimo de zelo não foi tomado ali para na hora de vincular a matéria, que inclusive ainda tá lá no ar.

EMEvandro Medeiros

Enfim.

RFRicardo Figueiredo

É, isso não significa que eu tô passando pano para o fundo, pelo amor de Deus, não é isso. É só para mostrar como a gente precisa ter cuidado com esse tipo de coisa. Então, nesse mundo polarizado em que as informações estão nos bombardeando o tempo inteiro, acho que é tranquilidade, buscar boas referências. Você faz um trabalho maravilhoso aqui no podcast, trazendo convidados super interessantes, entendeu? E tem outros, outros veículos também fazendo trabalho super, super bom.

Procurar boas referências, né? É, e na hora de você cuidar do seu dinheiro, foca em qualidade. Infelizmente, educação financeira é algo que foi historicamente negligenciado no país. E aí as pessoas, elas querem, quando às vezes elas têm um estalo, esse tipo de episódio aqui no podcast, às vezes dá um estalo na pessoa, fala caramba, né? E agora eu preciso correr atrás. Não, não vai dar tempo, tá? Ó, a rentabilidade que você deixou para trás até ontem você não vai recuperar.

Primeiro que eu não acredito nesse negócio de, ah, eu perdi dinheiro, eu preciso recuperar. Não, você não vai recuperar. Você vai construir uma nova rentabilidade daqui para frente. Então faça de tudo para que daqui para frente essa rentabilidade seja saudável, seja satisfatória. Então se você começou a investir agora, a depender dos seus aportes, enfim, você não vai chegar, né, nos R$10 milhões. Faça o melhor possível na condição que você tem até que você tenha condições de fazer algo ainda melhor.

Essa frase não é minha, do professor Cortella. Então, é o que passou, passou. Começa daqui para frente, foca em qualidade. Acho que esse ensinamento para mim é o máximo do podcast. Tente se colocar acima um pouquinho acima da média dos investidores, você já vai estar no mundo super especial. Cuidado com as suas fontes, busque fontes de qualidade. E é isso, né? A gente tá aqui para tentar desmistificar esse trabalho, que esse mundo que às vezes é tão— a gente falou de alguns termos em inglês aqui, né?

Pô, trabalhar, turma, não ajuda também. Porque eu bato em gestor de fundo imobiliário nos relatórios, eu falo Joga tudo nas minhas costas para poder traduzir isso para galera. Me ajuda aí, cara. Então acho que é isso, Perine. A turma ter paciência. A gente falou um pouquinho aqui sobre Brasil, né, virar Argentina. Assim, para mim isso é risco caudal, tá? Porque Argentina, a dívida é dólar, a nossa em dólar é peanuts, entendeu?

Tem as instituições, são mais. Só que aí a gente se assegura tanto nisso, né, que a gente postega a lição de casa. O trabalho não é difícil. Felipe Salto escreveu recentemente, eu concordo, quando você vê a turma estudando sobre o tema, e ele não é voz única, tá, outros falam a mesma coisa, outros grandes economistas: a nossa situação fiscal, ela é melhor do que o mercado precifica, mas é bem pior do que o governo acha que é. E você não precisa fazer muito para corrigir, não, só que o primeiro passo precisa ser dado.

Então vamos ter paciência, o Brasil não vai virar Venezuela, Argentina, enfim. Os ativos estão baratos, tem uma boa carteira, e é isso.

EPEduardo Perez

Boa. Acho que meu recado aqui é mais na linha de que os próximos meses eles vão ser bem conturbados. A gente já sabe disso, até porque a gente precisou de um dia de um dado de emprego dos Estados Unidos, que é um dado que é divulgado semanalmente, um dia de um dado que veio ao contrário do que o mercado esperava para que o mercado nos Estados Unidos começasse a reprecificar a curva por lá. Reprecificou aqui, e com esse um dado a gente conseguiu ter analista falando que a Selic subiria na última reunião que aconteceu semana passada, que a gente sabe que teve o corte de 0,25.

Isso tem mostrado para a gente que o mercado está muito sensível. Então assim, a gente tá vendo aqui, pô, bolsa sobe 2% em um dia, cai 3% no outro. Isso não é o natural pensando em um cenário ali racional. Aliado a isso, a gente tem ano de eleição que sinceramente a gente nem se atreve a arriscar quem vai ganhar, quem vai disputar com o presidente atual. Então sabemos que os próximos meses serão difíceis. Por isso que é tão importante quanto fazer a curadoria dos ativos que você tem na carteira, fazer a curadoria dos analistas e das fontes de informações de mercado, porque vai ter muito veículo de informação que vai adorar falar virou Argentina, Brasil virou Argentina porque a dívida não foi controlada, ou então saiu uma notícia política, acabou.

Não é assim. A gente já está antecipando isso, vai ter volatilidade, vai ter período que você vai ficar com medo de falar, pô, meu ativo aqui eu comprei renda fixa desvalorizou 5%, "Eu tô numa posição que tô perdendo 10." Calma. É meio que o que você falou, você tava num barco no Mediterrâneo, você tem que confiar no capitão. Começou a chacoalhar o barco, beleza, mas você confia no capitão. O capitão fala: "Olha, vai ter onda, vai chacoalhar, mas depois todo mundo chega no porto uma hora, né?" É isso, você tem que escolher bem o capitão do barco de onde você tá seguindo ali para o destino.

BPBruno Perini

Perfeito. Boa analogia.

EMEvandro Medeiros

Bom, são bons conselhos. O que eu vou dar então é A leitura. Leitura acho que é uma grande arma do investidor, me trouxe muita tranquilidade ao investir. Se você desligar o celular antes de dormir e pegar um bom livro, você vai ler melhor. A ciência comprova isso. E tente ler coisas que fogem, fujam da sua área. Aí eu já tirei ideias de investimento de livro de biologia, por exemplo, do Gênio Egoísta, do Richard Dawkins. Então se force a ler livros que às vezes até são maçantes, são chatos, Vai ser muito recompensador.

E assim, se você ler 10 páginas por dia, ao longo de um mês você termina um livro de 300 páginas, e você vai ler muito mais do que a média brasileira. Então meu conselho é: leia. O Investidor de Bom Senso do John Bogle é um baita exemplo disso, né? Ele até fala sobre, eu lembro que ele fala sobre de onde vem o retorno, é que ele é em parte o crescimento dos lucros, o dividendo e a expansão de múltiplo. E se você vê isso desde 1910, eu acho que ele usa, né, até 2010, acho que o S&P deu 9 pontos.

S&P não, porque o S&P não existia, ele pega o Dow Jones Industrial Index, enfim. Mas o crescimento do mercado americano foi de 9,6%. Desses 9,6%, eu não lembro quanto foi dividendo exatamente, valorização, acho que foi, enfim, da expansão de múltiplo, que foi aquele lucro, aquele múltiplo que expandiu. Foi só 0,1 ponto percentual desses 9,6.

BPBruno Perini

Que expandia, voltava.

EMEvandro Medeiros

Exato. Então, no curto prazo tem muita expansão e compressão de múltiplo. No longo é dividendo mais crescimento, tá? E é polêmico, tem muita gente que não concorda com isso, mas é a minha visão.

BPBruno Perini

Não, para prazos muito longos é justamente isso mesmo. É um retorno às médias, né? Uma hora fica muito caro, fica mais barato. Então tem que comprar simplesmente a tese de crescimento da empresa e o que ela distribui. É um livro que eu acho que ele poderia ter metade das páginas que tem. Que ele fica muito repetitivo no final, né? Vai ter um episódio sobre o Investidor de Bom Senso de John Bogle aqui no podcast. Bom, pessoal, só agradecer.

As redes sociais do nosso analista estarão aqui na descrição do podcast para quem quiser aprender mais. Também vou lembrar que todos estão na Finclass, tem carteira recomendada lá. Então você pode simplesmente seguir a carteira, ou para aqueles que querem ter um pouco mais de emoção, que não é necessário, mas tem gente que gosta, né? O Paul Samuelson falava que a emoção vai para Las Vegas com algum dinheiro, né? Investir investir é sentar para assistir a grama crescer ou a tinta secar na parede.

Mas é muito mais fácil você partir de uma base já analisada de ativos para escolher aqueles que você acha que tem mais a ver com o seu perfil do que simplesmente querer olhar as 300 e tantas empresas da bolsa, mas todo mundo investe em fundo imobiliário, se pegar ETF junto, então aí já vira um monte mais de coisa. Mesma coisa em renda fixa, infinita oferta de ativos. Então é muito bom que você tenha já um mapa detalhando para onde você pode ir de maneira a otimizar a questão de risco.

E retorno. E estamos sempre aqui no Sócios. Para quem quiser me acompanhar no Instagram, Bruno Adnan Imperini. Canal do YouTube, Você Mais Rico. E semanalmente nos vemos aqui para outros episódios. Pessoal, muito obrigado! Para quem assistiu, nosso grande abraço. Obrigado e até a próxima.

EPEduardo Perez

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