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AUGUSTO CURY: VIDA, POLÍTICA E O FUTURO DO BRASIL | Os Sócios 317

24 de setembro de 20261h53min
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O que leva um respeitado psiquiatra, com uma trajetória sólida e consolidada na medicina, a deixar o consultório e se envolver com a política? Essa é a história de Augusto Cury, uma das figuras mais conhecidas do cenário nacional e atual candidato à presidência pelo Avante. Mas o que o levou a essa decisão? Foi uma decisão pessoal, uma inquietação com o rumo do país, ou um chamado que veio da própria experiência de ouvir e entender pessoas ao longo de anos de clínica? No episódio 317 do podcast Os Sócios Podcast, nosso estimado convidado responderá estas e muitas outras perguntas. Falaremos sobre suas motivações, sua visão de país, seu plano de governo e as principais propostas para enfrentar os desafios da segurança, saúde, educação e economia. Ele será transmitido nesta quinta-feira (24/09), às 12h, no canal Os Sócios Podcast. Hosts: Bruno Perini @bruno_perini e Malu Perini @maluperini Convidado: Augusto Cury @augustocury Sua marca no podcast Os Sócios: publicidade@timeprimo.com

Participantes neste episódio3
B

Bruno Perini

Hostjornalista
M

Malu Perini

Hostjornalista
A

Augusto Cury

ConvidadoMédico e escritor
Assuntos5
  • Motivações para a candidatura de Augusto Cury à presidênciaomissão dos bons·pacificar a nação·não ser profissional da política·não depender do poder
  • Visão de Augusto Cury sobre a política brasileira e o futuropolítica como indústria de egos·ambiente tóxico e autodestrutivo·personalismo e reeleição·semipresidencialismo
  • Propostas econômicas de Augusto Cury para o Brasilredução da Selic·corte de gastos governamentais·divisão do BNDES·incentivo ao empreendedorismo
  • Propostas de Augusto Cury para a segurança pública no Brasiluso de tecnologia e drones·integração das polícias·combate à corrupção·proteção de crianças e mulheres
  • Revolução na educação e preparação para o futuroescola de empreendedorismo·gestão financeira nas escolas·ensino técnico·inteligência artificial e robótica
Transcrição87 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
BPBruno Perini

E aí, pessoal, vamos começar mais um episódio do podcast Os Sócios. Quem fala aqui é Bruno Perini, host do podcast. Estou como sempre com Malu Perini, minha esposa, host, o belo host aqui dos Sócios. Olá, pessoal, sejam bem-vindos a mais um episódio dos Sócios. E sobre o que falaremos hoje, Boldinha? Hoje trouxemos um dos candidatos à presidência, Augusto Cury. Vocês já devem ter visto na bio, como o Bruno sempre fala, não é mistério, né?

Não tem nenhum tipo de suspense porque tá lá na na bio, aliás, na thumb do episódio. Então fica muito claro quem é o convidado. A gente vai falar um pouquinho dessa candidatura, da vida, da política, um pouco de tudo. O porquê, né, essa pretensão de ser presidente no Brasil, porque arranjar esse problema para si mesmo.

ACAugusto Cury

Pois é. Então fala aí, essa eu gostei.

BPBruno Perini

Então vou apresentar aqui o nosso convidado. Sei que muitos de vocês conhecem, talvez já tenham lido livros do Augusto Cury, mas ele é médico psiquiatra, professor, pesquisador, escritor, produtor rural e investidor. Natural de Colina, interior de São Paulo, é o psiquiatra mais publicado no mundo, escritor mais lido do Brasil neste século, com mais de 70 livros traduzidos para dezenas de idiomas e publicados em mais de 90 países.

É autor de obras como O Vendedor de Sonhos, Pais Brilhantes, Professores Fascinantes e O Homem Mais Inteligente da História. Já teve 4 peças teatrais e longa-metragens baseadas em seus livros e investe em mais de 10 empresas, incluindo agro e mercado financeiro. Em 2026, filiou o seu Avante e disputa pela primeira vez a presidência da República, defendendo a pacificação política e a formação de um time de ouro para governar o país unindo direita e esquerda. Augusto Cury, bem-vindo ao Podcast Sócios.

ACAugusto Cury

Bruno, um privilégio estar diante de uma mente brilhante que fala sobre economia, mercado financeiro, e diante da Malu, que não apenas é um rosto bonito dos podcasts, mas é uma mulher poderosa que faz toda a diferença na sua vida e na vida de milhões pelo menos milhares de mulheres no Brasil.

BPBruno Perini

Obrigado, obrigado. A gente que agradece pelo elogio. E eu queria começar justamente com esse ponto, Cury. Por que que você decidiu entrar para política? Porque várias pessoas me perguntam, né, se eu tenho esse tipo de pretensão. Eu sempre falo, cara, imaginando o tipo de ambiente, as pessoas que estão lá infelizmente no Brasil, um monte de gente que é corrupta e mesmo assim continua na política e segue lá e segue sendo eleita e reeleito.

ACAugusto Cury

Exatamente.

BPBruno Perini

Lidar com esse tipo de gente, eu falo eu prefiro fazer outras coisas da minha vida, arrancar meus dentes da frente sem anestesia do que entrar na política. E você tá com a vida resolvida já, muito bem-sucedido.

ACAugusto Cury

Gostei dessa, arrancar os dentes sem anestesia. E eu já tenho a vida resolvida financeiramente. Se juntar a condição financeira de todos os candidatos, a minha na pessoa física é maior do que todos juntos, incluindo o Zema. E falo isso com muita humildade. Mas por que alguém que não depende do poder, não ama o poder e não precisa do prestígio e do dinheiro do poder entrou na política? Porque pior do que a ação dos maus e dos corruptos é a omissão dos bons e daqueles que têm a contribuir.

Chegou num ponto que eu não suportei. Eu vou entrar, vou entrar porque amo? Não. Vou entrar porque é um lugar prazeroso? Não. Vou entrar porque é um ambiente onde as pessoas pensam no Brasil? Não, justamente o contrário. Frequentemente pensam no seu ego, pensam no seu partido, no seu projeto pessoal. Mas espera um pouquinho, eu não sou um profissional da política, um profissional que transforma o seu projeto de vida para ter um projeto de poder.

Eu, mas eu sou um pagador de impostos, eu sou um brasileiro. Eu tenho direito e tenho direito de interferir no processo. Eu sou lido por todos os, por líderes das mais diversas ideologias no Brasil, direita, vários da direita. Inclusive, em livros para Jair Bolsonaro, no momento que ele estava muito angustiado, ele já postou foto minha com livro. Amigos dele pediram, olha, está com soluços constantes, angustiado, por favor envia algumas obras, escreva algumas mensagens.

Enviei para Jair Bolsonaro. E ao mesmo tempo eu ajudei o Alckmin quando ele perdeu o filho naquele acidente de avião. E nós perdemos o Bruno Avelar, né, há pouco tempo, que era um querido amigo. Então eu, como médico, sempre escutei as dores das pessoas. E a dor é o patrimônio mais importante de um ser humano. Ou a dor nos constrói, gerando autonomia, capacidade de resiliência, de nunca se curvar nossas mazelas e transformar o caos em oportunidade, ou a dor nos destrói, registra como, registra-se como janelas traumáticas ou killers e encarcera o ser humano no único lugar que ele deveria ser livre.

Então eu tomei uma atitude: eu vou entrar nessa seara para pacificar a nação, como você disse. Vou chamar os maiores especialistas, se a sociedade brasileira achar que eu sou digno, E vou pacificar a nação, porque a narrativa da direita contra a esquerda e narrativa da esquerda contra a direita é completamente irracional. Há milhões e milhões de pessoas maravilhosas na direita e milhões e milhões de pessoas encantadoras na esquerda.

Então eu tenho sido um facho de lucidez, e todos eles sabem disso, todos os partidos sabem disso. Tanto os da direita como da esquerda, eles comentam: parabéns, você tá ajudando muito porque você tá pacificando a nação. Mas todos sabem que é uma tarefa Hércules, uma tarefa muito difícil, porque virou quase que uma religião. Não é só política, política onde projetos são debatidos. Você coloca o seu líder como se fosse um ídolo.

E você o adora e não vê defeitos nele. Os bolsonaristas não veem defeito em Bolsonaro, e ele tem um raciocínio normal. O Lula também tem um raciocínio normal. Os dois têm uma genialidade em áreas específicas. Lula é um gênio na comunicação, mas tem um raciocínio normal e tá quebrando o país com a sua política intervencionista e gastando muito mais do que arrecada. E Bolsonaro embora tenha um raciocínio normal, é um gênio na sua capacidade de confrontar o sistema e querer colocar uma pauta que ele acha justa e adequada à direita.

Então os dois têm características que os distinguem e que levaram metade da população votá-los, né, em cada um praticamente na eleição passada. Agora, Bruno, eu sou jornalista, fala, mas você não tem experiência. Claro que não tem experiência, e nem quero ter essa experiência da velha política. Eu, eu Mas eu tenho experiência como gestor, minhas empresas impactaram o Brasil e também impactaram outros países. Então é nosso direito de entrar nessa seara e tentar botar ordem na casa.

E eu sou respeitado pelos mais diversos partidos e todos eles já disseram que eu sou muito querido. Então nós vamos fazer um pacto nacional, o Executivo com Legislativo, com o Judiciário, para de fato governar a nação em 4 anos Porque eu sou contra completamente a reeleição. Ela flerta com a corrupção e com a autoperpetuação no poder, e também com personalismo. E vamos chamar um time de ouro, de fato, para governar essa nação, para crescermos a 5 a 6% em 4 anos.

Faço alicerce, vou embora para nunca mais voltar, e outras pessoas mais notáveis continuam construindo os andares da nossa economia e da nossa democracia, para abarcar 210 milhões de brasileiros.

BPBruno Perini

E Augusto, na sua visão, por exemplo, a gente tá praticamente às vésperas da eleição. Caso você não consiga ir para um segundo turno ou ser eleito, você pretende continuar se candidatando, ou é uma tentativa que você faz no momento específico da vida, você enxerga, não, ou é agora ou realmente não tem como contribuir nessa área?

ACAugusto Cury

Obrigado pela pergunta. Hoje, dentro de mim, eu estou claro que eu vou colocar a primeira e a última vez, porque é extremamente desgastante. Imagina, é uma indústria de egos, é uma, é uma fogueira de vaidade, é uma fonte de ódio inenarrável. Eu fico perplexo como a política brasileira está doente, e todos eles estão doentes também. Não é só pessoas más e corruptas. Os bons estão doentes, sofrem pelo futuro, cobram demais de si, terceirizam sua felicidade em função da opinião dos outros, têm dificuldade de conviver com pessoas lentas, são hiperagitados, acordam cansados, com dores de cabeça e dores musculares.

Imagina, é o caos. Eles estão— o mercado financeiro nem preciso dizer que é uma gangorra também. A grande maioria tem esses sintomas, mas na política também. Então eu quero colocar meu nome dessa vez, e a sociedade brasileira vai ter a opção de optar dessa vez, não está no portfólio da minha história colocar meu nome numa próxima vez, mesmo que tenha influência no futuro. Posso influenciar governos, posso influenciar líderes, mas não está dentro do portfólio da minha biografia voltar a me candidatar.

Eu nunca encontrei um ambiente tão tóxico Nunca encontrei um ambiente tão destrutivo e autodestrutivo, tão insano, tão desinteligente. Quem está lá são raros que amam o Brasil e são muitos que amam seu ego e seu partido.

BPBruno Perini

É, eu posso imaginar o quão desgastante é. E me impressiona inclusive, né, o Lula já com seus 80 anos ainda está fazendo campanha, viajando o Brasil, É porque isso é desgastante para o Renan, deve ser o mais jovem dos candidatos, fica viajando por aí. Imagina para um senhor já idoso.

ACAugusto Cury

Mas sabe por quê? Vou te falar uma coisa: o poder mexe com ciclo da dopamina e da serotonina e dá dependência nos níveis da cocaína. Ele vicia, vicia. Você sabe que você está doente, você sabe que tá se matando, que você devia contemplar o belo, namorar mais a vida, namorar mais sua esposa, brincar mais, relaxar mais. Mas vicia, mexe com ciclo, inclusive mexe tanto que você não consegue ter uma rotina normal, contemplar o belo, fazer das pequenas coisas espetáculo aos olhos.

Há muitos miseráveis morando em palácios. Certa vez eu fiz uma entrevista na Forbes americana. Normalmente demora 6 meses, 1 ano para sair uma entrevista, às vezes nem sai, mas a minha saiu em 3 a 4 semanas porque eu falei que há muitos miseráveis morando em palácios que que o poder financeiro também vicia, que você sente cada vez mais a necessidade de ter mais para sentir menos. E isso dificulta a qualidade de vida, o prazer e o encanto pela existência.

E no mundo político, pior ainda. E além disso, Bruno e Malu, os maiores financiadores emocionais dessa trajetória doentia são aqueles que são istas: os lulistas que endeusam Lula, que o valorizam, são seus piores inimigos. Os bajuladores acabam levando a acreditar que ele é um semideus. Se pudessem criticá-los e se o fizessem com liberdade, poderia fazer com que Lula evoluísse e melhorasse tanto o seu comportamento quanto a sua maneira de enxergar a economia, porque O Lula saiu da prisão e não vou julgar quais são os motivos ou não, não tá entrando aqui, não está o judiciário, mas provavelmente a prisão não saiu dele porque ele governa com certa dose de rancor, não se preocupa com as consequências de 6,7 milhões de jovens que nem trabalham nem estudam. 82% das famílias estão endividadas no governo dele, pagando juros de 30 a 40 a 50%, e os piores inimigos de Bolsonaro são os bolsonaristas, não são os lulistas, que não criticam, impede ele evoluir.

E dificulta com que eles se tornem autor da própria história. Inclusive, nós sabemos, é, se o Bolsonaro tivesse controle mais da sua língua, provavelmente ele teria mais chance de ter ganho de Lula. Então as pessoas perdem também pela sua ansiedade e pela sua hiperconstrução de pensamentos. E esse excesso de verdade às vezes é traduzido para nós que estudamos a mente humana como a falta de controle. Tem pessoas que dizem: Doutor Cury, eu não levo desaforo para casa.

Claro, você é um desequilibrado, não leva desaforo para casa física, mas leva desaforo para casa mental. Então os istas acabam sendo um problema. O país é governado de forma laica, o governo é laico, mas na prática eles flertam como se fossem semideuses, os dois. É por isso eu quero mostrar que temos que mas ficar na ação, que não há dois barcos, só uma família chamada família brasileira.

BPBruno Perini

Bom, e quanto às principais questões do Brasil hoje, porque em pesquisas o que costuma aparecer quando você pergunta para a população sobre o que deveria melhorar, dois pontos eles sempre são muito citados. Um deles é a segurança pública, que não é em si uma responsabilidade do presidente, né, tá muito mais na mão de governadores. No entanto, a gente no Brasil tem aquela famosa história de prende o cara, logo depois já solta, o cara fica cometendo uma série de crimes em impune até que uma hora vai parar no jornal que ele fez algo horrível, estuprou e matou uma jovem, por exemplo.

É aquela comoção nacional e vão ver o que tinha acontecido. O cara tem 20 passagens pela polícia e não fica preso. Então queria saber os pontos na segurança pública para depois falar dessa questão da população brasileira endividada, dos juros altos no Brasil, que a gente sempre fala, pô, mas o juro é o Banco Central que define. Ah, mas ele reage a uma conjuntura de um governo que gasta muito mais do que arrecada e continua fazendo isso, né, gastando cada vez mais. Mas começando pela segurança pública, qual seria o plano?

ACAugusto Cury

Uma coisa muito clara, Não é aquele que é o mais valentão que pode resolver ou abrandar de maneira severa a segurança pública. É o mais inteligente, é aquele que usa mais tecnologia, é aquele que integra as polícias. Eu já dei vários treinamentos para a Polícia Federal ao longo de mais de 10 anos em relação à gestão da emoção, inclusive na época do Dr. Leandro D'Aiello, que foi um dos mais importantes diretores gerais da Polícia Federal.

Nossa Polícia Federal, ela é heroica. Ela tem menos de 15 mil membros na corporação. O índice de resolutividade dos inquéritos é 85%, o que é altíssimo para as polícias federais. E em relação ao FBI, que cuida apenas dos crimes internos, ela, o FBI, tem 38 mil membros nessa corporação e tem, além disso, várias outras polícias federais dos Estados Unidos que tem 60, 70 mil membros. E se você juntar todos, nossa Polícia Federal é diminuta e heroica.

E muitos deles vão à exaustão porque a indústria da corrupção no Brasil é tão grande que o cérebro fica em estado de alerta constante. Isso pode colapsar a mente de vários deles e colapsa, e temos que cuidar deles. E porque eu me doei gratuitamente treinando a Polícia Federal e também outras oportunidades, outras polícias, eu recebi o título de membro da IPA, International Policeman Association. Sou membro que reúne mais de 500 mil policiais federais do mundo.

Eu não sou aquele valentão clássico, mas eu sou inteligente da segurança. E nós vamos chamar os melhores especialistas para treinarmos a Polícia Federal, equiparmos, incorporar e encorparmos a Polícia Federal. E vamos integrá-la com a Polícia Militar. Sabe quantos mil membros tem a Polícia Militar no Brasil? Tem ideia?

BPBruno Perini

Não.

ACAugusto Cury

410 mil membros, mais ou menos. E com a Polícia Civil e com a Polícia Municipal ou a Guarda Municipal, que na minha opinião deveria ter 5% dos colaboradores públicos como polícia municipal treinada e equipada pela elite da Polícia Militar e pela Polícia Civil e também pela Polícia Federal. E aí nós vamos ter um ecossistema de 800, 900 mil, quem sabe até 1 milhão de policiais, reitero, treinado, equipado, valorizado, inclusive com melhores salários.

Aí vamos de fato ter a prevenção do crime, porque não adianta só prender e soltar. De fato, nós prendemos muito, sabia, Bruno? Você sabia que nós prendemos? Acho que o Caiado nem sabe desse detalhe. Eu queria até perguntar para ele: você sabia que nós prendemos mais de 300% do que a China?

BPBruno Perini

Não, não sabia disso.

ACAugusto Cury

Pelo índice de população, nós somos o terceiro país que mais prende no mundo. Temos 840 mil, os Estados Unidos 2 milhões e 100, esse número varia um pouco de ano para ano, a China 1 milhão e 600, 1 milhão e 650, e o Brasil 840. Aí depois vem Índia e assim por diante. Obviamente prendemos provavelmente mais de 600% ou até 1000% em relação à Índia. Agora, prendemos mal. Quem que tem que estar lá é criminosos, criminosos que das facções quem está lá são os estupradores, são aqueles que são feminicidas, tem de estar lá, tem de estar lá os corruptos que não estão.

Os corruptos têm passagem quase que livre, é quase que inacreditável. A corrupção tem que ser tratada como crime hediondo, temos que mudar a Constituição como crime violento para eles ficarem e não saírem. Agora, não adianta só falar vamos prender se nós não transformamos um ecossistema de todas as polícias integradas, treinadas, inclusive com uma informação onde é transpassado de uma para outra. E hoje isso não é feito, são ilhas, e consequentemente você não forma uma barreira que protege o cidadão comum.

Vamos fazer uma revolução na segurança pública. Pode ter certeza disso. Eu já brinquei até com Caiado. Caiado, se eu for presidente, eu brinquei e falei sério, como você teve uma experiência muito boa em Goiás, eu vou te chamar você para ser o xerife do Brasil, para dirigir o Ministério da Segurança Pública, dividindo entre segurança pública e também Ministério da Justiça. Com isso, tenha certeza, vou convidar pessoas das mais notáveis, e vou pegar as experiências de fora do país porque eu vou atuar como gestor, como gestor de empresa.

Nós sabemos que não adianta só ter um valentão: eu vou prender. Mas tudo bem, você prende, tem que prender. E aí, e os juízes têm que fazer um pacto nacional: não solte aqueles que têm alta periculosidade. Periculosidade, grau de violência grau de colocar a sociedade brasileira em estado de agressão e insegurança grave. Mas eles são soltos porque advogados entram com pedidos, sempre encontram brechas na lei, e acabam sendo presos aqueles que muitas vezes não têm condições de pagar um advogado.

Então nós vamos fazer uma revolução na segurança pública. Vai ter gestão de maneira adequada. Vamos construir talvez mais 2 ou 3 presídios federais, presídios de segurança máxima, e sem comunicação aqueles que cometeram crimes hediondos com qualquer outros membros da sua família, para que não possa dirigir a sociedade a partir dos presídios.

BPBruno Perini

Você falou, por exemplo, dos faccionados, e há pouquíssimo tempo a gestão do Trump classificou o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. Algo que na visão do governo atual não deveria ter sido feito. Eu queria saber a sua visão sobre isso, porque se a gente pensa, né, eu sempre brinco que aqui no Brasil eu gosto muito do Nubank porque é uma das poucas empresas nacionais que tem a cabeça de dominar o mundo. Então começando a abrir conta nos Estados Unidos, já estão no México, estão na Colômbia.

E aí quando você pensa qual outra organização brasileira faz a mesma coisa? PCC.

ACAugusto Cury

Qual outra organização também que faz? Augusto Cury.

BPBruno Perini

Você tá em 90 países, de fato.

ACAugusto Cury

E além disso, além disso, temos um projeto gratuito de prevenção de suicídios. Já estamos em 180 países para ajudar a humanidade, onde sou embaixador e mentor, chamado Touch Peace. Quero enviar a todos um abraço, a todos do Touch Peace. Treinamos chineses para prevenir suicídios e transtornos emocionais, treinamos europeus Gratuitamente.

BPBruno Perini

Isso é maravilhoso. Mas voltando essa questão do PCC, porque é uma facção transnacional poderosíssima, com muito dinheiro. E há pouquíssimo tempo a gente viu no Brasil que um banqueiro pequeno barra médio, porque o Banco Master era um banco pequeno que ele acabou ficando médio ao longo do tempo devido ao acesso político que ele tinha em Brasília, esse cara ele comprou parte do Executivo, ele comprou parte do Judiciário, ele comprou muita gente do Legislativo.

Ele quase conseguiu aprovar o que seria chamado de, se eu não me engano, era emenda master, que era uma mudança no FGC, que tem um teto de R$250 mil por CPF, querendo levar para R$1 milhão. Se isso tivesse acontecido, seria um cataclisma do ponto de vista financeiro.

ACAugusto Cury

Totalmente.

BPBruno Perini

E esse cara nem tinha tanto dinheiro assim, quando você para para pensar. Eu acho que com certeza comprou as pessoas certas. Não, sim, mas eu penso que é muito crível que o PCC tenha mais dinheiro para comprar influência em Brasília do que, por exemplo, o Vôrcaro tinha. E devem ser mais inteligentes a ponto de ficarem abaixo dos holofotes, né? O Vôrcaro queria aparecer, dava festa milionária, né? Você tava um padrão de vida que você via que, pô, tinha alguma coisa incompatível ali com a renda de um banqueiro médio.

Por mais que ele tenha dinheiro, era um negócio surreal. Então queria saber sua visão sobre o PCC, sobre essa questão de terrorismo. É, não é? Como é que a sua gestão encararia isso?

ACAugusto Cury

Olha, Tem duas situações. Vamos falar do Vórcaro e falar do crime organizado. Não há problema de considerar o crime organizado como facção criminosa, como facção terrorista. Não há problema nenhum. Aliás, temos que encarar nesse nível. O que nós não podemos aceitar é os Estados Unidos ocupar território brasileiro, ou então se colocar aqui de maneira— porque quando você considera como facção terrorista, você dá liberdade de outros países interferir nessas facções.

Nós temos que manter a nossa soberania e isso não é negociável. E podemos manter, obviamente, uma relação muito estreita com o DEA, que é a Polícia Federal dos Estados Unidos, cuida de tráfico de drogas, e também com FBI e com outros órgãos. Eu quero ter a melhor relação com Donald Trump e com os próximos, o que, com o próximo presidente dos Estados Unidos. Agora, o que nós temos que entender é que a criminalidade não está apenas nas facções.

Mais de 40 mil assassinatos por ano no Brasil, e uma minoria cometida pela facção. O que nós temos que proteger é a sociedade contra essa epidemia da criminalidade, porque muitas mães chegam em casa e não sabe se o seu filho está lá. Hoje eu estive no Instituto Bacarelli, Fiquei emocionadíssimo. E lá eu vi crianças a partir de 3 anos aprendendo musicalidade, participando de corais, e também a primeira, a primeira orquestra sinfônica dentro de uma comunidade no Brasil.

E eles me pediram para reger. Eu regi uma música, Carmen, entendeu, de um, de um, de um de um autor francês e eles me ensinaram. Eu fiquei tão emocionado, eu realizei um sonho de criança: reger uma orquestra. Não entendo quase nada, mas amo a musicalidade e acho que deveria até ter música ambiente dentro da sala de aula para desacelerar a mente, melhorar a concentração. E deveria também se aprender instrumentos musicais, esporte, tudo que é lento é importante para gerar disciplina.

E deveria ter também nas escolas empreendedorismo, deveria ter nas escolas também gestão financeira e oratória, porque 75% dos jovens, tanto no ensino fundamental até universitário, tem glossofobia ou medo de falar em público. Isso impede o desenvolvimento intelectual, emocional e profissional deles. Então tem que, temos que repaginar a educação. Se nós não repaginarmos, esses jovens, eles vão ser cooptados pelo crime. Eles entram com 11 anos e o Estado chega com 17, 18 anos. 6, você tem ideia de quantos jovens não trabalham nem estudam no Brasil?

BPBruno Perini

O Brasil é um dos líderes do ranking, tava pau a pau com África do Sul.

ACAugusto Cury

Nós temos 6,7 milhões de jovens que nem trabalham nem estudam. É a era da desesperança.

BPBruno Perini

A estatística que eu vejo, de cada 5 jovens, 1 neném aqui no Brasil.

ACAugusto Cury

Então era desesperança. Então espera um pouquinho, nós estamos falando de crime organizado, mas escapa pelas nossas mãos o ouro da nossa sociedade, que são os jovens. Escapa pelas nossas mãos a proteção da mulher. Elas recebem 21% a menos que os homens pelos mesmos trabalhos, pela mesma qualificação. Isso é injusto. E pagam 4% a mais de juros, Malu, que os homens, embora sejam melhores pagadoras. Isso é cruel. E a cada 5 ou 6 horas, uma mulher é morta pelos seus parceiros ou familiares.

Então estamos falando do crime organizado e não temos foco nas dores das pessoas? Então tem que ser todo um trabalho. Crime organizado, sem dúvida alguma. Presídios federais, sem dúvida alguma. O corrupto tem que ser crime hediondo, sem dúvida alguma. Mas também temos que proteger todo o tecido social. Agora, falando do Vôrcaro, é quase que inacreditável o que ele fez, porque é um péssimo gestor.

BPBruno Perini

Olha, é um gestor, não tinha nada.

ACAugusto Cury

É um idiota emocional e intelectual. Eu nem vou falar idiota no sentido pejorativo, porque um sujeito que gasta centenas de milhões para comprar as pessoas, e banco não dá tanto lucro assim, ele usou dinheiro de 18 fundos de pensões, 18 fundos, e mais de 12,4 milhões de correntistas. Então esse sujeito não tinha a mínima noção, ele tava comprando tudo ali, era ilícito. E o que fica O que me deixa estarrecido é que as pessoas sabiam também que aquele dinheiro era ilícito, é um dinheiro desonesto.

Então uma pessoa que tem um comportamento desse é uma pessoa que é violenta contra a sociedade. Há centenas de milhares de pensionistas, ou seja, pessoas que dependiam daquele dinheiro para ter sua aposentadoria. Então aquele sujeito, ele era um péssimo gestor, ele agiu de má-fé, e as pessoas que se envolveram com ele sabiam que aquelas garrafas de uísque de milhares de reais, aquelas— ele comprou inclusive o silêncio das pessoas quando fez a festa da filha gastando R$20 milhões, comprando com garrafa de vinho a R$6 mil.

As pessoas sabiam que tinha uma coisa errada. Agora, você aceitou aceitar essa premiação, aceitar viagem, por exemplo, de um avião que custa R$60 mil a hora ou R$100 mil a hora? Poxa, é inadmissível. Ali houve uma festa com dinheiro das pessoas mais inocentes, daqueles que investem num banco acreditando que o Banco Central, ele é responsável por controlar. O Banco Central errou de maneira cruel e nós vamos fazer uma investigação sobre isso.

Por que o Banco Central tardou para perceber aquelas ações ilícitas? E tardou muito. Bom, então eu que sou preocupado em pacificar a nação brasileira, temos que entender que pacificação não é passividade, não é passividade. Nós vamos até as últimas consequências para proteger os patrões dos deputados, dos governadores, do presidente, e os patrões dos ministros do STF e de todo funcionário público. Quem são os patrões?

BPBruno Perini

O contribuinte.

ACAugusto Cury

É o contribuinte, são aqueles que pagam impostos.

BPBruno Perini

A gente é sobre o Vorcaro, né? Bancos podem ser lucrativos, mas não no nível que ele gastava. O que ele fez basicamente foi simplesmente um esquema de pirâmide. Ele fala assim, ó, investe no meu CDB, te dou 140% do CDI, daqui a 5 anos você recebe.

ACAugusto Cury

É pirâmide, é pirâmide.

BPBruno Perini

É quando ia chegar os 5 anos, já tem dinheiro. E aí foi quando o Banco Central falou, é, isso aqui tá muito estranho. E realmente demorou um tempo, né, até verem isso. Achou que muito mais tempo do que deveria de fato, porque o Banco Master era uma empresa listada em bolsa, não tinha aqueles balanços trimestrais publicados para todo mundo ver. No entanto, era muito estranho o que eles faziam. E talvez pela influência que ele tinha lá em Brasília que se demorou no final, né?

ACAugusto Cury

Ele pegava o dinheiro do correntista, do aplicador, fazia festa. Não era o dinheiro que dava ele 140%, você daí já é muito, nós sabemos, tá? Geralmente é 110%, 102%, 105%, quando muito 120%. Mas tudo bem, o que ele fez ali era dinheiro do correntista, do aplicador, e ele distribuía, ia comprando todo mundo.

BPBruno Perini

Eu fico pensando E só um adendo, né? Quando o pessoal já não queria mais comprar o CDB dele, aí ele correu para os fundos públicos e falou: compra aqui R$500 milhões. Aí os fundos de pensão de vários estados pegaram dinheiro dos aposentados e compraram títulos do Banco Mastercard.

ACAugusto Cury

E a que preço? E o que estava debaixo da mesa? Quantas pessoas receberam propina para comprar um CDB podre? Um CD aí podre.

BPBruno Perini

E quando os funcionários eram contra, na Caixa Econômica apareceu isso. Quando a Caixa investiu cerca de R$500 milhões em títulos do Banco Master, dois técnicos da Caixa falaram, cara, não devemos fazer isso. Eles foram punidos, foram demitidos. Não sei se chegou a ser demitido, mas eles foram escanteados. E no final, a Caixa Econômica do mesmo jeito.

ACAugusto Cury

Nossa, olha só, olha só, eu não sabia desse detalhe. Eu que estudo muito, olha só. Não é cruel. Nosso sistema financeiro precisa ser abraçado. Se não há um choque de lucidez, o sistema financeiro vai colapsar. O Brasil deve 82% em relação ao seu PIB, que é muito. Nós pagamos, não sei se você tem ideia, nos— veja bem, eu invisto no mercado financeiro, estudo o mercado financeiro, tenho fundo no mercado financeiro, e podemos falar até sobre isso.

Mas eu não sei se você sabia, sabe quanto nós pagamos para rolar a dívida federal neste século, nos últimos 25 anos? Tem ideia?

BPBruno Perini

Nos últimos 25 anos, não.

ACAugusto Cury

R$14 trilhões e R$7 trilhões de renúncias. No governo Lula, R$3 trilhões e R$800 bilhões de déficit. Déficit, o déficit do gasto excessivo do governo foi muito, R$500 bilhões. R$3 trilhões e R$300 só para rolar a dívida federal. O Lula, ele deixa os rentistas ricos, e as pessoas que investem em ações, investe na produção, investe em ETFs, investe em fundos imobiliários, corre risco altíssimo, porque é uma gangorra sem precedente.

Então, o que aconteceu é inumano, que está acontecendo com a economia brasileira. As pessoas, vocês não têm ideia O Brasil está colapsando. O agro não dá 5 ou 6% de rentabilidade, paga 20% ao ano no mínimo para se financiar, porque o acesso ao crédito rural é raro subsidiado. Mesmo assim não é tão barato, 8, 9%, 10%. Mesmo assim é mais alto do que a lucratividade. No comércio não dá 5 ou 7%, também a 25% eles financiam. Na indústria é menos ainda.

A indústria dá 2 ou 3% quando muito nessa situação em que está o país. E também tem que se financiar juros altíssimos. Então colapsou a economia. E o que me dói na minha alma, na minha alma, é saber que o Lula, que fala que é pai dos pobres, ele não é pai dos pobres. Vou falar aqui olhando nos seus olhos, Lula: você é o pai da pobreza. Eu sei que você tem uma preocupação com a dor das pessoas, é indubitável, nunca vou tirar esse mérito, mas você não é o pai dos pobres, porque o dinheiro que você dá é o dinheiro do contribuinte.

E quem Quem tem um Bolsa Família deveria ter o direito de assinar carteira sem perder o benefício, ou abrir uma microempresa sem perder o benefício. Aí, por um certo tempo, não perde benefício, ele duplica ou triplica sua renda e sai de R$600, agora R$690, mais R$150 por filho, para ter uma renda de R$2.000, R$3.000, R$4.000, R$5.000. É uma renda no mínimo digna. Mas do jeito que está, as pessoas desenvolvem a Síndrome de Estocolmo.

Se eu vou assinar carteira, eu não— o pai, o pai da pobreza, né, o pai, o Lula, ele pode cortar o benefício. E isso você acaba suspendendo a crítica contra o seu algoz. Essa é a síndrome de Estocolmo. Você desenvolve uma empatia enorme sem saber que emocionalmente você— não tô dizendo que é uma intenção deliberada, mas acaba usando a dor das pessoas para continuar sendo controlada pelo medo, gerando uma empatia que faz com que você não se liberte.

Então, no meu eventual governo, eu estou claro: as pessoas que assinarem a carteira vão ser premiadas, e que tiverem uma MEI vão ser premiadas, e não vão perder o benefício por um certo tempo, um tempo significativo, para que elas possam ser autoras da sua própria história. E nós vamos dividir o BNDES em dois: o Banco da Microempresa no primeiro, primeiro dia, o Banco da Microempresa e o Banco da Grande Empresa. E temos que transformar a nação brasileira numa das nações mais empreendedoras do planeta, com 10 a 15 milhões de microempresas nos próximos anos, para preparar o Brasil para o tsunami da inteligência artificial e da robótica, que talvez vocês sabem, não sobe pedra sobre pedra.

Vai haver milhões de desempregos, tanto cognitivos, que depende do raciocínio, médicos, advogados, engenheiros, como laborativos, aqueles que trabalham nas empresas. Então, se nós não nos prepararmos, vai ser o caos. Eu não acho, vai ser o caos mesmo. E na década seguinte, provavelmente, como eu tenho estudado muito, deve haver uma diminuição das democracias e aumentar o autoritarismo e o personalismo. Aquilo que ocorreu, por exemplo, na Argentina, o peronismo.

Uma das coisas que mais sequestrou a América Latina foi personalismo do presidencialismo. Peronismo, o Varguismo, o Chavismo, agora o Lulismo e o Bolsonarismo. Toda vez que você quer perpetuar o seu nome, você suspende a capacidade de perceber que o seu povo é mais importante que o seu ego, que o projeto de nação, projeto de Estado, é mais importante que o projeto partidário. Isso é cruel, é cruel. E por isso que um dos, um dos meus projetos é mudar a Constituição de presidencialismo para o semipresidencialismo, onde o presidente fique no estratégico, onde o presidente cuida das Forças Armadas e também da política externa, e um primeiro-ministro vai gerenciar essa nação de maneira adequada e inteligente, com uma mente capitalista no mais alto nível, meritocracia, empreendedorismo, liberdade de expressão, É crédito mais barato, um Estado muito mais responsável e mais enxuto, mas um coração social que se preocupa com as dores das pessoas, da mulher, do trabalhador, dos direitos humanos.

Assim nós vamos ter gestão como nós nunca tivemos. Mas infelizmente o presidencialismo foi um câncer na América Latina, e é por isso que dos 20 países que mais se desenvolveram, só um foi presidencialista, e foi os Estados Unidos. Mas assim havia, mas ainda assim havia equilíbrio entre republicanos e democratas. Os outros 19 tinha um primeiro-ministro na gestão. Porque se ele é corrupto, se ele é ineficiente ou impopular, uma moção de desconfiança do Congresso e ele cai, e um novo gestor é escolhido pelo presidente, chancelado pelo Congresso.

É muito mais inteligente, porque você sabe, não adianta ter uma empresa lucrativa, o Brasil, por exemplo, com esse, com essa maravilha, maravilhoso em recursos naturais, sol, chuva, terra, se não tem gestão. Olha como é que está o nosso país. Sabe quanto cresceu? Só para encerrar, sabe quanto cresceu o Brasil neste século. Eu sei que eu tenho números porque eu estudo, e aí vocês não são obrigados a ter, são números pontuais. Ele cresceu 73% e a China cresceu 530%.

Se o Brasil tivesse crescido o dobro ou triplo, esse país seria uma maravilha, haveria inclusão social. Mas faltou gestão, Bruno, faltou gestão, Malu. Você que está me vendo, faltou gestão, mas gestão séria. Aqui é muito personalismo, é uma vergonha. Perpetuar o nome de uma pessoa e não a 210 milhões de brasileiros ou a família brasileira.

BPBruno Perini

Essa, a gente pega esse crescimento composto ao longo de 25 anos, né, pegando o período fechado que nós temos até agora, excluindo esse último ano, daria alguma coisa em torno de 2,2% ao ano. Então é nada para um país emergente, é bem pouco. Um país emergente é bem pouco. Muita gente fala, pô, o Brasil é um país rico, só é mal gerido. Na verdade, a gente é um país de renda média. Claro, e que tá ficando abaixo da média com o passar do tempo, porque tá todo mundo subindo mais do que a gente.

Mas, Cury, antes de entrar nessa parte da economia, eu queria pegar um ponto que até virou meme. Eu tenho certeza que muita gente viu o meme, não viu a proposta, que é o uso dos drones na segurança pública. E o pessoal brincou muito com isso, do uso do drone na questão da proteção da mulher. Então, para quem viu o meme, não entende qual é a proposta. O que que você quer com o uso do drone?

ACAugusto Cury

Você sabe que é engraçado, As pessoas, o brasileiro gosta do meme, mas o que acontece é que as pessoas não leem, não interpretam adequadamente. É um detalhe o drone dentro da proteção da mulher, tá? É um detalhe. Nós temos que ter um aplicativo, esse é um detalhe importante, onde tem um botão de alerta. A mulher está tendo risco de vida ou uma violência, ela Aciona o botão de alerta e é georreferenciado na delegacia mais próxima, seja delegacia da mulher ou não.

Já pensou? Porque 10 minutos é uma eternidade e muitas morrem. E os policiais têm que ser acionados rapidamente. E se não forem acionados, hoje nós sabemos que tem drones que atuam em guerras, sabemos que o crime organizado usa drones, sabemos que a polícia usa drone. E agora, nessa triste notícia da perda do Bruno Avelar, usou-se drone com infravermelho, com capacidade de você enxergar milimetricamente alvos, né, tão pequenos.

Enfim, os drones acabam em— se não há policiais, eles vão até o alvo que é georreferenciado. Isso é uma tecnologia barata e simples. Eles tocam sirene de alerta, em 5 a 10 minutos estão lá. E o O predador, ele sabe que agora ele vai ser investigado. Quantas mulheres poderão ser salvas? E já teve mulheres que foram salvas por drones no Brasil depois que as pessoas acabaram comentando isso de maneira bem agradável. Acho bonito esses memes.

Até teve um casal brigando, se estapeando no chão, era um teatro, e de repente apareceu o drone do Cury, né? Solte a mulher! Acho que deve ter sido, deve ter sido alguém de Minas Gerais, entendeu? Só até a mulher, porque a polícia tá chegando. Você já pensou se nós parássemos de brincar e realmente usássemos as mais notáveis tecnologias? Sabe a cada quanto tempo uma criança, por exemplo, é abusada sexualmente ou sofre maus-tratos infantis?

A cada 45 segundos. E ninguém fala sobre isso, e nenhum candidato à presidência fala sobre isso. E no Congresso há um projeto de lei chamado Augusto Cury É porque eu, eu o propus e leva meu nome. Eu sempre tive uma vida discreta, Bruno, apesar de ser o autor mais lido do Brasil neste século e o psiquiatra mais lido do mundo na atualidade. Eu quase não dava entrevista. Você vê que talvez você deve ter tentado já me convidar, tentado convidar, e aí eu não é porque não queria, eu vivi uma vida muito intimista.

Agora que entrei nesse ambiente tóxico da política, da política, Eu tenho dado muitas entrevistas, mas tem um nome, Augusto Cury, PL Augusto Cury. Eu não queria, sabe, mas para dar autoridade eles colocaram o nome. Está em regime de urgência. O que que vai acontecer se ele passar? Cada criança de 0 a 12 anos vai ser consultada uma vez por ano por um médico e por um psicólogo para orientar a criança, porque o predador sexual tá próximo de você e você não sabe.

Ele intimida as crianças, mesmo pais que juram que estão protegendo as crianças. Pode não estar protegendo as crianças, às vezes nem conversa sobre o tema. Então esse psicólogo e esse médico vai conversar sobre isso e orientar. Já pensou? Seremos um país mais do que primeiro mundo, porque nem na Noruega, na Noruega, na Suécia, na Suíça, na Dinamarca se fazem isso. E nós vamos fazer isso porque as crianças do Brasil são ouro da humanidade, e nós vamos dar condições também É para que a sociedade brasileira seja protegida com tecnologia, para que as pessoas possam acionar rapidamente a polícia quando estiverem ameaçadas.

Eu vou te contar um caso rápido. Há mais ou menos uns 6 a 7 meses, eu saí de uma propriedade agrícola minha e fui para Ribeirão Preto. E eu fui o primeiro a chegar com um carro acidentado, ele virou. E fez uma curva e virou, e a pessoa tava toda dobrada. Eu achei que ele tava com risco de ter fraturado a coluna, e eu acionei o setor de emergência. Vocês não acreditam, mesmo sendo eu quem sou, pedindo, suplicando, quem estava lá queria me falar onde é.

Gente, por favor, eu estou aqui, eu quero georreferenciamento na via. Queria uma, que eu desse orientações de um lugar que eu não conhecia muito, porque é difícil você falar o local exatamente num cruzamento. E aquela pessoa quase morre, felizmente não morreu. Falta tecnologia no Brasil, falta rapidez no Brasil, e nós vamos fazer o que for necessário para combater o crime, o que for necessário para proteger as mulheres, o que for necessário até as últimas consequências Vamos trazer as melhores tecnologias para proteger as nossas crianças.

Vai ser um país completamente diferente desse velho país dirigido por políticos profissionais.

BPBruno Perini

É, você citou esse ponto da questão das crianças, né, pedofilia, etc. Há pouco tempo eu vi uma reportagem falando sobre uma mãe que descobriu que a filha dela tava sendo abusada por alguém próximo. Se eu não me engano, era o padrinho. Ela foi numa delegacia Mas era um fim de semana, não quiseram aceitar a denúncia. Só que o padrinho descobriu que ela tava denunciando e foi confrontar a mãe. Nessa hora, a mãe tinha uma faca, esfaqueou o cara.

Na minha opinião, ela só errou de não matar, entendeu? Mas veja, ela vai responder um processo porque ela teve que se defender de um agressor que tava abusando da filha dela porque ela não conseguiu dar denúncia na polícia, receber devida proteção. Isso é muito absurdo.

ACAugusto Cury

Não, é uma coisa E nós vamos, reitero, proteger as crianças, mulheres. E quero parabenizar aqui duas mulheres que eu acho que vocês deveriam chamar, que são candidatas à presidência, mas como elas não têm expressão nas pesquisas, então elas não são chamadas, que é a Samara Martins e a Clariana do DC. Quero estender a minha solidariedade e meu apoio a vocês. Parabéns! Por serem mulheres corajosas. E quero até falar com a Clariana, dizer desculpas, porque num debate que eu tive com Inteligência Limitada, e eu falei que, olha, Samara, só você é a única mulher que está sendo candidata, parabéns pela coragem.

E eu tinha esquecido da Clariana. Então vai aqui minhas desculpas, porque vocês mulheres representam o ouro da sociedade brasileira. Sem vocês, nossos céus não teriam estrelas. E vocês merecem voz e merecem debater o Brasil e merecem ser ouvidas também.

BPBruno Perini

Bom, agora entrando mais na parte da economia, Cury, você citou o excesso de gasto do governo, né? A gente tá arrecadando como nunca, batemos uma série de recordes de arrecadação devido ao esforço fiscal que foi feito pelo governo na parte de cobrar mais impostos, principalmente várias medidas novas arrecadatórias. Então estamos batendo recordes. No entanto, apesar disso, a gente continua gastando muito mais do que arrecada, o que vai terminar em dívida pública.

E essa dívida, 50% dela tá atrelada à Selic, que ficou durante muito tempo aí em 15%, 14%, agora tá levemente abaixo. De modo que muita gente fala assim, pô, o Brasil não deve tanto em relação ao PIB em comparação ao Japão, Estados Unidos. Só que o Japão tem juros ridiculamente baixos.

ACAugusto Cury

Exatamente.

BPBruno Perini

Os Estados Unidos têm juros que são menos da metade dos nossos. E o nosso juro é muito alto. E tem dificuldade pra cair, porque nisso o câmbio dispara, a inflação ela aumenta. Então eu queria ouvir suas propostas nessa área. Até porque você falou, poxa, eu quero ter um coração social, mas com uma cabeça mais capitalista. Só que às vezes as duas coisas não conseguem ser feitas ao mesmo tempo. Porque pra gente adequar o Brasil vai ter que cortar gasto.

E vai cortar gasto de onde? O presidente ele também não tem tanto poder assim. Então queria ver a sua opinião sobre isso.

ACAugusto Cury

Bom, é, muito obrigado pela pergunta inteligente. Quero dizer que a mente capitalista é fundamental. Estado enxuto, eficiente, rápido, e um estado que inclui as pessoas é fundamental. Treinar os funcionários públicos, eles não serão despedidos e nem pode ser despedidos, mas serão treinados, equipados para prestar o melhor serviço para o contribuinte. Agora, os 50 mil cargos que são cargos comissionados, nós vamos revê-los para saber quais aqueles são essenciais ou não, tá?

E nós vamos fazer um pente fino e um pente grosso, como um dos meus líderes da economia, que é o Raul, que é o pai do MEI, pai do Simples, está atuando na minha equipe econômica. Pente fino e pente grosso nos gastos do governo. Se nós tivermos só um gesto concreto e real de enxugarmos a máquina, inclusive conversarmos com os deputados, ver sobre a emenda orçamentária que tá quase em 40% do que é o gasto mais flexível do governo.

É muito para os deputados, mas tivéssemos uma auditoria e também elementos para verificar aonde é gasto e qual o grau de eficiência, Esses gastos nas emendas poderiam de fato chegar até a população. Agora, se baixarmos cada vez mais a Selic por sermos responsáveis fiscalmente, porque 1% na taxa Selic nós pagamos R$100 bilhões para financiar a dívida pública, e nós para financiarmos a dívida pública no Brasil o ano passado gastamos mais de R$1 trilhão e R$100 bilhões de reais.

É um absurdo, tá? E se nós de fato formos responsáveis, e vamos ser responsáveis, certamente dentro de 2 anos essa taxa estará em 4 ou 5% da Selic e nós poderemos começar a ter juros civilizados. E vamos fazer isso de maneira muito adequada. Vamos diminuir o número de ministérios. Por exemplo, vamos fazer com que o Ministério da Agricultura se funda com o Ministério da Pesca. Outro exemplo, o Ministério dos Transportes se funda com o Ministério de Portos e Aeroportos.

Ou seja, vamos enxugar a máquina, o que for necessário para poder incluir as pessoas que estão endividadas. Porque é uma crueldade você pegar um crédito consignado onde você tem praticamente garantia de recebimento porque é descontado em folha pagar 3 a 4% ao mês e juros compostos a 40, 50% ao ano. É um absurdo. Em qualquer país do mundo isso seria um crime financeiro. Então, no governo Augusto Cury, eu falo com toda segurança, isso vai ser terminado, porque de fato teremos uma mente capitalista para poder ter um coração social que atenda as pessoas mais vulneráveis do país.

Quero te dizer que o Flávio Bolsonaro, ele é muito menos capitalista do que se imagina. Na verdade, ele não é capitalista, ele fala que é, mas não é. Ele com 22 anos se elegeu como deputado e até a partir daí não parou mais de se eleger para cargos públicos. Ora, ele depende do salário do governo. Se ele não dependesse do salário do governo, ele morreria de fome. Então ele nunca investiu o seu dinheiro numa empresa digna, apenas numa franquia de chocolate que tem uns balanços muito estranhos lá que tem que ser investigados.

Mas ele não é capitalista, ele fala que é de direita, mas ele não tem os pressupostos básicos do direito, porque não dá direito do contraditório. Porque a direita não pode chamar a esquerda de esquerdopata, que não gosta de família, que não gosta de religião. E a esquerda não pode chamar a direita de fascista Está errado esse discurso de ódio, que não gosta de pobres, que não respeita os direitos humanos. Na verdade, o discurso, essa indústria do ódio onde um odeia o outro e não dá direito do contraditório, ela está adoecendo a nação brasileira.

Eu quero pacificar a nação porque há milhões e milhões de pessoas fascinantes na direita, por exemplo, o Paulo Guedes, a Michele Bolsonaro, e também na esquerda. Vou te dar exemplo. O Eduardo Suplicy. E vou te dar outro exemplo também, o José Múcio, que é meu amigo, que é ministro das Forças Armadas e que foi presidente do TCU, Tribunal de Contas da União. Então há pessoas encantadoras nos dois lados, e nós temos que parar com essa indústria do ódio.

Caso contrário, esse país colapsa. Nós não vamos focar na economia, não vamos focar no comércio, não vamos focar na agricultura. Eu quero dobrar a produção de alimentos nos próximos 10 anos. E vamos dobrar, fazer de tudo para dobrar, para ter juros civilizados. Quem sabe trazer 200 bilhões de dólares por ano, redeado em dólar? Eu já fiz vários RED em dólar com segurança jurídica para emprestar a 4 a 6% para o agro, ou a 4 a 6% em dólar para o comércio e para indústria.

Aí nós revolucionamos o país e vamos passar a crescer a 5, 6 ou 7%. Eu vou te falar que dá para fazer, tenho conversado com vários economistas e dá para fazer. Mas nós temos que parar com essa guerra de narrativas, porque se continuar esses dois lados se odiando, isso não é país, isso não é democracia, isso não é civilidade, isso não é respeito pelo cidadão brasileiro.

BPBruno Perini

E, Cury, tem algum líder nacional que te inspira nas políticas que você pretende adotar? Tem algum exemplo que você gosta de citar? Olha, para você entender o que eu quero dizer com uma mente capitalista e um coração social? É mais ou menos nessa direção, naquela? Quem seriam suas inspirações como governo?

ACAugusto Cury

Eu gosto muito de Abraham Lincoln. Depois de todo o caos que ele passou, tantas perdas, fracassos e tantos insucessos, ele conseguiu se eleger como presidente e ele pacificou os Estados Unidos. Não seria hoje uma boa analogia, né? Pegou a Guerra Civil A guerra civil, exatamente. Se não fosse ele, os Estados Unidos jamais seriam uma nação unida. Mas houve muitas dores e nós temos que pacificar a nação sem guerras, mostrando que somos um apenas, somos apenas uma família. Agora, outra pessoa que eu—

BPBruno Perini

vale lembrar que ele foi morto, tá, gente? Espero que a mesma coisa não aconteça por aqui.

ACAugusto Cury

Outra pessoa que me inspira bastante E foi Leão Tolstói, um grande escritor, o grande escritor russo. E também ele inspirou, ele inspirou Gandhi, Mahatma Gandhi, que de vez em quando ele não era tão generoso com a sua esposa, ela confrontava ele, mas ele aprendeu com ela a arte de valorizar as mulheres. Mas ele fez uma revolução pacífica. E imagina enfrentar o Império Britânico. Quem enfrentaria o Império Britânico com a pacificação?

Ele fez. E ele se inspirou não apenas em Leão Tolstói, ele se inspirou em Jesus Cristo. E Leão Tolstói se inspirou em Jesus Cristo, que foi o maior pacificador da história. Eu fui um dos maiores ateus que pisou nessa terra. Quando estudei a mente de Cristo sobre os ângulos da psiquiatria, psicologia e sociologia, pelo menos daquela que eu pratico, eu fiquei perplexo. Eu me perguntava: que homem é este que transformava prostituta em rainhas?

Por exemplo, não sei se você sabe uma passagem, Malu, se você conhece. Uma mulher foi pega em flagrante adultério e arrastaram aquela mulher. Aqueles carrascos eram predadores daquela mulher. E de repente perguntaram qual o veredito dele. Ele olhou para eles e qual resposta ele deu? No mundo todo se fala A segunda resposta: quem não tem erros e falhas atire a primeira pedra. Mas ele não fez isso. Ele escrevia na areia. Ele se recusou a comprar aquilo que não lhe pertence.

Ele escrevia o que ele devia estar escrevendo. Eu conheço aquele fariseu, ele é um falso religioso. Eu conheço aquele outro, ele é corrupto. Conheço aquele outro, ele é misógino. Ele devia estar escrevendo: eu conheço aquela mulher, a menina que foi abandonada, que não teve pais, a menina que foi abusada sexualmente. Eu conheço aquela garotinha que está naquela mulher que sofreu as mais diversas violências, que hoje eles tratam como prostituta.

Aí, quando perguntaram novamente, ele levantou, se olhou nos olhos e falou: eu conheço vocês, pode atirar a primeira pedra, porém antes mudem a base do julgamento, olhem para suas loucuras. Ou seja, quem não tem erros e falhas, atirem a primeira pedra. E eu me perguntava: que homem pacifista é esse que consegue fazer com que linchadores— porque nunca na história que eu estudei linchadores recuaram no ato de tensão. Você vê quando tem uma briga no estádio, eles não são linchadores, são pessoas comuns, normais, mas quando começa a brigar eles não param, porque detona o gatilho, abre janela aquilo, fecha o circuito, gera hiperfoco.

O Homo sapiens se torna um mobílio, um animal instintivo, um predador ou presa. Naquele momento ele levou linchadores a ter solidariedade, porque ele mudou a base do julgamento. E eu me perguntava: que pacificador é esse? Pacificador é esse que transforma carrascos em seres humanos que pensam criticamente e prostitutas em rainhas. Então esse homem me fez me desabar do meu ateísmo e me levou a perceber que de fato ninguém é mais um número na multidão, ninguém mais um número de cartão de crédito ou número de passaporte, mas um ser humano único, irrepetível e insubstituível.

BPBruno Perini

E quanto à questão de governabilidade, Cury, você citou essa questão de querer enxugar ministérios. E se a gente pega o governo atual do presidente Lula, que a gente pode fazer as críticas todas a ele, mas ele é um gênio político em várias áreas, né? Ele consegue aquilo que ele quer muitas vezes. E é outra crítica que não podem fazer ao Lula, que ele não é leal aos amigos, né? Porque todo mundo que era amigo dele tava preso, tá solto, tá numa boquinha.

Exatamente. Então ele é um cara que ele sempre trabalhou naquilo que é a política aqui no Brasil, pelo menos, que é o toma lá dá cá, reciprocidade. Por conta disso, o governo atual tem 38 pastas ministeriais, e mesmo assim o Congresso, como é mais centro-direita, barrou muita coisa que o governo quis fazer. Até porque os deputados quase sempre querem, né, receber uma boquinha ali. É o que você falou de emendas parlamentares bilionárias que estão acontecendo atualmente.

Eu queria saber como é que o seu governo, ele pretende encarar esse desafio. Porque você disse, pô, quero enxugar ministérios, sendo que muitas vezes para obter apoio político você tem que dar uma pasta ministerial para alguém, né? Ah, você quer aprovar tal coisa? Então me dá tal pasta, então me dá tal ministério, então me ajuda nessa área. Como é que você vê esse desafio político?

ACAugusto Cury

Nem picanha e nem fuzil. Eu quero Augusto Cury para o Brasil. Eu quero a gestão inteligente para o Brasil. Veja bem, Bruno, Lula é um gênio na comunicação. Ele vendeu algo completamente errado, entre várias coisas. Ele vendeu que ia dar picanha para as pessoas. E os críticos de Lula, se fossem inteligentes, fariam as contas. Se cada brasileiro comesse as picanhas de um, de uma vaca ou de um boi, era a extinção da raça bovina em um ano.

Olha o que ele vendeu, era uma picanha metafórica, era abóbora no final, entendeu? Ovo. Mas percebe, Bruno, os críticos dele nem perceberam, nem fizeram as contas, porque não são agricultores, não são pecuaristas. Eu sou agricultor, eu sou pecuarista. Então nós temos projeto de imóvel africano, talvez o único candidato à presidência do mundo que tem projeto de reflorestamento, 500 hectares de imóvel americano. Temos projeto de seringueira, 400 hectares de eucalipto, projeto de biotecnologia.

Investimos em indústria 4.0 e também agricultura 4.0, e uma série de outros projetos, inclusive energias renováveis. Podemos falar até sobre bolsa de valores. Agora, nós precisamos de um estado inteligente, com gestão inteligente, com os melhores profissionais. Estou conversando com Ilan Goldfarn, começando a conversar, estou conversando com Mansueta Almeida, Nós estamos de um time de economistas. Eu quero conversar também posteriormente com Paulo Guedes, quero conversar com— comecei a conversar com Marcos Lisboa.

Enfim, vamos fazer um— o Raul faz parte do meu time. Vamos conversar com grandes economistas, porque não basta um economista notável, nós temos que ter um time de economistas para arrumar a casa. Reitero, é caro para mim mudar a Constituição. Tem de ter um primeiro-ministro gerindo o dia a dia e o presidente no estratégico. Aí nós mudamos o país. Tem que ser o fim da reeleição. Nós mudamos o país porque as pessoas entram devendo alguma coisa e pensando já na perpetuação do poder na próxima eleição.

Isso é um absurdo, isso é um crime. E além disso, nós temos que colocar um freio com adequação e inteligência no Congresso para com o STF. 8 anos de mandato, terminar o fim da vitalicidade para 8 anos de mandato, e 2 ou 3, 2/3 teria que ser juiz de carreira, 2 ou 3 do Ministério Público, um advogado em destaque escolhido pelas classes, ou pelo menos uma lista tríplice, e o presidente escolher. Enfim, se nós fizermos isso, muda o país completamente.

Eu tenho certeza que nós mudamos o país. Agora, infelizmente, virou uma torcida organizada essa política. Furar a bolha é difícil. Eu fui o único que consegui furar a bolha. Aonde eu estou, as pessoas estão me abraçando dizendo que vão votar em mim. E nós temos que entender que o sonho de Lula é ter Flávio Bolsonaro no segundo turno, porque ele vai destruir o Flávio Bolsonaro. Muitos me dizem, inclusive analista, que ele destrói, ele, ele só lapa.

Agora, se ele me pegar no segundo turno muito provavelmente eu vou aposentá-lo, porque eu vou mostrar estatística para eles, vou mostrar como está colapsado o Brasil na educação, 52%, 53º lugar no PISA, que estuda ciências, matemática e línguas. Como eu disse, os índices de violência contra as mulheres, a quantidade de jovens, 6,7 milhões de jovens que nem trabalham nem estudam, 82% das famílias endividadas. E tem muitas outras estatísticas que eu vou falar para ele: olha, teu modelo está destruindo o país, aposenta.

Eu não quero ser alguém que vai destruir, vai perseguir você. Eu vou perseguir o teu modelo. Teu modelo tá falido completamente. E também não quero perseguir ninguém, nem da direita e nem da esquerda. Pacifica o país e mentes brilhantes vão construir os andares depois de que nós construímos alicerces para uma nova nação. Eu não vejo outro caminho para solucionarmos, para resolvermos e construirmos um país inteligente, generoso, altruísta e que tem crescimento sustentável.

Eu não vejo outra solução. Se você tiver, você me fala, mas eu não vejo. Flávio Bolsonaro não tem experiência nenhuma de gestão. Ele depende, como eu disse, desde 2002 do salário do governo. Nunca administrou uma empresa grande, não sabe formar time. Eu sei formar nosso time. Por exemplo, nós desenvolvemos a maior, a primeira e maior empresa de educação socioemocional do mundo, que foi vendida para uma empresa listada na Nasdaq.

Olha, para ser listada na Nasdaq e para ter auditoria ou due diligence, você sabe que as dificuldades são enormes. Então passamos por due diligence aqui no Brasil em 2021, 22, e passamos uma due diligence em 2005 também, quando vendi a primeira empresa para uma empresa da Espanha. Então trouxemos dinheiro de fora para dentro do país. Então eu sei o que é processo, sei o que é formar times, e vamos formar time. Mas quem escolhe é a sociedade brasileira.

Eu apenas coloco meu nome dessa vez. Se a sociedade quiser alguém de fora da política e não profissional da política, por favor, dia 4 é o momento de você votar na sua família e nos seus filhos no futuro do Brasil.

BPBruno Perini

Bom, eu vou aproveitar dois pontos que você falou. Eu queria começar sobre essa questão do Judiciário, porque você falou, olha, eu tenho esse modelo que eu acho que o juiz ele tem que ser parte dele de carreira, não pode ser, é um cargo vitalício, sendo que lá no STF que se discute agora é o aumento da idade para que a pessoa fique no cargo, né? Aqueles que estão chegando próximo da idade, alguns querem continuar. Eu queria ouvir um pouco mais a sua visão sobre essa crise institucional que a gente tem no STF, Um judiciário que ele tá hipertrofiado, já invadindo competências de outros poderes, como acontece, por exemplo, na questão de que o Legislativo ele vai lá e aprova alguma coisa ou barra algo que o Executivo quis fazer porque ele tem esse poder legislatório.

E aí o Judiciário vai lá e fala: não, só que vai valer porque eu tô interpretando que sim, né? Então há um desbalanço evidente, tanto que em pesquisas vários brasileiros não sabem que vão votar em senador nessa eleição. Não sabem quantos senadores vão votar, mas eles sabem que o senador é capaz de fazer o impeachment de um ministro do STF. Ou seja, não começa a questão, tá muito em voga. Então queria ouvir a sua opinião sobre isso, Cúlio.

ACAugusto Cury

Ô Bruno, a sua pergunta mais uma vez é muito pertinente, eu gostei. Você é o primeiro jornalista, o primeiro líder que fala para mim que o STF tá hipertrofiado e isso desequilibrou completamente os poderes. Claro, todo mundo fala que o STF tem protagonismo e tal, mas esse termo é caro para mim porque eu sou médico. Quando o órgão está hipertrofiado, há algo errado. Coração hipertrofiado não quer dizer um coração funcional. Por exemplo, mal de Chagas, ele está inchado e ele tem baixa funcionalidade, embora seja grande.

O STF, como as Forças Armadas, representa os alicerces da democracia. Só devem aparecer em situações muito especiais. O STF é o guardião da Constituição. Ele ganhou um protagonismo completamente doente. Você sabe o nome de algum membro do STF americano? Você não sabe. Mas no mundo todo você sabe o nome de Alexandre de Moraes, você sabe o nome de Gilmar Mendes. Independente, não tô fazendo crítica especificamente, fazendo julgamento prévio.

Isso é inadequado, inadequado. O STF tinha que ter descrição, discreto, descrição e descrição. Teria que ter, que teria que estar sustentando a democracia, mas ele está legislando, ele tem mais força que o Congresso. E nós somos um país parlamentarista de fato, mas não de direito. O Congresso já tem muito poder, só que é fraco. Esse Congresso atual é muito frágil, e o Senado também é frágil. Deveria ter muito mais protagonismo, protagonismo.

E quem se corrompeu deveria ser punido. E como eu disse, A corrupção deveria ser tratada como crime hediondo. Agora, pelo andar da carruagem, o ministro Flávio Dino pediu vista. E o que vai acontecer é que nós não vamos saber, não vão ter julgamento adequado, não vão ter julgamento adequado nem de Alexandre de Moraes, nem de possíveis desvios ou não que teve lá, não vão ter julgamento adequado do Dark Horse. Os possíveis desvios que teve lá, enfim, também de membros da cúpula de Lula, colocaram debaixo do tapete.

Isso vai fazer com que as pessoas não tenham informações suficientes para votar no dia 4 de outubro. E se você não tem informação, você não tem luz. Se você não tem luz, você não sabe se dirigir num espaço mínimo que seja. Então isso é uma crueldade com a sociedade brasileira. Eu espero que o Doutor Fachin, espero que os ministros do STF— eu tenho pedido, suplicado que o julgamento seja rápido, em uma semana, mas parece que não é interesse nem do Flávio Bolsonaro e nem de Lula que isso venha à tona.

Mas é do interesse do brasileiro, porque eles são os patrões desses funcionários públicos, seja eleitos ou cheguem, seja um cargo de ou sejam cargos de carreira.

BPBruno Perini

É, quando toda essa história do STF, né, começou a pegar fogo recentemente, pediram minha opinião e eu não consegui não lembrar de um personagem do livro Revolução dos Bichos, do George Orwell, que é o Burro, é o Benjamin. E paradoxalmente, né, embora burro seja sinônimo de alguém de baixa inteligência, era o personagem mais velho da fazenda e um dos poucos animais que sabia ler dos porcos. E quando perguntava alguma opinião sobre ele, sobre uma coisa que aconteceu na fazenda que parecia ser muito bom, ele falava: olha, os burros vivem muito, você nunca viu um burro morto.

No sentido de: ah, eu já vi, vivi bastante, não se anima muito não. É a mesma percepção que eu tive com essa questão da STF, né? No final só tava esperando para ver qual seria o sabor da pizza, porque ao que tudo indica, mais uma vez acabará assim, né?

ACAugusto Cury

Mais uma vez, mais uma vez. Isso, imagine, Bruno, reitero, se não tiver luz aqui Você não sabe se dirigir, você vai sofrer traumas. Se você não tem informação, você não tem a luz para poder ser autor da sua própria história. O STF não pode roubar o direito do brasileiro de saber quem é corrupto ou não. Isso é um sequestro da capacidade deles se tornarem protagonistas, diretores do seu próprio script, autores da sua própria história e votarem com consciência dia 4 de outubro.

Isso é um sequestro, sequestro legalizado. Eu suplico para os membros do STF, como alguém de fora da política, como alguém que quer pacificar essa nação, por favor julguem rápido, julguem publicamente, julguem até no final da semana que vem, no máximo até quinta ou sexta-feira. O ideal seria até quinta-feira, mas vai acabar em pizza porque esse é o Brasil que nós temos.

BPBruno Perini

E outro ponto que eu queria ver contigo, Cury, aproveitando que você é empresário muito bem-sucedido, como você citou, o seu patrimônio declarado no TSE é maior do que o patrimônio de todos os candidatos somados, sendo que há candidatos lá que foram muito bem-sucedidos também no meio privado. Você tem investimentos em bolsa de valores, você falou que só tem dificuldade em investir em renda fixa aqui antes da gente começar o podcast, então não é um cara que tá se baseando nesse rentismo que a gente tem no Brasil.

Você também tem esse pé no agronegócio, que muita gente vê o agro como um sinônimo de riqueza quase que automática, né? Mas eu sempre falo para quem vê isso para visitar uma fazenda, entender que todos os riscos de um negócio normal a fazenda tem, e tem mais o risco climático que não para de dar as caras aqui no Brasil, infelizmente. Então eu queria ouvir um pouco da sua visão do que seria o Brasil no longo prazo, porque por mais que você esteja pleiteando o cargo de presidente e tenha dito que, olha, eu vou ficar 4 anos e vou embora, Um estadista, ele deveria pensar em década, não somente no seu mandato.

O que infelizmente não acontece no Brasil, né? Quase que o contrário. O cara quer agradar todo mundo, se endivida para caramba, porque vai pagar a dívida depois é talvez um rival político, quando esse cara já tiver morto, inclusive. Então, o que que você olha assim e pensa, cara, o longo prazo do Brasil tem que estar baseado nesses pontos, frente, por exemplo, os desafios que você colocou dessa emergência da inteligência artificial, que pode causar desemprego?

ACAugusto Cury

Sabe, Bruno, se você ler o meu plano de governo, é o mais robusto, mais que todos eles, 200 páginas, e tem vários aspectos para revolucionar esse país nos próximos 25 anos. 2050, não é só para os próximos 4 anos. Claro que eu quero fazer 40 anos em 4, mas preparando a nação brasileira para 2050. Para sermos um dos melhores países do mundo para se viver e um dos países mais inclusivos e que propicia qualidade de vida para as pessoas vulneráveis.

Bom, vou falar alguns tópicos aqui. Número 1, temos que revolucionar o semiárido. Nós temos 12% do semiárido que estão no Nordeste, Vale de Jequitinhonha, e também no norte de Minas. Temos que chamar fundos soberanos como Abu Dhabi, Arábia Saudita, chamar Israel, que tem uma experiência enorme em otimização de utilização de água, para que possamos pela primeira vez transformar o semiárido num centro de horticultura, fruticultura e agroindústria.

Sabe quanto nós exportamos de frutas para fora? Cerca de 1 bilhão e 200, 1 bilhão e 300. Sabe quanto exporta o Peru, que é um país desértico, mais de 7 bilhões. As pessoas falam: país é rico, é rico, sim, mas como você disse, é de renda média, poderia ser muito mais rico. Nós temos que decuplicar, aumentar por 10 a produtividade, a exportação de fruticultura. Outro ponto muito importante para mim é que nós temos que repaginar as embaixadas brasileiras para vender o Brasil não apenas como celeiro do mundo ou fazenda do mundo, mas como um centro de tecnologia, de inovação, inclusive vender não as nossas terras raras in natura, mas vender a ideia de que as indústrias que querem as nossas terras raras têm de— os países que querem devem instalar suas indústrias aqui.

Temos que convidar os grandes data centers também para o Brasil, porque o Brasil ele pode ser a maior fonte de energia renovável do mundo. E se as inteligências artificiais tivessem na plenitude hoje, a energia do mundo só daria para abastecê-las. Então o Brasil pode aproveitar essa onda de grandes data centers também. E as embaixadas brasileiras têm de vender o Brasil como supermercado do mundo, parar de vender só grãos como soja e milho, e também vender o produto acabado.

Ou seja, de suinicultura e avicultura e bovinicultura nos mais diversos, nas mais diversas regiões do Brasil. Para que possamos ter proteína mais barata e vendermos, como eu disse, um produto acabado. E no meu projeto está a instalação de 10 mil agroindústrias, a maioria pequenas e micro agroindústrias, mas nós vamos fortalecer as grandes agroindústrias. Inclusive, no meu projeto de governo, é 100— nós temos que ter pelo menos nos próximos 4 anos 100 indústrias de etanol de milho.

No etanol de milho você tem em cada tonelada 430 litros de álcool, enquanto numa tonelada de cana você tem 90, mais ou menos 90 litros de álcool. E no milho sobra o DDGS, que é um grão seco de destilaria. E nós podemos ter um proteinado rico, 30%, podemos ter avicultura e sinicultura em todo o Nordeste, no Centro-Oeste. Pode ser uma revolução se houver vontade governamental. Já pensou? Isso muda tudo. E além disso, nós temos que transformar o Brasil num país como centro turístico.

Por exemplo, nós somos visitados por 9 milhões de pessoas, enquanto o México 5 vezes mais e a Espanha 10 vezes mais.

BPBruno Perini

É bizarro.

ACAugusto Cury

E vamos, e esse país belo, vamos ter duas Black Week por ano, uma em cada semestre. Vamos fazer convênios com as companhias aéreas, com os hotéis, e com os restaurantes, vamos convidar o mundo para visitar aqui a preço baixo, para que eles possam, que o Brasil possa ser conhecido de maneira concreta. E como eu disse, segurança jurídica, combate criminalidade, para que essas pessoas possam amar esse Brasil que nós tanto amamos, está completamente fragmentado.

E vamos ter uma indústria 4.0, temos que ter indústria aqui de drones, indústria de robótica, que vai ser a maior revolução nos próximos anos. Nós não podemos ser importadores. Você sabe que a China está se desenvolvendo demais e num certo sentido tá ameaçando os Estados Unidos em relação à tecnologia, inclusive a robótica. E a robótica está 5 anos atrasada em relação à IA, a inteligência artificial. Quando os dois se unirem, vai haver desemprego em massa.

Mas se nós transformarmos, se nós financiarmos 10 a 15 milhões de microempresas e unirmos com as 24 milhões que temos, vai, as pessoas elas poderão ter um plano B. E se elas utilizarem robótica e inteligência artificial, essas micro e pequenas empresas vão ter alta produtividade, inclusive nos 3,9 milhões de agricultores familiares, alta produtividade. E assim essa nação vai se desenvolver de maneira incrível em cada comunidade ou favela.

E 8% da população brasileira estão nas favelas. E eu estive na favela da Rocinha a convite das mães, dos pais, dos líderes da comunidade. E foi uma coisa incrível, me abraçaram. E eu disse, seria cruel um presidente vir aqui pedir voto usando a sua dor, como Lula fez agora dando 15% de aumento. Ele deveria ter dado os 15% de aumento para o Bolsa Família no começo do ano, se ele é tão preocupado. Mas dar 17 dias é usar a dor das pessoas como instrumento para ganhar votos.

E isso indica que ele ama muito mais o cargo do que ama os pobres realmente. Ele mantém os pobres na pobreza, e os pobres têm de ter dignidade, eles têm de ser abraçados com crédito barato para ter a sua microempresa. E vai haver ali na favela da Rocinha, em todas as favelas do país, uma escola do empreendedor com banco do empreendedor, como escolas públicas, como nas igrejas, como nas pequenas e médias cidades também. Isso pode revolucionar a nação brasileira.

E nós vamos pegar o dinheiro da Petrobras, o dinheiro dos dividendos da Petrobras, de acordo com o estatuto, 25% tem que ir para os acionistas. E o governo recebeu 37 em 2024, se eu não me engano, bilhões. Recebeu 17 ano passado, uma média de 20 bilhões, 25 bilhões. E vamos usar para preparar a nação brasileira para se tornar a nação mais empreendedora. Uma empresa poluente como é a Petrobras, vamos usar para despoluir a economia brasileira e fazer, reitero, essa nação se tornar a nação mais empreendedora, porque se não fizermos isso não vai haver cliente para comprar carros, para comprar geladeira, não vai haver cliente para aplicar nos bancos, para investir em mais microempresas e também no agronegócio.

Se nós não fizermos isso em 4 ou 5 anos, pode não sobrar pedra sob pedra. E Renan não fala sobre isso com muito respeito, embora ele tá muito preocupado comigo, tá sempre criticando demais porque eu me tornei a terceira se ele for humilde, eu poderei treiná-lo nos próximos meses e anos para ser um líder que se curva diante da sociedade para servi-la e não queira o poder pelo poder. Eu não sou ameaça para ninguém, não sou ameaça para esquerda e para direita.

Eu não quero fazer carreira política, eu quero só consertar essa nação com o melhor time de gestores possíveis. Então vamos atuar nos mais diversos setores. Você não imagina Você não imagina, vamos atuar em terras raras, vamos atuar em energias renováveis, vamos fazer o hidrogênio verde, vai, vai ganhar musculatura aqui. Nós vamos fazer a maior revolução em energias renováveis, preparando o Brasil para os 25 anos e até para 2100.

Aí o país de fato vai se tornar um país que abraça 210 milhões de brasileiros. Você viu quantos, quantos projetos? Muitos projetos, inclusive dobrar o número de IPOs. Nós temos, isso é muito fácil porque o governo teve um, não é só fazer dois, dobrar o número de empresa listada na bolsa. Nós temos 350, 360, 360 e poucos. Meu objetivo é ter 700 empresas listadas. Eu sei, porque quem vai listar na bolsa uma empresa com esses juros, 14%, agora 3,75%, mas 4 ou 5%, uma loucura.

Ninguém— você sabe que o dinheiro vai aonde você tem prêmio. Se você tem baixo risco e um prêmio grande nos juros para rolar dívida federal, é um absurdo. O que ele fez é asfixiar as bolsas de valores. Então nós vamos dobrar, essa é minha intenção, dobrar o número de empresas listadas na bolsa. Antes da guerra de Trump com Irã, o Irã, apesar de ter sido ter sido, por diversas situações, ser asfixiado, sua economia, e com razão em muitos aspectos.

Mas ele tinha 800 empresas listadas na bolsa, mais que o dobro da nossa. Nós vamos dobrar, nós precisamos trabalhar os derivativos, porque derivativos não pode ser, derivativo em dólar não pode ser um parque de diversões. O derivativo não pode ser uma proteção muito grande. Eu já fiz derivativo em dólar, Eu vendi uma propriedade nos Estados Unidos e eu achava que o dólar ia cair. Então, quando ele tava alto, eu fiz um hedge a R$6 o dólar.

Ele caiu para R$5,10, R$5,15, e eu recebi a R$6 o dólar. Então, o derivativo é uma proteção que deveria ser estimulado em todo cenário brasileiro. E você falou de fazendas. De fato, a fazenda as fazendas, as propriedades agrícolas, além do clima, não tem controle do câmbio, não tem controle dos insumos, do preço das commodities. O agricultor vive em estado de alerta. E não sei se você sabia, o agricultor tem pelo menos 2 vezes mais possibilidade de ter depressão e ansiedade que a média das pessoas.

E eles não são, e eles não são, inclusive suicídios é muito mais que a média. E os candidatos à presidência não são agricultores. O Flávio nunca plantou uma horta, o Lula nunca plantou uma horta. Quer definir o futuro da agricultura. O Caiado é pecuarista, mas não é agricultor, né? Não tem empresas como nós temos: Hidrabene, biotecnologia, agroindústria, cacau no Cerrado, fruticultura, e também mogra africana, e assim por diante, e grãos.

Então nós vamos fazer uma revolução no campo, e vamos fazer mesmo. Eu reitero, eu já tenho mais do que eu mereço financeiramente, não tenho ego. Todos os dias eu vejo o fim da vida diante de mim, eu percebo que a vida é bela e breve como gotas de orvalho. Você nunca destrói o vírus do orgulho, mas você pode vacinar-se percebendo a fragilidade da existência. A vida é bela e breve como gotas de orvalho que por um instante aparece na mais insidiosa manhã, mas se dissipa aos primeiros raios solares do tempo.

Todos nós estamos pisando no teatro da existência, Mas em breve nós vamos despedir desse teatro e vamos para a solidão de um túmulo. Então nós temos que ter humildade e perceber que a felicidade só é real e sustentável quando você dá o melhor de si para fazer os outros felizes.

BPBruno Perini

Eu queria agora fazer um exercício com você, Ouriço. Vamos supor que você foi eleito, a população brasileira te deu esse voto de confiança e falou: quero ver o que que o governo de Augusto Cury vai entregar. A gente sabe que dentro do mandato presidencial há uma janela onde o presidente tem mais popularidade e capacidade de aprovar projetos, inclusive, que seriam polêmicos, que muita gente evitaria aprovar no final de mandato, porque apesar de ser necessário, não é aquilo que a população no curto prazo vai falar: caramba, precisamos disso, né?

Como por exemplo, a reforma da Previdência foi feita lá atrás. A população até tava mais ciente disso, mas nunca é popular você mexer em algo que vai afetar o bolso das pessoas, embora fosse necessário. Até porque, se a gente for voltar no tempo, o projeto da reforma da Previdência era economizar cerca de R$1 trilhão em 10 anos, como foi citado aqui pelo Cury. No último ano a gente pagou mais de R$1 trilhão de juros, no anterior também.

Na pandemia também tive uma conta de mais de R$1 trilhão aí, não só em juros, né, juro foi a menor parte, juro tava baixo, mas por conta da ajuda que foi dada para as pessoas. Então essa economia já ficou muito para trás. Pegando essa janela de ouro dos 100 dias, quais seriam as 3 primeiras iniciativas do governo Augusto Tem várias, e tem que ser nos primeiros 100 dias mesmo.

ACAugusto Cury

Você tem toda a razão, é uma janela curta de oportunidade. Mudar o presidencialismo para semipresidencialismo, com o primeiro-ministro, fim da vitalicidade dos ministros do Supremo para 8 anos, fim da reeleição, um mandato só para o Executivo das mais diversas áreas. Eu gostaria de implantar o voto distrital misto, porque você sabe que O seu deputado é dessa região, pelo menos parte dele, e você vai cobrar dele resultados. No campo da economia, dividir o Banco Central em dois imediatamente, o Banco da Microempresa, montar em todo, repaginar todo o currículo do ensino fundamental e médio.

Nós temos que ter escola de empreendedorismo e aula de, e também uma aula de gestão financeira. Para que as crianças possam entender que essa, que gerir financeiramente é você investir no seu futuro. E esses jovens são, tem uma educação completamente conteudista, cartesiana, racionalista, onde o professor é expositor e não provocador da arte perguntar, um desafiador da arte pensar. E o professor teria que aprender a treinar as suas habilidades para elogiar a participação de cada aluno.

Nós temos 2,4 milhões de pessoas de pessoas neurodivergentes com espectro autista. Dessas, uma boa parte são crianças e adolescentes. Quando eles são colocados lá e não são elogiados por qualquer participação, isso gera discriminação. Por isso, uma pessoa autista tem às vezes até 8 vezes mais de ideação suicida do que alguém que não é autista. Eles têm que ser abraçados de maneira adequada. Os neurodivergentes não podem ser colocados só na escola sem equipar os alunos para abraçá-los, elogiá-los quando participarem, e os professores também aplaudi-los.

Assim vai gerar uma espetacularidade, um senso de pertencimento, e isso vai gerar o deleite do prazer de aprender, como Platão preconizava. No ensino médio precisamos de uma revolução porque apenas 21% dos alunos dos 7,3 milhões de alunos do ensino médio fazem ensino técnico num país de renda baixa como o nosso. Isso é uma crueldade sem precedente. Eles têm de ser técnico em informática, técnico em gestão financeira, técnico em marketing digital e inteligência artificial, e assim por diante.

Temos de ter também 10 mil jovens fazendo doutorado em inteligência artificial e robótica, porque nós nunca vamos ter dinheiro suficiente para ter um ChatGPT, ou um, ou uma Gemini, um Claude, enfim, um Grok, porque custa dezenas de bilhões ou centenas de bilhões de dólares. Mas podemos ter os melhores pilotos inteligência artificial, e vamos ter os melhores pilotos, porque eu vou incentivar fortemente os jovens a fazerem mestrado e doutorado em inteligência artificial para que possamos descobrir medicamentos para tratar de doenças, medicamentos para combater e retardar o envelhecimento, para descobrirmos novas tecnologias, para aumentarmos a produtividade por hectare nas fazendas, tecnologias para turbinarmos a nossa indústria, para deixar de ser uma indústria analógica, para passar a ser uma indústria 4.0.

Bom, vamos promover uma revolução em todos os setores da economia. Você não acredita o que vai acontecer, Malu. Mas isso depende de vocês, se vocês quiserem. Se não quiserem, eu volto para casa, eu volto para casa e respeito a vontade popular. Se quiserem, faça um vídeo de apoio. Não basta apenas me admirar, tem que sair de cima do muro, porque pior do que a ação dos maus, como eu disse, pior do que a ação dos corruptos é omissão dos bons, daqueles que têm a contribuir.

BPBruno Perini

Cury, eu tenho uma última pergunta. Para encerrar, eu queria ouvir um pouco mais sua proposta na parte de educação, porque você já disse que o modelo educacional que a gente tem hoje no Brasil, ele sufoca a criatividade. E acho até impressionante, eu gosto muito do filósofo romano Sêneca, ele viveu no século 1 depois de Cristo, ele tem um pensamento, eu vou parafraseá-lo aqui, que ele disse que a escola te prepara para escola e não para vida.

Eu falo, cara, isso na Roma do século 1, e hoje em dia a gente tá falando basicamente a mesma coisa do modelo educacional. E você acabou de citar há pouquíssimo tempo aqui no podcast da nossa colocação no PISA, que o Brasil ele não tem uma melhora expressiva, embora o governo atual tenha comemorado que a gente despiorou menos do que países europeus que caíram mais, mas a gente não tá melhorando. Então é fato notório que boa parte dos brasileiros eles são capazes de ler um texto, mas não são capazes de compreendê-lo. Eu queria saber qual é a proposta de maneira mais específica para educação.

ACAugusto Cury

E deixa eu falar um pouquinho sobre filosofia. Bom, eu estudo muito, inclusive os filósofos. Demócrito dizia que você nunca mergulha no mesmo rio, porque o rio nunca é o mesmo, e também você não é o mesmo, porque todos os dias há um fenômeno inconsciente chamado, que é da minha área de pesquisa, registro automático da memória, que arquiva tudo sem autorização do eu. O registro da memória não tem livre-arbítrio.

BPBruno Perini

Isso aí foi o Heráclito. Você falou Heráclito, não Demócrito.

ACAugusto Cury

Heráclito, tá certo. Parabéns, parabéns! E também nós tivemos como Zenão de Eléia, que apostava no desprendimento para você construir uma jornada mais livre, mais leve. E além disso, você tem, por exemplo, Sócrates, que nunca escreveu um livro, mas ele treinou seus alunos, entre eles Platão, e era alguém que jamais se curvava à sua dor e às suas ideias. E Platão escreveu que é fundamental você ter o deleite e prazer de aprender, e ele provocava seus alunos a perguntar, porque a pergunta é o princípio da sabedoria na filosofia.

E a Inglaterra demorou 800 anos para, do seu, da sua fundação ao ter o seu Shakespeare. E a França demorou 800 anos da sua fundação até ao seu Montaigne. E demora tempo para você formar uma filosofia e pensadores maduros que provocam todo o tecido social para que possamos valorizar muito mais a sociedade do que o ego. E nós temos grandes pensadores como René Descartes, que desenvolveu o racionalismo, mas isso afetou demais a toda a jornada educacional, porque quando você é conteudista e racionalista, você não provoca a arte de pensar vinculada à emoção para que você possa duvidar de tudo aquilo que te controla.

Você acredita em verdades absolutas e se torna mais um repositório de informação. E quando você chega nos existencialistas, como Kierkegaard, tá certo, Søren Kierkegaard, ele, mas uma série de existencialistas como Merleau-Ponty ou Jean-Paul Sartre, Nietzsche. Havia duas teses em destaque: a essência, a existência precede a essência, e o ser humano está condenado a ser livre. Não vou falar da primeira tese, que é mais complexa, mas o ser humano está condenado a ser livre.

Você nota que todo ser humano de fato tem um senso, um desejo notável de liberdade. Uma criança quer sair do colo da mãe, um jovem quer estudar, quer executar seus sonhos, um pai quer ter um lugar ao sol e ter uma aposentadoria, um presidiário quer ter liberdade ou até sonha em cavar um túnel para escapar. Um povo que está debaixo do jugo de um ditador também, sempre esse ditador cedo ou tarde vai cair, porque ninguém controla a sede de liberdade.

Agora, na escola O que nós temos é um presídio intelectual, porque você faz provas sem saber que as provas, elas de fato não libertam o imaginário. Por exemplo, você sabe o que você pensou exatamente há 24 horas? Sabe, Malu? Quais são as cadeias de pensamentos com verbos que conjugou tempo e espacialmente, com pronome, adjetivo? Sabe ou não? Não se lembra. E como é que os professores exigem no mundo todo que os alunos se lembrem nas provas?

A mente humana nunca foi especialista em lembrança pura. Ela é rebelde ao passado para construir novas perspectivas do presente, para alavancar o futuro. A mente humana está preparada para criatividade, não para repetitividade. Mas você falou de Sêneca, né? Sêneca: a escola prepara para escola, não prepara para vida. E até hoje a escola, que nos últimos 501 anos se tornou pública, prepara para escola e não prepara para os desafios.

Qual que é o desafio que vocês têm aqui no Primo? É vocês terem empreendedores jovens que não tenham medo de libertar o imaginário e pensar em outras possibilidades. Mas cada vez mais os jovens estão entulhados com informações engessadas, e isso não liberta a capacidade deles serem autores da própria história. E no mundo todo está havendo um problema: os alunos não querem mais para escola. No Brasil, nas escolas públicas, 50% das vagas não são preenchidas.

Não são, porque eles sabem que no celular, eles sabem que ali tem uma série de informações que mostram que as profissões que eles estão escolhendo não são as profissões que serão valorizadas dentro de 4 ou 5 anos. Então veja bem, René Descartes dizia: penso, logo existo. Mas o pensamento é apenas parte da equação. Duvido, logo penso. Penso, logo existo. Se você não duvida dessa educação cartesiana e racionalista, você não se torna protagonista nela.

Então nós temos que ter uma outra educação. O professor não pode ser um expositor seco e frio, porque esses alunos não têm nenhum interesse mais. Ele tem que ser um provocador da arte de perguntar, eles têm que ser um desafiador da arte de pensar. E cada aluno que manifestar qualquer tipo de ideia ou de pergunta tem que ser aplaudido para gerar, para gerar senso de pertencimento. E o Brasil pode ser um protagonista no mundo nesse sentido, porque a educação é cartesiana em todos os lugares, mesmo nos países nórdicos.

Então, e no ensino médio nós temos que transformar no ensino que dá respostas ao mundo novo da inteligência artificial e da robótica. E as universidades, por exemplo, nós formamos 3 vezes menos doutores que a média da OCDE, Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, e 15 vezes menos mestres. Olha como nós estamos atrasados e ninguém fala sobre isso. E as universidades têm se abraçadas como centro de produção de conhecimento, de tecnologia, inovação e produção de patentes.

E quem, os professores e alunos que fizerem uma nova descoberta, tem que ter, tem que ganhar um terço das patentes. Um terço vai para a universidade, um terço vai para o estado. Agora, se você é um professor universitário e você pesquisa, acaso você vendeu essa patente? E há professores presos. Ou sendo processados. Mas que país é este que não valoriza as nossas universidades como centro de produção de conhecimento, de inovação e de patentes?

Então tem que haver uma revolução em todo o ecossistema de educação, e temos que valorizar inclusive a filosofia, porque a filosofia é o berço do conhecimento. Até porque as pessoas idosas têm que se desligarem mais dos celulares, os jovens têm que desligarem mais dos celulares, tem que ter mais filósofo, tem que ter roda de filosofia, como eu falei dos existencialistas, e poderia falar também de vários outros pensadores. Agora, veja bem, nós somos o segundo país onde os jovens mais têm tela, ficam nas telas, eles ficam 6 horas em telas, o segundo país.

E as telas mexem com ciclo da dopamina e da serotonina e gera uma dependência nos níveis da cocaína. Quando eu dou treinamento para Associação de Magistrados do Brasil, e já eu fiz várias vezes gratuitamente, Para juízes, nós temos cerca de 19 mil a 20 mil magistrados para cerca de 70 milhões de processos. É um caos. Para você ter uma ideia, olha o escândalo. Vou te contar uma coisa que é escandalosa. Nós temos mais, nós temos mais estudantes de direito que quase 200 países do mundo.

Olha o MEC, nós temos mais estudantes de medicina, e vai ser o caos para medicina, do que passamos Estados Unidos, passamos a China, que tem quase 7 vezes mais que a população brasileira. Estamos ultrapassando a Índia. Então imagine o que vai acontecer com esses alunos de medicina daqui 5 ou 6 anos. E por que que isso ocorreu? Porque há um lobby das universidades diante do MEC, e o MEC não pensa, não pensa nos próximos 25 anos.

BPBruno Perini

Foi um—

ACAugusto Cury

isso é uma crueldade sem precedente. Nós temos que revolucionar também o MEC. Lá tem grandes especialistas, tem grandes intelectuais, e nós temos que repaginá-los. Não despedi-los, mas atualizar, porque a sociedade brasileira precisa de resposta. Os nossos jovens estão desanimados completamente. Eu não sei qual vai ser o futuro deles se essa guerra de ego continuar, porque quem está na frente não pensa nisso. Ontem eu falei com um dos líderes do Grupo Abril, ele falou: Cury, espera um pouquinho, em 5 minutos você falou comigo, tava um grupo deles, em 5 minutos você falou mais de economia, mais de projetos do que todos os candidatos que eu ouvi falar.

E realmente porque eu sou da área, não é porque eu quero um ego. Já tenho mais do que mereço e talvez tenho mais do que muitos queiram ter em termos de até disposição social. Para mim é uma dor se candidatar, eu não amo isso, pode ter certeza. Quando você falou que, né, se eu me candidatasse, como é que é? Quebrar os dentes.

BPBruno Perini

Eu prefiro tirar os dentes da frente sem anestesia.

ACAugusto Cury

Eu tô sentindo isso na pele, imagino. Não, e tô mesmo, Bruno e Malu e todos os espectadores, eu estou mesmo. Mas tem feito isso por quê? Por causa da nação brasileira. Alguém tem que dar a cara para bater, alguém tem que falar de economia, tem que falar de justiça social, tem que falar de empreendedorismo, tem que falar que vai haver um caos daqui 4 ou 5 anos.

BPBruno Perini

É, eu acho que independentemente do que aconteça em outubro, para você, a notícia vai ser boa, porque se você for eleito, você vai falar, pô, consegui. Se não for eleito, vai falar, tá bom, toco a consciência ali, tentei, entendeu? Não deu certo.

ACAugusto Cury

Muito obrigado, muito obrigado Eu acho ótimo isso, parabéns.

BPBruno Perini

Então só tem a ganhar, né? Não tem cenário para perder. E o que você falou de educação, eu fui militar durante 11 anos. Sério?

ACAugusto Cury

Chegou a que patente?

BPBruno Perini

Eu cheguei a capitão. Eu me formei como primeiro da minha especialidade na Academia Militar das Agulhas Negras em 2010, aí fui servir em Jundiaí. Depois eu fiquei no Rio de Janeiro um tempo e minha última passagem foi em Boa Vista, capital de Roraima, né, onde eu comecei a ver a crise com os venezuelanos, mas eu saí de lá antes de piorar bastante a situação. Mas uma coisa que eu vi nas minhas passagens por diferentes locais do Brasil, a gente ia fazer uma prova para que alguns soldados que eram notáveis pudessem ser promovidos a cabo.

Era o curso de formação de cabos. E aí você tinha soldados que eram muito bons, muito trabalhadores, muito responsáveis, alguns na faculdade, e a gente fazia uma redação para selecionar. E o cara tava na faculdade, no terceiro ano de engenharia, e a redação era incompreensível. Olha só, muitas vezes era assim, ó, Tinha o começo, um monte de vírgula e apenas um ponto final numa redação de 20 linhas. Não existia coerência, não existia coesão.

E eu pensava, cara, mas o cara tá cursando engenharia, inacreditável. Pois é. Então a gente fala muito, pô, o Brasil agora tem mais gente se formando, mas eu falo, cara, mas qual a qualidade desse cara que está se formando? Ele não teve ensino de base bom?

ACAugusto Cury

Eu, quando estava no segundo ano do ensino fundamental, Chamaram meus pais e falaram, olha, esse menino é diferente, ele tem que passar 2 anos na frente. Meu pai teve medo. Eu tinha algumas habilidades especiais, chegava o mundo por tela, por imagem, não pelo pensamento lógico linear psicolinguístico algorítmico. Pensava através do pensamento antialgorítmico. Ele que produz a solidão, ele que produz a ousadia, ele produz o tédio, ele produz a capacidade de você, senso de pertencimento.

E aí nunca vai ter isso porque não tem um pensamento anti-algorítmico. Eu estudei, escrevi 3.000 páginas sobre isso. Ela sempre vai ser escrava do pensamento algorítmico, mas ela vai simular solidão e não vai ter solidão, vai simular a empatia, mas não tem de fato a empatia. Bom, aí eu não me adaptei à escola. No ensino, final do ensino médio, era, eu era a segunda nota da classe. Mas de baixo para cima, ninguém apostava em mim.

Aí os alunos reunidos dizendo o que queriam ser: um queria ser advogado, outro agrônomo, outro professor. Eu quero ser um médico e um cientista. Silêncio geral. Depois vieram os deboches. Aí eu entendi a primeira grande ferramenta de gestão da emoção: as principais decisões humanas são solitárias, não pode depender da plateia. E ele sabia que eu só tinha um caderno e nada escrito em todos os anos do ensino médio. Estudei 12 horas por dia, me tornei o melhor aluno de matemática, de física e química no vestibular para medicina.

Melhor aluno, não era o segundo como você, mas escolhi a medicina. Por isso que meu pensamento é lógico, porque eu tenho, eu amo matemática, e matemática é fundamental, só que ela tem tem que combinar com a emocionalidade. Aí eu passei por um evento de dor no segundo ensino médio, desculpa, na faculdade de medicina, uma dor emocional. E percebi que as lágrimas que nós não choramos são mais cruéis do que aquelas que nós choramos, que sim, você anota no teatro do rosto.

Aí eu percebi que a dor ou nos constrói ou nos destrói, e normalmente ela nos destrói porque ela é registrada e o nosso eu não tem protagonismo. E falando aqui, não há inteligência emocional como sempre se acreditou. A emoção é burra, desinteligente, inconsciente. Ela não consegue ser autogerida. O que existe é o eu gerindo da emoção. E eu impugnei, discordei e confrontei de todos os pensamentos perturbadores, lixos mentais e emocionais, e comecei a escrever.

Então o escritor nasceu da dor. Ninguém me incentivou, ninguém me apoiou. No 6º ano tinha 400 páginas, procurei editoras, ninguém abriu as portas. Aí eu fui ter sucesso, fui procurar trabalhar. Já estava casado com a minha esposa, éramos dois duros. Ela fazia faculdade de medicina. No quinto, no sexto ano, não tinha dinheiro para ir no supermercado. Tivemos que vender livros dos anos anteriores para sobreviver. A dificuldade era muito grande.

E nós andávamos com Mercedes com motorista, que é o ônibus. Exatamente. E ela falava assim, um dia nós vamos dar risada disso. E aí o começo foi muito difícil. Aí me tornei consultor do jornal Folha de São Paulo, fazia muitas matérias na televisão, na década de 80 ainda. Aí eu percebi que eu estava traindo a minha consciência, e quem trai a sua consciência tem uma dívida impagável consigo mesmo. Atraía a minha consciência porque não estava construindo uma nova teoria sobre o funcionamento da mente, a construção de pensamentos.

Voltei para o interior contra tudo e contra todos, comecei a continuar escrevendo. Passaram-se 17 anos desde o segundo ano da faculdade de medicina, 3.000 páginas. Quem vai publicar um livro grande? Resumir essas páginas. Procurei as editoras Todas negaram, até que uma falou: você tem que reciclar 500 termos, se ninguém, senão nós não publicamos e ninguém vai entender. Eu tentei fazer 500 cirurgias no primeiro filho, uma dor no coração, e aí publiquei e ninguém entendeu.

Porque imagina, você deu uma risada, como é que você entrou em milésimos de segundo em meia bilhões de opções e encontrou uma série de informações para te relaxar? Estudei isso. E Freud não teve oportunidade de estudar, Piaget, Vygotsky, Kant, Hegel, eles não estudaram essa área. Estudei num país que não valoriza os seus pensadores. Bom, e aí reciclei. Bom, eu pensei, bom, ou eu vou continuar dentro da universidade falando para meia dúzia de intelectuais, ou vou escrever e reescrever 10 vezes para falar para as pessoas de um modo geral.

E fiz isso, e o resultado é que me tornei o autor brasileiro mais lido No país, 4 anos depois, 3 a 4 milhões de exemplares por livro vendidos num país que não se lê e não fazia propaganda. Era reação em cadeia. E acabou que hoje são mais de 40 milhões de exemplares só no Brasil. E como eu falei com muita humildade, o psiquiatra mais publicado no mundo na atualidade. Mas tudo com dor. E eu entendi então que sonhos sem disciplina produzem pessoas frustradas, e disciplina sem sonhos produz pessoas autômatas.

Eu entendi que minha paz vale ouro, o resto é lixo. Por nada e por ninguém eu posso vendê-la. Eu não posso vender minha saúde mental, minha tranquilidade por uma crítica ou por um hater, por nada. E nem um fracasso, por nenhum fracasso eu devo curvar a minha existência. E também entendi que nos dias mais tristes da minha história eu posso e devo escrever os capítulos mais importantes da minha existência. Então, as principais decisões humanas são solitárias.

Sonhos e disciplina nunca podem ser divorciados. Minha paz vale ouro, o resto é lixo. A dor ou nos constrói ou nos destrói. E o meu eu tem de gerenciar o lixo mental que todos os dias nós produzimos. E eu tenho que dar liberdade para minha mente criar continuamente, porque ela não é especialista em repetitividade, como a escola nos ensinou. Ela é especialista em ser rebelde ao passado para sempre construir o futuro de maneira inovadora.

E é por isso que a nossa espécie sempre evoluiu. Não foi apenas pela inteligência, intelectualidade, dos arquitetos, dos pensadores da filosofia, dos cientistas, é porque nós estamos preparados para continuamente criar, produzir e inventar. Só que esse processo é tolhido pela educação racionalista e cartesiana e vai ser tolhido pela intoxicação digital cada vez mais. Por isso fomos a primeira geração de jovens que cognitivamente é mais desinteligente que a geração mais velha, porque tolhemos esse processo evolutivo.

Isso vai causar uma catástrofe mundial. E é por isso que aumentamos em 149% o índice de suicídios entre jovens de 10 a 19 anos, uma época que não havia. A cada 10 minutos uma automutilação entre jovens, algo que era raríssimo. E nós estamos vendo o colapso da saúde mental no mundo todo. Antes da pandemia era 4 bilhões de seres humanos, um a cada dois. Agora é raro você encontrar alguém tranquilo, sereno, que não sofre pelo futuro, que não cobra demais que não tem dificuldade de conviver com pessoas lentas, pessoas que estão agitadas.

Uma criança de 7 anos de idade tem mais informações que um imperador romano tinha no auge de Roma. E informação que não se torna conhecimento, conhecimento que não se torna experiência, experiência que não se torna habilidade socioemocional, é lixo. Então nós temos muito lixo e pouca construtividade. É a era do esgotamento cerebral. O cérebro pesa 2%, gasta 20% de energia. Mas na era da intoxicação digital, na era da hiperaceleração de pensamento, estamos gastando talvez 22%, 25%, 26%, talvez 30%.

Por isso as pessoas acordam cansadas. É por isso quem trabalha no mercado financeiro também acorda cansado. O jornalista, mais de 80% são colapsados, e eles falam para mim: cura, eu não durmo direito, dores de cabeça, dores musculares, mente agitada, e assim por diante.

BPBruno Perini

É, tô pensando aqui, 100 mil anos de evolução do Homo sapiens, 10 mil desde a Revolução Agrícola. E agora a geração atual é menos inteligente do que a anterior. Ou seja, a gente millennials, nós somos o topo da cadeia alimentar do ser humano, nós somos o topo da evolução. Obrigado, gente. Bom, mas, mas, Cury, só agradecê-lo. Dá para a gente conversar de muito mais coisas aqui, mas a gente tem um limite de tempo. E para aqueles que estão assistindo agora e querem saber mais sobre você, sobre seu programa de governo, então Fica ali para falar com a plateia agora que tá aqui vendo o seu peixe.

ACAugusto Cury

Vendeu, gostei dessa ideia. Vou vender sonhos e realizar sonhos também. Até porque sonhos não são desejos, sonhos são projetos de vida. Desejos são intenções superficiais que não resistem ao calor dos problemas na segunda-feira. E estamos na era dos desejos, não na era dos sonhos. Quando o mundo desaba sobre você, quando alguém te rejeita ou te critica ou te ofende, ou você passa por um evento de fracasso, se são sonhos, então eles vão criar raízes.

Nunca se esqueçam que as flores não nascem nas primaveras, as flores nascem no caos do inverno. E agressão do frio, escassez hídrica, os ventos fazem com que elas secretem as flores que desabrocham nas primaveras. E nós precisamos ter no Brasil as mais incríveis primaveras diante dos mais dramáticos invernos dessa política insana, radical e polarizada. Não é suportável mais o que está ocorrendo. A direita, vou reiterar porque isso é caro para mim, critica a esquerda chamando de esquerdopata sem saber o que é um psicopata, chamando que eles não valorizam famílias, não valorizam a liberdade de e uma série de outras coisas.

Pode ser que alguns valorizem, tá, mas boa parte valoriza. E a esquerda chama a direita de fascista sem saber o que é fascismo, sem entender o ultranacionalismo e o controle pleno de Estado que Mussolini fez gerando o fascismo. Então a esquerda critica a direita de fascismo, critica que não respeita os direitos humanos, critica que não respeita as pessoas vulneráveis e mais pobres. Isto está errado porque há milhões e milhões de pessoas incríveis na direita e milhões e milhões de pessoas fascinantes na esquerda.

E temos que pacificar essa nação para chamar os melhores especialistas para poder governá-la de maneira adequada, inteligente, rápida, e não apenas para 4 anos, mas preparar para os próximos 25 anos, quem sabe preparar até para o final do século 21. E portanto eu pediria muito mais do que o seu voto. Eu pediria o seu coração para compreender que há alguém aqui se doando sem precisar do salário de presidente. Na verdade, eu vou doar o meu salário para duas microempresas por mês, para alunos de escola pública, para que esses alunos voltem a sonhar.

Espero que muitos também empresários que têm condições financeiras o façam, e espero também que ao dividir o BNDES em dois, o banco da micro e da pequena empresa, possamos ter bilhões de reais todos os anos para financiar os sonhos de jovens, os sonhos de médicos, de engenheiros, os sonhos das pessoas que moram nas comunidades ou favelas, para que possam ter dignidade e qualidade de vida. Portanto, há alguém aqui apaixonado pelo Brasil.

Poderia estar morando em qualquer um dos 90 países do mundo, mas estou aqui num ambiente tóxico, num ambiente difícil, nessa guerra de egos, nessa indústria do ódio, por amor a você e sua família. Então peço mais do que seu voto, peço seu coração, peço sua fibra. Sai de cima do muro, porque o muro não foi feito para valentes, para corajosos. Quebra esse muro, ajude-me a construir pontes, porque o Brasil merece desenvolver, o Brasil merece é ser abraçado.

O Brasil merece entender que no fundo não há dois barcos, há um barco só chamado família brasileira. O Brasil tem cura. Com muita humildade, talvez o Brasil tenha oportunidade agora de ter cura no projeto, para que enfim possamos criar um novo país com uma nova experiência, com um novo projeto. Um beijo no coração, me curvo diante de vocês. Estão dizendo para mim: Cury 70. Sim, é 70. Cury 70, vote no 70. Mas você tentou com Lula e não funcionou, você tentou com Bolsonaro e teve dificuldades.

Você, 70 com Cury, com Augusto Cury. Um beijo no coração a todos vocês, mas você decide, o voto é seu, o resultado também é seu, e você é dono da sua história e da sua jornada de vida. Um beijo no coração de quem se curva diante de todos. Muito obrigado por vocês existirem.

BPBruno Perini

Obrigada pela presença, Cury. Obrigado vocês pela audiência. A gente está aqui toda quinta-feira, sempre com um episódio novo para de alguma forma acrescentar na sua vida. E vocês também me encontram no @maluperini no Instagram. Vocês me encontram no Instagram, @bruno_perini, no canal Você Mais Rico lá no YouTube, sempre aqui nos Sócios. Para quem assistiu o nosso, muito obrigado pela audiência. Ao nosso convidado. Obrigado pela presença, espero que volte mais vezes.

ACAugusto Cury

Você encontra também, não é que eu vou falar, você me encontra no @augustocury.

BPBruno Perini

Isso, perfeito, perfeito. Pessoal, muito obrigado, até a próxima. Beijos!

AUGUSTO CURY: VIDA, POLÍTICA E O FUTURO DO BRASIL | Os Sócios 317 | Castnews Index — Castnews Index