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LIÇÕES DO LIVRO "O INVESTIDOR DE BOM SENSO" (DE JOHN BOGLE) | Os Sócios 308

23 de julho de 20261h48min
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Em O Investidor de Bom Senso, John Bogle apresenta uma das filosofias de investimento mais influentes da história: a ideia de que o caminho para construir patrimônio não está em encontrar a próxima grande oportunidade, mas em investir de forma simples, diversificada e com baixos custos.

Criador dos fundos indexados e uma das principais figuras por trás da popularização dos ETFs, Bogle questionou a indústria financeira e mostrou por que, muitas vezes, o maior desafio do investidor não está no mercado, mas no próprio comportamento.

Afinal, por que investidores que buscam retornos extraordinários frequentemente terminam com resultados abaixo da média? Por que estratégias simples conseguem vencer abordagens mais complexas?

Os ETFs realmente representam a evolução natural da filosofia de Bogle ou sua popularização criou novas formas de especulação? E será que o maior inimigo do investidor está fora dele ou dentro do próprio comportamento humano?

Para responder estas e mais perguntas, convidamos Jessica Weigand, Alessandra Gontijo e Felipe Arrais para o episódio 308 do podcast Os Sócios.

Falaremos sobre as principais lições de John Bogle, a revolução dos fundos indexados, o papel dos ETFs e como aplicar esses princípios na construção de patrimônio no longo prazo.

Ele será transmitido ao vivo nesta quinta-feira (23/07), às 12h, no canal Os Sócios Podcast.

Hosts: Bruno Perini @bruno_perini e Malu Perini @maluperiniConvidados: Jessica Weigand @jessica._weigand, Alessandra Gontijo @alessandra.gontijo e Felipe Arrais @arrais.finclass

Sua marca no podcast Os Sócios: publicidade@timeprimo.com

Participantes neste episódio5
B

Bruno Perini

Hostjornalista
M

Malu Perini

Hostjornalista
A

Alessandra Gontijo

ConvidadoCCO e Sócia da Investo
F

Felipe Arrais

ConvidadoEspecialista em Investimentos Globais da Finclass
J

Jessica Weigand

ConvidadoConsultora Financeira
Assuntos9
  • Estratégia de Investimento em ETFsFundos de índice · Baixo custo · Diversificação · Comparação com gestão ativa · ETFs no Brasil · ETFs internacionais
  • Mercado de Sorgo nos EUA e BrasilEficiência de mercado · Liquidez · Volatilidade · Custo de listagem de empresas · Burocracia
  • Filosofia e Perspectiva de InvestimentoJohn Ternus · Filosofia de investimento simples · Baixos custos · Comportamento do investidor
  • O Investidor como Inimigo PróprioCurto prazismo · Medo de ficar de fora · Viés de confirmação · Peter Lynch · NVIDIA · Desejo por emoção
  • Investimentos e ImpostosMyProfit · DARF · Compensação de prejuízos · IOF · Come-cotas · Tabela regressiva
  • Recorde de Renda no BrasilLFTB11 · LFTS11 · Baixo custo · Eficiência tributária · Sem IOF e come-cotas
  • Dolarização do PatrimônioProteção patrimonial · Jurisdição brasileira · Spread cambial · IOF em remessas internacionais
  • Diferença entre carteira de renda e acumulação de capitalBEST11 · Better11 · Reinvestimento automático de dividendos · Imposto sobre dividendos · Pinga-pinga
  • ETFs de CriptomoedaHODL11 · ETFs de Bitcoin · Exposição eficiente · Segurança
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BPBruno Perini

E aí, pessoal, vamos começar mais um episódio do podcast Sócios. Quem fala aqui é Bruno Perini, host do podcast. Estou como sempre com Malu Perini, minha esposa, host, o belo rosto aqui dos Sócios.

MPMalu Perini

Olá, pessoal, sejam bem-vindos a mais um episódio dos Sócios.

BPBruno Perini

E sobre o que falaremos hoje?

MPMalu Perini

Hoje a gente vai falar sobre esse livro aqui, O Investidor de Bom Senso, que aparentemente não é tão legal, mas já, já soltar aqui no meu ponto que o problema é a tradução. No entanto, vocês vão precisar ler porque a gente vai falar sobre ele, eu e você no caso vamos aprender tudo sobre ele nesse podcast. Aí você não precisa ler.

BPBruno Perini

Fazendo um disclaimer aqui, né, estava comentando antes do podcast começar que o livro ele é meio repetitivo, ele é meio chato. Inclusive é o tipo de livro que eu gosto de pegar para fazer um podcast, porque ao invés de você ler o livro você pode aprender através do podcast.

MPMalu Perini

Os ensinamentos aparentemente são muito bons.

BPBruno Perini

O livro é legal, entendeu? Ele poderia ser melhor escrito e me parece que a Jéssica leu a versão em inglês, que a versão em inglês é melhor do que a versão em português. Eu li a versão apenas em português, mas falaremos disso ao longo do podcast. É um livro interessante, ele pode mudar bastante a maneira como você investe. E antes de falar sobre o livro e também apresentar os nossos convidados aqui no podcast, eu tenho 3 recados para vocês, pessoal.

O primeiro deles é aproveitar esse momento de baixa do Bitcoin, uma baixa relativa, né, subiu um pouquinho agora no mês de julho, tava em torno de R$66 mil a última vez que eu olhei, mas tá num preço ainda muito interessante quando você considera, por exemplo, que há pouquíssimo tempo ele bateu na média de 200 semanas. 200 semanas são quase 4 anos de negociação, é muito raro que isso aconteça. E quando aconteceu, os retornos prospectivos à frente passaram de 100% no intervalo de 12 meses.

Então é um ponto interessante, essa é minha visão. Para quem quisesse expor ao Bitcoin através da moeda, eu vou lembrar que nós temos uma parceria com a Coinbase Você pode criar sua conta, transferir recursos via Pix, você pode trocar por stablecoin de dólar já rendendo na plataforma 7% ao ano atualmente. E depois que você faz uma compra de R$1.000, você recebe R$50 de volta em Bitcoin como cashback. Além disso, a Coinbase também lançou Coinbase for Agents, que é uma integração que permite conversar com agente de IA e dar comandos naturais para que ele possa comprar, vender, converter criptomoedas, tudo dentro da plataforma, que é muito segura, uma das maiores corretoras do mundo, é custodiante de vários dos grandes ETFs americanos de Bitcoin, e inclusive uma empresa listada em bolsa, o que dá muito mais transparência quanto aos números, já que trimestralmente nós temos acesso aos dados mais atualizados.

Então, para quem quiser, há um link aqui na descrição. O outro recado é do MyProfit, que já patrocina o Sócio há bastante tempo. É um programa que eu uso para administrar minha carteira. Ele mostra lá lucro, prejuízo. Caso de lucro, eu consigo gerar DARF pelo programa. Em caso de prejuízo, tem lá todas as tabelas de compensação de prejuízo, que se bem utilizadas podem te fazer economizar bastante imposto através de diferimento.

Você deixa de pagar agora para pagar só no futuro, e você pode administrar os seus recursos como se fosse um fundo de investimento, com a cotização acontecendo ali em tempo real. Também é uma mão na roda para o Imposto de Renda. Então eu mesmo faço o meu imposto porque eu prefiro que apenas eu, Malu e toda a Receita Federal saibamos do meu patrimônio. Não quero mais uma pessoa, um contador envolvido nisso, né? E antes do MyProfit eu levava um dia inteiro para fazer declaração.

Agora, para fazer a minha declaração e da Malu, eu levo coisa de 15 minutos para par de mercado. É realmente realmente muito rápido. Para quem quiser, tem um QR code aparecendo na tela onde você pode assinar com desconto de 10%. Lembrando que o MyProfit foi criado dentro do Viver de Renda pelo Rodrigo Poveron, aluno da Turma 10 do curso. Poveron, um abraço para você, cara. E último recado é de uma operação que nós faremos chamada Lucro 2x em parceria com G4.

Então, pela primeira vez, Grupo Primo e G4 se uniram para te mostrar, empresário que opera nesse ambiente mega complexo chamado Brasil a como aumentar sua receita, conseguir mais eficiência operacional, conseguir uma cultura melhor, você melhorar suas vendas, você conseguir mais resultado tanto na PJ quanto também na pessoa física. Então, para quem quiser estar a par disso, nós faremos uma live no dia 11 de agosto e você pode se cadastrar, assistir gratuitamente.

Tem link na descrição e deve aparecer também um QR code na tela. Bom, recados dados, pessoal. Vou apresentar os nossos convidados. Recebemos aqui novamente no podcast os sócios. Alessandra Gontijo, ela é CCO e sócia da Investo, gestora especializada em ETFs, responsável pela área comercial e de distribuição da companhia. Atua no mercado financeiro há mais de 12 anos, com passagem por instituições como RX Investimentos, Brasil Plural e XP Investimentos.

Economista formada pela Universidade Federal Fluminense, é especialista em ETFs e defensora da democratização dos investimentos no Brasil. Alessandra, bem-vinda ao Podcast Sócios.

AGAlessandra Gontijo

Obrigada, Bruno. Obrigada, Malu, pelo convite. Tô muito feliz de estar aqui com vocês hoje.

BPBruno Perini

Recebemos também Felipe Arraes. Ele é analista CNPI, sócio do Grupo Primo e especialista em investimentos globais da Finclass. É engenheiro de gestão e bacharel em ciência e tecnologia pela Universidade Federal do ABC. Também possui formação em engenharia mecatrônica pela Middlesex University, London. Arraes, bem-vindo ao Podcast Sócios.

FAFelipe Arrais

Um prazer estar aqui de novo. Tô esperando o boleto da terceira vez que eu vim, não chegou. Vai vir dobrado dessa vez.

BPBruno Perini

Vai vir o teu bônus, você vai ver, cara. Um decréscimo substancial ali por conta disso. E recebemos também novamente Jéssica Veigandi. Ela é formada em Relações Internacionais e com pós-graduação em Finanças. Atua há 11 anos no mercado financeiro e atualmente é consultora financeira na Portfél, com atendimento exclusivo a clientes de alta renda. Jéssica, bem-vinda novamente ao Podcast Sócios.

JWJessica Weigand

Muito obrigada, Bruno. Obrigada, Malu, pelo convite. É sempre um prazer estar aqui e é uma grande oportunidade também, né?

MPMalu Perini

Obrigada. Bem-vindo.

BPBruno Perini

A Jéssica gerou um certo ciúmes vindo aqui duas vezes, boludinha. Pô, já foi uma vez, vê a segunda assim porque foi bem, falou bem, entendeu? Chama a pessoa aqui e fala: o que que você achou do livro? A pessoa faz assim, ó, engole, não consegue falar.

MPMalu Perini

Meu Deus do céu!

BPBruno Perini

Então, explicando porque que as pessoas vêm aqui: a pessoa manda bem, ela vem de novo, tá bom? Para começar, eu queria ouvir um pouco da opinião de vocês sobre o livro. Realmente é muito repetitivo, as pessoas não devem ler, ou vocês acham que apesar de ser repetitivo é um livro muito interessante porque mostra uma outra forma de investir com base em dados? Eu queria um resuminho do que vocês acharam da leitura do Investidor de Bom Senso.

FAFelipe Arrais

Primeiras damas, por favor.

MPMalu Perini

Pode ser.

JWJessica Weigand

O que eu achei do livro? Eu acho um excelente livro, até porque eu sempre recomendo ele para quem quer conhecer um pouquinho mais do mercado internacional, de como que funciona esse mercado, né, e também a pessoa compreender um pouquinho do funcionamento dos ETFs, né, que é um dos grandes mercados, um dos grandes veículos de investimento, né, lá fora. Então acho que abre mais a visão de sair um pouquinho dessa bolha Brasil e expande, né, para mercados desenvolvidos.

Então acho o livro bom, é um pouco repetitivo, acho que poderia até ser um pouco menor o livro, Mas tem muita diferença, né? Como a gente até conversou aqui no início, a tradução ela peca um pouquinho na questão de repetir e errar um pouquinho alguns termos. Mas o livro em inglês eu acho que é um pouco melhor do que o traduzido.

BPBruno Perini

Meu livro foi traduzido para espanhol recentemente, né? Aí eu tenho a tradução lá em casa, eu fui pegar e removeram minhas piadas.

MPMalu Perini

Aí fica zoado.

BPBruno Perini

Foi uma leitura pobre. Realmente, na tradução muita coisa acaba indo embora.

AGAlessandra Gontijo

Bom, vamos lá. Eu sou suspeita para falar do livro porque eu adoro esse tema, né?

BPBruno Perini

Esse aqui inclusive você que me deu, né?

AGAlessandra Gontijo

Sim, dei.

BPBruno Perini

Aqui, ó, meu marcador de página da Investa.

AGAlessandra Gontijo

Olha, propaganda da Investa, que legal! Não, eu fico muito feliz. É parte do nosso brinde também quando a gente faz algumas iniciativas, eventos, a gente sempre tá dando o livro. Eu concordo que é um pouco repetitivo, de fato. Vamos colocar a culpa na né? A gente não tá aqui para chancelar isso, mas é um livro que eu gosto muito particularmente, que trata muito sobre uma mudança de mentalidade do investidor brasileiro, né? Então ele traz conceitos que são muito distantes da nossa realidade hoje como investidor aqui no Brasil, mas ao mesmo tempo são atemporais, são filosofias de investimento, né?

Então tem essa pegada de desmistificar algumas questões, de ter um pensamento mais de longo prazo, de fazer com que as pessoas se eduquem melhor financeiramente. E se tratando de um país em que esse tipo de tema não é tão atrativo, sob a perspectiva do leitor ou do investidor, é um desafio torná-lo interessante. Eu acho que, espero que a gente consiga fazer isso daqui.

FAFelipe Arrais

Eu concordo. E tem um pouco do viés, né, porque ler esse livro é quase um afago no ego, porque é uma repetição de coisas que eu acredito, que Eu acho que se você já é do mercado e já entende um pouco dessa filosofia, talvez você não vai encontrar grandes novidades nessa leitura. Mas eu faço um comparativo com aquele grande livro que todo mundo fala, né, O Pai Rico, Pai Pobre. Se eu pegar para ler ele hoje, eu também não vou encontrar grandes revoluções, é algo que já tá enraizado.

Mas para muita gente é o gatilho, é o clique para você mudar a mentalidade. Eu acho que o livro do John Bogle é um pouco nesse sentido, para quem quer investir internacionalmente, entender o que realmente importa no longo prazo. E para muita gente, o simples é complexo de ser feito, né? Ele até no livro, uma passagem, ele fala, cara, emagrecer é simples, déficit calórico. Mas por que que essa gente não faz? O caminho para ganhar dinheiro internacionalmente, ele pode ser simples, mas as pessoas acabam não seguindo o caminho mais fácil que dá mais resultado, infelizmente.

BPBruno Perini

Eu gostei do título, sabia? Acho que é um baita de um título, Investidor de Bom Senso. Como é que é em inglês? É isso mesmo?

JWJessica Weigand

É isso mesmo, tá?

BPBruno Perini

Porque eu sempre lembro de uma frase do Descartes, o filósofo, que ele dizia que o bom senso é o que está melhor distribuído no mundo. Porque todos acham que têm o suficiente.

MPMalu Perini

É muito boa essa frase.

BPBruno Perini

E aí quando o cara vai ler o livro e vê, olha, bom senso aqui na opinião dele é que você tem que parar de fazer stock picking, parar de escolher ações e simplesmente se contentar com o retorno do mercado, do índice de mercado que você vai comprar. Depois ele coloca uma série de defesas com base em dados mostrando que se você pega um veículo de investimento que te dá o índice e com custo muito baixo, o seu retorno deve ser maior do que a de 90% dos investidores.

Tira um pessoalzinho que pode ter, sabe, uma mão muito boa para escolher realmente e consegue mais retorno. Mas na média você estaria melhor apenas com ETF. E o engraçado é que lá fora, desde o começo, eu tive uma cabeça de ETF. Eu falava, cara, o mercado americano é muito eficiente, né? Não dá para eu pegar e olhar, sei lá, 2 horas por semana o mercado americano e achar que eu vou encontrar a mega barganha que o pessoal de Wall Street, com IA, com algoritmo, com estagiário ganhando $20.000 por mês, gênio, não estão vendo.

Então é como se lá fosse a Champions League e eu sou um cara que consigo mandar bem na pelada do grupo primo. Então lá eu não consigo nem entrar em campo. Já aqui no Brasil eu sempre pensei, aqui nós temos muito menos investidores. Lá fora, Estados Unidos, tem 350 milhões de pessoas, disso aí mais da metade investe. Fora o pessoal do mundo inteiro, brasileiros, argentinos, América do Sul no geral, africanos, asiáticos, europeus, todos investem lá.

Aqui não, nós temos pouca gente. Essas pessoas, eu tenho contato com elas pelo Instagram, a maioria não sabe o que tá fazendo. Tem cara que manda para mim assim, olha só, né, tô comprando aqui essa ação que custa R$10 porque do outro banco custa R$30, então é 3 vezes mais caro. Pelo amor de Deus, cara. Então esse pessoal que tá comprando as ações, eu falo, pô, nosso mercado não é eficiente. Então na visão de vocês, já que o Brasil não tem um mercado eficiente comparado ao americano, mesmo assim valeria exposição aqui através de ETFs?

FAFelipe Arrais

Eu posso começar essa, que eu tive um passado também de análise de fundos Brasil. Então tive como analisar o resultado de vários gestores profissionais, e eu tendo a acreditar que aqui não que seja fácil, mas é mais fácil você conseguir encontrar o famoso alfa. Inclusive, quando a gente vê aqueles relatórios que muita gente divulga por aí de um SPIVA, de um índice de gestão ativa versus passiva, até em certa medida o resultado é parecido.

A maior parte não bate o mercado, mas tem uma grande diferença, né? Quando se bate o mercado, você consegue bater de uma forma representativa no Brasil. O alfa que vale a pena. E lá, os poucos exemplos que conseguem gerar esse alfa é um alfa tão pequeno que você se discute: será que valeu a pena 10 anos pagando essa taxa para o gestor para em 10 anos ele me entregar meio por cento ao ano a mais do que o índice? E aqui a gente tem vários exemplos de gestores que conseguem encontrar um bom resultado.

Então eu tendo a defender, não que todo mundo devesse mergulhar de cabeça na gestão ativa em fundos no Brasil, mas aqui você encontra bons exemplares que geram resultado.

BPBruno Perini

Pra gestão passiva, eu acho que isso acontece por conta da eficiência de mercado aqui, que ainda é menor.

FAFelipe Arrais

Principalmente tem segmentos do mercado que nem que o gringo se interesse, ele consegue entrar por uma limitação técnica de liquidez. O gringo, quando ele vem pro Brasil, primeiro movimento é comprar Vale, Petrobras. Eu já tive em reuniões em Londres no Morgan Stanley que o cara tava super animado falando que fizeram uma baita reunião pra decidir comprar Petrobras. Porque é o que ele vai olhar, o que ele tem, que tem liquidez para receber aquele investimento.

Então small caps ficam subprecificadas por mais tempo e dá oportunidade de você obter uma informação que o resto do mercado não tenha ou que não soube avaliar tão bem, e assim ganhar o famoso alfa, que o próprio John Bogle diz, né? O alfa de um é o prejuízo do outro ali. Então pode ser que a gente possa discutir que para um tá ganhando, outro tá perdendo, mas com o mercado menos eficiente você consegue encontrar esses vencedores consecutivos, que passam vários anos gerando resultado maior do que o Ibovespa. Até porque o Ibovespa é um índice ruim também.

BPBruno Perini

Você não acha curioso que o pessoal fala que o Ibovespa é um índice ruim, mas um monte de gente perde para ele?

FAFelipe Arrais

É isso, é impressionante.

BPBruno Perini

De fundo assim, você vê ao longo do tempo, tem um Ibovespa lá que tu não fala, é um índice ruim, e o fundo do cara abaixo. E quando você faz a conta, muitas vezes o que tá abaixo é a taxa de administração.

FAFelipe Arrais

Exato.

BPBruno Perini

O cara tá perdendo por 2% do Ibovespa, que vai acumulando ao longo do tempo.

FAFelipe Arrais

Esse é o ônus do índice, porque ele é ruim Mas se você tem um ambiente, vamos pensar, 2022 foi um bom exemplo, né? Um ano que eu falo que a bolsa caiu com Ibovespa subindo, porque o Ibovespa subiu à base de Petrobras e alguns bancos. Então, se o gestor não tá comprando essas empresas que têm um grande peso no Ibovespa e essas empresas vão bem, ele vai ter o ônus de ficar muito para trás. Mas sobre a oportunidade de eventualmente, no ciclo positivo, aqueles papéis que não estão no Ibovespa e que estão na carteira do gestor com mais concentração andarem.

Então eu acho que esse risco da gestão ativa, você vai sempre brigar contra o benchmark, por mais, é, por mesmo que seja pouco eficiente como Ibovespa, se Petrobras, banco, commodities sobe no ano e o gestor brasileiro às vezes não tá tão alocado nisso, ele vai ficar para trás mesmo.

AGAlessandra Gontijo

É, e tem um fator também, né, que o Ibovespa ele não foi criado para ser um índice investível, ele foi criado para ser um índice de acompanhamento de mercado ponderado por capitalização de mercado. Ou seja, quanto mais as ações negociam, maior o peso no índice. E parte do objetivo até da Investo, né, falando aqui um pouco do meu chapéu, é fazer com que cada vez mais tenham índices bons e melhorados, tecnicamente falando, com exposições menos concentradas, com conceito de diversificação, acesso de forma ampla a diferentes setores e ao mercado como um todo.

Como o próprio Bogle fala, que para um investidor ter bons retornos, ele só precisa ter acesso de forma ampla e barata ao mercado de ações como um todo, né, sendo um jogo ali de soma zero no final do dia, que a gente vai entrar nessa pauta ainda. Mas dito isso, mais de 90% 92% dos fundos de renda variável no Brasil não batem os seus respectivos benchmarks na janela de 10 anos. Então quanto maior a janela, pior esses resultados.

E comparando novamente com índice entre aspas ruim, eu não gosto de falar que é um índice ruim, mas eu gosto de pensar que a gente tá num processo de evolução. E esse processo de evolução é interessante que hoje são mais de 200 ETFs listados na bolsa. Então muita coisa mudou nos últimos 5 anos né, foi quando a gente também começou a Investo, gosto de pensar que é uma coincidência positiva, mas de fato a gente começou a provocar os principais players do mercado para olharem, entenderem quais são os ângulos que a gente podia trabalhar aquele produto, qual tipo de ETF eu consigo elaborar para resolver algum tipo de problema, a depender do tipo de cliente.

Então hoje o investidor consegue formar uma carteira 100% em ETFs de forma diversificada, de forma ampla, em segmentos de renda fixa, renda variável, um pouco mais alternativos, de criptomoedas, como você mesmo gosta e vive falando do HODL11 ali nos seus canais. Então eu acho que assim, cada vez mais a gente está tornando esse mercado mais eficiente, mais sofisticado, e cada vez mais esses custos muito altos da gestão ativa, o 2,20% que a gente fala, estão ficando cada vez mais evidentes, né?

E as pessoas estão cada vez mais questionando. É o que que a gente pode fazer para melhorar ali a eficiência da carteira, ou seja, reduzir custo no longo prazo, né, que tem efeito do custo também ali no longo prazo e dos juros sobre isso, né.

BPBruno Perini

Inclusive, aproveitando, vamos dar um passo atrás, porque quem é de mercado sabe que é um ETF, mas quem tá assistindo isso aqui e pega CDB no banco, pega LCI, LCA, e pensa, pô, será que eu devo ir para renda variável? Ou até, será que eu devo ir para renda fixa? Usando bolsa de valores, produtos que estão listados, aproveitando que você tem uma gestora que desses mais de 200 ETFs tem, sei lá, uns 40. O que que é um ETF ali?

AGAlessandra Gontijo

Vamos lá, o ETF ele é um fundo de índice, né? Quando a gente fala do Ibovespa, né, dando um exemplo, né?

FAFelipe Arrais

Apesar de que agora pode ser ativo ETF, né?

AGAlessandra Gontijo

No Brasil até então não.

FAFelipe Arrais

Chegaram os primeiros BDR já de ETF ativos, em breve vai chegar.

AGAlessandra Gontijo

É, no Brasil até então não, mas nos Estados Unidos sim, inclusive alavancado. Mas dando um passo atrás, né, o ETF é um fundo de índice. Então o ETF é a forma de você tornar um índice investível, né? Então fazer com que a gente, pessoa física, tenha acesso a uma ampla cesta de produtos. E o que vai determinar quais são esses produtos, se são ações, se são títulos públicos, se são ações de lá de fora ou locais, vai ser o índice, né?

Então o índice ele cria as regras do jogo. Qual é a metodologia envolvida? É uma metodologia matemática com critérios ali de seleção, critérios muitas vezes de concentração, Então esse índice, no caso do Ibovespa, né, é um índice da B3. O BOVA11, que é o ETF mais famoso até então no mercado, não é nosso, né, o ETF que já roda há muito tempo, ele replica o Ibovespa. Então quando eu digo, né, o BOVA11 faz com que a gente torne o índice Ibovespa investível. É isso.

BPBruno Perini

Perfeito. Jéssica, sua visão?

JWJessica Weigand

Então eu sou suspeita para falar um pouco dos ETFs porque é um mercado que eu acompanho muito. E adoro, principalmente lá fora, que é extremamente amplo, né, o mercado internacional. Para ter uma ideia, né, os ETFs lá, o mercado ele representa de valor, né, de patrimônio, 15 trilhões de dólares.

BPBruno Perini

Então o mercado que cresceu muito lá fora nos últimos anos, inclusive passou a gestão ativa lá fora, né?

AGAlessandra Gontijo

Sim, sim. Então 54% são fundos passivos.

JWJessica Weigand

Exatamente. E nos últimos 10 anos, os ETFs americanos saíram de 2 trilhões de dólares para 15 trilhões de dólares. Então você vê que é um crescimento bastante expressivo, né? E é um veículo de investimento que eu adoro recomendar para os clientes investirem, até porque é a forma mais eficiente, de baixo custo, e você consegue acessar o mercado global, né? Não só os Estados Unidos. Então ele se mostra no longo prazo o método mais eficiente de se investir.

E quando a gente fala também de clientes de alta renda, que é o público que eu trabalho hoje, É, a questão dos ETFs, eles ajudam a otimizar esse portfólio, né? Então não fica aquela pulverização de ativos, né? Porque quando a gente pega uma carteira, às vezes o cliente tem lá 100 títulos públicos, aí ele tem mais 50 fundos de investimento, tem CDB, 30 ações, quando não tem COE. Então assim, quando a gente fala de um cliente de 10, 20, 30, 50 milhões, O ETF, ele traz um ponto importante que é a otimização do portfólio.

Então, pra gente fazer mudanças ali táticas na alocação é muito mais eficiente. A gente consegue fazer pequenas mudanças ali, pequenas, sem tanto custo e sem ficar tendo que recolher DARF o tempo todo. Então, otimiza de fato o portfólio.

AGAlessandra Gontijo

A gente gosta de falar, né, que o ETF ele democratiza também o acesso. Há vários segmentos. Hoje tem mais ETFs no mercado americano do que ações.

JWJessica Weigand

Exatamente.

AGAlessandra Gontijo

Curioso também, né?

BPBruno Perini

Eu acho que é mais de 5.000 ETFs nos Estados Unidos, porque é tipo uma combinatória. Você tem lá 500 empresas e cria diferentes índices para pegar um certo segmento de mercado ou não. No Brasil também vai acontecer, vai.

FAFelipe Arrais

Você tem várias segmentações, você tem o S&P, você tem o S&P Valor, o S&P Growth, o S&P não sei o quê. Você consegue o mesmo índice derivar para ter 30 produtos dele. Então é normal que a gente siga esse caminho no Brasil também. Até porque a gente tem muito menos empresas listadas aqui, então daqui a pouco a gente já tem mais ETF do que ação também.

AGAlessandra Gontijo

É, vira e mexe perguntam pra gente, ah, por que que vocês não têm ETF de agro? Falo, ué, a gente precisa de poucas empresas de agro, cara. Exato, exato. Então assim, é um desafio, é um desenvolvimento do mercado também, né? Quanto mais o mercado de capitais se desenvolve localmente, mais possibilita que a gente crie cada vez mais novos ETFs. E a condição precedente para você criar um ETF é que você tenha uma liquidez artificialmente infinita.

Então você não tem a capacity como nos fundos ativos, né? Então, ah não, fechamos o fundo, não recebe mais aporte. Você vai criando cota quanto maior o número de aportes que você tem para aquele fundo.

JWJessica Weigand

Com formador de mercado.

AGAlessandra Gontijo

Com formador de mercado, exatamente. O formador de mercado garantindo a liquidez, né? Tanto na ponta compradora quanto na ponta vendedora, com aquele spread pré-determinado para que não aumente o custo ali da transação. E um ponto importante dos clientes super sofisticados, e aí me corrija se eu estiver falando besteira, Lá fora eles já têm acesso a um mercado muito expressivo, né? Então muitos deles têm estrutura lá fora e têm esse acesso, mas querem manter aqui no Brasil parte do patrimônio.

Então faz parte de uma evolução, né? Quando você fala com cliente que já tem uma estrutura lá fora, sempre, e você traz o tema ETF, é sempre muito bem recebido assim, porque globalmente ele já acaba acessando na estrutura lá fora. Então localmente é uma novidade ainda, mas não à toa nos últimos 2 anos o mercado de ETF de renda fixa mais do que dobrou o AUM da indústria de ETFs como um todo aqui no Brasil, que hoje já são R$125 bilhões.

FAFelipe Arrais

É isso, sobre a renda fixa que você até mencionou, a gente tem muita eficiência fiscal ainda, né? Você no investimento de renda fixa tradicional você vai ter aquela tabela regressiva e no ETF de renda fixa você vai ter eficiência fiscal de pagar tributação de renda variável, né? Que é uma coisa que às vezes as pessoas nem botam na conta, né, o quanto que isso vai significar no teu bolso em longos prazos. Então Eu particularmente, na parte de renda fixa, tenho investido aqui majoritariamente por ETFs também, que é mais simples, mais resultado, menos imposto.

Então eu vou estar seguindo esse caminho do retido na fonte. Não tem nenhum trabalho de gerar um DARF, né, que muita gente odeia home broker por conta de complexidade.

JWJessica Weigand

É uma questão, a questão da, da, do cliente, a questão da DARF é um, é um problema sério com investidor, que às vezes a gente tem que sair de uma posição, o cara não quer pagar o DARF, mas ao mesmo tempo não quer ter prejuízo. Então a gente fica naquela saia justa, porque para recolher, né, ele tem que fazer o recolhimento da DARF, tem 30 dias para fazer isso, então acaba tendo uma dificuldade. E o ETF de renda fixa, ele é descontado diretamente na fonte.

AGAlessandra Gontijo

Na fonte, e o IR é o mesmo independentemente do prazo de resgate, né? Essa eficiência tributária torna tudo muito atrativo.

BPBruno Perini

Eu sempre falo que as pessoas físicas se preocupam muito pouco com essa parte de eficiência tributária, exceto aquelas que têm muito dinheiro. Esse pessoal sabe realmente que, olha, pagar mais imposto é ruim. Eu até vejo que na minha vida eu vim parar aqui fugindo de imposto. Basicamente é isso. E não só eu, né? Vários movimentos políticos no mundo foram isso. Aumentou imposto do chá, independência. Ah, vai ter derrama aqui no Brasil.

Tiradentes vai lá e quer fazer a revolução, né? No final foi culpado por isso. Mas o ponto é o seguinte: como militar, eu pagava 27,5% de imposto na fonte, não tinha como fugir. Pessoal que fala, pô, a DARF é na fonte, maravilhoso. Eu achava horrível, cara. Já recolhi, eu vi a mordida do leão pegando um texto que eu ganhava. Pensei, cara, como é que eu posso pagar menos imposto? Ah, se você abrir um MEI, então imposto é praticamente zero.

Então a gente abriu nossa empresa, Malu começou como MEI, demos muita sorte, e em coisa de 2 meses a Malu rompeu o limite do MEI, que na época era R$60 mil. Vamos para o Simples Nacional. Nosso primeiro ano, imposto foi de 6%.

FAFelipe Arrais

Maravilhoso, pô.

BPBruno Perini

Então saí de 27,5% para zero, depois para 6%, depois foi para uns 18%, até chegar na alíquota atual do Grupo Primo, que é mais alta, é uma empresa do lucro real. Mas para isso acontecer, a gente tava indo 1,2 bilhão de reais. Então fui fugindo do imposto na vida jurídica, digamos assim, na PJ. E na PF, com investimentos, não é que você tem que só pegar produto isento, por exemplo. Até porque hoje em dia, com reforma tributária, com a questão de você ter tributação de dividendo, É até melhor você pegar um CDB que paga 115% do CDI do que uma LCI que paga 90% e que é isenta, não gera crédito para você depois não ter que pagar imposto no dividendo.

Mas o ponto é que você deveria procurar caminhos com mais eficiência tributária, como vocês citaram. Se a pessoa vai comprar um título público lá no site do Tesouro, vai pegar o que tem prazo mais curto, que é o Tesouro— aliás, o prazo mais curto entre os indexados à inflação, que é o Tesouro IPCA 2029, vai vencer daqui a basicamente 3 anos. Você, ao pegar aquilo ali, durante 2 anos teu imposto não chegou em 15%, ele começa em 22,5%, 20%, 17,5% até chegar a 15%.

Se você for vender em 30 dias, além do imposto de renda de 22,5%, você tem o IOF, que no primeiro dia 96% e só vai a zero depois de 30 dias. Então vender no começo é perder quase todo o seu retorno. Se fosse um ETF, você comprou, se arrependeu, tem que vender uma semana depois, o imposto, dependendo do ETF, Se fosse no IPCA 11, por exemplo, seria 15%. Isso é maravilhoso. Quanto menos imposto você pagar, melhor. Então pense sempre eficiência tributária.

Na verdade, não só nisso, né? As pessoas se preocupam muito com retorno e você não consegue controlar muito bem isso. Devemos nos preocupar mais com 3 coisas: diversificação da carteira, eficiência tributária e o custo que você paga para ter tudo isso, que é um outro ponto muito bom dos ETFs. Então vocês citaram, pô, a indústria no geral, pratico 2 com 20, né, 2 de administração e 20 de performance. Quando o fundo ele consegue performar melhor do que o benchmark, geralmente vem isso de maneira semestral.

Nos ETFs a taxa é muito mais baixa e você não vai ter esse acréscimo de performance. Ou tem ETF cobrando performance?

AGAlessandra Gontijo

Não, não, ETF não pode cobrar performance.

BPBruno Perini

Pois é, então só taxa de administração. E esse custo no final ele é garantia de mais retorno para você. Você não sabe o retorno na frente, mas com custo mais baixo teu retorno tende a ser maior ao longo do tempo.

FAFelipe Arrais

É isso, olhar do custo vale para várias óticas. Tem até um ponto que se conecta com o nosso assunto de internacionalização, mas lá fora tem muito ETF, ETFs baratinhos, né? Mas as pessoas não consideram o custo do dinheiro sair daqui e chegar lá, né? E a maioria das pessoas acha que o dinheiro magicamente apareceu lá, e a partir do momento que já tá no saldo na Avenue, na XP que seja, aí beleza, aí é bacana. Os ETFs são baratos, tem muito mais oferta.

Só que para a maioria das pessoas, o custo de você tirar o dinheiro aqui Na maioria das vezes que eu já fiz essa conta, às vezes era melhor ficar aqui do Brasil mesmo no ETF, que tem uma função similar, porque é coisa de 10 anos para você diluir o custo na largada. Custo médio hoje é 2%, 2,5% para você mandar de spread, mais 1,1% de IOF. Então você já sai 3 e tanto por cento atrás em cada aporte. Então é aquela maratona que você vai na largada e você já saiu alguns metros para trás.

Tudo bem, lá o ETF é mais barato, só que são anos para você diluir o que você já gastou através dessa taxa mais baixa. Entre 10 e 15 anos do primeiro aporte. Então eu até falo, os investidores têm que ser mais ligados no custo. Bogle fala muito no livro, né, porque é um custo escondido, né?

AGAlessandra Gontijo

Totalmente. Inclusive isso era parte do pitch que a gente fazia para fomentar o nosso ETF de alocação global, né, que é o World 11. Ele é um ETF que dá exposição a mais de 9.800 empresas ao redor do mundo. Então vai muito nessa filosofia do Bogle. É inclusive um ETF da Vanguard, né? Então, que é a empresa do Bogle, que é a empresa do Bogle, exatamente, fundada ali em 1976.

BPBruno Perini

E Bogle é autor do livro, tá, pessoal? John Bogle.

AGAlessandra Gontijo

É esse. E parte do nosso pitch é justamente falar sobre dolarização do patrimônio via B3. Hoje você não precisa enviar o recurso lá para fora, ter essa fricção de spread, de IOF, enfim, esperar tanto tempo para recuperar esse custo. Você consegue acessar hoje ETFs internacionais de renda variável, amplos de renda fixa, ETFs mais específicos através da B3. Então você consegue dolarizar o seu patrimônio, desde que o ETF não tenha um hedge cambial, via B3 hoje com uma cota de R$100, né?

Eu acho que é interessante mencionar isso, que é não só fácil, diversificado, custa muito pouco e não existe taxa de performance para o ETF, né?

BPBruno Perini

Pode comprar só uma cota Porque não tem isso de mercado fracionário integral, mesmo mercado. Então não vai ter uma liquidez diferente que você comprou uma cota, duas, três, tem que comprar mais de 100, não existe isso.

FAFelipe Arrais

E com formador de mercado atuando no Brasil, você vai ficar limitado à liquidez do ativo lá fora, que é extremamente líquido. Então você pode ter muito dinheiro e não vai mexer em preço. Tem muita gente que ainda bate, ó, esse ETF aqui não é líquido. Mas se tem um bom formador de mercado, importa menos, né? Você consegue comprar preço justo, né? Eu acho que é um problema que isso não acontece nos BDRs e ETFs, por exemplo, porque é um caso que o formador de mercado é voluntário.

Aí é outra discussão. Mas para ETF, e eu conheço, investo faz tempo, você tem ali critérios rígidos, você negocia com o formador de mercado qual que é o spread permitido, quanto tempo de tela o cara vai ficar ali deixando o preço justo. Então é super democrático, acaba. E você começa a ter até multa se o ETF começa a ter um tracking error, né? Ele começa a se distanciado do índice que ele tem que seguir, é multa, é punição. Então você tem que garantir que o produto é eficiente.

Acho que vale explicar aqui que a tracking error é uma medida estatística de quão perto um índice tá sendo acompanhado. O ETF do S&P tem que seguir o índice S&P. Se ele começa um dia, o S&P sobe 2, o ETF cai 1, ele já tá meio zaroio ali. Então ele pode ter punições, multas, e o produto chegar a morrer até eventualmente.

BPBruno Perini

No longo prazo, ele tenderia a acompanhar de todo jeito. Mas no curto prazo, para ficar mais justo, tem esse formador de mercado dando preço ali. Então no final, por isso que ele vai estar acompanhando. Se você, por exemplo, for entrar no home broker agora para comprar o GPCA11, que é o nosso ETF de títulos públicos de inflação de curto prazo, você vai ver que tem ordens de venda grandonas lá, né, com o preço 1 centavo acima da cota patrimonial, que é justamente para você poder comprar no preço justo.

A gente não quer te vender no preço muito mais alto, né, e nem mais baixo, é realmente no preço justo. Então você vai lá e consegue comprar milhões se você quiser na mesma hora. Então não tem aquilo de, pô, esse ETF foi lançado há menos tempo, então eu vou pegar o outro que tem mais liquidez. Não, porque tem formador de mercado garantindo esse preço.

AGAlessandra Gontijo

Você queria falar que o valor da cota patrimonial seja condizente com o valor da cota mercado, que são dois valores para o mesmo produto, né?

FAFelipe Arrais

Eu brinco que a liquidez do ETF é quase um indicativo de interesse. Se o ETF é mais líquido, é que tem mais gente interessada nele, mas não é uma limitação que eu tenho ali eventualmente.

AGAlessandra Gontijo

Com certeza.

MPMalu Perini

E Não, vocês estão falando bastante de ETF porque o livro fala que é para a gente investir através de ETF. É porque eu tô perdida, que vocês estão falando um monte de coisa aí, o livro não chegou ainda.

BPBruno Perini

Eu vou resumir o argumento do Bogle de por que esse livro poderia ter 40 páginas, tá? Ele simplesmente fala: você quer ter um retorno muito bom ao longo do tempo? Contente-se com o retorno da média e seja investidor por mais tempo do que a média do mercado. É só isso. Você pode ser um investidor mediano desde que fique no mercado mais tempo do que a média. Ele fala, para ter esse retorno, arranja um veículo com custo muito baixo e compra o mercado inteiro. É isso que ele fala, tá?

MPMalu Perini

Então, e o ETF é uma ótima forma de fazer isso, uma maneira de fazer isso lá fora.

BPBruno Perini

Por exemplo, o índice mais conhecido é o S&P 500.

MPMalu Perini

Aí a gente tá falando de ETF, eu tô perdido.

BPBruno Perini

Mas é porque ele fala, eu entendi agora, só que o livro ele não é bom de falar do cenário brasileiro, entendeu? Ele pega só cenário americano, uns custos lá que não tem aqui, tributação que é diferente. Mas se você quer acompanhar o mercado americano, o índice mais famoso lá é o S&P 500, que compra as 500 maiores empresas com peso desproporcional.

MPMalu Perini

As maiores são mais pesadas.

BPBruno Perini

A proposta que ele diz, e você pode ir lá fora comprar um ETF que vai custar 0,03% para fazer isso. Só que como a Raiz falou, você vai ter que gastar o spread do câmbio, que pode ser altíssimo em várias corretoras. Na Portfél para Cliente a gente consegue 0,3%, mas mesmo assim tem o IOF para quando você manda para investimento, que é 1,1%. Aí você bota de largada 1,4% para levar, quando você for trazer de volta é mais 1,4%, sendo que aqui você pode comprar, por exemplo, o GPUS11, a taxa vai ser 0,2% alguma coisinha, então vai ser maior, só que aqui você já perdeu 1,4% de cara, e aqui ao longo do tempo que você vai pagando.

Então aqui vai ser mais eficiente durante um período de talvez uns 5, 6 anos, até que lá fora fique mais eficiente. E às vezes você não quer deixar o dinheiro 10 anos lá fora. Você quer simplesmente comprar, ficar um tempo e depois tirar, porque você vai comprar uma casa, vai ter outro objetivo. Então ter a opção de você poder se expor localmente aos índices internacionais, como o World Jones, por exemplo, que a Investo também tem, é muito interessante, né?

E o argumento principal dele é, cara, não tenta montar uma carteira com stock picking, vai lá e compra o mercado todo e espera.

FAFelipe Arrais

E até brinca, né? Não procure agulha no palheiro, compre o palheiro. Ele faz essa analogia.

MPMalu Perini

Ele tem uma Ótima analogia.

JWJessica Weigand

Ele tem um dos maiores fundos, né, que fundos de ETFs, e um fundo dele famoso é o VO, que é um dos fundos mais negociados na bolsa americana. A média de negociação fica em 6 bilhões de dólares por dia, a média de negociação desse ETF, que é da Vanguard. Então é bem interessante. E eu queria puxar esse, esse ponto que o Bruno falou desse custo em relação ao spread e a dolarização. Até puxar um pouquinho de sardinha pro meu lado, que gosto muito da parte internacional e prego muito a dolarização do patrimônio, principalmente pra alta renda, é a busca de sair da jurisdição brasileira, porque aqui a gente tem uma questão de jurisdição.

Então, empresários que eventualmente venham ter algum tipo de bloqueio judicial em suas contas, a conta lá fora ela não é bloqueada, a não ser que você seja procurado pela Interpol. Então essa questão da dolarização, às vezes para o empresário, principalmente para o empresário, é uma proteção do patrimônio. Ele dolariza, sai da jurisdição brasileira. Claro que vai ter um custo ali de câmbio, de spread, mas é uma proteção patrimonial.

Então não é nenhum nem outro, né? Você usar o que tem dos dois mercados. Então a questão da proteção patrimonial é um ponto importante.

BPBruno Perini

Porque pensando que isso é um seguro, seguros tem um custo.

JWJessica Weigand

Exatamente.

BPBruno Perini

Mas tem um custo que você topa pagar para ter de fato algum tipo de proteção. Eu tenho exposição internacional tanto indireta, via mercado aqui pelo GPUS, quanto direta. Eu e a Malu, nós temos conta lá fora. Só que era mais eficiente antes, né? Era 0,38 IOF. Agora, talvez de maneira temporária, tipo um temporário que vai durar 100 anos, o governo costuma fazer, a gente tem esse IOF mais alto, né? Isso infelizmente dificultou as coisas, sendo que o IOF ele pode ser aumentado em uma canetada.

Então daqui a um tempo o governo pode falar, esse 1,1% para investimento não tá muito legal, a gente vai levar para 2%, para 3%, para 4%.

AGAlessandra Gontijo

Isso pode virar muito, né?

FAFelipe Arrais

A Jéssica atende clientes de alta renda e ia estar na portfólio, então cliente tá pagando 0,3%, não tá pagando 2,5%. Então aí já muda muito a conta no final. Se ele tá pagando 0,3% ao invés de 2,5% no spread, Poxa, talvez vai valer a pena o cara ir para lá pegar os produtos mais baratos, mas para pessoa física, pouco dinheiro, pagar 2,5% só no spread mais 1,1%, essa conta que eu falei, uns 10 a 15 anos para você diluir o custo.

Aí eu sou um pouco mais incisivo de fazer por aqui, mas para muita gente vai ser ótimo lá para fora, principalmente quem paga menos para mandar o dinheiro, né, que não é a realidade da maioria.

AGAlessandra Gontijo

E o nosso papel é melhorar não só o acesso, mas também essa eficiência tributária, né. O GPU-S que o Bruno comentou é o nosso ETF que dá acesso ao S&P 500 via estrutura de UCITS, que traz esse benefício tributário para mesa, né? Então, se comparar com o principal ETF de S&P do mercado hoje, você já tem um impacto do retorno que ali, que é exatamente o que o Bogle fala, muitas vezes a gente ignora o efeito do custo ao longo do tempo, né?

Então parece pequeno hoje, mas ao longo dos próximos 10 anos, 20, 30 anos, Esse efeito é cada vez mais significativo. Então parte do nosso objetivo também é trazer cada vez mais produtos eficientes que tenham essa alocação ampla e que facilitem o acesso para que o investidor de alta renda tenha a opção de enviar ou não recursos para fora.

JWJessica Weigand

Sim, exatamente. Eu acho bom o mercado brasileiro estar evoluindo. Se a gente pegar e olhar o histórico, né, em 2020 a gente tinha 26 ETFs aproximadamente na bolsa. Agora a gente já tá próximo de 200. Então, o mercado de ETFs no Brasil, ele tá evoluindo e, claro, se espelhando muito nos mercados desenvolvidos, né? Porque quando a gente olha o mercado desenvolvido lá, e só pra vocês terem uma ideia, até pra quem tá nos assistindo, o quanto que é a movimentação do ETF mais movimentado na bolsa americana, né, que é o SPI, que é um dos maiores ETFs do mundo.

Diariamente ele movimenta 40 bilhões, 40 bilhões de dólares no dia. A nossa bolsa brasileira inteira ela movimenta em torno de 30 bi no dia. Então olha como o mercado lá desenvolveu de maneira muito drástica. Então assim, o Brasil tem se espelhado muito no movimento lá fora, que tem crescido muito, que é a questão dos ETFs. E eu acho que isso é uma evolução positiva, eu acho que tem muito a agregar, como eu falei, né, no início, sobre a questão de otimizar o portfólio do nosso cliente, trazer opções de ETF onde o cliente tem lá uma carteira de títulos públicos através dos ETFs, que ele não precisa ficar comprando título avulso, ele só vai lá realocando naquele próprio ETF. Então isso é uma eficiência muito grande.

BPBruno Perini

E na opinião de vocês, por que que o mercado brasileiro ficou tão para trás em em comparação ao mercado americano. Até aproveitando o número que a Jéssica trouxe, em 2020, que é ontem, todo mundo tem fresco na memória por causa da pandemia, 26 ETFs. Agora estamos em torno de 200. Então aumentou bastante, mas esse aumento não foi assim, né? Ele veio muito mais agora, com um monte de ETF sendo lançado recentemente. Enquanto lá fora, se você pega volume, o mercado de ETF já movimenta mais do que a gestão ativa, esses fundos mais caros com gestores tomando decisões.

Na visão de vocês, qual o motivo para esse distanciamento entre o nosso mercado em comparação ao mercado americano?

AGAlessandra Gontijo

Olha, eu acho que no primeiro momento, né, o que vem à cabeça é o desenvolvimento do mercado de capitais como um todo, né, um processo natural. Além disso, a gente tem alguns tipos de desafio no que diz respeito ao fomento do mercado de ETFs, não só em relação à possibilidade de ter vários produtos disponíveis na bolsa, mas como também no desafio da distribuição aqui no Brasil, né? O ETF aqui no Brasil em 2020, ele muitas vezes ele era tido como um produto de tesouraria para os grandes bancos, né?

Ou seja, um produto barato que facilita acesso e consequentemente interessante para fazer a gestão dos recursos proprietários, vamos colocar assim, né? Então o ETF ele é um fundo aberto, então ele não paga um rebate, né? Ele não paga um fee ali para quem tá distribuindo no final do dia. E a gente sabe também que grande parte da evolução do mercado financeiro se deu através do modelo transacional, né, principalmente ali com o boom das assessorias, agora o boom das consultorias.

A Portfél se posiciona ali como uma consultoria super consolidada, né, e é um grande cliente nosso, dos nossos ETFs, até quando tinha R$70 milhões ali sob gestão. Hoje são o quê, R$23 bi, se eu não me engano. 23 bi, né? É, cada, toda vez que eu venho aqui, são, sei lá, mais 3 bi. É, e olha que eu venho bastante aqui.

BPBruno Perini

Mas dito isso, tem que vir mais então para monetizar com mais frequência.

AGAlessandra Gontijo

Exato. Não, mas dito isso, é, quanto mais esses modelos crescem visando ali as alocações em produtos que sejam interessantes para o cliente, independentemente de custo associado para quem distribui, Mas o nosso mercado é facilitado, né? Mas existiu também, a gente, a Invest, ela foi criada em 2020, né? Mas operacionalmente a gente começou a rodar produtos em 2021. E naquela época todo mundo falava sobre ETF. A primeira pergunta que me faziam é: quanto você paga de rebate?

Eu falo: o fundo é aberto, não tem como bater. Ah, então não quero falar sobre isso. Mas por que que isso é interessante para mim? Mas não tem liquidez. Então os questionamentos também tem uma questão educacional de base, e não só do público investidor como também do mercado. Muitas vezes eu sento em reuniões com grandes players do mercado e a gente tem que desmistificar questões de spreads praticados, de liquidez, como é que é a atuação do formador de mercado.

Então existe um trabalho educacional não só de base como também um trabalho a ser feito dentro do mercado de capitais aqui no Brasil. Eu acho que a gente gosta de falar, né, que o Brasil tem um delay em relação ao desenvolvimento dos mercados desenvolvidos. Então, se foi o mercado que mais se desenvolveu nas principais economias do mundo, é uma questão de tempo aqui no Brasil. E cabe a nós, né, agentes desse mercado, acelerar isso.

Então, acho que cada vez mais o investidor brasileiro tá entendendo que nada supera o ETF no longo prazo.

BPBruno Perini

Ou seja, pegando os pontos que a Ali trouxe, né, aqui no Brasil a gente ainda é dominado pelo modelo de comissão, commission-based. É muito maior do que o modelo fee-based, que é o que a Portfél pratica. No fee-based é assim: você é o patrão, então você vai contratar a Jéssica, você vai pagar 1% e a Jéssica trabalha para você. Ah, mas tem comissão se pega um fundo que tá listado na plataforma da corretora. Essa comissão vai para onde?

Para você, não vai para Jéssica. Por isso a Jéssica ela vai olhar para esses fundos, pô, pode ter coisa interessante ali, sim, mas também tem todos os fundos abertos negociados em bolsa que dão zero comissão que ela vai olhar também. Ela não tem esse conflito de interesse. Já no modelo transacional, que é isso onde você recebe uma comissão profissional pelo produto que ele coloca na carteira do cliente, se tem um produto que ele paga comissão e um outro produto que não paga, pode ser que ele prefira, pode ser, não quer dizer que vai acontecer sempre, mas pode ser que ele prefira o produto que paga comissão porque aquele produto é melhor para ele, não necessariamente para o cliente.

Eu digo que pode ser porque nem sempre vai ser assim. Vai ter um profissional que, apesar da comissão, ele vai escolher o que é melhor para você. Inclusive, dando a César o que é de César, quando eu conheci a Jéssica, ela atendia, foi atender minha avó, tinha lá uma lista de, sei lá, 200 assessores do escritório dela. Eu falei, Jéssica, eu não quero que você entube um COE, né, na minha avó. Ela pegou, olha só esse ranking aqui, vê quem é o último do ranking em termos de retorno gerado né, sobre as indicações, retorno de comissão gerado, era ela, era lanterna do ranking.

FAFelipe Arrais

Bom, então ela não vai colocar proa, ela já investia em ETF visionário, do cliente, né, você tá fazendo o melhor trabalho. E a última, nunca ganhei um prêmio, mas esse é orgulho de não ter ganho.

BPBruno Perini

Esse, vai, vou te dar um troféu lanterna, sabia?

MPMalu Perini

Mas olha, fazendo um ponto aqui, porque ela era boa, no caso ela não se aproveitava de ninguém.

BPBruno Perini

Não tinha um modelo ainda da consultoria no Brasil praticamente. Quando veio a ter esse modelo, a Jéssica foi a segunda pessoa que eu chamei para o portfólio. Apresentei, falei, olha, isso aqui é a nossa empresa, vai ser assim, você quer vir? E ela pensou um dia e falou, pô, tô a fim de ir, né? Era só assim, outro escritório, e veio para cá por conta disso, viu? Que era um modelo que era melhor para o cliente. E aí, pegando esse ponto, já te passo a palavra ali, que eu sei que você quer completar.

Mas nesse modelo onde a comissão, né, ela não vai para o consultor, ela simplesmente volta para o cliente ou inexiste, aí os ETFs passaram a ter um outro olhar. O Bogle coloca uma frase no livro que eu acho maravilhosa, ele diz assim, ó: incrível como é difícil para um homem entender algo se ele receber uma pequena fortuna para não entender. Então você vai e mostra, olha, ETF é mais eficiente. Ah, tem um fundo de renda fixa que paga um rebate de meio por cento.

Pô, mas no fundo tem o come-cotas, aqui não tem isso. Comer cotas a cada 6 meses tira 15% do imposto, é um adiantamento do imposto de renda. Em 10 anos você pagou isso 20 vezes. No ETF, em 10 anos você não pagou imposto nenhuma vez. Aqui a taxa é, sei lá, 1%. No ETF a taxa vai ser 0,1%, 0,2%. Você mostra isso aqui é melhor para o cliente, é mais eficiente, vai dar mais retorno. Só que o cara, ele ganha comissão, às vezes ele não entende isso. Exato.

AGAlessandra Gontijo

Mas digo, o meu ponto é, eu tenho vários tipos de cliente, né? Tanto do modelo transacional quanto do modelo de FII fixo.

BPBruno Perini

Pode defender o modelo transacional?

AGAlessandra Gontijo

Deixa você defender. O modelo, você deixa? Tá. Então assim, o modelo transacional—

BPBruno Perini

Defender demais eu vou chamar a segurança aqui.

AGAlessandra Gontijo

Olha aqui, vai prejudicar o bi de vocês, meu próximo bi.

BPBruno Perini

Não, mas tô brincando.

AGAlessandra Gontijo

Não, mas assim, tem muita gente que faz um trabalho sério dentro do modelo transacional. E grande parte do meu desafio também é chegar nesses modelos e falar, deixa eu entender o que que importante para vocês. É renda variável, é alocação internacional, é renda fixa, é fazer, enfim, operações ali com PJ, PJ, empresas, né, gestão de caixa de empresas. Então, entendendo isso, eu consigo encaixar e achar os ângulos para os ETFs. Então, por exemplo, e aí quando esses clientes falam para mim, eu falo: por que que vocês não investem mais em ETFs?

Eles colocam muito a questão da barreira do cliente. O custo que ele enxerga. Então toda vez que ele vai sugerir eventualmente um FII fixo, o cliente também não quer enxergar esse custo. Então ele também tem um desafio em mostrar o valor do trabalho dele. Então é claro que isso é super importante, assim como qualquer outra profissão. Inclusive isso é um símbolo ali que diz para o seu cliente o quanto vale o seu trabalho, o seu tempo.

Mas existe também várias barreiras culturais ali de mentalidade, da mesma forma que o Bogle fala no livro. É isso, é curtoprazista, é a tendência, é oportunidade. Cada vez que você senta na mesa com umas pessoas e falam que ganharam tanto em determinados segmentos, aí o que que o cliente faz? Liga para essas pessoas que são os intermediários, seja no FII fixo ou no FII transacional, e querem saber a bola da vez. Então, quando a gente fala sobre filosofia de investimento, que é o grande motivo dele ter feito esse livro, que é o que ele diz, é mudar a cabeça, pensar em carregar essa posição e ter paciência, assim, acessar o mercado de forma ampla tendo paciência.

E como é que você explica isso para um cliente que é curto prazista? Então é um desafio também para o modelo tá se reinventando.

FAFelipe Arrais

Eu ia tocar nesse ponto, que tem a parte da culpa da distribuição, mas tem a parte da culpa do cliente também. A gente tá num país que, se voltar lá 2015, que o juro tava quase no mesmo patamar que tava aqui, você ganha 1% ao mês com certa tranquilidade, sem risco, você não tem nem motivo para olhar para coisas diferentes, sofisticadas. Acho que casa com a tua pergunta, porque que não desenvolveu tanto essas alternativas? Que acho que não precisava.

Você ganhava um dinheiro fácil e mima o investidor, ele começa a olhar agora para coisas sofisticadas. Pô, tô nessa defendendo ETF há bastante tempo, desde que a gente conversou, desde antes, desde 2018 que eu tô ali nessa pegada.

BPBruno Perini

Você defende antes de ser modinha?

FAFelipe Arrais

Antes de ser modinha, desde que tudo era mato.

AGAlessandra Gontijo

Ai, eu odeio ouvir isso.

FAFelipe Arrais

E eu sei como que é, até hoje na Finclass chega um assinante, muitas vezes a primeira pergunta o cara faz é: cadê NVIDIA, Microsoft para eu comprar? Então é chato para o cara falar: você vai comprar esse ETF baratinho, você vai ter disciplina, e em 15 anos, 20 anos, você vai estar rico. Não, eu quero agora porque eu vi que NVIDIA subiu 150%. Então às vezes é mais fácil para o assessor mostrar um fundo de ações globais que tem um resultado nos últimos 12 meses interessante para convencer o cliente, porque se ele mostrar o ETF, mesmo sabendo que é bom, às vezes o cliente não quer também.

Então tem uns dois lados. Tem a distribuição que muitas vezes quer mostrar o que tá mais no hype, porque vende mais fácil. Mas tem um lado às vezes do cliente que se oferece algo simples— eu falo que o ETF é o BBB, o bom, bonito e barato. Às vezes se oferece isso, o cara não quer. Ele quer o complexo, interessante, que é um bom papo para falar com os amigos no bar.

BPBruno Perini

Ele quer a cabeça do gestor tal.

FAFelipe Arrais

Exato, ele quer o gestor que fala difícil, complexo, enfim.

MPMalu Perini

Que a promessa de que vai render muito, que ele vai ficar rico amanhã. É isso.

BPBruno Perini

É, eu nem promessa, pode até ter um track record. Mas isso não é garantia de que ele vai ter um bom retorno. Acho que a gente pode entrar nesse ponto, né? Porque o Bogle, ele fala várias vezes no livro que o retorno dos investidores costuma ser menor do que o retorno de mercado.

FAFelipe Arrais

Isso é muito importante.

BPBruno Perini

Ele dá uns motivos para isso, que a pessoa sai, mas a própria pessoa fazendo besteira também. E aí tem um caso muito conhecido que é o do Peter Lynch. Tem livros muito interessantes, né? Alguns dos melhores que eu li sobre investimento. E o caso dele é emblemático porque o Peter Lynch, em 13 anos, ele conseguiu um retorno médio de 29,2% ao ano em dólar, né? Isso significa, exatamente, em dólar. Isso significa que se você desse $100 mil para ele, 3 anos depois ele devolvia algo como $2.800.000.

Aí todo mundo fala, cara, me mostra o Peter Lynch do Brasil, né? Arraiz, cadê o Peter Lynch para eu alocar no fundo dele? Mas o interessante é que o retorno dos investidores não foi o retorno do fundo. A maior parte nem ganhou dinheiro, eles perderam dinheiro. Por quê? Porque o cara entrava no fundo do Peter Lynch quando ele tava na capa da revista de bracinho cruzado, como gestor que rendeu 40% no ano. Então o cara entrava no fundo no topo, no outro ano retorno às médias, né, ele tendia a ter um desempenho menor, o cara saía.

Então ele comprava na alta e vendia na baixa. O que é curioso, o cara fala: não vou comprar ação não, porque eu vou comprar na alta e vender na baixa, vou comprar fundos. E faz a mesma coisa, exatamente. O que pode vir a acontecer com ETF também. Então por isso que o Bogle fala, cara, compra o mercado, para, fica quieto, entendeu? Faz mais nada, é só você comprar o mercado e esperar. Tudo bem que o mercado que ele botou é o mais vencedor de todos, né, que é o mercado americano. Vai fazer isso na Venezuela para ver se vai ter dado certo.

AGAlessandra Gontijo

Mas isso é interessante, a gente tem um ETF de semicondutores, por exemplo, que ele foi o ETF mais rentável da B3 nos últimos 12 meses. Aí saiu em todos os veículos, etc. Nunca captou tanto. E aí, porque tá lá no topo, tá no topo. E aí quando pergunta, eu falo, tudo bem, mas tem aqui Terras Raras também, tem outros segmentos, tem, a gente pode diversificar, né? Mas nunca captou tanto. E a gente até fica, né, se policiando ali na parte do marketing, que a gente enxerga como um veículo também de distribuição, principalmente hoje em dia que todo mundo tem acesso, de não chancelar esse tipo de comportamento de ficar no topo, compre agora, ou alguma coisa do tipo que dê a entender isso, sabe?

Então é uma preocupação, mas esse fator comportamental é um desafio para gente que tá desse lado. Você fala eficiência tributária, all-time high ali, o ativo no topo, e você fala distribuição de dividendos, esquece. Aí o seu engajamento tá lá em cima, aí você fala, caramba, exatamente, como é que, qual vai ser o meu desafio desafio aqui, né, de estar propagando uma mensagem que de fato gere valor ali para o cliente ao longo dos anos e criando demanda, né.

JWJessica Weigand

E a questão também do mercado, por que que o Brasil não se desenvolveu tanto nos ETFs, além da mentalidade que é— o investidor até tem um pouco de razão de pensar no curto prazo pela volatilidade do nosso mercado, né, um mercado extremamente instável, imprevisível. Então o investidor ele não consegue se planejar para muito longo prazo, então acaba que ele fica nessa incerteza. Mas o outro ponto também, Ale, me corrija se eu tiver errada, é o custo para você colocar um ativo em bolsa, a burocracia, muito mais burocrático.

Você vê pelo número de empresas listadas na B3, né? Se a gente pegar os Estados Unidos, mais de 5 mil empresas. Se a gente pegar a bolsa brasileira, é 400 e poucas empresas. Então o custo, e reduzindo, então o custo hoje para você tá na bolsa é elevado na bolsa brasileira. Lá o custo é muito menor. E a burocracia também é menor.

AGAlessandra Gontijo

É um ponto relevante para o empresário, né? Na época que a gente fazia abertura de capital das empresas, você tinha que mudar toda uma estrutura, contratar pessoas de relacionamento com os investidores, ter um outro nível de governança. Então você também tem um desincentivo, né, em termos de modus operandi, de construção de modelo de negócio, que você tem que mudar sua empresa como um todo para ela passar a ser listada. Então é um desafio.

Talvez se tivesse uma descomplicação regulação, né, nesse sentido como é lá fora, com certeza a gente teria mais empresas interessadas em abrir.

JWJessica Weigand

Você vê bancos brasileiros listados lá fora justamente porque não ter essa burocracia e esse custo elevado.

BPBruno Perini

Algumas das maiores empresas do segmento financeiro, XP, por exemplo, Nubank, fizeram IPO lá fora, ou Inter, que fez aqui mas depois saiu, justamente porque há vantagens e também tem todo olhar internacional que o nosso mercado não recebe. Quando recebe é como você disse, Vou comprar Brasil, cara. Petrobras, Vale, Banco do Brasil. Banco do Brasil tá horrível o resultado, mas vai subir porque tem dinheiro gringo entrando, entendeu?

FAFelipe Arrais

A gente vai ter que listar o Grupo Primo lá em Nasdaq. Acho que vai ser o caminho para frente.

MPMalu Perini

Vamos ver.

BPBruno Perini

Eu sempre falo que eu não faço uma IPO a não ser que me paguem 30 vezes EBITDA. Aí eu abro o capital. Então pagarem bem, eu abro. Do contrário, fica privado mesmo. É muita coisa, 30 vezes o teu resultado de um ano. É uma máquina do tempo, né? Você Você está 30 anos de resultado para o momento presente, é muito bom. E acho que esse é um ponto também, o nosso mercado ele não cresce muito porque ele é muito volátil, né, cara? O juro tá em 2%, depois vai para 15%, né? Aí quando cai para 10%, já parece que caiu muito, aí volta a subir de novo.

JWJessica Weigand

O cara pensa, por que que eu vou ficar na bolsa se a taxa livre de risco tá 15%? Aí o cara sai, vai para renda fixa, aí quando a maré baixa ele volta para bolsa. Então essa instabilidade econômica que o mercado emergente traz, ela traz esse comportamento de curto prazo. Então esse é um desafio também que o nosso mercado encontra para não expandir ainda mais o mercado de ETFs. Acho que essa mentalidade mesmo do investidor e também do investidor que quer ficar toda hora batendo o mercado achando que ele é o gestor, né?

Então ficar comprando mil empresas ali achando que ele vai conseguir superar o mercado o tempo todo. Então tem essa, essas dificuldades no meio do caminho.

BPBruno Perini

Não, tem até um ponto muito bom que você citou, que vocês falaram no começo, anotei aqui, acabei esquecendo de comentar. Porque sempre que eu faço uma turma do Viver de Renda, tem um bônus para os 3 primeiros a se inscreverem, ou a gente faz um sorteio entre os 100 primeiros, variou um pouco, mas 3 pessoas podem ter acesso numa reunião pessoal comigo. Isso costuma acontecer aqui no grupo, pessoal raramente quer usar essa reunião online, eles vêm aqui para conhecer a empresa, né?

Eu mostro tudo e quase sempre as pessoas acabam falando um pouco de investimento, embora o maior assunto não costume ser esse, tá muito mais voltado para empreendedorismo. Mas o pessoal abre a carteira e a pessoa viu o curso, viu a minha opinião sobre o que seria uma carteira assim realmente adequada em termos de tamanho de ativos, e às vezes tá lá o cara com 50 ações. Eu falo, por que que você não pega um ETF? Ah, não gosto de ETF. Mas você tem um ETF, tem empresas, o retorno vai ser o retorno de mercado.

FAFelipe Arrais

Compra mais 5 que fechou Ibovespa, né, cara?

BPBruno Perini

Então você já tem ETF, só que com mais trabalho e mais caro também. Exato. Então valeria muito mais a pena você simplesmente pegar um único ativo. Aí o cara pensa, mas não tô pagando corretagem, mas só de emolumento já pagou mais. Então vale a pena você ter um só, né? Isso acontece para caramba. Uma vez eu tive uma reunião, esse não era aluno, né, mas ele tinha feito outros cursos de educação financeira, acabou virando cliente da Portfél. E o cara, ele tinha 60 ações diferentes.

FAFelipe Arrais

Meu Deus!

BPBruno Perini

Porque toda empresa que ele comprava, ele fala, não vou vender, porque vai no rumo eterno, entendeu? Ele tinha 60 empresas. Qual é a chance daquele indivíduo conseguir acompanhar os resultados de 60 empresas para saber se tem que comprar mais ou menos? Ele não consegue. Então eu falei, cara, na Portfél vão te orientar, né? Você vai ser atendido por um consultor. Mas o ponto é que não tem sentido nenhum você fazer isso. Compra uma cota de ETF, é muito mais fácil e vai ter um retorno melhor do que isso aí que você tá tendo, né?

JWJessica Weigand

Por exemplo, no mês passado eu peguei um cliente que tava com 40 empresas na carteira. Aí eu perguntei: qual é o objetivo dessas 40 empresas na sua carteira? O que que você tá pensando? Qual a expectativa?

BPBruno Perini

As 40 melhores.

JWJessica Weigand

Daí ele falou: são as 40 maiores pagadoras de dividendos. Eu falei: por que você não comprou o DIVO 11, que tem as 50 maiores empresas da bolsa e as maiores pagadoras de dividendos? Por que que você foi pulverizar de várias empresas da tua carteira? Você podia com custo muito menor comprar o único ativo e ter a exposição às empresas maiores pagadoras de dividendos.

BPBruno Perini

Mas cadê a emoção?

AGAlessandra Gontijo

A gente tem um ETF de empresas maiores pagadoras de dividendos, um que distribui dividendo e outro que reinveste. Então tem opção.

JWJessica Weigand

E é isso, isso é um ponto também do que a Lia falou, do de reinvestir automaticamente. Lá fora a gente não tem muito isso, mas aqui no Brasil ainda o ETF reinveste automaticamente os dividendos. É, lá fora é um pouco diferente, mas tem na Irlanda.

FAFelipe Arrais

Nos Estados Unidos não, o ETF vai distribuir.

JWJessica Weigand

O ETF nos Estados Unidos é obrigado a distribuir os dividendos, não tem como reinvestir automaticamente, mas na Irlanda ele já faz essa reinveste automático. Mas já tem essa vantagem de você conseguir reinvestir, porque imagina só, caiu um dividendo na conta, o cara vai querer investir naquele papel de novo. Olha o custo de corretagem, tabela Bovespa.

BPBruno Perini

Não, sem falar que ele faz isso na mesma hora também.

FAFelipe Arrais

É, às vezes deixa fora do mercado por 2 semanas até comprar de novo.

BPBruno Perini

E aí quem tá ganhando esse dinheiro é corretora com floating, entendeu? Mas um ponto que eu queria saber a sua visão ali, aproveitando que vocês têm às vezes no mesmo índice um ETF que ele, como acontece com o BEST, né, tem um que é de acumulação, o dividendo cai no ETF para comprar mais empresas, e o outro que distribui para os clientes. Qual costuma ser o favorito dos clientes?

AGAlessandra Gontijo

Depende do cliente. Quando a gente fala de varejo, é o que distribui dividendos.

FAFelipe Arrais

Se eu tivesse que chutar, eu chutaria isso.

AGAlessandra Gontijo

É, eu também acho que quando a gente fala de um cliente mais sofisticado, seja do varejo, um cliente enfim de alta renda que tá preocupado com o custo dessa distribuição, ou um cliente institucional, aí com certeza é o ETF de acumulação. Mas assim, é um desafio para gente. A gente demorou a lançar o primeiro ETF que distribui dividendos, inclusive porque a gente queria colocar na cabeça dos os nossos investidores, que é super interessante você ter o reinvestimento dos dividendos, que o efeito disso no longo prazo tem um retorno absurdo na sua conta. Não, mas eles falavam, Malu, eu quero pinga-pinga.

BPBruno Perini

Ele quer o pinga-pinga, aí paga imposto, porque esse é o ponto do ETF que distribui dividendo, né? Que nem a empresa que vai distribuir, você não paga imposto antes da mudança de tributação. Quando você distribui, tem 15% de imposto.

AGAlessandra Gontijo

Imposto.

BPBruno Perini

E aí o cara, ele pega esse dinheiro, ele faz o quê? Compra mais cotas. Então era melhor ele comprar aquele que faz acumulação de maneira automática. Mas eu sabia que a pessoa física no geral ia preferir.

AGAlessandra Gontijo

Assim, eu gosto de pensar, exatamente, eu gosto de pensar que eles sempre vão querer alguma coisa que não tem. Então você falar esse daqui, tanto que a gente lançou o mesmo ETF que é o BEST11 e o Better11, não à toa a gente colocou esse ticker, né? Assim, Que é realmente melhor a parte de reinvestir dividendos, mas tem para todos os gostos. Então a gente também fica tentando entender que independente de gosto, de timing de mercado, de oportunidade— ah, juros tá muito alto, beleza, tem um ETF de renda fixa aqui que você consegue trabalhar super bem.

Ah, bolsa tá explodindo aqui no Brasil, tem os ETFs de renda variável aqui no Brasil. Então hoje um cliente não precisa ter, sei lá, mais de 8 ETFs na carteira dele para ter uma diversificação ali super interessante. Há diferentes economias, há diferentes setores, diferentes moedas. Então assim, a gente gosta muito de levantar essa bandeira, mas a verdade é que tem um fator comportamental que a gente também tem que entender como jogar o jogo da melhor forma possível.

BPBruno Perini

Eu acho que tem um fator quociente de inteligência também, que aí aqui no nosso mercado eu não posso falar isso porque é o seu cliente. De vez em quando as pessoas têm que falar a verdade na cara dos outros, porque isso muda o caminho que a pessoa quer tomar, né? Eu lembro que lá atrás, quando a Malu ela começou o canal dela no YouTube, ela falava de alimentação low carb, tinha receitas no canal também. Ela explodiu muito rápido durante um tempo no YouTube.

Você buscava low carb, o primeiro canal era o da Malu. Ela saiu de 0 para 100 inscritos em questão de 6 meses, depois continua crescendo. E muita gente ia lá e falava, pô, que legal, né? Faz nutrição para eu poder passar com você no consultório. E a Malu nunca quis fazer nutrição. Ela tinha acabado de fazer ciência política, que eu chamo sempre carinhosamente ciência soviética, porque vê só um lado da política. Mas ela tinha acabado de passar pela faculdade, ela falou: não quero fazer outra faculdade.

Em determinado momento, eu tava no exército ainda, eu falei: se você não fará faculdade, eu farei. Eu faço nutrição para dar conta dessa demanda que está surgindo. E a Malu, de uma maneira muito cândida, como é o perfil dela, virou para mim e falou: Você é burro, porque a gente já tava quase com 1 milhão acumulado. Eu tinha o meu site, o Você Mais Rico, tava juntando Bitcoin por conta do site. O Thiago Negro já tinha uns 200 mil inscritos.

Eu tava de olho nele e falei, pô, se esse cara consegue, talvez eu consiga também. E eu queria mudar todo o plano porque eu falei, não, vou fazer nutrição aqui, talvez seja bom para pegar meu pica-pica. Era tipo, 4 anos depois eu ia poder atender as pessoas que estavam no canal dela, né? E ela, de maneira assim, ó, direta, ela falou: você é burro, não é para fazer isso. Então, para você que não tá vivendo de renda, que tá pegando o dividendo do ETF, tá reinvestindo, você é burro.

Você tem que pegar o ETF de acumulação, porque aí você não vai estar dando dinheiro para o governo.

MPMalu Perini

Foi tipo isso: vamos pegar o caminho da acumulação e não do pinga-pinga.

FAFelipe Arrais

Isso acontece na FinClass. A gente tem duas carteiras: a carteira de renda, você é burro, com essas palavras.

AGAlessandra Gontijo

A história fica mais legal assim.

BPBruno Perini

Ela sabia que isso mexia comigo.

JWJessica Weigand

Ficou magoada.

BPBruno Perini

Caramba, né? Ficou no âmago. Eu lembro disso até hoje.

MPMalu Perini

Foi 2016. Amor, não foi bom. Não foi.

FAFelipe Arrais

Quem bate esquece, né?

JWJessica Weigand

Dia e hora, Bruno. Dia e hora.

MPMalu Perini

Amor, eu lembro da conversa, porque a gente tem alguns momentos marcantes na vida. A gente tava no trânsito e aí eu falei, isso aqui é a mesma coisa que você tá toda hora trocando de caminho. Eu falei, é a mesma coisa. A gente A gente tem já o nosso caminho certo. Eu falei, a gente tá na Via Expressa, você tá parando a cada esquina perguntando onde é. A gente já sabe onde é. Eu lembro de eu falar isso para você.

BPBruno Perini

Foi, mas é porque a primeira pergunta foi, você é burro?

MPMalu Perini

Depois eu falei isso.

BPBruno Perini

E não foi assim, você é burra, é, você é burro.

AGAlessandra Gontijo

Foi bem entonação, foi uma flechada.

MPMalu Perini

Mas deu certo, né? Aqui estamos.

BPBruno Perini

Deu certo.

AGAlessandra Gontijo

Diga aí.

FAFelipe Arrais

Hoje seria um dos nutricionistas, talvez. Uma coisa diferente. Mas eu queria falar desse assunto. A gente tem duas carteiras na FinClass, a de valorização e a de renda. E a gente percebe que tem muita gente seguindo a carteira de renda, pegando os dividendos e reinvestindo. Fala, poxa, então é que você tá querendo crescer patrimônio. E se você está querendo crescer patrimônio, tem uma outra que se chama carteira de valorização, que é mais apropriada.

Mas eu sinto que o dividendo dá um conforto psicológico para pessoa de sentir que ele tá tendo algum retorno no curto prazo, né? E isso Eu até entendo essa parte motivacional, que se a pessoa falar, poxa, isso me dá vontade de continuar porque eu vejo esse pinga-pinga e me deixa feliz, tudo bem. Aí eu vou entender, mas eu tenho que fazer meu papel de profissional de explicar que vai provavelmente sobrar menos dinheiro para você lá na frente, porque tem uma outra estratégia mais apropriada.

Aí vai de cada um. Se a pessoa acha que é importante para ela sentir motivado pinga-pinga, perfeito. Mas entenda o trade-off disso. Acho que a minha provocação é essa.

BPBruno Perini

Não, eu concordo com você. Se o pinga-pinga não tiver imposto Ótimo. Mas agora, tendo imposto na cabeça, aí realmente você tá sendo burro. Esse é o ponto.

FAFelipe Arrais

Tá bom, é por aí.

MPMalu Perini

Não, tá bom.

JWJessica Weigand

Eu concordo.

BPBruno Perini

E vocês não acham que talvez a gente esteja meio que desvirtuando o que o Bogle falou no livro? Porque, por exemplo, se a pessoa quiser comprar o mercado pensando no mundo todo, é o World Jones. Mas agora a gente fala, pô, não precisa fazer stock picking de ação não. Faça stock picking de ETF. Você acha que o urânio vai subir? Tem o de urânio. Você acha que vai ser terra rara? Tem a terra rara. Semicondutores? Tem aqui. Ou qualquer outra temática. Você não acha que isso acaba acontecendo, Alden?

AGAlessandra Gontijo

É, e no livro ele critica muito o mercado americano, né? Que é um mercado em que você tem estruturas alavancadas de ETFs. Hoje no Brasil ainda não é permitido. Tem ETFs ativos, o que no Brasil ainda tá num processo, mas ainda não é permitido.

BPBruno Perini

Eu vi que acabou de permitir, sabia?

AGAlessandra Gontijo

Acabou de permitir, então foi, sei lá, já poderia lançar.

BPBruno Perini

Foi isso, não foi?

FAFelipe Arrais

É, na última semana do ETF B3, o presidente da CVM, ele manifestou o interesse de fazer isso mais cedo possível.

BPBruno Perini

Então ele só manifestou.

FAFelipe Arrais

É, mas agora mais recente pode ter acontecido. Esse evento que eu tô falando foi no finalzinho do ano passado, então pode ser que já tenha aprovado.

BPBruno Perini

Era intenção dele, recentemente alguma coisa, então pode ser que tenha andado.

FAFelipe Arrais

Era intenção dele, ele manifestou que a vontade dele é que o mercado brasileiro tivesse a mesma capacidade do norte-americano. ETF short, ETF alavancado, ETF ativo. Mas a gente sabe que a CVM tá com problema de braço, né? Não tá tendo colaboradores suficientes para tocar as demandas que eles têm. E aí acaba perdendo prioridade. Tá com muita demanda de ofertar ETF, para listar um ETF novo, dar uma boa ação.

AGAlessandra Gontijo

Por isso que tem que ter uma concorrência ali para acelerar o processo. Mas assim, ao mesmo tempo, você tem sim de certa forma um distanciamento quando você enxerga o ETF como uma ferramenta para fazer um stock picking, né? É óbvio que você pode ter uma alocação core-satélite, né? Por exemplo, você pode ter a alocação core no World 11, que é uma alocação ampla, alocação neutra que a gente fala, que dá acesso a diversos países, diversas economias, como bem BOGO, tá?

E você pode ter alocação satélite que pode ser tático eventualmente. Ah, eu quero me expor ao segmento de terras raras nesse momento. E qual o percentual do seu portfólio que você vai colocar que vai determinar se o seu comportamento vai ser bom ou não no longo prazo, né? Se você coloca aquele percentual que, ok, você tá ok em ter um pouquinho mais de volatilidade, talvez faça sentido. E aí vai mudar de acordo com o perfil dos investidores.

Mas é óbvio que se, né, um assessor ou um consultor provocar os seus respectivos clientes para começar a fazer um stock picking ali de ETFs, você vai ter uma problemática. E inclusive é parte da crítica do livro, né, que lá fora esses ETFs alavancados tiram essa filosofia de investimento de você acessar um mercado de ações de uma forma ampla, diversificada, com menor custo possível, que isso que vai te gerar retorno do investimento no longo prazo, e tirando esse fator especulativo, né.

Porque o fator especulativo, no final do dia, o que ele traz ali ao longo dos anos, o retorno é muito pequeno. Então essa geração de alfa em determinadas janelas, né, que foi o que você falou no início.

FAFelipe Arrais

Ele até mencionou o estudo que a gente roda sempre, já apresentamos aqui no board, aquele estudo que fala que a alocação estrutural ela responde por mais de 90% dos retornos. Então o retorno que você gera com timing, com esse pique em específico, ele é a menor parte, mas é o que toma mais sua energia, que tira mais você do sério. Deixa você mais estressado. Então não vale a pena você gastar energia com isso. Mas o Bogle, ele é bastante crítico até mesmo em relação a ETFs setoriais, ETFs de temas.

JWJessica Weigand

Eu concordo com ele nessa parte setorial. Eu particularmente não gosto muito também. Então, por exemplo, ETFs, sei lá, focado em cannabis é algo que eu não vejo muito sentido. Então ele critica muito os setoriais e eu concordo. Acho que não faz muito sentido para o investidor pessoa física. E sobre essa questão de ficar, né, fazendo, comprando e vendendo, o maior movimento dos ETFs que fazem isso de ficar é mais institucional lá fora, não é tanto a pessoa física, por uma questão de mentalidade.

Lá fora o mercado é muito mais evoluído. Então a questão do Brasil é uma preocupação, né, de ficar fazendo esse tipo de movimento.

AGAlessandra Gontijo

E falando institucional, nos Estados Unidos, né, a gente tá falando, ah, de ETF, diversificação, pessoas físicas acessando lá fora, os fundos de pensão investem em estratégias indexadas passivas, né, ou seja, em ETFs. Então não é uma coisa que, ah, vou falar para o investidor mediano. Não, é todos os investidores, inclusive os sofisticados, e volume de grandezas super expressivas. E aí tem um ponto no ETF setorial, é, por exemplo, a gente tem alguns setoriais, né, tem ETF de utility, utilities, tem ETF de empresas boas pagadoras de dividendos, tem ETFs de diferentes segmentos, mas é para facilitar o acesso e não para ser uma alocação estrutural.

Se me perguntar, eu posso comprar um ETF de utilities e só ter isso no meu portfólio? Óbvio que não cabe a gente recomendar, a gente vai falar, fala com seu consultor da Portfél, mas é parte do trabalho também é facilitar acesso. Caso o cliente queira ter acesso a essas empresas boas pagadoras de dividendos, ele tem um barato, fácil, descomplicado, acessível, e que vai tornar essa alocação mais eficiente uma vez que ele tem a demanda.

Então do lado de cá a gente pensa o seguinte: queremos ser uma boutique dos ETFs e fornecer uma alocação ampla, mas ao mesmo tempo diversa, para que vocês consigam construir a carteira de vocês só utilizando ETFs da Investa. Tanto que o nosso ETF global é o maior ETF de economia global da B3 hoje, tem mais de R$1,4 400 de patrimônio. Então ETF super relevante, mais de 50 mil investidores acessam esse produto. Então se me perguntar, queria começar por um ETF, né, vira e mexe alguns amigos perguntam, eu falo compra o World 11 e deixa lá.

JWJessica Weigand

ETF amplo não tem erro.

FAFelipe Arrais

É isso, para mim esse tem que ser a posição core, é meio Boglehead mesmo que o Bogle defende. Compre o mercado, espere, tenha disciplina. E se você for diferenciar um pouco do que a Lê falou, você mantém o seu World 11, que seja um VT lá fora como núcleo, e você coloca posições satélites pequenas. Acho que o exemplo que você deu de cannabis é um bom exemplo para contar para a galera. Lá na última eleição que disputou Biden e Trump, teve umas— era Biden e Hillary, não lembro, não lembro, não lembro.

Mas quando era o Biden participando, houve uma expectativa que, caso, em caso de vitória dele, a gente teria um avanço da descriminalização até legalização em estados como Nova York. Isso traria muito fluxo para as empresas, enfim. E aí ficou um hype, essas empresas de cannabis, elas estavam ali operando quase 100 vezes lucro em média, e todo mundo com essa expectativa. Não se confirmou a expectativa, inclusive a legislação regrediu em alguns pontos.

E num setor que a maior parte das empresas são small caps e mid caps, você tem um ETF que derreteu 80% ali em pouco tempo. Então o ETF setorial, ele tem que ser visto também como um artifício da gestão ativa. Porque você tem que fazer uma análise. Eu acho que traz menos risco do que o stock picking, que além de correr o risco do setor, eu vou correr o risco da empresa específica. Então, se eu tenho uma visão para aquele segmento, acho que o ETF te diversifica um pouco, mas ele ainda exige análise.

Você tem que ter uma boa expectativa de crescimento daquele setor, crescimento de lucros, entender o tamanho das empresas daquele segmento, porque é tudo concentrado. Se acontece algum revés na tese, caem todas as empresas juntas, que foi o que aconteceu com esse bendito ETF de cannabis, o MJ lá fora, por exemplo.

BPBruno Perini

2, né?

FAFelipe Arrais

Tinha um YOLO e tinha esse outro, e tinha o MJ de marijuana, e derreteu.

JWJessica Weigand

Mas tem muita gente que tem, por conta da queda não saiu até hoje, tá esperando voltar, caiu mais de 80% e tá segurando a posição.

BPBruno Perini

Não vai voltar, é só subir 400%.

FAFelipe Arrais

Aí tá segurando, daqui a pouco esquece que comprou esse.

JWJessica Weigand

Essa parte boa, daqui a pouco Daqui a pouco eles esquecem, mas é pouco representativo nas carteiras.

BPBruno Perini

Então que bom que eu deixo, eu deixo lá até a minha visão sobre setoriais, né? Eu fiz a pergunta, mas eu gosto que eles existam, com certeza. Você citou o de utilities, pô, acho maravilhoso, porque o pessoal que tem empresa quer sempre manter os clientes, né, por mais tempo, evitar o churn. A gente tem essa cabeça aqui nas plataformas de assinatura, e eu não conheço um serviço que tem mais fidelidade de cliente do que conta de luz e água.

Todo mundo fala, nossa, cobrar recorrência é muito melhor, né? A cabeça do mercado hoje em dia quer mais recorrência do que pagar conta mensal. Não conheço uma pessoa que experimentou água encanada e saneamento básico e falou, isso aqui é besteira, eu vou pegar água no rio e fazer um coco na vala ali. Não vai acontecer.

FAFelipe Arrais

Muito mais previsível receita dessas empresas. Chamam de bond proxies, né? Como se fosse uma renda fixa no formato de ação.

BPBruno Perini

Então você poder filtrar e pegar essas empresas, acho muito bom. Ou essas teses, né? Eu quero pegar alguma coisa, ver cunhar. Você não sabe qual vai ser a empresa vencedora. A coisa é de um ano todo mundo falava só do ChatGPT, agora quem usa GPT é o vovô da IA, porque todo mundo só quer saber do Claude. E qual vai ser a empresa do outro ano? Então, ao invés de fazer um picking numa empresa específica, imaginando que elas estivessem listadas em bolsa, não estão ainda, né?

É melhor que você consiga uma carteira, porque você não sabe quem vai ser o vencedor. Novamente citando Bogle, né? Procurar agulha no palheiro. É melhor você comprar o palheiro inteiro. Você tem confiança em um certo setor, né, pô, vai ter muito mais demanda por urânio, por exemplo, já que a gente precisa de cada vez mais energia. Ao invés de pegar uma empresa específica, você pode pegar um ETF onde você vai ter várias empresas.

Umas vão subir mais, outras vão subir menos, algumas podem quebrar porque fizeram alguma besteira. Então você não corre risco de pegar simplesmente aquela que quebrou, você vai estar melhor posicionado para isso. Mas eu concordo absolutamente que alocação estrutural tem que mandar e tem que ser um negócio muito mais neutro em termos de exposição, né.

AGAlessandra Gontijo

Inclusive a gente tem um de urânio, né? Então, Nucleonze, ele tá na nossa carteira.

FAFelipe Arrais

Inclusive assim, não, não foi combinado, né? Mas a carteira Finclass hoje ela majoritariamente ETFs da Investo, porque eu falo isso alto não, tem esse produto atrás de você. Não, mas eu falo com a concorrência também e mudo se fizer melhor, viu? Não tem problema.

AGAlessandra Gontijo

Mas mantém a régua alta.

FAFelipe Arrais

É, mas isso foi assim, a Investo sempre ofereceu produtos que não existiam antes. Eu lembro que lá atrás, em contato com Cauê, que é o CEO fundador da Investo, eu falava, não tem um ETF de renda Epson americana de alta qualidade, não tem aqui. E pô, vamos ver então, tem demanda. Ele foi pesquisando, a gente escuta muito, e lançaram um ETF. Pô, eles lançaram o que eu precisava de ferramenta. Então a Investo foi, por coincidência ou não, entregando as peças que faltavam no meu tabuleiro, que eu queria dar uma exposição para o meu assinante.

Não tinha só um produto ali que dá exposição ao mercado global, que era o AQI11. Aí tem o World 11, que tem uma taxa de administração agregada menor. Então foi essa preferência. Então, e é mais amplo do que o África, porque ele vai até small caps inclusive. Então, pô, para mim foi ótimo. Eu consegui montar uma carteira simples com 5, 6 ativos, mega diversificada entre várias geografias, classes de ativos, com custo baixo, e monta daqui mesmo do Brasil.

Você quer investir direto lá fora, dou o caminho também. Lá fora é o VT, é o VNQ, dou os nomezinhos, mas a Investor ofereceu essas ferramentas.

AGAlessandra Gontijo

Obviamente a gente também dá o caminho, tá? Quando alguém quer investir diretamente lá fora, a gente fala do ativo-alvo, que o objetivo aqui é fomentar mercado. E eu acho muito interessante essa colocação, porque no final do dia, na distribuição, na área de crescimento da companhia, a gente acha muito importante ouvir o cliente, seja o cliente pequeno, cliente institucional, o cliente que é analista de research. A gente consolida todas essas opiniões.

É claro que a gente não vai lançar de acordo com as demandas pontuais, mas depois que a gente escuta, né, poxa, faz sentido de uma pessoa estratégica que tá entendendo qual é a demanda do mercado, a gente tem o maior prazer de estar ofertando o melhor ETF possível. Então não faremos também leilão de taxa, porque todo ETF super bem-sucedido que a gente lança vão ter cópias, naturalmente faz parte da evolução do mercado, com taxas menores.

Acho super importante a gente entender também que parte do valor agregado não vão ser 3 pips no ano que vai mudar ali o retorno de um ativo, né? Você já tem um volume de negociação super interessante. Nosso maior ETF de renda fixa é o LFTB11, né, que inclusive vocês são clientes também. O Arraes também já faz cobertura. E é um ETF que ele é 0,19% ao ano, sem IOF, sem come-cotas, IR de 15%, independentemente do prazo de resgate.

Então a gente não tá preocupado se o 0,19% é melhor do que o 0,16% porque não vai ser o nosso core do que a gente entrega, não é isso, né? A gente só pensa em ETF, dorme acordando, dorme e acorda pensando em ETF. E parte do nosso trabalho entender quais são os ângulos que a gente consegue estar oferecendo novos produtos. O de utilities, por exemplo, que são empresas com receita recorrente, como vocês mesmos colocaram, ele é um ETF que nos últimos 20 anos nenhum índice da bolsa e nenhuma ação e nenhum fundo, nenhum FIA, nenhum fundo disponível no mercado superou esse ETF, esse índice, ao longo dos últimos 20 anos.

Então ele entrega muito valor. Então muitas vezes fala, ah, BOVA é ruim, mas você tá olhando os ETFs que dão acesso a Brasil de uma forma eficiente? Porque também, se a gente não tiver um movimento que olhe cada vez mais para isso, todo mundo vai continuar investindo no primeiro e vai naturalmente fazendo os heads necessários devido às concentrações desse índice. Então é óbvio que a evolução do mercado leva isso, mas é uma combinação de fatores, né?

O último que a gente lançou, por exemplo, foi uma demanda dos nossos clientes e o pessoal pede. E a gente, esse último de terras raras, que é o Rara 11, na verdade o último que a gente lançou, terras raras da Invest, virou piada lá internamente. Eu fiz o vídeo de lançamento e vocês são cariocas também, né?

MPMalu Perini

A gente é ex-carioca.

FAFelipe Arrais

Ex-carioca?

AGAlessandra Gontijo

Ah não, mano.

BPBruno Perini

A gente tá refugiado em São Paulo há muito tempo.

AGAlessandra Gontijo

Fala terras raras.

MPMalu Perini

Eu não falo terras raras, eu já falo assim, mas se eu quiser eu falo terras raras.

AGAlessandra Gontijo

Depende, né, do que te deu vontade.

MPMalu Perini

Merma. Se eu for falar mar, tem uma brisa.

BPBruno Perini

Eu falo merma ainda. Eu me livrei do Rio de Janeiro, falo merma.

FAFelipe Arrais

É mesmo, é mesmo, é mesmo.

BPBruno Perini

Mas eu me livrei de muita coisa.

AGAlessandra Gontijo

A minha defesa, mais legal, tá?

MPMalu Perini

Tem um amigo que fala que eu falo mais legal.

AGAlessandra Gontijo

Não, mas é esse de terra. Na verdade, o último que a gente lançou foi ontem, né, de prefixado, mas o penúltimo foi de terras raras, Terrara 11. Inclusive, a gente veio aqui, falou sobre o produto, e todo mundo falou, nossa, tem gente que pede mesmo. Então, no final do dia, a gente tá fornecendo esses tijolinhos, né? E aí cabe cada a gente do mercado entender o que que faz sentido para determinado, diferente perfil de cliente.

BPBruno Perini

É, como eu disse, é muito bom ter opção, né? É isso, montar carteira da maneira.

FAFelipe Arrais

Eu posso criticar que no mercado tá vendendo produto com gordura trans, mas é o mercado oferecendo. O cliente tem que ter responsabilidade de saber o que que ele compra e leva para casa. Então eu dizer que eu não gosto de CTF setoriais não é uma crítica à Invest.

JWJessica Weigand

Exatamente, não é uma crítica.

FAFelipe Arrais

Não brigar aqui nos bastidores, ali vai me bater depois.

AGAlessandra Gontijo

Meu número.

FAFelipe Arrais

Mas é o papel de fomentar o mercado, de dar as peças. O mercado americano é igual, tem para tudo, inclusive muito mais temas malucos que você pode imaginar.

JWJessica Weigand

Tem até lá nos Estados Unidos, tem até ETF vendido em S&P 500. Então o cara consegue ficar vendido, ou seja, apostando contra o mercado. Já peguei cliente com isso.

BPBruno Perini

Então aquilo que a Malu te falou, né, até entendo, alguma posição assim, ó, um hedge, alguma coisa assim, né? Agora, para longo prazo, é difícil.

JWJessica Weigand

Mas lá tem de tudo que você imagina. Eles criam os próprios índices, né, para desenvolver ETFs de tudo que você imagina. Até vendido em água tem, é coisas absurdas assim. Então é um mercado bastante amplo. É bem interessante que o Brasil esteja crescendo no número de opções.

BPBruno Perini

Tomara que fique cada vez maior a quantidade de opções aqui. Até porque quanto mais ETF, mais concorrência, melhor para o investidor, porque ele vai ter mais opções. E também as taxas costumam cair com base em concorrência. A gente pega os primeiros ETFs que começaram nessa onda, né, os de cripto, por exemplo, tinha ETF com taxa de mais de 1%, depois baixou para 0,7%, aí foi baixando, né. E cada vez mais vai baixar por conta de concorrência, também de tamanho, porque chega um certo tamanho, o cara pode falar, pô, tá com tamanho muito grande, vou baixar um pouco mais a taxa.

Até porque isso evita concorrência. Eu sempre penso que o Jeff Bezos, ele foi muito certeiro quando na Amazon ele cobrava preços tão baixos a ponto de ninguém competir com ele. A Apple fez ao contrário, cobrava preços altos e criou toda uma concorrência em torno dos seus produtos. Já o Bezos não, ah, eu não quero vender no varejo porque não tem margem.

MPMalu Perini

Por quê?

BPBruno Perini

Porque o cara lá vende quase com margem zero, quem vai competir com ele? Isso vai acontecer.

AGAlessandra Gontijo

E você sabe que um movimento interessante, diferente do mercado americano, quem que tá promovendo em número de clientes em ETFs são as pessoas físicas. São 99% dos investidores em ETFs na B3 são as pessoas físicas.

FAFelipe Arrais

Já tá quase 1 milhão de CPF já, não é?

JWJessica Weigand

É quase 1 milhão, 993.

FAFelipe Arrais

Olha que interessante, crescendo bastante. Vi esse número recentemente também.

AGAlessandra Gontijo

Mas em termos de volume, em termos de volume, um pouco mais de 40% são os investidores institucionais.

BPBruno Perini

Mesmo nessa pessoa física dominante em volume?

AGAlessandra Gontijo

Não, não, não, não, é porque aí tem o não residente também, aí tem outros na classificação da B3. Pessoa física em torno, gira em torno de 20% ali em custódia, né? É bem relevante, é bem relevante, é bem relevante. Por isso que a gente acha tão importante pautas como essa aqui, para desmistificar o que que é um ETF, o que que melhora na vida do cliente. Porque se a pessoa física não tiver demandando isso, a gente não consegue trabalhar tanto os clientes, né?

Então cada vez mais a gente tá conseguindo trazer o tema Hoje todos os eventos financeiros que a gente acaba frequentando sempre tem uma pauta ou duas sobre o tema. Então é um trabalho educacional de base que foi feito com os fundos imobiliários lá atrás. E de certa forma, grande parte do nosso trabalho é simplificar. A gente brinca na distribuição que o nosso trabalho é fácil no que diz respeito ao produto. O produto é excelente.

Então qual é o nosso trabalho aqui? Facilitar o entendimento sobre o produto. Então, uma vez que a pessoa entenda, é um caminho sem volta.

FAFelipe Arrais

Eu concordo. Mas além disso, não só mostrar como funciona o produto, mas mostrar que isso vai dar certo, né? Porque às vezes ele acha que é tão simples que não vai ser bom, né? Aquela ilusão de que a estratégia complexa é que vai ter maior potencial de ganhos. E na verdade, o que o Bogle discute ao longo do livro inteiro é o contrário.

AGAlessandra Gontijo

Na verdade, o simples, fazer o básico bem feito, né?

JWJessica Weigand

Eu acho que a visão do autor também sobre a mentalidade da população americana em relação a eles enxergarem o ETF como um veículo comprovado, testado na linha do tempo. Então o mercado de ETFs lá fora existe há 33 anos e é o veículo mais utilizado lá fora. Então você vai falar com americano, ele não fala o nome de uma ação, ele fala o nome de um ETF que ele investe. Então é uma cultura que tem crescido muito lá fora. E o Brasil tá caminhando para isso.

Então acho que tem um espelho ali do mercado desenvolvido e desse crescimento na área de ETFs.

BPBruno Perini

E quais são as maiores besteiras que vocês já ouviram a respeito de ETFs? Eu vou começar aqui, porque eu ouço isso em ETF, ouço em previdência também. O argumento é: ETF não é bom. ETF é um veículo, você pode ter um monte de coisa lá dentro diferente, né?

MPMalu Perini

Falar que não é bom, e tem um monte diferente.

BPBruno Perini

Novamente citando Perini e Malu, 2016: você é Igual fala, previdência não é bom. É, não é bom você não pagar ITCMD, não é bom você não pagar imposto durante 30 anos, não é bom no caso de um PGBL poder pegar 12% da renda tributável e deixar de pagar imposto agora para pagar depois numa alíquota mais baixa. É ter o fiscal da Receita na sua frente falando, ó, você pode pagar imposto hoje ou daqui a 30 anos, você prefere o quê? Você quer pagar imposto hoje a 27,5% ou daqui a 30 anos em 10%?

E você escolhe, não, eu quero hoje 27,5 porque eu sou masoquista, me dá um chicote aqui que eu vou me machucar. Você é burro. ETF é a mesma coisa, né? Não tem como falar ETF é ruim, né? Não, você tem ETF que você pode ter coisa ruim lá dentro, tipo esse de cannabis que deu mega errado, ou você pode ter simplesmente o índice que compra o mercado todo, ou um índice que vai te dar mais eficiência na hora de comprar renda fixa que você já compra, por exemplo. Então essa é uma grande questão.

AGAlessandra Gontijo

Se for ruim, opera vendido, né?

BPBruno Perini

Exato. Se for ruim, opera vendido. Dá para fazer isso também.

AGAlessandra Gontijo

Dá para fazer isso.

BPBruno Perini

O que que você ouve muito aí, além de besteira?

AGAlessandra Gontijo

Nossa, tem uma lista grande.

BPBruno Perini

Você pode citar nomes, inclusive.

AGAlessandra Gontijo

Não, eu tô pensando o que que eu posso falar, na verdade. Não, mas brincadeiras à parte, assim, eu acho que o maior absurdo é acharem que a gente paga algum rebate em relação ao crescimento da empresa, né? E aí o que eu tento explicar ali, né, eu já ouvi, né, quando você Chegaram para os nossos clientes e falaram: quanto a Invest tá te pagando para você tá fomentando o produto? E aí o cliente fala: nada, eles só vieram aqui na determinada cidade super longe ali do eixo deles para promover educação financeira e consequentemente ter ali uma captação ali mais expressiva em ETFs.

Escuto muito isso sobre rebate, e assim, nem que eu quisesse é impossível operacionalmente falando. Você pode falar para mim: olha, eu tô investindo R$100 mil aqui no World 11 depois desse episódio. Eu não vou conseguir ter o tracking disso, eu não consigo enxergar. O máximo que eu consigo perceber é que volumes muito expressivos, você tem um volume de negociação ali no ativo na bolsa, e aí a gente consegue ter um pouquinho de nível de sensibilidade se as pessoas estão comprando ou vendendo mais aquele ativo.

Mas a verdade é que é um produto super bom, que facilita a vida, tem o hedge emocional também de quem tá recomendando, porque o investidor sabe exatamente no que que tá investindo. Quais são as cestas, quais são, qual a cesta, né, quais são as ações, qual o peso ali em relação à composição dos ativos. E naturalmente, ao se familiarizar, a captação vem, e de uma forma pequena, tá? As pessoas vêm. A gente começou 2025 com R$1,8 bi, fechou o ano com R$6 bi, e agora bateu R$11 bi hoje.

BPBruno Perini

Nossa, é um crescimento muito expressivo, de maneira muito rápida. Fecharam 25, ah não, começaram 25 com R$1,8 bi, fechamos com R$6 bi.

AGAlessandra Gontijo

Nossa meta era 5 e fechamos com 6. E aí nossa meta para esse ano era dobrar, né, ir para 12. E hoje a gente bateu 11 bilhões sob gestão.

BPBruno Perini

Hoje?

AGAlessandra Gontijo

Hoje. É, parabéns! Obrigada. Mas assim, quando a gente olha o nosso passivo, é um passivo super diversificado. O ticket médio, R$40 mil. Então a pessoa física tá começando a se apropriar dos investimentos, alocar nesses produtos, Quando eu olho o nosso passivo e eu vejo uma representatividade super relevante das pessoas físicas, eu fico feliz. Então, de certa forma, existe um trabalho educacional muito bacana aqui, mas ao mesmo tempo ele pode ser um pouco contra-intuitivo para o mercado, né, para quem não conhece ainda e não se apropriou.

Eu também escuto absurdos em relação à liquidez, falar, ah, não vou comprar isso não, ele só negocia R$5 milhões, eu queria botar R$50 milhões. E aí você explica que a liquidez tem a ver com os ativos que compõem a cesta daquele produto, dos ativos subjacentes, e que o formador de mercado tá ali para garantir que você tem a ponta compradora e a ponta vendedora ali no book. Então é um processo ali de realmente desmistificar o fator liquidez também. Mas eu acho que gira em torno dessas duas, das que eu posso falar, né?

FAFelipe Arrais

Eu já ouvi que compra ETF quem não sabe o que tá fazendo. ETF é para burro. Porque essa afirmação vem da premissa de que saber o que está fazendo é necessariamente escolher ativos individualmente. E a minha visão é justamente por saber o que eu estou fazendo que eu prefiro alocar através de ETFs. Sim, o meu, a minha responsabilidade na Finclass é maximizar a chance dos meus clientes atingir seus objetivos financeiros. E se eu for entrar, entregar o que é mais, eu acho até que eu poderia vender mais relatório no curto prazo, começar a falar só do tema da vez, stock picking, Mas o cliente não vai continuar comigo.

Eu quero que o cliente continue comigo por muitos anos, ele vai atingir o resultado, e assim eu tô maximizando a chance de sucesso dele. Mas eu já ouvi isso algumas vezes. Eu ia falar essa questão da liquidez e eu ia falar também que quem começa a investir em ETF olha guias errados. Então só taxa de administração importa? Eu já vi muitos ETFs que seguem índices semelhantes e que o ETF com maior taxa de administração performa melhor.

BPBruno Perini

É, e sabe o que é o curioso, né? Porque muitas vezes eu já recebo gente assim, fala, pô, tô pensando em investir nesse ETF aqui. Aí manda até, cara, eu gosto desse. Ah, mas surgiu esse outro que a taxa é 0,01% mais baixa. Porra, 0,01%! Aí tem que ver o quanto é que você vai ficar colado no índice. Não tem um custo escondido aí que você não tá vendo também? Porque nem tudo tá ali na taxa, os spreads no book. Pois é, então tem muita coisa para ser avaliada.

FAFelipe Arrais

A taxa não é tudo, você vai pagar um imposto ali para trocar para o outro que é muito perto também. Isso.

BPBruno Perini

Ah, lançou é um outro ETF, pô, tem uma alocação nesse aqui, esse aqui é melhor, tá? Mas você vai vender, vai pagar imposto de 15%, não é melhor manter lá e o novo dinheiro ir para esse, por exemplo? Tem que pensar nisso. Pense sempre em como dar menos dinheiro para os outros, para o governo, e ficar com mais dinheiro para você. Mas eu gostei muito do que você disse, de que compra ETF quem não sabe o que está fazendo. Que o Buffett tem uma frase assim, ele fala que diversificação é arma de quem não sabe o que tá fazendo.

Eu sempre penso, e quem realmente sabe, né? Porque as pessoas não sabem o futuro, e vários dos caras arrogantes no final perdem por índice de mercado. Então eu acho que realmente você ter uma maneira de ter um custo mais baixo, uma eficiência tributária maior, né, é bem interessante. Eu gosto muito dessa possibilidade. E você, Jéssica, que você ouve de besteira aí?

JWJessica Weigand

Ah, é mais é o comportamento mesmo do investidor querendo sempre bater superar o mercado, né? Então é mais esse comportamento de eu colocar um ETF, ele falar, mas se a gente não tivesse investido na Amazon direto, a gente não teria. É sempre querendo ter a bola de cristal e, ó, por que que a gente não previu isso aqui, que essa ação ia subir? A gente podia ter alocado nela direto. Mas uma questão de mentalidade do cara achar que sabe o que tá fazendo.

BPBruno Perini

Essa é ótima, né? O cara olha em retrospectiva, era só ter comprado essa, meu dinheiro em NVIDIA.

JWJessica Weigand

Exatamente, é sempre assim, sempre olhando o retrovisor, né? Por que que a gente não comprou essa ação e você colocou o ETF na minha posição? Então, se tivesse acontecido o movimento contrário da ação ter caído 80%, ele não estaria nessa rebeldia toda, né? Mais ou menos isso.

FAFelipe Arrais

Uma outra besteira que dá para mencionar, isso aplica aos internacionais, né, que é o cara, ele tá olhando um ETF de bolsa americana que seja, e você deveria olhar o que você vai receber, exposição às maiores empresas americanas, mas ele usa o dólar como ponto de decisão se ele compra ou não. Então ele fala, ai não, aqui o dólar já passou de 5 e tanto, eu vou esperar. Aí você vai esperar o dólar voltar no ponto que você quer, pode nunca voltar.

E olha o tempo que você ficou fora do mercado. Vamos lembrar que o ETF te oferece a alta das empresas mais apreciação do dólar. Se as empresas subirem 20%, o dólar pode até cair 10, você ainda vai ter um retorno positivo. E você vai deixar de coletar o retorno que essas empresas que continuam crescendo.

AGAlessandra Gontijo

E ao longo do tempo tem vários estudos que comprovam que isso é muito mais eficiente, né, parte do seu patrimônio ser dolarizado para justamente você surfar o benefício de estar associado a uma moeda forte.

FAFelipe Arrais

Mas tá sendo difícil agora porque a gente tá num momento de um ano e meio de dólar perdendo força frente ao real, e o investidor ele é curto prazista, ele olha o retrovisor. Então já que nos últimos um ano e meio o dólar se enfraqueceu, ele só pode continuar assim se enfraquecendo. Então eu não vou comprar algo dolarizado que só vai cair na minha carteira. E aí quando começa a subir, ele nunca acha uma felicidade, porque aí ele, ah, tá, agora já tá caro demais, não vou comprar. Então quando que você compra?

BPBruno Perini

Sempre.

FAFelipe Arrais

Eu sei que você tem essa visão também, né? O dólar recorrentemente compra, sempre a gente faz isso, alocação estrutural. Para mim, o ponto decisório é: compra ou não compra? Você devia ter 20% na tua carteira dessa fatia internacional, você tá com 17, então compra. Você tá com 25, você tem mais do que 70, não compra um pouquinho, segura um pouco. É essa decisão que eu tomo. Quem manda é meu chefe, que é alocação estrutural. E é tão bom às vezes ter chefe, você não precisa nem pensar, só seguir regra, né?

Eu compro se a fatia tá mais magrinha do que deveria, dado o meu planejamento. Sei que na Portfólio você segue alocação estrutural.

JWJessica Weigand

É, mas também a questão do dólar é que no final do dia você vai ter uma média. Então é claro que se você for investir uma vez só na vida, aí sim, talvez você possa até— talvez o dólar nem seja para você, tá? Mas quando você tem essa disciplina de sempre tá investindo, poupando É uma média que você vai fazer. Eu nem olho quando eu vou mandar para dólar, porque eu também não, eu sempre tô mandando. Então no final do dia eu faço uma média de dólar e é isso, né?

BPBruno Perini

E tem outro ponto também da alocação estrutural, que é, por exemplo, você citou que a gente tem visto ao longo dos últimos 2 anos um dólar mais fraco em relação ao real, oscilando ali agora em torno de R$5, mas o dólar chegou a bater R$6 há não muito tempo.

FAFelipe Arrais

Sim.

BPBruno Perini

Se você tá mandando sempre recursos para lá e tem uma fatia de, digamos, 20% em alocação internacional, pensando em mercado americano, por exemplo, nessa hora que o dólar saiu de 5 para 6, a sua fatia que era de 20 virou 25. Naquele mês você não tem que mandar, é porque já cresceu, entendeu? Então você fala, pô, nesse mês aqui eu tenho que comprar mais bolsa Brasil ou mais renda fixa Brasil. Aí no outro mês, quando o dólar voltou a cair e você viu a fatia que era 25 agora virou 19, agora eu tenho que mandar de novo.

Então ter uma alocação estrutural te protege de querer seguir a manada naquele momento. Porque o pessoal quer comprar dólar quando ele tá com o preço mais alto, às vezes pensando que vai subir mais ainda, que pode até acontecer. Aí quando ele cai a 4,80, ninguém quer porque acha que vai até 4,50. Então o cara acaba que nunca tá comprando, né? Enquanto isso, o mercado americano é máxima atrás de máxima.

JWJessica Weigand

Há 5 anos S&P só batendo máxima.

AGAlessandra Gontijo

Fala que tá esticado, né? Agora não, tá esticado.

BPBruno Perini

Pode ser que uma hora corrija, pode, mas historicamente também os mercados de baixa lá tem uma duração limitada. O negócio não vai durar para sempre, aquele mercado. Tem empresas que ficam no marasmo durante décadas, e não é empresa ruim não. Microsoft aconteceu isso. Agora, se você pega o S&P, tava subindo, né? Então por isso que ter o ETF é muito bom. E aí, para encerrar, pessoal, queria que vocês falassem, né, aproveitando que todos aqui têm alocação em ETF, um ETF que vocês acham que é muito bom, que as pessoas deveriam estar olhando para ele.

Ali vai ter uma missão complicada, tem uns 50 filhos aí, escolher o preferido, né?

FAFelipe Arrais

Eu respondi, a gente tem lives semanais lá, FinClass Nacional, Eu vou falar duplinha, que me fizeram essa pergunta na live. Eu não gosto de ficar escolhendo filho favorito não, né? Mas me falaram, ah, e se você pudesse escolher apenas um ETF para vida inteira? A minha resposta foi, tá gravado, né, nas lives, que seria no exterior o VT, no Brasil o World 11. Comprar o mercado todo de ações, um único ativo mega diversificado, exposto a várias moedas.

Você não se expõe só ao dólar, mas se expõe ao euro porque tem empresas europeias, ao iene, você tem Você não precisa ficar acertando qual que é a próxima bola da vez, o próximo segmento, a próxima empresa, a próxima moeda, geografia. Você vai crescer junto com o mercado, que historicamente sempre cresceu. Então, se eu tivesse que escolher um no Brasil e um lá fora, seria o World Jones Brasil, VT lá no exterior. Não pode falar o mesmo, né?

AGAlessandra Gontijo

Não podendo falar o mesmo, pode falar assim: vamos fazer tipo os 3 World Jones?

FAFelipe Arrais

Foi combinado.

AGAlessandra Gontijo

Não, com certeza o World Jones, até assim em relação para combinar com o tema que a gente tá falando aqui, né, de renda variável, é o maior em termos de tamanho hoje de renda variável global. Sim, é o maior nosso e é o maior da bolsa também, tá, World Jones, em número de cotistas e número de PL.

BPBruno Perini

Mas se não considera global, se considera exposição nacional, tem algum maior de renda variável de vocês?

AGAlessandra Gontijo

Maior de renda variável, acho que é o Talvez, deixa eu pensar, é porque era o TIO, mas teve um resgate agora de um investidor institucional. A próxima de renda variável, que é LBR, talvez. Que é LBR11, que é um ETF de renda variável que investe em empresas brasileiras considerando o fator qualidade, né? E mais renda variável no Brasil é difícil de fomentar, tá? E principalmente em relação ao ETF, a gente compete com BOVA. Por exemplo, o nosso—

FAFelipe Arrais

e com CDI alto do jeito que tá, com certeza essa competição é difícil.

AGAlessandra Gontijo

É muito, muito difícil fomentar renda variável brasileira, principalmente porque muita gente também investe em BOVA, tá? Assim, e aí não quer olhar ETFs que negociem menos do que o volume que eles acham interessante. Mas dito isso, se for para escolher outro também aqui, é o LFTB11, que é o ETF de renda fixa da Investo. Hoje negocia cerca de R$65 milhões no dia.

FAFelipe Arrais

Caramba, muita coisa!

AGAlessandra Gontijo

Então é muita coisa, é um ETF de 2 anos, né, tem muitos investidores, são R$5 bilhões sob gestão nesse ETF, é o maior ETF de renda fixa da bolsa. Então ele, o LFTB11 e o LFTS11, são os 2 ETFs que estão sempre top 10 ETFs em termos de negociação da bolsa. Mas para combinar aqui com o tema, se eu pudesse, né, recomendar, é, não Pois é, mas a culpa foi sua porque eu não ia falar de renda variável. Eu não ia falar de comercial, eu não ia falar de renda variável, mas seriam esses dois, uma combinação, um 60/40, talvez 60% World Jones e 40% renda fixa brasileira, que a taxa de juros ajuda.

BPBruno Perini

De certa maneira você tá pegando o que tem de melhor assim aqui no Brasil, juros, e aí você tá tendo exposição global às empresas. Porque se o mundo continuar sendo o que ele é, melhorando, o ETF tende a andar, né?

AGAlessandra Gontijo

É isso.

BPBruno Perini

Você, Jéssica?

JWJessica Weigand

Vou falar do mercado internacional, que é o que eu gosto bastante. Então eu indicaria, indicaria não, né? Não posso fazer indicação. É o que você gosta, é o que eu gosto, é o que eu uso no meu portfólio, o IVV, que ele replica o S&P 500.

BPBruno Perini

Você pode falar, o Arraes depois fala, tudo bem, pessoal.

FAFelipe Arrais

Eu assinei o relatório.

JWJessica Weigand

O IVV que replica o em P, né, e é um ETF com baixo custo. Então a taxa anual é de 0,03%. Então é um ETF que eu gosto muito, é amplo. Eu ia falar o VT, que é um ETF global que a Raiz falou, que ele investe em toda economia mundial. Então eu gosto bastante do VT. E o VGT, que é um ETF de tecnologia que eu também gosto e tem um custo baixíssimo, é americano, eu adoro esse ETF. Então são esses 3 que eu gosto, eu tenho para mim.

BPBruno Perini

Bom, eu pensando aqui nos meus filhos, né, eu tenho 2 no Grupo Primo, o GPCA e o GPUS. Então sou parcial na hora de falar. O GPUS, que a gente tem parceria com a Investo, vai te dar exposição ao S&P 500, mas de uma maneira diferente daquela que a gente tinha no mercado brasileiro até então. Porque os ETFs americanos, que é o que os ETFs nacionais faziam, compravam esses lá fora, eles Eles pagam dividendo e tem um imposto de 30%.

Já o GPUS, ele compra ETF irlandês e o imposto é mais baixo, é 15%. Então, se você pega e compara o GPUS com seus pares nacionais, você vai ver que ele já tem uma performance melhor por conta da diferença da eficiência fiscal que nós temos. E eu sou um defensor de alocação internacional desde sempre, né, porque acho que é pouco crível que no momento da criação as melhores empresas fossem todas colocadas aqui no Brasil. A gente pensa até em tecnologia, que é o que tá fazendo o PIB global crescer.

A gente é bem carente disso no nosso país, então tem que ter exposição internacional. E por isso eu acho que é um ETF muito interessante. E o outro, que é o filho mais novo, caçula, é o GPCA11. Ao invés de comprar o título público lá no Tesouro Direto indexado à inflação, você pode comprar uma carteira de títulos com prazo médio de 2 anos. Então vai ter pouca volatilidade, vai sofrer pouco com marcação a mercado devido ao movimento das taxas.

Com imposto de renda de 15%, sem IOF, com uma taxa de só 0,1% ao ano. É muito barato, pessoal. E aí, lembrando, para comprar os ETFs citados aqui, você vai no home broker da sua corretora, bota lá o código e consegue o acesso ao ativo, né? Então esses dois, na minha opinião, eles foram criados justamente porque a gente entende que não dá para você não ter em carteira alguma coisa desse tipo de exposição. Bom, da minha parte era isso. Vocês têm algum recado final?

JWJessica Weigand

Eu fiquei esperando um ETF de cripto, de Bitcoin.

BPBruno Perini

Eu tava puxar a sardinha para mim.

JWJessica Weigand

Ai, gente, eu tava esperando, eu falei, ué, não vou falar nenhuma.

BPBruno Perini

Tem várias exposições a cripto que o pessoal pode ter. Pode comprar o Bitcoin direto, você tem Bitcoin Treasury Companies, que tem sido mais a minha preferência nesse momento. Mas em termos de ETF, o melhor do Brasil para isso é o HODL11. Então tá sempre comprado, 100% do tempo, né? Tem uma taxa bem mais baixa que os concorrentes. E para você que gosta de ETF, prefere se expor, HODL. Seria a maneira de segurar, né? Você compra e segura.

Só que na comunidade cripto, lá atrás, o cara foi digitar hold, digitou errado, Hodl, ele trocou e virou tipo um meme, entendeu? Ficou essa ideia.

JWJessica Weigand

E se a ideia é acompanhar somente a performance, o ETF ele cumpre esse papel.

BPBruno Perini

Exato, o tempo todo comprado de maneira eficiente. Porque quando você compara ele com os concorrentes, né, tem um pessoal que tem uma taxa mais alta, mas mesmo que tivesse a mesma taxa, ele seria mais eficiente na maneira que ele se expõe.

AGAlessandra Gontijo

Sim, e mais segura também, né, para o investidor.

BPBruno Perini

Pois é, também tem isso. Então é um ETF bom. Depois você agradece a Jéssica e paga o almoço para ela. Mas vocês têm mais algum recado, gente?

AGAlessandra Gontijo

Não, eu acho, pode falar. Ah, não, não, o meu recado aqui, eu acho que incentivar que as pessoas a olharem ali as nossas mídias sociais, trocarem ideia com o nosso time, é Investo ETF, né, enfim, o investo.etf, né, esqueci do ponto, @investo.etf, isso. E fazer com que cada vez mais a gente tenha essa troca produtiva, entendendo o que que que faz sentido. Convido todo mundo a tá participando cada vez mais ativamente para que a gente possa construir mercado.

No final do dia, eu acho que essa falta de humildade que foi mencionada, né, em relação a alguns gestores ativos e suas respectivas entregas, do lado de cá talvez seja até um excesso aqui de humildade de falar, beleza, vamos construir mercado juntos, vamos entender o que que faz sentido a gente trazer o que que a gente consegue facilitar o acesso, o que que a gente consegue melhorar a vida dos investidores aqui no Brasil. Tem um propósito muito legal dentro daquilo que a gente faz.

Obviamente somos uma gestora de recursos, mas o nosso objetivo aqui no final do dia é esse. Então eu gostaria de convidar todo mundo a interagir cada vez mais para que a gente possa seguir avançando. E aí da próxima vinda, se tudo der certo, né, a gente tá mais do que duplicando o AUM que a gente tem hoje.

BPBruno Perini

Bom, já aproveita o gancho também, fala as redes todas da Invest. É só esse canal? Quer deixar algum tem outro site?

AGAlessandra Gontijo

Olha, o site é investoetf.com. Com certeza eu vou falar alguma coisa errada aqui em relação aos arrobas, mas o site sendo esse e o Instagram @investo.etf já é mais do que suficiente. Mas pode buscar a gente também no LinkedIn, mandar mensagem. A gente tem um WhatsApp ali, a gente tem uma comunidade dos nossos clientes que é aberta para o público. Na nossa apresentação institucional, que tá disponível no nosso site, tem o QR code para entrar.

Tem o nosso canal de comunicação direto. A gente sempre tá olhando assim todos os canais para fazer com que no final do dia todos os investidores virem fã da nossa marca, que é o nosso principal objetivo.

BPBruno Perini

Não vai deixar o seu não, Clara, né, para encher o saco dela?

MPMalu Perini

Para ter um seguidor.

AGAlessandra Gontijo

Eu sabia que vocês iam fazer isso. Ai, gente, alessandra.gontijo. Mas assim, eu só posto trabalho, é meio boring, mas tô no processo, tá, cada vez mais. Fazer com que a gente se posicione ali como executivos. Mas é muito difícil, é muito difícil assim, realmente.

BPBruno Perini

Ônus e bônus, mas tem um bônus bom também.

FAFelipe Arrais

Meu recadinho, eu vou parafrasear Paul Samuelson, inclusive é citado várias vezes no livro do John Bogle, um dos maiores economistas, o maior economista do século passado. Ele disse que investir é como aguardar a tinta da parede secar ou esperar a grama crescer, é tedioso. Você quer emoção, pega $200, vai para Las Vegas. Então a provocação que que eu faço é essa, pessoal. Tem um caminho simples, fácil, eficiente de ganhar dinheiro.

Pode ser menos interessante, menos papo de bar com os amigos, mas lá na frente você vai se gabar frente aos seus amigos de ter ganhado mais dinheiro. Então a provocação que eu faço é que o processo de investir internacionalmente pode ser muito simples. Acompanha a página da Finclass também, onde eu faço as análises, tem a carteira recomendada. E quem quiser me acompanhar no Instagram é @raiz.finclass. Tô lá voltando a postar conteúdo com frequência.

JWJessica Weigand

Bom, o recado que eu gostaria de passar, né, para quem tá nos ouvindo, nos assistindo, é justamente o que o Arraso falou, né, simplificar o investimento, né, ter uma carteira muito mais otimizada, com menos custo, porque o custo no longo prazo ele importa muito e é um dinheiro que você deixa de ganhar no longo prazo. Então tem que ser humilde em investir, né, tem que saber apostar ali de fato nos cavalos que vão te deixar vencedor no longo prazo.

Então acho que a simplicidade é o segredo de investir hoje, que eu sempre prego isso para os investidores, mas o ativo ele é só um coadjuvante ali, né? O que de fato vai fazer com que potencialize ainda mais os seus retornos é a disciplina de poupar sempre, tá investindo sempre, olhar para o longo prazo, é sempre levar aquele boleto do eu do futuro, né, que eu falo muito para o investidor isso. Então criar esse hábito de que vou poupar hoje para o meu eu do futuro e criar essa, essa consistência ali.

Então basicamente é isso. As minhas mídias sociais é @jessica.vegan, e eu não sou muito ativa nas mídias sociais, mas eu falo bastante sobre mercado internacional, que é a hora que eu adoro. Acho que o brasileiro tem que sair um pouquinho da bolha.

MPMalu Perini

E é isso, muito bom. Então a gente resumiu em uma frase, né? Compre ETFs e assim você vai diversificar.

AGAlessandra Gontijo

E nada supera o ETF no longo prazo.

MPMalu Perini

Entendi. Então tá bom. Então vocês encontram a gente aqui semanalmente no canal dos Sócios, sempre com episódio novo para de alguma forma agregar na vida de vocês. Me encontram no @meloperini no Instagram.

BPBruno Perini

Vocês me encontram no Instagram @bruno_perini, no canal do YouTube Você Mais Rico, vídeos semanais, e sempre aqui nos Sócios. Para quem assistiu o nosso, muito obrigado pela audiência. Aos convidados, obrigado pela presença, espero que voltem mais vezes. E é isso, pessoal, grande abraço e até a próxima.

MPMalu Perini

Beijos!

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