POR QUE FICOU TÃO DIFÍCIL EDUCAR OS FILHOS? | Ivana Jauregui | Os Sócios 289
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- Educação positiva vs educação tradicionalEquilíbrio entre respeito e regras · Crítica à educação permissiva · Rejeição de extremos · Educação respeitosa que funciona · Traumas parentais refletidos na educação
- Paternidade e MaternidadeMaternidade como ferida aberta · Filho expõe desequilíbrios dos pais · Autenticidade parental · Paternidade transformadora · Transparência emocional
- Consequências lógicas vs castigo punitivoCastigo sem relação causal · Consequência direta da ação · Ensino de responsabilidade · Evitar punição emocional · Educação através de escolha
- Impacto no Desenvolvimento InfantilBirra como aceitação de limites · Fases de empoderamento pessoal · Adolescência como segunda onda de birra · Acolhimento sem ceder · Ensinamento através de limites firmes
- Escola infantil e ambiente de desenvolvimentoIdade apropriada para escola · Adaptação escolar traumática · Importância do ninho seguro · Convivência com crianças de idades diferentes · Demanda de atenção na primeira infância
- Desenvolvimento emocional e aceitação do negativoRejeição do lado sombra da emoção · Criança feliz, criança triste · Inteligência emocional parental · Permissão para chorar · Processamento de emoções negativas
- Tecnologia e telas na infânciaImpacto das telas no comportamento · Usar telas como calmante inadequado · Modelos de uso saudável · Observação do comportamento da criança · Responsabilidade adulta com tecnologia
- Relação mãe-criança e dependência saudávelDormir com a criança · Autonomia emocional vs física · Necessidade de presença parental · Cuidado vs superproteção · Apego seguro
- Papel do casal na educaçãoAlinhamento entre pais · Diferenças de autoridade entre mãe e pai · Apoio mútuo nas decisões · Sobrecarga da mãe · Equilibrio de responsabilidades
- Diferenças individuais entre filhosPersonalidades distintas · Adaptação de abordagem parental · Vínculos diferentes · Espelhamento de características · Respeito à individualidade
- Erro como ferramenta de aprendizagemAceitação do erro · Escola e fear de errar · Transformação através do erro · Desconstrução de culpa · Responsabilidade vs culpa
- Ideal de mãe perfeitaPressão social · Gabarito de criação · Desconexão do real · Peso emocional · Aceitação das imperfeições
- Comportamentos naturais da criança pequenaMorder e bater · Expressão de energia · Desconhecimento do outro · Educação na prática · Limites tangíveis
- Impacto econômico na paternidade modernaCusto de vida em grandes cidades · Postergação da maternidade · Medo de mimar a criança · Condições financeiras e autonomia infantil · Filhos únicos por questão econômica
- Infância e responsabilidade precoceAprender fazendo · Autoestima através do fazer · Evitar superproteção · Pequenos perrengues · Desenvolvimento de habilidades
E aí, pessoal, vamos começar mais um episódio do Podcast Sócios. Quem fala aqui é Bruno Perini, host do podcast. Estou, como sempre, com a Lu, minha esposa, host e o belo host aqui do Sócios. Olá, pessoal, sejam bem-vindos a mais um episódio dos Sócios. E sobre o que falaremos hoje, Boludinha? A gente fala de bastante coisa aqui no nosso episódio, nos nossos episódios. A gente fala de educação, fala de investimento, de saúde. E muita gente pedia para a gente falar sobre educação de filhos,
sucesso pensam, né? Próximas gerações. É, as nossas próximas gerações e tudo mais. Então a gente resolveu finalmente falar sobre isso, já que agora temos lugar de fala, já que somos pais. A gente não fazia porque a gente não era pai ainda. Mas ainda que não pedissem, eu gostaria de fazer. E como eu sempre falo, o podcast é meu. Eu faço o que eu quero, eu converso com as pessoas que eu quero. Se você quiser assistir, beleza. Se não quiser, pode ir embora.
Sejam bem-vindos. Mas é um tema muito relevante, sobretudo pra quem tem filhos, mas também pra quem convive com crianças, né? Exato. E antes de apresentar a nossa
Eu tenho dois recados para vocês. O primeiro deles é da Jeep. Então, para quem me acompanha há mais tempo, durante anos eu usei um Jeep Compass. Hoje eu estou com um Jeep também. É um Commander, um modelo maior, até porque a família cresceu. Eu gosto muito da Jeep. E não é à toa que se você pega o modelo Compass, especificamente, ele é líder há nove anos, pessoal. É um carro muito confortável para dirigir, muito seguro. Ele é muito tecnológico, tem várias versões, 4x2, 4x4.
porque o Jeep é um outro nível em termos de conforto e de visibilidade. Pra quem quiser mais informações, tem um QR Code aqui na tela e te aconselho, faça um test drive e veja qual é a versão mais adequada pra você. Porque é um carro que, em diferentes fases da vida, ele vai ser muito bom. Eu adoro. Então, fica o convite. E o outro recado é do pessoal da Hostinger. Então, eu sei que vários de vocês que acompanham o podcast dos sócios querem começar a empreender, seja no digital ou não. E ideia não falta, né? Só que ideia vale 10 centavos a bacia.
De vez em quando o pessoal me manda um direct e fala, nossa, eu tive uma ideia aqui bilionária, investe na minha ideia? Não. Agora, quando você começa a executar, aí é outra história. E nessa execução, muita gente trava. Então, para você que quer iniciar um projeto digital ou físico, uma coisa que você vai precisar é de um domínio e hospedagem para você ter o seu site. Você não pode construir o seu império na casa dos outros. Então, aqui no Grupo Primo, a gente tem perfis em várias redes sociais, mas sabemos que essa rede não é nossa. Agora, o que é nosso mesmo?
o e-mail profissional. E tudo isso você consegue com o pessoal da Hostinger. Inclusive, eles estão com umas condições muito especiais por conta do mês do consumidor. E você pode usar o cupom PERINE para ter ainda mais 10% de desconto frente às condições especiais. Para quem quiser, tem o link aqui na descrição para que você possa conhecer mais da oferta da Hostinger. E garanto que é muito fácil você criar o seu site com eles também.
Hoje em dia, com ferramentas tecnológicas, uso de ar, é uma beleza, pessoal. Então, fico com o vídeo para conhecer.
Checar dos dados, vamos apresentar então nossa convidada. Estamos recebendo Ivana Jauregui. Ela é educadora e especialista em maternidade. Há mais de 15 anos apoia famílias em busca de uma educação com mais respeito e resultados, ajudando mães a saírem do caos e viver uma maternidade mais leve. Ivana, bem-vinda ao Podcast Sócios. Obrigada. Obrigada pelo convite. Um prazer estar aqui e conversando. Eu sempre converso com mães e hoje vou ter a oportunidade de conversar com mães e pais juntos. É verdade. É outra dinâmica.
Inclusive antes da Tetê nascer. Antes da gravidez, até a Malu já acompanhar. Eu comentei isso no meu Instagram hoje. Eu acompanho o seu Instagram desde antes de eu engravidar, porque eu gostava da dinâmica, da forma como você fala. Principalmente porque eu acho que você traz uma realidade de fato, né? Porque hoje em dia, e agora sendo mãe, posso falar com muito mais propriedade, é muito conteúdo que a gente vê na internet e de formas diversas, né? Tem de tudo. Tem gente falando,
pra você fazer coisas completamente opostas. Então, se você não tiver uma certa segurança, você fica perdido. E cada hora você faz uma coisa. E cada hora você implementa. E eu acho que esse é o pior dos mundos na educação. E a sua forma de lidar, pra mim, é muito realista. E eu sou uma pessoa realista. Então, eu gostava muito e gosto cada vez mais agora sendo mãe. Ivana, pra quem não te conhece, tem como se apresentar, falar como é que você começou nessa parte de educação?
Sim, eu comecei, nem percebi quando eu comecei, porque a minha mãe, ela montou uma escola dentro da minha casa quando eu tinha um ano de idade, então imagina, eu moro com crianças desde que eu nem memória tenho, então sempre foi muito natural, aquela escola acontecia na sala da nossa casa, e aquilo era crianças, reuniões com pais e mães, psicólogos, era isso que a gente respirava, então eu sempre,
Digo assim que eu nasci no lugar certo, realmente, porque além de ser o quintal da minha casa, uma escola, sempre foi a minha paixão. Junto com isso, eu era aquela criança que brincava com bonequinho de mãe, sabe? Eu era assim também. Eu era assim também. Na escola da minha mãe, eu estava sempre de olho, eu estava sempre atenta quando eles faziam reunião de pais e mães. E aconteceu que quando eu tinha 9 anos de idade, a minha mãe, ela precisou ajuda.
muito precária, assim, não tinha pai, era só minha mãe com as filhas, e ela precisava de ajuda na escola, não tinha condição de contratar alguém, então ela pediu pra mim, pra minha irmã gêmea, eu tenho uma irmã gêmea, ser auxiliar dela, então com nove anos de idade eu comecei a trabalhar na escola, com horário, tudo, e não parei até hoje. É uma boa, já começou trabalhando, já é uma, já é meio polêmico, né, você acha que criança, desde jovem, tem que ter tarefas, responsabilidades,
Tem que ter não, mas assim, uma família que não tem condição financeira, não tem outra opção, era nossa sobrevivência. E não foi uma coisa esforçada, era ficar com ela. A gente amava ficar com ela dentro da escola com as crianças juntas, em um povoado muito pequenino, muito simples, tudo. Então, é o jeito, né? Assim como, às vezes, uma mãe pede para uma criança, sei lá, minha irmã mais velha ficava em casa fazendo faxina.
Sim.
quando crescer. E eu falei para ela que eu queria ser professora da escola do primeiro ano para ensinar as crianças a aprender a ler de outro jeito. Então, já desde pequenas, já sabia o que eu queria fazer. E foi assim. É assim até hoje. Muito interessante. E depois vieram seus filhos e você teve que fazer na prática. Com meus filhos, o negócio começou a ficar sério, né? Porque uma coisa era cuidar de criança na creche, outra coisa era ter aquela responsabilidade. E foi com meu primeiro filho
que eu comecei a fazer tudo errado. Tudo que eu falo, tudo que eu conto, vem da minha experiência. Não é teoria vaga, ela vem da experiência mesmo. Com meu filho, até os dois anos de idade, eu desfrutei da maternidade, um bebê, coisa linda. Quando ele fez dois anos de idade, eu comecei a me decepcionar de mim mesma, porque eu comecei a ter reações que eu nunca, que eu jurava que eu não teria. Eu sempre pensei, para meu filho, eu não vou fazer aquilo errado que fizeram comigo, eu não vou repetir.
era mais forte que eu. Então eu comecei a gritar, comecei a bater no meu filho. O meu filho me batia. Eu não conseguia colocar limites porque queria dar uma educação mais livre. Aí eu fui pro extremo, fiquei permissiva. Aquilo foi um caos. E não foi culpa dele? Foi. Foi? Todo culpa dele. Foi o que eu achei. É que ele tá aqui na nossa frente. O que eu achei até os oito anos de vida dele, eu achava que era culpa dele. Que era um gênio mais difícil.
Que ele era uma personalidade forte, uma criança difícil, que eu fazia tudo e ele não recebia
Respondia por causa da genética dele. Culpa do meu pai, da minha avó, sei lá, de alguém. Até que quando ele tinha oito anos de idade, eu percebi que eu... Pra mim foi minha grande virada de chave. Eu percebi que não, que o menino dependia de mim. E que era eu que não estava sabendo lidar com o carácter forte dele. No momento em que eu percebi que a responsabilidade e o resultado era meu, que eu podia provocar um resultado diferente, eu comecei a mudar a forma de lidar com ele. Menina, em uma semana,
o comportamento dele mudou da água para o vinho. Em uma semana. Totalmente. Não é culpa. Não é culpa. Não é culpa. É a responsabilidade. Porque às vezes a gente não quer aceitar assumir a responsabilidade porque sente culpa primeiro. Eu precisei ultrapassar a culpa. Porque se eu ficasse na culpa, doía tanto ver que estava tudo errado que eu não queria nem olhar. Quando eu ultrapassei a culpa, falei, não é minha culpa. Eu estou fazendo melhor que eu posso. Tudo errado.
É a minha responsabilidade. E responsabilidade é casa com liberdade. Tipo assim, quando eu assumi a responsabilidade da educação que eu estava dando para o meu filho, eu ganhei a liberdade de fazer diferente. Você falou de educação positiva, mais positiva, né? E eu lembro que eu estava assistindo alguns vídeos seus e outros vídeos de educação. E educação positiva hoje está na moda, né? Ou estava.
da moda, que acho que o pessoal tá falando assim, meu Deus, isso tá errado. E aí eu lembro que eu mostrei um vídeo seu pro Bruno, e aí o Bruno falou assim, ah, ela não faz educação positiva. Aí eu falei, mas sabe que tem algumas coisas que a Ivana fala que tem a ver com educação positiva, e que eu concordo, e até que mudou um pouquinho na minha cabeça. Então, o que que você acha sobre essa vertente da educação positiva que dizem ser mais permissiva, exatamente o oposto do que você falou que, teoricamente,
errou no início. Sabe que muita gente entra em parafuso comigo mesmo, porque às vezes parece que eu sigo a linha da educação positiva e às vezes parece que eu sigo a linha da educação tradicional. Por quê? Porque as duas são respostas extremas. Nenhuma nem a outra é o equilíbrio. Então, eu fiz educação positiva com meu filho até os oito anos de idade e o que eu fiz? Eu abandonei aquilo que é tradição. Eu neguei o que é tradição. O que é educação positiva para quem não conhece essa nomenclatura?
Eu não estudei direito o que é educação positiva, mas o que eu vejo, o resultado é uma tentativa de educar o filho sem a negação. É positiva. É tudo positivo. Pelo positivo. E é uma tentativa de educar o filho com respeito. Tirando toda a agressão, o autoritarismo que veio do autoritarismo, toda a violência, a negação, a repressão que a gente recebeu. Então, vamos educar de forma positiva. Só que,
É quase como se colocasse a criança no centro. A ideia é essa, mas aí o resultado é, coloca a criança no centro e a criança meio que comanda. Ela acaba mandando. Porque é uma dificuldade com o não, com a autoridade, com a negação positiva. Não existe uma educação equilibrada que não leva não, porque a vida é não. A vida é sim, mas a vida é não. E não existe nada mais claro do que o não. Eu te falo, você diz assim, Ivana, eu posso? Eu falo, pode. Pode o quê? Pode assim? Pode lá?
aqui, pode ir lá. É cheio de possibilidades, o sim. O não é a coisa mais clara. Ivana, posso? Não. Então, não existe uma educação equilibrada que seja só positiva. Não dá pra falar pra criança, não. Tudo tem que ser combinado, negociado, concordado. Essa educação, eu não gosto de falar positiva, porque fica polêmico, sabe? Mas uma tentativa de educação mais respeituosa, ela parte de uma ferida, de uma reação a uma dor. Se minha mãe e meu pai foram autoritários comigo,
Se a minha mãe não me deixava ter opinião, criança não tem querer, então pro meu filho eu vou perguntar tudo. O que você quer, filho? Quer assim, assim o assado? Se a minha mãe não me dava escolha, então meu filho vai ter escolha. Se a minha mãe, meu pai, sei lá, não me considerava, vou considerar tudo do meu filho. Entende? Então, é uma resposta a uma dor. Nunca vai dar certo isso. Porque você não tá educando teu filho. Você tá curando tua criança ferida. Então, o correto seria,
pegarem essa ferida e você fazer isso com você mesma. Caramba, minha mãe não me dava voz? Eu vou me dar voz. Minha mãe não respeitava, meu pai não respeitava a minha opinião? Eu vou escutar a minha opinião. Para você. Mas para ter o filho, ele precisa de outra coisa. Ele não é filho da tua mãe, do teu pai, nem daquela época. Então, ela precisa de outra coisa. A educação que eu compartilho, que não tem uma corrente, uma linha, nada disso, ela vem da experiência. É o equilíbrio das duas. Vamos trazer o respeito, a escuta, o acolhimento,
mas com regras, ordem e limites. Por isso que eu compartilho assim, ó, é uma educação que respeita, mas funciona. Porque só respeito, só considerar, só... Ah, o menino não foi pra aula hoje porque ele falou que não tinha vontade. Eu tô respeitando o desejo do menino. Tipo, é impossível educar uma criança para ter habilidade de viver em uma vida que é cheia de sim, não possibilidades, não possibilidades. Então, é por isso que as pessoas dizem assim,
às vezes é um pouco contraditório, Ivana. Porque pega daqui, pega de lá e compõe outra, uma nova forma de lidar. Mas é engraçado isso, né? Porque tanto eu quanto o Bruno, nós somos filhos de militares. Meu pai é militar, o pai do Bruno é militar, o avô do Bruno é uma pessoa bem tradicional, que foi, fez parte da educação do Bruno. E a gente recebeu muitos, não, uma educação. E eu gosto tanto da minha educação. Eu acho que a minha educação foi tão incrível.
mais não os que eu recebi. Porque, tipo, em alimentação, a minha mãe foi muito permissiva comigo. Porque minha mãe também, ela come mal, né? Então, durante muito tempo, minha base de alimentação era nugget e batata frita. Aí, no exército, já me ajudou, porque eu tinha que comer outras coisas lá. O Bruno também foi militar. E aí, depois a Malu me salvou também, porque me apresentou uma série de vegetais que eu não conhecia. Foi a introdução alimentar.
Vegetais curiosas, inclusive, né? Algumas frutas que eu não conhecia, legumes e outras coisas. Abacate, nunca tinha visto fechado. Coisas desse tipo.
A Tetê, eu sei que ela vai comer muito bem, porque é maluco, como de tudo hoje em dia também. Então, ela já come, né? Já teve experiência com muita coisa. Mas, tirando isso, foi uma educação tradicional, mas eu até apanhei algumas vezes, mas foram muito poucas. Quando eu lembro assim, eu penso, não, mereci realmente. Não, eu não mereci. Eu era uma papeta às vezes, entendeu? É que não é necessário. Porque ela ia brigar com a minha irmã.
Claro. À toa. Então, mas isso a gente concorda. E depois a gente vai falar sobre educação de pais.
a educação. E isso é muito bom, porque a gente não tem... Eu vi esses dias um corte seu, polêmico também, de você falando que quando você se separou foi uma libertação pra você, porque você precisava mais educar o seu marido também, né? Porque você precisava mais concordar com tudo. E eu e o Bruno, a gente concorda com muita coisa, talvez porque a gente teve uma educação um pouco parecida, mas não... Um pouco mais no caminho do meio.
É, no caminho do meio, talvez. Eu acho que sim, acho que no caminho do meio. Mas a gente
discutindo sobre isso, sobre bater, né? Porque, hoje em dia, não se bate. E faz muito sentido não bater numa criança. Porque a gente não bate nas pessoas no meio da rua pra resolver. Quer dizer, o Bruno todo dia vai bater, né? Ele faz o jiu-jitsu, veja que ele... Mas não porque ele pegou uma porrada. É porque ele faz o jiu-jitsu. Todo dia ele vai lá e bate nas pessoas. As pessoas batem nele e vai dar tudo certo. Mas, de fato, a gente não resolve
coisas bateram em ninguém. E por que a gente faria isso com uma criança inocente? Então, realmente, não faz nenhum sentido. E quando você encontra autoridade dentro de você, que não tem nada a ver com autoritarismo, porque a gente não sabe colocar um limite, por exemplo, sem ficar bravo. Relaciona logo limites, regras com rigidez, coisa brava, coisa, sabe? E a gente precisa desassociar isso. Quando você encontra autoridade dentro de você,
que a autoridade nada mais é que um alinhamento interno. Aquilo que eu penso, que eu falo e que eu faço é a mesma coisa. Então, se eu falo, filha, você não pode pegar essa garrafa, não há dúvida dentro de mim que ela não pode pegar essa garrafa. E a filha sente que não tem chance de pegar a garrafa. Porque há coerência. Quando você encontra a autoridade dentro de você, fica claríssimo que bater em uma criança não é necessário.
Assim como eu passei pela minha experiência com o meu primeiro filho, que eu acreditava
que ele precisava apanhar porque ele era sapeca demais e era só no grito que ele me obedecia, eu mesma consegui reverter essa situação. Aprendi a ter, percebi que na verdade era falta de autoridade minha, falta de alinhamento e equilíbrio meu. Imagina, você precisa amedrontar uma criança para ela te obedecer, é muito errado aquilo. Você é muito mais velha, como assim você precisa ameaçar, amedrontar para ter autoridade? A autoridade vem de uma certeza, de uma segurança dentro de você.
a ver com violência. Quando você encontra essa certeza dentro de você, as crianças sentem e elas te obedecem. E aí você percebe que não precisa de violência. Precisa de disciplina, de constância, de firmeza. Quando eu falo pra criança, não pode pegar essa garrafa. E ela insiste que é natural e é saudável até. Ela vai insistir e eu vou acolher, vou trazer da educação respeitosa, vou acolher. Você quer a garrafa? Eu entendi. Você quer pegar a garrafa? É muito legal brincar com a garrafa. Mas não pode. Não pode pegar a garrafa.
Eu não preciso gritar com a criança, não pode, você quer a garrafa de novo. Parece que a gente está brava porque a criança que nasce sem estrutura nenhuma precisa que a gente eduque. Mãe, o quê? O que você quer? Nossa, essa criança de novo mexendo no negócio. Criança não sabe, ela precisa ser educada. Por que a gente está tão bravo com isso? Por que a gente está tão bravo? Porque realmente é muito difícil você educar uma criança quando você não tem autoridade, quando você tem insegura, cheia de dúvida.
na maior parte das pessoas hoje, que querem educar diferente, está ali suplicando para a criança, filho, obedece a mamãe, por favor. Como assim obedece a mamãe, por favor? É uma insegurança. Filho, coloca o protetor solar. Não quero. Sabe o que, meu amor? Aí você quer convencer o filho de que concorde com você. Por que ele tem que concordar com você? Porque alivia a tua dor. Alivia teu peso de ter que mandar uma criança. Hoje em dia, quando eu olho para trás, eu vejo que meu pai era tão seguro. Ele nunca me explicou o porquê. Às vezes,
explicava, se eu perguntasse. Mas por quê? Ele até, se desse brecha, ele explicava. Mas, no geral, era não. Acabou. Não interessa se eu... E é diferente quando a explicação é pra te ajudar a entender alguma coisa, mas não pra você entender, pra você concordar com ele. Porque, sabe, você explica pro teu filho, pra que ele concorde com você, porque você tá buscando segurança no teu filho. Por quê? Porque você não tá insegura. Você tá insegura. Então, precisa que o filho fale, tá bom, mamãe,
sabe o que? Entendi, vou tomar banho. Obrigada, mãe, que bom que você me mandou. Fica tranquila, mãe, você tá fazendo o certo. Ivana, você enxerga que dentro do casal tem alguém que tem mais esse papel do que o outro ou não? Porque puxando pela minha memória, né, e antes que alguém crucifique alguém na minha família, eu apoiei pouquíssimas vezes e quem bateu foi minha mãe palmada na bunda, assim. Foi um negócio bem tranquilo. E o meu avô, meu avô nunca me bateu. Eu cito meu avô pelo seguinte, meus pais separaram, eu tinha 10 anos e aí
depois disso minha mãe ia trabalhar, meu pai tava em outra cidade e eu ficava o dia com os meus avós, né? E o meu avô era uma figura de autoridade que eu respeitava muito. Eu lembro que eu tava fazendo as coisas e minha avó falava, para com isso, não sei o quê. Não, até hoje sua avó fala, seu avô não gosta. Minha avó falava gritando, né? A maior avó falava assim, vou chamar o seu avô, eu parava. Meu avô nunca levantou a mão pra mim, mas só me olhava assim, um bigode assim, uma cara de sério, né?
Olhava assim pra mim, eu já parava de fazer, já. Eu respeitava muito. Então, no caso da Malu, a figura de autoridade,
mais forte do seu pai. Sim, mas minha mãe até é bem forte. Tem alguém que tem esse papel, geralmente cabe mais a um, os dois tem que ter, como é que funciona? Porque lá em casa, se deixar, quem vai ser sou eu. Autoridade? É, eu sou mais permissivo do PT. Minha princesinha. Não, aí eu olho pra ele, eu falo, amor, eu falei, não. Daí ele fala, ah, mas não sei o que, quer dizer. Eu não, eu respeito isso, não. Eu não tinha ouvido o que ela tinha falado, não.
A TT tava mexendo na planta, pegando umas pedrinhas. Eu falo, ah, sem problema, né? Aí a Malu falou, amor, já falei pra ela não fazer isso. Eu falei, não, não sabia. Aí a partir daquele ponto,
Eu falei, Tetê, sua mãe falou que não pode. Sua mãe não concorda e eu tenho que apoiar ela porque a gente casalha, entendeu? É tipo isso. Aí tem uma escada lá em casa. Ela já aprendeu a subir a escada, mas ela não sabe descer ainda. Ela tem 11 meses, Ivana. Ela só engatia, nem anda ainda. E aí, ela entende ou não. Ela sabe. Claro que sim. Ela entende. Ela não vai entender os motivos pelos quais ela não pode fazer isso. Por isso que dá explicação. Mas ela vai entender que
ela tá fazendo tem que parar, isso sim ela vai entender, mas assim, autoridade de novo, é uma coisa autoridade acontece quando você tá certo dentro de você o que acontece com teu avô, é que com certeza ele não tinha problema nenhum em ser autoridade pra ele, o lugar dele era mandar em você, e não tinha dúvida nenhuma do que tava falando, então você diz assim meu avô não precisava levantar a mão e gritar comigo, você tá comprovando o que eu tô te falando ele não precisava levantar a mão e gritar comigo era só me olhar que eu parava
que eu tinha muito respeito por ele. Isso é respeito. A autoridade, ela provoca respeito. O autoritarismo, ela provoca medo. Eu não vou fazer porque meu avô vai bater em mim. Eu morro de medo, vou apanhar. Então, para ter autoridade, a única coisa que você precisa é ocupar o teu papel e estar certo, alinhado, como tudo na vida. Sei lá, eu, por exemplo, ando falando de educação. Tenho conquistado uma certa autoridade. Por quê? Porque aquilo que eu estou falando está certo. Para mim está certo o que eu falo, o que eu faço e o que eu penso.
É a mesma coisa. Isso me coloca no lugar de autoridade. Você vai conversar com uma mãe que bate nos filhos e está aqui no Instagram, sei lá, nas redes sociais falando para você. Não pode bater nas crianças. Aquela fala, você percebe que não mexe, não tem autoridade nenhuma. Por quê? Porque o que ela fala, o que ela faz, o que ela faz está desalineado. Então, o médico não precisa ter, te bater, te ameaçar para você sentir confiança nele
O que ele está falando?
não tem tanta mistura emocional quanto a mãe. A mãe, a gente se mistura totalmente emocionalmente com o filho, já desde a barriga. O filho chora, não sei o que, e faz parte, porque assim, um bebê recém-nascido, você tem que ler a emoção dele. Então, faz parte, é natural ter essa mistura emocional. Os homens, normalmente, eles têm uma menos mistura emocional. Então, é mais fácil você educar uma criança e passar, deixar ela passar pelas dores do crescimento, quando você não tem tanta mistura emocional. As mulheres,
a gente tenta mais botar pra dentro, proteger, salvar o pai, normalmente, né? Tem essa excepção. Não, o Bruno é mais emocional, eu acho. Ah, ontem eu até tentava com febre, mas eu chorou por causa disso, tava nessa janela e você chorou. Sim, mas eu chorei porque eu não sabia, tadinha, tá sofrendo. Porque você sente a emoção dela dentro de você. Mas eu sou segura, eu não misturo, eu consigo racionalizar. Mas você é segura porque tá resolvido isso pra você, se você é uma
uma mulher que não tem... Porque você deve ter a mesma clareza com você mesma. Ah, eu quero muito fazer isso, mas não está na hora. Eu vou fazer essa outra coisa. Por isso você tem a habilidade de lidar com a sua filha. Se você fosse uma mulher que não tem essa organização dentro de você, não consegue com a filha. Quanta mãe diz assim, eu não dou conta. Eu falo e ele acaba fazendo as coisas. Por quê? Porque falta firmeza. Falta firmeza para a filha, porque falta firmeza para você. Com certeza é uma mulher que vai me cancelar.
Com certeza, uma mulher que, sei lá, que emagrecer e não consegue, que faz exercício e não consegue, a casa está... Entende? Por quê? Porque não há esse alinhamento com a sua... Pensa uma coisa, a teoria é uma, o sentimento é outro e a prática é outra. Então, ali, você não tem como ter autoridade. A criança sente. O tanto de criança que eu já recebi na escola, que a mãe chega e diz assim, é insuportável, meu filho não obedece ninguém.
Eu falo, deixa comigo o teu filho. Eu não preciso levantar a voz, eu não preciso ameaçar.
Eu não penso nada. Eu só falo pra criança, isso que você quer fazer com carinho. Mas com a autoridade. Isso que você quer fazer não pode. E o menino olha pra mim e fala, tá. Parece mágica. As mães dizem assim, você fez mágica? Porque não dá pra ver o que eu fiz. Porque é dentro. É um alinhamento dentro. É. Eu acho que a maternidade, ela desnuda a pessoa, né? Ela transparece, transborda o que a pessoa é. Não dá pra você passar algo que você não é. Você vai fingir ser algo.
Você tem que fingir de uma forma muito... Não dá pra fingir o tempo todo. Não dá pra fingir. E a maternidade é o tempo inteiro. E assim, você pode fingir tudo o que você quiser, mas teu filho enxerga a tua verdade. Ele não enxerga o que você tá fingindo. Tipo assim, casal que tá muito mal, não briga na frente da criança. Beleza, ótimo, que lindo cuidado. Mas não acaba ali. A criança sente o que tá acontecendo com você. Por trás do teu comportamento controlado. Então, eu percebo assim, que a maternidade,
A paternidade é uma ferida aberta. A paternidade é uma ferida aberta e está exposta no teu filho, através do teu filho. Por isso é tão difícil você, sei lá, ter um filho que bate, que agride, que não está bem. Você vai para a reunião da escola e você que fugiu, não sei. Aquilo é difícil de lidar. Por quê? Porque o filho é o fruto do teu comportamento. É teu fruto. E ele está te expondo. Por isso as pessoas ficam tão nervosas em público. Filho, fica quieto, filho. Senta aqui com a mamãe.
deixando exposto o meu desequilíbrio. E a criança, como corresponde, as crianças são puras, elas se expressam. Você vê uma criança feliz e ela é ridiculamente feliz. Ela ri, dá gargalhada, regala o olho, ela faz coisas que você diz assim, nossa, ela está triste e ela é ridiculamente triste. É tudo exagerado. Então, ela mostra que é em você. Eu mesma vejo uma criança, vejo tua filha com 11 meses, deixa ela dois minutinhos. Nossa, está ali.
segredo e o dele. Tá tudo ali na tua filha. O comportamento dela demonstra. Até o jeito da mãozinha, o jeito que ela tudo demonstra. Então o filho, ele é a intimidade exposta. E tudo que tá certo tá exposto, mas o que não tá certo também tá exposto. E você acha que hoje é mais difícil comparado, por exemplo, a fase que seus filhos são adultos já? Eles eram pequenos por conta de tecnologia, mudou sociedade? Qual a sua opinião? Ou é a mesma coisa, essencialmente, o desafio da maternidade?
Não, é mais difícil agora. Eu vejo que, lógico, a tecnologia dificultou, mas não é a tecnologia, é o que a gente faz com a tecnologia. Porque é um, como se diz, um desencadeamento? Sim, pode ser. Desencadeamento da nossa postura como adulto. Adultos, cada vez menos, querem lidar com seus próprios filhos. Adultos, cada vez menos...
aceitam o que é natural. É natural uma criança fazer birra. É natural uma criança ter medo, chorar, chamar atenção. É natural. Adultos cada vez mais exigem um comportamento da criança que não se parece com ser criança, que se parece com ser adulto. Fique quieto, sentado, bonitinho, dentro de um apartamento, sem nada para fazer, não suje, não fale, não incomode. Então, as telas são um bom recurso para você não ter que lidar com seu filho. Então, vamos dizer assim, as telas são realmente
problema, mas a atitude que a gente tem, reforçado com as telas, virou um grande problema, porque você tem ali, sei lá, você está num restaurante, eu sempre estou observando, sempre. Se você está com tua filha perto de mim, oh, saiba, eu estou observando. E depois vai para a live. Você está lá num restaurante, tem uma criança de 3 anos de idade, a comida está demorando em chegar, o menino está nas telas. Porque lidar com uma criança de 3 anos de idade chata, porque está com fome e a comida demora, não é agradável.
Então, coloque a tela. Então, é a tela. E assim, você coloca a tela para acalmar a criança. Só que o efeito da tela estressa a criança. Você tira a tela e você tem uma criança muito mais difícil. Então, é um calmante ali, passageiro. Mas que, na verdade, no fundo está fazendo pior. Aí você tira a tela e teu filho fica tão insuportável que você diz assim, ah, não, não. Toma a tela de novo. E aí vai se criando grandes desequilíbrios, grandes problemas. Os meus, graças a Deus, cresceram
no mato, assim, nem existia nada disso, e é completamente outra relação, mas... É, hoje em dia é um problema que a gente, um problema, né, uma questão que a gente tem que lidar. As pessoas sempre perguntam, e aí, vai dar tela, não vai dar tela? A gente tenta ao máximo, né, lá em casa, eu e o Bruno, a gente não tem o costume de assistir TV, então, a gente tem TV em todos os cômodos, praticamente, nossa casa é grande, tem várias TVs, todos os cômodos não, né, alguns cômodos tem TV, mas a gente não liga
TV com frequência e assiste. Existe um momento específico à noite. Eu vi um filme desde que a TT nasceu. Agora, ultimamente, a gente não tem assistido muitas coisas. E não me lembro dele, eu tava super cansado. O Bruno é um pai que vive a paternidade de verdade, né? O Bruno bota a TT pra dormir, ele tá lá todos os dias com a TT, então a gente, de fato, a gente vive a maternidade,
ter ajuda, né, minha mãe ficou lá no primeiro mês, depois eu tenho babá à noite, eu tenho babá de dia hoje em dia também, mas mesmo assim eu sou uma mãe muito presente, tudo as pessoas querem criticar, né, não interessa o jeito que você vai fazer, vai estar errado. Isso já sabemos. É, e tá tudo certo, mas a questão da TV é uma questão que a gente tá sempre lidando, e aí esses dias agora a gente tá, o Bruno tem essa mania, o Bruno ligou a TV pra assistir Pokémon, então todo dia
ele assiste Pokémon com a TT. A TT tem 11 meses. Eu boto a abertura pra ela. Porque ela gosta da abertura e depois ela ignora. É muito pequena. Mas o Pokémon é um... Mas quando eu falo pra ela assim, vamos ver o Pokémon? Ela pega o controle assim e me dá. E vai sentar no meu colo. Aí começou a abertura e em 10 segundos sai do meu colo. E começa a passear. O Pokémon é um desenho antigo. Então ele é lento. Os menininhos ficam lá andando no mato. Basicamente isso que eles fazem. Basicamente uma criança de 10 anos
ela começa a rodar o mundo fazendo rinha de galos. É isso, Pokémon. Só que com bichos. E você gosta do Pokémon? Gosta. Fala a verdade. Não, eu gosto. Porque com certeza o que a tua filha procura ali é ser momento feliz com meu pai. Meu pai gosta, fica feliz e partilhamos sobre isso. Mas tudo isso pra dizer que a gente não vê um problema em eventualmente ligar a TV e ter o Pokémon lá, entendeu? Porque é um Pokémon, é um negócio lento. Isso não é feito pra, por exemplo,
Nossa, ela está muito estressada e eu não quero ficar com ela. Então, vou botar a TV para ligar. Na verdade, é o oposto. É que, assim, opiniões e verdades sobre como educar um filho, você sabe, na internet tem tudo e tem os opostos. Você fica louco. A única coisa segura para você ver se você está fazendo o certo com a sua filha é ela. É olhar o comportamento dela. Tem criança que você coloca 15 minutos de TV e elas ficam super estressadas.
O comportamento da criança. Tem criança que você coloca uma hora de TV e ela tem uma tolerância diferente. Então, você precisa sempre perceber, medir o termômetro, se a tua maternidade, a tua paternidade está equilibrada ou não. Pra quem? Pra internet, pros especialistas, pra quem? Não. Pra tua filha. Eu tenho três filhos. Eu dou três educações completamente diferentes. Porque nem posso ter como referência do jeito que eu lido com Luan pra Tiana ou pra Narayama. Porque elas são...
Elas são pessoas completamente diferentes e elas puxam de mim coisas diferentes e elas precisam de mim coisas diferentes. Por exemplo, com Luan eu sempre preciso ser muito firme. Luan, não. Com a Narayama, se eu falar desse jeito, ela faz xixi nas calças. Tipo, com a Narayama, a Narayama puxa minha suavidade, minha doçura. Não tem como criar um modelo e você dizer, ah, está certo ou errado fazer assim ou assado por causa desse modelo. Sempre o termômetro vai ser o teu filho.
de ferramenta, mas ela não pode ser o caminho. O caminho tem que ser direto entre você e a tua filha. E o resultado, a resposta, a medida, se está certo ou errado, é o comportamento dela. Não confie em ninguém que chega e fala pra você está tudo errado, olha, não pode, sei lá, essa TV, 15 minutos de TV vai estragar a tua filha. Olha pra tua filha e vê se ela está sendo estragada. É ali que você vê a verdade. Você fica maluca. E pra criança, na verdade,
importante não é o que você faz ou o que você não faz, sei lá, se deixa desenhar a parede ou não, se come alface ou não, não é isso o mais importante para ela. O mais importante é se você está sendo você mesma. E se você está sendo você mesmo. Porque ela é fruto de vocês os dois. Então, você sendo autêntica, você sendo autêntico, você está dando para ela a força de ser autêntica, de ser ela mesma. Estão mostrando, olha como é ser, por exemplo, com meu filho mais velho, eu tenho muito espelho de teimosia. Ele é teimoso que nem eu. Eu sou muito teimoso.
E ele também. Já, por exemplo, os outros dois não são, as meninas não são assim de teimoso. Então, por exemplo, eu aprender a lidar com a minha teimosia e não é deixar de ser teimosa, porque eu sou tão teimoso que eu não quero deixar de ser teimoso. Está ótimo ser teimoso. Mas eu aprender a lidar de forma equilibrada com a minha teimosia é o melhor que eu posso fazer pelo meu filho teimoso. Ser eu mesma o mais autêntica possível e o mais equilibrada possível.
Equilibrada para quem? Em comparação a quê? Nem em comparação a minha irmã gêmea.
em comparação a mim mesma, equilibrada pra mim. Tá dando certo pra mim ser desse jeito? Tá. Então, é isso o melhor que eu posso fazer pelo meu filho. Ivana, quais são os maiores desafios que você vê hoje? Que a gente acabou de começar, né? Então, a gente não tem todos os desafios. A gente não passou ainda, né? Os desafios que a gente passou até agora foi a criança tá doente, tá lá em casa. É, o salto. Todo mês tem uma coisa diferente.
E não dorme direito. Não dorme bem, aí no outro dia ela faz uma bolha de baba. Essa habilidade nova que ela desbloqueou ainda.
Não, aí o pessoal fala que tem... Essas são desafios que, pra mim, eu entendo, e eu acho que você fala isso muito bem, né? Voltando, depois eu faço a pergunta. Eu acho que tem coisas que fazem parte da criança. Então, eu não tô tentando resolver e deixar ela uma criança perfeita. Ela não dorme direto? Tá tudo bem, ela não dorme direto, né? Vou lidar com isso. Ah, eu tenho uma ajuda, eu vou lá, dou mamar. Se ela quer que eu vá lá, eu vou lá. E tá tudo bem pra mim. Acho que faz parte do processo.
Pari, eu quis ter esse bebê e faz parte do pacote. Eu acho que tem coisas que fazem parte do pacote. Se você for ver aí no manual da Mãe Perfeita, a criança tem que dormir 12 horas. Ontem mesmo perguntaram na minha caixinha. A Tetê já dorme 12 horas? Eu falei, nunca dormiu. Ela dorme. Porque ela chora um minuto e dorme no colo. A gente que não dorme. E aí bota no berço, às vezes chora um minuto, aí fica 15 no colo, entendeu? Então ela acorda renovada toda manhã.
A gente não tá renovado, mas ela tá. Não, mas ela não dorme 12 horas, amor. Ela vai dormir 7 e meia, acorda 6 e meia. Ela dorme 11. Mas esse é um grande peso pras mulheres. Então, as pessoas têm o gabarito e acham que tem que gabaritar. Comprar o ideal de mãe perfeita. Quando você trabalha pra alcançar esse ideal, automaticamente você não tá conectada com tua filha. O que é bom pra você, pra tua filha, pra tua relação com ela. Isso é o que importa. Não é o ideal de mãe perfeita.
Que você compra, é que nem tudo, sei lá. Não tudo, exato. Você compra a ideia do paraíso, as férias, numa praia paradisíaca, não sei o quê. Você vai lá na praia, é outra coisa que você vive. Então, o ideal nunca vai te levar para a verdade. A pessoa quer fazer tudo certo, aí dá uma errada, depois não consegue fazer mais nada, porque não existe um mundo perfeito. Não existe um mundo perfeito. E é um peso muito grande para as mães, sabe?
Você pensar que você não pode errar, que tem que dar tudo certo. Menina, tá viva, seja bem-vinda ao erro, porque a vida é um grande erro. Me diga, quem aprende a andar sem cair?
Sim. Ok? Se a gente está aprendendo, você diz assim, nossa, 10 anos atrás eu era outra pessoa. Nossa, a maternidade me transformou. Se você reconhece que você está sendo transformada, então você automaticamente está reconhecendo que você não sabe. Se você não sabe, você tem que ficar, para ficar sabendo, você só fica sabendo errando. Essa é uma coisa que na escola a gente aprende muito errado. Sabe que errar está errado. Eleva nota ruim. Tipo assim, você não aprende nada se não errar.
Porque se você tem que aprender algo porque você não sabia, se você não sabia, então você está errando. Então você, para ir ajustando a tua maternidade, você tem que fazer as passas com o erro. Você vai errar, não vai ser perfeita. Faça o teu melhor, sempre faça o teu melhor. Mas saiba que você vai errar. É um grande erro você achar e se exigir ser uma mãe perfeita. Porque isso não existe e isso vai te desconectar da tua filha, da conexão com ela. E vai te dar um peso e uma culpa enorme.
É isso do erro, né? Inclusive, eu tenho muito mais recordações de coisas que eu errei em provas, e porque eu errei eu passei acertado, do que de coisas que eu acertei porque eu chutei, às vezes. Uma prova de múltipla escolha e você chutou, acertou, você não lembra mais. Mas, por exemplo, a pronúncia da palavra inesorável, o pessoal geralmente fala inexorável, uma vez foi questão de prova de um simulado, e aí eu botei que a pronúncia era inexorável, e eu errei.
Por isso eu lembro até hoje, justamente porque eu cometi um erro. E aí, Ivana, aproveitando sua experiência como mãe de vários filhos,
nós temos apenas a TT por enquanto, né? Que está com febre em casa. E aí eu até falo com a Malu, pensando assim. Não, eu já sabia, já. Ela está com um pouquinho de febre desde ontem. Acordou agora. Acordou agora. Que saudade que eu estou de uma criança. É muito bom, né? É muito bom. Mas então, eu fico olhando pra TT tão fofinha assim, eu falo pra Malu às vezes, caramba, acho muito difícil que quando tiver um próximo filho eu consiga gostar da mesma forma que eu gosto da TT. Acho que ela vai ser a minha favorita, né? E você citou que
com seus filhos, como as personalidades são diferentes, eu acho isso fascinante, né? Como é que às vezes, até irmãos gêmeos podem ser radicalmente diferentes em termos de personalidade. Você citou que tinha que tratar de maneira diferente. Isso não gerava um pouco de ciúme? Pô, você é sempre mais carinhosa com tal filha, comigo você é mais dura. Você acha que existe essa questão de filho favorito ou não? Vai gostar dos três mais ou menos igual, dos dois igual quando tiver outro, por exemplo.
Mas as crianças têm a percepção devido à diferença de tratamento por conta de personalidade.
A mãe fala que não existe filho favorito. O filho afirma que existe filho favorito. Isso aí é histórico. Isso aí é histórico. Como mãe... Bom, eu não sinto isso nem como filha, nem como mãe. Como filha, eu não sinto que minha mãe prefere um filho. Mas as minhas irmãs, sim. Acham que sou eu. Ah, então é por isso. Talvez por isso eu não percebo. Eu sinto que eu era o favorito. Mas eu também enxergo totalmente lógica por trás disso.
Claro. Então é isso. Dá pra competir. Não, eu acho que... Eu acho que eu vou concordar com você.
Por exemplo, lá em casa, o meu irmão, eu acho que ele recebe mais atenção, mas ele é mais problemático. Talvez. Mas ele fala que eu sou a prefeita. O amor... Já morreu quase três vezes. Quase morreu. Está vivo. Sabor morte. Foi muito perto. O amor é o mesmo. O sentimento por cada filho é o mesmo. O amor mais profundo e mais incrível que você pode sentir na tua vida é o amor pelos teus filhos.
Não tem como. Não há chance de você amar mais um que o outro. O que há, sim, são personalidades diferentes e facilidade ou não de conectar com aquela criança. Então, por exemplo, normalmente o filho que mais parece com você é o filho que você vai ter mais dificuldade em conectar com ele, porque ele está te mostrando coisas de você mesma que você não gosta. Está te espelhando. Nossa, você é teimoso igual a mim. Ah, essa teimosia.
Então, ele é mais difícil de ultrapassar agora. Acho que a Tietê vai ser a mais parecida.
Agora, isso não significa... Essa é a tarefa que a gente tem, porque isso não significa que você vai dar mais atenção ou mais amor ou vai ter mais aceitação por um filho ou não. Seria como você pensar, ó, eu vou dar mais comida pra esse filho porque ele come mais fácil. Pra esse que come mais difícil, ah, eu aceito e vou desistir e vou dar menos comida. Não. É a nossa missão trabalhar pra alcançar a mesma fluidez com todas as conexões. Então, quando você
essa fluidez, tipo assim, eu me relaciono o que eu tenho com Luan não tenho com nenhuma das meninas, o que eu tenho com a Tiana não existe com Luan nem com a Narayama, é algo tão profundo, tão único, tão tipo mas assim, o que eu tenho com a Narayama não existe com os outros dois mas o amor é o mesmo, o tipo de conexão a fluidez na conexão é diferente a nossa tarefa é se você tem uma conexão entupida com um filho, trabalhe nessa
conexão porque teu filho precisa de se sentir amado, aceito e acolhido. Não em comparação com os irmãos, a ele mesmo. Porque se meu pai não consegue conectar comigo, eu vou me sentir rejeitada. Eu não vou receber enxurrada de amor, porque está cheio de espinos, está cheio de travas. Então, é a nossa tarefa desfazer as travas para criar um vínculo direto com cada filho. Quando você faz isso, eles estão convencidos que são teu
O Luan tá crendo que ele é meu filho favorito. Já filma essa parte. Não há dúvidas, mãe. Eu sou tua filha favorita. Porque é impossível você amar tanto alguém como você me ama a mim. Entende? Então, na minha perspectiva, não há filho favorito. Há vínculos e fluidez diferentes, mas é a nossa responsabilidade abrir esse vínculo. Quando há empecilhos, você diz? Quando há travas. É a nossa responsabilidade trabalhar e abrir esse vínculo. Para que seja
bem abundante para cada um deles. Sim. Mas voltando à minha pergunta, que eu acabei saindo, quais são os principais desafios que você vê hoje que as pessoas passam em criar filhos? Os principais desafios? Autoridade. Tudo se resume a isso no final das contas. Quase tudo se resume a isso. Autoridade. Não tem capacidade de falar ou não com autoridade suficiente a ponto da criança entender isso. E quando você não tem autoridade, aí se desenvolve todo um bolinho.
Que você acaba até sentindo, podendo até sentir rejeição pelo teu filho. Esse menino insuportável, ele não me obedece, isso me dá trabalho. Fica com ele um pouquinho, que eu não dou mais conta. Você desenvolve todo um bololó. E quando a gente fala, você falou aí, até comentou sobre a fase das birras. A gente não chegou, acho que a gente vai começar a entrar nela agora, né? Que às vezes a gente fala não e a gente vai... Mas a gente não chegou na fase da birra. Você falou que mesmo você tendo autoridade e tudo mais,
vai chegar e vai passar. Claro, porque a gente pensa que a birra é um erro, é fruto da malcriação, e não é. A birra nada mais é que é um processo de aceitação, que eu não posso ter o que eu quero. Eu tenho um querer, mas não tudo o que eu quero eu posso. E isso é muito difícil de aceitar. Até para a gente ainda continua sendo difícil de aceitar. Então, a criança começa a perceber que ela pode querer alguma coisa, eu quero essa garrafa.
Ah, eu quero e eu posso ir lá e pegar, mas não tudo o que eu quero eu posso. Isso dá um curto.
Isso dá um choque na criança. É uma... Tipo assim, às vezes parece até sacanagem. Você dizer, ah, ser humano, você terá um poder de decisão, mas não vai poder usar ele sempre. Tem vezes que você vai ter que abrir mão do teu desejo. É sacanagem. É duro isso. Então, a birra é esse cortocircuito acontecendo dentro da criança. O que a criança precisa para poder melhorar essa birra é limite firme. Acolhimento na sua emoção.
Ok? Você queria muito pegar isso. Nossa, é digno de você querer pegar muito isso. Não está errado querer... Nossa, que criança teimosa. Ela quer porque quer a garrafa. Está certo você querer isso, mas não pode. E acompanhe a criança. Seja firme, porque quanto mais firme você é, mais fácil para a criança desistir. É como tudo nessa vida. Tipo assim... Você tem um limite muito claro, você não vai nem tentar, né? Você quer abrir um... Imagina, você quer abrir um portão. Você quer abrir um portão.
mexer no portão, ele não se mexe. Firme, forte, travado. Você tenta, tenta, tenta, você vai desistir logo, vai falar, não consigo. Você vai abrir o portão, ele tá bambu, ele tá mole, faz barulho a dobradiça. Você vai ver que tem chance de abrir o portão. A mesma coisa a criança sente com limite. O portão precisa te bater, te agredir, pra você aceitar que não vai poder abrir ele? Não, a única coisa que o portão precisa pra você aceitar é firmeza. Você mexe, chora,
Bate, faz o que quiser, mas eu não me mexo do lugar. Então, facilita para a criança aprender no processo da vira, porque ela está aprendendo a desistir. Ela está aprendendo que ela pode querer uma coisa e ela, no mesmo tempo, tem que aprender que não tudo que ela quer, ela pode. Tem que aprender a desistir. O que mais facilita a criança no processo da vira é um acompanhamento, um acolhimento das suas emoções, que aí a gente traz a educação respeitosa, acolhe a emoção da criança com firmeza. Porque quanto mais firme você forma,
pra ela desistir. Sobre essa questão de desafios, né, que você falou, pô, o principal é a autoridade, mas pegando agora pelo ponto de vista até econômico, com a elevação do custo de vida nas grandes cidades, a gente tá aqui do lado de São Paulo gravando, lá em São Paulo, pra você morar num bairro tipo Itaim, alguma coisa assim, é aluguel de 5 mil reais pra cima, muitas vezes, né? E aí o pessoal... Eu gasto aqui 4 vezes mais aqui na Bahia.
Não, é muito mais caro. Tá bom ainda. E aí em grandes cidades o que acontece é que, como o aluguel é muito caro, o custo de vida é muito alto, as pessoas
ficam na casa dos pais por mais tempo. E aí, geralmente, o ciclo é você sair da casa dos pais para se casar. Então, se você adia sair da casa dos pais, você casa mais tarde. E dentro desse ciclo, sair da casa dos pais, se casa, tem filhos. Então, a maternidade vai sendo postergada, ela acaba acontecendo muito tarde. E como o custo de vida também é alto para se criar uma criança, muitos casais hoje têm um filho. Fala, cara, tá bom, um filho.
Você acha que é mais difícil criar um filho quando ele, por exemplo, você não tendo irmãos, porque ter irmão envolve uma habilidade
política, você falou que você tem a sua irmã gêmea, você teve três filhos, eu fui crado com irmãos também, amou a mesma coisa. E hoje, olhando pra trás, eu vejo o quanto isso foi positivo. Foi muito bom pra minha criação. E como é que você enxerga isso, né? Essa questão de várias famílias com filhos únicos hoje. Isso é mais difícil de ter a criação? A criança pode ficar mais mimada, porque ela fica sendo o centro do mundo. São duas combinações que não é muito bom, que é você ser mais velho pra ter um filho. Quando você é mais velho, você é mais consciente das coisas. Falta aquele
toque de inconsciência que te deixa um pouquinho mais relaxado, sabe? Você tá muito em cima, tá? E se você tem um filho só, você só tem um lugar onde botar toda a tua preocupação, tua ansiedade, teu projeto, tudo em cima de um só. Então, eu acho que é mais saudável você ter filho mais cedo e mais de um. Porque quando você... Você cancelava isso também, será? Acho que não. Eu espero que não. Porque quando você... A gente tem capacidade pra servir muito mais.
do que um filho. Quando você coloca toda a sua capacidade de serviço para uma criança só, você enlouquece o menino. E você se enlouquece. Porque tudo fica importante. Tudo te dá muito trabalho. Quando tem o segundo, o terceiro filho, por incrível que pareça, a maternidade alivia. Porque partilha a preocupação, partilha os erros. O filho mais velho não é a única chance de ter cometido o erro. Quem foi? Dá para dividir entre três. Tem mais espaço para eles também viver os seus erros.
sem tanta exigência, ficam mais camuflados aí uns com outros, traz mais leveza. Agora, traz mais manutenção, mão de obra. Não é uma calça para lavar, são três, são quatro. Não é um lanchinho para fazer, são três, são quatro. Só que essa manutenção... Mas aí vai em produção, né? Mais fácil. Para mim, eu vivi uma maternidade muito mais tensa, caótica, preocupante, quando eu tinha um filho só. Quando eu comecei a ter mais filhos, foi ficando muito mais leve,
eu não dava conta de tanta coisa para só um. E o não dar conta é bom. Ter sempre um espaço de erro, uma margem de erro é bom. Quando você tem um filho só, tem que dar tudo certo. Nossa, o mosquito mordeu a perna do menino. Nossa, virou. Você não consegue nem porque o mosquito mordeu. Você tem três. Uma perna mordida e as outras também. Ah, então foi só um. É mais leve. Sim, minhas amigas falam. O segundo filho é muito tranquilo. A gente tem um amigo que fala
depois do quinto. Ah, é maravilhoso. É que ele se entretém muito, né? Depois do quarto. É porque as crianças se entretém também. Então, inclusive, tem um amigo nosso que ele fala, a melhor coisa que tem pra mim é, ele tem três filhos, é sentar no sofá e ver os três brincando entre eles. É, também ele tem brigas. Se entretendo muito. Também tem brigas aí entre eles. Se batendo e tal. Mas assim, e a gente que é adulto e tem irmãos, a gente sabe o que que, tipo assim, você pode ter esse entendimento, o que que você tem com teu irmão? Mas teu irmão é sangue, teu irmão não tem como. É um,
uma experiência muito linda. Eu sou sempre a favor de mais um filho, com certeza. Para todo mundo, para a mãe ficar mais leve, para a criança não ser, não ter tanta exigência, tanto olhar em cima dela e para ter irmãos. Porque quanto mais filhos você tem, mais pessoas para amar você tem também. Sim. Você se multiplica, é maravilhoso. Com certeza. E o quanto os filhos dão valor para a vida da gente. Essa é outra coisa também que hoje em dia, a galera pensa, nossa, ter um filho vai tirar minha liberdade e eu,
os meus projetos, como se eu fosse o valor. Apenas eu sou o valor. Quando você tem filho, a tua vida vale muito mais. É diferente, sei lá, uma mulher de 30 anos perder a vida, que uma mulher de 30 anos com três filhos perder a vida. A gente percebe essa diferença. Caramba, deixou três filhos, a vida dela valia mais. Então, os filhos dão valor pra nossa vida e isso tem um retorno também. Eu concordo. Hoje em dia, eu também sou a favor de ter, a gente quer ter mais filhos e eu acho que a minha
tendo um irmão foi muito, muito boa, porque eu tive que desenvolver várias habilidades pra poder conseguir lidar com meu irmão. E ter, querendo ou não, uma comparação também faz diferença, também ajuda. Sim, porque você tem aonde mirar e aonde você saber se você vai conseguir chegar ou não. E qual habilidade você vai ter que desenvolver, já que ele é uma pessoa diferente de você. Então, eu acho que faz muita diferença. Ah, sobre a birra, eu queria voltar na birra. Até quantos anos é a birra?
aceitável. Porque você falou que a birra é uma questão de incompreensão da criança sobre os limites que ela pode ou ela tem que ter. É uma falta de aceitação. Coisa que é difícil até hoje. Às vezes acontece uma coisa na tua vida e você diz, não, não, eu não queria. Por que aconteceu isso? E você faz uma pequena birra também. Não queria. É difícil esse processo. Mas assim, a birra, ela faz parte. Só que ela tem um momento intenso nos dois anos
idade, dos dois a três e meio. Três e meio, quatro com quatro já deveria acalmar um pouco mais. E depois é a volta a acontecer na adolescência. Que são os dois momentos de empoderamento pessoal. Tipo assim, com dois anos de idade, o bebê começa a perceber, ah, eu? Até ele fala pra si mesmo, não fala assim. Antes dele se perceber, ele fala assim, mamãe, papai, Luísa. Ela não se refere a si mesma como eu. No momento que ela começa a falar, mamãe, papai,
Eu, putz, segura a onda, porque vai começar. Ela está se percebendo como gente. Ela percebe que tem desejos, que tem poder de decisão. Quero, tenho, não quero, não tenho mais. Eu desejo, eu desejo. Eu, eu, eu. E depois dá uma certa assimilada. Caramba, eu existo, tá bom, já percebi. Eu quero, não quero, agora tem outro. Aí três anos de idade, brinca com coleguinha, já é capaz de emprestar alguma coisa.
Eu quero, mas tem outro que também quer. É um processo lento. Na adolescência, volta esse fortalecimento da individualidade. Nos dois anos de idade, um fortalecimento da individualidade na família. Eu, mamãe e papá. E o meu irmãozinho e a vovó. Máximo. Já tá. Por isso que eu acho muito confuso botar uma criança com três anos de idade na sala com vinte crianças. É muita coisa. É muita coisa. Na adolescência, é o mesmo processo de fortalecimento, só que eu e o mundo. Eu e a galera. Que jeito?
eu gosto de me vestir, com que grupo eu me identifico, mas de novo um fortalecimento de eu. Então, de novo começa essa crise de birra. É, e testar os limites. É importante, eu sempre falo isso para o Bruno, é importante que o adolescente teste os limites dele na adolescência, senão chega na idade adulta e ele começa a testar as coisas que ele já devia ter testado. E as consequências são um pouquinho piores, não é mesmo? Na adolescência costuma ser mais difícil, porque com dois anos de idade ele não tem história.
Novo que ele está aprendendo.
alguma coisa assim da infância. Quando você tem um filho ou algo assim, não lembro direito, mas ficou essa questão ali de te falar que uma coisa importante com tua filha pequena é você sempre ter em mente que o que você está fazendo com ela hoje é para o futuro. Do jeito que você está lidando com a birra é para o futuro. Então, não te convém dar o celular para ela para chorar ou dar o que ela pediu para parar de chorar. Não te convém fazer nada que seja para aliviar a dor ou a tensão momentânea.
Porque você sempre tem que estar pensando o que eu estou ensinando para o futuro dela. Porque ela está aprendendo, sobretudo nos primeiros sete anos de vida, ela está aprendendo com tudo o que está acontecendo com ela. Do jeito que você lidou com a vida nos dois, três anos de idade, vai impactar 100% a adolescência. Do jeito que ela vai lidar de novo com esse momento de fortalecimento, com esse baque emocional de eu quero ir para a rua, minha mãe não me deixa. Eu quero ser alguém na vida, mas eu sou ainda criança.
vai influenciar assim, totalmente. A habilidade emocional que ela vai ter para lidar com suas emoções na adolescência. Falaram que meu nariz é feio, o menino que eu gosto não gosta de mim, estou sendo excluída. Foi plantada, a primeira base foi plantada aqui. A adolescência já é um fruto daquilo que você plantou. Então, uma
coisa que as pessoas esquecem muito é de ter essa atenção. Você não está lidando com uma birra para ela parar de chorar porque estamos dentro de um avião e está incomodando as pessoas. Você está lidando com uma birra de uma menina que vai ser adulta. E está aprendendo aqui, nessa birra. Tudo o que acontece com ela, ela está aprendendo e absorvendo. Então, tem essa consciência. Eu fui uma adolescente que testei muitos limites. Eu fui uma adolescente...
Eu sou uma mulher forte e eu fui uma adolescente cheia de personalidade forte. Só que eu tinha os meus limites muito bem
definidos pelos meus pais. Então, eu acho que por isso eu não fui descabeçada, fiz besteira, né? Usei drogas e saí da linha e fiz coisas que eu me arrependeria no futuro. E a gente tem que pensar, eu acho que eu sempre fico pensando nisso, né? A criança depois, se ela fizer coisas erradas, depois ela, isso fica marcado na vida dela, né? E ela vai depois ser um adulto que fez ou que alguém fez uma escolha errada por ele naquele,
naquela infância. E a criança aprende a obedecer por medo. Tipo assim, se meu pai tá aqui, ele vai me bater, ele vai me agredir, então melhor eu faço o que ele quer. Quando chega a adolescência, assim que ela tem um espaço de não medo, não tem uma ameaça. Não é a polícia, não é a professora, não tá mãe, não tá pai. Ele vai fazer o que ele quer. A mãe batia no menino, mas o menino ficou mais forte que a mãe. Não tem mais como ela bater nele. Vai fazer o que ele quer. Seria isso? Se é outra perspectiva, dá a mesma coisa.
Mas o maior perigo é que ele vai fazer o que sabe que não pode quando não tem ameaça. Tipo assim, não está minha mãe vendo, não tem policial, não tem nada, tem um círculo de amigos aqui com drogas. Mesmo que eu sei que a minha mãe não deixa, eu vou fazer mesmo assim porque ela não está vendo, eu não tenho medo. Eu queria puxar esse assunto da punição, porque você falou de autoridade, mas tem pessoas que respeitam mais e menos autoridade.
bater, também concordo que não é bom. Castigo. Deixar lá um canto fechado no quarto, sem acesso a alguma coisa que a criança gosta. Funciona, na sua opinião? Não. Também não? Também não. Você tá ensinando errado pra ela. Você tá ensinando errado, você tá ensinando pra ela que ela tem que ser boazinha pra ganhar coisas. Se eu sou uma pessoa boazinha e estou ganhando coisas, é quando eu comecei a focar nisso. Não é ser boazinha que vai me dar coisas.
Não, mas é até uma ótica contrária. Você falou, pô, você tá ensinando que ser boazinha vai ganhar coisas. Na verdade,
Antigo não vai ensinar que ser mal vai fazer perder coisas? É o mesmo. Se você se comportar errado, você perde o que você mais gosta. Se você se comportar bonitinho, você ganha. Não é legal nem tirar, nem dar. Tipo assim, você passou de ano, então eu vou te dar um presente. Você foi tão linda, né? Você se comportou tão direito que eu vou te dar um... A verdade, agora que a gente é adulto, sabe. Não é ser boacinha ou ser massinha que você consiga ou não consiga alguma coisa.
É algo mais do que isso. Será que o mal não serve isso? Porque, por exemplo, a criança faz uma coisa errada.
ela de castigo, ela perdeu a liberdade dela durante um certo período de tempo, que por uma criança, um dia de castigo é tempo pra caramba. Não, eu já vi, agora a Ivana vai dar o exemplo que eu já vi, eu vou falar. Ela fala que o castigo tem que ser sempre referente a algo do negócio. Porque não é um castigo. Por exemplo, bateu no cachorro, aí você falou, então você não pode mais brincar com o cachorro. Perde a liberdade e o direito desse erro que ela cometeu, de ter contato
Com aquele erro que ela cometeu. Tipo, tem um livro, rasgou o livro, perde o direito de usar o livro. Por quê? Porque quando rasga o livro, você perde o livro. Então, você ensina para ela a tomar, a escolher, mudar o seu comportamento por algo coerente. Se eu rasgo um livro, eu fico sem livro. Diferente é, você rasgou o livro, mamãe ficou triste. Você rasgou o livro, então agora sofre. Não vai mais ver TV. Eu vou tirar o que você mais gosta.
Para quê? Para você sofrer. Por quê? Porque você cometeu um erro. É que a gente tem uma relação com erro péssima.
tipo, a gente acha que erro é erro. Errar está errado. E tipo, não, você está educando a criança. Rasgou o livro, fica sem livro. Mas não perde o amor da mamãe e pode brincar de qualquer outra coisa. Está tudo certo, mas livro não pode. Ah, mas se ela rasgou o livro, é porque ela não queria livro mesmo. Por exemplo, riscou a parede. Tudo bem, a gente ir lá, dar a bucha na mão, você vai limpar a parede, não sei o quê, e não vai mais brincar com o giz de cera.
Não pode, perde o direito de usar x de cera. Por quê? Porque ela está fazendo uma lusa do x de cera.
E lógico, vai recompor aquilo que ela fez. Mas não precisa ficar falando, tá vendo? Agora limpa a parede. Tudo que você fez. É como se eu falasse pra você, tá vendo? Lava a louça. Tudo que você suxou. Vamos pra um outro exemplo. E a ET vai fazer jiu-jitsu. Quando ela tiver, a partir dos três anos. Digamos que ela bata em uma amiguinha da escola. E ela provocou a briga, né? Porque é uma coisa, alguém provocou a briga, ela se defendeu.
Mas ela provocou a briga. Não dá pra eu punir falando, você vai perder o acesso à amiga da escola. Não seria interessante, por exemplo,
Falar, olha, você vai ficar no seu quarto e vai deixar de fazer certas coisas que você gosta. Deixar de treinar durante uma semana. Porque é meio que, eu fico imaginando, é meio que uma lógica prisional, entendeu? O cara fez algo errado, perde a liberdade durante 5 anos. Mas a prisão não tá dando certo, amor? Fez errado e perdeu o quê? A falta de prisão tá dando certo. Na minha opinião, se o cara tiver um custo pesado. Se o cara sabe, se eu estuprar eu sou morto, talvez ele pense muito mais antes de estuprar.
Entendeu? Então se a criança entende que ao fazer, se eu bater no meu amigo, eu sei que vou ter que ficar dias trancado em casa,
sem ter acesso a outros amigos? Perde o direito de ter acesso aos amigos. Ótimo. Coisa mais lógica que essa. E aí, o que importa pra nós é que você está ensinando a tua filha a realmente tomar decisões pelo bem dela. Porque o ser humano, a gente faz tudo pela gente. É pela gente que faz. Não é pelo outro que faz. Na verdade. Então, você está ensinando ela a tomar decisões pelo bem dela. Tipo assim, bate no amigo. Não é que não pode bater no amigo porque dói, porque machuca. Não pode bater no amigo porque você perde o direito.
ficar com amigos. Então, isso sim faz com que tua filha ganhe o domínio de mudar a sua conducta, que é algo que... Estou tentando voltar para a academia meses e não consigo. Entende? Nossa, que bom que seria eu ter mais domínio sobre a minha conducta. Mas você mostra pelo interesse dela e por algo coerente, algo que faz sentido, tipo, não sei, é uma consequência. Bebi água, fico sem água e fiquei com sede. Tá, da próxima vez eu vou beber água mais lenta. É uma decisão minha por mim mesma, não é? Porque meu pai está bravo,
minha mãe gosta de mim ou não gosta de mim. Você distrai a criança quando você fala assim, rasgou o livro, mamãe está triste, vai para o quarto pensar no que você fez, que ela não pensa nada, na verdade. Ele fica, quem é mais esperto? Tipo, a minha filha, ela me confessou. Se eu botava ela de castigo quando ela era pequena, ela ficava no castigo planejando a vingança. Nunca. Às vezes você fala para a criança pequena. Eu sabia isso, né?
Biológica prisional. Não deu certo, amor. Às vezes você fala para a criança pequena, vai para o castigo. Aí quando você vai buscar ele,
Ele fala assim, você estava no castigo, por quê? E o menino, você vê que ele está se esforçando para tentar lembrar o que que era. E ele fica nervoso. Por quê? O que você fez? E o menino nem lembra mais o que ele fez. A educação tem que ser na prática e coerente. Algo real. Bateu no cachorro, fica sem cachorro. Aí você diz assim, ele é feliz de ficar sem cachorro, ele não queria mesmo. Deixa ele sentir falta. Deixa ele, o tempo que ele sinta falta uma, duas vezes.
Entende? Ah, tá ali brincando com... Aí você tem que vigiar, né? Tá brincando com cachorro. Ei, você não pode brincar com cachorro. Você bateu um cachorro, a gente não bate... E eu sempre uso o poder da família. A gente não bate em cachorro. A gente não fala palavrão. A gente... Porque aí você usa... Porque tem outras famílias que batem em cachorro, que falam palavrão, mas aí você usa meio como uma religião, não sei como você falaria isso, mas...
Os valores da nossa família. Regras morais da família. Valores morais da família.
família a gente não faz assim. Aí você não deixa ela uma vez, duas vezes, tão pequenininha, não deixa ela três segundos, porque pra eles o tempo é muito... Não deixa ela sentir uma vez a falta daquilo, aí depois você libera, fala, ó, na segunda vez ela quer brincar com o cachorro, aí você fala, você quer brincar com o cachorro? Devolve o direito pra ela. Ela fala, quero. Você fala, você pode, mas não pode bater no cachorro. E libera.
Ela aí tem espaço pra escolher, aí ela vai bater de novo. Aí você volta e fala, ó,
Você bateu no cachorro. Entende que não precisa estar bravo com a criança? Você está educando o menino que não sabe. Por que a gente está tão bravo? Bateu no cachorro, não pode bater no cachorro. Você agora tem que ficar um tempo sem cachorro. Perde o direito de brincar com o cachorro. Deixa ela sentir, então, agora duas vezes, um pouquinho mais. Depois volta. Você quer brincar com o cachorro? Pode, mas sem bater no cachorro. Por repetição, por lógica e por escolha, a criança vai aprendendo.
Entende? Ah, eu vou escolher não bater no cachorro, porque toda vez que eu bato no cachorro,
Eu fico sem cachorro, não me convém. Então, eu vou parar de bater no cachorro. Não é que eu vou parar de bater no cachorro, porque coitado, cachorro, sentedor. A criança apenas sabe que ela existe, ela não sabe que o cachorro existe, que sente dor, que é muito pra ela. Ela vai ter essa... vai despertar pra isso, se for uma menina, talvez com 10, 11 anos de idade. Ou um menino, talvez 40. Adolescente passado pra lá. Não, Bruno, brinca aqui. Despertar pra realmente ter a percepção do outro, ter empatia pelo outro.
Como é que a criança vai ter empatia por outro se ela nem sabe que ele existe? E no caso, por exemplo, agora eu vou, né, aproveitando que você tá aqui, a gente vai, né, se consultar praticamente. Sim. No caso da TT, quando a gente não quer que ela faça algo, né, ela tem 11 meses e a gente fala, né, eu geralmente eu falo não, ela entendeu que não, aí eu já falo outra coisa. Ah, vem aqui, olha isso daqui. Tá certo a gente distrair. Mas você esperou ela aceitar? Sim. Tá. Mas ela argumenta, fica lá.
O que não é legal é você falar pra criança, ela quer pegar nisso e você fala, não, isso não pode. E leva pra outro lugar. Isso não é legal. Porque você não tá deixando ele aceitar. Por exemplo, as pedrinhas que ela não pode pegar, o Bruno fala lá, sua mãe. E ela olha pra mim. Ela sabe que... Eu já falo não pra ela. Ela chega nas pedrinhas, ela faz assim, ela sobe no vaso, se apoia, ela olha pra gente. Vai buscar a confirmação. Não. Ela tira, argumenta,
olha de novo, estica e a gente fala, não. Aí uma hora ela vai e sai. Não, não pega mais as pedras. Então, uma coisa boa pra eles tão pequenininhos é colocar o limite no concreto. Então, você vai até ela, você fala pra ela o que tá acontecendo, você quer pegar as pedrinhas, mas não pode. Coloca a mão. Então, quando ela vai fazer assim pra pegar a pedrinha, você tá com a mão e não deixa. Então, pra ela é visível que eu quero fazer isso, mas eu não posso porque a minha mãe não tá deixando. É muito prático.
Depois, mais pra frente, três anos de idade, você fala de longe, não pode, e ela te obedece, porque ela já sabe que tem coisas que ela quer e ela não pode porque a mãe não deixa, mas ela aprendeu isso na prática. Entendeu? Fica muito mais fácil assim. Pra criança assimilar essa ordem de que é pra ela levantar dúvidas, de que os desejos dela não podem ser feitos assim. Ela tem que procurar autorização pra viver esses desejos. E por enquanto essa autorização é a mãe e o pai. Sim. E sobre a escola que você falou por alto, também é polêmico.
hoje em dia, óbvio, nem pra todo mundo não é uma escolha, né? Você, infelizmente, não tem opção. Você tem que trabalhar e tem que deixar o seu filho com alguém. Antigamente, a gente, imagina, nós vivíamos em tribos. A gente não era pai e mãe só, era uma galera, os avós, estava todo mundo junto. Depois, foi mais ainda pra essa parte onde o pai morava do lado da avó, e aí era bem parecido com a educação que o Bruno teve, os avós olhavam durante o dia,
e assim por diante. E hoje em dia, a família, cada um está de um lado, as pessoas estão mais isoladas, é mais difícil. Você tem que ter outras opções. E aí a escola é uma opção de deixar, mas você sempre, eu já ouvi você falar várias vezes que deixar uma criança muito pequena na escola não é uma boa opção. O que você acha? Eu trabalhei na escola a vida inteira. Quase todas as crianças, eu vou deixar o quase só para 1%.
Tem que ter uma adaptação escolar. Tipo assim, você pensa que aquilo é normal porque é o comum. Porque toda criança pequena vai para a escola e tem que ter uma adaptação escolar e chora. A mãe vai embora chorando. A criança fica chorando. Aí a educadora vai te falar assim, cinco minutinhos e já passa. Isso aqui é só manha. Não, não é manha. É um sinal claro de que está cedo demais. Ela não está pronta para... A criança é que nem passarinho.
Ela devia sair do ninho. O ninho não devia sair dela. O ninho devia ser algo estável.
insegura, que está saindo dela o tempo todo. Por isso que uma criança pequenina, quando ela tem rotina, tem sempre as mesmas pessoas que estão com ela, que estão tranquilas, a criança se desenvolve super tranquila. A criança pequenina, que está sempre na casa de um, de outro, que nunca sabe com que adulto está, ela vai ter insegurança. Não tem como. Porque o natural para ela é estar no seu ninho, ir ganhando autonomia, ir se sentindo segura, não só física, mas mental e emocional, para se afastar do ninho. Não é natural o ninho se afastar dela.
Não é natural você chegar a uma criança, um ano de idade, dois anos de idade, até três anos de idade, colocar numa creche e você ir embora. Por isso que elas reagem desse jeito. Então, é o recurso que a gente tem. Aliás, é um recurso muito mal feito. Eles não gostam que eu fale muito disso. É um recurso muito mal feito. Como você pode achar que tua filha com três anos de idade, o melhor para ela é conviver com 20 crianças da mesma idade. Que não sabem de nada tanto quanto ela. Ela aprende com o mais velho,
firma com mais novo. É ensinando o que a gente aprende, é vendo quem está lá na frente, que a gente se inspira a crescer. Você coloca uma criança com três anos de idade, com um monte de criança de três anos de idade, ela não tem inspiração e ela não tem para crescer. Eu quero subir na árvore, que nem aquele menino. Eu também quero chegar lá. E ela perde a oportunidade de se fortalecer. Vem cá, eu te dou a mão. Eu levo você. Deixa que eu faço para você.
Eu sou boa, eu sou forte, eu sei, eu sou crescida. Tudo da mesma idade. Então, não é um ambiente,
rico para uma criança se desenvolver de verdade. Com quantos anos? Eu colocaria uma criança, foi o que eu fiz com eles. Eu coloquei lá nos três, quatro, quando eles já tinham percebido que eles existiam. Eu existo, deixa eu ver. Ah, existe você. Ah, existe você? Então somos nós os três e podemos fazer uma coisa juntos. Quando a criança já é capaz de emprestar uma coisa. Não é aquele sofrimento, sabe? Você coloca
Uma criança pequena demanda muita atenção. Você tem 20 bebês de um ano de idade juntos? Loucura. Imagina, uma criança nasce com pai, mãe, tios, avós. É uma galera para ela. E mesmo assim cansa todo mundo. E mesmo assim é muita atenção. A Malu falou um negócio desde que a Tetê nasceu.
que eu concordo muito, que são dois adultos, no mínimo, pra dar conta de uma criança. Mínimo. Tanto que eu descobri uma realidade, né? A babá, ela é uma substituta do pai. Porque quando eu não podia ficar em casa com a Malu no comecinho, a gente falava, vamos botar a babá de dia, porque senão a Malu nem ia no banheiro. Não ia fazer nada. Não ia fazer nada. Mas quando a gente tá só nós dois com a TT, fim de semana, a gente nunca tem babá, é o dia inteiro nós dois olhando ela.
Claro. Brincando. E não dá pra tirar os olhos dela, porque ela bota um negócio na boca, ela sobe uma escada,
E essa é a natureza. Está tudo certo. Não tem nada de errado com isso. Então, uma criança pequena demanda muito. A gente tem que trabalhar, deixa os filhos na creche. Mas não é por isso que você vai fechar os olhos para a realidade. Ter 20 crianças, 10 crianças de um ano de idade para três educadoras, não fecha a conta. Por mais que sejam as melhores do mundo. Porque se eu trabalho, eu tenho até parcerias com algumas escolas que são incríveis, que eu deixaria um filho lá, de tão bom que é. Mas não fecha as contas.
Se eu pudesse, se eu tivesse meus filhos pequenos, procuraria mil formas antes de colocar ele numa escola. É. Babá, vovó, titi. Alguém. Em casa. Sim. No seu ninho. E você falou isso de a criança já ir por conta própria. Eu não sei com quantos anos eu fui pra escola, mas eu lembro várias vezes da minha mãe falar, nossa, você pegava a mochila e ia embora. Claro. Como se nada... É um sinal de que já tá pronta.
A criança fica pronta quando ela se sente segura. E ela se sente segura quando ela tem um ninho firme. Uma coisa desencadeia a outra. Os meus, eles foram... Eu não lembro de adaptação difícil na escola. Ou até de sair do meu quarto para ir dormir no quarto deles. Tudo que eles têm feito tem sido um movimento natural deles. Não sou eu do outro lado puxando. Vem, filho. Sou eu de dentro empujando. Vai, filho. Está tudo certo. Estou aqui. Eu te amo. Eu te dou segurança, atenção, amor. Pode ir. É o contrário.
Ela, vem filho, fica aqui que tá tudo bem, tá tudo certo. Vai, dá esse passo. A Ivana, amor, ela é a favor de dormir com a criança na cama. Eu acho maravilhoso. Quando a Tete vai lá pra cama. Não, o Bruno gosta. Lá em casa é tudo o contrário. É porque desde o início, a Tete dorme no quarto dela sempre com alguém. Ou com a babá, ou com o Bruno. E eu nunca dormi no quarto dela porque eu não durmo com ela. Mas ela respirou a corda. No início.
Agora não, agora é mais fácil. Bem no comecinho, a gente comprou até, ela tinha o berço do quarto dela, a gente comprou um berço para o nosso quarto. E aí, na primeira noite, em casa, depois que a gente saiu da maternidade. Ninguém dormiu. A Tetê deitou assim, ela tinha um sono muito leve nisso. Eu acordava, a Malu acordava, ela acordava. Eu acordava os três, né? Aí, no meio da noite, eu falei para a Malu, eu vou para o quarto dela.
Aí, dormi lá com ela, para a Malu só ajudar o peito, né? Sim. Não é que eu sou a favor de colocar os filhos na cama.
aquilo que faz sentido para ela, sabe? O problema, eu não sou a favor disso, eu sou em contra de você achar que é um problema você dormir com teu filho, sendo que aquilo está te rasgando por dentro. Tanto porque você... Eu, por exemplo, meus filhos pertinho. Eles são adultos. Hoje mesmo eu entrei no quarto do Luan. O que você quer mais? Só te dar um cheiro. Eu sou uma pessoa assim que gosta do cheirinho, de estar perto.
Por que eu vou achar que eles dormirem comigo e eu dormir com eles vai criar dependência? Eu tenho três filhos superindependentes. Não é a criança dormir com a mãe e com o pai que vai criar dependência. O que acontece é que muitas mães e pais que têm uma relação de dependência com os filhos colocam eles para dormir com eles. É diferente. É uma consequência delas mesmas. Claro. Colocam eles para dormir. Mas não é dormir com a mãe e com o pai que cria dependência. Pelo contrário.
mais bem-vindo, quanto menos a gente empurra o filho, mais ele é seguro, se sente pra ele aí. É, eu falei pra Malu, a gente teve outro dia uma conversa sobre isso, ela falou, quando a Tetê ficar mais velha e quiser vir aqui pro quarto pra deitar na nossa cama, o que você acha? Eu falei, ah, por mim, tudo bem. Eu nunca fiz isso na cama dos meus pais, mas a minha irmã fazia sempre. Claro. Entendeu? E minha irmã é super independente, não tem nenhum tipo de problema.
A questão é, não vai fazer mal pra ela. O que faz mal é se você quer fazer isso, se você quer dormir uma noite com tua filha. Minha filha até agora, 14,
anos de idade, às vezes ela chega e fala, posso dormir com você? Eu já não gosto tanto porque ela é grande e chuta, mas eu faço, porque pra ela é muito bom. Ela vai girando, porque agora, por exemplo, quando a gente vai pra um hotel e tal, a gente geralmente, ela dorme melhor se dorme na cama com a gente. Se botar no berço, ela não conhece o berço, ela fica estranha e tal. O berço de hotel às vezes é muito baixo também. É muito baixo e tal, e a gente coloca ela pra dormir. Aí, às vezes, nossa senhora, aí ela joga, se joga na gente, se joga.
vai girando e vai chutando e vai não sei o quê. E aí, eu acho que não é producente pra mim, nem pra ela, entendeu? Mas ela dorme ótimo. Ela é quase super renovada. De novo, quem não dorme bem... Os meus ficaram comigo no meu quarto, mas eu tinha sempre uma cama pra eles. Eles não dormiam na minha cama, eles dormiam ali do lado. Mas assim, pra criança, o paraíso pra ela é mãe e pai perto. Em todo. Em todos os sentidos. Pra ela ir pra escola e a mãe ficar com ela é o paraíso.
E preescolha e ter que se desprender da mãe não é o paraíso, entende? Sempre vai ser. E muito mais à noite quando ela dorme, que ela abandona a sua consciência, abandona o seu corpo. Ela precisa se sentir segura, cuidada, protegida. E até é uma questão natural, porque assim, vamos dizer, a gente é tudo animal. Entra uma onça na tua casa, você vai acordar. A tua filha não. Então ela precisa de ser alerta, de ser cuidado em volta dela.
Ela ainda não tem essa consciência. Ela nem vai acordar. Ela não consegue se proteger a si mesma.
as crianças, elas são tão coladas, dependentes, e querem sempre ficar pertinho. Porque a vida dela depende de vocês, não é só porque te ama. É porque é uma questão de inteligência, não sei como se diz, enata. Está dentro da gente, de sobrevivência. É do lado dela que eu estou segura, é do lado dela que eu estou segura. Do lado dela, eu estou segura. Do lado da prof, eu estou segura. Mas do lado dela, eu estou segura. Por quê? Porque ela morre por mim.
Ela dá a vida por mim. A criança sente isso. É uma coisa que eu sempre falo para as
quando estão fazendo a adaptação da criança, você, professora, você tem que se sentir a mãe daquela criança, porque a criança sente que você dá vida por ela e ela se sente segura e relaxa. Se você é a professora que está ali com o bebê de alguém, a criança desespera, porque a vida dela tem risco. Eles sentem. Ela está sendo cuidada por um adulto que não dá vida por ele. E é muito difícil nas escolas, porque normalmente os educadores, educadoras, elas têm muito medo da mãe do pai, de fazer algo errado,
com o filho, de que a mãe e o pai fiquem bravos porque caiu, machucou, deu uma cobrança da mãe e do pai. Então, eles não assumem a autoridade. Tipo assim, a professora tem medo de falar com teu filho, botar um limite no teu filho. Porque ele vai contar pra você e você vai ficar brava com ela. Então, eles não têm autoridade. Então, é um bando de crianças sem adultos assumindo, na verdade, a autoridade deles. É. E quanto à autonomia, né?
No caso, muito se fala que quando a gente dá... Pra você não mimar a criança, você precisa
precisa dar autonomia a ela e não fazer por ela aquilo que ela consegue fazer sozinha. Como que a gente... Autonomia do sono, isso? Não, na vida, na vida, eu diria. Do sono, não existe isso. Se existe a Ivana... Você acredita em autonomia do sono, Ivana? Pra ele dormir sozinho, trancado no quarto, berrando? Sim. Não. Isso é tortura do sono. Isso é abandono. Não, não. Então, por isso que eu nem perguntei isso. Eu já sabia a resposta. Eu queria saber sobre mimar a criança.
Porque eu tenho medo de mimar. Eu acho que às vezes... Não sei. A gente está também testando. A gente está tentando. A gente é pai pela primeira vez. Óbvio que eu vou errar um monte de vezes. O Bruno vai errar um monte de vezes. Mas a gente quer acertar. Qual é a melhor forma de fazer isso? A gente tem medo também porque nós fomos criados em condições econômicas muito diferentes da nossa filha agora. Porque felizmente, graças a muito trabalho e sorte também, sempre presente, a gente conseguiu enriquecer. Então a minha filha não ia passar perrengues pelos quais eu passei lá atrás.
Mas que quando eu olho pra trás, eu falo, cara, aquele perrengue foi útil. Foi bom, por isso. Sabe? Porque com aquilo eu aprendi a me virar. Só que ela não vai ter isso. Porque ela já tem uma série de conquistas com as quais ela já nasceu. E não vai ter preocupações que eu tive lá atrás. Vai ter outras. Eu também não tive, porque eu não tive a condição dela quando ela nasceu, né? Mas a gente tem muito medo de estragar a criação, dando muita facilidade pra ela.
Medo, como se diz, é legítimo isso daí. E muito mais quando a gente veio de uma condição que talvez não tinha.
tanta facilidade. Então, a gente acha que a facilidade está facilitando alguma coisa. E, na verdade, cuidado com a relação das babás, por exemplo. Porque a babá, normalmente, ela sente que ela tem que fazer tudo pela criança, que a criança não pode chorar, que a criança não pode... Tem que brincar com a criança, tem que treter, tem que deixar a menina feliz o dia inteiro. E assim, você disse, os perrengues me fortaleceram. Lógico, deixa a tua filha tentar botar um sapato, duas horas, duas horas não vai ficar, e ficar com raiva, o sapato,
o sapato e buscar o sapato, chorar, desistir, pedir ajuda. Deixa ela lidar com os pequenos perrengues da vida dela. Deixa teu filho com 5 anos de idade fazer o seu sanduíche. Deixa teu filho com 4 anos de idade lavar o seu copo. Não é porque você tem facilidade que aquilo é o melhor pra tua filha. Porque é isso. A gente ganha... A criança pequena, ela ganha autoestima através do fazer. Olha o que eu fiz. Eles vivem falando. Olha o desenho que eu fiz.
Olha o pulo que eu di. É através do fazer. Então, se você evita que tua filha faça... Outro dia, eu fui numa pracinha, tava lá duas babás com duas criancinhas de um ano e meio de idade. Ela não deixava nem subir a escada do escorrega. A babá quase se jogou no escorrega com o bebê no colo. Porque é o medo de que dê algo errado, que o menino se machuque. E é a prestação de serviço. Tipo, eu tenho que deixar o menino feliz. É, e muitas vezes a mãe pede que seja assim, né?
Não, é lógico. Uma coisa é estar no parquinho com a gente, a gente olha na escada e fala, ela pode cair, mas se cair,
beleza, né? Claro. Mesmo assim, se acontecer, você acha que a Malu ia brigar comigo? Pô, você deixou ela cair? Imagina se a babá... A babá é despensada. A consequência é muito maior. Dá pra entender o lado dela totalmente. Dá pra entender o lado dela, só que não me interessa o lado dela, me interessa a criança. Não, mas então... A mim me interessa a criança. E é por isso que eu sempre falo pro Bruno, a gente nunca... Nunca é muito forte, óbvio, mas a gente tem que...
Eu falei isso essa semana pro Bruno, eu falei, a gente tem que sempre tentar estar sozinho com a TT durante os finais de semana. Porque no final de semana,
Que eu vou fazer uma comida e que ela vai ver eu fazendo. É no final de semana que ela vai ter. Ela vai ver a coisa acontecendo, né? Porque eu vi a minha mãe. Minha mãe, você falou, né? A gente serve muito. Hoje em dia eu consigo observar o quanto a minha mãe é uma pessoa que serve. Ela serve acima de tudo, né? Se eu tô sentada aqui e eu falo, ai, tô com sede. Na mesma hora ela levanta e pega um copo de água pra mim, sem eu pedir, sem nada.
Então, esse valor é um valor que tem que ser cultivado, né? E pra tua filha, as pessoas mais importantes do mundo ou são vocês?
vocês são o amor da vida dela. Então imagina, o tempo que ela está com vocês para ela é o paraíso. E as pessoas que podem de verdade ensinar ela a ser ela mesma são vocês, porque ela é fruto de vocês. Ela é metade e metade. Ela se reconhece em você, se reconhece em você. Então ela não vai aprender com o tio, com o vovô ou com a babá a ser você e a ser você. Entende? Que é a composição dela. Não que todas as relações não sejam importantes, mas a principal são vocês.
Então, para ela, tempo com vocês é o melhor do mundo. Não é a mesma coisa até agora de adulto. Eu estava até comentando isso no Instagram ontem, na minha live de ontem. Estava falando do elogio. Meu pai nunca me reconheceu, nunca me disse assim, Ivana, nossa, que incrível, que lindo trabalho você está fazendo. Nunca, nunca. Ele faleceu sem nem... Acho que nunca nem viu o que eu estava fazendo. E elas começaram, as minhas seguidoras começaram a falar, mas a gente está o tempo inteiro te falando.
você é incrível, vai pra frente, não desiste. Eu falo pra elas, milhares de vocês falando isso, não tem, lógico que tem um impacto, e eu preciso desse impacto, logo por quê? Porque eu não tenho, e uma seguidora falou muito bem falado, você não tem um reconhecimento primário. É lá o que importa. Não me importa se meu pai tem carro, dinheiro, não dinheiro, não me importa. O que eu preciso dele é aquele olhar da fonte. Que tá me dizendo, filha, você dá certo,
vai lá continua eu te amo eu te
Então, as crianças têm que ter isso. Em muita dose disso. Alguém perguntou aqui no chat. Deixar chorar pode? Em que ocasião, né? Eu não gosto de deixar chorar. Deixar chorar, sim. Deixar chorando, não. São coisas diferentes. Deixar chorar, sim. Lógico. Faz uma birra, chora. Pode chorar. Tá triste, chora. Caramba, chora. Tá tudo certo. Agora, deixar chorando, não. Deixar lá, né? Vai chorar. Até você não parar de chorar, ó. Vai lá chorar.
não está bem, não é? A gente não chora porque está bem, a gente chora porque não está bem. Então, a última coisa que a criança precisa é não estar bem e, em cima, ter uma mãe brava rejeitando e mandando para lá. É pesado. É pesado. Lógico que sim. Mas permitir que a criança chore é necessário. A gente teve muito isso, né? Engole o choro, a nossa geração, engole o choro, não pode chorar. E aí, o que é que teve? Pouco espaço para lidar com as emoções. E aí estamos esse monte de adultos emocionalmente imaturos.
não conseguimos tolerar uma birra de uma criança. O que eu mais vejo é uma criança de dois anos de idade fazendo birra e a mãe de 34 fazendo a mesma birra. O pior, porque a mãe não tem inteligência emocional. Por quê? Porque ela é ruim? Não, porque ela não teve como desenvolver essa inteligência na infância. E aí você fala isso e aí a gente vê lá os comentários das mulheres, das mães indignadas. Por quê? Fazendo birra, porque você falou a verdade. E elas não têm a capacidade
de assimilar essa realidade. E a última coisa que uma criança que está fazendo birra precisa é uma mãe ou um pai fazendo birra do lado dela. Porque ela fica lutando, como eu já expliquei, essa trava dentro dela, quero ou não posso. E também sendo ameaçada e sendo pressionada com uma mãe louca, desestabilizada do lado dela. Então ela tem que lidar com ela e com a mãe dela. E se regular logo porque a mãe está surtada.
difícil pedir isso para uma criança de dois, três anos de idade, que estava lutando com algo tão interno ainda. O que ela precisa é que você esteja ali inteira. Caramba, não é tua batalha, é a batalha dela. Não é problema teu que ela está chorando porque você não vai deixar ela pegar essa garrafa. Não é teu problema, é a batalha dela. A única coisa que ela precisa é que você acolha, não maltrate ela porque ela deseja a garrafa, que é outra coisa. A gente acha que ter um desejo é sujo, é impróprio, não sei. Não.
Está certo ela deixar a garrafa. É digno, está ótimo, mas não pode. Isso que você está querendo e que está tudo bem, não pode. É só isso que ela precisa, na verdade. E qual você acha que é o principal erro que pais bem intencionados cometem hoje na criação de seus filhos? Querer ser perfeito, não errar. Porque acaba sendo uma desconexão muito grande com o filho, uma exigência muito grande. Querer que o filho não chore, não tenha problema na escola, não seja um ser vivo. Até me perguntaram, e se vai na nossa, na tua casa,
Filha, deve ser perfeito, não deve ter problema nenhum. Filha, meu filho tá cheio de problemas. Ter um problema não é um problema, é isso que faz a diferença. Os problemas não são um problema, porque a gente aceitou a vida. A vida acontecendo, né? A vida acontecendo. As coisas não saem perfeitas. Eu sempre falo pra Malu, isso que a tete não é uma planilha, né? Nossa, dormiu muito bem, só acordou uma vez, no outro dia eu vou acordar três, às vezes.
Vai direto, já aconteceu também. E é a negação do negativo que faz muito mal também. Tipo, se ela chega da escola feliz, ai, você tá feliz, conta pra mim.
mamãe, se ela chegar da escola brava, muda a cara. Você não tem motivo para estar assim. Então, você só pode ser feliz, mas o ser humano é luz e sombra. É amor e ódio. É felicidade e tristeza. A gente, dentro da gente, é dualidade. Então, só o positivo é aceito e bem-vindo. O negativo eu tenho que esconder, reprimir, guardar. É sujo, não é digno. Por isso a importância da educação respeituosa que vem acolher a emoção. Vem acolher o negativo.
Vamos acolher o negativo, vamos tratar do negativo. Que o problema não seja um problema.
Que o problema seja o caminho para aprender alguma coisa. Isso é o que faz a diferença. Acho que essa talvez seria a principal mudança numa educação tradicional. Porque eu vejo de perto também uma pessoa que educa de forma bem tradicional. Eu acho que essa é uma das coisas que eu vejo. Negar o negativo. Ah, então fica lá e espera. É o que você falou. Então espera você parar de chorar para você vir aqui falar comigo.
A criança não entende direito por que ela tá fazendo isso, né? Ela não entende, lógico que ela não entende. Tipo assim, você tá pedindo pra ela, vai lá. Você regula emocionalmente pra ser digna de falar comigo. Com essa emoção toda bagunçada, você não é digna de falar comigo. Depois ela tem 15 anos de idade, ela não conta os problemas dela pra você. Você é o último recurso dela. Um adolescente faz uma besteira que minha mãe não fica sabendo.
Esconde deles. Por quê? Porque eu não sou digna de errar. Errar está errado. Eles vão brigar, vão... Tipo assim, vai ser um caos aquilo.
Aí está na raiz, faz sentido. Eu não era uma adolescente aberta com meu pai, porque eu realmente, eu evitava errar, não errava tanto, mas se eu errasse, eu não falava abertamente pra ele, olha, fiz essa merda aqui, aí, ó. E sim, se você errar merece ser castigada, apanhar e não sei o quê, o erro não é uma oportunidade de aprendizagem. Talvez não tivesse sido presa. Eu nunca fui presa, Ivana, mentira, é uma brincadeira inteira.
vai dizer que é o Brasil. É mentira. A gente tem que deixar... É uma brincadeira que eu faço. É uma brincadeira que eu tenho que fazer. A gente sempre tem um roteiro aqui que o pessoal, a gente nunca segue, mas sempre tem boas perguntas que de vez em quando a gente usa. E aí tem uma boa pergunta aqui sobre as coisas que... Datas, né? Mentir sobre o Papai Noel, por exemplo. Coelho da Páscoa. Fada do Dente. O que você acha sobre isso? E pra que você mente?
pra criança? Qual é a intenção? É aquilo que eu te falo, a gente sempre tem que ver. Ontem, antes de ontem, uma das minhas babás falou, vai ter pezinho de coelho pra TT? E aí eu fiquei assim, não, porque tem o aniversário da TT que eu tô planejando, e aí a gente vai viajar, e aí tem o meu aniversário, e é um monte de coisa que eu tô planejando. Nossa, nem lembrei que tinha Páscoa. Eu nem pensei isso. E aí tem o coelho da Páscoa, que não tem nada a ver com a Páscoa. E aí o meu pai nunca fez isso pra mim.
Minha mãe fazia. Sua mãe, óbvio, que fazia. Sua mãe adora todas as coisas que são lúdicas. A minha sogra é muito assim, ela adora. E ela gosta de coisas manuais. Ela é uma pessoa que faz muitas coisas manuais. E aí eu fiquei, gente, será que eu tenho que fazer pezinho do coelho da Páscoa? Eu fiquei muito confusa. É que eu acho que não se trata de fazer ou não fazer. Se trata de mentir ou não mentir. Porque você pode fazer sem mentir.
Eu vivi a minha infância inteira, o Papai Noel, Rei Magos, no 6 de Janeiro, Páscoa. Aqui no Brasil.
magia disso tudo, mas minha mãe nunca mentiu pra mim. Por isso que eu sempre quero que a gente lembre que tudo que a gente está fazendo com a criança tem que ter um sentido. Pra quê? O que você está ensinando? Pra quê que você mente? Ah, pra manter a fantasia, a ilusão. Mas a criança precisa se livrar da fantasia da ilusão. Ela não precisa manter a fantasia da ilusão. Ela é fantasia da ilusão. Todo o processo da infância é o despertar da fantasia da ilusão. A criança não precisa que você estimule a viagem dela. Ela já está viajando.
Aliás, ela precisa que você ajude a ela acordar da viagem. Filha, você queima, não pode. Ela acha que ela pode. Mas, Ivana, sobre o Natal, por exemplo, então, desde pequena, você sabe que o Papai Noel não existe? Eu? É. Sim. Mas sempre existiu o Papai Noel pra mim. A tua filha assiste o Mickey. Ela assiste o Mickey. Ela duvida de que o Mickey existe. Está ali o Mickey. Ela perde a machia do Mickey. Está ali o Mickey. Você sabia que era um personagem. Mas você alguma vez falou, é, o Mickey existe de cada um.
A minha filha um dia me questionou, a Narayama um dia me questionou. Mas o Papai Noel existe? Ele existe na TV, ele existe nas revistas, existe o boneco de Papai Noel. Mas assim, de carne e osso, que nem eu não. Cortou a ilusão da menina? Não. Aliás, a Narayama sempre viveu a ilusão de Natal.
pura. Um dia a gente foi no shopping comprar o presente. Sempre eu falei pra eles, o que vocês querem que eu dê de Natal? Quando era pra escolher. Às vezes era surpresa. Não vou falar, vai ter surpresa. E colocava os presentinhos embaixo. Até hoje eu coloco os presentinhos embaixo da árvore. Aí toda a ansiedade de abrir o presente. Eles sempre viveram toda a emoção do Natal, do Papai Noel, do Coelhinho da Páscoa. Só que sem mentiras.
Com a verdade. O que eu questiono é por que você mente? O que você busca? Porque se você tiver um
muito bom e que vai ser muito bom para o futuro dela, para a vida dela, para a estrutura dela, faça. Mas qual é o motivo? Um dia, eu fui no shopping com a Narayama, comprou o presente de Natal, ela comprou o presente de Natal, comprou o embrulho, chegamos em casa, embrulhou o presente, colocou embaixo da árvore, foi dormindo, outro dia acordou ansiosa para abrir o presente. É impossível. Eu estou batalhando para ela sair da ilusão, não para ela ficar na ilusão. Entende? A criança não precisa que você minta, invente e crie,
machia, ela é mágica. É o contrário, ela precisa despertar da machia com o tempo, devagarinho, mas ela precisa ir despertando pra quê? Pra cair na real, porque ela tá na real aqui. E a infância é o processo de adaptação pra essa realidade. Eu não lembro se eu cheguei a acreditar por muito tempo no Papai Noel, na real. Eu não lembro da ideia do Papai Noel trazer o presente pra mim. A sua mãe, com certeza, tinha essa ideia, porque ela vive... Teve Natal que teve Papai Noel, meu avô. Que vinha, é.
com a barba pra entregar o presente. Eu já me vesti de Papai Noel pra nossa sobrinha já. Foi horrível o desempenho. Mas ela gostou, mas ela se deu conta. Porque no final ela falou assim, olhou pra todo mundo em volta e falou, cadê o tio Bruno? Ela viu que eu tava faltando, né? Ela tinha uns quatro. Eu tive isso tudo. Papai Noel fantasiado, presentes, ansiedade, ilusão, cartinha pro Papai Noel. Eu tive isso tudo. A única coisa que eu não tive foi a mentira. Então quando você perguntou se existia, aí te falaram, olha, é um personagem.
Eu não perguntei se existia porque eu sempre tive clareza do que era Papai Noel. Você alguma vez perguntou ao Mica e existe? O Patodona e ele existe? Sei lá. Você sempre teve claro o que era. Talvez, acho que ninguém falou pra você, ó, o Papai Noel vem aí te trazer um presente. Não. Por isso que eu digo, eu sempre tive toda a ilusão. Não teve a mentira, entendeu? Toda a brincadeira, a ilusão. Vou fazer a cartinha pro Papai Noel, mas eu sabia que a cartinha pro Papai Noel não era pro Papai Noel de carne e osso. Eu sabia que era a minha mãe que ia ler a cartinha,
comprar os presentes. Mas aí que eu te falo, essa mistura da criança que dá pra viver a magia sem precisar do engano, da mentira. Entende? Porque eu escrevia a cartinha pro Papai Noel, deixava a cartinha pro Papai Noel, sabendo que não era o Papai Noel, mas era o Papai Noel. Quando você é criança, você vive ali no mundo da fantasia e a realidade um pé em cada lugar. Então, faz parte, tá tudo certo. A historinha, a brincadeira. Assim como também eu brincava de que eu era uma, sei lá, que eu tinha um barco,
com meus amigos, que saíamos no barco e saíamos em um bosque com uma madeira, fazendo assim, que a gente estava num barco. E eu estava vivendo aquilo. Era um barco, mas não era a realidade. Eu sabia que não era a realidade. Dá para entender essa mistura dos dois? Agora, uma coisa que eu te falo, eu sei que a minha mãe não mente para mim nunca. Nunca. Minha mãe não mente para mim. E isso é a mesma energia da autoridade. É uma coisa tão certa dentro, sabe?
Eu sei que mesmo que seja algo difícil, ou alguma coisa que ela não vai falar para mim, ela não vai mentir também. Ela vai falar, eu sei a verdade disso,
posso falar. Sempre vai ser a verdade. Que alívio. A criança ter essa noção de que os pais sempre falam a verdade pra ela é muito positivo. É que eu fico pensando também, se a TT me perguntar e eu falo pra ela, olha, não existe de carne e osso. Ela chega na escola e quebra a ilusão de todos os amigos. Mas você pode encontrar outra forma. Como eu falei pra minha filha, o Papai Noel existe nos livros, existe nos brinquedos. É assim que ele existe.
Igual que o Pokémon. Existe nos desenhos. Se ela não perguntar mais nada, fica por aí.
não precisa falar, não existe de carne e osso. Eu precisei porque minha filha já era mais velha. E ela questionou, mas de carne e osso assim que nem você. Ela queria ter certeza. E é muito engraçado porque ela fez essa pergunta, sendo que eu sempre falei pra ela, o que você quer que eu compre de Papai Noel? Vamos comprar o presente juntas. É, a forma como fala, né? Mas o filho da Páscoa não precisa não. Então, eu acho que não também. É que eu não sou uma pessoa que fantasia muito.
E aí, às vezes, eu fico na dúvida. Se eu tenho que fantasiar, eu sou muito pragmática, eu sou muito realista. Então, eu às vezes fico, será que eu estou tirando a ilusão da criança? Não sei, entendeu? Eu fico nessa, essa é uma dúvida de criação. Não, a criança está na ilusão e a gente tem que tirar a ilusão dela. Não alimentar mais ilusão. Ela já está na ilusão. Os adultos pensam que a criança é fantasia porque você estimula a fantasia dela. Não, a criança é fantasia.
com você que ela aprende a se desfazer da fantasia. Ela não precisa que você coloque e viaje na cabeça dela, a cabeça dela já está viajando. E aí uma outra coisa que até perguntaram aqui no chat também, que eu acho que é uma questão que acontece muito, esses dias até o Bruno, a gente entrou nesse assunto, e se até tem morder alguém na escola, por que as crianças existem essa fase e isso acontece independente do que a gente faça?
Ela está me mordendo assim, vem brincar comigo, ela vai me abraçar, ela dá uma mordida às vezes.
E você brinca de morrer? Não, não. Não, não faça isso. Aí por isso que eu falei com a Malu, eu falei, caramba, imagina, né? A gente não quer botar ela na escola agora, nem nada disso, mas quando a minha família me conta histórias minhas quando eu era criança, tinha uma amiga minha com a mesma idade, a Raiza, que me mordia. Essa é uma história que ela mordeu minhas costas e eu cheguei assim, ó, apontando, sem conseguir chorar, sabe?
Quando você tá querendo chorar e tá mudo. Aí quando ela me mordeu, eu pensei, caramba, será que ela morderia um amiguinho? A criança pequena, ela não tá mordendo você.
É que nem um... Foi o que eu falei pro Bruno. Ela não sabe que ela te mordeu. Igual quando ela belisca. Ela não tem ideia de que aquilo machuca. Ela não tem ideia que você existe. Que você sente. Não tem ideia mesmo. Pra ela, você é um pedaço dela. É algo bom dela. Ah, meu pai. É algo bom. Não é algo separado dela. Por isso que é tão difícil pra ela deixar ir. O pai tá indo embora. Ah, tô perdendo uma parte de mim. Ela não pode entender.
O pai tá indo embora, mas ele volta. Mas assim, ela não tá mordendo você. Não é isso que ela tá fazendo. É que nem os filhotes de cachorro.
chorrinho que ficam lá, eles são desengonçados, eles fazem o que vem à cabeça, eles expressam energia, tá aprendendo a usar o seu corpo, chega e bate, não tá batendo, de verdade. Então, por isso que eu falo, não é saudável colocar um monte de criança dessa idade com um monte de criança da mesma idade, que não sabem. Ela precisa conviver com criança mais velha, no caso. Criança capaz de contemplar essa, como se diz? E eles adoram?
tempo. E eles adoram crianças mais velhas, né? Claro. A criança mais velha inspira ela pra crescer. Eu acho impressionante. E de uma forma segura. Uma criança, assim, de 5 anos, ela fica... Ela acha incrível. Ela é capaz de morder uma criança da mesma idade, mas é muito difícil que ela vai morder uma criança de 5 ou 10 anos, na verdade. Porque ela tá inspirada, aprendendo, tá sendo inspirada a crescer, a evoluir. É outra coisa, é outra relação. Criança pequena deveria conviver com criança mais velha.
Não com criança da mesma idade. Ela não tá pronta a sair. Tua filha fala assim, empresta pra mim, toma. Deu dois segundos, tá chorando, que de volta. Ela não sabe ainda. Mas, se tua filha tá mordendo, precisa de ensinar. Assim como não mexer nas pedras, também não morder. Ei, não. Não pode. Você mordeu. Não pode morder. Isso que você fez, não pode. E coloca o limite pra ela ir sabendo que aquela ação não pode ser feita. Sem autorização. Tão fofinho.
Animada. Claro, elas se animam, elas sentem coisas que não é como a gente. A gente sente e diz, ai, fiquei nervosa, reconheço o que sentiu. Para eles, passam energia, passam emoções por dentro do corpo deles, que elas não têm a mínima ideia. E vão expressar aquilo. Do nada, tem um tapa. Como do nada, começa a rir. É verdade. É mágico. É. É muito lindo. Eu acho que a gente deveria ressignificar a forma que a gente olha para as crianças. Porque a gente olha para as crianças com um olhar tão adulto, tão esquecido,
do que é que está acontecendo lá. Nossa, ver uma criança feliz, rindo, chorando, fazendo uma birra. Antes eu olhava uma criança fazendo birra e eu sentia assim, nossa, criança mimada, malcriada. Agora me emociona ver uma criança fazendo birra. Ela está batalhando. Ela está trabalhando uma batalha dentro dela. É lindo de ver o desenvolvimento do ser humano. Agora mudando completamente o assunto, já que a gente sai de coisas polêmicas. Vou botar polêmica de novo?
Não, não, acho que não. Seus filhos são bilíngues. Sim. Porque você fala espanhol e o pai deles falava português. Sim. Desde sempre vocês falaram duas línguas em casa. Sim. E eles tiveram alguma dificuldade com alguma coisa por conta disso? Sim. Eles aprenderam... Uma curiosidade só que eu tenho. Os três aprenderam a falar um pouquinho mais tarde. Mas quando falaram, falavam as duas línguas no mesmo tempo. Um pouquinho mais tarde seria tipo quando, assim. Ah, eu não me lembro direito.
Comparava mais, assim, com as crianças de um ano e meio, dois anos. Não me lembro direito a referência, assim, mas eu sei que as crianças da idade deles já estavam falando e os meus demoraram, assim, tipo, quatro, cinco meses mais. Entendi. Só que quando eles falaram, falaram as duas línguas. Por quê? E eles demoraram muito tempo em perceber que estavam falando duas línguas, tipo, sete anos de idade. A Tiana percebeu. Ah, porque ela ia falando com você e ela ia falando com o pai.
com o pai. Demorou muito tempo pra se tocar, que eram duas línguas diferentes. Interessante. E falava com as pessoas com... Com a língua que elas falavam. E a gente ia pro Uruguai e conversava com as pessoas, tipo, é. Demorou tempo pra ter consciência que ela tava falando duas línguas. Ou seja, era automático, né? Sim. É, porque a gente, né, a gente agora, a gente tem que tomar uma decisão. E muitas vezes, várias amigas minhas colocaram na escola bilingue.
Aí tem várias amigas minhas que colocaram na escola internacional, onde só se fala inglês.
inglês, e aí eu tenho alguns amigos que estudam, a gente, né, a gente, ah, vamos ver o estudo, qual o melhor estudo, e aí tem que falar inglês, esses dias falaram lá na minha caixinha que a gente não pode falar nada errado com a TT, que ela vai, eu falei, gente, mas é uma criança, acho que daqui a pouco também, né, não tem uma questão da gente falar uma outra palavra errada, eu acho que, não sei, eu posso estar errada, mas na minha concepção, eu gosto das coisas mais leves,
É a ideia que as pessoas têm, porque é realmente nos primeiros anos de vida que a criança absorve mais. Porque ela tem uma mente que permite. Tipo, isso, para ela falar um idioma ou outro idioma, ela nem percebe que está falando idiomas diferentes. Então a mente aceita muito mais fácil aquilo. Agora, daí a pensar que teu filho vai ser só aquilo que aprendeu nos primeiros anos de vida e que vai ficar assim para sempre. Caramba, eu estou com
45 trabalhando, melhorando coisas da minha infância. Dá pra mudar, dá pra melhorar. Na minha experiência, eu sempre tive escola com crianças de várias partes do mundo, sabe? Que falavam alemão, francês, inglês, espanhol, português. E acompanhei várias crianças que chegaram assim, tipo, morar no Brasil, elas só falavam francês. Um mês, dois meses de convivência com outras crianças que falavam português, as meninas começavam a falar português perfeito, ensinando os pais.
Então, tipo, porque a criança tem a mente muito sem preconceito, sem barreira. Ela nem percebe que está falando outro idioma. Ela só está falando do jeito que comunica com os outros. Então, eles aprendem muito rápido. Muito mesmo. Agora, no ambiente que não é uma aula de... É o ambiente. Sim. É o ambiente. Todo mundo fala desse jeito, então eu falo desse jeito. Eu já vi criança que falava outra língua e chegava aqui no Brasil e ela automaticamente, só por estar aqui, já entendia o idioma.
mas ela já entendia. O código, outro código. Porque tem uma mente que permite mais, né? É sentido. Mas acho que essa questão vai perder relevância com o tempo. Por quê? O Elon Musk, ele criou uma escola para os próprios filhos, porque ele achou que a educação nos Estados Unidos era muito ruim. Nessa escola, eles só aprendiam inglês, de idioma, né? E aí perguntaram, poxa, mas por que eles não aprendem, por exemplo, mandarim, né?
Já que a China é a segunda maior economia do mundo, talvez venha se tornar a primeira, mas em todo caso é um mercado ultra relevante. Ele falou, porque daqui a pouco vai ter tradução simultânea.
Você bota um fone aqui, na memória traduz, já tá acontecendo. É, mas ao mesmo tempo, né, como eu li no estudo, aparentemente quando uma criança, seus filhos, por exemplo, que tem duas linhas, eles têm duas línguas maternas, né? Sim. E não uma língua materna, que é a sua, mas eles falam duas línguas como principais línguas. E parece que eles têm caminhos diferentes. Pro cérebro é muito bom. Caminhos diferentes, é isso que eu tô falando.
do Flim. Porque eles já tinham todos os caminhos, entendeu? Eu mesmo não sei nada. Eu falo português cheio de sotaque e inglês não entendo nada. Porque pra mim, inglês é tipo nossa, outra língua. Eu já vi que quanto mais palavras a criança tem contato, quanto mais o vocabulário dela, há uma correlação com maior inteligência. Com mais flexibilidade, eu acho. Mais abertura. Com certeza. Mas não só palavras. Cultura, formas diferentes de viver. Por isso que falam que viajar com a criança também,
a criança para outros ambientes e tal. Eu, como eu sou filha de militar, eu morei em vários lugares do Brasil na minha infância, né? E eu tenho certeza que isso moldou quem eu sou, porque eu tive acesso a culturas muito diferentes, porque dentro do Brasil nós somos gigantescos e diversos, e isso me fez ter várias qualidades e características que se eu tivesse ficado em uma cidade única do interior, ou uma cidade até grande, eu...
seria mais fechado. Sim, seria mais fechado. Então, é lógico, né? No caso. Bom, eu acho que é isso. Daqui eu tenho que ir embora, que minha filha tá em casa com um pouquinho de febre. Ela tá febre. Pode ir com você? Eu tô com data selvagem. Pode ir lá, quando você quiser. Eu tô esperando o Neto. Sem pressão, mas eu tô esperando o Neto. Qual mais velho? Quantos anos? O Luan, 25. A Tiana, 20. Tem a caçula de... Vai fazer 15 agora. 25. O Bruno já acha que tem que se reproduzir.
Ah, eu acho que é cedo pros patamares atuais, entendeu? Não, acho que é cedo pros patamares atuais, mas também não acho loucura. Se quiser ter filho agora, meu pai com 25 tinha 2. É verdade. Eu acho que tenho uma chance com a Tiana e com o Luan. É mais cedo, né? O Luan, ele calcula tudo, organiza tudo. Eu falo com a Malu, por exemplo, né? A gente demorou pra ter filho que a gente tava batalhando pra ter mais condições financeiras pra isso. Então você entende o Luan.
Entendo totalmente, né? E eu falo pra ela, poxa, a nossa filha, se ela quiser ter filhos mais cedo, eu acho que é plausível, já que ela vai ter condição financeira. Claro. Um ponto de partida melhor do que o nosso. Exatamente. Lógico. Que idade vocês têm? Eu tô com 37, mas eu tenho 35. Pois é, eu fui mãe na minha concepção mais velha, assim. Eu queria ter tido filhos. O meu plano era 32. Aí veio a pandemia, não sei o quê. Aí eu falei, até 32. Aí eu falei, ah, vou engravidar com 32.
três, aí eu engravidei, aí evoluiu a gravidez, aí eu engravidei de novo, não evoluiu de novo a gravidez, aí eu falei, caramba, olha só, já podia ter engravidado antes, que eu não teria talvez essas questões, e ainda assim, enfim, eu acho que também tem essa questão de ser madura demais, né? A gente calcula muito. Não que eu me arrependa. O jeito que eu, até ontem estávamos falando, o jeito que eu sou com a Narayama, que tem 14, 15, e o jeito que eu era com a Luan,
Anko noito anos de idade, tava surfando no meio do mar e eu nem preocupada com aquilo. Mas eu tinha 20. Eu tive ele com 20. 28 eu tinha nessa altura. Agora, 45, a minha filha, 14 anos de idade, foi sozinha pra academia e eu tô vigiando. Voltou? É outra coisa. Agora eu tenho muito mais noção de perigo, de coisa. Você quer ter quantos filhos, né? Falando tanto de educação assim, vocês querem ter filhos? É por isso que eu penso assim, né? Porque depois que eu tive a TT, que a gente teve a TT,
É tão maravilhoso que eu falo, cara, eu quero mais disso. Só que quanto mais velho você fica, a maior é a chance das crianças terem algum problema. Em termos estatísticos, isso acontece. Inclusive, uma gravidez acima de 35 anos da mulher, o pessoal já chama de gravidez geriátrica. E embora seja o novo normal aqui em São Paulo, quando a gente foi... É verdade. A gente foi conhecer a maternidade. A gente foi conhecer a maternidade.
Não, pra gravidez só. Sim, eu sei. E aí, estavam tendo oito partos naquela hora que a gente foi. Seis eram de mulheres.
com 35 pra cima, né? Então, em cidades grandes, principalmente, é o normal. Mas eu quero ter bastante filho. Tipo, se a Malu, a gente quer ter três, né? Mas se depois dos três a Malu estiver animada, eu teria quatro. Sim. Eu li a biografia do Carlos Grace, que é um dos criadores do jiu-jitsu brasileiro, né? Dos principais. 21 filhos. Olha. Eu olhei aquilo e falei, isso é riqueza de verdade. É, mas uma mulher para e 21, com certeza. Foi com seis mulheres diferentes. É, então, ele teve que
dividir, porque não é o seu caso. Coitada da menina, 21, não dá as contas. Minha avó teve 13, a mãe da minha mãe. Minha mãe é gêmea. Ah, que legal. Então você tem chance. Não, não é. Tem tentativa e erro, pô. Tem tanto filho que mora, veio. É, porque elas são idênticas, então idêntico é sorte. É, idêntico é sorte. Quando não é idêntico, você é idêntica também. Eu sou idêntica. É, então, foi sorte. Não, mas eu tenho minha avó, tem gêmeo, tem muito gêmeo na minha família. Então, mas foi sorte,
por acaso, é porque pela genética, teoricamente, é genético quando a mulher ovula mais de um óvulo ao mesmo tempo, entendeu? E aí é geneticamente mais provável, mas não é o meu caso. E eu sou xêmea e o pai dele também. Por pouco, então, você não teve, né? O pai dele, a mãe dele teve, ela mediu um metro e meio e ela teve xêmeos, depois de um ano teve xêmeos de novo e depois de outro ano teve quatro xêmeos. Caramba! Meu Deus! O pai dele, tá vendo? Ela ovulava louco.
Ela tinha vários óvulos. Talvez nos quadruplos foi dois óvulos e dividiu. Não, era tudo diferente. Na altura ela saiu na TV. A Pamper também, como você disse, patrocinou. Que bom o fenômeno. Que bom. É loucura. Eu acho loucura. Mas Ivana, já chegando ao final aqui, pra quem quiser acompanhar mais o seu trabalho, conhecer o que você tem pra oferecer, em termos até de
de produto, de serviço. Por favor, fale tudo aí. Como é que o pessoal acha, encontra? Olha, no meu Instagram tem conteúdo diário, pérolas que a gente vai soltando a diário. Para quem quiser transformar a sua maternidade, tipo, início, meio e fim, sem retorno, sem volta atrás, tem um método MyPlan,
A Ivana é extremamente produtiva, amor. Todo dia aparece lá, nova live. Eu falo, meu Deus do céu, a mulher tá clara.
meninas assim que me assistem, vocês não têm motivo pra não transformar a maternidade. Motivo vocês não têm, porque tá tudo aqui. Se você não faz, é porque você não quer. Que é pior ainda, né? Pra elas, com certeza. Eu espero não precisar transformar a maternidade, que a minha maternidade já seja mais fluida. Isso me dá alegria e inveja, porque não foi o meu caminho. Eu tive que apanhar primeiro. Não, mas eu tenho consciência também que eu vou errar em vários pontos e tá tudo bem.
Vai parte. Eu vivi o caos. Eu precisei viver o caos. Ivana, muito obrigada pela presença. Espero que você volte mais vezes. E para vocês que acompanharam a gente, saibam que a gente está aqui semanalmente, sempre com um episódio novo, trazendo alguma coisa de boa para você, para o seu desenvolvimento pessoal, mental, financeiro ou até de saúde. E também vocês me encontram no arroba Malu Perini lá no Instagram, também conhecido como o novo Instagram da Maria Tereza.
Vocês me encontram no Instagram Bruno, underline Perini, no canal do YouTube Você Mais Rico, vídeos semanalmente, aqui nos sócios. Pra quem assistiu o nosso, muito obrigado pela audiência. A Ivana, obrigado pela presença, espero que volte mais vezes. E é isso, pessoal. Um grande abraço e até a próxima. Beijos.
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