O MAIOR QI DO BRASIL: COMO PENSA UMA MENTE FORA DA CURVA? | Hindemburg Melão Jr. | Os Sócios 288
ASSINE O PRIME DA CAFFEINE ARMY COM 20% OFF: https://r.vocemaisrico.com/ad630313efSIGA OS SÓCIOS PODCAST NO INSTAGRAM: https://www.instagram.com/ossociospodcast/Vivemos uma era em que a inteligência voltou ao centro do debate. Nunca se falou tanto sobre QI, inteligência artificial, consciência, genialidade, criatividade e os limites da mente humana. Ao mesmo tempo em que as máquinas avançam, cresce também uma inquietação mais profunda: afinal, o que significa ser inteligente? O que a ciência já consegue medir com precisão — e o que continua escapando a qualquer teste, fórmula ou teoria?Mas o que significa, na prática, ter uma mente tão fora da curva? Um QI excepcional realmente se traduz em uma compreensão mais profunda da realidade? O que a psicometria consegue, de fato, medir — e o que jamais conseguirá? Existe diferença entre inteligência, genialidade, consciência, criatividade e sabedoria?A partir dessas perguntas, queremos usar a perspectiva de uma mente excepcional para explorar algumas das grandes questões do nosso tempo. Máquinas podem realmente pensar, ou apenas simulam raciocínio de forma cada vez mais sofisticada? O que separa pensamento genuíno de processamento avançado? A ciência está mais próxima de responder os grandes mistérios da mente, do universo e da consciência — ou seguimos apenas tateando no escuro? E, para além disso, como alguém assim pensa sobre temas que atravessam séculos de debate: o que é Deus, se existe livre-arbítrio, até que ponto a consciência é real e se a própria democracia, como a conhecemos, está funcionando ou falhou em suas promessas centrais?Para responder essas e outras perguntas, recebemos Hindemburg Melão Jr., pesquisador com atuação em áreas como inteligência artificial, psicometria, ciência cognitiva, lógica, matemática, física e filosofia da ciência, além de ser reconhecido por ter um dos maiores QIs do Brasil e um dos mais altos do mundo.Ele será transmitido nesta quinta-feira (12/03), às 12h, no canal Os Sócios Podcast. Hosts: Bruno Perini @bruno_perini e Malu Perini @maluperini Convidado: Hindemburg Melão jr. @hindemburg.melao
- QI e Medição de InteligênciaTestes de QI tradicionais e suas limitações · QI acima de 130-135 · Estimativas históricas de QI · Métodos de medição de superdotados · Correlação entre QI e testes padronizados
- Existência de Deus: Provas FilosóficasProva de Santo Anselmo · Cinco vias de Santo Tomás de Aquino · Prova de Gödel · Prova de Hindemburg baseada em evolução · Aposta de Pascal
- Definição de InteligênciaInteligência vs definição matemática · Múltiplas inteligências de Gardner · Inteligência emocional de Goleman · Criatividade como componente · Exemplos paradigmáticos de inteligência
- Religião e Ciência: CompatibilidadeAceitação papal da evolução · Big Bang proposto por padre · Giordano Bruno e heresia · Galileu e a Inquisição · Conflito real vs conflito aparente
- Transcendência e ImortalidadeExpectativa de vida ao longo história · Projeto Turritopsis · Rejuvenescimento vs envelhecimento · Criogenia e limitações · Restauração de órgãos
- Pessoas Historicamente Mais InteligentesLeonardo da Vinci · Isaac Newton · Albert Einstein · Carl Friedrich Gauss · Leonhard Euler · Arquimedes · Aristóteles
- Inteligência ArtificialGPT vs AlphaZero · Cálculo de próximo token · Reconhecimento de padrões · AlphaFold e estrutura de proteínas · QI estimado do GPT · MuZero e dedução de regras
- Geração Alpha e tecnologiaXadrez ultrapassado em 9 horas · 500 anos de conhecimento humano superado · Sem usar conhecimento prévio · LC0 open source · Regras completamente diferentes possíveis
- QI do Brasil e PaísesMédia de QI brasileira · Distorções de Richard Lynn · Método PISA como alternativa · Nutrição e desenvolvimento cerebral · Comparações internacionais
- Criatividade e Gênios CriativosCantor e os infinitos · Gödel e incompletude · Diferença entre inteligência pura e criatividade · Níveis de complexidade · Inovação vs resolução de problemas
- Vida Extraterrestre e Equação de DrakeExoplanetas descobertos · Condições para vida relativamente triviais · Marte, Encélado, Titã como análogos · Probabilidade de vida inteligente · Desafios de comunicação intergaláctica
- Riscos Existenciais à HumanidadeGuerra nuclear · Pandemia com patógeno virulento · Colisão com asteroides · Crise dos mísseis de 1962 · Instabilidade política contemporânea
- Regeneração de Órgãos e TecidosDentes biolaboratório · Cartilagem reproduzida · Olho futuro · Cérebro como limite · Nanorobôs teóricos
- Hibridização Humana: Futuro TransumanoIntegração de máquinas e humanos · Próteses mecânicas · Não substituição mas hibridização · Implantes cardíacos já existem · Evolução futura da espécie
- Comunicação BrasileiraMemorização vs compreensão · Currículo obsoleto · Aprovação automática recente · Ensino de fórmulas desnecessárias · Teste vocacional como alternativa
E aí, pessoal, vamos começar mais um episódio do podcast Sócios. Quem fala aqui é Bruno Perini, host do podcast. Estou, como sempre, com a Malu Perini, minha esposa, host e o belo host dos Sócios. Olá, pessoal, sejam bem-vindos a mais um episódio dos Sócios. E sobre o que falaremos hoje, Bruno? Hoje nós trouxemos uma pessoa que é dita como um dos maiores QIs do Brasil. Então a gente vai conversar sobre temas diversos, acredito eu, para ver como pensa alguém que tem o QI muito acima da média. É, se você pensa em questões difíceis, lembra da sua fase escolar.
lá nas questões difíceis, quem acertava é a minoria. Então, muita coisa que as pessoas devem ter como ideias que são um senso comum, provavelmente para uma pessoa muito inteligente, aquilo pode estar errado. Então, a gente vai pegar diversos pontos aqui nesse podcast. E antes de apresentar o nosso convidado, que vem pela primeira vez aqui, eu tenho dois recados para vocês. O primeiro, inevitavelmente, é sobre o meu olho roxo. Vocês vão perguntar o que é isso, vão tecer mil teorias na cabeça, conspiração, etc.
Pessoal, isso aqui é só um rito de iniciação de um clube muito exclusivo no qual eu entrei. E para estar lá dentro, eu tinha que tomar um soco na cara
A Elisabeth II, enquanto o Bioclito me segurava. É só isso, gente. Então veja que a realidade é muito mais sem graça do que o pessoal costuma imaginar. Entendi. Agora o recado sério realmente aqui, que é o CTA para a nossa querida Cafeinarme, criadora do Super Coffee, que é o meu pré-treino de todo dia. Eu tomo todo dia antes de ir para o jiu-jitsu. Gosto muito desse aqui de lajotinha, mas estou tomando agora o de doce de leite, tem um de língua de gato que é maravilhoso, além de uma série de outros suplementos e bebidas que eles têm.
Smart Energy do Mundo, que é esse suplemento aqui, o Super Coffee. Ajuda na concentração, clareza mental e disposição. Isso serve para estudo, para trabalho, para treino, como eu disse. E eles também têm um programa de assinatura da marca, que você recebe em casa com benefício, desconto e acesso a produtos exclusivos. Para quem quiser mais informações sobre isso, deve ter um QR Code aparecendo aqui na tela e há um link na descrição.
Só tocar lá, fica realmente a minha indicação. Um produto muito bom. Quem começa a tomar, quase sempre, não para.
nosso convidado. Recebemos pela primeira vez Rindenburg Melão Jr., considerado um dos maiores queios do Brasil e um dos mais altos do mundo. Ele bateu, em 1997, um recorde mundial no xadrez às cegas, registrado no Guinness Book de 1998, e ganhou projeção nacional em 2005 ao ser apresentado pelo Fantástico. Ao longo da carreira, aprimorou trabalhos de sete ganhadores do Prêmio Nobel de Economia e um de Física, além de desenvolver inovações em áreas como psicometria, ciência cognitiva, inteligência artificial, lógica, fundamentos da matemática, filosofia da ciência,
e Astrofísica, resolvendo problemas abertos havia décadas, em alguns casos séculos. É autor do Saturno 5, IAC foi o segundo melhor sistema de investimentos do mundo entre 2010 e 2020, com 21 prêmios internacionais, fundador da Sigma Society, rede de superdotados com membros em mais de 40 países, e cofundador da Imortal Society, voltada à longevidade e ao rejuvenescimento saudável. Rindenburg, bem-vindo ao Podcast Sócios. Obrigado, eu que agradeço pelo convite.
QI. O pessoal me perguntou muito assim, né? E tem como dar uma referência do tipo, ah, o Einstein tinha tanto de QI? Eu não sei se eles têm dados de pessoas que viveram há muito tempo, tipo o Newton, o Gauss, uma estimativa de quanto eles tinham. Antes de 1905, tem por estimativas, né? Tem um trabalho da doutora Catherine Cox, de mil... Ela fez uma estimativa junto com o Therman e com a Mehel, de pessoas que nasceram entre 1450 e 1850.
Só que emitiram várias, por exemplo, o Gauss não tá na lista, o Euler não tá na lista,
mas tem 301 pessoas que nasceram nesse período. Tem o Busan, por exemplo, que fez uma estimativa em um período mais largo. Enfim, tem várias estimativas de diferentes períodos e tem as que foram medidas empiricamente a partir de 1905. E tem também estimativas posteriores em 1905. O primeiro exame que eu fiz foi quando eu tinha 3 anos de idade. 3 anos? 3 anos. Eu ia perguntar isso. Eu tive idade mental de 9 anos que corresponderia a 300 de que isso. Aqui do seu padrão para criança é 24 e para adulto é 16.
Então, corrigindo, daria 233,3 mais ou menos. Fiz outros exames ao longo da vida. Um dos problemas é que os testes de QI tradicionais, eles medem aproximadamente até 130, 135. Não dá para medir muito acima disso. As questões, elas perdem validade de construto e elas não têm também dificuldade suficiente para medir muito acima disso. Elas continuam medindo, mas só que aquilo que elas medem não é mais inteligência. São habilidades muito primárias para resolver questões muito rapidamente.
Por exemplo, tem chimpanzés como o Ayumo, ele resolve problemas que humanos resolvem mais lentamente.
do que ele. Então não é uma métrica confiável para a QI. Alguns subtestes do VAIS, por exemplo, podem ser resolvidos por chimpanzé mais rapidamente do que humanos, porque não são questões difíceis, intelectuais, não são complexas e profundas. Não exigem criatividade, elas são muito básicas. E muitos testes de QI utilizam esse tipo de questão, então os resultados acabam sendo prejudicados, não informam corretamente o QI. O que se faz habitualmente na sociedade de alto QI, especialmente da QI mais alto, é por estimativa também.
produção intelectual ou por outros critérios, geralmente por precocidade ou uma combinação das duas coisas ou de outros critérios combinados. O Baraionter é o presidente de uma sociedade para pessoas com QI acima de 180. Em 2004 ele estimou o QI em mais de 200, mas sem um valor específico. Acima de 200, mas sem especificar. O Alexandre Prata Maluf, que tinha um dos QI mais altos do Brasil, ele faleceu acho que em 2009, 2010. Ele era membro de três grupos de sociedades com QI acima de 180.
Ele estimou o meu QI na época no mesmo nível do Damerlin 470, que ela tinha 228. Ela foi registrada no Guinness Book de 1986 como se é uma pessoa com QI mais alto do mundo. Ele estimou o meu no mesmo nível do Damerlin 470, um pouco abaixo do Einstein, uns 20 pontos abaixo do Einstein, e um pouco abaixo do Chris Langan na época. Ele estimou o Chris Langan que ele foi, no ano 2000, mais ou menos, o Chris Langan fez uma matéria em vários jornais, inclusive o Fantástico apresentou no Brasil,
o QI mais alto das Américas. Então, é muito difícil estimar exatamente, porque tem essa incerteza grande nas medidas, e também, acima de um certo ponto, os testes não medem mais corretamente. São pessoas normais tentando medir o pessoal do QI mais alto. Tem, por exemplo, nas Big Techs, eles usam... A IBM já usava nos anos 60, porque os testes de QI não eram suficientes para a IBM. Então, na medida de 150, 160, a IBM criou os próprios testes dela, era o PAT, só que ele era voltado
especificamente para a programação. Depois foram criados outros testes mais diversificados. O Google, por exemplo, usa uma variedade de testes psicométricos. Não somente psicométricos, porque eles não fazem uma padronização. O objetivo deles não é estimar um score preciso. É só aprovado e não aprovado. O objetivo deles é só alcançar um certo nível para aprovação. Os testes de proficiência. É, de proficiência. Mas dá para ter uma noção aproximada.
Por exemplo, nos Estados Unidos tem o SAT, tem o GRE, que eles têm uma correlação muito forte, 0.86 com o teste de QI.
Inclusive se sabe muitos QIs de muitas pessoas dos Estados Unidos porque eles fizeram o SAT e não por teste de QI propriamente, porque a correlação é forte, então você toma como referência e faz uma transformação linear. Por exemplo, o Bill Gates tem cerca de 163, 164. O Steve Jobs é um caso, tanto o Steve Jobs quanto o Elon Musk são exceções, porque eles tiveram, o Bill Gates teve 1.590 no SAT, o score máximo é 1.600, ele teve 1.590.
do Steve Jobs, ele teve 1440 no Gre, e o Elon Musk, embora ele tenha começado estudando no Canadá, depois ele foi para os Estados Unidos, fez uma transferência para os Estados Unidos, inclusive ele preferia fazer um doutorado, começou a fazer até um doutorado em física, depois ele abandonou em algumas semanas. Mas ele fez a graduação, o mestrado e começou a fazer doutorado. E ele teve que fazer o SAT para conseguir mais facilmente a transferência do Canadá para os Estados Unidos, sem passar por algumas burocracias que seriam necessárias. E ele teve 1400 redondo.
Ele teve 730 na parte de matemática e 670 na parte de... Eles chamam de leitura, mas é meio que gramática, só leitura. E tanto o Steve Jobs quanto o Elon Musk provavelmente tem o QI mais alto que o do Bill Gates, embora o Bill Gates tenha tido um score mais alto. O Bill Gates seria o equivalente a mais ou menos 163. Se fosse se basear nesses scores do SAT, tanto o Steve Jobs quanto o Elon Musk teriam 142 ou 143.
mais ou menos. Mas o QI correto deles deve ser um 170, e o Elon Musk talvez até um pouco mais do que isso. E você enxerga uma correlação, ou ela existe de maneira comprovada, entre o QI mais alto e, por exemplo, patrimônios maiores? Porque você citou Bill Gates, Steve Jobs e Elon Musk com QIs altos. Tem uma correlação, mas ela é fraca, porque você tem, por exemplo, muitos atletas de boxe, de modalidades que não precisam de muita habilidade.
Precisa também, o Mike Tyson acho que é uma exceção, o Mike Tyson tem uns 110 talvez de QI, mas, por exemplo, o Cassius Clay tinha 135,
menos de QI. O Linux Lewis tinha 140 de QI, então também é útil, só que ele é menos importante do que outros atributos físicos. Eu acho legal falar qual que é a média do brasileiro, só para o pessoal ter uma ideia. Eu peguei pela IA, então talvez você tenha um referencial melhor, mas segundo a IA, só para situar vocês, então a gente está falando de pessoas muito inteligentes, ela fala que, olha, QI superior a 140 é uma inteligência genial. Entre 120 e 140, uma inteligência
muito superior, entre 110 e 120, uma inteligência superior, entre 90 e 110, normal, entre 80 e 90, torpeza, raramente qualificada como debilidade mental. E o queimédio do brasileiro é 87. Então, teria nossa faixa entre 80 e 90, né? A gente tá tudo entorpecido. Esse dado tá mais ou menos na ideia mesmo? Na verdade, por exemplo, eu sei que você veio da Agulhas Negras, né? Você passou pra Agulhas Negras, você fez artilharia aérea, né?
Eu fiz artilharia lá e depois fiz pós-graduação em antiaérea. É, o queimédio na Agulhas Negras é bem acima da média do Brasil, já dá uns 130,
ou menos. E assim a média. Tem uns que estão bem acima, outros que estão bem abaixo. Por exemplo, o Tarcísio ele fez na IME. O José Paulo Diegues, que inclusive foi aprovado membro da CIG, foi professor do Tarcísio no IME, porque o Tarcísio estudou no IME. E ele achava que o Tarcísio tinha bem mais do que 130, 140. O próprio José Paulo Diegues tinha mais de 160. Então, assim, a média é 130, mas a média não é média. O corte é um 125, mas a média deve ser um pouco mais. 135, talvez, a média.
Tem vários testes que foram aplicados na agulhas negras, no Ita, no... O Ita e o Ima, o pessoal é bem mais cabeçudo, inclusive, do que no... Sim, a média é bem acima. A média do Brasil, esse resultado que foi de 87, foi do Richard Lean, ele publicou isso em 2002. Só que o Richard Lean, ele tem várias distorções graves, porque ele é neonazista. Dizem que ele não é neonazista, mas ele participa de revistas, né? Pessoas que seguem ele dizem que não.
dele tem muitos sintomas de neonazismo. Por exemplo, ele coloca... Tem um país da África... Ele tem uma posição preconceituosa do ponto de vista étnico? Seria isso? Ele se baseou em estudos empíricos, uma meta-análise que nem foi ele que fez, mas só aquele distorço. Por exemplo, o QI médio de Israel, na análise dele, dá 93. Só que o QI médio dos israelenses é muito acima da média mundial. Talvez o mais alto do mundo seja o de Israel.
Tem um monte de prêmios nobres lá. Sim, tem 21% dos ganhadores de prêmios nobres. A população mundial,
tem 0,15% de judeus. Só que entre os ganhadores de Pernambuco, tem 21% de judeus. Então, sim, a desproporção é gigantesca. O que é mais alto do mundo, provavelmente, é de Israel. E no estudo do Lindo, é 93%. Então, tem muita distorção. Ele, por exemplo, filtrou dados que eram convenientes para as teses dele. Então, eu fiz um... O Renato que começou a divulgar isso aí no Brasil foi o Renato Amoedo, que... Ele foi entrevistado aqui também, não é, Amoedo?
Três oitão. Três oitão, não foi ainda? Ah, deveria fazer. Ele tem muitas coisas interessantes para...
comentou sobre... No livro dele, daquele de Bitcoin, ele fala sobre... Ele menciona, na verdade, um estudo posterior, que é de 83. Esse de 87 foi o estudo de 2002, que o Lean publicou. Ele tinha feito em 81 países. E depois ele publicou algumas atualizações com 120 países e depois 199 países. O que tem atualmente no World in Data é 199 países. Não me recordo a data que o Richard Lean fez, mas deve ser 2015, relativamente recente.
recente, e ele chegou a 83% para o Brasil, quer dizer, teria caído, inclusive, o QI médio do brasileiro. Só que eu fiz por dois critérios diferentes, um deles pelo PISA, comparando, porque o PISA tem uma correlação de 0,8% quase com o QI. Os primeiros do Taiwan, Japão, Israel, os países primeiros classificados, tinham uma correlação 0,75%, 0,8% com o QI. Os últimos classificados, ele começava a esparramar e tinha quase correlação zero, provavelmente como sintoma da distorção do que ele fez.
Aí eu fiz a correlação na parte que é a correlação lá forte e prolonguei para a parte que a correlação era fraca, usando o score do PISA convertido em QI. Corrigindo dessa maneira, do Brasil fica 97. Em vez de 83 ou de 87, fica em 97. É, mas era nítido. A gente não seria capaz de criar esse tanto de meme maravilhoso se ele não fosse, né? Criativo a gente é. Para ter criatividade tem que ser minimamente inteligente. Eu queria saber na sua opinião, porque quando a gente fala de inteligência,
As definições são diferentes. Mas deixa eu voltar, porque ele falou que ele fez o teste com 3 anos. O que que os seus pais, né, que levaram vocês, viu de diferente? Ah, isso é uma boa pergunta. Eles acharam que eu tinha algum problema. Acharam que não tinha. É, quando eu era criança, passava a mão na minha cabeça, né, ah, que menino bonitinho. Tinha uns cabelos loirinhos e cachado, parecia um anjinho, assim, né. E aí passavam, ah, que menino bonitinho.
E eu não gostava, porque eu estava como se fosse criança, eu não gostava, eu chutava as pessoas. E aí eles acharam que eu tinha algum problema mental, que eu precisava de tratamento, né.
fazer os testes e constataram que eu passei no... Acertei 100% de 3 anos muito rápido, né? De 4, de 5, cheguei até o de 9, só que eles não tinham além do de 9. Então, eu cheguei a estourar o teto de 9. Aí, estimaram-me o quê? Você aprendeu a ler com quantos anos? Ah, eu aprendi na idade normal, de 6 anos. O que tive de precocidade foram algumas inovações que eu fiz desde criança, né? Por exemplo, deduzi alguns conceitos de geometria fractal com 9 anos de idade, né?
Pelo recorte litoral brasileiro numa aula de geografia meio que de improviso. E desenvolver o método para calcular logaritmos,
com 13 anos, tive um metro para calcular fatoriais de números não inteiros com 19, e outras coisas posteriores com idade adulta, mas na infância eu já fiz algumas coisas relativamente incomuns. Mas você se sentia diferente? Você tinha essa sensação? Eu acho que não. Eu acho que a maioria das pessoas, quase todas as pessoas, elas se enxergam a si mesmas como na média, elas se baseiam mais ou menos... Muitas pessoas, inclusive, ganham Olimpíadas na matemática,
era de ouro em empresas matemáticas do Brasil, em algum mundo do exterior, eles achavam que os testes eram muito fáceis e que estavam errados os testes, por exemplo. Eles não entendiam que eles estavam muito acima, muitas ordens de grade acima da média. Então eles falavam, ah, mas esse teste, será que esse teste está certo? Porque ele fazia, por exemplo, o Sigma Teste, que tem um site da Sigma Society, tem vários testes cognitivos.
E eles faziam, tinham um score tipo 99,9% da população. E não, esse teste deve estar errado, porque essa questão é muito fácil. Falei, é fácil para você, na verdade, se você pegar a população em geral
Praça da Sé e pegar 100 pessoas na Praça da Sé, você vai ver que tem no YouTube, inclusive, tem umas perguntas que eles fazem de porcentagem, você deve ter visto já que eles fazem meio que de piada, eles pegam, acho que foi 13 pessoas, só uma das 13 pessoas que acertou uma conta de porcentagem de quanto é 300% de sete. E, quer dizer, uma coisa que eles vêm aprender no ensino médio. Só que na prática o que acontece? As pessoas, elas memorizam pra tirar a prova, pra tirar nota na prova, depois elas acabam esquecendo, porque elas não usam pra quase nada na vida, a não ser que elas forem atuar numa área que utilizem, né?
só isso, mas para várias atividades, as pessoas, eu acho que a grande maioria das pessoas deve ter um processo que direcionasse para as habilidades específicas, porque tem um desperdício muito grande de recursos do Estado, investindo em educação, que na verdade acaba sendo quase que um adestramento, porque a pessoa não aprende o que eles estão ensinando, poucas vão aprender de fato e vão reaproveitar aquilo na vida, e elas poderiam estar fazendo alguma coisa mais produtiva para elas próprias e para o país como um todo, se elas fossem direcionadas para uma atividade que elas gostassem e que tivessem como produzir resultados concretos e não fingir,
Porque o fato de eles avisarem, vai ter prova semana que vem. Qual o contexto que se encaixa essa pessoa? Ela é informada, olha, você tem que fingir que memorizou isso para você tirar nota nessa prova e depois você pode esquecer. É exatamente o que acontece. Porque se a pessoa tivesse aprendido, não precisaria avisar que vai ter a prova em tal data. Então, a metodologia toda de ensino é meio que um teatro para... Inclusive, as mudanças que tiveram recentes na educação para aumentar o score do Brasil na Unesco,
Um deles foi para as formações ortográficas. Uma foi ortográfica e outra foi para aprovação automática. São ambas para melhorar o ranking do Brasil sem que melhore a educação de fato. Então acho que isso é um problema relativamente grave. Paliativos até. É, eu acho que tem uns discursos do Bolsonaro que eu gosto, tem outros que não, mas nesse caso específico que ele defende que as pessoas deviam ter mais cursos técnicos, as pessoas deveriam ter...
Eu acho que as pessoas deveriam ter a oportunidade de escolher o que elas gostam de fazer, deveriam ter um teste vocacional para ver o que a pessoa tem
habilidade e o que ela gosta também. Às vezes a pessoa não vai se ser muito bem engenharia e vai ter que ficar estudando um monte de coisa de matemática que ela não vai usar nunca na vida. Por exemplo, tem uma crítica que o Felipe Neto faz, que muita gente criticou ele, inclusive, muitos matemáticos criticaram, que ele falava que o termo de Bhaskara, o fórmula de Bhaskara, o termo de Pitágoras, não servem pra nada. Não é que não servem pra nada.
Nesse ponto ele não tá certo, mas ele tá certo que não deveria ser obrigatório que todo mundo aprendesse aquilo. Porque quantas pessoas vão usar aquilo na vida? Pouquíssimas. Mesmo a pessoa que estuda engenharia,
Desde a escola, né? Eu sou contra. Se a pessoa que estuda engenharia, ela vai botar num software aquilo e vai fazendo uma calculadora e não vai precisar conhecer aquilo. E quem não faz engenharia, menos ainda. Então, quer dizer, é o tipo de coisa que é um tempo desperdiçado. E não só isso, acho que 95% do conteúdo do ensino em todas as áreas, talvez na universidade seja um pouco mais especializado. Mas antes de chegar na universidade, é quase tudo desperdiçado.
E aquele experimento social que fizeram na internet, perguntado a porcentagem, deixa muito claro.
porque são pessoas que você vê que elas estão relativamente bem vestidas, são pessoas que parecem ter um nível de instrução razoável e não faz uma cota de porcentagem que nem vai ter aprendido na quarta série, na terceira série. Então, quer dizer, na verdade, elas fingiram, nem foi culpa delas, mas elas fingiram que memorizaram, responderam na prova, mas elas não aprenderam de fato. Chegou numa ocasião que foi questionado sobre aquilo e deram uma resposta, muitas vezes, totalmente fora da realidade.
Bom, eu ia te perguntar sobre inteligência, mas antes uma curiosidade, porque você citou que essas pessoas muito inteligentes às vezes não se enxergam assim, elas acham que todo mundo é igual a elas,
E quando elas descobrem que não é assim, você acha que uma pessoa, ou até aconteceu no seu caso, você para falar com outras pessoas de inteligência mediana é mais difícil? Tem um trade-off em termos sociais, na sua opinião? Você ganha por um lado, perde em outro? Eu acho que não, acho que não sinto esse efeito, pelo menos. Acho que talvez a maioria não, mas algumas pessoas talvez sim, mas acho que não é uma consequência da inteligência, é uma consequência de algum desajuste social que acaba, muitas vezes está relacionado, mas não é diretamente, não é a própria inteligência que causa esse efeito, embora
muitas vezes aconteçam as duas coisas em conjunto. E não vejo dessa maneira. Na verdade, acho que é quase o contrário. Acho que as pessoas mais inteligentes, em geral, têm mais facilidade para se comunicar. Só que o que acontece, muitas vezes, é que elas são inseridas em um ambiente em que, por exemplo, a pessoa gosta, sei lá, de arte, de ciência, de assuntos que a maior parte das pessoas gosta de futebol, cerveja, algumas coisas assim.
Aí, se você tem um interesse um pouco mais variado, as outras pessoas não vão se interessar,
as mesmas coisas. Não é que você falta alguma coisa, é que você tem algum excesso das pessoas de alguma forma. Só que isso não impede que você se adapte ao perfil do grupo que você está inserido. Então, a não ser que a pessoa adote uma postura meio... Ela vai criar uma dificuldade porque ela está impondo essa dificuldade, mas não porque é inerente à capacidade intelectual. Se a gente pensa em definições de inteligência, eu queria ouvir o que você pensa sobre qual seria a melhor definição.
O Yuval Harari, foi com ele que eu vi essa definição escrita pela primeira vez. Ele fala que inteligência
é a capacidade de resolver problemas. Então, como você colocou, se um cara muito inteligente está em um ambiente social, ele deveria ter capacidade de resolver esse problema, de lidar com as pessoas. Você acha que essa é uma definição boa? Há melhores? É um dos melhores resumos do significado. A inteligência não dá para... Tem uma diferença importante ali, definição, conceituação e aquisição do significado por paradigmas, por exemplos paradigmáticos.
E definição só é possível em matemática, em lógica, em campos nos quais você consegue...
especificar com uma sentença curta todas as propriedades daquele objeto ou propriedades suficientes para você derivar as próximas. Por exemplo, ele define um quadrado. Um quadrado é um objeto, uma superfície plana que tem quatro lados iguais e todos os ângulos retos. Então, a partir dessa definição, você consegue distinguir todos os objetos que são quadrados e todos que não são de maneira completamente unívoca. Não tem nenhuma ambiguidade nessa...
Agora, você vai, por exemplo, definir o que é uma laranja. É muito difícil você definir o que é... Não dá para definir o que é uma laranja.
Algumas propriedades típicas. É mais interessante no caso de banana, porque banana tem uma variedade maior. Você tem bananas que são azuis, tem bananas que são cianos, tem bananas que são redondas. Então, se você usa o formato padrão de banana amarela, um tamanho padrão, e você tem bananas que são muito maiores e muito menores, quando você tenta definir, você começa a perceber as dificuldades que existem e que você percebe que simplesmente não dá.
Não é possível você definir o que é uma banana. Você pode conceituar o que é uma banana a partir de vários exemplos
tem de exemplos de bananas. Então, você pode tentar encontrar características que possibilitem distinguir uma banana de qualquer outro objeto parecido com uma banana e que, ao mesmo tempo, inclua todas as bananas dentro da variedade que existe dos grupos de bananas. Para a inteligência não dá para fazer nenhuma das duas coisas, nem a definição, nem a conceituação. O melhor que se pode fazer, por exemplo, esse exemplo que você citou, que eles chamam de definição, que não é propriamente uma definição, é uma tentativa até de conceituação, é uma das características da inteligência, mas não é a própria inteligência.
A inteligência é muito mais abrangente do que isso aí. Não é só a capacidade de resolver problemas. Ela envolve a criatividade, ela envolve a capacidade de compreender, de reconhecer padrões, de identificar semelhanças em coisas diferentes, diferenças em coisas semelhantes, em tomar decisões em situações simples e complexas, diferentes níveis de complexidade. Então, essa é uma das características da inteligência que eles chamaram de definição nesse exemplo aí. Tem um especialista em inteligência artificial, que é o Cholet,
François Chollet, que ele publicou um artigo em 2019, em que ele fez uma compilação de vários estudos sobre o significado de inteligência, e ele tentou propor um significado melhor, justamente para usar em IA, porque quando eles pegaram o significado de psicometria, eles contrataram que eram muito vagos e não eram úteis para avaliar quando você vai desenvolver o GPT, por exemplo, você vai treinar o GPT. Para você saber se uma rede é melhor que a outra, você precisa de algum critério para comparar as duas redes e ver qual delas terão respostas melhores.
Pode ser por avaliação subjetiva, essa resposta está tendo muita alucinação, está errando muito, só que isso é muito subjetivo, muito difícil de julgar dessa maneira. Você precisa de um teste quantitativo que você aplique esse teste e você verifique. Mesmo porque se fosse subjetivo, é muito difícil você aplicar também pelo tempo para a aplicação. Você tem que fazer uma coisa automática que ele próprio faça o teste, verifique o resultado que ele teve e escolha.
Essa rede é melhor do que essa. Então eu continuo priorizando as características dessa e não da outra, e assim sucessivamente.
da evolução das inteligências artificiais, especialmente das LLMs de linguagem, o Cholet propôs para tentar atender essa demanda de um benchmark que pudesse avaliar com mais rigor, com mais acurácia. Ele continua incorrendo em vários problemas. Por exemplo, tem um artigo que eu escrevi no final de 2025, que eu discuto justamente o significado de inteligência, mostro que não é possível definir nem conceituar, e proponho uma assimilação do significado de um conhecimento
se tu é adquirido por meio de exemplos paradigmáticos, de vários exemplos de conduta inteligente. Por exemplo, um corvo, ele quer beber água dentro de um recipiente de vidro que o bico dele não alcança. Ele pega algumas pedras, você jogou a ver alguns vídeos que eles fazem? Já vi vídeos de corvos muito inteligentes, por exemplo. Ele pega umas pedras e começa a jogar pra subir o nível da água e ele consegue alcançar. Então essa é uma aplicação da inteligência num nível relativamente básico, mas não tão básico.
Também tem até humanos que muitas vezes tem dificuldade pra conhecer. É isso. Exatamente. Não é tão básico assim, na verdade. Mas ele, assim, não é... Por exemplo, o Einstein, pra desenvolver
a relatividade foi um nível bem mais alto do que o do corvo. Chimpanzés, geralmente, algumas coisas para empilhar, por exemplo, para alcançar uma banana que está em uma altura que ele não consegue, tem algumas caixas. A ideia de empilhar as caixas e subir em uma caixa e depois em outra para alcançar. Chimpanzés e gorilas, às vezes, fazem isso também, que envolve um certo nível de inteligência. Então, esses são alguns exemplos, mas você tem muitos exemplos.
E a partir desse conjunto de exemplos, você pode inferir aproximadamente o que é inteligência, sem uma perda substancial com significado simplista, que vai reduzir a inteligência
inteligência é uma coisa que ela não é. Por exemplo, a capacidade de resolver problemas é uma das habilidades intelectuais que compõem a inteligência. Existem muitas outras. Tem, por exemplo, o Gardner, que ele fala de múltiplas inteligências, que é uma abordagem errada também. Não existem múltiplas inteligências. Você tem múltiplos talentos, e alguns desses talentos são componentes da inteligência. Mas não é que são múltiplas inteligências.
Tem a abordagem do Goleman, que ele fala de inteligência emocional, que também é uma distorção do significado. Não existe uma inteligência emocional. Existem aptidões emocionais, habilidades emocionais, que muitas vezes, inclusive, o próprio Goleman constatou.
relatou que o QE e o QI estão correlacionados em mais ou menos 0,6. Inclusive, para ele poder validar o teste de QE, ele precisou correlacionar com o teste de QI. Então, a pergunta era com o significado, você citou especificamente o significado da inteligência. É, se era uma definição boa, uma conceituação boa. É boa, é um significado que resume bem os elementos mais, não sei se são os mais importantes, porque depende do nível, na verdade.
Se você pega nos niveis mais altos, por exemplo, Einstein, Newton, Leibniz, Aristóteles, a criatividade,
é mais importante do que a capacidade de resolver problemas. Mais ou menos isso, embora não exatamente. O Newton fez em grande parte isso e muitos outros em alguns momentos. O Cantor acho que foi um dos casos mais criativos. O Cantor e o Gideon eu acho que são os casos mais criativos nesse aspecto, embora eles não sejam os mais inteligentes, mas são os mais criativos. O Cantor constatou uma coisa que ninguém ia ver, nem pensado dos infinitos, dos múltiplos infinitos, diferentes tipos, diferentes tamanhos de infinitos, diferentes cardinalidades de infinitos. E o Gideon, ele mostrou que em sistemas
formais que você tem uma complexidade semelhante ou maior do que da aritmética, que você, se você tem uma declaração, sempre haverá alguma declaração que ela pode ser, ou ela tem que ser consistente, ou ela tem que ser, o sistema tem que ser consistente ou incompleto, porque algumas declarações você não pode provar nem que elas são verdadeiras nem que são falsas. Então, o Gideon, ele descobriu um problema que ele nem imaginava que podia existir, um problema extremamente específico, muito abstrato, e que praticamente revolucionou a entendimento
que você tinha de matemática e de lógica. E tem uma ideia que eu achei muito interessante do livro Armas, Germes e Aço, do Jerry Diamond. Eu queria discutir com você sobre se a gente está ficando mais inteligente ou não em comparação com os homens do passado. Porque ele cita que a gente tem uma visão muito preconceituosa, por exemplo, dos selvagens, do pessoal que vive em comunidades que não são urbanizadas, ou quando a gente pensa dos índios lá, na época que os portugueses chegaram aqui no Brasil.
Fala o seguinte, né? Esse pessoal provavelmente era mais inteligente do que a gente, pensando que eles tinham que resolver muitos problemas na natureza. Era um ambiente altamente complexo, muito nocivo ao ser humano. E se esse cara não resolvesse problemas na natureza e com seus vizinhos, porque era uma época muito mais violenta do que hoje em dia, ele morria. Então ele tinha que ser muito inteligente. Já hoje em dia, você não tem que ser tão inteligente assim, até porque o critério de sobrevivência não é mais a seleção natural.
É simplesmente resistência epidemiológica. No Covid, você teve um monte de gente com Cade 180 que morreu, porque não era resistente.
80, que sobreviveu porque ele era resistente, mais resistente àquela doença. Então ele fala, hoje, como os grandes centros são muito abarrotados de pessoas, mesmo o cara que é um zero à esquerda tem a ajuda do governo, e quando vem uma epidemia, é resistência epidemiológica. Agora, no passado, não. Esse cara tinha que se virar sozinho. Então, por isso, ele fala que provavelmente o homem do passado era mais inteligente do que o homem moderno.
Você acha que é uma ideia boa? Você discorda disso? Tem vários pontos aí, né? Por exemplo, essa ideia de que durante a epidemia do Covid, em qualquer outro cenário de risco aumentado,
que a pessoa de 180 pode morrer de 80 não. De fato, pode acontecer. Só que, estatisticamente, o que você observa é o contrário. Inclusive, tem estudos no Exército dos Estados Unidos, eles não aprovam. Faz, acho que, mais de 60 anos...
não aprovam pessoas com QI abaixo de 80, porque a taxa de mortalidade dessas pessoas em guerra era três vezes maior do que de pessoas com QI de 100 ou mais, a partir de 100. E o tempo que eles gastavam no treinamento era muito maior, o custo com o treinamento era muito maior, e a taxa de mortalidade era alta, e perdia não só a pessoa, mas também a munição e a arma, etc. Então, pode acontecer, mas são exceções. A CG80 tem menos probabilidade de morrer.
Inclusive, a expectativa de vida de pessoas com QI mais alto é um pouco maior. Tem correlação.
não só individual, mas entre países. Se você pega os países também, a expectativa de vida dos países e os QIs nos países, é uma correlação positiva em longevidade. Não só longevidade, mas uma variedade de características. Então, a análise que ele faz eu acho interessante em muitos pontos, mas eu acho que ela não é suficiente para sustentar essa tese de que está diminuindo. Inclusive, tem métricas do efeito Flynn, por exemplo. O efeito Flynn mostra, desde 1905, em quase todos os países, com pouquíssimas exceções, o que em médio da população está aumentando.
Na verdade, aumentou até os anos 80, 90 e depois houve meio que... Não só o QI, mas a altura estabilizou, começou até a diminuir. Tem um indicativo de uma leve redução na altura média da população e outros atributos que estavam crescendo até os anos 80 e parece que começaram a diminuir. Eu não sei se tem alguma coisa a ver com hormônios em alimentação, eu não sei em que medida que isso pode estar influenciando. Não tem estudos sistemáticos para investigar as causas, mas se sabe do efeito. O efeito é conhecido, é medido.
Principalmente essa mudança no comportamento da curva, que ela estava crescendo, de repente estabilizou e tem até um indicativo de uma ligeira queda nos anos recentes. Então, com relação ao histórico de longo prazo, antes de 1900, no caso, o Neandertal, o cérebro do Neandertal era um pouco maior do que o cérebro do Cro-Magnon e dos humanos. Ele tinha 1.410 centímetros cúbicos, o Cro-Magnon acho que 1.370, 1.380. É uma diferença muito pequena, as amostras são pequenas, a incerteza na medida é grande, então não dá para confiar muito.
seja mais inteligente, embora em média tenha uma correlação positiva, 0.25 mais ou menos de correlação. Eu ia te perguntar sobre isso, porque pensando que o cérebro é o hardware e a mente é o software, então só um cérebro maior seria um bom indicativo de uma inteligência maior? Então, são muitos atributos combinados. O cérebro maior é um dos componentes que contribui, porque você tem mais espaço para mais neurônios, para mais conexões, etc.
Mas os principais fatores são a combinação dos neurônios, dos axônios, dos dendrites, das conexões dos neurônios,
E das heurísticas que você adquire ou que você nasce com uma carga genética que muitas vezes não é mensurável fisiologicamente, pelo menos por enquanto não se mensura fisiologicamente, mas que aumentam a probabilidade de desenvolver heurísticas eficientes para resolver problemas. Então, mesmo que a pessoa tenha um hardware, por exemplo, tem um ganhador de Prêmio Nobel que tinha um cérebro acho que 1320, que era bem menor do que a média, geralmente eles tinham um cérebro maior, e tem também um caso de uma pessoa que tinha hidrocefalia,
É maior, então. É, geralmente é maior. Tem um caso de uma pessoa com hidrocefalia que tinha 2 mil e não sei quantos centímetros cúbicos, era um cérebro desproporcionalmente grande e era um deficiente mental porque ele tinha hidrocefalia. Então, não garante necessariamente, mas tem uma correlação positiva. É como uma habilidade para jogar basquete. Se você é mais alto, você tem maior probabilidade de conseguir melhores resultados.
Mas não é só isso que vai determinar. Você precisa de coordenação motora, de aptidão específica para basquete, etc. Levando em consideração isso, de fato, a nutrição faz diferença.
Porque eu, como fui mãe agora recentemente, a gente vai lá, suplementa ômega 3, DHA, que ajuda na produção de massa cefálica. Ou seja, aumenta o volume do cérebro do bebê. E se a pessoa está desnutrida ou faltando esse tipo de nutriente, vai ser menor a massa cefálica. Sim, exatamente. Esse é um dos problemas que tem no estudo do Richard Lean. Porque quando ele compara, por exemplo, países na África, acho que é o Nepal, que em média o Nepal, de acordo com o Richard Lean, seria 43. Caraca.
assim, teve testes que foram feitos com uma gorila chamada Coco, que ela teve 85. Tem distorções, eu acho que o que correto na Coco devia ser um 60. Mas mesmo 60 é muito acima de 43, e a probabilidade de esse 43 ser o correto é quase zero. É uma distorção, assim, gigantesca. Quando eu fiz a comparação do PISA com o QI, e teve um outro critério que eu usei, eu não me lembro qual era o outro critério. Foram dois critérios, que eu não dei zero PISA, e o outro outro critério foi o artigo de 2022, eu acho, que eu mostrei que era pouco provável que aqueles resultados do linfos
inválidos. Nesse país, que acho que era Nepal, não tenho certeza se era Nepal, que era 43, o resultado que eu encontrei foi mais ou menos 88, que é um pouco abaixo da média ainda, mas é muito perto da 90 já seria considerada a média. 90, 110 já seria a média da população. Então, quando você observa, por exemplo, mais ou menos 50% das pessoas com quem é abaixo de 70 não chegam a aprender a ler. Eles têm dificuldade para aprender a ler, ou podem até aprender, mas têm dificuldade para interpretar texto. Conseguem reproduzir os sons das letras,
e das sílabas, mas tem dificuldade para entender os significados. E nesse país, eles têm uma arquitetura razoavelmente desenvolvida melhor do que em muitas cidades do interior do Brasil. Então, é muito improvável que eles desenvolvessem essa tecnologia se tivessem um QI abaixo de 70. Se todo mundo tivesse um QI tão baixo. Sim. E você comentou isso porque na África teria menos nutrição. No caso, por exemplo, Nepal, que não é um país africano. Na África ele viu coisas similares assim, em termos de QI?
Gana fica, Sudão. Nepal é aquele que tem a bandeirinha, dois triângulos. Eu lembro da bandeira, uma bandeira incomum, que não é uma bandeira retangular, parece uma bandeira de festa junina. É, Nepal é essa bandeira, sim. Mas eu não me recordo, fica na Ásia, Nepal, então. Fica na Ásia. E aí, sobre essa questão de inteligência, quem você acha que foi o ser humano mais inteligente que já existiu? Então, eu tinha uma opinião durante muito tempo, que era o Newton,
Depois, em alguns momentos, eu cheguei a achar que poderia ser o Einstein, já cheguei a pensar que poderia ser o Leonardo da Vinci. E no final do ano passado, no final de 2024, ao longo do ano passado, eu fiz um estudo com uma métrica objetiva que tenta avaliar os QIs das pessoas. Tem 5.570 personagens históricos desde a época do Imhotep até 2025. E com base na produção intelectual. Então eu transformo em variáveis padronizadas e depois eu faço uma correlação.
transformo em um resultado de QI. E o que teve a maior score foi o Leonardo da Vinci. O Newton fica em segundo, o Einstein não tenho certeza se fica em terceiro, o Gauss, os primeiros ficam, os dois primeiros tenho certeza, Leonardo da Vinci e segundo Newton. O terceiro eu já não tenho certeza, mas os que ficam, os primeiros lá ficam. Gauss, Euler, Archimedes, Aristóteles, Laplace, que eu me recordo, acho que é esse. John von Neumann também, ele entra, mas não entre os dez primeiros.
Neumann também entra, o Tesla entra também entre os primeiros. Não me recordo assim da lista extensa, mas os primeiros são esses daí. O Leonardo, mas estão muito equilibrados, estão muito pareados. Os cinco primeiros, os seis primeiros estão muito pareados. E deve ser difícil também, porque quanto mais antigo o personagem, muitas vezes mais distante ficou a produção intelectual dele do que chegou para a gente hoje em dia. É que tem um estudo interessante do Charles Murray.
Ele publicou um livro mais famoso dele, A Curva do Sino. Você deve conhecer A Curva do Sino. Ele publicou um outro livro que chama
Accomplishment, que tem 4.568, se não me engano, 598 personagens históricos, desde o Homero, que nasceram até 1950. E ele procurou, ele desenvolveu uma estratégia interessante para compensar a diferença da quantidade de artigos publicados. Você pega antes do Gutenberg, por exemplo, da imprensa, você tem uma quantidade muito menor de livros publicados, nem tinha um artigo. E mesmo depois que já tinha os livros, os artigos não eram uma cultura de publicação.
de artigos, era muito mais... Livros eram muito mais caros, dependia do apoio da família Médici, de alguma... Então, ele tentou compensar isso, ele fez um ajuste que ficou bastante razoável, e o meu livro é baseado em parte, eu uso essa métrica dele, e eu implemento alguns aprimoramentos, e expandi também a lista, até o Imhotep, de 2700 a.C., ele pegou Homero de cerca de 800 a.C., e eu prolonguei também de 1950, até... Só que ele pega...
150. Eu peguei que tem informações disponíveis até 2025. Então, tem alguns que são os principais candidatos. Esses principais incluiriam esses daí. O Leonardo da Vinci, o Newton, o Einstein, Gauss, Arquimedes, Aristóteles e Euler. Esses são os principais. A ordem exata desses é difícil, mas eles estão razoavelmente acima dos outros. O Laplace entra, mas acho que um pouco abaixo. E outros, como o Tesla, o John von Neumann,
já citei eu falando, o Terencital. Terencital, na verdade, ele não chega, talvez nem entre os 100 primeiros, talvez entre os 50 primeiros, acho que ele não chega. Talvez entre os 100, ele chegue. O Leibniz, acho que... Algum limite teórico para a inteligência? Para os humanos, você tem uma limitação numérica fisiológica, do número de neurônios, interconexões que pode ter entre os neurônios, então você tem uma limitação, você não pode armazenar mais informações, como se fosse um HD, que você tem uma limitação física do HD.
não vivem o suficiente para armazenar nem 10% do que seria capaz de armazenar. Além disso, elas têm um processo de remoção de informação que elas não usam com frequência e vão substituindo, é uma reciclagem constante. Então, eu acho que tem o limite, mas eu acho que duraria, se uma pessoa vivesse mil anos, não esgotaria a capacidade de retenção de informações e de desenvolvimento intelectual. As IAs, eu acho que já ultrapassaram com folga o limite de informação
com dezenas ou centenas ou até milhares de vezes a quantidade de informação que um humano pode ter, mas com relação à inteligência eles ainda estão bem atrás. O GPT e o Gemini tem uns 160, 165 de QI mais ou menos, as versões mais recentes. E não tem um progresso significativo nos anos recentes. Quando foi lançado o GPT 3.5 no final de 2021, eu acho, 2021 ou 2022, ele tinha mais ou menos 137 de QI. A evolução do 3.5 até o 5.4,
Do 3.5 para o 4 não teve quase progresso nenhum. Do 4 para o 5 teve um progresso bom. Em grande parte, o 5 melhorou não tanto porque a própria rede tem evoluído, mas pelo tempo de análise que ele faz. Ele faz uma análise muito maior e ele faz um back... Não é back-forward, não me recordo não. Ele passa novamente na mesma rede, ele passa novamente a informação, retroalimenta a mesma rede e com isso ele vai aprimorando.
a mesma entrada, o mesmo ímpute, ele melhora a partir da versão 5 que eles fizeram isso. Então não houve propriamente uma melhora, houve também melhoras na rede, mas não propriamente a melhora da rede que resultou nisso, e sim essa propriedade de passar várias vezes e refinando a análise inicial. Então acho que IAs, e acho que entidades extraterrestres que têm uma estrutura muito diferente da nossa, até mesmo baleias que têm um cérebro muito maior, eu acho que poderiam ter um nível intelectual muito maior, mas acho que todos ficariam
nenhum com limite físico, a não ser no universo infinito, uma infinidade de espaço que pudesse surgir entidades infinitas. Por exemplo, a onisciência de Deus num universo, não seria um universo, seria uma região extrínseca, um universo infinito, onde existiria Deus, ele poderia ter uma onisciência, uma onipotência, inclusive intelectual. Mas para humanos, para entidades que vivem num universo limitado, você vai ter de alguma forma uma imitação física que impede que continue aumentando acima de um certo ponto.
você tocou nesse ponto sobre Deus, essa foi uma das coisas que mais me perguntaram. Porque eu falei para fazer um podcast com uma pessoa muito inteligente, me deem sugestões de perguntas, porque eu gosto muito do Frederic Auguste von Hayek, ele tinha aquela ideia de que o conhecimento está disperso pela sociedade, um argumento contra a centralização do socialismo. E uma das que mais apareceu é qual a opinião dele sobre Deus? Existe um Criador?
O que é a vida? O que acontece após a morte? Eu queria ouvir um pouco do que você pensa sobre isso. Eu vou separar em duas partes. Eu tenho uma opinião pessoal, uma crença,
pessoal, que é de que Deus existe, mas independentemente da crença pessoal, eu tenho um artigo que eu escrevi em 2000, depois eu aprimorei novamente em 2010, e mais recentemente eu fiz uma versão mais completa, em que praticamente eu demonstro a existência de Deus em conformidade com a ciência contemporânea. Porque tem várias tentativas ao longo da história do Santo Anselmo, do Santo Tomás de Aquino, do Leibniz, Pascal não fez propriamente uma prova, mas foi um argumento do Pascal, o Pascal dizia que se existe um Deus,
e você não acredita nele. Aposta de Pascal. Aposta de Pascal, você conhece. Então, aposta de Pascal... Pode falar, talvez o pessoal não conheça. Não é para permitir uma prova, mas é um argumento que, independentemente dele existir ou não, é vantajoso, mais vantajoso para você acreditar que ele existe. Porque se ele não existe e você acredita que ele existe, você não perde nada. Se ele existe e você acredita que ele existe, você ganha o paraíso.
Se ele não existe e você não acredita que ele existe, você não perde, não ganha, mas só que... A questão é que você tem dois cenários.
Pode existir ou não existir. No cenário em que ele não existe, você não perde, não ganha nada. E no cenário em que ele existe, se você acredita que ele existe, você sai ganhando. Tem uma falácia aí no fim das contas, mas o fato de você acreditar, não quer dizer que o critério que Deus adote para selecionar as pessoas que vão entrar no céu seja o fato de acreditar nele ou não. Ele pode se basear na obra da pessoa, se ela faz o bem, se ela é uma pessoa honesta, uma pessoa justa, e não simplesmente por acreditar nele. Inclusive, tem uma parte no Apocalipse que cita que 144 mil,
pessoas serão as chamadas para o céu. Entre uma população na época que foi comentado isso, era século XIV, XV, a população histórica acumulada era cerca de 14 bilhões. Atualmente cerca de 100 bilhões. A população mundial cerca de 8,2 bilhões e a histórica acumulada cerca de 100 bilhões. Então, quer dizer, de 144 mil num conjunto de 100 bilhões, seria mais ou menos 1 em 700 mil. A cada 700 mil pessoas, só uma seria salva. Então, o simples fato de acreditar,
não seja um critério... É bem o suficiente. Ele propõe, se esse postulado for aceito, se nós aceitarmos que é suficiente você acreditar em Deus para você ser escolhido, então o argumento dele funciona. Só que essa proposição inicial pode não ser verdadeira, pode ser uma simplificação. E com relação ao artigo que eu escrevi, eu pretendo inclusive ter o reitor da Universidade de Coimbra, que ele tem algum contato com
com o Papa, o Papa atual, e eu pretendo encaminhar para ver se o Papa se interessa pela minha demonstração. Tem uma demonstração do Gideon, que acho que é talvez a melhor que tem atualmente do ponto de vista de rigor formal, ele prova dentro de um sistema axiomático em que ele apresenta algumas proposições e se você aceita aquelas proposições, aqueles axiomas, ele prova que Deus existe. O problema é que aquelas proposições não são necessariamente representações da realidade, são de um sistema que se chama um modelo de brinquedo,
um modelo fictício, não é um modelo ruim, não é um modelo que entra em conflito com a realidade, mas também ele não estabelece uma conexão com a realidade. Então o modelo do Gideon, ele formalmente é melhor que existe, mas do ponto de vista epistemológico e ontológico, não tem uma prova que teria uma validade científica, uma validade física. A minha tentativa, que eu acho que nesse aspecto ela é menos rigorosa que a do Gideon, mas eu acho que ela é mais robusta do ponto de vista físico, porque ela se alinha com a trilha da evolução,
e com a trilha do Big Bang, que são duas vertentes. Inclusive, uma coisa que eu acho estranho, eu vejo que, por exemplo, tive um debate com o Paulo Nogué, Carlos Nogué, e um com o Kogos, Paulo Kogos, sobre a existência de Deus. Na verdade, não era sobre a existência de Deus, era sobre as cinco vias de São Tomás de Aquino, que, na verdade, não provam, e acho que nem tentam provar, no fim das contas, na perspectiva atual. A de Santo Anselmo é uma evidência mais forte, é uma tentativa mais robusta,
do que a de Santo Tomás de Aquino. E a do Guido, eu acho que é a mais rigorosa. Em termos de rigor, ela praticamente não tem contestação. O que se pode contestar não é a aplicação das regras inferenciais a partir das proposições. O que se pode contestar é que os postulados não representam a realidade. Podem não representar a realidade. Com relação a esses debates com o Kogos e o Nogué, o que eu percebi que o público que assistiu... O Kogos foi um cavaleiro, agiu muito bem.
tinha divergências de opiniões, mas ele foi perfeito cavaleiro. O Noguer, achei que ele discordou em algumas condutas dele, mas não acho que ele agiu errado, não vou fazer uma crítica ao Noguer, mas o público que assistia os comentários, você vê que pareciam anticristãos, eles se diziam cristãos, mas pareciam praticamente anticristãos. E o que dava para perceber na conduta dessas pessoas, dois pontos principais. Primeiro, eles não conhecem a posição dos papas, porque todos os papas recentes se posicionaram como
aceitando a teoria da evolução, eles não recusam, não renunciam ao Gênesis, mas eles aceitam a teoria da evolução, reconhecem que é um modelo que descreve razoavelmente o que acontece, e a teoria do Big Bang inclusive foi proposta por um padre, o Lemaitre era um padre, e não só foi proposta por um padre, como em 1959, eu acho, acho que foi o Pio XII, não tenho certeza, não vou falar besteira, teve um Papa que fez uma reunião com o Lemaitre, inclusive eu queria entender melhor para ver se ele conseguia associar com o Gênesis a proposta
do Emetre. Então, as pessoas têm uma ilusão de que há um conflito entre religião e ciência. Quando, na verdade, os próprios papas, ao longo da história, acho que em grande parte é por causa do Galileu, da polêmica que teve na época do Galileu. E talvez o Giordano Bruno também. Foi queimado. É, o Giordano Bruno acabou sendo queimado. Só que, o Giordano Bruno não foi queimado pelas ideias dele sobre ciência. Ele foi queimado porque ele dizia que Jesus morreu enforcado, que Virgem Maria não era virgem. Os motivos do Giordano Bruno
são diferentes do que a divulgação científica costuma apresentar. Não sabia disso. Pois é, ele também defendia que a Terra gira em torno do Sol, que o universo é infinito, que as estrelas são outros sóis, só que esses não foram os motivos que incomodaram a igreja. E não é que incomodaram por uma questão de fanatismo, é porque a igreja estava estreitamente vinculada ao Estado. Se você coloca em dúvida, porque é uma questão importante, independentemente da religiosidade da pessoa, a religião é extremamente importante, inclusive o Maimon,
vários personagens ao longo da história, compreendiam claramente o papel social da religião, que é, mesmo que a pessoa não acredite na existência de Deus ou numa religião, mas ela precisa compreender que se muitas pessoas, a maioria das pessoas, acredita que existe um Deus que está o tempo todo monitorando as ações dela, ela vai evitar roubar, ela vai evitar matar, ela vai tentar seguir aqueles padrões de conduta, independentemente de existir ou não Deus. Então, quer dizer, mesmo para o ateu, ele tem que compreender a importância
da religião, nesse sentido pelo menos. Tem também o sentido doutrinário, tem outras funções, mas no mínimo nesse sentido tem que compreender. O Giordano Bruno, quando ele começou a apresentar as teses dele, inclusive ele teve, a primeira vez que ele foi preso ele foi libertado, depois ele foi novamente, porque ele continuou fazendo, tem uma questão de suspeita de que ele era um espião, inclusive espião duplo, tem uma questão complexa aí.
Quando ele começou a fazer as declarações, ele foi chamado à aquisição, ele teve uma conversa e acabou sendo libertado. Depois ele foi novamente para a aquisição, ele ficou
7 ou 8 anos preso, não me recordo exatamente quanto tempo foi, 7 ou 8 anos, e no final ele teve várias oportunidades de renunciar ao que ele tinha falado, e ele manteve e manteve. O pessoal da divulgação científica, alguns historiadores da ciência, algumas pessoas muitas vezes ligadas à esquerda por diferentes razões, acabaram distorcendo essa parte, fazendo parecer que ele era uma vítima de uma perseguição de fanatismo religioso contra a ciência.
Quando no fim das contas havia também as opiniões dele sobre ciência, mas o que motivou realmente a repressão foi,
apresentasse teses, que colocassem em dúvida, por exemplo, tem uma parte de Josué, acho que 10, 12, 14 de Josué, que ele ordena o Sol e a Lua para parar de girar no Vale do Ajalão, e não me recordo exatamente quais são as regiões, e ele ordena que o Sol e a Lua parem, e não que a Terra pare de girar. Então isso entraria em conflito com um trecho da Bíblia. Tem outros trechos também que entrariam em conflito. E se fosse aceito isso, o problema não é isso em si, mas o impacto que isso poderia ter sobre aquela população
que precisa manter um certo controle para elas não saírem por aí matando e roubando, se elas passam a duvidar que aquilo que a religião coloca é verdadeiro, pode virar um caos social. Então havia essa preocupação. Então tentaram várias vezes, era o Cardial Belarmino na época, inclusive foi São Belarmino posteriormente, foi canonizado, o Cardial Belarmino que foi o inquisidor da época de Jordano Bruno. Foi também do Galileu na primeira de 1616. A de 1632 foram outros inquisidores. Belarmino tinha morrido já em 1632.
Chegou o Bruno em 1600 e o Galileu em 1616. E o Belarmino era uma pessoa extremamente equilibrada, uma pessoa inteligente, culta. Ele conhecia muita coisa de ciência, de lógica, de matemática. Inclusive, ele debateu com o Galileu, ele foi observar no telescópio do Galileu. Ele não era provavelmente amigo do Galileu, mas tinha bons relacionamentos com o Galileu. Inclusive, quando ele foi apresentar a restrição para o Galileu, ele levou duas cartas para o Galileu, ele apresentou amigavelmente.
Depois o Galileu foi conversar com ele também amigavelmente. O Belarmino Galileu foi posteriormente, em 1633.
também não foi problema por religião, o Galileu foi muito mais uma questão acadêmica, porque teve conflitos com várias pessoas que ele criticava, ele zombava, ele era bem agressivo, ele não era uma pessoa muito fácil de se lidar. Então ele acabou criando muitos conflitos na universidade, e como eles não tinham o que eles pudessem fazer contra ele pela própria universidade, eles usaram a religião para encontrar pontos nos quais o que ele defendia no modelo copernicano, que entrava em conflito com a Bíblia, usaram aquilo para criticar o Galileu. Mas enfim, o ponto do Giordano Bruno, a motivação principal,
é porque ele poderia colocar em risco a ordem social como um todo se a religião perdesse, se as pessoas em geral começassem a duvidar de que aquilo que a Bíblia dizia era verdadeiro. Então ele colocaria em dúvida aquele ponto, quais outros pontos poderiam não ser verdadeiros, etc, etc. Então ele acabou sendo queimado, não foi uma questão de crueldade, inclusive tentaram evitar que ele fosse queimado durante uns sete ou oito anos, e no fim das contas ele insistiu, insistiu, acabou sendo torturado.
Inclusive essa questão de tortura também, tem muitas coisas da Inquisição que eles exageram e distorcem,
A tortura já existia muito antes da Inquisição. E a Inquisição tentou amenizar e eliminar algumas situações. Por exemplo, o Galileu não podia ser torturado porque ele tinha mais de 60 anos. Quando ele foi na primeira vez, não. Mas a segunda vez, em 1633, ele tinha mais de 60 anos. A Inquisição não podia. Será que era realmente levado a ferro e fogo? Sem ser o ferro e fogo, no caso. Eles respeitavam. Esse é um ponto importante.
e tem o cumprimento dela. Exatamente. Isso foi uma coisa complexa. Quando começou, a Inquisição foi ao menos 1100, não me recordo exatamente quando foi, quando surgiram as abigências, etc. Quando surgiu a Inquisição, foram feitas muitas mudanças. Inclusive, muita coisa que se usa atualmente na lei surgiu com a Inquisição. Por exemplo, antes da Inquisição, se um nobre fazia uma acusação contra um plebeu, contra uma pessoa, um camponês, simplesmente eles iam lá, prendiam o cara e ponto final.
A partir da Inquisição, as pessoas tinham que receber uma notificação. Aí já tem um problema também, que a notificação era por escrito e as pessoas não sabiam ler. Tipo, 5% das pessoas sabiam ler. Mas tudo bem, ele podia levar para um amigo. Menos mal do que chegar, já pegar o cara e arrastar para uma asmorra. Então, ele recebeu uma notificação. Eles tinham ampla oportunidade de defesa e não existia antes da Inquisição. A Inquisição que instituiu isso.
Além disso, eles colocaram também que se ele não tivesse condições de pagar para um defensor, ele podia solicitar um defensor público.
alguém que fosse jurado, que fosse inimigo dele, que tivesse alguma coisa contra ele, ele podia solicitar que aquela pessoa não participasse. Só que isso, como você falou, era tudo na teoria. Na prática, não funcionava bem assim. Só que, no caso do Galileu, foi quase o contrário. Na teoria, o Galileu deveria ser condenado e morto. O Galileu desrespeitou e tal. Se aplicasse a lei rigorosamente, o Galileu... Só que ele era amigo do Barberini, que foi posteriormente o Papa Urbano VIII. Ele era amigo do... A família Barberini era muito
muito famosa na época, não só o Papa, que era o Cardeal, o Cardeal Barberini se tornou depois do ano oitavo, como também um dos sobrinhos, que era o Francesco Barberini, ele era um inquisidor, um dos inquisidores, havia mais de um inquisidor na época, e ele era discípulo do Galileu, ele aprendia nos livros do Galileu, ele conversava, era amigo do Galileu, o Barberini caminhava com ele, conversando, então o Galileu era muito amigo, tanto do Papa quanto do inquisidor, e aí acabaram facilitando imensamente, no fim das contas, o Galileu fez alguns comentários,
no Diálogo sobre os Dois Máximos Sistemas, em que ele coloca no personagem Simplício algumas declarações do Papa e ele coloca o Simplício como um personagem meio caricatural. Você conhece mais essa história? Até o nome Simplício talvez tenha vindo daí essa associação com uma pessoa simplista. O Galileu se tem um filósofo, ele fala que era um filósofo, mas... Ele ironizava muito. É, então, os inimigos do Galileu achavam que o Simplício era o Papa, porque duas declarações que o Papa costumava fazer para defender o modelo aristotélico,
o Galileu colocou na boca do Simplício no livro. E aí eles acharam, não sei se eles acharam, mas eles queriam derrubar o Galileu de qualquer jeito e usaram isso para colocar o Galileu contra o Papa. O Papa ficou meio irritado na época, deu um susto no Galileu, colocou o Galileu durante um dia, só eles falam que o Galileu ficou preso, ele ficou um dia preso, menos de 24 horas na verdade. Ele ficou preso durante um tempo, o Galileu descreve aquele ambiente como uma cela escura, úmida e apertada.
E depois ele acabou saindo e ficou na casa do Piccolomini, o cardeal Piccolomini, que era de uma,
ascendência de papas, teve vários papas, não, teve dois papas, na verdade, que eram da família Picolomini, e esse era um cadeau que tinha uma mansão gigantesca, e o Galileu ficou lá, e ele era um dos admiradores do Galileu. Então, quer dizer, a prisão do Galileu foi um spa de luxo, no fim das contas. Ele podia receber visitas, ele tinha acesso a livros, ele jantava e almoçava junto com o anfitrião. Então, assim, era uma prisão...
É, bem confortável. Sim, a prisão dele foi essa, no fim das contas. Então, o Giordano Bruno sofreu, ele ficou na masmorra,
foi diferente. Mas o Galileu teve muitas distorções aí na história do Galileu. Mas voltando à questão de Deus, por que você acredita na existência de um Criador? Então, eu acredito independentemente da prova e tenho uma prova da existência de Deus. Vou tentar resumir a prova. Tem um artigo que tem umas 20 páginas que eu comento sobre a tentativa de prova de São Tomás, a apresentação do Guido e outras. E no final eu mostro a minha...
Não é provavelmente uma demonstração, porque não tem demonstração em ciência. É mais uma corroboração
A tese tem quatro postulados. Um dos postulados é que, independentemente do nosso universo ser finito, a gente tem um modelo lambda-CDM que seja finito, provavelmente fora do universo existe algo, e esse algo pode envolver matéria, tempo, energia, etc. Não necessariamente o mesmo que nós entendemos como tempo, mas alguma coisa equivalente ao tempo, que seja um ambiente no qual você pode ter fluxo de mudanças.
tempo tudo fica estático, então provavelmente existe alguma coisa nesse sentido, não seria exatamente multiverso, tem alguns, inclusive tem uns 10 grandes físicos, o Penrose ele defende uma ideia um pouco diferente, o Penrose ele entende o multiverso como um universo cíclico, ele tem o Big Bang, ele expande, depois ele se contrai, aí tem um Big Crunch, depois um Big Bang de novo, a visão do Penrose é um pouco diferente, não é bem essa, eu penso em
estruturas externas realmente aos limites observacionais do Big Bang. Seriam outros universos paralelos ao nosso? Não só os outros universos, mas alguma coisa que está fora e é maior, está fora dos universos, que seria um ambiente no qual existiria Deus. Nesse ambiente, os pontos que eu... Primeiro, que exista esse infinito em tempo e espaço, em matéria e energia, alguma coisa equivalente, não necessariamente tempo e espaço, mas equivalente a tempo, que permita um fluxo de eventos. Sim.
Uma seta do tempo, vou botar assim. É, pode ser uma seta de alguma coisa que... Se não puder existir o tempo, mas alguma coisa equivalente ao tempo tem que existir para ter mobilidade, para as coisas não ficarem todas estáticas. Então, que exista isso, que exista evolução no sentido de que entidades podem evoluir progressivamente para organismos cada vez mais complexos, mais evoluídos, mais desenvolvidos, e que seja um ambiente infinito, e não só como o nosso universo, que é limitado.
Num ambiente como esse, num tempo suficientemente longo, especialmente num tempo infinitamente longo,
suficiente para desenvolver uma variedade de entidades vivas, a evolução vai acabar produzindo organismos suficientemente capazes de fazer muitas coisas, inclusive de criar universos. Aí tem um outro ponto. Eu começo também com a definição. O que seria o significado de Deus? Não são quatro postulados, são uma definição e três postulados. A definição é, eu defino Deus como uma entidade capaz de criar universos, como o nosso ou mais complexos que o nosso. É uma definição interessante.
Porque eu não consigo provar onisciência, onipresença. Na verdade, eu não consigo até esse ponto, mas tem uma outra argumentação que eu uso. Por exemplo, uma coisa extremamente interessante, que eu estou escrevendo um artigo e não está pronto ainda. Você deve ter visto do filme Matrix que o passaporte do Neo inspirava em 11 de setembro de 2001. Você chegou a ver na internet. Mas não é só isso. Se você pega as pessoas que morreram no atentado de 11 de setembro, tem uma pessoa com o sobrenome Matriciano. Matriciano é um nome extremamente incomum.
sei lá, Lewis, Johnson, tem nomes que são muito comuns. Matriciano... Ainda mais nos Estados Unidos, né? Sim. Eu fiz uma pesquisa demográfica, parece que havia 19 pessoas nos Estados Unidos, quer dizer, 330 milhões de habitantes, e só 19 tinham o sobrenome Matriciano. Tinha uma pessoa que se chama Marcelo Matriciano, ele estava no andar acima. O andar foi o andar 93 ou 99, eu acho. O andar que as anaves colidiram.
E ele estava, acho que, no andar 100. Era um andar acima da colisão. E tinha um matriciano. Tinha, acho que, três pessoas com o sobrenome Morphe, do Morpheu. E aí tem uma questão que é complexa, porque você tem que fazer uma filtragem de coincidências que você tenta forçar para se encaixar. Ad hoc, tem que fazer essa filtragem também. No artigo eu comento detalhadamente. No final, a probabilidade de que aqueles eventos fossem casuais
a 15, mais ou menos. Já descontando, tentando filtrar, por exemplo, o fato do Neil, porque se você pega só a coincidência do Neil ter o passaporte dele, que ele expirava em 11 de setembro de 2001, você tem uma probabilidade de uma em 10 mil, acho que uma em 7 mil, pela quantidade de anos, a partir de 10 anos, e você aplica a probabilidade de coincidir aquilo em 7 mil, mais ou menos.
Só que quando você considera... Esse ponto eu excluo. Eu tiro esse 1 sobre 7 mil, porque se você considera a quantidade de filmes publicados a cada ano, a chance de você encontrar alguma coisa que coincida... Uma data significativa com esse filme vai ter alguma chance. Se bem que esse não é um filme comum, ele trata justamente de um cenário em que você vive numa realidade simulada, que é justamente a tese que eu coloco que talvez, não exatamente numa realidade simulada,
Matrix, mas sim que exista um universo em que você tem uma divindade, Deus que criou o universo, e as coisas que nós temos no mundo não são acidentais. Não sou um adepto do design inteligente, mas eu acho que muitas, por exemplo, o tamanho aparente do Sol e da Lua é uma coincidência absurda. O tamanho aparente do Sol é quase igual ao tamanho aparente da Lua, só que a distância do Sol é 390 vezes maior e o tamanho do Sol é exatamente 390 vezes maior para compensar para ele ter o tamanho
mãe aparente igual, quer dizer, uma coincidência muito grande. Assim, qual o problema disso ter sido uma coisa acidental? Muito baixo. E tem várias outras coisas. Nesse artigo eu comento esse caso do Matrix especificamente, se você pesquisar Marcelo Matriciano, você vai encontrar, inclusive se você pesquisar demograficamente, você encontra a probabilidade de ter uma pessoa com nome dentro, tinha acho que 3.773 pessoas, não me recordo exatamente, que estavam dentro do World Trade Center, então tem que dividir pela população dos Estados Unidos, multiplicar pelo número de pessoas,
Enfim, eu fiz vários cálculos tentando filtrar o máximo, tentando fazer imparcialmente, não provar a tese em si, mas sim testar a tese. E no final assinou uma coisa como 10 elevado a 15. A probabilidade 1 sobre 10 elevado a 15 de que aquilo fosse acidental. Pegando o ponto da Matrix, porque você citou, olha, a definição que eu dei de Deus, a conceituação é que é uma inteligência capaz de construir o inverso. Sim. E se você pega hoje, e com o passar do tempo cada vez mais, um programador,
ele dentro daquilo que ele está criando, ele é Deus. Porque ele cria as leis da física do que ele está fazendo ali dentro. Ele está fora do tempo e do espaço do que ele está criando, e lá ele escreve o código, no início era o verbo, e simplesmente as coisas vão acontecer lá dentro. Então, a gente pode pensar que a gente está numa simulação e que Deus é o grande programador do nosso universo? Fora da nossa simulação? É, então, você pode inclusive construir uma cadeia infinita para mais e para menos.
Sim, porque tem outros programadores de outras simulações onde ele está dentro. É, inclusive você pode criar programas, por exemplo,
programas que criam outros programas, etc, etc. É possível, mas a minha tese é se é possível não provar a existência de Deus ou a inexistência de Deus. Eu tentei as duas coisas, o que eu consegui chegar, não sei se talvez por um viés de crença pessoal que eu acabei sendo levado para provar que sim e não que não, mas o ponto que eu cheguei, por exemplo, eu não consigo provar a onipresença, onipotência, onisciência, onibenevolência.
Não consigo provar essa parte. Embora tenha uma argumentação razoável para apoiar essa, só que já não é meio uma corroboração, é mais uma tese mais frágil.
A parte mais robusta é justamente essa, porque a trilha da evolução é uma coisa amplamente aceita, os próprios papas, desde na época do Darwin, 1859, não me recordo, acho que era Pio IX, talvez, não me recordo quem era o papa na época do Darwin, mas o primeiro papa da época do Darwin ficou até 1883, 1878, eu acho, até 1878, o papa da época do Darwin. Depois, todos os posteriores aceitaram a trilha da evolução,
como uma boa explicação fenomenológica do que acontece na natureza. Embora eles não renunciassem ao gênero, isso aqui era uma interpretação como se fosse metafórica. Não exatamente, não diz explicitamente como metafórica, mas subentende-se mais ou menos nesse sentido. Então, porque as tentativas de provar... O próprio São Tomás, quando ele tentou provar de existência de Deus, ele tentou basear na física aristotélica que era aceita na época.
Atualmente, depois de Newton. Depois de Newton, ela ficou obsoleta, mas na época,
que era o paradigma vigente da ciência. Então, eu acho que ele tentou se basear na ciência, não se apresentar um conflito da religião com a ciência. Ele tentou se adaptar ao que a ciência da época estabelecia. E outras tentativas posteriores, por exemplo, do Gideon, não é que ele é contra a ciência, mas ele não se preocupa em manter uma boa correspondência com a realidade física. Ele só tem o modelo dele. Não é o modelo de brinquedo no sentido pejorativo, é o modelo de brinquedo porque, geralmente,
tem vários modelos matemáticos que você tenta usar para representar. Por exemplo, na época da pandemia, tinha vários modelos de brinquedo usados para representar a pandemia de uma maneira simplificada. Era de brinquedo porque era uma simplificação, ele não tinha todas as complexidades do mundo real. Então, por isso que chamava modelo de brinquedo. O do Guido, nesse contexto, não é exatamente pelo mesmo motivo, mas sim porque ele não se preocupa em estabelecer uma relação, em garantir que haja uma correspondência entre a realidade e aquele modelo dele. No meu caso, eu procurei me preocupar com essa correspondência,
Só que eu não tenho o mesmo nível de rigor do Gideon, porque eu dependo de uma hipótese que é meio capenga, que essa parte de existir uma coisa externa no nosso universo, embora seja uma tendência crescente nas últimas décadas, cada vez mais pesquisadores estão chegando a essa conclusão, mas não tem evidência empírica nenhuma. O Penrose chegou a propor algumas hipóteses de formações de anéis luminosos, inclusive teve uma aluna do Penrose que chegou a observar algumas evidências disso, só que a interpretação que eles fazem não é a mesma que eu proponho.
Então, quer dizer, tem impressões alternativas. Então, não é uma visão unívoca. Por exemplo, São Tomás. Uma das falhas do São Tomás é justamente que ele, em vez dele usar o próprio triquid, que você apresentar as proposições e chegar à conclusão, ele parte da conclusão e volta. Ele usou o quia, que é o contrário. Você parte da conclusão e chega. Só que isso só é válido quando você não tem ramificações. Se você tem ramificações, especialmente se você tem ramificações do lado contrário, quando você volta, você pode chegar em muitas possibilidades diferentes que podem ter convergido para aquele mesmo resultado. Então, um dos pontos,
Esse tem vários outros pontos, né? São Tomás. Mas dentro da sua ideia, então, você tem esse conceito de Deus. Você falou que tem três axiomas a serem seguidos? É, são três axiomas postulados e uma definição. A definição é a definição de Deus com um ser capaz de criar o universo. Um dos postulados é que a evolução existe independentemente do nosso universo. Ela existe em qualquer ambiente suficientemente complexo que possam surgir seres vivos. Ela acaba promovendo a evolução da vida nesse ambiente. Um dos axiomas é esse.
infinito tempo e infinito espaço. E um outro ponto sutil é que não pode haver uma limitação no desenvolvimento, porque o fato de ser infinito não garante que os seres possam alcançar níveis infinitamente desenvolvidos. Você pode ter um limite assintótico que ele desenvolve até um certo ponto e estabiliza ali, mesmo você tendo infinito de possibilidades. Por exemplo, um ser que pode ter até um certo tamanho, ele não vai conseguir ter um nível muito acima de um certo ponto porque aquele tamanho vai limitar o tamanho do cérebro, toda a estrutura,
que seria equivalente ao nosso cérebro, etc. Então, outro axioma é esse, que não pode haver uma limitação até que ponto podem se desenvolver esses organismos. Nem limitação no tamanho, na complexidade, nem na variedade. Tem que ter uma variedade arbitrariamente grande e uma evolução. Esses três postulados. Se forem aceitos esses três postulados, é praticamente inevitável a conclusão de que Deus desiste nesse sistema. E esse sistema tem uma correspondência melhor com a nossa realidade do que o do Gideon.
O do Guido não se preocupa, não é que ele tem uma correspondência melhor, ele não se preocupa em estabelecer uma correspondência, ele só coloca os postulados e pronto. Os postulados dele são mesmo do Santo Anselmo. Conhece o do Santo Anselmo, a prova do Santo Anselmo? A prova dele não. O do Santo Anselmo é, vou colocar do Santo Anselmo que tem um erro, depois eu vou colocar a parte do Guido que ele corrija o erro do Santo Anselmo.
Podemos imaginar um ser perfeito. Se podemos imaginar um ser perfeito, necessariamente ele precisa existir, porque senão ele não seria perfeito, ele só existiria no pensamento.
ele exista do que ele não exista. Praticamente essa é a prova do Santão Selma. Aí tem vários pontos, por exemplo, o Kant contestou se a existência era uma vantagem em relação à não existência. Só que essa contestação, mesmo que aceitasse essa contestação do Kant, seria muito fácil de resolver simplesmente propondo como mais um axioma que a existência é uma vantagem em relação à não existência. Já resolveria a objeção do Kant. Só que o problema não é esse principal. O problema principal é que ele coloca que nós podemos imaginar um ser infinito
em poder, onipotente, etc. Se nós podemos imaginar, e sendo mais poderoso, sendo maior com a existência, então se nós conseguimos imaginar, ele também precisa existir, porque senão ele não é o maior. Para que ele seja o maior, ele precisaria também existir. Só que aí o problema é, nós não conseguimos, na verdade, imaginar. Ele está partindo de uma premissa falsa, claramente falsa. Não conseguimos imaginar nem, na verdade, muitas coisas muito mais básicas. Você não consegue imaginar um cachorro com precisão, de maneira completa,
seres imperfeitos não conseguimos demais, muito menos um ser perfeito. Então ele parte de uma premissa falsa aí. Aí o Guido, ele não disse explicitamente, mas pelo discurso dele você percebe que ele detectou essa fragilidade e ele não coloca que nós conseguimos imaginar e tal. Ele corta essa parte e ele coloca. Eu não me recordo exatamente quais são, se você pesquisar na internet você pode encontrar exatamente, mas ele coloca mais ou menos assim.
É possível existir um ser perfeito. Independentemente de nós conseguirmos imaginar ou não, mas é possível que possa existir
E a partir daí ele deriva as outras proposições e ele coloca uns outros postulados também. Então, quer dizer, quando você descarta a necessidade que nós precisamos conseguir imaginar, só que ele pode existir, ele pode existir, provavelmente pode. E depois ele prova que se pode, necessariamente ele precisa existir. Ele tem uma sequência de proposições que eu não me recordo exatamente, mas que ele parte da ideia do Santo Anselmo.
Basicamente, a ideia do Gideon é igual à do Santo Anselmo na essência, só que ele dá uma refinada e ele formaliza de uma maneira mais robusta para o século XX, que o Gideon viveu no final do século XIX.
começo do século XX, ele aprimorou. O Santo Anselmo foi do século IX, X, não me recordo quando era o Santo Anselmo. E quanto a essa questão de acreditar na existência de Deus, porque principalmente o pessoal mais voltado à parte científica, grande parte, não vou falar que é a maioria, mas tem muita gente que é ateu. O cara não acredita em Deus. Só que algumas das pessoas mais inteligentes que eu conheci no meio científico já acreditam.
E eu vi um meme muito bom, que era uma curva em forma de sino, que você citou. Aí tinha o cara bem simplório,
falando, papai do céu existe. Aí tinha o meio da curva, que é o pessoal mediano falando, não, veja bem, Deus não existe, bababá. E tinha um cara com QI mais de 200 falando, Deus existe. Então eu queria saber, as outras pessoas que fazem parte das sociedades que você, os grupos que você tem de pessoas com QI alto, elas têm, vocês têm debates muito acalorados sobre isso? Geralmente esse tema, não. É geralmente esse tema, quando começa esse tipo de tema, às vezes dá briga, então é mais incomum.
Tem um grupo que participa, porque é um grupo específico de católicos, que é católico e rege aqui o seu site.
que é inclusive de uma pessoa de descendência, eu não sei se é iraniana ou iraquiana, é de um país islâmico. Ele é de um país islâmico e é católico, ele que fundou esse grupo, ele é o fundador do grupo, que foi o que me convidou para participar. Mas, em geral, eu não tomo ele como referência a esses grupos. Eu peguei os prêmios Nobel, que tem estudo, inclusive. Se não me engano, são 87% dos ganhadores de prêmio Nobel seguem alguma religião abrâmica. E desses, eu acho que 68% são católicos.
assim, entre o topo da ciência, a predominância clara é de... São teístas. De teístas. E não só teístas, mas da religião, tipo, cristão, islâmico ou judeu. E judeu, eles contribuem com 21%, embora na população seja 0,15, mas nesse prêmio Nobel eles têm um peso grande, né? Os judeus têm uma participação grande nesse grupo. Sim. E você acredita que a gente está numa simulação em Nenburgo? Então, eu até, quando o Musk comentou a primeira vez que ele...
Eu achei, inclusive, que ele estava brincando, que ele não estava falando sério. Eu não tenho essa sensação. Eu tenho a sensação de que nós vivemos numa realidade, que a nossa realidade é a única realidade. Eu não acho que tenha um nível acima. Só que quando eu deparei com aquela questão do Matrix, depois eu me aprofundei e fui verificar, se você pesquisar, você encontra o nome de todos os mortos que foram identificados. Não são todos, mas tem vários que foram identificados. Especialmente esse matriciano, porque o Morphe é um nome comum.
maior fenômeno comum. Para Trinity eu não encontrei relação. Aquele, o Reagan, eu encontrei, eu não me lembro qual foi a correspondência que eu encontrei, mas o principal foi esse matriciano, porque o matriciano a probabilidade é muito baixa de que aconteça aquilo e tem outros elementos, não me recordo os detalhes do artigo, mas tem outros elementos que no final a probabilidade é baixíssima. Então assim, eu não sinto, intuitivamente eu não acho que nós vivemos numa realidade simulada, mas as evidências que eu vejo ali, o que eu acabei de comentar com ela também com relação
tamanho aparente do Sol e da Lua são quase iguais. Sendo que o Sol está 390 vezes mais longe, 390 vezes maior, de modo que o tamanho aparente fica, ele se compensa exatamente. E não só isso. O brilho aparente das estrelas é muito semelhante ao brilho aparente dos planetas, embora as estrelas sejam milhares de vezes maiores que os planetas. Para que haja essa compensação, ela tem que estar milhares de vezes mais distante para compensar precisamente.
Então são o que eles chamam de ciência de sintonia fina. A probabilidade de que isso aconteça aleatoriamente é muito baixa.
inteligência por trás da criação. É, então, eu não sou um adepto do design inteligente, eu tenho até um preconceito, mas eu acho que não há evidências robustas de que o design inteligente seja, e acho que quando surgiu o design inteligente, o Palen, que era um defensor do design inteligente, eu acho que a maneira como ele argumentou inicialmente não era muito robusta. Talvez até atualmente haja mais dados para sustentar como sendo uma tese plausível, mas na época não era muito plausível. Então, eu não sou um adepto do design inteligente, mas eu vejo evidências
inclusive dá para costurar mais ou menos com isso. Não encaixaria exatamente. Eu acho que é independente disso, mas poderia talvez até encaixar de alguma forma, embora não levaria para esse caminho. Mas é porque pensando por termos lógicos, você citou dentro daquela sua ideia do conceito de Deus e depois os postulados sobre a evolução das formas de vida. Tem um livro que eu li há pouco tempo, achei muito interessante, do Ray Kurzweil, A Era das Máquinas Espirituais.
E o que eu achei interessante, eu li o livro em 2022, só que ele foi escrito nos 2000. E fazia uma série de previsões sobre a evolução da ciência. Algumas ele conseguiu chegar muito próximo, outras ele errou fragorosamente. Eu queria que ele desse certo, que a nanotecnologia estaria em um estágio muito avançado pelas previsões dele. Mas ele tinha um ponto muito interessante, bem no começo do livro, que para mim valeu toda a leitura.
Ele falava da lei do tempo e do caos. Ele falava assim, olha, quanto mais caos, mais tempo demora para as coisas acontecerem. E quanto menos caos, menos tempo.
bem, que no começo as mudanças aconteceram em questão de segundos, os estágios iniciais. E depois que o universo foi ficando cada vez maior, as coisas demoram muito mais tempo para acontecer. Ele fala, porque está aumentando o caos, o universo está se expandindo. Mas ele pega a Terra e fala, na Terra é diferente, aqui a gente está aumentando a ordem. Então aqui as coisas demoraram muito tempo para acontecer, se você pensa em evolução das formas de vida, só que agora acontece de maneira cada vez mais rápida, porque a gente aumenta a ordem aqui, porque no sistema fechado a entropia aumenta, mas a Terra não é fechada, a gente rouba a energia do Sol o tempo todo. Então ele fala, pô, pega a forma
da primeira forma de vida aqui, unicelular. Foi depois de tantos bilhões de anos. Depois a evolução dela para formas multicelulares. Foi em tal intervalo, já menor. Depois os organismos mais complexos. Aí vem peixes, anfíbios, répteis, mamíferos, ser humano. Aí ele começa a falar da inteligência artificial. Ele fala, se eu não me engano, acho que ele fala isso. Que talvez a história que a gente está contando não seja do ser humano, mas sim da evolução da inteligência.
E que o ser humano é só mais um estágio nessa evolução. E que a gente vai criar uma coisa mais inteligente.
do que a gente. É a IA que está surgindo agora. Então, a IA não vai chegar até um certo ponto que ela vai ser um construtor de universos dentro de um certo sistema? E aí, aquilo não vai ser uma simulação? Será que já não aconteceu antes com a gente? Então, eu acho que no nosso universo você tem vários problemas. Um deles é a limitação de produção de energia. Na Terra, por exemplo, vamos por partes. Em geral, eu acho que a tese dele esbarra...
O ponto principal, vou começar mais rápido. Eu acho que as IAs não vão substituir os humanos.
que vai haver uma integração, os humanos vão ficar híbridos. Já está acontecendo isso com o coração mecânico, com prótese mecânica. É a tese dele no final do livro também. Eu acho que é. O mais provável é que a gente vai evoluir para uma hibridização e não para um conflito, etc. Com relação a... Se nós vivemos numa realidade simulada, que vão surgir novos deuses, novos organismos atuais, posteriormente se classificariam pelo critério
eu propus para classificar Deus. Essa é mais ou menos a pergunta, seria mais ou menos nesse sentido. Eu acho que no nosso universo, externamente eu acho que sim, acho que fora do nosso universo eu acho que sim, mas dentro do nosso universo eu acho que não, por dois motivos principais. O nosso universo é limitado e tem várias limitações para a produção de energia, para a concentração de energia. Por exemplo, tem uma das entrevistas junto com o Sakani, a gente estava falando sobre a esfera de Dyson, sabe qual é a esfera de Dyson para você concentrar energia?
vários captadores, podem ser espelhos ou não, células fotossensíveis, de captar a energia da estrela toda e direcionar para o planeta. Na verdade, não dá para fazer isso. A estrela de Dyson não é possível pela termodinâmica. Não é uma questão de um problema atual, é um problema físico, uma lei física da termodinâmica. Quando você concentra, você pega toda a energia do Sol e você concentra no objeto do tamanho da Terra. Você vai ter uma temperatura naquela localidade, isso se você distribuir na Terra inteira.
Se você colocar num ponto, então, vai explodir a Terra. Se você colocar na Terra inteira,
vai ter a temperatura da superfície do Sol, que é 5.772 Kelvin, dividido pela área da Terra, multiplicado pela área do Sol. A área do Sol é... O Sol é 109 vezes maior que a Terra em diâmetro. Em área vai estar 12 mil vezes maior. Então, vai dar uma temperatura de milhões de Kelvin na Terra. Gritamos a Terra. Não tem como você captar toda essa energia e direcionar. Dá para aproveitar uma parte substancial. Então, uma das limitações é essa. Se você pega muita energia e direciona, você vai ter...
você vai ter um aquecimento naquela região e não tem como fazer. A escala de Kardashev, então, é só uma escala teórica impossível também, sobre aproveitar a energia toda de uma estrela. Então, tem uma questão, inclusive, que eu estava conversando outro dia com o GPT, de uma hipótese que as galáxias poderiam ter algumas evidências, por exemplo, a matéria escura. A hipótese de que a matéria escura é responsável pela velocidade anormal da rotação das galáxias.
Seria possível que, na verdade, alguma civilização, uma hipótese que eu estava conversando com o GPT, mas acho que não é aplicável.
mas eu estava conversando e evoluindo essa questão. Seria possível que alguma civilização muito desenvolvida conseguisse capturar a energia cinética dos objetos que estão se movendo, das estrelas e outros objetos que estão girando em torno da galáxia, capturasse essa energia e reutilizasse de uma outra maneira. Como consequência, você teria uma redução na velocidade de rotação por causa dessa conversão de energia. Por que a Lua fica girando em torno da Terra?
Porque você tem um equilíbrio exato entre a pseudo-força centrífuga e a força gravitacional.
Tanto que uma maior, ela escaparia. Se fosse uma maior, ela cairia. Ou ela espiralaria até colapsar. Se você consegue, de alguma forma, capturar essa energia cinética e usar de outra maneira, você vai ter que retardar aquela velocidade ou acelerar, se for o caso oposto, para você conseguir manter equilíbrio. Então, isso explicaria por que as velocidades de rotação são diferentes. E outro ponto importante, porque nas galáxias mais antigas, você tem alguns casos, agora com James Webb,
observadas galáxias, que praticamente não tem evidência. A matéria escura, na verdade, é um ajuste ad hoc, para tentar explicar essa diferença de velocidade de rotação. Pode não existir matéria escura, provavelmente não existe mesmo, porque tem uma inconsistência quando você pega a região dos 10% mais próximas do centro, nenhuma distribuição possível de matéria escura consegue explicar a velocidade rotacional dos 10% próximos do baricentro da galáxia.
Então, já se sabe que é errada a teoria da matéria escura, ou no mínimo ela é incompleta,
precisa de mais um ajuste ou algum outro remendo para essa parte. Então você sabe que tem esse problema. Nesse caso, evitaria esse problema e conseguiria explicar por que algumas galáxias nos primórdios do universo não tinham esse problema dessa anomalia na velocidade de rotação que não seria proporcional às Lady Cappers. A terceira Lady Cappers do período ao quadrado é proporcional à distância ao cubo, ao contrário. E aí eu comecei a debater com o GPT também sobre essa questão. Ele achou que era plausível
mas tinha uma outra inconsistência, que era com relação à expansão por causa da energia escura. Eu não me recordo exatamente qual foi a inconsistência que tinha, mas gerava uma inconsistência e não dava para, pelo menos até o ponto que a gente chegou a conversar, não dava para corrigir essa parte. Mas a pergunta era, acabei me perdendo, qual era a pergunta que foi feita? A pergunta era se, já não podia ter acontecido, se a gente vai ter essas IAs que criam universos, da gente ter sido... Eu estava falando dos impedimentos. Um dos impedimentos era a termodinâmica,
sobreaquecimento. Outro problema é da produção de energia. O método mais eficaz que nós conhecemos de produção de energia atualmente é por fusão nuclear. É o que gera maior quantidade de energia por unidade de massa. Teria menor custo em relação à quantidade de energia produzida. Nós não conseguimos produzir, por enquanto, energia por fusão, por fissão, os reatores todos são de fissão. Já teve vários alarmes falsos de tal pessoa conseguiu produzir fusão a frio, etc. Mas todos eles foram verificados que não
não eram reprodutíveis, ninguém conseguia, usando as descrições que eles faziam, reproduzir o mesmo experimento, provavelmente porque estavam incorretos de alguma maneira. Mas vamos supor que seria possível. Mesmo que seja possível, vai esbarrar num limite de produção que acho que é muito aquém do necessário para produzir um universo. Aí depende também do que nós vamos chamar de universo. Se você pega, por exemplo, Minecraft, você vai chamar aquilo de universo, então nós já conseguimos produzir um universo.
Só que eu acho que aí seria uma vulgarização do significado de Deus. Para ter um significado expressivo e substancial,
e semelhante ao que nós, ao longo da história, entendemos como Deus católico, Deus cristão, eu acho que não seria aplicável. Mas daria também, mas seria mais uma questão de nomenclatura, de você escolher o significado que você quer para Deus. Você estaria meio que adotando um termo inclusivo que permitiria que um certo nível de entidades muito mais primitivas do que o Deus que criou o nosso universo também recebessem o rótulo de Deus. Aí seria uma questão de nomenclatura de autorizar esse nome,
para essas entidades, e não uma questão física, porque eu acho que no nosso universo nós não conseguimos alcançar o nível de desenvolvimento de uma entidade capaz de criar o nosso universo. Tem um conto do Zé Casimóvel que ele coloca uma questão diferente, ele acha que é possível no conto dele. A última pergunta, não sei se você conhece. Não, isso eu não li. Eu li bastante sobre ele, mas isso eu não conheço. A última pergunta.
Ele coloca uma história, não sei se você vai querer contar a história, porque pode ser que você queira ler depois, eu vou atrapalhar contando. Pode contar.
No final da história, é uma entidade, uma inteligência artificial também, e no final ela acaba descobrindo como criar, recriar o universo. O universo vai se expandindo indefinidamente, vira vazio gigantesco, e essa entidade continua, os humanos são extintos, e essa entidade acaba descobrindo uma maneira de criar um novo Big Bang e produzir um novo universo, mesmo ela tendo surgido dentro do universo. Esse é o ponto que eu acho que talvez não seja possível. Eu acho que para a entidade,
que surgiram dentro do nosso universo, não é possível criar um outro universo equivalente ao nosso. Seria algo inferior. É, eu acho que você tem limitações físicas. Você tem várias limitações que vão impedir que isso aconteça. Você vai conseguir criar estruturas mais simples. Não sei se é realmente inferior, mas mais simples, com menos recursos. Você está limitado aos recursos do próprio universo para que você possa criar outra coisa dentro desse universo.
Seria como você criar um planeta maior que a Terra dentro da Terra. Seria mais ou menos nesse sentido.
exemplo, né,
citando o cosmos e o ser humano, na visão de várias religiões, nós somos o ápice da criação. Mas se você pega desde a criação do universo, sei lá, uns 14 bilhões de anos, se a gente for transformar isso em um calendário anual, o ser humano estaria surgindo em 31 de dezembro. Então seria alguma coisa extremamente recente comparada à idade do universo. E em algum momento da conversa aqui, você citou seres extraterrestres, que poderiam ter uma inteligência maior do que a nossa. Você acha que é lógico acreditar
fato de que há outras inteligências além da humana no universo, tendo em vista o tamanho do universo e também o tempo que ele já existe. Talvez não existam hoje, mas sei lá, um milhão de anos atrás estaria cheio de vida e hoje em dia só tem a gente, eu não sei. Mas eu queria saber a sua opinião sobre essa questão da existência de seres extraterrestres. Se você conhece a equação de Drake, né? Sim. Então, os parâmetros da equação de Drake, eles têm evoluído ao longo do tempo, especialmente depois que foram descobertos vários exoplanetas e sabem atualmente que quase todas as
elas possuem exoplanetas. Naquela época, que ele foi nos anos 60, acho que ele propôs, não se sabia, só se conhecia do sistema solar, embora se especulasse que, desde a época do Huygens, na época do Jornal do Bruno, já se especulava que poderia ter planetas e outras estrelas. Mas a verificação empírica foi, acho que, em 94, foram as primeiras evidências. Hoje teve 84, já se tinha algumas especulações razoavelmente bem fundamentadas, mas a primeira detecção mesmo conclusiva, acho que foi em 94 ou 95. Atualmente tem, acho que, mais de 5,
mil exoplanetas conhecidos, não sei se é exatamente isso, mas em torno de 5 mil a 6 mil. E pela frequência com que se observa entre aqueles que tentou observar, se constata que quase todas, ou talvez todas as estrelas possuam exoplanetas. As condições necessárias para o surgimento de vida são relativamente triviais. Até Marte tem condições, Encélado, Titã, dentro do Sistema Solar tem alguns, provavelmente fora do Sistema Solar deve ter vários. Temos dificuldade
para observar planetas do tamanho da Terra, porque são muito pequenos, mas provavelmente eles existem, embora não serem tão observados, porque os métodos para detecção têm uma limitação instrumental. Então, a probabilidade de que tenha surgido vida em várias partes do universo, acho que é altíssima. Não diria impossível, mas uma probabilidade de menos de 10 elevado a 12, 10 elevado a 15, de que não existam outros organismos vivos além da Terra.
Acho que provavelmente existem em várias partes do universo. Quando você fala vivos, vivos complexos, inteligentes?
Uma molécula capaz de se reproduzir cópias dela mesma. Organismos capazes, entidades capazes de produzir cópias razoavelmente semelhantes a elas próprias. Eu acho que daria para classificar mais ou menos. Tem uma classificação do... Qual é o significado de vida, exatamente? Não, vida no caso, isso para mim significa vida. Mas eu estaria pensando em vida inteligente com capacidade técnica. É, então, para estabelecer uma comunicação tecnológica. Aí é muito difícil de julgar porque nós não temos...
embora nós não tenhamos outros planetas, outros astros conhecidos com vida já detectada, mas nós já temos evidências muito claras de que as condições necessárias, tem aquele experimento do Rye e o, não me recordo, acho que o Miller, Stanley Miller, e o Rye, não me recordo o nome completo dele, desde os anos 50, eles já mostraram que, para a atmosfera primitiva da Terra, que não tinha oxigênio, que tinha muito hidrogênio, que tinha outros componentes,
diferente, que você tinha descargas elétricas com frequência, naquele ambiente era muito promissor para, a partir de moléculas relativamente simples, produzir outras muito mais complexas. E dos anos 50 para cá foram feitos muitos outros experimentos posteriores e chegaram a produzir, inclusive, o que eles chamam de, eu não lembro o nome exato, que é uma célula vazia, uma célula sem organelas. Chegaram a produzir nesses experimentos, naturalmente, não uma construção, como seria o nome?
artesanal, mas sim uma construção, você coloca o ambiente, você gera o ambiente e a partir do ambiente espontaneamente surgem essas, seria pseudo células, não sei se o termo adequado seria isso. A forma de vida mais primitiva possível seria isso? Não chega, então é que tá. Uma das dificuldades é que nós não temos um critério muito claro para, o melhor critério, um dos melhores critérios é do Schrodinger, aquele do gato. O Schrodinger, ele foi um trabalho em biologia também, embora ele fosse físico, e ele classificou vida como uma entidade,
um sistema fechado capaz de exportar a entropia. Acho que é mais ou menos, quase exatamente isso, muito parecido com isso, o critério dele. Que é muito interessante, porque quase todos os sistemas importam a entropia, eles aumentam a entropia. E ele é um sistema, não é que ele não gera a entropia, ele gera a entropia interna, mas ele exporta a entropia e preserva uma organização. Ele aumenta a organização, ele preserva a organização e exporta a entropia na forma de calor. Então, não necessariamente na forma de calor, no nosso caso,
de outras maneiras. Mas ele achou uma definição bastante razoável, uma conceituação bastante razoável para a vida. Mas é muito difícil, porque se você começa a analisar, o Hawking, por exemplo, ele achava que vírus eram organismos vivos. Ele interpretava que vírus de computador, não só vírus. Ele achava que vírus de computador, porque ele tendia certos critérios que ele achava que eram suficientes. Ele se multiplica, ele tem características que ele achava que era suficiente para classificar vírus de computador como uma entidade viva.
não é muito simples. Na verdade, quase tudo, quando nós vamos analisar o mundo de um modo geral, quando analisamos lógica e matemática, nós temos sistemas formais com significados bem definidos. Quando saímos da lógica e da matemática e começamos a analisar o mundo, é uma bagunça gigantesca, no fim das contas. Nós tentamos entender algumas coisas e conseguimos mais ou menos, mas quase tudo que nós achamos que entendemos, nós temos só uma ideia aproximada.
E ao longo do tempo, nós estamos percebendo que as teorias que eram válidas até certo tempo, depois, em um certo ponto, se constata que elas tinham
falhas e que elas eram mais complexas do que se pensava. Quase todas as teorias apresentam, algumas preservam quase completamente a essência original, a gravitação, por exemplo, foi mantida quase na essência, teve só pequenos ajustes para ambientes muito extremos, mas muitas outras teorias, por exemplo, o modelo de Ptolomeu dos epicículos foi trocado completamente, não daria para você fazer uma viagem para a Lua ou para qualquer outro planeta usando o modelo de Ptolomeu, você precisaria de um modelo semelhante ao de Keter e a gravitação do Newton, etc.
e me perdi novamente, agora a pergunta era... Era sobre vida extraterrestre. Se eu acredito que existe vida inteligente, capaz de produzir tecnologia para comunicação com outra civilização. Ou que já existiu, porque pode ser que tenha acontecido há milhões de anos, entendeu? Sim, eu acho que é muito difícil estimar isso com os dados que nós temos, eu teria que dar uma opinião pessoal, e aí eu levaria novamente para dois artigos, um artigo no qual eu cheguei quase à conclusão de que provavelmente sim, só que justamente esse das galáxias,
seriam entidades inteligentes que estariam usando a energia cinética das galáxias e que por isso que a velocidade de rotação seria anormal. Porque isso explicaria, inclusive, a anomalia dos 10% da região central, que não é explicada pela matéria escura, só que gera uma inconsistência com outros pontos. O principal, se eu não me engano, é justamente com a questão da expansão pela energia escura. Porque se você não tem a matéria escura, de outro ponto, teria que explicar o aglomerado da bala, por exemplo.
O aglomerado da bala, não sei se conhece o aglomerado da bala. É um aglomerado que...
não são galáxias, são estruturas grandes que tem gás e tem poeira e tem estrelas. Uma está atravessando a outra e quando você faz no raio-x e na luz visível, você percebe que tem uma parte que é arrastada junto e uma parte que não é arrastada. Essa parte que não é arrastada mostra justamente o que seria equivalente à matéria escura porque ela não interage com a matéria bariônica. Então, essa teoria que eu proposto, teria que explicar também isso. E explicaria, até essa parte daria para explicar.
O que não daria para explicar seria a parte da expansão do universo. Não sei se é exatamente esse o ponto, mas tinha um problema que acabei abandonando depois a tese porque não dava para avançar em relação a isso. Mas em relação à existência de vida de seres inteligentes capazes de produzir tecnologia em algum momento ao longo da história do universo que poderiam ter surgido. Então, se essa hipótese fosse válida, então a velocidade anômala de rotação das galáxias poderia talvez ser uma assinatura da presença das civilizações. E você falou que isso não acontecia em galáxias mais antigas, né?
As mais antigas, justamente porque não houve tempo suficiente para essas civilizações desenvolver. Então, muitas coisas se encaixavam bem. Interessante. Só que tinha algumas inconsistências. No final, acabei não me aprofundando porque chegou um ponto que não dava para avançar mais. A outra parte que... Outra teoria que eu propus em relação a essa questão era que, na verdade, mostrava que provavelmente não era possível que surgissem em parte pelos que... Porque, embora possa surgir vida numa grande variedade de situações,
na vida inteligente tem uma quantidade muito grande de caminhos muito especializados e a probabilidade de que siga esses caminhos, nas várias ramificações possíveis, talvez seja muito baixa. Outro ponto é que eu também não me recordo... As teorias que eu cheguei a avançar, e mesmo algumas que eu cheguei a avançar e desenvolver, eu acabei depois... Por exemplo, no caso que ele perguntou sobre a pessoa mais inteligente da história. Eu cheguei a escrever um artigo, cheguei a concluir o artigo,
assim, eu não me lembro de tudo que está lá, eu lembro mais ou menos, lembro alguns primeiros da lista, eu me lembro. As que eu não cheguei a avançar, eu não lembro quase nada, porque eu meio que interrompi e não me afundei. Então, eu não me recordo exatamente, mas eu cheguei a propor também uma teoria mais ou menos nesse sentido, mas que não evolui. Então, não daria a provar nem que existe, nem que não existe. Não é provar, apresentar argumentos robustos que existem, nem que não existem.
Eu tenho uma opinião pessoal de que provavelmente existe, eu acho que deve existir muitas civilizações, mas eu acho que a probabilidade de,
de elas entrarem em comunicação umas com as outras é muito baixa, porque se você tem... São anos e anos-luz umas das outras. É, em parte pela distância, em parte pela perda de intensidade do sinal, e em parte pela questão de que se você tem uma civilização que está há 500 anos, mil anos mais evoluída que a outra, os métodos usados para comunicação devem ser muito diferentes. Então, por exemplo, a gente usa ondas de rádio agora, mas 200 anos atrás não usava.
E se pega uma lição que está tipo 500 anos à frente, ela pode usar alguma coisa muito diferente.
diferentes do que nós usamos. Nós ficamos obsoletos, então a probabilidade de estabelecer comunicação fica mínima. Outro ponto é a questão da intensidade do sinal, porque quando você emite um sinal, você pega um laser, por exemplo. O laser, ele preserva, o ângulo sólido é muito estreito do laser. O ângulo sólido de uma lanterna, ele é quase, ele é uma abertura muito maior. Então, se você acende uma lâmpada, sei lá, se tem uma distância daqui até aqui, vamos supor que seja, sei lá, 25, 30 centímetros, ele vai ter uma série de intensidades.
você pega o dobro da distância, ele vai ter um quarto da intensidade. Vai ser a área, porque você vai ter uma quantidade fixa de energia. Essa energia vai se distribuir numa área. Se você aumenta a área, o raio duas vezes, a área vai aumentar quatro vezes e a energia vai ser a mesma, então ele vai ter um quarto da intensidade por unidade de área. Em medida que você vai aumentando, você vai reduzir a intensidade. Então, quando você emite um sinal para uma civilização muito distante, quando esse sinal chegar lá, ele vai se espalhando. Mesmo sendo um laser, o espalhamento vai ser muito mais
estreito, o ângulo do sol vai ser mais estreito, mas ele vai se espalhando. Então, quando chegar, a intensidade vai ser muito pequena. E se você procura, vamos supor que tenha uma estratégia que você consiga concentrar o laser e não espalhar ou espalhar minimamente, você vai atingir um alvo muito específico. Você não vai atingir, se tem planetas espalhados por distâncias de milhões de quilômetros ou até bilhões de quilômetros, uns dentro dos outros, o raio muito estreito vai passar no meio deles. A probabilidade de atingir um planeta vai ser muito pequena.
pequena. Então você tem esses dois problemas. Se você deixa a expansão do raio do sinal expandir, você vai atingir vários, mas a intensidade vai ser muito pequena e eles não vão conseguir detectar. E se você faz muito direcionado, o alvo que vai atingir vai ser muito estreito, então você tem planetas distantes, você tem que saber exatamente onde você está mirando. Por exemplo, a distância da Lua eles fazem com isso. Eles têm uns espelhos retroprojetores que foram deixados na superfície da Lua e eles usam laser para bater e voltar e o tempo que leva para ir e voltar eles calculam a distância
a velocidade da luz. Até em Vênus eles fazem isso, mas pela luz eles fazem com uma precisão maior, porque tem um retroprojetor que foi colocado lá para essa finalidade. Então, quer dizer, no caso do Projeto 7, o sinal que é mandado pelo Projeto 7, ele pode ser recebido por uma antena, a antena de Arecibo do Porto Rico foi destruída faz um tempo com o terremoto, aquela grande de 308 metros, 304,8 metros, ela foi destruída com o terremoto faz um tempo.
E uma outra maior agora na China, a gente tem 500 metros, inclusive ela tem mais mobilidade. A de Porto Rico Imbora,
ficasse fixa, a parte que recebe o sinal se deslocava. Ela ficava fixa numa cratera, mas ela tinha a parte que recebia o sinal se deslocava e tinha um ajuste que fazia na superfície projetar o sinal no sensor. Mas era muito estreito. Por exemplo, pegava uma faixa de 20% do céu, só em vez de pegar o céu inteiro, pegava uma faixa de 20%. Esse da China tem uma faixa mais larga, acho que dá uns 40%, não sei exatamente, mas é mais larga e é um telescópio maior também, de 500 metros. Esse de Porto Rico,
emitisse um sinal e houvesse uma civilização inteligente a 15 mil anos-luz com um telescópio do mesmo tamanho, eles conseguiriam receber esse sinal até 15 mil anos-luz. Então, quer dizer, é um negócio gigantesco de 300 metros de diâmetro, uma antena com 300 metros de diâmetro para conseguir mandar esse sinal. Então, mesmo que houvesse uma coisa quase do tamanho da Terra, você vai ter uma limitação de poucos milhões de anos-luz.
Quer dizer, até uma galáxia próxima, como Andrômeda e tal, você não consegue alcançar, mas muito mais do que isso já ultrapassa os limites físicos
dos instrumentos que conseguem mandar o sinal e do outro que consegue receber o sinal que foi enviado. Então essa é outra limitação. Essas são as que eu consegui detectar, mas deve ter outras limitações além dessas. Provável, né? E aí pensando já na equação de Drake e Hindenburg, porque você citou a equação e era interessante, né? Ela começa a pensar nessa chance de existir vida em outros planetas e vai pegando, né? Estrelas com sistemas solares, aí planetas que seriam habitáveis, que são habitáveis onde a vida possa surgir. Se essa vida surge, né?
complexa, e no final da equação ele fala sobre o tempo de existência dessa vida, porque talvez a sina da vida inteligente seja aniquilar ela mesmo. Na sua visão, essa poderia ser a sina do ser humano? Aniquilação própria? Então, o Sagan faz uma discussão sobre isso no final do Cosmos, acho que no último episódio, se não me engano, ele faz uma discussão a respeito disso. Outras pessoas, várias pessoas, inclusive independentemente da astronomia, as próprias civilizações, a Ilha de Páscoa, por exemplo. A Ilha de Páscoa, houve esgotamento dos
recursos disponíveis, que era um ecossistema muito menor do que o planeta, mas é uma miniatura representativa, mais ou menos. Em parte, porque quando as civilizações começam a progredir muito, elas começam a esbanjar muito. Isso é quase inevitável. Aqueles moai que eles construíram, quer dizer, eles consumiram recursos para transportar aquilo, para construir aquilo, para cortar aquilo, e no final, acredita-se que eles usaram árvores para colocar com os troncos e eles colocavam em cima para deslocar, embora tenha uma teoria que eles puxavam
cordas que eles iam andando, tem uma teria também que era das cordas, mas supondo que a teria das árvores seja correta, ou pelo menos razoavelmente correta, eles cortaram muitas árvores, prejudicaram o ecossistema e no final eles tiveram que mudar de lá porque acabou, não tinha condições mais de viver lá. Na Terra é uma questão complexa e perigosa em vários sentidos, porque você pode, você olha o desenvolvimento tecnológico, você fica com pânico de consumir recursos, mas ao mesmo tempo você pode afundar o planeta se você abusa além do que é possível.
Desde os romanos, ele já tem questionamento em relação a isso, em relação a mudanças ambientais de aquecimento global, essas coisas, ele já pensava desde a época dos romanos. Atualmente, eu acho que nós temos, por exemplo, o Sagan, ele descobriu o efeito estufa em Vênus, ele descobriu, já tinha descoberto antes dele, na verdade, mas ele fez um estudo sistemático sobre o efeito estufa em Vênus, e ele constatou que estava associado com alguns gases específicos, como o dióxido de carbono principalmente, Vênus tem uns 95% de dióxido de carbono na atmosfera,
A nossa tem 0,4%, acho que é 400 partes por milhão, se não me engano, acho que é mais ou menos 0,4, 0,04, não tenho certeza, mas é alguma coisa assim. Algumas décadas atrás tinha 250, nós já temos atualmente 400, quer dizer, houve um aumento significativo e nós sabemos que o dióxido de carbono, o metano, o CFC, que eles são mais transparentes aos raios ultravioleta do que aos raios infravermelho.
Sol estão distribuídos em todo o espectro visível. Tem ultravioleta, tem luz visível, tem ondas de rádio, enfim. A parte que chega do ultravioleta é absorvida pela superfície e emite infravermelho. Esse infravermelho é barrado na atmosfera. Então, quer dizer, uma parte desse calor permanece. Em parte, a temperatura que nós temos na Terra depende justamente da presença da atmosfera, que produz um pouco de efeito estufa. Se aumentar a quantidade
nós já conhecemos o efeito e sabemos que vai aumentar a temperatura. O que se pode questionar, por exemplo, tem dois rapazes, tem o Carlos... Ricardo Felício? Não conheço. E tem um outro que é da Universidade do Ceará. O Ricardo Felício é daqui da USP. Outro não me recordo nele. Não me recordo. São dois pesquisadores que defendem que o efeito estufa é uma ficção, que não existe efeito estufa
na verdade, ou que houve ao longo da história, isso é verdade, houve flutuações muito grandes, muito maiores do que nós temos observado nas últimas décadas, e que, inclusive, nós viemos de uma mini era glacial recente, e nós estamos aumentando, na verdade, esse aquecimento que nós estamos experimentando é, em grande parte, uma correção de uma queda grande que teve alguns séculos atrás. Então, não deveria causar preocupação, etc. Só que esse discurso, aí tem dois, aí vira muito mais política,
essa questão do que científica. Você tem a Greta de um lado, com aquele discurso e tal, e do outro lado você tem os que defendem o outro lado. Ambos estão defendendo muito mais o interesse comercial por diferentes razões do que analisar objetivamente os fatos. O que nós temos de fato, os objetivos são, nós conhecemos o mecanismo que produz efeito estufa, nós sabemos que existe efeito estufa, sabemos que há detecções globais do aumento de quantidade de dióxido de carbono na atmosfera, e sabemos que isso produz efeito estufa.
Nós não sabemos se essa quantidade que aumentou é proporcional ao aumento de temperatura que foi observado. Quer dizer, pode ser que tenha um aumento de temperatura que não seja antropocêntrico, antropogênico, que coincidiu de acontecer no mesmo período do aumento do CO2, da concentração do CO2. Não temos como saber se é uma correlação espúria ou não, mas tem essa correlação recente.
exata, mas não conhecemos o mecanismo. Então, quer dizer, é uma questão para se preocupar, porque nós sabemos que sim, aumentar indiscriminadamente o CO2 em algum momento vai ultrapassar limites que depois vai gerar um sobreaquecimento e vai derreter calotas polares, etc. Esses efeitos são quase inevitáveis. A questão é, será que nós estamos muito longe disso ainda? E esse aquecimento que nós experimentamos nas décadas recentes foi casual e não tem relação com o aumento do CO2 ou não? Enfim, essa é uma das maneiras que nós podemos nos destruir de uma
maneira, porque quando é um processo tipo uma guerra nuclear, você chegou a ler o artigo que eu publiquei recentemente do Trump no Irã? Não, já queira ler. Eu estava colocando, porque eu acho que é muito improvável que o Trump tenha feito o que ele fez, da maneira como ele fez, se ele não teve anteriormente, inclusive pela própria reação do Xi e do Putin, eu acho que se ele tivesse do nada, se hoje eu vou invadir a Venezuela e vou matar o chefe supremo do Irã, se ele fizesse isso sem que o Xi e o Putin
tivessem antecipadamente conversado com ele, meio que concordado com ele, eu acho que a reação que eles teriam seria muito diferente da reação que eles tiveram. Eu acho que eles já estavam sabendo, eles tinham meio que aprovado essas ações, meio que numa permuta, inclusive envolvendo o Zelensky em janeiro de 2025. Quando o Zelensky foi na sala Oval, na conversa com o Trump, que o Trump meio que humilhou o Zelensky, falou que...
Eu acho que aquilo foi meio que um acordo que provavelmente o Trump já havia feito
Xi e com o Putin, do tipo, olha, eu não quero que a China continue evoluindo, não, isso não faria parte, eu não quero, eu preciso de petróleo, eu preciso de recursos mais para a produção de energia, porque as IAs estão consumindo muito, etc. Eu vou invadir Cuba, eu vou invadir Venezuela, eu vou, se não der para deixar com o Irã, eu vou matar aquele cara, etc. Ah, mas se você fizer isso aí, a gente vai ter, são nossos parceiros de negócio,
nós consumimos produtos deles. Não, então vamos fazer um acordo. Eu paro de fornecer armas para a Ucrânia, eu paro de oferecer apoio para a Ucrânia, eu desmoralizo lá o Zelensky publicamente. Isso no caso do acordo com o Putin. No caso do Xi com Hong Kong, por exemplo, com Taiwan, com Hong Kong. Eu não vou intervir. Vocês querem fazer o que vocês quiserem em Hong Kong? Façam o que vocês queiram, não vou interferir. E vocês não interferem nas minhas ações no Iraque, em Cuba, na América Latina, de um modo geral.
não sei, uma especulação, mas eu acho que é muito plausível que tenha acontecido uma coisa parecida com isso, e que em função disso, quando ele começou a fazer as invasões e tal, nem a Rússia, nem a China não tiveram o que seria esperado, a atitude que seria esperada de alguma sanção, de alguma, pelo menos uma declaração mais enérgica, contrária às ações que ele teve, eles reagiram tipo assim, não aprovamos e tal, porque é parte do acordo, publicamente eles tinham que ter essa postura,
embora nos bastidores fosse outra história. Então, provavelmente, eles reagiram daquela maneira porque já estava tudo combinado. Nesse cenário, a probabilidade de uma guerra mundial é baixa. Porque se não houvesse esse cenário, vamos supor que o Trump tivesse feito da cabeça dele sem conversar com ninguém, com as outras potências militares, ele simplesmente decide, ó, vou invadir esses países por minha conta e seja o que Deus quiser.
Seria bastante maluco. Então, acho muito mais plausível que ele fez isso. E justamente por isso, porque tanto o Trump quanto o Putin,
Enquanto o Xi, eles têm filhos, netos, eles não vão querer destruir o mundo, o planeta que eles vivem, numa situação como essa. Então, acho que provavelmente o risco de que haja, e isso acaba descambando para uma guerra, escalando até uma guerra mundial, eu acho que é relativamente, não é baixa, muito mais baixa que os mísseis cubanos de 1962, por exemplo. Mas eu acho que muito mais baixa do que pareceu no momento em que ele começou a fazer isso.
Quando o Trump começou, quando eu soube que o Trump invadiu a Venezuela, inclusive teve, a gente gravou um vídeo,
e mandou para o Maia para fazer os comentários do vídeo, e ela se recusava. Ela falava, vamos supor que o Trump invadiu a Venezuela. Não, o Trump invadiu a Venezuela. E ela não queria acreditar. Eu falei, consulta no Google, eu não tenho acesso. Mas ele não acredita, ele invadiu. E ela não queria acreditar que o Trump tinha invadido a Venezuela. Tem coisa tão fora da realidade no século XXI. E aí depois passa, sei lá, um mês e pouco, ele vai lá e mata o líder supremo do Irã. Sendo que não é só o líder supremo,
Supremo do Irã, ele tinha acordos comerciais que eram convenientes para a China e convenientes para a Rússia, porque para a China e a Rússia comprar petróleo do Irã, o Irã produz muito mais petróleo do que consome. Então, para eles é conveniente vender. Para os Estados Unidos, vender é mais complicado, porque eles consomem muito também. No momento que eles quiserem parar de vender, por exemplo, fica mais complicado para a China e para a Rússia negociar.
Além da questão do preço, porque o petróleo valia menos para o Irã do que vale para os Estados Unidos.
a partir do momento que o Bolsonaro tem controle sobre essa produção, e o alvo realmente dele parece que é esse, cria essa dificuldade para a China e para a Rússia. Então, se não houvesse nenhum acordo prévio em que o Trump tivesse cedido alguma coisa, oferecido alguma coisa em troca, dele receber, entre aspas, autorização, entre aspas, para que ele fizesse a invasão, sem que houvesse uma reação enérgica da China e da Rússia, eu acho que a chance do Trump tomar uma atitude dessas,
negociação prévia, acho que é baixíssimo. Eu acho que ele não faria isso. Inclusive, tem um cara que se chama Sergei Petrov, que ele, acho que em 1974, 1984, talvez, ele recebeu uma notificação de que mísseis estavam chegando na União Soviética. Era aquele do submarino que tinha que decidir se atirava ou não? Esse. E ele decidiu não atirar e praticamente evitou uma guerra mundial com aquela decisão dele. Então, quer dizer,
eu acho que muitas pessoas, em muitas situações, se ela tem um certo bom senso, eu acho que mesmo que ele tivesse informado os superiores dele, eles iam receber, calma, vamos nos precipitar, vamos verificar, vamos tentar investigar. Parece que não fizeram nuvens, que eram nuvens que estavam refletindo a luz do sol com uma intensidade anormal e interpretaram como se fosse mísseis. Mas enfim, então eu acho que a humanidade, de um modo geral, eu acho que alcançou um estágio que eles conseguem razoavelmente julgar
com um risco não muito alto, mas também eu não acho que é muito baixo. Eu acho que o risco da humanidade se destruir com uma guerra nuclear... Porque tem várias possibilidades de destruição. Inclusive, um dos meus artigos recentes é sobre a probabilidade de colisão com asteroides. Você chegou a ver esse? Eu vi que você publicou, mas eu não cheguei a ler também. Eu vi pelo Instagram que você fazia a chamada. A probabilidade de colisão com asteroides, esses near-earth objects... Você falou que era maior do que a pessoa estava estimando.
24 vezes maior do que as estimativas que eram aceitas até agora. Então, eu acho que nessa situação há um risco significativamente maior, mas ainda é muito pequeno. Assim, a probabilidade de acontecer isso é baixa e mesmo que aconteça, se houver tempo suficiente para que possam ser preparadas estratégias de defesa com envio de ogivas nucleares para desviar a trajetória, porque daí de explodir não adianta, vocês vão cair vários objetos em vez de cair um. Talvez até no ar,
o problema, mas não resolveria. A ideia é realmente desviar a trajetória. Então, se for detectado, se for calculada a probabilidade de colisão, será com mais de 5% no intervalo de tantos anos, dá para fazer um planejamento para desviar essa trajetória progressivamente e evitar a colisão. Esses casos, por exemplo, pandemia, a própria pandemia que a gente enfrentou recentemente, se fosse uma coisa muito mais grave, se fosse um patógeno muito mais virulento, muito mais agressivo, houve ali, porque quase uma fração
muito grande da humanidade acabou contraindo. Então, não sei se foi tanto quanto a peste negra. A peste negra, em parte, acho que pegou 25% da população mundial na época, 1348 a 1351, acho que uns 25% da população europeia chegou a contrair. Nessa pandemia, eu acho que, em parte, menos, e mesmo aqueles que contraíram, muitos foram vacinados previamente, mas eu acho que poderia ter uma situação que fosse mais difícil desenvolver uma vacina, ou que o progresso fosse mais rápido, de modo que não houvesse tempo suficiente para desenvolver uma vacina, ou qualquer outro
cenário no qual ela se expandiria
poderia realmente levar, não a destruição da vida como um todo, mas da humanidade, talvez. Não só a humanidade, mas... Eu falo da humanidade, não da vida em si, porque você falou de guerra nuclear, eu falo, pô, por mais que pudesse ter uma guerra nuclear, destruir toda a humanidade, eu acho que seria demais. Talvez a gente voltasse vários estágios em termos de evolução, né? Porque a gente tem essa ideia de, nossa, a gente é tão tecnológico, né?
E aí tem um meme que é muito bom sobre isso. O cara volta no tempo e aí pergunta, como é que esse negócio de eletricidade que você falou? Ah, tem que ver com os caras lá, né? É, eles que sabem.
faz, constrói uma usina, por exemplo, são pouquíssimas pessoas que sabem fazer isso. Hoje a tecnologia é tão complexa que é difícil o cara conseguir sozinho montar um computador em casa. Tá cada vez mais difícil. Ah, você pensa ali, compra peças prontas, agora tenta ele fabricar aquela peça. Então talvez voltasse no tempo. Mas o que eu enxergo são ameaças realmente existenciais. Aí você citou, por exemplo, essa questão de um asteroide, de vírus.
Acho que seria mais nessa linha, né? Porque a guerra nuclear eu acho realmente... Acho difícil de acontecer. Acho que guerra vai ter.
Em algum momento vai ter uma guerra maior. A curto prazo eu acho difícil, mas a longo prazo é mais difícil de estimar. Porque se você pega uma pessoa muito... Por exemplo, o John Nash. Você assistiu Uma Mente Brilhante? Muito bom o filme. Ele era esquizofrênico. Aí você imagina que você coloca um presidente... Porque ele passou anos sem saber que ele era esquizofrênico. Muito tempo até descobriu que ele era esquizofrênico. E você coloca um presidente da República dos Estados Unidos que é esquizofrênico.
Eles não sabem. E aí, por alguma razão, ele decide lá provocar uma guerra do nada. Então, quer dizer, existe um risco, uma coisa...
em comum, que é pouco provável no horizonte de 200, de 500 anos, mas que talvez em 10 mil anos, em 5 mil anos, não é tão improvável como uma coisa absurda dessa acontecer. Embora com a evolução das IAs recentes, provavelmente no futuro são as IAs que vão administrar o planeta e os países. Eu acho que vai chegar a um ponto em que... Você acha que essa é a tendência futura? É, eu acho que vão ser híbridos e vão ser IAs. Eu não sei se talvez...
Eu acho que uma parte... Eu não sei em que medida os humanos vão querer preservar a essência que eles têm de...
de estruturas orgânicas. Tem, inclusive, atletas, alguns atletas que pedem para substituir partes por amputação para competição para ganhar performance, que eu acho um absurdo. Já existe alguma coisa nesse sentido. Então, não sei como é que vai ser no futuro, se vão voluntariamente querer substituir partes. E não sei em que medida nós vamos promover realmente uma hibridização muito mais eletrônica do que orgânica ou o contrário.
Não saberia dizer. Mas acho que vai ser uma hibridização. Mas não sei em que proporção vai acontecer. Aí, pegando até no começo do podcast,
quando a gente leu o seu currículo, a gente falou da Immortal Society, que você é um dos cofundadores. E lá fala sobre a questão de longevidade, que é um assunto muito em voga. Já tem gente que fala, né? O próprio Ray Kurzweil, que eu citei há pouco, ele disse que a gente não morrer nos próximos 10 anos. Falou, cara, não morre nos próximos 10 anos, porque depois você vai atingir um outro nível de longevidade. Ele acredita até num ser humano amortal.
A gente não vai morrer mais de causas naturais, somente vai ser morto se o cara for atropelado, né? Se ele cair de um prédio.
de destruição da estrutura, você pode ter um backup da sua identidade para reconstituir. Só que aí tem uma outra questão que é, essa estrutura tem realmente a sua mesma identidade? Continua sendo você? É o navio de Teseu, né? Mais ou menos, né? Porque o navio de Teseu você substitui as partes todas, você substituiu de fato, você trocou todas as partes, você trocou um navio, um outro navio. Aí que está, se você tem, por exemplo, um RG, se você tivesse um não sei qual documento da posse do navio, o documento da posse do navio,
você continua sendo o mesmo navio legalmente, mas fisicamente você procurou as partes todas. No caso da pessoa, não é só uma questão da identidade do documento e não é só questão de você trocar. É uma questão de uma parte que é abstrata. A gente não está falando do hardware, é do software da pessoa, seria isso. É, porque você tem uma outra complicação, porque você tem as suas informações que estão registradas, uma parte na memória e uma parte nem exatamente a memória.
Tem uma parte que está no seu DNA, tem uma parte que você não está diretamente na memória.
o que caracteriza a sua identidade. Se você transfere isso, mesmo que você queira reconstruir um clone com umas características físicas e você transfere as suas memórias, será que ele vai ser você também ou será que ele é uma outra entidade independente? Então tem um outro ponto aí. Eu acho que é quase indiferente em alguns aspectos. Eu acho que é. Entre a opção de você ser destruído por uma bomba, por uma rocha, explodiu uma granada, despedaçou e você não consegue
você não consegue voltar a vida para aquele corpo. A alternativa de voltar para um outro corpo, eu acho que é menos ruim, mesmo que tenha essa questão de dúvida de identidade, do que não ter alternativa nenhuma. Então, acho que é uma alternativa adicional. Mas tem essa dúvida se aquilo é realmente, se continua sendo você. E aí tem outro ponto, que é quando você... O que você é hoje, o que você é amanhã, não é exatamente o mesmo.
Você mudou, por exemplo, você tem esse ferimento no olho, tipo, o cabelo, eu mudei.
que você muda de um dia para o outro, em que medida essa diferença muda a sua identidade? Eu acho que, em geral, muda pouco. Você preserva a identidade. Tem uma tolerância larga para a variação, preservando a identidade. Porém, tem uma outra complicação para falar dos gêmeos monozigóticos. Porque os gêmeos monozigóticos são muito parecidos, mas são identidades diferentes. Então, qual o critério justo para você identificar se a identidade foi preservada ou não?
Eu acho que essa vai ser uma questão, talvez, jurídica e filosófica, que tem que ser debatido
batida, quando chegar no ponto de ter que tratar da preservação, mesmo no caso de destruição. Enquanto tiver preservação do cérebro, pelo menos, eu acho que não vai ter esse tipo de problema. Se eu penso assim, eu sou o Bruno, eu perdi um braço e botei um braço mecânico. Eu acho que todos concordariam que eu sou o Bruno. Continua sendo. Perdi uma perna e botei uma perna mecânica. Eu sou o Bruno. Meus olhos, para onde funcionar, eu botei olhos novos.
Continua sendo o Bruno. Coração, pulmão, fígado. Cara, viria o Faustão, troquei tudo. Ainda sou o Bruno. Agora, na hora
que eu pego o meu cérebro, coloco aqui um pendrive, tiro o software dele, tiro tudo da minha mente, clonam o Bruno, mais jovem, colocam naquela maca, destroem esse Bruno aqui, colocam um pendrive lá e... Aquele não é mais o Bruno. Aquele é o Bruno? Não. Pois é. Mas será que ele não acharia que ele é o Bruno? É aí que tá aí. Ele vai achar. Ele vai achar. É aí que tá. Esse é o ponto. A questão é... Porque tem uma questão extrínseca às entidades e a
a própria entidade. O que a entidade acha de si mesmo? É a questão que você tem, por exemplo, que se a pessoa acha que é homem, mas ele é mulher, ou que ele nasceu do gênero masculino ou feminino, ele acha... Tem gente que acha que é, tipo, quem tem esquizofrenia, muitas pessoas que têm esquizofrenia, ou mesmo que não têm esquizofrenia, mas se ela consome LSD numa quantidade substancial, ela pode achar que ela é uma laranja, que ela é um ovo, que ela...
Ela tem o direito de achar? Eu faço algumas vezes brincadeiras com isso e falam, eu acho que eu sou um faraó, eu quero ser tratado como um faraó, porque você posso... Cada pessoa tem o direito de achar o que ela quer, e pode ser o que ela acha que
quer. Eu acho que é complexo isso, mas acho que tem essa questão. O que ela é de fato? Faz sentido falar de fato? O que seria exatamente de fato? Seria por uma votação das entidades externas? O que seria de fato? O que determinaria? O que ela própria pensa é o que determina? Então, seria complexo. E, na sua opinião, isso seria esse fato de que nós viraríamos seres amortais? Seria uma vitória civilizacional ou seria
um desastre? Então, para efeito de evolução, você pode ter um retardamento no processo evolutivo e talvez até uma estagnação, pelo menos no processo por seleção natural, mas você pode continuar tendo evolução por substituição de partes, por upgrades progressivos do hardware. Então, não só de hardware, porque eu acho que vai chegar a um ponto, já está chegando a um ponto, em que não vai ser só você que falou de colocar um braço mecânico, eu acho que vai fazer nascer um braço novo.
O projeto, por exemplo, chama o projeto Turritopsis, porque Turritopsis é um organismo que ele
É amortal praticamente, pelo menos até o ponto em que se conhece, ele chega até uma certa idade, depois ele rejuvenesce, depois ele envelhece, depois ele rejuvenesce, ele não morre nunca. Esse organismo é um ser marinho? É tipo uma alga marinha, uma medusa. Você pode destruir e aí ele morre. Ele não seria imortal, ele seria um amortal. Mas até onde se sabe, ele tem uma vida indefinida. Eu não sei se ele tem telômeros, acho que ele tem telômeros, os telômeros dele, eu acho que crescem e diminuem.
que ele tem uma estrutura... Tem loucura. Tem uma propriedade em comum, assim. Então, quer dizer, se existem seres com essa característica, o que nos impede de... Você já viu ratos verdes que brilham no escuro? Pessoalmente, não. É, você já viu que existem ratos fluorescentes, que eles recebem genes de algas marinhas que brilham no escuro. Então, se conseguem fazer esse tipo de transplante de características, será que existe impedimento para que nós possamos ter características do turritópsis e que nós possamos...
Fazer um CRISPR nisso, né? Tira de lá e bota no nosso DNA, seria isso? É, porque a medicina, tem uma coisa que eu acho que é errado na medicina. Achar que a pessoa morreu de câncer, morreu de pneumonia, morreu de cair no telhado. Todas as pessoas morrem de velhice, no fim das contas. A causa verdadeira da morte é a velhice. Envelheceu as células. É, porque, por exemplo, você pega uma pessoa de 95 anos. Essa pessoa de 95 anos. Se ela pega uma pneumonia, ela morre.
Se ela tem câncer, ela morre. Talvez não imediatamente, mas vai ser muito rápido o processo. Se ela cai no chão, nem precisa cair no telhado.
ela tropeça e quer no chão, ela pode morrer. Se ela toma um soco, ela morre. Se ela pega uma gripe, ela morre. A chance de morrer é razoável pegando uma gripe. Agora, você pega uma pessoa de 25 anos com essas mesmas doenças, com câncer, com... Talvez algumas com 25 podem até morrer, mas normalmente a resistência vai... Quer dizer, se a causa da morte fosse realmente a diabetes, o câncer, a pneumonia, se fosse a causa real, ela afetaria tanto a de 25 quanto a de 95. Se ela afeta a de 95 de uma maneira diferente, é porque, na verdade,
Você tem um copo que está enchendo de água e está quase transbordando, e quando você bota uma gota, ele transborda. Não foi aquela gota que causou o transbordamento, foi aquele acúmulo que estava de muita água anterior, de muitos anos, que é o que chama alguma coisa de senilidade e imunidade. Não me recordo o termo correto, mas que as pessoas vão progressivamente morrendo. A cada dia nós estamos morrendo. Exceto nos primeiros anos, acho que talvez 18 ou 20, a gente não está morrendo.
crescendo só, mas depois de um certo ponto a gente já começa uma morte progressiva e chega um ponto que a gente vai ficando cada vez mais fragilizado, nosso sistema imunológico fica mais frágil, toda a nossa capacidade de recuperação, todas as nossas características vão ficando mais frágeis, a produção de cálcio, os ossos, tudo fica mais fraco e chega um ponto que a gente acaba, não porque um evento específico causou a morte, aquele evento específico foi só a gota d'água que produziu a morte, então eu vejo a morte como um processo gradual e não uma coisa que é aquele evento, claro, aquele evento ele vai
vai gerar uma dicotomia. Tem a que está viva, a que está morta. Inclusive, a medicina, de um modo geral, tem muitas... Algumas coisas funcionam. Por exemplo, a pessoa que tem 112 de glicose tem diabetes. Tem 109 e não tem. Não é bem assim. Inclusive, por já mudou várias vezes. De mais, porque era 125, depois mudou para 110, depois mudou para 100. Então, fica oscilando. Isso aí. Em alguns casos, talvez, funcione, porque chega um ponto em que, se você chega, por exemplo, até 120 e você não faz nada, ele regride espontaneamente,
para 70. Mas se você passa para 121 e você não faz mais nada, ele evolui indefinidamente e aumenta indefinidamente e você acaba morrendo. Então, pode ser que exista, de fato, em alguns casos, algumas doenças, que existe uma dicotomia real, em que você se ultrapassou aquele ponto, você vai morrer. Se você não ultrapassou, você vai sobreviver. Mas, geralmente, não é assim. Geralmente, é um processo gradual e que você consegue reverter ou você consegue agravar, dependendo do que você faça naquela situação. Então, isso que
se pronunciando no meu cara? Kurzweil. Kurzweil. Kurzweil. Essa tese dele de que em 10 anos, provavelmente, porque ele não está achando que em 10 anos nós vamos viver para sempre, achando que em 10 anos nós vamos conseguir retardar o suficiente para ganhar mais 10, e que depois vai chegar um ponto que nós vamos estabilizar. É tipo uma velocidade de escape, assim, né? Cada ano que você vive, a expectativa de vida aumenta mais um ano.
Você vai estar estabilizado. Sim, e vai chegar um ponto que nós vamos conseguir retroagir, voltar para a juventude, voltar para a saúde, e vai resolver. Então, o que eu vejo,
três erros principais que eles cometem nessas questões. Um deles, agora eles já estão corrigindo, tem várias pessoas, tem o Diego Barardo, que desenvolve projetos sobre isso faz uns cinco anos, tem o Bertie Lancaster, é Justin Lancaster, que é um pescador da Universidade de Harvard que faz também projetos sobre isso, ambos participam do nosso projeto T. O Bertie Lancaster comentou, ele independentemente, ele já tinha chegado a uma ideia parecida com a minha, de em vez de você contratar
biólogos, geneticistas, pra resolverem o problema, a ideia é você desenvolver uma IA e abastecer essa IA com as informações pra que ela resolva o problema. A ideia é semelhante, você vai falar no AlphaZero, no AlphaGo, o MuZero, o AlphaFold. O AlphaFold foi quem ganhou o prêmio Nobel recentemente, do Demis Hassabis. Que foi das proteínas, né? Das proteínas. Então, quando eles começaram com o xadrez, o mais impressionante pra mim foi o xadrez, porque eu tenho uma noção bastante...
O Go não conhecia muita coisa, embora eu tivesse uma noção, mas... O Go eu não sei nada, isso aqui é ultra complexo.
É, assim, eu tenho uma noção das regras, sei o tabuleiro, mas não jogam, não é uma coisa que eu pratico. O xadrez é uma coisa que eu pratiquei durante um tempo. Então, quando teve o caso do xadrez, eu tinha uma noção muito boa do quanto aquilo representou um salto gigantesco. Porque antes do Alpha Zero, o que que fazia? O humano pegava o que eles conheciam de livros ao longo de séculos, desde... O Rui Lopes publicou o primeiro livro de xadrez em 1561.
Embora tivesse o do Lucena em 1492, o do Lucena, em 1497, o do Lucena não era xadrez, ele era um ancestral,
do xadrez com regras um pouco diferentes. O primeiro de xadrez mesmo é de 1561. Quando ele publicou o primeiro livro de xadrez, tem mais de 400 anos, mais de 450 anos de evolução do xadrez, e durante muito tempo o xadrez foi o tema sobre o qual teve o maior número de títulos publicados. Tem muita literatura, uma literatura vastíssima, muitas pessoas inteligentes de várias áreas se interessaram por xadrez e acumularam muito conhecimento sobre o xadrez durante mais de 500 anos.
Mesmo assim, em nove horas de treinamento, o Alphazero ultrapassou em muito os melhores jogadores do mundo e o conhecimento acumulado dos melhores jogadores do mundo em nove horas. Quer dizer, o que a humanidade inteira, não a humanidade inteira, mas uma fração substancial das pessoas mais inteligentes do mundo, durante 500 anos, não conseguiram fazer o que o Alphazero fez em nove horas de treinamento. E sem ler nada disso, só jogando contra ele mesmo. Jogando com ele mesmo. Quer dizer, ele não se aproveitou do conhecimento.
batido daquele ponto, ele começou do zero, só sabia as regras, e tem o Muziro que nem as regras ele não sabe, ele deduz as regras para tentar ter erro. Então, eu acho que por esse caminho é o ideal, só que tem vários problemas. O primeiro problema é a literatura acadêmica tem uma quantidade gigantesca de erros. Outra dificuldade é, muito provavelmente, você necessário fazer experimentos que nunca foram feitos. A máquina não vai só analisar o que existe de conhecimento acumulado, ela vai propor experimentos que precisam ser executados. Então, ela precisa de parceria com universidades, etc.,
implementar aquelas estratégias, testar e verificar os resultados e reabastecer um feedback dos resultados que ela vai propor, estratégias, etc., etc., de testes que precisam ser feitos. E a outra questão, uma das dificuldades maiores é justamente, se é administrativo ou comercial, tem uma quarta dificuldade que é religiosa, porque acho que tem uma rejeição muito, quando usam o termo imortalidade, é muito melhor usar o termo para questões de diversas estratégias, questões de prolongamento da vida,
que mortalidade. Que mortalidade cria uma rejeição imediata em muitas pessoas. Ah, ele quer ser Deus. Não é que ele quer ser Deus. Ao longo da história da humanidade, todo o desenvolvimento da medicina e da química e da biologia foi no sentido de tentar melhorar a qualidade de vida e prolongar a vida. Nós vivemos atualmente acho que 84 anos em média e, sei lá, volta 5 mil anos, vivia 17 anos. A pessoa morria desdentada, com várias fraturas mal calcificadas, com vários vermes no organismo, várias patologias, com 17 anos. Atualmente a gente vive muito mais
E a tendência é que continue evoluindo, embora tenha limitações, pelo conhecimento atual tem algumas limitações, mas nós já estamos no caminho de superar essas limitações. E o ponto central é, eu acho que isso, pelo caminho de contratar químicos, engenheiros bioquímicos, etc., biólogos, eu acho que não é o caminho promissor, como muitos já passaram a usar IAS para essas finalidades, como um dos pontos é esse. Outro ponto é, como é que nós vamos fazer para filtrar a literatura acadêmica e separar o joelho do trigo? Porque tem um volume gigantesco de informações,
erradas e não é fácil de filtrar. E quando você coloca o GPT para treinar, ele não consegue filtrar muito bem isso. Ele é muito mais inclinado a pegar pela quantidade de repetição do que pegar pelo que é a nata do conhecimento mais lógico. Ele diz que faz inferência, mas faz meio que uma pseudoinferência. Então, uma das dificuldades é essa. E a outra dificuldade é com relação à mentalidade que você observa. Quando começou a época da criogenia, que muita gente falava de criogenia, inclusive quando minha mãe faleceu, eu cheguei a pesquisar um pouco mais
porque eu queria tentar criogenizar a minha mãe. E o que eu vi era que era uma grande enganação, no fim das contas. As pessoas que fazem criogenia, elas não estão... As que oferecem esse serviço, elas nem acreditam que ele vai funcionar de fato. Porque você vai romper as células por choque térmico, a membrana celular vai vazar, o citoplasma vai... Então, assim, a chance de você conseguir... Você pegar aquela pessoa que passou por aquele processo e restaurar aquele organismo, eu acho que é baixíssimo. Eles falam de nanorobôs e tal, mas eu acho que a chance é baixíssima.
E eu acho que a disparidade é quase tão grande quanto que tinha, tipo, os egípcios tiravam o cérebro pelo nariz e achavam que, ah, vamos mimificar, porque agora ele vai para conversar lá com... Para o céu dele. É, não lembro qual era... Anubis, não lembro se era Anubis, se era Osíris, acho que era Osíris, não lembro qual era o deus de divindade. O Anubis era o deus do submundo, né? A Anubis era o lobo, o chacal, o chacal, eu não me recordo.
Mas, enfim, aí eles tinham essa ideia. Hoje nós sabemos que tirar o cérebro, mesmo para a nossa tecnologia,
5 mil anos depois, não dá para pegar, tirou o cérebro, já era. Eu acho que quando eles rompem a membrana celular, daqui a 100 anos, daqui a mil anos, eles vão conseguir usar nanorobôs. Eu acho que vai ser o mesmo impacto que teve dos egípcios acharem que tirando o cérebro que tudo bem, achar que romper a membrana celular, tudo bem. Um dos pontos é esse. O que eu acho que vai acontecer, que eu acho que é plausível, é que sejam descobertas maneiras, em parte por restauração semelhante ao que acontece
Por exemplo, tubarões, eles nascem dentes o resto da vida. O turritopsis, ele volta a ser jovem, volta várias vezes ao longo da vida. E a vida dura até que ele seja destruído ou devorado. Ele sobrevive. Eu acho que esse é um caminho mais promissor. Inclusive, parece que dentes já são... Já é possível o takahashi... Eu vi há pouquíssimo tempo que os japoneses fizeram algo nesse sentido. Já conseguem reconstruir um dente. Conseguem reproduzir um dente. Não sei se reproduz inteiro. Comercialmente não está disponível ainda.
tudo já está sendo produzido. E a tendência é que em pouco tempo comece... Orelha, cartilagem, nariz. O Tico Brahe, por exemplo, tinha um nariz de bronze. Mas se fosse hoje, ele tinha um nariz, uma prótese. Cartilagem já se consegue produzir. Então, estruturas mais simples. O dente já é uma estrutura mais complexa. Tem muito mais estruturas. Então, eu acho que se conseguir produzir o dente, acho que até produzir um olho vai levar mais de 50, 100 anos.
Vai produzir até um olho. Até um cérebro. Cérebro eu não sei, porque tem muita coisa aqui. Mas enfim, acho que a tendência é que vão reconstruir
construir partes. E não só reconstruir partes, eu acho que vai conseguir restaurar, DNA danificar, porque nós estamos o tempo todo sendo bombardeados por raios cósmicos. Você fez aeronáuticas? Fui, era exército. Você sabe que a gente fica 10 mil metros, 11 mil metros e está exposto a raios cósmicos que aumentam a probabilidade de desenvolver câncer. Acho que é mais ou menos uma hora de voo, é mais ou menos equivalente a uma chapa de tórax, mais ou menos equivalente, acho que é 0, não me recordo.
mas tem uma proporção semelhante, você fazer muitos voos, você aumenta a sua exposição a raios cósmicos. Mas mesmo estando na superfície, nós estamos também recebendo uma quantidade menor. Eu tenho os veículos primários, secundários, que vão se espalhar, e uma parte vai atravessar nosso corpo, vai atingir o DNA, vai fragmentar o nosso DNA, outra vai frequentar as células, organelas, etc. Então nós estamos continuamente sendo agredidos, nosso organismo está sendo prejudicado, mas eu acho que é possível restaurar tudo isso, talvez até espontaneamente, eu acho até que é mais provável,
que seja espontaneamente, desde que tenha instruções para o organismo para isso. Porque o DNA, praticamente, o DNA e o cérebro, eles fornecem instruções para o organismo para o que ele tem que fazer. Uma parte é meio que instintiva, uma parte é racional, uma parte nem é racional. Mas, no fim das contas, eu acho que é muito provável que, depois de um certo ponto, nós vamos conseguir restaurar o organismo, vamos ter até a opção de fazer mecanicamente, colocar uma prótese mecânica,
orgânica, semelhante à anterior, e acho que não vai levar muito tempo. A questão é, a principal dificuldade, as principais dificuldades que nós temos, uma delas é essa da produção acadêmica, que é muito fragmentada, outra questão de credibilidade, porque você tem, no caso da criogenia, eles criaram um mercado que cresceu rápido, inflou, muita gente contratou o serviço, e acho que era uma enganação, no fim das contas. Então, meio que afetou um pouco a credibilidade. Quando se fala nisso atualmente, tem uma certa rejeição.
Em parte, porque é uma coisa muito nova, uma coisa que, embora já não seja tão nova, já se fala, mas, assim, para muita gente, infelizmente, no Brasil, é uma coisa muito inovadora. Então, tem uma rejeição, em parte, com fundamento, porque já houve malandragem, e continua havendo malandragem ainda nesse sentido, de colocar, criar expectativas de que um certo projeto vai gerar tais resultados e tal, quando, na verdade, a perspectiva de que aquilo gera resultados em 500 anos é baixa. E eles vendem ilusão para conseguir investimentos. Isso aconteceu com esse...
com os agentes de ar, por exemplo, recentemente. Houve meio que uma pandemia de investimento em agente de ar, como se fosse uma coisa que fosse gerar muito lucro. E, na verdade, acho que a chance é baixa. Algumas pessoas ainda acham que vai gerar. Outras acham que, provavelmente, as próprias, o Google, a OpenAI e outras empresas, elas já vão incorporar junto os agentes. Vai fazer parte, já tem, inclusive, alguns já tem o agente embutido, entre aspas. Então, não sei se é um caminho promissor. E, assim, eu acho que, em geral,
é muito provável que seja alcançado, mas tem obstáculos ainda que estão difíceis de serem transpostos. Não sei se vai conseguir transpor em 5 ou 10 anos como Herzl. Não sei como se pronuncia o nome dele. Tenho expectativa de que resolvam. Acho que a nossa faixa tem 38. É, 38 vou fazer esse ano. Eu estou com 54. Tenho expectativa de que a gente ainda consiga participar disso. Na verdade, por respeito, não verifiquei a sua. A dele eu verifiquei. Tem 17.
Então, aí eu acho que, assim, tenho expectativa, não tenho tanta confiança aqui em 5 ou 10 anos, mas acho que em 20 anos, assim, a probabilidade é alta. Não sei se a nossa geração vai conseguir, eu acredito que sim. Eu era mais otimista algum tempo atrás. Quando eu comecei a ver algumas coisas do GPT, eu passei a ter um pouco mais de pessimismo em relação a isso. Eu tinha mais otimismo antes do GPT 3.5. Eu acho que eu esperava aquele...
a linha do AlphaFold, do AlphaZero, que ia desenvolver junto com o GPT. E são meio que paralelos independentes e nem dá para conciliar um com o outro. Então teria que fazer alguma coisa para que conseguisse usar. Porque o GPT não consegue resolver problemas. Ele simula a resolução de problemas. Ele usa conhecimento prédio. Ele calcula o próximo token. O GPT faz praticamente calcular o próximo token. O que o AlphaFold faz é muito diferente. Ele realmente interpreta padrões, encontra padrões que se repetem,
seleciona padrões mais frequentes, faz uma ponderação desses padrões e consegue usar isso para resolver problemas inéditos que não faziam parte dos que ele... O GPT, por exemplo, faz uma pergunta que seja muito diferente do que estava presente nos dados que ele fez no treinamento. Ele não consegue. Ele dá respostas estapafúrdias, umas coisas que não fazem sentido. O AlphaFold, no caso do AlphaFold eu não posso falar, mas no caso do LC0, que se baseia no AlphaZero, você coloca posições completamente diferentes de qualquer coisa que ele fez parte do treinamento. Você pode baixar o banco de dados do treinamento,
o LCC, o OFA zero não, mas o LCC você pode baixar, ele é open source, você pode baixar e verificar que ele resolve, você coloca uma coisa, você pode até modificar algumas coisas, você pode até alterar regras, pelo fato do professor, você pode modificar o que você quiser, e você coloca com regras diferentes, ele consegue deduzir coisas muito diferentes do que ele passou pelo treinamento, assim, radicalmente diferentes, e muito superiores a que os humanos conseguiriam entender daquela situação. Então, esse acho que é o caminho promissor para resolver o problema.
Mas, para interpretar os textos acadêmicos, o GPT é o que faria essa parte. Então, tem duas partes que não se comunicam muito bem, não se harmonizam muito bem, que teriam que ser resolvidas. Eu acho que nem tem como unificar os dois. Acho que o mais provável é que faça alguma coisa no futuro que seja já unificado desde o início. Eu não sei se é possível. Talvez seja possível. Talvez seja alguma estratégia para isso. Então, essas são algumas as...
Bom, dá para conversar infinito. Tem várias perguntas a serem abordadas aqui, Rindenburg, mas a gente tem hora também, né? Minha filha está em casa.
de 11 meses, a gente tem que voltar lá. Vai mamar. Mas, pra quem quer continuar acompanhando o que você faz e conhecer mais do seu trabalho, fala quais são os links, onde é que o pessoal pode te achar, divulga o seu trabalho, fica à vontade. É, tem o canal no YouTube, tem o site da Sigma Society, é www.sigmasociate.net, tem no Instagram, é indenburg.melão, sem o Júnior, indenburg.melão. Bom, no meu Instagram, eu marquei o Hindenburg hoje, porque eu botei lá o bandido,
do podcast, só no meu stories também. Entrando lá. Tem Instagram, tem o YouTube, tem Sensores do Saturno 5, tem os meus artigos, alguns deles estão no SSRN, alguns estão no PSY Archive. Acho que tem mais coisas pra... Praticamente é isso, então. Muito obrigado pela presença. E a gente está sempre aqui, toda semana com vocês, com um episódio novo. E também, vocês me encontram no arroba maluperine lá no Instagram. Vocês me encontram no Instagram Bruno,
Underline Perini, semanalmente aqui no Sócio, e também no canal do YouTube Você Mais I, com vídeos semanais. Para quem assistiu, nosso muito obrigado pela audiência, nosso convidado, obrigado pela presença, espero que volte mais vezes. Eu que agradeço, eu que agradeço. E é isso, pessoal. Grande abraço e até a próxima. Beijos.
Caffeine Army
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