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O FIM DA CLASSE MÉDIA NO BRASIL (com Ruy Alves) | Os Sócios 300

28 de maio de 20261h54min
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O que aconteceu com a classe média?

Durante décadas, ela foi o símbolo de estabilidade, consumo e ascensão social. Hoje, porém, cresce a sensação de que esse grupo está encolhendo — comprimido entre o aumento do custo de vida, a perda de poder de compra e a dificuldade de manter o mesmo padrão de vida de anos atrás.

Mas será que a classe média realmente está acabando ou apenas se transformando? Estamos vivendo um fenômeno global ou um problema estrutural mais profundo em economias como a brasileira?

Quem — ou o quê — matou a classe média?

Para responder essas e outras perguntas, recebemos Ruy Alves para o episódio 300 do Podcast Os Sócios.

Ele será transmitido às 12h no Canal Os Sócios Podcast e já está disponível no Spotify.

Hosts: Bruno Perini @bruno_perini e Malu Perini @maluperini

Convidado: Ruy Alves @kineainvestimentos

Participantes neste episódio3
B

Bruno Perini

Hostjornalista
M

Malu Perini

Hostjornalista
R

Ruy Alves

ConvidadoGestor e sócio da Kinea Investimentos
Assuntos10
  • O futuro das repúblicas democráticasDesigualdade social e concentração de renda · Lei de Pareto e a natureza da competição · Impacto da China na economia global · Aumento do custo de moradia (housing) · Economia em K e aprofundamento da desigualdade · Inteligência artificial e substituição de empregos · Revisão do contrato social · Papel do Leviatã (Estado) e impostos
  • Economia Mundial e Crises FinanceirasExaustão do modelo de crédito e investimento · Aumento da inflação e déficit de conta corrente · Impacto da Lava Jato · Reformas de Temer (Teto de Gastos, TLP) · Período de 2016-2020 e financial deepening · Estagnação da renda per capita por 10 anos · Falência do modelo econômico brasileiro · Comparação com países emergentes
  • Projeção da economia brasileiraCrise de 2014 e estagnação da renda per capita · Filme Parasita como analogia · Crédito e endividamento da pessoa física · Impacto do boom de commodities nas finanças públicas · Parafiscal e investimentos estatais (BNDES, Petrobras) · Falta de crescimento de produtividade · Desindustrialização do Brasil · Aumento do gasto público e déficit primário
  • Perrengues da classe médiaDefinição de classe média no Brasil · Sonho brasileiro da classe média · Renda média brasileira · 1% mais rico no Brasil · Custo de vida e poder de compra · Endividamento da classe média · Impacto da inflação · Crise do petróleo
  • O Papel do Centrão na Política BrasileiraFiscal pró-cíclico e agressivo · Recessões profundas em comparação com emergentes · Perda de distância em relação a países pares · Aumento do endividamento público e privado · Cenário pós-2023 e emulação do modelo anterior · Dívida PIB e gastos públicos · Parafiscal e gastos discricionários · Importância do Legislativo e orçamento da Câmara
  • História econômica do BrasilBrasil pós-Segunda Guerra Mundial · Período de industrialização (1945-1975) · Crise do petróleo e default da dívida externa · Hiperinflação e Plano Collor · Estabilização da moeda com o Plano Real · Boom de commodities e entrada da China na OMC · Formação de crédito no Brasil · Período de 2003 a 2008
  • Preparação para o BrasileirãoFacilidade matemática para resolver a economia brasileira · Fragilidade das instituições brasileiras · O papel do Congresso e do Legislativo · O pecado original da República brasileira · A importância da confiança no capitalismo · O dinheiro brasileiro concentrado no país · A esperança na produtividade e IA · A queda da violência agregada
  • Produtividade e crescimento do BrasilEstagnação da produtividade desde 1980 · Impacto das revoluções tecnológicas · Migração rural-urbana e injeção de capital · Limites do modelo de crescimento chinês · Armadilha da renda média · Inovação destrutiva e competição no mercado · Desindustrialização e setor de serviços · Inteligência artificial e robotização
  • Pertencimento social e políticaFatores contra o incumbente em eleições · Envelhecimento da proposta de governo · Dificuldade de identificação entre gerações · Mudança no espectro político dos jovens · O papel do herói na política brasileira · A importância das instituições · O problema da violência no Brasil · Cenário eleitoral e a busca por mudança
  • Impacto das Redes SociaisImpacto das redes sociais no comportamento de consumo · Comparação social e ressentimento · Imaturidade e transferência de culpa · Agressividade e falta de confronto direto · Podcast como fonte de conhecimento · Homem das cavernas e software do século XXI · Luta por relevância e reconhecimento social · Competição e agressividade humana
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E aí, pessoal, vamos começar mais um episódio do podcast Sócios. Quem fala aqui é Bruno Perini, host do podcast. Estou, como sempre, com a Malu Perini, minha esposa host e o Belo Russo dos Sócios. Olá, pessoal. Sejam bem-vindos a mais um episódio dos Sócios. E sobre o que falaremos hoje, boludinha?

Hoje a gente vai falar sobre um tema peculiar. Quem matou o sonho da classe média? Ou quem matou a classe média? Será que ela ainda existe? Será que ela vai continuar existindo? Será que está morrendo mesmo? Será que está morrendo? Então vamos discutir isso. E as consequências disso. E as perspectivas históricas. Também consequências políticas dessa parte. E antes de apresentar nosso convidado, eu tenho dois recados para vocês, pessoal. O primeiro deles é de um pacote inédito, com o Grupo Primo e a AGF, Ações Garanta o Futuro, da Luiz e Barsi, do Barsi em si.

Serão 16 produtos pelo preço de um. A gente nunca colocou um pacote tão completo assim juntos, de pé. Vai ser muito interessante. Lá do Grupo Primo, você vai ter acesso ao Viver de Renda, a Finclass por dois anos, carteiras recomendadas, mentoria do milhão ao milhão. E da AGF, você tem um jeito básico de investir, dois anos de acesso à plataforma deles. E o MB em Value Invest, que sozinho custava 12 mil reais.

E tudo isso vai custar muito menos do que esses R$ 12 mil que era só do MBA. Então, para quem quiser ter acesso a essa promoção de maneira exclusiva, tem um QR Code aparecendo aqui na tela, um link na descrição. Acompanhe o que a gente vai passar de informações que garanto que vai valer muito a pena. E outro recado é sobre a chegada daquele encontro inesorável que todos nós temos com o Imposto de Renda agora no final de maio.

E a Maluta é de prova. Eu faço minha declaração de imposto de renda e a dela também até hoje. Prefiro não terceirizar com o contador. E antigamente eu gastava um dia inteiro para fazer isso. Hoje eu gasto para a parte de mercado coisa de cinco minutos. Simplesmente minha carteira está toda automatizada no My Profit e a dela também.

Se eu compro uma ação, se eu vendo um fundo imobiliário, se eu compro Bitcoin, por exemplo, numa corretora que eu linkei lá, se eu vendo algo no exterior, está tudo linkado e aparece automaticamente lá na minha tela e eu consigo imprimir um relatório e subir no aplicativo da Receita Federal e ter uma declaração. A parte de mercado está toda feita, pessoal, com controle de prejuízo, geração de DAF, se precisar na parte do lucro, tudo muito completo. Para isso, eu uso a plataforma chamada My Profit já há alguns anos. Inclusive, ela foi desenvolvida...

para um aluno do Viver de Renda, o Rodrigo Poveron, na turma 10. E aí, para quem quiser assinar a plataforma, eu dei um QR Code aqui na tela, um link na descrição. Lembro também que a gente tem um cupom, PERIN10, que você pode usar para tornar a assinatura mais barata. E um ponto muito interessante, tá? Você assinando agora, você consegue fazer a declaração deste ano.

E também já do ano que vem, porque a gente está em maio. E a declaração já começa ali por abril, por março. Então você consegue usar o My Profit para duas declarações, pagando apenas uma assinatura. Fora as que você pode retificar do passado também. Você pode lançar a base de dados toda lá. Ele vai mostrar a sua carteira ao longo dos anos. Se você ver que tem algo errado, você vai lá e faz uma retificadora para poder consertar e deixar tudo nos conformes com a Receita Federal.

Bom, para quem quiser, fica aí a dica. Agora, apresentando o nosso convidado, que já veio aqui várias vezes, recebemos novamente Rui Alves. Ele é sócio da Quine e gestor das estratégias de multimercado. Antes disso, construiu grande parte da sua carreira em Londres, retornando ao Brasil para atuar na JGP. Possui mestrado em Finanças pela London Business School, além de especialização em Finanças pela LBS e pela INSEAD. Rui também foi professor de Finanças no IBMEC do Rio de Janeiro. Rui, bem-vindo novamente ao Podcast Sócios.

É um prazer enorme estar aqui com vocês, queridos. Eu tenho enorme admiração pelo franchise que vocês criaram aqui e enorme admiração pelo programa e gosto muito de vocês. Pô, sabe o que é recíproco. A gente também adora. Você deve ser um dos convidados que mais veio aqui já, cara. É verdade. Você, o professor Roque e o Guilherme, eu diria que devem ser os três liderando. Mas aí, para começar, Rui...

O que é classe média aqui no Brasil? Em termos de renda, de patrimônio. Porque hoje em dia muita gente fala, pô, eu sou classe média. Aí você vê o cara da classe média que, na minha visão, é um cara que fala, pô, isso aqui não é classe média, está mais acima, mas eles consideram não rico, por exemplo.

Essa é a pergunta mais interessante, porque eu achei que a gente deveria fazer um estudo ali na Quineia sobre o que aconteceu com o sonho da classe média no Brasil, porque o sonho da classe média no Brasil é o sonho que eu acho que vem desde 30 anos do Plano Real, que a gente estabilizou a moeda e, de alguma maneira, a gente deveria ter criado uma classe média no Brasil. O que é classe média? Antes de falar de números, o que qualquer pessoa entende por ser classe média? Não é o sonho americano, é o sonho brasileiro.

Eu acho que ser classe média, o sonho brasileiro da classe média é eu tenho uma casa onde eu tenho segurança, onde eu posso ir e vir. Eu tenho o poder público ao meu redor e eu tenho o direito de ir vir dentro de uma casa segura. Eu tenho acesso à educação. Eu tenho a esperança que meus filhos estudando, eles vão ter um futuro melhor do que eu tive. Eu tenho acesso à saúde.

E eu tenho acesso a, logicamente, eu tenho segurança alimentar e eu tenho acesso a algum tipo de lazer, eu tenho uma relação prazerosa com a minha família. Eu posso, pelo menos, uma vez por ano fazer uma viagem com eles, eu posso ter um final de semana gostoso com a minha família.

Eu vivo com segurança alimentar, eu vivo com segurança física, eu tenho acesso à saúde e educação, e eu posso olhar para a minha família, eu posso formar uma família de forma que eu acredite que o futuro do meu filho vai ser melhor do que o meu. Isso, para mim, é o sonho brasileiro, é o sonho de ser classe média. Acontece que se você olhar para o... E que não é renda média, porque se você olhar para a renda média brasileira, é 3.600 reais.

Aí você diz assim, bom, coloca tudo isso na conta, mesmo que você saia de Rio e São Paulo e você pense no Brasil como um todo, isso não dá nessa conta que eu falei. Certamente não dá. E essa é a média ainda. Essa é a média puxada para cima. Essa é a média puxada para cima. Agora, a coisa mais impressionante que eu acho que as pessoas não percebem é o que é ser 1% dos brasileiros. 1% é 25 mil reais.

Se você tem uma renda de 25 mil reais mensais, e tem muita gente aqui assistindo o programa, que é Rio, São Paulo, Belo Horizonte, os maiores centros, e diz assim, tudo isso que esse cara falou, para quem vive em São Paulo, normalmente não cabe 25 mil reais. É verdade. Depois você tira imposto, depois você tira uma série de custos que você tem.

Você diz assim, cara, eu consigo encaixar, por exemplo, que eu acho que é o sonho da maioria das pessoas, uma escola privada para os filhos, um plano de saúde, eu trocar de carro, eu ter um carro que pelo menos seja minimamente confiável, eu viajar com minha família uma vez por ano. Normalmente é difícil você encaixar isso se você mora em São Paulo, por exemplo.

Mas isso é 1% da população. Então, o sonho da classe média brasileira hoje é tão distante da realidade dos números em si que eu disse assim, cara, vamos tentar explicar esse fenômeno. Vamos tentar explicar porque, ao longo do tempo, a gente... E aí, por que isso começou também? Porque chegou aquela estatística máxima que foi publicada mais recentemente. Os brasileiros pagam 30% da sua renda em juros, em custos de empréstimo. E aí

Quer dizer que desses 3.600, já sumiu um terço. 1.200 sumiram. Que é pagamento de juros e principal sobre dívida que a pessoa vai rolando e vai acumulando a um custo de quase 50%, que essa lei que é 14%. Mas esse cara tem crediário, esse cara tem crédito rotativo. Então, o custo desse cara é muito maior. Então, esse cara não fez nada, dois anos dobrou essa dívida dele.

essa dívida tem que ser renegociada, a gente vai falando de desenrolas. Então, por que a gente chegou num ponto em que o brasileiro ficou com um terço da sua renda comprometida com os juros? Essa é a pergunta a ser respondida e por que o sonho da classe média não foi realizado mesmo depois de 30 anos de estabilidade da moeda?

E na sua visão, por que isso aconteceu? Cara, eu queria começar lá de trás, para a gente tentar entender o que é o Brasil, o que foi o Brasil, o Brasil até que eu vivi. E que muita gente, talvez mais exatamente, acho que a maioria das pessoas que assistem são mais jovens do que eu, não entenderam ou não entendem até hoje como é que a gente partiu e onde a gente chegou até agora. Eu gravei um programa até recentemente com o Bruno Gachagem.

acho que eu pronunciei certo o nome dele. Gachagen. Gachagen. Em que a gente só fala da história do Brasil. É um programa maravilhoso só sobre a história do Brasil e para a gente tentar entender algum desses problemas. Mas se você parar para pensar o Brasil, como é que a gente tentou começar a formar a classe média, a gente sai do Brasil em 1945, depois da Segunda Guerra Mundial, que era um Brasil endividado. Desculpa.

Um Brasil rural, um Brasil não industrializado, um Brasil que estava buscando o seu processo chinês, o seu processo de sair de ser uma economia rural, de sair de ser uma economia não industrializada, para se industrializar e fazer o seu processo de infraestrutura e crescimento. E a gente viveu o nosso período China. O nosso período China, 45 a 75, foi o período que a gente cresceu 7, 8% ao ano. A gente era o tigre sul-americano. E ali, eu me lembro, eu nasci em 72.

Quando eu nasci, existia uma classe média brasileira. Até se você olhar ali no Rio de Janeiro, acho que aqueles programas que... Anos Dourados, série da Globo famosa, era aquela fase em que existia uma... Eu nasci numa família na Tijuca, em que meu avô era um contador, e realmente existia uma classe média ali em volta, o que a gente entendia como classe média. E existia muita esperança, existia uma pujança no Brasil de que o Brasil deu certo.

de alguma maneira. E aí meu pai sempre fala a piada de que, cara, tudo começou a dar errado quando eu nasci. Depois que eu nasci, tudo começou a dar errado. Porque eu nasci em 72, 73 foi a crise do petróleo. A primeira crise do petróleo. E 79, com a Revolução do Irã, foi a segunda crise do petróleo. E depois, na década de 80, o Brasil defaultou na dívida externa dele.

E a gente não tinha petróleo, não tinha nada. Eu tinha amigos da Petrobras que falavam ruim, até mais velhos que eu, diziam assim, cara, ruim, naquela época a gente trocava frango por petróleo. Então não tinha divisa nenhuma, a gente ligava lá para o Irã, ligava lá para o Oriente Médio e dizia assim, olha, vocês estão querendo frango, a gente está precisando de petróleo. Então é escambo, eu não tenho dólar, vai ser frango por petróleo. Porque não tinha, na verdade.

E aí foi a fase da destruição da classe média brasileira, porque eu nasci numa família, num núcleo familiar estruturado, em 72, em que esse núcleo familiar, em termos financeiros, foi gradualmente destruído na década de 80.

Porque a década de 80 foi a década dos 13 trilhões de inflação acumulada. E foi a fase que qualquer... Não adianta você tentar formar capital. Os juros reais eram negativos. Era uma situação em que o capital era confiscado, que foi o caso do Plano Collor. A questão de que a base monetária era destruída. E não existia maneiras de você guardar ou começar a formar riqueza.

O que aconteceu naquela época é que a classe média foi dizimada. Por incrível que pareça, eu nasci numa família em que a mãe é médica e o pai é um farmacêutico formado pelo UFRJ. E trabalha, trabalhou na Anvisa. Você me diz assim, esse cara devia ter uma vida de classe média. Não, não, eu tinha uma vida muito, muito difícil naquela época. O negócio da minha mãe deu errado, uma série de coisas. Porque naquela época as coisas davam errado.

Então você destruiu ali naquela década de 80, 90, o sonho da classe média. Você vivia esperando gatilho salarial, porque tinha gatilho salarial. Se batesse 20% de inflação, o seu salário era automaticamente refeito. E eu comecei a trabalhar nesse aspecto. Em 93 que eu comecei a trabalhar, formalmente, eu recebia meu salário e descia correndo para comprar um terno. Era duro, duro mesmo. E eu dizia, se eu não comprar hoje, eu não compro mais esse terno.

Então, não havia capacidade de você formar riqueza. Então, um país muito empobrecido. E olha só, a gente foi de 90, isso tudo tem relação, tá? Até com a estrutura política do Brasil. Porque a gente foi, lembra a música da Copa? 90 milhões em ação. E a gente foi para 200. Só que a gente foi de 90 para 180, basicamente, naquela época.

num período em que o país não crescia, a renda per capita não crescia, não havia acumulação de riqueza, não havia geração de riqueza. O que gerou? Um imenso bolsão de pobreza. A gente gerou um bolsão de pobreza sem educação, sem acesso à saúde, sem acesso ao saneamento, e que acabou virando, de uma maneira ou de outra, um...

um grande grupo de manobra muito suscetível a manipulações políticas, a sedução política. Porque você não tem riqueza, você não tem educação, você não tem saúde e saneamento, é muito fácil você ser, de uma maneira ou de outra, manobrado politicamente para um lado e para o outro. Então, esse grupo, e isso é muito importante, esse bolsão de pobreza que foi formado no Brasil nessa época, até hoje impede.

em termos de estrutura institucional que a gente talvez se desenvolva da maneira que a gente podia ter se desenvolvido. Mas chega em 1994.

Em 94, você finalmente tem estabilização na moeda. E eu digo todo mundo, já falei isso várias vezes, vou reparar novamente, acendo todo dia uma vela para PUC-Rio. Todo dia ali acende uma vela para Edmar Baixa, André Lara Rezende, Gustavo Franco. Todo esse pessoal, acho que eu não mencionei o nome também, já entrevistei vários deles, mas eu sou da Nóbrega, que trabalhou na estabilização do país.

Todas as pessoas que dedicaram a carreira deles na estabilização da moeda brasileira acendam uma vela. Se não fossem esses caras, a gente iria a Argentina até hoje, porque a Argentina nunca saiu desse ciclo. Então, em 1994, com a estabilização da moeda e o começo das reformas no governo Fernando Henrique,

Você diz assim, cara, novamente eu tenho esperança. Eu passo num país que não tem crédito, porque é igual a Argentina, a Argentina não tem crédito. Quando você tem hiperinflação nesse nível, você não consegue ter um processo de formação de crédito, uma base de crédito. Você sai num país sem formação de crédito...

para um país que começa a formar crédito. E a gente fala muito que no começo dos anos de 2000 você teve o boom de commodities, que a China entrou no WTO, na Organização Mundial do Comércio, e que aquilo impulsionou o Brasil. Isso é verdade. Isso tem um canal que impulsionou o Brasil. Mas tem um canal importantíssimo que impulsionou o Brasil igualmente nesse período, foi o canal de formação de crédito. A gente, pela primeira vez, começou realmente a pegar o...

a relação dívida PIB brasileira e dobrar a relação dívida PIB. Deixa eu descrever para vocês a questão de como isso acontece. A gente fez uma analogia bem interessante para explicar o Brasil do período.

Estabilização da moeda, os primeiros governos do Fernando Henrique, os primeiros governos do Lula e o Dilma 1. Esse período que vai de 20 anos, de 1994 a 2014, onde a gente cai na maior crise que esse país já viveu, que não seja um tempo de guerra.

Como é que a gente sai da esperança do plano real sem uma classe média? A gente começa a formar a esperança de uma classe média de 94 a 2014. E como é que a gente tão terrivelmente bate com os burros na água em 2014 e passa por um período de 10 anos em que a renda per capita do país não cresce? Muito similar à década de 80, onde a renda per capita do país também sofreu.

Deixa eu contar a história. A analogia que a gente fez para isso foi aquele filme Parasita. Você viu Parasita? Vênus. Parasita é o filme que ganhou o Oscar de 2020. É o primeiro filme que ganhou o Oscar não sendo um filme de língua inglesa. Se você tem esse efeito, o filme realmente é bom. Mas qual é a história de Parasita? Parasita não é um filme sobre desigualdade social. Parasita é um filme onde, sem fazer muito spoiler, você tem uma família ali, que é a família Kim.

E a família Kim vive ali a classe baixa coreana. Então ela vive num porão. Literalmente ela vive num porão. E ela quer, logicamente, ascender socialmente. E ela começa a entrar na vida da família Park, que é a família de alta renda, numa casa no topo de uma colina linda para padrões coreanos, incrível para padrões coreanos.

E ela começa a entrar e gradualmente a filha entra, a filha depois traz a mãe, que traz o pai, que traz o irmão. Ninguém sabe que é da mesma família, mas todos eles começam a trabalhar para a família Park. E tem aquela famosa cena em que toda a família, os quatro estão sentados na sala, se divertindo na casa da família Park, porque eles saíram para viajar. E você tem a falsa sensação de ascensão social. Eles começam a ter a falsa sensação de que eles ascenderam socialmente. Eles saíram do porão.

e gradualmente subiram as escadas, subiram a colina, você vê que tudo é simbólico, você sai do porão e você sobe a colina para a casa dos parques. Por que aconteceu isso na nossa concepção? A sensação de ganho, tanto é que não só Fernando Henrique se reelegeu, Lula se reelegeu, primeiro turno Fernando Henrique se reelegeu, Lula, embora não tenha se reelecido em primeiro turno, pelo que eu me lembro, ele terminou o governo com 80% de popularidade.

Então, foram dois presidentes extremamente populares e dois presidentes extremamente populares com vieses muito diferentes um do outro. Tanto é que quem gosta de um tende a não gostar do outro até hoje.

Mas por que esses dois conseguiram fazer essa sequência fantástica? Eles conseguiram fazer essa sequência fantástica? Vamos começar pelo seguinte. Quando você começa a colocar crédito dentro de uma economia, e o crédito tem três vertentes. Eu tenho crédito de como eu aumentei o endividamento da pessoa física.

do cidadão mediano, que não tinha dívida nenhuma. E esse cidadão gradualmente foi saindo ali, levando a relação dele, dívida-renda, de um patamar que era praticamente nenhum para o patamar que a gente tem hoje, mas que a gente já tinha batido perto desse patamar em 2014, que é mais ou menos um terço da renda que está sendo comprometida com juros, de modo geral.

Você tem o segundo, que foi o fiscal. Como é que, na verdade, o fiscal, como é que o boom de commodities se transmite para a formação da classe média? O boom de commodities se transmitiu para a formação da classe média da seguinte maneira. Eu tinha esse boom, esse boom fazia a receita do governo crescer rapidamente.

Essa receita do governo crescendo rapidamente permitiu que eu crescesse gastos do governo a taxas como 6% real ano a ano. Esse gasto do governo se transferia para a renda de famílias. E essas rendas de famílias, junto com o aumento de endividamento, fazia com que um país que crescia PIB 3%, 4%, fazia com que o gasto das famílias crescesse 5%, 5,5%.

Então, a gente teve um período em que o gasto das famílias, a capacidade dessas famílias estarem investindo dinheiro, gastando dinheiro efetivamente, era maior do que o crescimento da economia como um todo, que já era alto porque a gente já estava começando a pegar do futuro, aumentar o endividamento do governo, pegar do futuro, e a gente teve junto o chamado parafiscal.

O que é o paro fiscal? Basicamente, os grandes investimentos na economia em que a esperança, novamente, era pegando do futuro, porque é endividamento, é que a esperança que o retorno sobre investimentos fosse alto. O que foi isso? BNDES, basicamente, Petrobras, Pressal, todos aqueles investimentos, Abreu e Lima, que a gente já conhece da história toda das empreiteiras brasileiras.

Então você tinha um período que era um período de sonho, porque você era o período que aquela expressão vai ter Disney nasceu nesse período. A expressão de que as pessoas começaram a viajar, que viajavam de carro, começaram a viajar de avião. As pessoas que não se faziam reforma em casa começaram a fazer suas reformas, suas puxadinhas. Eu achava que eu era classe média nessa época, mas estou vendo que eu era pobre, porque não tinha Disney, não tinha reforma, não tinha nada disso lá em casa.

Mas eu estava comentando com a Malu ontem. Mas você não se endividava, né? Não, porque meu pai era muito consciente, de fato. Mas nessa época, por exemplo, eu lembro dos meus tios. O meu tio militar e a minha tia na época do ano de casa. Ela não trabalhava. E eles tinham os dois filhos, meus primos, estudando, fazia curso de inglês. E tinha empregada doméstica. Hoje em dia, um militar que a esposa não trabalha, não consegue ter empregada doméstica.

Então você vê realmente que eu falo, não, aquela época era classe média. Hoje em dia eu já não sei se é. Com certeza. E vai chegar nesse ponto. O que aconteceu que ele não consegue mais pagar esses custos. Então foi uma época de sonho que você...

Você tinha um boom global, esse boom global gerava receita governamental, essa receita era reinvestida no país, gerava renda de família, essas famílias se endividavam mais, traziam mais renda futura, antecipavam renda futura, e o parafiscal funcionava também dessa maneira. Aí disse, Rui, o que está de errado nisso tudo?

E aí, mas o que está errado? O que está errado era uma coisa simples. O crescimento da produtividade era nenhum. A gente não teve, a gente estabilizou a moeda, a gente fez todo esse processo, mas a nossa produtividade desde 1980 é estagnada. Inclusive, eu queria perguntar sobre esse ponto específico. Por que não é muito estranho não ter subido nada? Porque se você volta para a década de 80, a gente nem computador tinha no Brasil, porque tinha a lei da informática proibindo a importação.

Aí se você pensa nas revoluções tecnológicas, cara, ele tá falando de computador, de smartphone, de internet nos anos 90, redes sociais agora, robotização da economia, tá chegando IA e não sobe. Como que é possível isso? Você lembra da história do Bolsão de pobreza?

que eu te falei, é grande parte, passa por isso. Quando você pega uma estrutura econômica que estava organizada dentro de... Porque o Brasil dos anos 70 parecia muito a China, dos 45 aos 70. Era uma economia planificada, era uma economia em que você tirava do rural, passava para o urbano. Quando você tira do rural e passa para o urbano, dentro de uma economia planificada de investimentos, você está dando capital, tirando pessoas que eram muito improdutivas no campo e fazendo com que essas pessoas migrem para a cidade e se tornem muito mais produtivas com injeção de capital.

Você tinha um processo razoavelmente organizado, a educação não era superestável, mas você tinha pelo menos uma base em que, tirando pessoas do campo e dando educação para elas na cidade, a produtividade cresce muito rápido. Isso acontece na Índia hoje, isso aconteceu na China durante o período de 1978, principalmente até 2015, 2016. Hoje a China já está crescendo de outra maneira. Mas eu acho que a China reflete bem o que não aconteceu no Brasil.

Porque a China bateu nos limites desse modelo. Esse modelo tem um limite, de você tirar da cidade, tirar do campo, trazer para a cidade. Dá para migrar duas vezes. Não dá para migrar duas vezes. Mas a China bateu nesses limites. Quando a crise imobiliária ali na China, quando começou em 2015, 2016...

era o sinal da exaustão no modelo chinês. Tanto é que quando chega em 2015, 2016, a China diz assim, cara, a gente precisa começar as bases de um modelo tecnológico dentro da China. Porque a única maneira que você tem, depois que você deu capital, depois que você chegou na armadilha da renda média, que são os 10 mil...

dólares de renda per capita, que o Brasil está até hoje na armadilha da renda média. Para você passar daqui, você tem que ter um processo, porque esse processo rural para a cidade, esse processo é essencialmente um processo de força bruta dentro de economia.

Daqui para frente, dessa força bruta, a única maneira de você crescer é chumpeteriana. Você tem que trazer tecnologia, você tem que trazer transformação. O que a China foi? Robótica, semicondutores, automação, ganho de escala no setor de serviços. Você vê Meituan, JD, Alibaba. Ela foi trazendo inovação destrutiva, porque a China se tornou...

muito capitalista nesse período, em termos de destruição criativa, vai tentar competir no mercado chinês para você ver o que é competir no mercado privado chinês. E ela foi trazendo elementos em que faltaram no Brasil. Pelo contrário, o Brasil que aconteceu, eu sempre digo assim, você quer estudar o Brasil?

pega um carro, eu falo, meu filho quer ser economista. Eu digo, filho, vamos estudar economia, pega um carro, vamos atravessar a Avenida Brasil. Olha para um lado, olha para o outro. São 50 quilômetros. Olha para um lado, olha para o outro. Olha a quantidade de gente em que não teve acesso a uma educação de qualidade, que não tem acesso a capital e que está caindo na armadilha, esse é outro assunto que eu vou falar, das transferências de renda do governo. Porque a transferência de renda do governo, embora te tire da pobreza absoluta, ele nunca vai te colocar na classe média.

Nunca vai te dar o sonho daqueles itens que a gente falou no começo do programa. Então, o Brasil, o principal problema dele é como a gente ia de 90 milhões em ação para 215 que a gente é hoje. Desse 90 para 115, você criou um bolsão imenso de pessoas sem saneamento, sem casa, sem educação, sem acesso à tecnologia, sem acesso a maquinário. Então, quando você olha o agregado da produtividade brasileira, o agregado da produtividade brasileira tirando o agro.

que é um crescimento brutal de 3% ao ano de produtividade, é uma produtividade ruim, principalmente porque é muito difícil ganhar produtividade no setor de serviços. E o Brasil, na verdade, nesse período, ele se... É como o resto do mundo. Como a China virou um terço de toda a capacidade produtiva global, o Brasil, como tantos outros países, se desindustrializou. A gente se tornou não competitivo. Então, um país que a fonte de produtividade, que era a parte de você industrializar o país de 45 a 70, e que estava no Brasil e que estava no Brasil e que estava no Brasil.

Você desindustrializa, você cria esse bolsão de pobreza, você não tem educação, não tem capital, e setor de serviços é muito difícil você ganhar escala. O que aconteceu no Brasil foi basicamente isso. E talvez daqui para frente a gente ganhe esperança, talvez inteligência artificial, a gente consiga galgar esse patamar. Mas esse período que eu estou te falando, de 94 de 2014, o principal problema é que todo esse sonho, a gente teve ganho real de salário mínimo nesse período, nossa política era ganho real.

de salário mínimo, porque a gente passou de um salário mínimo. Quem viveu a hiperinflação sabe. O salário mínimo era simbólico, era um valor irrisório. E você passa a formar um salário mínimo com ganhos reais durante esse período.

Gente, como é que esse sonho todo estava acontecendo? Como é que todo mundo estava feliz daquele jeito? Como é que todo mundo estava com a sensação de maior riqueza, com zero produtividade? Não podia dar certo. Depois de um tempo, o que acontece em 2014 é simplesmente uma consequência de um modelo que se exauriu sem que esse modelo tivesse sido trocado por algo sustentável.

A gente chega a 2016, porque em 2014 realmente você bate no limite. Você diz, olha, BNDES não dá mais, Petrobras não dá mais, o consumidor não consegue mais se endividar, e você tira todas, ao mesmo tempo, todos esses fatores são retirados da economia ao mesmo tempo e ao reverso. Porque você pressionou tanto o sistema, são duas coisas que acontecem quando você pressiona tanto o sistema sem produtividade. Em primeiro lugar, a inflação começa a subir.

A inflação começou a subir no Brasil. A gente chegou a ter 10% de inflação. Começam a mentir o número de inflação. Aquelas coisas que... E outra coisa, o conta corrente começa a abrir muito contra a gente. Porque o consumo brasileiro, à medida que ele crescia, não havia produção interna para satisfazer tanto consumo. Então, a única maneira que você tinha de satisfazer esse consumo era a importância.

está de fora. Então, conta corrente começou a abrir um buraco. Você precisava, na verdade, cada vez mais, que os gringos aportassem dinheiro aqui dentro, capital, basicamente, para que você possa compensar o déficit de conta corrente que você estava rodando naquela época. E aí, tudo deu errado ao mesmo tempo, porque você não tinha mais o ambiente do crédito, o consumidor retraiu, o BNDES e a Petrobras quebrou. Você teve, naquela época, a Lava Jato também, que parou o país em alguns aspectos.

O país parou e abriu um buraco no sistema. O buraco foi tão grande, a moeda, logicamente, ninguém queria financiar naquele momento. A gente começou a discutir, naquela época, a gente discutia dominância fiscal. E você teve que bater em 2016. Em 2016, você teve que fazer as reformas do Temer. Você teve que fazer o teto.

de gastos, você teve que trocar, fazer a TLP, tirar a TJLP, fechar o BNDES, fazer aquelas coisas todas que a gente fez e que permitiram que a gente sobrevivesse durante o período, principalmente naquele período ali, pandemia, aqueles períodos mais difíceis, porque a gente tinha, nesse período de 2016 e 2020, foi um período maravilhoso para o mercado financeiro, de modo geral, você teve o financial deepening, as pessoas começaram e perguntaram no fundo.

a investir, você criou uma base mais sustentável da economia, mas infelizmente esse período foi curto porque a gente bateu na Covid. Então esse período normalmente é visto, eu prefiro ver esse período como 2014 a 2023, que foi um período de 10 anos, 14 a 23, onde a renda per capita não cresceu. Então você vê a renda das famílias nesse período, para você recuperar a renda per capita de 2014, você teve que esperar até 2024.

Cara, eu não posso dizer o quão dramático é isso, porque são 10 anos de um sonho perdido, são 10 anos em que a tua vida simplesmente voltou em 2024 aquela ela em 2014, e nisso o mundo estava crescendo, nisso os nossos pares estavam crescendo, o mundo estava ficando melhor, estava todo mundo mais feliz, porque eu acho que o que mostra no Brasil de 2014 é a falência do modelo.

que a gente tem. Por quê? Porque a gente tem um modelo que gera crescimento menor do que os outros países. Pares da gente, não estou falando nem dos Estados Unidos, porque os Estados Unidos abriu diferença em relação a gente. Os Estados Unidos cresceu mais que a gente. E a gente deveria estar convergindo para os Estados Unidos. É, teoricamente, os países emergentes têm esse nome porque estão emergindo, né? Sim, emergente não. Mas se a gente fosse realmente mais literal, deveria ter países envolvidos emergentes e submergentes. Que a gente está fundando, pô.

Ou está parado enquanto todo mundo está subindo. Ou então me diga de onde ser emergente está emergindo. Talvez não seja de um lugar muito bom. O que é o modelo brasileiro? Se você parar para pensar. Vamos parar aqui em 2014 e nesse período e pensar o que foi o modelo.

O modelo, desde a estabilização do real, 2014, tem um modelo em que, desculpa, 94, é um modelo em que você estabilizou a moeda, mas você nunca estabilizou o fiscal. Você sempre quis ter um fiscal pró-cíclico e agressivo. Um fiscal que, quando as coisas estão certas, eu quero gastar mais.

Quando a coisa dava super certo ali naquele período de 2003 a 2008, que foi até bater na crise financeira de 2008, era um modelo que eu queria gastar o máximo possível da minha arrecadação. Tanto é que a gente cresceu 6,5% real. Gente, 6,5% real de gasto é uma bolsalidade você crescer. Mas, ao mesmo tempo, a gente mantinha o primário estável. Porque era tão grande o crescimento de receita que você conseguia manter o primário estável naquela época.

A gente não tinha problema de déficit primário. Mas você cria dois problemas. De um lado, com a falta de crescimento de produtividade, que é estrutural da economia, precisa de reforma, precisa de educação, precisa de capital para se mudar. Isso você cresce menos que seus pares. Então a gente cresce, você pega o Brasil, compara com o México, compara com Coreia, compara com o que é que seja razoavelmente decente dos emergentes, a gente está lá embaixo.

Então, por um lado, você cresce menos. E, por outro lado, como o modelo é pró-cíclico, quer dizer, você gasta mais quando as coisas estão boas, as crises são piores. A gente tem recessões mais profundas. Emergente tem recessão rasa, porque o governo é pequeno, porque o gasto do governo é pequeno. A alavancagem da economia é menor. Então, a recessão, normalmente, de um emergente, ela é rasa. As nossas recessões são imensas perto dos emergentes.

Como a gente tem recessão maior e cresce menos, no final das contas, a gente vai perdendo distância em relação aos nossos pares. E a gente acaba com mais endividamento. Olha a situação. Agora vamos falar. Olha só que coisa interessante. Então esse período que a gente fala de 2014, 2024, para quem viu o filme Parasita, é a chuva.

A chuva, pra quem não lembra, é quando choveu e a casa que eles moravam no porão. Dramático. A lagoa. Essa cena é dramática. Essa cena dá dor de você olhar aquela cena. Mas é a dor de 2000. Eu sou muito ruim de lembrar. Ah, lembrei. Na casa deles mesmo. No nível abaixo da rua. A janela deles é no nível da rua. Ali esquece a janela aberta. E chove. E a água entra toda dentro pra casa deles. E a laga.

toda a casa deles, do pessoal que morava no Torão, da família de baixa renda, dos quintos, né? E aquilo ali, pra mim, é o 2014-24, porque o período até 94-14 é quando eles estão acendendo e entrando na casa dos parques de pouco a pouco, né? Pra quem viu o filme lembra que eu acho que o período 2024-2014 é quando eles acham aquele cara morando no Porão e ao mesmo tempo a casa deles alaga. Aí diz assim, cara, eu não tinha... Nada disso era verdade.

Agora eu tenho que lidar com esse cara aqui no porão e eu tenho que lidar com o fato que minha casa está destruída. Isso foi 2014 a 2024. Aí a gente sai em 2023, você tem uma mudança de governo.

que é o que a gente está vivendo no ciclo atual, de 2023 até agora, 2026. E o interessante é que a gente começa a viver o mesmo modelo. A gente está no mesmo modelo de uma maneira ou de outra. Por que eu estou falando que a gente está no mesmo modelo? Olha só, o gasto das famílias cresceu.

Se eu não me engano, por volta de 5% no período glorioso. 5,5% no período glorioso. No século XXI, período glorioso. Aí a gente cai para 1% nesse período muito difícil. Putz, cara, é um downgrade grande nesse período 2014, 2023.

E aí a gente começa novamente a 4%. O PIB cresce novamente o mesmo modelinho. O PIB cresce um pouco mais que a tendência de 2%, e você começa a ter gastos da família que crescem acima do PIB.

você vai crescer a 2,5% e 3% e o gasto da família vai crescer a 4%. É o mesmo modelo anterior. Por quê? Porque você começa um fiscal novamente no mesmo modelo anterior, crescendo o gasto a níveis que são compatíveis com o que você crescia ali atrás. Só que você nasce de uma base diferente. Essa base diferente é que agora você tem uma dívida PIB.

que logo você vai ver ela a níveis, já muito além de qualquer país emergente, logo você vai ver ela batendo a níveis de 80%. Você não consegue mais fazer o parafiscal do mesmo jeito, mas que é porque você travou o BNDES, a Petrobras, logicamente, o estatuto melhorou, a governança pública melhorou de modo geral, você não consegue fazer a mesma coisa que você fez no passado, mas você...

cria algumas entidades aqui, algum parafiscal, o parafiscal ainda existe. Basta dizer o seguinte, se você pegar o déficit primário e olhar o comportamento delta de dívida brasileira, ex juros, a nossa dívida cresce mais rápido do que o nosso primário sugeriria. Tem alguma coisa a mais ali que contamina.

os gastos públicos. Mas você começa a tentar emular exatamente o mesmo modelo. Eu tenho um gasto público que é muito além do crescimento do PIB durante esse período. Eu tenho um gasto de famílias que é similar ao que eu tinha no passado, um pouco menos porque eu não consigo fazer tudo o que eu fazia no passado, só que eu já bato em níveis de endividamentos enormes, tanto no setor público brasileiro.

quanto nas famílias que finalmente você chega nesse número mágico e um terço da renda comprometida. É importante a gente pensar em termos de por que a gente chegou a um terço da renda comprometida? Por que a gente chegou a esse nível de endividamento? Por que existiu o sonho da classe? Isso tudo foi parte de um sonho que nunca pôde ser realizado. A verdade é essa. Eu vou argumentar também que algumas coisas aconteceram. Redes sociais.

as redes sociais mudaram o comportamento das pessoas. Se eu entro ali na rede social, e o meu analista está indo para a Tailândia passar férias, eu digo assim, nossa, cara, eu tenho que ir para a Tailândia também. Eu tenho. Eu sou do Rio de Janeiro, eu passava as minhas férias em Iguaba, Rio das Ostras. Era um cara, tipo assim...

meus amigos faziam a mesma coisa viagem para o exterior não existia só que agora não, agora a vida não faz sentido se você não for pelo menos duas vezes por ano para o exterior a vida não faz sentido se eu não puder me instagramar de uma maneira ou de outra então eu acho que as redes sociais você tira fotos, bota no instagram

Não, eu tenho um Instagram que é só familiar e poucos amigos. Eu não aceito ninguém que não seja familiar ou poucos amigos. Não está mais se expondo. Que bom, né? A gente quer natar nessa batalha. Não, eu não faço. Qualquer coisa que eu faço é empresarial. Não tem nada que não seja...

eu gosto, tipo assim, eu sou um cara muito familiar quem me conhece sabe, eu sou um cara muito familiar eu tenho esse jeito falante e tal tagarela, mas eu sou extremamente introspectivo na minha vida pessoal me tira a energia ficar muito exposto socialmente

Então, você chega... Eu acho que as redes sociais foram um fator, e a gente vai falar até depois, eu queria ligar isso até com a eleição e o que está acontecendo no mundo, porque esse fenômeno, gente, de morte da classe média e o desejo da classe média de se manter vivo, porque lembra os 15...

eles queriam essa questão da ascensão social essa questão de inserção social para eles era fundamental e eles não tinham essa capacidade então eles se agarravam a qualquer coisa para poder manter esse sonho de ascensão social, tanto é que a cena final do filme é aquele garoto sonhando que ele vai comprar aquela casa da colina, a casa dos parques para botar os pais dele numa vida decente no final, esse sonho existe ele está presente, mas ele vem com uma outra coisa, Bruno, que e

Eu já vi você falar anteriormente que está acontecendo no mundo inteiro, não é só no Brasil. Por que eu estou dizendo que está acontecendo no mundo inteiro? A classe média morre no Brasil por essas questões que a gente falou. Você tem falta de produtividade, esse custo de dívida altíssimo que a gente tem no momento, e esse custo de dívida altíssimo acontece porque...

você basicamente não aceita um fiscal controlado. Então, com fiscal frouxo... Aí, pessoal, eu sempre digo isso. Ah, mas é o Banco Central, a especulação da Faria Lima. O Tombini tentou. Não é que você não teve o contrafactual. O cara foi lá e tentou. Joga aí a 6, né? E vamos tentar ver se dá alguma coisa. E quebrou o país. A inflação foi a 10. É, e quebrou o país. O cara quebrou o país. A verdade é que estruturalmente a gente nunca aceitou. E quando você compõe a 14,5, aí você gera o seguinte problema, que o problema...

Spark e Kin no Brasil. Quando você joga 14.5 a Selic, os Sparks, eles vão a 14.5. Eles podem comprar até LCI, LCA e grossapar pra ganhar muito perto dos 14. Mas os Kin eles não estão pagando 14, estão pagando 50.

que é quanto custa essa dívida aqui para eles. Os parks, se eles ficarem cinco anos parados, eles dobram o capital. Basicamente isso. Agora, os 15, se eles ficarem dois anos parados, eles têm uma dívida que é o dobro do que tinha anteriormente. Então, parar para pensar o quanto, na verdade, falta de produtividade...

com uma desâncora fiscal. E eu acho que o ponto final do caso brasileiro, que eu lembrei agora que eu gostaria de mencionar, é o fato de que, se você olhar durante todo esse período, a gente cresceu o assistencialismo.

O número de pessoas que recebem um cheque do governo foi crescendo gradualmente durante esse período. A gente começou com o Bolsa Família, começou na unidade com o Fernando Henrique, e ele foi crescendo, ele se consolidou no governo Lula, e ele foi crescendo, ele foi ampliado no governo Bolsonaro. A gente foi criando uma conta assistencialista de gente que trabalha e recebe um cheque do governo que não parou de crescer. Acontece que grande parte dessa conta assistencialista, praticamente a totalidade dela, te tira da pobreza. Absoluta.

mas ela não vai te levar para a classe média. A classe média que eu digo é o mínimo, que a classe média quer ter uma casa decente, quer ter colégio decente, quer ter algum plano de saúde, quer ter alguma estabilidade financeira de alguma natureza em que você diga assim, a vida dos meus filhos vai ser... Eu defendo a classe média assim, eu tenho uma sensação forte de que a vida dos meus filhos vai ser melhor do que a vida que eu tive. Existe uma estrutura aqui para isso.

Outro fator no Brasil, eu vou chegar lá fora já já, porque eu lembrei de outras coisas no Brasil, outro fator no Brasil é o que aconteceu com a parte dos custos que representam a classe média, que é serviço. Bens, eles mantêm a inflação sob controle no mundo inteiro, porque a produtividade do mundo inteiro cresce muito. A gente se beneficia dessa, quer dizer, um iPhone, um Samsung.

Qualquer bem que eu consuma, esses bens têm a inflação contida no mundo porque o mundo se torna mais produtivo e não importa essa produtividade do mundo. Essa parte básica de bens da cesta de consumo, a inflação dela é normalmente linkada até abaixo do IPCA. O que vai muito acima do IPCA é o sonho da classe média. Crash.

dá uma olhada na inflação de creche durante esse período. Saúde, dá uma olhada na inflação de saúde durante esse período. Educação, os serviços em que a classe baixa que quer migrar para a classe média sonhava, esses serviços não estão mais disponíveis. Você não cresceu produtividade, o custo estrutural da economia foi subindo, você teve uma conta de serviços que você não consegue mais pagar. É por isso que o teu amigo...

que não consegue mais ter a empregada dele. Isso foi o assassinato. E a cena que você tem para representar isso é a cena final do Parasita. Qual é a cena final do Parasita? Aquela cena da festa, em que todo mundo aparece, o cara do porão aparece, a família Kim e a família Park descobrem o problema todo.

e você ter aquela cena dantesca do final do filme. Porque você dizer que você tem 30% de endividamento hoje é equivalente a dizer que você está naquela cena dantesca no final do filme. Agora a gente tem o consignado privado. A gente está no mesmo modelo, entendeu? Porque o que começou o boom de crédito pessoal do Brasil foi o consignado lá atrás.

agora a gente repete o mesmo modelo, consignado privado, e já tem gente que recebe zero na folha de pagamento, por quê? Porque o cara vai ter que receber o salário, daí ele paga imposto, daí ele paga o consignado privado, daí ele paga a pensão, porque é uma coisa importante que acontece, economias que não crescem se estabilizam, estabilizam as famílias também, o maior reação de divórcio é financeiro, então o cara, quando pega a pensão, quando paga o consignado privado, quando paga os impostos, a folha de pagamento dele é zero.

Sobra nada. Sobra nada. O cara trabalhou o mês inteiro simplesmente para pagar esses custos todos. Isso é realidade. Eu não estou falando que é uma... Isso é a realidade de várias pessoas no Brasil hoje. Agora, quando você compara o Brasil com lá fora, não é... O que está acontecendo também é a morte da classe média aos poucos. Tanto na Europa quanto nos Estados Unidos.

por que isso? aí é meio diferente aí eu acho que é um fenômeno meio diferente e vai de acordo eu me lembro que você gravou um vídeo, Bruno que é um vídeo sobre pareto

que é a lei da... Eu chamo de pareto a lei da selva, a lei da natureza. Se você deixar qualquer sistema na natureza livre para competir biologicamente, você chega a um pareto. O que é um pareto? 80% da riqueza vai para 20% das pessoas. E se você abrir esses 20%...

20% tem 80% e você vai numa exponencial infinita. E é por isso que, na verdade, uma ou duas pessoas nos Estados Unidos têm mais riqueza do que a metade de baixo da população inteira. Isso não é um destino político.

Isso é um destino que a gente vê em vários lugares na natureza. Você vê alfameios, você vê dominância de poucos indivíduos dentro de um grupo maior, dominância de um gene que toma conta completamente de um grupo. Então, a história humana, de uma forma ou de outra, é uma história de pareto. E você tem situações que são absolutamente limites dessa função, como feudalismo. Você chegou ao limite dessa função, um senhor feudal e diversos vassalos.

Então, a gente tem uma visão, eu acho que romântica, de qualidade social. E eu vou dizer como é que eu acho que isso aconteceu. Eu acho que a gente... A maneira que a gente entende história é muito a história depois da Segunda Guerra Mundial, ou depois das duas grandes guerras.

Depois das grandes guerras, você destruiu muito capital. Muito. Pessoas que eram ricas ficaram absolutamente pobres. Perderam tudo porque a casa foi destruída, porque a empresa foi destruída, porque a fábrica foi destruída. E com a destruição de capital que você teve durante a Segunda Guerra Mundial, você criou uma sociedade mais equalitária. Porque todo mundo partiu. É igual quando teve a peste negra na Europa, em que você matou, em algum lugar, metade da população.

As pessoas que ficaram se tornaram muito mais equalitárias. O seu feudal perdeu o poder dele e quem ganhou o poder, na verdade, foi a classe mais baixa, porque faltavam trabalhadores. E você começou a ter divisão de terra, reforma agrária, em alguns lugares como reforma da agricultura no Reino Unido, por exemplo, foram as primeiras reformas que permitiu que se galgasse em direção à Renascença, que se galgasse em direção à Revolução Industrial.

O que aconteceu depois disso é gradualmente uma acumulação de capital pareto. Você pega as pessoas... Você está chegando ao ponto agora do trilionário. Elon Musk, você chegou ao ponto do... Provavelmente. E mais rápido do que as pessoas esperavam. Porque o compound é assim. Tinha aquelas notícias. O primeiro trilionário já nasceu. É.

Isso há 10 anos, entendeu? Agora ele tem 40 anos. Tem 50 anos o Elon Musk. É porque esses processos são completamente exponenciais. Eles vão devagar e você não percebe. E de repente você entra na fase exponencial desse processo. E quando você entra na fase exponencial, tudo é muito rápido.

Você tem um processo hoje nos Estados Unidos, pega os Estados Unidos, por exemplo, como referência. Eu acho que os Estados Unidos é um excelente processo de referência para a morte da classe média. Os Estados Unidos, se você sair dos centros principais, você vai ver...

Coisas que você não gostaria de ver. O número de pessoas em food stamps, que é basicamente o bolsa alimentação dos Estados Unidos, tem crescido. O sonho americano, da mesma maneira que o sonho brasileiro tem tido dificuldades, o sonho americano tem tido dificuldades. Por quê?

Eu acho que várias etapas. Primeiro, você tem essa constante de pareto, em que se você olhar a concentração de renda nos Estados Unidos, ela continua crescendo. Ah, vai dizer que os Estados Unidos que é capitalista. A China, deixada como está no momento, ela vai fazer um processo pareto da mesma magnitude.

É natural isso. Isso é a lei da natureza. Isso não é fabricado pelos seres humanos. Então você... Tanto é que quando você quis lutar contra... Quando você quis lutar contra foi o socialismo. Você diz assim, olha, eu vou lutar contra esse pareto. Eu não gosto desse pareto. Eu vou ser antinatural.

que é o... Eu vou buscar equalidade de outcome, equalidade de resultado. Cara, olha o que aconteceu, olha o número de pessoas que se matou na China, o número de pessoas que se passou na Rússia. Tentar lutar contra essa lei básica da natureza é muito difícil. A gente tentou e matamos milhares, milhões e milhões de pessoas, o maior genocídio da humanidade foi o que aconteceu na China, na Rússia, Camboja e outros lugares do gênero. É difícil.

Então, esse pareto está sempre no background da economia. Aí entra outra força para compor esse pareto. Logicamente, você traz a China para a sociedade, para a World Trade Organization, para a Organização Mundial do Comércio.

E quando você traz a China, você equaliza a renda global de trabalhadores, mas você desequaliza a renda dentro dos Estados Unidos. Quer dizer, quem é trabalhador de colarinho azul, fábrica, começa a perder renda em quem é trabalhador de colarinho branco.

Basicamente foi essa história dos Estados Unidos nos últimos 30 anos. Aí você vai compondo outros fatores. Primeiro, housing, casa, tem subido em relação à renda no mundo inteiro. E me responde o seguinte, por que diabo casa, que é uma tecnologia que a gente domina desde os sumérios, ela fica cada vez mais cara ano a ano em relação à renda? Exceto no Rio de Janeiro, porque no Rio de Janeiro a economia não anda.

E no valor dos apartamentos não sobe. Mas aqui em São Paulo, onde tem atividade econômica e real crescimento, você tem regiões em que sobe. Mas Xangai sobe. Paris sobe. Zúrich sobe. Nova York sobe. Costa Oeste dos Estados Unidos sobe. Por que esse fenômeno não acontece quando, na verdade, você deveria estar explicado mais barato? Várias coisas. Planejamento. Você tem restrições a planejamento.

Você tem o lobby natural das pessoas que têm casa e que não querem que, na verdade, o valor dessa casa seja diluído, porque a casa virou um ativo financeiro. Casa que não era para ser um ativo financeiro, ele se tornou ativo financeiro, ele está em fundos de investimento. E o segundo vetor foi que o custo de casas foi subindo em relação à renda. Então o cara já perdia a renda para o chinês, ele já sofreu pareto.

E ele começou a sofrer um custo de casas em cima de habitação maior do que esperava, ao ponto que em alguns países da Europa, metade da vida do cara é casa. O cara trabalha para pagar a casa, basicamente. O que eu acho completamente absurdo. Meu pai falou isso para mim. Rui, toma cuidado com o que você considera normal, porque isso vai determinar grande parte da tua vida. Não é normal você pagar 50% da tua renda e habitação. E na Europa, em grande parte, você paga 50% da renda e habitação.

E agora você vive a chamada economia em K. Mas é importante a gente entender. Economia em K é porque os ricos vão ficando mais ricos, vão subindo ali e os pobres vão descendo na parte de baixo do K. Mas por que o K acontece? Já falei todos esses fatores que precedem o K. Quando você entra numa situação em que o valor do seu trabalho está sendo arbitrado por trabalho internacional, ele vai ser arbitrado no momento também por inteligência artificial, vai começar a ser arbitrado por isso.

e a sua renda não cresce, a sua renda real tem um crescimento abaixo do custo da chamada classe média norte-americana, quer dizer, você vai perdendo capacidade real de poder de compra, enquanto um trabalhador de colarinho azul, que seria a classe média, enquanto esse processo vai acontecendo, entra o processo do outro lado, todos os ganhos se dão por ganho de capital.

Enquanto aqui no Brasil é a renda fixa que determina isso, nos Estados Unidos é a renda variável. Então, se você não tem exposição cada vez mais, da mesma maneira que o brasileiro é cada vez mais viciado no CDI, é cada vez mais viciado nos retornos da renda fixa, nos Estados Unidos as pessoas estão cada vez ficando mais viciadas no retorno do S&P.

Você precisa do retorno da S&P para sobreviver, para o seu 401k, para o seu fundo de pensão ali, sobreviver, para que você possa gastar mais. Então as pessoas nos Estados Unidos começam a gastar no momento na expectativa dos retornos futuros da Bolsa.

Isso para quem tem Bolsa, isso para quem tem disposição à renda variável, para quem pode participar de Google, para quem pode participar da Antropic, para quem pode participar desse sonho do setor de tecnologia norte-americano, que cada vez é um percentual maior da Bolsa, cada vez é um percentual maior da economia norte-americana.

Então eu estimo que hoje, ligado à inteligência artificial, 50% da Bolsa americana é de uma forma ou de outra, porque você vai ter as grandes empresas de tecnologia, depois você vai ter as empresas de eletricidade, depois você vai ter as empresas de estruturas, que fazem as estruturas.

tem a geradora de eletricidade, tem a empresa que faz a estrutura do data center, tanto da eletricidade quanto da estrutura física. Quando você vai jogando tudo para dentro, quase metade da bolsa ali é, de uma forma ou de outra, inteligência artificial. O setor financeiro está financiando esse crescimento de inteligência artificial.

Então, se você não está sendo parte desse processo nos Estados Unidos, você está do outro lado, você está morrendo, a tua classe média está morrendo. E aí o que faz? Você vai para alternativas. Qual é a alternativa? Eu digo assim, aparece um cara que diz assim, olha, eu vou ser pro-America, make America great again, e eu vou lutar por você. Esse cara aqui não está lutando por você, eu vou lutar por você.

fica tentador. Você diz que sim. E a gente é engraçado. Eu acho que a coisa mais inútil que existe em qualquer discussão é esquerda e direita. Essa é a discussão mais inútil do mundo moderno atual. Porque até a esquerda brasileira, para se eleger, ela tem que ficar com cara de direita.

A última eleição do Lula tinha Meirelles, tinha todo mundo ali, todos os grandes economistas brasileiros começaram a dizer poxa, é o cara, eu prefiro essa opção. O Lula, sempre que ele tentou a eleição, ele não foi com o Lula de esquerda, ele tentou se eleger e se elegeu com enorme sucesso como uma pessoa carta aos brasileiros.

Vou botar o Meirelles, entendeu? Eu vou trazer pessoas de qualidade. Eu sou fiscalmente responsável. O discurso sempre foi esse. O discurso nunca foi boina do Che Guevara. Então, você discutir esquerda e direita no Brasil, a gente vai chegar nesse ponto da eleição.

ou nos Estados Unidos, eu acho uma perda de tempo enorme. Eu acho que você tem que discutir instituições. Eu acho que você tem que discutir esses grandes fatores, esses grandes movimentos que você sabe que acontecem, você sabe que geram esse pareto, e você sabe que gerando esse pareto vai gerar problemas para você em termos de controle social e eleitoral. Pega a Europa, por exemplo. A Europa é o contrário.

Eu não tenho dado aqui de cabeça, tem sempre quem sabe faz ao vivo, mas o PIB da Europa e dos Estados Unidos, uns anos atrás, duas décadas atrás, era o mesmo PIB. A Europa era até maior que os Estados Unidos. Hoje, os Estados Unidos, se eu não me engano, é um terço maior do que a Europa, porque os Estados Unidos cresceram muito mais do que a Europa durante esse período. Isso tem uma reflexão na estrutura social.

A Europa não está crescendo. A Europa não tem... O K europeu não tem a parte de cima. O K europeu só tem a parte de baixo. O cara perdeu para o chinês. O cara tem perdido agora no mundo de inteligência artificial. O cara perdeu em termos de housing. O custo de housing na Europa é altíssimo. A conta dele só sobe de modo geral, não só serviço, mas conta de energia na Europa. Vai subir novamente. Durante esse período de incertezas no Oriente Médio, a conta dele deve subir novamente.

Ele tem que encher esse gás, depende de gás, depende de petróleo, depende de recursos externos. Esse cara, e o que aconteceu com ele durante a guerra da Ucrânia, foi draconiano em termos de destruição da classe média. Eu pego o Reino Unido, que é uma parte muito perto do meu coração, né? Vivo muito tempo da minha vida no Reino Unido. E tenho enorme admiração e carinho pelo país. Tenho paixão pelo Reino Unido. É triste ver o que está acontecendo ali. Porque pega a situação do Reino Unido. Você... E aí

perdeu a onda tecnológica. Você, ao mesmo tempo, passou por todos esses problemas que o mundo passou. Mas, além disso, você causou o problema, você se causou o problema da Brexit, que foi um problema que custou, não sei, talvez 6% do PIB do Reino Unido, algumas estimativas. E você, olha o que aconteceu com o seu tecido social.

O seu exercício social quebrou completamente. Se você tirar Londres, que é uma fonte de riqueza, e é a casa dos parques. Londres é a casa dos parques. Se você tira a casa dos parques e você olha, o que você tem é uma imensa casa dos 15 no momento. Pessoas que não conseguem crescer renda, pessoas que estão sendo pressionadas por custos, de modo geral, e pessoas que estão perdendo a esperança, que é a pior coisa para a classe média, é perder a esperança que amanhã vai ser melhor que hoje.

A grande coisa de ser classe média é a ambição de que eu vou estar melhor amanhã do que eu estou hoje. E esse cara vai fazer o quê? Esse cara vai buscar opções de voto, de soluções de curto prazo, em gente que não vai ser capaz de trazer essa solução. A verdade é essa. Hoje a gente está conversando aqui, teve eleições locais no UK.

o Reform UK está liderando disparado, gente que nunca gerenciou nada, a Nigel Farage, eu sei disso, eu vi Nigel Farage aparecer, eu vi Nigel Farage crescer, eu vi ele liderar o processo da Brexit, é uma pessoa que não tem experiência de gestão.

e tem uma visão muito... A pior coisa do mundo é quando você tem opiniões muito fortes e, ao mesmo tempo, você não tem substâncias. A gente que faz isso há muito tempo, que trabalha nisso há muito tempo, vocês formaram o Grupo Primo, trabalham nisso há muito tempo, a gente sabe quanto tempo demorou, eu trabalho investimentos 30 anos, demorou para eu...

realmente saber alguma coisa. Quantas vezes eu bati com os burros na água, aprendendo, trabalhando duro, para dizer assim, cara, Rui, 10 anos atrás você não sabia nada. E até hoje, depois de 30 anos, trabalhando nisso, fazendo isso, eu digo, a cada 5 anos que passa, eu me olho 5 anos atrás e digo assim, cara, eu não sabia nada 5 anos atrás. Eu era um idiota. Você vai botar pessoas nesse governo do UK que não...

tem capacidade provada de gestão. Vai ser tipo a galera de Nova York. É igual o Mandani em Nova York. Eu vou acontecer, vai acontecer, dois meses depois, não tem dinheiro. O sonho para qualquer pessoa que já empreendeu na vida, e eu recomendo sempre, meus filhos, uma das coisas que eu digo para meus filhos é o seguinte, eu gostaria muito que você começasse a sua vida como empreendedor, junto com pessoas que querem empreender.

Você me diz que projeto você quer fazer e se você me convencer, eu vou estar junto com você. Eu quero estar junto com você nesse projeto. Porque eu acho que é a maneira que você vai aprender a fazer com pessoas que querem resolver um problema da sociedade e vão trabalhar duro para isso. Em vez de você ir para uma empresa, porque nessa empresa, provavelmente, você não vai, em cinco anos, ganhar a latitude que você pode ganhar tentando fazer alguma coisa acontecer na vida, tentando mudar o destino da sociedade, empreendendo.

Porque empreende sabe quantos anos leva para aprender. Você acha que uma pessoa que nunca gerenciou um país vai conseguir mudar o destino do Reino Unido, que está extremamente difícil nesse momento, da noite para o dia? Não. Você vai precisar de anos de trabalho. Mas anos de trabalho para reposicionar o país. Então, o Reino Unido, para mim, é um exemplo muito grande. Se você ir tirando Londres, o Reino Unido hoje é mais pobre que o estado mais pobre dos Estados Unidos, que é a Mississipi.

ao ponto que chegou a Polônia, se você continuar a Polônia, ter feito uma série de coisas na direção certa, a Polônia, se você projetar, talvez em 2030, tem uma renda per capita maior do que a no Rio de Janeiro.

Em 2030 é agora. Então, você está numa situação em que esse sonho da classe média sumiu. Não só no Brasil, mas nos Estados Unidos e na Europa. E isso tem implicações políticas. Qual a implicação política? Que eu acho interessante conversar. Você tem um... Você tinha um mundo em que o Rubens sempre ganhava uma eleição.

ser incumbente quer dizer que você ganhou a eleição. Aqui no Brasil é a mesma coisa, Fernando Henrique, ganha a eleição. Lula, ganha a eleição. Dilma, ganha a eleição. Incrivelmente, o Bolsonaro perdeu a eleição, perdeu poucos votos. Mas ser incumbente quer dizer Estados Unidos. Estados Unidos, o presidente que não conseguia a reeleição, é shameful, é vergonhoso você não conseguir, porque a tendência, quando o Bush perdeu, o Bush pai perdeu a eleição, a reeleição dele, depois do processo ali,

que todo presidente ia sendo reeleito, Carter, que eu acho que perdeu a eleição também, esse processo era um shameful para a pessoa, porque é a tua obrigação ganhar aquela reeleição. Você tem a máquina na tua mão, você tem o governo na tua mão, como é que você vai perder uma reeleição? Mas está ficando comum no mundo inteiro. Está ficando comum no mundo inteiro que o incumbente...

perca a popularidade rapidamente depois de estar no governo e perdendo essa popularidade não consiga recuperar no último ano, que é uma coisa muito comum, ele perdia a popularidade, recuperava no último ano com a máquina na mão e conseguia sua eleição. Você acha que rede social tem a ver com isso? Total, eu acho total. Eu acho de várias maneiras.

Um dos principais problemas, quando eu digo porque toda pessoa devia empreender na vida, eu acho que empreender dá um sentimento de responsabilidade pessoal, um crescimento de responsabilidade pessoal, que é muito difícil você ter e amadurecer sem que você passe por essas dificuldades. Uma pessoa que não passou por dificuldades na vida.

e não teve que vencer esses obstáculos, amadurecer para ela é muito mais difícil. E a maioria das pessoas, na verdade, não amadurecem na vida. Homem, principalmente, se não forma família, e se não tem a responsabilidade de lidar com o lar, só muda o preço dos brinquedos na vida. Ele vai comprando brinquedos cada vez mais caros, mas ele não amadurece. E a maioria das pessoas, na verdade, não... Isso foi genial, Rui, eu vou lembrar disso perto da minha vida. Há muitas vezes que você falou aqui. Muito bom.

Mas o cara que não amadurece, a parcela da sociedade que não amadurece, que é a parcela não trivial da sociedade, ela acha a rede social como um campo extremamente fértil para ela para colocar a culpa do que aconteceu na vida dela em outras pessoas. Então a culpa não pode ser minha. A culpa é do Bolsonaro, a culpa é do Lula, a culpa é do Trump, a culpa é do Biden. Alguém tem que ser responsabilizado pelo que está acontecendo comigo. E normalmente você vê redes sociais e dizem que no Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay

Inclusive, eu acabo lidando muito com isso nesse processo que eu faço de tentar passar conhecimento, dividir. Cara, às vezes eu pego os comentários, eu dou risada, eu digo assim, cara, como é que o cara tem tempo de vida para entrar e colocar um comentário desses, tipo assim, numa coisa que não tem nada a ver com ele, que não vai beneficiar ele em nada, que não vai mudar a vida dele?

Por que entrar e colocar um comentário desse? E vocês vivem isso também no dia a dia, você deve se perguntar. Porque existe uma imaturidade na maioria das pessoas que você tem que transferir a culpa do que está acontecendo com você para alguém. As redes sociais são extremamente férteis. E as redes sociais refletem comportamentos que você vê desde a Bíblia. O ser humano não mudou muito.

E todo esse embate social, sempre... Keynes tinha aquele sonho, John Marr Keynes tinha aquele sonho de que quando o mundo se tornasse muito produtivo, as pessoas iriam trabalhar menos e elas iriam dedicar mais tempo ao lazer e à vida pessoal delas.

E não aconteceu. Com exceção de algumas partes da Europa, que daqui a pouco talvez esse processo até se reverta, a China está na escala 996. Trabalha de 9 da manhã às 9 da noite, seis dias por semana. A gente aqui no Brasil trabalha horas longas normalmente. Só quem tem escala 6 por 1, essas coisas assim, CLT... A gente que empreende é todo dia. Eu trabalho domingo a domingo. Domingo eu estou sentado trabalhando. E eu...

esse... Cara, me perdi aqui. Onde é que eu estava mesmo, cara? A gente estava falando sobre... Você estava falando sobre essa questão de que, olha, o Keynes achava... Ah, o Keynes achava, o Keynes, exatamente. O Keynes achava que isso ia acontecer e não aconteceu. O que aconteceu, na verdade?

um sistema muito mais primário do ser humano. Qual é o sistema primário do ser humano? É competição e é reconhecimento social e é respeito social. O ser humano luta principalmente, principalmente homens. Eles lutam por respeito social. É isso que eles querem. Para mim, um filme que eu vi que mudou a minha vida, você sabe que eu gosto muito de cinema, mas o filme que mudou a minha vida de eu sentar e refletir muito foi Birdman.

com o Michael Keaton. Eu não vi esse filme ainda. Cara, esse filme é maravilhoso. Esse filme é maravilhoso. Por quê? Birdman é uma luta por relevância. E eu nunca esqueço o Jim Carrey, que é um cara maravilhoso, um cara que passou por problemas psicológicos sérios. Eu queria que todo mundo tivesse sucesso na vida.

para perceber que isso não vai resolver o seu problema. Aquele discurso que ele faz, quando ele ganhou o segundo Globo de Ouro, que ele diz assim, nossa, agora quando o segundo, que é uma coisa fantástica para qualquer ator, um já é fantástico, dois é incrível, agora quando eu durmo de noite, tudo que eu sonho é ser Jim Carrey, o cara que ganhou três vezes o Globo de Ouro, porque daí vai ser o suficiente. Daí finalmente...

Eu vou me satisfazer. Mas a luta do ser humano é uma luta por relevância. As pessoas querem se sentir relevantes. As pessoas são... A gente nasceu... O nosso objetivo é competitivo de uma maneira ou de outra. Olha os nossos... Os seres que são os DNAs mais perto da gente. Primatas, chimpanzés. São sociedades extremamente... Chimpanzé, por exemplo, que é o mais perto da gente. Extremamente competitivas e agressivas.

A história do ser humano é competitiva e agressiva. A gente é homem das cavernas rodando em software do século XXI. É o que a gente é. O software já controla a gente, mas tem um homem das cavernas ali que se deixar solto, meu amigo. Ele está presente em milhões de anos de evolução. Então, eu acho que a rede social solta esse homem das cavernas.

Por alguma razão, ela te dá meios de comparação que você não tem tão na sua cara normalmente. O Instagram te dá, putz, cara, olha o cara aqui. O meu vizinho está indo para a Tailândia, cara. Putz, eu não posso passar minhas férias em Iguaba. Aqui no São Paulo deve ser o quê? Ou Batuba, não sei. Eu não conheço as férias em São Paulo. Não, como chama? Que a gente foi? Guarujá. É, eu não vou passar minhas férias no Guarujá se meu vizinho está passando as férias na Tailândia, né?

Então, primeiro, ela gera um meio de ressentimento social que é muito presente, um meio de comparação social, que a gente não estava acostumado com esse tipo de comparação social, não necessidade. Segundo, ela te dá a capacidade, que é o que a gente tem em qualquer vídeo que a gente grava, da pessoa, sem dar nomes, com uma máscara, com relação à sua personalidade.

Entrar e falar o que você quiser, na hora que você quiser, sem consequências, né? Então entra ali um cara que é uma sopa de letrinhas e bota um comentário horroroso, né? Sobre você. E é isso. E você solta a sua agressividade. As pessoas soltam a agressividade delas ali, né? É só você entrar em eleição. Qualquer Instagram de político, qualquer vídeo de político, que as pessoas entram para escrever barbaridades naquilo ali. O Bruno fala uma coisa muito boa. Ele fala...

Não existe hater ao vivo. Eu nunca encontrei um hater ao vivo. Porque ele escreve na internet, né? Agora, chegar e falar pra você assim, ao vivo, não consegue. Não, as discussões da internet, elas chegam a níveis homéricos, assim. O cara ofendendo gerações da sua família. Só que ao vivo ele nunca falaria aquilo.

sempre tem a sombra de enfrentamento físico. Na internet não tem isso. Eu acho que é exatamente isso. Que é sempre o que mantém a sociedade civilizada, principalmente entre homens. Em algum momento você tem o medo do enfrentamento físico e dali as consequências são grandes. Eu te interrompei. Você falou que agora na política o pessoal está lá escrevendo um monte na internet.

é terrível, é tipo assim esse sentimento de comparação ressentimento sobre coisas que na verdade em muitos casos não são verdade a minha vida não é o Instagram certamente ela não é o Instagram e esse campo fértil pra você soltar a tua agressividade, a gente nunca teve no X

como empresa, com grupo empresarial, a gente nunca teve, a gente optou, eu não quero estar nessa plataforma, porque é um meio muito agressivo, e não vai fazer bem para a nossa empresa estar nesse meio tão agressivo que é, enquanto vamos para plataformas, plataformas em que representem o tipo de pessoas que a gente quer passar essa informação, porque eu acredito que o cara que chegou até aqui, já com...

uma hora e vinte de podcast, esse cara está interessado em conhecimento. Aliás, podcast para mim sempre foi a coisa mais incrível que se desenvolveu nos últimos dez anos, porque eu nunca esperava que alguém sentasse duas horas simplesmente para receber conhecimento. Eu achava que esse mercado não existia. E esse mercado, na verdade, é gigantesco. As pessoas sentam duas, quatro horas.

para escutar conhecimento, eu acho que até substituiu, em grande parte no mundo, o mercado de livros. Porque as pessoas hoje, eu acho que leem menos e assistem mais conteúdo via podcast. Aliás, meu tempo não é mais leitura como era antes. Meu tempo é um quarto.

podcast, All In, grandes podcast, Joe Rogan, Lex Friedman, né? Pô, quantos fantásticos você tem ali. Depois eu vou gastar 25% do meu tempo batendo papo com o modelo de inteligência artificial, que são meus melhores amigos do momento, né? Depois eu vou gastar um quarto do meu tempo em troca de informação, coisa que a gente tá fazendo aqui, troca de informação, tentando aprender um pouco mais, e talvez um quarto em leitura, quer dizer, mudou completamente o tipo de fonte de informação.

Mas as redes sociais fizeram, de um modo ou de outro, a famosa tia do zap, de uma maneira ou de outra, igual a Miss Watanabe, de japonesa, a tia do zap no Brasil. Isso gerou um fator que faz com que...

Você tem que colocar a culpa do que está acontecendo com você em alguém. Logicamente, quem está no poder no momento é a pessoa que deve receber a culpa primeiro. E essa pessoa recebendo a culpa primeiro, ela tem menos possibilidade de se eleger. Eu acho que esse é o processo.

O que nos traz para a eleição atual. O que nos traz para pensamento. Vai ter mudança de governo ou não vai ter mudança de governo? Que é o que as pessoas mais querem saber no momento. E de cara eu vou dizer para vocês. Eu não tenho a menor ideia. Mas é igual... Tem vários assuntos que eu falo assim. Olha, eu não sei e eu não quero nem pretender.

nem fingir que eu sei, mas eu vou te dar todas as dicas do que eu acho que você está olhando, para que você não viva de esperança, mas saiba interpretar os sinais. Eu acho que é uma coisa principal que já começou. O incumente normalmente não se elege no mundo.

As pessoas querem mudança de uma maneira ou outra. Eu fiz uma palestra de uma vez para um grupo muito seleto, de excelentes pessoas, de excelente qualidade, em que eu falei de vários assuntos. Um dos assuntos, logicamente, era o processo político brasileiro. E, no final, o fundador daquela grande instituição, uma instituição de respeito no Brasil, ele pegou a palavra e disse assim, Rui, eu entendi tudo o que você falou, eu concordo com tudo o que você falou, mas eu quero dizer o seguinte, eu quero, eu acho que a gente tem que ter mudança de governo nesse momento.

E não deu nenhuma razão específica para isso. Mas ele disse assim, eu acho que existe uma pessoa sínora, uma pessoa logicamente super informada e com grande senioridade, falou, eu acho que a gente tem que trocar. Eu acho que não dá para continuar, a gente tem que trocar. A opinião dele naquele momento, mas reflete esse tipo de desejo, esse tipo de que, cara, a gente tem que buscar um novo caminho de alguma maneira. Então esse é o fator contra o incumbente no momento. Eu vou te dar um outro fator que eu acho interessante para você pensar. Qualquer produto envelhece.

Sim. Eu envelheço. E a maior luta que eu tenho dentro do meu negócio, do nosso negócio, que eu acho que deve ser até parecido com vocês, é não deixar o negócio envelhecer. Sim. Não deixar. Passar para a próxima geração, ter certeza que o público jovem está junto da gente, ter certeza que a gente tem uma proposta que traga os jovens para junto da gente. Eu adoro fazer palestras. Fui chamado para uma palestra que eu vou adorar fazer.

que é para pessoas de alta renda, mas não para pessoas de alta renda, para os filhos das pessoas de alta renda. Isso eu acho fantástico, ter capacidade de falar com essas pessoas. Eu gosto muito de levar meus filhos para esses eventos, porque é manter os jovens, manter os jovens. E a proposta que a gente tem atual de governo, ela está envelhecendo, a verdade é essa. A proposta atual de governo tem mais de 80 anos de idade.

Queira ou não, eu acho até louvável a maneira que o presidente tem mantido a sua forma física. Isso aí é digno de nota, realmente. É louvável. Muita vitalidade para a idade.

Mas é um produto que envelheceu. E é um produto que envelheceu junto com uma proposta que envelheceu de alguma maneira. Então, se você olha o perfil de votos do incumbente, o perfil de votos do incumbente do presidente Lula tende a ir para o espectro de maior idade. Se você olha para o espectro de menor idade, ele não tende a votar no presidente Lula. Até o fenômeno que tem acontecido recentemente com uma pessoa como o Renan Santos.

o Renan Santos está muito na parte jovem da população que quer alguma coisa diferente é muito difícil eu ter 20 anos de idade e me identificar com uma pessoa de 80 é naturalmente difícil o próprio jovem, eu tenho dois filhos eu tenho um filho já com 18 anos de idade ele tem dificuldade de se identificar comigo em muitas coisas porque ele já vem de uma outra geração ele olha pra mim e diz assim tu é legal, tu é bacana mas eu já represento outra coisa e diz assim e diz assim e diz assim e diz assim

que você não representa. Ele deve falar bem assim, mas... É, é. Um retrato que você está citando aqui, Rui, é que eu lembro quando eu tinha 18 anos, né? Tinha muita campanha da esquerda no Rio de Janeiro, falando jovem, vote. Vote. Você pode começar a votar antes, tira o seu título para votar. E agora esse ano, quem fez campanha foi a direita. Para que o jovem tirasse o título e fosse votar. Então você vê uma mudança realmente.

nessa questão do espectro político das pessoas mais jovens. E eu queria aproveitar esse ponto que você citou para fazer uma pergunta, porque no Exército a gente sempre falava que um general está sempre pronto para lutar a sua última guerra. E talvez por isso até o Lula tenha esse mesmo modelo de política. Não dá crédito...

Isso aqui vai resolver a economia. E aí você fala, olha, tem essa dinâmica de diminuição da classe média no mundo todo, mas o Brasil tem algumas características diferentes de outros emergentes. Um endividamento muito mais alto, por exemplo. E não só mais alto em termos de dívida PIB, com juros também hiper alto, se você pega os seus comparáveis. Você acha que...

Aquela piada de economistas que diz que existem quatro tipos de países. Desenvolvidos, emergentes, Japão e Argentina. Vai ter um quinto país, assim? Porque o Brasil está realmente descolando dos demais em certos aspectos ou não? É algo que dá para resolver num próximo governo? Eu acho o Brasil muito fácil de resolver.

Muito fácil de resolver. Se você olha matematicamente, se você chega de Marte agora, não dá as contas desse país aqui, cara. Deixa eu ver isso aqui. Deixa eu dar uma olhada. Ah, cara, é rapidinho. Aqui, deixa eu tirar umas desonerações. Deixa eu aqui... Demite metade do governo.

dou uma acertada no crescimento do gasto público, tiro umas desonerações, aumento o imposto aqui e ali, faço a coisa mais balanceada. Ah, eu consegui 3% aqui de primário e dá para tocar a vida para frente. 3% de primário, não hoje, mas em 4 anos eu consegui 3% de primário e dá para tocar a vida para frente. Matematicamente, o Brasil é muito fácil de acertar. O juro futuro já cai para caramba. Já cai para caramba e você vai num processo virtuoso. Você vê como é fácil acertar o Brasil, é só pensar em 2016.

Quando a gente estava quebrado, eu tinha discussões enormes em 2015 se a gente estava em dominância fiscal ou não, dez anos atrás. E, de repente, você bota um teto de gastos, você faz algumas reformas e o país acha o eixo razoavelmente rápido.

Quebra e quebra rápido. E quebra rápido. O problema é que as instituições são ruins. O problema é que a nossa história gerou um país de instituições. Quando Franklin, Madison, estou falando dos fundadores dos Estados Unidos, Franklin, Madison, Hamilton, quando eles fizeram a Constituição, em 1792, eu acho, foi em 76, 82, acho que foi em 92 a Constituição.

92, 82, 92, eu acho. Se eu errei, eu errei uma década. Vamos lá. Quando eles fizeram, eles saíram e perguntaram que tipo de governo vocês estão trazendo para a gente. Disseram, uma república, se você for capaz de mantê-la. Por que os fundadores falaram isso? Porque todo exemplo de república que tinha tido desde Roma tinha dado errado.

Você fez uma república em Roma, deu errado, veio César. Daí você teve alguns exemplos de república, Veneza, e tudo terminava rápido. Você não tinha uma continuidade, o mundo não tinha tido uma experiência de república de sucesso. Os Estados Unidos ia ser a primeira república que pretendia ser uma banca de sucesso. Então as pessoas olhavam e diziam assim, cara, dá errado. E os fundadores, os fundadores...

Achavam que aquilo ia dar errado. Eles não imaginavam que você poderia fundar uma república nos Estados Unidos e eu acho que os fundadores olhariam para os Estados Unidos de hoje de boca aberta. Eu não acredito que eu fundei isso. Eu não acredito que o que eu fundei se tornou isso.

O problema no Brasil é que a gente, como a gente não tinha, quando a gente quis fazer a República, a gente herdou todas as instituições dos Estados Unidos. A gente copiou todas as instituições. A gente começou copiando até a bandeira. A bandeira proposta era a bandeira dos Estados Unidos, verde e amarela. Então a gente copiou tudo. Copiou a Câmara, o Senado, a Suprema Corte. É tudo. Uma estrutura de federação que não era... Nada era natural ao Brasil daquela época.

e você forçou a liguela abaixo da cultura brasileira, que foi uma cultura que se formou dentro de uma monarquia, você forçou, num golpe de Estado, que ela se adaptasse a uma república. E aquilo ali, como na verdade, porque é diferente, os Estados Unidos nasceu de baixo para cima. Foram 13 colônias que mantiveram poder ali e uma briga de poder, de balanceamento de poder entre o sul e o norte dos Estados Unidos.

que gerou, depois do final da guerra, da Revolução Americana, da guerra com a Inglaterra, foram muitos anos para se discutir se ia ter um governo central, que tipo de constituição ia ser, como o poder ia ser dividido entre os estados e o governo central, que tipo de pessoa lideraria, ia ser um rei, ia ser um...

o presidente, porque existia desconfiança com relação ao poder central. Daí foi ratificada, a Constituição foi ratificada de pouco a pouco, foi um processo orgânico que gerou aquilo. Aqui no Brasil, a maior coisa foi a fórceps de cima para baixo. Fórceps não, foi na força de cima para baixo. E indo na força de cima para baixo, você criou a Primeira República do Café com Leite.

em que, na verdade, foi coronelismo, votos cerceados de cabrecho local, divisão do poder ali entre elites, que acabou batendo numa série de experiências ditatoriais. Vargas é o exemplo clássico brasileiro. Vargas é o exemplo clássico da falta de instituição dentro de uma república. Você começa uma república, primeiro uma república de coronelismo, café com leite, depois você parte para Vargas, que virou uma ditadura.

depois você parte para uma série de golpes de Estado que acabam em 1964 com outra ditadura, e daí você emerge disso um país de instituições ainda fracas, que é o que a gente tem hoje. A gente copiou uma Suprema Corte dos Estados Unidos e a gente deixou essa Suprema Corte desvirtuar de uma coisa que era constitucional e começou a julgar casos corriqueiros.

Bocomaster foi parado na Suprema Corte, coisa do gênero. Você não pode contaminar uma corte constitucional que a gente deixou contaminar no Brasil de uma maneira ou de outra. As instituições brasileiras, hoje em dia as pessoas falam que muito problema do Brasil é o executivo. O problema está no executivo.

Mas a verdade é que o problema do Brasil se dividiu entre os poderes. Eu acho que as pessoas vão se surpreender, se a gente tiver uma alternância de governo, vão se surpreender o quanto difícil vai ser acertar a situação da Câmara em termos de incentivos. Porque o Brasil gastou tanto fiscalmente que o Executivo não consegue fazer praticamente nada. Eu vou pedir dinheiro para o Executivo. É difícil, porque o orçamento da União está todo amarrado. Nada é discricionário, tudo é gasto obrigatório.

não tem nada que você possa fazer com aquele gasto. Já está todo destinado. Tanto é, por que o orçamento do relator, por que as emendas do relator, que era o orçamento secreto, por que ficou tão importante? Dá-se dizer assim, mas não é nem tanto dinheiro assim, mas o dinheiro que pode ser usado é quase o dinheiro todo. Do dinheiro que eu posso fazer a chamada emenda PIX?

Isso é quase tudo que pode ser feito. Então, a Câmara, hoje, centraliza o gasto, que é o gasto discricionário, está na mão dela. O presidente da República praticamente não pode fazer nada no momento. Tanto é que a Câmara não precisa mais do presidente. E ela não precisa mais do presidente, o que ela faz? Ela, na verdade, ganha uma dinâmica dela mesma. O que é ganhar dinâmica dela mesma? Você usa o orçamento da União em prefeituras locais, em governos locais, e ela diz que ela diz que ela diz que ela diz que ela diz que ela diz que ela diz que ela diz que ela diz que ela diz que ela diz que ela diz que ela diz que ela diz que ela diz que ela diz que ela diz que ela diz que ela diz que ela diz que ela diz que ela diz que ela diz que ela diz que ela diz que ela diz que ela diz que ela diz que ela diz que ela diz que ela diz que ela diz que ela diz que ela diz que ela diz que ela diz que ela diz que ela diz que ela diz que ela diz que ela diz que ela diz que ela diz que ela diz que ela diz que ela diz que ela diz que ela diz que ela diz que ela diz que ela diz que ela diz que ela diz que ela diz que ela diz que ela diz que ela diz que ela diz que ela diz que ela diz que ela diz que ela diz que ela diz que ela diz que ela diz que ela diz que ela diz que ela diz que ela diz que ela diz que ela diz que ela diz que ela diz que ela diz que

Isso elege prefeitura, vereador, que é para eleger deputado federal. Quando você elege deputado federal, o deputado federal determina o orçamento, as emendas do relator vêm da Câmara, você tem o tempo de televisão, você tem a verba eleitoral, tudo está ali determinado. Então o Brasil é hoje um sistema em que o deputado federal ficou muito importante.

em que esse sistema funciona muito bem. Você vai ter que atacar isso, se você quiser fazer uma reforma. A própria Câmara, que é a Câmara que vai ter que começar por essa reforma, você vai ter que, o Legislativo vai ter que agir nisso para fazer a reforma que a gente tem que fazer, que tem que gerar mais ou menos 3% de superávit primário para a gente não bater na parede.

Essa importância hoje de você ter um legislativo que entenda esse problema e vai agir na direção desse problema é uma coisa absolutamente fundamental no Brasil. É a coisa mais importante. O executivo pode patrocinar isso, mas ele não tem poder de voto nisso. O executivo não pode fazer nada, o orçamento está todo travado, todo travado. O executivo simplesmente vai lá e executa um orçamento que está travado. Você vai pegar o ministério hoje, o seu orçamento está todo travado.

Tem pouco o que você pode fazer discricionário no momento. Então você vai ter que mexer na instituição da Câmara. A Câmara vai ter que se... Você vê um exemplo, que para mim é muito emblemático disso. O Haddad, uma das propostas do Haddad, quando ele fez o corte de custos ali, quando a gente teve a crise do dólar a seis, em dezembro de 2024, foi atacar os super salários. Que vamos ser sinceros, tipo assim...

A gente falou da classe média que está amassada. A classe média amassada, destruída nesse país, o cara que sai, não sabe se volta para casa, é roubado no ponto de ônibus, não tem saneamento, não tem educação, não tem saúde, tem medo do que vai ser o amanhã, não consegue dar uma esperança para o filho dele, esse cara está pagando o super salário. Esse cara está pagando o super salário. E o presidente Haddad, dentro do processo, tinha uma proposta de atacar o seu salário que foi engafetado.

que não foi para frente, entendeu? Dentro da Câmara. Eu fico pensando, você acha que vai mudar as coisas? Porque o Jordano Bruno, aquele que foi queimado pela igreja, ele falava que é muita ingenuidade pedir para quem detém o poder para reformar o poder. Então são eles mesmos que vão ter que reformar as estruturas que beneficiam eles.

Porque, como você disse, se um marciano chega aqui e olha e fala cara, é fácil resolver isso. Até ele começa a falar com os políticos. Aí é muito jogo de interesse que eu não sei se a coisa vai andar. Existe uma esperança no Brasil, que não existia na Argentina, que deixou de existir na Argentina. A esperança do Brasil, eu vou te dizer qual é. 95% do dinheiro dos brasileiros está aqui dentro.

E os políticos têm o dinheiro deles todo aqui dentro também. As empresas estão aqui dentro, os interesses financeiros deles, os interesses empresariais deles estão aqui dentro. A razão que o Brasil não quebra, a razão que o Brasil vai até o limite do abismo e volta, é porque o dinheiro do brasileiro está aqui dentro. O carrapato não pode matar o boi. Exatamente, o carrapato não pode matar o boi. Então, de uma maneira ou de outra, a gente vai ao limite do Brasil, mas volta.

A Argentina quebrou e não voltou do limite porque os argentinos tiraram todo o dinheiro da Argentina e todo o dinheiro da moeda local. E, nesse sentido, a Argentina se deixou quebrar. Ou foi embora quebrar. Por isso que eu digo, lembra da vela para o pessoal da PUC-Rio. Mas a Argentina quebrou dentro de um processo desse tipo. Mas o que eu quero dizer é o seguinte. Como a gente tem esse pecado original de instituições muito fracas...

que a gente tirou no Brasil, a gente tinha no século XIX, um Brasil que, por padrão da América do Sul, isso no programa que eu fiz, História do Brasil, mostra muito claro, que é um padrão para a América do Sul, um país muito bom, institucionalmente bom, um país estável. Tanto é que, eu já vi o Guilherme Freire aqui falar isso no teu programa, que fala assim, pega umas fotos do Rio de Janeiro de 1920 e olha o que era o Rio de Janeiro em 1900.

O Rio de Janeiro que emerge, o Brasil que emergia do governo monárquico indo para a república, era um lugar, existia uma organização institucional, existia um respeito institucional para padrões do século XIX para virar do século XX. Lógico que eu não estou falando do mundo atual. Isso num mar de calma, num continente que estava sempre em pancadaria, sempre com problemas. A gente era um mar de calma aqui no Brasil, estabilidade.

É um Brasil que, desde a abertura dos portos, foi um país que foi desenvolvendo instituições durante o Segundo Reinado. Essa virada republicana foi um pecado original. A gente não conseguiu reconstruir essas instituições.

E hoje essas instituições estão representadas no Rui, no Bruno, no setor privado. A gente tem um problema institucional, não vamos negar que ele existe também no setor privado. O brasileiro, de modo geral, desconfia um do outro, ele não confia um no outro. Baixa confiança. Baixíssima confiança. Capitalismo é confiança.

sempre confiança, ele está representado no Legislativo, ele está representado no Executivo, ele está representado no Judiciário, ele está representado em todas as camadas da população, porque logicamente o pessoal da Câmara, do Judiciário e do Executivo não chegam de Marte, eles chegam da sociedade como um todo, e a gente tem esse pecado original, institucional que corrói a gente então, eu acho que sim eu acho que a gente volta, a gente voltou em 2016

A gente voltou em 94, a gente voltou em várias situações, eu acho que sim. Mas você acha que a volta se refletiria numa ascensão da classe média? Porque como você citou, nos 10 anos, 2014, 2023, renda per capita do Brasil parada. Na década de 80 isso também aconteceu. Mas em 80 você tinha a parte de baixo da conta, a per capita, crescendo, né? O Brasil crescia a população. Agora a gente está numa fase de estagnação e daqui a pouco vai chegar um decréscimo.

Então eu fico pensando, cara, a gente deixou de crescer a renda per capita com a população parada. Como é que vai ser o futuro disso? Até porque é uma população parada, mas envelhecendo. Uma estatística que, não digo que passou batida, mas eu vi pouca gente falando disso ano passado, foi que em 2025, pela primeira vez, o gasto com previdência pública passou de um trilhão.

E agora não volta mais. Até porque a fila do INSS está gigante. Então o negócio vai continuar andando, amassando. A única esperança da gente é a produtividade. A única esperança da gente é que coisas como inteligência artificial, robótica, permeiem a economia brasileira e a gente possa, novamente, que eu digo...

esse processo que a gente abandonou ou que a gente perdeu em 1970, a gente não soube migrar para a nova fase depois de 1970, que a gente traga isso de volta. Sem crescimento de produtividade, não tem esperança para ninguém. Sem crescimento de produtividade, a renda média do país não vai crescer. Sem crescimento de produtividade, os problemas não vão desaparecer. A única coisa que está melhorando no Brasil recentemente, incrivelmente com o envelhecimento da população em alguns lugares como o Rio de Janeiro, é que a violência agregada está caindo.

porque não tem mais tanto jovem e conforme as pessoas vão envelhecendo, elas vão se tornando menos violentas no agregado com a natureza do ser humano. O ser humano é muito violento, principalmente homens, são muito violentos ali no começo da puberdade, até mais ou menos os 30 anos, e passado disso a violência cai mais. Eu estou falando da violência que é um principal problema do Brasil, eu acho que é violência.

Porque eu não consigo fazer negócio com violência. Eu não consigo sair na rua com violência. Eu não consigo montar uma coisa. Se eu monto uma coisa, um miliciário bate na minha porta no outro dia, eu não tenho segurança institucional para manter o meu negócio. Então, a violência é grande parte do problema que a gente vive hoje. E o Brasil, sem violência, seria um país bem diferente do que ele é hoje. Tanto é que a violência passa a ser uma das pautas principais da eleição.

E a gente vai bater nisso. E a gente vai ter essa eleição dentro de tudo que a gente falou. Lembra da cena final? Não sei se você se lembra da cena final de Parasita. Eu lembro. É que pode dar spoiler aqui? Dá um spoilerzinho. No final teve briga. Tem quantos anos?

Seis anos. A culpa é de vocês que não viram, tá, pessoal? Mas termina numa festa. Festa de aniversário, né? É a festa de aniversário da filha. E aí, no final, você tem assassinato. A família... Todo mundo se matando, gente. Não, e o pessoal... Eu não lembro quem matou quem, mas acho que era o patriarca da família Kim que matou o cara da família Parque. Foi isso? Não, tem o...

Eu não lembro exatamente quem morre, mas eu lembro a maneira que as pessoas morrem. É sangue para tudo quanto é lado. E sendo sangue para tudo quanto é lado, eu acho que representa bem o conflito social atual no Brasil. O cara está endividado com 30%, ele está chateado, ele sai na rua, ele é roubado no ponto de onda, recebe o salário dele.

é roubado, ele olha a situação que está acontecendo em diversos níveis no Brasil e diz assim, poxa cara, eu acabei de ter um escândalo de corrupção vindo de 2014, agora 10 anos depois eu tenho outro escândalo de corrupção, o que mudou nisso tudo, a minha vida, eu tenho um sentimento que minha vida não está andando pra frente e a gente vai ter essa eleição, eu acho que muito nesse ambiente de...

realmente facada ali, num ambiente difícil, num tecido social que está muito desgraçado. E eu gostaria de falar para as pessoas, minha concepção, vamos ter maturidade nesse momento, maturidade no seguinte sentido. Eu acho que as pessoas pensam assim, olha, se tiver, eu acho que esse é o pensamento básico da maioria das pessoas.

Se tiver um incumbente, a gente vai ter problemas. A Faria Lima não vai gostar se tiver um incumbente. Se tiver a reeleição do presidente Lula, não vai gostar. A gente vai passar para um período difícil. E se tiver uma alternância de governo, a Faria Lima vai gostar e vai ser bom. Eu vou comprar o Ibov. Eu vou argumentar que os dois processos vão acabar no mesmo ponto. Por que eu estou falando isso? Vamos supor que eu reeleja o presidente Lula. E vamos supor que os comentaristas estejam certos. A Faria Lima não vai gostar.

Aí você tem um processo em que você vai esgarçar os ativos brasileiros. O pessoal que é investidor, a maioria das pessoas que estão nos ouvindo tem um interesse em investimento. Mas daí você vai bater naquele ponto que eu falei da beira do abismo. E na beira do abismo, o Brasil tende a encontrar caminhos. No limite, tira-se um presidente e coloca-se outro. E a gente vai achar o caminho, um teto de gastos, uma reforma, que vai levar a gente aqui. Lula 4 pode terminar sendo uma Dilma 2, então.

Pode ser uma coisa assim, porque o Brasil é o seguinte, no Brasil, se você chega ao ponto em que você acha que vai quebrar, pode ser Deus que esteja ali, meu amigo. Alguém vai arrumar uma solução política com a força que a Câmara tem hoje nesse mundo, que o Congresso tem. Ah, meu amigo, pode ser nosso senhor, você vai trocar isso aqui. Então você vai ter o período difícil para voltar aqui. Agora, eu acho que o caminho que as pessoas não percebem é qual seria o caminho da alternativa. A não ser que essa alternativa seja um iluminado.

seja uma pessoa realmente de luzes, você vai ter uma euforia inicial. Vamos supor, o nome Flávio Bolsonaro. Você vai ter uma euforia inicial.

Vamos ser sinceros, Flávio Bolsonaro nunca gerenciou nada. Ele foi deputado, mas ele nunca foi um gerente, ele nunca comandou um país. Ele nunca comandou um processo político dessa magnitude, dessa dificuldade. E como a gente falou, quando empreendedorismo demora tempo para aprender. Olha o Zema, que eu acho um cara bem intencionado, que saiu do meio privado, era um gestor. Olha como foi difícil Minas Gerais para o Zema. Um cara que tinha experiência de gestão, me parece, pelo que falam, uma pessoa inteligente. Eu acho articulado, inteligente, que eu acho que...

com prova de capacidade empresarial. Olha, a dificuldade foi em Minas Gerais. Imagina a dificuldade que é o Brasil para o Flávio Bolsonaro. Aí você vai chegar e vai ter a inicial, mas vai pegar o quê? Mesmo problema, uma Câmara super forte, vários interesses que têm que ser lidados no momento, um processo político que vira um parlamentarismo disfarçado em vários aspectos, e você vai ter que lidar com isso.

em algum momento essa expectativa aqui vai ter que convergir para essa realidade daqui. Você vai ter que fazer reformas difíceis, você vai ter que fazer o processo difícil, você vai ter que passar pelo desgaste. E talvez esses dois processos converjam para o mesmo ponto. E o mesmo ponto é, você vai ter que passar para um ponto de estresse, um ponto em que as coisas sejam difíceis para que você tenha essa junção crítica em que você possa passar para o próximo estágio da história brasileira. Eu não sou nem Cassandra, e eu vou ter que Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay Nay

nem poliana nesse aspecto. E eu acho que a quantidade de tempo que é perdida nesse papo cassandrico ou poliânico com relação ao Brasil é muito grande. Eu acho que o interessante não é esse ponto ou esse ponto aqui. O interessante é esse acesso de contas. Como é que você vai fazer? Porque a gente já... Eu acho que a gente já viu vários exemplos na história.

dos estados, da história brasileira, do quão é difícil você fazer essa transição com sucesso. O Temer, eu sempre digo isso, para fazer isso, teve 5% de popularidade e não conseguiu nem ser candidato.

O Temer fez as maiores reformas necessárias para que o Brasil não caísse do precipício. Ninguém gostou. 95% da população não gostou. A gente é quebrado se não fosse aquilo. 95% da população não gostou. E ele não conseguiu nem ser... Não é que ele perdeu a eleição. Ele não conseguiu ser candidato. Meirelles, que é um cara que foi um cara fundamental no governo Lula 1.

um cara que trabalhou pelo país enormemente, que eu tenho enorme respeito, um cara que, no governo Temer, foi fundamental na parte do teto de gastos. Ele teve 1% dos votos. A brincadeira que eu sempre falo é assim, e aí essa eleição, quem é o seu 3% que você vai votar? Quem é o cara bom, mas que só vai ter 1, 2 ou 3% dos votos? Porque essa realidade, o brasileiro tem a mentalidade em que ele vai votar num cara que é salvador da pátria.

E é natural, quando as suas instituições são fracas, você tende a ter heróis. A gente é nosso herói dos anos 80. Quantas coisas estavam muito difíceis no Brasil dos anos 80, começam aos anos 90. A seleção brasileira era herói. Ayrton Senna era herói. A gente precisa de heróis. Dessa vez vai ter que arranjar um político. O negócio está feio para a gente.

Mas quando a gente está estabilizado pessoalmente, quando a gente está forte socialmente, a gente não precisa de heróis. A gente está tão preocupado em fazer o nosso trabalho, em dar o melhor da gente, em progredir, em cuidar das nossas famílias, a gente não está interessado em heróis. Entendeu? Eu gosto muito do João Fonseca. Aliás, o cara que vem ali perto do vizinho.

tipo assim, tem amigos ali pessoa que gerencia ele muito minha amiga, cara, mas tipo assim, eu quero que você seja um cara fantástico, mas não quero que seja um herói brasileiro com o Marston Senna, foi ou coisa do jeito quando você precisa de herói, a coisa está muito errada no país, entendeu? é um ditado que diz isso, triste o povo que precisa de heróis muito triste e aí pegando o que você citou sobre República, eu queria agora fazer uma reflexão sobre direção e aí

Sim, das repúblicas ocidentais. Porque, como você disse, a experiência republicana americana é muito bem sucedida até então. Porém, se você olha nos últimos anos, teve muita erosão ali nas instituições americanas. O governo Trump, por exemplo, é um exemplo claro disso. E você citou, pô, a República Romana teve fim, a de Veneza. A República Romana durou cinco séculos até. Foi bastante tempo. Só que era uma estrutura diferente. Era um poder bipartido. Você tinha duas duplas de cônsules. E quando a coisa azedava de vez mesmo, um desses caras era um ditador.

por período temporário, até César falar que era um estado vitalício. E aí você teve Guerra Civil acontecendo, depois veio o Império. E se você pega aqueles livros do Ray Dalio, por exemplo, onde ele fala dos ciclos de crédito, curto prazo, longo prazo, fala de uma potência passando a outra, ele coloca os fatores, ele coloca a desigualdade, por exemplo, na conta. E ele até mudou minha opinião sobre o assunto, porque eu sempre falava que, olha, desigualdade não é o problema. Até porque, como você disse, é uma consequência natural.

Acho até que é um pouco do custo da civilização, né? Porque tem um cara que é muito inventivo, ele pega a tecnologia, cria uma empresa de bilhão, ele vai ficar desigualmente muito mais rico porque atendeu uma demanda da população. Isso vai acontecer. Só que gera muita inveja. E aí tem esse ressentimento das pessoas, a rede social está contribuindo com isso. Você acha que as repúblicas democráticas podem estar chegando na sua exaustão? Porque dificilmente um romano que vivia na república durante cinco séculos pensava não vai acabar a república.

Pra ele era sempre assim. Cinco séculos era pra sempre. Exatamente. Um cara que vive na República Americana, não, não tem como, isso aqui vai continuar sendo assim. Ou um cara que vive na China, governado pelo PCC, fala, não, o PCC tá no poder há tanto tempo, vai continuar. A gente tem muita dificuldade de ver esse momento de transição. Mas depois que acontece, fica óbvio, né? Tava no modelo exaurido. Você acha que a gente tá chegando num ponto de exaustão das repúblicas democráticas no mundo ocidental? Isso é muito interessante, né, cara? Até porque essa questão que você falou da desigualdade...

porque a classe média meio que equilibrava as coisas se ela some, fica muito rico, muito pobre e é isso composto também por inteligência artificial eu acho até interessante, eu vou puxar alguns pontos disso, essa questão da desigualdade quando eu falo que o ser humano sempre foi o mesmo e você falou de Roma

ano zero ali do ano zero também a gente teve escrito um pouco depois, a gente tem dois trechos da bíblia do novo testamento que são uma representatividade da desigualdade da sociedade nos evangelhos você tem a parábola dos talentos

você se lembra aquela que cada um recebia uma quantidade de talento uma moeda um investia, um recebia mais, investia muito ganhava muito dinheiro e o senhor ficava feliz o outro investia, ganhava um pouco menos mas investia também e o senhor ficava feliz e o outro enterrava e não gerava nada e o senhor diz é

prenda esse cara, e a ele nada. E depois, em Mateus, você tem aquela famosa frase que quem tem mais jamais será dado. Quer dizer, o próprio nosso Senhor Jesus Cristo reconhecia o fato de que existe um mecanismo na sociedade em que as pessoas colocam esforços diferentes.

E esses esforços são remunerados diferentes. Mas você tocou num ponto fundamental. Você tem que ter a percepção de que o ponto de partida é justo. Em que eu e você, se a gente tiver o mesmo ponto de partida, se o meu esforço for maior que o seu, eu vou ter uma recompensa maior do que a sua. E é esse que é o máximo de John Rawls. John Rawls era o filósofo econômico favorito do Bill Clinton.

em que ele criou o véu da incerteza. Se você não soubesse onde fosse nascer na sociedade, que sociedade você quer. E o pensamento filosófico diz assim, uma sociedade em que todos têm as mesmas condições de partida.

porque você sabe que os esforços diferentes, as capacidades das pessoas são diferentes, você não quer equalizar o resultado, porque a gente sabe que mata muita gente. O que está acontecendo na sociedade no momento, que eu acho que pode ser uma ruptura do contrato social, é porque as pessoas não sentem que as condições de partida são as mesmas. Você vê a China, por exemplo, para não falar dos Estados Unidos.

Você vê que a reforma que o Xi fez recentemente foi no setor de educação. Proibir que as pessoas tenham acesso à educação complementar para não fazer o sistema injusto. Porque todo mundo tem que ter acesso à mesma educação, porque eles fazem aquele grande vestibular dele, aquela grande prova. E se você tem acesso à educação diferenciada, você vai se diferenciar e você vai ser melhor e vai causar desigualdade social.

Então você tem que equalizar a sociedade. E eu acho que o sentimento que existe hoje, eu vi o presidente da Palantir falar uma frase sensacional, vem cá, se você vai criar uma tecnologia que vai atacar todos os trabalhos de escritório, de colarinho branco do mundo, e ao mesmo tempo vai ser a tecnologia usada militarmente, se você achar que você não vai ser regulado, você é idiota, porque você vai ser regulado e você vai ter uma revolta social. Eu acho que não tem nada mais impopular na sociedade de classe média hoje do que a inteligência artificial.

nada é mais impopular que isso porque é um sistema em que o vencedor leva tudo hoje a gente tem Antropic sendo a grande vencedora desse sistema e pior dá uma sensação de injustiça para a pessoa que está sendo substituída enorme e o tempo da substituição é muito rápido

porque quando você fez você teve várias transformações no mundo eletricidade, carro mas foram coisas que você levava ao longo de uma década, ao longo de duas décadas e você permitia que a sociedade adaptasse o tecido social novamente à sua nova realidade

O problema da inteligência artificial está acontecendo muito rápido. A velocidade, como ela é exponencial, a velocidade é muito rápida e talvez o tempo de adaptação não seja tão rápido. E isso vai gerar conflitos sociais que não vão ser triviais. Não vão ser triviais. Porque vai pegar em cima dessa classe média. Porque o chinês que substituiu o cara nos Estados Unidos, ele não viu o chinês. O chinês está ali do outro lado. Ele foi percebendo aos poucos o que estava acontecendo. Demorou tempo para ele perceber. E foi uma substituição de 20 anos.

A inteligência artificial, ano que vem, primeiro, ela nunca vai ser pior do que ela é hoje, e ela já é bem boa. E daí, no ano que vem, ela vai ser exponencialmente melhor do que ela é hoje, e ela vai realmente ter um efeito grande em empregos. E pior, ela vai ter um efeito grande em empregos justamente em quem já está mais amassado.

Isso pode ser uma situação de ruptura social. O Reino Unido, para mim, hoje, quando eu vi essa eleição regional do Reino Unido, que eu vi o Reforma e o QI ter tantos votos, eu pensei nisso, um pensamento distópico também meu. Digo assim, será que a gente vai viver isso? A gente vai quebrar o contrato social de tal maneira em que a gente vai eleger os salvadores da pátria em sequência, sem proposta, porque a proposta é impossível de ser.

de ser satisfeita, e vai ser um período ruim para a sociedade moderna? Pode ser. Eu acho que pode ser. Eu acho que as pessoas, quando você tem... Desigualdade não é o problema, mas você não dar as condições de partida e o sentimento de que você pode... Porque a gente pensa em uma sociedade muito como indivíduos, mas em uma sociedade familiar. Quando as pessoas falam assim, imposto de herança é fundamental...

Não, a gente não gera riqueza para a gente, a gente gera riqueza para as nossas famílias e pensando na verdade, porque se você não deixar a pessoa levar a riqueza para a próxima fase da família, ela vai destruir essa riqueza em coisas frívolas e que a sociedade não quer.

Que essa riqueza... 90% de imposto de herança, eu não posso fazer nada com isso. Eu vou destruir esse dinheiro todo antes de morrer. E o que vai acontecer nesse sentido é que eu vou destruir coisas ruins para a sociedade. O Buffett fala isso. Eu posso pegar meus 100 bilhões, meus centenas de bilhões e mandar a sociedade inteira pintar quadros meus. Eu posso fazer isso.

Eu posso gastar 100 bilhões de dólares pagando 7 bilhões de pessoas para pintar quadros meus. E qual é o valor que a sociedade tirou isso do momento? Então, esse tipo de quebra de contrato social, eu acho possível. Eu vi o Demis Hassab, que é o...

o líder de inteligência artificial da Google falava isso outro dia. Ele disse assim, o que mais preocupa? Eu digo, o que mais preocupa é filosófico. Eu digo assim, que tipo de sociedade eu estou ajudando a fomentar? Que tipo de sociedade eu vou gerar a partir disso? Porque o Hassabis eu acho bem interessante. Primeiro que ele é uma pessoa menos niilista do ponto de vista de relação com a sociedade do que o Dara Modei ou que o Sun Altman, que é o cara da Antropic e o da OpenAI.

Eu acho que ele é um cara muito mais conectado com a sociedade. Eu acho que é um cara que teve o sonho. Porque o Sam Tautman e o Dario Amodei caiu no colo deles isso, de uma maneira ou de outra. Mas o Dario Amodei é um cara que nasceu com a missão pessoal de levar ou criar a inteligência artificial muito antes de pensar que modelos como o ChatGPT ou que o Cloud poderiam existir. Ele começou do zero.

Então ele diz, cara, eu tenho dificuldade de pensar que tipo de efeito social eu vou ter no tecido social de uma mudança tão rápida. E eu tenho certeza que as pessoas vão sentar e vão querer regular. Eu tenho certeza que as pessoas... Certeza que eu digo, gente, quando eu digo certeza, é meu pensamento moderno. Eu, como investidor, não tenho certeza de nada.

Eu só tenho certeza de Socrático, que nada sei, que quero aprender um pouco mais. Inclusive, a coisa que mais me impressiona nesses podcasts é como o pessoal diz assim, ah, o Rui pensava isso, agora ele está falando aquilo. Eu digo, graças a Deus, alguma coisa evoluiu aqui na minha cabeça. E eu sempre acho que a vida é dialética. É tese, antítese, síntese, você tem que olhar dos dois lados.

double thinking o tempo todo. Mas eu acho que sim, Bruno, acho que a gente pode, a gente vai ter que ter uma revisão do contrato social. E eu chamo isso de revisão do contrato social. Teve um cara que eu vi uma vez numa apresentação nos Estados Unidos que eu nunca esqueci dele. Ele era democrata. Mas são esses caras que mais me... Quando eu pego o cara que tem a visão diferente da minha, é o que mais me faz pensar. Ele falou assim, olha só, vou falar uma coisa pra vocês aqui. O rico tem que pagar mais imposto.

E você vai ser chamado, dentro desse novo contrato social, a pagar mais imposto. Eu não tenho dúvida nenhuma disso. Por quê? Porque esse contrato social vai exigir algum nível de distribuição de renda ao ponto de vista central. Mas ele falou assim, o rico tem que pagar mais imposto. Eu vou dizer por quê. O rico tem mais a defender.

E o que defende o teu patrimônio é o Leviatã Central. É esse Leviatã que você diz que tem uma casa, você só tem uma casa porque o Leviatã permite que você tenha. Você diz que tem fundos de investimento só porque o Leviatã permite. O Leviatã é o governo central. O governo central.

ele vai permitir que você tenha. Então, se é o Leviatã que permite que você acumule essa riqueza, você tem que pagar muito mais imposto por essa riqueza. E eu nunca... Aquilo ali foi tipo um chute na minha cara, e é uma coisa que eu repito para todo libertário. Eu dou muitas palestras em centros de...

de formação e que as pessoas têm uma tendência mais libertária. Eu até de vez em quando brinco com a tendência libertin, você tem essa coisa quando você é muito jovem, você tem essa expectativa de libertarianismo. As pessoas dizem assim, pô, aquela coisa meio Rothbard, a imposta é roubo.

Não é, querido. Imposto é parte do contrato social. O que é roubo é você lesar uma sociedade após você coletar impostos e usar ele indevidamente para ganhos pessoais. Isso é roubo. Mas você pagar impostos dentro de uma sociedade funcional...

É absolutamente necessário. E você, como uma pessoa rica, você deveria querer pagar esses impostos e ter o benefício da estabilidade que vem desse imposto, dando o benefício para uma outra pessoa. Eu acho que... Tipo assim, não fique triste de pagar esses impostos. Só peça que venha de uma sociedade...

Nesse caso, o Brasil seria um roubo, porque não acontece nada. No Rio de Janeiro, o cara paga o imposto, tem que pagar a taxa da milícia para o comércio funcionar direito, entendeu? Esse que seria o ponto. E se ele pagasse a taxa da milícia e tivesse pelo menos a garantia da integridade física dele, que a milícia não ia chegar no outro mês cobrando o dobro ou coisa do gênero, tudo bem, mas não ter o sentimento da sua integridade física, é o da sua... Gente, isso é muito ruim. Isso é muito ruim.

A gente é carioca, todo mundo aqui na mesa, né? Ex-carioca, a gente aprendeu esse jeito. Ex-carioca. Mas eu tenho tendências muito mais libertárias, só que eu vejo que essa combatividade, essa beligerância, ela é um traço do recém-convertido. Eu era muito mais radical quando eu era um recém-convertido comparado a hoje, até porque no Rio de Janeiro...

Eu tive a experiência de ver áreas sem Estado. E o que acontece não é que fica sem Estado. Cria-se um Estado naquilo que costuma ser muito mais violento do que o Estado brasileiro, entendeu? E aí, não tem vácuo de poder. Esse é o ponto, né? A gente sabe essas áreas. A gente conhece as áreas no Rio Brasileiro. A gente sabe o quão complicado. Você viver sem o Leviatã, o Leviatã pode parecer pesado e ruim, mas só quando você vive sem ele, ou vê o evento sem ele, você sabe, você imagina.

o que é. Como eu gosto de... A polícia ali na minha área, no Rio de Janeiro, tem melhorado. Tem até a qualidade dos policiais. Como é gostoso você... Agora tem uma nova guarda municipal ali no Rio de Janeiro, na minha área. E como é gostoso, às vezes, você ter a relação com o policial, você ter comunicação com o policial, você ver uma pessoa educada do outro lado, você ver uma pessoa...

que você sente uma relação de confiança. Como é gostoso você lidar com o Leviatã numa relação em que você vê que você é respeitado, que é real, que você vê que você é respeitado enquanto cidadão e que aquilo ali é uma relação que beneficia a sociedade como um todo. Por isso que os nórdicos são tão felizes. Eles pagam tanto imposto, são as sociedades mais felizes do mundo, mas, ao mesmo tempo, eles têm uma sensação de que o Leviatã joga com eles. Então, o Leviatã não é o problema, mas você corromper o Leviatã passa a ser o problema.

Bom, dá para falar infinito aqui. Nós todos temos hora, né? Então, Rui, só agradecer novamente pela presença. É sempre um prazer recebê-la aqui nos sócios. Muito bom. E aí, fique livre também para divulgar o seu trabalho da Quine, redes sociais, o que quiser. Ah, vou fazer só uma divulgação. Estou tentando chegar a 100 mil no nosso canal do YouTube para ter aquela plaquinha ali que o Bruno tem, que a gente não tem, né? Então, a gente está em 90 e poucos. A gente está querendo chegar nos 100. Se você pudesse assinar ali o canal Quine Investimentos.

Eu acho que a Gabi, que é nosso gerente de marketing, vai gostar de eu ter falado isso. A gente está trazendo muito... Tipo assim, a gente faz as coisas... Eu vejo até muito do Bruno e da Malu isso, cara. A gente faz as coisas porque a gente gosta, em grande parte, cara. Tipo assim, a parte financeira eu não penso. Eu penso muito na parte de fazer o que gosta, fazer o que ama, e qualquer coisa financeira é uma consequência disso. A gente tem trabalhado muito em...

em conhecimento. A gente tem ampliado as nossas comunicações com investidores no sentido de passar conhecimento que facilite as decisões de investimento. Eu tenho uma dificuldade enorme de ficar fazendo jabá de produto, não sou essa pessoa, mas eu tenho a facilidade enorme de gostar de passar conhecimento. Então, se entrar no nosso canal, a nossa proposta é super justa no sentido de querer passar conhecimento para vocês e fazer investidores melhores.

Então, como o Rui falou, ele é mais low profile, mas a Quineia tem todas as redes sociais, né? Tem, a Quineia, é tudo Quineia. A vantagem de Quineia foi um nome inventado. Então, se você digitar Quineia, só aparece a gente. Então, vai no Instagram, tem a gente. Vai no LinkedIn, tem a gente. Vai no WhatsApp, tem a comunidade da gente. Vai na internet, tem nosso blog. Assina o blog, porque as cartas e os Quineia Insights saem todos no blog também. Mas essa coisa, eu nunca pensei que a ideia do VR, né?

que é o nosso CEO, de ter criado um nome do nada, fosse tão interessante, porque nem o pessoal pensa que é um deus grego, alguma coisa, porque todo fundo de investimento gosta de deus grego, mas não, a gente inventou esse nome, foi o Verri, na verdade, que inventou esse nome e pegou super bem, essa coisa de kinetics, de movimento.

Muito bom, obrigada Rui pela presença. Obrigado a você, gente. E vocês encontram a gente aqui semanalmente no canal dos sócios, sempre com um episódio novo para de alguma forma agregar na sua vida. E também me encontram no arroba Malu Perini no Instagram. Vocês me encontram no Instagram Bruna, Anderlane Perini, YouTube Você Mais Rico e sempre aqui nos sócios. Para quem assistiu nosso muito obrigado pela audiência, o nosso convidado, prazer recebê-lo, espero que volte mais vezes. E é isso pessoal, grande abraço e até a próxima. Beijos.

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