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EUA X IRÃ: A GUERRA NO ORIENTE MÉDIO COMEÇOU (Professor HOC) | Os Sócios 287

06 de março de 20261h37min
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ESQUEÇA AS PLANILHAS COM O MYPROFIT - CUPOM: PERINI10 https://r.vocemaisrico.com/89b2ac9805Em 28 de fevereiro de 2026, EUA e Israel lançaram a maior ofensiva militar no Oriente Médio desde o Iraque. O líder supremo, Ali Khamenei, foi assassinado. Instalações nucleares foram bombardeadas. E o Estreito de Ormuz — por onde escoa cerca de 20% do petróleo mundial — entrou no centro da crise, com ameaça de interrupção do tráfego e risco real de um choque de energia.Diante de um conflito que pode se estender por dias, semanas e até meses, o mundo observa atento às implicações econômicas.Mas qual é o plano real por trás dessa guerra?Qual foi, de fato, o papel dos EUA na ofensiva? Como Trump pretende conduzir o primeiro grande conflito armado do seu atual mandato — e qual é a estratégia para vencer sem transformar isso em uma guerra longa?O objetivo é só “dissuadir” o Irã — ou desmontar de vez seu programa nuclear e a estrutura de poder regional? O que muda quando você elimina o principal líder do regime no meio de uma ofensiva? Quem ocupa o vácuo de poder — e como isso altera o cálculo do IRGC, de Israel e dos aliados americanos?Para responder estas e outras perguntas, convidamos o Professor HOC para o episódio 287 do podcast Os Sócios.Falaremos sobre o contexto do ataque dos EUA ao Irã, quais podem ser os desdobramentos disso para o mundo, conflitos no Oriente Médio, potências envolvidas, posicionamento da China e da Rússia, e muito mais.Ele será transmitido nesta sexta-feira (06/03), às 11h, no canal Os Sócios Podcast.Hosts: Bruno Perini @bruno_perini e Malu Perini @maluperiniConvidado: Heni Ozi Cukier (Professor HOC) @professorhoc

Assuntos15
  • Terceira Guerra do GolfoContexto histórico (Primeira e Segunda Guerra do Golfo) · Momento unipolar dos EUA (1991) · Inversão de poder no Iraque (2003) · Comparação com conflitos anteriores · Escala e magnitude do conflito atual
  • Programa Nuclear IrãEnriquecimento de urânio · Capacidade de bomb atômica · Negociações falhadas com EUA · Objetivo de 'zero enriquecimento' · Histórico de 20-25 anos de discussão
  • Morte Ali KhameneiOperação de decapitação · Inteligência israelense (hacking de câmeras) · Monitoramento de segurança · Risco pessoal do líder supremo · Morte de outras figuras importantes
  • Drones ShahedCusto de fabricação ($20 mil) · Estoque de ~80 mil drones · Velocidade lenta (viagem de horas) · Custo de interceptação (Patriot $4 milhões) · Iron Dome como arma de defesa mais poderosa · Insustentabilidade de padrão dois-três mísseis por drone
  • Bloqueio Estreito Ormuz20% do petróleo mundial passa por Hormuz · Marinha iraniana como arma · Ameaça de fechamento do tráfego · Infraestrutura de petróleo vulnerável · Terminal de exportação em ilha · Choque de energia global
  • Possibilidade de queda de regime vs ocupaçãoMercados preditivos (36% queda até junho) · Necessidade de tropas terrestres · Duração incerta (semanas a meses) · Riscos de fracasso e impopularidade · Opção de ocupação territorial sem derrubada
  • Mísseis balísticos e capacidade de entregaAlcance de 2.5-3 mil quilômetros · Possibilidade de atingir Europa · Número limitado de lançadores · Destruição de bunkers e armazéns · Corrida contra estoque de armas
  • Estratégia iraniana contra países árabesConexão geopolítica Irã-Iraque-Síria-Líbano · Acesso territorial ao Hezbollah · Plataforma de lançamento de poder regional · Importância histórica para Império Persa · Mesopotâmia como fortaleza
  • Plantas de dessalinização como alvo crítico450 plantas no Oriente Médio · Dependência total de dessalinização · Riad pode ser evacuada em uma semana · Relatório Wikileaks de 2008 · Aqueduto de 500 quilômetros · Infraestrutura vulnerável · Arma de destruição em massa não-nuclear
  • Diversidade étnica do Irã40% da população não-persa · Azeres (18%, sonho de Grande Azerbaijão) · Curdos (10%) · Balúchis, árabes, lurs · Petróleo no Mar Cáspio · Redefinição política institucional · Possível guerra civil
  • Eixo da ResistênciaHezbollah · Hamas · Houtis · Milícias no Iraque · Síria como aliado · Rede de alianças · Ataque coordenado
  • Curdos como fator de guerra civilPopulação apátrida (maior do mundo) · Distribuição em Síria, Iraque, Turquia, Irã · Sonho de independência · 10% da população iraniana · Armamento pela CIA · Trump ligando para lideranças curdas · Risco de rebelião armada
  • Identidade nacional vs identidade religiosaMúltiplas camadas de identidade · Revolução Islâmica e xiismo · Monarquia anterior e identidade persa · Redefinição durante conflito · Escala de comparação (local vs global)
  • Divisão sectária e Choque de CivilizaçõesXiismo vs sunismo · Teoria de Samuel Huntington · Religião como divisor global · Escala de comparação (dentro vs fora da região) · Árabes xiitas apoiando ataque a Irã
  • Estratégia Chinesa e BRICS90% das vendas iranianas de petróleo (mito) · Apenas 12% do consumo chinês (realidade) · Investimento maior em Arábia Saudita · Não vai entrar na guerra · Ganho indireto: Ásia desprotegida · Consumidor importante mas não dependente
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E aí, pessoal, vamos começar mais um episódio do podcast Sócios, excepcionalmente essa semana com dois episódios, porque mais uma guerra começou, né? Mais uma guerra pra nossa conta aí. Não pra nossa, né? Porque a gente não tem nada a ver com isso, mas a gente vai falar sobre isso. É, o pessoal que fala de guerra da geopolítica vive uma fase de ouro, né? Anos dourados desde a invasão da Rússia à Ucrânia. Então, me apresentando pra quem nunca assistiu o podcast, sou Bruno Perini, host aqui do Sócio.

Estou, como sempre, com minha esposa, host, o belo host aqui do podcast, Malu Perini.

Pessoal, sejam bem-vindos a mais um episódio dos Sócios, onde falaremos sobre a guerra dos Estados Unidos e Irã e toda a conjuntura que está rolando por trás disso daí. Israel para os Estados Unidos versus Irã. E antes de apresentar o nosso convidado, eu tenho um recado para vocês do nosso patrocinador, o My Profit, que é um programa que eu tenho muito orgulho de falar que foi criado por um aluno do Viver de Renda, na Turma 10, o Rodrigo Poveron.

Ele viu a dificuldade que existia na consolidação do patrimônio, ainda mais quando você investe em diferentes plataformas,

imposto de renda, tanto no dia a dia, quando você tem que gerar um DARF, por exemplo, porque você teve lucro em uma determinada operação e extrapolou as regras de isenção que podem existir, quanto também na parte de contabilização de prejuízo para que você não tenha que pagar imposto à toa. Fora isso, tem aquele encontro anual que todos nós temos com a Receita Federal, onde você mostra todas as movimentações que você fez no mercado.

E aí, para conseguir sanar essa dor do investidor, ele criou essa plataforma. Eu sou usuário já há vários anos, é uma luta de prova, eu faço minha declaração do imposto de renda até hoje,

nossas, né? Eu gastava muito tempo com isso. Era literalmente um dia perdido para informar as movimentações. Como é profit, é coisa de entre 5 a 10 minutos. É realmente muito rápido. Para quem quiser conhecer, há um QR Code aqui na tela e também um link na descrição. Lembrando que vocês podem usar um cupom PERIN10 para que vocês consigam 10% de desconto. Pessoal, vale muito a pena, tá? Para você que é investidor, é uma mão na roda.

Apresentando agora o nosso convidado, recebemos novamente Reniozico Queer, o professor Roque. Ele é cientista político,

professor, criador do canal Professor Rock, maior canal do YouTube de geopolítica do Brasil. Trabalhou no Conselho de Segurança da ONU, estuda poder e autor do livro Inteligência do Carisma, além também da criação da Rock Academy. Bem-vindo novamente ao Podcast Sócios. Obrigado, gente. Prazer estar aqui. Pra quem quiser conhecer a Rock Academy, como é que está hoje? Você baixa o aplicativo ou no Google ou na Apple e aí você assina, é uma assinatura anual e com isso você tem acesso a uma série de cursos.

Além dos cursos e aulas especiais e exclusivas, a gente tem um feed ali de notícias que se chama Bunker do Rock. E a gente fica alimentando todo mundo com análises em tempo real de tudo o que está acontecendo no mundo, mais do que os cursos. Então é um lugar, uma plataforma completa para quem quiser entender o que está acontecendo no mundo. Perfeito. Rock, começando aqui então, desde que eu me entendo por gente, eu nasci em 88, comecei a me entender por gente em anos 90.

O Irã é um barril de pólvora, se a gente pensa no contexto mundial. Já tinha acontecido a Revolução Islâmica, ele virou uma teocracia, ele financia movimentos terroristas ao redor do Oriente Médio. O que mudou dessa vez para que, de fato, Israel e Estados Unidos fizessem uma ofensiva militar naquele país? Acho que a gente tem um crescente, Bruno e Malu. A gente está assistindo uma transformação do Oriente Médio.

que dá para a gente chamar essa guerra da Terceira Guerra do Golfo. A primeira foi em 1991, quando os Estados Unidos vão lá para retirar o Saddam Hussein do Kuwait. E naquele momento é a consolidação dos Estados Unidos como a potência suprema, o momento unipolar que a gente chama. Porque acabou a Guerra Fria e tem uma grande operação militar. Os Estados Unidos mostram a sua força militar de um jeito muito superior a todo mundo. E também naquele momento tem uma grande coalizão internacional

de que aquilo não podia acontecer. Todos os países do mundo concordam com a operação, com a intervenção da ONU, comandada pelos Estados Unidos, para dentro do Iraque para tirar o Saddam Hussein. Então, por que falar desses momentos? Porque aquele momento foi um momento decisivo. E aí depois a gente vem para a Segunda Guerra do Golfo, que também é um momento decisivo para o Oriente Médio e para a relação com o Irã. Porque os Estados Unidos vão, em 2003, derrubar o Saddam Hussein. Quando eles derrubam o Saddam Hussein, eles invertem.

o equilíbrio de poder do Iraque. O Saddam Hussein era sunita e ele dominava a maioria da população que era xiita. E o Irã é xiita. Então, naturalmente, o Iraque ia ter uma proximidade com o Irã, mas o Irã não acessava aquele território, não acessava essa influência. E essa influência é muito importante, historicamente, geograficamente, geopoliticamente falando, para o Irã. O Império Persa só é um império quando ele consegue conquistar o seu território adjacente.

e usa esse território como uma plataforma de lançamento e projeção de poder para fora do seu próprio espaço, que é uma grande fortaleza montanhosa, impenetrável e também difícil de sair. E esse território é a Mesopotâmia, que é o Iraque. Então, quando os Estados Unidos derrubam o Saddam Hussein, eles entregam o Iraque para o Irã. E aí, se você olhar no mapa, você tem o Irã, aí você tem o Iraque, aí você tem a Síria e aí você tem o Líbano.

uma escala ali, um arco de influência, o Irã passa, então, a ter acesso territorial por terra de conexão com o Iraque. Isso permite que ele conecte com a Síria e permite que ele acesse por terra o seu grande aliado, Hezbollah, a sua cria, que está no Líbano. A gente chama isso de um arco de influência iraniano que coloca ele das montanhas do Afeganistão, da fronteira com o Afeganistão, até o mar Mediterrâneo.

muito poder para o Irã. Então, os Estados Unidos criam uma condição que favorece demais o Irã. E o Irã, aí ele começa a se tornar talvez a maior força do Oriente Médio. E a força, como você bem colocou, que mais causa problemas. Porque ele criou uma rede de alianças que se chama Eixo da Resistência, que é Hezbollah, é Houtis, é Hamas, é a Síria, é as milícias no Iraque. E aí vem o ápice desse poder, que é o Irã.

planejar o ataque do Hamas contra Israel. E esse ataque é tão devastador para Israel que Israel vira e fala assim, não, agora eu tenho um problema sério. Esse último ataque. Isso, de 2023. Aí Israel percebe que está correndo um risco. Israel decide partir para a ofensiva. E começam os ataques contra o Hamas, depois são os pagers contra o Hezbollah, depois assassinato do líder do Hezbollah, aí é Houtiz, aí a Síria cai. Aí Israel fala, está na hora de eu confrontar

Irã cara a cara. E aí faz o primeiro confronto em 2024, depois o segundo, que é a guerra que durou 12 dias em junho de 25 do ano passado. E os Estados Unidos têm uma participação pequena, pontual no bombardeio, quando destrói a instalação nuclear. E aí então chega a grande hora da terceira guerra do Golfo. E ela não é uma guerra do Iraque, mas ela é uma guerra do Irã. Irã e Iraque fazem fronteira, são próximos e são países do Golfo. Então acho que dá pra gente chamar de terceira guerra do Golfo.

E essa é mais importante, porque, óbvio, o Irã é muito maior. Um país com 92 milhões de pessoas, é um país que financia o terrorismo, que estava muito forte, que representa um espectro da religião islâmica diferente. Então você tem todas as divisões sectárias do Oriente Médio potencializadas no Irã com o seu projeto xiita. E essa degradação que Israel consegue conquistar do Irã, esse enfraquecimento do poder iraniano,

possibilidade de uma ação militar contra o Irã mais para perto. E é importante todo mundo entender que essa discussão não é uma discussão de hoje. Talvez quem chegou agora na geopolítica nos últimos dois anos ache que sim. Mas se falar disso há pelo menos 20 anos, o Irã não pode ter uma bomba atômica. E se discute no meio o que vai se fazer. Vai dar sanções, sanções. E lá atrás, há 20, 25 anos atrás, já todo mundo falava, vai ter que atacar. E atacar já era uma opção.

uma ofensiva militar para impedir que o programa acontecesse. Bom, e aí chegamos na hora que os Estados Unidos se sentiu confiante, achou que realmente não dá para retardar mais. O Trump vem de uma série de sucessos na política externa e falou com o Israel. Israel, óbvio, esse é um objetivo importantíssimo para mim, é o mais relevante, vamos fazer.

que o Irã tem uma bomba atômica. Destruir totalmente essa capacidade. Depois do 7 de outubro, do Hamas, imagina se uma dessas organizações, ou Hamas, ou Hezbollah, ou até Houtis, tiver uma bomba atômica. Porque o Irã deu para eles uma bomba atômica. Aí o Irã vai falar, bom, não fui eu, porque é o que ele fala. Não sou eu, são os Houtis que estão fazendo aquilo. E aí você dá uma bomba atômica para os Houtis, ele lança uma bomba atômica e explode um navio no Mar Vermelho.

Assim, o mundo nunca mais vai ser o mesmo. E essa é a grande preocupação. Então, número um, acabar com o programa nuclear iraniano. Aí, número dois é destruir o programa de mísseis balísticos do Irã. Não tem como você entregar uma bomba atômica para o resto do mundo se você não tem um programa de mísseis. E o Irã tem um programa bastante avançado. A gente está vendo pela guerra e como que o Irã está lutando a guerra. Esses mísseis iranianos, hoje, eles já chegam, alguns deles chegam de 2.500 a 3.000 quilômetros de alcance.

Se a gente fizer estender, dependendo da quantidade de combustível que eles colocarem ali, isso chega na Europa. Que, aliás, não está fora de cogitação que o Irã decida retaliar ou atacar a Europa. Se ele está atacando todo mundo, a Turquia, inclusive o Oman, o Azerbaijão, pode ser que ele faça isso. Aí o outro objetivo dos americanos é destruir a marinha iraniana. Porque o Irã tem uma grande arma que a gente sempre falou que a verdadeira bomba atômica do Irã não é a bomba atômica,

mas é fechar o Estreito de Hormuz. Que ele fechou e que nós estamos vendo as consequências. Então, como é que ele não vai fechar? Vamos acabar com a marinha iraniana. E, por fim, o objetivo mais polêmico, mais incerto, mas não dito claramente pelos Estados Unidos, ou dito e desdito, que é a troca do regime, a derrubada do regime. Israel claramente quer a derrubada do regime.

com precisão total. Trump falou que sim, depois não falou mais, aí os secretários não disseram mais, então... É que precisa muito mais do que matar o cara, né? Isso. E aí ele também se coloca num lugar... E se ele não conseguir isso? Quer dizer que os Estados Unidos não conseguiram o seu objetivo? E também quando ele aciona um gatilho... É mais fácil falhar, né? É. E também aciona um gatilho na opinião pública americana, porque falar assim, eu quero derrubar o regime, todo mundo já vai falar, mas aí derrubar o regime é longo, não é só matar.

tá o líder. E todo mundo vai começar a reclamar e vai começar a ficar incomodado. Quanto tempo essa guerra vai durar se você quer derrubar o regime? Como que você vai derrubar o regime? Então é nesse pé por isso que a guerra aconteceu agora. Enfim, acho que essa é a explicação inicial. E qual você acha que é o principal erro de percepção que as pessoas têm ao bater o olho nesse conflito? Qual narrativa você tá vendo que ela tá errada, mas ela tá muito popular? Essa é boa. Porque você sabe bem disso, né?

em tempos de rede social e acontecimentos que chamam a atenção das pessoas, todos os influencers viram especialistas nos assuntos que não entendem. Tem um meme muito bom que imposta o Faria Leme Levator, que é tirando meu jaleco de economista para botar o dial político. E assim por diante. E cripto, e não sei o quê. Todo mundo entende de tudo. E aí é engraçado, porque essas pessoas pegam notícias paralelas

as notícias. Essa notícia é verdade, ela é factual. Essa outra também é. Mas a conexão que ele fez com as duas notícias não tem sentido algum. E eles fazem isso. Uma delas é, os Estados Unidos estão atacando o Irã para prejudicar o fornecimento de petróleo da China. E aí, baseado no quê que a pessoa conclui ou deduz isso? 90% do petróleo iraniano é vendido para a China. E a dedução das pessoas, e isso é uma falha de percepção,

toda a relação comercial, as pessoas acham que é uma relação de interdependência. Então, se o Irã vende 90% para você, eu dependo demais de você, a conclusão que você tira é, você depende demais de mim. Mas não, não é porque 90% para mim, da minha venda, vai para você, que você está comprando 90% de mim. E, na verdade, a China só compra, de todo o petróleo que ela compra, o Irã só representa 12% do que ela compra. E aí tem a parte mais interessante,

A China compra mais da Árabe Saudita e dos Emirados do que do Irã. A China investe mais dinheiro na indústria do petróleo saudita e dos Emirados do que do Irã. Então, os Estados Unidos atacando o Irã, eles criam alguma disrupção para a China. Mas não é um negócio que a China não tem saída. E a China não vai salvar o Irã exatamente porque se ela entrar do lado do Irã,

briga com a Arábia Saudita e com os Emirados, que fornecem mais para ela do que o outro. E o que o Irã está fazendo prejudica a China muito mais do que os Estados Unidos fez. É o Irã que está fechando o Estreito de Almoz. É o Irã que está impedindo que o petróleo saudita dos Emirados, do Kuwait e de outros lugares cheguem na Ásia. Então, o Irã é o problema para todo mundo. Talvez para a Rússia não, porque a guerra favorece

Rússia de muitas maneiras. Primeiro, preço do petróleo mais alto. Termos de troca melhores para eles. Isso. Aumenta a possibilidade do Putin financiar a guerra. Segunda coisa é, dada a natureza da guerra que está acontecendo ali, munições e armamentos, e depois a gente vai falar disso com certeza, são muito críticas e importantes para essa guerra. E aí, se nós temos um novo conflito com vários outros aliados americanos sendo atingidos, equipamentos e munições que estão indo para a Ucrânia,

não vão ir mais, porque a prioridade é outra. Ucrânia, um versus cinco, seis, dez, entendeu? Do outro lado. E aí a Ucrânia vai receber menos equipamento militar e a Rússia vai ganhar mais dinheiro. Ou seja, para a Rússia é ótimo. Então o Putin estaria no ouvido do Zé Tolas falando, ataca a Europa, manda um míssil lá para ver o que acontece. Com certeza. Ele está feliz da vida. E a China, assim, não é que ela, ok, ela está sofrendo um pouco com o petróleo,

gigantescas. Ela vai comprar mais da Rússia. Ela já proibiu a exportação de gasolina, diesel. E ela tem uma outra opção que é positiva. Esse gasto desse arsenal militar de mísseis são os mísseis que são usados para defender Taiwan. São os mísseis que o Japão vai precisar, que a Coreia do Sul vai precisar. Então, se o estoque está sendo gasto numa guerra no Oriente Médio,

a Ásia está ficando mais desprotegida em termos de estoque de mísseis para se defender da China. Então, no médio ou longo prazo, a China está gostando disso. Isso está enfraquecendo a capacidade militar da Ásia. Sobre essa questão dos mísseis, eu vi um dado que eu achei muito interessante. Porque o Bitcoin subiu. Primeiro ele caiu, depois ele subiu com o início da guerra. E aí me perguntaram por quê. Eu falei, olha, pode ser uma série de motivos.

um único motivo, mas guerras geralmente terminam em expansão monetária. Elas são muito caras. Ainda que essa guerra, a gente não saiba a extensão dela, a estatística que chamou a atenção foi a seguinte, o Irã produz drones muito bons. Os russos usam os drones iranianos na Ucrânia. Os americanos também, sabia? Eles basearam nos drones iranianos. Criaram o Lucas. E aí, esse drone iraniano, eu vi que ele custa em torno de 20 mil dólares e o Irã teria um estoque de mais ou menos 80 mil drones.

Só que para derrubar um drone, os americanos usam um míssel Patriot, que custa 4 milhões

de dólares. Se você pensa na disparidade, né? Fala, meu Deus, se eles forem usar cada míssil pra um drone, primeiro que eles não têm, que eles produzem muito menos unidades em comparação com os drones. A conta seria de centenas de bilhão. Então pensei, isso vai gerar mais gasto, mais gasto é mais expansão monetária, isso seria bom pro Bitcoin, entendeu? Mas, sob esse ponto do armamento, o Irã, ele realmente consegue sustentar uma ofensiva maior com os drones durante algum tempo? Então, o Irã construiu

de mísseis, que são bunkers, túneis enterrados, onde ele depositou todos os mísseis e drones. E, no começo, isso foi uma grande aposta como uma vantagem, porque eles não vão conseguir destruir o nosso arsenal. Só que agora isso está se tornando um problema, porque o arsenal está fixo em um lugar, e os americanos e israelenses já sabem qual é esse lugar. Então, eles ficam o dia inteiro bombardeando esses bunkers. E, na verdade, como eles conquistaram

uma supremacia aérea, o domínio do espaço aéreo iraniano, agora eles estão voando com aviões de vigilância e monitoramento baixo em cima desses lugares, esperando ter uma movimentação, abrir a portinha para sair o lançador. Sai o lançador, explode o lançador. Porque o estoque de mísseis é diferente da quantidade de lançadores que o Irã tem. Você tem uma arma e um monte de munição para aquela arma. Então você tem um lançador e, sei lá, 100 mísseis.

Você não tem 2 mil lançadores. O objetivo americano-israelense é destruir os lançadores antes que o Irã consiga acabar com o estoque dos mísseis das baterias antiaéreas ou de defesa aérea, como os Patriots. Então, a guerra hoje é uma corrida contra o estoque de armas, quem acaba com o estoque de armas do outro. A desvantagem do Ocidente, dos Estados Unidos e tal, é isso que você falou.

caro e não fabrica. E esse estoque é limitado no mundo inteiro. Então, os Estados Unidos estão tirando agora da Coreia do Sul, estão tirando de Taiwan, estão tirando do Japão, estão tirando da Europa e trazendo para lá. Das bases que eles têm nesses lugares. Isso. E isso é um problema. É ótimo para a China, é um problema para os Estados Unidos e para o mundo. Essa arma, que é o Iron Dome, basicamente, o sistema de defesa

israelense testado e replicado para todo mundo. Ela é a arma de defesa mais poderosa do mundo hoje. E mais importante, dada a natureza da guerra, que virou guerra aérea, a chegada dos drones, ela é uma arma fundamental. Só que ela não é sustentável como ameaça dos shaheds, dos drones baratos iranianos. E nesse sentido, a Ucrânia ganha uma importância gigantesca, que ninguém estava dando até hoje.

Ela não recebe a quantidade desses mísseis que ela precisa. E a Rússia, primeiro, recebia os drones do Irã. Agora, a própria Rússia já fabrica os seus. E a Ucrânia lida com essa situação há muito tempo. E a Ucrânia inventou métodos baratos de outros drones para abater esses drones, os Shahheads. Então, o mundo, quando terminar essa guerra, vai lá na Ucrânia e vai falar, peraí, me dá aqui sua tecnologia. O que você está fazendo? Qual é a fórmula? E ninguém estava valorizando.

Trump não valoriza, só damos dinheiro para a Ucrânia, para que serve a Ucrânia? Está aí para que serve, é impossível travar uma guerra moderna com essa economia, com essa economics, com essa lógica econômica que você descreveu, que é exatamente o problema de hoje. Então, o Irã está perdendo uma grande parte dos lançadores dele, tanto que os ataques iranianos diminuíram 85% do primeiro dia para hoje, o quanto que ele está lançando.

Os drones conseguem lançar ainda mais, só que o estrago é menor. Qual é o potencial do drone? O que o drone faz hoje? Ele é um drone suicida. Ele explode, ele vai direto para explodir. Só que ele voa bem mais devagar. Por exemplo, para atacar Israel com esse drone, é uma viagem de horas. Então, o drone fica vindo horas. Os radares israelenses se identificam, levantam os caças, vai lá e abate o drone antes.

contra Israel. Contra os países do Golfo do lado, eles estão tendo efeito. E no começo, eles começaram a gastar milhões de dólares para abater um drone de 20 mil dólares. Só que, assim, você chega com um drone, você tem que lançar dois, três mísseis para abater um míssel balístico ou um drone. E isso está insustentável. A pergunta é, como é que o Irã vai conseguir lançar tudo isso? Porque cada vez que ele aparece para lançar, ele é atingido.

Então essa é a corrida. A corrida é tentar impedir que ele lance. O estoque de drones é muito grande, o estoque balístico é menor, principalmente com o problema dos lançadores. Os drones são um problema e não tem solução. Os países do lado vão ter que começar a aguentar o tranco. Eu vi que Dubai estava gastando rios de dinheiro para poder combater esses drones que eles estão mandando lá. Isso que eu fiquei na dúvida.

Dubai especificamente. Eles mandam em... As coisas dos Estados Unidos que estão em Dubai. Eles não estão preocupados em atacar os Emirados. Estão atacando. Atacando hotéis, atacando instalações de petróleo. Aeroporto. Eles não estão só atacando as bases americanas nesses lugares. Eles estão atacando as cidades, a infraestrutura. O Qatar desligou a sua produção de gás. Desligou. Porque um drone atingiu

um campo, e a maior de todos, ele falou, não vamos correr o risco, desliga. Eles atacaram um navio iraquiano, não que está passando no Estreito de Hormuz, no Porto, no Iraque. E a ideia é espalhar tipo o caos. Isso. Um ataque econômico. É, o custo da guerra vai ser tão alto que eles vão fazer pressão para os Estados Unidos parar a guerra. Só que os países do Golfo estão numa situação bem complicada. Porque se eles cederem a isso agora, já era.

Para o resto da vida, eles serão reféns da ameaça iraniana. Basta o Irã lançar cinco drones e acabou. Desliga o país de novo. Para o espaço aéreo, para os portos, turismo vai para o espaço. E é interessante a gente entender uma coisa no contexto do Oriente Médio. O Oriente Médio é um lugar super instável, cheio de problemas, cheio de guerra, de guerra civil, de terrorismo, de divisão sectária, de todo tipo de coisa.

ilhas de excelência e paz e segurança, que são os Emirados, o Qatar, o Bahrein, o Kuwait. Exatamente esses lugares estão no centro do caos agora. E isso abala a credibilidade deles como um porto seguro, como um espaço de investimento, de venham para cá, ponham seu dinheiro aqui. Nós somos um hub internacional logístico. No início do nosso podcast, uma pessoa escreveu aqui nos comentários,

estamos mais seguros aqui em Dubai que vocês aí com... Falou uns políticos aqui. É. Depende de... Essa guerra está mudando. Essa guerra está deixando as pessoas desesperadas. Eu recebi centenas, milhares de mensagens de gente que está lá. O que eu faço? Saio daqui. Uma pessoa virou e falou, pô, eu vou pegar o carro. Você acha que eu vou para a Oman? Falei, por onde é a estrada? Você vai passar do lado do Estreito de Hormuz? Não.

Ah, não. Vê se tem outra estrada. Ah, tem uma estrada por dentro. Tá, vai para a Oman que é mais seguro.

do Oman. Porque Oman estava mediando. Oman é amiga do Irã. E aí ele atacou Oman. Ele atacou o Azerbaijão. Ele atacou a Turquia. Ele não está nem aí. Ou seja, ele rompeu barreiras. E hoje o que se diz, o que a gente escuta é que nos bastidores os países árabes já falaram para os Estados Unidos. Não para. Não para. Agora tem que derrubar. Porque eu não quero viver mais com essa faca no pescoço. Com essa arma apontada para a minha cabeça. Só tem uma solução de resolver isso. Esse regime tem que cair.

Isso que o Trump tá mantendo e cada hora solta uma coisa. Se precisar, vão mandar tropas. Porque ele tá recebendo um apoio, um pedido desse pessoal. Mesmo que isso cause um problema pra ele internamente. Agora, né? Na política interna. É isso que eu ia falar, porque na campanha eleitoral, os republicanos, eles têm uma série de tweets lá. Quem quiser ver é só voltar no tempo lá no Twitter. Falavam que a Kamala Harris ia mandar os americanos pra guerra.

Isso. E agora o Trump está a ponto de fazer isso. Ele realmente foi mandar tropas.

Então você acha que é uma chance estatisticamente elevada de que isso venha a acontecer? Tipo, o mercado preditivo já deve ter aposta sobre isso. Não sei se tem exatamente um contrato desse, mas deve ter. Mas agora a gente tem aqui no Brasil um mercado brasileiro preditivo, que é a VoxFi. Depois a gente pode até abrir aí para ver o que... Tem um monte de contratos sobre coisas que podem acontecer. E você sabe, mas nem todo mundo deve saber, mas o interessante do mercado preditivo, como qualquer mercado,

informação. Porque ele pega a sua informação, a da Malu, a minha, a do outro, e junta num lugar só. Só que, assim, a informação que você tinha até hoje era para preço de empresas. E agora, se você tiver uma informação sobre o futuro de um evento, isso tem um valor muito grande pra sociedade. Ah lá, a Roque, ele abriu, né? Então, ali, ó, a gente tem, deixa eu abrir aqui, que ali eu não sei se eu vou conseguir.

o regime ilianiano vai cair até 30 de junho? Sim ou não? 36% acredita que sim. E o que é interessante? 65% não. O interessante disso é que, normalmente, mercados preditivos são mais eficientes, eficazes em prever o que vai acontecer do que pesquisas de opinião pública. Porque eles estão botando dinheiro. A Polimarket acertou que o Trump ia ser eleito enquanto as pesquisas falaram que era o contrário. Era muito famosa por causa disso.

do que um especialista falando. Sou eu falando. Eu estou fazendo a minha análise. Mas aí eu junto com a sua análise, com a análise da Malu, com a análise de todas as pessoas que entendem do assunto. Então aí você tem um aglomerado de informação muito interessante. Aí tem outras. As forças dos Estados Unidos entrarão no Irã até dia 31 de março. E o que eles estão fazendo? 32%. Você particularmente acredita nisso? Não acredito.

que vai entrar. Por isso que o não está ali em 69%. Claro, o mercado não acerta sempre, mas na média, quando você faz uma média geral, ele está muito mais perto da realidade do que não. E também, isso é uma opinião hoje. Vai mudando com a evolução dos acontecimentos. Amanhã acontece uma coisa, ele ataca a Europa. Se o Irã atacar a Europa, essa equação muda bastante. Aí a OTAN entra na guerra, dependendo do país. Esse é um tipo de outro evento que afeta esse evento maior.

tem um novo acontecimento. O Irã decide atacar a Europa. Aí a minha percepção sobre os Estados Unidos mandar tropas, ela vai mudar bastante. Esse é um fator crítico para mim, por exemplo. Tem outros, mas... Então você consegue ver o que vai acontecer. Eu não acho que hoje, com o que a gente tem, ele vai mandar. Acho que ele está blefando. Mas se coisas maiores acontecerem, isso começa a entrar na equação. Mas os europeus também teriam que vir junto. Eu não vejo muito sentido em mandar, já que a guerra

tecnológica. É que vai poupar dinheiro. Manda gente. É que, na verdade, você não vai conseguir derrubar o regime. Exato. Tem que ter gente. É tipo no War. Você não consegue... Você tá mandando avião, mas o War 2 tem aviãozinho, né? Mas você não domina o território só com a vez. Você não conquista, só enfraquece. Mas é porque é uma realidade da doutrina aérea. Doutrina aérea não conquista território. Ela serve pra enfraquecer. Exatamente.

O War 2 já dizia. Força aérea não conquista nada. Mas aí, partindo dessa premissa,

Então, Roque, já que você não acredita nesse momento que os americanos vão enviar tropas, então você não acredita na queda do regime. Nesse momento, não. Mas tem coisas novas acontecendo desde ontem, anteontem, que a gente tem que observar de perto. O Trump ligou para os curdos, o líder dos curdos, no Iraque e no Irã, e conversou com eles. O que são os curdos? Os curdos é um povo apátrida, o maior povo apátrida do mundo, a maior população de um povo que não tem Estado.

E eles estão distribuídos em quatro grandes estados. Tem curdos na Síria, curdos no Iraque, curdos na Turquia e curdos no Irã. E os curdos, qual é o sonho deles? Os curdos estão. Isso. Fundar o seu estado. E os curdos são um problema para todos os outros países. O que o Iraque não quer? Perder uma parte do seu território porque os curdos vão embora. O que a Síria não quer? O que acontece é isso. O que a Turquia não quer? Que os curdos se juntem com os outros curdos e formem um estado deles porque eles vão pegar um pedaço da Turquia.

E o que o Irã não quer é a mesma coisa. Os Estados Unidos, a CIA, tem enviado armas para os curdos do Irã até antes desse ataque começar. E o Trump ligou para os dois e Israel está em coordenação com eles também, com os curdos do Irã, e chamaram os curdos do Iraque. Falaram, ó, vocês têm que vir ajudar os curdos do Irã. Há continuidade territorial entre os curdos do Iraque e do Irã ou não? Eles estão separados geograficamente? Eles estão na fronteira, exatamente.

dois na fronteira. Não, ali daria pra ser o início do Kurdistão. Daria. Ali entre Turquia e Irã, ali naquela meiuca? É, tipo, se você olhar ali, tem até a Síria. Meio que eles ficam bem como se formasse um eixo ali, um circo. Óbvio que cada turco, cada povo turco de cada um desses países quer uma coisa em algum grau. Primeiro que cada um desses kurdos tem partidos diferentes. Não é só os kurdos. Então tem dois, três partidos

dos dois, três grupos de curdo em cada país. Os curdos do Iraque hoje, eles já não estão lutando por independência. Eles já estão satisfeitos em serem autônomos. E eles são. Eles têm uma bela de uma autonomia. Eles têm os recursos deles, os campos de petróleo, que o dinheiro vem para eles. Eles estão separados do lado do Iraque. Então, é meio que uma federação de verdade e eles estão contentes com isso. Os da Síria estão no meio da guerra civil e a Turquia está fazendo de tudo para acabar com a autonomia deles.

E os americanos abandonaram eles, usaram eles para lutar contra o Estado Islâmico e largaram eles para trás. E os da Turquia são os maiores problemas para a Turquia e a Turquia sempre combateu eles de forma muito dura. Eles acabaram fazendo um acordo nos últimos tempos, eles abdicaram da luta armada, os kurdos da Turquia, e a Turquia está ok, mas está sempre monitorando eles, é o grande calcanhar de aqueles da Turquia. E aí o Trump ligou e falou o quê?

comigo ou vocês estão com o Irã? E aí os curdos falaram, não, a gente quer a mesma coisa que você. A gente quer derrubar os regimes que nos reprimem. E aí ele falou, bom, então tá. Então vocês têm que fazer alguma coisa. Eu quero uma rebelião. E eles estão se movimentando para iniciar uma rebelião armada dentro do Irã. Aí já muda de figura. Muda. E eles estão armados. Só que isso tem um risco bem grande para o Irã.

Porque é a famosa Guerra Civil. Exato. 40%, Bruno, Malu, da população do Irã não é de persas. Ou seja, 40% da população não gostaria de ser iraniana, gostaria de ser balute, gostaria de ser curdo, gostaria de ser lur, gostaria de ser árabe, gostaria de ser azere, que é o povo do Azerbaijão, que é a maior parcela. 10% do Irã é curdo.

por cento é Azeri. São trinta. E tem mais dez que tá dividido entre Balut, Árabe, Loura e vários outros menores. Mas quarenta por cento da população... É, e tem uma galera ainda que mesmo querendo ser iraniana não concorda com o regime. Também. Mas eles não querem implodir o país. Esses outros, se você começar a abrir um espaço, eles vão começar a lutar por independência. Os Azeris, o sonho deles é recriar o grande Azerbaijão. Já existe.

o Azerbaijão, pequeno, e aí se juntar mais 20% do Irã, 20% de, sei lá, 18 milhões, 20 milhões de pessoas, mais 20 milhões de pessoas, e um território grande que está localizado exatamente no Mar Cáspio. Os Azeres estão concentrados ali no norte, que é a conexão com o Mar Cáspio, que é um mar fechado, um grande lago, e tem muito petróleo. Tanto que Azerbaijão quer dizer terra do fogo, e é fogo porque

que pega fogo na água de tanto petróleo que tem. Todo o petróleo do Azerbaijão vem só do Cáspio. O Irã nem explora o petróleo do Cáspio, porque ele não quer enriquecer a região dos Azeres e motivar eles a terem autonomia, algo do tipo. E, claro, o Irã tem muito petróleo em outros lugares, mas o Cáspio tem muito petróleo. Então, se você juntar a parte que o Irã, que é território do Irã, não o Cáspio, vai ter muito mais petróleo. E isso abre um espaço, então, para essa discussão,

de vários grupos começarem a lutar e o Irã se fragmentar. Isso aconteceu no Iraque, no Afeganistão, na Líbia, na Síria, e isso é um problema, porque o Irã é um país gigante. Existe esse risco, esse risco é bem alto, mas agora você tem tropas terrestres supostamente entrando na briga. Se você fala que o Irã tem uma população de 90 milhões de pessoas, imagina o fluxo de refugiados que isso geraria, uma guerra civil realmente. É verdade. Seria mais pressão para os europeus.

Ainda mais fluxo migratório para lá. E, Roque, uma dúvida sobre essa questão. Porque o Oriente Médio é muito complexo. Você tem várias etnias, mas você tem uma religião dominante, que é o islamismo. Dividido em diferentes maneiras de expressar essa religião. As principais correntes chiite e sunita. O que pesa mais lá? É a questão religiosa ou é a étnica? Ou varia em questão de conflito? Porque tem coisas que aproximam os iranianos de outros países, que é a questão do islamismo.

como você disse, eles são majoritariamente, majoritariamente não, mas a maior parcela é persa, enquanto no restante a maior parcela são de árabes. Eu diria assim, como todo mundo, todos nós, como eu, você, Malu, nós temos múltiplas identidades. Então você tem as suas descendências, mas você é brasileiro, aí você tem a sua religião. É que para nós, algumas dessas coisas estão mais separadas, para eles não. Então a religião é um elemento mais presente na definição de quem você é.

E aqui existe uma uniformidade maior, o Brasil é o maior país católico do mundo. Então você tem uma coisa... Mas lá não, tem essa mistura toda. Depende do regime ou do momento da época, a identidade é construída em cima de um elemento. A Revolução Islâmica construiu a identidade iraniana em cima do aspecto xiita islâmico. E o Shah, por exemplo, que era a antiga monarquia no Irã, ele quis construir a identidade iraniana em cima dos persas.

Ambos têm um problema, porque você tem as outras identidades. Porque se você não é tão xiita e não estão falando tanto da história do Irã, do lugar, você fala, mas talvez eu seja mais ligado com os árabes que estão dentro do Irã. Talvez eu possa ser mais próximo dos outros países. Então, a cada momento, você vai vendo uma dessas identidades se sobressalindo mais. Então, é difícil dizer, existe sobreposição.

em muita coisa, mas depende de como você constrói. Depende de qual é a natureza do país. Talvez para o Líbano, eles se enxergam como árabes, mas internamente dentro do Líbano, você tem uma divisão que já que são todos árabes, somos todos libaneses, aí a religião entra para ser o ponto de distinção. Eu sou sunita, eu sou cristão e eu sou xiita. Então depende qual é o nível

A escala de comparação. Você vai comparar dentro de um país, você vai encontrar um desenho. Se você comparar, aí o Líbano... Ah, você acha que o Líbano se sente mais próximo da Arábia Saudita? Acho que não. Acho que o Líbano se sente... O libanês se sente mais libanês. Mas aí quando o libanês está lá dentro do Líbano, aí ele tem as divisões... Aí essas outras aparecem. Então depende com o que você compara, com a escala que você compara. Às vezes você compara internamente.

eles se veem mais como iranianos. Como essa identidade iraniana está sendo puxada tanto para a religião, muitos deles falam isso daqui não está me mantendo mais. E no momento onde rompe tudo isso, agora é um momento de ruptura, está rompendo a identidade islâmica xiita. Quem vai substituir? São os persas? São essa nação moderna iraniana que englobou todo mundo? Então vamos criar uma federação, vamos deixar os azeres,

meio independentes para eles não quererem se separar. Você vai ter que fazer um outro desenho político institucional para abarcar um novo momento de redefinição de quem nós somos. Pensa, se o Brasil tem uma quebra aqui, uma ruptura, será que não é o momento de uma ruptura que começa a se cogitar movimento separatista? Essa é a hora, porque a ruptura está criando um requestionamento, uma redefinição de quem somos.

está em jogo no Irã agora. Eu pergunto isso sobre aquela ótica do Samuel Huntington, do choque das civilizações, porque ele coloca a religião como tendo um papel central, uma vez que a gente está tirando nacionalidade italiano, pode ter o passaporte. Então nós seremos ítalo-brasileiros, mas a gente não consegue ser muçulmano e católico ao mesmo tempo. Não dá. Se alguém consegue em casa, está fazendo errado. Basta falar com alguém que é de uma dessas religiões para você ver. Então a religião tem um papel central, mas lá realmente é complexo,

Porque, como você disse, árabes-chitas estão agora apoiando o ataque ao Irã. Isso. Ou seja, eles estão a favor de Israel. Então, mas se você olhar no macro, se você for comparar a civilização islâmica com a civilização ocidental, aí o denominador maior é o religioso. E essa é a teoria do Huntington. Ele diz que na escala grande, global, o ponto de conexão maior que transcende fronteiras é a religião.

E é nessa escala que você, então, vê o choque de civilizações. Se você olhar na lupa dentro do Líbano e falar, não tem civilização islâmica, eles estão se matando ali. Ok, tá bom, no Líbano tem os maronitas, então, tipo, tem uma diferença. Mas dentro do Irã ou dentro da Arábia Saudita, que tem Chiita, Arábia Saudita, 15% da população da Arábia Saudita é de Chiita. E tem essa divisão. Você fala, ué, mas eles não eram só uma civilização islâmica?

islâmica quando você compara com os latino-americanos. Que é muito fácil da gente perceber isso. Quando a gente tá aqui na nossa região, a gente acha que a gente não tem nada a ver com o resto da América Latina, o brasileiro. A gente fala outro idioma, a cultura não é exatamente a mesma. Meu, não entendemos as músicas, as danças dele. Não é igual. A gente acha que a gente é diferente. Quando você vai pros Estados Unidos ou você vai pra Europa, quem vai ser seu melhor amigo? Vai ser um argentino. Colombiano.

É isso. Você fala, agora nós somos irmãos. Somos irmãos comparados com escandinavos, com alemães, com franceses, com a civilização ocidental, com o indiano. Pô, você vai falar, nossa, o Peru é idêntico a gente. Entende? Então, por isso que eu falei, depende da escala de comparação de referência que você está usando. Se você for olhar com uma lupa, dentro do Irã, o elemento étnico é óbvio que ele é um fator bem importante.

por diante dentro da região. Agora, tem uma visão mais macro, mais de fora, você vai entrar em outra, você vai enxergar outra coisa. Você não vai perceber esses detalhes, essas nuances. Quando eu fiz intercâmbio em West Point, eu fiquei dois meses na Academia Militar Americana e não tinha ninguém que falava de português. Então, o cara que era o meu canga, que era o cara que ficava do meu lado o tempo todo me mostrando como funcionavam as coisas, era um americano filho de colombianos. Falava espanhol, ele jogava futebol, ele conhecia os jogadores

principais do Brasil, acompanhava o futebol europeu com muitos brasileiros, então era bem nítida essa questão da aproximação, porque a gente tinha uma cultura mais parecida em comparação com o restante dos americanos. E aí, Roque, já agora indo para um ponto que você sempre cita aqui, porque acho que se eu pegar em nove de dez podcast que a gente gravou, a gente acabou falando sobre o eixo das ditaduras, que seria composto por China, pela Rússia, Coreia do Norte, Irã e a Venezuela.

países. Na Venezuela, a gente teve a captura do Maduro, embora o regime ainda esteja no poder, e agora teve o início dessa guerra, Estados Unidos e Israel contra o Irã. Os outros três países, eles estão meio que quietos. Você até colocou alguns pontos. Para a China, ela é tão ruim quanto pensam, porque ela é muito menos dependente de petróleo iraniano, em comparação à dependência que o Irã tem da China. Para os russos, é bom. Melhora termos de troca.

Tira um pouco da tensão do conflito da Ucrânia. Pode expressar também a questão de envidiarramento para os ucranianos. Mas você enxerga algum tipo

risco para que esses outros países venham se envolvendo nesse conflito, qual seria o limite? Até onde os americanos podem ir sem incomodar os interesses desses outros países? Antes de responder essa pergunta, eu queria entender o macro do que aconteceu no início, porque a gente chegou já falando, acho que é legal a gente falar porque que do nada, do nada não foi, né? Obviamente, você mesmo já tinha vindo aqui e falado que podia acontecer, que teve o ataque principal, aí depois entra nessa história das... Eu acho que eu expliquei por que agora,

Quando eu falei das três guerras do Golfo e a bomba nuclear e tal. Mas como foi que aconteceu? Os Estados Unidos queriam fazer esse ataque em janeiro. E os países do Golfo imploraram, falaram, não, de jeito nenhum, não empresto minha base, não pode fazer daqui, não quero. Porque eles estavam com medo. Só que aí a negociação do acordo, eles estavam tentando fazer um acordo do programa nuclear. A posição, a exigência básica dos Estados Unidos era zero enriquecimento. Virou para o Irã e falou assim,

vão sentar na mesa e eu só aceito uma coisa, você não vai enriquecer mais urânio. Acabou. Não pode. E o Irã não queria abdicar disso. Então, não tinha zona de acordo. E Israel já lida com o Irã faz tempo, já tem o problema, já sente a ameaça. Israel já queria ter derrubado o regime na guerra no ano passado. Então, Israel sabe e entende que o único jeito de lidar com o regime agora era com a guerra. Os Estados Unidos talvez não estivessem convencidos

E foi para essa negociação exigindo uma coisa bastante óbvia, clara e sólida, que é não vai enriquecer, vai acabar com o programa balístico. E o Irã não quer nenhuma dessas coisas. Então, os Estados Unidos chegou à conclusão que se o Irã não desse aquilo, a guerra também era uma boa saída. E aí Israel e os Estados Unidos chegaram à conclusão que a guerra é o melhor caminho. E aí a guerra acontece porque o Irã também chega a essa conclusão.

O Irã também queria guerra. Porque a posição de barganha iraniana era muito ruim antes. Agora, por exemplo, é claro que tudo isso é uma aposta. Ele não... Ah, vai matar o líder supremo. Tá bom. Aí eles vão desistir. Falaram, já matamos o líder supremo. Tá bom. Os Estados Unidos pensam o contrário. Israel também. Matamos o líder supremo. Agora eles vão sucumbir. Vão desistir. Então, é um teste de força. Um lado fica tentando fazer uma coisa e espera que o outro vai recuar. E não está acontecendo.

Então eles continuam escalando. O fato é que o Irã chegou à conclusão que a guerra era o melhor caminho. E aí quando você tem três países inimigos ou rivais que querem a guerra, claramente nós vamos ter guerra. E a guerra aconteceu. E aí o primeiro ataque da guerra é para matar o líder supremo. E isso é interessante porque é um ataque de decapitação e tinha que ser o primeiro. Se não fosse o primeiro... Ele fugia e se escondia, né? Ele ia passar o resto da guerra enterrado e escondido.

É uma operação de extremo sucesso da inteligência israelense, que conseguiu hackear todas as câmeras de segurança de Teheran, assistia tudo, tinha acesso a tudo o que estava acontecendo, tinha monitorado todos os celulares, tudo de todos os seguranças, de todo mundo. E o Ayatollah decidiu, que ele dormia no bunker, e decidiu naquele dia que ele ia sair do bunker e ia fazer uma reunião na casa dele

oficiais importantes. Ele fazer essa reunião, pra mim, indica uma tendência dele a desafiar e talvez querer se matar. Porque, primeiro que ele defende uma ideologia suicida, radical, fundamentalista. Depois que ele tinha 86 anos. E, assim, morrer como um marte, meio como um herói, talvez fosse um caminho. Não que ele foi propositalmente, mas ele falou... Se aconteceu... É, tá bom.

vou correr um risco aqui, mas eu vou fazer isso. Ele não teria feito isso. E aí, quando ele decidiu fazer a reunião, a CIA estava em campo também, comunicou a Israel e falou, ele está ali. Aí, os caças israelenses decolaram às sete da manhã. Isso era um ataque diurno. Isso não acontece. E ele saiu do bunker de manhã e falou, bom, ninguém vai me atacar de dia também. Pensou isso? Bom, mas se atacar, tá bom, já 86, já fiz tudo o que eu tinha que fazer. E aí, demorou quase duas horas para os aviões chegarem.

Bombardearam a casa dele, matou ele, o ministro da Defesa, o chefe da Guarda Revolucionária e vários outros. Uma galera importante. Muita gente importante. Então, assim é que começa a guerra. E aí o Irã começa a retaliar de uma forma mais surpreendente. O Irã começa a escalar de um jeito que nunca ninguém achou que ele fosse escalar. Todo mundo sabia que ele podia escalar sim. Ele sempre disse que ele podia escalar sim, mas ele nunca fez isso. Porque todos os ataques retaliatórios

coreografado. O Trump matou o Soleimani, que era o líder da Guarda Revolucionária. Aí a resposta do Irã é vou lançar um míssil contra uma base americana. Ele avisou pra 10 países, quase deu a hora e a rota do míssil. O pessoal podia sair da base. O Irã não quer guerra. Só que o Irã veio para a guerra agora. E óbvio, o Irã está criando problemas, mas o nível de destruição é difícil.

Não tem como os Estados Unidos perder a guerra. Ele pode não alcançar um objetivo, mas não dá para dizer que ele perdeu a guerra. Eu sei que é uma discussão meio filosófica. O que é vitória ou derrota? Isso. Mas, tá bom, não alcançou o seu objetivo. Ah, é uma derrota do objetivo. Acho que sim. Mas falar que perdeu a guerra, acho pesado. Porque você destruiu toda a capacidade do regime em muitos níveis. E o que os Estados Unidos perdeu? Nada. Ok, perdeu três caças,

batidos pelo Kuwait, fogo amigo. Morreram até agora seis militares americanos por um ataque de drone Shahed no Kuwait, que veio por cima e caiu, explodiu e matou os seis. São perdas muito pequenas para o tamanho do estrago dentro do Irã. Claro, ninguém acha que você vai entrar numa guerra e vai ter zero perda. Na Venezuela teve zero, mas não era uma guerra. Foi uma operação de captura de um indivíduo, dois. Você entrou no país, capturou uma pessoa, quase que uma operação de prisão.

pessoa. Tá, que é em outro país, envolveu toda uma mobilização militar, mas não era uma guerra. Agora é uma guerra. E guerras têm custo, têm risco. E você acha que há um risco desse conflito que ele é regional, ele se espalhar, por exemplo, com os americanos ultrapassando um limite que leve outros países desse jeito das ditaduras a falar, não, aqui já está mexendo nos nossos interesses. Não tem nenhum interesse tão primordial no Irã e no Oriente Médio,

para a China e para a Rússia, a ponto deles mobilizarem tropas, economia, força militar para lidar com os Estados Unidos. Não tem porquê. Vamos lembrar que a Rússia, há muito tempo, não tinha sequer presença no Oriente Médio. E ela decide voltar a ter uma presença depois da operação do Ocidente, dos europeus e dos americanos, na Líbia, quando derrubam o Kadhafi.

defender a Síria e cria ali, restabelece, coloca sua base naval na Síria. E aí o governo da Síria caiu. E a presença russa na Síria também está ali, está negociada, mas é uma coisa tímida, já não tem mais um aliado no Oriente Médio. A Rússia não tem presença no Oriente Médio. Ela não compra petróleo do Oriente Médio, ela disputa mercado de petróleo com os países do Oriente Médio.

O petróleo está tão alto, porque Rússia, Arábia Saudita e vários dos outros grandes produtores estão dispostos a tirar mercado dos seus concorrentes, baixando o preço. Por isso que o petróleo estava tão baixo. Então, tem gente baixando o preço nessa disputa. Então, a Rússia não tem nada com o Oriente Médio. A China nunca teve e, de uns tempos para cá, começou a querer timidamente ter um papel político.

Uma normalização da relação dos dois, quem mediou foi a China. E, além disso, a China só é um grande consumidor. Mas ela não tem presença, ela não tem bases, ela não tem um grande laço a ponto de ir lá defender o Irã. Óbvio, fazem parte do eixo das ditaduras? Fazem. Mas o Irã, talvez, é o mais distante dos cinco ali. A Venezuela tem uma vantagem estratégica,

ela está nas Américas, mais perto dos Estados Unidos. O Irã não tem essa vantagem. O Irã é o regime mais estranho dos quatro, porque ele é teocrático, religioso, ele é mais fechado, ele é mais esquisito. A Rússia gostaria que o Irã continuasse ali? Gostaria, mas ela não vai gastar ou arriscar o seu projeto de conquistar Taiwan para se envolver numa briga pelo Irã. A China. A China, desculpa. Nem a Rússia também,

lidando com a Ucrânia. Então tem zero chance de China e Rússia entrarem ali. Por isso que isso não vai escalar para ser uma terceira guerra mundial. Esse era o medo de muita gente. Tem matéria de memes sobre isso. Eu na terceira guerra mundial. Porque todo mundo acha que toda vez que tem uma guerra é terceira guerra mundial. Espero que a gente não vá para a terceira guerra mundial porque a gente não tem chance alguma. A gente não consegue, a gente não tem nada. Mas essa é uma vantagem do Brasil, sabia? Não do Brasil apenas.

A América do Sul. A gente está muito isolado geograficamente. Você pega até alcance de míssel balístico. Eu já vi um mapinha mostrando assim. Aqui a gente está... Protegido pelos mares. Exatamente. E distância. É. Pela geografia. Pela geografia. A geografia finalmente... Não, finalmente não. A gente tem várias coisas que são boas para a gente, mas a gente destrói. Tem, mas a gente tem vários problemas geográficos. Também. Inclusive, parte do atraso você deve a isso. A gestão de isolamento. Se você pega Eurásia,

massa de terra onde o cara consegue sair lá da ponta da Rússia e chegar até outra ponta da Europa. Inclusive com culturas agrícolas que você consegue fazer em diferentes pontos. Agora aqui não. Agora aqui não. Se você pega um cara que está no sul da Argentina, para ele chegar lá nos Estados Unidos, tem que atravessar um monte de cordilheiras, zona de mata, condensa tropical. É bem complexo. Mas aproveitando essa questão das ditaduras, eu vi um meme muito interessante. Era o Kim Jong-un, com a filha dele ainda

pequena, apontando assim, ó, é por isso que o papai tem armas nucleares. Porque isso garantiu a sobrevivência do regime dele. Garantiu. Então, não dá pra falar que ele fez errado. Sim. Não. E aí você falou, pô, os americanos tinham um grande objetivo, junto com os israelenses, de inibir a criação de armas nucleares no Irã. E quanto à Coreia do Norte? Nunca vão cair por conta disso? Não. Eles têm que cair de dentro. Por dentro.

O que é muito difícil. Eles fazem lavagem cerebral na população. Lavagem cerebral é muita força, né? E muita força. Muito isolado, muito impulsivo.

impossível de chegar uma arma lá dentro. A fronteira é com a China e com a Rússia. Só se a China ou a Rússia quiserem derrubar o regime. Não tem porquê. É. Então, não vai acontecer. E se você olhar bem, esses três são bem mais próximos, né? São bem parecidos. E fazem fronteira, os três. São líderes fortes, a Coreia do Norte mais próxima do regime chinês, o Putin na Rússia não tanto, mas também um líder personalista forte. O Irã já é uma

espécie um pouco diferente. A gente não poderia falar que a Coreia do Norte é quase uma teocracia? É, secular. É uma religião sem falar de Deus, mas personificada neles. É tipo uma religião secular. É uma ideologia que tem no Irã, tem na China, tem na Coreia do Norte, não tem na Rússia. É o Putin. Putin chegou lá meio oportunista, tirou vantagem da situação,

e tomou o poder e vai ficar lá até o máximo que puder. Mas não tem um projeto de perdurar a doutrina Putin. Putinismo. Isso não é um caminho da Rússia. Tanto que se o Putin cair, a Rússia pode ser bem diferente. Talvez. Dependendo de quem assumir. Uma coisa é certa. A guerra na Ucrânia não continua se o Putin cair. Não importa quem seja o líder russo. A primeira coisa que acaba é aquela guerra. Por que você acha isso, Rai?

Porque ele vai ter que se consolidar em outras áreas e tem um monte de erros sendo cometidos ali. Ele vai ter muito problema interno. É, e não tem porque ele sustentar e manter aquilo. É o primeiro problema para ele encerrar. Estanca isso daqui e vamos lidar com todo o resto. Eu tenho que me consolidar no poder. Está morrendo um monte de soldados. Militares nem sei se eles estão felizes com esse negócio. Custa dinheiro. Se o Putin caiu é porque existe alguma instabilidade maior que eu vou ter que focar aqui para me consolidar.

está com a tensão para fora. Talvez se eu já abrir os mercados, a Rússia puder vender para muito mais países, a economia já vai melhorar. Para eu fazer isso, é óbvio que eu tenho que acabar com a guerra. Todos os indicadores mostram que a guerra acaba. Agora. Mas não existe muita chance do Putin cair agora, não tem? Agora não, mas lembra, faz muito tempo o Prigogin, um golpe de Estado que durou, sei lá, 12 horas. Isso, ele foi num caminho, ele estava marchando em direção.

a Moscou. Lembra que eu mandei mensagem pro Rocky pra marcar um podcast e acabou. Então ele não deu certo, mas aquilo assustou o Putin. Agora ele tá mais resiliente. Ele já entendeu melhor o que pode acontecer. Depois o Prigoji morreu, né? Lembra que o avião dele explodiu. O avião caiu. Tipo, não, o avião caiu. O avião explodiu no ar. Era o avião dele com ele dentro. Agora, na China e no Irã, o regime tá intacto. As figuras caem,

E o regime continua. Tanto que no Irã dizem que já escolheram o novo líder supremo. Seria o filho do Khamenei. Só que a imprensa oficial iraniana não anunciou isso. Então esse é o pé que está. E aí a pergunta é, não anunciou porque não escolheu ou não anunciou porque não quer que ele seja o próximo alvo? Ele já é o próximo alvo de qualquer jeito. Mas aí vai ter talvez uma mobilização ainda maior para atingi-lo.

outro caminho que a gente não falou aqui, que é não derrubar o regime e o Trump fazer com o Irã o que ele fez com a Venezuela. Isso é mais improvável dado a natureza do regime iraniano comparado com o venezuelano. Mas a vantagem do Trump, a capacidade dele exercer influência sobre a Venezuela está no fato dele controlar a entrada e saída de petróleo. Se ele replicar isso no Irã, talvez ele consiga ter um poder de pressão e de barganha

contra o regime. Como que ele faria isso? 80% do petróleo do Irã é exportado através de um terminal que está numa ilha, na frente do Estreito de Hormuz. Se os Estados Unidos capturarem essa ilha, ocuparem essa ilha e falarem para o Irã, você quer vender petróleo? Você tem que fazer do jeito que eu quero. E aí elementos do regime não religiosos, mas pragmáticos, da guarda revolucionária, que tem a perder econômica,

Percebe que seus estoques de mísseis estão acabando, está difícil de lançar os drones. Talvez seja a hora de a gente dar uma guinada na nossa posição em relação aos Estados Unidos, Israel e o mundo. E aí seria uma grande guinada. E os Estados Unidos usaria o controle dessa ilha e a exportação do petróleo do Irã para forçar eles a ir no caminho que eles querem, do mesmo jeito que ele está fazendo com a Rodrigues na Venezuela.

de que isso seja provável? Porque parece uma vitória para os americanos com um custo muito baixo. Quem vê a tropa, tem um conflito de maior duração. Tira o regime para não saber quem vai assumir. Tem alguns problemas nesse caminho. O primeiro é, existem essas figuras dentro do regime iraniano genuinamente abertas a essa negociação? Ou são só um pouco mais de enrolação de novo? A Delcy Rodrigues, ela claramente está nesse lugar.

Ela não é uma militar, ela é uma mulher, ela não controla as forças de segurança, ela já aprovou leis do petróleo, ela é um pouco mais pragmática, ela já fez esse acordo com os americanos. Óbvio, nós não vimos a extensão de quanto ela vai conseguir implementar tudo que os americanos querem que ela implemente. Até agora ela tem implementado. Ela mudou a lei do petróleo no país, ela mudou uma série de coisas. Ela não sofreu uma resistência grande do cabelo, que é o ministro do interior,

do ministro da defesa, que são os caras que controlam as armas e que são os problemas. Mas também, se ela sofrer essa resistência, os Estados Unidos sempre vão ter a opção de falar. Quer ser sequestrado também? Isso. Então, essa dinâmica está em andamento. A gente ainda não viu para onde ela vai, mas está dando certo, num certo grau. No Irã, ninguém sinalizou que quer essa conversa. Não veio nenhuma mensagem. Estamos querendo conversar. Número um. Número dois, quem vai querer conversar? Esse cara é confiável?

Número três, o controle da ilha é possível de ser mantido? Porque se os Estados Unidos colocam tropas ali, forças especiais, controlam, capturam a ilha, e o Irã começa a atacar a ilha com uma chuva de drones, vai ser difícil defender essa ilha. Mas aí o Irã também vai destruir a sua infraestrutura do petróleo. Então não é que os Estados Unidos sequestrou a infraestrutura do petróleo. Você mesmo destruiu a sua infraestrutura do petróleo. É do interesse do Irã fazer isso? Também isso não...

Então, se eles são kamikazes, eles não vão querer negociar com os americanos. Então, a ideia de fazer o modelo Venezuela no Irã não vai dar certo. Então, não sei. Tem pontos que mostram que isso é possível. Tem outros que são difíceis. Um deles é como captura essa ilha. Quantos soldados são necessários para capturar essa ilha? Qual é o tamanho dessa operação? Você vai botar navios americanos muito perto da costa iraniana. Hoje, os navios americanos estão em distâncias que os mísseis

não estão seguros. O tempo até ele chegar, as baterias de defesa aérea podem proteger. Se você fazer uma operação, é uma ilha grande ali. Se você fazer essa operação e chegar lá, talvez você tenha que estar muito mais perto, muito mais exposto. Talvez não é a hora de fazer essa operação. Daqui uma semana, o estoque de munição iraniano vai estar pior ou menor. E com isso, os Estados Unidos podem ter uma operação mais fácil para tomar essa ilha.

Se curdos não dêem nada, se as outras coisas, como estão se desenrolando, não acontecerem. Tem a questão do petróleo também, se o Trump não vai ceder à pressão econômica, que esse é um ponto bastante importante. O Trump deu duas grandes recuadas desde que ele tomou o poder. Uma do tarifaço, por causa da resposta dos mercados, e a outra da Groenlândia, quando os mercados também responderam muito negativamente a ele falar que ele vai tomar a Groenlândia.

Davos ali, ele estava obcecado. E de repente ele... Não, já fizemos um acordo, acabou. Porque os mercados foram a fundo. Um analista do Deutsche Bank virou e falou que estava na hora dos europeus cogitarem parar de financiar os americanos, já que os americanos são inimigos. Os europeus têm por volta de 12 tri de dólar de ativo americano. Uma parte disso dívida e outra parte ações. Mas é diferente da China falar isso para a Europa,

tem esses ativos são investidores privados. A Europa teria que passar uma lei para proibir os europeus de comprarem ou terem que vender os seus ativos americanos. Uma coisa que quase que impossível de acontecer. Mas o fato disso estar na mesa dessa discussão e do movimento de alguns fundos de pensão, alguns fundos dinamarqueses, fundos escandinavos, por conta própria falarem Estados Unidos é um lugar estranho. Vamos tirar o dinheiro dali.

Isso explica parte do tamanho da entrada de dinheiro para o Brasil. Os emergentes no geral. É, porque os Estados Unidos virou um lugar meio... Não é perigoso, mas dá um pouquinho de medo. Não dá para eu deixar tudo ali mais. E isso é a geopolítica que está causando e a política interna do Trump. Ah, o Trump está acertando na política externa? Tá bom. Mas ele está criando percepções onde o dinheiro está saindo dos Estados Unidos também.

de desdolarização. O ouro está subindo muito por conta disso. O pessoal vende título público americano. Outro indicador de que os alicerces da confiança na potência americana estão sendo abalados. E abalados pela forma, não é pelas ações em si, porque os Estados Unidos estão se mostrando mais fortes. Os Estados Unidos estão conquistando coisas na política externa, pelo menos. Mas a forma faz toda a diferença na política.

forma como o Trump faz, ele poderia falar que a Groenlândia é importante e vir com um discurso suave, calmo. Não, mas ele não sabe fazer assim. Isso. Aí quando ele fala eu vou tomar a Groenlândia se precisar a força, como assim você vai tomar a Groenlândia a força dos seus aliados? Aí ele chutou a mesa, entendeu? Virou a mesa de ponta cabeça. Aí todo mundo fica assustado. Ele pode querer a Groenlândia pelo que a Groenlândia é, do jeito certo, já que ela é dos aliados,

já que ela não é bem um país autônomo, já que ela é um território que mora muito pouca gente, já que é um país imenso, já que está num lugar tão estratégico, difícil de ser defendido, que os próprios europeus não vão conseguir defender se a Rússia ou a China quiserem. Ele tem todos os argumentos. A coisa se encaixa, ela para de pé. Mas a forma que é feita é destrutiva. Os argumentos de que a economia mundial tem um problema, um desequilíbrio, também são sólidos, também precisam ser tratados.

é o grande desequilíbrio da economia do mundo. Mas aí tarifar o mundo inteiro por igual, tratar todos os países do mesmo jeito, estraga. E assim vai. Então, ele vai fazendo a visão, a noção para onde tem que ir, ela pode ser acertada, mas a forma faz muita diferença na política. E aí depois, então, ele teve essas duas questões que ele recuou, e aí você acha que melhorou a imagem dele depois da Venezuela e agora com a guerra?

Tem duas imagens para o Trump. Para fora, ele está indo muito bem, mas para dentro, não. Porque ele tem alguns problemas. Por exemplo, a história do ICE, que é a polícia migratória mascarada. Aquilo é um absurdo. Do ponto de vista democrático, aquilo é um absurdo. O problema não é você ter uma polícia que fiscaliza se as pessoas são imigrantes ilegais ou não e vai deportá-las. Isso não é o problema. O problema é a forma.

A forma como eles atuam, a forma como eles estão vestidos, mascarados. Então, isso causa um choque. Esse é um primeiro problema. Como você sabe que é um problema? Porque ele recuou. Ele demitiu o cara que era o cabeça desse negócio. Ele retirou as forças do ICE do Estado de Minnesota. E a opinião pública ficou muito crítica. Grandes apoiadores do Trump, como o Joe Rogan,

maior podcaster do mundo, começou a criticar ele muito e falou, pô, esse negócio é inaceitável. Essa história de cara mascarado atacando a população, prendendo gente, não dá. Então, esse é um erro. Tem as outras questões econômicas, né? Ok, o petróleo está barato, mas agora com a guerra, o petróleo está subindo, já subiu na bomba. Depois, se o petróleo vai subir, vai ter inflação e aí os juros não vão poder baixar e os juros afetam as hipotecas.

que não são populares, cuja vida mais alta nunca é popular. A história da imigração também vai causar outros problemas econômicos para os Estados Unidos. Não é só tem a questão cultural, a discussão política e a discussão econômica. Quem vai substituir esse trabalhador? A mão de obra é mais cara também. O migrante é essencial nos Estados Unidos. Os Estados Unidos não conseguem resolver o problema da dependência dos semicondutores a Taiwan pelo custo de produção. Por quê? Porque se ele produzir o semicondutor nos Estados Unidos,

É 25% mais caro do que em Taiwan. Nenhuma empresa que compra os semicondutores americanos quer comprar de um fabricante local, americano, porque é 25% mais caro. E quando você aumenta o custo da mão de obra, tudo vai ficar mais caro, no geral, no país. Então, tem várias coisas internas que ele não está indo bem. Tem toda a crise do Epstein também, que mexe com ele, mexe com coisas que ele falava, que ele que alimentou essa teoria da conspiração.

O movimento de que o mundo é dominado por grandes pedófilos é um movimento da direita. Nasce na direita. Pizza, pizzaria com porão de pedofilia, todas essas histórias vieram da direita. E aí, justamente, começa a aparecer um monte de gente da direita. Então, isso abala ele. Mas você tem um monte de questões internas que ele não está indo bem. E essa questão agora externa, ela é a primeira que pode mexer e criar mais problemas internos.

Você até citou em um post sobre a questão da IA. Porque a guerra da Ucrânia está acontecendo, devem estar usando IA por lá também. Mas agora ficou muito claro o uso de IA para a coordenação dos ataques, para a questão de monitoramento. E teve toda aquela celeuma, o governo Trump. Então, o que você está vendo de experiência com IA? O que você acha que isso muda nos conflitos modernos daqui para frente?

trabalhador tem impacto na economia, na política, na cultura e na esfera militar. A discussão mais importante da esfera militar, ou mais crítica da inteligência artificial, é você permitir que a inteligência artificial tenha o comando e dê a ordem final de ataques. Esse é um tema muito sensível. E todos os especialistas, todas as discussões, painéis éticos sobre esse tema falam. A única coisa que não pode acontecer

que não vai ter um humano, não pode deixar não ter um humano que dê a ordem final. E a briga da Antrópica com o Pentágono é por isso. Porque eu mudei e virou e falou, olha, existem barreiras ou limites éticos aqui, morais, que eu não cruzo. Nós não permitiremos que a inteligência artificial possa controlar armas automatizadas. E o Pentágono foi lá e exigiu que ele liberasse, que ele desse uma versão com isso. Isso é bastante assustador.

Porque isso está na essência da discussão do perigo da gente ser destruído ou dominado pela inteligência artificial. São esse tipo de decisões sem travas de regulação, de preocupação, porque você está mais preocupado em ter o ganho e a vantagem militar do que a decisão da IA sem se preocupar com a consequência que isso pode trazer lá na frente,

todas as armas. E nós vamos dar o controle de todas as nossas armas para outra forma de inteligência? Isso é uma loucura. E a briga com a Antropic tocou exatamente nesse ponto. E aí o Trump ameaçou nacionalizar a Antropic. Ele sempre mete o louco, né? Só que existe a lei pra isso. E todos os relatórios, inclusive, eu não sei, eu já falei pra vocês, não sei se você chegou a ler. AI 2027. Eu li. Tá.

Bem interessante. Então, aquele relatório, uma grande parte da discussão é a hora que os governos do mundo americano, na verdade, porque o chinês já vai ter esse acesso, o governo americano começa a discutir se deve ou não nacionalizar a líder de inteligência artificial para ele ter o controle daquilo. E essa discussão que está lá num relatório preditivo e tal, ela já é real. Eles só erraram porque eles achavam que a líder ia ser a open mind.

Isso. Era Open AI. Mas a Antropica está na frente agora. Exatamente. Mas eles estão falando que isso está acontecendo lá no relatório em 27. Já foi antes. Já está acontecendo antes. E está acontecendo. Agora, é um contrassenso. Se você quer nacionalizar, é porque você acha que é muito importante. E no final das contas, ele não nacionalizou, mas ele puniu. Ele proibiu ela de participar dos contratos governamentais. E aí, quem...

Ele disse que ela é uma exposição à segurança nacional para a cadeia americana. E aí quem faz negócio com ela vai ser punido. Então você está quebrando desse jeito a maior e a líder do segmento. Então tem coisas erradas aí. Mas o que mais me preocupa, que é o big picture da história, é a combinação de todas essas coisas que a gente está falando e para onde a gente está caminhando. Então a primeira combinação é esse cenário geopolítico.

a guerra no Irã em si, é a degradação, é a destruição completa da ordem internacional. É a normalização dos conflitos, é os movimentos de autossuficiência, de busca por proteção, segurança, gasto em defesa, todo mundo se preparando para guerras porque as guerras foram normalizadas, porque nós estamos vivendo na lei da selva com força total. Esse é um contexto, é uma diretriz,

É um caminho que nós estamos seguindo irreversível e você não consegue trazer de volta. Aí você tem, de outro lado, polarização dentro das democracias. Aí você tem redes sociais e como as pessoas estão totalmente perdidas, incapazes de raciocinar, de se prender a atenção, de aprofundar, de compreender as coisas da realidade. Até saber o que é real ou não agora com IA, fica cada vez mais difícil. Eu já vejo uns vídeos de vez em quando assim que eu consigo ver ainda que é IA. Mas você vê os comentários, tem 3 mil comentários.

Você demora uns 50 pra ver alguém falando, pô, esse vídeo já ficou muito bom. O restante acho que é real. É, eu sou péssima. Viralizou um do garotinho que tava num julgamento com o juiz, porque ele tava com 16 anos trabalhando num posto de gasolina à noite, porque a irmã dele tinha que sustentar, os pais tinham morrido. Aquilo era IA. Só chorando. Era IA. Pensa, a gente já criou toda essa... É que eu esqueço que tem IA às vezes.

Com a rede social, com a internet, sem TIA. Só com perfilzinho falso. Só um botezinho simples. Imagina a hora que você tiver...

milhares de perfis falsos, de gente que fica o tempo inteiro engajando. E aí o algoritmo é funcionado na base do engajamento. Você pega qualquer post de qualquer história e potencializa. E aí você conecta com várias das coisas que eu já falei aqui e que a gente está vendo serem provadas, por exemplo, na rede social das inteligências artificiais. Não sei se você viu isso. Eu vi, mas tinha muito sensacionalismo ali. Era muito humano falando para IA interagir de uma certa maneira. Isso, tudo bem. Só que o ponto não é...

Não é que a IA fez aquilo. É o que os humanos estão dando de prompt, de comando e educando. Porque a inteligência artificial, ela aprende. Senão, ela não era inteligência artificial. Ela não é inteligente. Ela só fica ali. Então, você dá o prompt. Você fala, nunca mais me dê respostas me dando fórmulas matemáticas. Tipo, não quero fórmula matemática. Me dá um resumo desse jeito. E ela entende. Então, se você fica alimentando ela com essas teorias, que são as teorias dos humanos,

você está dando um frame, uma moldura para ela interagir ou pensar ou ser. Então, a gente está construindo coisas e caminhando e andando em uma direção muito assustadora. E me parece impossível da humanidade conseguir ter rédeas desse momento. A gente não consegue ter rédeas com coisas muito menores. E nós estamos chegando a uma junção de várias dessas coisas. Você me perguntou, como é a IA usada na guerra?

Ela está dentro da guerra. A maior força militar do mundo está falando em automatizar o ataque. Nós estamos fundindo. Você acabou de falar da IA na rede social. A rede social já era um problema. Agora a IA multiplica isso. Então, o ser humano comete erros gigantes. Só que as ferramentas ou o espaço desses erros eram contidos antes e não são mais. Acho que a gente tem um exemplo interessante em termos históricos

essas disputas de países por armas que vão definir quem é o dono do mundo, digamos assim. Agora vai ser a IA. Quem tiver a melhor IA vai ter mais capacidade de coordenação, de análise, de inteligência. Mas antes disso, a gente pode falar que lá atrás, meio do século XX, isso foram as armas nucleares. Os americanos chegaram na arma nuclear antes. Se eles fossem essencialmente pragmáticos e pensassem estritamente em poder, o que eles deveriam ter feito quando tinha arma nuclear?

conseguia deles. Jogavam no canal. Acabou. Eles eram os seus únicos detentores de armas nucleares no mundo. Se o Maia tivesse tomado essa decisão lá atrás, será que não seria essa decisão tomada? Porque do ponto de vista racional, era ela que era a mais inteligente? Só que a gente não tem coragem. Só que o pessoal pensou, pô, não dá pra matar. É, matar as pessoas, né? Porque o ser humano, ele... Ainda é humano. Ele é uma combinação de emoção e razão.

E quando tenta ser racional, ainda tá cheio de vieses, né? Cheio de vieses cognitivos.

e viéses emocionais. Então, a gente tem um elemento que uma máquina não tem. Essa inteligência, essa forma de raciocinar da inteligência artificial é diferente da nossa. E como que a gente vai dar tanta força e poder para isso? E como que a gente está tão desestruturado na nossa capacidade de conversar, entendeu? E de criar regras de convivência. Não é mais o que você faz no seu quintal fica no seu quintal.

E vice-versa. E o mundo inteiro está vivendo nesse contexto. Por isso que eu digo, um erro humano agora, ele não fala, pô, errei, mas tudo bem, o estrago foi contido. O estrago não será contido. O estrago será total, será gigante. E é um pouco assustador, porque está diante dos nossos olhos. Nós estamos em momentos muito críticos da história da humanidade, caminhando para o precipício. Não é por causa da guerra do Irã, repito. É pelo todo.

Pela junção de todas essas coisas acontecendo. E meio que ninguém sabe. Nem os caras que mais entendem desse assunto sabem onde eles estão pisando quando a gente fala de IA. Quando a gente fala de uso da força, guerra, são jogos muito, né? São decisões muito complicadas. Afeta um. Acabei de falar que trazer os curdos para a equação, a Turquia não vai querer. Ela vai virar para os Estados Unidos e falar para com essa guerra. Então, cada peça que você mexe vai afetando todo mundo.

Quando você começa a trazer tanta complexidade e várias outras coisas que afetam todo mundo, uma hora a gente vai se perder. A gente vai perder o controle. O Nassim Taleb chama muito dessa política externa americana no Oriente Médio de intervencionismo ingênuo. Ele fala, você quer ir lá e tirar um ditador e pensar, não está resolvido o problema. Algo muito pior pode nascer daquilo. Como, por exemplo, o Estado Islâmico lá atrás.

Então é realmente muito complexo, porque você não tem as variáveis todas para decidir a melhor linha de ação. E já chegando aqui ao final, Roque, eu queria saber o que a gente pode esperar.

para as próximas semanas e meses, o que você acha que é mais provável no conflito? É realmente ele se estender, ser uma coisa mais pontual com essa questão de negociar com o regime? Eu acho que, assim, a gente só vai conseguir responder isso quando eu começar a ver que o Irã tem menos capacidade de atacar. Aí o cálculo iraniano vai começar a mudar. Óbvio que ninguém sabe quantas armas cada lado tem. E se o Irã começar, por exemplo, a atacar a Europa, aí o negócio vai escalar. Mudou completamente.

Então, pode ser que ele esteja guardando. Mas, claro, não é só que ele está guardando. Também não está fácil de lançar, sair da caverna ali e fazer um lançamento. Eles detêm a supremacia aérea. Eles comandam o espaço aéreo do Irã. Então, isso é uma realidade. Eu não acho que o Trump quer levar isso por muito tempo. Mas, cada vez mais, me parece que ele dá sinais que ele quer mesmo mudança de regime. E mudança de regime... Demanda tempo. É. Então, tem coisas bem contraditórias para dizer com clareza.

pra onde vai? Tem um outro episódio, nem falei disso, mas acho importante falar. Uma outra coisa que pode acontecer que muda tudo. O Irã atacar as plantas de dessalinização. São 100 milhões de pessoas que vivem ali e dependem dessas máquinas pra ter água. Essas plantas ficam aonde? São 450 plantas na região espalhada. Do Irã mesmo? Não, não. No Oriente Médio? É, os países vizinhos.

Vazou um relatório do embaixador americano, em 2008, pelo Wikileaks, que ele faz uma análise, que ele diz que tem uma planta de dessalinização que está próxima do Golfo, do mar, saudita, e que ela tem um aquoduto de 500 quilômetros que ela dessaliniza e joga para a Riad, que é a capital. E ele diz que se esse aquoduto ou a planta forem atacadas ou destruídas pelo Irã, em uma semana,

Riyadh tem que ser evacuada. Nossa, é muito rápido. Porque, tipo, não dá pra viver sem água. Se o Irã... São 450 plantas espalhadas. Hoje, essa tecnologia tá dominada, é basicamente convencional, você tem um custo de energia, a energia eles têm de sobra, mas eles não têm água, ninguém tem água. Essas cidades, elas não são habitáveis no deserto sem água, sem ar-condicionado. E se ele começar a destruir isso, é um problema. E, claro,

Direito internacional que não existe mais, morreu. Proíbe que você ataque isso. Mas o Irã não tá nem aí pra nada disso. Então, esse é um indicador pra mim bem crítico, porque os países todos do Golfo vão entrar em colapso. E não tem nem o que fazer. O que eles vão fazer? Pra onde eles vão trazer? Como é que vai começar a trazer água? Da onde? Vai ser uma situação bem caótica. De novo, se ele fizer isso também, todo mundo vai falar, pô, tem que derrubar esse regime.

Só que, ao mesmo tempo, vamos invadir como? Se o nosso país parou. Como é que... Americanos. Traz água aqui pra mim, porque se eu não tomar água, eu vou morrer. Como é que eu vou juntar soldado pra ir lá invadir? Então, é uma situação... Quem é que vai sucumbir antes nessa história? Mas esse é um alvo. Todo mundo tem medo. A CIA acha que esse é um serviço de inteligência americano. Aponta isso como uma das coisas mais críticas, muito mais crítico do que o petróleo.

parar a produção de petróleo. Porque agora eles estão desligando. Por exemplo, o Iraque não tem como estocar petróleo. E se o navio não sai, ele está tendo que desligar. Porque ele não tem o que fazer. Vai jogar esse petróleo aonde? E coisas absurdas desse tipo já foram feitas. O Saddam Hussein, lembra? Quando ele falou, se vocês me invadirem e me atacarem, ele botou fogo em todos os campos de petróleo no Kuwait. Ele saiu recuando do Kuwait e botando fogo em tudo. E o Kuwait inteiro ficou pegando fogo. E demorou.

sei lá, seis meses, um ano, para eles conseguirem acabar com os incêndios em todo o país. Ele abriu a torneira e jogou o petróleo dentro do Golfo para impedir que os americanos conseguissem chegar na costa. Tipo, eles já fizeram coisas muito loucas. O Irã não pode fazer isso? Pode. Então tem água, tem água e a água é bem...

coisa mais crítica que o petróleo. Nossa, essa hipótese é assustadora, né? É. A gente resiste muito pouco tempo sem água. Isso. Imagina você ter que levar água pra tanta gente assim. Não dá, né? Em escala isso nunca foi feito. Não, ia ser o caos, porque ia ser essa galera tentando evacuar, porque tem que ir embora, né? Exatamente. E não tem pra onde ir também. Vai pra onde? Pra Europa? Quanto que vai ter que andar pra chegar num lugar que tem água suficiente pra toda essa galera? Pra essa galera. Mas a chance,

Em termos percentuais, é pequena disso acontecer. Não sei. Não tem uma aposta sobre isso? Não vi se tem um contrato disso, mas eu diria, por que é pequena se o Irã está atacando indiscriminadamente tudo e todos? São 450, são alvos fáceis. Quer dizer, a Arábia Saudita, depois desse relatório, esse relatório veio em 2008. Ela reforçou essa planta específica, porque ela leu e pensou e falou, nossa, realmente, isso é grave.

drones, sei lá quantos mil drones. Tipo, como é que você vai proteger todas elas? Se ele tá acertando navio, hotel, aeroporto, porto, refinaria, campo de petróleo, plataforma de petróleo. Ele tá simplesmente atacando tudo. É, porque por mais kamikaze que eles sejam, é uma forma de colocar uma sentença neles também, né? Todo mundo vai ficar puto. É. É. É uma forma de colocar uma sentença neles e é uma forma

eles falarem, se eu der esse passo, eles vão sucumbir. Sim. Por isso que é uma corrida de aposta, de blefe, quem aguenta mais. E eu não acho que os países do Golfo podem recuar mais, do ponto de vista geopolítico. Eles deveriam já ter entrado na guerra, de verdade. Não que isso faça diferença militarmente. Porque, bom, tem dois porta-aviões americanos, os Estados Unidos estão lá, não precisa de mais gente.

Israel está atacando de uma forma surpreendente. São 200 caças israelenses operando. Israel está operando, aliás, de igual para igual com os Estados Unidos. Não em tamanho, mas ela tem as suas responsabilidades. É um parceiro júnior que faz uma coisinha ou outra ali. Não, isso daqui é com vocês, isso daqui é comigo. Tecnologicamente está no mesmo patamar, na sua opinião? Está, dado as proporções de diferença de tamanho. Mas Israel se mostrou o aliado militar americano.

mais poderoso. Se você olhar para todos os outros aliados que os Estados Unidos têm, nenhum se equipara a Israel. Nem todos os europeus juntos. Porque eles não conseguem coordenar 200 caças numa operação com os Estados Unidos. Eles não têm a gasolina, não têm a munição, não têm o piloto, não têm um negócio, não levanta, não vai. Não vai 200. Israel fez. Israel que atacou a Ayatollah. Israel que está fazendo uma parte das operações e os Estados Unidos faz outra. Claro, a marinha israelense

lá afundar o navio. Isso é os Estados Unidos. Mas Israel tá fazendo um monte de outras coisas importantes. É, vou ter que chegar ao final do podcast, que eu tenho um evento pra ir também, o assunto é infinito. E aí, Roque, pra quem quiser acompanhar mais, até porque a gente tá fazendo podcast aqui, pode ser que ainda no dia de hoje, fique velho, né? Com outros dobramentos acontecendo. É importante você falar isso, porque as pessoas não entendem.

Ah, você falou a coisa errada, vocês falaram tudo errado. Hoje, nesse momento, sei lá,

horas que nós estamos aqui falando, eu nem sei o que está acontecendo. Está acontecendo já várias coisas. A Europa pode ter sido atacada enquanto a gente está aqui. O pessoal confunde muito previsões com base em estatística com profecias. Você fala assim, olha, tem 30% de chance de acontecer e não acontece, o pessoal fala, você errou. Não, tinha 70% de chance de não acontecer, entende? Exato. Eu só falei que existia um caminho para ir para lá. Mas, não. Então, quem quiser me seguir, professor Roque,

YouTube, Instagram e TikTok. Rock H-O-C. Tem muitos vídeos, fiz várias lives sobre o assunto, estou cobrindo de perto tudo. No Instagram também. E tem o meu aplicativo, Rock Academy, que você consegue acompanhar tudo isso com cursos, aulas. E tem o Bunker do Rock, que é um feed de notícias em tempo real, onde você é alimentado com todas as análises do que está acontecendo no mundo, não só na guerra, sempre. Uma assinatura anual.

é muito bom o valor do que você vai ganhar ali. Tem vários outros professores, não sou só eu. E também tem a minha pós-graduação com a PUC do Paraná. Para quem quiser um diploma em geopolítica, chama Dinâmica Global. E é uma... Enfim, são vários professores. Tem o Tony Blair de professor. Uma pós-graduação você recebe um diploma Dinâmica Global com a PUC do Paraná. É isso. Muito bom. Obrigada, Roque, pela presença.

de novo. E vocês encontram a gente aqui semanalmente no canal dos sócios, sempre com um episódio pra, de alguma forma, agregar na vida de vocês. Também me encontram no arroba maluperini no Instagram. A cada dez episódios, um é sobre guerra. Não, ultimamente... São tempos atuais, né? É, é verdade. O podcast tem o quê? Quatro anos que a gente tá no ar? Você tá vendo a utilidade do rock academy ou da pós-graduação ou da geopolítica, gente?

Tá acontecendo. Acho que nos últimos dois anos a gente falou bastante de guerra. Foi. Ah, é. E vocês me encontram no Instagram bruno__perini,

YouTube Você Mais Rico, vídeos semanalmente e sempre aqui nos sócios. Para quem assistiu, nosso muito obrigado pela audiência, nosso convidado, obrigado pela presença. Espero que volte mais vezes. Em contextos mais felizes. E é isso, pessoal. Grande abraço e até a próxima. Beijos.

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