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A ESTRATÉGIA DA FAMÍLIA BARSI PARA VIVER DE DIVIDENDOS (com Louise Barsi) | Os Sócios 298

21 de maio de 20261h39min
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Você conhece o método que transformou Luiz Barsi no maior investidor pessoa física da história da Bolsa brasileira?

Enquanto a maioria tenta encontrar a próxima ação “explosiva” ou ganhar dinheiro rápido no mercado, Barsi construiu sua fortuna de outra forma: comprando participação em empresas sólidas, geradoras de caixa e capazes de pagar dividendos durante décadas.

Mas como funciona, na prática, o chamado “Método Barsi”?

Como identificar empresas capazes de atravessar crises, mudanças políticas e ciclos econômicos sem destruir patrimônio?

E por que investir bem vai muito além de números, gráficos e relatórios?

Em um país que já trocou de moeda diversas vezes, passou por hiperinflação, confiscos e instabilidade econômica, construir patrimônio no longo prazo exige muito mais do que acertar tendências de mercado.

Exige disciplina, paciência e uma filosofia de investimento capaz de atravessar gerações.

Para responder essas e outras perguntas, recebemos Louise Barsi, filha de Luiz Barsi e uma das maiores referências quando o assunto é investimentos em dividendos no Brasil.

Falamos sobre sua trajetória, vida, família, influências, construção de patrimônio, independência financeira, mentalidade de longo prazo e os princípios que deram origem ao Método Barsi de investir.

Uma conversa sobre Bolsa de Valores — mas, principalmente, sobre comportamento, legado e visão de futuro.

Ele já está disponível no Spotify, e será transmitido ao 12h no Canal Os Sócios Podcast.

Hosts: Bruno Perini @bruno_perini e Malu Perini @maluperini

Convidados: Louise Barsi @louise.barsi

Assuntos8
  • Filosofia e Perspectiva de InvestimentoMétodo Barsi · Empresas BEST (Bancos, Energia, Seguro, Saneamento, Telecom) · Setores a evitar · Importância da perenidade e resiliência · Luiz Barsi
  • Investimento em BolsaPrimeira lembrança de investimento · Educação financeira familiar · Mesada e investimento · Crise de 2008
  • Investimento e Formação de CapitalPotencial de valorização em privatizações · Risco político e subavaliação · Setores regulados e resilientes · Banco do Brasil · Eletrobras · Sanepar · Copasa
  • Distribuicao de DividendosMétodo Barsi · Empresas pagadoras de dividendos · Reinvestimento de dividendos · Tributação de dividendos
  • Investimentos e ImpostosImposto mínimo sobre dividendos · Tributação de JCP e dividendos · Estratégias para otimização fiscal · Mudanças em LCIs e LCAs
  • Performance das ações no mercado brasileiroCiclo de alta e fluxo de capital estrangeiro · Impacto da taxa de juros e inflação · Diferença entre blue chips e small caps · Cautela do investidor pessoa física
  • Klabin como Estudo de CasoHistória e longevidade da empresa · Barreiras de entrada e diversificação · Setor de celulose e papel · Klabin
  • Indústria de Seguros nos EUAModelo de negócio e fluxo de caixa · Impacto da taxa de juros no setor · Comparação com cassino e lei dos grandes números · BB Seguridade · Caixa Seguridade
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E aí, pessoal, vamos começar mais um episódio do podcast dos sócios. Quem fala aqui é Bruno Perini, host do podcast. Estou, como sempre, com Malu Perini, minha esposa, host, o belo host dos sócios. Olá, pessoal, sejam bem-vindos a mais um episódio dos sócios.

E sobre o que falaremos hoje, Baudinha? Hoje vamos falar sobre a estratégia dos barces para viver de dividendos. É um tema que o pessoal gosta de ouvir, né? Normalmente. Com certeza. Talvez gostassem muito mais quando não tinha essa tributação que o Haddad inventou, né? Infelizmente. Mas mesmo assim com a tributação ainda é uma estratégia muito interessante. Vamos falar desse assunto.

E para isso, estamos novamente recebendo aqui no Grupo Primo, Luiz Barsi. Ela é economista, contadora, investidora e conselheira de grandes empresas, como Irby Klabin, filha de Luiz Barsi Filho, uma investidora pessoa física da Bolsa Brasileira, cofundadora do AGF, onde ajudou a transformar a filosofia de investimentos do pai em um método aplicável, acessível e escalável. Hoje, é uma das principais vozes do país quando o assunto é investimento em ações, geração de renda com dividendos e construção de patrimônio no longo prazo. Luiz, bem-vindo novamente ao Podcast Sócios.

Obrigada Bruno, obrigada Malu, é um prazer estar aqui novamente falando para a audiência dos sócios acho que eu já posso pedir música no Fantástico já deve ser minha terceira vez no podcast é, eu estava falando as fontes mentais aqui acho que é a terceira vez e agora no outro contexto, né só vinha para falar que a bolsa estava barata agora, infelizmente, as promoções as grandes promoções acabaram, né

Pois é, a bolsa em dólares está se aproximando de subir 100% se você pega os últimos dois anos. Ah, é? É. Não sabia. Porque o dólar caiu enquanto a bolsa subiu bastante, né? Só que agora a gente está em um momento de realização parcial, assim. Então, para quem pensa, pô, está muito caro, né? Eu não acho que está muito caro, mesmo quando estava no topo, mas agora está um pouco mais barato para quem quiser... Entendi. Entrar.

inclusive, pegando esse gancho, a gente tem um projeto inédito que vai ser uma parceira do Grupo Primo com o pessoal do AGF, a Louise, e isso vai ser agora em junho, lá pelo dia 18, tá pessoal? Vai ser uma coisa realmente nova, uma fusão, um pacote pra você ser brindado tanto com a questão da filosofia de investimento da Louise e do pai dela.

que é muito interessante, testada pelo tempo e também com a nossa filosofia de construção de patrimônio. Então, para quem quiser se interar desse projeto, eu vou deixar um QR Code aqui na tela e um link na descrição. Entra nisso de espero que eu garanto que vai valer muito a pena. Bom, para começar, Luiz, além da estratégia dos dividendos, a gente também quer falar um pouco da sua história. E eu queria saber qual foi a primeira lembrança que você tem assim sobre investimento na sua cabeça. Porque eu tenho a minha primeira lembrança.

E ela volta mais ou menos para aquela época de 1998, quando a gente teve a desvalorização do real. O real era um para um com o dólar. Pois é, tem gente que nasceu depois disso. Que velho. Eu também me acho velho às vezes. Quando eu vou olhar a currícula assim, o cara nasceu em dois mil. Eu falo, meu Deus.

E tem 26 anos quando eu sei 20. Pois é, já tá velho também. Mas em 98 eu lembro que eu tava fazendo as contas assim, minha avó tava do meu lado, e eu tava fazendo conta em dólar. Falei, não, no futuro eu vou ter tantos dólares de patrimônio, etc. E aí a minha avó, Bruno, nossa moeda é o real. Eu falei, não, mas o dólar vale mais. Agora é 2 pra 1, entendeu? Essa é a primeira lembrança que eu tenho realmente quando eu tava pensando em alguma coisa a ver com o investimento.

Nossa, talvez, se eu for pensar, eu acho que a primeira vez que eu tenho essa lembrança foi quando eu já estava com você. É mesmo? Porque eu tinha uma... Esses dias perguntaram isso, né? Se eu sempre fui boa de investir e tudo mais. Não, mas eu sempre tive uma mentalidade poupadora. Uma hora poupadora.

Então, eu nunca tive problema com dinheiro, porque meu pai era uma pessoa muito regrada com dinheiro e tudo mais. Ele passou isso pra gente. Só que a gente poupava, mas não sabia investir. Não tinha uma noção de investimento. Então, acho que investimento só depois que eu conheci você. E mesmo assim, era uma coisa noibulosa no início. Então, não sei. Talvez lá pra 2020 e de 15, 16, alguma coisa assim.

Quando você começou a ter mais noção, né? É, que eu ainda tinha mais noção. Nessa época eu te mostrava já como é que estavam os investimentos, o investimento patrimonial. A gente tinha um plano pra eu entender, né? Pra eu ver. Falava pro Bruno me mostrar sempre. Era quase todo mês na época. Ele me mostrava quanto que a gente tinha investido. Olha, a gente tem esse número aqui investido. Porque senão não fazia sentido pra mim, né? Eu tirei e deixava de fazer um monte de coisa que pra mim era normal, porque eu era poupadora. Mas ao mesmo tempo eu não tinha... Não fazia sentido pra mim. Pra onde tá indo o dinheiro, né?

Eu usava isso para justificar. Por que a gente está indo para a Argentina e não para os Estados Unidos? Eu falei, olha, porque está investido aqui. E ela via o crescimento patrimonial, ou em alguns meses o decréscimo, mas o aumento do número de ações, por exemplo, de títulos públicos, e entendia que aquele dinheiro estava indo para um local que iria construir o nosso futuro. E no final deu certo, né, Boudin? Entendi o trade-off.

É muito interessante A gente voltando pra trás Ver como as influências familiares são tão determinantes Na forma como a gente lida com o dinheiro Talvez acho que O momento mais marcante pra mim Foi quando o meu dinheiro, que era o dinheiro da minha mesada Tava em jogo, né? Porque uma coisa é você ver O dinheiro lá na tela

enquanto é do pai e da mãe, mas outra coisa é quando aquilo você tem a sensação de que é seu, né? Eu tive a sorte de crescer numa casa com muita educação financeira, então, assim, o assunto ações era uma coisa corriqueira no nosso café da manhã, eu sempre, meu pai sempre me levava para trabalhar com ele o dia que eu faltava na escola, enfim, ou por algum motivo não tinha aula, ele me levava para a corretora, né?

Então eu sempre tive uma relação muito próxima. Mas acho que quando efetivamente o meu pai começou a investir comigo, pra mim...

E essa é uma história legal, que eu acho que muitos pais se deparam com esse dilema, né? Dar mesada ou não? Como falar de dinheiro pros filhos, né? E com 14 anos eu comecei a encher o saco de que eu queria uma mesada, né? Porque é aquela fase da adolescência que você começa a ver os amiguinhos, tava na moda aquele Nike Shot, sabe? Agora tá voltando na moda de novo, não sei como, gente, pelo amor de Deus. É horroroso, parem com isso, né?

Mas, enfim, eu lembro que eu queria um lá que ele, na época, era super caro, sei lá, era 700 reais naquela época, né? Que já era um absurdo. Mas, enfim, eu queria porque queria. Ele falou, não, vamos fazer o seguinte, então. Eu vou te dar uma mesada, mas quem vai pagar não sou eu. Eu vou fazer aqui um investimento pra você de X ações da Ultrapar, na época, né? Que era o nome do Poço Ipiranga e tudo mais.

E essas ações vão te dar o equivalente a 300 reais mensais, que vai ser a sua mesada. Então, na verdade, a empresa pagava trimestralmente, ele segurava esse dividendo e me dava os 300 reais por mês. E aí ele foi me orientando, olha, com esses 300 reais, ainda não dá para comprar o tênis, né? Mas você pode guardar e comprar o tênis, ou você pode me dar uma parte todos os meses, né? Porque era o dinheiro que eu tinha da cantina, eu tinha que administrar meio que esse dinheiro, né? E...

E aí ele foi plantando essa sementinha, né? De, olha, se você reinvestir toda essa grana, ou parcialmente a sua mesada, no próximo mês, no próximo trimestre, quando a empresa for anunciar os dividendos, a sua mesada não vai ser mais 300, é 301, né? E assim sucessivamente. Então, o dinheiro da sua mesada que você recebe, ele vai crescendo em função da quantidade de ações que você vai comprando. E o ano era 2008, olha só que curioso, né? Então, não foi uma questão de timing. Dez anos do Bruno.

Agora é o momento de investir e tudo mais, porque logo depois a bolsa estava num pico na época. 20. É, inclusive na época o pico em dólares ainda foi... É o de 2008, curiosamente. Pois é, eu estou pensando, você pegou bem a crise?

Bem aqui, não, exatamente a crise. Então, assim, as lembranças que eu tenho do ano de 2008 são nada agradáveis, porque era a minha mesada. Eu, pai, pelo amor de Deus, você mandou eu comprar o trapar, o negócio tá derretendo, né? É claro que, assim, não era coisa tão eletrônica como era hoje, era no papel ainda, né? Você recebia a sua posição no papel, não tinha...

coisa do homebrew, que eram as plataformas, né? Então, talvez, essa sensação que eu tenho é realmente porque era o meu dinheirinho lá da mesada, né? E hoje as coisas, elas ficaram muito mais imediatistas, né? Porque você vê esse movimento segundo a segundo, né? Então, esse sentimento de ansiedade perante a variação do patrimônio, hoje, tende a ser maior, né? Então, enfim, essa é a primeira grande lembrança que eu tenho, assim, do mundo dos investimentos, do mundo das ações. E passou, né? A crise passa.

E você vai aprendendo a lidar com essa ansiedade. Depois o dinheiro subiu no final do ano. E de fato, depois o dinheiro subiu. Acabei não comprando tênis. Não comprando, eu queria. Afinal de feliz, não teve. Foi uma bela estratégia do meu pai. Ele é muito inteligente em relação a ele. Não comprou tênis e ainda fiquei com a carteira de ações. Eu também nunca tive um Nike Shoots. Eu comprei quando fui para os Estados Unidos a primeira vez, pelo exército. Fiz um intercâmbio.

Mas aí você pagou 100 dólares. Nem era 100 dólares, era tipo 30 dólares, eu lembro. Não, eu paguei acho que uns 70 dólares, porque era uns 90, mas militar tinha desconto. Entendi. Porque os militares americanos vão pra guerra, né? Mas eu era brasileiro e falei, bom, sou militar também. O cara falou, vale.

Tá válido aqui, toma o seu desconto aqui e eu comprei mais barato. Eu já tinha uns quase 20 anos, né? Eu tenho uma confissão a fazer, eu comprei o falso, tá? Era tipo um décimo do preço, mas assim, graças a Deus logo esse negócio passou de moda e... Ainda bem, né, que eu não gastei os meus 700 reais porque era quase três meses de mesada. Você começou, então, perdendo dinheiro em bolsa, a gente pode falar isso?

Ah, se tivesse vendido lá naquela época sem orientação e tudo mais, teria perdido dinheiro em bolsa, né? Isso é interessante. Você acha que foi melhor começar com essa experiência de... Você disse, pô, não vendeu, né? Mas de ver o seu patrimônio investido diminuir? Ou você acha que é melhor começar vencendo?

É melhor começar perdendo. É mesmo? Eu acho, eu acho. Porque muito do... Para quem é resiliente, né? Pois é, mas é que muito do seu resultado em bolsa, nos investimentos, na verdade, na vida, né? Tudo que vale a pena dá trabalho, gente. As coisas não vêm fácil, né?

E eu acho que você começar perdendo, ele já te ensina logo de cara uma grande lição, que é você não consegue prever o mercado. Mas se você tiver uma estratégia bem delimitada e conseguir focar naquilo que você consegue controlar, que é justamente o preço que você paga e as suas emoções, talvez você consiga ter uma duração na bolsa, que é o que realmente interessa, a resiliência, a consistência ao longo do tempo.

É muito mais suave, é melhor você já aprender na porrada logo no início. Porque imagina, a pessoa que, vamos trazer para os dias mais atuais, a pessoa que começou a investir um ano antes da pandemia, por exemplo. Quem suportou, quem continuou aportando, quem pelo menos não vendeu, vamos dizer, quem não comprou, mas quem pelo menos não vendeu, muito provavelmente viu seu patrimônio multiplicar nos anos seguintes.

Agora, quem já começou nos anos antes já vencendo, a chance dessa pessoa ter... Se encontrar num momento de crise alavancada ou com um momento de autoconfiança excessivo, porque quando você começa ganhando, é inerente ao ser humano. Você acha que é pela sua própria competência e você exclui a variável sorte ou timing, que às vezes acontece no mercado.

E grande parte dessas pessoas lá que vieram de 2016, 2017, vieram pela, vamos dizer assim, a viúves da renda fixa, as taxas de juros caindo, e viram ali as suas economias, enfim, rendendo menos. É natural, as pessoas sempre correm, o rio corre para o mar, as pessoas vão correr para alocar naquilo que está rendendo mais, que é um erro clássico.

Então, eu acho que é mais doloroso. A grande maioria das pessoas talvez não aguente, mas é melhor, pensando a longo prazo, que o cidadão comece perdendo, vamos dizer assim. Porque você já aprende na prática essa dura lição do mercado. Essa é a minha opinião. Isso aconteceu comigo. Você tem um ponto muito válido. Mas eu sempre falo que, no meu caso, eu fui mordido pelo bicho do mercado porque eu comecei ganhando. Mas não foi com ações. Eu lembro que, quando eu comecei a ganhar minha primeira remuneração no Exército, na época, isso era R$2.600, R$400. R$400.

Tem que falar assim, né? Se você fala remuneração, tem que falar o ano, porque a inflação muda muito o valor do dinheiro. Eu acho uma loucura, né? Porque dinheiro não dá de conta. É tipo falar, não, eu tinha 1,60m em 1990. E teve inflação do metro, agora eu tenho 3 metros de altura. É insano, mas com dinheiro acontece isso. Mas eu lembro que eu ganhava 400 reais e eu falei, vou começar a investir. Eu peguei 100 reais e fui, na época, no Extinto Banco Real. Foi comprado pelo Santander depois. E falei, olha, eu tenho 100 reais para investir. No que eu posso investir? A gente olhou para a minha cara, assim, querendo rir.

Ele falou, olha, não tem muita coisa que você pode investir, não. Mas está aqui os fundos, vê algum que você se interesse e que aceite um ticket mínimo de 100 reais. Só tinha um. E era um fundo que ele investia em empresas, era um fundo de ações, e ele tinha o mandato de pegar empresas, o que seria mais ou menos parecido com o ISD que a gente tem agora. Eu falei, bom, parece interessante, vou colocar meu dinheiro.

E aí eu ficava tirando extrato no caixa eletrônico. Eu podia tirar o extrato do fundo um por dia e não tinha cobrança. Todo dia. Eu ia tirar o extrato. Tinha 100 reais investido. Todo dia eu ia lá. Cadê o extrato? Cara, agora são 101. Em dois meses tinha virado 140. Caramba. Eu pensei, meu Deus, eu vou ficar rico. Vou ser bom. Só fazer conta de juros composto. Logicamente não foi assim. Mas depois que eu vi o resultado, eu falei, cara, 40% em dois meses. É muita coisa. Imagina se eu tivesse, em vez de 100 reais, um milhão.

E aí eu comecei a fazer conta e me interessei mais pelo mercado. Isso foi 2006. 2006 e 2007 foram anos muito bons. Aí eu lembro que eu falei de bolsa para todo mundo, porque depois eu comecei a pensar, cara, por que eu vou pagar um gestor? Porque eu cobrava uns 3% daquele fundo. Se eu posso fazer sozinho?

Aí comecei a comprar umas ações. Aí falei pros meus amigos. Cara, tô comprando ação, tô ganhando dinheiro, viu? Eu tinha comprado MMX do Ike Batista. Nossa senhora. Subiu 100% quando eu comprei. Aí falei pra todo mundo. Aí vários amigos entraram, veio 2008. Todo mundo. Aí todo mundo falou, porra, não era pra ganhar dinheiro. Aí eu falei, cara, mercado, né? É, acontece. Acontece.

Mas foi assim, eu primeiro ganhei, depois eu perdi. Aí quando eu perdi, eu vi que não era o Oba-Oba que eu pensava. Não, cara, tem que ter conhecimento. E uma coisa muito boa é que tanto eu quanto você, como a gente começou a investir muito cedo, a gente foi forjado no mercado de baixa. Porque o pessoal pegou essa época de Bolsa 2015 até a pandemia e está vendo esses últimos dois anos, vamos colocar, e pensa, cara, é muito bacana. Só que você tem períodos que são horríveis, se você pega a performance do Ibovespa como...

referencial e conseguir se manter durante esse período, realmente eu acho que vale a experiência de ter perdido dinheiro antes. Não é verdade? O cara só tá acostumado a vencer, ele vai embora. Pois é, ele vai embora, ele não volta, né? Exatamente. E quando é que você viu que a estratégia do seu pai realmente era muito interessante? Como é que foi essa consciência?

Eu acho que só o fato de eu ter começado a aprender na prática e ver que o dividendo não é uma coisa teórica, ele de fato era a minha mesada, e de que se eu reinvestisse aquilo, os frutos viriam e aumentariam, aquilo acho que ele já conseguiu me provar por A mais B de que seria uma coisa interessante, que traz resultados práticos. E aí uma das coisas que eu já contei inúmeras vezes é de que eu não tinha a...

a real noção do que meu pai representava para o mercado. A gente sempre teve uma vida muito confortável, sempre estudei em escola particular, tive acesso à cultura, a gente viajava para fora uma vez por ano, mas a gente...

não tinha uma vida de marajá, vamos dizer assim. Eu não tinha, sei lá, o que as pessoas imaginam, né? Filha do maior bilionário da Bolsa. Eu não tinha motorista, carro blindado, cartão ilimitado, não viajava de jatinho, de helicóptero. Nada do que as pessoas imaginam que é a vida diária, né? A rotina de um bilionário.

Então, muito do que eu tinha dessa percepção das ações, eu via muito mais a coisa do amor do meu pai falando sobre as ações do que o resultado prático disso em termos de crescimento do patrimônio da nossa família, digamos assim. Foi só quando eu cheguei na faculdade, eu realmente descobri quem que ele era, o tamanho do patrimônio, o que ele representava para o mercado. Foi na faculdade, quando você teve a noção real? Foi na faculdade, 17 anos. Foi em 2012. Foi em 2012, eu estava passando em frente a uma banca de jornal, claro que eu sabia que meu pai era um cara...

importante porque a gente ia às reuniões, as pessoas respeitavam, fazia as perguntas, as pessoas ouvia e tudo mais, mas eu não tinha noção do tamanho, né? Porque, de novo, vamos falar do dinheiro lá atrás, um bilhão em 2012, né? Gente, assim, um bilhão, não tô falando de milhão, bilhão, né? É uma coisa inimaginável pra mim na época, de acordo com a vida que a gente tinha, né?

Então foi só aí que eu, assim, realmente aquele momento de a ficha caiu de caramba. Olha o tamanho da coisa que meu pai criou, né? Porque realmente uma pessoa que começou do zero e pelo incentivo da minha avó, a cobrança dela de estudar, dele ser alguém na vida, de começar a trabalhar muito cedo e de ter tido a coragem lá atrás, né? Porque hoje, eu sempre digo, as coisas hoje são mais fáceis pra quem quer começar a investir. Nem compara. Assim, nem compara.

Aí as pessoas vêm com aquela velha história de, mas quando o bar se começou era centavos. Claro, mas tinha motivo para custar centavos. Você concorda que o risco era proporcional? O mercado estava acabando de nascer, você não tinha CVM, você não tinha a lei das SAs, uma lei que regia tudo isso.

Enfim, era um mercado muito restrito para realmente quem tinha muito dinheiro, para quem conseguia comprar esse acesso. E quando ele se viu naquele ambiente, tendo a oportunidade de começar ali desde cedo, muito por influência de colegas também, ele fez, nem existia acho que Fé, a USP na época, mas o curso precursor de Fé, a USP na época, então ele fez economia, e ele tinha, entre os colegas de sala, herdeiros, sucessores de grandes empresas, pessoas que já tinham acesso a esse mercado que estava nascendo.

E ele, como contador, como auditor, enfim, tinha essa familiaridade com números, então isso não era nada assustador para ele. E aí que, de repente, também para ele veio esse clique de, poxa, eu estou aqui assinando balanços, estou aprovando, dizendo para o controlador que ele pode distribuir os dividendos, sendo que eu poderia estar fazendo o mesmo para mim, só que em uma outra proporção.

Então, ao invés de eu me tornar um grande sócio de uma pequena empresa mais minha, eu vou me tornar um pequeno sócio de várias empresas já consolidadas. Porque se eu quiser abrir um negócio de celulose...

Eu não consigo competir, ou eu vou demorar muitos anos para eu conseguir competir ou chegar no nível de uma Klabin, de uma Suzano, de uma Aracruz na época, né? Então, ele teve essa ideia de, eu acho que vai demorar pelos recursos que eu tenho, mas eu consigo me tornar um pequeno sócio de grandes negócios que pagam esses dividendos. E esse fluxo vai se tornar primordial em determinado momento para eu conseguir...

ampliar o meu poder de aporte. Que foi aí quando ele fez o estudo também do Ações Garantem o Futuro, lá em 72 ou 75, não me recordo agora. Mas bem no início da década de 70, antes da lei das SAs, inclusive. Então, assim, exige muita coragem você fazer uma coisa, você olha para o lado, não tem ninguém fazendo, você não tem ninguém para se inspirar. Hoje a gente tem...

Barsi, Buffett, Lírio, sei lá, Juca Bidala, Luiz Alves, falando de investidores brasileiros. Mas, na época, você não tinha também o acesso à literatura externa. Era uma coisa muito restrita, realmente.

os custos eram altos. Então, imagina, ele era uma pessoa que tinha poucos recursos. Então, o fato dele ter tido a coragem de seguir meio que pelo instinto dele, por tudo que ele já tinha reunido de conhecimento, acho que é incrível. Acho que realmente a gente tem que celebrar esse tipo de pessoa que é pioneira.

Então, enfim, assim, eu sempre tive essa crescendo, essa ideia de que, poxa, ter esse comportamento de poupar, de reinvestir é uma coisa positiva, mas eu só fui me tocar mesmo, só fui cair a ficha de que poderia ser uma coisa tão grandiosa quando eu cheguei na faculdade, né? E aí você tem aquele segundo baque, né? O primeiro é, caramba, o tamanho do patrimônio e a vida que a gente leva. Por que isso, né? Você se questiona. E a segunda coisa...

Você perguntou pro seu pai isso alguma vez? Pô, por que a gente não, sei lá, tem um helicóptero?

Eu perguntei, eu falei, poxa, você só me deu 300 reais de mensagem, eu podia ter comprado Nike Shots, né? Caramba. Mas eu acho que talvez não teria sido tão educativo quanto... Enfim. E de fato, depois eu esqueci do tênis, eu comprei o falseta, serviu igual, depois saiu de moda, então assim. Mas eu cheguei a questionar, eu falei, caramba, né? Eu venho de ônibus pra faculdade, né? Eu podia ter um carro, né, pai? Eu vou fazer 18, eu podia ter um carro, né? E tal. E ele, é, não, mas poxa.

Quantas milhões de pessoas aqui no Brasil eu estou ensinando você a se virar, você ser independente, né? Preciso que você se vire, que você tenha o senso de você querer conquistar as suas coisas, né? Talvez não precise ter sido tão restrito, né? Mas, enfim, eu hoje agradeço muito a educação que eu tive, né? E assim, a gente morava no interior, então é muito diferente da vida que as pessoas têm. Era no Mairi e São Paulo na época? Não, era Mairi e Porã. Nem é tão interior assim, fica a 60 quilômetros de São Paulo, mas...

Tem aquele ar de cidadezinha do interior, 80 mil habitantes. Hoje em dia deve ter crescido bem mais, mas era uma cidade bem menor. Então, era um ritmo muito menos acelerado. E foi de fato, quando eu vim para São Paulo, que eu tive esse baque de conhecer as coisas da cidade grande e tudo mais. Você começa a criar novas urgências. É muito curioso.

Mas, enfim, foi um pouco disso. E aí, a segunda parte desse dilema, né? E ele me respondendo que, olha, o patrimônio não é que eu tenho um bilhão no banco. Eu tenho um bilhão que representa as participações que eu tenho nas empresas. Então, o dono do Itaú, ele também é bilionário, mas ele não sai vendendo. Não é que ele tem isso na conta corrente. Eu tenho, eu considero o meu patrimônio aquilo que ele me remunera, que são os dividendos.

Então, não sei se na época era um milhão por dia, provavelmente não. Mas, enfim, a gente sempre teve uma vida muito confortável, não tenho o que reclamar. E eu acho que também tem a ver muito com o estilo deles. Minha mãe também vem de uma família super simples. Minha avó, dona de casa, e meu avô trabalhava no Santista. Então, ele trabalhava em fábrica, em fábrica techo e tal. E minha mãe assistente social. Então, os dois, por virem de um background muito simples, muito assim...

não tinham talvez essa ambição de querer ter helicóptero, de querer ter avião e tudo mais. A gente gostava sempre, gostamos de viajar. Então, esse sempre foi o nosso hobby em família, né? E aí, enfim, acho que o segundo grande dilema que surgiu para mim logo depois desse fato, né? De eu ter descoberto quem ele era e tudo mais, foi a questão de caramba, né? Muito provavelmente do que o Greg deve estar passando agora, claro, em outra proporção, né?

Mas imagina você ser filha de um cara que todo mundo admira, um cara que tem uma importância tão grande para o mercado, como é que você se... Inevitavelmente você vai ser comparada pelas pessoas, né? Então, o meu primeiro instinto foi ter muito medo de como é que eu vou superá-lo. Você sempre tem essa coisa de... Caramba, como é que eu vou fazer frente a isso, né? E aí, com o tempo, acho que com a maturidade também, você vai entendendo que cada um tem papéis diferentes, né?

Vai viver a sua própria história. Pois é. Imagina grandes grupos que depois fizeram sucessão. Então, você vê, por exemplo, agora mais recentemente, Silvio Santos. Gente, você não vai criar outro Silvio Santos tão cedo. Você tem as filhas que levam o jeito, que estão tocando o negócio, mas não é a mesma coisa. Nunca vai ser a mesma coisa. Essas pessoas são únicas.

Então, a partir do momento que eu entendi que não era que eu poderia substituir o Barsi, mas que eu poderia fazer coisas para complementar o que ele criou e sucedê-lo, aí as coisas acho que começaram a fluir mais fácil para mim, assim, psicologicamente, né? Porque é inevitável, as pessoas olham para mim, quem não me conhece, a herdeira, filha do Barsi, está aqui, muito provavelmente porque é filha dele. E, de fato, muitas portas se abriram por eu ser filha dele, né? Mas muitas outras também se fecharam.

justamente pelas pessoas não acreditarem talvez que eu teria capacidade ou que a minha capacidade se reduzisse ao fato de eu ser filha dele, né? Sim. Então, enfim. Ter que se provar mais. Ter que se provar mais, exatamente. Exatamente. Agora, o novo desafio é, mas ela é influenciadora. Falo, gente, não, calma. Ah, mas tem isso ainda, você acha?

Ah, eu acho que agora tá mudando um pouco. Eu acho que agora tá mudando um pouco. E eu vejo as pessoas falando com tanto... Hoje em dia as pessoas falam, né? Ah, eu sou influenciadora. Quando alguém quer me atacar, geralmente me chama de influência. É, mas é. É só influência, entendeu? Um pouco no sentido pejorativo. Uma coisa pejorativa, é. Principalmente nos ambientes mais formais, por exemplo, de conselho. Acho que, é. Então a minha primeira experiência em conselho foi 2017 pra 2018. E na época eu era anônima. Não tinha começado a AGF ainda, né? A AGF começou de 2018 pra 2019.

E logo que eu comecei, as pessoas começaram a me olhar diferente. Do tipo, o que essa menina tá aqui falando na internet? Tá aqui agora, né? Que coisa estranha. Era uma coisa muito... Mais um desafio a ser superado, né? Assim, do jeito que as pessoas te olham, né? Mas enfim, acho que com a maturidade isso foi melhorando muito. E de fato não tem como substituir essas pessoas, né? Essas personalidades. Acho que a gente tem que dar o nosso melhor e dar continuidade ao legado.

É, o Michel Coforado, ele veio aqui no podcast e escreveu um livro chamado Coisa de Rico, né? Que fala sobre as famílias engenheiradas brasileiras. E ele me deu uma visão que eu achei muito interessante, porque todo mundo pensa assim, pô, queria eu ser herdeiro, né? Ele falou, cara, lógico que é muito bacana você já nascer com o seu futuro garantido em termos patrimoniais, você elimina uma boa dose de risco da sua vida, mas o herdeiro tem um problema também, porque ele meio que nasce com o seu futuro sequestrado.

Sim. Porque alguns eles têm a obrigação de suceder, entendeu? Você teve meio que essa obrigação ou não? Você foi para o mundo dos investimentos e você pensou, não, cara, eu gostei disso aqui. Ou você sentiu um pouco do peso. Falou, cara, não, realmente eu tenho que ter essa... Eu tenho, eu tenho quatro irmãos. Essa pegada. É, mas que seguiu exatamente a filosofia que trabalha com ele hoje, só eu. Assim, é claro que você sente o peso, mas assim, isso teve zero influência. Eu acho que muito pelo fato de eu ter...

admirado ele antes de ter entendido o tamanho do patrimônio, o tamanho da responsabilidade, provavelmente contribuiu muito com isso. Eu gosto do que eu faço. Eu tive a sorte de nascer gostando, ou meu pai me orientando da forma de que eu gostasse do que eu faço hoje. Eu não consigo me imaginar fazendo outra coisa.

Eu tive um breve surto no colegial que eu queria fazer engenharia aérea espacial. Caramba. É. Aí eu falei, tem que fazer isso. Achei que você vai falar de artes, entendeu? Eu tô de rede até isso. Vamos fazer artes. Artes plásticas. Isso tem no livro também, né? Maravilhoso. Cara, engenharia aérea espacial.

Eu tive esse surto, mas vi que tinha que fazer ita. Eu falei, não, esquece. Vamos para a economia. Acho que eu não sou tão inteligente. Deixa quieto. Eu vou para a economia mesmo e deu tudo certo. E deu tudo certo, de fato. Eu sou muito surtuda nesse sentido de amar o que eu faço. E não me enxergar hoje fazendo...

Fazendo outra coisa, muito pela essa coisa da admiração e o amor que meu pai chegava em casa falando das ações. Então, eu nunca enxerguei as ações como se fossem essa sopa de letrinhas piscando. É uma participação numa empresa. A gente visitava muita empresa. As nossas férias, era meu pai pegar um carro sem destino e ele ia fazendo o nosso roteiro de acordo com as empresas que ele queria visitar.

Tinha muito disso lá atrás, né? Os acionistas visitavam pouquíssimas fábricas. Então, a gente chegava, por exemplo, numa siderúrdica. Oi, tudo bem? Sou acionista, eu posso visitar? Tinha empresa que falava, claro, entra aí. Tinha empresa que falava, não, por questão de segurança, ou enfim, porque não queriam receber, né? Mas a grande maioria recebia gente. Muito curioso.

E agora, partindo para a questão da estratégia de vocês, o que uma empresa tem que ter para ser investível pelo método Barsi e do que vocês fogem assim como o Diabo Foge da Cruz, por exemplo? Cara, parece um setor específico, eu não quero nem olhar, não importa se é a melhor empresa do setor, esse setor para mim não serve.

Eu acho que para a gente, é claro que grande parte da filosofia, e comentei um pouco disso aqui no início, que o investimento, uma empresa, vale para a gente aquilo que ela pode nos remunerar. O que é o dividendo? O dividendo não é a renda extra. O pessoal acha que vou viver de dividendo como se fosse fazer miçanga na praia. Não, não é assim que funciona. O dividendo é parte do fluxo de caixa, que se ele tivesse 100% reinvestido,

ele faria a parte, como você vai fazer um valuation, por exemplo, você traz a valor presente, todos os fluxos de caixa futuros, inclusive o da perpetuidade. No caso das boas empresas pagadoras de dividendo, parte desse fluxo, ele já é antecipado ao acionista que vai receber isso no bolso.

Então, a gente busca negócios que, naturalmente, que tenham uma vocação natural para serem bons distribuidores de dividendos. Então, não é dividendo a qualquer custo. A gente não gosta de empresa que se endivida só para pagar dividendo ou que, enfim, sacrifica o negócio e não faz bons investimentos para distribuir. Não é isso.

Você tem uma categoria de negócios, que geralmente a gente enquadra como best, que é o nosso filtro setorial, que são negócios perenes, são negócios resilientes a momentos de crise, não significa que não sofram ou que os preços não caiam, não. Significa que, ao longo do tempo, eles se tornam mais fortes justamente em momentos de dificuldade.

São negócios que naturalmente trazem margens maiores, seja porque sejam setores altamente regulados ou com barreiras de entrada altíssimas. E também são negócios com fluxo de caixa mais previsível, cujas receitas são corrigidas por inflação. E num país como o nosso, a gente passou boa parte do tempo aqui falando, inclusive, da inflação.

Você apostar contra ela é uma coisa muito ingrata. Então, quer dizer, você investir unicamente nessa categoria de empresas que você dependa do valuation na perpetuidade é altamente volátil, é altamente arriscado.

Então, a gente prefere esses negócios que prosperam, que vão muito bem quando a economia vai bem, mas que prosperam ainda mais nesses momentos de crise, justamente por essas características que eu falei. E aí, geralmente, as empresas, os negócios que se encaixam nessas características que eu comentei, são os setores best, de melhor mesmo. Bancos, energia, seguro, saneamento e telecom. Eles reúnem todas essas características que eu comentei.

Então, enfim, são os negócios que a gente busca ativamente. Tem alguns outros negócios que possam orbitar também. O Brasil, se você sabe o jogo que você está jogando, as coisas fluem naturalmente muito melhor. Então, como eu disse, aqui é um país altamente inflacionário, que via de regra a taxa de juros estruturalmente vai ser alta vez ou outra. A gente tem um custo fiscal muito...

alto. Então, esse tipo de empresa acaba se dando muito bem por aqui. A gente é um país ainda que carece muito de infraestrutura, tem tudo ainda pra fazer. Então, enfim, são setores que a gente gosta muito. E aí, alguns que orbitam em torno disso, que são commodities também, que têm as suas particularidades, são mais voláteis, mas que, no ciclo de alta, conseguem pagar bons dividendos e que têm alguma, como é que eu vou dizer assim,

estão indiretamente relacionados a esses setores. Então, por exemplo, a Unipar, que é a maior carteira do Barsi, está intimamente ligado com o mercado de saneamento. Faz cloro só, do PVC agora, né? Mas, enfim, está intimamente ligado com esse setor. A gente tem Klabin, que é celulose, né? Mas tem...

características específicas, ela está extremamente verticalizada, então ela está, ela tem a celulose fluff, que serve para os higiênicos, os descartáveis, atende muito o mercado também de BPO, então, por exemplo, longa vida, que a gente vê aquelas caixas que são mais estruturadas para perecíveis, está no setor de alimentos, construção civil, então, enfim, ela atende uma gama táctilizada,

de outros setores que também são bastante perentes, fora a parte da silvicultura, né? Então, enfim, os negócios que nós temos que não são BESH, de alguma forma se relacionam com essa cadeia, né? E o que a gente foge igual o Diabo da Cruz, né? Pode vir pintado de ouro, a gente brinca, né? Os alunos são demais, né? O pessoal, foram os próprios alunos do AGF que cunharam, que são os setores à prova de Barsi.

Então, a própria construção civil, que é um setor altamente cíclico, então, batalha de novo contra a taxa de juros. A gente tem o setor de proteínas. Hoje, as empresas que a gente tem na Bolsa estão super bem estruturadas, vi de JBS hoje, mas não foi sempre assim. O histórico que a gente tem é bastante calamitoso. A gente tem o setor de eventos e turismo.

E principalmente o setor de varejo. Eu acho que de tempos em tempos se tornam setores muito populares justamente por essa coisa cíclica.

Então, assim, são setores que, de fato, não têm vocação natural para serem bons pagadores de dividendos. Então, ao eu investir... Ah, e aviação civil, que esqueci. Então, ao você investir nesse tipo de negócio, você vai estar procurando uma agulha no palheiro. Então, para que você vai se expor a empresas que podem esporadicamente distribuir dividendos, que vai contra a sua própria natureza do negócio?

Se você tem empresas específicas ali que triunfam distribuindo bons dividendos, né? Porque você gera um excesso de caixa que em determinado momento, muito caixa na mão de executivo é ruim também, né? Você começa a ter muita disponibilidade, você começa a achar oportunidade onde não tem, né?

Então, quando você tem esse, e boa parte dos nossos papéis em conselho hoje, é justamente isso, do compromisso que a empresa tem que ter, que o negócio tem que ter de pagar o acionista primeiro, e aí sim, com essa geração de fluxo de caixa livre, qual vai ser a destinação, a melhor alocação do capital possível para você, obviamente, manter ou aumentar os negócios da companhia. Então, são esses os negócios que a gente gosta, que a gente procura.

Aqui no grupo a gente já cometeu algumas besteiras em termos de alocação de capital por ter muito dinheiro disponível. Se tivesse distribuído o dividendo, a gente não teria cometido alguns erros que comentamos lá atrás. Falou, cara, tem esse setor aqui, parece interessante, vamos criar uma plataforma? A gente foi lá e criou. E no final não era para defeito, entendeu? A gente saiu assim do nosso jogo para um lado que não era interessante. Eu queria explorar um pouco mais o ponto de Klabin, né? Porque você falou, pô, ele não está dentro do Best, é uma empresa de commodity.

Mas realmente ela tem várias barreiras quanto à competição, porque é um negócio gigantesco. E tem uma característica na Klabin que eu acho muito interessante. Eu queria saber se vocês dão algum peso para isso, que é o tempo de existência dela. A gente fez uma viagem há mais ou menos uns dois, três anos para Barcelona. Na última vez que estivemos em Barcelona, que no meu caso foi a segunda, é mais do que a primeira, tá vendo?

foi a única. Mas lá eu achei muito interessante porque a prefeitura dá placas pra lojas que são centenárias. Ah, que legal. Aí eu tirei foto de duas dessas placas. Fica no chão na frente da loja. Isso, era uma loja de moedas, era um numismata que vendia moedas antigas e a outra era uma loja de velas.

Eu pensei, caramba, 100 anos de negócio aqui. A Espanha passou. Segunda Guerra Mundial, Primeira Guerra Mundial, Guerra Civil, etc. Eu pensei, cara, mas no Brasil tem empresa centenária e foi pior no Brasil. Porque além dessas guerras, tudo bem que a gente não estava com o território sendo invadido, mas teve muita mudança política. Você está falando em... Clabin, por exemplo, tem 127 anos. Foi criado em 1899.

Então, é o começo da República, vem a República do Carvalho com Leite, vem a Era Vargas, ditadura, aí volta o governo militar, redemocratização, você pega esse período redemocrático, né? Quantos presidentes já foram presos? Temer já foi preso, Lula já foi preso, Bolsonaro tá preso. Quantos outros serão ainda, né, no futuro?

O Collor tá preso. Pois é, o Collor foi preso, né? Foi preso. É verdade. Então mais um pra lista, né? Então você vê essas mudanças políticas, mudanças também monetárias, 10 moedas diferentes e pensa, cara, eles vendem o que eles vendem há 127 anos. Então deve ser um negócio formidável mesmo, porque senão tinha quebrado. Exatamente.

Então, se é um negócio tão bom, será que não merece o seu investimento? Até porque tem coisa no balanço patrimonial deles, cara. Terra marcada quando eles compraram, sendo que hoje, qual o valor da terra que eles compraram há 50 anos atrás? Então, como é que eu raciocínio em clabinha para alocar o capital? O que você pensa quando olha para a empresa? E o Barsi, curiosamente, ele é acionista desde que a empresa abriu o capital. Olha só. É, eu não vou lembrar o ano exatamente, mas faz, com certeza, 40 anos que ele é acionista.

Clabin e Banco do Brasil salvo engano são as empresas mais antigas da carteira, mas eu acho que o racional foi muito por esse aí mesmo, assim, a barreira de entrada é altíssima primeiro porque os grandes ativos são os ativos florestais hoje está na moda a gente falar sobre isso mas imagine há 100 anos atrás você já ter essa visão

é a grande matéria-prima. Então, assim, a empresa está no DNA dela ser ISG, porque se ela não cuida das florestas, obviamente, não tem o negócio, todo o negócio que deriva dele, né? Então, o pessoal sempre fala, poxa, o Barsi não investe no agro. Como eu invisto no agro? Olha lá, eu tenho, sei lá, quantas milhões de ações, eu tenho 2% da Klabin, eu sou um dos maiores detentores de terra do Brasil, né? Eu tenho 2% disso, né?

E é muito verdade, assim, eu acho que essa questão das terras, né, num lugar tão estratégico quanto ali a região sul do Paraná, especificamente, né. Hoje as empresas estão tendo que explorar um pouco mais a região ali do Mato Grosso do Sul, né, tendo que expandir um pouco mais as florestas, justamente por ser um ativo tão escasso hoje, né, e já se discute, inclusive.

que é um setor muito tradicional. Então, discute-se daqui 30, 40 anos o fato de nós termos que ir para outras localidades, outras florestas que são virgens e tudo mais, de como é que a gente pode explorar isso de uma forma sustentável, ter uma energia sustentável. Mas, enfim, eu acho que isso entra muito na conta. O fato dessa empresa... O que eu disse sobre perenidade é exatamente isso. Um negócio que suportou 100 anos de fogo amigo.

Não é nem fogo, é fogo amigo, quer dizer, a gente se autodestrói, pelo menos a cada cinco anos a gente cria uma crise própria nossa, ou importa as que estão rolando. Então, sem dúvida, mas acho que é muito pela questão da barreira de entrada do negócio e pela multiplicidade de setores que essa empresa atende. Ela é uma empresa muito flexível, digamos assim.

Então, você tem a parte da silvicultura, que são as florestas. Logo após, você tem a parte da celulose, que ela pode ser exportada ou que ela pode ser beneficiada ao longo da cadeia, seja pelo craft ou até chegar ao papelão, papel de embalagem, o BPO. Então, ela é uma empresa que tem essa flexibilidade de conseguir verter para cada um dos seus negócios que estão dando mais margem no momento. Então, por exemplo, a celulose está passando por um edifício, o commodity.

40% da receita da empresa vem de celulose, mas os outros 60%, ela tem essa disponibilidade de conseguir direcionar um pouco para os produtos que têm maior demanda, que têm uma margem melhor. Então, na própria celulose, ela tem a diferenciação de ter a celulose fluffy, por exemplo, que é essa celulose de maior valor agregado, justamente para esse mercado de descartáveis, que, inclusive, depois da pandemia, também só cresce.

Pelo fato também de que a celulose, ela não tem competição, né? O que substitui a celulose hoje? Pode ser que um dia surja, mas na verdade a celulose é o substituto do plástico.

então é um negócio que a gente vê ainda assim, com muito bons olhos pro futuro, inclusive atendendo a outros setores que ainda não conseguiram abolir o plástico então a tecnologia é envolvida também a empresa investe muito em P&D então assim, é uma empresa que a gente é fã há muitos anos foi uma das primeiras empresas fábricas que eu conheci inclusive que eu tive contato quando criança

Eu fui buscar o ano do IPO, foi em 79. 79. Então, realmente, muito tempo, né? Nem plano real era ainda, só foi em 94, plano real. Mas tem um ponto que eu sempre olho no nosso Natal. Talvez a Malu nem saiba disso, porque quando a gente vai comemorar o Natal... Não, eu sei também. É um caminhão de papel.

Exatamente. Porque o Natal é lá em casa. Então vai uma galera lá em casa. 20 pessoas. Por baixo. Presente, não sei o que. Agora tem criança. A criança recebe 70 presentes. Porque todo mundo dá presente, etc. É muito papel. É muito papel, muito papelão. Eu olho assim e falo, cara, um dos grandes vencedores dessas compras online, por exemplo, é a indústria do papel papelão. É verdade. Sim.

E aí eu lembro que teve uma época, não vou lembrar o ano exato, mas talvez a Louise lembre, né? Teve um medo, assim, no mercado com a indústria de celulose, porque as pessoas estavam lendo muitos livros em leitores de e-book, né? Tipo aquele que foi da Amazon, Kindle. E aí o pessoal falou, não, estão lendo livro digital, e aí vai ter menos venda de livro.

Acho que hoje as pessoas compram muito mais livro do que lá atrás. Talvez não leiam tanto, entendeu? Mas estão comprando livro pra caramba. Mas o fato é que elas compram muita coisa e chega tudo em papelão. E quanto mais rica a pessoa fica, acho que mais papel ela consome. Inclusive uma piada que eu já ouvi totalmente incorreta do ponto de vista político, então já me perdoem aqui. Mas eu ouvi, só estou repassando. Não mate o mensageiro. Cara, papel de celulose é legal. Mas imagina quando o pessoal na Índia começar a usar papel higiênico.

Mas foi uma piada que eu ouvi. Mas é só falando isso. O cara está pobre, ele usa pouco papel. À medida que ele começa a ter uma renda mais alta, ele vai gastar com comida, por exemplo, mas também vai gastar com essas compras. Onde vem embalado com papel, com papelão. Então, no final, é um setor que realmente faz sentido você calcular a perenidade nesse ponto. Sim. Porque tem uma coisa muito bacana no método de vocês, quando você olha lá bancos, setor elétrico, saneamento.

Quando a IA começou a realmente mostrar um pouco do potencial que ela tem no futuro, de mudar muita coisa, eu peguei ali essas empresas listadas em bolsa e comecei a ver, cara, quem aqui pode ser disruptado de maneira mais fácil e quem não pode, né? E aí os setores muito regulados são mais resistentes à disrupção, por exemplo. São setores nos quais vocês investem. Porque a IA pode mudar um monte de coisa, mas não tem como disruptar a criação de, sabe, árvores para gerar celulose.

E você sabe que é uma discussão muito interessante, né? A gente teve uma evolução gigante nos últimos 20 anos do capital intelectual. Passado isso, acho que as pessoas estão começando a perceber que para que esse capital intelectual, talvez a IA resolva boa parte agora desses dilemas intelectuais, mas o que a IA ainda não resolve é justamente a necessidade do físico. O que a IA não vai substituir, né? Então a gente vai precisar do minério, da energia.

da água, da árvore, da terra e tudo mais. Então, acho que é uma tendência natural nos próximos anos, e entrando um pouco no mundo de bolsa, acho que o Brasil deve se beneficiar enormemente nesse próximo ciclo, é justamente a abundância desse tipo de recurso e das empresas que fazem isso com muita maestria. A gente tem excelentes empresas aqui no Brasil que fazem, que entregam serviços e produtos muito bons nesse sentido.

Então, eu acho que, de fato, esse capital que começou a vir para o Brasil é, de fato, uma gotinha no oceano. Acho que é uma tendência que veio para ficar para o próximo ciclo. E vocês vendem as posições, mesmo as vencedoras, por exemplo? Vamos dizer que você tem lá a Clabin no seu portfólio e ela subiu muito mais que o restante do portfólio. Você vende para rebalancear ou não? Vender é uma coisa muito rara realmente. Vocês tentam rebalancear só alocando o dividendo novo nas posições que estão mais baratas?

É muito raro, é muito raro. A Klabin até que tem, até que teria liquidez para isso. Mas assim, imagina que o Barça tem 2% da Klabin. Vamos falar de uma outra empresa que é grande na carteira, a Unipar. Que hoje é 35% da carteira, digamos assim. Já foi mais pela questão da cotação e a gente foi diversificando ao longo do tempo.

Se o Barça fosse desfazer, a participação dele é de 20% da empresa. Ele destrói o valor da empresa. Teria que ser algum block trade ou alguma venda direta. Então, nessas posições maiores, é muito difícil a gente vender. O que pode acontecer ocasionalmente é, como a gente faz muito opções, por exemplo, o Banco do Brasil.

Não é uma posição que a gente venda, teria liquidez para isso, mas já nos deparamos com o momento em que nós fomos exercidos nas calls e aí vendemos, mas depois recompramos de novo. Então, existem as vendas, mas elas são muito raras, são muito difíceis. Geralmente, os papéis que o bar se trocam são aqueles papéis que ficaram tão pequenos na carteira, cujo dividendo é irrisório.

E aí, por uma questão de eficiência, ele acaba vendendo e trocando por alguma outra coisa. Então, vou dar um exemplo recente, Eletrobras. Eu tinha pensado também em vender, porque a gente tem uma certa resistência a empresas que são corporation.

Explica para o pessoal o que é uma corporation. Corporation, trazendo aqui, apertando a tecla SAP. Corporation são empresas que não têm um controlador definido. Então, o capital social está pulverizado a mercado. O que você tem é uma figura, é uma jabuticaba brasileira, na verdade, que é essa figura da corporation que não é pura.

Você tem ali alguns acionistas de referência. Então, no caso da Eletrobras, existe um acordo de que os acionistas, eles podem até ter mais ações, mas o poder econômico desse acionista está limitado a 10%. Então, você tem alguns...

arranjos. Mas, para simplificar a coisa, são empresas que não têm um dono definido, que precisam compor entre vários donos ou que até são puramente corporations, que são aquelas que não têm acionistas de referência. 100% do capital está extremamente pulverizado a mercado.

existe uma coisa que a gente acredita, sempre acreditamos, na verdade, e aí, depois, inclusive, que eu fiz o EBV, né, que eu acho que o Guilherme já veio aqui e tudo mais. Veio, acho que umas sete vezes já. Veio muito aqui. Eu acho que o Barsi, gente, o Barsi não sabe, mas ele é um aristotélico. Pai, o senhor é um aristotélico. Ele, aristotélico? Por quê? Porque a gente gosta de coisas cuja caneta, cujo poder, nós saibamos quem é que tem a caneta. Sim. Então, não necessariamente o cara precisa ser controlador.

mas você sabe quem manda ali, quem dá as diretrizes, porque aí você tem de quem cobrar, você tem com quem colaborar e tudo mais, e você tem como entender que tipo de diretriz esse dono vai dar para aquela empresa. Então, quando a Eletrobras era do governo, a gente não tem problema nenhum com empresas estatais, inclusive gostamos muito, são animais em extinção.

a gente sabia que esse negócio era extremamente resiliente, porque, enfim, se não fosse, já teria quebrado há tempos. A maior geradora e transmissora do nosso país. Tem ativos incríveis, mas estava sucateada, atuava em negócios que, enfim, só servia para penduricário político e tudo mais.

O Wilson fez um trabalho incrível lá desde 2017, se não me engano, foi limpando, saíram do negócio de distribuição. Então, assim, essa posição foi montada, se não me engano, em 2015, a R$ 3,50. Mas não era uma posição gigante ou que fizesse muita diferença na carteira em relação às outras, né?

Então, o Bárcio pegou, assim, toda essa coisa do sucateamento, depois melhora operacional da companhia e tudo mais, até a privatização e essa subida recente aí do papel, né? Depois que fez esse movimento aí no final do ano de distribuir a outra categoria de PNs.

E ele acabou se desfazendo da posição. Bom, já estou satisfeito. Deu aí uma boa rentabilidade. E ele acabou se trocando por outros negócios. Trocou por caixa de seguridade, que é um negócio que a gente está comprando bastante no momento. Então, ele faz essas trocas, mas são muito raras. São muito raras. Tem que ter algum motivo muito específico.

Ou ele está vendo alguma assimetria muito maior em que ele possa deixar esse recurso alocado de uma forma mais eficiente. Mas a gente nunca se depara, por exemplo, com o dilema de, poxa, o Nipar é 40% da nossa carteira. Vamos vender um pouco? Não. Vamos usar a parte desse fluxo para investir em outras coisas para que esses negócios, quando estiverem maduros ou quando crescerem, enfim, vão...

naturalmente ter um peso maior na carteira, que é o rebalanceamento com novos aportes. Até porque o Nipar é a grande pagadora de dividendos da carteira. Então, se você vende, você está meio que vendendo a sua galinha dos ovos de ouro. Então, é muito de como a gente pensa. As vendas são realmente muito raras.

E vocês têm um papel muito ativo nas posições somadas na carteira? Tipo, o Nipar, você falou que o Barça tem 20% da empresa, se não me engano. 20% da empresa, sim, temos. A gente tem hoje um corpo de conselheiros, a gente tem as pessoas da família, então as principais posições sou eu, tenho um outro irmão meu que também está na área de governança, também tem de super de fábrica, então a gente faz essa divisão. Vocês são os maiores na Unipar hoje?

Os maiores do Doni Par, tirando o Frank, que é o controlador. Então, lá estou eu e o Arce. Então, vocês não são os controladores. Não, não somos os controladores. São muito relevantes, 20%. Somos bastante relevantes. Somos bastante relevantes. E foi assim, por acaso. Na verdade, tinha um outro grande investidor que acabou vendendo a posição para o Barça ao longo do tempo.

Mas, enfim, então nessas principais posições fico eu, meu irmão e meu ex-cunhado. Então, as empresas de fábrica ficam o Marcelo, as empresas mais financeiras ficam o Luciano e aí outras posições fico eu.

É assim que a gente vai dividindo. Mas a gente tem um papel muito atuante. E aí tem outros conselheiros profissionais, não que nós não sejamos, mas independentes, fora da família. Também são pessoas da nossa confiança e tudo mais. Porque aí você tem comitê, você tem indicação para conselho fiscal. Não dá para concentrar tudo em membros da família. Então a gente tem uma atuação.

Bem ativa, eu diria. E que eu acho que é diferente do que a maioria das pessoas imaginam. Quando a gente fala de ativismo societário, as pessoas já pensam naquela coisa de bater panela, de chegar fazendo barulho. Confunde-se muito com uma coisa pejorativa. Mas não é. A gente se sente muito abraçado, inclusive, quando a gente indica...

com conselheiros e tudo mais, porque a gente vem com essa filosofia de agregar mesmo, de ser parceiro. E aquele controlador ou aqueles controladores sabem que a gente veio para ficar a longuíssimo prazo. Então, para nós não é interessante chegar fazendo baderna e, enfim, batendo de frente. A gente vai com muita calma, faz as sugestões. Então, enfim, é um trabalho também que eu gosto bastante e é bem gratificante. Comecei em 2017 nesse mundo de governança.

Pô, são quase 10 anos já, então. 10 anos, 10 anos. Minha primeira experiência foi num conselho fiscal, e aí depois meu pai me jogou no conselho, eu digo jogou, mas no conselho de administração da Eternit, que a empresa estava pedindo recuperação judicial. A empresa do que é isso? Coberturas, telhas. E aí ela estava fazendo a transição do amianto.

É isso que eu ia falar. Trabalhava com a minha. Com a minha, exatamente. Por si já polêmico, né? Então você tem recuperação judicial, processos ambientais, processos cíveis, enfim, tudo que você imagina de ruim que pode acontecer com uma empresa, tava lá.

Então, assim, foi uma escola pra mim. Uma empresa, 80 anos de atividade, né? E tá viva aí até hoje. Acho que muito também por conta desse ativismo que a gente tem de não abandonar a empresa mesmo, né? Foram muitos anos. O Barça, acho que montou posição lá em 2006. E temos até hoje aí 5% da companhia. Fiquei oito anos lá. Foi uma grande escola pra mim.

Eu imagino realmente a experiência, porque a primeira vez que eu tive a chance de participar de um conselho, eu vi o quão pouco o investidor de bolsa que só olha o relatório trimestral, ele sabe da empresa. Sim, exatamente. Porque tem muita coisa que a contabilidade consegue meio que camuflar, entendeu? Você fica meio por fora, cara. Você acha que sabe muito, mas você não sabe. Só números é muito...

Agora, estando realmente próximo à liderança da empresa, você acaba tendo acesso a realmente o pensamento das pessoas. Próximo prazo. Você entende que o resultado do trimestral não veio legal, por exemplo. Mas, cara, o próximo é porrar. Porque estão investindo para que isso aconteça. Então, é bem interessante. E você falou dessa questão de controle, de não investir em corporation. Eu tenho a mesma visão. Aquilo que eu adoro no Bitcoin é o que eu odeio numa empresa, né? Que é o fato de não ter um controlador. Sim. Então, no Bitcoin ninguém controla. Agora, numa empresa, cara, você tem um carro de aluguel, então.

E aí carro de aluguel das locadoras é vendido mais barato, com desconto, porque o pessoal não cuida bem, né? Agora numa empresa, se não tem alguém realmente que tem a cabeça de dono, aquele negócio tende a se depreciar com o tempo. Isso vai acontecer. Agora, pegando o que você disse sobre estatais, eu vi o seu post sobre isso, e eu tenho duas posições estatais na minha carteira que me deram bastante alegria. São do setor de saneamento, Sanepar e Copasa, né? Copasa, se eu não me engano, deve estar multiplicando por quatro, desde que saiu a questão, né?

da privatização. E aí eu vi o seu raciocínio e achei bem interessante. Queria que você compartilhasse com as pessoas por que estatais são boas e são bichos em extinção, como você disse.

elas vão acabar. Se a gente olhar a história, no Brasil a gente teve grandes estatais que eram orgulhos brasileiros e tudo mais, e que, conversando com meu pai, enfim, outras pessoas de mercado, eu jamais imaginei que uma CSN poderia ser privatizada, ou que uma Telebrás, na época, poderia ser privatizada. Eletrobras, imagina, demorou 20 anos até isso finalmente acontecer.

vai acontecer. Inclusive, estarei viva aqui nos próximos 30 anos, espero estar certa, mas Petrobras, Banco do Brasil, serão privatizadas. Serão privatizadas. Então, assim, esses são eventos, é como se fosse um cometa passando. Isso vai acontecer se você tiver muita paciência, se você tiver estômago, uma hora isso vai acontecer. São grandes eventos de destravamento de valor.

Até isso acontecer, muito provavelmente você vai ter que engolir muito sapo e aturar muitas coisas que provavelmente vão contra a sua filosofia, a sua ideologia, por exemplo. Se eu levasse a ferro e fogo a minha ideologia, eu sou uma economista liberal, a gente não estaria investindo no Brasil. Mas justamente pela gente conseguir enxergar pela outra ótica,

São empresas que têm tudo ainda por fazer, que têm muito potencial e que ajustando uns parafusinhos ou outro, assim, voam. A gente está vendo a Eletrobras mesmo. Também deve ter multiplicado, acho que até, sei lá, mais do que quatro vezes. De novo, uma empresa fantástica. Agora virou Axia, mas eu não consigo chamar de Axia. Eu chamo de Eletrobras.

Não há Cristo que me faça chamar esse negócio de Axia. Mas enfim, privatizou, foi privatizada em 22, salvo engano, e na época eu falei, eu fui muito enfático, eu falei, gente, eu não sei quanto tempo vai demorar, mas se você conseguir alocar pelo menos uns 10% do FGTS, faça isso. Na época podia, né?

Podia, então. São justamente esses poucos eventos que você consegue alocar o seu FGTS. O último, salvo engano, tinha sido em 2010. Com a Vale? Com a Petro. Com a Petro? É, se não me engano, talvez tenha tido Vale, alguma coisa de Vale. É, a Vale eu sei que foi possível alocar, mas foi muito antes. Foi antes. Foi antes, acho que foi início dos anos 2000, por aí.

Mas, enfim, a última oportunidade foi em 2010. Então, assim, isso tá passando um cometa. Você precisa olhar pra isso. A LOC 10%, pelo menos uns 10% do seu FGTS, né? Claro, você precisa ver se você vai precisar dessa grana e tudo mais. Mas, se puder, faça isso, né? E, assim, pra quem teve paciência, porque você tem um low-up de um ano, e pra quem não tirou, porque ela foi privatizada, o preço, se não me engano, foi de R$44, R$43, ela caiu depois, ela chegou até a R$37.

E aí veio uma chuva de gente, tá vendo? Coloquei meu FGTS. Pelo menos se eu tivesse deixado queda, tava rendendo lá 3% ao ano. Não sei o que, não tava negativo. Gente, calma, calma. É que é um fraso. Calma, calma. Espera. E a espera sempre, ela é recompensada.

Então, eu acho que estatais têm esse estigma, que, obviamente, quem não concorda ideologicamente tem essa repulsa. Mas se você consegue enxergar como uma baita de uma oportunidade, está lá sucateado e, geralmente...

subavaliado muito por conta do risco político, que um dia vai deixar de existir, como deixou não deixar de existir plenamente, mas ele é mitigado ao longo do tempo então, enfim, eu acho que são baitas oportunidades, mas é claro também não é comprar a qualquer preço

A gente é muito caxias nisso de seguir preço teto também, de ter o limite da margem de segurança para se expor também a esses ativos. Porque, de novo, vez ou outra, o risco político. Ele dá as caras para o Banco do Brasil nos últimos... Voltou agora, no ano passado, a se falar disso, mas enquanto estava pagando dividendos, enquanto o lucro estava crescendo, todo mundo esqueceu que era estatal. Caramba, olha que legal, vamos comprar e tal. Quando esse risco voltou a ser latente no ano passado, enfim, com toda a questão do agro e agora em ano eleitoral, essas empresas...

viram empresas que ninguém quer, são radioativas. Que fundo ou que carteira, que research de banco, por exemplo, vai recomendar uma estatal num ano tão arriscado se você tem outras ali dando sopa, né? Então é a oportunidade perfeita para o jacaré.

Jacarei a abocanhar. Então é por isso que a gente chama essas empresas de empresas em extinção, que você tem que ter na carteira se você tiver estômago e quiser ter bons frutos lá na frente. O que tem de estatal além do Banco do Brasil hoje? Tem bastante ainda. Tem, tem relativamente bastante. O maior de todas, o Banco do Brasil. Tem alguns bancos estaduais também.

Banrisul, Sanepar. Mas você vê, esses últimos cinco anos, Copel já foi. Sabesp já foi. Então, eu só te veria que todas serão privatizadas. Todas serão privatizadas. Pelo menos as de capital aberto, eu acredito que serão. Eu acho que as de estados costumam ser mais fáceis do que as federais. Então, por exemplo, eu tenho o Sanepar e tenho Copasa porque são estados com governadores liberais. O Zema e o Ratinho Júnior. Mas eu não comprei pensando, vai ser privatizada.

Eu comprei porque era barato. E também pelo seguinte, o pessoal está muito na moda hoje na internet, o pessoal quer criar negócios que tenham recorrência. O cara não quer mais fazer lançamento, ele quer uma assinatura com recorrência. Você quer algo mais recorrente do que pagar a conta de luz e água? Exatamente. Você sai de férias, o seu boleto vai estar lá de volta.

Pois é, e aí o pessoal cria umas plataformas, aí vende lá com a recorrência e tem um churn de 80%. Cara, eu não conheço alguém que experimentou água encanada e esgoto em casa e falou, quer saber isso aqui? É besteira. Vou catar água no poço e vou cagar na vala. Isso nunca acontece, pô. Então o cara vai pagar a conta de água a vida inteira dele.

Então, justamente por isso, eu pensei, cara, é um negócio que deveria valer muito mais do que vale. Só que ele não vale, em parte, por conta disso, né? Do risco político. Você não sabe se o governador que vai entrar na próxima eleição é um cara que vai falar, não, vai ter arredos de água, não. Porque eu quero ser o cara visto como bonzinho. E a empresa agora começa a ter menos recurso para poder se financiar. E quando você vê, não está mais oferecendo água em novas regiões.

É isso. São riscos. É um risco que acontece. São riscos inerentes. E é justamente por isso que muitas vezes essas empresas ficam por tanto tempo largadas, vamos dizer assim. E para a gente que busca bons negócios a bons preços, acabam sendo excelentes oportunidades. Claro, não estou falando aqui para você ter...

Só estatais na sua carteira, ou ter todas. Por exemplo, BRB. Você não vai me comprar BRB agora, entendeu? Não são todas a qualquer preço. Aquele que está lá junto. Que está envolvido na questão do Banco Master e tudo mais. Você não vai fazer um negócio desse agora, né? Mas, assim, se você tiver critério e tiver margem de segurança, são excelentes opções para a carteira porque...

São ativos que, pelo menos a cada quatro anos, por baixo, são ativos que são meio que ignorados, vamos dizer assim. Então, enfim, a gente não tem nenhuma restrição. E sabendo, obviamente, do risco. O risco que essas empresas estão correndo. Mas qual empresa no Brasil não está correndo risco? Pois é, o governo é um sócio. Inclusive, nos últimos anos, ele falou que quer ser mais sócio. Ele quis mais do resultado, aumentando a cobrança.

De imposto. E aí, já chegando nessa parte de imposto, o que você acha que muda na cabeça do investidor focado em dividendos agora com essa tributação mínima de 10% de imposto que o Haddad botou?

Olha, eu acho que em termos de estratégia, não muda nada para a gente. O que pode mudar em termos de alocação é você colocar um cap ali de, bom, eu vou montar uma posição de forma tal que essa empresa me dê, no máximo, 50 mil de dividendos por mês. Uma das coisas que a gente tem encorajado muito... O imposto é 50 mil para cada empresa? Por CNPJ. Eles vão pegar na fonte quando passa de 50 mil.

Deixa eu voltar um pouquinho para trás e explicar um pouquinho de como aconteceu essa tributação. Na verdade, é o seguinte, são duas partes dessa tributação. A primeira é a tributação do dividendo na fonte. Então, por exemplo, você tem a sua empresa, não precisa nem ser uma empresa de capital aberto, você distribuiu 20 mil reais de dividendos, que é o percentual do lucro que vai ser o seu sustento.

você está fora desse risco, você não vai ser tributado nesses 10% na fonte. Agora, por exemplo, se você recebeu 51 mil reais da BB Seguridade, por exemplo, 10% será tributado na fonte. E aí uma coisa curiosa, que logo que saiu o texto, a gente ficou até na dúvida. É os 10% não sobre o que exceder 50 mil, é 10% sobre o total se for acima de 50 mil.

É igual a tributação dos 20 mil da Bolsa. Exato, igual a tributação dos 20 mil da Bolsa ou igual até a tributação do JCP, só que o JCP não tem esse cap, não tem esse mínimo. E você tem a segunda parte da tributação, que é o 10% de imposto mínimo para patrimônios acima de R$ 1,2 milhão ao ano. Então, se você recebe R$ 1,2 milhão ao ano de prolabore, de honorários e tudo mais, e você já paga os 27,5 na fonte,

esses 10% não vão te atingir. Ele é exclusivamente, foi desenhado para que quem pagasse são aquelas pessoas que trabalharam ao longo da vida e aí pouparam e para não ter que depender de INSS ou das garras do Estado, fizeram os investimentos para que tivessem renda passiva, para que no momento em que a sua renda ativa decrescesse, você tivesse...

formas de subsistência para ter uma vida digna. Então, é para os rentistas malvadões. Se você se preparou, veja bem. Exatamente. Vai ter que dar uma fatia para o governo. Vai ter que dar uma fatia para o governo. Porque ele não consegue te pagar, mas você consegue pagar ele. Por que não? Exatamente. Mas falando brevemente, é isso mesmo. Então, você tem esses 10%, que é o imposto mínimo. Então, se você tem boa parte da sua renda hoje...

é proveniente de JCP ou de dividendo, muito provavelmente, e for acima de 1 milhão e 200, a partir de 1 milhão e 200, isso é escalonado. No ano, né? Isso, na declaração anual, a gente vai ver qual vai ser a bagunça ano que vem. Vai ser no base 26, na declaração de 27. Ainda não começou, exceto essa tributação na fonte, quando distribui mais de 50 mil, mas, por exemplo, no ano que vem, na declaração, eles vão apurar.

Cara, você teve quanto de dividendo, de renda tributada, vão colocar lá e ver, até o imposto não chegou a 10%, então vai ter que ter uma cobrança. Exatamente. Se sobre tudo que você ganhou de renda, você não tiver pago os 10%, isso é cobrado na declaração anual. Se por outro lado, você já pagou, inclusive, mais do que os 10%, você tem uma restituição a fazer. No caso do patrimônio do seu pai, vai ser uma pedrada isso, né? Vai ser uma pedrada.

que vocês até usam opções, aí no ganho vai ter que pagar o tributo de 15%, isso ajuda a livrar uma parte. Aqui na Portfel, a gente estava fazendo a conta de que para cada R$2 tributados em 15%, você livrou um da tributação, vamos colocar assim a grosso modo.

Então, por exemplo, é que não é o caso de vocês, não vai ser renda fixa. Ou talvez tenha só uma renda fixa esperando oportunidades, mas deve ser uma coisa menor. Mas boa parte dos nossos clientes tem um perfil mais conservador. Então o cara vai ter uma certa exposição à bolsa, por exemplo, mas tem uma exposição à renda fixa e vários gostavam muito de LCIs e LCAs. Isso mesmo.

Porque não paga imposto. Só que agora, com essa regra, um CDB que paga 110 do CDI, ele acaba ficando mais interessante em comparação com uma LCA que paga 93 por conta do imposto que você vai conseguir fazer com que você não tenha mais tributação dividendo por conta disso. Para você pagar menos imposto, agora você vai pagar mais imposto na fonte. Essa é a lógica que as pessoas estão fazendo.

Então, assim, os agentes econômicos, eles vão sempre... Esse mundo seteres paribus dos economistas, que é tudo mais constante, ele só existe nos livros e nos estudos. No mundo real, isso não existe. A gente vai dando um jeito. As pessoas não ficam paradas, tudo mais constante, se movimentando, e você não reage.

Os agentes econômicos reagem. Vejam só, a fim de pagar menos impostos. Todo mundo quer pagar menos impostos. Então, obviamente, as pessoas se movimentam, as empresas se movimentam. Então, o investidor está olhando muito para isso. Quer dizer, quem alocava uma renda fixa isenta, está alocando num CDB. Porque, eventualmente, na hora que resgatar para investir em ações, ele vai conseguir compensar.

esse pagamento na fonte na declaração anual. As empresas vão começar também a distribuir os dividendos com maior cadência. Então, essa é uma coisa que a gente tem incentivado muito nos conselhos que a gente participa. Se você anuncia ou distribui uma vez, caramba, para a grande maioria desses acionistas, para base fragmentada, você vai conseguir livrá-los dessa tributação na fonte se você distribuir trimestral ou se você começar a anunciar, mas pagar mensalmente.

Então, por exemplo, a Isa Energia já tem feito isso. Ela distribuiu uma vez ao ano, começou a distribuir trimestralmente, agora ela anuncia trimestralmente e paga esse dividendo mensal. Então, ela anuncia em setembro, paga setembro, outubro, novembro. Anuncia em dezembro, paga janeiro, fevereiro, março. Porque não é sobre o anúncio, a tributação, é sobre o recebimento. É sobre o pagamento.

Então, são artifícios legais dentro das quatro linhas que as empresas vão começar a fazer para continuar adraindo esse investidor de dividendos, que é interessante para as empresas tê-las na base de acionistas. Porque são acionistas que, muito provavelmente, quando essa empresa precisar recorrer a um follow-on, a uma...

chamada de capital, a tendência é que sejam esses acionistas que aportem na empresa. Então, ter uma base de investidores que estão pensando a longo prazo é muito bom também para a empresa. Acho que, ao longo do tempo, as empresas têm percebido isso também, que distribuir dividendo não é bom só para o controlador. Atrai uma base fiel de acionistas cativos para longo prazo. Até que demorou muito para perceberem isso, porque se você pega em fundo imobiliário, eles são obrigados a distribuir semestralmente. Sim.

Mas vários eles fatiam mensalmente justamente porque aqueles que fizeram isso primeiro cativaram os investidores. Isso. Porque lá é o mercado tomado por pessoa física. Receber mensal é melhor, né? O pessoal prefere esse fluxo de pagamento mensal. Sim, muitas empresas vão começar a fazer isso, acredito eu. É realmente uma estratégia interessante. Beneficia bastante o cara que é pequeno. E ano passado deve ter sido fantástico para vocês aquele final de ano onde várias empresas adiantaram distribuição de dividendos ou...

montar um calendário até 2028 para poder distribuir o dividendo isento. Justamente nesse movimento que você falou, as pessoas não ficam paradas. Se o governo vai e adota uma medida para tributar mais, na mesma hora a base que ele achou que seria tributada, ela começa a se erodir. O pessoal usa medidas legais para poder fugir dessa tributação.

Então deve ter sido meses mágicos em termos de recebimento. Foram meses muito bons. Ainda foi um ano muito bom, mas não foi ainda superior ao de 2022. 2022 acho que foi o recorde. Petrobras pagou muito, você tinha as exportadoras, as commodities como um todo, nas alturas. Então até a própria Unipark, a maior pagadora, também se beneficiou muito desse movimento.

Mas ano passado, de fato, acho que nos últimos 10 anos, talvez tenha sido o segundo ou terceiro melhor ano em termos de distribuição de dividendos. Justamente isso, porque como o limite era 31 de dezembro, o exercício de 2025, muitos se anteciparam, pegaram os lucros acumulados, tudo aquilo que era possível distribuir foi antecipado o anúncio ao acionista. Então, quem se posicionou naquela época também vai colher os frutos adiante.

E eu não acho que 2026 vai ser um ano ruim, não, de dividendos ainda. Claro, não vai se equiparar a 2025, por conta desse, vamos chamar de fluxo artificial, essa antecipação, mas eu acho que ainda tende a ser um ano muito bom. Eu estou preocupada mesmo com 2027.

Em 2027, a gente tem efetivamente o IBS... Esqueci o nome do outro. CBS. CBS, obrigada. Entrando em vigor, então está valendo. A gente tem para as empresas abertas também o IFRS S1 e S2, que são novas regras de relatórios de sustentabilidade também, que vem muito mais... O Brasil é o primeiro a adotar, inclusive, e as empresas estão bastante preocupadas com isso, porque são métricas...

Não para inglês ver. Agora a gente vai, finalmente, com esse FRS, a gente vai conseguir metrificar o quanto o ISD atua na operação. Então, a gente vai ter o efeito econômico do ISD nas empresas. Então, enfim, eu acho que é um ano de muitas mudanças. Fora que eu acho que em termos fiscais...

A gente está protelando o inevitável. Uma hora a gente vai ter que lidar com essa bomba que está pronta para ser detonada. E muito provavelmente isso deve acontecer em 27 ou 28. Então é um ano que acho que para os negócios das empresas, lembrando que se o lucro retrai, tem menos dividendo e agora menos base também de arrecadação para o governo, que as estimativas já estão sendo frustradas.

E eu acredito que eles sabiam disso, né? Que aquelas contas que estavam ali, elas não... Com certeza sabiam. Óbvio, óbvio. Eles são inteligentes. São. Não dá pra falar o contrário, entendeu? Só que usa inteligência com finalidades diversas do que... Finalidades diversas. O pessoal do mercado usa, por exemplo, né? E eu queria saber um pouco da sua visão sobre os próximos anos, Louise. Inclusive, se isso muda a estratégia de vocês. Cara, entrou um ciclo político mais favorável ou mais desfavorável na visão de vocês. Vocês...

Compram menos? Mantém mais caixa? Como é que vocês encaram as idas e vindas da política e também dos movimentos da Bolsa? A gente comentou bem no comecinho do podcast que tem gente agora falando, pô, já está caro. Já subiu demais. O investidor veio e já comprou pra cacete enquanto a pessoa física está vendendo, por exemplo. Como é que você pensa sobre o que está acontecendo agora e para frente?

curioso, porque olhando um pouco para trás, tentando aprender com a história, nos primeiros anos de bull market, por exemplo, 2016, 2017, custou muito para a gente que estava no mercado acreditar que aquilo de fato era um bull market. A gente só foi acreditar em 2019 quando tinha chegado praticamente ao final do ciclo, desse ciclo mais curto que a gente teve agora recentemente, terminando em 2021. Então, quando você está vivendo a Bolsa nesses momentos...

você não consegue perceber se aquilo é uma coisa que veio para ficar ou não. Eu acho que, de novo, muito por essa coisa do capital intelectual precisar, as pessoas perceberem que precisam do capital físico para que esse ecossistema funcione, e por todo o contexto externo que a gente está vivendo, eu acho que o Brasil e emergentes como um todo estão muito bem posicionados, vamos dizer assim, para receber esse fluxo.

Vai depender se a gente vai fazer minimamente a lição de casa ou não. Não estamos pedindo para virar Suíça amanhã, a gente está pedindo para minimamente nós termos as condições para que a nossa taxa de juros caia. Pelo menos fique ali rondando os 9, 10%, que só deve vir a acontecer agora em 2028, pela projeção do boletim Fox.

Então, enfim, eu ainda a gente vê como um ciclo muito positivo em geral para o Brasil. Apesar da gente ter que lidar com os nossos próprios demônios, sendo a bomba fiscal a principal delas, contra fluxo não há argumento. Então, a gente tem uma situação de país em 2026 muito parecida com a de 2025. Por que 2025, primeiro semestre, foi tão ruim, vamos dizer assim? A Bolsa estava lá no chão e 2026 não. O que mudou internamente para a gente?

Muito pouco, mas é porque eleição faz pouco... Não é a principal variável que o investidor estrangeiro olha para a sua alocação. Então, o primeiro grande ciclo que já está acontecendo é a vinda desse capital estrangeiro. E a continuidade desse movimento de alta da Bolsa vai depender muito dos investidores internos, sejam os institucionais e sempre no final do ciclo os investidores pessoas físicas.

Para o investidor pessoa física ainda é uma matemática muito simples. Por que eu vou correr risco na bolsa que agora está 200 mil pontos, ou chegando próximo aos 200 mil pontos? Se eu tenho IPCA mais 7,5%, se eu tenho um pré-fixado a 13%, 14%. O custo de oportunidade para esse investidor é diferente do custo de oportunidade do estrangeiro. Então é justamente por isso que início de ciclo de bull market é muito difícil de você enxergar, porque é...

essa enxurrada de capital estrangeiro. Que a gente sabe que piscou, a gente já realizou bastante desse ganho nos meses de março e abril. Vamos ver como vai ser maio. Então, os ciclos políticos, os ciclos macroeconômicos, é claro que eles importam e eles fazem preço a curtíssimo prazo.

Mas a longo prazo, quanto maior o seu horizonte de investimento, de novo, esses efeitos acabam sendo dissipados e o que realmente importa é a qualidade das empresas que você tem em carteira e o preço que você pagou por elas. E claro, esse efeito bola de neve dos dividendos sendo reinvestidos. Então é muito para isso que a gente olha.

Esses ciclos fazem preço, obviamente. Então, como é que a gente equilibra isso? Eu estou sempre comprada em bolsa, mas eu estou aportando menos ou eu estou aportando mais. Tem momentos que eu tenho mais caixa, tem momentos que eu tenho menos caixa. Então, agora, com essa subida um pouco da bolsa, e quando a gente fala da bolsa, do índice, não necessariamente isso representa todas as empresas de capital. Quando a gente olha...

muito bem separado hoje em duas grandes categorias. Você tem as empresas que são mais líquidas, que fazem parte do índice, que receberam boa parte desse fluxo estrangeiro via ETFs principalmente. O estrangeiro não está olhando a empresa no detalhe. Ele chegou e botou nas maiores. Exato, ele não está preocupado se avale... Não, ele está olhando para o bloco, para a emergência, para o Brasil, exposição ao Brasil como um todo. Eu posso comprar no Brasil. Falar e bota, Banco do Brasil, é grande, é liquidez, é líquido, eu posso comprar bastante.

Exatamente. Então, essa primeira categoria de blue chips, que fazem parte do Ibovespa, enfim, aqui o estrangeiro consegue se expor via ETFs, via índices. E você tem a outra categoria de empresas que depende justamente desse fluxo de institucionais, fundos, fundos de pensão, investidores locais.

para geralmente ganhar força um pouco mais na tese, que também depende mais de fatores internos, como taxa de juros e tudo mais. Então, essa categoria de empresas, você tem empresas industriais, empresas um pouco mais alavancadas, empresas que dependam mais do cenário doméstico, ou small caps, que ainda estão em valuations extremamente atrativos.

mas que precisa tomar um cuidado redobrado para esse tipo de exposição, porque de novo, você precisa que as condições internas façam com que essas empresas, enfim, performem bem.

Então, eu acho que é um momento de muita cautela para o investidor hoje, principalmente para o investidor de dividendos, porque você olha essas duas categorias e fala bom, agora é hora de eu me expor a small caps porque a taxa de juros vai cair. Isso ouvindo no início do ano. Mas tá, mas e se não cair? Pois é. A sua tese não pode ser só baseada no macro. Não pode. Ela tem que ser, pelo menos é o que a gente acredita, começar do micro.

E aí, sim, claro, você vai, né, que é o que a gente chama de bottom-up, né? Você olha primeiro o negócio, depois você olha como que as influências externas acometem esse negócio, né? Como é que isso influencia o andamento desse negócio, né? Então, enfim, a gente ainda não fez esse exercício de mergulhar nessa segunda categoria de ativos. Na verdade, a gente já tem há algum tempo alguns investimentos que a gente chama de carteira de oportunidade, né?

Mas a gente está aportando bem pouco agora, que é o que a gente chama de feijão com arroz. É aquele aporte sagrado de todo mês, que é para você não gastar esse dinheiro no final do mês, sabe? Você sabe que é o dinheiro das ações, que é o dinheiro do seu dividendo do futuro. Então, a gente tem feito aportes bem pontuais, mês a mês, e estamos fazendo caixa nesse momento.

Eu fui olhar o gráfico de Bovespa, a gente não chegou nos 200 mil pontos, mas para olhar onde tinha chegado, foi muito próximo. Foi 198 mil alguma coisa, agora está em 187. Então, alguma realização. Mas o impressionante é que se você volta alguns anos, 2022, 2023, a gente estava no décimo churrasco dos 100 mil pontos.

Toda hora batia 100 mil, o pessoal comemorava, caía, batia... Então praticamente dobrou. O negócio subiu bastante. É verdade. Só que com muito pouca alocação de pessoa física. Então é o bull market mais silencioso que eu já vi como investidor. Eu estou no mercado desde 17 anos. Estou com 37 anos. Tem ninguém recebendo, né, Bruno? O que acha que sempre está... Ah, está barato, está barato. E agora a Luiza sentou aqui e falou isso. Não, a primeira vez que eu sento aqui não está barato.

Eu fiquei surpresa, porque eu não sabia. É, subiu bastante. Mas também não pode falar que está caro. Ela não falou que não estava barato. Ela falou que estava mais alto. Antes estava bizarramente barato. Tinha coisa chutada, entendeu? Agora está assim. Você tem que ter um pouquinho mais de cautela para alocar. Não é qualquer coisa. Então, por exemplo, você citou a Copasa em vias de fazer o seu movimento de privatização. Não é mais um case de dividendos. Você concorda? Virou um binômio. Se privatizar, poxa, legal.

Se não privatizar, provavelmente vai voltar para o lugar de onde veio no ano passado. Então, assim, precisa olhar com um pouco mais de cautela para os negócios que você está comprando. Mas a gente ainda tem empresas que estão abaixo do preço teto. Por exemplo, o setor de seguros. Com essa expectativa de que a taxa de juros caia, acho que houve uma rotação dos negócios de seguro para...

Outros como commodity e tudo mais. Então, a gente ainda tem coisa que não está bizarramente barato, como estava no passado, mas que ainda estão aportáveis, né? É que quando a gente fala bolsa, né? Dá a impressão de que é tudo. Mas agora, explicando um pouco mais, né? Falando desses principais papéis, você tem muita coisa que, caramba, já andou bastante, que já está muito próximo, triscando aí nesse preço teto. Então, nesses momentos, a gente prefere...

esperar um pouquinho ou olhar para outros negócios que ainda dêem condição de aporte, né?

É, vamos ver se o juro vai cair, né? Você disse com essa expectativa que tem. A Selic começou a cair, mas mesmo assim tem 14,5. Só que você pega a expectativa de inflação, não para de subir por conta da guerra no Oriente Médio. E aí com o petróleo mais caro, o petróleo é o ativo mais inflacionário que tem. Tudo acaba ficando mais caro. Isso pode melar um pouco a festa. Porque se a gente chegou a beliscar os 100 mil pontos com juros em 15%, imagina quando esse negócio cai para 9, por exemplo. Pois é.

vai ser muito interessante. Então, espero que isso aconteça ao longo do tempo. Vamos ver. Até porque, vamos pensar, você que está olhando aí em casa, talvez esteja vendo algum site lá para ver indicadores da Bolsa. Se quiser um, a gente tem um bem interessante, o investimentos.com.br. Você tem lá uma empresa que está sendo negociada a valor patrimonial, por exemplo.

E se você volta dois anos no tempo, era, cara, balde de empresa sendo negociada valor patrimonial. Ou seja, o cara está sendo negociado pelo valor do imóvel que ele tem, do maquinário que ele tem, entendeu? Não pelo fluxo de caixa que ele vai gerar no futuro. Ele está simplesmente a preço de liquidação. Entendi. Aí essa empresa tem uma rentabilidade, sob esse patrimônio líquido, de 10%. Com a taxa de juros em 14, valeria a pena esse cara vender esse negócio e botar todo o dinheiro nessa elique.

ele ganharia 40% a mais. Então, esse juro muito alto, ele é proibitivo para vários negócios quando ele fica alto por muito tempo. Não à toa, a gente está vendo o recorde de recuperação judicial, um monte de brasileiro endividado. A gente abriu há pouco tempo a turma de leilão da minha irmã, no curso para arrematar imóveis em leilão. Vivendo de leilão, foi a turma 31. A gente teve, no ano passado, só o primeiro semestre, na verdade eu vou falar 2022. Em 2022, teve 9 mil imóveis em leilão. Ano passado, só o primeiro semestre, foram 116 mil.

Isso é o cara que está totalmente apertado, o preço de tudo mais alto, não consegue pagar o financiamento, ele perdeu a casa. Isso é resultado do quê? Juro alto por muito tempo. Então, quando esse juro cair realmente, a gente vai ver um destravamento de valor muito grande em empresas negociadas em bolsa de valores. Agora, vamos ver se o juro consegue cair.

Pois é, a expectativa é a mãe das decepções. Pois é. Na vida e nos investimentos também. Essa lição também vale. Então, de novo, você se posicionar baseado em expectativa do que pode acontecer é muito perigoso. Vamos voltar, não muito tempo atrás, 2024, nós tivemos uma... A gente ensaiou.

A gente ensaiou uma queda de taxa de juros. A gente chegou a 10, 25, talvez. Não vou me lembrar de cabeça, mas... Caiu e deu aquela bela barrigada. Voltou a subir até chegar aos 15% de novo. Isso é extremamente danoso. E eu lembro que naquela época, 2024, a Bolsa começou a ir bem e performar bem, porque a taxa de juros, a expectativa iria cair. Quando virou, assim...

Terceiro trimestre de 2024 para 2025, as maiores oportunidades foram ali no início de 2025. A gente viu muita empresa barata. A Valia, R$45, Petro, R$29. Para falar das principais, mas entre várias outras coisas que você fechasse o olho e escolhesse essa, provavelmente estava abaixo de preço teto, uma excelente empresa.

em que você não precisava ficar cavocando tanto. Esse é meu ponto. Você tinha excelentes empresas, líderes nos seus negócios, que fazem parte do BOV. Estava mais fácil de você selecionar. Você podia comprar um Itaú, um Banco do Brasil, um Bradesco, por exemplo, abaixo de valor patrimonial. Agora, essa grande barganha já passou. Então, você precisa estar um pouquinho mais criterioso nesse momento.

E na sua visão, pegando a metodologia de vocês, o Best, etc., as empresas nas quais vocês alocam, qual seria a empresa mais mal precificada hoje dentre aquelas que vocês prestam atenção como empresas que realmente passam nos critérios que vocês têm para investimento?

Difícil essa pergunta, justamente porque as empresas do BESH andaram bastante agora nesses últimos meses. Talvez esse setor que eu tenha comentado, o setor de seguros, como havia a expectativa da taxa de juros cair um pouco de forma mais veloz ao longo desse ano.

O que acontece com o negócio de seguros? Funciona como um pêndulo. Então, quando você tem a retração da economia, via de regra você tem o aumento da taxa de juros, são empresas que retém muito fluxo de caixa, são empresas que são grandes tesourarias. Porque imagina, o cliente paga o prêmio pela policy e tudo mais, ele só vai receber os recursos se houver o sinistro.

enquanto não houver o sinistro, ou se não houver o sinistro, imagina que você pagou o seguro do seu carro. Você vai lá rezar, pelo amor de Deus. Ninguém quer bater para receber o dinheiro do seguro. Esse fluxo fica em tesouraria da própria seguradora. Então, você imagina que esse fluxo está sendo remunerado. A empresa vai alocar esse dinheiro. Então, quando você tem taxa de juros alta...

o resultado financeiro, ele tende a ser um grande componente dos balanços das seguradoras. Por outro lado, quando a taxa de juros cai, geralmente é porque a economia está se recuperando. Então, você tem mais ganhos de prêmios, de novas apólices sendo feitas ali, de um crescimento de receita mesmo operacional, digamos assim. Então, uma coisa vai compensando a outra. Mas nesse momento em que a taxa de juros vai caindo, obviamente é um dinheiro, vamos dizer assim,

fácil que está lá alocado, que serve como um complemento no balanço. Então, geralmente, quando há essa expectativa de queda de taxa de juros, geralmente o mercado acaba reprecificando essas empresas seguradoras, refazendo esses valuations, que foi o que aconteceu, inclusive, o rebaixamento tanto da BB Seguridade, da Caixa Seguridade. BB Seguridade, claro, pelo contágio que tem com os negócios do próprio Banco do Brasil. A gente sabe que o agro vem...

de um terceiro, segundo, terceiro ano, muito difícil esse ano, né? Então, os produtores endividados, você tem também toda aquela questão das várias recuperações judiciais, então, produtores que eram bons pagadores, né? Deixaram de pagar, né? De forma inédita, com a mudança também da contabilidade que veio pelo Banco Central. Agora você faz a sua PDD, né? A sua PCLD, que é Provisões de Devedores Duvidosos. Então, você imagina, você emprestou dinheiro.

Uma parte, para quem você emprestou dinheiro, imagina aquele tio que você emprestou dinheiro. Para esse você fala, esse aqui eu nunca mais vou ver o dinheiro de volta. O banco faz exatamente a mesma coisa. Só que antes o banco tinha que provisionar faseado de acordo com a inadimplência.

Hoje não. Hoje é de acordo com a expectativa de inadimplência em três estágios. Então, a inadimplência não precisa acontecer para que você provisione a grana no balanço dos bancos. Basicamente é isso. Então, como o setor do agro está passando por certa dificuldade no momento, obviamente o Banco do Brasil é mais afetado. Um terço da carteira é agro, exposição ao agro. Era uma grande força há alguns anos, virou agora.

punitivo para o banco. E você percebe, por exemplo, cada setor tem também o seu ciclo, não quer dizer que eles estejam imunes a isso. Então, tem determinados momentos, por exemplo, o setor de bancos, o Itaú é sempre o grande benchmark. Então, você via as matérias, sei lá, há seis, sete anos atrás, caramba, Bradesco com o ROI do Itaú, 20%. Aí alguma coisa acontece e afeta a carteira de crédito.

decai. Aí veio o Santander com mais exposição ao varejo. Caramba, Santander com ROE de 20% competindo com Itaú. Depois veio o BTG. Agora Bradesco se recuperando de novo. Depois veio o Banco do Brasil. Então, no próprio setor financeiro, todos os setores passam por esses ciclos financeiros. Talvez agora, pelo momento que nós estejamos vivendo, talvez o setor de seguro seja aí o que tem o maior número de empresas abaixo do preço teto.

É, eu acho um setor muito bom. Eu sempre falei que seguradoras são o mais próximo que a gente tem de um cassino no Brasil até a entrada das Betis. É verdade. Porque a seguradora tem toda uma estatística jogando a favor dela, entendeu? A casa sempre ganha no final. É a lei dos grandes números. É, exatamente. Então, eles sabem que ao fazer seguro de carro para tantas pessoas, a expectativa é de tantas pessoas terem sinistro, aí eu vou ter que pagar essas pessoas, mas vai sobrar um tanto de dinheiro que reinvestido aqui a índices muito altos vão gerar um baita resultado para a seguradora.

Não à toa o Warren Buffett fez grande parte do que ele fez munido desse capital que via da seguradora dele. Exatamente. Então é um baita de um negócio, realmente. É muito bom. Eu já fui Maria Tomada, agora eu sou Maria Policy. Ah, é? É. Comprando seguro aí, muito bom. Setor que eu gosto bastante.

E eu tenho uma pergunta também sobre como é que vocês encaram a questão sucessória dentro do método. Porque, por exemplo, não é desejando nada de errado para o seu pai, longe disso, né? Mas seu pai está com 87 anos agora. Sim.

E aí aqui no Brasil, a reforma tributária, um dos impostos que deve aumentar ao longo do tempo, porque eles estão dando a liberdade para os estados fazerem isso, é o ITCMD, aquele Imposto sobre Transmissão, Doação e Causa Mortes. E aí se você soma esse imposto hoje, que ele varia de 4% a 8%, com mais custo de inventário ou honorário de advogado, ele chega facilmente a 20%. E se você pega os investimentos todos, eles entram em inventário, exceto Previdência Privada, por exemplo.

Vocês têm algum tipo de plano para evitar essa mordida tão grande do leão como se ela criasse um fundo de previdência e passe todo o dinheiro para o fundo? Se bem que agora o governo está fechando as portas para isso também. Até há pouco tempo dava, agora já tem imposto. Não vai ter por onde escapar. Acho que olhando globalmente...

Então, restaram pouquíssimos países que não estejam fechando a porta. E mesmo assim, são portas que têm um tempo para acabar. Você tem um benefício temporário e depois isso se esgota e vai para outra solução e tudo mais. Então, o que a gente está pensando muito, é claro que a gente evita pagar imposto. Obviamente, você não vai pagar imposto desnecessariamente. Mas a nossa grande preocupação é com a sustentabilidade e com a continuidade desse patrimônio lá na frente. Acho que a nossa preocupação, número um, é em detrimento de pagar menos impostos.

Você tem N ferramentas que você poderia pagar menos imposto. Mas se eu digo para o meu pai hoje, pai, em vida o senhor vai ter que colocar tudo num fundo exclusivo e deixar na mão de um gestor? Eu estou matando o meu pai, entendeu? O que ele gosta de fazer é isso. Sentar, ele dar as ordens dele, ele determinar a estratégia dele. Ele fica no home broker.

Não, ele tem uma mesa, um cara na mesa que faz para ele, né? Entendi. Porque ele não é ele que digita. Como são ordens muito grandes, assim, um erro... É, o dedo gordo, o negócio fica deve ser maior. Um bilhão para um bilhão, entendeu? Então, assim, muita responsabilidade também no que isso é responsabilidade para mim. Então, a gente tem uma pessoa na mesa, no escritório hoje, que o atende exclusivamente, né?

para essas ordens que são direto na mesa, por serem volumes altos e que muitas vezes exigem que seja na mesa por conta do compliance, área de riscos do banco que a gente opera e tudo mais. Mas é ele que dá ordem, é ele que liga e fala, fulano, compra isso, agora bota esse preço. Não, agora tira a ordem, coloca um centavo a mais, um centavo a menos. Ele tem o jeitinho dele de operar.

Então, a partir do momento, assim, a gente está se preparando para esse momento, ele está se preparando para esse momento, o que muito provavelmente nós devemos fazer é ainda em vida, alguma estrutura de fia, já que boa parte está em ações mesmo, e tem que ser em vida, tem que deixar isso em vida, acordado com todos os sucessores e tudo mais.

E eu acho que essa é a nossa grande preocupação, que esse bolo não se segregue, que no momento que a gente faça a sucessão, todo mundo possa tomar as decisões ali em conjunto, porque o patrimônio junto é o que faz a nossa força.

Mas, enfim, né? Tem coisas que a gente planeja e depois quando o patriarca ou a matriarca não estão aqui, acabam. Então, isso não tem muito como controlar, né? Então, é um assunto ainda delicado pra se tocar em casa, muito porque ele ainda tá super ativo, né? Cabeça a mil e tudo mais. Mas, inevitavelmente, esse momento vai chegar e muito provavelmente a gente vai fazer isso via via FIA de Ações Exclusivo.

Eu digo isso porque desde que nós fomos pais, eu sempre pensei na questão sucessória, então eu tenho o seguro de vida, a Malu é beneficiária, a Malu tem o dela também, eu sou beneficiário.

E com a Maria Tereza eu comecei a pensar, cara, tem outras coisas além. Tem que ter um testamento para também dar algumas diretrizes que eu gostaria que seguissem na vida. Porque é um evento que inevitavelmente ele chegará para todos nós. Então a única certeza que nós temos, ou melhor, as únicas duas, são a morte e os impostos. É. Então uma hora ele vai chegar. E aí é impressionante o quão pouco o brasileiro se prepara para isso. Geralmente é um evento que, além do trauma da perda da pessoa em si, também costuma ser um trauma financeiro. Porque...

Principalmente quando é de sopetão. Você pode ter, às vezes, a pessoa que mais gerava renda na casa, essa renda deixa de existir, e o patrimônio que já é da família, imobilizado no inventário, onde a família tem que pagar para ter acesso ao que já é dela. No caso, o patrimônio imobiliário, que costuma ser o exemplo mais comum aqui no Brasil. Então, para todo mundo que pensa em sucessão patrimonial, aliás, que não pensa, vocês deveriam pensar realmente para evitar dessabores. Sem dúvida.

Porque ao doar em vida, por exemplo, e a gente está numa janela interessante para isso agora, você vai pagar o ITC-MD, que, como eu disse, tende a aumentar no futuro. Se você deixa para resolver isso depois, quando a pessoa já se foi, cara, já tem advogado e custo de inventário. É mais do que o dobro do preço para que você tenha, no final, o mesmo resultado. Sim.

Provavelmente a gente deva fazer em vida, via FIA, como eu comentei. Mas para o nosso caso, tem uma particularidade. Por exemplo, quando você transfere da física para alguma estrutura, seja holding ou fundos, você precisa zerar a pedra. O que é isso? Pagar o imposto de renda sob ganho de capital. Pagar ganho de capital. É melhor empurrar com a barriga e pagar o ITC-MD maior lá na frente. Se você pensa sobre isso agora...

pelo menos esse dinheiro que você pagou de DARF, de ganho de capital, ele vai poder compensar uma parte que você pagaria em dividendos, né? É, pois é, mas explica isso para o Barça, é difícil ele querer pagar. Não, imagino. É, imagino. Mas, enfim, assim, é um assunto que a gente está olhando com muito cuidado também, acho que a hora que ele estiver pronto, a gente vai fazer em vida, assim.

É, pelo menos o principal, uma coisa que eu penso muito também é, cara, como é que a Maria Tereza vai lidar com o dinheiro? Ele tem a certeza de que você, os outros filhos eu já não conheço, mas imagino que devam ter essa educação financeira também. Então, acho que o principal é saber que, olha, isso aqui com certeza vai continuar gerando frutos no futuro. Tem a questão da minha mãe também, né? Então, acho que parte dessa segurança dele, minha mãe é a meira dele, né?

35 anos juntos, né? Obviamente, quem vai administrar essa parte sou eu, né? Claro. Então, eu acho que pelo menos ali a metade, eu falo, pai, fica tranquilo, pelo menos a metade tá seguro. Perfeito. Bom, já nos encaminhando pro final, eu queria só que você passasse dicas pra quem tá assistindo aqui, Luiz, porque você é uma pessoa muito estudiosa, você entende bastante de mercado, e quase sempre o pessoal me pergunta também, pô, Bruno, recomendo um livro, né? Pra que eu possa entender mais de mercado.

Só que boa parte dos livros de mercado, às vezes, caminham por uma direção que não é mercado. Você pensar, vou pegar um livro aqui para aprender a investir. Você pega um pai rico, pai pobre, tem zero lá sobre análise de ações, por exemplo. Então, se tem alguma leitura que você acha que é muito interessante, fala, cara, esses livros aqui são muito bons para quem quer começar a investir e deveriam ser lidos pelas pessoas.

Olha, eu acho que os clássicos são clássicos por um bom motivo. Eles são livros que ensinam aí para a vida. Primeiro, acho que é importante fazer o Jabá. Tem que ler o livro do Barsi, O Rei dos Dividendos.

Eu acho que é um livro muito especial, porque ele te seduz falando de ações e falando de vida, de história de vida do Bars. Então, é uma leitura gostosa. Te garanto que em dois dias você vai ler esse livro e você vai se convencer que você tem que investir em ações no Brasil. E o segundo, um livro que eu peguei para reler agora, o livro do John Bogle. Não vou lembrar o nome dele agora. Investidor de Bom Senso? É, o Investidor de Bom Senso. Putz, é um livro muito bom. Tinha me esquecido como...

como era tão bom, ele foca um pouco mais talvez nos investimentos passivos, agora com essa onda de ETFs e tudo mais, crescendo aqui no Brasil. Talvez seja um livro bastante interessante para você que está querendo começar a investir, está em dúvida, se vai no ETF, se vai no...

no investimento ativo, né? Enfim, é um livro fácil de ler também. E é um livro que poucas pessoas falam sobre isso, mas ele também fala sobre a importância do dividendo, né? É, ele fala, inclusive, tem uma passagem lá que apresenta um estudo dos índices, ele fala do S&P especificamente, metade dos ganhos do S&P no tempo...

são do reinvestimento dos dividendos. Então, mesmo que a sua estratégia não seja focada em dividendos, seja uma estratégia passiva, os dividendos vão ter boa parte dessa responsabilidade para o seu patrimônio crescer lá na frente. Então, é um livro muito interessante. E tem também o livro do... É o Batendo o Mercado, que é do Peter Lynch. Peter Lynch. É. São dois livros, acho que, muito bons para quem está começando e quer uma leitura mais específica sobre bolsa. São livros que eu gosto bastante.

Bacana. Bom, alguma pergunta mais, Bologna? Não.

Então é isso, pessoal. Agradecer à Luiz, foi um prazer recebê-la. E para quem está assistindo e quer aprender mais com você, vou lembrar novamente que tem esse pacote que a gente vai fazer no mês de junho, AGF Grupo Primo, que é recolhido na tela, link na descrição, mas também deixa as redes sociais, por favor, Luiz, todos os canais. Ah, legal. Para quem quiser me seguir no Instagram, principalmente, onde eu estou mais ativa, é luizy.barci, também tem as redes do AGF, arrobaçõesgarantem e açõesgarantem o futuro no YouTube.

Muito bom, muito obrigada. Obrigada, gente. E vocês encontram a gente aqui semanalmente no canal dos sócios, sempre com um episódio para agregar de alguma forma a vida de vocês. E também me encontram no arroba maluperine no Instagram. Vocês me encontram no Instagram bruno__perine, YouTube Você Mais I, com vídeos semanais e sempre aqui nos sócios. Para quem assistiu, nós muito obrigado pela audiência. Nossa convidada, obrigado pela presença. Obrigada. Que volte mais vezes. E é isso, gente. Um grande abraço e até a próxima. Beijos.

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