Episódios de Meu Inconsciente Coletivo

Todo adolescente está decepcionado

24 de abril de 202655min
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Os adolescentes estão decepcionados, com um sentimento parecido com o de um adulto depois de uma desilusão amorosa. É assim que a psicanalista Marília Velano, professora do Instituto Sedes Sapientiae, começa a conversa com Tati Bernardi no episódio de Meu Inconsciente Coletivo. No programa, as duas discutem como acompanhar o adolescente sem invadir sua privacidade, os riscos de cercear demais e quando a tristeza do filho pode ser sinal de preocupação.

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Participantes neste episódio2
T

Tati Bernardi

HostColunista
M

Marília Velano

ConvidadoPsicanalista
Assuntos4
  • Inadequação na adolescênciaSentimentos de decepção · Rituais de passagem · Impacto da tecnologia · Isolamento social · Saúde mental na adolescência
  • Controle ParentalLimites na privacidade · Monitoramento digital · Comunicação entre pais e filhos
  • Saúde Mental JuvenilSinais de depressão · Importância da terapia · Comunicação sobre sentimentos
  • Tecnologia e desenvolvimento juvenilEfeitos do TikTok e YouTube · Consumo digital · Impacto das redes sociais
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Olá, eu sou a Tati Bernard, escritora, roteirista e estudante de psicanálise e essa é a nona temporada do Meu Inconsciente Coletivo, o programa da Folha de São Paulo que, desde 2021, simula uma sessão de análise e prova que as minhas neuroses dialogam com as neuroses de muita gente. Depois de ter colocado alguns personagens no divã, eu volto a conversar com grandes psicanalistas e psiquiatras sobre temas que têm perturbado a minha cabeça.

Como diagnosticar o grau de bipolaridade de uma pessoa? O que um cancelamento causa na saúde mental? E se quem te cancela é alguém próximo? Existe um bom uso da maldade? O que às vezes a gente se comporta como criança ao tentar educar justamente uma criança? Por que escritas autobiográficas geram tanta raiva?

E hoje o tema do episódio é como estar atenta a uma criança sem invadir a sua privacidade. Quando o comportamento requer tratamento e quando é típico da idade. E eu converso com a psicanalista Marília Velano, que é mestre em psicologia pela Université Paris 7.

doutora em psicologia pela Universidade de São Paulo, professora do Departamento de Psicanálise com Crianças do Instituto Sede Sapiense e autora do livro Razão Onírica, Razão Lúdica, Perspectivas do Brincar em Freud, Klein e Winnicott, da editora Blucher.

Marília, eu tenho uma filha de oito anos e eu fiz uma coisa muito certa e muito errada. E aí, trouxe você aqui pra gente poder me dar bronca. E parabéns também. A muito certa é que ela pediu um tablet. E eu fui contra, não dei. Tô muito orgulhosa de mim.

Porque eu percebo as amiguinhas que têm tablet com uma total incapacidade de ver um filme inteiro. A minha filha vê tranquilamente um filme inteiro, sei lá, da Disney. A gente vai ao cinema, ela tem paciência de ficar duas horas vendo o filme. Infelizmente, crianças da idade dela que já têm acesso a TikTok ou YouTube não têm paciência pra uma história. Isso é uma coisa que eu fiquei muito chocada, assim. Lamentei muito.

E acho que dar uma tela, por mais que eu ficasse ali do lado… Porque eu falei pra ela, se eu te der uma tela fora da televisão que você já tem acesso, vai ser só pra ver Disney. Você não vai poder ver YouTube, você não vai poder ver TikTok. E o que você for ver, eu tenho que saber. E você não vai ter uma senha só sua. Aí ela mesmo falou, sem graça, né. Então, acho que eu vou ficar com a TV, que é uma tela muito maior. E eu pensei que faz menos mal também pra visão dela. Esse é o parabéns. Ah, fiz mais nada que minha obrigação, mas enfim.

E não sei até quando eu vou segurar. É difícil negociar. Então é a primeira coisa das telas. A segunda coisa é onde eu não mereço parabéns, mereço uma bronca. Que é um dia que eu achei que ela chegou deprimida da escola. E eu fui espiar o diáriozinho dela. Porque na minha pré-adolescência, ela ainda não tá na pré-adolescência. Mas na minha pré-adolescência, minha mãe que eu não tinha dúvidas se eu tava deprimida. E acho que agora eu entendo minha mãe. A gente tem pavor do filho ter vivido algo que ele não consiga falar. Compartilhar.

Eu fui espiar o de ar, me senti péssima, até porque lembrei da sensação que eu tive aos 12, quando eu descobri que minha mãe lia o meu, né. Então, vou começar com essas duas aí, pra gente começar a aquecer nossa conversa. Tá bom. Tati, primeiro sobre os seus parabéns, né.

Vamos começar com o lado bom. Eu acho que, assim, a gente precisa discriminar mesmo. Que a gente costuma falar tela como se fosse sempre a mesma coisa, né? E não é, são diferentes usos, né? Inclusive, isso inclui até a rede social. Às vezes, os pais falam, ah, eu não quero que ele tenha tela. Mas às vezes, ele não quer que ele tenha rede social. Está totalmente certo, né? De não ter… Nessa idade, sua filha tem oito, né? Mas agora, assim, eu fico pensando que tudo depende muito do modo como a gente oferece pra criança.

No sentido assim, você deu o exemplo da reunião, né? É claro, gente, tem hora que a gente vai precisar dar um jeito na vida, né? E eu não tenho babá, sou separada do pai, quando ela tá comigo, ela tá só comigo. Isso, é. E a gente tem esse artifício aí do celular e tal. Então, assim, uma coisa é você oferecer nesse lugar, assim, ai, sossega, né? Porque depois a gente vai tirar e falar assim, ah, não, vai fazer alguma coisa.

Então, eu acho que isso produz um tipo de comunicação muito paradoxal para a criança. Ela acaba não entendendo e entra num lugar de proibição, muitas vezes, que não faz o menor sentido para ela. Eu acho que a gente precisa construir esse sentido com a criança, dentro das possibilidades dela de entender. Então, por que você não vai ver agora? Porque não dá para ficar muito tempo.

e também esse vazio que ela experimenta quando ela tá sem celular ela pode criar alguma coisa importante ali, eu não sei se você se lembra da sua infância o tédio era extremamente importante pra imaginar coisas, pra desenvolver e é uma coisa assim que a gente cria mesmo, né, eu lembro muito minha mãe fazia luzes no salão

ficava lá esperando. E era um tédio. Mas era um momento de inventar uma brincadeira, alguma coisa. Então assim, a gente tem muito pavor desse vazio também, né. A gente cria já as crianças com um propósito quase de mini executivo, né. Ontem eu fiz isso, eu fui salão de beleza fazer pé e mão.

Levei ela, que tá de férias ainda. Não deixei celular, enfim. E dei papel e umas canetinhas. Eu sempre levo canetinha e papel. E aí, eu também senti orgulho de mim. Porque eu vi umas três, quatro crianças com iPad e a minha desenhando. Sim. Mas é óbvio que uma hora ela falou, não aguento mais desenhar. Mas aí também já tava na hora de ir embora. Mas então, é isso, né. Você fez uma oferta de alguma coisa. Acho que a gente também tem que suportar um pouco esse estado vazio que a criança fica em alguns momentos, né. A gente também tá muito…

acostumado, meio automaticamente a preencher com alguma coisa. É que a gente preenche o nosso com celular e tela. Pois é. Como é que vai dar esse exemplo hoje em dia? É, é bem complicado. Apesar de que adulto e criança é diferente, é importante dizer isso pra eles também, né? Então assim, num primeiro momento, eu não vejo nenhum problema dela ter um iPad, olhar pra tela, assistir o vídeo dela.

Agora, é claro que isso precisa ser controlado, assim. Tem que ter uma presença de um adulto ali, de algum modo. Ela não pode ficar à deriva, o tempo que ela quiser. A questão do conteúdo é muito importante também ter um cuidado, que parece controlado, inclusive controlado. Mas é um cuidado de oferecer uma presença ali. E a gente acaba esquecendo, porque eles ficam muito bem horas ali.

É, e a gente com um monte de coisa pra fazer, você fala, nossa, um respiro, né. Mas eu fico o tempo inteiro ouvindo aquele sonzinho de filme da Disney e me dá um certo alívio. Se ela tivesse acesso a um YouTube ou um TikTok, como é que você vai ter o alívio de duas horas de filme? Porque cada vídeo é uma nova possibilidade dela estar vendo algo ruim pra idade dela.

Então não tem paz para uma criança que tem acesso a TikTok e YouTube. Sim, e a outra questão que você fala da Blitz, né, do diário, né, que você vai lá fazer uma Blitz, ver como é que tá e tal. Eu acho que, assim, tem uma dimensão da privacidade que é irrecusável, que é muito importante, né, desde criança. A gente poder ter assuntos que a gente não compartilha com os pais, né.

compartilhe talvez com um amigo e o fato de escrever já diz de um processamento de uma elaboração, né, que ela tá fazendo e tal. Eu iria pro outro comendo assim, né. Sim, mas isso te péssimo. Mas talvez, assim, perguntar mesmo, né, tá dizendo que ela tá deprimida, né, o que que tá acontecendo e tal, ficar perto e observar. Por que que eu acho que ler o diário é uma coisa complicada, né.

geralmente os pais que leem o diário eles têm uma preocupação muito específica você falou deprimida o que é uma criança deprimida? eu acho que no fundo a gente tem muito medo de que os nossos filhos estejam pensando na morte claro que não é só isso mas é qualquer coisa que flerta com isso a tristeza, a apatia

A falta de lugar no mundo e tal. Agora, a gente tem que ser capaz de pensar sobre isso. Com eles também. Eu sinto que os adultos têm muita dificuldade de lidar com esse tema geral. Lidar com a destrutividade, lidar com as fantasias de morte que aparecem.

Nas crianças isso é menos presente, né? Isso é realmente na adolescência que vai aparecer mais. Mas eu acho que tem muito assim da gente também suportar o que a gente acha que vai estar escrito ali, entendeu? Se é isso que tá te pegando, pergunta, né?

É, eu teve uma fase que farei todo o esforço aqui possível pra não expor ela, né? Porque, enfim, se a mãe gosta de falar de si, não tem que carregar a filha junto. Mas um período em que tinha algo ali que eu acho que incomodava, eu tentei de todas as formas trazer o que que é, o que que é, o que que é, o pai também.

E aí tinha esse diarinho dela, imagina, ela tinha sete anos na época. Não tinha nada demais, mas fui ali dar uma olhada como é que estavam os desenhos, como é que estava a letra, né. Porque é isso que você falou, a gente tem uma angústia muito grande. Você sabe que tem alguma coisa ali, o filho não fala porque eu já tinha perguntado e não perguntado daquele jeito também. A criança sai da escola cansadíssima.

Como é que foi hoje? Conta tudo, conta tudo. Deixa a criança quieta, mas num momento mais relaxado, principalmente antes de dormir, depois de ler um livrinho. Não falava, mas aí eu fui na escola, conversei com professora, conversei com coordenadora, entendi que ela tava com uma questão que não era nada demais, uma questão ali de convivência. E passou. Mas por que eu trouxe isso? Porque na época ela tinha seis, sete…

Fácil lidar. Mas 14, 15, 16, eu lembrei da minha mãe. Porque eu tive fases estranhas, deprimidas. Não conseguia comer, emagreci demais. Minha mãe tentava falar comigo e eu não respondia. Porque eu também não sabia o que era. Tava deprimida, não sabia explicar direito, né. Acho que nessa idade, a gente tá deprimido pela existência. Não precisa ter um gatilho muito fácil de explicar.

É só porque você tá aprendendo sexualidade do seu corpo. O que é ser mulher, o que é namorar, o que é ter amigo. Daqui três anos eu tenho que decidir uma faculdade, muita coisa, né. E aí, eu lembro que a minha mãe lia. Eu tive uma reação engraçada na época, que quando eu descobri que ela lia. Aí, eu comecei a mentir no diário.

Comecei a falar que eu tinha cinco namorados que eu tinha experimentado drogas pesadas só pra ela vir conversar comigo, eu falar tá vendo como você lê? Não fiz nada disso. Você tocava o terror. Tocava o terror no diário, acho que por isso também me tornei escritora porque eu senti ali o poder que um texto tem, né? Da pessoa ficar…

completamente bom, mãe, né mas esse era o assunto que eu queria chegar com você eu sei que faz muito tempo, né, já não é nenhuma novidade mas o ano passado 2025 não teve nada que me abalou mexeu mais comigo do que aquela série Adolescência

tive vários surtos de choro assistindo achei que ia fazer um barulho muito maior do que fez fez um grande barulho ali naquela semana de lançamento acho que fomentou milhares de discussões importantes mas eu esperava um barulho até maior e a partir daquela série já com essa... com esse medo de toda mãe, né a minha filha ainda não tá nem na pré-adolescência mas estará em breve como que a gente faz pra se proteger? porque essa série assusta de todas as formas possíveis, né sim então

Ela assusta porque eram pais que tinham questões e estão colocadas ali. Mas qual pai não tem? Mas qual pai não tem, exatamente. Era uma criança que tava dentro do quarto dela. Só que dentro do quarto dela era o portal do inferno. Tava dentro de um grupo em céu. Sim. Que depois eu fui ler e entender um pouco mais sobre isso. Tem pessoas ali ordenando que aqueles pré-adolescentes façam coisas. Contra o próprio corpo, contra outros pré-adolescentes, né?

E isso, desde então, foi uma coisa que me deixou muito angustiada. E eu falei, quando voltar ao programa, eu preciso trazer esse assunto. Sim, achei curioso você começar dizendo que faz muito tempo, um ano. É! Você vê. Sim, mas é porque depois vão falar, ah, meu Deus, ela tá trazendo uma série antiga aí pra debates aqui. É, mas eu acho significativo isso que você disse. É significativo, é. Porque, assim, a nossa experiência com o tempo, ela tá tão acelerada, né? Não é muito tempo, um ano, né? Exato, exato. Mas vamos lá, então.

Eu acho que, falando propriamente da série, né? Tem uma coisa ali que chama muita atenção que é a absoluta normalidade do menino, né? Ele podia ser filho de qualquer pessoa ali, né? Qualquer um, assim. Não tem nada que, na história… É claro, é uma ficção, né? Mas não tem nada na história que aponte pra esse lugar.

Esse é o maior nervoso assistindo a série. Você fala, nossa, eu também às vezes tô trabalhando muito e não sei o que ela tá fazendo no quarto o tempo inteiro, né? Exato, e a gente não entra na… Não dá pra fazer a blitz no videogame, né? Exato. Essa que você fez do diário e tal. Então, eu acho que isso que chama muita atenção. Apesar de não ser uma realidade, né? Agora, é porque existe também, Tati, assim… Quando eu vi a série, eu fui argumentando nesse sentido, né? De que existe um modo de subjetivação que os nossos filhos estão passando.

que não tem tanto a ver com o que a gente transmite, por exemplo, na família. A família é um lugar de criar a criança, de colocá-la no mundo, na civilização e tal, na cultura, mas eles estão frequentando outros lugares também. E eu acho que esse mundo digital, vamos falar assim, ele é um lugar onde as pessoas se subjetam.

Eles criam um modo de ser e de estar que passa por ali. E que a gente não tem noção do que é. Eles criam um verdadeiro avatar, um duplo. Eu escrevi um texto sobre essa série e eu tratei como duplo, né? O menininho…

O menininho que tá lá na internet, ele é um duplo dele mesmo, né? Ele é um personagem. Então assim, ele não tem realidade suficiente, ele pode tudo. É uma coisa assim, é totalmente dissociada da experiência. Isso era uma coisa que eu fiquei, quando acabou a série, eu fiquei me perguntando. Quando ele comete a violência, o crime, ali já é uma passagem ao ato que a gente pode dizer que ele…

É psicótico, ele tem algo de sociopata, é um adolescente que dá pra ser salvo. Eu não quero entrar muito na série, porque eu acho que a gente tem que tratar mais aqui disso de como se preparar, ou quem já é mãe de adolescente, né. Não ficar só na série, mas é que a série realmente mexeu muito comigo. Nunca eu mais esqueci a série. Sim, sim, com muita gente, né.

Mas qual que é a sua pergunta? Se quando a gente... Ah, se ele tem um diagnóstico? Isso, é. Se a internet pode fazer isso com um pré-adolescente, com uma criança? Psicotizar? É. Então, a adolescência é um período, assim, que a gente chega com alguma ancoragem da infância.

É como se fosse uma lança que a gente joga, mas a gente tem que estar amarradinho, de algum modo. Então, vai depender muito de como que foi esse processo de… Até lá, como que cada um viveu isso. É muito difícil a gente fazer um prognóstico, assim, do tipo, olha, se usar muito, se for pra tal grupo, enlouquece.

não faz muito sentido mas cria ali uma situação de vulnerabilidade que é dependendo do modo como a criança vive isso pode sim desencadear muito sofrimento se vai ser da ordem da psicose ou da psicopatia a gente não sabe, mas sofrimento certamente sim

Porque eles não têm condição de elaborar aquela experiência, sabe? De compartilhar, de dar sentido para aquilo que eles estão vivendo ali. Que é o quê? Então, por exemplo, as conversas no Discord, que a pessoa fala alguma coisa, você pode ofender, você pode simplesmente cancelar, você pode excluir do grupo, você pode...

Então, assim, é um mundo meio mágico, sabe? Assim, que não tem muita mediação, entende? Então, elas ficam totalmente desamparadas. Agora, tem, aí entrando mais propriamente na questão da adolescência, né? Tem uma coisa importante da gente entender. Você já falou, né? Você falou, ah, eu chegava em casa, eu tinha um monte de coisa na cabeça. É um sofrimento e tal. Eu acho muito importante a gente entender isso, assim. E eu gosto, né, de criar uma imagem pra sensibilizar os pais.

Porque o que acontece? Faz tempo que a gente foi adolescente. A gente acha que lembra, mas a gente não lembra. Esses dias eu entrei num grupo de amigos da escola, assim. Ninguém lembrava de nada, né? Uma coisa muito engraçada, cada um marca uma coisa. Mas o que eu queria dizer? Que a gente tá muito distante, né? Dessa experiência de ser adolescente. E que talvez a gente precise…

se sintonizar melhor com o que que tá acontecendo com eles, né? E a imagem que eu trago, assim, pra pensar isso, é que alguma coisa, um sentimento parecido com o que um adulto tem quando ele tá decepcionado, tá? Ele tá decepcionado amorosamente, ele sofreu uma decepção amorosa, né? O que que é isso? Sofrer uma decepção amorosa? Você simplesmente imaginava uma coisa e encontrou outra. É isso que o adolescente tá vivendo. Ele está decepcionado.

Por quê, gente? Porque ele simplesmente cresceu. Ganhou lá o corpo que ele queria. Ele foi preparado pra isso. Ele acabou de chegar da infância. Que é um momento assim, né? Que a gente faz aquele monte de promessa. Fala, olha, cresce mesmo que é muito legal. Vem pra cá que é muito bom. A vida vale a pena. Quando você for adulto, você vai poder isso, isso, isso e isso. Você pode um monte de coisa e vale muito a pena viver. Vamos que vamos. Tá tudo certo. É isso que a gente tem que fazer mesmo na infância. Só que na hora que…

pessoa chega, ela entende que não tem nada a ver com o que ela sonhou. E nada a ver com o que a gente sonhou pra ela também. Então, é um desamparo enorme o que ela tem que enfrentar. E ela não tem recursos também simbólicos pra isso. Principalmente adolescente contemporâneo.

O adolescente de agora, a gente não tem mais, Tati, o que existia antes, que seriam rituais de passagem. A gente sempre teve na história, desde que a adolescência existe, e na modernidade, né? A gente sempre teve rituais que marcavam essa passagem da infância pra vida do adulto.

A infância pra adolescência, de algum modo. Por quê, gente? Porque isso dava conta de criar uma condição de pensamento sobre o que estava acontecendo, entende? Os adolescentes de agora, eles caem na adolescência, assim, como se fosse do nada, do além. Caem num corpo de adulto. Mas que exemplo você dá, assim, pra mostrar essa diferença? De como era pra gente, como é pra eles hoje? Não, mas não tô falando pra gente. A nossa geração também já não tinha.

Ah, entendi. É porque eu tô lembrando eu caindo também, de repente. Não, não. E vou te falar, a adolescência é um pouco esse hiato que a gente criou entre a infância, que a gente criou, né? Porque ela é um fenômeno recente na história da humanidade, né? Nem sempre houve adolescência, justamente pela falta desse ritual, né? Mas isso é outro assunto. Agora, o que eu queria dizer é que você cai num corpo de adulto, né?

sem nenhuma condição de pensamento sobre isso, né? Então, aí eu sinto, voltando à questão da decepção, eu sinto que o adolescente é um sujeito necessariamente decepcionado. Claro, gente, que existem muitas decepções na vida. Não é a primeira dele, mas essa é uma decepção muito importante. Não é a primeira, você acha? Não. Criança se decepciona também. Sim, sim, do jeito lá dentro. Cada um vive, dependendo do momento da vida, uma forma...

de decepção, né? Os adultos se decepcionam muito também. Só que, assim, o adulto sabe que não é a primeira nem a última. O adolescente, ele sabe que não é a primeira, mas ele acha que é a última, né? Mas o que eu acho importante desse processo que ele tá passando de decepção, é porque essa decepção, ela é muito decisiva, assim, diferente das outras.

Ele tem que, de algum modo, criar ali um mundo pra ele viver, entende? Ele cai lá de paraquedas, ele olha e fala, nossa, não é nada daquilo, então o que eu vou fazer agora, entende? Então, por isso que ele precisa atravessar esse processo. Então, nesse sentido, a presença do sofrimento é permanente na adolescência. Importante também, né, fazer algum recorte aqui. Que, claro, eu tô falando de uma generalização, né? Acho que não tem um recorte de classe, de gênero, de raça, que muda muito a experiência.

de ser adolescente. Mas de um modo geral, eles estão despreparados porque eles estão encontrando, eles precisam criar outro mundo. E é isso que é a adolescência. Adolescência, eu acho que é essa decepção de geração em geração. Porque isso é importante também. Não é que os nossos adolescentes de agora estão mais decepcionados. Que o nosso mundo tá muito pior. Ele tá ruim. Isso é indagável. Mas, de algum modo, todas as gerações se decepcionaram com o que elas encontraram. Talvez isso seja...

própria adolescência, se decepcionar. Sim, sim, é o que marca. É que eu acho que hoje em dia tem uma coisa de pais e mães e acho que isso é bom, mas em exagero acho que é ruim. Muito preocupada e olhando muito pra isso, né. Eu acho que minha mãe, por exemplo, conta de uma adolescência que nem teve, era tratada como adulto, já tá na hora de ajudar a família, né, já é adulto. Quando passa por um mundo do trabalho direto, né.

Eu já lembro de uma adolescência em que tinha esse olhar. Tá estranha, tá meio deprimida. Mas também era muito, vai, vai, é frescura, é frescura. Acho que a minha filha vai ter uma adolescência. Da mãe que vai tudo, minha filha já tá na terapia. Eu já vou falar com o terapeuta. O que é isso que ela sentiu, o que é isso que ela falou, o que essa frase quer dizer. Que aí também tem que tomar cuidado pra não neurotizar demais. Algo que é uma passagem natural.

É uma passagem. Mas assim, a gente pode pensar em níveis de sofrimento diferentes também, né? Esse é um nível que tá todo mundo, é comum, né? Uma camada, né? Quando as pessoas dizem, do sofrimento. Agora, tem algumas outras condições da adolescência que são mais graves mesmo, assim, né? Não dá pra gente normalizar, dizer, ai, tudo igual e tal.

Tem adolescente que vai, de algum modo, e muito também em relação a como foi a infância, ele vai se sentir menos preparado para fazer essa projeção de futuro. De algum modo, ele tem menos esperança. E isso é o adolescente deprimido. Ele faz uma projeção, mas ele não confia.

muito. E é muito importante, né, isso que eu acho que os pais talvez precisem saber, que é muito importante que o adolescente tenha projetos, assim, né. Projeto não é plano de carreira. Eu lembrei do meu pai agora, que aos 84 falou pra mim que tá deprimido. Ele falou, nunca senti isso, né. E eu falei, então vamos procurar um psiquiatra, vamos fazer análise. Ele falou, mas na verdade eu tô deprimido porque não tem nada que eu queira fazer.

Não tem… Que plano que eu vou fazer? Ah, aos 98 eu vou morar não sei aonde. Ele falou, não sei. Não tem… É a falta de plano. É uma falta de plano, de imaginação de futuro, sabe? Mas que loucura, porque o adolescente tá no auge pra imaginar tudo isso. Exato, mas lembra que ele tá decepcionado? Sim. Então, é que o seu pai se decepcionou tarde. Olha que sorte. Foi felizão até os 84. Ah, que gracinha.

Mas o adolescente, não, ele tá lá decepcionado. Então, simplesmente, ele tem que planejar, ele tem que pensar como é que vai ser. E o que eu acho importante desse sonho, assim, é que justamente é um sonho. Ele não precisa ser realizado, tá? Por que que eu digo isso? Quando a gente começa com esse devaneio, né, do que vai fazer e tal, os pais ficam muito assustados. Porque geralmente não tem nada a ver com o que eles são, né? De um modo geral, serve pra isso, inclusive, pra fazer uma separação.

E assim, a nossa dificuldade como pai, mãe, é aceitar que esse menino não é uma extensão do nosso desejo. Ele não é uma cópia do nosso ideal de vida. Ele não é aquilo que a gente sonhou que ele fosse. E é muito bom que ele não seja. Porque alguns são, os que são muito próximos desse ideal dos pais.

eles até vão, né, já tá tudo trilhado lá pra eles, já sabem pra onde eles vão e tal. Só que isso produz também um outro tipo de sofrimento, assim, que é ficar um pouco apático na vida, sabe? Então, eu acho que, se a gente for pensar assim, ah, o que é a saúde do adolescente? É essa travessia meio capenga que a gente faz aí pra virar adulto, né, e que não tem fim. Qual que é o marco, né, que tira a gente da adolescência e coloca na vida adulta?

A gente não sabe mais dizer, cada um vai ter um. Eu tive um monte de namorado aí que aos 50 ainda não tinha feito a passagem.

pra vida adulta. Exatamente, você pode levar 65 anos. Porque não temos isso claramente definido, né? Tipo assim, é o casamento, é o fim da escola, é o quê? E se sai muito dentro do sonho dos pais, você acha que pode ter uma apatia? Se sai muito não, se fica muito colado aos pais. Colado, sim. Muito reprodutor do ideal do pai. Sem pensar.

na possibilidade de ser outra coisa além daquilo que foi imaginado pra mim, né? Olha isso. Então assim, temos esses dois tipos de adolescente, né? Todos estão nessa barca. Tá todo mundo decepcionado, mas vai ter o que… Vai ter o que… Vai conseguir transformar a decepção em alguma coisa.

Inclusive, esses adolescentes, eles são revolucionários. Não são todos, mas alguns são. Porque, de fato, eles estão mudando o mundo que eles vão viver. Sim. Aqueles que estão reproduzindo, né, de forma conservadora o que os pais querem, tem menos chances de revolucionar o mundo, é claro. E tem um outro sofrimento, que é encontrar uma vida adulta que não faz muito sentido. Isso que eu chamei de apatia. Sim. Sabe? Porque não foi ele que criou. Nossa. Sim, você tá personagem de um filme que você nem gosta. Exatamente. E você nem queria ser ator. Exatamente. Então...

Você só queria, sei lá o quê. Você só queria ser você, mas não teve espaço, nem coragem, nem sei lá o quê.

Agora, quando que você olha um filho, aí pensando aqui no meu futuro, o filho chegou da escola, quietão, tá triste, tá diferente, tá, sei lá, duas semanas quieto, meio triste, tá sem fome, não sei. Na verdade, tô pensando na minha adolescência, né, do que minha mãe passou. Quando que você deixa… Ah, isso aí é normal, é da adolescência, deixa ele no espaço dele, não vou ficar penteirando. E quando que é?

preciso prestar atenção aqui, vou marcar um psiquiatra, vou aumentar a terapia ou vou colocar na terapia. Sim. O que a gente olha e se preocupa? Então, eu acho que tem alguns critérios de saúde, como eu estava dizendo. O primeiro, eu penso que é uma questão de como o adolescente participa do mundo.

Se ele participa do mundo de algum modo. Quer dizer o quê? Se ele não tá isolado. O isolamento é uma coisa muito séria na adolescência. E isolamento não tem a ver com não ter 30 amigos, tá? Porque os pais começam a se preocupar também. Falar, meu filho não tem muito amigo, meu filho não sai de casa. Ou outro que sai demais. Não é isso. Ele pode muito bem ter 30 amigos e estar isolado.

Estar isolado tem a ver com não construir nenhuma relação significativa com alguém. Sabe que tem chance de experimentar uma intimidade. Alguém que eu digo alguém fora da família. Porque a gente pressupõe que ele já viveu isso em família, né? Que ele encontre o outro de verdade. Então assim, encontrar as pessoas, compartilhar o mundo. Encontrar os pares, né? Essa é a hora, né? De estar ali, usando também um patrimônio cultural que a gente deixou pra eles. De algum modo, que é o que a gente tem pra oferecer.

Então, esse é um tipo de sofrimento, né? Eu acho que um adolescente isolado é complicado. Porque não é só isolado do outro, às vezes é isolado psiquicamente também. Outro critério, assim, eu acho que a falta de esperança, como eu já disse, né? A esperança tem a ver com a nossa capacidade de sonhar pra frente, né? Se ele não tem essa condição, isso é grave, sabe? Então, por isso que eu falei do projeto, porque o projeto ajuda. Tem adolescentes que têm esse projeto capenga e estão deprimidos. Tem adolescentes também que não têm projeto nenhum.

Aí também eu acho muito complicado. Deve ter pai e mãe ouvindo. E isso é uma coisa que me assusta em São Paulo. Que são esses pais que criam o filho pra ser o próximo CEO. Então fala em projeto, deve ter pai e mãe pensando ah não, com 12 anos meu filho já sabia que queria ser médico. Não é deste projeto de ganhar dinheiro que estamos falando. Exato, eu até brinquei. A gente não é plano de carreira. Não é plano de carreira, porque isso me assusta muito.

totalmente, inclusive o projeto pode ser mirabolante, como eu disse, não precisa ser uma coisa razoável e não se assustem se for sabe, assim, se for, ah, eu quero eu lembro de falar pra minha mãe que eu ia ser bailarina no meu mundo era mirabolante mas eu precisava

muito imaginar que eu seria. Então, eu acho que é isso. A minha filha quer ser a Shakira, ela já tem planos. Então, tá tudo bem. O problema é que, assim, a gente fica assustado, eles vão se decepcionando também porque eles vão entendendo que nem sempre é possível, mas tudo bem. Nesse primeiro momento, o que a gente precisa é ter um pouco de projeção de vida, assim, sabe? E nesse sentido, o mundo dos adultos é super importante, porque a gente oferece esse repertório, né?

carro, né? A gente oferece vários repertórios. Isso eu também acho que é um critério de saúde, o adolescente que tá conseguindo sonhar. E um outro, que esse é um pouco mais específico, assim, né? Que a gente chama de se sentir real, né? Que eu acho que é um...

critério de saúde. O que é se sentir real? Tem a ver com você estar no mundo de um jeito, assim, pessoal, né? Como se o mundo fosse uma criação sua. É estranho falar assim, né? Mas o que é isso? O adolescente, ele pode escolher algumas coisas. Ele pode escolher o estilo dele. Ele pode escolher a turma dele, o amigo que ele quer ter. Ele pode até escolher a escola, hein? Isso é um assunto polêmico que os pais ficam.

Falar, mas ele quer mudar. Entendeu? Ele pode. E isso dá um tom pessoal pras coisas. É o contrário da submissão. Ele pode agir no mundo. E quando a gente age, justamente, a gente se sente real. Quando eu tô lá só papagaiano, o que me foi colocado, o que acharam que era importante pra mim, eu não me sinto real. Eu sinto que eu não existo. Nossa, isso é muito importante. E a gente dá como dado.

Como se fosse uma maturação biológica. Todo mundo se sente real. Não é assim. Várias vezes a gente titubeia. E tem muito a ver com a nossa criatividade. Um viver mais criativo. Quem acabou de chegar na geração Z tem todo esse preconceito de que é uma geração que não quer nada. Bom, isso falavam da Millennium também. Toda geração vai ter alguém falando que eles não querem nada.

Eu sou da anterior ainda, milênio por um ano. Só não sou milênio por um ano, porque eu sou de 79. A milênio, acho que começa em 80. Mas que tem isso de… Que não… Que é, enfim, mais encostado. Tudo dói, tudo preguiça. Isso tem um olhar que a gente possa… A psicanálise possa olhar pra isso? O que que tá acontecendo? Eu acho que o que a gente consegue dizer é que essa crítica que a gente faz à geração mais jovem, os adolescentes contemporâneos, ela sempre existiu. O adulto.

tá sempre numa posição, assim, de que a experiência dele foi mais real mais verdadeira, mais tudo a minha geração é que trabalhava a minha que trabalhava, a minha que revolucionou a minha que tomou o poder, sei lá a minha que ganhou dinheiro então tem uma coisa assim que se repete e o medo do que esse povo tá criando realmente dá um medo gente, o que eles estão por onde que eles estão

eles estão passando, se não é pelo trabalho no modo como a gente entendeu que era importante porque o cinismo também, né vai lá pra adolescência, não, esse mundo é ótimo vai fazer tal, tal coisa, e o pai mesmo não tá bem, ele tá lá cheio de questões com esse próprio mundo que ele fala pro menino

Vai que é isso, é trabalhar e fazer família. E aí, ele num casamento infeliz e odiando o trabalho. Exatamente, né. A vida dele não faz sentido. Eu tô exagerando, né, assim, mas tô criando uma hipótese. É que a gente protege muito a criança também, né. A criança. O adolescente, a gente começa a querer dar a real da vida. Acho que é por isso que eles se decepcionam também. Pô, até o ano passado, minha mãe falava que a vida era boa pra mim. Claro, exatamente. Pode pensar um pouco assim. A infância é um idilho, você tá lá…

esperando o melhor, né? Claro que não são todas as infâncias, né? Nem todas as adolescências, elas são iguais. A gente tem muitos tipos de infância e de adolescência, né? Mas existe um elemento aí, mais ou menos comum, que eu acho que é esse, que se repete. Uma infância muito sonhada, uma adolescência que não encontra lugar.

E eu queria dizer assim que isso é próprio da adolescência. Mas é claro que se o menino tá lá, então, sem esperança, né? Não é só socializar. Ele não consegue estar junto com o outro de verdade. Ele precisa de ajuda. E se você falou de estar com o outro de verdade, eu lembrei o momento em que eu entendi, isso aconteceu comigo. Alguns adolescentes ficam querendo pertencer a um grupo que não tem nada a ver com ele. Então, eu era esquisita. Eu era esquisita. Só que por um tempo eu tentei ser amigo daquele povo que não eram os esquisitos, que eram os…

popularzinhos, bonitinhos e não sei o quê. E era uma solidão atroz. Então, a adolescência era uma solidão. Sim. Quando eu achei os meus… Achou tua turma. Gente, aquilo ali… Foi uma alegria. Quando você achou sua turma? Ah, não demorou muito não, porque… Na própria adolescência. Na adolescência. Não, assim, é uma vida achando a minha turma, né. Pra sempre. Pra sempre. E rompendo com pessoas. Pra isso, né. Mas eu lembro da primeira experiência.

De ficar amigo de uns nerdzinhos mais esquisitos, mais… E lá com 13, alguma coisa assim. Da sensação de felicidade, preenchimento e existência que isso me deu. Foi muito quentinho na alma, assim. Você fica tentando ser amiga da Danielinha, da Quinta B, que é a linda.

E fica aquela sensação de, bom, o mundo é isso. É um lugar que eu não encaixo, que eu não pertenço, que eu não tenho os mesmos assuntos. Sim, eles dividem atualmente assim também, né? Eles falam assim, falam, não, tem os esquisitos, os populares e uns neutros.

geralmente eles se colocam, quando eles estão falando eles se colocam nos neutros às vezes se identificam como os não como os esquisitos e quando você abraça no meu caso, eu era esquisita, né porque quem também, tem problema nenhum quem tá feliz lá no grupinho dos populares estavam quentinhos de alma também sim, espero mas quando você assume ali que você tá mais pro esquisito e faz os seus amigos na hora e aí

É a sensação de... Esse espírito gregário que a gente chama assim da adolescência, né? Ele é super importante porque justamente os adolescentes estão pensando coisas que eles não conseguem compartilhar com a gente. E eles olham por lá, eles estão assustadíssimos com as coisas que eles estão pensando. Por quê? Também vamos pensar nisso. Quando eu falei do pensamento de morte, de destruição. Tati, assim, a vida toda a gente pensa nisso.

As crianças pensam na morte, na destruição, no aniquilamento. Assim, pra psicanálise, elas pensam desde bebê. Não, tô acostumada a ouvir perguntas bem tétricas do meu convívio com várias crianças pequenas. Exatamente, assim, não tem esse mundo bolinho que a gente imagina, né?

Só que essas angústias, né, relacionadas à morte, elas sempre vão mudando, né, ao longo da vida. Então, quando chega na adolescência, o que que tá acontecendo? Esse sujeito, ele está mais perto de matar e de morrer. Por quê? Porque ele dá a vida. Se ele dá a vida, ele tira a vida. Ele pode muito mais, ele tem o corpo pra realizar o que antes era só uma fantasia, né? Então, ele está assustadíssimo, assustadíssimo. Aí, ele olha pro lado, tem um outro parecido com ele, que também está assustadíssimo.

Então, encontrar essa turma é a coisa mais importante que existe. Porque isso dá condição de pensamento pra eles, né? De elaboração, né? E assim, gente, quando eu tô falando dessas coisas eu tô falando também muito de fantasia, né? Não tô falando de uma passagem ao ato. Mas você encontrar a sua turma, encontrar quem tá pensando…

Gente, é na vida adulta você almoçar com o pessoal da firma pra falar mal do chefe. Isso dá… Se tem uma coisa que dá contorno, é isso. Porque se você não tem essa turma, periga você em fantasia matar seu chefe. Exato. Mas se você pode almoçar com quatro iguais a você e falar porra, hoje chegou, hein. Eu também não gostei. É, porra, desse jeito que ele falou com fulano, não sei o quê. Você já volta do almoço dando até boa tarde pro seu chefe.

Você já gastou, né? Poder diminuir também um pouco esse mundo dos adultos muito idealizados. Porque aí começam esses processos deles de separação também, né? Tirar o pai desse lugar super ideal, né? A mãe maravilhosa, né? Aí começa tudo. Eu acho que o que você tá falando, vamos ver se eu entendi, que tem uma violência em todos nós, criança, adulto, adolescente.

Que na criança, a mãe fala, não, não, não, não, vem cá, colinho, né. No adulto, você já tem uma maturidade pra, em vez de você socar a cara do seu chefe, você vai almoçar com alguém e fala mal dele. Na adolescência, essa violência tá ali num estado… De muito excesso. De muito excesso, você não pode mais pedir o colinho e perguntar pra tua mãe o que é certo e errado. Porque, né, você tá justamente se separando. Sim.

E você ainda não tem toda aquela maturidade, condições de elaborar uma coisa desenfreada que tá acontecendo dentro de você. Exatamente. E a gente pode falar dessa palavra violência. Tem uma violência ali que pode voltar contra o próprio corpo do adolescente. Sim, sim. Inclusive, é bem comum, né? Esse é um tipo de sofrimento que aparece muito na clínica, né? Que não tem a ver, assim, necessariamente com uma tentativa de suicídio, mas, por exemplo, com os cortes, né? Os cortes.

Pode ser assim, os pais ficam muito assustados e com razão. Mas de um modo geral, o adolescente tá comunicando alguma coisa com isso, né? E ele tá também, assim, pra psicanálise, de algum modo ele tá fazendo o próprio ritualzinho dele de passagem com isso. Que traz um elemento de dor, um elemento de suportar alguma coisa. Que coloca ele, sim, em comunidade. Às vezes tem a outra que fez igual, não sei o quê. Então tem todo esse contágio. É claro que a gente espera que ele encontre outras formas de...

expressar a dor dele. Mas eu entendo, assim, como um fenômeno que faz parte um pouco da adolescência. E que um pai que acha que o filho tá deprimido ou percebe um corte, alguma coisa, qual que é a primeira coisa que ele tem que fazer, assim? Se o filho não tá em análise, procurar um analista, levar num psiquiatra, não sei. Eu acho que psiquiatra ainda não, né? Mas eu acho que a primeira coisa é estar presente ali, pra conversar. Se oferecer, oferecer uma presença mesmo, assim, né? Que você possa...

Dizer algo sobre aquilo e tal. E procurar uma ajuda, assim. Que geralmente é o que acontece, né? Os pais rapidamente… E tomar muito cuidado pra não enxergar o pré-adolescente de remédio sem antes ter feito uma análise, conversado. Sim, até porque não tem remédio pra algumas coisas, sabe? Pra isso que a gente tá falando. Pra estar vivo não tem muito remédio. A não ser que seja algo muito agudo que precise medicar, né? Sim, sim, exatamente.

Justo nesse período de tanto sofrimento, eles sentem uma necessidade de não pedir ajuda, né? Pra mãe e pro pai. Sim, eu acho que porque eles estão nesse processo, assim, de esvaziar um pouco o lugar dos pais. E por que a raiva do pai e da mãe aparece tanto? Eu acho que tem a ver com essa propaganda enganosa que os pais fazem na infância, sabe assim? Porque veja bem, a gente sustenta a vida da criança, né? A gente sustenta por ela, a gente fala assim, olha, vale a pena. Vai dar certo. Vai dar certo.

A coisa que eu mais falo pra minha filha é, vai ficar tudo bem. Tá dando tudo bem. Na vida do pai, a gente vira e fala, olha, vai dar certo. Sim, tá tudo bem. Então agora eles têm que descobrir se vale a pena mesmo, sozinhos. O que eu acho que os pais têm que, é o que a gente fala assim, é que eles têm que sobreviver à adolescência do filho. A única coisa que eles precisam fazer é não sucumbir, né? Não se deixar ser destruído por isso e tal. Entender um pouco dessa normalidade anormal da adolescência, né? E tá presente.

filho pequenininho você consegue falar não vai ter senha, eu preciso ver tudo que você tá vendo mas vai chegar uma hora que o adolescente vai ter acesso a YouTube, a redes sociais, né, tem assim uma idade, redes sociais minha filha não sabe nem o que é, ela sabe o que é ela fala estragã, eu amo, que já é a palavra já é o nome corretíssimo, né

Isso é o extra-gamma, mãe. Mas nem sabe direito o que é. Mas uma hora vai deslandar isso, vai ter acesso a tudo. E aí, a gente continua olhando? É, eu acho que não. Não desse jeito, assim, nessa coisa meio… Invasiva. Detetive, né.

Mas eu acho que tem uma gradação e também assim, não é do passeio de um dia para o outro, eu posso tudo, né? Você vai liberando um pouco o tempo e tal. Mas o grande objetivo do adolescente é que ele possa se responsabilizar também pela própria violência dele, pelo próprio desejo também. Então, se a gente fica ceciando demais, né? Isso não acontece.

Porque é muito fácil dizer que alguma coisa deu errado porque meu pai ou minha mãe, entende? Assim, não deixaram. Outra coisa é você se sustentar ali. Existe isso. E isso vai te fazer muito mal. Sim, e ter uma experiência com aquilo. Agora, assim, é isso, gente. Tem que ficar perto. Não na vigilância, mas no cuidado. Estou ali para vocês.

Se um pai ou uma mãe descobre, por exemplo, que o filho adolescente foi ali… Porque às vezes vai por curiosidade, né? Olhar ali um grupo de discussão que tem um papo com essa cara de incelde. Ou um grupo de adolescentes que falam sobre cutting. O que dá pra fazer? Falar, bom, você foi lá, era curiosidade. Conversar sobre isso.

É, a princípio eu acho que é conversar, se informar também, né? Fazer o contra-investimento, que é mostrar o que é que é o contrário disso, né? O que é pensar, sei lá, se for um grupo de extremo direito, pensar o que é a democracia, né? Dar condições de pensar junto. Isso é muito bom, trazer para uma...

coisa maior, né? Sim, sim. Agora, a questão das redes sociais, propriamente, né, é muito complicado também a gente deixar o adolescente de fora disso. Porque daí ele vai ver na casa do amigo, ele vai dar um jeito de ver. E isso gera uma proibição, uma interdição que, né, não é legal, eu acho, assim, porque ele realmente fica muito de fora. Claro, com uma certa idade, eu estou dizendo 15 anos, 16 anos.

A rede social não, até mais, né, 16, 17 anos. Eu vi a minha filha nas festas de aniversário de repente tocava uma música todas as crianças sabiam cantar e dançar e ela, não sei que música é essa. Aí fui entender que era uma música que era o novo trending, sei lá assim que fala do TikTok. Porque tava todo mundo dançando essa música no TikTok. Eu falei, bom, vamos ouvir a música. Então eu boto no carro pra ela ouvir, decorou tal, mas não vou deixar ver TikTok com oito anos, né.

crianças conseguiram, através do TikTok? É, eu fico meio assim, como é que tá vendo TikTok com sete, oito anos? O que tá acontecendo? É, e tem um fenômeno de contágio muito grande, né, principalmente dos adolescentes, mas as crianças também, né, elas estão sempre falando mais ou menos a mesma coisa.

E isso vem dessa forma massificada que a gente apresenta as coisas na rede social mesmo, né? O que acontece por exemplo, então os adolescentes estão às voltas com, sei lá, um batom da marca tal passa um minuto chega outra falando exatamente isso aconteceu no meu consultório, né? Quando chegou a terceira falando da mesma coisa eu falei, gente, o que está acontecendo? E assim E

Esse que é o problema da falta dos rituais, porque tudo passou a ser... O ritual passou a ser um próprio consumo. Então, é claro que uma festinha de aniversário é um ritual, a festa é um ritual super importante para qualquer coisa que a gente faça.

Mas ele virou, de repente, a festa tal, a pessoa tal, que tem que estar lá, sei lá, o recurso tal, que tem que estar disponível. Você tem que ter tal coisa. Sim, sim. Isso é muito assustador, né? O consumo sempre associado a isso. Sempre associado, sempre associado.

E a produção desse desejo, né, de consumo. Outro dia eu vi que estavam aí, acho que tiraram dos supermercados. Porque era realmente, assim, um absurdo. Mas era um champanhe pra criança. Era uma água gaseificada com morango. E era uma propaganda pra adolescente. Sim, sim. De um champanhe sem álcool. Teve todo um movimento ali, tiraram. Mas tem umas coisas muito absurdas, né. Se deixar… Sim, é porque o adolescente é uma faixa etária, assim, privilegiada pra…

pro consumo, né? A gente, inclusive imita o que eles consomem, né? Os adultos. Eles são uma espécie de referência pra gente, assim, de consumo. Passa um pouquinho, a gente tá vestindo igual eles. É verdade. A gente tá dançando igual eles. Verdade. Tá, né? Então, eles são uma espécie de ideal também pra gente, assim, né? Porque é um povo, imagina. Eu vi umas meninas na rua com calçaladinha eu falei, o que é isso? Agora vai ser a moda da calçaladinha.

Corta seis meses depois, eu comprando a calça Aladdin. Exatamente. Porque as lojas só vêm de calça Aladdin, eu precisava de uma calça preta. Falei, bom, vamos entrar na moda da calça Aladdin.

E tem esse Roblox agora, nem sabia que existia. Mas eu vi algumas crianças com Roblox nas férias. E uma amiga minha já falou, tira, tira, tira. Porque aí fui me informar, que até o Felca fez a campanha. As crianças xingando o Felca, os adolescentes. Que entrava pedófilo ali. Então é uma sensação, assim, de…

Olha, eu ia falar ter filho hoje em dia, mas eu tenho certeza que minha mãe sofreu igual. Sim, sim. É muito perigoso o tempo inteiro, muito perigoso. O advento da televisão, depois do videogame, né? Mas assim, é que agora a gente tá numa escala. Tá muito rápido e muito sob o mundo. De alcance mesmo.

Porque assim, eu vi a propaganda Eu com oito anos de idade Vi a propaganda de cigarro De um cara lindo, atlético Esportista, subindo uma montanha E vendia cigarro no final Isso era um horror, né

De certa forma, eu tava ali numa sala com a minha mãe, com a minha avó, né. E eu não tava num quarto trancada dentro de um grupo de pessoas que daí pode entrar um pedófilo, alguém que estimule o adolescente a se cortar ou a ferir alguém. Isso é muito assustador. É muito assustador mesmo. E elas fizeram, as crianças fizeram uma revolução Roblox recentemente. Fizeram contra o Felca.

É que aí não dá pra saber o quanto os adultos participaram disso também, né? Mas enfim, elas fizeram um movimento e tal. Agora, o que eu… Pelo menos na rede social, assim, né? Não é que as crianças e os adolescentes têm uma inclinação maior a se identificar com discursos de ódio, sabe? Eu acho que é uma questão bem prática, assim, de que o sujeito tá lá, vem um vídeo horripilante, você vai ficar mais tempo vendo aquilo, porque chama a atenção.

E o algoritmo entende que é disso que você gosta. Ele começa a te enviar mais coisas sobre isso, né. São assim, pelo menos na rede social, é assim que começa essa adesão, né. E aí, talvez o que seja próprio do adolescente, é que ele tá procurando verdades, né. Ele tá procurando um discurso muito firme pra ele se ancorar. Então, e esses grupos oferecem isso, né. Agora, das crianças, assim, é bem mais complicado, né. Eu acho que…

Não tem como não ter uma presença importante ali durante o uso dos jogos, do YouTube, do que for, quando for usar. Sim, a minha filha ama Jackson 5, sabe? Todas as músicas. E aí, um dia ela descobriu que era o chat GPT, que me viu usando. Eu comentando com o meu namorado, nossa, incrível. Eu fui tirar uma dúvida e o chat GPT me falou exatamente o caminho que eu tinha que fazer, os lugares que eu tinha que conhecer, porque ele faz uns tours para viagens.

Meia incrível, assim. E aí, um xixi que eu fui fazer, ela já tava… Pegou meu celular e já tava… Me fale sobre o Jackson 5 pro chat GPT. Eu já pensei, isso vai acabar no chat GPT explicando pra ela o que é pedofilia.

Né, porque Michael Jackson, o Chet não sabe que é uma criança que tá perguntando. Eu já saí do meu xixi assim, voando. E ela, mãe, são crianças dançando, você não deixa eu fazer nada, né. Mas é porque é isso, é isso que você tá falando. O algoritmo e as informações também, coisa que tá aí no mundo, né. Acho que o importante é, acho que de tudo que a gente falou o que fica assim, pra mim, muito forte, né. Tudo muito bom, mas assim, o que fica muito forte é… Obrigado.

Daqui quatro anos vou estar lidando com essa pré-adolescência. O limite entre não espionar e invadir sem deixar de estar de olho o tempo todo. Sim. Acho que esse é um limite. Que na vida enlouquecida, corrida com mil trabalhos e mil coisas ele é cansativo, mas é pra ser mesmo. Ninguém disse que ia ser fácil. Ser mãe e pai de um adolescente.

Porque é isso, é uma criança querendo saber mais sobre o Jackson 5 que ela ama e que eu deixo ela ver clipe a hora que ela quiser. E elas nem sempre têm um interesse genuíno por coisas, como eu disse, né horripilantes, assim, né. A questão é quando elas encontram. Exatamente, então é exatamente, não necessariamente… Não é que elas estão buscando e tal, né. Porque também teve um caso que eu li, horroroso, né de um chat GPT que ensinou um jovem a cometer suicídio.

Porque você vai perguntando tanto Aquilo ali é um Não tem uma humanidade ali, né Então foi perguntando tanto, foi investigando tanto Não sei o que foi feito a respeito disso Se agora quando entra essa palavra É obrigatório ter um Não vou informar sobre isso Não sei o que foi feito disso, mas eu lembro de ler uma matéria sobre isso Então tem esses casos de quem procura Informações mais pesadas Às vezes até porque tá

isolado, né? Não, assim, pra gente fazer essa conversa eu poderia ter entrado num Google, num chat de EPT e feito perguntas de o que leva um adolescente sabe? Perguntas mais pesadas sobre incel sobre suicídio mas como que essa inteligência artificial entende que de repente é uma pesquisa pra um roteiro ou tem um adolescente ali querendo informações, né? Então tem isso mas tem também uma pesquisa e aí

O que você tá fazendo ali? Porque você gosta de uma banda no caso da minha filha, que são crianças dançando e que de repente o algoritmo vai explicar pra ela o que é pedofilia. Que não tá na hora dela saber. Apesar de ela ter todas as regras do que não pode deixar alguém fazer ou falar ou chegar perto. É pressente, né, qual que é o medo que pai e mãe tem apesar de não entender direito.

Mas eu acho que essa questão, principalmente do adolescente, se consultar com o chat GPT, tem muita coisa para a gente pensar a respeito disso. E a gente tem que tomar cuidado também para não ficar criando sempre um pânico nos pais, um pânico meio moral também. Mas eu acho que um adolescente que pergunta alguma coisa ali...

ele está, de algum modo, querendo compartilhar com alguém alguma coisa. Senão ele não perguntaria. E ele está, de algum modo, isolado nesse aspecto. Ele não tem com quem falar. Tanto é que ele foi pro chat. Pro chat. E tem uma diferença, Tati. Por exemplo, uma coisa é você ir lá e colocar, listar uma série de informações. Outra coisa é você ter uma experiência com o outro sobre aquilo. Você entende? Quando a gente está conversando…

A gente tá tendo uma experiência só aqui, a gente tá pensando, né, pensa, eu penso, então. Diferente do chat, né, não tem uma experiência ali com outro. E de repente vem uma informação super pesada, dada de um jeito sem nenhuma delicadeza, porque é uma inteligência artificial. Não tem um outro tomando cuidado. Sim, não tem uma mediação. Não tem uma mediação. Ela é direta. E informação não muda, né, informação não…

Não desloca só o problema. Você tem que ter experiências com as coisas, né. Então, por isso que a gente recomenda, quando tá em sofrimento mesmo, né. Procurar uma análise pra poder ter uma experiência compartilhada sobre isso. E aí faz o quê? A mãe que tem uma… Pra gente encerrar aquelas que não consegue deixar a Maria ali embora porque tá com medo. Dá?

Do que vem por aí. Bom, com 12 anos, provavelmente minha filha vai ter um celular. Não sei com que idade que dá celular, acho que é 14, 13, não sei. Mas vai ter um acesso maior do que ela tem hoje em dia. Se ela quiser usar um chat de GPT e perguntar uma coisa e estiver sozinha perguntando, o que a gente faz?

Não tem, porque antigamente não tinha. Eu não tinha esse acesso na adolescência, né, nem na infância. Porque você tá conversando ali com uma central do saber absolutamente fria, robótica, que não sabe direito a idade que você tem. Mas acho que tem como monitorar a chat quando você dá… Esse é o celular de uma adolescente, não sei. Sim, provavelmente. E eu mesma já usei pra fazer pesquisa, assim, acadêmica e tal. Como eu lido com temas…

meio difíceis, né? Eles colocam lá um alerta. Imediatamente. Ah, você tá precisando de ajuda. Não, só pesquisa e tal. Entendi. Dependendo da palavra que você usa, questão diagnóstica, eles sempre colocam um alerta. Eles até apagam a resposta. Entendi. Bom, a gente não pode confiar só nisso. Confiar, né?

pode confiar nos nossos filhos também um pouco. Isso é bom, isso é bom ouvir. É, porque tem gente, né, não são pessoas muito distantes daquelas que a gente criou, né. Claro que tem uma transformação, mas eles podem, né, lidar com isso. A minha filha, às vezes ela fala, ih, mamãe, vamos mudar, que isso aqui acho que não é pra minha idade, sabe?

E aí, eu penso, tô criando direito. Tá vendo um negócio ali… Mesmo que a única coisa que eu deixo ela ver é Netflix e Disney pra criança. Mas às vezes tem uma coisa mais violenta ali, que é pra uma criança de 12, 11, sei lá. E esse aqui não é pra mim, não. Ela mesma me chama. Não, e eles sentem medo às vezes, né. Sentem medo, é. Tem séries, por exemplo, que eles não veem. Mesmo que o Pai libere. A Rondinha até hoje não conseguiu. Exato, exato.

Confiar em nossos filhos Com isso acho que a gente pode encerrar, deu uma esperança Eu tava atrás de uma frase de esperança Isso é muito bom A gente tem que estar no controle, mas não esse controle horroroso E que tem uns processos que fazem parte da vida também Pra gente não se assustar tanto com eles, né E conversar mais com as pessoas, né E tentar entender melhor o que tá acontecendo Pra gente não ficar tão sozinho também Sim, muito bom Marília, obrigada Tá bom, obrigada você, Tati Valeu

Este foi o Meu Inconsciente Coletivo, o podcast para onde a sua neurose sempre vai querer voltar. Eu sou a Tati Bernardi e a edição de som é da Zamunda Estúdio. Os episódios do Meu Inconsciente Coletivo são publicados toda quinta-feira de manhã nos principais agregadores de podcast. Escute o seu inconsciente e siga a gente para não perder nenhum programa. Até semana que vem!