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Governo brasileiro deve recorrer à reciprocidade para tarifaço dos EUA?

17 de julho de 20266min
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O governo brasileiro repudiou a decisão que estabeleceu tarifas de 25% pelo governo dos Estados Unidos, e falou em procedimentos para aplicar a Lei da Reciprocidade Econômica. Ouça a análise de Vera Magalhães.

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Participantes neste episódio3
A

Ary Jorge Nogueira

HostAdvogado, doutor em Direito Eleitoral
C

Cássia

HostJornalista
V

Vera Magalhães

ComentaristaJornalista
Assuntos4
  • Tarifas EUAGoverno brasileiro · Lei da Reciprocidade Econômica · Donald Trump
  • Caráter Eleitoreiro da LegislaçãoMedida Provisória · Congresso Nacional · Defeso Eleitoral
  • Criticas Americanas ao PIXPix · Governo Lula · Donald Trump
  • Tarifa de trabalho forçadoEstados Unidos · Brasil · Trabalho Forçado
Transcrição9 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro

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?Voz B

Viva a Voz com Vera Magalhães. E aí, Vera?

VMVera Magalhães

Oi, Sardenberg, boa tarde para você e para Cássia, boa tarde para os ouvintes, também para quem tá assistindo vocês aí no CBN Brasil.

CCássia

Boa tarde, Vera.

?Voz B

Vera vai falar do tarifação, a reação do governo ao tarifação, do governo nos meios políticos, e de uma dúvida que aparece para o governo brasileiro, que é recorrer ou não à reciprocidade, isto é, taxar, por exemplo, produtos americanos. Como é que está isso, Vera?

VMVera Magalhães

Por enquanto tá prevalecendo a decisão de não taxar, pelo menos de imediato, os produtos americanos. Portanto, não aplicar no primeiro momento a lei da reciprocidade, sabe? Bem leve. Conversei ontem com várias autoridades, tanto do Palácio quanto da equipe econômica. Conversei também com autoridades do Congresso e essa era a tônica dominante, a de responder com medidas que acabem amenizando o prejuízo para os setores atingidos, como o governo fez da outra vez.

Então, né, essa segunda edição do Plano Brasil Soberano. E aí o governo vai se valer de uma excepcionalidade do defeso eleitoral, para a qual o Congresso está bem receptivo. Conversei com a Câmara, conversei com autoridades do Senado E mesmo com as dificuldades que existem no relacionamento do Lula com o Davi Alcolumbre, por exemplo, isso não deverá ser um problema para responder ao novo Tadinho Fácil. Estão dispostos a aprovar uma medida com uma medida provisória com novas concessões aos setores atingidos e fazendo uma exceção à regra da lei eleitoral que proíbe novos desembolsos nesse período de campanha eleitoral.

Então Lula vai se beneficiar de algum modo da decisão do Donald Trump, porque vai poder de novo anunciar medidas que têm apelo para um setor importante aí do empresariado, vários setores da nossa economia, e fazer isso sem infringir as regras da lei eleitoral, porque o Congresso vai dar ele provavelmente essa excepcionalidade. A ideia até aqui, que vem sendo seguida, é deixar que o Itamaraty, a Fazenda, o Banco Central e o Geraldo Alckmin respondam ao Trump, e o Lula fique mais ou menos salvaguardado fora disso, porque tem um temor de que ele, ao falar de improviso, erre no tom e acabe escalando a confusão diplomática e que tire do governo a legitimidade que teve nesse primeiro momento.

Ou seja, o Brasil foi atacado, foi atacado unilateralmente, sem nenhuma justificativa, porque o Brasil é deficitário na balança comercial com os Estados Unidos. E na reação toda no mundo foi de rechaçar as novas tarifas e mostrar que elas não têm razão de ser do ponto de vista meramente econômico, meramente comercial. Então, por enquanto, o Brasil tá ganhando nessa briga. Se o Lula errar no tom e partir para briga com o Donald Trump, é tudo que o Marco Rubio e que a família Bolsonaro quer.

Então, o máximo que se puder evitar que o Lula toque no assunto é a ideia nesse primeiro momento.

CCássia

E acho que também tem uma outra questão nesse primeiro momento, né, de não tomar uma decisão nesse instante sobre a reciprocidade, que é a seguinte: a gente tem na semana que vem, a partir do dia 22, próxima quarta-feira, os 25%, e ainda tem a possibilidade de os Estados Unidos aplicarem uma nova taxa de 12,5% contra o país, naquela alegação de que o Brasil tem comprado bens produzidos por outros países com trabalho forçado. Ou seja, ainda pode vir mais uma sobretaxa por aí, né?

VMVera Magalhães

Pois é, o que vai tornando a decisão meio insustentável até do ponto de vista da economia dos Estados Unidos. Daí porque muita gente acha que vai ter em algum momento um freio de arrumação por parte do governo americano em relação a isso. Outro temor que existia ontem quando eu conversei com algumas pessoas era de que houvesse uma penalização específica por conta do Pix. E aí é outra situação que pode ser benéfica do ponto de vista político para o Lula, porque o Pix é altamente popular, é disseminado no Brasil inteiro entre eleitores de todo e qualquer candidato, e uma ofensiva americana contra o Pix, no entendimento do governo, aumentaria essa sensação de desaprovação em relação às ações americanas, que já aparecem acessíveis, apareceu muito fortemente na pesquisa da Quest, e acabaria de novo dando ao governo um discurso de legitimidade, um discurso de que tá do lado certo, sendo atacado de forma injusta, indiscriminada, por parte do Donald Trump.

?Voz B

Tá certo, Vera Magalhães. Obrigado, Vera.

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