Como novo tarifaço afeta eleições?
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Viva a Voz com Vera Magalhães. E aí, Vera?
Oi, Sardenberg, boa tarde para você e para Cássia. Boa tarde para os nossos ouvintes, também para quem nos assiste. Boa tarde, Vera.
Quem nos assiste, quem nos ouve. E Vera, o assunto é o Tarifácio. E como você comenta aqui, é no mesmo dia em que foram anunciadas as novas tarifas, né, que entra em vigor dia 20, quando é que elas entram? Mês que vem, né?
Isso.
Que é 22. E teve também aquele post do secretário de Estado, Marco Rubio, dizendo que essa decisão do governo americano se deve à má-fé do governo Lula, do presidente Lula. E ao mesmo tempo sai aí o recorte da pesquisa Quest ligando, né, quer dizer, que a maioria culpa o Flávio por esse tarifação, né?
Pois é, Sardenberg, a postagem do secretário de Estado foi muito dura, né, em relação ao Brasil. A gente tinha visto visto já nos últimos meses uma deterioração daquela relação que tinha se mostrado amistosa no ano passado, ali alguns pontos de ruído, algumas críticas, mas nada num tom assim tão duro quanto o do Marco Rubio. Ele fala nessa má-fé, fala que isso prejudica os Estados Unidos e também o Brasil, atribui pessoalmente ao Lula.
E essa fala dele, esse post, foi visto como um post sob medida da Casa Branca para tentar dissipar a ideia de que a responsabilidade das tarifas adicionais, desses novos 25%, recaia sobre o Flávio Bolsonaro e sobre o bolsonarismo. A gente sabe que o Eduardo Bolsonaro, Paulo Figueiredo, estão próximos da Casa Branca, eles têm alguns acessos à Casa Branca. O próprio Flávio Bolsonaro já esteve lá, teve com o teve com o Trump. E na conta dele do X, o Rubio faz essa postagem para dizer que a negociação do Lula e do seu governo com os Estados Unidos não se deu de boa-fé, que essas políticas econômicas do Brasil são ruins para os americanos e ruins para os brasileiros.
Então isso foi visto no Planalto como uma interferência ali explícita na eleição brasileira, quando o secretário de Estado de um outro país diz que políticas adotadas por um governo, um governo soberano, governo brasileiro, são ruins para os brasileiros, ele tá dando uma opinião, emitindo uma opinião que tem consequências, porque se traduz na forma de um novo tarifação, mas que também tem um peso eleitoral, tem uma conotação de tentar interferir nas eleições brasileiras.
Tá sendo muito bem estudado qual vai ser o tom da resposta do Lula. Ele já tem falado aqui e ali. O Itamaraty vai se manifestar oficialmente, vai decidir se vai ou não aplicar a lei da reciprocidade. Mas na política, né, na resposta política que essa tem de vir do presidente, a ideia é calibrar bastante o que ele vai dizer E também evitar que ele leve diretamente a disputa para o terreno eleitoral, pelo fato de que ele é presidente que vai disputar no cargo e é também candidato.
Então qualquer manifestação dele mais dura pode ser lida como uma manifestação eleitoral e se aproveitando do cargo, se usando ali do fato de estar no cargo. Então tá tudo sendo tudo muito bem calibrado. Mas é isso também, essa pesquisa Quest deu um certo, uma certa tranquilizada no Planalto. Fato de que a maioria dos brasileiros atribui ao Flávio Bolsonaro o novo tarifação e questiona, critica a sua relação com a Casa Branca de Donald Trump.
Então eles vão usar isso, principalmente o PT vai bater nisso, né, o PT, os petistas, etc. E o Lula, por por enquanto tentar ficar um pouco afastado dessa briga por paternidade do Tarifaço, que certamente vai acontecer na campanha.
Ok, Vera, obrigado, Vera. Até amanhã, até amanhã.
Um ótimo jornal para vocês, gente. Até mais tarde também. Hoje tem viva-voz integral aos ouvintes da CBN.
Daqui a hoje tem o viva-voz com a Vera Magalhães e com a Débora Freitas e a Carol Moura.