Episódios de Política

Situação no Supremo 'segue tensa' com caso Master

01 de abril de 202642min
0:00 / 42:06
O ministro Alexandre de Moraes disse que jamais viajou em avião de Daniel Vorcaro ou em sua companhia e de Fabiano Zettel, "a quem nem conhece". Vera Magalhães analisa o clima no STF com os desdobramentos do caso Banco Master, que segue como "tabu" e pesando para uma "imagem negativa cada vez maior aferida nas pesquisas em relação à Corte".

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Participantes neste episódio4
I

Igor Cardim

Hostjornalista
V

Vera Magalhães

HostJornalista
A

Ana Carolina Tomé

ConvidadoJornalista
B

Bruno Caraza

ConvidadoEconomista
Assuntos5
  • Banco MasterDaniel Vorcaro e Alexandre de Moraes · Daniel Vorcaro · Investigação da Polícia Federal
  • Indicação Jorge Messias ao STFJorge Messias · Senado · Conselhos de Lula
  • Contexto político de Minas GeraisRodrigo Pacheco · Conselhos de Lula · Eleições em Minas
  • Críticas de Lula a Ciro GomesCiro Gomes · Aumento dos combustíveis
  • Guerra no Oriente MédioPreços dos combustíveis · Economia brasileira
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Viva a voz com Bera Magalhães.

Vera Magalhães, muito boa noite, tudo bem? Oi, Débora, boa noite pra você, pra Carol, boa noite pros ouvintes, também pra quem nos assiste, Viva Vozes, tá no ar. Oi, Vera, boa noite. Meio de semana, pra algumas pessoas hoje é quinta, por causa do feriado de sexta-feira.

Mas tem muita coisa acontecendo. A gente vai à Brasília. Ana Carolina Tomé traz mais detalhes aqui sobre a oficialização da indicação de Jorge Messias ao STF que chegou ao Senado. Oi, Ana. Boa noite.

Oi, Débora, boa noite. Após indicação oficial ao STF, Messias diz que está tranquilo e que vai retomar as visitas aos senadores. Com a mensagem presidencial de indicação de Jorge Messias para a vaga no Supremo Tribunal Federal, enviada ao Senado nesta quarta-feira, o atual advogado-geral da União vai retomar as visitas aos senadores na semana que vem.

Através de interlocutores, Messias afirmou que está tranquilo, paz e amor e que não tem qualquer relação com atritos políticos. A chegada da mensagem presidencial destrava oficialmente a indicação dele, dando início, então, a um novo capítulo de um processo marcado por mais de quatro meses de espera e atritos políticos entre a indicação de Lula e o recebimento da mensagem. Segundo interlocutores de Alcolumbre, o presidente do Senado esperava uma última conversa com Lula antes desse envio da mensagem.

o que não teria ocorrido. Lula e o presidente do Senado conversaram há cerca de 15 dias e disse que não ajudaria nem atrapalharia, mas teria sido pego de surpresa com o anúncio ontem. Messias ainda não falou com Alcolumbre, mas está buscando agenda com ele. O entendimento de pessoas próximas a Lula e Messias é que o clima no Senado está mais favorável e que a votação pode ficar em pelo menos 47 votos favoráveis, incluindo MDB e PSD.

Outro fator, Débora, é que a demora em pautar a indicação não caiu bem junto ao Supremo Tribunal Federal. Apesar disso, a fala do presidente Lula causou desconforto entre alguns senadores. Numa entrevista ao Grupo Cidade de Comunicação, no Ceará, o petista disse que não se faz composição apenas com quem se gosta.

As eleições para o Senado são muito importantes, porque um governador mantém uma relação civilizada com o presidente da República, porque o governador também precisa do presidente da República. Mas o senador com mandato de oito anos, ele pensa que é Deus. E ele pode criar muito problema se você não tiver uma base de sustentação dentro do Senado. O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho, ironizou e disse que é bom que Lula fale, quanto à indicação de Messias afirmou que nada muda em seu entendimento.

militante do Partido dos Trabalhadores, que respeitando a postura dele como jurista, como alguém que tem carreira na Advocacia Geral da União, ele tem uma postura claramente política, ele tem entrado no debate político de forma parcial e se mostra como alguém que é um quadro, é um militante do Partido dos Trabalhadores, apesar de não ter uma filiação formal.

A sabatina de Messias só poderá avançar na Comissão de Constituição e Justiça quando Alcolumbre enviar o nome ao colegiado. Débora. Obrigada, Ana, pelas informações. Essa fala do presidente Lula, né, Vera, cairia mal em qualquer circunstância, mas ainda numa situação como essa. 47 votos favoráveis são só 6 a mais que o mínimo.

para que ele seja aprovado no plenário. Você acredita que esse corpo a corpo, o carisma de Messias, vai ser suficiente para quebrar essa resistência da oposição?

Carisma não é exatamente a especialidade do Jorge Messias, ele não é alguém super carismático. Inclusive, essa descrição feita pelo senador Rogério Marinho, do advogado-geral da União, não bate com o personagem. Ele não é esse militante político. Ele sempre foi alguém que atuou ali na área mais técnica. No governo Dilma era assim, no governo Lula também foi assim, o que ele tem é uma proximidade ali pessoal.

com o presidente, uma proximidade, digamos, programática, ideológica com a esquerda, sim, porque é alguém que sempre militou em governos petistas, mas não é nem filiado ao que consta do PT, e não é alguém que tem uma vida partidária, portanto, não cabe nessa descrição. Eu acho que fazer esse corpo a corpo para ele já é algo penoso, todo mundo que descreve essas conversas...

Fala que ele vai com um certo constrangimento, com uma certa falta de traquejo, porque ele justamente não é alguém da política. E é muito tempo para ele ficar exposto a esse corpo a corpo que é desgastante, ainda mais numa casa em que o governo não conta com uma maioria explícita.

E aí eu entro na fala do presidente Lula. Quando ele está falando sobre o Senado, ele não está falando exatamente dessa situação do Messias. Aliás, não está falando disso. Ele não está falando que eles pensam que são deuses pela possibilidade de não aprovar o Jorge Messias. É claro que contamina. Claro que, num momento em que ele precisa dos votos de senadores, não tem sentido fazer uma fala sobre isso.

Mas ele está falando das eleições e justamente da necessidade que o campo progressista, o campo dele, tem de prestar atenção ao Senado, porque é uma relação ruim com os senadores. E o fato desse mandato ser alongado, ele ter oito anos...

isso pode dificultar qualquer governo. Então, ele está meio falando o óbvio num momento ruim e aí permitindo que se extrapole a leitura do que ele falou para além do sentido original. Ou seja, num momento em que você tem que tomar cuidado com tudo que você fala, o Lula quase nunca tem esse cuidado e não teve de novo.

Mas, repito, ele não estava falando mal dos senadores a pretexto da dificuldade deles aprovarem eventualmente o Messias. Ele estava falando num outro contexto.

Agora o Alcolumbre está mudo, né, Vera? Acho que é um certo mau sinal, né? Porque se estivesse tudo bem, ele já tinha se manifestado. Ah, beleza, recebi, vou tocar aqui. Ele não falou nada, né? Mudo estava e mudo continuou. Carol, tem um outro assunto que a gente vai tratar logo na sequência, que é algo que tudo se encaminha para que o Rodrigo Pacheco seja mesmo candidato pelo campo da esquerda em Minas.

que mostra que essa aresta, aparentemente, conseguiu ser a parada. O Lula, de alguma maneira, conseguiu contornar o descontentamento do próprio Pacheco pelo fato de ter sido preterido. Então, eu acho que não faria muito sentido o Alcolumbre continuar mais...

irritado com isso do que o próprio preterido. Então, eu acho que esse assunto está mais ou menos resolvido. O que está pegando agora? Está pegando o caso Master. Aí o Columbre está calado e ali agindo nos bastidores por conta de um outro assunto mais complicado para ele, porque tem um desgaste para ele, para o seu grupo político lá no Amapá advindo desse caso Master.

Só que não é algo que o governo controle, não é algo que esteja na alçada do Lula. Então, também permitir que esses assuntos fiquem na mesma prateleira não parece algo razoável. Não entendo o que o governo poderia fazer para, por exemplo, aliviar...

a barra para o Davi Alcolumbre na investigação do Mastra. A Polícia Federal certamente não poderia fazer isso. Então, é um momento em que um assunto contamina o outro, as relações entre os três poderes estão muito conturbadas e isso prejudica, de fato,

a indicação do Jorge Messias. Não é um terreno simples esse no qual ele tem de transitar já sem esse traquejo para conseguir os votos necessários para ser aprovado. O pior, e não há uma garantia de que isso se dê antes da eleição. Se ficar para depois da eleição...

Aí o risco é maior ainda, porque a depender do que acontecer e se eventualmente o Lula perder, aí ele vai ser aquele que foi indicado e nunca chegou a ter sido votado. Dilma Porcina, aquele que foi sem nunca ter sido, né? Aí é uma situação realmente dramática para ele. Então todo o trabalho da articulação política do governo tem de ser para garantir que essa votação se dê antes da eleição.

Gente, essa foi uma referência muito antiga. Não sei se todo mundo pegou, mas enfim. Quem não lembra da Viva Porcina, dá um Google. Vamos falar então do Rodrigo Pacheco, friend aí de Daviol Columbre, que anunciou hoje sua filiação ao PSB, justamente para concorrer ao governo de Minas com o apoio do Lula, o cenário que está se desenhando. Vamos à Brasília com Igor Cardinho. Igor, boa noite.

Oi, Carol, muito boa noite para você, para a Vera e para os ouvintes. Pois é, a executiva nacional do PSB se reúne daqui a pouco às 7 horas da noite para formalizar, então, fazer essa cerimônia de filiação do senador Rodrigo Pacheco aqui em Brasília, filiando-se, então, ao PSB.

atendendo, inclusive, a um pedido do vice-presidente Geraldo Alckmin e do prefeito de Recife, João Campos, que é o presidente da sigla. Essa saída do PSD foi necessária para que Pacheco consiga participar da disputa ao governo de Minas Gerais com apoio do presidente Lula. A sigla tem como pré-candidato atual o governador interino do Estado, o Pedro Simões, que é sucessor do ex-governador Romeu Zema.

Além do PSB, as cúpulas do MDB e do União Brasil também tentaram puxar Rodrigo Pacheco para esses partidos para disputar o pleito por Minas Gerais. Pacheco ainda não confirmou se vai participar ou não dessa disputa. Tem essa expectativa, inclusive, para que ele faça essa confirmação ainda hoje durante esta cerimônia aqui em Brasília.

Mas o fato é que o presidente Lula pessoalmente fez esse trabalho de convencimento depois que ele concluiu a condição do Senado, saiu da presidência do Senado. Ele também chegou a ser cotado para a vaga de ministro no Supremo Tribunal Federal, mas o presidente Lula fez esse trabalho de convencimento, dizendo que daria apoio a Pacheco para o governo em Minas Gerais. Desde a semana passada...

Ele vem se reunindo com as lideranças nacionais do partido, do PSB, para formalizar, então, essa transferência do partido. O senador também vinha sendo pressionado por lideranças do PT para decidir sobre a candidatura e, consequentemente, iniciar a construção da chapa majoritária no Estado. O presidente do PSB em Minas, o prefeito de concessão do Mato Dentro, Otacílio Costa, afirmou que a chegada de Rodrigo Pacheco...

Levou quase um ano para ser construída. A nossa colega lá de Belo Horizonte, Débora Costa, ele confirmou que a legenda vai trabalhar para construir uma frente ampla com Pacheco em Minas, incluindo o PT como uma das vagas ao Senado. Débora, Carol e Vera.

Obrigada, Igor. Como é que fica então esse cenário em Minas, hein, Vera? A gente tem então o Pacheco com apoio do Lula, tem o Matheus Simões concorrendo com as bênçãos do governador Romeu Zema e correndo por fora a possibilidade de uma chapa encabeçada pelo PL, já que o presidente da Federação das Indústrias de Minas se filiou ao partido, o Flávio Roscoe.

E tem o Cleitinho, o senador Cleitinho, que todo mundo considera que é o grande favorito, aliás, a vencer a eleição em Minas. Alguém que tem um perfil ali mais ainda, uma direita mais...

histriônica, por assim dizer, do que a da chapa do vice-governador Matheus Simões, agora governador. É um cenário complexo para o PT transitar, porque o Rodrigo Pacheco, imaginem que o Rodrigo Pacheco se filie ao PSB. Isso equivale a dar um cavalo de pau na trajetória política dele.

Lembremos quem é o senador Rodrigo Pacheco. Ele foi deputado federal. Nessa condição de deputado federal, ele presidiu muito jovem a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados. Lá, ele votou a favor do impeachment da Dilma Rousseff em 2016. Em 2018, ele começou como candidato ao governo. Desistiu de se candidatar ao governo numa aliança para eleger o senador Antônio Anastasia.

que era do PSDB, ele do DEM na época. E aí ele virou candidato ao Senado. E aí ele ultrapassou a Dilma e foi eleito o senador mais votado de Minas num ano em que se elegiam dois senadores. Foram eleitos ele e o hoje presidente, até agora presidente da CPMI, do INSS, senador Carlos Viana. Dois senadores antipetistas.

Os dois eleitos com o discurso contrário a ex-presidente de Monsef, que se lançava candidata ao Senado porque ela sofreu impeachment, mas naquela configuração exótica lá, determinada pelo Ricardo Lewandowski, ela manteve a possibilidade de ser candidata. Então, ela continuou elegível.

E, portanto, Rodrigo Pacheco se elegeu com um forte discurso anti-PT. Agora ele vai voltar ao eleitorado de Minas pela primeira vez. Essa é a primeira vez que ele vai se apresentar ao eleitorado desde que foi eleito, porque tem isso, né? Esses mandatos de senadores realmente são longos. E aí vai falar, oi, gente, lembram de mim? Então, sou eu, Rodrigo Pacheco, eleito em 2018 contra a Dilma. Agora, vejam só, eu sou do PSB.

É eu que sempre fui ligada ao agronegócio, sempre fui ligada à direita. Agora, mudei, sou do PSB, estou aliado ao presidente Lula e me candidatando ao governo de Minas. Eu acho que vai dar um nó na cabeça do eleitor. E eu não sei que tipo de rebranding que ele vai ter que fazer para apresentar essa nova persona dele ao eleitor mineiro. Conversar com o Alckmin, né? Você está lá com o Alckmin, que agora é do mesmo partido, e pergunta qual é a receita.

Veja que o Alckmin teve uma situação um pouco mais tranquila, porque quando você é candidato a vice-presidente, você aparece menos. Ele ficou ali, fez aquela coisa de defesa da democracia, estamos juntos numa frente ampla, e aí foi ficando, foi sendo assimilado aos poucos. Outra coisa é você se apresentar como candidato ao governo e ter de ser confrontado com o que você dizia no passado. E mesmo no Senado...

Quando ele se apresentou a concorrer à presidência do Senado, ele tinha os votos dos bolsonaristas. Então, são muitas mudanças que ele vai ter de justificar perante o eleitor. Não é uma candidatura simples essa dele.

Agora, Vera, mesmo que Pacheco não tenha chances, enfim, as pesquisas vão dizer, o desenrolar da pré-campanha e da campanha é que vão dizer isso, ele tem condições de viabilizar o palanque de Lula no Estado? Porque é um Estado muito importante, é o segundo maior colégio eleitoral e é aquele Estado em que desde, não sei exatamente o ano, você deve saber melhor que eu, quem ganha em Minas ganha a eleição.

Todas as últimas eleições isso aconteceu. Pelo menos desde 2014 tem sido uma regra muito certinha. Inclusive a diferença entre Belo Horizonte e o resto do Estado e tudo mais. É uma situação mais complexa esse ano do que foi em 2022.

para a esquerda. As eleições municipais mostraram uma guinada à direita do eleitorado mineiro, o Zema. Apesar de, neste momento, não estar saindo com índices de aprovação muito altos, ele foi reeleito, e a gente lembra que ele foi eleito primeiro como azarão, mas depois conseguiu ser reeleito, diferentemente, por exemplo, da...

da trajetória do Bolsonaro. Então, não é uma coisa simples. E a esquerda muito debilitada em Minas. A dificuldade de se conseguir um candidato mostra isso, que não é nada trivial essa tarefa, mas é necessário para o Lula.

para vencer a eleição, e bem em Minas e em São Paulo. É a tarefa que tem de ser feita e ele está tentando construir. Não sei se o Rodrigo Pacheco vai ser bem aceito nem no próprio PT. Até isso é uma construção para ser feita, pelo fato de ter atacado muito a Dilma, ter votado a favor do impeachment. Então, se for ele mesmo, tem começado dia 1 a construir uma explicação convincente para essa guinada.

Tem mais um assunto aqui, a Ana Carolina Tomé está de volta de Brasília, com declarações do presidente Lula criticando Ciro Gomes. Oi, Ana.

Oi, Débora. O presidente Lula fez duras críticas ao Círio Gomes durante uma entrevista no Ceará após a aliança do ex-ministro com o senador Flávio Bolsonaro. Lula classificou o ex-aliado de destemperado e criticou trocas de partido, suas trocas de partido. O presidente também subiu o tom contra o aumento no preço dos combustíveis, defendeu a prisão para quem praticou...

preços abusivos e apontou a guerra no Irã, atribuída a Trump, como um dos fatores para alta. Lula fez ataques contra o ex-ministro e ex-governador Ciro Gomes, que fechou a aliança com o senador então Flávio Bolsonaro. O petista também alfinetou o histórico de Ciro, destacando suas constantes mudanças de partido. Vamos ouvir.

O sírio é o seguinte, o sírio é muito destemperado. Ou seja, sabe aquela pessoa que acha que pode falar tudo, que pode ofender todo mundo, que pode ser o melhor do mundo, que pode... sabe? Aquela pessoa que não tem nada que você fale que ele já não saiba, ele é assim. E isso na política não dá resultado.

Ao condenar de novo a escalada de preços dos combustíveis, Lula subiu o tom e chamou de malandro e safado quem aumenta os valores. Ele também culpou a guerra no Irã, então atribuindo a Trump e Netanyahu e ainda defendeu prisão para quem comete os abusos.

Então o que acontece? Acontece que como você tem gente de mau caráter nesse país, tem gente que está mesmo recebendo para aumentar, está aumentando. Então nós estamos com a Política Federal, estamos com todos os procons dos estados, tudo fiscalizando, porque nós vamos ter que colocar alguém na cadeia.

O presidente Lula pregou o diálogo com os governadores para frear a alta do diesel, mas disse que não vai impor na marra o subsídio aos estados que não aderiram ao acordo com o governo federal. Ao participar da inauguração de instalações no novo campus do Ita, Ceará, Lula fez um discurso voltado às mulheres, que tem sido a tônica da pré-campanha dos candidatos à presidência, como Flávio Bolsonaro e Ronaldo Caiado.

Ele defendeu que nas escolas se discuta a violência contra as mulheres. Segundo ele, desde a creche os homens precisam aprender que não são superiores e nem seres especiais. Ao falar sobre a política econômica que tem adotado, Lula questionou por que ainda não recebeu o Nobel da Economia.

ao destacar a tese de pouco dinheiro na mão de muitos de significar distribuição de riqueza. Já o governador Elmano de Freitas foi recebido com algumas vaias, chamando a cena de provocaçãozinha de bolsonaristas que não fizeram nada no Ceará, dando tchau ao ex-presidente ao dizer que ele já vai tarde. Débora.

Obrigada, Ana. O presidente em campanha ao Ceará também não é um estado fácil para ele e para o PT. Vejam a diferença que existe em relação a 2022. O Lula ganhou com folga na maioria das localidades do Nordeste. E agora as pesquisas apontam favoritismo do Ciro em relação ao governador Eumano Freitas. Tanto é que o ministro Camilo Santana, que não...

pretendia ser candidato, ele tem mandato de senador, pode ser candidato ao governo se eles entenderem que essa é a melhor chance que o PT tem de não perder o governo do Ceará, assim como corre risco na Bahia também. O presidente vai para o confronto direto, acho que isso interessa mais ao Ciro que a ele, é alguém que é presidente da República e candidato a presidente, descendo aqui no parquinho para brigar com alguém que é candidato a governador.

Então, isso já denota a preocupação do PT e do Lula com o Estado das Coisas no Ceará. E o resto é esse falatório de campanha. O Lula é bom de falatório, bom, eu digo, de emendar um assunto no outro. Muitas vezes fala coisas que não têm pé nem cabeça, como a história do Nobel de Economia. Se fosse assim, a percepção das pessoas a respeito da sua situação econômica seria bem diferente daquela que as pesquisas mostram.

Muito bem, nosso ouvinte fica com notícias da sua região e na volta a gente traz mais desdobramentos ainda da história do Banco Master.

Viva a voz de volta. E a gente tem aqui mais assuntos para tratar, assuntos envolvendo desdobramentos do Banco Master. A Folha de São Paulo publicou uma reportagem, fez uma apuração, que mostra que o ministro do STF, Alexandre de Moraes, viajou oito vezes em jatinhos de empresas ligadas ao dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Isso aconteceu...

entre maio e outubro de 2025. Esses embarques ocorreram no aeroporto de Brasília, segundo a apuração da Folha de São Paulo, e tiveram como destino terminais em São Paulo, onde mora o ministro, ou na região metropolitana da capital paulista.

Alexandre de Moraes divulgou uma nota afirmando que jamais viajou nenhum avião de Daniel Vorcaro em sua companhia e de Fabiano Zettel, a quem nem conhece, é o que diz a nota. A publicação teve acesso aos registros dos passageiros que embarcaram na área em Brasília, dedicada à aviação executiva, aos dados dos voos que decolam de lá, que foram compilados pela aeronáutica.

e as informações sobre os donos da aeronave. Em quatro dessas ocasiões, o ministro estava acompanhado da mulher, a advogada Viviane Barsi de Moraes, que já atuou para o Master. Em três dias ainda, segundo a Folha de São Paulo, o casal embarcou em voos operados pela Prime Aviation, que já teve Vorcaro como sócio.

Enfim, Vera, o Globo tem mais detalhes aqui também sobre essa reportagem, sobre essas viagens, mas fato é que tem mais uma situação em que o nome de Alexandre de Moraes e da mulher dele aparecem atrelados a Daniel Vorcaro ao Banco Master, embora o ministro negue. É, agora ele está negando textualmente, no caso das conversas...

que foram reveladas por vários jornalistas, inclusive pela Malu Gaspar, e das menções que foram feitas a ele por Vorcaro e por outros investigados no caso Master, o ministro não tinha negado textualmente, ele tinha feito alguns volteios ali no explicado.

exatamente qual era a sua relação com o banqueiro, sendo que a mulher dele confirmou que teve um contrato, contrato esse que depois foi rescindido com o banco para intermediar ali os seus interesses junto a vários órgãos públicos.

E isso, por si só, já era um fator bastante complicado, uma vez que o seu marido é um ministro do Supremo Tribunal Federal e o caso está sendo julgado lá. Mas agora a gente tem um impasse, porque se ele voou nessas aeronaves é algo sério.

É algo grave e o ministro está dizendo que jamais voou. Então, a gente tem que aguardar um esclarecimento cabal dessa situação. Tudo isso vai vir à tona, vai vir à baila, caso Daniel Vorcário e Fabiano Zé realmente fechem um acordo de delação premiada. Essas coisas vão ter de ser questionadas.

Elas vão ter de ser perguntadas diretamente aos dois. E eles vão ter de dizer de que natureza eram essas relações. Ninguém imagina que se vai poder fazer uma delação premiada seletiva, em que alguns assuntos ficarão de fora ou não chegarão nem a ser.

questionados. É por tudo isso que o modelo e as regras dessas delações têm de ser muito bem observados. Quem vai fazer a delação? É só a Polícia Federal? O Ministério Público vai participar?

E dentro do Supremo, como vai ser recebida a notícia de que realmente os dois estão caminhando para uma colaboração judicial e que, portanto, vão falar sobre diferentes assuntos, inclusive envolvendo ministros da própria corte. O clima internamente é muito tenso entre os ministros.

Tem aquela discussão sobre a prorrogação ou não, por mais tempo, do inquérito das fake news. E o ministro Alexandre de Moraes é o relator desse inquérito. E ele está sendo questionado pela OAB, questionado por uma série de entidades que vêm ali.

um prolongamento excessivo desse inquérito e o seu uso desvirtuado em várias outras situações, além da outra situação original em que ele foi criado. Então, a situação no Supremo segue tensa, não é porque na semana passada eles derrubaram aquela liminar do ministro André Mendonça e, portanto, encerraram.

a CPM do INSS, que ela se resolveu. Ela segue tensa, segue complicada, e esse fator da ligação entre o Mastro e os ministros e qual era a extensão dessa ligação, ele segue sendo um caso ali meio tabu e que pesa, inclusive na imagem negativa, cada vez maior a ferida nas pesquisas em relação à corte.

E até porque, né, gente, o Supremo nunca deu explicações mais detalhadas sobre a tal linha do Supremo Tribunal Federal, em que foram encontradas aquelas mensagens no celular do Daniel Vorcaro. A CPMI do INSS chegou a pedir explicações, as explicações nunca vieram, a CPI acabou.

E o negócio foi para as calendas. A Polícia Federal nunca fez um relatório específico para ser entregue nem ao relator e nem ao ministro Fachin, ou pelo menos não publicizou, caso fez, a respeito do que tem sobre o ministro Alexandre de Moraes. O que eles dizem? O ministro Alexandre de Moraes não é investigado.

Então, não tem esse relatório. Eles fazem uma distinção, dizendo que é diferente o caso do ministro Alexandre daquele que havia sobre o ministro Toffoli, que era o relator do caso. E aí precisava ser comunicado ao Supremo que havia mensagens referentes ao relator do caso. Mas mesmo o que havia nas mensagens em relação ao ministro Toffoli...

Não chegou a vir totalmente à tona. O que se soube foi que ele admitiu ser sócio daquela Maridit, que é a companhia da família dele, e que essa empresa recebeu recursos de um fundo ligado ao Master. O que a gente sabe é isso. Mas o que tinha nessa troca de mensagens nunca chegou a vir à tona.

Deixa eu só trazer aqui rapidamente o pronunciamento do escritório Barsi de Moraes, que é da mulher de Alexandra de Moraes, que divulgou uma nota também dizendo que não conhece Fabiano Zettel, que nenhum integrante do escritório conhece Fabiano Zettel, que afirma que contratou, sim, diversos serviços de táxi aéreo e, entre eles, o da empresa Prime Aviation.

Só que em nenhum desses voos da Private Aviation, que viajaram integrantes do escritório, estiveram presentes Daniel Vorcaro ou Fabiano Zettel. E diz também a nota que todos os valores eram pagos, compensando os honorários advocatícios nos termos contratuais.

A gente faz agora, então, uma pausa para o nosso ouvinte ter aí notícias da sua região. E na volta tem Bruno Carasa para falar de economia. Já está com a gente o Bruno Carasa, nosso colunista das quartas-feiras, falando sempre sobre economia aqui no Viva Voz. Boa noite, Bruno. Boa noite, Zera. Boa noite, Carol. Boa noite, Débora. Tudo bem? Tudo bem, boa noite. Boa noite para o ouvinte também.

Bruno, a gente viu hoje o Lula fazer uma frase ali de que quem aumenta preço dos combustíveis pode ser até preso, numa demonstração do quanto esse assunto tem realmente uma alta octanagem eleitoral. E hoje houve a notícia de que a Petrobras vai reajustar o querosene de aviação. A gente tem falado bastante do diesel, mas esse é um assunto que se espraia para vários tipos de combustíveis.

Isso também vai bater no preço das passagens aéreas, então mais um risco de desgaste para o governo, porque sempre isso cai no colo do governo. Como que essa guerra no Oriente Médio, que agora o Trump diz que tem prazo, tem um prazo curto para se encerrar, vai batendo no bolso do consumidor brasileiro e no seu humor eleitoral?

Pois é, Vera. O combustível, a gente ainda é muito dependente de combustível fóssil, e esse é um mercado integrado, um mercado de petróleo e derivados, é um mercado internacional. Então, o que acontece lá no outro lado do mundo, mesmo que não tenha nada a ver com a gente, mesmo que o Brasil seja autossuficiente,

na produção de petróleo, isso acaba de uma certa forma, direta ou indiretamente, mais cedo ou mais tarde, afetando os preços dos combustíveis aqui e isso vai se espalhando pela economia como um todo. No final da semana passada, a presidente do Banco Central Europeu, a Cristina Lagarde, ela deu uma entrevista na Economist e ela falou que os efeitos econômicos da guerra eles dependem de três variáveis.

da guerra e a propagação pela economia. E é isso exatamente que a gente está vendo. Apesar dessas demonstrações aí, declarações do Trump de que a guerra vai ser rápida, certamente ele subestimou os efeitos de reação do Irã.

e ele achava que seria uma ação rápida como foi na Venezuela, não é o caso. E a guerra, então, ela está se arrastando por mais tempo do que se esperava e com uma intensidade muito grande, porque o Irã está atacando vários pontos de produção de petróleo ali da região. E aí, com isso, a gente teve a maior alta no preço do barril de petróleo desde a década de 90, desde a Guerra do Golfo, lá atrás, no início da década de 90.

e isso vai se propagando pela economia e é o que a gente está vendo aqui no Brasil. Já é o segundo anúncio da Petrobras de reajuste, primeiro teve um em 14 de março, um aumento de 11.

mais de 54% no preço do que ele é de aviação. Então, isso vai se espalhando para a economia e gera para o governo duas preocupações. Uma econômica, porque à medida que esses preços vão reajustar...

atendo até no preço de alimentos e que isso então gera um efeito sobre a inflação, o que pode fazer com que o Banco Central seja ainda mais cauteloso na tão esperada redução dos juros. E do outro lado, o que afeta o governo diretamente nas perspectivas de reeleição, ano eleitoral combustível em alta, preço de alimento em alta, é algo que é muito ruim para as perspectivas de reeleição.

eleição de qualquer presidente. É por isso que o Lula está bravo e reclamando a respeito desse reajuste dos preços dos combustíveis aqui no Brasil. E o que o governo federal tem feito para conter esse aumento de preços de combustíveis para que não chegue no bolso do consumidor final?

Pois é, Débora, o governo basicamente tem duas ferramentas. Uma delas é a Petrobras. A Petrobras é estatal e ela mudou a política dela de preços no governo Lula. Desde o governo Temer, durante o governo Temer e o governo Bolsonaro, a Petrobras reajustava automaticamente o preço dos combustíveis aqui no Brasil.

a Petrobras reajustava o preço aqui no Brasil, caía, ela também reduzia. Então, isso era uma medida que valorizava os acionistas da Petrobras.

Com o governo Lula, ele mudou essa lógica e hoje a Petrobras amortece as variações dos preços do petróleo para os distribuidores aqui no Brasil. Então, ela acaba sacrificando os interesses dos seus investidores, dos seus acionistas, inclusive o governo brasileiro, que é o principal.

para o consumidor. Então, essa é uma atitude do governo. E a outra atitude do governo é reduzindo tributos. O governo já reduziu, na verdade, zerou o PIS-COFINS sobre o preço do diesel, deu uma subvenção, ou seja, transferência direta de renda para os produtores e importadores de diesel para segurar o preço. E agora o governo tenta convencer os governos dos estados para também compensar.

o ICMS do preço do diesel, tudo isso para tentar evitar ou postergar uma elevação significativa dos preços dos combustíveis para os consumidores finais. Agora, Bruno, mesmo com todas essas medidas do governo, os preços nos postos subiram muito rápido e não dão sinal de que vão cair.

Pois é, Carol, só para vocês terem ideias, o governo deu já até agora uma ajuda de 64 centavos no litro do diesel. Teoricamente, isso teria que ter se revertido na bomba já, essa redução. No entanto...

Segundo os dados da ANP, o preço do diesel subiu de R$ 6,03 o litro para R$ 7,45. Ou seja, alguém aí na cadeia produtiva está não só embolsando aquilo que o governo está dando de recursos para reduzir o preço, como alguém na cadeia produtiva está subindo os preços.

aproveitando esse momento de preocupação do mercado. E isso se deve porque a gente tem estruturas de mercado que são muito concentradas. A gente tem poucas distribuidoras que controlam mais da metade do mercado de distribuição, que são as bandeiras dos postos. A gente tem BR, Shell e Ipiranga. Inclusive o governo se queixa.

distribuidora que foi feita lá em 2019 no governo Bolsonaro. Então o governo fala que se isso não tivesse acontecido, ele poderia estar absorvendo melhor esse aumento de custos agora. E além de termos poucas distribuidoras, a gente tem um mercado de postos de gasolina.

que apesar de termos muitos postos de gasolina, também é um mercado concentrado, porque ninguém viaja para o outro lado da cidade para abastecer o carro. Você acaba ficando refém dos postos que estão ali no seu caminho de casa para o trabalho. E aí os postos, os donos dos postos de gasolina, aproveitam dessa condição do mercado e sobem o preço na bomba ou se recusam ou demoram a...

reduzir esses preços.

Então, temos essas estruturas de mercado e o governo, apesar dessa declaração do presidente Lula contra quem sobe o preço do combustível, o governo não tem estrutura para fiscalizar cada posto de gasolina no Brasil todo. Então, é uma estrutura de mercado que acaba favorecendo tanto os donos dos postos de gasolina, quanto os distribuidores que se beneficiam dessa condição decorrente da guerra lá no outro lado do mundo.

É isso, Bruno Caraza com a gente todas as quartas-feiras, destrinchando os assuntos principais da economia, que muitas vezes tem conexão com a política também. Obrigada por hoje, Bruno.

Um abraço, pessoal. Bom feriado. Boa Páscoa para todos vocês aí. Para você também. Ótima Páscoa. Muito bem, meninas. Viva a voz. Completado com sucesso. Amanhã tem mais, né, Vera? Amanhã tem mais. Farei remotamente, mas estaremos aqui. E até lá, gente. Beijo, Vera. Até amanhã.

Ah, antes da gente encerrar, Carol, uma ouvinte, a Carol também, sua chará, disse que a Viúva Porcina é atemporal. Eu também acho, né? Mas sempre pode ter aí um Gen Z que não sabe quem é a Viúva Porcina, sei lá, né? Não, mas a Roque Senteiro já passou. Não vale a pena ver de novo no Viva, não foi?

Não, já passou várias vezes, mas a Carol tem razão. Eu fico meio impressionada como muitas vezes essa geração não tem cultura recente, popular brasileira. Já que a Carol trouxe uma ouvinte, eu vou também, eu estava quase esquecendo, nosso ouvinte de Brasília, o Naoi Bernardo, falou sobre a questão do impeachment da Dilma, que eu disse...

que graças a uma interpretação muito sui generis, então o presidente ficou elegível mesmo sofrendo impeachment, ele lembra que não foi uma decisão do ministro Lewandowski, ele apenas presidiu o processo de impeachment, que foi conduzido pelo próprio Senado, e o presidente do Senado de então, Renan Calheiros, é que encaminhou.

Essa ideia de que ela ficasse elegível contrariando a própria jurisprudência do Supremo. Mas o ministro Wandovski também conduziu as coisas de modo a facilitar essa interpretação. Ele fatiou a votação do impeachment, etc. E ele costurou nos bastidores essa fórmula. Então fica aqui o contexto mais amplo de como se deu. E agora sim, até amanhã, meninas. Beijo. Até amanhã. E é o primeiro de abril, a primeira despedida.

Aliás, eu já comecei o dia levando susto com pegadias de 1º de abril de Dona Vera Magalhães, gente. Eu também, eu também. Terrível, cara. Você caiu, Carol? Por três segundos. Eu tava assim, sabe quando você tá distraída? Eu tava saindo do pilates e... Nem vamos falar como é que era, mas... Eu caí, eu caí. Eu caí pata, pata. Peguei Tatiana Vasconcelos, peguei Nadeja Calado.

Boa parte do elenco da CBN. Vera Magalhães manda pegadinha de 1º de abril, gente. Eu caí esse bastidor. O Lorenzetto foi a única que falou, 1º de abril pra cima de mim, dona Rádio. Não caiu. Não mandei um quê? Vamos deixar o ouvinte imaginar o que era. Jura, eu não acredito. Não tô conseguindo ver, me ajuda.

Ano que vem a gente tem que se vingar, Débora. Vamos guardar essa informação. Sete da manhã, vou mandar a pegadinha de primeiro de abril. Guarda essa data. Beijo, meninas. Tchau, tchau.

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