'Acredito muito antipetismo de chegada', diz Maurício Moura sobre possibilidades nas eleições
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- Antipetismo de chegadaCandidatura de Ronaldo Caiado · Eleições presidenciais de 2026 · Pressão sobre candidatos
- Voto VolátilDesafios para candidatos · Polarização política
- Atuação de Lucia na políticaCandidatura de Romeu Zema · Eleições de deputados e senadores
Agora vamos entrevistar o Maurício Moura, que é professor da Universidade George Washington nos Estados Unidos e fundador do Instituto Ideia, colaborador constante aqui do Viva Voz. Boa noite, Maurício. Obrigada de novo por nos atender. Boa noite, Débora. Bom ouvir você, Vera. Carolina, também é um prazer estar aqui com vocês. Boa noite.
Maurício, essa questão da terceira via, acho que deve ser uma das mais discutidas por nós da imprensa, por vocês estudiosos de eleição, e parece que só não chega a uma pessoa, o eleitor. O eleitor tem antecipado a escolha de segundo turno, já no primeiro e nas eleições mais recentes. Mas o PSD parece querer desafiar essa lógica, mais uma vez, optou por um candidato de perfil mais à direita para fazer isso. É o caminho adequado para o processo de perfil mais à direita.
para tentar chegar nesse eleitor cansado da polarização, e o eleitor está mesmo cansado da polarização? Bom, primeiro, é super interessante que a gente vai ter em 2026 dois candidatos de 89 com os mesmos partidos, o Ronaldo Caiado pelo PSD novamente e o Lula pelo PT.
Eu, como você sabe, Vera, eu acredito muito nesse negócio chamado antipetismo de chegada, que as pessoas, quem não gosta do PT, a antipetê se aglutina em torno de um nome na reta final do primeiro turno justamente para antecipar o segundo turno. Isso aconteceu com a S em 14, aconteceu com o Bolsonaro em 18 e em 22, e isso fez com que outras alternativas fossem esvaziadas.
A minha percepção em relação à candidatura do Caiado hoje, obviamente a gente vai ter a campanha pela frente, eu posso estar completamente equivocado no que eu vou falar agora, mas as características do Ronaldo Caiado, elas reenforçam as características do Flávio Bolsonaro. Eu acho que esse movimento do PSD pode ter aumentado a probabilidade da eleição acabar no primeiro turno.
Porque se o Caiado não conseguir chegar nos dois dígitos no começo da campanha, ou conseguir engrenar a pressão sobre os eleitores dele, vai ser muito forte em, eventualmente, achar que votando nele, eles vão ajudar, eventualmente, o Lula a ganhar no primeiro turno. Lembrando que o Lula não tem, dessa vez, nenhum candidato à esquerda, ou seja, a pontuação dele no primeiro turno tende a ser muito semelhante à do segundo.
Então, eu acho que a pressão sobre o antipetismo chegar à pressão pela escolha de um candidato que seja antipetê, ela pode aumentar muito se a candidatura do Ronaldo Caiado, eventualmente do Romeu Zema, não engrenarem. E para engrenar, eles têm que responder uma questão central, que eles têm que se mostrar mais viáveis de ganhar do Lula do que o Flávio Bolsonaro, o que a números de hoje é uma missão bastante difícil.
Agora, Maurício, considerando que Gilberto Kassab, o presidente do PSD, é um político experimentado, na possibilidade dessa candidatura não crescer, teria algum ganho para o PSD? A minha sensação, e a Vera entende mais de política do que eu, é que essa eleição tem uma característica. A maioria dos partidos e dos presidentes de partido estão pouco interessados na eleição presidencial.
Eu acho que o foco é a eleição de deputados e de senadores.
Então, eu acho que... E está claro isso, né? É uma situação bastante única no mundo, né? Geralmente, uma eleição com essa característica de um governo mal avaliado, com característica de oposição, teria uma oposição bem mais ativa para ganhar. E a gente está vendo a movimentação política muito mais focada, no caso da Câmara e do Senado, que eu acho que isso que é o foco do PSD. O PSD tem um conjunto de prefeitos muito grandes no país, ou seja, a possibilidade de eleger deputados é altíssima. Ele vai ter vários candidatos a governador.
E eu acho que talvez o foco não seja a campanha presidencial, pelo menos é o que parece até o momento. Qual você acha que vai ser a tônica do discurso do Caiado? Porque ele bate nessa tecla da gestão, bate na tecla também da segurança pública, dos valores de um Brasil mais conservador. Ele é um governador bem avaliado, que tem um lastro ali no setor do agro, na região centro-oeste do país. Qual o possível caminho para o Caiado tentar crescer nessa disputa tão polarizada?
Ele tem que, de alguma maneira, avançar no terreno bolsonarista. Eu acho que esse é o grande desafio dele.
E uma das coisas que a gente olhava quando o Ratinho estava nas pesquisas, uma coisa que o Ratinho se diferenciava do Eduardo Leite e do Ronaldo Caiado é que ele conseguia ter o mínimo de conhecimento e voto fora do estado dele, coisa que o Caiado ainda está muito circunscrito a Goiás. Então o desafio dele primeiro é se fazer conhecido nacionalmente e se fazer conhecido e mostrar para o eleitor, que hoje é um eleitor basicamente antipetista da oposição, que ele é uma melhor alternativa do que o Flávio Bolsonaro. É um desafio enorme, porque ele vai ter que se fazer conhecido e aí
e vai ter que se posicionar como uma alternativa mais viável para ganhar do PT. Maurício, as últimas rodadas das pesquisas, a de vocês e outros institutos, têm mostrado essa característica do antipetismo hoje ser mais forte que o antibolsonarismo. Há sete meses aí da eleição, tem algo que o incumbente possa fazer para virar esse jogo? O Lula tem falado em fazer novos acenos à classe média. Tem tempo e tem caminho para isso?
Bom, a matemática é muito cruel com o governo dessa vez, por um motivo, né, Vera? Quem votou no Bolsonaro no segundo turno, em 2022, em nenhum momento aprovou esse governo. Então, o governo opera numa margem de 3, 4 pontos percentuais, que são pessoas que votaram no Lula em 2022 e que, de alguma maneira, estão insatisfeitas com esse governo. E por isso que hoje dizem que esse governo, a maioria do país hoje diz que esse governo não merece continuar.
Então, a grande questão é que todos os governantes melhoraram durante o ano de eleição, então eu acho que existe um potencial de melhora. A questão é que, dessa vez, esse potencial de melhora é bastante limitado e eu acredito muito que essa eleição vai ser muito apertada porque esses 3%, 4% que eu tenho batido na tecla que vão decidir a eleição...
Ao mesmo tempo que eles são apolíticos, são fora dessa coisa anti-PT ou anti-bolsonarista, e eles votaram no Lula em 2022, então não querem que esse governo, eu acho que esse governo é regular para ruim, mas eles também carregam uma memória negativa do governo Bolsonaro, principalmente na relação da gestão da pandemia. Então, a disputa, na verdade, são esses 4, 5 milhões de votos que o governo vai ter que, de alguma maneira, endereçar isso e esse sim, eles estão na parte da classe média, vai ter que endereçar e vai convencer e vai ter que endereçar e vai ter que endereçar.
que ele é uma melhor alternativa à oposição. Eu acho que aí a batalha vai ser muito estreita dessa vez.
Maurício, você citou o Romeu Zema, que é pré-candidato pelo Novo. Tanto o PSD quanto o PL estão ali namorando a possibilidade de que ele seja o vice de Flávio ou vice de Caiado. Agora, ele saindo pelo Novo mesmo, não aceitando essa proposta de serviço, de que forma essa pulverização, de que ele também receberia os votos da direita, que consequências teria essa pulverização? Porque o Jardim Marcos da Neto disse que seria muito melhor e aí
se o Caiado já apoiasse o Flávio Bolsonaro no primeiro turno.
Sem dúvida, principalmente para o partido dele. Mas é o que eu falei, os eleitores do Zema e potencialmente os eleitores do Caiado, se eles não melhorarem nas pesquisas, eles vão ser muito pressionados a esse antipetismo de chegada, não desperdiçar o voto. Isso no Brasil tem um poder muito grande. A gente viu que, por exemplo, em 2018, há muita gente que queria votar no Alckmin, mas votou no Bolsonaro para ganhar o PT. Em 2014, quando viu que a Marina não ia encarar Dilma no segundo turno, muita gente migrou para o Aécio.
Os eleitores do Zema e do Caiado, se chegar lá na frente com 2%, 3%, 4%, eles vão ficar muito pressionados a não desperdiçar o voto e votar logo em alguém que tem chance de ganhar do PT, porque eles são eleitores do mesmo grupo, que é um grupo anti-governo, anti-petista. Então, acho que esse é o grande desafio de Zema e Caiado nessa campanha.
É isso. Maurício Moura, professor da Universidade George Washington e também fundador do Instituto Ideia, nosso experto aqui em questões eleitorais. Obrigada, Maurício. Até a próxima. Obrigado. Bom ouvir vocês. Obrigada. Boa noite.