Decisão dos EUA sobre PCC e CV acirra disputa de narrativas entre Lula e bolsonaristas
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A Vera Magalhães gravou o seu comentário, vamos ouvir. Oi Sardenberg, oi Cássia, boa tarde para os ouvintes também. Bom, a decisão do governo norte-americano de classificar as facções criminosas brasileiras, notadamente o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital, como grupos terroristas, pegou o governo brasileiro de surpresa, foi comemorada pela campanha do pré-candidato do PL, a presidência, Flávio Bolsonaro.
e está gerando reações diferentes na esquerda e na direita. Na esquerda, a tendência do governo é dizer que a medida fere a soberania brasileira e mostrar os riscos que ela embute, riscos esses para empresas brasileiras que passariam a ter mais dificuldades de fechar negócios com os Estados Unidos e com outros países, pelo fato de o Brasil, segundo essa classificação norte-americana, abrigar no seu território grupos terroristas.
e também para a obtenção de vistos e outras negociações dos cidadãos brasileiros com empresas e com o governo dos Estados Unidos. Mas o tom para fazer isso, para fazer essa crítica...
Tem que ser muito bem calculado para não demonstrar duas coisas. Primeiro, que Lula acusou o golpe do fato de, poucos dias depois dele ter estado com Donald Trump, uma medida contrária ao que ele levou ao presidente dos Estados Unidos ter sido adotada. E disso ter acontecido dias depois do senador Flávio Bolsonaro ter estado na Casa Branca. Portanto, não pode acusar o golpe de uma derrota no campo diplomático e político. Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff Aff
E o segundo temor é o de que qualquer crítica à medida soe, a depender do tom, como uma defesa de grupos que são facções criminosas, ou seja, a velha história de que a esquerda defende bandido, defende direitos humanos de bandidos. Deixa claro que não se trata de criticar o rigor com esses grupos.
e sim a classificação como terrorista por, primeiro, no entender do governo brasileiro, não ser tecnicamente correta, uma vez que esses grupos não têm nenhuma atuação nos campos ideológico, político ou religioso, o que caracteriza grupos que atuam como organizações de células terroristas.
E segundo, por essa questão de prejudicar tanto a soberania brasileira, trazendo o risco de até uma operação militar dos Estados Unidos dentro do Brasil, como também por atrapalhar negócios de cidadãos e empresas brasileiras.
direita a tendência é absolutamente o contrário, é comemorar a medida, dizer que ela representa o endurecimento no enfrentamento dessas facções, apontar a leniência do governo Lula com esses grupos que teria levado os Estados Unidos a precisar intervir, porque eles se tornaram um problema realmente de escala global e que prejudica os negócios brasileiros justamente.
por atuar em vários países e da maneira como vem atuando, e mostrar que isso só aconteceu porque o governo foi incapaz de lidar com o problema, o que a direita seria bem mais aparelhada para fazer. Portanto, a disputa está na arena política, ela com certeza vai ter outras consequências para além da eleição, mas do ponto de vista eleitoral, o fato é que o Flávio Bolsonaro, depois do que parecia ser só uma foto inócua,
e sem muitas consequências conseguiu ali um tento. A gente não sabe o quanto a visita dele à Casa Branca influenciou nessa decisão, mas certamente o que o Marco Rubio e o Trump estão sinalizando nesse momento é que eles veem a eleição brasileira como uma chance de colocar um aliado de novo no poder e que isso agrada o Washington.
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