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Classificação dos EUA para PCC e CV: 'Intervenção americana é avaliada de como algo perigoso para o Brasil'

29 de maio de 202616min
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Maria Cristina Fernandes fala sobre o anúncio dos Estados Unidos de classificar facções criminosas (PCC e CV) como organizações terroristas estrangeiras. Como a especialista avalia, há incertezas que 'pairam sobre o Brasil em virtude desse carimbo'. Ouça!

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Participantes neste episódio5
F

Fernando

HostJornalista
T

Tati

HostApresentadora
F

Felipe Nunes

ConvidadoCientista político
M

Maria Cristina Fernandes

ConvidadoEspecialista
M

Mário Sarrubo

ConvidadoEx-secretário de Segurança Pública
Assuntos5
  • EUA classificam PCC e CV como terroristasPCC · Comando Vermelho · Organizações terroristas estrangeiras · Lula · Flávio Bolsonaro · Intervenção americana · Combate ao crime organizado · Lavagem de dinheiro · Contrabando de armas · Soberania brasileira
  • Impacto econômico da classificaçãoAfugentamento de investimentos · Sanções a empresas · Risco para multinacionais · Economia brasileira · Banco Master · Daniel Vorcaro
  • O Papel do Centrão na Política BrasileiraEleições presidenciais brasileiras · Trump · Aine Applebaum · Gaza · Guerra do Irã · Perseguição de imigrantes
  • Programa Brasil contra o Crime OrganizadoDEA · FBI · CIA · Segurança nacional · Mário Sarrubo · Lincoln Gaikia
  • Comparação com o tarifárioEduardo Bolsonaro · Carlos Bolsonaro
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Oi, eu tenho aqui um recado do Léo Santana pra você. Escuta aí. O GG na área pra dizer o seguinte. O Magalu e eu queremos convocar todos os brasileiros pra gente voltar a se ver do tamanho. Que de fato somos gigante. Chega de se ver pequenininho. Bora botar o Brasil no telão. Ouviu? E mais. Em qualquer compra a partir de R$199, você ainda pode concorrer a uma sala completona. São seis salas por dia até a nossa estreia.

Tudo é Política, com Maria Cristina Fernandes.

Maria Cristina, boa tarde. Boa tarde, Tati. Fernando, boa tarde, ouvinte. Bom, vamos lá. De ontem para hoje, a gente já viu toda sorte de opiniões e de repercussões políticas, obviamente, a partir da declaração do governo americano de considerar a PCC e Comando Vermelho, organizações...

terroristas. Eu quero começar pela parte, eu quero começar positiva essa conversa, Maria Cristina, no que é que isso pode ser bom pra nos ajudar, no que é que isso pode nos ajudar no combate ao crime organizado? Bem, a gente chega lá, Tati, vamos aos fatos primeiro. O presidente Lula se pronunciou sobre esta...

da nominação de terrorista para o Comando Vermelho e PCC, hoje num evento em Segipe. Ele disse que as comunidades no Brasil, sim, o crime organizado toca o terror, mas o terrorismo é para quem mora sob o julgo dessas facções. E quem cuida disso é o Brasil.

Os Estados Unidos podem ajudar sim, se entregarem quem lava dinheiro do crime organizado, evitar que as armas, que evite o contrabando de armas americanas para o território brasileiro. E que o Brasil não admite ser tratado como republiqueta e ele como moleque, porque passou três horas na Casa Branca, entregou um documento sobre crime organizado, sobre como os Estados Unidos...

podem colaborar e eis que algumas semanas depois vem esta decisão. E que o Flávio Bolsonaro, senador, precandado à presidência pelo PL, está traindo o Brasil ao pedir intervenção americana. Ele indica que vai jogar a mesma carta do tarifácio, que é de uma medida prejudicial às empresas e ao sistema financeiro do país. É uma medida prejudicial ao país. E aí a gente chega no seu ponto.

Bem, em vez de saber o que é bom e o que é ruim, eu acho que a gente pode aqui ver que argumento vai prevalecer. Em novembro, a Quest foi às ruas e fez a seguinte pergunta. O PCC e o Comando Vermelho devem ser taxadas de organização terrorista? 73% se disseram a favor.

Ali, qual era o contexto? Tramitação do PL antifacção e uma pressão muito grande por endurecimento penal. Eu acho que o ouvinte há de lembrar. E por muito pouco a emenda não sai pior do que o soneto. Então, tiveram que segurar ali para não dar um libero geral para as facções ali naquele projeto relatado pelo deputado Guilherme de Ritchie. E...

Então, neste contexto de afronta à soberania e ameaça à economia brasileira, que resultado dará? Bem, eu perguntei para o diretor do Quest, o Felipe Nunes, ele acha que o resultado, ele vai colocar isso no questionário da pesquisa que vai a campo agora, a partir de sexta-feira da próxima semana, a gente só saberá isso no dia 10 de junho, mas o fato é que ele avalia que porque ele vai characteristics de STE.

Haverá mudanças porque, primeiro, a imagem dos Estados Unidos hoje no Brasil é uma imagem muito desgastada e esse contexto da soberania, esta medida traz uma incerteza pelo cenário que...

Ninguém sabe no que isso vai dar para a economia, para as empresas, para os bancos. E o que se queria naquele momento era uma certeza, era uma certeza do combate. O que a gente pode ver agora são incertezas pairando sobre o Brasil em virtude desse carimbo. E não estava posto que a medida viria dos Estados Unidos. Então, uma intervenção americana, é isso que ele tem colhido, é avaliada de uma maneira geral como algo...

perigoso para o país. Bem, essa é a percepção que ele tem antes de ir à rua, seis meses depois daquela que colheu uma manifestação amplamente favorável. O presidente nitidamente está apostando na carta da soberania, na carta do prejuízo ao país. E...

Na ideia de que o Flávio foi tentar um respiro para a sua candidatura, que foi cercada pelo envolvimento com o Banco Master, e que, na verdade, ele pode acabar levando uma invertida com a repercussão dessas medidas. Enquanto isso, na vida real, as empresas já fazem as contas.

do potencial prejuízo. Eu tive acesso a alguns documentos de consultorias e o cenário pintado é de um altíssimo risco, de um risco grande de afugentamento de investimentos, porque, vamos combinar, se...

Uma empresa multinacional, no limite, levada a risco, porque estão sancionados não apenas essas duas facções criminosas, mas todas as empresas que com elas tiverem relação, ainda que indireta, tiverem conexões ainda que indiretas. Então, por exemplo, uma multinacional que tenha um caminhão, que faça transporte de entrega aqui no...

território nacional, se abastecer num posto, sem saber que aquele posto é do PCC, um posto de gasolina, põe lá o seu diesel, esta multinacional poderá ser sancionada pelo governo americano? Então, o alcance e o enraizamento de uma medida como essa é gigantesco.

Então, é sobre a economia brasileira que realmente reside a maior preocupação, residem os riscos, porque, vamos combinar, intervenção, como houve na Venezuela, é um cenário... Improvável. Improvável, né? É chegar aqui para os Estados Unidos, até porque, vamos lembrar que este documento foi enviado pelo Departamento de Estado, as forças armadas, elas agem sob determinação.

do comandante em chefe das Forças Armadas, que é o presidente americano. Então, o Pentágono não pode se mover a partir deste documento. É um documento que movimenta principalmente a CIA, tira a colaboração que há entre o governo brasileiro e o governo americano das mãos da agência antidrogas, que é a DEA, e do FBI.

e joga para a CIA, que é uma agência que tem métodos, que espiona, que adentra o território nacional sem se anunciar e realmente não tem métodos rastreáveis. É uma agência que, em nome da dita segurança nacional, apela a tudo. Então, não há colaboração possível com a CIA.

E esta é a grande preocupação das autoridades. Falei com o ex-secretário de Segurança Pública, Mário Sarrubo, com o promotor Lincoln Gaikia, que são dois grandes especialistas em combate ao crime organizado. Há uma grande preocupação se a economia está preocupada com o impacto disso. Os especialistas em segurança pública estão preocupados, sim.

com o rumo que esta colaboração no combate ao crime organizado pode trazer para piorar a segurança pública no Brasil. Porque os Estados Unidos, como o próprio presidente disse, têm essa missão de conter, por exemplo, contrabando de armas. Então, é um controle mútuo de fronteiras, de alfândegas, e eis que isso agora foi colocado em questão, está ameaçado.

por essa decretação de terrorista para as facções que o senador Flávio Bolsonaro está reivindicando como um feito seu. Só ele está feliz com isso? Me ajuda, Fernando. Quem mais você suspeita que possa estar?

E assim, como você disse no começo, essa foi claramente uma jogada política para tentar sair das cordas, depois que ficou muito evidente, porque vieram à tona áudios, a relação dele com o Vorcaro, banco master, preso, acusado de comandar o maior escândalo de corrupção do sistema financeiro da história do Brasil.

Ele vai aos Estados Unidos, dias depois o presidente do país faz essa declaração num ano de eleição. A gente está aí na pré-campanha. Dá para dizer que essa foi a primeira intervenção dos Estados Unidos na campanha presidencial brasileira, Maria Cristina? Pois é, há quem diga isso, que tenha sido a primeira...

Eu acho que eu mencionei aqui uma entrevista muito boa que a Renata Campos Melo, da Folha de São Paulo, fez com a Aine Applebaum. Ai, gente, eu falei Renata. Tudo bem. Desculpa. A Patrícia Campos Melo fez com a Aine Applebaum. E ela diz, olha, se vocês não estão vendo uma interferência direta, vocês não pedem por esperar, porque ele vai intervir. Agora,

A questão é que em todas as eleições em que houve intervenção americana, desde que o Trump chegou ao poder, o candidato que ele apoiou perdeu em 100% delas. Então, a gente deve se questionar por que aqui haverá de ser diferente. Vamos lembrar que a imagem dos americanos hoje é a imagem associada.

ao genocídio de Gaza, a imagem associada à guerra do Irã. Perseguição de imigrantes. Perseguição de imigrantes, uma imagem associada a agressões verbais ao Papa, ao Leão XIV.

É uma imagem associada a muitas contendas. O Trump virou o grande palteiro do mundo. Quando não estão falando dele, ele cria um fato para que possam voltar a falar. E ele quer o Nobel da Paz. Ele não deixa o mundo em paz um minuto e ele almeja o Nobel da Paz. A gente está vivendo na era do...

da narrativa mesmo, nada do que ele diz corresponde à realidade, é impressionante. Mas eu te interrompi, desculpa, Maria Cristina. Não, não, eu acho que é isso mesmo. Então, vamos ver se, antes dessa pesquisa da Quest, os bancos, as grandes empresas fazem o que eles chamam de tracking, que é esse termo para rastreamento da...

A opinião pública aqui são pesquisas diárias. Então, essas pesquisas diárias já começaram a ser feitas e eu acho que até lá a gente vai ter um pouco a evolução, ainda que não sejam pesquisas publicáveis, a evolução do todo dessa reação a essa medida e como cada um dos contendores vai trabalhar essa reação.

essa bola estava um pouco cantada, Tatiana. Eu só não tinha, eu não tinha muito ideia de qual seria o primeiro lance, mas estava cantada essa coisa de que, cercado pelo Master, pelo caso Master, que mostrou esse envolvimento da família Bolsonaro com o banco do Daniel Vortaro, esse dinheiro que eles pediram, foi para o filme, para mais algum lugar que a gente ainda não sabe.

um banco cujo conglomerado teve fundos que receberam o dinheiro do PCC, que o senador radicalizaria. Isso estava dado. Só que ele radicalizou, eu acho que, mais do que se imaginava. Porque estava cantada essa possibilidade de este carimbo ser...

colocado, isso já havia sido aventado. Mas, depois desse encontro entre Lula e Trump, se imaginava que, de alguma maneira, havia arrefecido. Mas eis que o Marco Rubio, que ficou de fora daquele encontro, resolveu sair em socorro da família Bolsonaro.

Você acha, para a gente se despedir agora, eu juro que vou te liberar, você acha que guarda alguma semelhança com a questão do tarifácio, Maria Cristina? Você joga o país na lama em nome de uma movimentação política que possa te garantir poder? Essa foi a aposta do Lula, pelo menos na fala dele, que é o Flávio está...

prejudicando o país, está traindo o país, porque está pedindo uma medida, reivindicou como feito seu, uma medida que vai trazer prejuízo para o Brasil, a diferença de tarifás é que aquela foi pedida pelo irmão dele, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, e esta foi pedida pelo pré-candidato à presidência. O irmão dele que, segundo o Intercept, está morando numa mansão avaliada em milhões de dólares no Texas.

vamos esperar que a Polícia Federal retenha o passaporte do Carlos Bolsonaro porque ainda não pediu nada mas pelo jeito se pedir não vai ser coisa boa, é isso. Muito bem Maria Cristina Fernandes está conosco diariamente em Tudo É Política Obrigada Maria Cristina, um beijo pra você bom fim de semana

Obrigada, Tati Fernando. Bom fim de semana. Boa tarde, os ouvintes. Tem podcast que te inspira a conhecer lugares novos, a ir mais longe. É como o Dili EX5 EMI. Conheça o super híbrido Plugin com até 1.300 km de autonomia combinada, com conforto de primeira classe. E na cidade, você roda no modo 100% elétrico. Com esse SUV, cada caminho leva você mais longe. Dili EX5 EMI. Sua grande jornada começa agora. Saiba mais em dilibrasil.com.br.

No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas.

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