'Justiça Eleitoral errou a mão e acabou atravessando o samba'; comentaristas analisam reta final das campanhas
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Bela Megale
Bernardo Melo Franco
Pedro Doria
- O cancelamento do debate da TV Globo e o interesse dos líderes da pesquisaFlávio Bolsonaro não queria debate sem Lula·Lula evita exposição ao contraditório·Decisões da justiça interferiram na mecânica do debate·TV Globo cancela por segurança jurídica
- A reta final das campanhas e os fatores que podem influenciar o eleitorMecânica do voto útil e derretimento de candidatos·Fenômeno da abstenção e seu impacto·Lula foca em eleitores mais velhos e jovens·Flávio Bolsonaro busca virada no primeiro turno
- A interferência do Judiciário no formato do debate e suas consequênciasFlávio Bolsonaro usa cancelamento para reforçar discurso antissistema·Ataque ao Judiciário e campanha para senadores·Justiça Eleitoral errou a mão e atravessou o samba·Decisões monocráticas de ministros
- A judicialização da eleição e o papel da JustiçaDecisões e não decisões do Judiciário interferem no processo·Público perde com a imagem da justiça derretendo·Necessidade de uma conversa sobre o papel da Justiça·Eleição completamente judicializada
- A possibilidade de definição da eleição no primeiro turnoCeticismo sobre a possibilidade de vitória no primeiro turno·Esvaziamento dos outros candidatos·Eleição acirrada e voto a voto·Segundo turno como outra eleição
- O eleitor como principal prejudicado pela ausência do debateEleição decidida pelo voto negativo·36% dos brasileiros não querem nenhum dos dois candidatos·Eleitores insatisfeitos são mais antipetistas·Ausentes tipicamente eleitores do presidente Lula
Há 2 dias das eleições, o Jornal da CBN convida um dos nossos comentaristas de política para ajudar você, para nos ajudar a entender esse complexo cenário que estamos vivendo da política brasileira, em especial especial depois de tudo aquilo que aconteceu na noite de ontem. E para conversar conosco estão todos aqui ao nosso lado, com imagens também para você que pode acompanhar pelo Globoplay ou no YouTube. Bernardo Melo Franco, Bela Megali, Pedro Dória, time completo aqui conosco. Bernardo Melo Franco, bom dia para você, obrigado.
Bom dia, Milton, bom dia, Cássia, bom dia, ouvinte do Jornal da CBN.
Bom dia, Bela, bom ter você conosco também, bom dia.
Bom dia, Milton! Bom dia, Cássia! Bom dia, ouvintes! Bom estar aqui para matar a saudade.
Bom dia, Bela!
E Pedro Doria, que tá sempre às segundas com a gente na versão digital, hoje vem na versão política. Bom dia, Pedro!
Bom dia, Milton! Bom dia, Cássia! Bom dia, ouvintes!
Vamos lá, vamos lá, Pedro!
Ó, deixo vocês à vontade, eu tô olhando para vocês. Então alguém quiser falar, pode chamar, não tem problema nenhum. Todo mundo, quem chamar tem a ver. Eu começo com você, Bernardo, porque eu quero começar com vocês três me explicando o seguinte: a ausência do debate ontem, e que acabou no cancelamento desse evento que é sempre importante para as eleições e para a própria democracia, ausência do debate, Bernardo, me parece interessava aos dois líderes da pesquisa, não?
É exatamente isso, Hamilton. O Flávio Bolsonaro disse no fim da semana que ele iria ao debate com ou sem Lula. Mas todo mundo sabe que ele não queria isso sem Lula. O Lula, por sua vez, adotou essa estratégia de estar na frente das pesquisas e não se expor ao contraditório e ao confronto com os demais candidatos. O Flávio sustentou até a noite de ontem que compareceria, chegou na hora, usou como pretexto as decisões da justiça, que de fato interferiram na mecânica do debate, naquilo que tava sendo previamente acordado, para dizer que também não iria.
Então ficaria uma rinha de nanicos. Acabou que a TV Globo tomou a decisão de cancelar, afirmando também segurança jurídica diante de tantas decisões de última hora. E o fato concreto é que os dois candidatos principais foram poupados do confronto direto com adversários que a essa altura, Milton e Cássia, não tem muito a perder, né? Se a gente olha para as pesquisas, muito claramente é um cenário polarizado: Lula e Flávio lá na frente e os outros laterais comendo poeira.
Então, o que que viria desse confronto? O que que o Renan Santos poderia dizer, por exemplo, para o Flávio Bolsonaro? É, o que que o Augusto Cury ia tirar da cartola? Na dúvida, o Flávio preferiu não ir. Lula já tinha preferido ficar em casa.
E aí, Bela, o que que você— eu imagino o quanto você teve que apurar informação desde ontem, em meio a todo aquele cenário, até o cancelamento.
É, de fato, o Flávio Bolsonaro, ele teve 2 dias de treinamento. Eu falei até com o Rosário Marinho, que um dos principais coordenadores da campanha dele, logo depois do cancelamento do debate. E ele tava assim possesso, Milton. Existia um clima de muita raiva, muita irritação, inclusive explicitado na live do Flávio Bolsonaro que ele acabou fazendo 9:30. Não sei quem pôde acompanhar, eu vi um trecho grande da live que mostrou o Flávio aproveitando esse cancelamento do debate que se deu primeiro pela ausência dele, né?
Lula já tinha falado que não ia, aí de última hora ele faz essa desistência de ir ao debate por causa das decisões do Tribunal Superior Eleitoral e do Supremo Tribunal Federal. Então ele faz uma live em um nível, com nível de irritação extremo, e reforçando o discurso antissistema que o eleitor precisa acabar com isso, ataca ali o seu principal adversário junto a Lula, que é o Judiciário. Então ele volta a carga e aí ele aproveita para fazer uma campanha para senadores falando da necessidade de impeachar ministros do Supremo Tribunal Federal e mudar essa dinâmica.
Então ele aproveita essa interferência, que de fato foi uma interferência do Judiciário no formato do debate, E que acabou tendo um reflexo direto, que infelizmente foi o cancelamento do debate. Um debate já tava prejudicado pela ausência do presidente Lula, que é quem tá à frente das pesquisas. E o que a gente vê é que o Flávio usou esse discurso para reforçar a sua principal pauta, que é ataque ao Judiciário. Infelizmente, dessa vez, a Justiça Eleitoral.
Que tava ali para ajudar, que tem o papel de trazer mais transparência ao pleito, ajudar todo o sistema, ajudar o eleitor. Inclusive teve um papel essencial em 2022 em relação às fake news e ataque às urnas. Hoje, ontem melhor dizendo, errou a mão de fato e acabou atravessando o samba e indo além do seu papel, na minha avaliação.
Milton Cássia, Pedro Bernardo, agora Pedro, quando a gente pensa em quem estaria interessado em que o debate não ocorresse, a gente tem claro aí dois candidatos muito interessados nisso. Agora, quando a gente pensa em quem se prejudicou, a gente lembra de uma figura que parece que tá sendo muito esquecida aí pelos candidatos, que é o eleitor, né?
É o eleitor, Cássia. Eu queria— é claro que o eleitor. Essa é uma eleição muito curiosa porque é uma eleição que tá sendo decidida não pelo voto positivo, mas pelo voto negativo, né? É, no fim das contas, o eleitor tá olhando para essas duas figuras, o presidente Lula, o senador Flávio Bolsonaro, e pensando em quem ele não quer que esteja na presidência da República. E é esse o voto, no fim das contas. Tem uma quantidade na nossa pesquisa Meu Ideia, a gente captou que 36% dos brasileiros não quer nenhum dos dois, o que não quer dizer que não vote em um dos dois.
Acaba num dia, no domingo, ou se houver é havendo segundo turno, no segundo turno fazendo uma escolha, mas não quer. Então é sob essa pressão que os candidatos estão lutando. Era evidente para todo mundo que Renan Santos, estando no debate, ia partir para o ataque do Flávio. Do ponto de vista estratégico, ele não tá nem incorreto, né? O inimigo, o rival no primeiro turno dos candidatos de direita, e são todos candidatos de direita, é Flávio, que é o líder.
É ele que tem que ser despancado se você quer ir para o segundo turno. Não que exista mais tempo para mudar esse jogo. O Flávio, no fim das contas, escolheu por causa disso, escolheu não ir por causa disso. É importante a gente frisar, por causa do Renan. Agora, eu acho que a gente precisa ter uma conversa longa sobre o papel da justiça nesse caso, porque a decisão, a decisão primeiro do Ministro Cássio de permitir que Romeu Zema, fora das regras, sem nenhum tipo de exigência legal, entrasse no debate.
Depois, a decisão da ministra Estela Aranha, sem nenhuma, de novo, previsão legal, porque o TSE não dá apito a respeito de como que o debate é organizado, como que os jornalistas decidem fazer esse rito democrático que é o debate entre os candidatos, de decidir tirar o púlpito e proibir perguntas para o presidente Lula. E aí, por fim, a do Gilmar Mendes no Supremo Tribunal Federal, essa decisão de última hora. E veja, tomada há tão pouco tempo antes do debate, que era feito mesmo para evitar algum tipo de coisa, de algum tipo de artimanha, uma nova decisão monocrática de outro ministro que tirasse o Renan, tudo mais.
Quer dizer, é quase como se os ministros tivessem torcendo por um determinado resultado e tentando encaminhar um determinado resultado. A gente vai precisar no Brasil ter uma conversa grande a respeito do papel da Justiça nessas eleições, porque nunca aconteceu o que tá acontecendo dessa vez.
Vamos pegar por aí, Bernardo, olhar para o papel da Justiça, do STF e do próprio Tribunal Superior Eleitoral nesse momento.
É, Milton, de fato é uma eleição que tá completamente judicializada. A novidade agora é a judicialização também do debate de televisão entre os principais candidatos. Não chega a ser uma surpresa para quem tá acompanhando o que acontece no Brasil em 2026. A gente vê uma série de decisões e também de não decisões do Judiciário interferindo no processo eleitoral, a começar pela condução do inquérito do Máster, depois por aquele julgamento, aquela sessão de xingamentos e troca de acusações entre ministros do Supremo no dia 15.
E o distinto público acaba perdendo. O público perde quando não ocorre debate, o público perde quando fica 2 meses sem saber que um dos principais candidatos é investigado sob suspeita de corrupção. O público perde quando vê a imagem da justiça derretendo, né, com transmissão ao vivo na TV. E aquele Poder Judiciário que deveria mediar as situações de conflito no país, que deveria passar tranquilidade, acaba sendo consumido ele próprio por uma grande crise.
Agora, olhando para frente, Milton e Cássia, acho que a gente tem que lembrar ao ouvinte que faltam apenas 2 dias agora para eleição. Então, se o debate era potencialmente um lugar, né, um evento que poderia mexer nos ponteiros, o que mais pode influir agora e alterar a decisão do eleitor? Essa talvez seja a grande dúvida nesse momento. E aí acho que tem duas coisas que a gente precisa ficar atento daqui até domingo. Primeira é a mecânica do chamado voto útil.
Né, se de fato vai continuar havendo esse fenômeno que já é perceptível nas últimas pesquisas do derretimento dos candidatos do pelotão ali intermediário inferior. O Augusto Cury, por exemplo, chegou a aparecer com 10 pontos numa pesquisa Quest, hoje aparece ali na casa dos 4, dos 5. Pode ser que desidrate mais até domingo. Mesma coisa Caiado, mesma coisa Renan Santos. O Zema eu nem vou citar porque o Zema tá arriscando terminar a campanha com menos de 1% dos votos.
E o outro fenômeno que eu acho que a gente vai precisar ficar bastante atento no domingo é o fenômeno da abstenção, né, os eleitores que não vão sair de casa para exercer o seu direito a voto. E esse aí pode prejudicar o presidente Lula, porque a faixa do eleitorado que historicamente mais se deixa de votar, né, que é o eleitorado de baixa renda, baixa escolaridade e de alta faixa etária, né, lembrando que a partir dos 70 o voto é facultativo, é esse eleitorado tende mais a votar no Lula.
Então, de um lado, o voto útil pode favorecer o Flávio Bolsonaro na medida que os outros candidatos também estão no campo da direita, e de outro, o presidente Lula precisa conseguir mobilizar os seus eleitores para irem até a urna no domingo. Talvez sem o debate sejam só essas duas dinâmicas que tenham mais probabilidade de mexer nos ponteiros até domingo.
Quero te ouvir sobre isso, Bela. Nesse cenário, o que que pode influenciar mais o eleitor até domingo a votar? E eu te pergunto isso porque a gente tem um dado interessante, por exemplo, na última pesquisa Datafolha, que 17% dos eleitores ainda podem mudar de voto às vésperas do primeiro turno. O que que eles podem levar em conta para mudar esse voto, na sua análise?
Me chamou atenção ontem na participação do Lula no Flow, inclusive o Lula O Flow teve 1 milhão e 300 mil pessoas assistindo o presidente Lula depois de uma hora dele falando. Então me chamou atenção, Cássia e Milton, essa permanência dos espectadores vendo o presidente Lula, até porque não havia mais, vamos dizer assim, concorrência entre aspas, né? O debate foi cancelado, Flávio resolveu fazer uma live de última hora, e a live do Flávio, pelo que eu vi, tinha 60 mil espectadores.
Maiores, mas esse é o número que eu vi no Instagram ao vivo. O fato é que o Lula reforçou muito durante o flow que o eleitor mais velho, com mais de 70 anos, precisa ir às urnas, não pode ter preguiça, tem que estar bem disposto e ir lá exercer o seu direito ao voto, que ele ainda tem muito tempo pela frente. Inclusive começou a listar uma série de políticas para idosos que ele pretende desenvolver num eventual novo mandato, um eventual Lula 4.
Então, como o Bernardo falou, essa faixa etária em que o Lula tem uma predominância, tem uma folga, se não me engano é mais de 20%, de acordo com as pesquisas, nesse eleitorado, o Lula focou bastante esse eleitor e o convocou para ir às urnas no domingo defender o que acredita e tentou atraí-lo com políticas públicas políticas voltadas para esse segmento. E outro segmento que o Lula também fez um apelo são os jovens, que ele tem uma desvantagem considerável em relação a Flávio Bolsonaro.
O Lula fez uma espécie de aceno falando que os jovens que não gostam dele, que não, que o criticam, deveriam tentar conhecer um pouco da sua história. Ele inclusive faz até uma breve apresentação, fala ali de como que começou, da sua atuação, e que o jovem tá indignado com fez, ele falou da—
eu tô perguntando isso porque para mim chama atenção o Lula ter que, depois de presidente tantos anos, candidato tantos anos, dizer para alguém: conheçam a minha história. O Caiado fazer isso eu até entendo, que foi a campanha dele o tempo todo, né?
Mas para o jovem, ele se dirigiu diretamente para o eleitor jovem falando que pode ser que você não conheça, né, a minha história. E aí ele fala que ele tem uma trajetória consistente, que o discurso que ele faz hoje era exatamente o discurso que ele fez em 78, quando ele iniciou, e que se o jovem não tá satisfeito com a maneira como é que ele conduz a política, que ele entre na política e quem sabe ele possa ter uma trajetória ali de liderança e de atuação política expressiva como o próprio Lula teve.
Então ele focou, Milton, tentou captar o jovem, que de fato ele tem muita dificuldade de entrar nesse segmento. Ele tentou captar o jovem com esse discurso, falando ali do início da sua carreira. Ele fala inclusive como que foi a atuação dele em outras eleições, né? E foi tentando fazer um pouco essa, essa, fazer essas pinceladas ao longo ali do programa do Flow, que teve mais de 2 horas, foi bastante extenso. Então eu vi o Lula bastante voltado para esses 2 segmentos ontem ao longo da live.
E aí eu já passo a bola para você, Pedro Doria, até para você nos ajudar a entender o que serão esses próximos 2 dias, onde cada um dos principais candidatos vão buscar aí os votos que necessitam. Só queria acrescentar em relação à live de ontem, de acordo com a informação do Valor Econômico, a live do Flávio Bolsonaro, o pico que ele alcançou foi 945 mil visualizações. E mais cedo a gente já tinha falado também lá no Flow, foi 1 milhão, quase 1 milhão e 600 mil visualizações.
Flávio Bolsonaro, sua equipe tinha uma ideia de chegar a bater a casa de 1 milhão, já que aquela live foi feita ali logo depois do anúncio do cancelamento. Não foi tão organizado quanto, por exemplo, o podcast Flow, que já tem um público próprio, etc. e tal, mas não chegou lá. Chegou a 945 mil pessoas, só para acrescentar esses números aqui. Pedro Doria, nos ajuda a olhar então o que que acontece a partir de agora.
Nilton, então vou começar pelo desenho que o Bernardo fez, que é um desenho muito bom. Desde 2014, o número de pessoas que não aparecem no dia da eleição cresce, e ele tem exatamente esse desenho que o Bernardo tava descrevendo. São as pessoas mais velhas, com mais de 70 anos, são as pessoas com menor escolaridade, com 4º ano fundamental ou menos, são as pessoas de menor renda. Classes D e E, principalmente concentrado na região Nordeste, alguma coisa no Sudeste também, mas principalmente concentrado na região Nordeste.
Mas eu queria chamar atenção para aqueles 36% de brasileiros que estão profundamente insatisfeitos com as duas escolhas que lhes são apresentadas. Por quê? Porque é um pouco mais de um terço da sociedade, e essas pessoas também se prevê que vão comparecer numa numa proporção bastante menor do que, do que se espera. E estes brasileiros, eles têm uma característica: eles são mais antipetistas do que antibolsonaristas. Eles quebram na direção de Flávio Bolsonaro numa proporção de 3 para 1.
Então, assim como essencialmente reiterando o que o Bernardo tava falando, em geral Os ausentes são tipicamente eleitores do presidente Lula. Porém, esses brasileiros que não queriam votar em nenhum dos dois, se forem forçados a votar, tem a votar nessa proporção 3 para 1, mais para Flávio do que para Lula. Se essa turma olhar para esse negócio, tá muito bagunçado, eu já não tava a fim mesmo de ir para urna e não votar, aí prejudica o Flávio.
A gente tá entrando no segundo turno em que, se a gente tiver muita abstenção, e a gente tiver muito voto útil, muito voto migrando para um dos dois líderes, pode acontecer pela primeira vez desde 1998 o fim dessa eleição no próprio primeiro turno. E não é claro se uma eleição terminando no primeiro turno indica a vitória de Flávio ou de Lula. Ambos podem ganhar no primeiro turno, assim como evidentemente a gente vai ter um um segundo turno bastante disputado.
Olha, a primeira campanha eleitoral que eu cobri profissionalmente foi justamente a campanha de 1998, e eu tenho memória muito vívida da campanha de 1989, na qual inclusive militei muito. Era um adolescente absolutamente entusiasmado com política. A gente nunca viveu no Brasil uma eleição que chegava assim desse jeito nas pesquisas, nas boas pesquisas, ao final do primeiro turno e mirando para o segundo turno num empate. E é exatamente o que tá acontecendo.
Você pega Quest, pega Nexus, pega Datafolha, pega Meio Ideia, você pega as boas pesquisas, todas elas estão dando dentro da margem de erro um empate no primeiro e no segundo turno. Eleitor, não faça apostas nessa eleição porque a gente não tem como saber quem é o próximo presidente da República.
Bernardo, Bela. Começando pelo Bernardo, vocês acreditam na possibilidade da gente ter essa questão resolvida ainda no primeiro turno sem saber para qual dos dois candidatos majoritários?
Olha, Cássia, eu prefiro fazer previsões sempre sobre o passado. Sobre o futuro é meio arriscado. Mas em relação a esse primeiro turno, as pessoas com quem eu tô conversando nesses últimos dias, gente que trabalha com pesquisa, que trabalha com marketing político, todo mundo tá vendo com muito ceticismo essa possibilidade, com algumas exceções, né, que estão, enfim, às vezes se manifestando, falando a possibilidade aí de termos vários, né, ter antipetismo de chegada.
Enfim, tem um monte de características novas surgindo aí na análise política, mas a possibilidade de eleição terminar nesse domingo agora, ela dependeria de um esvaziamento quase completo desses outros candidatos que hoje pontuam nas pesquisas. Se você olhar Quest, Datafolha, no geral os outros candidatos, aí quando eu falo outros eu falo Caiado, Romeu Zema, Renan Santos e Augusto Cury, eles juntos estão somando em torno de 12%, caso da Quest.
Datafolha ontem, não tenho aqui exatamente a soma, mas é também nessa ordem de grandeza. Então teria que desidratar pelo menos pela metade cada um desses candidatos em 2 dias, de hoje até domingo. Portanto, é um fenômeno que dependeria de uma dinâmica muito rápida que a gente não sabe se vai ocorrer. Ontem havia inclusive a expectativa, Milton e Cássia, de que um dos candidatos presentes pudesse, no ar, no debate, renunciar à candidatura.
Havia esse rumor de que o Romeu Zema poderia fazer isso, declarando apoio ao Flávio Bolsonaro no final do debate. A gente não sabe se isso ia ocorrer de fato ou não, porque o debate foi cancelado. Mas o fato é que fica mais provável nesse momento, ao meu ver pelo menos, é uma eleição sendo levada para o segundo turno. E aí, aí não tem dúvida nenhuma que os dois concorrentes vão ser Lula, Flávio Bolsonaro.
Só sem, já interrompendo aqui, mas só fazendo parênteses para acrescentar o dado que o Bernardo tava tentando lembrar agora no Datafolha de ontem. Eu acho que dá 11% no total aqui, porque Augusto Cury 4%, Caiado 3%, Renan 3%, Romeu Zema e Samara tem 1% cada um. Colocar Samara junto com Romeu Zema aí dá um 12%, se você contar isso. Mas vamos lá, pegando só os candidatos mais à direita, 11% somados no Datafolha.
Bela, fazendo uma previsão arriscada, como o Bernardo já falou, que é mais fácil de fato olhar pelo retrovisor, ainda mais uma eleição tão justa, né, como as pesquisas mostram, o cenário tá ainda mais acirrado do que em 2022. Eu, a gente vê as duas campanhas, tanto de Flávio quanto de Lula, vendendo essa possibilidade de ganhar no primeiro turno. Mas eu hoje não acredito que exista essa possibilidade, não acredito que seja uma possibilidade factível.
Creio que é improvável que um dos dois consiga ter uma vitória no primeiro turno. A gente vê que ontem, inclusive, falando com as duas campanhas, até vejo a do Lula nos bastidores sendo mais realista, falando: não, não tem como vencer no primeiro turno, mas a gente tem que fazer esse esforço, fazer, falar esse movimento publicamente. Mostrar que a campanha tá mobilizada, que não tem nenhum sentimento de derrotismo, porque de fato esse sentimento de derrotismo começou a contaminar um pouco o ambiente do eleitor petista.
Já a campanha do Flávio, até nos bastidores, faz esse discurso que vê a chance de uma virada e que as pesquisas internas estão mostrando um crescimento do Flávio que poderia levá-lo a ter uma vitória no primeiro turno. Mas diferentemente dos petistas chegaram a compartilhar comigo os trackings, a campanha do Flávio falou dos números, mas ninguém me mandou os trackings para eu ver confirmando que existia de fato essa vantagem que eles estão pregando no gogó, mas não chegaram a mostrar os números internos que comprovassem isso.
Então o que eu creio é que vai ser uma eleição ainda mais acirrada. O presidente Lula tá colocando a máquina com toda força porque de fato existe uma leitura de que hoje a máquina pode fazer a diferença numa eleição de voto a voto. E o segundo turno a gente sabe que é outra eleição, né, Cássia e Milton? A gente, o jogo recomeça. Não vamos dizer que ele é zerado, mas de fato o que a gente vai ver é uma nova eleição, né? Muita coisa vai mudar.
Então eu acho que a gente tem que preparar para ter mais aí um período dessa disputa. Não creio realmente que vá ter essa mudança para o primeiro turno, que qualquer um dos dois consiga ali ter a vitória e se consolidar já no primeiro turno.
Contando com seu poder de síntese, Pedro Doria, uma palavra sua final resumindo o momento que nós estamos vivendo nas eleições brasileiras, na política brasileira.
Eleitor, poste tenha uma coisa em mente: essa eleição tá apertada. Pensa no seu voto, pensa com carinho, vá à urna, faça uma escolha, qualquer escolha que seja. Não caia na ilusão de achar que o voto em branco, o voto nulo, é um voto que não tem influência nessa eleição, porque nessa eleição, mais do que nunca, um voto nulo, um voto branco, é essencialmente um voto no Líder.
Bernardo Melo Franco, Bela Megali, Pedro Doria, obrigado pela gentileza de vocês terem aceitado participar aqui desta conversa nesse momento aí tão importante, há 2 dias da eleição. Os 3 conosco aqui estarão conosco também no final de semana nessa cobertura ampla que a CBN estará fazendo. Até mais para vocês. E eu deixo o convite então também, aproveitando que nós estamos aqui no embalo das eleições, eu deixo o convite para você nos acompanhar no domingo Temos programação desde cedo, movimentação dos candidatos, movimentação dos eleitores, como é que está a votação em cada um dos lugares aí pelo Brasil.
Depois, 5 horas da tarde, quando as urnas abrem, e aí a gente tem ali a noção do que os votos, como o eleitor estará falando, atualizando todos os resultados, e tudo isso sempre com análise, com reportagem, enfim, para você ficar mais bem informado na programação aqui da CBN. Você tá, estará que horas?
Estarei a partir das 6 da manhã ao lado do Frederico Goulart aqui no Jornal da CBN, programação especial, um jornal todo voltado, claro, para as eleições desse primeiro turno.
Milton, e você nessa cobertura? 5 horas da tarde, das 5 da tarde às 8 da noite, estarei com você no domingo também. E aí já com as urnas sendo apuradas. 9 horas agora.