‘Final de campanha melancólico’
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- O cancelamento do debate da TV Globo e a interferência do Judiciáriofinal de campanha melancólico·ministros do Supremo e TSE influenciando o debate·crise no Judiciário·interferência indevida na vida do país
- A perda de confiança no Judiciário e o perigo para a democraciainsegurança nas vésperas da eleição·mil acusações e ilações·redução da confiança no Judiciário·juízes entrando em disputa política
- A proibição do púlpito vazio no debate e a falta de jurisprudênciaabsurdo da proibição·púlpitos vazios em debates anteriores·atitude pessoal política do ministro·ministros tomando partido
- A inclusão indevida de candidatos nos debates por decisões judiciaisdistorção da lei para incluir Renan Santos·interpretação errada para incluir Zema·ministro Gilmar Mendes sem razão jurídica·teoria pessoal do ministro
- A atuação do Supremo Tribunal Federal e a reação às tentativas de golpeBolsonaro desmoralizando a justiça·ministro Alexandre de Moraes fora das regras legais·Supremo reagindo bem às tentativas de golpe·perda de confiança no Supremo
- A tensão da eleição e o provável segundo turnoeleição muito empatada·tensão dominando o segundo turno·dias finais da campanha muito tensos·qualquer erro afeta o resultado final
Momento da Política com Merval Pereira. E aí, Merval?
Tudo bom, Sardenberg? Boa tarde, ouvintes. Boa tarde, Cássia.
Boa tarde, Merval.
Bom, Merval, o último ato da campanha tradicionalmente, que é o debate da Globo, acabou ontem como um triste episódio, né, de violação da Constituição, da liberdade de imprensa.
É, foi um final de campanha melancólico, né, com os ministros do Supremo e do TSE tomando o lugar dos candidatos, tomando decisões que influenciam o debate. Uma coisa absurda, nunca vista no país. A crise no Judiciário tá chegando a um ponto em que alguma coisa vai ter que ser feita, porque eles estão interferindo na vida do país. De maneira indevida, com muita frequência defendendo pontos de vista políticos pessoais. É uma coisa vergonhosa isso que tá acontecendo, essa proibição de botar o púlpito vazio.
Nesta campanha já havia acontecido isso, dois púlpitos vazios, Flávio e Lula. Na Bandeirantes, e ninguém reclamou, ninguém impediu. Por que impediram ontem? Porque o Lula não ia? É um absurdo, é uma coisa completamente— e já tinha acontecido em 2006 contra o mesmo Lula, que não foi ao debate e ficou lá o púlpito dele. Então, por que isso agora? É um absurdo, porque não tem nem jurisprudência, não tem nada que justifica, nada. Só uma atitude pessoal política do ministro, do juiz.
O juiz tomou um partido, no caso, tanto a ministra Estela Aranha no TSE e o ministro Gilmar Mendes no Supremo, que distorceu a lei para colocar o Renan Santos do Missão no debate indevidamente, porque o partido dele não tem nenhum deputado federal, tem um deputado federal. A lei diz explicitamente tem que ser no mínimo 5. A interpretação que incluiu o Zema no debate já foi errada, porque a lei diz que o partido que tem, elege 5 deputados.
O Zema entrou porque o partido dele tem 5 deputados, mas só elegeu 3. 2 entraram no meio do mandato. Então foi uma, já foi uma interpretação muito alongada, alargada do Supremo. Daí incluíram o Zema e depois incluíram o Renan Santos, o ministro Gilmar Mendes, sem nenhuma razão jurídica. Nenhuma. É uma teoria dele e tal, que ninguém quer saber da teoria dele, o que ele pensa, o que ele deixa de pensar. Não importa para grande maioria das pessoas.
O que importa é a lei, e a lei ele não cumpre. Então é uma situação completamente inédita no país e perigosa, porque você tá criando nas vésperas da eleição uma insegurança que permitirá mil acusações, mil ilações que só fazem reduzir a confiança no Judiciário brasileiro. É uma coisa vergonhosa.
É o que a gente percebe, né, Merval, como está dizendo, que isso abre brecha para uma série de questionamentos em relação à justiça como um todo, mas a justiça eleitoral em particular.
Claro, é isso. Esse é o problema, porque em 2026 nós tivemos um candidato que trabalhou o tempo todo para desmoralizar a justiça do Brasil, acusou o Supremo de várias coisas, acusou o TSE de conluio, fez a urna eletrônica ser questionada por muita gente. Isso gera um perigo na democracia. Agora, se você tem juízes, ministros dos tribunais superiores entrando nessa disputa baixa política, arranjando pretexto para prejudicar um candidato e ajudar o outro candidato, no caso Lula, que foi ajudado pelos ministros nas decisões de ontem, É muito difícil de você acreditar.
E depois, o que que vai acontecer no país se você perde a confiança no Supremo? O Supremo já tinha perdido a confiança de maneira, a meu ver, exagerada da parte que apoia o Bolsonaro. Que diziam que ele estava perseguindo. Embora o ministro Alexandre de Moraes tenha feito muita coisa fora das regras legais, que tenha perseguido gente, tem usado o inquérito fake news para fazer política, para proteger e para atacar adversários, no cômputo geral o Supremo reagiu bem.
As tentativas do Bolsonaro de dar um golpe. Reagiu muito bem. Agora, se agora também ele age mal, aí nós estamos aonde que nós vamos parar, né?
O caso do— você citou o caso do ministro Nunes Marques, que eu não havia citado no começo, que ele fez essa manobra aí que você disse, né? Quer dizer, A regra dos debates eleitorais é que podem participar candidatos que tenham 5, cujo partido tenha 5 representantes no Congresso Nacional, mas 5 representantes eleitos, né? O Novo elegeu 3, mas depois cavou mais 2, então tava com 5. No começo com 3, com 5. Enfim, aí fez uma interpretação marota, né?
Mas agora é uma interpretação para ajudar o Novo, né?
Ajudar ajudar o novo. E agora, o Gilmar Mendes, quando determinou a entrada do Redan Santos, ele passou por cima inclusive de uma decisão da Cármen Lúcia, né?
Ah, não, uma opinião dele. Ora, opinião dele não me interessa, nem interessa a sociedade. Interessa como ele atua como juiz, como ministro. Aí é diferente.
Tá certo. Bom, meu irmão, teremos uma eleição. E o problema maior é que, enfim, uma outra questão é que a eleição tá muito empatada, né, entre os dois candidatos que estão na frente, tá muito empatada. Então a tensão vai dominar esse provável segundo turno, né?
É verdade. Esses dias finais da campanha vão ser muito tensos, né? Porque qualquer erro de um ou de outro, que já foram cometidos vários, afeta o resultado final, né? A gente não sabe o que que vai acontecer, a gente não sabe se alguém vai ganhar no primeiro turno. Até é uma coisa, nunca tivemos essa situação, né?
Obrigado, Bernval.
Até, até.