Episódios de Política

Inédita interferência judicial foi uma das tônicas da campanha eleitoral

02 de outubro de 202611min
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Vera Magalhães repercute o cancelamento do debate presidencial pela TV Globo nesta quinta-feira (1º) após decisões judiciais. 'O judiciário muito ativo. Primeiro em proteger os seus próprios integrantes de investigações e depois, num segundo capítulo, em interferir no debate eleitoral por meio de liminares'.

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Participantes neste episódio2
C

Carlos Alberto Sardenberg

HostJornalista
V

Vera Magalhães

ComentaristaJornalista
Assuntos5
  • A inédita interferência judicial no debate eleitoral e o cancelamento do debate da GloboJudiciário ativo em proteger integrantes·interferência por liminares do TSE e Supremo·liminar da ministra Estela Aranha·liminar do ministro Gilmar Mendes·cancelamento do debate por falta de segurança jurídica
  • As consequências do cancelamento do debate e a judicialização da eleiçãoLula aproveita para dar entrevista camarada·Flávio Bolsonaro faz live raivosa·ameaças às instituições·pregação por vitória no primeiro turno·falta de esclarecimento sobre propostas
  • A possibilidade de segundo turno nas eleições e o impacto da abstençãoprobabilidade de segundo turno de 60%·importância da abstenção no resultado·alto índice de não voto·abstenção crescente nas últimas eleições·voto útil de chegada
  • Novas regras do Supremo para evitar pedidos sob medida a ministrosministro Fachin tenta enxugar gelo·tentativa de manter compostura do Judiciário·distorção na justiça com ministros preferidos
  • A dificuldade de apurar resultados para senadores e o voto atrelado a governadoresmuita gente não sabe que tem de dar 2 votos·número de senador com 3 dígitos·voto na última hora·voto por aproximação ao candidato a governador
Transcrição22 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
CACarlos Alberto Sardenberg

Viva a Voz com Vera Magalhães. Oferecimento CICB, o maior e melhor centro de convenções do Brasil.

?Voz B

E aí, Vera?

VMVera Magalhães

Oi, Sardenberg, boa tarde para você, para Cássia, para os ouvintes também, para quem nos assiste.

?Voz B

Boa tarde, Vera.

CACarlos Alberto Sardenberg

Vera, como dizemos em áudio de vídeo. Vera, é bom, começamos, Vera, pelo, por esse final não esperado, inesperado final de campanha com o debate que não aconteceu lá na Rede Globo.

VMVera Magalhães

Vera, pois é, Sardenberg, não aconteceu por uma inédita interferência judicial, que foi uma das tônicas dessa campanha durante todo o período, né, o Judiciário muito ativo, primeiro em proteger os seus próprios integrantes de investigações e depois, num segundo capítulo, em interferir no debate eleitoral por meio de liminares, ora do TSE, ora do Supremo, e ontem de ambos. Primeiro uma da ministra do TSE, Estela Aranha, que obrigava a retirada do púlpito vazio do presidente Lula, que tinha decidido não ir ao debate, sendo que as regras acordadas por todas as campanhas previam a existência desse púlpito e a possibilidade de que o candidato ausente recebesse perguntas dos presentes.

E depois, logo em seguida, uma outra liminar, dessa vez do ministro Gilmar Mendes, do Supremo, que não é do TSE, a gente sempre lembra isso, usando uma ação do Paraná para dar ao Renan Santos o direito de comparecer ao debate quando a lei eleitoral não faculta, ou pelo menos não obriga que ele seja convidado. Então aí o debate se travestiu de uma circunstância totalmente diferente. O Flávio Bolsonaro usou essas decisões também como uma desculpa para não precisar ele mesmo comparecer, desistiu de ir.

E a Rede Globo, diante de tantas mudanças de última hora e não tinha mais nem clareza quanto às regras, que iam pautar o debate, não tinha havido um sorteio com o Renan Santos, sem o Flávio Bolsonaro e tal, resolveu cancelar o debate por não ver segurança jurídica para realizá-lo. Então, a Justiça Eleitoral jogando um papel, e a Justiça em geral, porque não foi só o TSE, muito grande nessa reta final, sem que a gente saiba quem se beneficia desse cancelamento, sem que a gente tenha certeza quanto a isso.

O Lula aproveitou o período do debate para dar uma entrevista super camarada para ele, em que ele não foi apertado, não foi questionado. E o Flávio Bolsonaro usou o tempo que ele estaria no debate para promover uma live com vários aliados, num tom super raivoso, com várias ameaças às instituições e uma pregação por vitória já no primeiro turno, para justamente poder ir à forra contra o Supremo e as demais instituições. Então, um quadro bastante preocupante esse que nos leva à reta final da campanha.

Nenhum esclarecimento sobre propostas, nenhum aprofundamento sobre questões cruciais para o futuro do país, extrema judicialização e a possibilidade de que tudo aconteça no domingo, que haja segundo turno ou que qualquer um deles vença já no primeiro turno.

?Voz B

E depois, Vera, dessa extrema judicialização que você mencionou, a gente teve hoje, agora há pouco, O presidente do Supremo, Edson Fachin, criando aí umas novas regras para evitar que a gente tenha aqueles pedidos feitos sob medida para alguns ministros específicos, né?

VMVera Magalhães

Exato. Isso também acabou virando moda, né? Você já judicializa e já diz quem você gostaria que julgasse a sua ação, quem você acha que deve julgar a sua ação. O ministro Fachin tem tentado enxugar gelo, né, nessa crise toda do Judiciário. Vamos falar a verdade, Ele atua aqui e ali tentando manter o mínimo de compostura, mas o pessoal já passou por cima dele 300 vezes. Vamos ver se dessa vez pelo menos ele consegue emplacar essa norma, que é o mínimo, né?

O mínimo que se espera, que a coisa seja definida por sorteio ou por conexão, quando a conexão de fato existe, não quando é forçada pelas partes para que caia com aquele. E só de ter um ministro preferido para cair já mostra o grau de distorção que tá havendo na justiça nesse momento, né?

CACarlos Alberto Sardenberg

É, se cada lado político, né, tem o seu juiz, o seu juiz de preferência, aí a justiça já foi para o espaço, né?

VMVera Magalhães

Já foi para o beleléu.

CACarlos Alberto Sardenberg

E isso tem acontecido. Agora, você fez uma menção aí sobre o resultado, sobre a eleição de amanhã e tal, e o esforço dos candidatos, dos dois principais candidatos para encerrar no primeiro turno. Você acha que existe essa chance?

VMVera Magalhães

Os pesquiseiros dizem que ela existe, mas ela não é o mais provável, Sardenberg. É o Maurício Moura, que é entre esses especialistas de pesquisa aquele que mais tem alertado para que essa possibilidade ela é maior do que nas eleições desde 1998. Ele hoje coloca em termos assim de que é mais, existe 60% de probabilidade de haver segundo turno, mas os outros 40 de que ela se resolva no primeiro turno. E para que a gente tenha certeza do que vai acontecer, é preciso olhar qual vai ser a abstenção no domingo, porque numa eleição com alto índice de não voto, a quantidade de votos válidos muda, e aí pode aumentar a chance de uma vitória de um dos dois já no primeiro turno.

?Voz B

E se a gente olhar as tendências das últimas eleições, essa questão da abstenção preocupa, né, Vera? Porque a abstenção só faz crescer e nas últimas eleições foi recorde ali na casa dos 20%, né?

VMVera Magalhães

Exato, em 2018 maior do que em 2022, né? Existe aí uma ponderação de que aquela situação pós-pandemia e o governo Bolsonaro levou a que mais pessoas comparecessem às urnas em 22 do que em 2018, mas ainda assim num índice alto. O que os outros especialistas em pesquisas calculam é que para terminar em primeiro turno, essa abstenção teria que cavalgar um pouco mais, Cássia, chegar quase a 30%, que aí seria um recorde que é realmente muito, muito grande.

Então, por isso é que todo mundo avalia ou os outros candidatos derreterem demais, né, sumirem os votos de todos os outros candidatos até domingo. Então, por tudo isso, ainda é mais provável que haja segundo turno em 25 de outubro. Mas o que todo mundo tá olhando é para esse voto útil de chegada que está acontecendo. As pesquisas mostram uma redução do percentual de votos do bloco do pelotão de baixo ali, dos outros candidatos. E aí a gente só vai poder saber mesmo no domingo esse índice de abstenção.

CACarlos Alberto Sardenberg

Estava especulando aqui Você fala possibilidade de resolução, de resolver no primeiro turno. Para que lado?

VMVera Magalhães

Então, para qualquer um dos dois lados. Eu falei aqui, é, tão rigorosamente empatados, né, Sardenberg? Cada um fazendo uma pregação. O Lula dizendo que ele é o único que tem história, biografia, trajetória para governar o país e que o Flávio Bolsonaro significaria um risco institucional, risco democrático. E o Flávio, na live de ontem, e toda a pregação que ele tá fazendo já voltada aos eleitores dos outros candidatos de direita, é: eu sou o único capaz de tirar o PT, preciso tirar o PT agora, até porque eles estão contando com esse apoio dos tribunais, etc.

Então cada um com argumentos para Primeiro, é estimular as pessoas a irem votar. Os dois, nisso eles coincidem, os dois estão estimulando o voto, pregando contra a abstenção. E em segundo lugar, essa ideia de encerrar a fatura e liquidar a fatura já no domingo. Os dois com essa pregação, cada um com um argumento.

?Voz B

E quando a gente pensa nas eleições, Vera, dos senadores, por exemplo, pesquisa é uma coisa muito mais difícil de apurar esses resultados, né?

VMVera Magalhães

Muito mais difícil, ainda mais numa eleição com 2 votos, Cássia, em que muita gente nem sabe que tem de dar 2 votos. Até essa semana superava o percentual de 30% quem não sabe que vão ser eleitos 2 senadores e que, portanto, ele precisa votar 2 vezes. Ninguém sabe o número dos senadores, é um número com 3 dígitos, diferente de todos os outros. Enfim, muito complicada essa eleição. As pessoas costumam definir na última hora. E existe uma tendência histórica aí das últimas eleições de que esse seja um voto na última hora atrelado ao voto de governador.

Então você vai, olha em quem são os candidatos do seu candidato ao governador e acaba votando por aproximação, por indicação desse candidato. Então uma tendência aí de que os governadores em cada estado elejam pelo menos um senador.

CACarlos Alberto Sardenberg

Vera Magalhães, obrigado, Vera, pela participação de hoje. E temos ponto final hoje, né? Ponto final não, viva-voz eleições, né?

VMVera Magalhães

É isso. Não teve debate, mas vai ter viva-voz, que normalmente não tem. Então tá tudo virado, sabe como é que é? Teremos viva-voz às 7 da noite hoje com o time quase completo: Pedro Doria, Bruno Carazza e Thiago Bronzato comigo, fazendo um fecho desse primeiro turno. E aí há uma estimativa do que a gente pode esperar ainda até domingo.

?Voz B

Que sorte, sorte a nossa ter mais Vera Magalhães hoje. Viva Voz estendido, normalmente não tem nesse horário na sexta-feira, mas hoje tem por um ótimo motivo. Essas eleições estão acirradíssimas e é bom que a gente continue tendo bastante informação e análise de qualidade para todo mundo. Vera, obrigada e até mais tarde.

VMVera Magalhães

Obrigada a vocês, tchau tchau, gente.

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