Episódios de Política

Flávio Bolsonaro montou estratégia contando com ausência de Lula em debate e púlpito vazio

02 de outubro de 202610min
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Bela Megale destaca que Flávio Bolsonaro havia preparado sua estratégia com base na ausência de Lula e na possibilidade de utilizar o púlpito vazio do presidente para fazer críticas. Com as mudanças determinadas pela Justiça Eleitoral, a campanha decidiu não participar. Para Megale, a sucessão de decisões acabou prejudicando o formato do debate e o eleitor, que perdeu uma ferramenta tradicional para comparar os candidatos na reta final da campanha.

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Participantes neste episódio2
T

Tânia

Host
B

Bela Megale

ComentaristaJornalista
Assuntos5
  • Cancelamento do debate da TV Globo e suas implicações para as eleiçõessucessão de decisões judiciais·insegurança jurídica·interferência na liberdade de imprensa·prejuízo ao eleitor
  • Estratégia de Flávio Bolsonaro para o debate e a ausência de Lulapúlpito vazio de Lula·perguntas para o espaço vazio·ambiente amistoso com candidatos de direita·críticas ao Judiciário
  • Decisões judiciais que alteraram o formato do debateMinistro Gilmar Mendes permite Renan Santos·TSE proíbe púlpito vazio·proibição de questionamentos a Lula·censura prévia a perguntas
  • Impacto das pesquisas Datafolha na reta final das eleiçõesvariações muito pequenas·polarização consolidada·cristalização dos votos·eleitores indecisos
  • Estratégias de campanha no ambiente digital e a crise do JudiciárioLula no Flow Podcast·Flávio Bolsonaro em live·crise interna do Supremo Tribunal Federal·divisão da corte em alas
Transcrição12 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro

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?Voz B

É, nós estamos a 3 dias das eleições, né, nesse período aí pré-eleitoral muito tumultuado. Estamos com a nossa comentarista de política, Bela Megália. E Bela, boa noite para você.

BMBela Megale

Boa noite, Tânia. Boa noite, ouvintes.

?Voz B

Bom, uma situação muito atípica, né, em vários acontecimentos ao longo dessa campanha. E hoje, com cancelamento da do tradicional debate da TV Globo com os presidenciáveis, né, o que seria o último debate dos presidenciáveis antes das eleições. E por uma sucessão de decisões judiciais, a TV Globo então decidiu cancelar o debate por considerar que essa sequência de decisões judiciais de última hora causa insegurança jurídica e representa uma interferência indevida na liberdade que os veículos de imprensa têm de organizar os debates eleitorais.

É uma pena gigantesca. A gente faria aqui a transmissão. E bom, o presidente Lula já não participaria, né? Ontem ele anunciou que já não participaria, está dando uma entrevista no Flow Podcast. O senador Flávio Bolsonaro, antes mesmo da emissora cancelar a realização do debate, já tinha anunciado que não iria também. E neste momento está fazendo uma live. Então é uma grande reviravolta, né, Bela? O que que você tá achando disso tudo?

BMBela Megale

Pois é, Tânia, na verdade sempre rondou aí um suspense em torno desse debate, né? Primeiro o presidente Lula demorou para afirmar se iria ou se não ia, e nos últimos dias bateu o mesmo martelo, apesar da insistência da cúpula da sua campanha, que inclusive chegou a mostrar pesquisa qualitativa mostrando como ele seria afetado por essa ausência no debate, mas Lula bateu o pé, reclamou do modelo, disse que falaria 2 minutos para ser criticado por 20 minutos, até por ser o único candidato mais à esquerda do grupo que estaria presente no debate de hoje.

Então optou por não ir. Já Flávio Bolsonaro anunciou nos últimos dias que iria e fez uma estratégia toda calcada na presença do púlpito vazio do Lula e na possibilidade de fazer perguntas para esse espaço vazio na tentativa de desgastar o presidente da República. Além disso, Flávio contava que ia ter um ambiente amistoso, digamos assim, porque os candidatos presentes são todos alinhados ao espectro de direita e não estaria presente o Renan Santos, que é o candidato do Missão, também de direita, mas é um nome que tem feito críticas mais contundentes a Flávio Bolsonaro e também a Lula.

O fato é que nos 45 minutos do segundo tempo, aí às vésperas ali de começar o debate, houve essa série de decisões judiciais, uma proferida pelo Ministro Gilmar Mendes que permitiu que Renan Santos participasse do debate, e a outra do Tribunal Superior Eleitoral, Ministra Estela Aranha, que proibiu a presença do púlpito vazio e também que questionamentos fossem feitos à figura de Lula, que não estaria presente. O fato é que houve de fato, como você mesmo citou e a própria nota da TV Globo falou, uma interferência direta, né, nas próprias regras que foi estabelecida pela televisão, foi combinada com as campanhas que toparam estar no debate.

Então isso atrapalhou muito o formato, atrapalhou a realização do debate, e a gente ver que o Tribunal Superior Eleitoral, que é um órgão responsável por zelar pelas eleições, fazer mais transparência para o pleito, fortalecer o processo democrático, na verdade acabou fazendo um papel oposto ao impor uma espécie de censura prévia a perguntas, né? Nem perguntas poderiam ser feitas. E então o maior prejudicado hoje é o eleitor, Tânia.

?Voz B

Não teremos o debate da TV Globo. Impressionante. E hoje, Bela, saíram números da pesquisa Datafolha, né, nessa reta final das eleições. E assim, temos algumas variações muito pequenas, né, a coisa continua bem cristalizada, né, Bela?

BMBela Megale

Pois é, as campanhas avaliam que tá tudo bem aberto, né. A gente tá a 3 dias da eleição, a polarização mais consolidada do que nunca. Inclusive, até as pesquisas já têm mostrado que houve uma pequena variação também em relação à variação de votos de 2022 para a eleição de agora, né? Então a gente vê cada vez mais consolidado esse movimento da cristalização dos votos e da polarização. E o debate seria um momento ali que a pequena parcela de eleitores indecisos ainda poderia ser convencida por um nome ou por outro, né, para decidir o seu candidato, o candidato que vai votar no domingo.

Mas essa ferramenta que por anos, né, foi muito importante para ajudar o eleitor a decidir que rumo tomar, esse ano não vai estar disponível. É o que a gente tá vendo, são estratégias muito voltadas ali para as redes sociais, para o ambiente digital. O presidente optou por ir no podcast Flow. Ele teve até um ganho de estratégia, digamos assim, com a conjuntura desse cenário, porque tá tendo 1 milhão e 300 mil pessoas assistindo o presidente Lula agora.

Pelo menos era assim que estavam os números um pouco antes de eu entrar aqui na CBN. E o Flávio tá organizando ali de última hora uma live que ele começou às 9:30 para fazer críticas diretas ao Judiciário, as decisões tomadas ali de última hora. Então é nessa dinâmica que os últimos dias da eleição, que foi muito pautada pela crise interna do Judiciário também, está se dando, né, Tânia?

?Voz B

Sim, aliás, uma campanha, um período pré-eleitoral em que pouco se falou de propostas, né, em que pouco se falou exatamente sobre o que os candidatos têm a oferecer.

BMBela Megale

É isso, porque a gente já vê um ambiente muito conflagrado, né? Então já existe uma série de ataques ali, que é o que marca muito as campanhas dos candidatos, os programas eleitorais. E somado a isso, a gente vê a maior história da crise, a maior crise da história do Supremo Tribunal Federal, com a corte praticamente dividida em duas alas. Um grupo ali alinhado ao Alexandre de Moraes, formado pelo ministro Gilmar Mendes, que é o do tribunal por Flávio Dino e Cristiano Zanin, e do outro lado um grupo formado pelos dois ministros indicados por Jair Bolsonaro, né, Cássio Nunes Marques, que hoje também é o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, André Mendonça, que é o vice-presidente do TSE, e o ministro Luiz Fux, né, também tá alinhado a eles.

Então a gente vê essa divisão muito latente, inclusive uma guerra ali de liminares, um desrespeito em relação a decisões proferidas pelos próprios colegas. Um exemplo disso é o próprio pedido do Renan Santos para ir ao debate. A ministra Cármen Lúcia não tinha dado conhecimento desse pedido, falando que cabia ao Tribunal Superior Eleitoral. No TSE, o Cássio Nunes já tinha negado, mas vem o Gilmar Mendes com um pedido feito ali pelo Paulinho da Força, né, o Partido Solidariedade do Paulinho da Força, que é muito aliado à ala de Alexandre de Moraes no Supremo Tribunal Federal.

Ele solicitando a participação de Renan Santos. O ministro Gilmar Mendes atende, acata esse pedido, e aí também faz uma mudança nessa dinâmica dos debates. Jair Bolsonaro, eu falei com a equipe dele, tinha se preparado nos dois últimos dias, mas muito no formato que estava previsto, ou seja, com o púlpito vazio de Lula e podendo fazer perguntas para o presidente, e sem a presença de Renan Santos, que de fato é um dos maiores críticos ao senador.

Então, nessa conjuntura, o Flávio Bolsonaro decidiu não ir. E a leitura da campanha do Lula é que quem saiu ganhando foi o presidente, por já ter uma estratégia traçada, e também porque Flávio aumentou muito a aposta fazendo críticas que o Lula não iria, e no final também acabou não indo.

?Voz B

Pois é, é isso. Muitos acontecimentos, Bela Megali. Muito obrigada, viu? Um beijo para você.

BMBela Megale

Obrigada, Tânia. Obrigada, ouvintes. E amanhã tô de volta por aqui.

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