Flávio Bolsonaro aposta no voto útil para reduzir distância na reta final da campanha
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- A estratégia de Flávio Bolsonaro para o voto útil na reta final da campanhatirar votos de candidatos em desvantagem·candidatos de direita cedendo pontos·convencer eleitor no debate da TV Globo
- A estratégia de Lula para estimular o comparecimento às urnasfoco no eleitor de baixa renda e idade mais alta·apelo direto ao eleitor 70+·desafio de converter interesse em comparecimento
- A mensagem de Lula para eleitores insatisfeitos com o governofala sobre mudança e avanço·mudança é continuar avançando·não andar para trás
- A importância da eleição para o Congresso Nacionaleleição quase invisível·maioria do eleitorado sem candidato·pesquisar candidatos e biografias
Conversa de Bastidor com Bernardo Melo Franco.
E aí, Bernardo, boa tarde, Rosenberg! Boa tarde, Cássia! Boa tarde, ouvintes! Aproveitando para desejar, dar os parabéns para CBN pelos 35 anos, e parabéns para todos nós, falantes e ouvintes, por essa data.
É verdade, parabéns para você também, Bernardo, que faz parte dessa equipe. Muito bom poder celebrar com você essa data tão especial, e claro, com os nossos ouvintes e toda a nossa equipe também.
Bernardo, último dia da campanha, último dia da campanha para o primeiro turno, né? Amanhã é dia de reflexão, sábado, sexta e sábado, e o grande encerramento da campanha para o debate, para a presidência, é o debate da TV Globo. Lula não vai, e as outras campanhas aí com as suas estratégias na reta final.
Bernardo, pois é, um dia-chave, né? Quinta-feira que antecede a eleição. Dia que a gente sempre vê aquele confronto tradicional entre os candidatos. Esse ano desfalcado pela ausência do presidente Lula, que concorre à reeleição, ele que já avisou que não vai ao debate da TV Globo. Sardenberg, qual que é a estratégia dessas campanhas, das principais campanhas, né, de Lula e Flávio Bolsonaro nesse momento? São estratégias bem diferentes e vale a pena a gente desenhar um pouco esse cenário para ouvintes.
A campanha do Flávio Bolsonaro tá buscando forçar o chamado voto útil, ou seja, tirar dos candidatos que aparecem em desvantagem nas pesquisas. E aí a gente fala de Renan Santos, de Augusto Cury, de Romeu Zema e de Ronaldo Caiado, alguns pontinhos que podem fazer a diferença nessa reta final. Hoje, segundo a Quest, né, que foi divulgada no início da semana, Lula tem 39% de intenções de voto no primeiro turno, Flávio Bolsonaro tem 34%.
É uma diferença de 5 pontos percentuais. Agora, os outros candidatos que não aparecem com chances reais de irem ao segundo turno, eles todos somam 12 pontos. Então é dessa cesta aí de 12 ovos que o Flávio Bolsonaro vai tentar tirar 1, 2 ou 3 para quem sabe chegar empatado, até mesmo numa situação de vantagem numérica no final desse primeiro turno. A favor do Flávio, o fato de que quase todos esses candidatos são claramente de direita, né, são candidatos conservadores que tentaram se viabilizar em cima do antipetismo, mas não conseguiram ao longo dessa campanha.
Então eles podem eventualmente ceder alguns pontos para o Flávio Bolsonaro. Essa é a principal tarefa do candidato do PL no debate de hoje, né, convencer o eleitor de que vale mais a pena votar nele do que nos outros. Por outro lado, esses outros candidatos vão ter uma janela de exposição muito grande. O debate esse ano inclusive é mais cedo, começa 9:30, então tende a atrair uma audiência maior do que o normal. E isso vai fazer com que esses outros candidatos tentem convencer o eleitor ali de que eles são ainda opções viáveis ou opções que merecem o voto no primeiro turno.
Além disso, tem, segundo a Quest, 5% de ainda indecisos e 10% de eleitores que estão dizendo que vão anular o voto, que vão votar em branco, que simplesmente não vão comparecer. E aí a gente passa para a estratégia do Lula, Sardenberg e Cássia, que nesse momento, além de ficar de olho no voto útil ali de uma parcela menor desses outros candidatos, também tá de olho no estímulo ao comparecimento às urnas. Por quê? Porque historicamente o padrão de abstenção do eleitor, o eleitor que não vai até a urna para votar, é um eleitor que hoje se confunde com eleitorado preferencial do presidente Lula, ou seja, baixa renda e idade mais alta.
É para vocês terem uma ideia, na faixa de eleitores acima dos 70 anos onde o Lula tem uma vantagem hoje de 11 pontos em relação ao Flávio Bolsonaro, segundo o Datafolha, né, 46 a 35. Nessa faixa, obviamente, o comparecimento é menor porque o eleitor já não é obrigado a votar. Então a campanha do presidente Lula tá buscando fazer um apelo direto a esse eleitor chamado de 70+, tentando convencer essas pessoas a saírem de casa no domingo para darem o seu voto.
Hoje, claro, a gente sabe que o 70+ é diferente daquele lá da Constituinte de 88, quando essa regra foi aprovada. É um eleitor que está cada vez mais economicamente ativo, ainda no mercado de trabalho, tem muita gente engajada politicamente, gente que participa da política na rede social, mas o desafio é fazer esse interesse se converter num comparecimento à urna no domingo. E eu tava vendo agora há pouco o último horário eleitoral dos dois candidatos na TV.
Me chamou atenção aí o apelo do presidente Lula, Sardenberg e Cássia, tentando se dirigir ao eleitor que tá insatisfeito com o governo. Veja, ele fez uma fala ali de uns 30 segundos falando sobre mudança, sabendo que ele é hoje a opção da situação, daquele que tá no governo. Mas aí habilmente ele faz ali um jogo de palavras dizendo o seguinte: mudar é continuar avançando. E não andar para trás. Então as pesquisas captam o interesse do eleitor pela mudança.
O Flávio Bolsonaro tenta se apresentar como o mais viável para mudar, e o Lula dizendo que a mudança é continuar avançando com a receita dele. Vamos ver diante disso tudo, de todos esses apelos, tudo que vai ser dito ao longo das próximas horas e no debate, qual que é a opção que o eleitor vai fazer no domingo.
Você sabe que essa ideia de seguir avançando É uma expressão que aparece nas campanhas de vários candidatos situacionistas, é claro, inclusive na do Tarcísio de Freitas: seguir avançando.
Pois é, eu me lembro que o Serra em 2002, quando disputava ali a sucessão do presidente Fernando Henrique, também falava a mesma coisa, né? Também dizia que ele era o candidato da mudança. Virou até o Zé em vez do Serra. Enfim, tentando se descolar de um governo que tava naquela época mal avaliado. Vamos ver, né? São muitos argumentos, são muitas coisas que o eleitor tem que levar em conta para tomar essa decisão de voto, que é um voto muito importante.
Essa eleição de 2026 é uma eleição chave, né, como a gente sabe, para o futuro do Brasil, para o futuro de sociedade que a gente vai ter. E se vocês me permitirem agora só mais 30 segundinhos, queria chamar atenção para uma eleição que é quase invisível, Sardenberg e Kassa, mas que também ocorre no domingo. Que é a eleição para o Congresso Nacional, deputado federal e senador. Saiu uma pesquisa Datafolha mostrando que a maioria do eleitorado brasileiro ainda não tem candidato nem para deputado nem para as duas vagas no Senado, né?
No caso do Senado, 59% não tem candidato nem para uma vaga, e outros 14% não tem para segunda. Então é importante também que os ouvintes, na medida do possível, dediquem um tempinho nos próximos dias a pesquisar os candidatos, comparar as ideias, as trajetórias, as biografias, em algum caso, alguns casos, as fichas corridas, para tomar uma decisão consciente no domingo. A gente sabe que tem muito não voto, né, tem muito voto que é anulado, que é desperdiçado para o Congresso no domingo. E aí, quando a gente não decide, alguém vai decidir pela gente, né?
Bernardo Melo Franco, obrigado, Bernardo. Até amanhã.
Até, vamos lá.