Episódios de Política

Reta final da campanha: o que dizem as pesquisas?

01 de outubro de 202615min
0:00 / 15:41
Maria Cristina Fernandes analisa a corrida eleitoral a três dias do primeiro turno.

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Participantes neste episódio3
B

Bernardo Melo Franco

HostJornalista
C

Carol

HostApresentadora
M

Maria Cristina Fernandes

ComentaristaEspecialista
Assuntos5
  • A reta final da campanha eleitoral e o comportamento do eleitor indecisopouca discussão de propostas·eleitorado que não acompanha a política·mulheres católicas do Sudeste como eleitor típico·dificuldade em captar eleitores nas pesquisas
  • A importância do voto e o combate à abstenção nas eleiçõesdesânimo com a política·impacto da abstenção na eleição·campanhas incentivando eleitores a ficar em casa·democracia como um músculo a ser praticado
  • O impacto do incumbente e das políticas públicas na decisão do votovantagem de quem está no poder·medidas eleitoreiras do governo Bolsonaro em 2022·políticas públicas do Lula para captar eleitores·aprovação do governo Lula não melhora
  • A ofensiva da campanha de Flávio Bolsonaro e a guerra nas redes sociaisreforço da ofensiva nas redes sociais·entrada de Pablo Marçal na campanha·guerra de internet e ofensiva poderosa·ausência no debate da Globo
  • A estratégia da campanha petista para minar a confiança em Flávio Bolsonarocomercial sobre advogado de PM·tentativa de minar a confiança do eleitor·vazamentos e reportagens sobre Flávio Bolsonaro
Transcrição18 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
BMBernardo Melo Franco

Tudo é Política com Maria Cristina Fernandes.

CCarol

Maria Cristina, boa tarde.

MCMaria Cristina Fernandes

Boa tarde, Tati. Fernando, boa tarde, ouvintes.

BMBernardo Melo Franco

Boa tarde, Maria Cristina.

CCarol

Reta final da campanha eleitoral antes da votação deste primeiro turno no domingo. Últimas 72 horas de uma campanha em que se discutiu muito escândalo e pouca proposta. Como é que estão as campanhas e como é que estão os eleitores, Maria Cristina?

MCMaria Cristina Fernandes

Quer dizer, tá, você sabe que nessa época todo mundo fica muito ligado no que as últimas pesquisas vão dizer, para tentar antecipar o resultado, né? Bem, tem um dado nas pesquisas, eu acho que talvez não seja levado muito em consideração, eu acho que a gente precisa valorizar para entender um pouco onde é que a gente tá pisando. Há uma certa convergência nas pesquisas, em números que mostram o seguinte: quando o eleitor, ele é assim confrontado para, na ponta da língua, perguntar em quem vai votar, que é o chamado voto espontâneo, o quadro que a gente tem hoje é que de cada 10 eleitores, 4 citam Lula e Flávio Bolsonaro.

E 6 citam Lula, Flávio Bolsonaro. 4 não citam nenhum nem outro. Ou seja, você tem 40% do eleitorado que não tem na ponta da língua o nome dos dois finalistas na pesquisa espontânea, né, sem que os nomes sejam apresentados. É a chamada pesquisa espontânea, né? E são E a maioria desses brasileiros são eleitores que não estão acompanhando essa arenga toda, né? Não sabe quem é Daniel Vorkaro, não sabe quem é Alberto Luxíngia, e não quer saber.

Não é apenas que não sabe, não quer saber, porque a vida delas é ocupada em fechar o mês, né? A gente acabou de fechar o mês, a eleição é nessa virada de mês, e a Tá se defrontando agora, nessas 72 horas, é que ele para e vê, né? E agora, o que que eu faço? Tem que votar no domingo, o que que eu faço, né? Quem é o eleitor típico, esse que tá se definindo agora? Mulher católica do Sudeste, classe C, que é renda de 2 a 8. Esse é um perfil que tem se repetido.

Não é o eleitor alienado, é um eleitor simplesmente que não acompanha a política do dia a dia porque tem mais o que fazer. E um eleitor que as pesquisas têm mais dificuldade em captar também, porque ele não para na rua para responder pesquisa, ele não abre a porta porque é ocupado, não dá conta. E quando liga para casa também não atende, diz que não tem tempo. Um pesquisador me deu um dado que disse que há 10 anos fazia 15 chamadas para conseguir um questionário completo.

Hoje você tem que fazer 300 para conseguir. Então, nossa, em quanto tempo isso, Maria Cristina? Desculpa, não, você tem que fazer 300 chamadas para conseguir que a pessoa responda um questionário completo.

CCarol

E quando era 15 chamadas para um questionário?

MCMaria Cristina Fernandes

10 anos atrás.

CCarol

Em 10 anos então houve essas dificuldades escalando numa progressão impressionante, hein?

MCMaria Cristina Fernandes

E então esse eleitor que tem essa maioria feminina, as mulheres já são maioria no eleitorado e são também A maioria dos eleitores que bate o martelo por último. E acaba sendo também potencialmente ainda mais decisivo porque o comparecimento delas é maior. Não é porque elas estejam, digamos, alheias a esse tiroteio todo que elas não vão votar. Não, o comparecimento feminino é maior do que o masculino. Isso porque os serviços públicos que os eleitos, que aqueles que ela vai eleger, vão ofertar elas são muito mais afetadas por eles, porque a maioria que cuida da família, do que os homens, né?

Então, por que que isso é importante para a gente entender esses últimos movimentos da reta final, que a gente aliás tem visto nesses últimos dias? Porque quem está no poder leva vantagem para conquistar esse voto derradeiro. A gente viu isso no governo Bolsonaro, em 2022 ele adotou muitas medidas ali para tentar captar esse eleitor. E se a gente pega as pesquisas daquela reta final, final, a gente vai ver que elas tiveram impacto.

E naquela reta final, a diferença entre Bolsonaro e o presidente Lula era de mais de 10 pontos. Agora tá empatado, tanto na espontânea quanto na estimulada. Lula e Flávio estão empatados. Lá era mais de 10 pontos. Então muita gente tava dando Lula por eleito no primeiro turno, e o Bolsonaro foi para o segundo turno e quase ganha. Por conta de ser o governante no poder, o famoso incumbente, né? Isso que tá determinando também os governadores estarem nessa arrancada, na reta final.

Tem muitos candidatos a governo, a reeleição, que estão arrancando ou virando em alguns casos. E também pode ajudar porque que o Lula tá fazendo todas essas apostas aí, medidas eleitoreiras, se bem que o Lula Ele dissipou mais essas medidas ao longo do mandato, né? Pé de meia foi lá em 24, isenção do IR até R$5.000 foi em 25. Agora esse ano teve desenrola R$3 no Bolsa Família e finalmente teve essa MP que proíbe as apostas, que é uma pontada, mas não é dinheiro extra, né?

Só uma tampa que tá tentando colocar no ralo aí do orçamento das famílias. E então a campanha dele tá apostando nisso, tá apostando nessas políticas públicas para captar esse eleitor derradeiro, digamos assim, que vai ver, vai decidir em função daquele que vai melhorar ou não a vida dele, que vai impactar ou não a vida dele. Ele vai fazer isso meio que sem querer perder muito tempo, sabe? Mas não vai ser fácil não, porque a aprovação do governo Lula não está melhorando.

Em nenhuma dessas últimas pesquisas a aprovação melhora. E finalmente, a investida de propaganda da campanha petista, que é minar a confiança do Flávio Bolsonaro, especialmente entre as mulheres, né? Tem esse comercial aí que mostra que ele é advogado de um PM que matou uma criança de 5 anos, né? E aí termina com: quem defende um assassino de criança vai te defender. Que é justamente para minar a confiança. É um atributo que é identificado no Flávio Bolsonaro, é a confiança nele.

Então Lula tá tentando minar esta confiança que o eleitor de Flávio Bolsonaro diz ter nele. E aí tem essas reportagens, vazamentos. Agora, elas podem dar um pouco mais de materialidade, né? Um avião O Rolex, né? O Lula tá falando agora de orgia nele, agora todo dia fala disso. Mas a gente deve se perguntar se isso tem mais materialidade do que falar do, do, da lavagem de dinheiro do filme lá do Dark Horse, do dinheiro que pediu, o Flávio pediu para o Borkar.

Mas será que o eleitor tardio vai se mover por isso, né? Se for capaz de minar a confiança no Flávio Pode ser até que afete, mas é de se perguntar: e o Flávio, para o seu lado, o que é que ele tá fazendo bem? Ele, por enquanto, ele tá muito preocupado com, digamos, o seu sistema antimísseis, né? Eles estão passando o chapéu entre endearados para reforçar essa ofensiva nas redes sociais. E a gente viu a entrada do Flávio Massal, que já é talvez um resultado dessa, desse chapéu aí que tá sendo passado.

Ele tá entrando muito forte. A gente não deve desprezar a capacidade do Pablo Marçal de fazer estrago. Vide a campanha de 2024 aqui em São Paulo, quando ele falsificou um atestado, um laudo médico, para dizer que o Guilherme Boulos, hoje ministro do governo Lula, tinha, era um usuário de cocaína. Falsificou um laudo médico que está na campanha do Flávio agora entrou esta semana na campanha do Flávio. Então tem essa guerra de internet e tem essa ofensiva que de fato é a ofensiva mais poderosa do Flávio nesta reta final, que é a cadeira vazia do debate de hoje na Globo.

O eleitor não vai gostar, vai deixar o Lula sem defesa para os ataques que vão vir. Ele vai falar num podcast de grande audiência que é o Flow Mas o curioso é que ele vai falar 40, vai começar a falar 45 minutos antes do debate, né? O que sugere que a campanha e ele mesmo, o presidente, não estão muito preocupados em se defender do que vai vir no debate, né? Porque senão deixariam para falar depois, mas ele vai começar a falar 45 minutos antes.

Então vamos ver no que vai dar. Vai ser, vai ser uma metralhadora giratória. Só em direção ao Lula, porque não estará lá o Renan Santos, que é quem tem essa, que seria capaz também de bater no Flávio. Mas ele tá pedindo para o TSE, o TSE já rejeitou. Então vamos ver no que é que vai dar hoje até o final do dia, Tati Fernando. A gente e o eleitor vai ter que se mover, esse eleitor tardio vai ter que se mover no meio desse tiroteio.

A gente só torce para que ele e todos nós não sejamos vítimas de uma bala perdida, né?

CCarol

Sem dúvida, é o que a gente torce todo ano de eleição. Fala, Fê.

BMBernardo Melo Franco

Maria Cristina, eu pensei aqui nesse eleitor que você descreveu no começo da nossa conversa, da mulher católica classe C que ainda tá indecisa, não sabe quem vai votar. Agora, esse eleitor pode muito bem não sair de casa no domingo. Hoje se fala muito de um desânimo com relação à política, e hoje as campanhas, os pesquisadores, nós jornalistas estamos de olho na abstenção, que pode ser abstenção e o peso dela na próxima eleição. Como é que você vê isso, Fernando?

MCMaria Cristina Fernandes

Esse desânimo é um desânimo que a gente viu refletido inclusive nas campanhas qualitativas durante toda a eleição. A abstenção da última campanha presidencial de 22 já foi uma, não estourou, mas já foi uma abstenção mais alta e pode sim ter um impacto. Agora, a gente também deve prestar atenção o quanto essa abstenção— eu te compartilharei alguns vídeos que eu tenho recebido, algumas— isso como parte da guerra das redes, da campanha, principalmente o que eu tenho recebido da campanha do Flávio Bolsonaro incentivando o eleitor do Lula particularmente a ficar em casa.

Então isso às vezes é um pouco a guerra das redes sociais. Pode ser que esteja acontecendo também com o eleitor, com a campanha petista para mandar o eleitor do Flávio ficar em casa. Mas o fato é que isso também é muito guerra nas redes, né? Tem essa acomodação, esse desânimo, esse alinhamento do eleitor de uma maneira geral, um pouco cansado, né, um pouco desiludido. Contudo, mas tem, tem, esta é uma campanha deliberada também que manda as pessoas ficarem em casa.

Tem um inclusive que eu recebi que dizia o seguinte, tá desde 22, tá rolando e voltou a circular: domingo é dia do, é só dos eleitores do Flávio irem para as urnas, quem vai votar no Lula vá só no outro domingo. Isso é o tipo de coisa que tá rolando. Então essa guerra vai ser pesada.

CCarol

E olha, eu quero dizer aqui para o nosso ouvinte: não importa em quem você vai votar, vá votar. Eu costumo dizer aqui que a democracia é tipo um músculo, a gente precisa praticar para fortalecer. A democracia não é algo dado, não se dá também por combustão espontânea. Se dá pela prática de uma sociedade. Esse é um direito que foi conquistado, aliás, para as mulheres, a duras e duras e duras penas. Não jogue ele fora, faça uso do seu direito de participar de uma escolha, porque se você não faz essa escolha, alguém faz por você, né?

Então vote no domingo, levanta, anota seus números dos seus candidatos aí na sua colinha, que eu também tô falando todos os dias que tem que ser em papel, que você não vai poder entrar com o celular na cabine de votação. E vai votar. Eu adoro votar, Maria Cristina. Você gosta?

MCMaria Cristina Fernandes

Eu acho divertido, Tati. Eu gosto de chegar na fila e olhar assim. Eu acho bonito, é meio romântico, né? Bobo falar isso, mas eu acho interessante chegar na fila de votação e olhar para trás e ver aquelas pessoas diferentes de origens, classes sociais, que acorda, né, naquele dia, põe sua roupa e vai votar ali. Esse dever físico é uma coisa que me emociona, ainda me emociona, a despeito de serem 10 eleições cobrindo como jornalista essa arregimentação em torno do dia da eleição é algo que eu acho que nos move a todos, né, que trabalhamos com a informação.

CCarol

Sim, eu fico emocionada também, adoro ir votar. Faça isso, exerça seu direito. Beijo, Maria Cristina, obrigada, até amanhã.

MCMaria Cristina Fernandes

Beijo, Tati, Fernando, até amanhã. Boa tarde, ouvintes.

BMBernardo Melo Franco

Boa tarde.