Episódios de Política

A poucos dias da eleição Flávio e Lula tentam ‘usar devoção do povo para benefício político’

29 de setembro de 20267min
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Bernardo Mello Franco analisa o cenário político a menos de uma semana do primeiro turno das eleições. O especialista comenta sobre as ‘duas guerras paralelas’ que sequestram o foco das campanhas presidenciais. Ouça para saber mais.

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Participantes neste episódio2
B

Bernardo Melo Franco

HostJornalista
C

Carlos Alberto Sardenberg

Co-hostJornalista
Assuntos4
  • A politização da justiça e a guerra jurídica entre ministros do STFliminares e contraliminares·partidarização da justiça·politização das decisões·ministros se desautorizando
  • A guerra santa entre Lula e Flávio Bolsonaro na campanha presidencialuso de imagens de santos·Nossa Senhora de Nazaré e Aparecida·Flávio Bolsonaro evangélico·benefício político eleitoral
  • A disputa judicial envolvendo Flávio Bolsonaro e a liberdade de expressãoremoção de publicações·associação a retirada de título de padroeira·decisão de André Mendonça·suspensão por Flávio Dino·decisão de Luiz Fux
  • A demora de Edson Fachin em pautar decisões colegiadas no Supremocríticas nos bastidores·demora em tomar posição·cancelamento de sessões·acordo entre ministros
Transcrição9 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
BMBernardo Melo Franco

Conversa de Bastidor com Bernardo Melo Franco. E aí, Bernardo, boa tarde, Sardenberg, boa tarde, Cássia, boa tarde, ouvinte da CBN, boa tarde, Bernardo.

CACarlos Alberto Sardenberg

Bom, tem uma guerra de eliminados agora, é assim, tem a liminar, depois tem a contraliminar, depois tem a contracontraliminar, e assim vai, Bernardo.

BMBernardo Melo Franco

Pois é, Sardenberg. E o pior dessa história é que, a depender do ministro que recebe o processo, a gente já sabe qual vai ser o conteúdo dessa liminar.

CACarlos Alberto Sardenberg

Exatamente.

BMBernardo Melo Franco

Vai para um lado ou se vai para o outro. E isso revela um sintoma muito preocupante, né, de partidarização da da justiça ou de politização das decisões dos tribunais superiores. Sardenberg, faltam 5 dias agora, né, para eleição. A gente tá na reta final dessa campanha e a campanha presidencial ela tá capturada, tá sequestrada por duas guerras paralelas, né. Uma delas é a guerra santa entre os candidatos a presidente, Lula e Flávio Bolsonaro, e a outra é essa guerra jurídica entre ministros do STF que vão anulando uma decisão do outro.

Na guerra santa dos candidatos, ontem os dois principais concorrentes à presidência ergueram imagens da santa. Veja só, o presidente Lula tava em campanha em Belém do Pará, ergueu uma imagem da Nossa Senhora de Nazaré. A gente tá na época do Sírio de Nazaré. E ele declarou que ninguém, abre aspas, ninguém vai avacalhar com a Nossa Senhora Aparecida enquanto ele for presidente. O Flávio Bolsonaro foi a um podcast católico e segurou uma imagem da Nossa Senhora Aparecida, só que de crochê, não aquela imagem que a gente está acostumado a ver.

E mais cedo, durante uma agenda de campanha em São Paulo, ele foi questionado por um repórter se ele tava arrependido de ter feito acusações à CNBB, né, Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, E ele simplesmente não respondeu. Lembrando que o Flávio Bolsonaro é evangélico, né, ele não é católico, diferentemente do Jair Bolsonaro, que embora tenha apoio declarado da bancada evangélica, de pastores influentes, ele se declara, né, se declara pessoalmente católico.

Essa é uma face da disputa, né, os dois candidatos tentando usar aí a devoção do povo, para falar assim em bom português, para benefício político, benefício eleitoral pessoal. Agora, além disso, tá acontecendo essa briga entre ministros da Suprema Corte, é que é de certa forma um prolongamento daquela disputa que a gente viu em plenário semanas atrás ligada ao caso Master. O que tá acontecendo agora é que os ministros estão se desautorizando sucessivamente em decisões que dizem respeito à eleição presidencial.

Essa história começou na sexta-feira passada, quando o ministro André Mendonça tomou uma decisão. O André Mendonça, que é do Supremo e ao mesmo tempo é ministro do TSE, ele tomou uma decisão mandando remover publicações que associavam o Flávio Bolsonaro a uma suposta intenção de retirar o título de padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida. Essa ordem foi para plataformas como X, como Meta, como TikTok. E foi motivada por uma publicação do humorista Antônio Tabet.

Veja só, humorista também participando do debate eleitoral em papel de centralidade. Que ponto chegamos? 2 dias depois, no domingo, o ministro Flávio Dino, que é do Supremo mas não é do TSE, suspendeu a decisão do André Mendonça dizendo 2 coisas. Primeiro, que o post do humorista não citava nominalmente o Flávio Bolsonaro. Portanto não tinha uma acusação, uma agressão ao candidato do PL, e também invocando o princípio da liberdade de expressão para dizer que aquela decisão era censura.

Pois bem, o Brasil foi dormir domingo com a decisão do Dino e ontem foi dormir com a decisão do Luiz Fux. Aliás, muita gente já devia ter dormido porque a decisão foi divulgada quase meia-noite. Essa decisão do Fux caçando a liminar do Flávio Dino. Até difícil explicar para o ouvinte não se perder, mas em síntese é isso, o Rosenberg.

CACarlos Alberto Sardenberg

Tá certo.

BMBernardo Melo Franco

Tomou a decisão que foi cassada pelo Dino, o Dino tomou a decisão que foi cassada pelo Fux. E aí talvez você me pergunte: e o Edson Fachin nisso, presidente do Supremo? Pois é, essa é a pergunta que muita gente tá se fazendo em Brasília, né? Porque assim como o ministro, presidente do Supremo, foi, demorou a agir no caso do Máster, daquela guerra entre ministros envolvendo pedido de investigação do Alexandre de Moraes. Ele agora também tá sendo criticado nos bastidores aqui, é, também tá sendo criticado pela demora em tomar posição ou em pautar uma decisão colegiada, uma decisão de plenário sobre essa confusão toda.

Agora, faltando 5 dias para eleição, a última decisão é a que conta. Então, nesse momento, a vantagem tá com a decisão do ministro Luiz Fux, que favoreceu o pedido do senador e candidato Flávio Bolsonaro. E agora a expectativa em relação à sessão de amanhã no Supremo, né, Bernardo? Ô, Cássia, eu conversei com gente do gabinete de dois ministros do Supremo agora cedo e ninguém sabe ao certo se essa sessão de fato vai ocorrer, até pelo histórico aí de cancelamento de sessões do Supremo feito pelo próprio ministro Edson Fachin nos últimos dias.

Há um pedido do Flávio Dino para o Supremo, para o colegiado decidir. Ontem também, na decisão do Fux, ele fala em levar para o plenário, mas isso depende de um mínimo acordo entre os ministros e da disposição do ministro Edson Fachin de botar esse assunto em discussão. O que a gente pode dizer é que se houver essa sessão, provavelmente estaremos diante de mais uma, uma sessão aí de ministros lavando roupa suja. E se acusando mutuamente de tentativa de interferência no processo eleitoral.

CACarlos Alberto Sardenberg

Cássio, Bernardo Melo Franco, muitíssimo obrigado, Bernardo. Até quinta-feira, último dia de campanha eleitoral, dia do debate da Globo. Até quinta, tá certo.

BMBernardo Melo Franco

Estamos aí, como você disse, Assemberg, em assembleia geral. Abraço, abraço, até mais.

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