Ausência de Lula no debate é ‘uma aposta difícil’
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- Cenário de segundo turno e a dificuldade para Lula nas eleiçõespesquisas de intenção de voto·segundo turno acirradíssimo·migração de votos de terceira via·rejeição de Lula e Flávio
- Ausência de Lula no debate da TV Globo e suas implicaçõescrítica ao formato do debate·risco de Lula ser alvo de ataques·Lula não tem a mesma agilidade para rebater·aposta no risco menor
- O eleitor independente como fator decisivo na eleiçãobloco consolidado entre Lula e Flávio·eleitores que não são lulistas nem bolsonaristas·eleitores que não se classificam à direita nem à esquerda
- Favorecimento de Lula em grupos específicos de eleitoreseleitorado feminino e proibição às bets·eleitores de baixa renda e reajuste do Bolsa Família·católicos e a Guerra Santa
Tudo é Política com Maria Cristina Fernandes.
Oi, Maria Cristina, boa tarde.
Boa tarde, tarde, Fernando. Boa tarde, ouvinte.
Bom, Maria Cristina hoje se debruça sobre As últimas pesquisas de intenção de voto para presidente, a última delas divulgada hoje pela manhã, feita pela Quest, mostrando Lula com 39% das intenções de voto, Flávio Bolsonaro com 34% neste cenário de primeiro turno. Há alguns dias, talvez na semana passada, Maria Cristina, você se debruçou sobre o que havia de pesquisa até então. E as possibilidades da eleição acabar no primeiro turno.
Agora você fala sobre as possibilidades de segundo turno a partir dessa Quest também?
Sim, Tati, tudo indica, os números eles apontam para um cenário bastante provável de segundo turno, e um segundo turno acirradíssimo, talvez o segundo turno mais difícil que o presidente Lula terá enfrentado em toda a sua carreira, todas as suas disputas eleitorais. E por que isso? Porque a soma dos votos dos candidatos de terceira via torna praticamente impossível a vitória de um ou de outro. Exigiria que houvesse uma migração integral para Flávio, que é o candidato com quem os eleitores de terceira via mais se identificam.
Só que o patamar de consolidação dos votos desses eleitores de terceira via inviabiliza essa migração total. Então o fato é que a migração por Lula é inviabilizada por, ainda que haja um percentual ali em torno de um quarto na média das terceiras vias que admitiria ir para Lula. Não há, não há viabilidade aí, dada essa consolidação do voto dessas terceiras vias. Então é o que mostra, pelo menos no dia de hoje, esta quest. Ainda haverá outras pesquisas aí a caminho.
E o que também contém esta migração de votos, né, essa chamada, esse voto útil, é a rejeição de ambos os candidatos. A rejeição de Lula e de Flávio ultrapassa aí, tá em torno do patamar de 50%. Então, quem vai definir esta eleição, ao fim e ao cabo, Tati Fernando, é o chamado eleitor independente, que hoje inclusive está nesse bloco consolidado entre Lula e Flávio, mas que é estimado aí em torno de 32%. Ao longo dos últimos dias, a gente viu uma definição maior daqueles que diziam que não sabiam em quem ia votar, né, os indefinidos.
Vão definindo aos poucos os seus votos, portanto vão definindo e foram buscando os líderes das disputas. Isso fez minguar ainda mais as terceiras vias. Só que mesmo entre os eleitores que optam por Lula e Bolsonaro, por Lula e Flávio Bolsonaro, há aqueles que se declaram independentes que estão se posicionando. Entre esses poderia haver alguma mexida no cenário. Esses que poderiam decidir a eleição, parece improvável que haja uma mexida neste, neste momento.
Este é um cenário de segundo turno e Lula dependerá muito desses chamados eleitores independentes. Que que a gente chama eleitor independente? Eleitor que Em 18 votou no bolsonarismo, em 22 já não votou. Não tem, não é Lula nem Bolsonaro desde criancinha. Então esses ditos eleitores que não se classificam como lulistas, não se classificam como bolsonaristas, não se classificam nem à direita nem à esquerda. Isso. Configuraria aí 32% do total que vai definir a eleição.
Então estamos nessa. Nos últimos dias, essa pesquisa da Quest mostrou um favorecimento do Lula no eleitorado feminino, nos eleitores de baixa renda, nos beneficiários de Bolsa Família e entre católicos. Entre mulheres, em grande parte por conta do, da proibição às bets, um tema que preocupa muito as mulheres, as mães e as esposas. Eleitores de baixa renda, em grande parte por conta do reajuste do Bolsa Família, e os beneficiários de Bolsa Família idem.
E finalmente os católicos, por conta de toda essa repercussão em torno da Guerra Santa que se trava hoje entre evangélicos e católicos em torno da figura da Nossa Senhora Aparecida.
Muito bem, Maria Cristina.
Só uma última questão. O presidente do PT, Dinho Silva, informou há pouco que Lula não vai ao debate TV Globo na quinta-feira criticou o formato do debate. Qual que é o impacto disso? Qual pode ser o impacto disso?
Bem, Fernando, eu tinha ouvido uma liderança política na semana passada que disse, olha, ele apostando numa bem experiente, tem 50 anos na política, e disse, olha, ele tá apostando no cenário de segundo turno tem uma, tem a certeza de que é uma eleição muito difícil e disse para mim, se o presidente for ao debate, ele corre o risco de jogar fora a chance de passar para o segundo turno, porque A avaliação, pelo menos desta liderança, eu não falei com o Edinho, mas avaliação dessa liderança é que o presidente enfrentaria um espectro de candidatos todos contrários a si.
É o presidente no cargo, o que, o que não apenas desperta essa rejeição, O detentor do cargo, né, que se chama o incumbente, desperta a animosidade de todos os demais. Mas também ideologicamente os demais candidatos são mais próximos do campo da direita. Então não apenas se tornaria o alvo do ataque, dos ataques, como o presidente tem 80 anos de idade, não tem a mesma agilidade para rebater as críticas e os ataques que são desferidos contra si.
A gente viu na noite de ontem um Lula sendo entrevistado na Bandeirantes com bastante vigor, mas ali era um ambiente entre jornalistas com perguntas de interesse jornalístico. No debate não se controla o que os candidatos vão falar. O Lula perde indo ao debate e ele também perde deixando de ir ao debate. O Lula participou de algumas entrevistas, mas não participou até agora, assim como Flávio Bolsonaro, de nenhum debate. O Flávio Bolsonaro o desafiou ontem aí, o debate, sinalizando, e já confirmou sua presença. Então, muito provavelmente É o que ele vai fazer.
Muito bem.
Então é uma aposta difícil, uma aposta extra do Lula, mas eu diria que para tentar explicar o que aconteceu, ele fez a aposta no risco menor.
Muito bem. Bom, vamos ver como é que se desenrola até lá, né, Maria Cristina? Se confirma oficialmente a participação ou se nega, enfim. Acho que vai ser essa especulação a semana inteira, né? Isso, né? Muito bem. Quero dizer, com fontes dizendo uma coisa, outras fontes dizendo outra coisa, né? Não é uma especulação, é informação a partir de pessoas que têm termômetros diferentes ali a respeito da disposição do presidente Lula de ir ou não ao debate na quinta-feira.
Daqui a gente torce para que ele vá, né? Né? Acho que sim, o eleitor tá esperando mesmo ver um confronto de ideias, ver as propostas escrutinadas entre, sobretudo, os dois principais candidatos à presidência. Obrigada, Maria Cristina, um beijo para você, até amanhã.
Um beijo, tá, Fernando? Até amanhã, boa tarde, ouvintes.
Até amanhã.