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MP contra as bets foi ação eleitoreira e deu certo, afirma Pedro Doria

28 de setembro de 202611min
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Comentarista repercutiu a pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira (28) e afirmou que medida contra as bets atingiu parte do eleitorado que Lula perdeu desde 2022.

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Participantes neste episódio1
P

Pedro Doria

ComentaristaJornalista
Assuntos5
  • Ação eleitoreira contra as bets e seu impacto na pesquisa QuaestLula perdeu votos desde 2022·mulheres da classe C e periferia·bets como drama imenso·ação eleitoreira do presidente
  • Reajuste do Bolsa Família e seu efeito na abstenção eleitoralaprovado por 59% dos entrevistados·foco em classes D e E·incentivo para ir votar·tiro na abstenção
  • O debate da TV Globo como fator decisivo para as eleiçõesparticipação de Lula provável·Flávio Bolsonaro confirmou presença·risco de Lula ser atacado·uma pergunta pode definir a eleição
  • O impacto da fake news sobre Nossa Senhora Aparecida nas eleiçõesFlávio Bolsonaro tiraria padroeira·Vaticano define padroeira·projeto de lei fora da pauta·colaboração para crescimento de Lula
  • Aprovação e rejeição dos candidatos Lula e Flávio BolsonaroLula com aprovação em 46%·Flávio Bolsonaro mantém 56% de rejeição·Lula recua para 54% de rejeição·movimentações muito pequenas
Transcrição11 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
?Voz A

Muito bem, estamos na linha com o nosso comentarista da CBN, colunista aqui do Jornal da CBN, Pedro Doria, para comentar esses dados que estamos trazendo enquanto saem essas informações dessa nova rodada da pesquisa Quest antes das eleições presidenciais. Pedro, bem-vindo, bom dia para você.

PDPedro Doria

Bom dia, Marcela, bom dia, Muniz, bom dia, ouvinte, bom dia.

?Voz A

Bom, temos então esses dados aqui divulgados agora, né, mostrando Lula à frente novamente e o impacto de certa forma dessa medida provisória e também das questões de religiosidade envolvendo o candidato Flávio Bolsonaro. Já é um sinal de que isso mexeu com o coração do eleitor, Pedro?

PDPedro Doria

É sim, e era esperado, Marcela. O que que a gente tem que entender aqui? Qual é a diferença entre essa eleição e eleição de 2022, certo? Na maior parte das pesquisas, na eleição de 2022, o Flávio e o pai dele, Jair Bolsonaro, tinham mais ou menos o mesmo tamanho que eles têm hoje nesse momento da eleição. Lula está menor esse ano, aproximadamente 3 pontos do que ele tava em 2022. Então a gente tem que mergulhar em quem são esses 2, 3% de votos menos que o presidente Lula tem: mulheres, classe C, principalmente periferia urbana do Sudeste, um pouco também Nordeste.

O universo é esse. Então, a partir desse universo, o que que o presidente Lula tá fazendo? Quais são as ações, no fim das contas, que ocorreram na semana passada? Betes. Se você vai para grupo de foco, se você vai ali para os pesquisadores que estão fazendo aquelas pesquisas que são as pesquisas qualitativas, ou seja, conversando com as pessoas, tentando sentir um clima das pessoas. Grupos de foco com mulheres de classe C na grande São Paulo o tempo todo trazem a questão das bets.

Bets é um drama imenso para essas mulheres. A ação do presidente da República foi uma ação eleitoreira E deu certo, deu certo. Ele poderia ter feito em qualquer momento desse ano. Ele não promoveu essa ação. Ele tava, ele tava na perspectiva de ver Flávio Bolsonaro ultrapassá-lo nas pesquisas. Ele foi exatamente num tiro certeiro no coração desse voto, desse pouco voto que ele teve em 2022 e tá perdendo esse ano. Ele aparentemente reconquistou esse voto.

Esse crescimento no voto evangélico do presidente Lula, por exemplo, com toda certeza é esse movimento dos BRICS. Agora, a fake news de Nossa Senhora da Aparecida, de que um governo Flávio Bolsonaro tiraria ela como padroeira do Brasil— não custa lembrar os nossos ouvintes quem define a padroeira ou não, é o Vaticano, não o presidente da República. Independentemente disso, o nome do feriado poderia ser mudado, mas esse projeto de lei já tá fora da pauta da Câmara há 15 anos, há mais de 15 anos.

Independentemente disso, é muito possível que essa fake news tenha também colaborado para o crescimento do presidente Lula. Eu tô muito curioso, eu ainda não vi saírem ainda nem no G1 nem no Globo os números de voto dividido por classe, né, na faixa de 2 a 5 salários mínimos, que é classe C, o voto feminino e o voto no Sudeste. Se a gente vê crescimento do presidente Lula nessas três áreas, voto feminino, classe C e Sudeste, ali a gente vê a concretização de que houve um crescimento de fato uma semana da eleição.

?Voz C

Teve também um recorte mostrando que o reajuste de 15% no Bolsa Família, Pedro, é aprovado por 59% dos entrevistados, sejam aqueles que já sabiam dessa medida. 45% sabiam e aprovam, e 14% não sabiam, mas ao saberem desse aumento aprovam essa medida, o que talvez também ajude a entender essa movimentação de intenção de voto de Lula. Mas uma medida que, claro, vem às vésperas da eleição, tem como foco isso, poderia já ter sido adotada antes, mas surte um efeito pelo que a pesquisa mostra. E isso tudo vai— diga, Pedro, diga.

PDPedro Doria

Eu vou te dizer onde que eu acho que aumento de Bolsa Família tem efeito. É aumento de Bolsa Família pega classe de D e E, tá certo? Isso dá aproximadamente 20% da sociedade, né? 20% da sociedade que tem Bolsa Família. Mas o Bolsa Família é um programa problema para esse grupo. Eles estão particularmente concentrados no Nordeste, tem alguma coisa no Norte também, alguma coisa no Sudeste, alguma coisa no Sul, Centro-Oeste, mas é principalmente Nordeste que é onde você tem os grandes bolsões no sertão nordestino, os grandes bolsões de pobreza no Brasil.

O eleitor do presidente Lula ali, que recebe o Bolsa Família, é um eleitor mais velho, é um eleitor muito menos escolarizado, e uma imensa parte dos 20% de brasileiros que se abstêm nas eleições todos os anos, e aproximadamente 20% dos brasileiros sempre se abstêm. A concentração nas classes D e E é imensa. Então eu vejo esse aumento do Bolsa Família menos como um gesto para aumentar o percentual que a gente percebe nas pesquisas, e mais uma força para turma que recebe o Bolsa Família.

Não esquece de mim no domingo de eleição para incentivar, que fica em casa, não faz o esforço e vai votar. É Porque, gente, a gente está falando, e isso não é uma defesa das ações do presidente Lula, eu tô explicando qual é a razão dessas iniciativas. E o jogo essencialmente é: essa é uma eleição que vai se vencer ou perder por 1%, 1,5%, como foi em 2022. É uma eleição que pode terminar agora no primeiro turno. Cada voto a mais que um consegue ganhar ou tirar do outro é um voto pelo qual ambos vão batalhar até o fim.

Então a leitura que eu faço do aumento do Bolsa Família é mais um tiro na abstenção do que na mudança propriamente dita de voto que a gente vai captar pelas pesquisas.

?Voz C

E uma dificuldade que Lula vem enfrentando, né, Pedro e Marcela, é com relação à rejeição ao governo dele, aprovação ao governo dele, e a rejeição tanto dele quanto Flávio Bolsonaro os dois com patamares muito altos. O Quest também atualizou esse dado aqui. Lula vinha desde 7 de setembro com a aprovação do governo, a quantidade de pessoas que desaprovam o governo, em 50%. Agora oscilou negativamente um ponto percentual e a quantidade das pessoas que aprovam subiu de 44 para 46%.

Já quando a gente fala de rejeição, Flávio Bolsonaro manteve os mesmos 56% que ele já tinha apresentado na pesquisa anterior, enquanto Lula recuou dentro da margem de erro de 55 para 54%. Ainda movimentações muito pequenas, né, Pedro? Mas é um ponto sensível para os dois candidatos, seja aprovação de governo, seja a rejeição, que ambos estavam com muita dificuldade de conseguir fazer algum tipo de movimentação significativa durante todo o período de campanha.

PDPedro Doria

A gente tem algumas pesquisas de qualidade sendo feitas no Brasil. Hoje saiu mais cedo outra, que é a pesquisa Nexus do BTG, BTG Nexus. Ela tem números muito similares à da Quest no movimento. E quando a gente tem essas pesquisas muito apertadas, quando a gente tem esses movimentos muito ligeiros, um ponto para cima, dois pontos abaixo e tudo mais, a gente ganha muito em olhando para soma de pesquisas. E quando duas pesquisas de qualidade apontam com metodologia diferente.

Uma é telefônica, Nexos. A Quest é aquilo que é uma camada mais difícil, que é a pesquisa domiciliar. Quando as duas apontam na mesma direção, a gente começa a ver que houve uma movimentação sutil. E eu acho que é bom a gente lembrar para todos os nossos ouvintes o seguinte: todos os especialistas estão vendo essa eleição como uma eleição que vai ser decidida por 1% ou 2%. Então os movimentos todos dessa semana que a gente vai ver em pesquisas— vai ter pesquisa quarta-feira, vai ter pesquisa quinta-feira, vai ter sempre sábado.

Ué, sincero, sábado de novo. Todos os movimentos que a gente vai ver com pesquisas são movimentos discretos, de 1% para cima, 2% para baixo, por aí. E é assim mesmo que vai ser até o fim. Se esses movimentos tiverem consistentemente na direção do presidente Lula, a gente olha para um cenário de reeleição. Se houver uma reversão ao longo da semana, e pode haver, a gente começa a apontar para um cenário de uma vitória de Flávio Bolsonaro. São destinos muito diferentes para o Brasil, e é um país dividido em dois.

?Voz A

Pedro, antes da gente encerrar, já agradecendo a sua participação aqui, essa análise de todos os dados que estão sendo divulgados aos poucos pela Quest, queria te ouvir a respeito do debate da TV Globo. Você acha que há uma possibilidade de mudança nesse cenário a partir deste debate? Lembrando que a participação do presidente Lula ainda não está confirmada, mas é muito provável que ele participe. Seja o único debate que o presidente Lula participe, assim como Flávio Bolsonaro, para que de fato o eleitor consiga analisar propostas.

Enfim, de certa forma, isso deve mudar algum cenário dessas pesquisas. O que que a gente pode esperar, hein?

PDPedro Doria

É tudo ou nada. O que que eu quero dizer com isso? Não quero dar uma resposta vaga demais, mas vamos lá. O senador Flávio Bolsonaro confirmou hoje de manhã que vai ao debate. Isso torna muito difícil para o presidente Lula não ir, porque afinal de contas, claro, o Flávio corre o risco de ser atacado pelos outros, mas podem perfeitamente todos que são de direita se juntar contra o presidente Lula. E aí ele apanha sozinho durante 2, 3 horas na TV Globo.

É um debate que vai ser um pouco mais cedo. Isso é ruim para o presidente. O presidente tem que ir. Eu seria capaz de botar todas as minhas fichas na mesa dizendo que o presidente vai. Pode ser um debate extremamente monótono que não mexe nada, mas uma pergunta bem respondida, uma pergunta mal respondida pode definir essa eleição.

?Voz A

É isso. Pedro Doria, colunista da CBN, agradeço muito a sua participação aqui com a gente, a análise desses dados nos últimos dias, e te espero para a próxima rodada da Pesquisa Quest. Um abraço.

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