Episódios de Política

Reta final da eleição é marcada por falta de debate sobre o futuro do país

27 de setembro de 202624min
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Marco Ruediger avalia que a campanha eleitoral foi marcada por pouco espaço para propostas. Ele afirma que a discussão eleitoral precisa se concentrar em temas como economia, emprego, saúde e os impactos da inteligência artificial. O comentarista também analisa a disputa pela pauta política com a discussão sobre as bets e a desinformação.

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Participantes neste episódio2
C

Carol

HostApresentadora
M

Marco Ruediger

Comentarista
Assuntos4
  • A falta de propostas e a superficialidade da campanha eleitoralpouco espaço para propostas·visão de futuro ausente·transformação do mercado de trabalho·impacto da inteligência artificial
  • A disputa pela pauta política e a questão das betsdomínio do tema político nas redes·oportunidade da discussão sobre bets·riscos para o presidente Lula·impacto das bets na saúde pública
  • A desinformação e a manipulação da agenda públicacaso de Nossa Senhora Aparecida·radicalização na política e religião·mistura de política com religião·ódio e destruição na política
  • A importância de analisar as propostas dos candidatos na reta finalconfiança nos candidatos·plano econômico·saúde pública e educação·futuro do país e inteligência artificial
Transcrição15 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro

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MRMarco Ruediger

A Semana Política com Marco Hojgea.

CCarol

Marco, boa tarde.

MRMarco Ruediger

Oi, Petra, boa tarde. Boa tarde, nossos ouvintes queridos todos. Reta final, reta final, e que reta, né? Porque essa é uma campanha que eu acho que teve uma diferença grande em relação às outras, porque é uma campanha mais— a gente pouco ouviu das propostas dos candidatos. Eu acho que isso foi de longe a pior qualidade dessa campanha. Assim, ela foi muito pior que a última, inclusive, né? Porque assim, a gente não teve tempo de ouvir realmente o que que os candidatos tinham a dizer, em especial os, digamos assim, os que estão nas pesquisas em primeiro lugar, né?

Assim, óbvio, o presidente Lula apresentou muitas vezes o que faria, mas muito mais uma defesa do legado, do que já vem fazendo, esses anos todos, né? E eu sempre coloquei aqui que era muito importante dar uma visão de futuro, para onde que o Brasil tá indo. Ele até ensaiou isso quando teve a convenção do PT em São Paulo, mas assim, eu acho que é isso, ainda tem que ser muito melhor visto, melhor trabalhado, porque a gente tá num mundo com uma profunda transformação.

O mercado de trabalho vai mudar, já falamos isso aqui várias vezes, né? Acho que as pessoas estão muito preocupadas, muito inseguras com isso. O mundo tá mudando, a gente vê todos os arranjos que existiam políticos se desfazendo, né? A gente vê guerras com impacto na nossa economia, a gente vê sobretaxas sobre o impacto da nossa economia, a gente vê ao mesmo tempo o Brasil tendo outras parcerias estratégicas no mundo. Então isso é muito complicado.

Eu acho que são coisas que deveriam ser melhor feitas, melhor pensadas. Por exemplo, será que não seria o caso de ter uma área dedicada só à inteligência artificial e o impacto que isso vai ter no mercado de trabalho, na estrutura produtiva, nas lógicas de acumulação no país? Então esse é importante. Então acho que aí faltou ouvir mais sobre o futuro, né? Não sobre o presente, mas sobre o futuro. Já no outro caso, Flávio Bolsonaro, assim, ele praticamente não falou nada.

Assim, eu não vejo— ele diz que é contra tudo isso daí, ele focou no STF como se o Alexandre de Moraes fosse a grande questão. Quando isso aí é uma— não é a grande questão, é óbvio que é uma questão extremamente importante, questão das instituições e do Judiciário em especial. Não tenha dúvida nenhuma, mas ele não é candidato a presidente do STF, é candidato a presidente do Brasil, vai lidar com, lidaria se fosse eleito, se viesse eleito, com a estrutura executiva, ele vai ter que se entender com os outros poderes.

Então assim, essa, eu acho que no final se gerou uma cortina de fumaça em cima dele, que ele não esclareceu coisas importantes, questão do VORCAP, questão do Máster, questão, por exemplo, vai desindexar as aposentadorias e vai deixar, como é que ficam os aposentados, vai virar pó aposentadoria? Coisas assim que são muito importantes, entendeu? Assim, qual a relação com os Estados Unidos? Qual a relação com as taxações que houveram?

São tantas questões que ele deixou em aberto, que disse que não era importante. É a técnica do Trump, né? Ah não, quando se pergunta uma coisa, você diz que não, você nega e muda de assunto e cria outro factórdio. Aí é complicado você ter uma eleição.

CCarol

Agora, o meu ponto com você é o seguinte, ontem também falava sobre isso aqui com Bruno Silva, é bom, É inegável a pauta das bets. Você tem até os dados, né, da própria fundação que monitora as redes. Eu quero saber tudo sobre o assunto de bets, que obviamente desde sexta-feira dominou, né, o tema político nas redes, sem sombra de dúvida. Eu quero que você comente um pouco isso comigo, mas é essa dúvida que eu queria tirar com você, é sobre esse assunto que é fundamental, é essencial.

A gente vem discutindo isso já há um bom tempo, principalmente depois da Copa do Mundo, né? Isso veio ainda com mais força. Mas a minha dúvida é: era o momento agora para tentar dominar, enfim, pautar, né, o noticiário político? A campanha de Lula fazer isso, aliás, o presidente Lula fazer isso, não a campanha, né, mas o presidente fazer isso agora com essa medida, como é que soa isso sendo que a gente também tem assuntos importantes correndo em relação ao STF, que tirou muito o nosso foco das propostas dos candidatos.

Mas é um assunto importantíssimo para a gente continuar em cima. Então assim, uma, um noticiário, né, uma pauta muito truncada em que a gente tem dificuldade, né, Marco, de entender o que que é importante nessa reta final de eleição, para quem a gente vai eleger agora.

MRMarco Ruediger

Veja, Petra, esse ponto é um ponto muito importante, porque essa, como eu tava dizendo, toda essa discussão ela acabou deixando muito nebuloso o que esses dois principais candidatos oferecem para o país, né? No caso do presidente Lula, você já sabe mais ou menos o que ele oferece. Enfim, foi presidente 4 vezes, você tem uma noção bastante clara. No caso do Bolsonaro, você vê uma discussão entre sistema que é bastante complicada.

Se você olhar, por exemplo, ontem saiu, ontem não, sexta-feira saiu, sexta passada saiu uma matéria fantástica no Financial Times falando sobre o poder da família Bolsonaro e a mistura disso com religiosidade, discussões de ameaças institucionais. Então, o que a Financial Times— não é um lugar qualquer, entendeu? A Financial Times colocando sérias dúvidas sobre o futuro do país e caminhando numa situação de grande incerteza que a gente tem.

Então, isso é bastante complicado. Agora, o que acontece? Nós passamos alguns meses assim, para ser mais claro, a gente passou vários meses Sempre tinha críticas ao STF, mas nas últimas 4 semanas basicamente toda discussão era em cima da questão do Alexandre de Moraes lá, enfim, e dos ministros do Supremo em geral, né? O país parou numa terça-feira para ver uma discussão no Supremo e foi uma coisa bastante dura e traumática. E não tenha dúvida nenhuma que isso daí tem que ser revisto.

Acho que o Brasil precisa de uma reorganização e uma repactuação das estruturas institucionais, da relação política institucional. Mas o fato é que isso obliterou completamente a agenda pública. Então, onde é que tava a agenda pública no sentido do que é proposto para o presidente da República? Então aí você me pergunta, bom, mas era oportuno essa discussão? Bom, isso é um grande ponto. As pessoas realmente estão no nível de destruição pessoal, de endividamento, que virou uma questão epidêmica de saúde pública.

Então, que esse assunto tinha que ser trazido, deveria ter sido trazido. Ah, deveria ser trazido talvez um tempo antes. Possivelmente sim, concordo. Ah, não deveria ter sido trazido agora porque tem que conversar com o Congresso. Possivelmente sim, concordo também. Então assim, porém não é uma coisa lateral, é uma coisa muito central. A questão é a seguinte: ao fazer esse movimento, tem um risco para o presidente Lula e para a equipe do presidente Lula.

Tem um risco colocar isso na mesa porque obviamente Tem, você tem alguns clubes que vão pesadamente jogar contra. O Flamengo, por exemplo, é um clube que se opõe radicalmente ao fim disso daí. Mas se você olhar, são 3 clubes que têm mais, tem em torno de 10%, um pouco mais da sua receita, mas é advinda desses jogos. E quando a gente, e quando vem a discussão de que isso não deveria ser oportuno, que isso não tá correto, que isso é uma quebra de confiança, tem uma questão reputacional para o país, né?

Mas eu não vejo mesmo pessoas falando, mas a gente faz um mea culpa, que de fato tá se induzindo uma situação de vício e de destruição da finança, das finanças das famílias. É um problema de uma gravidade altíssima. As pessoas estão endividadas e quebrando muito por conta disso. Então não vejo esse outro lado do dano que isso acontece. E você tem que fazer, você tem que fazer programas de governo para salvar essas pessoas. Você tem que ter negociações dos bancos com essas pessoas, são empréstimos, são famílias que vão sofrendo crises, fazendo ao desespero, pessoas que se matam.

Então nada disso tá sendo colocado também em contrapartida, em contraposição ao problema de trazer isso agora. Mas o fato é, e essa é a essência, quando você coloca isso na mesa, você altera o controle da pauta política e da discussão. Você tira de uma discussão, a meu ver, inapropriada nesse momento, do STF, e traz de volta, reenquadra ela na discussão da eleição presidencial, porque você toma de volta o domínio da pauta. Então, ao fazer isso, você coloca a pauta na mesa.

Vamos discutir a política, o que que eu tô propondo, o que que você tá propondo também. E isso foi muito interessante. Eu acho que foi um, assim, o presidente tem que ser presidente, ele não tem que ser presidencial. Ele é candidato e presidente, então ele tem que fazer Ele tem que usar a força que ele tem e propor claramente. E aí, com isso, ele trouxe de volta a discussão para a questão da eleição que vai ocorrer daqui uma semana.

Então eu acho isso foi, foi, acho que foi um movimento, a meu ver, com riscos, mas é um risco calculado, é um risco calculado, que é um risco importante. Porque, por exemplo, o candidato de oposição já vem e coloca, bom, isso não deveria ser bem assim, isso Mas vem cá, você, você é o pai do tigrinho? Não, ele regulou uma situação que já existia no governo Bolsonaro, já existia no governo Temer. Então foi feita uma regulação, não deu certo.

E não deu certo porque simplesmente não foi suficiente. O impacto das bets é muito maior do que a capacidade de regulação que até agora se deu. Então ela tem que ser ou dilatada ou extinta. Então esse é o grande ponto, e vai caber ao Congresso. Mas o que o governo fez? Colocou, colocou, digamos assim, o bode dentro da sala. Então agora a gente vai ter que prestar atenção nisso daqui. E o que que é isso daqui? É a questão das bets?

Não, é a questão da presidência da República que tá em jogo, porque a presidência da República implica questão das terras raras do Brasil, a questão do emprego, a questão das aposentadorias, a questão do comportamento do Brasil em relação comércio exterior, a questão do meio ambiente, a questão da vida das pessoas em geral. Assim, essas questões estão todas em aberto, então elas são importantíssimas serem colocadas. Então, quando você traz a pauta de volta, e olha, tardiamente, tomou uma semana, a gente vai ter uma semana para discutir o futuro do país.

Então, isso, sabe, foi, mas não foi à toa. Eu acho que toda essa cortina de fumaça, essa magnificação de algumas situações para você obliterar as outras, as outras não ficarem claras, São nuvens, são nuvens que vão sendo criadas. Então, em vez de discutir o Máscara e por que que se pediu dinheiro para colocar dinheiro num filme, entendeu, para o Vôrcaro, né, e várias ligações, não, vamos discutir o quê? Vamos discutir a crise do STF, que tá aí mesmo, existe, não tenha dúvida nenhuma.

CCarol

É uma situação, como que essa agenda, né, ela é dominada e e vamos dizer assim, né, manipulada de certa forma, né. Agora me fala uma coisa também, Marco. Essa semana teve também outro caso que foi importante, né, a questão de Nossa Senhora Aparecida, né, a história da proposta para retirar Nossa Senhora Aparecida da condição de padroeira do Brasil e essa questão da desinformação. Fala um pouco para mim sobre essa repercussão e mais também, né.

Acho que no bojo também dessa história das bets, de STF, de da ligação de Flávio Bolsonaro com o Vôrcaro, como é que a campanha dele, como é que ele vem se portando também, como é que a gente pode fazer também essa análise?

MRMarco Ruediger

Tá bom, eu vou só te pedir licença só para voltar essa coisa da Bet, que eu acho que é importante. Vou dar uns números aqui. Então a gente tá falando aqui de mais de 1,4, 1,5 milhão de posts com 32 milhões de interações, assim, é muita coisa por período pouco menor do que 7 dias. Então é muita coisa, impacto é muito grande. Eu acho curioso que os clubes de futebol, pega o Flamengo, por exemplo, né, assim, e é um clube obviamente enorme, querido demais, enfim, do Brasil, talvez o clube mais popular, talvez, enfim, não sei, com Corinthians.

O Flamengo realmente é muito forte, potente, mas o Flamengo já teve situações financeiras difíceis e foi retirado. Na época era o Bandeira de Mello, foi presidente do Flamengo, Ele recuperou o Flamengo e não tinha bet, não tinha bet. Então por que que a bet é tão fundamental para o Flamengo existir, por exemplo? Então o presidente do Flamengo foi violentamente contra essa medida do governo. Ok, mas vamos fazer uma discussão agora, vamos fazer uma discussão que talvez o Flamengo seja maior do que a bet.

Será que Flamengo não é maior do que a questão das bets? Será que Flamengo é insensível, a direção do Flamengo é insensível, por exemplo, para a questão da saúde pública? Né, do vício que as famílias estão sendo levadas. Eu acho que são questões importantes serem trazidas na mesa também. Não é só simplesmente dizer, ah, perdemos essa receita, é fim do mundo. Não foi fim do mundo no interior, não foi. Já houve presidentes do Flamengo muito bem exitosos e que souberam administrar muito bem a imagem, o patrimônio do clube, que tiraram o clube de uma situação difícil e botaram funcionando bem.

Então eu acho que aí é uma outra questão, uma outra discussão. Então isso é muito importante. E aí sim, Eu concordo com você e falo para você que são nuvens que são criadas, que nem o Trump fazia, que nem ele faz. Você tem um problema, faz uma guerra. Você tem um problema, muda o Golfo do México ao Golfo dos Estados Unidos. Você muda agenda, muda agenda e confunde as pessoas. A gente vive uma economia e uma vida hoje que é do olhar e da informação rápida, e as pessoas vão sendo desviadas do que interessa.

A escolha da semana que vem, ela é muito importante. Você confia em quem você vai votar. Essa é uma, esse é um ponto central. Você confia em quem você vai escolher? Essa pessoa é digna da sua confiança ou você talvez acha que não é?

CCarol

Eu vou fazer uma breve pausa, Marco, só para a gente ir para o Repórter CBN e breve intervalo. Eu quero voltar com você porque a gente consegue responder também essa questão, né, que a gente mencionou da desinformação, estratégia de campanha. E nessa reta final, o que que você acha que é importante a gente ficar de olho, tá? Na sequência aqui do repórter CBN, a pedido dos nossos ouvintes, mais 5 minutos para Marco Rüdiger terminar aqui o nosso comentário, porque a gente precisava de 3 horas para esse quadro da Semana Política, né, Marco?

Mas vamos lá, duas coisas que eu quero de você agora rapidinho. Comenta para mim a questão da desinformação e a história de Nossa Senhora Aparecida, e o que que a gente tem que ficar de olho nessa semana importantíssima, coroando, né, esse ano de 2026 agora com esse momento eleitoral?

MRMarco Ruediger

Olha, Petra, essa questão é nossa parecida. Foram 5 milhões de interações que houveram nesse caso, tá? E aparentemente, assim, a campanha do Flávio Bolsonaro diz que não partiu dele, na verdade foi uma desinformação que foi plantada. Tudo isso é possível e é lamentável se assim foi, mas eu não sei de que forma isso de fato se deu. E eu acho que o TSE tem que averiguar esse negócio. Agora, de qualquer maneira, a gente tem uma situação que é a seguinte: eu me sinto muito, muito confortável, viu, Petra, com falar sobre esse assunto pelo seguinte: eu sou de formação católica, tá?

Mas assim, meu pai era luterano, minha mãe era católica, a minha madrinha era espírita, meu padrinho era judeu. Eu não sei como é que eles conseguiram na época esse arranjo, mas eles fizeram esse arranjo. E eu acho esse arranjo, sempre fez muito minha cabeça, no sentido seguinte, assim, eu tenho muita, eu gosto muito das religiões, você sabe disso, né? E gosto também muito do budismo, gosto muito, enfim, do hinduísmo. E eu tento, busco síntese onde é possível, mas onde não é possível, eu simplesmente aceito que o outro tem uma outra visão de mundo, né?

E se você olhar historicamente, os luteranos, anglicanos no Brasil, os batistas também, Sempre foram pessoas com uma formação muito, muito assim boa, né? E nunca houve um conflito, uma coisa assim odienta, uma coisa de tentar fazer o mundo ser exatamente como eles pensam. Simplesmente você aceita a diversidade e toca para frente. O Brasil é o Brasil, a estrutura do Estado é laica e cada um cuida, digamos assim, do seu rebanho.

Então eu acho que houve nos últimos anos no Brasil, vamos Vou colocar 30 anos para cá, uma radicalização crescente pelo, pelo, por grupos assim mais radicais, né, divisores em pontos, suas visões de mundo e fazendo uma guerra santa, né. Quando você faz uma discussão, por exemplo, ah, eu vou colocar no STF um ministro e que é, que é radicalmente evangélico e tal, não sei o quê. Eu tenho nada contra os evangélicos, veja bem, evangélicos no país que dão contribuição gigantesca, mas o cara no no STF, ele tem que ser excelente naquele tema, na questão jurídica.

E quando tem problemas, olha o problema que a gente tá tendo aí, olha o que a gente tá vendo aí. Então não é uma questão da religião em si, entendeu? Acho que a religião não pode ser assim, não pode ser o ponto basilar pelo qual você nomeia pessoas ou não nomeia pessoas, entendeu? Eu acho que a qualidade, a probidade, a correção é que você tem que ter— agora é claro que você nomeia alguém, você não sabe como é que essa pessoa vai agir depois, mas esse é o ponto.

Então eu acho que os evangélicos têm que ter todo respeito, eles têm que ter obviamente espaço na agenda pública, na discussão das pautas, como os católicos têm que ter, como os judeus têm que ter, sabe? Eu acho que isso é muito importante. Então essa discussão, ela traz uma discussão que ela tem uma outra origem, origem de uma radicalização na visão da política e a mistura da política com a religião, que eu acho que é extremamente corrosiva a capacidade de junção, de unidade das pessoas.

Eu vou te falar assim, tem uma parte da homilia na missa, né, que é colocada assim em determinado momento: paz na terra aos homens de boa vontade. Eu diria às mulheres de boa vontade também, porque a questão é a seguinte: você tem que ter boa vontade porque nós somos diferentes. E a única coisa que pode fazer com que nós não, não, não, não façamos o pior de nós e sim o melhor de nós é nós entendermos isso. A boa vontade, a boa vontade com o outro, é empatia também, é entender um pouco o outro.

Nós temos nossa posição, mas assim, vamos, vamos chegar no meio termo aqui. Esse é o problema da vida que a gente tem hoje no Brasil, na política. Onde tá o meio termo? Onde tá a razoabilidade? Porque a pauta política assentada simplesmente no ódio, na destruição, na negação principalmente das instituições, ela é nefasta para o país, ela é corrosiva para o país. Assim, o problema do Brasil não é o STF, o problema do Brasil são as pessoas eventualmente no STF.

O problema não é o Executivo, são as pessoas no Executivo. O problema não é o Legislativo, são as pessoas no Legislativo. Então vamos melhorar as instituições, entendeu, Pedro?

CCarol

Essa é minha visão. Eu concordo. E para essa semana, você me dá um gancho aí para essa semana, o que que a gente precisa ficar atento e o que que você sente aí que nos próximos dias vão ser, vai ser importante até essa reta final no próximo final de semana? 2 minutinhos.

MRMarco Ruediger

Ou eu tenho esperança que a gente tenha pelo menos um debate com todos os candidatos a presidente. Eu acho que isso é importante, entendeu? Eu acho que o fato de ter vários candidatos de um campo e um só do outro gera um desequilíbrio no debate em si. Mas eu acho que isso não tem como ser evitado nesse momento. Acho que é a última semana. E eu diria para vocês, meus queridos, assim, irmãos e irmãs brasileiras, o negócio é o seguinte: olhem bem com quem vocês pensam em entregar o país.

Eu acho que essa é a questão. Então essa semana, esquece o blá-blá-blá, esquece um xingando o outro. O que que de fato tá sendo proposto? Qual o plano econômico? O que que tá se querendo fazer na economia? O que que tá se querendo fazer com a aposentadoria das pessoas? O que que tá se querendo fazer com a saúde pública, né? A saúde pública é uma coisa fundamental. E educação, como é que ela fica? E a discussão dos grandes temas que tem hoje no mundo: a inteligência artificial vai tirar o emprego?

Você vai continuar tendo emprego? Se você não tiver emprego, você vai ter um treinamento para ter um outro emprego? Me diz como é que vai ser a sua vida, pensa nos seus filhos, que a gente vai estar entregando por 4 anos, se for nesse primeiro turno, senão daqui a pouco, né, se for no segundo turno. Mas a gente vai estar entregando por 4 anos um presidente que vai ter que lidar com o Congresso, no Senado que vai ser muito diferente do atual, né, e eu não sei se vai ser para melhor, né, que é uma lástima, e que ainda vai nomear 4 ministros para o STF.

Então é um presidente que vai ter um poder muito grande e vai poder mudar sua vida. E se ele quiser E se a pauta dele é mudar sua vida na essência do que significa sua liberdade, querendo impor costumes a você, querendo impor soluções a você, desconfie. E desconfie de quem não quer falar tematicamente sobre a política. Que que é economia? Que que é a vida que vai ser daqui para frente? Qual o futuro que eu tenho? Essa questão, olhe com cuidado.

CCarol

Marco Rüdiger aqui com a gente. Marco vai estar comigo semana que vem, no sábado, porque a gente vai ter essa edição especial do Revista. Com Marco, com Sílvio, com Uriã, o Bruno, todo mundo aqui nessa expectativa para o nosso próximo domingo. Semana reta final política, eleições, momento tão, tão, tão importante para o nosso Brasil querido. Um beijo enorme para você, bom trabalho, boa semana, força! Chegaremos até o próximo final de semana.

MRMarco Ruediger

Um beijo, um beijo para você, um beijo para todos os nossos brasileiros, brasileiras.

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