Plataforma reúne mais de 230 candidaturas comprometidas com a agenda climática nas eleições
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Beatriz Pagy
- A plataforma Vote Pelo Clima e sua relevância nas eleiçõesiniciativa suprapartidária·conexão eleitores e candidaturas·adesão de entidades e candidaturas
- Como acessar e utilizar a plataforma Vote Pelo Climavotepeloclima.org·filtro por cargo e estado·denúncia de candidaturas desalinhadas·materiais de apoio e Farol Verde
- O papel da agenda climática em um cenário eleitoral polarizadocampanha de escândalos·pautas propositivas pouco debatidas·clima como pauta transversal
- Critérios de inclusão e transparência da plataforma Vote Pelo Climaverificação de validade da candidatura·combate a discursos de ódio·histórico de crimes ambientais·compromissos mínimos autodeclarados
- Acompanhamento das candidaturas eleitas pela plataforma Vote Pelo Climarede de parlamentares Mandato C·apoio técnico constante·monitoramento de compromissos
Bom, nesse momento em que o debate propositivo eleitoral tá tão interditado pelos escândalos, a gente busca resgatar um pouco isso para trazer informações a respeito de uma plataforma que é uma iniciativa suprapartidária. É a plataforma Vote Pelo Clima, que conecta eleitores a candidaturas comprometidas com a agenda climática nas eleições de outubro. Nossa convidada é a diretora executiva do Clima de Política, Beatriz Pagy. Seja muito bem-vinda aqui à CBN. Obrigada por estar com a gente, Beatriz.
Obrigada a vocês, né, Deja?
Olha, já temos 102 entidades apoiando a plataforma, 236 candidaturas. Quero começar te ouvindo sobre como você avalia a adesão, né? Como eu dizia, as pautas propositivas, as questões práticas estão muito pouco debatidas nesse processo eleitoral que tá tão tomado por questões outras, e essa iniciativa acaba tentando resgatar um pouco das coisas que precisam ser tratadas, né?
Sim, acho que essas eleições em particular, elas acabaram saindo totalmente dessa agenda programática, né, de qual que é o conteúdo de fato do que afeta a vida das pessoas. Ela tem ido para uma campanha de escândalos, né, então quem que desmoraliza o outro mais. Mas acho que é importante que a gente lembre de que a gente não tá só tratando de uma eleição presidencial, a gente tá tratando das eleições majoritárias, né, nacionais, que tanto definem os estados quanto o nosso Congresso.
Também. A gente trouxe o Vote pelo Clima muito a serviço das pessoas que realmente querem olhar mais aprofundadamente para isso, mas muitas vezes não vão ter tempo para olhar cada uma das candidaturas, né? Eu trago aqui um exemplo de que São Paulo, né, só para deputados federais tem mais de 1000 candidatos. Então como é que a gente vai fazer realmente para olhar cada um dos perfis desses 1114 candidatos, olhar o histórico, olhar as promessas?
É realmente uma tarefa de que ninguém realmente vai fazer. Então, Vote pelo Clima surge com essa proposta de a gente pegar tanto pautas que já são muito afetas à vida das pessoas, né? Então, olhando o clima não como uma pauta ambiental, mas como uma pauta que atravessa bandeiras políticas que já são muito caras a todas as pessoas. Então, a gente coloca lá como o clima afeta a saúde, como o clima afeta a infraestrutura, como ele afeta o custo de vida e até como ele afeta a segurança pública, né?
Então, como a alta temperatura pode afetar nível de violência nas cidades ou os desastres, né, que a gente fala tanto, e olhar ele como uma, não um fator desmobilizador, mas para olhar quais são essas propostas concretas que podem enfrentar isso e não só evitar um desastre, mas ser um novo modelo de desenvolvimento, uma coisa que de fato estimule e impacte a vida dessas pessoas, né. Então a gente tem sentido um aumento grande no interesse em todo o espectro político, né.
O pelo Clima, como você bem comentou, ele é super partidário, né, ele é apartidário, mas ele, né, olha para diferentes partidos políticos, aceita todos os partidos. E a gente fez esse convite direcionado para todos os diretórios partidários. Então todos os diretórios, tanto nacionais quanto estaduais, receberam esse convite, foram convocados para se inscrever. E a gente vê que tem realmente um aumento. Nas últimas eleições majoritárias, a gente teve 200 candidaturas cravado que estavam inscritas e válidas na plataforma.
Esse ano, mesmo com uma diminuição do número total de pessoas concorrendo ao pleito em 30%, a gente vê que teve, já tem um aumento. Então já tem 236 pessoas candidatas olhando para essa pauta. Então isso a gente vê que mesmo com a diminuição tem um aumento da procura, tem um aumento de pessoas que estão se comprometendo e de pessoas que estão acessando a plataforma e querendo saber quem são representantes políticos que valem a pena de votar.
A política vai continuar aí independentemente dos escândalos. A gente vai ter pessoas que vão ser eleitas. Então quem que realmente vale a pena de direcionar os nossos votos?
E é uma plataforma que já houve em outras eleições, né, Beatriz? Sobre as pessoas que foram eleitas e passaram pela plataforma desde os outros pleitos, existe um acompanhamento do que fizeram depois? Isso facilita até para que a pessoa eleitora acompanhe o que aquela pessoa fez, se ela cumpriu os compromissos de campanha. Como é isso?
É, as últimas, todas, depois de todas as eleições, o que a gente faz especialmente para o Legislativo, né, que é mais difícil de acompanhar, a gente tem uma rede de parlamentares pelo clima que é a Mandato C. A Mandato C é uma rede que hoje tem mais de 150 membros em todo o Brasil e que a gente não só acompanha os compromissos, né, mas a gente também faz esse monitoramento, mas um apoio técnico constante. Então a gente traz tanto especialistas para falar de diferentes temas, a gente traz, promove o pluripartidarismo, né, que a gente coloque os próprios candidatos de partidos diferentes, cidades diferentes, estados diferentes, para conversarem entre si, discutirem quais são esses desafios para avançar com a agenda e quais são estratégias políticas que também funcionam para que isso seja destravado, né.
Então a gente faz esse acompanhamento, são lideranças que são muito engajadas com a agenda, muitas vezes elas acabam sendo minoritárias, né, mas a gente faz o possível para que isso continue acontecendo. Acontecendo, né? E a gente tem cada vez mais desenvolvido mais metodologias de acompanhamento. Como são muitos mandatos, né, e um mandato só ele não vai conseguir necessariamente aprovar alguma coisa por conta própria, a gente consegue pelo menos entender como tem sido esse discurso que tem avançado e as propostas que o mandato tem colocado para frente.
Então a gente faz sim esse esforço, a gente acredita que isso é fundamental, inclusive porque a eleição é só uma porta de entrada, né? Ela é só um ponto numa linha do tempo muito mais ampla da participação política. Então é importante que as pessoas tenham essa visibilidade, essa transparência, de uma forma que elas consigam de fato continuar cobrando, né? Não ser só esse momento de, ah, eu votei, a pessoa pediu o meu voto e ela nunca mais apareceu, até daqui 4 anos quando ela vai pedir de novo o meu voto, né? Então isso é uma parte muito importante do nosso trabalho também.
A diversidade partidária é grande? Ela vem crescendo? Eu pergunto porque você falou, né, é uma plataforma partidária, suprapartidária, todos todos os partidos podem se inscrever, mas a gente sabe que a pauta climática se concentra mais em alguns partidos ou aparece mais em alguns do que em outros, ou não necessariamente aparece em todos, né?
É, o posicionamento dos partidos ele é bastante diferente, mas a gente tem visto a tendência de que o negacionismo climático, né, ele fique muito menor com o passar do tempo, né, que a gente saia dessa parte de narrativa de que, ah, é só, por exemplo, só a esquerda ou só os progressistas. A gente de que é uma pauta que ela tem gerado muitos consensos, né, especialmente quando a gente olha nos impactos, né. Então tem uma diversidade partidária desde, desde o início, tem uma diversidade partidária grande, de entre 2/3 dos partidos que existem registrados no TSE, eles têm candidaturas envolvidas com isso, né.
Então esse é uma prova de que isso realmente é um problema que ele vai para além de um espectro, para além de um partido, e precisa que seja para além de um partido. Partido, né? Um dos grandes trabalhos é que a gente convença de que todos estão envolvidos, que é uma crise, uma emergência que precisa ser endereçada por todos. Então, outra prova disso é até as grandes crises, as grandes enchentes que aconteceram no Rio Grande do Sul alguns anos atrás, em que a gente viu que o recurso veio, né, de muitas emendas parlamentares, e a resposta de todo o espectro político, né?
Então, todos os partidos estavam envolvidos nessa resposta. Acho que o desafio é que isso não esteja só numa uma proposta depois e sim numa agenda programática antes, né, que isso seja um plano sustentado e que não em cada governo, em cada ciclo, a gente tenha que resetar esses compromissos e começar de novo, né. Esse é o grande desafio da continuidade.
Queria te ouvir um pouco mais sobre esse filtro, né. É uma autodeclaração de compromisso? Quem que não pode estar na plataforma? Como isso funciona?
A gente deixa isso muito transparente também na própria plataforma, então quem quer saber mais consegue olhar a nossa metodologia no Sobre, né? A gente entende que isso também faz parte da confiabilidade da plataforma, né? É importante que a gente tenha isso. Então o primeiro passo é verificar se a candidatura ela é válida, se ela existe no TSE registrada. A gente puxa isso através dos dados públicos da própria pessoa que tá lá se inscrevendo.
Em segundo lugar, a gente verifica se é candidatura. Ela propaga discursos de ódio na internet, nos seus discursos públicos, nas suas redes sociais. A gente entende que isso não é, não tá alinhado com a transição climática justa. Em terceiro lugar, a gente olha se essa candidatura tem um histórico de crimes ambientais. Então a gente faz esse cruzamento com os dados do IBAMA, essencialmente, para verificar se houve alguma infração que também seria incompatível com ela tá ali, né, nessa plataforma sendo divulgada.
E por fim, o que é autodeclarado são duas coisas: os 4 compromissos mínimos estabelecidos pelo Vote pelo Clima, que são os 4: defesa da democracia, proteção dos direitos humanos, enfrentamento da crise climática de fato e o respeito aos limites ecológicos do planeta. E depois disso ela seleciona 5 prioridades políticas, né, são 5 bandeiras políticas das 20 que a gente alocou na plataforma, porque a gente entende também que quem se compromete com tudo não se compromete com nada, né.
Quem prioriza tudo na verdade não tá priorizando nenhuma agenda. Então ela tem que selecionar até 5 prioridades. Então ela pode, por exemplo, escolher educação, segurança pública, saúde. E aí, a partir do momento que ela seleciona, ela tem que escrever de uma forma muito breve para o seu eleitorado o que que é o compromisso que ela tá fazendo com aquela bandeira política, que pode ser desde, ah, eu vou colocar painéis solares em todos os hospitais públicos, até vou fazer um refúgio climático para as pessoas quando tiverem picos de calor em prédios públicos.
Então tudo isso fica a critério da própria candidatura. A gente não coloca o que que tem que ser, porque a gente entende que esse conteúdo autodeclarado tem que vir da própria candidatura, seja a partir dos seus, da sua, apoio da sua equipe técnica, do seu partido, das suas crenças. Então essa parte autodeclarada a gente não faz juízo de valor em cima disso, até para a gente ficar dentro do respeito à legislação eleitoral.
Perfeito. Muitos ouvintes aqui perguntando sobre como acessar. Vou, para a gente se despedir, Beatriz, abrir um espaço para você convidar o nosso ouvinte para conhecer a plataforma, saber o que que ele encontra lá, como que faz. Fica à vontade.
Perfeito, obrigada, né, Jeija. É muito fácil, é literalmente votepeloclima.org. É uma plataforma pública, ela é aberta, os dados estão lá disponíveis para todo mundo. Para além dessa parte, né, do lado B, de como é que funciona por trás, né, da metodologia, logo na home você vai encontrar Conheça as Candidaturas. Quando você clica no Conheça as Candidaturas, já vai te falar quantas candidaturas estão inscritas e válidas. E aí você vai preencher com o que tem de interesse para você.
Então, qual que é o cargo que você tá em dúvida, que você ainda quer decidir, ou se você quer olhar todos os cargos, você não precisa selecionar isso. Você seleciona o estado onde você vota. E aí, se você tiver alguma preferência por alguma bandeira política, você seleciona quantas bandeiras políticas você quiser. TSE, além de poder fazer opção por o gênero específico da candidatura ou a raça específica da candidatura, até orientação sexual, que são todos dados autodeclarados também disponíveis no TSE.
E aí você vai ver essa lista de nomes, né, e também esse resuminho, e cada candidatura vai ter o seu pequeno perfil. Inclusive, se tiver uma candidatura que você fale, mas eu sei que essa candidatura não tá alinhada com essa agenda, eu acredito que ela não está alinhada, uma terceira camada de verificação é que os próprios eleitores podem denunciar uma candidatura que acha que não está alinhada com o clima, e a gente vai fazer uma nova verificação também.
Então a gente realmente encoraja que tenha muita participação social, que as pessoas voltem a acreditar na política, né, voltem a confiar na política a partir do uso do Vote pelo Clima. E aí quem quiser também saber mais, para além de acessar e definir seu voto, pode se envolver sendo mobilizador também, né. A gente tem esse grupo de mobilizadores no WhatsApp que pode compartilhar, tem desafios aí as pessoas diariamente olharem isso.
E por fim, a gente tem uma série de materiais de apoio que essas 102 organizações da sociedade civil ajudaram a gente a fazer essa curadoria, que são materiais complementares ao vote, inclusive análise de planos de governo dos presidenciáveis e de alguns dos governos. Estão lá disponíveis para pessoa ver o que que tá sendo prometido. E é uma plataforma recente também que acho que vale a pena de mencionar, é o Farol Verde, que ele olha para o histórico de votação de todas essas pessoas que estão concorrendo à reeleição no Congresso, o que acho que é um complemento bastante interessante para o Vote também, para quem quer acompanhar isso com mais detalhes, né?
Perfeito. Então é isso, um ótimo ponto de partida para um alerta que eu sempre tento fazer aqui para o nosso ouvinte. Gente, eleição é um direito nosso que nem sempre a gente teve, que nem todos os países têm. Não se contente em votar em quem, sei lá, seu chefe, seu marido falou que é para votar, seu pai, sua mãe, catar um santinho no chão na hora de ir para urna e votar em qualquer pessoa, e depois passar 4 anos indignado, revoltado, reclamando com os absurdos que aconteceram na sua Assembleia Legislativa, na Câmara dos Deputados, com aquilo que foi feito pelo seu governador, pelo seu senador, pelo presidente da República.
Pesquise, vote, tenha um pouquinho de trabalho para exercer esse dever cívico, que é sobretudo um direito. É um dever também, a gente é obrigado a votar, mas é um direito. E é isso que vai orientar como serão os próximos 4 anos da vida no seu estado, no seu país. É um bom ponto de partida se você se preocupa, e eu tenho certeza que você se preocupa com a pauta climática. Procure a plataforma Vote pelo Clima e comece por aí. Beatriz Pagê, diretora executiva do Clima de Política, um prazer te ouvir. Parabéns pelo trabalho, volte sempre à CBN.
Obrigada, obrigada a vocês. Tchau, tchau, bom dia.