Eleição presidencial não deve ser resolvida no primeiro turno, avalia pesquisadora
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Adriane Buarque
- A possibilidade de segundo turno nas eleições presidenciais e o voto útilempate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro·voto útil de candidatos com baixa porcentagem·mudança na disposição do primeiro e segundo turno
- O perfil dos eleitores de candidatos menores e o possível beneficiário do voto útilespectro ideológico de Cury, Caiado, Renan e Zema·voto útil favorecendo Flávio Bolsonaro·movimento nas redes sociais para eleger Lula no primeiro turno
- A ausência de debates na campanha eleitoral e o impacto para o eleitorpoucas propostas de governo·embates e acusações entre candidatos·STF como ator político·prejuízo ao eleitor na tomada de decisão
- O engajamento pelo ódio e o voto de protesto nas eleiçõesestudo da USP sobre engajamento pelo ódio·voto não por apoio, mas por rejeição ao outro·aumento e declínio de Augusto Cury·exemplo de Wilson Witzel no Rio de Janeiro
- As medidas eleitoreiras do presidente Lula às vésperas da eleiçãopacote de bondade e aumento do Bolsa Família·promessa de caneta emagrecedora pelo SUS·ameaça de proibir as bets·impacto no Nordeste e mudança de posicionamento de voto
- A parcela de eleitores indecisos e a possibilidade de voto útil20% dos eleitores podem mudar o voto·voto útil em candidatos com semelhança·ajudar a eleger em primeiro ou levar ao segundo turno
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Muito bem, aqui no CBN Madrugada, espaço para a gente falar um pouco mais sobre eleições. Saiu nesta quinta-feira mais uma pesquisa Datafolha para a presidência da República, e no primeiro turno a distância do presidente Lula para Flávio Bolsonaro subiu um ponto, de 3 para 4, mas permanecem aí em empate técnico. Lula passou de 39 para 40 e Flávio Bolsonaro manteve os 36 pontos percentuais num cenário de segundo turno, num provável segundo turno.
Ele, a distância entre os dois continua em 1 ponto percentual segundo Datafolha. Lula passou de 46 para 47 e o Flávio também subiu 1 ponto, de 44 para 45. Na verdade, continua em 2 pontos a diferença, permanece em 2 pontos também, é empate técnico. No primeiro turno, os demais candidatos, né, lembrando então, Lula tá com 40, o Flávio 36, o terceiro o candidato Augusto Cury com 5 pontos percentuais, depois vem o Caiado com 4 e Renan Santos Sizema com 3 pontos percentuais.
A gente vai conversar aqui no CBN Madrugada com Adriane Buarque, que é coordenadora do Esfera Lab, que é o laboratório de pesquisa e comunicação política e pública da ESPM. Adriane, muito bom dia, um prazer tê-la conosco aqui na CBN.
Muito bom dia, Galvão, é um prazer estar aí com vocês.
Bom, esse cenário que a gente lembrou aqui para nosso ouvinte, o nosso ouvinte, na sua opinião, consolida realmente um segundo turno entre Lula e Flávio, ou você acredita que ainda exista a possibilidade de uma vitória em primeiro turno, ou que outro candidato acabe chegando ao segundo turno, hein?
Olhando esse mapa hoje, né, do resultado da pesquisa, eu vejo que há possibilidade sim de um segundo turno, né. Acredito que vai ser uma eleição bem concorrida, como foi a última eleição também. É o que que a gente vê aqui nos números, a gente vê esse empate técnico muito difícil, né, dos eleitores irem para Lula ou irem para Flávio Bolsonaro, né, ter essa mudança de posição. Eu acho que pode acontecer, que que eu vejo que pode acontecer quando sair a última pesquisa, que é a pesquisa de sábado de manhã que geralmente sai.
Eu acho que pode acontecer pode ser aí uma possibilidade de voto útil, tá? E aí, da onde vem esse voto útil? Eu acho que esse voto útil pode vir do Augusto Cury, do Ronaldo Caiado e do Renanção, até do Zema também, né, da Samara. Eu acho que esses que estão com uma porcentagem mais abaixo, o eleitor pode repensar o seu voto. Então eu acredito que a gente pode ter uma mudança aí na disposição de quem vai ser o primeiro ou segundo no segundo turno.
Isso realmente, se acontecer essa possibilidade de voto útil, que a gente sabe que muitas vezes acontece.
Bom, e analisando aí o espectro ideológico desses candidatos, Augusto Cury, Caiado, Renan Santos e Zema, qual dos dois seria mais beneficiado nesse voto útil, Lula ou Flávio Bolsonaro?
Eu vejo pela questão partidária e pela questão de proposta de governo, tem demais para Flávio Bolsonaro. O que a gente tá vendo hoje, o movimento nas redes sociais muito grande para tentar fazer uma eleição, ser Lula reeleito no primeiro turno, né? Eu acho que isso é inviável. Né, que a gente tá vendo uma quantidade gigantesca de vídeos e reportagens, né, para tentar fazer que não haja segundo turno. Eu não vejo essa possibilidade, até porque eles estão muito próximos, né.
Então assim, a gente tá vendo que tem um empate técnico. O que eu vejo sim, essa possibilidade de voto útil de Flávio podendo até passar Lula, né, nessa, indo segundo turno, né?
Como que você avalia a ausência de debates até agora, né? Tivemos a desistência dos candidatos no primeiro debate lá da Band, o debate da Record que aconteceria neste domingo também foi cancelado porque tanto Lula quanto Flávio disseram que não iam. Como é que você vê do ponto de vista do eleitor, né, que não tem condições de avaliar as propostas e tal, como é que você vê essa ausência de debates nessa campanha, hein?
O que eu tô observando, Galvão, nessa campanha é uma campanha que tá com muito pouco proposta de governo. A gente até tem proposta de governo no HDP, né? Mas a gente tem muito embate entre eles, né? Um acusando o outro, um mostrando que o outro fez de errado. Então assim, as pautas, né, muito em cima do STF também, né. A gente tá vendo o STF como um ator político dentro da eleição, o que a gente nunca viu também, que atrapalha um pouco essa questão de— porque o eleitor, ele quer saber o que que os candidatos estão pretendendo fazer nos seus governos, né.
Então quando você tem outras pautas que interrompem isso, o eleitor acaba não tendo essa informação. E aí isso acaba também atingindo, né, a questão do debate. Então a gente assim teve um primeiro debate que eles não foram, né, o da Band. Agora o da Record cancelado. Exatamente por quê? Porque você tem pautas, né, que estão fora da questão de governo mesmo. Mas são pautas que estão mexendo com a candidatura deles. Então eles acabam não indo exatamente para poder não entrar no debate relacionado a essas pautas que realmente os opositores iriam levantar, né, caso acontecesse a presença deles nos debates.
Então eu vejo assim, ó, a falta de debate prejudica o eleitor, porque o eleitor ele assiste, o eleitor ele comenta o debate dentro do Twitter, dentro das redes sociais, ele interage com esse momento. Então acho que isso acaba realmente fazendo com que o eleitor fique um pouco perdido, porque ele não tem um dos principais momentos de entender um pouco o governo, de debater, e esses momentos não estão sendo apresentados.
A gente tá conversando aqui no CBN Madrugada com Adriane Buarque, coordenadora do Esfera Lab, que é o laboratório de pesquisa e comunicação política e pública da ESPM. A questão da rejeição, Adriane, mas além da rejeição, a gente lembra que eu tenho lembrado bastante aqui no CBN Madrugada um estudo da USP, também da Universidade de São Carlos, que mostra o que eles denominaram de engajamento pelo ódio, né? Isso foi identificado na última eleição, aproximadamente metade dos eleitores de Lula e de Jair Bolsonaro naquele momento votaram num determinado candidato não porque apoiavam aquele candidato, mas porque não queriam o outro, né?
Muitos não queriam a continuidade do bolsonarismo, né? E outros não queriam a volta do PT, do presidente Lula. Você enxerga esse engajamento pelo ódio também nesta campanha, nesta eleição?
No início, há umas 3 semanas atrás, eu tava enxergando isso quando a gente tava vendo o Augusto Cury aumentando. E quando a gente tava vendo exatamente dentro das redes sociais as pessoas falando muito sobre o Augusto Cury, principalmente quando ele foi para sabatina, das entrevistas que ele tá dando, Então ele trouxe um aumento, mas agora a gente já viu que deu declínio, né? Então se a gente for ver, ele já tá com 3%, né? Então teve esse declínio.
Eu acredito que é muito difícil, né, ter esse voto aí, né? Esse é o que a gente chama um pouco de voto de protesto também, né? A gente chama isso, né, não só de ódio, mas de voto de protesto, que é a nomenclatura mais usual. E que que eu também analiso? Eu acho que é muito ponto para passar, mas também eu não vou dizer que não possa acontecer, porque aqui no Rio de Janeiro a gente já viu acontecer isso, né? Então teve uma eleição que realmente o terceiro, o terceiro lugar, ele acabou ganhando em primeiro turno.
Então assim, São fatos que podem acontecer e isso, né, a gente não consegue prever.
Você tá se referindo ao Wilson Witzel, acredito? É que inclusive foi afastado, né? Foi uma surpresa enorme. A gente foi conhecer o Wilson Witzel quando ele foi eleito, né? Quem é de fora, obviamente quem é do Rio conhecia, mas quem é de fora, né?
Nem a gente do Rio que pesquisa. Claro, a gente sabia que ele tava na campanha, né, mas ele tava com os pontos muito baixos. Então assim, quando eu acordo o outro dia, que porque demorou, né, a sair o resultado, quando eu acordo, eu falo, que isso? Quem é esse vítima que acabou sendo eleito? Então assim, é o que a gente fala, são previsões que a gente não consegue dar, né, mesmo a gente tendo pesquisa. Porque a pesquisa não é fato que realmente vai concretizar, né?
Ela te dá suposições, ela acerta muito, mas também a gente já viu pesquisas errarem. Então, como nesse caso do vício, então por isso que eu falo, pode ser que tenha esse voto, né, de protesto, que as pessoas realmente, né, não estão falando, até porque a gente tem uma amostra. Se a gente vê o Brasil todo É uma amostra pequena relacionada ao Brasil todo, então pode ser que venha surpresa, mas a gente tem que esperar 4 de outubro.
Sim. Bom, o presidente Lula tem anunciado aí, né, um pacote de bondade. Semana passada, aumento no Bolsa Família. Prometeu, se reeleito, oferecer caneta emagrecedora pelo SUS. Tá ameaçando proibir as bets. Esse esse tipo de medida às vésperas da eleição, qual é o possível efeito disso, hein, Adriane?
Eu vejo isso como uma ação eleitoreira, né? É exatamente, né, o que a gente tá vendo. Tipo, claro, ele é presidente, ele vai justificar que foram tomadas decisões já planejadas, mas o que que a gente vê? Que realmente tá impactando. Então, se você pegar um pouco amostra do Nordeste, onde ele tinha caído, principalmente você pega Recife, que eu fiquei sabendo que lá ele tava caindo um pouco, que que você vê quando tem essa, esse aumento do Bolsa Família?
O Nordeste já começa, né, a mudar o seu posicionamento de voto, né? Claro que a gente vê uma campanha do Flávio muito forte no Nordeste, Ele tem ido muito para o Nordeste fazendo campanha em várias cidades, exatamente para pegar esse eleitor que não é eleitor dele, é para mostrar propostas, para mostrar quem é ele também, porque muitos dos eleitores do Nordeste podem não conhecer porque ele não faz parte daquele território, né?
Então ele tem um pouco aí de fazer essa construção política também. É claro que ele é ancorado ao pai, ele usa o pai, mas o que a gente tem visto muito, ele usar a família, né? Então se você pegar o HGT e começar a ver alguns takes, você vai observar que a família também tá sendo o centro da campanha dele. A mulher, né? Porque ele tem um voto feminino inferior a Lula. Se a gente pegar Lula, a gente vê que o voto feminino é maior no Lula.
Então ele tá trazendo a esposa, a filha, né, a família para dentro da campanha. Então a gente começa a observar esses elementos também, que são elementos que ajudam, né, ao decorrer de uma campanha política. Mas precisamos, são observações, né?
Para a gente fechar o nosso papo, Adriane Buarque, você destacou aí a possibilidade de, nas vésperas ali da eleição, alguns eleitores partirem para o voto útil, a possibilidade de que esse voto útil vá mais para o Flávio do que o Lula. Eu tô vendo aqui essa pesquisa Datafolha, ela checou também que medida os eleitores estão totalmente decididos ou não, e 20% dos eleitores dizem que ainda podem mudar o voto. Essa parcela aí de um quinto, 20% do eleitorado que pode mudar, tá dentro da normalidade.
É justamente em cima dessa parcela que você enxerga essa possibilidade do voto útil.
Eu enxergo dentro dessa possibilidade o voto útil, mas eu também enxergo da possibilidade dos outros candidatos, né? Porque a gente tem os indecisos também, a gente tem um voto em branco também, aí a gente tem os votos dos outros candidatos. Geralmente esses votos dos outros candidatos, as pessoas também começam a ter essa mudança. Por quê? Porque elas começam a pensar: vou votar no candidato X, mas ele tá com uma porcentagem muito baixa, então eu vou procurar o candidato que tem uma semelhança próxima de quem eu queria votar, o meu voto realmente ajudar esse candidato, né, a eleger em primeiro turno, ou, né, levar ele para um segundo turno com bastante voto. Então eu vejo essas duas análises, entendeu?
Muito bem. A gente agradece demais a participação aqui no CBN Madrugada, Adriane Buarque, que é coordenadora do Laboratório de Pesquisa e Comunicação Política e Pública da ESPM. Adriane, muito obrigado, um bom dia e até uma próxima, hein?
Obrigada, até uma próxima.
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