Guerra às Drogas’ retorna sob novo nome e reacende debate sobre soberania
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Milton
Cássia
Walter Fanganiello Mairovic
- A repaginada da Guerra às Drogas de Trump como Escudo das AméricasTrump exibe filme já assistido·Escudo das Américas·War on Drugs de Nixon·adesão de 15 países latino-americanos
- A geoestratégia por trás do Escudo das Américas e a soberania dos estadoscombate ao narcoterrorismo·Trump considera cartéis terroristas·Reagan usou guerra às drogas·combater expansão da esquerda comunista·apropriar-se de terras raras·implantação de bases militares estratégicas
- A decisão dos EUA de considerar facções criminosas brasileiras terroristasTrump e 15 países consideram·Zé da boca de fumo terrorista·retirada da maconha da guerra às drogas·legalização da cannabis nos EUA·faturamento de 139 milhões de dólares
- O posicionamento de Flávio e Eduardo Bolsonaro sobre o Escudo das AméricasBrasil não entrou na iniciativa·Flávio Bolsonaro em campanha·Eduardo Bananinha ministro das Relações Exteriores·nova pretensão de Bush em terras raras
- A contradição da atuação dos EUA no combate às drogas e à violênciapreocupação externa de Trump·atuação interna do governo·produção e venda de armas·exportação de insumos químicos
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Conversa de Primeira: Justiça e Cidadania, com Walter Fanganiello Mairovic. Muito bom dia, Walter Fanganiello Mairovic.
Bom dia, Milton. Bom dia, ouvintes, e boa jornada, Cássia.
Muito obrigada, Mairovic.
Bom dia, ô Milton. O presidente Trump está pronto, prontíssimo para exibir um filme que o mundo todo já assistiu. Nós já vimos muitas vezes. O nome do filme é chamado Escudo das Américas. Na verdade, Milton, o Trump apresenta uma repaginada War on Guerra às Drogas, que nasceu lá atrás, bem lá atrás, no governo Nixon. O Escudo das Drogas, que já tem adesão de 15 países latino-americanos, diz que irá combater o narcoterrorismo. Atenção, a velha geoestratégia da War on Drugs.
Guerra às Drogas dizia reprimir as drogas ofertadas pelo crime organizado ou seja, pelos cartéis colombianos da época. Numa junção, Trump considera cartéis e máfias como organizações terroristas, ofertantes de drogas. Tudo igualzinho a antes. Como todos estão carecas de saber, o Reagan, que adotou isso, usou a guerra às drogas para combater a expansão da esquerda comunista na América Latina. O Trump quer fazer o mesmo: derrubar o pensamento de esquerda, pensamento movimento progressista e se apropriar de territórios, atenção, e de terras raras.
Terras raras, não vamos esquecer. Com a Guerra às Drogas foram implantadas bases militares estratégicas em Iquitos, Curaçao e Aruba, tudo a pretexto, atenção, a pretexto de se combater o tráfico de drogas fora dos Estados Unidos. No Escudo das Américas serão bases militares. A semelhança das duas, das duas que o Trump irá implantar na Groenlândia, como anunciou. Com esse pretexto, a guerra às drogas violava a soberania dos estados e mantinha mecanismos de controle e espionagem.
E nesse contexto, voltamos àquela decisão dos Estados Unidos de considerar facções criminosas brasileiras organizações terroristas.
Sim, Cássia, sim. Veja, Cássia, o Trump e os 15 países americanos assim consideram. Agora vamos ver, o Zé da boca de fumo de Madureira, ele virou terrorista, Cássia? Mas tem um detalhe, o Zé da boca de fumo de Madureira e o João da boca de fumo de Oswaldo Cruz e Cascadura, eles nem sabem que com a retirada da maconha da guerra às drogas, os Estados Unidos, e com a legalização da cannabis em alguns estados, eles faturaram, atenção, 139 milhões de dólares só em 2025.
Num pano rápido, Milton e Cássia, o Brasil não entrou nessa. Mas Flávio Bolsonaro já está nessa onda, já está em campanha com isso, em nome da segurança pública, que não tem nada a ver. Junto com o irmão Eduardo o Bananinha, que poderá ser ministro das Relações Exteriores. Eles estão na onda da nova pretensão de Bush em cima de terras raras. É isso.
Apenas com tempo aqui para a gente fechar essa nossa conversa: essa preocupação externa do Trump está em sintonia com a atuação do governo dele internamente no combate às drogas e à violência?
Sim, eles pretendem fazer isso.
Tá bom. E aí vamos aguardar qual é a atuação. Agora, o que nós temos, e isso você tem sempre chamado atenção da gente, Walter Fanganiello Mairovic, o que nós temos é que internamente continua-se, por exemplo, produzindo e se vendendo armas.
Sim, e também, também se exportando químicos, insumos químicos. E sem insumos químicos não se tem o cloridrato de cocaína. Um pouco da cocaína.
Muito obrigado, Walter Fanganello Mairovic. Um bom dia para você. Até mais.
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