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Decisão de Zanin sobre a CPI do Banco Master consolida blindagem do STF

24 de setembro de 20266min
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Malu Gaspar comenta que a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), de negar a instalação da CPI do Banco Master reforça uma blindagem da Corte e contraria precedentes do próprio STF sobre a abertura de comissões parlamentares de inquérito.

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Participantes neste episódio1
M

Malu Gaspar

ComentaristaJornalista
Assuntos5
  • A decisão de Zanin sobre a CPI do Banco Master e a blindagem do STFveto à CPI do Master·fiscalização do Supremo·Supremo fora do alcance
  • O envolvimento de Davi Alcolumbre com o Banco Masteraliado dos ministros do Supremo·apadrinhou donos do fundo de pensão·compra de títulos do Master
  • A crise de credibilidade do STF e a garantia de direitos básicostransparência e acesso a dados·fiscalização dos mais poderosos·STF enlameado com ministros envolvidos
  • O papel da CPI como instrumento da minoria no Congressoequilíbrio de direitos·obediência à Constituição·precedentes do STF
  • A recusa de Davi Alcolumbre em abrir o sigilo de Viviane de Moraesmulher do ministro Alexandre de Moraes·pedido de acesso à informação·sigilo de 100 anos
Transcrição10 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro

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?Voz B

Com persa de bastidor com Malu Gaspar. Muito bom dia para você, Malu Gaspar.

MGMalu Gaspar

Bom dia, Milton. Bom dia, Cássia. Bom dia para os nossos ouvintes.

?Voz D

Bom dia, Malu.

?Voz B

Magalu, de que maneira o ministro do STF, Cristiano Zanin, contraria entendimento do STF em relação à abertura de CPIs? E me refiro a isso em função da decisão que ele tomou ontem quanto à CPI do Master, que vai continuar engavetada.

MGMalu Gaspar

Pois é, Milton, ontem o ministro Cristiano Zanin vetou, não concedeu, né, o pedido do Alessandro Vieira, senador Alessandro Vieira, para abrir uma CPI do Master que fiscalizasse a relação do Daniel Vorcaro com integrantes do Supremo Tribunal Federal. E foi a segunda decisão dele nessa linha, porque já lá atrás ele já tinha dado também, negado um pedido do Rodrigo Hollenberg para que ordenasse a abertura da CPI. E aí acho que é importante a gente dizer duas coisas a respeito dessa decisão.

Primeiro, que ela consolida uma blindagem do Supremo em torno dele mesmo, né? Mais uma vez um ministro do Supremo tomando uma decisão que veda a investigação do próprio Supremo, colocando o Supremo fora do alcance de qualquer instrumento fiscalizatório, né? E depois, Milton, esse ponto que você abordou é muito importante porque a CPI é, por natureza, na Constituição Federal, é um instrumento da minoria dentro do Congresso, justamente para possibilitar isso que a gente está falando, que os mais poderosos sejam fiscalizados mesmo na democracia, né, a democracia pressupõe um certo equilíbrio de direitos, por mais que uns sejam mais poderosos do que outros, do que outros direitos e deveres, né, por mais que uns sejam mais poderosos do que outros.

E o que acontece é que justamente para obedecer a Constituição, algumas vezes o Supremo já deu, já concedeu liminares, já obrigou o próprio Congresso a instalar-se isso, como por exemplo Na CPI dos bingos em 2025, desculpa, em 2005, na CPI do apagão aéreo em 2007 e a mais conhecida, mais famosa que a gente acompanhou foi a CPI da COVID, mais recente também, né? Quando houve também uma decisão do senador Rodrigo Pacheco, que é o presidente do Senado, de não botar, não instalar CPI, mesmo ela tendo o número de assinaturas necessárias para instalação.

Apoio da oposição para isso. O Rodrigo Pacheco na época não instalou, engavetou o pedido de CPI. Veio a oposição, pediu na época o pedido, que a oposição que hoje é o governo, né, pediu para o Supremo uma liminar para instalar CPI. O ministro Luiz Roberto Barroso, entendendo que esse é um direito garantido pela Constituição, mandou abrir a CPI. A CPI foi aberta, o Rodrigo Pacheco aceitou. O que acontece hoje é que nós temos na presidência do Senado o Davi Alcolumbre, que além de ser também um aliado dos ministros do Supremo, especialmente do Alexandre de Moraes, também tem seu próprio envolvimento com o Master.

Ele apadrinhou os donos, os diretores do fundo de pensão na Mapaú, Ampreve, que recebeu, que comprou R$400 milhões em títulos do Master. E se uma investigação dessa começar a ir adiante, ele vai acabar sendo enredado. Ninguém tá querendo isso. Poucas pessoas no Congresso realmente gostariam de ver essa CPI adiante, mas não importa, né? Nós temos um direito a ser garantido e a gente sabe que apesar de a gente estar num momento eleitoral, esse é um pedido que vem sendo feito de forma recorrente.

Só para lembrar outra coisa que aconteceu recentemente e que tá em discussão também no Supremo, é o próprio Davi Alcolumbre se recusando a abrir o sigilo das entradas e saídas no Senado da Viviane de Moraes, Viviane Barsi de Moraes, que é a mulher do ministro Alexandre de Moraes. Foi feito um pedido de acesso à informação via Lei de Acesso à Informação para que se saiba quantas vezes ela e outras pessoas entraram e saíram do Senado para ver se ela teve, realmente defendeu o Master nos casos para os quais ela foi contratada.

Esse era o propósito do pedido. E aí o ministro Luiz Fux determinou que o Senado explique por que que o Alcolumbre decretou sigilo de 100 anos sobre esses dados. Então é muito delicado, Milton, porque você tem os cidadãos tentando garantir um direito básico, que é direitos básicos que são a transparência, acesso a dados que deveriam ser públicos, né, o Congresso é a casa do povo, e a fiscalização dos mais poderosos, né, para a gente poder ter um mínimo de equilíbrio na democracia.

E o STF, que deveria ser o guardião desse, desses direitos, ele tá tão enredado na crise do Máster, ele tá tão enlameado com seus ministros envolvidos nesse rolo que ele tá sem condições e sem vontade de garantir O que ele tá lá para fazer, né? De fazer o que ele tá lá para fazer, que é levar a Constituição a sério e garantir que ela seja cumprida, né?

?Voz B

Sem dúvida. Muito obrigado, Malu, por trazer esses temas aqui para gente no jornal. Muito obrigado e um bom dia para você.

MGMalu Gaspar

Valeu, gente, bom trabalho, bom dia para todo mundo.

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