Episódios de Política

Alexandre Kalil participa de sabatina sobre o governo de MG

24 de setembro de 20261h27min
0:00 / 1:27:10
Candidato do PDT é o entrevistado da série promovida pela CBN e pelos jornais O Globo e Valor.

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Participantes neste episódio5
A

Ana Carolina Tomé

HostJornalista
A

Alexandre Kalil

EntrevistadoCandidato ao governo de Minas Gerais
B

Bela Megali

ComentaristaColunista do jornal O Globo
B

Bianca Santos

ReporterJornalista
C

Cibele Santos

ReporterJornalista do jornal Valor
Assuntos12
  • Análise da pesquisa Quest e estratégia para o segundo turnoquestionamento da pesquisa Quest·62% de indecisos·posicionamento de centro·expectativa de segundo turno
  • Crise do Banco Master e suas implicações no STF e governo de Minasdesconhecimento de Daniel Vorcaro·ligação com o governo atual·crise interna do STF·gastos exorbitantes com whisky
  • Propostas para a dívida de Minas Gerais e o PropagPropag imposto à Minas Gerais·dívida de R$165 bilhões em 5 anos·proposta de Refis sobre faturamento·fim das isenções fiscais imorais
  • Análise da vantagem de Cleitinho nas pesquisas eleitoraisconfusão criada pelo candidato·mineiro conservador·cobrança de IPVA·prestação de contas de aviões
  • Rejeição de Alexandre Kalil e sua origem na gestão da pandemiacara amarrada e falta de sorriso·fechamento da cidade na pandemia·decisões impopulares como líder·maior votação na história de BH
  • Relação de Alexandre Kalil com o presidente Lula e o PDTdistanciamento após 2022·recusa em jantar com Lula·erro de avaliação ao sair da prefeitura·apoio do PDT a Lula nacionalmente
  • Segurança pública em Minas Gerais e a remuneração da políciamenor remuneração da polícia civil·déficit de 7.600 homens·fim das isenções fiscais para reajuste·classificação de facções criminosas
  • Prioridades para a saúde em Minas Gerais e o problema do Rodoanelhospitais abandonados e inacabados·déficit de R$10 bilhões·estradas intransitáveis·prioridade para saúde e estradas
  • Desorganização da saúde em Minas e a fila de cirurgias eletivasfalta de dados sobre eletivas·programa Valora Minas·hospitais de porta fechada·gargalo no financiamento tripartite
  • Relação de Kalil com Aécio Neves e a chapa do PSDBcríticas passadas a Aécio·Aécio inocentado das acusações·vaga do Senado para o PSDB·Carlos Moscone como vice
  • Privatização de estatais e o caso da Copasa e Gasmigprivatização de empresas deficitárias·Copasa e Gasmig dão lucro·Codemig como escândalo·PPP para estradas
  • Críticas ao plano de governo e a importância da gestãoplanos de governo detalhados demais·realizações na prefeitura de BH·reforma administrativa violenta·reconstrução da cidade sem ajuda federal
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ACAna Carolina Tomé

A CBN e os jornais O Globo e Valor seguem com a Sabatina com os candidatos ao governo de Minas. Foram convidados os 4 candidatos com melhores índices de intenção de voto na pesquisa Quest. Hoje a entrevista é com Alexandre Kalil, do PDT. Ontem a sabatina foi com Mateus Simões, do PSD. Cleitinho, do Republicanos, e Patrulha Ananias, do PT, não quiseram participar. A sabatina terá duração de cerca de 1 hora e meia e é transmitida pelos canais do YouTube da CBN e dos jornais O Globo e Valor.

Dá para ouvir também pelo site e aplicativo da CBN. Estão comigo a jornalista do jornal Valor, Cibele Bolsas, e a colunista do jornal O Globo, Bela Megali. Candidato Alexandre Kalil, muito bom dia.

AKAlexandre Kalil

Bom dia, obrigado pelo convite.

ACAna Carolina Tomé

Kalil, a nova pesquisa Quest divulgada ontem mostra o senhor com 8% das intenções de voto, 3 pontos abaixo do levantamento anterior, enquanto Cleitinho Azevedo chegou a 37% e Patrícia Ananias avançou para 16%. Considerando a margem de erro, o senhor tá tecnicamente empatado com Matheus Simões e Flávio Roscoe em terceiro lugar. Há cerca aí de 10 dias do primeiro turno, o que explicaria esse resultado e o que que o senhor pretende fazer para mudar esse cenário e chegar ao segundo turno?

AKAlexandre Kalil

Olha, Chile, nós temos várias explicações, né? O governo, o atual governador, tem um número nessa, nesse instituto de pesquisa que não alcança em nenhum outro, né? Ele tem a metade em todos os outros institutos, inclusive no nosso interno. Mas ele contratou esse instituto de pesquisa em agosto e tá no TRE e fez 3 pesquisas somando mais de R$350 mil. Então sempre ele aparece muito bem nessa pesquisa. Eu caí dentro da margem de erro e acredito que o Patrus realmente tenha subido e o número pode estar um pouco inchado, né?

O que que nós temos outra explicação? Seria que pesquisa é uma coisa que na reeleição do Tarcísio, do Zema, sábado à noite o Grupo Globo deu uma pesquisa e domingo, na hora que abriu a urna, tinha uma diferença de 24%, né? Teria outra explicação que Minas Gerais é muito grande e toda pesquisa aqui fracassa. De todas essas explicações, eu prefiro ficar com a que a própria pesquisa de ontem traz para nós: 62% não sabe em quem vão votar.

Esse é o dado da pesquisa de ontem, né? Você vai votar em quem? Não sei. Então, o que que nós vamos fazer?

BSBianca Santos

Nada.

AKAlexandre Kalil

Nós traçamos um planejamento tranquilo, sério, com o objetivo de ser candidato do centro, sem candidato a presidente da República. Você pode votar no Flávio Bolsonaro, você pode votar no Lula, você escolha seu candidato com tranquilidade. Mas vamos aproximar um governador do povo, né? Então nós sabemos da rejeição que o Pimentel trouxe para o estado a respeito do PT. Isso nos tranquiliza muito. Sabemos os números tanto do atual governador quanto a do presidente da FIENG, também nos tranquiliza muito.

E nós temos tracking diário também nos tranquiliza muito. Então eu quero avisar para a população de Belo Horizonte o seguinte, que é o recado que eu posso deixar para eles, é que se você vai votar no Cleitinho, você vote no Cleitinho. Se você vai votar no Patrus, você vote no Patrus. Se você vai votar no Calil, você vote no Calil. Mas não deixem que ninguém interfira no seu voto. Nenhuma pesquisa. Vai lá convicto e vota, porque onde tem 62% de indecisos, nós temos uma grande expectativa de estar no segundo turno e a convicção que nós estaremos no segundo turno.

Volto a repetir, no centro não me interessa se vai ser Bolsonaro, não me interessa se vai ser Lula, porque Nós estamos abandonados e nós não temos voz aonde o dinheiro está, que é Brasília.

ACAna Carolina Tomé

O senhor falou de rejeição, eu queria fazer uma pergunta sobre isso, porque a mesma pesquisa Quest traz o índice de rejeição dos candidatos. O senhor e Patrulha Ananias aparecem com os maiores índices, 40% de rejeição. Que leitura a sua campanha faz desse número? Lembrando que Patrulha do PT segue o índice inclusive de rejeição da polarização nacional. E no seu caso?

AKAlexandre Kalil

Não, no meu caso é porque eu tenho uma cara amarrada, eu não sou de grande sorriso, fui presidente do Atlético e fechei a cidade na pandemia protegendo vidas. E um pouco dessa população queria que nós matássemos gente e que abríssemos botequim, bar. Então, e eu não ia fazer isso, não fiz isso. Não farei isso se acontecer de novo alguma coisa, né? Porque quando acontece uma coisa dessa, nós temos que lembrar o seguinte: você tá liderando, né?

O líder tem que tomar decisão, e decisão é uma coisa muito difícil de ser tomada para quem não lidera alguma coisa. Então eu dividi muito esse eleitorado contra mim. Quando eu tive que tomar uma decisão, e que se eu tivesse que tomar de novo, eu fui eleito para proteger a minha cidade, meu povo, a minha gente que me elegeu, independente que se votou em mim ou não. Então, quando eu tomei essa decisão, eu tive 63% da votação de Belo Horizonte, né?

Então é o caso da que eu fiz com com táxi, né? Eu abri a pista do Movi para os táxis, né? Então, quando eu abri a faixa para os táxis, os motoristas de ônibus detestaram, porque eu pus carro na via que táxi não podia andar. Então, eu não consigo satisfazer todo mundo. Então, eu fiz um trabalho para os motoristas de táxi que achei que foi importante, Mas eu tive os motoristas de ônibus contra mim. Então a rejeição é um negócio que eu aceito ela muito bem porque eu vim do futebol, né?

Então eu, apesar de ter sido sempre muito respeitado pela torcida do Cruzeiro, eu sempre fui muito rejeitado pela torcida do Cruzeiro pelo que eu fiz pelo Atlético, né? Mas o que eu fiz pelo Atlético, eu quero lembrar a torcida do Cruzeiro, motorista de ônibus e o dono do bar e do restaurante, Eu fiz porque eu liderava. Então eu tenho muita tranquilidade para dizer que tanto o Taqui como a torcida adversária quanto aqueles que achavam que eu não devia fechar a cidade, é que eu era o líder e que eu era obrigado a tomar uma decisão, né?

E quem é obrigado a tomar uma decisão, ele toma a decisão. E obrigatoriamente ele não tem que agradar todo mundo, ele tem que tomar a decisão. Se você fizer um plebiscito na cidade perguntando tudo para fazer, porque o povo— eu não sei se eu posso me alongar na resposta, você quer perguntar outro assunto?

ACAna Carolina Tomé

Nós temos as nossas demais jornalistas para perguntar também, mas você pode concluir. Pode concluir.

AKAlexandre Kalil

Então é porque é o povo Fala o povo, é porque é o povo, nós vamos fazer para o povo, nós vamos isso para o povo, povo. A Margaret Thatcher, aquela inglesa que foi tida como a maior primeira-ministra da história da Inglaterra, ela falava o seguinte: o líder é aquele que pega o dinheiro do povo, esse dinheiro que a gente pega e que faz as coisas é do povo. Quando eu pus a polícia, a guarda municipal, ação social, cesta básica, o álcool, sabonete para proteger o meu povo, esse dinheiro não é público não.

Não existe dinheiro público, não existe impressão de dinheiro. Então a rejeição e a ação, ela vem disso que eu tô dizendo: eu peguei um dinheiro que era do povo e devolvi ele para o povo. Então isso é liderar, isso é ter rejeição, isso é ter ação. Lembrando, né, que a rejeição não deve ter sido tão grande assim. Na minha pandemia, que era essa, 40%, que eu fui eleito, né, com 63% dos votos em Belo Horizonte, a maior votação da história dessa cidade.

Então deve ser esses exatos aí 40%, 30 e poucos por cento que queriam que nós abríssemos e transformássemos Belo Horizonte num pandemônio, o que na minha gestão eu não ia deixar.

ACAna Carolina Tomé

CBL Bolsas. Bom dia, candidato.

CSCibele Santos

Eu gostaria de saber do senhor, o PDT ele fechou, tá ouvindo? O PDT ele fechou poucas alianças aqui no estado, né? Fechou basicamente com a Federação Cidadania, PSDB Cidadania. Eu gostaria de saber, no caso de uma vitória, né, como que o senhor pretende aí se relacionar com os deputados da Assembleia Legislativa, né? Considerando que vai precisar de costurar acordos aí ainda num clima de polarização, que o senhor pretende ficar um pouco à parte?

AKAlexandre Kalil

Essa posição, né, Sibeli, me dá mais conforto, porque se eu não tenho, se eu não estou polarizado na hora de eleger, eu me sinto muito confortável para conversar com os dois lados. Então acho que eu levo essa vantagem numa conversa com a Assembleia, porque quando eu fui prefeito pela primeira vez em 2017, eu fui pelo Nanico PHS, nós não tínhamos nenhum vereador e tivemos a maioria absoluta na Câmara durante todo o mandato, porque nós conversávamos com todo mundo.

Então eu tenho essa, esse jeito meu de tratar as coisas, mas sempre conversei muito com todo mundo. Então eu acho que eu vejo isso como uma grande vantagem. Eu não tenho a menor preocupação em chamar um deputado do PT ou chamar um deputado do PL para conversar, porque foi assim que eu dirigi a minha campanha para o governo de Minas, foi assim que eu quero dizer que eu quero ser governador de Minas. E nós vamos ter que defender, nós temos, nós temos que organizar esse estado.

O estado tá muito desorganizado. Entendeu? E nós vamos precisar demais da Assembleia, demais dos deputados federais e demais dos senadores da República para rever esse Propag, para rever essa dívida, para colocar as coisas no lugar e para organizar o Estado.

BSBianca Santos

Bom dia, candidato. Aqui é Bela Megali do Globo. Queria falar um pouco da sua relação com o presidente Lula. Em 2022, o senhor teve uma aliança, né, com Lula, foi apoiado por ele quando se candidatou ao governo de Minas, mas essa aliança não se reproduziu neste ano. Inclusive, eu soube que nos 2 anos que sucederam a eleição de 2022, o presidente e o senhor falaram muito pouco. Parece que ele teria telefonado para o senhor só 2 vezes.

Em 2024, chegou a haver um jantar para o presidente Lula em Minas Gerais, e o senhor se recusou a ir. O que que aconteceu para haver esse distanciamento entre vocês? O senhor ficou magoado com o presidente por esse distanciamento? Avalia que ele não reconheceu a sua dedicação em 2022? E como que tá essa relação hoje?

AKAlexandre Kalil

Ô Bela, deixa eu te falar. Bom dia. É, a primeira coisa é o seguinte: não houve dois telefonemas não, tá? Não houve nenhum. Aí fizeram um almoço, e esse almoço ficou famoso. Era um almoço social, eu não era o único convidado, porque Quando, quando eles falam tanto nesse jantar que teve aqui em Belo Horizonte, que parece que eu era o único convidado e eu deixei ele lá sem ninguém para conversar. Isso não era verdade. Isso era um jantar social na casa de um amigo em comum, que era o Walfrid Mares Guias, que iam comparecer mais de 30 pessoas e eu não fui.

E se causou essa celeuma toda por causa desse jantar. Né, eu até brinco, falei, se eu soubesse que era Santa Ceia, eu teria ido. Mas não houve, não houve, houve um distanciamento porque eu, eu, ele foi cuidar lá do governo dele, ele teve 27 governadores. Me falaram na época que eu teria que apoiar o Partido dos Trabalhadores e o Lula porque era a única chance de eu tentar ser o governador de Minas. E foi um erro meu de avaliação de sair da prefeitura, né?

É claro que eu saí conversando com, com todas, com todo, com todo o staff dele e me respaldando. Mas sinceramente, eu não, eu não tenho, não tenho, há para falar do presidente Lula porque Eu não, ele nunca me desacatou, eu nunca o desacatei, e houve um afastamento, é um afastamento. Aquele cara que fica seu amigo ali na praia um dia, você passa um verão e tal, né, com os casais, separam. Não teve nada de nada. Então eu quero só esclarecer que esse jantar não era para eu encontrá-lo, não, era um jantar para 30 pessoas. E que eu não fui.

BSBianca Santos

Agora, o senhor disse que foi um erro meu. O senhor considera que foi um erro seu ter se coligado, ter sido apoiado pelo Lula em 2022 e dado palanque a ele?

AKAlexandre Kalil

Não só isso, né? Eu saí da Prefeitura de Belo Horizonte, eu deixei 3 anos de mandato para trás. Então esse foi o grande erro que eu cometi. E pobre daquele que não sabe como é que errou. Eu errei. Eu errei de fazer isso, mas eu tenho o maior respeito pelo presidente. Aliás, como todo mundo devia ter, né? Porque ele é o presidente da República. Como se o Flávio Bolsonaro for o presidente da República, ele tem que ser respeitado e ponto final.

Então é uma questão de respeito. Eu não, não há nenhuma desavença, não há nada. Tanto que ele mandou o Edinho Silva na minha casa duas vezes esse ano. Ele veio a Belo Horizonte só para ir na minha casa. E eu falei, não, não deu certo e não vai dar certo de novo, então eu não quero. E eu quero fazer uma experiência nova porque eu já passei por muita coisa na minha vida, muita coisa boa, né, muito mais coisa boa do que coisa ruim.

Tô fazendo uma campanha do jeito que eu quero, sem cacique, sem gente acima de mim, eu que dou a ordem na minha campanha. Tô fazendo uma campanha feliz, leve, boa, né? Coisa que eu não conseguia fazer na última campanha.

CSCibele Santos

Candidato, mas o PDT, ele apoia nacionalmente o candidato Lula, né, na corrida para presidência. Caso tenha segundo turno, o senhor subiria no palanque com ele?

AKAlexandre Kalil

Eu tenho um compromisso com vários segmentos em Minas Gerais que eu vou seguir da minha forma até acabar a eleição do segundo turno, tá certo? Então, e eu acho que um segundo turno, esse negócio de palanque é uma bobagem absoluta, né? Porque nós vamos ter aí a consolidação que já temos no primeiro turno de dois candidatos, e todo mundo não vai ser ele subir no meu palanque, eu subir no palanque do Patruso, subir no palanque, ou Flávio subir no palanque do Flávio Roscoe e eu do Cleitinho, que vai mudar a eleição presidencial em Minas Gerais, na minha opinião.

ACAna Carolina Tomé

Candidato, o seu partido é coligado com o PSDB. Seu vice Carlos Moscone é da Legenda, assim como Aécio Neves, que concorre ao Senado. Quero fazer algumas questões. Como é que o Aécio ajuda a sua campanha para governador? E mais, lembrando que no passado o senhor já fez duras críticas a Aécio Neves, especialmente quando o senhor disputava a Prefeitura de Belo Horizonte. Nessa eleição, o senhor já aceitou o apoio Tem dito que Aécio foi inocentado das acusações de corrupção, mas caso Aécio não seja eleito e o senhor seja eleito governador, ele poderia ocupar algum cargo no seu governo?

AKAlexandre Kalil

Não, isso não foi combinado. O Aécio, não é que eu disse que ele foi inocentado, não, ele foi, né? Porque isso existe opinião, e se você foi ou não inocentado, ele foi. Então quando O Aécio foi inocentado de todas as acusações, como o Lula foi inocentado de todas as acusações. Então nós temos que colocar tudo no mesmo balaio, não é? Eu não tenho essa opinião, não. Isso aconteceu, isso é um fato, não é opinião, né? Não, eu não tenho compromisso nenhum.

O que eu tinha compromisso com o PSDB era que a vaga do Senado era do Aécio. E ele não quis ser. Aí deu aquela confusão lá interna no partido dele. Ele colocou um cara espetacular, que é o, que é o Galassi lá de Uberlândia. Nós começamos a campanha, ele resolveu voltar, mas ele tá muito bem na pesquisa, tá muito bem colocado, deve ser eleito senador. Mas eu não tenho o menor compromisso com ninguém, com nenhuma pessoa, de participar do meu governo.

BSBianca Santos

Candidato, mais uma pergunta aqui sobre a sua relação com o Aécio. O senhor já chegou a fazer várias ofensas públicas e críticas ao próprio Aécio Neves em 2016, também em 2024. Disse inclusive que não apoiaria o Fuad para prefeitura de BH porque o Aécio estava na turma dele. E agora, como a Shirley falou, o Aécio integra sua chapa. Como candidatar ao Senado. Queria entender um pouco como que se deu essa recomposição e o que que fez o senhor rever sua imagem sobre Aécio Neves.

AKAlexandre Kalil

Deixa eu te falar, eu brinco, sabe, Bela, que eu não queria, eu não queria xingar ele não. Na época que eu fui eleito em 2016, eu queria matar ele. Ele armou 11 partidos para me derrotar na prefeitura e não conseguiu. Então, e uma coisa interessante, tá? Ele nunca abriu a boca para falar de mim. Então foi um negócio meio constrangedor, porque ele foi absolvido de tudo e nós encontramos, né, pela primeira vez. E nós nunca tínhamos encontrado pessoalmente, que eu me lembre.

E eu falei com ele, ó, você desculpa, cara, mas naquela hora eu queria te matar, você entendeu? Eu queria acabar com sua vida. De tanta raiva que eu tava doce e falei e ofendi e pedi desculpa. Ele foi absolvido de tudo e no final o boca fraco desbocado, o que fala muito, sou eu. Então coube a mim pedir desculpa para ele e falar, ó, você não releva aí, tá, o que eu falei. Mas ele nunca abriu a boca para falar de mim. E quando nós sentamos, nós sentamos à luz do dia.

E nós tivemos pouco tempo de televisão e tivemos pouco televisão porque nós não loteamos. E nós tínhamos uma combinação que a vaga do Senado seria do PSDB e eles escolheriam. Então isso foi tido como normal, isso é normal, né? Eu não loteei o governo, não tem ninguém do PSDB prometido no meu governo, a não ser o Moscone. Que é o pai do SUS, né? Ele foi o relator do projeto do SUS lá do sul de Minas. Ele é de Poços de Caldas, estive com ele lá ontem, aquela belíssima cidade do sul de Minas.

E esse eu escolhi, esse foi escolha minha. Já que são nós dois, eu vou escolher um vice. E você tem um quadro que me interessa muito, que é o Carlos Moscone. Então o Carlos Moscone foi escolha pessoal minha, e o Senado era escolha do PSDB.

ACAna Carolina Tomé

Candidato, como é que o escândalo agora envolvendo Banco Master, autoridades inclusive do STF, estão interferindo na campanha deste ano?

AKAlexandre Kalil

Oxir, é engraçado esse negócio de banco master convocar, porque eu moro nessa cidade há 67 anos. Fui presidente do Atlético 6 anos, que para quem não é daqui não sabe a força que isso tem. Depois fui prefeito de Belo Horizonte 6 anos. E nunca conversei com esse caboclo por telefone. Eu não sabia que ele existia, entendeu? De repente ele vira dono, um dos donos de um clube que eu fui presidente. Eu tô dentro do Atlético desde Tenta, como filho de presidente, como corneta, como diretor, como conselheiro, como diretor de futebol, diretor de voleibol, fui tudo no Atlético.

Eu nunca vi falar nesse caboclo. Então quem tem que explicar esse cara é quem tem ligação com ele, que é o governo atual. Onde, como é que esse cara apareceu dentro da CEMIG sim? Quem levou esse cara para lá? Quem que é esse cara? Então vai interferir sim, porque eu quero saber, ué. Claro que vai interferir. Eu quero saber como é que esse cara foi parar dentro da CMIG, quem colocou ele lá dentro. Porque o atual governador é aquele cara que não é comigo não, nada não é comigo, nada não é comigo.

Então nós temos que parar, sabe, do governador tudo. Ah, teve operação rejeito, prenderam 30 e tantos gente de primeiro escalão do governo estadual. Não, ah é? Não, mas foi todo mundo embora. Ah não, mas tem uma nova, era servidor de carreira. E servidor de carreira para roubar? Então, é, eu fui público, gente, eu sou um homem público. Na minha prefeitura não teve um milímetro de nada de ruim. Sabe por quê? Porque zebra não pasta com gnu.

Zebra pasta com zebra e gnu pasta com gnu. Então esse caboclo aí Esse tal de Boccaro, eu nunca ouvi a voz dele nem por telefone. Ele nunca teve coragem nem de me telefonar, porque assombração sabe para quem aparece.

BSBianca Santos

Candidato, no esteio dos elos de Boccaro, não só com autoridades de Minas Gerais, mas de Brasília e nacionais, eu queria— foram reveladas ligações do ex-banqueiro com uma série de ministros do Supremo Tribunal Federal. Desde Alexandre de Moraes até Cássio Nunes Marques. E isso fez com que fosse instaurada a maior crise interna da história do STF. Eu queria que o senhor me falasse como o senhor tá vendo essa crise e quais caminhos o senhor vê para que a corte saia desse momento tão difícil.

Se o senhor avalia que o melhor caminho seria o impeachment de ministros do STF, ou senão se teria que se buscar uma outra saída institucional e qual seria ela.

AKAlexandre Kalil

Ô Bela, eu acho que tem uma frase do Ministro Fachin. Primeiro que a única ministra que eu tenho relação e conheço, aproveito a entrevista para dar um beijo no coração dela, é a Ministra Cármen Lúcia. Conheço até, conheço bem, né? Já tomamos alguns vinhos juntos e tudo. É minha amiga, apesar de eu não ter Nenhuma relação profissional com ela. Eu acho que o Ministro Fachin resumiu muito bem a crise do Supremo: ou se resolve lá dentro ou vai se resolver lá fora, sabe?

E eu não tenho ideia de como é que aquilo vai, que eles vão sair, eles vão sair. Pode ser por bem, numa resolução interna, combinada, delicada, menos barulhenta, com menos copo quebrado, com menos vidros, cristais quebrados, ou vai vir de fora para dentro? Porque eu tô absolutamente estarrecido com que eu tô vendo, né? Nós estamos falando, nós estamos falando é de bilhão, de cento e tantos milhões de contrato, mais não sei quanto de jato, mais viagem, 3 milhões de whisky, 3 milhões de whisky.

Eu acho que se eu sou um tomador de whisky, hein, se somar tudo que eu tomei na minha vida de whisky, não dá 3 milhões de dólares de whisky. Então é um negócio que não sai da lógica. A gente que é comum, tá certo? A gente que é comum, que deve IPTU, que tem problema, que tem cheque especial, esse negócio sai um pouco da órbita da vida da gente, sabe? A gente que tem vida normal, mas isso aí vai ter que— o Fachin tem a frase mais certa dessa crise.

Não sei se ele é fraco, se ele é forte, se ele é foda, se ele não é foda, isso não sei, mas ele tem uma frase forte: ou se resolve aqui dentro ou eles vão resolver lá fora.

ACAna Carolina Tomé

Cibele Bonsa.

CSCibele Santos

Candidato, indo um pouco aí para os assuntos aqui locais, né, queria falar falar um pouco de Propag, o estado ele ofereceu aí para União o repasse de ativos, né, para reduzir o endividamento em 20% e aí pagar dívidas sem juros. Eu queria saber assim, como o senhor avalia esse plano, né? Se caso a União, por exemplo, não aceite esses ativos, qual que seria a alternativa para o estado conseguir aí trabalhar essa dívida?

AKAlexandre Kalil

Cibele, eu vou, eu vou me prolongar um pouco. É um assunto muito delicado, sabe, para Minas Gerais principalmente. Nós temos um propágue que o governo de Minas não assentou na mesa para negociar. Veio o envelope prontinho, enfiaram na garganta do segundo estado da federação e vai ser assim, ponto e acabou, né? Isso já aconteceu, tá, em 98. O senhor Fernando Henrique Cardoso fez um propágua aqui, levou 4 bancos públicos, a Minas Caixa, o CredReal, o Banri e o Agrimisa, que a valores de hoje, pelo valor do BRB, que é esse banco desmoralizado, valem R$50 bilhões.

Desculpe. Numa dívida de R$98 bilhões e nada foi resolvido. Então esse propósito tem que ser primeiro negociado, a origem dessa dívida. Nunca, não é renegociado não, é negociado, porque o governo não negociou, porque não assenta com o governo federal para negociar. Então nós temos o seguinte: nós estamos pagando agora R$113 bilhões, que são 20% da parcela. Então vai ser 20, 40, 60, 80, até chegar no 5º ano com uma parcela de dinheiro de hoje de R$555 milhões, mais 2% do saldo remanescente.

No final de 5 anos, Cibele, se continuar esses 27% de bondades que o governo do estado dá, a gente não sabe para quem, para onde, como vai, que já confessou que tá dando irregularmente, já confessou porque mandou um projeto para Assembleia falando que eles não estão prestando conta. Minas Gerais vai desembolsar pasmem, senhores, R$165 bilhões em 5 anos, se continuar dando esses R$25 bilhões para empresários durante 5 anos, com mais o saldo e com mais a parcela.

Isso é maior que o orçamento de Minas Gerais e vai ter que pagar isso em 30 anos. Então nós temos proposta para acabar com isso sim, é a proposta do refis que o Fernando Henrique fez para iniciativa privada o primeiro refiz dele. Nós vamos pagar sob faturamento por tempo indeterminado para deixar esse estado crescer, porque nós não podemos assistir São Paulo fazendo túnel debaixo d'água ligando Guarujá a Santos. Nós não podemos assistir com dinheiro federal, com ajuda federal.

Nós não podemos assistir a Bahia fazendo uma ponte ligando Santos a Itaparica sobre o mar, com ajuda do dinheiro federal, sim. E nós sermos o estado RH que vamos pagar folha de pagamento de servidor. Eu quero ressaltar para todo mundo, como isso vai sair para o Brasil inteiro, que Minas Gerais é o maior produtor de minério do Brasil. Minas Gerais é o maior produtor de ferro do Brasil. Minas Gerais é o maior produtor de café do Brasil.

Minas Gerais é o maior produtor de leite do Brasil. E no agronegócio e na pecuária, Minas Gerais está em segundo lugar, só perde para São Paulo. Desculpe, que São Paulo, São Paulo tá atrás de Minas Gerais. Só perde para o Mato Grosso. Então, como é que esse estado está sendo colocado de joelho com pires na mão? Como nós somos filhos da federação, o estado de Minas Gerais não tem CNPJ, não. Nós somos filhos da federação. Quando aperta o estado de Minas Gerais, aperta a falta de médico, a polícia desequipada, a polícia sem mais mal paga do Brasil, não vai ter enfermeira, escola caindo, não tem reajuste para professora, estado empobrecido.

Então nós temos que enriquecer esse país, acabar com esses subsídios imorais de dar dinheiro para empresário, porque o dinheiro, como disse, eu disse no início, né, né, ele, quando você compra 1 kg de patinho, eu não sei o preço que tá em outro lugar, mas aqui é 40 prata mais ou menos. Dessa prata vai para o governo, mas não vai para o governo para ele pegar esse dinheiro e entregar para um empresário milionário, não. Vai para o governo para ele contratar médico, enfermeira, hospital, posto de saúde, olhar lá as regiões do Mucuri, do Jequitinhonha, tá certo?

Do Norte de Minas, do Sul, que esse IVA vai matar as empresas lá no Sul porque não tomaram conta da Zona Franca de Manaus. Então a Zona Franca de Manaus vai tomar muita empresa mineira. Então quer dizer, Minas Gerais falta governo, falta tomar conta, falta carinho, falta gente para sentar lá com humildade e altivez e falar: pera lá, amigão, nós estamos conversando com o segundo estado da federação.

ACAna Carolina Tomé

Candidato, mas olha só, ontem o candidato Matheus Simões, ele disse que foi o Propag, foi uma, foi a melhor solução para dívida em substituição ao regime de recuperação fiscal. O seu plano afirma que o Propag não resolveu a dívida de Minas e propõe aperfeiçoar essa execução. O senhor pretende renegociar então esse acordo, mas lembrando que o Propag é uma legislação federal, envolveu no caso a União, Congresso, Senado, e o projeto passou pela aprovação também aqui da Assembleia Legislativa.

O senhor tem dito que o problema é origem, né, do Propag e o prazo também de pagamento. Que proposta o senhor pretende então levar à União e Assembleia Legislativa? Porque seriam esses dois, né? Para trocar tudo isso, uma nova discussão na Assembleia.

AKAlexandre Kalil

Em hora nenhuma eu falei que é fácil, eu falei que tem que ser feito, tá? Vai ser difícil para burro, vai ter que ter governador que saiba fazer. Não tô dizendo que é eu, tomara que entra um que saiba fazer. E vai ser muito dura a negociação por tudo isso que você falou. A proposta é simples, é um percentual sobre a arrecadação do Estado. Um percentual que não machuque o estado de Minas Gerais, que já fizeram uma lei, que a Lei Candir, que tiraram bilhões e bilhões de ICM desse estado.

E quando esse governador foi lá acertar a lei, uma dívida de R$135 bilhões no Supremo Tribunal Federal, ele saiu com R$8 bilhões na mão, né? Não vamos esquecer disso. Então, como que se daria? Como o refiz do Fernando Henrique, se paga um percentual sim da dívida, se exige um real— o que não foi feito nesse governo, um rearrume, se enxugue esse estado indecentemente grande, né? Porque outro dia um secretário brigou com governador, governador mandou 500 cara embora. 500 caras embora e o governo não sentiu falta nenhuma de 500 caras embora.

Quer dizer, numa administração séria, você tirar 500 servidores, você para a administração, né? Então é um percentual que não machuca o Estado de Minas Gerais, por tempo indeterminado. Então quando ele falou que é o melhor É porque ele digeriu bem o envelope que veio pronto, aprovado pelo senhor candidato que tá aqui, que aprovou o deputado federal. O senhor senador que só pensa em IPVA aprovou esse rombo que vão fazer no estado.

Então ele não sabe se foi melhor não, porque não ofereceu outra, porque não sabe oferecer outra. Então nós estamos oferecendo outra, nós vamos oferecer, nós temos um grupo trabalhando nisso. Que é o gabinete de crise, que vai tomar conta disso quando sentar na cadeira. Mas nós já temos uma folga. E como ele confessou que dos R$27 bilhões que ele botou na LOA, que já foi aprovada do ano que vem, 65% é irregular, Minas Gerais vai, já vai ter uma folga e já não vai dar um prejuízo que ele colocou na LOA também para 2027. De quase R$10 bilhões.

BSBianca Santos

Candidato, falando sobre as isenções fiscais, né, o governo Zema agora, né, do Matheus Simões, mantém um sigilo sobre os beneficiários que tiveram bilhões em isenção fiscal. Eu queria saber, se o senhor for eleito, qual que vai ser a sua política de transparência para esses dados de isenção fiscal e o critério para manter a isenção das empresas?

AKAlexandre Kalil

Ô Bela, isenção fiscal é igual pedágio em estrada. É viável ou não é viável pedagear essa estrada? Nem toda estrada ela é viável de pedágio e nem toda empresa é viável de isenção. Então nós temos um grande problema no sul de Minas, perto de São Paulo, Eu vou dar um exemplo que me foi dado lá, tá? Por isso que eu repito o nome da empresa: a Mangels. A Mangels tem fábrica em Manaus e tem fábrica em Varginha, no sul de Minas. A de Varginha vai fechar porque o IVA traz o IBS.

O IBS é aquele imposto, né, que ajunta o ISS com o ICMS, que é o que nos interessa. O resto é imposto federal, nós não temos como mexer. E como é que nós vamos dar isenção? Porque São Paulo tá quietinha, porque o ICM vai ser cobrado no lugar de consumo, e lá é o país, é o estado que mais consome. Então nós temos que fazer um movimento de estudo de viabilidade. Bom, primeiro, é claro que quando você dá, você tem que mostrar para o povo por que que você tá dando.

Isso é óbvio, isso não tem motivo, isso cheira mal, né? Não basta a mulher de César ser honesta, ela tem que parecer honesta. É um negócio que cheira isenção. Quer dizer, tirou o dinheiro da carne, do chão de fora ali que você comprou, cortou a fatia, entregou para ele, ele entregou escondido para o empresário. Que lógica que tem isso? Esse dinheiro não é público, não existe impressão, esse dinheiro é do pedaço, da fatia. Do chão de fora ali do açougue que a dona de casa tirou, do feijão, do arroz.

Como é que ele pega o dinheiro da dona de casa e entrega para um bilionário que ninguém sabe quem é? Qual que é a lógica governamental desse tipo de coisa? Então, até porque eu vou fazer um corte tão profundo nessa baderna que eu vou ter que mostrar Porque quando eles assumiram o governo, nós tínhamos R$4,8 bilhões de isenção, que num estado que arrecada R$140 bilhões é uma isenção palatável, razoável. Mas como é que você, no estado que tem R$20 bilhões, que tem R$10 bilhões de prejuízo previsto para 2027, tem R$27 bilhões de isenção.

É por isso que nós somos isso tudo que nós falamos e estamos de pires na mão pedindo para o próximo presidente da República salvar o Estado de Minas Gerais.

ACAna Carolina Tomé

Queria falar de privatização, candidato, porque a Copasa acaba de ser privatizada. Governo atual não pretende privatizar a Semig, mas defende a venda da Codemig, autorizado inclusive na negociação com relação ao Propag, Gasmig também. O senhor pretende privatizar estatais? E se sim, quais?

AKAlexandre Kalil

Não, olha aqui, privatizar, se eu fosse o governo federal, por exemplo, o Correio já tava privatizado de porta trancada e fechado, né? Porque tiraram do nosso dinheiro aí quase R$14 bilhões, vão tirar mais R$6, vai dar R$20 bilhões para dar para Correios. Isso aí é inadmissível. Eu sou a favor de privatização de empresa que dá prejuízo, sim. Agora a Semig dá lucro, a Copasa dá lucro. Então a Codemig é um escândalo, tá? Tem grupo de empresário, é empresa, mas a gente nem sabe o tamanho do lucro, porque todas as empresas, todas essas ações de terra rara, isso tudo tá ligado lá.

A gente nem sabe o tamanho da empresa. Então acho que privatização é um assunto técnico e que é simples demais. Fecha a loja que tá dando prejuízo. É igual a Loja Americana fez, descobriu o rombo, descobriu que loja que tá dando prejuízo, essa, essa, essa, essa e essa. Então fecha. Eles estão dando lucro, essa, essa e essa. Então deixa aberto. É simples assim. Não é assunto político, assunto técnico.

ACAna Carolina Tomé

Mas Gasmig entraria nessa conta?

AKAlexandre Kalil

Não, a Gasmig dá lucro, a Gasmig dá lucro, tá certo? Então o que dá lucro não tem que privatizar, o que dá prejuízo entrega tudo. E PPP, vamos privatizar estrada, vamos andar no mundo moderno, é assim que nós vamos viver. E Minas Gerais está estagnada nisso.

BSBianca Santos

Candidato, agora entrando no tema da segurança pública, Minas Gerais tem a menor remuneração média bruta para polícia civil entre todos os estados do Brasil. Sem dinheiro para recompor o salário dos policiais, como é o cenário de Minas que o senhor acabou de descrever, qual alternativa que vê para esse problema não só da segurança pública pela falta aí de estrutura para melhorar os salários da Polícia Civil. Como que o senhor, quais são as propostas do senhor para, em um estado sem recursos, conseguir melhorar a segurança pública?

E eu também queria emendar outra pergunta para saber como que o senhor vê essa proposta de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas.

AKAlexandre Kalil

Eu acho que organização terrorista trabalha por ideologia, né? Ela é o princípio ideológico. Eu, como sou um cara que gosta muito do assunto, eu li alguma coisa sobre Oriente Médio, né? Eu sei que terrorista, se terrorista ligasse para dinheiro, o Osama Bin Laden não era terrorista porque ele faz parte de uma das famílias mais ricas da Arábia Saudita. Então não tem relação nenhuma de terrorismo com ladrão, com bandido que quer enriquecer.

Então eu acho que não tem o menor cabimento classificar bandido que quer enriquecer de terrorista. E a outra pergunta é o seguinte: não há Sabe, Bela, nenhuma possibilidade de dar aumento. Eles estão falando que vão dar, mas é mentira, né? E nós estamos vivendo da mentira aqui há 12 anos. Não há a menor possibilidade de aumento para nenhum servidor público sem que se acabe com essa indecência dessa isenção de R$25 bilhões. Porque olha aqui, sabe quanto que é botar polícia como ela é, como ela quer?

Custa 1 bilhão. Nós estamos com déficit na Polícia Civil de 7.600 homens. Quem abastece todos os carros da Polícia de Minas Gerais são as prefeituras municipais, em todos os municípios. As polícias ficaram 2025 sem um treinamento por falta de dinheiro. Então o que nós temos que fazer, e não tem outro jeito, não adianta falar mentira, é organizar, é renegociar e acabar com essa farra de dar dinheiro para empresário. Senão não tem reajuste para ninguém, não tem nada, e nós vamos continuar aqui matando o funcionalismo público, que é a única coisa que eles sabem fazer.

Eles não encolhem, não cortam a secretaria, não encolhe um governo, Não tira a gente, não faz nada, se associam a bandidos de todo tipo, né, se associa a minerações de todo tipo que não pagam nada, que não rendem nada. Olha, gente, vamos parar, ué. O governador de Minas homenageou o presidente da Samarco com uma medalha Juscelino Kubitschek de Oliveira. Sábado retrasado numa das festas mais importantes de Minas Gerais. A Samarco, responsável pelo segundo maior desastre ambiental do Brasil, com 17 mortos, que o que eles fizeram acabou lá no mar, atravessou Minas Gerais, foi para o Espírito Santo, afora, e atravessou o mar.

O presidente da Samag é uma medalha, não arrecada um tostão do minério que ele exporta para Minas Gerais. O nível de emprego da mineração é ínfimo, é zero, é ridículo perto do volume de produção. Então é isso que nós estamos passando aqui no nosso estado.

ACAna Carolina Tomé

Ainda sobre segurança, facções, falando sobre facções criminosas, como é que o senhor pretende combater a estrutura financeira das organizações criminosas aqui em Minas? No seu plano de governo fala inclusive de câmeras corporais, muralha digital também, o sistema de videomonitoreamento, leitura automática de placas, sensores. Mas no caso dessa estrutura financeira, né, essa preocupação com a segurança pública, como é que seria a ação aqui em Minas?

AKAlexandre Kalil

Porque o plano de governo ele é detalhado partindo do princípio que nós vamos sair dessa tragédia que nós estamos, né? Porque nós estamos falando de câmera corporal quando não tem gasolina. Quando não tem armamento? Nós estamos falando de facção criminosa. Se a polícia investigativa, que é a Polícia Civil, é a mais mal paga do Brasil e tem um déficit de quase 8 mil homens, então nós estamos delirando. Então tá na hora da gente sair do delírio, né?

Câmara corporal é assunto que nós vamos discutir a partir do momento que a polícia tiver entusiasmada, bem remunerada, com gasolina no carro para andar, armada. Aí nós vamos ver, é bom, é ruim? Porque existe uma coisa, sabe, que é muito interessante: dentro da polícia não é unanimidade, nem o sim e nem o não da Câmara Corporal da Polícia de Minas Gerais. Eu conversei com eles e muito. E não é unanimidade, ninguém sabe.

ACAna Carolina Tomé

O candidato, não entendi, tá no seu plano de governo?

AKAlexandre Kalil

O plano de governo, ele não seria concretizado se houver dinheiro? Sim, isso é tecnologia, o IA, é tudo que nós vamos colocar na polícia. Mas isso não vai ser amanhã eu vou entrar lá e vou fazer, não. Isso é um plano de governo. Um governo leva 4 anos, se reeleito 8. Isso é um plano de governo, não plano para quando sentar na cadeira não, porque isso aí é um absurdo, né? Aliás, detalharam esse plano de governo meu demais, principalmente nessa área de segurança, detalhado demais.

Nós temos pouca gasolina, nós temos pouca gasolina no caso da polícia. Pôr a polícia na rua armada, equipada, animada, Entendeu?

BSBianca Santos

Então, oi, é quem que detalhou demais esse plano de governo, especialmente na área de segurança? Quem fez o plano de governo?

AKAlexandre Kalil

Foi quem fez o plano de governo. Eu não vou entregar ele não, mas ele detalhou demais.

ACAna Carolina Tomé

O senhor não aprovou o plano de governo?

AKAlexandre Kalil

Então, ó, Tília, governo é o seguinte, governo é o seguinte: no meu plano de governo não tinha aumento de 125% para professora, não. E eu dei. No meu plano de governo não tinha internet em vilas e favelas, em todas as vilas e favelas de Belo Horizonte, e eu fiz. No meu plano de governo não tava no plano de governo abrir um hospital de 500 leitos no Barreiro para população, não. Eu entreguei. No meu plano de governo Não tinha um posto de saúde a cada 2 meses de governo, não.

E eu fiz, entendeu? Então se apega muito a plano de saúde de governo, mas você fez isso tudo sentado no seu plano de governo? Eu fiz, porque eu consegui fazer uma reforma administrativa na prefeitura muito violenta, que sobrou tanto dinheiro que no dia 25 de março de 22, quando eu fui embora da prefeitura, No meu plano de governo não tava a bacia do Vilarinho pronta não, e eu fiz. Porque com uma semana que eu era prefeito morreram 3 pessoas lá, e eu falei que não ia morrer mais ninguém.

Então é se apegar muito a plano de governo, do mesmo jeito que eu desprezo, eu faço as coisas. E não, eu li o resumo e aprovei o plano de governo. Não, essa barreira é ótima. É excelente. A Câmara Corporal, não vou discutir com a polícia, é excelente. Mas o cara que entende de segurança, ele não entende dinheiro, não. Ele entende segurança. Então, se nós tiver dinheiro, isso aqui é a melhor forma de dar segurança para o povo mineiro.

E aí, essa é a verdade do que acontece. Então, no meu plano de governo, não tinha nada disso que eu fiz. No meu plano de governo tinha atendimento. No meu plano de governo não tava planejado uma pandemia e não tava planejada a maior chuva da história de Belo Horizonte, que eu reconstruí essa cidade sozinho, sem um tostão do governo estadual, sem um tostão do governo federal. E o que tá lá em Juiz de Fora e Ubaldo, que aconteceu, vocês escrevam aí o que eu tô falando.

Se cair outra chuva parecida ou menor do que caiu vai acabar de destruir a zona da Mata Mineira. Sabe por quê? Porque ninguém foi lá e protegeu. Nós fizemos 200 centros de contenção de encosta em Belo Horizonte. Nós fizemos a maior obra de contenção de água da história dos últimos 50 anos de Belo Horizonte. E acredita que eu ainda deixei R$700 milhões a dinheiro de hoje no caixa da prefeitura no dia 25 de março de 2022. Então, é, governar é um pouco mais complexo do que um papel chamado plano de governo.

CSCibele Santos

Candidato, o senhor tem falado sobre uma proposta de integração de segurança pública e assistência social para o combate à violência contra as mulheres. Como que funcionaria?

AKAlexandre Kalil

Funcionou lá em Belo Horizonte porque a gente acolhia. Você sabe que bem aqui em Minas Gerais hoje só tem um centro de proteção, uma delegacia de mulheres que funciona 24 horas. Então aqui você tem hora que você pode bater e hora que você não pode bater. Então nós colocamos os centros e é claro que tem que ter uma interseção da Secretaria de Segurança Pública com ação social. Porque são assuntos extremamente ligados, né, a violência à mulher e a polícia.

Então tem que ser integrado, como foi na prefeitura. A gente acolhia as mulheres por 24 horas e guardavam as casas sempre vivas com a Guarda Municipal durante 24 horas. Elas ficavam protegidas, alimentadas, com os filhos lá dentro. Então é um plano, é um plano que nós já conhecemos como fazer. E eu acho uma coisa, sabe, Sibeli? A interação de secretarias é muito importante no governo. O governo precisa dessa interação porque é muito ligado.

Você pega a segurança pública com morador de rua, com com acolhimento, com tudo isso, tentar muito transversalizado isso para que a gente tenha um lugar mais humano, um lugar mais que não é lixo, né? Apesar de gente achar que morador de rua é lixo, não é lixo, é gente, é gente como a gente. Nós tentamos colocar, e é um negócio inexplicável, né? Alugamos hotéis no centro cidades inteiras com banho, com lanche, com comida, com almoço, com jantar.

E o cara entrava, tomava banho, almoçava, jantava e tudo, e voltava para rua. Então é o problema que tem em Belo Horizonte, tem problema no interior inteiro de Minas, tem problema em Nova York, em Tóquio. Mas tem que— é um problema que tem que ser humanizado, porque é um problema.

ACAna Carolina Tomé

Candidato, o senhor já afirmou que o Rodoanel, projeto rodoviário planejado para contornar a capital mineira, ligar 11 municípios da região metropolitana, é um fracasso. Queria entender por Lembrando que o governo atual diz que o projeto já tem dinheiro, o que falta é uma decisão judicial com relação a algumas comunidades quilombolas.

AKAlexandre Kalil

É porque eles já mudaram esse projeto. Mostra, eu, eu, eu, o primeiro que eu conheço, ele cortava até fábrica de autopeça no meio, ele cortava Contagem, que é a terceira maior cidade de Minas Gerais, no meio, né? Então o rodoanel, o problema é o seguinte, nós temos que humanizar isso. Esse governo. O Rodoanel, a prioridade, gente, é o hospital. Nós estamos com hospitais que não tem uma pessoa lá dentro, hospitais construídos pela Vale, pelo soterramento da Vale.

Não tem um hospital que foi feito com dinheiro do Tesouro Estadual, que está todo na mão dos empresários. E nós não conseguimos. O liderar é dar prioridade. Se você dá prioridade para um anel e não dá prioridade para uma estrada que está escangalhada, e não é uma, nós temos a maior malha viária desse país com 27 mil quilômetros aproximadamente, e o governo federal conseguiu em 12 anos não duplicar nenhuma delas, e o governo estadual também deixou todas em frangalhos.

Ontem eu andei em uma em frangalhos que liga Poços de Caldas a Guaxupé. Só que aí você sai de um pedaço, entra em São Paulo para voltar para Guaxupé. Então, aí ela tá melhor. A parte esfrangalhada é só dentro de Minas Gerais. Então, governar e liderar e dar prioridade. A prioridade hoje do governo, de um governo que tem um déficit de R$10 bilhões, Não é a construção do anel, né? Devia ser pelo menos diminuir esse deste, porque o anel é muito bonito, passa na porta de muito empresário que interessam a eles, mas isso aí não é prioridade para mim não.

ACAna Carolina Tomé

Mas não seria uma prioridade tirar os caminhões que passam no anel rodoviário? Se eu como prefeito já testemunhei a quantidade, morador de Belo Horizonte, a quantidade de acidentes que tem no trecho, para tirar essa carga pesada do anel rodoviário levando para esse rodoanel?

AKAlexandre Kalil

É claro que isso tem que ser feito.

ACAna Carolina Tomé

E o dinheiro, de acordo com o governo atual, já tá na conta para fazer isso?

AKAlexandre Kalil

Não, o dinheiro tá na conta para qualquer coisa que você conseguir desviar ele. Ele tá na conta para pôr no hospital, ele tá na conta. O dinheiro, ele não tá carimbado para o Anel Rodoviário, ele não é, ele não é Fundeb, não. Ele não é um dinheiro que vem carimbado para saúde, não. Nós temos orçamento amarrado na saúde de Minas Gerais de 12%. Nós não podemos gastar 12% na saúde de Minas Gerais. Nós temos um— eles inventaram um CORE que tira um doente de Teófilo Otoni, no norte, lá no Vale do Mucuri, joga ele em Varginha sem família e sem nada através da IA.

E dizem, e um deputado federal disse, lá em Posto de Caldas, que eles perderam o sistema SUSFácil. Eles deletaram o sistema SUSFácil. Então, há um erro, porque como eles fizeram muita propaganda, há um erro de humanizar um governo que tá desumanizado. Você tem que primeiro num posto de saúde em Araçuaí, primeiro vê o hospital abandonado até o flotone, vê o inacabado de Juiz de Fora, para depois achar que é importante tirar o caminhão.

Eu fiz uma obra lá, né, o escape que eu fiz, inclusive tomei do governo federal, pedi o Tarcísio na época, ministro, falou, Tarcísio, até você fazer isso aí em Brasília, é uma obra muito barata, R$4 milhões. Eu falei, deixa eu fazer, porque aqui cada dia morre tanto. Já entrar lá mais de 30, 40 caminhões desse que eu deixei aqui lá. Nós temos muita prioridade, mas a prioridade do Calil é saúde, é cuidar de quem precisa, é olhar essas estradas.

Nós temos, nós temos estradas em Minas, sabe, porque a gente tá aqui em Belo Horizonte que a pessoa não consegue chegar no posto de saúde. Saúde. Não é no hospital, não, é no posto de saúde por causa de estrada. Nós temos estradas que estão intransitáveis, tem que andar de cavalo. Então é isso que nós temos que olhar. E eu não tenho medo de falar isso, não, eu não tenho medo. Nós vamos humanizar primeiro esse lugar.

CSCibele Santos

Candidato, aproveitando que o senhor falou aí um pouco de saúde, qual que seria o seu plano aí para reduzir a fila de cirurgias eletivas? Centralizar o atendimento hospitalar e também de onde viria o recurso para isso?

AKAlexandre Kalil

Não, e o dinheiro para saúde tá em Brasília, né? Isso eu tenho experiência própria porque eu abri. Agora, qual que é o tamanho das eletivas em Minas Gerais? Ninguém nem sabe. O sistema tá tão organizado. Nós sabemos que na região metropolitana são 33 mil. Qual que é o tamanho disso? Por que que nós vamos fazer os hospitais de porta aberta ou porta fechada em Teófilo Otoni? Porque existem dois tipos de hospitais. Por exemplo, nós fizemos o Barreiro só para eletivas, né, um hospital de porta fechada.

Isso eles nem sabem do que eu tô falando. Esses candidatos nem têm ideia do que é isso, que eles não sabem fazer, tá certo? E por isso que eu tenho essa rejeição toda, porque isso até me irrita. Eles não têm o dado, Sibeli. Eles não têm o dado. Eles não sabem quantas eletivas faltam. Outro dia saiu uma propaganda eleitoral que o governo fez 1 milhão de eletivas. Deixa eu te explicar. Em 2024, tinha um levantamento do Brasil, no Brasil, pela Folha de São Paulo, que o Brasil tinha em débito 1 milhão e 600 mil eletivas.

Se alguém, algum jornalista conseguir me entregar qual é o déficit de eletivas no estado de Minas Gerais, eu vou ficar muito grato, porque a desorganização é tão grande que eles não sabem. Por isso que eles podem falar 1 milhão, porque ele não tem nem noção do que é 1 milhão de eletivas. Ele não tem a menor noção do que é isso. Quanto tempo demora um paciente, quantas pessoas ficam em volta de uma UTI. Eles não têm noção porque eles não viveram esse problema.

Então nós não temos esse dado. Como é que nós vamos falar em eletivas se eles estão fechando hospital? Você sabia que se você chegar, tem um programa que chama Valora Minas que não dá um tostão a mais para hospital nenhum, só aumenta o valor dos hospitais mais ricos e diminui o dos mais pobres, né? Aquele sistema de saúde americano, que onde é que o condado é rico, a escola é melhor, e onde é que ela é pobre, ela cada vez fica mais pobre, a outra mais rica.

Mas deixa eu te falar, nós temos problema de eletiva? Temos. Nós temos aí um monte de hospital para abrir. Vamos fazer de porta fechada, vamos fazer de eletiva, vamos para Brasília, vamos fazer tripartite. 50% da União, 25% do Estado, 25% do município. É aí que tá o gargalo, porque hoje quando o hospital recebe um cara com a perna quebrada e arruma a perna do cara na mesma hora, ele não entra no prêmio do Valora. Ele tem que pôr uma tala, mandar o cara para casa para ele voltar no outro dia, para ele entrar na eletiva, para ele, se o hospital ser remunerado com o mesmo de 12%, que é o orçamento da saúde.

CSCibele Santos

Entendeu?

AKAlexandre Kalil

Então, o que nós estamos fazendo aqui é nós estamos brincando de qual o número que é. Alguém tem o número de eletivas de Minas Gerais? Qual o número que nós temos que tá faltando de eletivas em Minas Gerais? Nós temos uma oportunidade de ouro. Nós estamos com hospitais para construir, para acabar. Nós temos que ir no Ministério da Saúde, é o ministério que tem mais dinheiro. Em Brasília é o ministério mais rico. Quantas vezes que o governador de estado, ou esse governador que tá aí, foi lá no ministério?

Isso é coisa de governador, coisa de hospital, de fazer hospital grande. O hospital do Delflautone, por exemplo, é um hospital enorme, de mais de 400 leitos, e tá fechado, né? Então é o mesmo caso do segredo que a Bela falou aí é o segredo da eletiva. Nós não temos noção de quantas eletivas nós precisamos hoje.

BSBianca Santos

Agora vamos entrar um pouco, candidato, no tema da educação. Como hoje, né, Minas, como o senhor citou, é um estado muito rico, só que tá atrás de estados mais pobres, dos estados mais pobres do Brasil, especialmente no índice que avalia a qualidade do ensino. Que é o IDEB. Os dados do censo escolar de 2025 mostraram que o Piauí, por exemplo, tem a segunda melhor nota do ensino médio para investir. E um dos motivos é justamente porque investe em educação de tempo integral.

E os dados também do censo escolar mostraram que Minas teve uma queda de mais de 40% da modalidade integral ao longo do último governo, que foi de 2022 a 2025. Eu queria saber que leitura que o senhor faz por esse dado da educação de Minas tá tão ruim, e se o ensino integral seria uma prioridade do seu governo.

AKAlexandre Kalil

Nós temos um projeto elaborado pela professora Ângela Dalbem, que é pedagoga da UFMG, que é muito interessante. É a criança em tempo integral. Mas tira ela da sala de aula, entendeu? Nós vamos pegar essa criança menor e levá-la para o esporte, para ela ficar o tempo todo ocupada, mas só meio horário de aula, porque cá para nós ninguém aguenta ficar 2 horários dentro de uma sala de aula, e todo mundo sabe disso. E esse pessoal do ensino médio para frente, nós queremos regionalizar acordos com faculdades e que faculdades regionais, por exemplo, a mão de obra que se precisa em Teófilo Otoni é de gema, pedra, né?

E lá tem estudo sobre isso, lá tem empresas interessadas nessa mão de obra. Já em Ubaia, é o maior polo moveleiro, eu acho que é o segundo do Brasil e é o maior de Minas, que agora tá se recuperando de uma tragédia, fazer a mesma coisa, pegar a turma dessa escola do ensino médio e começar a treinar, fazer técnicos nas faculdades para— isso já tem em Belo Horizonte, a ASPROM, é o menor aprendiz e ainda leva um troco para casa. Mas é um projeto embrionário.

O problema de cair, cair, cair, cair— ô, Bela, eu acho o seguinte, primeiro eu quero deixar uma coisa bem muito clara: eu sou contra o IDEB.

ACAna Carolina Tomé

Tá?

AKAlexandre Kalil

Olha, não tô protegendo esse governo não. O governo tá querendo tocar escola em município que já paga a segurança, já paga a gasolina da, da, da, da, de radiopatrulha e de carro da Polícia Civil, e agora estão querendo empurrar escola na pressão nos municípios. Não tô defendendo, porque eu acho que hoje a professora, como ela é pressionada a aumentar a nota do IDEB, Essa é a opinião da nossa equipe de educação. O IDEB é uma coisa natural, ele deveria ser uma coisa natural.

Você deveria chegar com a prova de uma boa escola, de uma escola bacana, bem arrumada, bem orientada, com professores bem treinados, e naturalmente a criança sairia com uma boa nota do IDEB. Mas hoje muitas escolas que não tem essa categoria toda fazem estudo específico para prova do IDEB. Agora, é claro que a educação em Minas está absolutamente abandonada. Isso é porque você não viu fisicamente as escolas do interior de Minas, né?

Estão caindo, tem aula. E aí, quando a Copasa agora privatizada Não acaba. Nós tivemos aqui em Belo Horizonte há 2 semanas atrás, 10 dias de paralisação de escola porque não tinha água. Então nós estamos falando do IDEB natural. Eu não sou contra o IDEB, eu sou contra o que está acontecendo.

ACAna Carolina Tomé

O seu plano, eu vou falar do seu plano de novo, dedica capítulos específicos à população LGBTQIA+, população negra, indígena e quilombola. O que efetivamente vai ser diferente nessas políticas em relação às políticas universais que a gente já tem no SUS e educação.

AKAlexandre Kalil

Nós separamos, né? Nós vamos replicar o que nós tivemos aqui. Nós separamos inclusive alas de centro de saúde só para população LGBT. Nós temos centro de atendimento só para eles, centros sociais só para eles. Nós separamos porque eles eram muito agredidos quando junto com a população, porque nem toda a população aceita, e a gente sabe muito bem Isso é realidade, né? Isso nós passamos na pele. Então nós separamos, né? Eu fui o primeiro prefeito de Belo Horizonte que abriu uma parada gay.

Então eu sou um cara que não tem o menor preconceito, e quis proteger. Então nós temos esse tipo de, essa maneira de proteção diferenciada. Nós achamos que nós podemos criar um atendimento especializado, diferenciado, tranquilo, de boa recepção, de não agressão. Porque isso é engraçado, porque não aparece, mas é um problema muito grande que a gente passa com agressões, com brincadeiras, com bullying, com esse pessoal.

CSCibele Santos

Bom, candidato, mudando um pouco de assunto aí para falar de mineração, o governo senador, ele apresentou na semana passada na Assembleia um projeto para criar o Fundo Estadual de Infraestrutura e Desenvolvimento Sustentável, que prevê uma cobrança de uma contribuição sobre as empresas que vendem o minério sem industrialização. A ideia seria incentivar a industrialização da mineração aqui no estado. Eu queria um pouco da sua avaliação sobre isso, se o senhor considera que Minas deve restringir exportação da matéria-prima para incentivar industrialização?

AKAlexandre Kalil

Olha, não pode restringir porque a indústria de ferro tá em profundo, em profundo, em profunda crise, tá? A primeira coisa é essa. E o que o governador tá fazendo é eleitoral, é ano eleitoral, e eu nem quero comentar essa bobagem insignificante perante o estrago que eles estão fazendo aqui no nosso estado. O que nós temos é que avisar as mineradoras que elas são muito bem-vindas, que Minas está no nosso nome de tão importante que é.

Mas quem manda no estado é o governador. Então esse tipo de papelote demagogo é um fundo de exportação, restringir exportação. Deixa eu te falar, o aço chinês chinesas, tá liquidando as empresas nacionais de aço. Essa ponte de Itaparica que eu citei agora, que é uma concessão chinesa, eu quero informar para todos que a notícia que eu tive, e até há pouco tempo a BYD era assim, a BYD era assim também, ela vai ser feita toda com aço chinês, sendo que nós mineiros produzimos, somos o maior produtor de aço do Brasil, e o Rio é o segundo maior produtor de aço do Brasil.

Então, produto acabado vai encalhar porque o ferro chinês tá invadindo, e nós estamos assistindo o ferro chinês invadir o Brasil.

BSBianca Santos

Candidato, eu queria entender como que o senhor vê as negociações, os acenos que o candidato à presidência Flávio Bolsonaro vem fazendo para gestão Donald Trump, que tem muito interesse nas terras raras aqui do Brasil. Já houve até um aceno ali, né, disso entrar de uma maneira direta nas negociações de apoio da gestão Trump e a candidatura, né, de Flávio Bolsonaro. E inclusive isso tem sido colocado pelo próprio Flávio, que as terras raras vão entrar na negociação para tentar reverter o tarifação imposto pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros.

O governo Lula critica essa postura falando que tem uma subserviência clara nas propostas de Flávio Bolsonaro e nessa relação com os Estados Unidos em relação a terras raras. Minas Gerais é um dos territórios mais ricos em terras raras. Então eu queria saber a sua avaliação sobre esse cenário e qual que vai ser a sua condução, caso o senhor venha a ser eleito, sobre essa política envolvendo as terras raras e a negociação da exportação desses minerais para países como Estados Unidos, que vem pressionando o Brasil nesse sentido para poder diminuir a tarifa, enfim, ter outros benefícios comerciais?

AKAlexandre Kalil

Olha, o problema de terra rara é um problema que parece pacificado. Nós não estamos querendo exportar terra rara, nós queremos exportar é o produto acabado, né? Nós estávamos agora no sul de Sabe, Bela, e Guaxupé é a maior cooperativa de café do mundo. E nós estávamos lá discutindo que nós não queremos exportar mais saca de café. Vou entrar na terra rara, que é a mesma coisa. Nós queremos exportar é a cápsula do café, entendeu?

Porque acho que 100 cápsulas dá 1 kg de café, e é praticamente o preço da saca inteira, que tem 50 kg. A terra rara é a mesma coisa. Nós temos que ter muito cuidado com o início da exploração. Se nós vamos exportar o produto acabado, certo, para os Estados Unidos, para China, para Austrália, não interessa. O que nós temos que ter primeiro, que o governo de Minas vai ter, Independente dessa, é que nós queremos o produto acabado.

E a terra rara, para quem esse assunto ficou chato para burro, porque todo mundo fala nisso, né, a gente acaba que tem que, quando ela é muito boa e muito produtiva, para uma tonelada você tira 4 kg. Então, no estrago ambiental Porque no minério não, você tira uma tonelada e aproveita uma tonelada, né? O resto vai para o rejeito, que é muito menos que eles tiram. Mas para uma tonelada de terra rara que se tira, eu acho que é igual o lítio, por exemplo, que não é considerada terra rara.

Eu acho também, não sei, mas é 4% que se aproveita. Então primeiro você tem que ter um cuidado ambiental louco. Araçuaí tá num problema sério. A Sigma tá minerando com a ordem do Ministério Público Federal proibindo de minerar. Você tem ideia que ponto da autonomia desses cara dentro do Brasil? A Sigma está minerando Araçuaí, que é uma cidade no Vale do Jequitinhonha, em terra arrasada, sem autorização, com a proibição do Ministério do Ministério Público Federal.

Então, primeira coisa que tem que fazer: para onde vai exportar o produto acabado? Eu não sei. Agora, me parece que tá pacificado isso até em Brasília, que todo mundo quer exportar não a terra, mas o produto. Aí, se vai exportar para os Estados Unidos, para China, para onde for, não interessa, para União Europeia, não interessa. Nós estamos exportando o produto acabado, é a cápsula do café. Entendeu? Agora eu tô muito mais preocupado porque essa, essa conversa de Trump com Lula, com Flávio, isso não vai dar em nada.

Tarifa, acabei de saber que o Brasil com tarifas exportou mais, foi a maior exportação da história do Brasil. Então acho que o tarifado tá fazendo é bem para o Brasil, né? Eu li, eu li no jornal isso aí. Que foi um sucesso o trimestre de exportação do Brasil. Então nós temos que fazer o produto acabado e temos que ter muito cuidado para iniciar de forma industrializada essa extração de terra rara. Agora, eu acho que qualquer empresa que vier para fazer o produto acabado e exportar, sendo americana, chinesa, australiana, austríaca, isso que eles têm lá também, é muito bem-vinda para explorar nossa terra rara.

Mas nós temos que ter muito cuidado e muito carinho para não acontecer com Minas Gerais, que eles tiram minério com escavadeira, enchem, topem, passam, falsificam nota, param na Suíça, trocam nota fiscal, entregam a colherinha de SEFEM de 3,5% para cada município, ainda destrata os municípios, destrói e pendura igual tá Itabira hoje.

ACAna Carolina Tomé

Nós acompanhamos este ano os desastres provocados pelos temporais na Zona da Mata em Minas. O senhor chegou a comentar isso agora há pouco. Como é que seria a atuação do seu governo para evitar e reduzir os impactos das tragédias climáticas?

AKAlexandre Kalil

Eu, eu acho que nós estamos numa nova era, né? Nós sofremos aqui a chamada tecnicamente chuva de mil dias. Eu nunca vi nada mais pavoroso, é realmente. E lá em Juiz de Fora chegou perto, e Ubar também. Juiz de Fora mataram 77 pessoas e Ubar foram 7 mortos, se não me engano, e nada foi feito. E na nova era, o que nós estamos fazendo aqui, nós investindo, nós fizemos, né, investimos em infraestrutura. Não pode ser, chega hoje em Juiz de Fora, tá cheio de lona preta tentando, e segura, segura uma chuva pequena, segura.

A gente conviveu com isso, mas essa nova era vai precisar de abrir as cidades cada vez mais, né, porque antigamente era festa de inauguração aqui em Belo Horizonte mesmo, quando houve o asfaltamento do Sarandi, há muitos e muitos anos atrás, era festa, fazia propaganda na televisão de governo competente que tava fechando, transformando numa avenida. Então são, é, a gente tem que tá se retroalimentando politicamente como administrar feminicídio é coisa que apareceu, meio ambiente é coisa que apareceu há 10 anos atrás, agora é a mudança climática que vem com força do El Niño.

Lá no nosso norte de Minas tá uma tragédia de seca, no sul tragédia de chuva, Juiz de Fora tragédia de chuva. Então são tempos modernos que nós vamos ter que administrar e sem muita poesia, é fazer, arrumar dinheiro, fazer as coisas, ir a Brasília. Porque quando aquele, coincidentemente, quando o presidente Jair Bolsonaro assumiu, você tem uma coisa interessante, o Coronel Lucas foi chamado para Defesa Civil no Nacional, ele era da Prefeitura de Belo Horizonte.

Ele virou para mim assim, tem um bairro afundando em Maceió, Maceió, é aquele assunto da Braskem. Falei mesmo, o coronel, como? Ele falou, tem, tem um bairro que vai afundar em Maceió e tá afundando e afundou. E a Braskem praticamente pediu concordata ou faliu por causa desse assunto, que tem que indenizar não sei quantas mil famílias nesse lugar.

ACAna Carolina Tomé

Candidato, a gente ainda tem alguns minutinhos. Eu vou retomar um tema que a gente abordou aqui no início da nossa sabatina com relação à corrida eleitoral. O candidato Cleitinho, né, ele se mantém no primeiro lugar das pesquisas de intenção de voto muito antes inclusive do início do período eleitoral. Cleitinho tem uma carreira no Legislativo, já foi vereador, deputado, agora é senador, mas não tem experiência administrativa, ao contrário dos dois concorrentes mais próximos na pesquisa, considerando inclusive essa recente.

O senhor que já foi prefeito de Belo Horizonte, Patrícia Ananias, que já foi vereador, deputado, prefeito, ministro de Projeto Social é Combate à Fome. O que que explica essa vantagem?

AKAlexandre Kalil

Olha, a própria confusão que ele criou. E nós temos que ver, porque eu tenho pesquisa de ontem, de ontem, em cidades muito importantes que ele chega a 25%. Eu tenho outra que ele chega a 26%. Eu tenho cidades que ele Então eu acho que o mineiro é muito conservador. Nós somos, nós não queremos, me desculpem aí os cariocas, mas transformar isso aqui no Rio de Janeiro, que vem 1, 2, 3, 4 mandatos de gente atrapalhando o nosso estado.

Eu acho que tá na hora do Cleitinho parar de correr dos debates. Eu tava na hora dele vir cá explicar que ele não vai tirar IPVA, porque todo IPVA das prefeituras, por exemplo, em Belo Horizonte, é todo para saúde, que isso não é conversa séria, que isso não é conversa. Ele tem que prestar contas dos aviões que ele anda, porque aquela prestação de conta dele, o TRE vai dar problema, aquilo ali é frio, aquilo ali é mentira. Porque quando ele fala que o cara tá dando um avião para ele fazer uma campanha política e não quer nada em troca, é acreditar em Papai Noel.

Eu espero que a população de Minas Gerais não acredite em Papai Noel. Nós ficamos aqui sem o governo porque nenhum hospital desse, né, filho, vamos lembrar, foi feito com Tesouro. É tudo feito, tudo que foi feito em Minas Gerais foi com a tragédia da Vale. E nós esperamos que não haja mais tragédia da Vale, que agora nós vamos precisar, e ele tem que saber disso, é de gestão, é de Brasília, é buscar dinheiro, é de ir na NTT para tampar buraco, coisa que o Cleitinho não fez quando era senador.

ACAna Carolina Tomé

Assim a gente encerra essa sabatina com o candidato Alexandre Kalil do PDT. Quero agradecer também a jornalista do Jornal Valor, Cibele Também a colunista do jornal O Globo, Bela Megali. Candidato, muito obrigada pela presença aqui na CBN.

AKAlexandre Kalil

Obrigado, desculpa alguma coisa, foi um prazer falar com todo mundo.

ACAna Carolina Tomé

Todo o conteúdo também aqui das entrevistas de hoje com Alexandre Kalil, de ontem com Matheus Simões, disponível para você também no YouTube da CBN, do jornal O Globo e também do jornal Valor.

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