Episódios de Política

Mateus Simões participa de sabatina sobre o governo de MG

23 de setembro de 20261h28min
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Candidato do PSD é o entrevistado da série promovida pela CBN e pelos jornais O Globo e Valor.

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Participantes neste episódio4
C

Carol

HostApresentadora
A

Ana Carolina Tomé

ComentaristaJornalista
B

Bianca Santos

ComentaristaJornalista
M

Mateus Simões

EntrevistadoGovernador e pré-candidato à reeleição
Assuntos6
  • Combate ao crime organizado e a postura do governo federalcríticas ao discurso do presidente Lula·falta de cuidado do governo federal·restrição de acesso a relatórios do COAF·Escudo Mineiro para controle de fronteiras
  • Crise do Supremo Tribunal Federal e propostas de reformavergonha do Supremo Tribunal Federal·ministros envolvidos deveriam renunciar·Ministro Alexandre de Moraes sem condição moral·reforma do Judiciário urgente
  • Cenário eleitoral e a campanha de Mateus Simõesdesalento dos eleitores·polarização política·judicialização da campanha de Zema·estratégia municipalista na reta final
  • Dívida de Minas Gerais e investimentos em infraestruturaPropag como melhor opção para Minas·atraso do governo federal na escolha de ativos·proposta de Minas assumir investimentos federais·segurança nas rodovias federais
  • Privatizações de estatais mineiras e critérios de decisãocritérios para privatização·privatização da Gasmig·reorganização da Cemig·manutenção da participação de Minas na Cemig
  • Educação em Minas Gerais e o modelo cívico-militarmelhora do IDEB em Minas·aumento de escolas em tempo integral·atratividade da escola para o aluno·defesa das escolas cívico-militares
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CCarol

Muito bom dia para você! A CBN e os jornais O Globo e Valor iniciam as sabatinas dos candidatos ao governo de Minas. Foram convidados os 4 candidatos com melhores índices de intenção de voto na última pesquisa Quest. Hoje a entrevista será com Mateus Simões, do PSD. Amanhã a entrevista será com Alexandre Kalil, do PDT. Cleitinho, do Republicanos, e Patrulha Zananias, do PT, não quiseram participar. A sabatina terá duração de cerca de 1 hora e meia e é transmitida pelos canais no YouTube da CBN e dos jornais O Globo e Valor.

Dá para ouvir também pelo site e aplicativo da CBN. Comigo nesta sabatina estão a jornalista colunista do Jornal Globo, Bela Megali, e também a jornalista do Jornal Valor, Cibele Bolsas. Candidato, bem-vindo, muito bom dia.

MSMateus Simões

Bom dia, Shirley, é uma alegria estar com vocês aqui na CBN, com Cibele, também com Bela. Mas dizer primeiro da importância dessas sabatinas, acho que elas fazem toda a diferença no ambiente em que cada vez menos as pessoas param para prestar atenção nos candidatos. Então nós estamos 15 dias, não, 12 dias da eleição, e a última pesquisa fala que 52% dos mineiros ainda não escolheram seus candidatos. Muito importante a iniciativa do grupo como um todo.

CCarol

Muito bem. Olha, em discurso na abertura da Assembleia Geral da ONU em Nova York ontem, o presidente Lula, ele criticou interferência externa em eleições de outros países. Entre outros assuntos, ele também abordou o combate ao crime organizado. Disse o seguinte: não vamos terceirizar a responsabilidade de defender nossas fronteiras e de garantir à população o direito de viver sem medo. E o que precisamos é de cooperação para estancar o fluxo de armas e dinheiro que abastecem o crime.

Afirmou ainda que esse é o espírito da proposta que entregou pessoalmente ao presidente dos Estados Unidos. Qual que é a sua avaliação sobre uma possível intervenção americana na segurança pública, principalmente se isso acontecesse no estado de Minas Gerais?

MSMateus Simões

Eu acredito, Shelly, primeiro que o discurso do presidente tá com foco errado, né? A gente precisava estar construindo pontes com países que estão se fechando para o Brasil, e Minas Gerais sofre muito com isso, com as restrições que estão sendo criadas para exportação dos nossos produtos. Ao invés disso, o presidente assume uma postura defensiva que me parece revelar a falta de cuidado do governo federal com o crime organizado.

Por exemplo, a não classificação no Brasil dos crimes das organizações como PCC e Comando Vermelho como entidades terroristas fazem com que o uso de informação financeira dessas entidades seja muito restrito. O governo de Minas, por exemplo, na sua Polícia Civil, não consegue ter acesso aos relatórios de inteligência financeira do COAF, que fiscaliza teoricamente o que essas entidades estão fazendo, porque isso não é considerado um problema de segurança nacional, e deveria ser.

Eu sou um dos que ficou feliz quando o governo americano classificou as entidades como terroristas, porque pelo menos a fiscalização internacional da movimentação financeira dessas entidades passou a ser feita. Então eu sou contra, obviamente, presença de forças forças armadas estrangeiras dentro do Brasil. Nós temos polícias competentes aqui em Minas, não seria minimamente necessário, mas um apoio internacional de inteligência para monitoramento dessas entidades eu considero muito importante, porque elas são cada dia mais fortes e mais misturadas com economia comum, porque elas hoje operam para lavar o seu dinheiro com negócios que, para quem tá olhando pelo lado de fora, parecem negócios legítimos.

CCarol

Mas que medidas ainda não usadas o seu governo adotaria para reduzir o poder das facções criminosas em Minas Gerais?

MSMateus Simões

Como nós não temos acesso aos relatórios do COAF, infelizmente, por conta de uma decisão do Ministro Alexandre de Moraes, que disse que as polícias estaduais não podem fazer uso dos relatórios de inteligência sem pedido judicial prévio, o que a gente vai fazer é o Escudo Mineiro. Proposta já tá inclusive bem detalhada para que a gente faça um cercamento das nossas fronteiras para reconhecimento facial e de placas de todos aqueles que entrarem e saírem do Estado de Minas Gerais.

Por quê? Nós hoje não temos a situação que São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia e Espírito Santo têm de áreas sob domínio das entidades terroristas, das entidades faccionadas. A gente tem presença de facções. Então, se a gente conseguir controlar a entrada e a saída, o fluxo dos faccionados, a gente já consegue melhorar a nossa condição de segurança. Essa, esse é nesse momento a ação mais importante que a gente tem para tomar, já que nós não perdemos controle de nenhum território dentro do estado até aqui.

CCarol

Bela Megali.

?Voz 1

Bom dia, ouvinte. Bom dia, candidato governador. Eu vou falar sobre o setor do Ministro Alexandre de Moraes. Eu vou falar aqui sobre a crise do Supremo Tribunal Federal. O senhor já chamou o Supremo Tribunal Federal de vergonha do Brasil. Eu queria saber que, em meio a essa que é a maior crise que a corte vive, qual solução o senhor vê para sair dessa, dessa crise que envolve ministros tanto Alexandre de Moraes como o ministro Cássio Nunes Marques e outros aí que acabaram sendo dragados pelo elo, pela relação que tinham com o banqueiro Daniel Borcato.

O senhor considera que o impeachment dos ministros do Supremo seria a melhor solução ou uma medida que iria agravar ainda mais esse problema institucional?

MSMateus Simões

Bela, eu vou dividir minha resposta em dois pontos aí. Primeiro, dizer que como professor de direito há 22 anos Eu tenho vergonha do Supremo Tribunal Federal que nós temos hoje e muita saudade do Supremo Tribunal que foi presidido por Helen Grace e dela para trás. Supremo perdeu completamente seu papel na sociedade. Nessa sociedade nossa de mídias sociais, o Supremo, que deveria se conservar fora delas, virou mais um ator TikToker, produtor de conteúdos sofríveis, se misturando com o Poder Legislativo e Executivo de uma forma que é de uma promiscuidade repreensível qualquer, por qualquer ângulo.

Soluções: a melhor solução seria que os ministros envolvidos tivessem a dignidade de renunciar aos seus cargos para a gente evitar uma exposição exagerada da própria instituição que eles deveriam representar. Ministro Alexandre de Moraes tem nenhuma condição moral de continuar à frente de qualquer processo no Brasil. Infelizmente, o mesmo pode ser dito sobre Dias Toffoli. E o Ministro Gilmar Mendes, apesar de ser uma mente jurídica brilhante, também perdeu completamente os limites.

Não sei se tá perdendo o limite como acontece as pessoas que já estão há muito tempo exercendo um cargo. Então acho que o melhor seria que eles saíssem, mas se eles não saírem por bem, alguma medida tem que ser tomada. Sinceramente, a essa altura, os crimes praticados por eles são tantos que eu nem acho mais que é uma questão de impeachment. Eles deveriam ser processados, investigados criminalmente e perderem os seus cargos em virtude das condenações criminais.

O problema é que a estrutura do tribunal é tão fechada para que isso aconteça que talvez o impeachment, que é uma medida política, é que acabe acontecendo. Uma pena, porque a gente não deveria chegar nesse ponto. Agora, além disso, a gente precisa de uma reforma do Judiciário urgente, porque está desequilibrando inclusive os tribunais para baixo, que vão se sentindo nos mesmos tipos de direitos absurdos. E para isso eu tenho algumas leituras muito claras sobre o Supremo.

Não devia entrar ninguém com menos de 60 anos, não deveria ser possível ninguém permanecer mais de 15. Essas duas coisas até acabam se resolvendo. E a gente precisava ter uma lógica melhor do modelo de escolha, né? Não poderia ser o modelo de escolha dos apadrinhados. Se a gente vai ter que fazer uma lógica de montagem de lista ou qualquer outra coisa do gênero, mas esse negócio de ficar nomeando seus advogados e amigos para o Supremo tá passando o limite.

?Voz 1

É, governador, só mais um ponto: o ministro Cássio Nunes Marques também apareceu com envolvimento junto a Daniel Porcaro. Inclusive houve uma série de mensagens mostrando que ele teria se beneficiado de camarote na Sapucaí, aluguel de uma casa avaliada em R$250 milhões, e até o elo com um desembargador que pediu hospedagens no Fasano para ele e tido como da turma do Ministro KN, né, que são as iniciais de Cássio Nunes. O senhor não citou ele como um nome que deveria ser investigado?

MSMateus Simões

Só porque eu não tenho os dados completos, Bela, mas você tem toda razão. Ele faz parte da mesma, ele tem que ser investigado criminalmente da mesma forma. Foi só uma, é um lapso, só porque o caso dele é um pouco mais recente, ele não tava na minha memória aqui. Mas é isso mesmo, as denúncias contra o Ministro Cássio têm a mesma gravidade das denúncias contra o Ministro Gilmar. Aliás, na minha leitura, os problemas envolvendo o máster dos dois são muito parecidos. Os dois têm que ter o mesmo tratamento.

CCarol

A participação agora de Cibele Bolsas. Acho que a gente tá sem conexão. Agora sim, agora sim.

BSBianca Santos

Eu gostaria de saber, deu certo?

CCarol

Deu certo, estamos te ouvindo, Cibele.

BSBianca Santos

Eu gostaria de saber um pouco da sua, eu gostaria de saber um pouco a respeito da sua avaliação a respeito da campanha do governador Romeu Zema. Que ao longo aí da campanha ele tem ficado com 1 a 2%, né, das intenções de voto, de acordo com as pesquisas. Na sua visão, o que que tem dificultado aí ele ter uma alavancagem de votos?

MSMateus Simões

Cibele, me parece que é menos uma questão com a campanha do ex-governador Zema e mais uma questão com as campanhas de terceira via. O mesmo acontece com a campanha de Caiado, com a campanha de Augusto Cury, que chegou a dar um soluço maior, mas já voltou, e com a campanha de Renan Santos. Mas eu vou tratar Caiado e Zema em separado, porque para mim são situações idênticas. Governadores bem avaliados nos seus estados, com trabalhos muito bons na sua gestão, mas que não conseguiram se colocar como uma alternativa nesse momento.

Eu lamento que o Brasil esteja vivendo ainda esse sentimento que eu já nem sei mais se é de polarização ou se é de desalento muito. É como se as pessoas— porque eu que tô andando na rua para fazer campanha esse ano, é uma campanha diferente das campanhas de 18 e 22, em que as pessoas estavam na rua brigando se eram de direita ou de esquerda, bolsonaristas ou lulistas. Não é exatamente isso que a gente tá vendo nesse momento. A gente tá vendo desalento.

É como se as pessoas tivessem perdido a esperança de que seja possível alguma coisa diferente. Eu lamento muito, são dois governadores excepcionais que teriam muito a contribuir com o Brasil. Mas eu já começo a lidar com o cenário de que talvez a gente esteja cristalizando uma eleição com apenas dois nomes já dados, inclusive com o risco de ser uma eleição de um turno só, na minha leitura, a essa altura. Pode ser que a gente, ao longo dos próximos dias, comece a ver uma concentração de esforços em torno dos dois nomes que o desalento brasileiro escolheu.

Mas eu volto a dizer, Não é propriamente uma polarização daquela lógica de torcida, mas mais como se as pessoas tivessem perdido a esperança de que exista uma alternativa a eles.

CCarol

Candidato, o seu partido, o PSD, tem um candidato à presidência, a gente falou aqui, Ronaldo Caiado, mas o senhor sempre disse sobre que apoiaria Romeu Zema do Partido Novo, mesmo com agendas diferentes. Por que que ele não é mais ativo na sua campanha, nas redes sociais, por exemplo? Na última pesquisa, só para a gente contextualizar aqui, da Quest para presidente da República, com aqui para Minas Gerais, onde ele foi governador, o Zema não chega a 10% das intenções de voto entre os eleitores mineiros, ficando atrás inclusive de Augusto Cury.

Esse baixo desempenho nas pesquisas, aliado também a críticas que ele já fez a Flávio Bolsonaro com relação ao Daniel Vorcaro, justificaria a ausência dele na sua campanha?

MSMateus Simões

A gente tentou, do ponto de vista de comunicação, trazer a imagem do presidente, do candidato a presidente Romeu Zema, para mais próximo da campanha. Mas é uma das campanhas adversárias judicializou e tirou do ar as nossas propagandas que tinham a presença de Zema. Então a gente, por uma ordem legal, não tá podendo usar a imagem do Zema nas campanhas de TV e rádio. Isso fez com que desse a impressão de distanciamento, mas acho que a maior parte do público político, quando me vê, enxerga imediatamente Zema, né?

Não tem um discurso meu uma fala minha, uma presença minha em que o governador Zema não seja citado como referência. Ele é responsável pela minha escolha como secretário-geral lá atrás, vice-governador, e eu devo a ele o fato de ter comandado tecnicamente o governo nos últimos 7 anos. Não acho que não há um distanciamento, mas há um esfriamento da presença dele na campanha desde que a gente teve essa judicialização. Meu primeiro comercial era um comercial com Aí ele foi judicializado e a ordem foi muito dura, né, na restrição do uso da imagem do governador.

CCarol

Cibele.

BSBianca Santos

Candidato, o senhor acredita que essa questão da polarização de alguma forma também pode ter afetado a sua campanha aqui no estado para conseguir um percentual mais alto aí nas pesquisas?

MSMateus Simões

Cibele, eu acho que aqui não é exatamente isso que tá acontecendo. É, aqui nós estamos ainda com eleição de gente muito desatenta. Na pesquisa Quest da semana passada, na espontânea para presidente, a gente já tá só com 15% de indecisos. Aqui em Minas, na de governador, a gente ainda tem 52% de indecisos. As pessoas não são capazes de dizer o nome dos candidatos. E aí, na hora que você mostra a tabela de nomes É claro que, como Cleitinho é senador, foi votado, teve 4 milhões de votos, a pessoa vai lá e aponta o nome dele.

O resto, o eleitor ainda não tá prestando a menor atenção no que tá acontecendo. Então eu acho que nós vamos ver ao longo desses dias, porque eleição chega, não tem jeito, e no final ela é espontânea, não tem cédula com foto de todo mundo para você poder escolher. A gente vai acabar tendo um redesenho desse cenário. Exatamente nesse mesmo momento do ano de 2018, o Zema tinha 7% nas pesquisas. Eu tô um pouquinho acima disso, Então acho que é, eu tô ainda na briga pela atenção do eleitor.

É claro que para quem tá na posição de candidato é de alguma forma angustiante, mas eu tô muito confiante com o trabalho dos prefeitos. Os prefeitos estão muito preocupados com essa falta de atenção porque eles ficam obviamente no medo de voltar para Minas Gerais o PT de Patrus, que destruiu as contas do estado, e quem foi mais sacrificado nisso foram os municípios. Mas também ficam muito preocupados com o risco de uma eleição de alguém sem experiência oposta como senador Cleitinho, porque também, mais uma vez, é na conta do prefeito que essa bomba estoura.

Então acho que nesse momento são os prefeitos os grandes mudadores de posição do ponteiro das intenções eleitorais ao longo dos próximos dias.

?Voz 1

Governador, eu também, seguindo nessa linha política, queria fazer um questionamento para o senhor, porque em 2018 o candidato do Nova Presidência era o João Amoedo e o Zema, que disputava na sua primeira eleição ao governo de Minas, declarou voto no Jair Bolsonaro. Até um fator que contribuiu bastante para vitória dele. Agora o Zema, né, e o Caiado são candidatos da Editora Defende, mas que tem um percentual de voto em torno de 1%, é muito baixo até o momento.

Eu queria saber por que que o senhor, sendo um candidato de direita, não apoia abertamente o Flávio Bolsonaro.

MSMateus Simões

Já disse que no segundo turno eu estarei certamente com Flávio Bolsonaro. Aliás, eu tenho certeza que o único palanque puro do Flávio Bolsonaro em Minas Gerais será o meu, porque Cleitinho já disse que quer os candidatos, quer os eleitores do Lula, que ele tá, que ele aceita os votos da esquerda. Ele não é propriamente um homem de direita, mas no primeiro turno, por uma questão de coerência e lealdade, eu não poderia deixar de votar no governador Zema.

O próprio Caiado, que é do meu partido, entende, reconhece e repete isso, fala que eu sou o candidato dele em Minas, mas ele sabe que ele não é o meu candidato, que eu preciso votar em Zema para ter coerência. Agora, se me perguntar nesse momento se a gente não deveria tentar uma unificação nacional da direita, já não sei, Bela. Eu achava que isso não tinha sentido alguns meses atrás. Hoje já é um assunto que eu confesso que tem discutido, porque eu volto a dizer, né, o desalento parece ter transformado essa eleição numa eleição de dois candidatos.

Mas uma unificação da direita em torno de Flávio, a essa altura parece que para que a gente tenha alguma chance de interromper esse ciclo muito pesado que o PT tem nos impostos. Não é o que eu gostaria, porque eu tenho certeza que Zema seria o nome mais adequado para enfrentar o que a gente tem hoje pela frente, que é consertar um país estragado pela falta de controle orçamentário do PT. Exatamente o que a gente viveu em Minas Gerais em 2018.

Então Zema é um homem já testado naquilo que é consertar um estado estragado pelo PT. Mas se for necessário um movimento de recuo, eu acho que tá na hora da direita começar a discutir sobre isso. É inclusive em Minas Gerais, eu já falei desde o começo, eu defendo que a gente deveria discutir uma unificação. Eu falhei, se eu falhei em alguma coisa nessa campanha foi em conseguir essa unificação, porque o PL acabou lançando um candidato.

BSBianca Santos

Cibele. Candidato, só voltando um pouco aí na questão da sua campanha, eu queria que o senhor falasse um pouco aí qual que vai ser a estratégia agora nessa reta final, né, para tentar conquistar aí mais votos dos eleitores diante desse cenário de desconhecimento ainda, né, do eleitor. O que que o senhor pretende fazer?

MSMateus Simões

Cibele, eu tenho rodado o estado, acabo de chegar mesmo nesse momento da região leste de Minas, tô fazendo uma média 5 a 6 cidades por dia, mas essencialmente me aproximando dos prefeitos. Em cada cidade eu me encontro sempre com no mínimo 6 a 10 prefeitos. Ontem eu tive com mais de 30 prefeitos ao longo do dia para que a gente possa ativar os prefeitos, vereadores, para eles falarem nas cidades dos riscos que a gente teria diante de quem não sabe administrar ou do retorno daqueles que sabem gastar mal, né?

Porque são duas propostas que a gente tem hoje para Minas perigosas além da minha. Uma proposta de quem nunca administrou e que promete mágica, de certo vai pagar todo mundo com dinheiro de banco imobiliário porque fala que vai reduzir todos os impostos e aumentar todas as despesas. É matemática básica, isso não fecha. E do outro lado, o PT, que nós conhecemos inclusive os atores, né? Eu quero saber até qual é a posição que o Pimentel vai ocupar no governo do Patrus, quer dizer que não vai participar é mentira, né?

Porque no governo federal ele já participa. Então eu acho que é acordar os prefeitos para isso, mas é uma, uma candidatura municipalista nesse momento. Para a gente balançar as pessoas.

CCarol

Governador, o senhor tem sido muito crítico, né, ao presidente Lula. Caso ele seja reeleito, como é que o senhor pretende conduzir sua relação com o governo federal? O senhor tá nessa situação atualmente como governador do estado, mas o senhor acredita que vai ser possível separar a oposição política dos interesses de Minas Gerais?

MSMateus Simões

Eu faço oposição a Lula há 30 anos, desde o meu primeiro voto. Nunca votei nele nem nos dele. E nem por isso isso prejudicou a conversa com o governo federal. Nós fechamos o acordo de Mariana, maior acordo da história do Brasil e o segundo maior do mundo, durante o governo Lula, com a participação do presidente e dos ministros. Minas Gerais é palco do maior volume de concessões rodoviárias do governo federal. Nós conseguimos renegociar o Propag.

Eles estão atrasados nos últimos passos, mas fizemos a renegociação Então eu não tenho dificuldade de convívio técnico com presidente que não concorde comigo, com quem eu não concorde. Eu só não vou ficar passando pano para o presidente quando ele erra, ou quando ele pratica, ou quando ele nos deixa num déficit como ele tá deixando agora. O acúmulo de déficit orçamentário do governo Lula é equivalente ao PIB de Minas Gerais de um ano.

Então ele vai continuar recebendo de mim todas as críticas necessárias, mas nunca interrompendo o diálogo no interesse de Minas. Tudo que é importante para Minas a gente continua fazendo em parceria com o governo federal. E a minha relação com os ministérios sempre é muito produtiva. Eu tenho uma relação com o nível 2 do governo, que é o nível técnico, da mesma forma que eu tenho com a minha equipe. Eu não faço diferenciação nessa hora.

?Voz 1

Governador, mudando um pouquinho de assunto, 11 dias depois do seu governo, do governo de Minas fazer um acordo com a mineradora Sigma Lithium, que permitisse que ela voltasse a exercer as suas atividades, atividades, a CEO dessa mineradora, a Ana Cristina Cabral, doou R$100 mil para campanha do senhor. Até então, a empresa tinha tido as suas atividades suspensas por irregularidades ambientais, mas depois desse TAC, né, desse termo de ajuste firmado com o Estado, ela voltou a atuar.

Eu queria saber sobre essa, no mínimo, coincidência temporal e se existe alguma relação direta entre a permissão para a governadora voltar a exercer suas atividades e a doação de R$100 mil para sua campanha.

MSMateus Simões

Assim, se houvesse algum tipo de ilícito aí, a doação não seria feita de forma transparente, pública, com depósito com CPFs e CNPJs declarados. Obviamente, o que seria muito estranho se ela tivesse feito uma doação e o governo tivesse tomado alguma ação em favor dela. O governo já tinha tomado a decisão, Ministério Público acompanhou e e se ela resolveu fazer uma doação, que eu até fiquei sabendo depois quando a mídia anunciou, é uma decisão dela pessoal.

Eu não, não me envolvo em processos de licenciamento espécie alguma, nunca me envolvi e nem vou me envolver. Eu entendo que esse é um ato completamente externo à figura do chefe do Executivo, ele tem que acontecer lá, lá nas instâncias de controle. E assim que a gente roda em Minas Gerais, tanto é que nunca tivemos uma denúncia de corrupção envolvendo os membros do primeiro escalão. A gente teve mesmo da Rejeito, que aconteceu, foi um sujeito, a nossa secretária aliás, na confusão da Rejeito, é uma das vítimas, né, ameaçada por um dos presos.

Então eu tenho muita tranquilidade com isso, não interfiro, nunca liguei para nenhum membro do nosso comitê que aprova as licenças, não acompanha as pautas, e fico feliz que alguns mineiros estejam dispostos a ajudar as campanhas, já que esse é o modelo que o Brasil escolheu de financiamento. Mas volta a dizer, se fosse para fazer alguma coisa errada, não era publicado, né?

?Voz 1

O senhor conhece ou já teve contato com a CEO da empresa? Já teve reuniões com ela?

MSMateus Simões

Eu já tive com Ana Cabral uma vez na China e já tive duas reuniões com ela acompanhando novas etapas investimento. E acredito que duas. E já tive uma vez na empresa, mas ela não estava lá na empresa quando eu fui. A Sigma é responsável por um grande projeto no Vale do Jequitinhonha. Ela é uma das duas empresas que já explora lítio na região mais pobre do estado, mudando muito a realidade de trabalho na região. Então até um trabalho que a gente acompanha, o das duas empresas, o deles e da Lithio Ionic, a gente acompanha bem de certo, que isso tem mudado muito a realidade daquela que era a região com pior IDH de Minas e não é mais, graças à presença do lítio, da exploração do lítio ali.

BSBianca Santos

Candidato, durante a gestão aí, né, do senhor e do governo Zema, houve alguns casos aí de corrupção, né? A gente teve em agosto o Rubens Soalheiro, que é diretor da SemigSim, foi desligado com suspeita de envolvimento num esquema seria ligado a Daniel Vorcaro. Em abril também, o ex-secretário de Educação, que era o Rossielly Soares, ele foi exonerado, né, em meio a uma investigação aí da Controladoria-Geral do Estado sobre um contrato de R$348 milhões para compra de materiais didáticos.

Eu queria entender um pouco assim, diante desses casos, né, que medidas o governo adotou ou pretende adotar, né, na para a próxima gestão para melhorar aí o nível de governança?

MSMateus Simões

Na verdade, eu acho, Sibélia, que isso é a prova da qualidade do nosso nível de governança, porque no passado essas pessoas teriam ficado no governo protegidas. Nós saímos da 26ª posição no ranking de transparência do Brasil para sempre um dos 3 primeiros lugares em estados que deixam as suas, seus dados absolutamente transparentes. Junto isso, nós temos uma regra de ouro em Minas: qualquer investigação contra um membro de cargo comissionado gera imediatamente a exoneração dessa pessoa para que ela faça a sua defesa em casa.

Cargo público não é lugar de ficar guardando gente para se defender, porque isso que é feito no governo federal, em outros estados, foi feito em Minas Gerais durante muito tempo, prejudica as investigações. Então toda vez que a gente tem uma denúncia, exonera. Se a pessoa é culpada ou não, ela vai responder lá na justiça e a gente faz a investigação completa. Caso do Rubens Soalheiro, contratamos uma auditoria externa além da auditoria interna que tava sendo feita pela CEMIG para identificar qualquer tipo de desvio.

Ainda transferi para CEMIG, sim, o presidente da própria CEMIG e o diretor jurídico da própria CEMIG para fazer a supervisão, para a gente ter certeza se houve ou não algum prejuízo à empresa. Porque o que há Portanto, é a demonstração de que esse sujeito mantinha contatos com o grupo de Daniel Vorkaro, que é agnóstico político, né? Parece que atuou em todas as esferas, em todos os partidos do Brasil. E para o caso do Rossielli, a mesma coisa.

Rossielli foi contratado porque foi ministro da Educação. Agora, se teve suspeita, na hora que surgiu a denúncia, imediatamente foi exonerado e tá respondendo aos processos criminais, a investigação criminal e a investigação administrativa de casa. Nós não damos para a gente que tenha pisado fora da linha no governo de Minas.

CCarol

Fala agora da dívida de Minas Gerais. O Propag, ele foi a melhor opção para Minas Gerais? Ainda cabe uma renegociação dessa dívida com a União com relação a prazo, por exemplo, e taxa de juros, né? E se o Propag já foi negociado e Minas aderiu ao programa, qual mudança concreta o senhor pretende ou pretenderia obter em Brasília?

MSMateus Simões

Eu tenho visto alguns candidatos falando que vão renegociar a dívida. Sinceramente, hoje a dívida tem juros zero, é eu não sei qual renegociação seria possível além dessa. Se o Propag é muito melhor do que o regime de recuperação fiscal, que era a solução anterior, que é muito melhor do que é o pagamento corrente da dívida, que era o anterior, que tinha juros de 4% ao ano. Então, para quem tá em casa nos acompanhar, numa dívida de R$200 bilhões, 4% ao ano são R$8 bilhões.

Então esse é o tamanho da economia que a gente faz por ano no serviço da dívida. A parcela que era para ser de R$14 bilhões esse ano tá sendo de R$6,7 bilhão. Então a renegociação foi muito positiva para Minas. É o que eu queria? Não. Ficou de fora algumas coisas que nós pedimos e que não foram feitas. Eu queria retroação desses juros zero ou juros 2%, não foi concedida. Mateus, por que que você queria isso? Porque quando o Haddad foi prefeito de São Paulo, ele conseguiu isso para renegociar a dívida do município de São Paulo.

Eu acho que era justo que a gente conseguisse isso para renegociar a dívida de Minas. Não conseguimos. E eu também gostaria que a gente tivesse a possibilidade um pouco mais flexibilidade em regras que o presidente Lula acabou vetando. Mas paciência, isso é coisa do passado. Eu sou neto de José de Almeida, meu povo lá em casa é sistemático. Já que a gente deve, vamos pagar. O valor da dívida cabe no nosso orçamento e a minha briga agora não é mais sobre isso.

Eu tenho duas discussões sobre Propag. Uma é: o governo federal está atrasado para escolher quais são os ativos que ele vai pegar para bater a dívida. O que que significa significa que a minha dívida hoje é de R$200 bilhões, mas eu já entreguei para o governo federal bens para ele escolher, cerca de R$40 bilhões que iam ser abatidos da dívida. Ela ia cair para R$160. Por que que isso é importante para o governo do estado? Porque mexe no valor da parcela que a gente paga, também mexe no valor da contribuição que a gente tem que fazer para o tal do Fundo de Equalização Federativa, que é de 1%.

Então eu tô gastando dinheiro a mais porque o governo federal não toma as medidas que ele tem que tomar lá. É uma reclamação que eu tenho, não faz por pura incompetência. É segunda informação, eles estão levando o dinheiro embora, quase R$600 milhões por mês, e não estão fazendo investimentos em Minas Gerais que são da responsabilidade deles. Então eu tenho uma proposta para o próximo presidente da República, seja ele quem for: sentar na primeira reunião que ele tiver disposto a ter com o governo de Minas Gerais, e a gente assume aqui em Minas os investimentos em infraestrutura que o governo federal não está fazendo.

A duplicação das nossas grandes BRs: 040 381 262, 251 116 365, e ainda consertar 367. Já que eles não fazem, a gente faz. E aí a gente abate depois que gastar o dinheiro nas coisas deles. Então eu não tô pedindo desconto, não tô pedindo abatimento, eu tô só pedindo para o dinheiro não ir embora, porque é uma deslealdade com o povo de Minas Gerais. Esse assunto para mim é um assunto sério. Eu perdi meu pai e minha mãe quando eu era criança num acidente de carro numa rodovia Federal.

E sabe quanto foi que melhorou de qualidade, segurança do trecho onde meus pais morreram? Nada. Eu tive há 90 dias exatamente no mesmo ponto, quando eu tava indo de Araxá para Uberaba, e um veículo fez a mesma conversão na minha frente que meu pai fez e morreu. Morreu com meu pai, meu pai, minha mãe, uma moça que trabalhava para gente e o filho dela. Então não é possível que o governo federal não possa fazer esses investimentos, a gente mandando R$600 milhões por mês para fazer a duplicação inteira da 262, que matou meu pai, minha mãe, num outro acidente matou meu irmão mais velho, a gente precisaria de R$4 bilhões.

Olha, a gente é menos de um ano do que nós estamos mandando. Então, meu, o meu pedido para o governo federal a essa altura passou a ser outro. Nós não estamos inadimplentes, a gente tá pagando a parcela. Eles estão inadimplentes porque eles não poderiam deixar as rodovias de Minas Gerais na falta de segurança que eles deixam. Semana passada vocês noticiaram aqui, morreram 6 pessoas num acidente na 116, no norte de Minas, e 43 pessoas foram hospitalizadas.

Quanto tempo nós vamos ter que esperar até o governo federal fazer essas obras. Então, Propag para mim agora virou é uma forma de pagar o que a gente deve, mas cobrar que o governo federal também faça o que ele deve.

?Voz 1

O governador, em relação a privatizações, em um eventual novo governo do senhor, quais seriam as empresas mineiras que o senhor considera que precisam ser de fato privatizadas? A Gasmig, por exemplo, é uma que o senhor vem defendendo, né? Já a Cemig O senhor já fez algumas ponderações. Então eu queria entender melhor os critérios que o senhor adota para decidir quando uma estatal deve ou não ser vendida.

MSMateus Simões

Para— eu uso o mesmo critério que eu usei desde o começo presidindo o Comitê de Desestatização do Estado, que fez a desestatização da Copasa. A gente privatiza a empresa que precisa de investimentos que o governo não está dando conta de fazer, ou que precisa de melhorar o nível de serviço que oferece. No caso da Copasa, era as duas coisas: ela precisava fazer mais investimentos e melhorar o nível de serviço. Por isso a privatização.

No caso da Gasmig, a mesma coisa. Nós hoje temos investimentos por ano em gás em Minas Gerais equivalentes ao que o estado do Espírito Santo faz, que é um estado que tem 20% do nosso território. Não tem cabimento. Nós estamos perdendo oportunidades, por exemplo, de aproveitar a nossa enorme capacidade de produção de biometano para injetar na rede ou para levar o gás ao nosso norte de Minas, que precisa disso para poder se industrializar Então nós temos desafios aí que demandam muito dinheiro que o governo não consegue aportar.

Por outro lado, a gente tem gás passando dentro de Belo Horizonte, mas nenhum restaurante em Belo Horizonte é servido por gás canalizado, diferente de São Paulo e Rio, em que até residências usam gás canalizado. Em Belo Horizonte, apesar da tubulação cortar a cidade inteira, a GasMig não fornece esse tipo de serviço. Então é um serviço fraco, com pouco investimento. Por isso a privatização, apesar dela uma empresa bem tocada. Ela só não oferece para o mineiro o que ele precisa.

Já a Semig não tá nessa situação mais. A gente conseguiu reorganizar a Semig para que os investimentos hoje estejam concentrados em Minas. O grande erro da Semig historicamente foi ter colocado muito dinheiro fora. Era sócia da Light, perdeu dinheiro. Era sócia da Renova no sul da Bahia e perdeu dinheiro. Era sócia das usinas grandes lá do Amazonas e perdeu dinheiro. A gente tá com o dinheiro todo focado hoje em Minas Gerais. Não vejo necessidade de privatização e sempre defendi a transformação da CEMIG numa corporação para ela ficar mais ágil, mas sempre defendi também que a gente não deveria vender a participação de Minas Gerais. Não faz sentido. Minas só tem 17,5% da CEMIG, devia manter essa participação.

CCarol

Então, para o senhor, essa manutenção da CEMIG, mas o senhor defende, por exemplo, a manutenção de pagamentos, inclusive das remunerações pagas a servidores públicos, os jetons, né, que nomes utilizados para isso aos participantes do Conselho de Administração da CMIG?

MSMateus Simões

No Conselho de Administração a gente não tem nenhum membro do governo porque é proibido. Tem conselhos fiscais. Não é uma coisa que me incomode, desde que isso não seja tratado como complemento salarial, seja tratado como efetiva contribuição para a companhia, medindo se a pessoa que tá lá tem condição de exercer esse cargo. Não pode ser como o Pimentel por mês. Todos os secretários dele tinham algum conselho, tinha secretário que recebia mais de R$100 mil por mês por conta de jetons que iam se acumulando.

A gente, isso a gente já mudou porque a gente aprovou uma lei proposta por nós mesmos dizendo que nenhum secretário poderia ocupar mais do que um desses cargos e nunca cargo do conselho de administração, sempre pensando se ele tem alguma coisa para colaborar. Se eu não me engano, hoje a gente tem 3 secretários que ocupam cargos em conselhos de estatais, porque eles conversam, as áreas deles conversam com as áreas de atuação dessas estatais.

CCarol

O senhor falou de privatização agora há pouco, falou de estradas. Eu queria perguntar para o senhor se o seu governo, na verdade, o seu governo ampliou, né, as concessões de rodovias. O senhor pretende ampliar ainda mais esse modelo?

MSMateus Simões

Duas coisas para o próximo mandato. A primeira, ainda faltam duas grandes concessões que precisam ser feitas. Uma que eu gostaria muito de ter feito, infelizmente o ex-prefeito de Patos de Minas, que hoje é candidato a vice de Cleitinho, impediu, fez manifestação no meio da rodovia, que era fazer a concessão do corredor Montes Claros-Pirapora, Paracatu-Pirapora, Pirapora-Uberlândia, porque isso muda o nosso agro mineiro. Eu vou insistir nessa concessão porque ela é importante, a duplicação de uma rodovia federal que nós estamos querendo assumir, que é a 365.

Ela hoje é pista única, isso é muito perigoso e muito ruim. É, a outra que a gente também quer conceder é o corredor Ponte Nova-Juiz de Fora, porque a gente precisa, a gente já concedeu, o governo federal concedeu a 040, que é Rio de Janeiro-Belo Horizonte, nós já concedemos Ouro Preto-Mariana-Ponte Nova. Agora, se a gente conceder Ponte Nova-Juiz de Fora, a gente fecha um triângulo industrial que permitiria a Zona da Mata voltar a crescer.

Mas são esses dois grandes projetos. Além disso eu propus na semana passada a criação em Minas Gerais de um fundo de infraestrutura que cobrará de todo mundo da indústria extrativista que não processar os bens em Minas Gerais uma contribuição de 1,65%, porque não é possível a gente continuar convivendo com a estrada destruída por mineradora que não processa minério em Minas Gerais. Então não processou em Minas, vai pagar 1,65%.

Esse dinheiro vai direto para o fundo de infraestrutura infraestrutura e só pode ser usado em estrada. Eu tenho certeza que com essas concessões que levam as estradas de grande fluxo para fora da nossa rede, mais esse fundo, a gente consegue resolver o problema de infra de Minas Gerais.

CCarol

Só para acrescentar aqui, isso para concessões nesses pontos. Demais estradas importantes em Minas Gerais, a gente sempre fala que a maior malha rodoviária do país, que não tem esse apelo, não tem essa demanda, inclusive o interesse da iniciativa privada por concessão.

MSMateus Simões

Esse fundo. O fundo é criado não para as concessões. O fundo que vai ser criado, que tá sendo criado para cobrar das mineradoras a contribuição, é para cuidar das outras estradas de Minas que não tenham sido concedidas. E não precisam ser só estradas em que a mineração passa. Esse fundo é para infraestrutura mineira. A expectativa de arrecadação de quase R$2 bilhões por ano. Outros estados já fizeram o mesmo. O Mato Grosso fez o mesmo, Goiás Tocantins, estados do sul do país também fizeram.

Que a gente tá criando é uma regra de benefício em Minas, como o Unióbio faz. Unióbio é beneficiado em Araxá, e óbvio não vai precisar pagar. Agora, o ferro que sai daqui sem ser processado, se não for transformado em aço, se não for melhorado, o estado vai ter que pagar. Se as terras raras não forem exploradas no estado, vai ter que pagar. Por que que a gente tá fazendo isso? É uma forma de incentivar a industrialização de segundo do minério no estado, especialmente o estado como Minas Gerais, que tem muito mineral de alto valor agregado, como é o caso do ouro.

A gente exigir que haja processamento no próprio estado, senão você paga a taxa, ajuda a manter as rodovias para quem resolver mandar o minério para fora sem processar, mas também cria empregos mais qualificados em Minas Gerais.

BSBianca Santos

Candidato, eu tenho uma outra pergunta também em relação à questão das contas aí do estado, os outros candidatos eles têm defendido aí uma revisão da concessão de isenções fiscais, né, para o setor privado, que para 2027 deve ficar aí na casa dos R$26 bilhões. Eu queria saber se o senhor avalia fazer revisão nesses incentivos, se isso seria viável, qual que é a sua visão aí?

MSMateus Simões

Sibeli, para isso é preciso uma lei, e eu propus o projeto também na semana passada, sexta-feira, levei à Assembleia o projeto de lei que permite ao governo do estado, a partir do ano que ano que vem é começar a revogar as concessões já concedidas, as que têm contrapartida, se houver descumprimento da contrapartida. E as que não têm contrapartida, a gente poderia começar a rever imediatamente. Vamos lembrar que o polo farmacêutico de Montes Claros só existe porque teve incentivo fiscal, e é o maior do Brasil hoje.

O polo logístico de Extrema só existe porque houve incentivo fiscal, é o maior do Brasil hoje. O polo industrial de Pouso Alegre, o maior de Minas, só existe porque houve incentivo fiscal. A Fiat só está em Minas Gerais porque houve incentivo fiscal. Podemos acabar com eles? Podemos, e talvez até devamos a partir de agora, porque como a reforma tributária tá chegando e com ela já não vai existir mesmo atratividade de benefício fiscal, você manter o benefício até o final da reforma parece não fazer sentido, que indústrias novas talvez não viessem.

Mas a gente tem que tomar um pouquinho de cuidado. Por exemplo, se eu caço simplesmente os benefícios fiscais do dia da noite dos centros logísticos, esses vão embora no dia seguinte porque o investimento deles é alugar um galpão. E são eles que estão ali nas margens da Fernão Dias, de fora a fora. A gente tem muitos exemplos desse. Seria destruir empregos em Minas Gerais. Então estou criando mecanismo para a gente poder fazer a revisão e interrupção das concessões, mas não faria isso sem olhar caso a caso, porque a gente pode estar destruindo a economia de alguma cidade no esse caminho.

CCarol

Eu volto ao tema mineração e queria saber como é que o senhor pretende acelerar licenciamento e investimento na mineração aqui no estado, mas sem repetir tragédias ambientais e também sem reduzir o rigor na fiscalização.

MSMateus Simões

Eu pretendo regulamentar um novo marco do licenciamento ambiental ainda esse ano, independentemente de resultado eleitoral. Não fiz antes da eleição porque acho que isso não é pauta eleitoral, senão a gente ia ficar discutindo isso. É, essa lei já foi votada, a gente tem que complementar. Mas eu quero chamar atenção de quem tá acompanhando a gente para dois fatos: a barragem de Mariana estava licenciada, a barragem de Brumadinho também, pelos critérios burocráticos mais exigentes possíveis, e elas romperam assim mesmo.

Porque burocracia não traz segurança. O que traz segurança é fiscalização. A gente ter um procedimento de licenciamento mais burocrático não significa que ele vai mais seguro? Ele é mais seguro se ele for mais transparente, menos subjetivo, e fiscalização depois que a operação começa efetivamente. Então a minha proposta de regulamentação do marco, que já tá quase pronta, a gente abriu consulta, ouviu toda a sociedade civil, já ela tem por lógica transformar o licenciamento.

Pensa num aplicativo de comida que você pediu para entregar uma pizza na sua casa. Você vê o caminho que o motoqueiro tá fazendo desde que ele saiu da pizzaria até chegar na sua casa. O licenciamento E assim, todo mundo tem que ser capaz de acompanhar qual é o caminho que o licenciamento tá seguindo, porque se de repente ele faz um movimento esquisito, entra numa rua que não tá no caminho, alguma explicação tem que ser dada. Hoje, todo escândalo de corrupção que você pega no governo federal, municipal, estadual, envolvendo meio ambiente, tem relação com subjetividade de licenciamento ou fiscalização.

É aquele momento em que ninguém consegue ver com certeza qual é o critério e qual foi o comportamento de quem tá sendo fiscalizado e do fiscalizador. Então a gente precisa de transparência, uniformidade, ausência de subjetividade. Mateus, como é que você vai fazer isso? Nós temos muitas boas ferramentas de inteligência artificial hoje que permitem a substituição da ação humana na análise dos relatórios de impacto, para que a gente pare de ter o jeitinho do fiscal, o jeitinho do consultor, fala do dado, tá é, e ele tem que ser analisado sempre da mesma forma, não pode ser de forma diferente para cada caso em cada região.

Então tô muito positivo, muito otimista. Minas Gerais é referência internacional em política de descarbonização, exatamente porque a gente acredita nessas soluções tecnológicas. E eu tenho certeza que a gente vai avançar muito numa mineração verde, por exemplo, de terras raras. Só dá para falar de transição energética se tiver terras raras. Nós somos a maior potência de terras raras do Brasil. Temos que explorar essa potência sem nenhum risco, porque a gente não pode viver de novo tragédias como a gente viveu em Brumadinho e Mariana.

?Voz 1

Governador, ainda no tema da mineração, eu queria ouvir um pouco a sua opinião sobre a postura que o candidato à presidência Flávio Bolsonaro vem colocando em relação à exploração de terras raras, já que, como o senhor falou, Minas, né, é um estado que que esse tema tem muita importância. O Flávio diz que no Brasil, que o Brasil inclusive é a solução para os Estados Unidos ter minerais de terras raras, um fator importante inclusive para a indústria de defesa americana.

Como que você vê essa posição do Flávio de colocar as terras raras brasileiras nessa negociação dos Estados Unidos? Quais impactos essa possível política de um eventual governo do Flávio Bolsonaro pode ter para Minas Gerais.

MSMateus Simões

Eu tive muitas conversas com o antigo embaixador Peter Wilson do Reino Unido aqui no Brasil sobre a nossa relação com a China e com o Ocidente. E eu sempre defendi, aí ele continua defendendo, que quem vende não pode escolher ideologicamente o comprador, tem que escolher estrategicamente o A China já tem terras raras, ela não tem interesse em comprar as nossas terras raras. Se ela assumir as nossas minas, ela vai fechar as minas e deixar elas guardadinhas aqui, como ela faz com minas em outros lugares do mundo.

Então acho que os nossos clientes para as terras raras são mesmo o Ocidente, o Ocidente europeu, os Estados Unidos e Canadá. Isso não significa ter que se submeter a eles, ao contrário, acho que é negociar as nossas condições. Quando eu reclamo do discurso de Lula na ONU, é exatamente sobre esse tipo de coisa. Coisa. Nós estamos precisando discutir com os Estados Unidos é o que que eles vão nos dar em troca da gente dar a eles acesso a terras raras.

E não é para levar terra rara bruta, não. Os dois projetos que a gente tem aqui em Minas Gerais, tanto da Meteórica quanto da Viridis, são projetos em que o processamento metalúrgico é feito no Brasil. Faz o ímã lá onde eles estiverem levando, porque aí tem especificidade de aplicação. Mas eu quero o processo metalúrgico aqui, como a gente faz com nióbio, e não como a gente faz com ferro. Então não discordo da lógica que o Flávio usa, só acho que a gente nunca deve defender exportação do minério, da terra rara bruta, sempre a exportação da terra rara processada, como eu defendo a exportação do lítio processado em hidróxido de lítio.

Porque, Bela, eu acho que a gente perde uma oportunidade no Brasil, em Minas Gerais isso é muito grave, que a gente fica olhando, falar, a gente devia ter uma fábrica de bateria. A gente devia ter uma fábrica de cápsula da Nespresso. Eu em Minas Gerais, como maior exportador de ferro, e o segundo maior de ferro do Brasil, maior de café do mundo, eu não preciso ter uma fábrica de bateria e nem ter uma fábrica de cápsula da Nespresso.

Eu preciso ter a primeira etapa do processamento. A gente não torra café no Brasil para exportar, a gente exporta café verde. Tá errado, eu não tô agregando valor. A gente não processa nem o ferro nem a maior parte do lítio que a gente exporta. Tá eu gostaria de exportar sempre hidróxido de lítio. Por isso que os projetos que a gente tá incentivando de lítio, de terras raras, são processos de semi-industrialização. Voltando então para Flávio, eu acho que a proposta de trazer Estados Unidos e Europa para mesa para discutir o que que a gente quer em troca deles serem clientes nossos de terras raras faz sentido, desde que a gente receba em troca abertura de mercado em outras pontas. E mais do que isso, exporte esse minério sem processar.

?Voz 1

Aqui só mais um ponto, governador. Nessa negociação das tarifas que o governo Trump impôs ao Brasil, a gente viu que ele negocia de uma maneira muito dura, né, mais impondo exigências ao Brasil do que de fato negociando o que seria interessante para os dois países. O senhor não tem receio de que haja uma subserviência do eventual governo Flávio Bolsonaro por causa desse alinhamento ideológico à gestão Trump? Acha que eles vão ter firmeza e dureza necessária em relação a Trump e até fazer embate para esse tipo de negociação, defendendo os interesses nacionais à frente de interesses, por exemplo, políticos.

Porque o próprio Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, que está nos Estados Unidos, defendeu não só a punição de ministros brasileiros junto ao governo americano, como também o tarifação contra produtos brasileiros para pressionar o próprio Supremo Tribunal Federal a reverter a prisão do É por isso que o meu candidato à presidência não é Flávio Bolsonaro, é Romeu Zema, né?

MSMateus Simões

E o que eu disse é que eu concordo com a tese de oferecer o minério a eles. Agora, como fazer? Da mesma forma que vocês me cobraram aqui, com toda razão, é que eu tenho que ter um bom diálogo com o governo federal sendo governador do estado. Eu concordei com vocês, expliquei como é que eu pretendo fazer isso. Qualquer presidente da República tem que responder a mesma coisa na relação dele com os estados. Unidos. Minas Gerais é um estado exportador, nós dependemos do mercado internacional.

Meu estado depende do mercado internacional, é diferente do estado de São Paulo, que depende muito pouco do mercado internacional. Então eu preciso de um presidente que não saia metendo o pé pelas mãos, fechando portas, impedindo que os nossos produtos sejam exportados, como andou acontecendo nos últimos meses. Não estou defendendo de forma alguma subserviência, porque eu preciso da defesa do interesse comercial do Brasil. E isso demanda capacidade de negociação, contrato de subserviência.

Mas também não pode ser chilique, não pode ser histeria, não pode ser discurso político em ambiente de órgão plurilateral, como é o caso da ONU. Porque você imaginar que vai fazer um discurso na ONU agredindo o seu segundo maior parceiro comercial e que o resultado disso vai ser a melhora da relação comercial com o país é, no mínimo, falta de percepção de ambiente político, né? Para não falar que é estúpidas. Então eu fico preocupado sempre quando eu acho que a medida é estúpida.

E aqui, Bela, aproveito para dizer que também criticava o comportamento do Bolsonaro com relação à China, porque isso vale para a China e para os Estados Unidos. Eu entendo que o Brasil não pode ter parceiro único nas discussões comerciais. É, não é isso, não é tema de alinhamento ideológico. Nós somos um país exportador. No caso de commodities, de alimentos, o nosso grande cliente a China. Nesse caso, Estados Unidos é nosso concorrente.

E aí a gente tem que ter tranquilidade para lidar com a China, que o governo Bolsonaro não teve lá atrás. Então eu não tô aqui defendendo o modelo Lula ou modelo Bolsonaro de trato da coisa internacional, da relação internacional, não. Eu tô defendendo que a gente tem que ter mais gente mais qualificada tratando. E a coisa curiosa, hein, nós temos gente qualificada porque o nosso corpo diplomático é muito qualificado. O problema é que a gente coloca os políticos fazendo essa discussão ideológica e não prejudica o comércio brasileiro.

CCarol

Escala 6 por 1 seria bom para Minas Gerais?

MSMateus Simões

Seria muito ruim para alguns setores. Para o poder público não faz diferença. Eu não tenho quase nenhum servidor que tem escala 6 por 1. A quase totalidade do serviço público, mais de 90% do serviço público, é 5 por 2. Para alguns setores, como setor de serviço, também não faria diferença. Já trabalham com escala por 2, mas a indústria e o comércio talvez sofram. A solução para isso, sim, choque de produtividade. Mas aí a gente tem que conversar sobre isso junto, tem que formar mão de obra.

Eu vou tentar fazer o meu melhor aqui. A minha proposta é passar de 112 mil vagas de profissionalizante por ano para 240 mil vagas de profissionalizante, e passar de 10 mil vagas de formação de ofício, que são essas formações mais simples, né, é para pelo menos 50 mil de vagas. Por quê? Porque se eu tiver gente que trabalha melhor, eu consigo fazer o mesmo serviço com menos gente, o que até resolve um outro problema em Minas, porque Minas Gerais tá com desemprego tão baixo, é o menor desemprego da história, né?

Nós chegamos a 3,4 na última medida, nunca foi tão baixo na história de Minas Gerais, é o segundo mais baixo do Brasil, é o menor desemprego do Sudeste, está fazendo com que falte mão de obra. Então, se eu tiver gente mais produtiva, eu inclusive conseguiria liberar um pouco de mão de obra de algumas indústrias outras para que a gente pudesse ter o atendimento da demanda como um todo no estado. Agora, sem choque de produtividade vai ser um problema, porque vai ter que contratar mais gente para esses dois setores, indústria e comércio.

Então acho que é adesão federal, a gente resolve isso com choque de produtividade. Minas tá pronta para reagir a isso com 250 mil vagas de técnico. Gente, só para vocês terem esse número na cabeça, eu tenho— a gente tinha 4 milhões de pessoas com carteira assinada no começo do governo, hoje são formar 250 mil técnicos por ano é requalificar 5% da nossa mão de obra seletista por ano. Isso daria o choque necessário para sobreviver a uma mudança de regime, tem certeza.

?Voz 1

Mas o senhor é contra ou a favor? Eu não entendi.

MSMateus Simões

Eu acho, eu acho que a gente tem que ter a resposta. É, eu sou a favor se tivermos um choque de produtividade. Se não tivermos, preparem-se para inflação causada por aumento de custo. Eu não voto nessa, nessa discussão. Então assim, eu votaria com exigências de choque de produtividade. Eu acho que o Brasil se preocupa pouco com produtividade, sabe? Ela assim, estamos falando de 6 por 1 para 5 por 2. Cadê a discussão sobre a formação da nossa mão de obra, que continua sendo a menos qualificada da América do Sul?

Eu não tô vendo ninguém discutindo. Eu vejo Minas, Minas oferece o dobro de vagas de ensino técnico profissionalizante do que São Paulo. Tem alguma coisa errada nisso, tem não, gente? Assim, parece que o Brasil tá pouco preocupado com formação de mão de obra técnica e de ofício, as duas, né? Eu tô falando das duas. E aí isso conjugado com a medida 6 por 1 não pode ser só porque é politicamente conveniente defender isso na época da eleição, porque senão a gente fica igual um dos meus concorrentes aqui que tá falando que vai acabar com IPVA só porque é chamativo, né?

É uma pauta legal para você defender na época da eleição. Tranquilo, vai pagar as contas com qual dinheiro? Porque eu também sou a favor de acabar com IPVA, mas eu sou a favor da gente ter hospital funcionando, né? Só me dizer como é que as duas coisas vão se compatibilizar. Ah, é incompatível, Matheus, a 6 por 1 com um país mais produtivo?

CCarol

Não.

MSMateus Simões

Mas então tem que ter investimento em formação técnica. Cadê o investimento?

CCarol

Trazer um questionamento agora a respeito do Rodoanel. Isso porque a licença para as obras do Rodoanel, projeto rodoviário planejado para ter cerca de 100 km de extensão, ligando vários municípios da região metropolitana, concentrando rodovias federais importantes, que é o caso da BR-040, 262, 381, depende de uma decisão da justiça. O senhor já disse que caso não haja uma definição, uma sentença, o dinheiro reservado para obra pode ser usado em projetos de novas linhas do metrô. Isso seria o fim do Rodoanel ou seria pensado um novo projeto, um novo Traçado?

MSMateus Simões

Não, traçado não tá mais em discussão. É, todos os municípios concordaram com traçado. Eu estive na justiça com todos os municípios que já se manifestaram contra, Betim, Contagem inclusive. Não há nenhuma discussão de traçado. O que tem hoje é uma resistência do governo federal de assinar um documento. Nós já temos licença ambiental processada e aprovada, tem projeto aprovado, tem empresa contratada e dinheiro depositado, R$5 bilhões depositado.

O que que falta? Assinatura do dizendo que a gente consultou as comunidades quilombolas. A comunidade quilombola mais próxima do Rodoanel tá a 1,5 km de distância e as 14 foram consultadas. Só que no processo eles falam em consultar 153 comunidades quilombolas. Nem existe estante de comunidade quilombola registrada no Brasil. Como é que eu vou fazer essa consulta? Então a gente precisa de uma atenção da Justiça Federal. E se a justiça nos der razão, e razão a todos os municípios, de que é impossível cumprir essa exigência do governo federal, ele tá só querendo atrapalhar o projeto.

É, nós vamos construir o Rodoanel que vai salvar vidas, porque morrem 50 pessoas por ano no anel rodoviário. Agora, se a justiça for contrária, eu já disse que eu vou fazer uma placa dizendo: 50 pessoas por ano morrem nesse anel graças à interferência do governo federal e da justiça. E vamos realocar o recurso para outra obra de mobilidade, porque esse recurso veio do desastre de Brumadinho, ele não pode ficar parado. É uma falta todo respeito, com as 270 vítimas de Brumadinho.

As nossas joias que foram perdidas deram a vida, e esse recurso veio perder a vida. Esse recurso veio e ele vai ficar parado? Então aí a gente pode usar ele no metrô. A gente não abandonaria o projeto do Rodoanel, ele só ficaria sem o recurso, porque eu não quero deixar o recurso parado lá enquanto a gente continuaria a briga para fazer o projeto. Lembrando que esse traçado, ele foi discutido há 15 anos atrás, gente, no traçado consolidado.

E uma das comunidades, a comunidade zona mais próxima do Rodoanel tem duas avenidas entre o Rodoanel e a comunidade. Como é que ela pode ter alguma opinião sobre o Rodoanel? Tanto é que as que a gente consultou, ninguém teve nada contra. Mas se foi impossível, a gente vai transferir esse dinheiro para o metrô. Por isso que nós já estamos fazendo o estudo da Linha 3 e da Linha 4, né? A linha que liga Betim e Contagem para poder ligar na Linha 1, e a linha que liga Savassi até a Praça da Estação, que seria a primeira linha subterrânea de Belo horizonte.

As duas linhas estão em estudo para uma alternativa, seja de dinheiro federal de PAC em algum momento, seja para absorver esse recurso se infelizmente a justiça for contrária. Mas eu tô otimista.

BSBianca Santos

Mas candidato, esse recurso sendo um recurso aí carimbado, né, que já tem um destino definido, não teria um problema jurídico também em transferir para obra do Se bem que fui eu que negociei o acordo de Brumadinho, depois fui eu que negociei o de Mariana.

MSMateus Simões

Eu tenho certeza que eu sento com o Ministério Público e resolvo esse assunto numa sentada, porque muito pior do que usar ele para outra obra de mobilidade no mesmo vetor é deixar o dinheiro parado, porque o dinheiro parado é uma falta de respeito, né? O Ministério Público e a Defensoria, quando assinaram conosco esse projeto, isso é Brumadinho, não envolve o governo Federal, é, concordaram com o Rodoanel porque ele é para gente a obra mais importante que salvaria vidas.

E é simbólico a gente salvar vidas com dinheiro que veio da perda de vidas. Agora, ele é um dinheiro de mobilidade, o anexo onde ele tá é o anexo de mobilidade da região metropolitana. Então transferir ele para metrô não muda a destinação. E eu preciso obviamente consultar os comprometentes, mas tem muita segurança de que eu conseguiria financi-los se a Justiça Federal disser que a gente não pode fazer o Rodoanel. Porque eu volto a dizer, né, o problema não é não querer fazer o Rodoanel, é a Justiça dizer que o dinheiro vai ficar parado eternamente até que alguém resolva conseguir consultar 153 comunidades que não existem.

BSBianca Santos

Certo. Ainda no tema de mobilidade, candidato, o senhor falou na entrevista no sábado passado, né, o MG1, que pretende dar passe livre aos estudantes no transporte metropolitano metropolitano durante a semana e para toda a população aos domingos. Como que vai ser financiado esse novo benefício aí?

MSMateus Simões

O Tribunal de Contas do Estado fez um estudo que aponta que aparentemente há um déficit de quase R$200 milhões no Metropolitano por ano desde a pandemia, por conta de perda de fluxo. Então essa proposta é que ao invés de dar um subsídio para o Metropolitano— eu não gostaria de dar um subsídio, eu sou contra subsídio direto a princípio para empresa de público. A gente compraria os passes para aumentar o fluxo de pessoas no transporte, trazendo o transporte de volta para o ponto de equilíbrio.

Então é, na verdade, um mecanismo para atender, por um lado, o transporte de estudantes e das famílias no domingo, mas também é uma forma de devolver equilíbrio para o sistema, a partir dos cálculos feitos pelo Tribunal de Contas. Porque de outra forma eu teria que indenizar empresas. E eu não gostaria de fazer isso. Eu não gosto do sistema de subsídio. Acho o sistema de subsídio perigoso porque você não tem medição de uso, sabe, Cebeli?

Quando você não tem medição de uso, a chance de você estar jogando dinheiro fora é sempre real.

?Voz 1

Candidato, vou agora partir para o tema educação. Eu queria entender como que um estado tão rico como Minas Gerais pode estar atrás de outros que são os mais pobres, alguns dos mais pobres do Brasil, no principal índice que avalia a qualidade da educação no Brasil, que é o IDEB. Eu acessei alguns dados do Censo Escolar de 2025 que mostram que, por exemplo, o Piauí tem a segunda melhor nota no ensino médio. E um dos motivos é que é um estado que investe bastante em educação em tempo integral, ensino em tempo integral, enquanto Minas teve uma queda de mais de 40% nessa modalidade integral entre 2022 e 2025, na gestão do seu antecessor e candidato a presidente, Romeu Zema.

Eu Queria saber a sua avaliação sobre isso e por que que o ensino integral não é, não foi uma aposta da gestão de Romeu Zema, que o senhor faz parte.

MSMateus Simões

Nós saímos de 70 escolas em tempo integral para 700, de 30 mil alunos para 200 mil alunos. Então, Bela, eu vou só discordar da premissa da sua pergunta, dizer que não foi uma prioridade, tendo multiplicado por 10 o número de escolas e por 7 o número alunos, não me parece correto. Nós não chegamos ainda no ponto do Piauí, mas se quiser comparar a população, a educação de Uberlândia é melhor do que a do Piauí.

?Voz 1

Administrar um estado que tem o tamanho de 7, desculpe, eu só queria entender por que que teve essa queda, de acordo com o censo escolar, de 40% da modalidade integral.

MSMateus Simões

Não, não houve queda não, nós temos um aumento de matrículas. Inclusive, porque eu tenho um erro no dado do censo escolar 2025. Então o seu dado tá errado, Bela. Nós temos um aumento de matrículas ano a ano em todo o ensino. Nós temos inclusive, só para te dar um número, eu saio de 40 mil em 2019 e hoje só de trilhas eu tenho 85 mil alunos, mais o que eu tenho de tempo integral nas escolas. Nós estamos passando de 300 mil alunos.

Eu, no número que eu te passei, eu não tô contando nem os alunos ou trilhas, que também são tempo integral. Mas voltando aqui, comparar com a realidade de estados pequenos é difícil. Educação de Minas é melhor do que a de São Paulo. Então, se a questão for o dinheiro, o IDEB nosso é melhor do que o de São Paulo pela segunda vez já. Não é uma questão de dinheiro, São Paulo tem mais dinheiro que Minas, é uma questão de complexidade da rede.

E eu não tô dizendo com isso que a rede tá boa não, viu? Aí eu vou, eu só, eu fiz essa defesa só do dado, mas deixa eu concordar com você agora, porque a sua pergunta, ela é boa e justa. Eu só tava fazendo uma ponderação sobre o dado, é que nós aumentamos, mas não é bom. Nós somos uma das 10 melhores educações do estado hoje, tá em 8º lugar, mas isso não, não me agrada, não é suficiente para mim. Nós precisamos insistir em duas coisas que vão mudar a realidade de Minas Gerais: atratividade da escola para o aluno.

Isso a gente faz com comida comida boa, sala adequada e tecnologia. O aluno tem que querer vir, mas também com uma formação que faça sentido para a vida do aluno depois, para que a família também queira que o aluno fique. Por isso a minha insistência com o profissionalizante. Não adianta você ter tempo integral e não ter o profissionalizante junto, porque o tempo integral não é sempre profissionalizante no ensino médio. É, no Brasil, só um terço do tempo integral é profissionalizante, e eu tenho brigado para que a gente aumente um número, porque se você não consegue dar senso útil para aquela educação adicional que você tá dando contraturno, para que se transforme em renda para esse aluno depois, você não tem atratividade necessária.

O pior dado para mim, Bela, porque a gente teve melhora em português, melhora em matemática, nós tivemos melhora na nota, melhora na colocação, aumento do número de tempo integral, aumento do número de profissionalizantes. O que que tem um número que me incomoda muito? Evasão. A nossa evasão é uma das maiores do Sudeste e a gente precisa lutar contra isso com atratividade. Agora, isso tudo está para ser perfeito, gente, tem que ser pequenininho.

É só isso que eu tava ponderando sobre o Piauí. É também o exemplo de Mossoró, quando a gente vai falar no Ceará, é porque é mais fácil você ter um controle de um sistema muito pequeno. O sistema de Minas, ele é muito complexo. Eu tenho que fazer gestão de escolas que estão lá no Jequitinhonha e em que eu tô instalando o ar-condicionado ar-condicionado, porque o aluno tá estudando a 36 graus. Mas não é o mesmo tipo de investimento que eu tenho que fazer na escola que tá no sul, em Maria da Fé, onde é sempre a cidade mais fria do estado em qualquer dia do ano que você medir.

Então, um estado complexo como Minas Gerais acaba me demandando estratégias diferentes em regiões diferentes. Isso leva tempo, mas eu tô muito feliz com o trabalho que as nossas professoras têm conseguido desenvolver. Esse é meu agradecimento às nossas 200 mil professoras. A gente, só no nosso governo, nós contratamos 38 mil professoras, temos concurso para 38 mil professoras. Sou muito feliz com o trabalho que elas fazem, tenho o maior orgulho da gente ter a melhor merenda do Brasil, e tenho certeza que a gente vai continuar avançando na direção de seu estado como continuar sendo estado com o maior número de profissionalizantes, com a velocidade possível de um estado do tamanho do nosso, que tá melhorando a cada rodada do IDEB, mas não onde eu quero.

CCarol

A escola cívico-militar é uma bandeira do seu governo. A expansão e a manutenção do programa dessas escolas aqui em Minas estão suspensas pela Justiça do Trabalho e também de Contas do Estado. Esses órgãos apontaram ausência federal, Justiça Federal, desculpe, apontaram ausência de uma lei estadual específica que autoriza o programa, falta de previsão orçamentária, adequação e inspeções que indicaram ausência da evolução significativa nos indicadores internacionais. Se eleito, o senhor ainda vai apostar nesse modelo?

MSMateus Simões

Porque a justiça mandou parar o processo dizendo que não tem lei em Minas Gerais que preveja essas escolas. Basicamente é isso. Em São Paulo também não tem, tem 300 delas. No Paraná também não tem lei, tem 300 delas também. E no Paraná, em São Paulo, o resultado delas é indiscutível. A população gosta das escolas. Eu vou insistir com o projeto de lei. Eu mandei ele já há 6 meses para Assembleia. Espero que Nestlé Avot, é porque é um desejo dos mineiros.

A gente propôs uma escola cívico-militar optativa. A gente consultaria nas 700 escolas em situação mais grave social do estado. Eu tenho 4 mil escolas no estado, ainda sobrariam 3.700 regulares, tá? Para não ter dúvida de que a gente não tá acabando com a escola regular. Nessas 700, a gente consultaria a comunidade. Se a comunidade quisesse, a gente converteria. A gente chegou a tá sem. 62 pediram para converter. É porque, porque eu tenho escolas hoje onde o professor tem medo de dar aula porque o tráfico tá entrando dentro da escola, onde tem gente circulando dentro da escola que não é da escola porque o setor de manutenção não é treinado para impedir que essas pessoas entrem lá dentro.

E isso tá piorando o ambiente escolar, deixando os pais com medo. Então essas escolas seriam o nosso foco, porque a gente colocaria um policial na entrada e um policial no recreio, nada na aula, só uma questão de disciplina. E para quem acha que disciplina não tem valor, nós temos 30 escolas militares em Minas Gerais, que são colégios tiradentes, é um outro modelo de militar mesmo, é administrado pela Polícia Militar. Elas são as melhores escolas públicas do estado.

A melhor escola pública de Minas Gerais é o Colégio Militar do Exército. Em Belo Horizonte, entre as 10 melhores escolas públicas, então, há 5 militares, a do Exército e as 4 nossas. Das 50 melhores escolas públicas do estado de Minas Gerais, as 30 tiradentes estão dentre as 50 melhores do estado, num conjunto de 4.000 escolas. Então dizer que disciplina não tem efeito sobre aprendizagem, bom, eu acho que conversa um pouco com o que tá virando o Brasil, né?

Disciplina tá sendo pouco valorizada e a gente tá vendo onde é que nós estamos indo. Mas sempre lembrando, é se o pai quiser. Eu não sou militarista, não fiz exército, não estudei em escola militar, não sou filho de militar, não defendo intervenção. Isso não minha vida. Mas você querer impedir um pai de matricular o filho na escola que tem um pouco mais de rigor, disciplina, por decisão dele, a gente, a justiça tem outras coisas para resolver, não tem não.

CCarol

Mas nessas escolas, a questão pedagógica, essas discussões também caberiam a integrantes do Exército, da Polícia, de uma forma geral?

MSMateus Simões

Nas Tiradentes é assim, exatamente, mas nas cívico-militares não. São só 2 policiais por turno. Um policial cuida de entrada e um policial cuida de de pátio. As cívico-militares, elas têm a ver com o comportamento do menino fora da sala, uniforme e disciplina de pátio, de corredor. Não tem nem contato com a parte administrativa. E seriam policiais da reserva que estariam fazendo isso, exatamente aqueles que já aposentaram e que se dispõe a voltar para poder passar um pouco da cultura e da disciplina militar para essas escolas.

Volto a dizer, onde os pais quisessem, e nenhum aluno jamais seria obrigado a ficar naquela escola. A gente só tava consultando escola que tem uma escola regular a menos de 2 km de distância para o aluno poder ele poderia fazer a educação dele numa outra escola regular se ele quisesse. Agora eu volto a dizer, o principal objetivo meu aqui é consultar a família, porque eu acho que quem tem que cuidar da qualidade do tipo de ensino que a gente oferece para criança é o pai.

É, quando o juiz resolve tomar essa decisão, ele sempre erra. Eu estudei em escolas católicas, eu sou batista, mas estudei em colégios católicos. Meu pai não teve que perguntar para ninguém quando ele me pôs em colégio de freira, depois em colégio de padre, porque tinha mais disciplina. Não, porque que o pai de uma criança que tem que estudar em escola pública porque não pode pagar o ensino privado não o direito de escolher o tipo de educação que ele quer dar para o filho dele? Por que que o juiz é que decide? Não concordo com isso não, governador.

CCarol

Mas essa escola, essa segurança, não poderia ser feito talvez com alguma polícia, ou até mesmo em parceria com a Guarda Municipal dos municípios, sem a necessidade dessa transformação, transformar a escola em secundária?

MSMateus Simões

A Polícia Militar, Chile, porque eu acho a Polícia Militar tão assim admirável. É porque a Guarda Municipal é melhor que a Polícia Militar?

CCarol

Eu tô falando só sobre a transformação, necessidade inclusive do projeto da transformação. As escolas já existem, e se a ideia é segurança, isso já não poderia ser feito. Se a questão é segurança do início ao fim do período, já não poderia fazer essa junção sem essa transformação?

MSMateus Simões

Eu não posso trazer Polícia Militar para dentro da escola, porque Polícia Militar não faz vigilância predial, ponto. Para levar, ela tem que ser parte de um programa. Agora, você me dizer que talvez seja melhor levar a Guarda Municipal, que de fazer, me parece, é induzir que o problema é levar a polícia para lá. Gente, eu tenho muito orgulho da Polícia Militar. Tem gente que não gosta, eu gosto muito da Polícia Militar. Acho que quem não gosta de polícia tá no estado errado.

Esse estado aqui é o estado de gente que gosta de polícia. Nós temos orgulho, nós temos a nossa polícia, tem 250 anos, ela é um dos nossos maiores patrimônios. Então assim, essa criminalização da presença da polícia em ambientes de educação. E eu volto a dizer, não é melhor o pai decidir ao invés da gente decidir isso aqui? Não, eu preferi que o pai dissesse. Se o pai quer que o filho dele esteja numa escola em que o uniforme e a disciplina tem contato direto com policial militar da reserva, negar isso a esse pai por mesquinharia ideológica me parece uma bobagem.

Você dizer, isso não é briga não, é só se o pai quiser, é só se a comunidade aceitar. Qual que é o problema de fazer a consulta? Nós estamos brigando por isso porque é só, porque eu sei por quê, é porque a esquerda defende a desmilitarização da Polícia Militar em Minas Gerais, né, há anos. Isso jamais acontecerá sob a minha vigia. Eu tenho muito orgulho da Polícia de Tiradentes.

CCarol

Cibele.

BSBianca Santos

Bom, candidato, mudando um pouco aí de assunto, gostaria de falar um pouco sobre agronegócio, que aqui no estado é uma das principais atividades da economia, né, junto com a mineração. Ano passado, pela segunda vez, o setor liderou em exportações, né, ultrapassando a mineração com quase 20 bilhões de dólares em produtos. E o setor, ele questiona muito assim questão de precariedade de estradas, né, questão de infraestrutura que encarece transporte dos produtos até os portos.

E eu queria que o senhor falasse um pouco aí qual que é o planejamento para melhorar aí a infraestrutura, melhorar as condições para o agricultor.

MSMateus Simões

A agricultura em Minas tem dois grandes desafios, eu diria. Um é o desafio de infra, e aí nós temos um problema com as estradas municipais, que são estradas de terra que levam até as propriedades. E eu tô pondo de pé um projeto, tá no plano de governo, que é o de pavimentação de cristas de morro, para a gente retirar as áreas de atoleiro dessas estradas que fazem com que parte da produção se perca no período das chuvas. A gente teria que financiar, e eu tô propondo que a gente financie com facilidade os municípios para eles poderem ter condição de pavimentar pelo menos essas cristas de morro.

E a gente tá testando tecnologias tanto de bloquete quanto de asfalto de baixo custo para entender o que que funcionaria nesses lugares. Então essa é a proposta para infraestrutura das estradas de terra. As estradas regulares passa por aquilo que Chile já tinha me perguntado, que é o fundo de infraestrutura que a gente tá criando para quem exportar produto sem processamento vai contribuir. A gente vai ter dinheiro para pôr nas nossas estradas que já são asfaltadas.

Agora, há dois outros desafios aí, que são os desafios de irrigação e de eletricidade. Então nós estamos investindo muito na eletrificação rural, 30 mil quilômetros de rede trifásica sendo lançado para a gente poder garantir irrigação. E simplificamos o processo de construção de barramentos de água para fins de irrigação, para produção de comida, considerando a utilidade pública de produção de alimentos. Então, o nosso marco legal da irrigação sustentável foi premiado aí como legislação de referência em irrigação, foi implantado nesse ano, né, no começo desse ano, e tá mudando a forma do mineiro se relacionar com água.

A gente chega no norte de Minas, ali na divisa com a Bahia, você vai, por exemplo, a cidade de Formoso, é curioso porque do lado de Minas não tem plantação, do lado da Bahia tá cheio de plantação de algodão. A gente tinha uma legislação que ela era restritiva burra, porque a gente impedia, por exemplo, o uso da água subterrânea, que é a mesma que a Bahia tá usando do outro lado. Então a gente falou, olha, é melhor ter um critério de responsabilidade do que ter o impedimento, e a gente ter compensações para quando existir o uso dessa água.

E a gente tá fazendo isso, vai ser muito bom eletrificar o campo e dar acesso à irrigação sustentável. Anota uma coisa, disse, Beli, é antes do final do meu próximo mandato, Minas Gerais terá agricultura maior do que a mineração. E não é porque a mineração tá caindo, é porque a agricultura vai continuar crescendo. A gente ainda tem 7 milhões de hectares para converter de pastagem degradada em área de cultura. Eu acredito em gado em regime semi-intensivo, em produção de etanol de milho no estado, para que a gente possa— e aí só quem produz vai entender— para que a gente possa ter DDG, que é um subproduto da produção do etanol de milho, mas que é muito importante para nutrição animal, quando você tem animal em semiconfino.

Então o Minas tá no vértice, no vértice de um momento muito importante, na virada do momento muito importante do seu agronegócio. Nós vamos ter um agro maior do que a mineração nos próximos 4, 5 anos.

BSBianca Santos

E uma dúvida sobre a criação desse fundo: no caso de produtos agropecuários também que são exportados in natura, né, que saem do estado in natura, eles também contribuiriam para esse fundo? Qualquer café verde, por exemplo, qualquer produto sem importação.

MSMateus Simões

O café verde, se ele for beneficiado, não, porque tem jeito de beneficiar o café verde. É porque o objetivo desse fundo é: você tem que fazer algum beneficiamento local para gerar riqueza e manter riqueza alocada, né? Então algum beneficiamento, sim. Exportação de soja bruta, por exemplo, seria pega, né, que é o melhor exemplo.

CCarol

Governador, queria falar a respeito agora de saúde. O seu plano de governo fala sobre telesaúde e diagnóstico de moto como algumas das prioridades para saúde. Esses recursos seriam usados em que situações?

MSMateus Simões

Nós temos hoje já rodando Telemais Saúde no estado inteiro com teleconsultoria. Então o que acontece quando o médico da família lá do posto percebe que ele precisa de um especialista? Antes de mandar o paciente para o especialista, ele tem a opção de consultar, ele médico consultar o especialista, porque ele tá na dúvida diagnóstico. A gente já teve 100 mil consultas dessas e em 67 mil consultas não foi necessário enviar o paciente para o especialista.

A conversa entre o médico da família e o especialista resolveu o caso e o paciente foi diagnosticado e tratado. Isso é uma etapa. A gente agora tá indo para duas etapas adicionais. No MG App, já tá rodando em 3 cidades, a gente vai estender para o estado inteiro no final do ano. A pessoa pode, Lagoa Santa aqui do lado, mesmo tempo. A pessoa entra no MGPP e entra lá no índice de teleorientação. Então ela tá sentindo algum sintoma, em vez dela ir para o posto de saúde, ela vai ser atendida por um técnico, e o técnico vai perguntar os sintomas e já vai dar orientação.

Se for uma gripe, uma gripe de uma criança, é um mal-estar, ele já dá orientação. Se precisar de uma consulta médica, na teleorientação ele já marca a consulta, porque ao invés de você ir lá para o UBS, ficar na fila esperando para ser ser atendido, você já vai lá com horário marcado. Então esse é o primeiro serviço de teleorientação que muda completamente a relação do indivíduo com o serviço, por conta de fila, por conta do deslocamento necessário, por conta de agilidade de tratamento.

Além disso, nós também vamos iniciar as teleconsultas. Naquele caso lá da teleconsultoria que vai precisar fazer a consulta, os 35 mil casos restantes, você tem a opção de fazer a consulta da UBS. Que qualquer maior dificuldade hoje. Cidades pequenas de 10 mil habitantes, 5 mil habitantes, não conseguem atrair um cardiologista, não conseguem atrair é um oncologista, não consegue atrair algumas das especialidades, um dermato. E aí você tem a possibilidade, ao invés de mandar aquele paciente para outra cidade, ele se atende de dentro do posto de saúde com equipamento na frente dele, um técnico do lado, todos os exames dele na tela, e um médico do lado de lá num dos nossos centros de referência.

A gente já montou centro de referência, também já a gente tá rodando isso para 3 cidades. O centro de referência atualmente é Belo Horizonte, mas a gente já tá negociando para ter um em cada lugar que tem a universidade no estado de Minas Gerais, porque a gente tem condição de espalhar isso para o interior. Isso facilita muito a vida do paciente, porque o paciente da cidade menor que se desloca sofre demais, sabe, Chile, nesse deslocamento.

Então, para toda a população, a teleorientação. Para a população dos municípios menores, a teleconsulta junto com a consultoria. E além disso, a gente tá colocando como meta colocar nas UBS que a gente acabou de construir, construímos 400 novos postos de saúde no estado. Minas Gerais é um dos poucos estados que tem 100% de cobertura de assistência primária, que essa assistência de saúde da família para a população. A gente tá querendo pôr os exames lá na UBS, porque hoje o paciente recebe o pedido de exame, ele tem que ir para um outro laboratório, às vezes em outra cidade, fazer o exame.

Depois ele volta, não é mais o médico que atendeu ele primeiro dia que tá lá. Então, com o exame na hora, o equipamento de exame de sangue, de urina e de eletro, ele fica lá dentro da UBS. O paciente sai da sala do médico, faz o exame e já volta em 20 minutos para ser atendido de novo pelo mesmo médico, que já vai dar para ele o diagnóstico. Ele já sai de lá com remédio. Isso melhora a efetividade do tratamento e também economiza para as prefeituras por conta desses deslocamentos que acabam tendo que acontecer no modelo atual. Então é a tecnologia serviço da saúde básica. Isso faz muita diferença.

CCarol

E qual, e como seria para o atendimento às pessoas que, para além do atendimento remoto que inicialmente resolveria um gargalo, precisar de um atendimento presencial?

MSMateus Simões

Aí nós vamos continuar com as policlínicas que a gente tem hoje, que já funcionam. Só que hoje a gente tem algumas regiões que têm filas longas de espera. A nossa expectativa é que com esse serviço a fila diminua, porque o tanto de gente que vai precisar do atendimento presencial cai praticamente. É a mesma coisa da teleorientação, que tira o paciente da urgência, da porta, ou o exame na hora, que tira o paciente da UPA quando ele tá com dengue, porque não vai ter que ir lá para UPA para fazer exame, tá com dengue, ele faz dentro da própria UBS.

A gente passa a ter nas policlínicas mais vagas porque muita gente já foi atendida no sistema remoto.

BSBianca Santos

Candidato, então assim, para reduzir aí a questão da fila de cirurgias eletivas, seria basicamente o teleatendimento e essa questão aí da descentralização de exames? Tem algum outro projeto?

MSMateus Simões

Sibeli, para cirurgias eu falei na verdade da atenção primária. Para cirurgias eu até não falei ainda não. Para cirurgias, a nossa proposta é manter para mais, ampliando ele sempre que possível. Hoje Minas Gerais está fazendo 1 milhão e 100 mil cirurgias por ano. Em 2019, para a gente ter uma referência pré-pandemia, a gente fazia 600 mil cirurgias por ano. Então a gente tá fazendo quase o dobro. São Paulo faz menos cirurgias do que a gente por ano, porque a fila lá já tá pequena.

Então a gente aqui tá zerando a nossa fila. Nós vamos continuar fazendo esse volume até zerar, e a gente tá remunerando essa cirurgias é de forma a impulsionar até hospitais privados a fazê-las. Nós estamos com a tabela adicional no Opera Mais. Eu pago um bônus para realizar cirurgias que eu tenho fila de espera com relação a elas. A expectativa é que a gente tenha fila zero. É que fila zero significa de 30 a 60 dias de espera para fazer a cirurgia, porque esse é o tempo de você fazer o cirúrgico, né, em até 2 anos.

Isso é absolutamente possível, que a gente entre o ano de 2029 já sem fila cirúrgica superior a 60 dias no Estado de Minas Gerais, pré-eletivas. O que que nós estamos fazendo para isso funcionar? Abrindo os hospitais regionais, eu consigo pegar os hospitais de médio porte do estado e transformá-los em hospitais de especialidades. E a gente já tem feito isso no entorno de Teófilo Otoni, que é o maior dos nossos regionais abertos.

A gente já transformou vários hospitais da região em hospitais de especialidade, que para de atender qualquer coisa e passa a atender com foco uma especialidade. Ele dá grande vazão é para alguns tipos de cirurgia. Eu posso dar o exemplo da cidade de Itabirinha, no leste de Minas, que é uma das cidades, uma cidade pequenininha de menos de 30 mil habitantes, que é uma das que mais opera pacientes ortopédicos do estado. E na região leste ela é a que mais opera.

Ela opera mais do que Valadares, que tem 200 mil habitantes. Por quê? Porque o hospital dele virou um hospital de referência ortopédica. Tem problema ortopédico, vai para lá, opera imediatamente, não tem fila. É isso que a gente vai fazer em cada uma das regiões.

?Voz 1

Governador, vamos falar um pouco sobre feminicídio. Entre janeiro de 2019 e maio de 2026, Minas Gerais contabilizou 2.725 vítimas de feminicídio. Isso eu falo de casos consumados que tiveram vítimas fatais e outras de tentativas, né, de feminicídio. Se essa tendência continuar, segundo dados da própria Secretaria de Segurança Pública, o estado pode até registrar um índice maior de feminicídio do que em 2019. Queria entender quais políticas públicas o senhor propõe para enfrentar essa epidemia que cresce no país.

MSMateus Simões

É muito triste imaginar que ano passado nós perdemos 177 de mulheres por feminicídio em Minas Gerais. É um negócio que me deixa desalentado. O Brasil tem enfrentado um aumento do feminicídio ano a ano, e nós temos aqui no estado uma proposta de 3 frentes para combater o feminicídio. Eu vou falar de uma forma mais ampla, Bela, combater a violência contra a mulher, porque o feminicídio é a última etapa de uma história muito triste, né?

Bom, Vamos lá, falando da última etapa, que é a etapa da punição. Nós vamos aumentar as patrulhas Maria da Penha. Hoje a Polícia Militar tem patrulhas especializadas em segurança da mulher em 124 cidades. Nós vamos levar para 100% das cidades. Nós já organizamos a polícia para isso. A polícia hoje é comandada por uma mulher especialista em combate à violência doméstica. É a Coronel Cleide, comandou as iniciativas contra a violência doméstica durante um bom tempo na Polícia Polícia Militar.

Além disso, vamos levar delegacias de apoio à mulher para todas as comarcas. Hoje nós estamos em metade das comarcas, e com o concurso adicional da Polícia Civil que eu tô propondo, a gente conseguiria fazer com que a maior parte dessas delegacias funcionasse 24 horas, ou pelo menos regionalmente a gente sempre tivesse algumas que funcionem 24 horas. A nossa polícia também tá capacitada hoje para receber essa mulher sem revitimizar, sem revitimizar.

?Voz 1

Fala.

MSMateus Simões

Mas vamos falar do que que vem antes disso, é o trabalho de inclusão, é de emprego e renda da mulher. Porque acreditem ou não, muita da violência ainda acontece porque a mulher fica presa numa relação onde ela é pressionada psicologicamente por conta da dependência financeira dela e dos filhos em relação a um homem. E a gente precisa garantir que essa mulher se emancipe. Por isso que toda a nossa política de emprego e renda no estado tem foco em mulher, emancipação da mulher, para que nenhuma mulher precise se submeter financeiramente a seu companheiro, porque isso já resolve um dos maiores dramas nossos, que a mulher que sabe que precisa sair de casa, mas tem medo de sair por conta da situação de vida dos seus próprios filhos.

CCarol

Ainda tem uma pergunta aqui a respeito de meio ambiente. Candidato, o que que o seu governo deve fazer para evitar enchentes como da Zona da Mata? Só para lembrar aqui, tragédia que atingiu principalmente Juiz de Fora, UBA, deixou mais de 70 mortos, feridos, alagados, muitos negócios, empreendimentos também danificados ou destruídos.

MSMateus Simões

Só separar o que aconteceu em Juiz de Fora, o que aconteceu em Ubar. São dois problemas graves, mas diferentes. Em Juiz de Fora é queda de barreira, né, é morro descendo, e em Ubar é água subindo. Por que que é diferente? Porque no caso de Juiz de Fora só tem uma solução: construir casa para essas pessoas morarem em outro lugar. É porque enquanto tiver gente morando em morro, vai acontecer esse tipo de situação, Infelizmente. Eu já disse à prefeita, nós estamos prontos para colocar o recurso, basta ela apresentar os projetos de realocação.

E a gente tá pronto para conversar com a comunidade, para sensibilizar as pessoas da importância de sair. É, Juiz de Fora tem as áreas mapeadas, gente, não é possível continuar permitindo que as pessoas estejam nessas áreas. A gente tá pronto para colocar o recurso, o governo federal também disse que tá pronto para colocar o recurso. A gente precisa dos projetos, a prefeitura tem que dizer onde ela pretende construir essas casas, porque a gente não pode fazer essa interferência, não posso fazer.

Eu não posso determinar local de construção de casa popular porque esse é um zoneamento municipal, mas tô pronto. Faz parte inclusive do projeto de governo uma PPP para isso, para não ser nem compra, se quiser ser locação social, qualquer forma para pessoa poder sair da área de risco. Agora, no caso de Ubá, Ubá faz parte da Grande Bacia do Doce, e nós estamos com R$3 bilhões do regime de Mariana, do arrecadação de Mariana, para reconstrução de mata ciliar.

Porque o problema de Ubá é velocidade em que a água sobe, a água sobe rápida porque é 50 anos tiraram toda a vegetação das margens dos afluentes do Rio Doce. Isso é um caos. A gente precisa garantir esse reflorestamento. E considero que teremos em poucos anos um dos melhores exemplos de reflorestamento fluvial do mundo, por conta da repactuação de Mariana, governo federal e estadual agindo juntos ali. A gente vai começar a partir de Aimorés e a partir de Mariana, pegando toda a bacia para tentar eliminar esse problema que acontece em todos os afluentes do Doce, que foi formatado na época do início da colonização.

CCarol

Quero agradecer a Mateus Simões, candidato à reeleição pelo PSD. Amanhã a entrevista será com Alexandre Calil, do PDT. Agradecer também a jornalista, colunista do Jornal O Globo, Bela Megali. Amanhã estaremos de volta. Jornalista também do Jornal Valor, Sibeli Bolsas. A todos uma boa tarde. Mais uma vez, obrigado, candidato.

MSMateus Simões

Sempre às ordens. Obrigado.

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