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'O Rio em cinco atos': RJ chega a seis meses sem governador eleito'

23 de setembro de 202612min
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Sem vice-governador e com o presidente da Alerj também fora da linha sucessória, o presidente do Tribunal de Justiça, Ricardo Couto, assumiu interinamente o Palácio Guanabara.

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Participantes neste episódio2
B

Bianca Santos

HostJornalista
R

Ricardo Couto

ConvidadoDesembargador
Assuntos4
  • Crise institucional no Rio de Janeiro com seis meses sem governador eleitoCláudio Castro renunciou·ausência de vice-governador·presidente da Alerj preso·Ricardo Couto assume interinamente
  • Prisão de Rodrigo Bacelar e suas implicações na política do RioBacelar preso por vazamento de operação policial·suspeita de braço político do Comando Vermelho·Alerrj ficou 4 meses sem presidente eleito
  • Envolvimento de deputados da Alerj em esquemas de corrupção e milíciadeputada Lucinha atuando como lobista para milicianos·prisão de Thiago Rangel por fraude na educação·TH Joyce preso por envolvimento com o Comando Vermelho
  • Acusações de propina a deputados do Rio e investimentos do Rio PrevidênciaGilmar Mendes acusa deputados de receberem propina·lista de 61 políticos recebendo mesada de bicheiro·investimentos do Rio Previdência no Banco Master
Transcrição33 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
?Voz A

CBN Eleições 2026.

BSBianca Santos

Seguimos com a série de Pedro Bonenberger falando sobre a história dos últimos 4 anos do Rio de Janeiro. E hoje ele conta que o estado tá completando 6 meses sem governador eleito. É um dos períodos de maior instabilidade institucional no Rio de Janeiro. Cláudio Castro renunciou no dia 23 de março, na véspera da retomada do julgamento que acabou levando o TSE a declarar a inelegibilidade dele. Conta mais, Pedro.

?Voz C

Olha, Bianca, tem coisas que só a vidente astróloga de Ricardo Couto podem prever no Rio de Janeiro, viu, amiga? Essa aqui é complicada, né? Interessante de fazer essa série porque eu estou no Rio justamente há 4 anos, então eu estou aqui fazendo uma pesquisa pesquisa no nosso acervo de notícias, justamente do Pedro, que mora aqui no Rio e que me dediquei a estudar esse estado também, né, Bianca?

BSBianca Santos

Ficou mais fácil então, né, ou menos difícil?

?Voz C

Ficou muito interessante, né, porque a gente revisita a nossa história, Bianca, e essa é uma situação sem precedentes, né, aqui no Rio de Janeiro, uma crise de fato muito grave. Completamos 6 meses sem governador eleito no poder. Enquanto isso, Ricardo Couto vai tocando o bonde por lá. Lembrando, né, Bianca, que a gente chega nesse cenário justamente porque O Cláudio Castro renuncia, não havia vice na chapa que pudesse assumir porque o vice dele assumiu uma vaga no Tribunal de Contas, o presidente da Alerj tava preso, não podia assumir, e aí chega-se nessa linha de sucessão ao Ricardo Couto, que é desembargador presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.

Desde então, o destino do governo ficou nas mãos do Supremo. Nós falamos muito nos últimos meses sobre isso por aqui, aquela coisa de decisão sobre a eleição direta ou indireta, nós vamos votar de novo, não vamos. Acabou que com essa crise institucional do Supremo que a gente tá vendo agora, esse assunto ficou para escanteio, né, gente? Aí mal se tem previsão ou perspectiva de que seja decidida alguma coisa em relação a essa situação do governo do Rio.

Enquanto isso, o Ricardo Couto vai tocando por lá. E esse é apenas um recorte, Bianca, dessa grave crise política que a gente vive aqui no Rio, numa trajetória que passa sobretudo, Leandro, ouvintes, pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Um dos primeiros episódios dessa sequência aconteceu lá em 2023 ainda, envolveu a deputada estadual Lucinha, que tava no PSD. Polícia Federal apontou que a parlamentar teria atuado como lobista em benefício de milicianos.

Eu cobri esse caso aqui na época, inclusive nós noticiamos no CBN Rio. Vamos ouvir um trechinho da matéria. As acusações vão ficando cada vez mais sérias à medida que as investigações avançam. Já há novos indícios de que a deputada Lucinha praticava o crime de rachadinha. Todo esse arcabouço de provas foi recolhido naquela operação de dezembro que nós tivemos, a Operação Batismo. Essa operação recebeu esse nome justamente porque os milicianos chamavam a deputada Lucinha de madrinha, segundo a Polícia Federal.

Lembra disso, né? Madrinha, né? Isso repercutiu muito na época. Olha, a parlamentar acabou condenada à prisão em regime semiaberto, mas manteve o cargo depois do arquivamento desse processo lá na Alerj. Outros colegas dela não tiveram a mesma sorte, viu, Leandro? Entre 2025 e 2026, no prazo de 6 meses, a Alerj viu 3 dos seus deputados serem presos em diferentes investigações. Em maio desse ano, Thiago Rangel, do Avante, foi preso pela Polícia Federal por suspeitas de fraude na área da educação. Também noticiamos aqui no CBN Rio.

?Voz D

Essa ação investiga um esquema de fraudes na compra de materiais e contratação de serviços, incluindo obras em escolas da rede estadual ligadas à Secretaria de Educação aqui do Rio. Segundo a Polícia Federal, contratos eram direcionados para empresas previamente escolhidas e ligadas a uma organização criminosa.

?Voz C

Voltando um pouquinho no tempo, em setembro de 2025, TH Joyce foi preso por suspeita de envolvimento com o Comando Vermelho. Roda aí, Larte Afonso.

?Voz D

As investigações identificaram um esquema de corrupção envolvendo o TH, chefes do Comando Vermelho e outros agentes públicos, incluindo um delegado da PF, policiais militares e ex-secretários. O grupo é acusado de intermediar a compra e venda de drogas, fuzis do Paraguai e equipamentos antidrones da China, usados para dificultar operações policiais nessas áreas.

BSBianca Santos

E se a gente achava que isso já era muito ruim, teve pior, né?

?Voz C

É, o caso mais grave veio em dezembro, Bianca, do ano passado, quando a queda de um personagem causaria um efeito dominó na política do Rio e mudaria o destino da política do estado. O Rodrigo Bacelar, presidente da Alerj, um dos políticos mais influentes do estado naquele momento, foi preso após vazar uma operação policial contra o próprio TH Joyce, que a gente ouviu agora que foi preso também. As acusações eram mais graves ainda.

O Bacelar, que presidia o Legislativo fluminense na época e até seria o sucessor político de Cláudio Castro eventualmente, ele seria um braço político do Comando Vermelho na política do estado. Quem noticiou aqui no CBN Rio a prisão foi o Leandro Rezende, que confirmou essa prisão com a Polícia Federal.

RCRicardo Couto

Eu já nem me lembrava.

?Voz C

Então a gente vai ouvir agora a fala do Leandro. É o Leandro do passado, esse não é o Leandro de agora não, tá? Coloca aí, Lártir Afonso.

RCRicardo Couto

A informação de que o presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Rodrigo Bacelá, foi preso pela Polícia Federal por vazamento de informações de operação da prisão do deputado TH Joias, figura tão poderosa que E o Bacelá conseguiu articular a ponto do vice-governador do Rio, eleito pelo povo desse estado, Thiago Pampolha, desistir do cargo e se tornar conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, numa jogada operada pelo Bacelá para que o caminho ficasse livre para ele assumir o governo do estado. Bom, aí aguentam, né? Como é que vocês me aguentam, né?

BSBianca Santos

Isso foi em 2025, né?

?Voz C

Em 2025. Inclusive, né, vocês estavam falando com Rafa Lund aí, falei com o Leandro Rezende disso também. Nessa pesquisa de Acer, tô assistindo a todos os CBN Rio dos últimos 4 anos. O Leandro Rezende tá mais atlético, viu, Bianca?

BSBianca Santos

Tá agora, eu já falei para eles recentemente.

RCRicardo Couto

Muito obrigado. É efeito Rafa Lund, tá?

?Voz C

Efeito Rafa Lund.

RCRicardo Couto

Acredita ele, acredita ele.

BSBianca Santos

Gostei de ver ele voltar para nossa política.

?Voz C

Agora, maratona mesmo é essa história que a gente tá contando, né, Leandro Rezende? Porque a Allergy ficou 4 meses sem o presidente eleito formalmente, gente, só por administrações interinas, vamos chamar assim, né? E os parlamentares seguraram o máximo a cadeira do Bacelar, até na expectativa dele conseguir voltar eventualmente para o posto dele. Somente em abril a casa elegeu um novo presidente, Douglas Ruas, do PL, que mirava assumir o governo depois da saída do Castro, o que também gerou polêmica.

Acabou que ele não conseguiu assumir o governo. Enfim, mudança no Supremo manteve o Ricardo Couto até que se decida essa eleição direta, indireta, que acabou que ficou para escanteio. E nas discussões desse caso, outra polêmica: ministro do STF Gilmar Mendes acusou deputados aqui do Rio de receberem propina do crime organizado.

?Voz A

Presidente da Assembleia do Rio de Janeiro preso. Conversava com o diretor-geral da Polícia Federal que dizia que 32 ou 34 parlamentares da Assembleia recebem mesadas do jogo do bicho. Deus tenha piedade do Rio de Janeiro.

?Voz C

Olha, em julho desse ano, uma lista encontrada pela PF na mesa de cabeceira do bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, Adilcinho, reúne 61 políticos, 61 nomes de políticos do Rio que receberiam valores, algum tipo de mesada. Esses nomes nunca foram revelados, até agora não se tem conhecimento, mas é uma investigação que pode corroborar com o que disse o ministro Gilmar Mendes, né? Quando parecia que essa crise política já havia atingido o limite, Bianca, surge um capítulo ainda inédito, né?

Os investimentos do Rio Previdência no Banco Master. Denúncia inicial foi feita pelo deputado estadual Luiz Paulo, do PSD, E aí o Rio descobriu um esquema bilionário que colocou em risco os investimentos de mais de 200 mil aposentados e pensionistas aqui do estado. Investigação da Polícia Federal pontuou aporte de cerca de R$3 bilhões do Rio Previdência no Banco Master de Daniel Vorcaro, e as apurações identificaram encontros e trocas de mensagens entre Cláudio Castro e Vorcaro que antecederam esses investimentos.

Milton Jung e Cássia Godói falaram um pouquinho, quase que um jogral aqui, ó, para explicar para a gente Como é que eram esses encontros?

BSBianca Santos

Em maio de 2024, Vorcaro convidou Cláudio Castro para uma degustação exclusiva de uísque em Nova York. O evento, para o pequeno grupo, custou mais de 1 milhão de dólares. No dia seguinte, o Fundo de Aposentados e Pensionistas dos Servidores Estaduais do Rio investiu R$80 milhões no Banco Master.

?Voz A

Segundo a Polícia Federal, a troca de favores entre Cláudio Castro e Daniel Vorcaro vinha sendo alimentada em restaurantes sofisticados.

BSBianca Santos

Entre os destaques do cardápio estão carnes folhadas a ouro, dos 4 quilates, que podem ultrapassar R$10 mil por prato.

?Voz C

É, Cláudio Castro, que foi uma das pessoas que mais comprou celular esse ano no país, viu, Leandro Rezende? Ele perdeu 3 para Polícia Federal em diferentes operações. Entre essas também teve o caso Refit, né, que investiga um gabinete montado na Secretaria de Fazenda para beneficiar Ricardo Magro, dono da Refit, e que investiga uma refinaria fantasma que não operava aqui no Rio de Janeiro. Bom, o ex-governador sempre negou as acusações e responde na justiça sobre esses casos.

E assim nós chegamos a 6 meses de Ricardo Couto também no governo do Rio, depois dessa montanha russa de emoções que é a tua área da política, viu, Leandro Rezende?

RCRicardo Couto

Impressionante, Pedro. Ótimo, ótimas lembranças aqui.

BSBianca Santos

Nem tão ótimas assim, talvez.

RCRicardo Couto

Ótima foto. Isso aí é isso, né? Mas olha, de tanta coisa para a gente puxar, vou destacar duas aqui. Primeiro, o caso inicial que o Pedro menciona, né, deputada Lucinha, a madrinha da milícia. Deputada Lucinha, madrinha da milícia, é do PSD, do partido do candidato ao governo do Rio e ex-prefeito Eduardo Paes. Lucinha nunca foi expulsa do PSD. Neste ano, diante de tudo que a gente viu acontecer no Rio, para evitar esse telhado de vidro, o Eduardo Paes determinou que ela não deveria ser candidata.

Mas o filho dela, Júnior da Lucinha, é candidato apesar dos protestos em contrário feitos pelo Ministério Público Eleitoral. E o Bacelar, né, muitas modificações aconteceram. O Bacelar, nessa retrospectiva, claro que não cabe isso, mas aí vai até dialogar com uma questão, né, já que o Pedro falou da questão da aparência. Quando eu conheci o Bacelar foi na época do impeachment do Witzel. Ele era um outro Rodrigo Bacelar. Ele tomou gosto pela atividade física também à medida que foi progredindo na Assembleia Legislativa, com um salto de poder muito grande.

Quem ajudou muito ele nessa época a ter esse salto de poder foi o então presidente da Alerj, André Siciliano. André Siciliano, que é do PT. Hoje Rodrigo Bacelar tá preso, esquecido. Sua família faz campanha para o Rueda. Presidente do União Brasil, e para um candidato a deputado estadual que é lá do Norte Fluminense. Agora me fugiu o nome dele, mas que também é do PSD, para ver como é que a coisa muda de figura e é complexa aqui no nosso Rio de Janeiro.

Enfim, Pedro, amanhã vem qual o próximo assunto, Pedro, para a gente tratar amanhã?

?Voz C

Amanhã, se não me engano, Leandro Rezende, vamos falar, na verdade, último tema, educação e saúde. E amanhã vamos falar de economia, tá bom?

BSBianca Santos

Então amanhã economia.

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