Disputa pelo Senado no RJ entra em fase decisiva e imprevisível; veja estratégias para reta final
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Bianca Santos
- A imprevisibilidade da eleição para o Senado no Rio de Janeirovoto duplo para o Senado·eleitorado vota em qualquer um·campo de batalha para a direita
- O Senado como campo de batalha para a direita e a pauta anti-STFprioridade de eleger senadores·pauta anti-Supremo Tribunal Federal·Bolsonaro precisa de 50% do Senado
- As estratégias dos candidatos de esquerda na reta final da eleiçãoBenedita lidera pesquisas·petistas divididos sobre Pedro Paulo·acusações contra Pedro Paulo arquivadas
- As estratégias dos candidatos de direita e a disputa pelo eleitor bolsonaristaCarlos Portinho candidato da família Bolsonaro·Marcelo Crivella busca eleitor bolsonarista·Marcos Dias tenta dobradinha evangélica
- O engajamento dos candidatos majoritários na disputa pelo SenadoFlávio Bolsonaro e Eduardo Paes engajados·investimento de R$32 milhões·candidaturas competitivas à esquerda e direita
- O histórico de resultados imprevisíveis nas eleições para o Senado no Rio de JaneiroJandira Feghali perdeu em 2006·César Maia perdeu em 2018·Harold de Oliveira surfou onda bolsonarista
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Conversa de bastidor. Nada de conserva de bastidor, que foi o que eu falei aqui, né, agora pouco.
Você escreveu, eu escrevi e falei, falou, é para indicar o que que viria depois do intervalo, que nos bastidores ele gritou: vamos com conserva!
Ai, Bianca Santos, viu?
Vamos lá, Leandro, porque hoje o negócio tá bem interessante, hein, no Conversa de Bastidor. Disputa pelo Senado numa fase decisiva e imprevisível.
Isso, Bianca. Esse ano, lembrando, né, para você ouvinte aqui do CBN Rio e do Conversa de Bastidor, votaremos duas vezes para o Senado. Beleza? Duas vezes.
Tem muita gente que não entendeu isso ainda, entendeu?
E que na hora vai se surpreender na urna eletrônica também. E por isso, isso aliás é um fator que, segundo dirigentes partidários com quem tem conversado, que torna ainda mais imprevisível essa eleição para o Senado. Porque o camarada vai ali com um voto na cabeça, vota, e aí ou deixa de votar no segundo, ou vota em qualquer um que lembra na hora assim, ah, eu vi esse número ali, vai e vota. Realmente é uma eleição imprevisível.
O Senado, ele tá num momento decisivo. E aí por uma leitura dos últimos anos, dá para a gente perceber que ele virou um campo de batalha muito grande para direita. Anos atrás, em 2024, os dirigentes do PL aqui do Rio de Janeiro já haviam colocado como prioridade eleger 2 senadores no Rio de Janeiro, em vários outros estados. A direita definiu o Senado como um campo de batalha porque há uma pauta anti-Supremo Tribunal Federal que tá colocada há muitos anos pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, que agora ganha volume e ganha força por conta de toda essa loucura envolvendo o caso do Banco Master.
Mas você tem falas do ex-presidente Jair Bolsonaro dizendo o seguinte: para mudar o Brasil eu preciso de 50% do Senado. Isso tá aparecendo inclusive na propaganda eleitoral, mas isso circula no eleitorado mais engajado de direita há muito tempo. Por isso que virou um campo de batalha tão grande para direita e o centro e a esquerda precisaram entrar nessa disputa aqui no Rio de Janeiro. A gente tá aí há poucos dias das eleições e como é que nós estamos agora?
Veja só, nesse ano nós temos candidaturas competitivas à esquerda e à direita, e é uma eleição para o Senado atípica, porque desde a largada da campanha os políticos que estão na disputa de cargos majoritários, né, que são os cargos do Executivo, Tipo o Flávio Bolsonaro, que é candidato à presidência da República, e o Eduardo Paes, que é candidato ao governo do estado. Os dois estão muito engajados desde o começo na disputa pelo Senado.
Isso não acontece em toda eleição. Só para se ter uma ideia, na campanha desse ano já foram investidos mais de R$32 milhões dos partidos nas campanhas dos 8 candidatos que têm representação no Congresso. Então ali à frente nas pesquisas de intenção de voto. Só o PL investiu R$10,5 milhões, metade para o Carlos Jordi, metade para o Carlos Portinho. O Republicanos colocou R$8 milhões nas campanhas do Marcelo Crivella e do Vaguinho.
O PT colocou R$5,3 milhões na campanha da Benedita da Silva. O PSD colocou R$3,1 milhões na campanha do Pedro Paulo. Mesmo sem pontuar, o vereador Marcos Dias do Podemos recebeu um aporte de R$4 milhões para tentar fazer uma frente nessa disputa que vai ser tensa e só decidida no fim. Vamos para as estratégias em geral aqui nessa reta final. A Benedita tá liderando e os petistas estão divididos entre apoiar ou não o Pedro Paulo.
A Benedita tá na frente, Mas os petistas se ressentem com Pedro Paulo, primeiro porque relembram aquelas acusações que ele teve que responder em 2016 e já foram arquivadas pelo Supremo Tribunal Federal, de agressão à ex-mulher. Isso tudo já foi arquivado, mas acaba voltando à tona em todo ano eleitoral. Pedro Paulo lida com isso a cada pleito. A Benedita da Silva tá fazendo ali a campanha dela, tá liderando e tenta puxar o Pedro Paulo O que os petistas reclamam é que o Pedro Paulo não tenta puxar a Benedita.
Há uma chance para isso mudar amanhã, quando Eduardo Paes, que me confirmou agora há pouco isso, vai estar junto com Lula em São Gonçalo, num ato importante de campanha também. O cabo eleitoral principal do Pedro Paulo é, claro, o Eduardo Paes, que tenta converter os votos que ele vai ter para o governo do estado para o candidato do PSD Mas há essa disputa com o PT porque uma parte dos petistas defende o voto na Mônica Benício do PSOL.
À direita, a disputa não é menos dividida. O Carlos Portinho do PL, ele se apresenta como o candidato da família Bolsonaro, reivindica o período que ele foi líder do governo Bolsonaro lá no Senado e tenta assim se desvencilhar dos outros que concorrem no seu campo. Por exemplo, Marcelo Crivella, que também busca o eleitor bolsonarista e usa para isso a Michele Bolsonaro, a ex-primeira-dama, que aparece indiretamente na propaganda do Crivella através de uma outra bolsonarista de quatro costados, que é a Damares Alves, senadora do Distrito Federal.
O Marcos Dias corre por fora e tá tentando essa dobradinha do eleitorado evangélico. Marcos Dias do Podemos se associando ao Marcelo Crivella. Tudo isso é um cenário que a gente coloca aqui dentro do Conversa de Bastidor, Bianca, porque o Rio de Janeiro é absolutamente imprevisível. Para você lembrar, em 2006 todo mundo dizia que a Jandira Feghali era certa de ser eleita senadora, liderou o tempo todo, perdeu, perdeu para o Francisco Dornelles do Progressistas.
Em 2018 todo mundo dizia vai entrar o Flávio Bolsonaro E o César Maia vai junto com ele, perdeu na reta final. O Harold de Oliveira surfou a onda da direita bolsonarista e conseguiu se eleger senador. Tudo para provar que essa é uma disputa muito tensa, mas a decisão do eleitor mesmo vem só na reta final. Os partidos estão muito de olho nessa briga pelo Senado em 2026.