Discursos de Lula e Trump na ONU miram eleições e expõem diferenças de tom
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Carol
Eduardo Graça
- Discursos de Lula e Trump na ONU miram eleições e expõem diferenças de tomdiscursos de presidentes em ano eleitoral·Lula com tom sóbrio e recados a Trump·Trump com discurso fantasioso e otimista
- A estratégia de Donald Trump para as eleições de meio de mandatopior índice de aprovação de Trump·mobilizar eleitores fiéis do movimento MAGA·evitar derrota grande no Senado
- Implicações da possível perda do Senado pelos Republicanos para o governo Trumppauta política ditada pelos Democratas·pente fino em atos ilegais do governo Trump·interferência dos EUA em eleições de outros países
6:10 agora. Quem está conosco é o repórter especial do Jornal O Globo e comentarista de assuntos internacionais da CBN, Eduardo Graça, numa participação especial. Tudo bem, Edu? Boa noite.
Tudo bem, Débora. Boa noite, boa noite, Carol. Uma alegria tá aqui com vocês, 2 dias seguidos.
Edu, a gente te convidou para vir aqui hoje novamente para nos ajudar a analisar os discursos feitos na ONU pelo presidente Lula. O Brasil tradicionalmente abre a Assembleia Geral da ONU e na sequência discursa o presidente americano. Eu queria começar falando sobre o discurso do presidente Lula, que deu vários recados a Donald Trump, não citou o nome dele em nenhum momento, mas direcionou vários recados ali.
São dois discursos que se unem em serem discursos de dois presidentes que vão disputar eleições nas próximas semanas, né? O presidente Lula de na cédula aqui no Brasil. E o presidente Trump com as eleições de meio de mandato, em que embora ele tenha afirmado que ele, o nome dele não tá na cédula, mas é um plebiscito sobre os 2 primeiros anos do governo dele. Se o Partido Republicano perder, ele vai ficar numa situação muito complicada, especialmente se os democratas conseguirem o controle da Câmara e também do Senado, que não é impossível hoje se você ver as pesquisas.
Agora, são 2 discursos que também são muito diferentes. O discurso do presidente Lula foi um discurso mais sóbrio, Ele foi um discurso repleto de recados para o Donald Trump, como você disse. Ele foi centrado ali na questão da soberania, né? A frase que ficou mais forte é que o Brasil não cabe no quintal de ninguém. E o discurso do presidente Trump foi um discurso, até para os padrões dos discursos do presidente Trump, foi um discurso fantasioso num grau assim impressionante.
Ele conseguiu pintar um quadro dos Estados Unidos interno e dos Estados Unidos externo completamente mentiroso. Ele apresentou o discurso dele, ele diz que os Estados Unidos já vivem naquela era de ouro que ele prometeu lá na posse dele em 2025, diz que o país está ganhando a guerra contra o Irã, que há de fato uma paz total em Gaza que foi orquestrada por ele. Enfim, ele fez um discurso para quem tá a fim de acreditar num pirlim-pimpim ali dele.
E agora, qual é o cálculo do Trump, hein, Edu? Ele fez esse discurso de olho nas eleições de meio de mandato porque ele tem carregado nas tintas, né?
Ele tem, ele tá, Carol, com— ontem saiu uma pesquisa Reuters/Ipsos que deu o pior índice de aprovação dele, não só nesse mandato, mas de todos os tempos dele, né, incluindo o primeiro e segundo mandato, com só 32% dos americanos que o apoiam. Então o foco dele nesse momento e da Casa Branca é de fazer com que pelo menos os fiéis que seguem ainda o Trump, do movimento MAGA, os militantes mais arraigados saiam de casa, porque eles estão irritados também com Trump.
Eles não gostam da guerra do Irã, não gostam do preço da gasolina tá como tá. Eles veem os tarifaços que afetaram diretamente as zonas rurais nos Estados Unidos, produtores agrícolas, eles veem tudo isso como estelionato eleitoral. É tentar fazer com que pelo menos esses eleitores mais fiéis saiam às urnas no dia 3 de novembro para que a derrota que tá se desenhando não seja uma derrota muito grande, para que pelo menos eles consigam segurar o Senado.
Porque de novo, se os democratas tomarem também o comando do Senado, a pauta política desses dois últimos anos do governo Trump vai ser ditada por eles. E aí a gente não tá falando só daquilo que a gente já conversou aqui no programa algumas vezes, de um pente fino que vai ser passado ali, corrupção, atos ilegais do governo Trump. Também a própria pauta que vai se fazer nos próximos 2 anos nos Estados Unidos vai passar pelo Partido Democrata.
Isso vai mudar muito, inclusive no que diz respeito à interferência dos Estados Unidos em eleições, por exemplo, de outros países, que é o que se teme aqui no Brasil nesse momento.
Edu, valeu, muito obrigada, viu, por ter feito essa participação especial aqui com a gente. Beijo, até segunda.
Meu prazer.