Leila do Vôlei participa de sabatina sobre vaga ao Senado pelo DF
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Bianca Santos
Bruno Caraza
Leila do Vôlei
- A assinatura de Leila do Vôlei ao pedido de impeachment de ministros do STFnão foi cálculo político·coerência com atuação anterior·pauta de moralidade e não de direita/esquerda·outros ministros também deveriam sofrer processo
- A posição de Leila do Vôlei sobre o aborto e a violência política de gênerocontra o aborto, exceto casos previstos em lei·violência de gênero na campanha·tentativas de desqualificação·trabalho e projetos entregues à população
- A defesa do Fundo Constitucional do DF e críticas ao PLP dos combustíveisatuação contundente na defesa do Fundo·PLP aprovado de forma silenciosa·jabuti colocado pela relatora·apresentação de PLP para reaver modo de cálculo
- A crise do BRB e a necessidade de transparência do governo do DFfalta de relatório sobre o problema·população não pode pagar a conta·BRB quebrado pelo governo atual do DF·disponibilidade de diálogo do Banco Central
- As propostas de Leila do Vôlei para combater a violência contra a mulher no DFinvestimento em casas da mulher brasileira·capacitação de mulheres para geração de renda·necessidade de investimento do governo local·parceria entre parlamentar e governo
- A postura política de Leila do Vôlei e sua trajetória partidáriapartido é o Distrito Federal·capacidade de diálogo entre polos·dificuldades das mulheres na política·amadurecimento na vida pública
CBN Eleições 2026.
10 horas e 34 minutos. Seguimos hoje com a nossa série de sabatinas com os candidatos ao Senado pelo Distrito Federal. Mariana Machado comigo aqui no estúdio.
Mari, Bruno, foram convidados para as sabatinas os 5 candidatos mais bem colocados na última pesquisa Datafolha, divulgada em 11 de setembro. O critério de desempate foi o tamanho da bancada do partido no Congresso. A ordem das entrevistas foi definida por sorteio feito na presença das assessorias dos candidatos. Ontem conversamos com Ronaldo Fonseca, do PSD. Hoje nós recebemos Leila do Vôlei, do PDT, e amanhã vamos entrevistar Érica Cocay, do PT.
As candidatas Michele Bolsonaro e Bia Kicis, ambas do PL, também foram convidadas, mas não quiseram participar.
Você pode nos acompanhar ao vivo aqui pela rádio e também pelo nosso canal da CBN no YouTube. Leila fez carreira no esporte. Em 2015, assumiu a Secretaria de Esporte do governo Hollenberg. Em 2018, foi eleita senadora. No Senado, foi líder da bancada do DF, comandou a Procuradoria Especial da Mulher e ocupou a 4ª suplência na mesa diretora. Leila também presidiu a Comissão de Esporte e assumiu funções como vice-presidente da Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado. Candidata, seja bem-vinda, bom dia.
Bom dia, Bruno, bom dia, Mariana, e todos os ouvintes da CBN Brasília. É um prazer estar aqui com vocês.
Bom, candidata, como senadora eleita por um partido de centro-esquerda, como a senhora justifica perante o seu eleitorado progressista o aceno e a assinatura ao pedido de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal? É inclusive na propaganda eleitoral, né? Recentemente você assinou o pedido de impeachment do Ministro Alexandre de Moraes. É uma convicção firme sua ou um cálculo político para atrair um eleitorado mais conservador aqui do Distrito Federal?
Obrigada, Mariana. De forma alguma não foi um cálculo político. Se as pessoas averiguarem a minha atuação, em 2019 eu assinei a CPI da Toga. Foram 3 requerimentos, eu assinei os 3 requerimentos, e na sequência eu fiquei acompanhando todo, todo o debate durante esses anos, todas as crises entre os poderes, seja Judiciário, Executivo, depois Executivo, Legislativo, às vezes a crise entre os próprios três poderes. E eu me vi convencida depois dos fatos que foram revelados nesse último, essas últimas semanas, a respeito dessa relação do ministro.
E hoje eu vejo, né, que essa relação do Vó Caro não era apenas com o ministro Alexandre de Moraes. Muito pelo contrário, dá para se ver que ele tem tentáculos e que essas relações, elas, elas estão em todos os poderes da República. Então não foi um cálculo, foi uma atuação que é coerente, uma atuação que é conectada com a expectativa da população. E eu quero dizer uma coisa para vocês: essa pauta não é de direita nem de esquerda, gente.
Essa pauta é da moralidade. Ninguém tá acima da lei. Eu demorei muito, fiz uma reflexão muito profunda e acompanhei desde 2019 a situação. E hoje nós chegamos num momento em que a gente tinha que se posicionar diante dessa crise que envolve o Supremo Tribunal Federal. Então é mais nesse sentido a minha assinatura e a minha posição.
Candidata, na propaganda a senhora cita nominalmente o Ministro Alexandre de Moraes, né? Mas a senhora crê que outros ministros também deveriam sofrer o mesmo processo?
Certamente, Bruno. Quando eu assinei e quando eu gravei o programa, não veio agora essa questão de vazamento seletivo, envolvimento de outros ministros com relação a precatórios. Nós temos realmente uma situação muito clara, desafiadora, dentro do sistema judiciário que envolve a Suprema Corte. E fico nessa expectativa da atuação do presidente da corte, né, que é o Ministro Fachin, no sentido de que ele já tinha falado a respeito de quem sabe implementar um código de ética, quem sabe rever condutas dentro da própria casa, dentro da própria corte.
Então eu também tenho uma expectativa como todo brasileiro, não só como uma legisladora.
Candidata, a governadora Celina Leão tem acusado parlamentares da oposição ao governo dela de não atuarem devidamente para defender o Fundo Constitucional do DF. Recentemente essa crítica foi intensificada, intensificada quando da aprovação e sanção do chamado PLP dos combustíveis, que entre tantas coisas cria uma trava para o aumento do Fundo Constitucional. Eu queria saber como a senhora se posiciona nesse tema, como responde a essas críticas em relação ao Fundo Constitucional.
Bruno, eu quero dizer a você, a Mariana, todos os ouvintes que acompanham meu trabalho, meu, desde o primeiro dia dentro do Congresso Nacional, eu fui uma das parlamentares mais atuantes na defesa do Fundo Constitucional. Primeiro que esse PLP, o que foi aprovado, né, que tratava sobre a diminuição do preço dos combustíveis. Foi um projeto que foi, passou de forma silenciosa, tanto que passou nas duas casas numa tarde, numa sessão semipresencial.
E eu quero dizer para vocês que o jabuti não foi colocado pelo governo, foi colocado pela própria relatora, que é do estado aqui de Goiás, né? Eu tô simplesmente há quase 8 anos dentro do Senado. Vocês vão ver que a minha atuação sempre foi contundente com relação à defesa do fundo, tanto que nós estamos procurando reaver o modo de cálculo. Nós apresentamos agora o PLP, o 250 de 2026, logo depois dessa aprovação silenciosa, que não teve a minha digital.
Não votei, né, em protesto mesmo, quando eu vi que eu não consegui mobilizar, que eu não consegui falar com os líderes. Foi algo muito estressante para todos nós ali, principalmente para nós que vimos que tinha um jabuti, que estavam tentando nos atropelar na situação. Então, o que aconteceu? Nós apresentamos um PLP para reaver o modo de cálculo. Então nós vamos trabalhar, não em vez de votar contra?
Por quê?
Não, por indignação. O não votar contra sinaliza, não computa como voto a favor, é como se o voto fosse não, entendeu? E outra coisa que é muito importante que eu quero dizer para vocês: não é verdade quando a senadora, a governadora fala que nós não trabalhamos dentro da casa. Inclusive, ela foi da bancada federal, ela teve atuando com a gente ali dentro, ela sabe das nossas lutas e do quanto a nossa bancada federal ela é pequena, nós somos 11 parlamentares, mas quando é para defender os interesses do Distrito Federal, independente de oposição, situação ou base do governo dela, atuamos todos ali em defesa sempre do Fundo Constitucional.
Bom, candidata, ao longo do seu mandato, você bem destacou, né, quase 8 anos já, você transitou entre o apoio a pautas do governo federal e a aliança com bases da oposição local. Você se considera uma parlamentar de oposição, de base aliada ou independente? Essa postura híbrida, ela não gera uma desconfiança tanto da esquerda quanto da direita?
Eu não vou, eu não vou dizer a você que a minha atuação, ela não me causa assim um certo, uma certa pressão em cima da minha pessoa. Eu quero dizer a vocês primeiro que o meu partido é o Distrito Federal e eu tenho uma facilidade muito grande. Esse aqui é o maior problema entre as extremas do diálogo. Eu sou do esporte, eu não sou uma pessoa que foi crescida, que cresceu na política, eu não tive cargos políticos, eu sou uma, eu sou um agente público.
E eu aprendi desde muito cedo que a premissa, a alma do Poder Legislativo é o diálogo. E eu realmente me relaciono muito bem, né, com os dois polos. Mas eu tenho um campo, meu partido tem uma base, e nós temos um lado. Mas isso eu não odeio ninguém, nada disso me impede de ter a capacidade de dialogar. Tanto que pautas muito relevantes, como foi MPWZ, mercado de carbono, outras que são, que foram pautas polêmicas que poderiam gerar muitos conflitos.
Eu me tornei relatora justamente por essa capacidade de transitar e de dialogar, mas eu nunca deixei de dizer que lado que eu sempre tive a minha atuação.
Candidato, o GDF entrou com uma ação na justiça recentemente para tentar obrigar o governo federal a dar garantias para o empréstimo para tentar salvar o BRB. O presidente Lula já disse, inclusive numa agenda em Ceilândia, que aliás a senhora tava participando também, que não iria dar dinheiro para salvar o BRB. Atual gestão, a governadora Cedenha Leão, tá acusando o presidente Lula e os parlamentares mais progressistas de trabalharem para quebrar o BRB, justamente para ter algum tipo de ganho eleitoral.
Como é que a senhora vê essas acusações? E também eu queria que a senhora comentasse sobre as diversas reuniões que A senhora teve com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. Ele tem dito que vê condições de o BRB sair dessa condição ou não?
Primeiramente, quem é que empresta dinheiro para qualquer ente, para qualquer pessoa, sem saber o tamanho da situação? Alguém aqui sabe o tamanho do problema? Cadê o relatório, né? Essa é a pergunta de milhões que todo mundo faz, todo mundo que vai vir aqui. Que não é base do governo, mas que defende Brasília, vai fazer essa pergunta para a população e vai fazer pergunta principalmente para o governo. Cadê o relatório? Será que esses R$6,6 bilhões que ela, né, que o governo do Distrito Federal tá pedindo, é o suficiente para tampar o rombo?
Sabe por quê? Porque por trás do BRB, de toda essa crise, existem os funcionários do BRB, existem os correntistas do BRB, existe a população do Distrito Federal que não pode pagar por essa conta. Nenhum dos bancos, os grandes bancos, quando houve, né, ventilaram da compra do Master, as grandes instituições quiseram comprar. Teve uma que ofereceu R$1. Por que que o BRB quis comprar? E aliás, perdeu, né, porque comprou R$12 bilhões e títulos podres. Se perdeu R$12 bilhões e tá pedindo R$6 de empréstimo, é o suficiente?
Agora, o governo federal poderia ou não ajudar mais para tentar salvar?
Ajudou quando sentou junto com o STF para resolver. Agora, a transparência é necessário. Ninguém empresta, ninguém ajuda uma instituição sem ter clareza, sem ter transparência na situação. E eu concordo. Mas diante disso, a gente tem que entender que, para além desse rombo, dessa crise que foi causada não pelo governo federal, mas sim pelo governo atual do Distrito Federal, que quebrou sim o BRB, por trás do BRB tem famílias, como eu falei, tem funcionários e correntistas.
Queremos transparência antes de governo querer bancar e assumir uma dívida, precisa vir a governadora a público entregar o relatório e dizer a realidade do BRB.
O Banco Central tem se mostrado disposto a atuar de alguma forma? A senhora chegou a pedir alguma coisa ao presidente do Banco Central?
O BRB, inclusive, só para vocês entenderem, né, a nossa tranquilidade enquanto bancada, fomos os 3 senadores do Distrito Federal em 2 reuniões junto ao Galípolo, né, ao BC. E nas 3 reuniões ele falou a disponibilidade do diálogo, de entender melhor É claro que o Banco Central não vai assumir uma responsabilidade porque não foi ele que causou, não foi ele que causou. Então é necessário que para se resolver venha governador a público e também o atual presidente do BRB para dizer a verdade, dizer o tamanho do problema, porque esse problema não pode cair no colo do contribuinte, da população brasiliense.
Bem, candidata, a gente falou um pouco sobre sua questão de posicionamento e sobre o partido. Desde que você ingressou, né, na vida pública, você já passou por algumas legendas com espectros ideológicos inclusive diferentes: o PRB, o PSD, Cidadania, hoje o PDT. O eleitor do DF deve esperar uma estabilidade partidária no seu próximo mandato, ou essa mudança de legenda vai continuar aparecendo? É alguma forma de estratégia?
Não, não é estratégia, é simplesmente uma questão de acolhimento. As pessoas não entendem o que é a política para as mulheres. As dificuldades que as mulheres enfrentam no ambiente partidário, ambiente majoritariamente composto por homens. E muitas vezes você tá no partido não quer dizer submissão. E eu sofri muito em vários partidos, não vou entrar em detalhes, mas tudo foi superado. Hoje a Leila de 2026 não é a Leila de 2018.
Então quando eu entrei para a vida pública Você falou certo, eu era uma ex-atleta, né? Eu entrei por indignação, por entender que era necessário uma representatividade dentro do esporte. As pessoas precisam entender a força do esporte. O esporte não é só formar atleta olímpico. Esporte é um braço de cidadania, de formação. E eu entrei no meu primeiro partido é porque ele detinha politicamente uma pasta do esporte, que foi o PRB.
E depois eu entrei para um governo que eu fui, que eu fui candidata distrital ali. Eu saí e fui para o PSB, que detinha o governo local, que eu fui secretária de esportes. Então o caminho me levou a tomar essas decisões, que eram naquele momento, assim como eu estou hoje do PDT, muito feliz, né? Estive presidente, agora estou como candidata, né, à reeleição, madura, suficientemente madura para dizer para você que estou no lugar certo, no momento certo história e muito bem resolvida, estabelecida.
Candidata, tem um assunto que volta uma certa polêmica em relação à campanha, que é a posição da senhora em relação ao aborto. Em eleições passadas isso apareceu e agora as suas principais adversárias defendem uma pauta bem conservadora, se colocando contra inclusive as regras atuais em que o aborto é legalizado, né? A senhora, aliás, vem sendo criticada pelas campanhas dessas adversárias, inclusive de uma forma bastante violenta em algumas situações, por uma suposta posição pró-aborto.
No passado, a senhora também chegou a ser criticada por setores progressistas por supostamente ser contra o aborto. Então acho que é uma oportunidade aqui para saber qual é a real posição da senhora sobre o tema.
Gente, é muito claro, eu sou contra o aborto, fora o que tá estabelecido em lei. Né, que é feto anencéfalo, risco à vida da mulher e vítima de estupro. Ponto. Assim, o que eu vivo, eu quero dizer muito claro para vocês, eu tô na minha quarta eleição, eu nunca vivi tamanha violência de gênero, tamanha violência política de gênero como eu tô vivendo agora. Estão tentando me desconstruir, me desqualificar, mas se o brasiliense se preocupar de fato com o meu trabalho, quiser se informar, ele vai ver que essa senadora trouxe mais de R$800 milhões, apoiou mais de 700 projetos que que ajudam e atingem diretamente, beneficiam vidas de mais de 350 mil brasileiros.
Então tô muito tranquila com essas, enfim, com essas insinuações maldosas a respeito da minha pessoa. Eu sou ficha limpa, sou mãe, sou mãe, sou esposa casada mais de 20 anos. Então enfim, isso é uma forma apenas de tentar me desconstruir numa bolha, a bolha delas.
Agora, candidata, inclusive em relação a essas abordagens mais violentas, a sua campanha tem adotado até um esquema de segurança mais reforçado em função de ataques que a senhora sofreu. Que tipo de ataques foram esses?
Como eu falei, agressividade, agressivos, né, da extrema-direita.
Fisicamente nas ruas, algo do tipo?
Não, mas de chegar, te xingar, palavras de baixo calão, entendeu? É muito difícil que eu tô vivendo. Eu não gostaria de entrar nesses detalhes, mas assim, eu quero dizer que eu entendo que isso é uma ação articulada, é uma ação que realmente tem um comando. E quero dizer a essas pessoas que elas não vão me intimidar, seja dos dois lados, dos extremos, dos dois lados, seja da esquerda e seja da direita. Não vão me intimidar se o brasiliense realmente focar nas candidatas, nos candidatos que realmente entregaram para a população do Distrito Federal, eles vão ver lá que eu tenho condições sim de seguir no Senado com essa boa atuação que eu fiz e que a gente vai procurar fazer mais ainda pelo DF.
Bom, candidata, a sua plataforma destaca a proteção das mulheres e o combate à violência. Você inclusive é autora da Lei do Stalking. Agora, no Distrito Federal, é importante a gente destacar que os números de feminicídio, de violência de gênero de uma forma geral, são alarmantes. A gente sempre citando os casos que acontecem aqui mesmo no CBN Brasília. Para um próximo mandato, qual é a sua proposta concreta de articulação e destinação de recursos para reforçar na prática a rede local de combate ao feminicídio e a violência doméstica no DF?
Bruna, eu vou falar que uma das prioridades do meu mandato sempre— Bruna, desculpa, Mariana, né? Uma das prioridades, bandeiras do meu mandato sempre foram as mulheres. Importantes. Não foi só a Lei do Stalking, foi a lei que traz os recursos, 5%, que garante 5% dos recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública, a lei que garantiu a medida quando a mulher tem a medida protetiva, a tornozeleira eletrônica. Então a gente teve avanço, a gente contribuiu direta ou indiretamente para 40 leis sancionadas no país.
Então o que que eu te digo? Nós vamos continuar investindo. A gente investiu na construção de 3 casas da mulher brasileira e mais de 100 projetos de geração de A gente sabe que as famílias de baixa renda no Distrito Federal, elas são chefiadas por mulheres. São elas que cuidam dos filhos, são elas que precisam de creche, cuidam dos pais idosos. Nós apoiamos mais de 100 projetos, mais de 25 mil mulheres nós capacitamos para ajudar na geração de renda, dos recursos das famílias delas.
Então nós vamos continuar esse trabalho, nós queremos mais. A gente sabe que é o suficiente? Claro que não. E também o compromisso do governo local Não adianta um parlamentar destinar recurso, não adianta a gente ter o apoio do terceiro setor, fazer uma grande parceria com o terceiro setor, se o governo local não investe em políticas públicas de proteção. Então assim, delegacia das mulheres, casas de referência da mulher brasileira, tem que ser uma grande parceria entre o parlamentar que se predispõe a abraçar essa bandeira, mas também o governo local de implementar, porque não sou eu que implementa essa política.
Política, é o governador em exercício. Então tem uma expectativa muito grande que a gente mude esse governo, que a gente tenha um governo progressista e que a gente de fato cuide das mulheres como elas devem ser cuidadas.
Candidata, a senhora citou a relatoria de projetos importantes recentemente. A chamada taxa das blusinhas mereceu o seu parecer favorável, né, em acordo com o projeto enviado pelo governo federal. Mas há uma parte, principalmente do empresariado brasileiro, e de lojistas que acusam essa concorrência desleal com produtos importados, né, e atribuem a isso até desemprego e baixo desenvolvimento da economia. Como defender a taxa das blusinhas em meio a essas críticas que são feitas? Não há uma certa contradição?
Não, Bruno, eu vou te falar, esse processo foi muito transparente desde o início, quando nós fomos designados relatora, né, do da MP, nós procuramos ouvir o setor produtivo. Tanto que é claro que um projeto, gente, a gente vai ouvir a todos, ele não vai ser 100% de um lado ou do outro. A gente constrói um texto que é possível. Nós recebemos 112 emendas e o que a gente atendeu, que nós entendemos que naquele momento seria possível, né, porque a gente não queria mexer no objeto da MP, é justamente dar a tarefa ao Ministério da Fazenda de periodicamente, né, dar transparência a um relatório desse impacto, né, se vai ter desemprego, né, se isso vai atingir diretamente o comércio, setor produtivo de um modo geral.
Nós tivemos essa preocupação, nós atendemos justamente isso, porque a partir do momento— e o relatório vai sair daqui a pouco, como a medida provisória ela foi emitida em maio, Agora em dezembro nós vamos ter o primeiro relatório. Ela já estava em vigor, então nós vamos saber os impactos. E a partir do momento que tiver os impactos, se ficar constatado um impacto relevante, o governo vai ter que criar ações de mitigação desse processo.
Então a gente deu ao mesmo tempo a isenção, mas a gente teve a responsabilidade com o setor produtivo.
Bom, é em alguns temas, né, pautas principalmente de grande apelo popular que tem dividido o Congresso, e aí entre, por exemplo, a questão do marco temporal, da descriminalização de substâncias, a sua postura tem sido considerada cautelosa. Você mantém uma neutralidade em assuntos como esse ou pretende adotar uma posição mais clara sobre esses assuntos?
Eu não vejo, eu não vejo assim como neutralidade, não. Já me perguntaram também sobre a questão da redução da maioridade penal. Assim, eu só não gosto daquele debate onde vira um palanque, né, da polarização. Eu não— essa bola dividida, esses confrontos, para mim não só serve para uma coisa, vocês me desculpem falar, para gerar cortes, entendeu? Nós temos muitos parlamentares de um lado e de outro que querem só gerar cortes. Eu não entro nesse tipo de polêmica, é simplesmente isso.
Por exemplo, sobre a questão do marco temporal, assim, hoje, ontem eu fui considerada parlamentar que mais trata da questão ambiental, entendeu? Então assim, a gente tem inúmeras pautas dentro da casa que eu acredito que não seja necessário essa bola dividida. Então eu mantenho não a neutralidade, eu procuro não fazer os cortes que todo mundo quer e gerar as polêmicas.
Agora, a senhora citou a questão da redução da maioridade penal, tem outros projetos que devem chegar para ser debatidos, como o fim de saidinha, que são pautas principalmente de candidaturas que estão no outro lado do espectro político. De que forma que a senhora pensa a respeito desses temas?
Olha, eu vou te falar, a questão da maioridade penal eu já deixei muito claro que eu acho que vale um referendo. Acho que vale que a população, como é um tema muito polêmico e que gera, traz, né, vem à tona muitas emoções, e eu concordo com as pessoas, é muito revoltante. Muitas vezes você vê uma violência entre jovens, né, e tem, nós temos várias situações nesse sentido. Então a gente, eu, eu sou a favor do referendo, sou a favor da população saber entender que a partir desse referendo, da decisão, quais são as consequências.
E eu quero dizer uma coisa bem clara, que prisão para mim é escola do crime. Eu acho que a gente tem que tratar os jovens além da educação, a gente oportunizar para eles trabalhar o terceiro setor, para que a gente oferte esporte, cultura, né, a escola integral, que hoje o Distrito Federal tá nos últimos lugares na avaliação do IDEB. É isso que a gente tem que tratar no país, é de oportunizar e cuidar dos jovens. Mas eu acho que a população brasileira tem que ser escutada, e eu acredito que através de um referendo é o mais plausível.
Candidata, encerrando a nossa conversa de hoje, mas a gente tem 2 minutinhos para as considerações finais, por favor.
Eu quero agradecer a oportunidade, dizer a vocês que eu sou filha dessa terra, sou de Taguatinga, nascida e criada nessa terra, sou filha de nordestinos. Estudei em escola pública, usei o transporte público, usei a saúde pública, e foi numa escola que eu fui descoberta como uma atleta. Tenho muito orgulho da minha trajetória. Foi o esporte que me ensinou a não odiar as pessoas, a no mínimo respeitar. E hoje eu estou no Senado Federal realmente trabalhando muito.
Se as pessoas procurarem saber do meu trabalho, dos recursos que eu trouxe, né, dos projetos que eu investi, do quanto o meu trabalho atingiu as pessoas, beneficiou as pessoas, elas vão ver que eu não sou apenas uma promessa. Eu sou de fato uma senadora, uma representante do DF que luta sim pelos interesses da cidade, a melhoria da capital.
Tem mais um minutinho.
Não, só agradecer. E no dia 4 de outubro, por favor, votem 1, 2, 3, vejam o nosso trabalho. Muito obrigada, Mariana e Bruno.
Candidata Leila do vôlei do PDT, agradeço aqui a participação. Lembrando que as entrevistas ficam disponíveis nos nossos canais, tanto no YouTube como no seu tocador de podcast. Amanhã a gente dá sequência à série de sabatinas. Amanhã será a vez de Érica Kalkay, do PT.