Episódios de Política

Ronaldo Fonseca participa de sabatina sobre vaga ao Senado pelo DF

21 de setembro de 202627min
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Candidato do PSD é entrevistado na série de sabatinas promovidas pela CBN.

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Participantes neste episódio3
B

Bruno Caraza

HostEconomista
A

Ana Carolina Tomé

Co-hostJornalista
R

Ronaldo Fonseca

EntrevistadoPastor da Assembleia de Deus e advogado
Assuntos6
  • Propostas para a reforma do Supremo Tribunal Federalmandato para ministros do STF·novo modelo de escolha de ministros·limitações de decisões monocráticas·prazo para voto vista no Senado
  • Discussão sobre o impeachment de ministros do STFfacilitação dos processos de impeachment·alteração do rito de impeachment·controle externo do STF pelo Senado·comparação com o Chile
  • Situação do BRB e propostas de soluçãoinvestigação do rombo de R$16 bilhões·responsabilidade do governo Ibanez·empréstimo com Fundo Garantidor·reformulação de financiamentos para servidores
  • Posicionamento sobre a candidatura de José Roberto Arrudaseparação de CPF e ficha limpa·defesa de Arruda como governador·aguardando trânsito em julgado·impacto na própria candidatura
  • Defesa do Fundo Constitucional do Distrito Federaldependência de recursos para segurança, saúde e educação·Lei Complementar 235 e travas no fundo·necessidade de articulação parlamentar·votação dos senadores do DF
  • Atuação no processo de cassação de Eduardo Cunharelatoria na CCJ·questão processual, não de mérito·nulidade por votação não nominal·arquivamento no STF
Transcrição45 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro

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RFRonaldo Fonseca

CBN Eleições 2026.

BCBruno Caraza

Abrimos hoje a nossa série de sabatinas com os candidatos ao Senado pelo Distrito Federal. Mariana Machado comigo aqui no estúdio.

ACAna Carolina Tomé

Mari, bom dia, Bruno. Bom, foram convidados para sabatinas os 5 candidatos mais bem colocados na última pesquisa Datafolha, divulgada em 11 de setembro. O critério de desempate foi o tamanho da bancada do partido no Congresso. A ordem das entrevistas foi definida por sorteio feito na presença das assessorias dos candidatos. Nesta segunda-feira vamos entrevistar Ronaldo Fonseca, do PSD. Amanhã será a vez de Leila do Vôlei, do PDT, e na quarta-feira Érica Cocay, do PT.

As candidatas Michele Bolsonaro e Bia Kicis, ambas do PL, foram convidadas, mas disseram que não iriam participar.

BCBruno Caraza

E você pode nos acompanhar ao vivo aqui pelo rádio, mas também pelo canal da CBN no YouTube. Nosso convidado de hoje, Ronaldo Fonseca, é pastor da Assembleia de Deus e advogado. Em 2010 foi eleito deputado federal e reeleito em 2018, ano em que assumiu também a Secretaria-Geral da Presidência da República na gestão Temer. Candidato, seja bem-vindo, muito bom dia.

RFRonaldo Fonseca

Eu que agradeço, Bruno e Mariana. Agradeço a CBN também por abrir esse espaço tão importante para que o eleitor, a população do Distrito Federal, possa conhecer melhor os seus candidatos.

BCBruno Caraza

Muito bem, candidato. Começando aqui para falar de uma das principais propostas da sua campanha, que é uma ampla reforma no Supremo Tribunal Federal. Eu gostaria que o senhor detalhasse quais as medidas que, na sua visão, deveriam ser tomadas. E também uma outra questão: eu gostaria de saber se eleito, se o senhor votaria a favor do impeachment de algum dos atuais ministros do STF.

RFRonaldo Fonseca

Então, Bruno, eu até como advogado e conhecendo os dois lados da mesa, que eu já fui parlamentar e já fui ministro, eu vejo que o Supremo Tribunal Federal, e eu acho que isto é quase que concordância total da população, não dá para continuar como está. Quando eu era deputado federal, sempre fui membro da Comissão de Justiça da Câmara, e lá eu já acusava acusava o excesso da presença do Judiciário em fabricar leis, o ativismo judicial.

Eu já acusava lá atrás ativismo judicial, e nós vamos deixando levar, levar, levar. Deu no que deu. Essa última sessão que nós assistimos do Supremo Tribunal Federal foi vergonhosa. Eu fico com o melhor discurso que teve ali. Que é da ministra Cármen Lúcia. Esse foi o melhor discurso, que ela pediu desculpa à população. Vergonhosamente, eles se despiram diante da população. E eu tenho um projeto que eu tô trabalhando agora nessa campanha, que é reforma do STF já.

Por que que eu tô colocando já? Igual direta, já, já, chega de enrolação. Sabe quantos projetos tem na Câmara e no Senado que toca em reforma do STF? Mais de 80. Ué, mas então o senhor também tá querendo levar mais um? Não, eu tenho aqui 10 propostas, aqui são 10 propostas. Mas o senhor não tá querendo levar mais um? Já tem mais de 80. Sim, eu vou levar mais um, só com a diferença, com uma proposta de emenda constitucional que dê ao Congresso Nacional o direito de todas as vezes que um PL ou uma PEC mude um outro poder que queira reforma de um outro poder, que é o caso do Judiciário, tenha urgência constitucional semelhante ao artigo 64 da Constituição, que dá ao presidente da República o direito de mandar um PL para Câmara ou para o Senado com urgência constitucional.

Aí a Câmara ou Senado tem 45 dias para votar. Vai para Câmara, vai para o Senado, 45 dias para votar. E se não votar Tranca todas as pautas.

BCBruno Caraza

Agora, desses itens que o senhor propõe, por exemplo, o senhor tá propondo também período de mandato para os ministros. Quais são os principais?

RFRonaldo Fonseca

Olha, tem 10 aqui. Eu tô propondo mandato para ministro do STF. Lá tá cheio de propósito. Eu tô colocando 8 anos, que é o— tô regulando pelo presidente da República, tem reeleição, 8 anos. Eu acho que 8 anos tá bom, mas tudo bem, vamos para o debate se 8, 10 ou 12. Eu estou propondo também um novo modelo de escolha. Chega, não dá mais para mandar amiguinho para o Supremo Tribunal Federal. Chega! Eu tô propondo rapidinho aqui, explicando, é que o STJ faça um debate público com audiências públicas para fazer uma seleção de 6 nomes de juristas para o STF.

Depois vai para o controle externo do Judiciário, que é o CNJ, para traduzir para 3 nomes. Aí vamos para o presidente, 3 nomes. E ele vai escolher um desses três. Chega de indicar amiguinho para o STF. Então eu tenho 10 propostas: sabatina de verdade, parar com essa brincadeira. Pô, se o presidente mandou uma mensagem, ela tem que ter prazo fixo para ser votada na Comissão de Constituição e Justiça. Chega, não dá mais. Outra coisa, quem for sentar lá tem que publicar o patrimônio dele, tem que publicar se há algum conflito de interesse.

Porque se ele tiver esposa, pai, mãe, avô, tio, sogra que tem escritório de advocacia, vai dizer para ele, ó, meu amigo, durante os 8 anos, 10 anos, vai ter que fechar o escritório, não vai dar, porque tem conflito de interesse. Eu tô propondo aqui limitações das decisões monocráticas. Por exemplo, agora tá uma briga, cada um tomou uma decisão lá, mas tem que ter uma limitação. E se tomou uma decisão monocrática individual, tem que ter um prazo fixo para ir para o plenário pedido de vista.

Hoje nós já temos no Senado, com uma emenda constitucional regimental que foi feita, antes não tinha, que o ministro que pede vista tem 90 dias para apresentar o voto vista. Se ele não apresentar em 90 dias, vai direto para a votação virtual. Eu quero inverter isso, virtual não, vai para o pleno, vai para o pleno.

BCBruno Caraza

Agora, candidato, esse segundo trecho aqui da minha pergunta, né, se discute hoje a relação, ou suposta relação, de ministros no escândalo do Master com o banqueiro Daniel Vorkaro. E é pauta de diversos candidatos de oposição ao atual governo federal a votação de impeachment, inclusive apresentação de pedidos que foram feitos ao Senado Federal para isso. E cabe justamente aos senadores analisarem esses pedidos de impeachment. Eu gostaria de saber se o senhor concorda com o impeachment de algum dos ministros do STF, dada essa crise que a gente tem com o Máster.

RFRonaldo Fonseca

Isso é absolutamente normal. A Câmara tem o impeachment de um deputado, o Senado tem impeachment do senador que vai para comissão de ética para ser votado. Agora, que nós temos que mudar, Bruno, é o critério. Não dá mais, tem mais de 100, acho que 120 pedidos de impeachment de ministro do Supremo.

ACAna Carolina Tomé

Aliás, né, candidato, a sua plataforma defende a facilitação desses processos de impeachment via CCJ. Agora, essa pauta, ela não atenta contra a independência dos poderes, sobre o risco até mesmo de jurídica?

RFRonaldo Fonseca

Não, porque o artigo 54 da Constituição, 54 da Constituição, ele dá a competência do Senado de ser o controle externo do STF. Controle externo judiciário, CNJ, e controle externo do STF é o Senado, que tem competência para o impeachment. O problema é o rito. O rito está errado, porque vai para quem? Vai para o presidente do Congresso. Vai, desculpa, presidente do Senado. Ele senta em cima e acabou. Não tem competência, não tem moralidade muitas vezes para isso.

Porque puxa a capivara do cidadão, dá uma olhadinha, diz: ele tem, ele tem peito para enfrentar o Supremo? O Senado hoje é refém do Supremo, refém. Eu já fui lá da Câmara, eu conheço os comentários. Esse vai votar isso, mas já aquele problema teu lá no Supremo, lá na PGR e tal. Então veja bem o que que eu tô dizendo. Nós temos que facilitar esse rito. Vai para onde? Vai para CCJ, que tem 27 nomes de titulares. Lá faz audiência pública, lá se decide.

Decidiu pelo impeachment ou não, vai então para o presidente do Senado. Só que vai com prazo fixo para ele colocar em sabatina, desculpa, votação no pleno, no plenário do Senado, com prazo fixo, ó, 30 dias, sei lá quantos dias, vamos discutir. Mas não dá é para ficar da forma que está. E fazer impeachment de ministro supremo, se tiver materialidade e autoria de um crime de responsabilidade, por exemplo, tem que ser impeachment.

Sim, eu sou a favor. Só que eu acho que dessa proposta que eu tô fazendo aqui vai fazer uma fila de impeachment, viu? Porque vai ficar mais fácil o rito para fazer impeachment de ministro do Supremo Tribunal Federal.

BCBruno Caraza

Agora, isso não poderia gerar uma estabilidade, como bem colocou a Mari?

RFRonaldo Fonseca

Qual tipo de estabilidade?

BCBruno Caraza

O senhor tá falando de uma fila de impeachment de ministro.

RFRonaldo Fonseca

Ora, mas Qual o problema se nós tivermos ministros comprometidos? Vai se substituindo. Isso é absolutamente normal. Não, por que que existe na Constituição esse controle externo do Senado? É chamado pesos e contrapesos no direito. Pesos e contrapesos. Então os poderes são harmônicos entre si, mas são independentes, mas são harmônicos. Então o Supremo tem o poder de dizer se uma lei é constitucional ou não. Isso não traz estabilidade para o Congresso.

Se ele vota uma lei, Supremo diz é inconstitucional. A mesma coisa se o Senado vai fazer o impeachment de um ministro do Supremo. Gente, vamos aprender com o Chile, né? O Chile acabou de fazer impeachment de 3 ministros do Supremo, do Supremo deles lá, né? E uma saiu algemada no camburão.

BCBruno Caraza

Qual o problema, candidato? O senhor tem uma série de propostas em torno da ética, combate à corrupção. No entanto, o senhor tá fazendo parte de uma chapa que tem o candidato ao governo do Distrito Federal, José Roberto Arruda, que teve inclusive a candidatura impugnada pelo Tribunal Regional Eleitoral, reconhecendo 7 condenações contra ele. Arruda está aguardando um recurso no Tribunal Superior Eleitoral. Isso não constrange o senhor em algum momento estar na mesma chapa de um candidato que foi impugnado pelo TRE com 7 condenações?

RFRonaldo Fonseca

Primeiro, vamos separar CPF. Eu tenho meu CPF, ele tem o dele. Meu CPF é limpo. Eu tive 8 anos como deputado, quase um ano como ministro, e sou ficha limpa. Eu passo pelo teste do Google. Vamos separar CPF. Segundo, qual o partido político no Brasil hoje que não tem alguém sendo investigado ou processado? Me perdoe, lamentavelmente no Brasil é assim. Eu sou advogado há quase 20 anos, sou criminalista, sou advogado de defesa, só que eu digo que eu sou criminalista do bem.

E eu já vi, eu já aconteceu comigo de muitos estarem sendo condenados na primeira instância e depois absolvido na terceira instância, na última instância. Então você não pode julgar ninguém e dizer: ah, esse é ladrão, esse é isso, aquilo, enquanto não houver o devido processo legal e o trânsito em julgado. Então veja, e lamentavelmente no Brasil nós temos exatamente isso, políticos que têm um CPF não muito limpo. Eu não me sinto constrangido, eu faço defesa de quem eu sou. Eu sou meu CPF, eu não, inclusive não faço oposição de CPF.

BCBruno Caraza

Mas o senhor não pede voto a ele? Ou está na mesma chapa?

RFRonaldo Fonseca

Sim, peço o voto, peço o voto. Por que que eu peço o voto? Ele é o candidato ao governo, tá enfrentando dificuldade no TRE, agora vai para o TSE, que vai dar a última palavra, e talvez isso vá até ao Supremo, correto? Então veja, eu nem— eu falo o seguinte: o Arruda foi um excelente governador para Brasília, excelente governador. Ele tá enfrentando dificuldades exatamente nas instâncias judiciárias, mas até agora não há trânsito em julgado.

Então eu peço o voto para quem eu acredito que possa ser um excelente governador. Agora, se realmente for confirmado o julgamento do Arruda, se for confirmado os processos do Arruda em trânsito em julgado, ele terá que pagar pelo que fez.

BCBruno Caraza

O senhor não acha que isso pode prejudicar inclusive a sua candidatura, o fato dele ter sido impugnado no TRE, ainda aguardando o recurso no TSE? As pessoas não vinculam a mesma chapa?

RFRonaldo Fonseca

Não, não vincula, porque eu tô numa candidatura majoritária. E não vincula, não vincula. É muito ruim para ele que a gente encontra na rua as pessoas: pô, eu queria votar no Arruda, mas ele tá desse jeito aí, tá com problema aí, tá, tal. Isso sim. Agora, para mim, não, não vejo isso que as pessoas falam: ah, não vou votar porque ele tá impugnado. Não, eu acho que ele vai ficar no Buriti e eu vou no GDF e eu vou ficar lá no Senado.

ACAna Carolina Tomé

Bom, candidato, o senhor apresenta um discurso, né, de combate à corrupção, de integridade, mas eu quero resgatar aqui um episódio de 2016, durante o processo de cassação de Eduardo Cunha na Comissão de Constituição e Justiça, o senhor foi relator do recurso votando pela anulação da votação do Conselho de Ética. Como o senhor defende sua atuação naquele episódio e que garantias o eleitor do DF tem de que o senhor não vai atuar blindando aliados no Senado?

RFRonaldo Fonseca

Como eu gosto da CBN, sabia? Que a CBN aperta a gente, a coxa. Isso é muito bom, parabéns. Veja bem, eu não escondo que eu fui relator lá na CCJ, só tem que explicar. Eu fui relator na CCJ, que era só uma questão processual, não era de mérito. E já antecipando, o mérito foi arquivado no Supremo Tribunal Federal, a questão do Eduardo Cunha. Lá na CCJ tem um rito, tem um rito. Quando o deputado não passa pelo Conselho de Ética que ele perdeu por um voto lá no Conselho de Ética, ele faz um recurso para CCJ apenas processual, não de mérito, se ele teve culpa, se ele não teve culpa.

Não, ele pediu 17 nulidades, 17 nulidades ele pediu. Eu dei uma nulidade. Tecnicamente eu não tinha como fugir como advogado, tecnicamente não tinha como fugir, que a questão processual todas as votações, todas as votações foram nominais. Todas as votações do Conselho de Ética foram nominais. A única que não foi nominal, que foi levantando a mão, foi a da cassação dele, da de incluir ele no Conselho de Ética, de impedi-lo o seu mandato.

Eu disse: está errado, simplesmente volte para lá e vote nominalmente. Por que que Todas, todas as votações foram nominal, que você coloca o dedo lá, digita o número e coloca o dedo. Nominais. Aí uma só que era para dizer que ele tinha que ser cassado não foi nominal. Por que isso? Só isso que eu dei, mais nada. Eu não disse se ele era culpado, se ele não era culpado. Era uma questão de rito processual. E falando novamente, tudo isso foi arquivado no STF.

BCBruno Caraza

Candidato, o senhor consegue conhecer ou saber de quem é a culpa para atual situação do BRB. Em outros momentos, inclusive, o senhor apoiou a gestão do ex-governador Ibanez Rocha. Eu queria saber se o senhor pensa que ele está envolvido de alguma forma nesse rombo do BRB.

RFRonaldo Fonseca

Bom, eu nunca fiz parte do governo Ibanez, e eu falo o seguinte, Bruno: eu sou advogado, sou pastor evangélico, E eu não aprendi com Cristo a fazer pré-julgamentos. Está sendo feita uma investigação no BRB, ela vai chegar em algum lugar. Até agora parece que são R$16 bilhões, que é um absurdo. E eu defendo o seguinte: quem tem o seu DNA ali vai ter que pagar. O BRB ia muito bem até o Vorkaro ser correntista. Quando o cara passou a ser correntista, aí teve um problema seríssimo.

Obviamente que o governo atual, o governo do Ibanez, terá que explicar. Ele era o governador, é óbvio que ele tem que explicar. Agora, o BRB tem que ser salvo, gente. O BRB é nosso. Por isso que eu estou dizendo que tem que ir para o Senado quem tem experiência, quem tem competência de diálogo. Por exemplo, agora no momento eleitoral, o próprio presidente Lula disse, ó, não vou colocar dinheiro, que isso é um problema do Ibanez, é um problema de Brasília e tal.

Esse momento eleitoral Depois que passar tudo isso, o Senado tem que ter senadoras ou senadores que tenha competência para sentar à mesa e dizer: presidente, vamos sentar à mesa aqui, seja qual o presidente que estiver lá, vamos sentar à mesa e vai ter que ter uma discussão sobre isso. Não tem como, vai ter que ter uma discussão.

BCBruno Caraza

O senhor consegue ver alguma saída? Qual que é a sua proposta para resolver a questão do BRB?

RFRonaldo Fonseca

Olha, o próprio governo está tentando fazer empréstimos, né, e que tenha como garantia o Fundo Constitucional, que eu acho um perigo muito grande. Eu nem concordo com isso, não pode mexer no Fundo Constitucional e colocar como, como, como, como garantia. Mas fazer um empréstimo no Fundo Garantidor, que até um fundo privado com a, a, como avalista o Fundo Constitucional, que eu acho que aí não pode mexer no Fundo Constitucional, sou de desacordo.

Mas acho que o empréstimo vai ter que ser feito nesse Fundo Garantidor, isso depois de punir os culpados. Entenda bem, depois de punir os culpados. Agora nós temos que salvar o BRB. O BRB é nosso, BRB é de Brasília. E eu estou inclusive com uma proposta para levar ao Senado também, que é uma grande reformulação dos financiamentos dos funcionários públicos do Distrito Federal com o BRB. Não é perdão de dívida, mas é mais prazo, parcelas mais leves, porque o nosso funcionário público tá atolado até o pescoço por causa do por exemplo, empréstimo consignado.

O BRB não foi tão bonzinho com alguns aí distribuindo dinheiro? Por que que não pode ser bonzinho com os funcionários públicos? E não é perdão de dívida.

ACAna Carolina Tomé

Bem, candidato, o senhor mencionou a questão do Fundo Constitucional, né? Aqui no Distrito Federal a gente depende diretamente dos recursos do fundo para custear segurança, saúde, educação. No Senado, com frequência, a gente vê as disputas orçamentárias com a União nesse, nesse assunto, né? Inclusive, recentemente tivemos a aprovação e a sanção da lei que cria mais uma trava no Fundo Constitucional e que pode impedir o aumento desse fundo. Como o senhor pretende reverter isso, trabalhar sobre essa questão?

RFRonaldo Fonseca

É a Lei Complementar 235, que foi votada agora, que não tinha nada a ver com o Fundo Constitucional, era uma questão do petróleo lá, PLP dos combustíveis. Não tinha nada a ver, colocaram jabuti lá, a gente chama jabuti, né? Colocou lá o Fundo Constitucional. Eu, quando fui deputado federal, Na CCJ, por exemplo, eles queriam derrubar de tudo quanto é jeito o fundo. Gente, nós só temos 8 deputados federais aqui e 3 senadores. Todos os outros querem acabar com esse fundo.

Olha, a votação desse PL 235, por exemplo, a lei complementar, desculpe, teve um problema porque nós temos 3 senadores aqui, 2 votaram a favor do fundo, Uma votou contra o fundo, mas votou contra o fundo, votou com o governo, e dois votaram a favor do fundo. Eu não sei como que parlamentar do Distrito Federal deixa mexer no fundo. Por isso, preste atenção que isso é muito sério. O Fundo Constitucional tem cerca de R$28 bilhões para nós hoje, que a segurança, a educação e a saúde depende.

E nós precisamos que aqui, a casa do presidente, eles querem dar porque que Brasília tem. Agora preste atenção o perigo que nós corremos, porque todos querem acabar com o fundo e nós só temos 8 e mais na Câmara e 3 no Senado. Tem que ter parlamentares com competência para o diálogo, com competência para chamar à mesa e dizer: não vão mexer aqui. E olha, e tenha competência de articulação na Câmara. Eu participei dessa discussão.

Se nós não tivermos articulação, quer mexer no Fundo Constitucional? Ok, nós vamos mexer aqui também, vamos mexer aqui também. Então tem que ter poder de articulação, ok? E repito, dos 3 senadores, 2 votaram a favor do fundo constitucional e uma senadora votou contra.

BCBruno Caraza

Candidato, o senhor se apresenta como político de centro-direita e contra a polarização. Nas últimas pesquisas, no entanto, as candidatas do campo bolsonarista e lulista aparecem liderando as pesquisas aqui no Distrito Federal. É também um pouco do retrato do que acontece no restante do país. Por que que o senhor acha que as pessoas não estão engajando com as candidaturas mais ao centro?

RFRonaldo Fonseca

Veja, eu sou, eu tô, quem me conhece sabe que eu sou de centro-direita, mas sempre dialoguei bem com a esquerda. Eu não sou um problema, eu sou, eu sempre disse que eu era um deputado de opinião. Todos os meus votos eu explico, explicava. Pode perguntar que eu sei por que que eu estou votando. E pesquisa tá aí, eu acho que pesquisa também é muito complicado no Brasil. Nós temos vários institutos de pesquisa, alguns que nem nome a gente sabe, vê uns negócio lá e tal, tal.

Eu acho que pesquisa tem que tomar um pouco de cuidado, nós temos que aguardar um pouco. Mas eu traduzo para você que o Brasil hoje ele se demonstra mais conservador. Por exemplo, Câmara e Senado nem se discute que é que são conservadores. Eu me filio a esse campo conservador também, só que eu não sou radical. O problema do Brasil hoje é essa radicalização que não respeita o pensamento do outro diferente e quer demonizá-lo. Eu não sou desse grupo, eu sou do grupo do centro-direita, eu tenho a minha posição.

Agora, nós vivemos numa democracia, essa radicalização não presta para ninguém, gente. É família brigando Família dentro de casa brigando, não pode tocar em política, e briga, parece um futebol, né? Aliás, o futebol tá mais leve, mas famílias brigando, amigos brigando por causa de política, gente. Eu, enquanto estive na Câmara, você não vai encontrar eu falando de coisas absurdas e xingando alguém e fazendo pessoas, humilhando pessoas.

Não, eu tenho a minha posição, sou de centro-direita, me filio exatamente a esse conservadorismo sem radicalismo.

ACAna Carolina Tomé

Bom, candidato, como pastor evangélico, né, e uma das lideranças expressivas da bancada religiosa no Congresso, o senhor frequentemente defendeu pautas morais no Legislativo. Agora, como equilibrar essa representatividade dos seus valores religiosos com a garantia de laicidade do Estado em um Distrito Federal que tem uma população privada, população diversificada, plural, né, com diferentes crenças, modos de vida?

RFRonaldo Fonseca

Sim, o Brasil não é um Talibã, e eu também não tô me candidatando a ser pastor do Senado. Eu tô me candidatando a ser senador, e o meu nome político não é nem pastor. Eu, inclusive, vocês escreveram direitinho ali, Ronaldo Fonseca. Escreveram direitinho. Eu não sou, não estamos fazendo campanha de pastor Ronaldo Fonseca. Eu defendo o Estado laico, artigo 19 da Constituição, defendo o Estado laico. Agora, o Brasil tem uma cultura judaico-cristã na sua maioria.

Eu creio que mais de 80% da cultura judaico-cristã. Eu sou cristão e todo mundo sabe que eu defendo pautas conservadoras, por exemplo, contra o aborto. Eu defendo. Agora, eu gosto do debate, do contraditório. Vamos para o debate. Democracia é isso. Então não há conflito nisso. Agora, o Estado é laico e eu vou defender sempre o Estado laico. Agora, o cidadão, a cidadã tem fé, é católico, é espírita, tem fé. Então o Estado é laico.

Agora, eu não vou dizer que não está o Estado, por exemplo, na Constituição Brasileira, o Estado não pode financiar culto. Corretamente, absolutamente correto, e eu defendo exatamente isso.

BCBruno Caraza

Candidato, a gente tem 2 minutinhos para as considerações finais, já agradecendo a participação hoje aqui conosco.

RFRonaldo Fonseca

Já Já estão tão bom para entrevistar que a gente fica, perde até o tempo aqui. Bom, meu amigo Bruno e Mariana, e você que tá nos ouvindo agora e também nos assistindo, Rádio Hoje ficou híbrido, né? Eu quero dizer que o meu nome é Ronaldo Fonseca, eu sou advogado de profissão, sou pastor evangélico há mais de 35 anos, fui deputado federal por 2 mandatos, tive a oportunidade de ser ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência com o presidente Temer.

Estou candidato ao Senado propondo principalmente uma reforma do STF já. Eu tenho experiência e sei como fazê-lo. Eu estou apostando na minha experiência, estou apostando que eu, experiente por ter passado dos dois lados, eu consigo colocar as minhas propostas para serem votadas ali, inclusive na saúde. Eu quero trazer recursos, já trouxe quando deputado federal, mas no Senado traz muito mais recurso para cuidar da saúde pública que infelizmente está na UTI. Meu número, meu número é 555.

BCBruno Caraza

Tem mais um minutinho, tem mais um minutinho.

RFRonaldo Fonseca

Que bom. Veja, eu tô dizendo aqui de minha proposta para saúde, proposta para saúde. Vocês sabiam que o Detran tem helicóptero? O Corpo de Bombeiros tem helicóptero, ok? Vamos comprar mais para o Corpo de Bombeiros, principalmente. Vocês sabiam que a Secretaria de Saúde não tem um helicóptero para socorrer as pessoas mais rápido? Não tem, tem que emprestar do Corpo de Bombeiros. Eu quero trazer helicóptero aqui para, para a saúde pública do Distrito Federal.

Eu tenho um projeto de lei que eu quero resgatar também. Vai falando aí para mim. Tem um projeto de lei que eu quero resgatar, que é: se o Estado não der exame clínico em 30 dias, tem que mandar o paciente para a rede privada. E eu vou incluir aí inclusive cirurgia. Nós temos quase 40 mil pessoas na fila de cirurgia.

BCBruno Caraza

Candidato, muito obrigado pela participação. Até uma próxima oportunidade.

RFRonaldo Fonseca

Eu que agradeço, muito obrigado.

BCBruno Caraza

11 horas, Repórter CBN tá chegando na sequência. Daqui a pouquinho a gente volta.

RFRonaldo Fonseca

CBN Eleições 2026.

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