Expectativa é de embate de visões de mundo e de paz em discurso de Lula na ONU
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- Expectativas para o discurso de Lula na Assembleia Geral da ONUencontro com prefeito de Nova York·encontros bilaterais com líderes·substituição de Guterres na ONU
- Discurso de Lula na ONU focado em política doméstica e eleiçãodefesa da soberania·ataque ao tarifaço·diferenciação de Jair Bolsonaro
- Impacto eleitoral do discurso de Lula e o tarifaçoconquista de eleitores·críticas a Flávio Bolsonaro·efeito na inflação de alimentos
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Tudo é Política com Maria Cristina Fernandes.
Oi, Maria Cristina, boa tarde.
Boa tarde, Tati, Fernando. Boa tarde, ouvintes.
Bom, expectativas para o discurso de amanhã do presidente Lula na Assembleia Geral da ONU, em meio a rusgas— eu ia usar a palavra tretas, que pode ser também— com o governo dos Estados Unidos, de tarifaço a tentativas de interferências eleitorais, né?
Sim, Tati, vai ser Vai ser uma prova de fogo esse discurso. O presidente já está em Nova York, ele encontrou o prefeito da cidade hoje de manhã, trocaram camisas dos seus respectivos times de futebol. O Hamadani disse que o Lula era uma grande inspiração. Então ele já conseguiu ali, muito embora não tem exatamente um grande ganho eleitoral, porque o Mandarin é uma das revelações da esquerda, né? Mas enfim, foi um encontro a pedido do prefeito de Nova York.
Ele ainda vai ter alguns encontros bilaterais com o presidente do Uruguai, Yamandu Orsi, e com o presidente da França, Emmanuel Macron. Antes do discurso na terça-feira, ele ainda vai encontrar o secretário-geral das Nações Unidas, Antônio Guterres, que está de saída do cargo. Isso deve ser um dos temas da conversa, porque está em curso na ONU a substituição do Guterres. O Brasil apoiava a Michelle Bachelet, que foi presidente do Chile.
Hoje o Itamaraty soltou uma notinha em que o Brasil lamentava a saída do da baixa nível de disputa e reiterava a importância de uma mulher no cargo. A Secretaria-Geral da ONU nunca foi ocupada por uma mulher na história das Nações Unidas. Então isso deve ser tema do encontro com Guterres. Então essa pauta, como também pode ser assunto do Macron e com o Orsi. O Brasil ainda tá se vendo por onde vai, como é que se posiciona nessa disputa da ONU.
Então, se esses encontros bilaterais, essas conversas do Lula vão um pouco para o Brasil se posicionar nesse jogo lá no plenário, né, onde o Brasil abre tradicionalmente a Assembleia Geral e é seguido pelo país anfitrião, os Estados Unidos. A expectativa é que, ainda que haja um embate ali, divisões de mundo e de paz, o discurso realmente vai ser muito voltado para a política doméstica e para a conquista de voto, o que não significam exatamente objetivos conflitantes, né?
Ao se diferenciar do Trump na visão que tem de multilateralismo, aliás, o presidente soltou hoje um artigo, publicou hoje um artigo no Financial Times defendendo a sua visão de multilateralismo, ele já está também anunciando a sua plataforma de política externa. Agora, O ponto alto desse, do discurso dele, no que diz respeito a focar a eleição doméstica, é a defesa da soberania, né? E o ataque ao tarifácio e nessa relação, nessa afronta e na agressão ao livre comércio dos países.
Então Isso deve ser, isso continua a ser uma grande aposta da campanha, essa contestação, essa resistência do Brasil e esse discurso de defesa da soberania, ainda que isso já esteja em pauta há algum tempo aí, meio que tentando discutir aqui o impacto eleitoral desse discurso. Isso já Está em pauta a campanha e o próprio presidente tem sustentado aí uma linha de tentar explicar o que é que significa na vida do trabalhador, do brasileiro comum, a defesa da soberania.
Então, a ver se esse discurso, que é um palco, principal palco da diplomacia mundial, né, a Assembleia Geral das Nações Unidas, se esse palco que é a grande, digamos, é o grande momento de exposição internacional do Lula nessa reta final de campanha, se esse palco será suficiente para acrescentar a Lula o que ele já ganhou com esse discurso. Paradoxalmente, Tati, Fernando, eu queria chamar atenção de uma coisa que é um efeito colateral e é curioso.
O Lula Ele, o Tarifaço, de fato ele conseguiu ali conquistar uma parcela de eleitores que não concorda com a maneira como o seu adversário, senador Flávio Bolsonaro, se posiciona nesse tema. Em várias ocasiões o Flávio foi bastante, digamos assim, subserviente, ele e o irmão ex-deputado Eduardo Bolsonaro, ao que os americanos e as autoridades de comércio americano pretendem com o tarifaço e com essa sua política comercial. Mas ao fim e ao cabo, um grande problema dessa reta final de campanha para o Lula é o consumo das famílias, notadamente a inflação de alimentos.
E o tarifaço, quando você reduz as exportações de alguns produtos que têm nos Estados Unidos um mercado importante, Você faz sobrar esses produtos internamente e isso ajuda a conter a inflação de alimentos. Então não deixa de ser um efeito colateral curioso nessa coisa toda. Mas o fato é que a grande aposta do presidente vai ser na, ao ressaltar a o seu ataque ao tarifação, em traçar a diferença entre ele e o seu principal adversário, Jair Bolsonaro.
Muito bem. Maria Cristina Fernandes conosco diariamente em Tudo É Política. Amanhã, a conferir o discurso do presidente Lula, os recados e os impactos dele no pós. Obrigada, Maria Cristina. Um beijo, até amanhã.
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