Bloquear imprensa na Casa Branca é ‘essencialmente contrário à própria democracia americana’
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Carol
Eduardo Graça
- Banimento de jornalistas da Casa Branca por Donald TrumpTrump proíbe entrada de repórteres·ação contrária à democracia americana·violação da Primeira Emenda·apoio de emissoras conservadoras à CNN
- Expectativas para os discursos de Lula e Trump na Assembleia Geral da ONUTrump enfraquecido internamente e externamente·novo multilateralismo em ascensão·Lula defende soberania e multilateralismo·Trump tenta promover seu governo
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Quem já está com a gente é Eduardo Graça, repórter especial do Jornal Globo, comentarista de assuntos internacionais da CBN. Tudo bem, Edu? Boa noite.
Boa noite, Débora. Oi, Carol. Boa noite a todos.
Oi, Edu. Boa noite, Edu. Mais uma trampice nessa história do banimento da Casa Branca de emissoras de TV, CNN, também tem um site político. Quais as consequências disso, hein, Edu?
Pois é, Débora, o que o Donald Trump fez nesse fim de semana foi algo que a gente se acostumou a ver de fato, mas em autocracias, em ditaduras, em repúblicas de banana. Proibir a entrada de repórter, de emissoras e de um site na Casa Branca porque ele não considera que a cobertura deles é boa, justa o suficiente para o governo, é algo que inclusive é essencialmente contrário à própria democracia. Americana. E ele fez esse anúncio há 43 dias das eleições de meio de mandato lá nos Estados Unidos, que a gente sempre fala aqui quando o Congresso tá em jogo, e com os republicanos bem atrás nas pesquisas.
Um dos aspectos dessa decisão drástica é aposta de que a base trumpista vai se irritar com essas emissoras e vai sair de casa e votar. Mas é uma aposta muito fraca, e ela viola a Primeira Emenda da Constituição americana, que protege a liberdade de expressão e de imprensa. Foi bem interessante quebra o apoio que outras emissoras de TV, inclusive conservadoras como a Fox, deram às suas concorrentes e que se juntaram e disseram que não vão fazer o pool de cobertura da Casa Branca enquanto a CNN e a MSNBC, que é a antiga MSNBC, não tiverem seu acesso restabelecido. Ou seja, essa estratégia do Trump eu acho que pode ser mais um tiro no pé.
Oi, Edu, o que que a gente pode esperar da Assembleia Geral da ONU, né? O presidente Lula abre tradicionalmente, é sempre o presidente do Brasil, os discursos de alto nível começam amanhã e logo depois do Lula vem o Trump, o próprio, né?
Olha, essa assembleia vai ser a primeira com Trump 2.0, bem enfraquecido, tanto internamente, né, ele tá com recorde de impopularidade, quanto externamente por conta do atoleiro da guerra no Irã. Então mesmo sem a presença da China, a gente, enfim, do líder da China, né, claro que a China vai estar presente, isso vai se refletir em novas articulações e nesse novo multilateralismo que tá nascendo, do que o meu entrevistado de ontem no Globo sobre o tema, o cientista político Pedro Abramovay, sintetizou como ressaca do Trump 2.0.
A gente já vê isso, por exemplo, nos movimentos de aproximação do Canadá com a União Europeia em detrimento dos Estados Unidos, nas sanções de países europeus importantes como a França, o Reino Unido e do próprio Canadá a Israel por conta de Gaza. O presidente Lula já tá lá em Nova York onde ele teve conversas hoje com o presidente do Uruguai, o Yamandu Assi, e com o prefeito de Nova York, o Zoraim Mandane. E ele fala mais tarde com o senador Bernie Sanders do Vermont.
Interessante que esses dois últimos nomes são nomes da esquerda, e assim, nomes muito fortes de símbolo anti-Trump. Ou seja, o discurso do Lula amanhã deve girar em torno da defesa da soberania do Brasil e do multilateralismo como um contraponto ao Trump, com um olhar muito mais para os eleitores aqui da pesquisa que a gente vai esmiuçar daqui a pouco mais do que diariamente para fora. O Trump vai tentar bater o bumbo para o seu governo, vai falar da Venezuela, do acordo militar na Groenlândia como avanços, embora em nenhum desses casos isso seja um consenso.
E a gente vai estar atento, Carol, claro, para ver se vai ter algum outro esbarrão do Lula com o Trump entre um discurso e o outro, e se a química novamente vai acontecer entre os dois.
Valeu, Edu, beijo, até segunda-feira que vem.
Até segunda, obrigado. Boa noite.
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