Abin alerta governo sobre perigo de interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras
Learn more about your ad choices. Visit megaphone.fm/adchoices
Bianca Santos
Bernardo Melo Franco
Mariana Machado
- Relatório da ABIN alerta sobre interferência dos EUA nas eleições brasileirascriticidade da interferência·relatório enviado à Presidência, TSE e Ministério da Justiça·informações reveladas pela Mônica Bergamo e confirmadas pelo Globo
- Objetivo de Donald Trump em reduzir influência de potências rivais na América Latinanegar acesso a ativos estratégicos·riquezas naturais e infraestruturas na região·Trump receia relações do Brasil com China e Europa
- Brasil como alvo de retaliações por autonomia estratégicasanções a brasileiros e empresas·supostos vínculos com lavagem de dinheiro do PCC·interferência gradual, combinada e adaptativa
- Pressão indevida dos EUA nas eleições da América do Sulprojeto de poder na região·relação com China e Europa·repercussão na decisão sobre o voto
- Atuação de Marco Rubio e a política externa latino-americanacomponente ideológico·influenciar e reorientar a política externa·Lula pretende se reunir com Trump
— Anúncios inseridos dinamicamente —
A Mariana Machado tá aqui com a gente ao vivo para falar de um relatório da Agência Brasileira de Inteligência sobre a interferência dos Estados Unidos nas eleições aqui do Brasil. Quais que são as novidades, Mariana? Boa tarde para você.
Oi, Leandro, boa tarde para você, para os nossos ouvintes. Olha, a possibilidade de interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras alcançou um nível de criticidade. É o que aponta um relatório reservado da ABIN enviado à Presidência da República, ao TSE e Ministério da Justiça no fim de agosto. As informações foram reveladas pela colunista Mônica Bergamo, da Folha de São Paulo, e confirmadas pelo Globo, e dão conta de uma tendência de escalada de pressão sobre o Brasil.
O documento alerta ainda para uma intensificação seletiva e reconfiguração da pressão exercida pelos Estados Unidos sobre o país. Segundo a ABIN, o presidente Donald Trump tem por objetivo reduzir a influência de potências rivais dos Estados Unidos na América Latina, negando a elas o acesso a ativos estratégicos, riquezas naturais e infraestruturas na região. Na avaliação do analista político Melito Diniz, Trump receia as relações do Brasil com China e Europa.
Não é de hoje que o governo norte-americano sob Trump tem tentado intervir nas eleições de toda a América do Sul, de toda a América Latina. Isso decorre de um projeto de poder que se estabelece dentro dessa região, mas também em relação a outros atores da geopolítica, como a China e como a Europa. De todo modo, essa pressão é indevida, é incorreta, e acaba por gerar, se é bem avaliada por todos os que estão diante do cenário de pretensão eleitoral, a repercussão em função disso na decisão sobre o voto.
Para a ABIN, o Brasil seria de destaque nesse contexto por ter um governo com maior disposição política e meios de defender a autonomia estratégica ante pressões norte-americanas. Por isso, teria virado alvo de retaliações. A agência cita, por exemplo, sanções dadas a brasileiros e empresas com sede no Brasil por supostos vínculos com redes de lavagem de dinheiro associadas ao PCC. E avalia que a interferência dos Estados Unidos ocorre de modo gradual, combinado e adaptativo.
Marco Rubio, secretário de Estado dos Estados Unidos, é citado no documento. A atuação dele é considerada como um componente ideológico que busca influenciar e reorientar a política externa dos países da América Latina. Até o momento, o governo não se posicionou oficialmente sobre o relatório da ABIN, mas na última quarta-feira, durante evento em Ceilândia, no Distrito Federal, O presidente Lula chegou a afirmar que pretende se reunir com Trump durante a Assembleia Geral das Nações Unidas que acontece em Nova York na próxima semana para pedir que o presidente dos Estados Unidos não interfira nas eleições brasileiras. Leandro.
— Anúncios inseridos dinamicamente —