Episódios de Política

Celina Leão participa de sabatina sobre o governo do DF

18 de setembro de 20261h28min
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Candidata do PP é a última entrevistada da série promovida pela CBN e pelos jornais O Globo e Valor.

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Participantes neste episódio4
B

Bernardo Melo Franco

HostJornalista
C

Celina Leão

EntrevistadoGovernadora do DF
F

Fábio Granner

ComentaristaColunista do jornal Globo
I

Isadora Peron

ComentaristaCoordenadora de política do Valor
Assuntos8
  • Conflito entre Celina Leão e Lula sobre o BRBacusações de Lula contra Celina·resposta de Celina a Lula·ação formal contra Lula·crime contra sistema financeiro
  • Situação financeira e balanço do BRBcobrança pelo balanço do BRB·decisão de não publicar balanço·impacto da fala de Lula no BRB·alternativas para salvar o banco
  • Envolvimento de Celina Leão e seu vice com o Banco Masterresponsabilidade pelo rombo do BRB·Gustavo Rocha e negociações do Master·acusação de Daniel Vorcaro·falta de conhecimento sobre ilegalidades
  • Proposta de tarifa zero no transporte público do DFviabilidade da tarifa zero·subsídios e reequilíbrio econômico·faseamento da implementação·impacto no comércio local
  • Acusações de irregularidades e Operação Dracoinvestigação de pagamento de propinas·afastamento da Câmara Legislativa·absolvição na esfera criminal·ação de improbidade administrativa
  • Expansão e melhoria do metrô e transporte no DFlicitação de novos trens·estudos de viabilidade técnica·novas linhas e modais·financiamento e prazos de entrega
  • Gestão da saúde e educação no Distrito Federalpromessa de novos hospitais·contratação de cirurgias e consultas·melhoria do IDEB·reforço das UBS
  • Política para moradores de rua e internação involuntáriacríticas à internação involuntária·desmobilização de acampamentos·protocolo humanizado involuntário·acolhimento e tratamento de dependentes
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CLCelina Leão

CBN Eleições 2026.

BMBernardo Melo Franco

Olá, seja muito bem-vindo, seja muito bem-vinda para mais uma rodada da nossa série de sabatinas com os candidatos ao governo do Distrito Federal, promovida pela CBN, Jornais O Globo e Valor Econômico. Eu sou Bruno Melo e participam comigo aqui na bancada de entrevistadores os meus colegas, Fábio Granner, colunista do jornal Globo, e Isadora Peron, coordenadora de política do Valor. Você pode nos acompanhar ao vivo aqui pela CBN e também em vídeo no YouTube e nas nossas plataformas digitais.

Foram convidados para as sabatinas os 4 candidatos mais bem colocados na última pesquisa Quest, divulgada no dia 8 de setembro. A ordem das entrevistas foi definida por sorteio feito na presença das assessorias dos candidatos. E hoje, encerrando a nossa série de entrevistas, recebemos aqui no estúdio a candidata Celina Leão, do PP. Celina é administradora e bacharel em Direito, começou a trajetória política como secretária da Juventude na gestão do ex-governador Roriz, foi eleita deputada distrital em 2010, reeleita em 2014, Presidiu a Câmara Legislativa entre 2015 e 2016.

Em 2018 foi eleita deputada federal, se licenciou do mandato para assumir a Secretaria de Esportes na primeira gestão de Ibanez Rocha. Em 2022 foi eleita como vice-governadora na chapa de Ibanez. Desde março deste ano, Celina ocupa a cadeira de governadora do Distrito Federal. Governadora, seja bem-vinda, muito obrigado pela participação.

CLCelina Leão

Bom dia, Bruno. Bom dia, Isadora. Bom dia, Fábio. Inicialmente, eu quero agradecer aqui, né, a todos os ouvintes essa oportunidade de assistir mais uma sabatina, e agradecer também porque estava marcado para segunda-feira. Eu tive um problema familiar com minha mãe, que já, graças a Deus, ontem foi para casa, e a gente tá podendo, né, falar na data de hoje. Muito obrigado.

BMBernardo Melo Franco

Só ressaltando, é, a gente teve a remarcação para hoje, concordância das demais campanhas.

CLCelina Leão

Eu agradeço as demais campanhas.

BMBernardo Melo Franco

Bem, governadora, A primeira pergunta é sobre essa troca de farpas entre a senhora e o presidente Lula nos últimos dias. Num comício em Ceilândia, o presidente Lula disse que a senhora, de forma cínica e mentirosa, tenta jogar para o governo federal a responsabilidade para cobrir o rombo do BRB. A senhora rebateu dizendo que Lula usa o BRB como arma eleitoral. A senhora pretende tomar mais alguma medida formal ou entrar com alguma ação na justiça contra o presidente Lula?

CLCelina Leão

Ontem, primeiro assim, eu quero lamentar a fala do presidente Lula. Eu acho que um governador deve ser respeitado, principalmente uma governadora mulher. Se você pegar minhas redes sociais, em nenhum momento eu desrespeito o presidente, mesmo tendo aí uma posição política ideológica totalmente diferente da dele. Então acho que ele foi desrespeitoso no trato pessoal comigo. Eu não dou direito para, né, para que ele faça isso. Eu trabalhei a minha vida inteira para que as mulheres fossem respeitadas na política.

Então pode fazer a crítica, mas não é pessoal. Segundo, eu acho que o presidente Lula se esqueceu que ele é presidente do Brasil, ele é presidente de uma nação, e ele esqueceu também dos seus princípios de defender um banco que é público, um banco que hoje eu estou como governadora, mas Ele é da população do Distrito Federal, ele não é do Partido A, ele não é do Partido B, ele não é do Partido C. E algo que me preocupa bastante assim é que nós estamos com uma ACO aberta no Supremo.

Eu entrei com um pedido de aval no Supremo à União. Aval, para traduzir aqui para quem tá nos ouvindo, é uma carta de fiança, porque quem tem que pagar esse empréstimo é o próprio BRB. E a União me faz uma contraproposta através da AGU, falando: olha, o aval eu não quero te dar, mas eu vou organizar um sindicato de bancos para te dar o aval, o aval do sindicato de bancos. E o presidente da República chega na Ceilândia com uma fala absurda, falando que ele não vai dar nenhum recurso ao BRB.

Vocês são jornalistas, vocês conhecem de mercado financeiro, vocês sabem o que que significa quando um presidente da República faz uma frase como essa. Ele comete um crime contra o sistema financeiro, ele comete um crime contra o BRB, ele ataca uma instituição. Ele pode brigar comigo politicamente, pode falar para não votar em mim, pode fazer campanha para o candidato dele, mas ele não pode, com uma ACO aberta, falar que ele não vai ter uma ação.

BMBernardo Melo Franco

Agora, cabe algum tipo de ação formal?

CLCelina Leão

Cabe uma ação formal. Nós estamos protocolando uma ação na comissão de, na CVM, né, porque é crime contra o sistema financeiro, Comissão de Valores Mobiliários.

FGFábio Granner

Mas qual é o crime?

CLCelina Leão

O crime, nós estamos com uma ACO aberta com um banco que está em recuperação e ele age no descrédito deste banco, porque isso é crise de liquidez. Isso, você, as pessoas que estão ainda investindo no BRB e confiam no nosso trabalho, e hoje a gente, graças a Deus também, hoje a gente tá fazendo um um trato com os Emirados Árabes para que a gente possa fazer uma segunda. Nós temos outras alternativas para isso. Mas quando o presidente da República mexe, fala, ele mexe na liquidez.

E ele fala o contrário do que a AGU tá falando. A AGU fala o seguinte: olha, nós vamos fazer um sindicato de bancos para ajudar a recuperar, pegar um empréstimo. Ele fala: não, nós não vamos fazer. É um crime.

FGFábio Granner

Entendeu que o presidente falou que não que não colocaria dinheiro da União no banco. Fez críticas duras, mas disse que não colocaria porque o banco foi roubado aqui no Distrito Federal.

CLCelina Leão

Esse é o seu entendimento. O entendimento do investidor que tá lá na ponta, que quando você comete um crime contra o sistema financeiro, é o seguinte: governo federal disse que não vai apoiar o BRB e aquele acordo que tá para sair não vai sair.

FGFábio Granner

Mas o acordo, candidato, me permita dizer, o acordo foi Os bancos, o sindicato de bancos daria o empréstimo e alguns bancos dariam aval a esse empréstimo. Os próprios bancos dariam, uma parte dos bancos dariam aval a esse empréstimo. A parte da União foi flexibilizar as regras fiscais para permitir que o GDF tomasse esse empréstimo. Isso foi feito. Olha só, o acordo, tem um acordo no Supremo, tem o texto do acordo, tô com ele aqui.

Então o acordo foi esse, a parte da União era flexibilizar a regra E o sindicato dos bancos, aí o governo federal não pode obrigar um banco privado a dar um empréstimo para o governo do Distrito Federal.

CLCelina Leão

Concordo com você, mas o governo federal tem dois bancos, que é a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil, do qual ele é acionista. Se ele realmente quisesse fazer o sindicato de bancos, ele faria com os dois bancos, ele não precisaria de nenhum banco privado. Isso significaria o impacto dentro do balanço desses dois bancos de R$80 milhões por ano. Significaria nada. Se ele realmente quisesse fazer, ele faria com os dois bancos que são bancos dele.

Ele não pode obrigar os bancos privados, mas quando ele me faz uma contraproposta de um banco público, ele sendo acionista, ele que a cartada final é dele. Por exemplo, a Caixa não pode nos acudir porque não tem o comando para nos acudir. O Banco do Brasil não pode nos acudir porque não tem o comando para nos acudir. Ninguém colocou a primeira carta, nem os bancos públicos. E eles têm nos enrolado fazem 6 meses. Foi por isso que nós entramos com pedido falando o seguinte: olha, eles não entraram com a carta.

Digamos que eles falam o seguinte: eu vou entrar só com percentual meu, vou entrar com R$1 bilhão a Caixa e R$1 bilhão Banco do Brasil. Nem isso eles fizeram.

IPIsadora Peron

Governadora, a gente ouviu aqui durante a semana os seus adversários, né, os candidatos ao governo, e uma cobrança comum foi pelo balanço do BRB. A gente tinha a primeira previsão março, nós já estamos em setembro. E o argumento que a gente ouviu aqui deles foi que a senhora não quer apresentar o balanço porque isso seria ruim, mostraria que as contas estão muito pior do que a gente sabe, que o rombo seria muito pior do que a gente já sabe, e isso levaria ou a liquidação do banco ou a uma privatização.

E a senhora não quer fazer isso no momento, né, antes da eleição. Como é que a senhora responde a essa crítica e por que o balanço não foi ainda apresentado? E quando esse balanço vai vir, vai ser apresentado?

CLCelina Leão

Os meus adversários, eles nos atacam porque eles não têm proposta para salvar o BRB. Nenhum deles conseguiu até agora formular uma proposta séria. O Leandro Graiss tivesse amor por Brasília, ele teria pedido ao Lula ajuda no aval. Ou ele teria pedido ao Lula para deixar os dois bancos públicos nos ajudar no aval.

BMBernardo Melo Franco

O argumento do governador aqui, desculpa interrompê-la, é de que sem o balanço seria impossível apresentar umas propostas.

CLCelina Leão

Não, eu vou explicar sobre isso. O nosso balanço, ele não tá ligado a um calendário político, ele é um calendário técnico financeiro. Por que que eu estou esperando é para publicar o balanço? Porque eu quero fazer o acordo financeiro. Quando eu faço o acordo do empréstimo, eu publico um balanço melhor, mais saudável para o meu banco. Isso é óbvio. Eu pago multas de não publicar o balanço. Eu não tô publicando o balanço não é porque eu não quero, é porque para o BRB, para o banco economicamente, para salvar o banco, é melhor publicar depois do empréstimo, que pode sair a qualquer momento.

Que se o governo federal não estivesse tão, tão longe de nos ajudar para que isso acontecesse.

IPIsadora Peron

Mas então o balanço tá pronto e é uma decisão da senhora não publicar?

CLCelina Leão

Não, uma decisão do banco não publicar. Eu não tenho gerência sobre o banco, eu sou acionista majoritária. O banco tem decisões autônomas em cima de características técnicas. O banco não publicou porque eles não estão ligados a calendário eleitoral, eles estão ligados ao empréstimo que nós estamos adquirindo.

IPIsadora Peron

Depois, não seria melhor para todo mundo, inclusive para o banco, a gente saber o que que tá acontecendo?

CLCelina Leão

Mas se sabe o que que tá acontecendo, nós temos um business plan que nós subimos inclusive para o FGC, tá lá detalhado de valores, a previsão para você, para a gente buscar inclusive esse sindicato de bancos, o aval do sindicato de bancos. Nós subimos exatamente aquilo que se chamaria de balanço patrimonial, um business plan que está Inclusive foi entregue ao FGC. Então não tem nada escondido desses recursos. Agora, tem algo que nos preocupa muito, que nós temos uma ação com o ministro André nesse sentido.

Dos R$21 bilhões que foram comprados pelo BRB de ativos do Master, até agora nós temos como certificados produtos que são, né, que não tem realmente nenhuma validade, R$3 bilhões. Os outros ativos ainda, ainda tem fluxos correndo em outros bancos. Eu vou te dar um exemplo: a Credsexta. Só o Credsexta vale R$9 bilhões. Esse fluxo financeiro é nosso, tá correndo em outro banco, entendeu? Então assim, eu não consigo hoje, tá na massa de liquidação do Master, né?

Então tem um pedaço que tá lá, por exemplo, fundos do INSS. Ninguém tem dúvida que um fundo— nós temos esse fundo também nessa massa do Master, são R$3 bilhões. Ninguém tem dúvida que fundo do INSS é um fundo verídico, ele não é um fundo podre. Mas o INSS entrou, pediu para segurar isso. Então assim, o que que acontece? O BRB, desde o momento da liquidação do Master, ele paga um duplo prejuízo, porque ele não tem esses fluxos que são positivos do Master correndo com ele, e ele tem que contabilizar o negativo.

FGFábio Granner

Mas esse fluxo, a senhora tem razão nisso, mas assim, esse fluxo é fruto da liquidação do Master, que a gente sabe os diversos motivos, né, de irregularidades que levaram à crise de liquidez.

CLCelina Leão

Mas eles já eram nossos.

FGFábio Granner

Eu sei, mas aí é um processo de liquidação, tem um monte de gente esperando receber também recursos do Master de outra natureza, né?

CLCelina Leão

Mas aí houve um produto de— houve outro crime que foi identificado quando nós colocamos a auditoria. Qual foi o crime que foi identificado? Por que que eu comprei esse ativo e esse ativo não corria no meu banco? Por que que ele corria em outro banco?

FGFábio Granner

Mas esse é um problema do banco, do BRB à época.

CLCelina Leão

Exatamente isso.

FGFábio Granner

Eu pergunto para a senhora, faço a pergunta que a senhora fez para a senhora: por que que não corria esse recurso no banco? Qual foi o problema de administração que teve?

CLCelina Leão

É crime, é crime. Isso foi um crime. Inclusive nós denunciamos isso com auditoria que nós fizemos. Quem denunciou isso não foi ninguém, não foi imprensa, fomos nós. Nós fizemos auditoria e identificamos que era nosso e estava correndo em outro banco, que na época da liquidação estava correndo erroneamente em outro banco, e que esse produto deveria ser devolvido para nós. Isso tudo tá judicializado. Então assim, sobre o balanço, nós temos uma petição inclusive que tá com, no Supremo, falando o seguinte: aquilo que a gente já tem certeza que que é, que foi realmente prejuízo, tem que estar contabilizado.

Mas por que que tem alguns bancos lucrando com esses ativos que são do Master e não se devolve isso para BRB?

FGFábio Granner

Mas que bancos estão lucrando? Porque até onde eu sei, o dinheiro tá indo para massa do Master e fica com liquidez. Quem que tá lucrando?

CLCelina Leão

Não, tem vários bancos. Credicex aí tem vários. O Credicex são R$9 bilhões, fluxo de R$2 bilhões por mês. Vários bancos.

BMBernardo Melo Franco

Governadora, a senhora coloca a responsabilidade desse rombo do BRB no que seria gestão passada do GDF, né? Como se a senhora não tivesse feito parte também do governo Ibanez. Aliás, a senhora escolheu como vice o ex-secretário da Casa Civil, que era braço direito do ex-governador Ibanez Rocha, que é o Gustavo Rocha. E como a população pode acreditar que nem a senhora e nem o seu vice sabiam de nada dessas negociações do Master com o BRB, sendo que o próprio Gustavo esteve mais de uma vez na Câmara Legislativa negociando e defendendo o projeto do GDF de compra do Master pelo BRB, e parlamentares do partido da senhora votaram a favor desse projeto?

CLCelina Leão

Eu acredito que a época quando o governador falava nessa compra do Master, ele falava que seria um um importante ativo para o DF. Mas isso nunca me convenceu. A minha primeira resposta sobre isso foi para o jornal O Globo, que eu falei que se eu fosse, se eu virasse governadora, podia inclusive rever o negócio. Eu tinha um problema pessoal com Paulo Henrique. O Paulo Henrique, por várias vezes publicamente eu falei que ele não estaria no meu governo.

Eu achava ele longe da realidade do Distrito Federal, eu achava que ele tinha um status Ele achava que ele era banqueiro em vez de ser bancário. Essa percepção que eu tinha do Paulo Henrique. E como vice você tem limitações, você tem limitações de você não tem poder de decisão, você não precisa de consultar o seu vice para você fazer nada. Eu nunca vi governador ou presidente da República consultando o vice para saber se ele queria. E várias matérias comprovam que eu era contrária a isso.

BMBernardo Melo Franco

Agora, o seu vice, o seu atual vice na chapa, ele por ser muito próximo ao governador Ibanez, ele tinha noção de todo esse cenário. Inclusive, a época da votação do projeto já havia farta publicação na imprensa das dificuldades do Banco Master, e mesmo assim houve aquela insistência para aprovação daquele projeto, e ele participou das articulações. E ainda assim a senhora o escolheu como vice.

CLCelina Leão

Olha só, é, primeiro que o Gustavo cumpriu um papel institucional como secretário da Casa Civil. E era um papel institucional. A escolha do Gustavo foi uma escolha do Republicanos, que é um partido importante para nossa coligação. Republicanos hoje tem 2 deputados federais, uma senadora. É um partido que poderia inclusive lançar uma candidatura majoritária, né? E eu acredito que o Gustavo tinha uma percepção que não havia nada de errado a gente fazer relações.

Eu acho que o Brasil inteiro Inclusive, todos nós só ficamos sabendo que havia uma compra de ativos no dia que o Paulo Henrique foi afastado. Porque vamos lá, vamos, vamos pensar um pouco com profundidade. Essa crise do Master é uma crise tão grande que ela afeta 2 diretores do Banco Central que participavam da situação, atores do Judiciário, afeta senadores, governadores. Então assim, ela é uma crise institucional, que é você, quando você tá em uma situação que você não tem informação, né? Então assim, a gente realmente não tinha informação sobre isso.

IPIsadora Peron

Não, é, a senhora tem dito que não sabia, que só soube quando todo mundo soube do que tava acontecendo. Mas como é que a senhora vê a participação então do ex-governador Ibanez nesse caso? Porque a senhora era vice e disse não saber, mas alguém tinha que saber o que tava acontecendo.

CLCelina Leão

Eu acredito que o governador tinha conhecimento sobre a operação. Claro, ele fazia defesas públicas da operação, ele falava que era importante para Brasília, ele deu várias declarações sobre isso, e eu discordava dessa posição dele. Eu fui frontalmente contrária à posição dele.

FGFábio Granner

Por que que a senhora não rompeu com com o governador por causa disso?

CLCelina Leão

Porque eu não tinha nenhuma informação que tinha ilegalidade. Eu não sabia de nenhuma ilegalidade. Se eu soubesse de alguma ilegalidade, eu teria até que ter te denunciado.

FGFábio Granner

Candidata, voltando aqui na questão do Gustavo Rocha, do seu vice, essa semana saiu uma notícia de que o advogado dele recebeu recursos do Daniel Boccaro e administrava o escritório dele aqui no DF. Saíram mensagens da Polícia Federal, apreendidas pela Polícia Federal, do Daniel Vorcaro dizendo que a senhora sabia sim do acordo. Daniel Vorcaro mentiu nessas mensagens. Como a senhora responde a essas informações, tanto do seu vice como do relativo à senhora mesma?

CLCelina Leão

Olha só, é sobre negócios de advocacia privados do sócio do meu vice. Isso eu não tenho como responder. Eu acho que você teria que perguntar para ele, para o meu vice ou para o sócio. Não tem a mínima condição de responder sobre isso porque não tem acesso a essas informações. Segunda coisa, se você olhar aquele relato do Vorcaro, aquele relato do Vorcaro ele foi tirado de contexto porque ele é um relato forte. Eles estão discutindo sobre uma matéria minha que saiu no Globo, 6 meses, aquela discussão era 6 meses antes de qualquer tipo de denúncia.

A matéria que saiu no Globo era governadora é contrária limão no GDF e diz que vai rever se for governadora.

BMBernardo Melo Franco

Aí o diálogo, né, com o empresário Thiago Miranda. Thiago diz, né, abre aspas: a Celina eu conheço muito bem, ela agora está querendo aparecer porque ficou de fora da negociação. E aí o Borracharo contesta e responde: não ficou de fora não, isso não é jogo para— isso é jogo para se preservar na política. O que que ele tava querendo dizer com isso?

CLCelina Leão

Continua lendo os diálogos. Porque tem mais diálogos. Porque quando foi tirado de contexto assim, fica parecendo que eu tinha algum conhecimento.

BMBernardo Melo Franco

Mas ele quis dizer o quê com isso? Que a senhora sabia da negociação?

CLCelina Leão

Eu não sei se alguém falou que eu sabia de negociação, entendeu? Porque como é que, como é que eu sei de negociação? Eu participo de negociação e vou para imprensa falar contrário à negociação? O terceiro parágrafo que você não leu, que tá aí, Bruno, ele fala assim: a Celina quer desacreditar o Master. Nós temos que atacá-la. Ele tava reclamando de mim. Esse diálogo aí não tem um diálogo onde que ele fala que eu participei, que dia que eu participei, se eu tenho dinheiro, se eu recebi dinheiro, se eu pedi vantagem indevida.

IPIsadora Peron

Se eu tivesse assim, discussão política da operação não me preocupa, se for esse o novo foco. Problema, o problema é a descredibilização minha e do Master. Isso sim temos que atacar.

CLCelina Leão

Isso sim temos que atacar. Ou seja, o que ele tá conversando ali? Primeiro que ele tá conversando com influenciador que ataca as pessoas que são contrárias a ele. Eu não sei falar, fala de terceiros sobre a nossa atuação, ela não condiz com a verdade dos fatos, porque no dia a matéria era eu reclamando da compra, da possível compra do Master, sem ter informação nenhuma sobre isso, sem ter informação prévia. De nada eu era contrária, e eles estavam discutindo sobre isso.

O conhecimento que ele fala que eu tive, eu deixei de ter, não é verdadeiro, porque o sigilo dele foi quebrado. Se ele tivesse alguma, algum entendimento comigo, algum acordo comigo, quando saiu a matéria ele não podia ter me mandado uma mensagem igual ele mandava para ministro, para os amigos dele, para os deputados, falando: governadora, por que que a senhora tá reclamando?

BMBernardo Melo Franco

A senhora não teme que eventual depoimento em alguma outra ação prejudique a senhora?

CLCelina Leão

Não temo de jeito nenhum. Ele não tem o meu celular, eu nunca— não tenho celular dele, não tem uma mensagem minha trocada com ele. Um homem que se relaciona com todas, que foi recebido pelo presidente da República 3 vezes, que foi recebido por ministros.

IPIsadora Peron

A senhora nunca esteve com o Vôrcaro?

CLCelina Leão

Só em festas públicas.

FGFábio Granner

Candidato, não constrange a senhora que o seu vice tenha um sócio, administrador do escritório dele, recebido recurso do Volcário, tenha batalhado tanto por essa operação que causou dano? Essa, toda essa operação, não só a tentativa de compra como as compras de carteiras. Quando chega em agosto, quando ele vai à Assembleia Legislativa ao lado do Paulo Henrique, com quem a senhora disse que era brigado, e de fato as informações que eu tenho, de fato, que a senhora realmente não tinha uma relação com Paulo Henrique, mas o seu vice claramente tinha e foi defender a operação.

E naquele momento, a operação do BRB já era muito questionada, já era muito questionada, tanto a tentativa de compra como as informações de que havia compras de carteira em excesso. Já havia essas informações aí. Não constrange a senhora ter um vice tão envolvido com uma operação que causou tanto dano para o BRB?

CLCelina Leão

Olha, o que que acontece, eu acredito que o Gustavo com certeza tinha as informações limitadas quando você vai defender um projeto na Câmara, até mesmo pela história dele. Foi ministro, né, uma pessoa que não tem nenhum processo, ficha limpa e libado. Agora, eu acredito que ele não tinha conhecimento sobre o que tava por trás dessa situação do Master.

FGFábio Granner

Sobre isso, não é uma falha o chefe da Casa Civil não saber dos problemas no principal banco do Distrito Federal?

CLCelina Leão

Deixa eu te falar uma coisa, você acha mesmo que um cara que tem 200 mil atribuições sabe qual carteira presidente de banco compra? Você acha mesmo isso? Quando se trata de R$16 bilhões, talvez, talvez devesse saber, mas nem ele sabia, nem ele sabia. E no dia que aconteceu o fato, quando saiu o escândalo, ficaram tão perplexos também que, né, o próprio governador ibanês da época falou: eu não sabia disso. O próprio governador ibanês. Agora, eu não sei se é verdade, se é mentira, eu não sei.

FGFábio Granner

A senhora acha que não teve nenhuma influência política nem do governador nem do chefe da Casa Civil sobre Paulo Henrique Costa para fazer essas operações todas com máscara?

CLCelina Leão

Eu acredito que do Gustavo de forma alguma. Do governador Ibanez eu não posso falar, né? Eu não sei qual que foi ali, qual foi o diálogo dos dois e qual era o entendimento dos dois. Eu acredito que, eu acho que não achava que tinha crime, entendeu? Comprar, que tinham títulos podres, né? Então isso eu acredito que não.

IPIsadora Peron

Hoje, sabendo tudo que a gente sabe, e sabendo do seu papel no governo, a senhora era vice, né? Hoje é governadora, mas a senhora era vice. Não passa uma sensação de omissão, que a senhora se omitiu diante de algo tão grave que tava acontecendo?

CLCelina Leão

Como é que você omite de um crime que você não tem conhecimento? Me fala aí, como é que você omite de um crime que você não tem conhecimento? Eu vou te dar isso igual violência doméstica. Acontece dentro de casa, você não denunciar, como é que você vai saber?

IPIsadora Peron

Eu não sabia.

BMBernardo Melo Franco

Agora, a senhora já tinha desconfianças, poderia, por exemplo, não ter recomendado para que os deputados do PP que votaram a favor do projeto votasse em contra na Câmara Legislativa?

CLCelina Leão

Eu nunca intrometi na Câmara Legislativa.

BMBernardo Melo Franco

A senhora é presidente do partido aqui no Distrito Federal.

CLCelina Leão

Eu sou presidente do partido, mas nem como agora governadora. Eu não intrometo em votação de parlamentar. Cada um tem que votar ali de acordo com a sua consciência. Eu tenho 4 mandatos, eu já fui parlamentar. Entendeu?

IPIsadora Peron

Então assim, eu não concluí a minha pergunta. A parte, enfim, da omissão, que eu acho que é o que fica mais claro, mas como é que o eleitor vai saber que pode confiar na senhora num próximo mandato, é que isso não vai acontecer no seu governo? Que a senhora quer, porque você não vai poder vir E dizer assim, ah, eu não sabia, agora a senhora vai ter que saber.

CLCelina Leão

Olha só, primeiro que eu sei escolher as pessoas que trabalham comigo. O Paulo Henrique jamais seria um funcionário meu, jamais. O Paulo Henrique, ele era muito arrogante, ele tava muito longe das realidades nossas. Para você ter noção, eu tenho 4 mandatos aqui em Brasília, eu moro na mesma casa, eu tenho 25 anos de vida pública. Eu nunca fui condenado em nenhuma ação judicial. Eu tenho uma história política construída. A história do Ibanez é dele.

A minha história tem 5 meses que eu estou construindo. E o Ibanez construiu muita coisa boa, errou muito em deixar o Paulo Henrique lá, errou muito na parte econômica do governo dele, quando ele deixou também gente que eu acho que não tinha condição técnica de tocar o governo. Então eu acho que nesses 5 meses Eu mostrei quem eu sou primeiro, na primeira semana de governo. Banrisul estava brigando comigo, ou alguém esqueceu isso?

Porque você, quando você é vice, você tem um papel, um papel institucional, um papel limitado. A minha indicação política era da Secretaria da Mulher. Então assim, quando você se torna governadora, você tem um papel, uma missão. E acho que isso, de uma certa forma, foi até pensado que eu não teria. E eu fui, tive uma briga feia pública, foi uma briga pública que saiu. Eu falei, olha, sucessão nunca será submissão, porque nunca será mesmo.

Com 5 meses de governo, troquei a equipe econômica, tirei o governo do Distrito Federal do déficit. A gente tava com déficit de R$5 bilhões. Tem uma previsão agora para o final do ano da gente chegar com R$3.000 em caixa. Cortei gastos, ocupei o centro administrativo passando em cima de tudo aquilo que todo mundo falava: impossível ocupar, a reforma é bilionária, comprar os móveis são bilionários. Ocupei o centro administrativo.

FGFábio Granner

Candidato, falar no Central, tem uma série de problemas de inadimplência, dívida, E esse é um dos elementos que tá pesando nos bancos para não quererem dar, né, não quererem. Eu não vou citar os bancos aqui, mas tá pesando nos bancos que estão discutindo aí o empréstimo sobre o BRB. Então esse é um exemplo ali de o que garante que o GDF não vai ir na Dimpli e gerar esse, esse problema, transferir esse problema para os bancos, tanto públicos como privados.

E aí, diante desse risco que os bancos enxergam, por que que a senhora quer transferir esse risco para a União, já que os bancos privados estão falando isso e não querem fazer esse empréstimo?

CLCelina Leão

Não, primeiro você tá misturando coisas, são duas coisas totalmente diferentes. Não são. Olha, eu te falo uma coisa, não, não, não, são diferentes. Porque o que que acontece no caso? Vou te explicar porque que são diferentes, vou te explicar. Você tem hoje uma ação de operação de aval, cada um vai dar com garantias sólidas. FPI e FPM é uma garantia sólida, muito sólida. Então essa é uma operação X que vai dar inclusive um benefício financeiro para os bancos que me emprestarem.

Eles não vão emprestar de graça. É uma operação sólida, muito sólida. Inclusive, nós temos contra, nós temos inclusive contra garantias. Nós temos contras garantias sólidas. Não, além das contras garantias, nós temos terreno da Terra Cap, que foi aprovado naquele projeto. No caso da execução, eu não executo, então assim, a possibilidade de inadimplência é zero. É zero. Em 16 anos, um estado que não tem histórico de inadimplência. O que que aconteceu ali?

FGFábio Granner

Não fala muito bem do estado, né?

CLCelina Leão

É, mas nós vamos, nós vamos chegar o ano que vem com nota A, porque nós já, nós já mudamos o índice de gastos, já caímos para 82. Eu vou falar um pouquinho sobre isso. Quando nós chegamos, quando nós ocupamos o Centrade, o centro administrativo tinha várias ações judiciais. À época, quando o governo fez aquela operação, para agilizar aquela operação, ele tirou as contrasgarantias do Estado todinho, tirou tudo. Ficou entre a empresa que fez e nós demos o terreno, mas nós não demos nenhuma garantia nossa do Estado.

Eles fizeram, eles fizeram, construíram em cima daquele terreno sem nenhuma garantia. E eles perderam em todas as instâncias. Nós não temos que indenizar, nós não temos que pagar, não somos nem parte. Construíram em cima de terra pública, entendeu? Aí o que que eles queriam? Como eles perderam essas ações, eles não têm como executar o GDF, eles queriam o seguinte: um acordo para que a gente admitisse agora, depois de ter ganhado as ações, que há um prejuízo sim a eles.

Eu nem posso fazer isso. Se eu faço isso, eu crio uma improbidade para mim, porque você não pode consertar um problema criando outro, entendeu? Eu não posso, eu não posso pegar e falar: olha, esse direito aqui é meu, mas agora é seu. Porque eu não sou obrigada a pagar o banco. Quem está inadimplente com o banco é a construtora que fez o banco à época. O GDF saiu porque eles não pegaram aval, não pegaram nenhum, nenhuma carta de empréstimo, de fiança, de nada.

FGFábio Granner

E aí, o que que a imagem do GDF Ele explicou bem aqui o que tá acontecendo, mas tá afetando a imagem. Se não sair o empréstimo, se não, se o GDF não conseguir pegar esse empréstimo e fazer o aporte no BRB, qual é o plano B para salvar o banco?

CLCelina Leão

Nós temos vários planos B, mas você não fala em mercado financeiro em plano B antes de executar o A, porque você causa muito—

FGFábio Granner

o mercado não quer dar o dinheiro?

CLCelina Leão

Não, mas o mercado não quer dar o dinheiro pela situação política. Eu não tenho dúvida que passando eleição, ó, eu garanto para vocês aqui numa conversa muito franca, muito aberta, Passando a eleição, o BRB não terá mais problemas, porque a disputa do BRB agora é uma disputa política. Ela virou uma disputa política, uma disputa que envolve problemas graves, como os problemas de máster, entendeu? Mas assim, passando a eleição, até porque tem muito interesse também no BRB.

BMBernardo Melo Franco

Agora, a sensação que fica para boa parte da população é de que o BRB tá praticamente quebrado. E fica dependendo desse acordo, desse empréstimo, para poder se salvar, né? Recentemente, inclusive, teve uma decisão do Ministro Fux no âmbito dessa, desse acordo, impedindo que o Tribunal de Justiça da Bahia retire os depósitos judiciais aqui do BRB, algo que segundo informações seria da ordem de R$30 bilhões. A sensação que fica é que se não fosse essa ação do Ministro Fux Se esse empréstimo não sair, o BRB já estaria quebrado.

Então eu queria que a senhora fizesse o panorama da real situação do BRB. O BRB vai ter condições de se salvar? Porque no dia 28 de maio, por exemplo, após a primeira audiência lá no STF, a senhora declarou que nós estamos devolvendo definitivamente o BRB à população de Brasília. E hoje a gente tá no dia 18 de setembro e tá muito longe disso.

CLCelina Leão

Graças ao governo federal, Bruno. Graças ao governo federal que nos propôs um acordo e não cumpriu o acordo.

BMBernardo Melo Franco

Não deu sequer dele do acordo, não tá cumprido.

CLCelina Leão

Lógico que não. Olha só, ele pede audiência de conciliação, ele é o acionista dos dois bancos, assim como eu sou acionista majoritária do BRB, ele é acionista da Caixa e do Banco do Brasil. Nem a carta de fiança. Você já imaginou como é que fica os bancos Os bancos privados, se nem a Caixa coloca um percentual desse aval e nem o Banco do Brasil coloca um percentual desse aval, não foram eles, os bancos privados, que foram lá oferecer um sindicato, um aval de sindicato de bancos.

Quem foi lá oferecer foi a AGU no nome do governo, com medo de naquela ação a gente ter conseguido o aval da União. Aquilo, se eles pediram audiência porque talvez, acho que eles ficaram com medo de ter uma decisão judicial. E assim, foi para retardar, porque eles não cumpriram a parte deles. A nossa parte, que era subir o BI, que era subir todas as informações, nós fizemos as reuniões. Para você ter noção, as reuniões, eu nunca fui chamada para uma reunião.

Quem ficava chamando as reuniões que deveria ter sido estruturadas pelo Ministério da Economia ou pela AGU.

FGFábio Granner

Foi, foi o próprio BRB, sindicato de bancos. A negociação com os bancos é conduzida pelo BRB, pelo presidente Nelson de Souza, desde o início do ano. Ele que tava conduzindo. Entrevistei ele algumas vezes sobre isso. Ele que tava conduzindo esse processo, tentando fazer que os bancos falavam para ele nas negociações com ele que precisavam de garantias melhores, que não confiavam no GDF.

CLCelina Leão

Você tá corretíssimo.

FGFábio Granner

A responsabilidade da negociação não é da União.

CLCelina Leão

Não, mas no dia que nós fizemos a ação, tá escrito aí no acordo que quem iria capitanear era o Banco do Brasil. O Banco do Brasil queria capitanear.

FGFábio Granner

Sim, mas os bancos privados não querem, candidata. Assim, eles não querem fazer operação porque eles não confiam no governo.

CLCelina Leão

Eles não querem fazer a operação porque se nem a Caixa, que é o banco público que tá com a o governo federal no comando e nem ao Banco do Brasil fazem a parte deles, eles vão fazer de uma proposta que foi feita por eles?

FGFábio Granner

É a parte deles. Eu pergunto assim, ó, por que que a senhora, se a senhora publicar o balanço agora, tem um problema. Se o BRB publicar o balanço agora, tem um problema de pulverizar, virar pó, R$3 bilhões em letras financeiras. A senhora tem essa preocupação, é por isso que o BRB não publica o balanço? Não tem nada a ver, porque se o balanço aparecer com patrimônio virado, não tem nada a ver com isso, esses R$3 bilhões vão sumir, prejuízo para esses investidores.

CLCelina Leão

Não é isso, é porque financeiramente para o banco é melhor eu publicar o balanço depois de pegar o empréstimo. E se eu tô na iminência de pegar um empréstimo, seja com sindicatos de banco, seja empréstimo internacional, agora igual nós estamos agora tentando, é melhor publicar depois de pegar o empréstimo.

IPIsadora Peron

Candidata, vamos mudar um pouquinho de assunto?

CLCelina Leão

Não vamos falar de saúde, não vamos falar de educação, vamos falar de mais nada.

FGFábio Granner

Essa última pergunta de BRB, que aí já vai virar para essa pauta, porque esse empréstimo quem vai pagar é o GDF, não é o BRB. O empréstimo é para o GDF, não para o banco. Vai tirar dinheiro da saúde, educação, porque O dinheiro é finito, se vai para um lado não vai para o outro. Por que que essa opção de salvar, de fazer esse empréstimo que a senhora tanto quer fazer, é melhor do que, por exemplo, privatizar o banco, que não envolveria dinheiro público, e manter o banco vivo sem tirar dinheiro da saúde, educação e outros temas que a gente vai falar aqui?

CLCelina Leão

Exatamente porque o BRB sempre deu lucro. Você lembra quando Fernando Henrique fechou os bancos públicos? Por que que ele não fechou o BRB? Porque o BRB dava lucro. O BRB é um banco que tem 60 anos, ele tem uma história no DF, ele tem umas 6 mil funcionários que trabalham lá, ele tem 12 milhões de correntistas, ele tem 5 tribunais de justiça lá. Ele tá sofrendo esses ataques da imprensa, do governo federal, desde o ano passado ele tá de pé.

Isso demonstra a força do BRB. O BRB ele vai sair dessa crise de uma forma ou de outra, ele vai sair dessa crise, porque ele para nós ele é um ativo muito importante, mesmo com toda força contrária.

BMBernardo Melo Franco

Bem, governador, agora propondo essas outras pautas.

IPIsadora Peron

Adoro esse, eu tenho uma questão. No começo do mês, governadora, a colunista Bela Megália, ela publicou no Globo uma matéria que eu acho que até com base numa representação que entraram no Ministério Público de de que uma empresa do seu marido teria contratos, acho que recebeu 1,4 milhão de uma companhia que mantém contrato aqui com GDF. Como é, como é que é esse contrato? Como é que foi?

CLCelina Leão

Deixa eu explicar.

IPIsadora Peron

É tão engraçado, acho que é importante explicar.

CLCelina Leão

Todos os adversários fizeram uma representação no Ministério Público.

IPIsadora Peron

Isso.

CLCelina Leão

Na página 7 da representação eles falam assim: não há indícios de crime. Na página 7 da representação que eles fizeram, inclusive eu li isso no debate que a gente foi. Empresa privada, serviço privado. A empresa opera para o Distrito Federal desde 2013, mas não opera só para o DF não, opera para União, opera para o Ministério Público, tudo diante de contrato de licitação. Meu marido tem um contrato privado de engenharia que fez um serviço durante um ano e meio Tirou nota, prestou serviço, pagou.

BMBernardo Melo Franco

Chamaram atenção pelo fato das notas terem sido emitidas mensalmente no valor de R$100 mil. E também quanto à natureza desse contrato, é que tipo de serviço?

CLCelina Leão

Serviço de engenharia, serviço de engenharia, de construção. São 5 imóveis que foram reformados, 5 prédios, prédios todos privados, nada de governo. Serviço de engenharia, tudo descrito.

IPIsadora Peron

Mas ele é seu marido, na hora de fechar um contrato não teria que ter pelo menos um cuidado, governadora, de não, de não ter essa contratação cruzada?

CLCelina Leão

Olha, não foi contratação cruzada. Você vai contratar um serviço de engenharia, você sabe que tem uma empresa especializada, você não vai contratar serviço do privado para privado? Não tem dinheiro público nisso. Tem uma prestação de serviço que foi feita, tem nota fiscal, tem todos os laudos, tem todos os serviços que foram prestados.

IPIsadora Peron

Mas num eventual governo da senhora, um segundo mandato, a empresa do seu marido vai ter mais cuidado nessas contratações?

CLCelina Leão

Ou a gente vai continuar? Eu acho que quando você não tem nem a gestão igual a gente tinha, né, você não realmente pode aceitar fazer serviços, né? Você não sabe se a empresa presta serviço para A, para B, para C. Seria a mesma coisa que Ela presta serviço para União, para o Ministério Público, para várias outras coisas. Eu vou relembrar um fato aqui para vocês. Paulo Otávio era vice do Arruda, ele fez milhares de obras no governo do Arruda, vice.

IPIsadora Peron

Paulo Otávio só de publicidade recebeu R$10 milhões e foi muito criticado, mas não teve crime nenhum.

CLCelina Leão

Não, eu não acho adequado, eu só tô fazendo uma comparação de uma coisa real que aconteceu com a pessoa que tá me representando, de uma coisa que é irreal, que não aconteceu, de privado no setor privado. Eu não acho certo, mas o que eu tô falando é o cinismo de botar numa representação aquilo que ele fez no governo dele. É isso, é isso que eu tô falando.

BMBernardo Melo Franco

Governadora, quando a senhora presidiu a Câmara Legislativa, a senhora foi alvo de uma operação, Operação Draco, que investigou um esquema de pagamento de propinas e desvio de verbas. A senhora chegou a ser afastada do comando da casa por ter sido denunciada pelo Ministério Público como suposta beneficiária do Na esfera criminal, processo contra a senhora foi arquivado, mas na esfera cível, na área cível, ação de improbidade administrativa continua.

Inclusive teve uma decisão recente da justiça negando anulação de uma gravação que supostamente seria prova dessa implicação. Como o eleitor pode ter a certeza de que a senhora não está envolvida em irregularidades nesse caso?

CLCelina Leão

Olha só, Eu tenho 25 anos de vida pública. Eu vou relembrar vocês aqui da CBN. Eu abri uma CPI para investigar o governador à época. Tinha gravação do vice-governador falando de propina de 30% na saúde. Tinha uma presidente de um sindicato que saiu gravando todo mundo contando das propinas da saúde, e eu abri uma CPI para falar. Contra mim tinha uma fala minha com Liliane, eu falando que eu não queria nada de nada. Foi esse processo que eu sofri.

Eu não fui absolvida em terceira instância, não. Eu fui absolvida na primeira instância. Eu fui a única política que foi gravada falando que não queria nada de nada, falando de fofoca de corredor e falando que não queria nada mais, que sofreu um processo. Eu fui absolvida na criminal. E essa da improbidade, eu tenho certeza também que eu seria absolvida. Então assim, é uma história, é uma história. As pessoas aqui me conhecem, é só ver a gestão do que a gente tá fazendo, de cortar gastos públicos, de pegar um governo que tinha 5 bi de déficit e botar ele no azul.

Então eu acho que do jeito que você gerencia sua casa, você sabe, você demonstra quem você é, quem você é. Entendeu? Então assim, a população me conhece aqui no DF, não vão querer. Acho que todo mundo que tá na vida pública pode vir surgir de ter uma investigação, uma operação, mas o mais importante, eu fui absolvida no processo mais grave que foi o criminal. Tenho certeza que na improbidade também será o mesmo destino.

BMBernardo Melo Franco

Governadora, o cenário para a próxima gestão do governo do Distrito Federal é um cenário de complicação nas contas públicas, mesmo pela situação do BRB, ele sendo salvo ou não. Uma das promessas da sua campanha é inclusive estabelecer tarifa zero para todos os dias e para todas as pessoas. Eu gostaria até de detalhar isso, porque inicialmente até constava a possibilidade da tarifa zero para pessoas mais vulneráveis, para alguns casos, e agora é a tarifa zero para todos, em todos os dias.

Eu queria que a senhora explicasse como é que isso vai ser viabilizado no cenário que a gente tem por exemplo, empresas de ônibus que recorrem a subsídios do governo de forma constante, alegando dificuldade no equilíbrio econômico, um transporte público que é muito precário em muitas regiões aqui do Distrito Federal. As pessoas já reclamam da oferta de ônibus. Como é que isso vai ser feito na prática, garantir essa tarifa zero num cenário que a gente não consegue enxergar atualmente?

CLCelina Leão

O que que acontece é essa parte de transporte foi uma parte assim que eu mergulhei muito, até porque Eu fui autora da CPI do transporte na época do governo Hollenberg. E qual que era o entendimento? Que nós criamos um subsídio, e como o contrato foi firmado desde a época do governo Agnello, o subsídio ele é maluco, ele causa uma taxa interna de retorno muito alta no contrato, e todos os gastos de investimento vão sendo impactados.

Então a curva, a curva do crescimento desse contrato, ele é, ele é inviável, ele é inviável. Dentro da nossa programação, quando eu assumi o governo, eu fiz duas coisas. Eu fiz uma portaria, determinei que a nossa secretária fizesse uma portaria proibindo qualquer tipo de reequilíbrio econômico.

FGFábio Granner

Todos os governadores que passaram Deram vários reequilíbrios econômicos, mas não teve um essa semana.

CLCelina Leão

Não, 500 milhões não, isso não é reequilíbrio, aquilo é planejamento, aquilo é orçamento. Porque havia também um péssimo hábito no governo do Distrito Federal de fazer orçamento furado. Sabe que gasta 2 milhões, põe 1 bilhão para depois ficar mandando crédito para Câmara. Então o orçamento do ano passado já se gastava 2 bilhões em transporte. Então não reajustei nada, nada. Nada, nada, nada. Até porque tem uma portaria proibindo isso.

Então não teve nenhum reequilíbrio econômico. Reequilíbrio econômico é quando o empresário fala assim: olha, eu tô gastando mais aqui, me dê um equilíbrio. Eu proibi isso porque eu pedi uma auditoria nos contratos, uma auditoria externa, porque eu tenho certeza que com o valor que eu gasto hoje com transporte público, que chega a quase R$2 bilhões, eu consigo manter um transporte público de qualidade e gratuito, não de qualquer forma, não para ser implementado de qualquer forma, mas para ser implementado primeiro por faseamento, por faseamento, e retirando alguns tipos de situações que estão nos próprios contratos para ver o seguinte: o que que eu devo de passado e o que que tá errado nesses reequilíbrios que aconteceram.

Agora, e como é que eu posso, e como é que eu posso, para você ter noção, eu gasto R$700 milhões em bilhetagem. É muito dinheiro.

BMBernardo Melo Franco

Agora, só para entender, então assim, eu posso reduzir isso, né?

FGFábio Granner

Então, quanto custa o programa de tarifa zero para todo mundo, todos os dias?

CLCelina Leão

É isso que nós estamos fazendo as contas, porque eu consigo retirar, eu consigo reequilibrar os contratos. Colocando os critérios que eu tenho certeza que estão muito altos. Por exemplo, taxa interna de retorno que foi feito nesse contrato é 18%.

FGFábio Granner

Mas isso a senhora tá falando assim de como a senhora pretende financiar o programa, mas quanto custa o programa? Porque ele não, ele custa, da onde vem o dinheiro?

CLCelina Leão

Não, é isso que eu tô falando. Se você tira bilhetagem, se você tira outros custos que a gente tem condição de tirar, ele vai custar a mesma coisa.

IPIsadora Peron

A senhora acha que com os R$2 bilhões que gasta hoje, a senhora consegue?

CLCelina Leão

É outra coisa também, né?

FGFábio Granner

Disse que era R$1,5 bilhão além dos R$2 bilhões que já se gastaram.

CLCelina Leão

Não, é porque assim, a forma hoje desse embarque, é a forma de você fazer, é de passageiro embarcado por trajeto. Você tem condição de mudar isso também e ter um custo fixo disso, independente se vai ter 30, se vai ter 40, que vai ter 50. Mas o que que nós queremos fazer? Nós queremos fazer isso por faseamento, porque Foi uma coisa que o Bruno falou, é verdadeira e é importante. Eu não posso do dia para noite colocar tarifa zero para todo mundo, que eu vou ter um incremento no meu transporte público de 30%.

Isso é batido, de 30% de uma vez só. Se ainda me falta um pouco de ônibus, de transporte público, então eu tenho que fazer isso por faseamento, cortando faseamento primeiro. O CAD, CadÚnico, quem tá no CadÚnico as pessoas que estão no CadÚnico.

BMBernardo Melo Franco

Eu até insisti, viu, governadora, porque eu percebi no plano de governo tá bem explicada essa questão das fases, mas na propaganda do rádio, da TV, o que a senhora diz é que vai ser tarifa zero para todos e todos os dias. Dá a entender que a partir do primeiro dia já ninguém vai mais pagar a tarifa. Esse jeito como foi colocado na propaganda não pode passar uma impressão errada?

CLCelina Leão

Eu acho que não. A gente tem falado muito sobre isso, tem dado muita entrevista, Sabatina, a gente tem falado Né, eu sempre trato as coisas assim com muita transparência. A gente tá com essas auditorias abertas, a gente precisa de mexer na modelagem do contrato e a gente precisa de mexer também nessa situação de começar por faseamentos, entendeu? Acho que dentro dos 4 anos que a gente consegue implementar todo o transporte, porque você tem que medir a partir do momento que você abre o Vai de Graça.

Ó, para você ter noção, Vai de Graça ele também tem um um outro lado que ele é muito importante. Quando nós abrimos ele nos domingos, a gente saiu de 250 mil passageiros para mais de 600 mil passageiros. Só que ele também trouxe alguma coisa diferente para nós no comércio. Nós aumentamos também a arrecadação no dia de domingo, porque o dia de domingo era aquele dia que às vezes a pessoa não tinha condição de sair de casa, ela consegue sair, ela vai para escola, ela vai para escola, ela vai para igreja, ela vai para um cinema, ela vai para um shopping.

E ela consome. Então assim, os relatórios nossos de arrecadação no dia de domingo depois do Vai de Graça teve uma arrecadação melhor, né, com estímulo do Vai de Graça. Então você tem que fazer isso de forma planejada, mas eu acho que com o custo hoje que é gasto no transporte público, eu dou conta de fazer uma modelagem que ele se paga e eu consigo fazer isso por fases.

FGFábio Granner

No primeiro ano, quantas pessoas vão ter acesso?

CLCelina Leão

No primeiro ano eu quero trabalhar com CadÚnico, que é quem tá no CadÚnico, que são as famílias mais vulneráveis, as pessoas que mais precisam. Eu tenho, né, trabalhar com CadÚnico, que aí eu consigo ter um registro físico de quantos por cento, né. Agora, vocês falando de transporte, eu acho que a coisa mais importante que nós fizemos essa semana sobre transporte público foi os estudos de viabilidade técnica do metrô que fica perto.

BMBernardo Melo Franco

Aliás, né, a senhora anunciou um projeto aí que gira em torno de R$29 bilhões completação do metrô IVLT, tem uma proposta de novas linhas para ligar inclusive as regiões do Gama e Santa Maria até o plano piloto. E aí o usuário do metrô atualmente, a primeira pergunta que ele se faz: por que é que não melhora a linha que já existe? Porque é uma linha precária que dá constantes problemas, e essa cifra de R$29 bilhões hoje soa irreal para o brasiliense.

CLCelina Leão

Vamos lá, muito importante essa pergunta, Bruno. Primeiro, foi o nosso governo, meu governo, que licitou a primeira compra de novos trens. Foi uma determinação minha de 15 novos trens para o metrô. Você não pode governar olhando o seu problema sem pensar no seu futuro. Isso é pequeno. Um grande governador, ele governa resolvendo os problemas atuais, mas pensando para o futuro. O que que eu fiz quando assumi? Nós fizemos a licitação de 15 novos trens Até o Paulo Tadeu pediu agora, fez algumas, pediu processo no Tribunal de Contas, fez algumas ponderações, mandou.

Nós estamos respondendo ao Tribunal de Contas para que essa licitação dê continuidade. E nós estamos em licitação, está em licitação, está aberta a licitação da troca do sistema. Governadora, traduz o que que significa isso. O que que significa isso? Que neste momento nós vamos melhorar a nossa linha com a compra dos novos trens e o nosso sistema, diminuindo o tempo de espera entre os trens, porque eu vou botar um sistema mais moderno.

Eu já gastei mais de R$80 milhões para trocar toda a parte de energia, porque era a primeira coisa que nós tínhamos que trocar, mudando as subestações para ter uma carga energética que desse conta desse novo sistema. O novo sistema, a gente não pode falar em valor porque tá em licitação, então você não pode falar valor, mas estima-se quase R$2 bilhões só do novo sistema, né? Aí quase um ano é para entrega. E a compra dos novos trens, que tá aí também mais ou menos R$1 bilhão, estima-se também.

Então essas compras estão sendo feitas agora, neste momento. O planejamento, estudo de viabilidade técnica, que durou um ano para ficar pronto. São 3 estudos. E em novembro agora nós vamos apresentar o PDTU. E qual a importância de tudo isso? Esses estudos precisavam de estar alinhados e precisava de ter um novo estilo modal para a área que mais cresce. A área que mais cresce aqui é a área que sai para Valparaíso, Novo Gama, Luziane, a cidade ocidental.

E nós pedimos, nós contratamos o estudo de viabilidade técnica, que ficou pronto falando o seguinte: olha, o metrô é viável com essa e essa rota, passando na Candangolândia, passando Riacho Fundo 1, Riacho Fundo 2, passa no Recanto, Gama e Santa Maria. O curso são 78 km de metrô, é o dobro da linha de metrô atual. O metrô, você não faz metrô, nenhum governo constrói metrô com Fonte 100. Eu já tive 4 ou 5 reuniões com organismos internacionais para a gente buscar esse recurso.

Ano que vem a gente já tá num capag melhor. E por que pegar o recurso ano que vem? Porque quando eu tô com capag melhor, vocês sabem que os juros é melhor. Um juro, né, se você tá, se você tá com capag C, você pega uns juros mais alto. Se você tá num capaguiá. Então eu estou falando em R$29 bilhões em 10 anos para construção de 3 modais. O primeiro que vai requalificar toda a Asa Norte, a Asa Sul e o aeroporto. O outro, a outra linha do metrô que vai tirar, né, aí quase 600 mil pessoas para serem transportadas. E um outro VLT que sai do Sol Nascente lá embaixo e chega até Taguatinga.

BMBernardo Melo Franco

Agora, assim, as pessoas vêm com muita desconfiança porque promessas semelhantes já apareceram em outros programas de governo, como do próprio ex-governador Ibanez, que tinha, por exemplo, a promessa de levar o metrô até o final da Asa Norte, de expandir outras linhas. E a gente tá aqui agora com a mesma quantidade de linhas de quando há 8 anos se prometia esse tipo de coisa. Como que agora a população pode acreditar que vai ser diferente? Por que que essa promessa realmente vai sair do papel?

CLCelina Leão

Eu acho que tudo que eu falo eu faço. Eu falei que eu iria ocupar o centro administrativo, ninguém acreditou, tá ocupado. Eu falei que eu iria tirar a licitação dos novos trens do papel, saiu. Eu falei que eu iria licitar o sistema de, o sistema o sistema de atualização de software e de energia saiu do papel. Eu tô com estudo de viabilidade técnica, que não é uma promessa, é um estudo físico de milhares de páginas, pronto, pronto, não é uma promessa.

E eu preciso de buscar recurso financeiro. Já fiz 5 reuniões para isso, vou fazer mais reuniões, entendeu? E eu tô determinada a fazer a decisão política. Olha, não tem condição da gente entregar tudo isso em um governo só. Se eu for eleita, o outro governador vai ter que dar continuidade. O próximo governador, porque eu não posso ter mais uma, mais do que uma reeleição, o próximo governador vai ter que continuar. Você não entrega 78 km de metrô num governo só.

A possibilidade, em segundo, até os estudos técnicos de faseamento, é de entregar o VLT todo da Asa Sul, da Asa Norte, um pedaço grande já do VLT do Sol Nascente de Itaguatinga Mas o metrô você não consegue entregar 100% dele.

FGFábio Granner

Quando você vai entregar?

CLCelina Leão

Eles acreditam que até 50% do metrô dá para entregar, porque segundo o estudo de viabilidade técnica, ele só tem dois pedaços que mergulha: um pedaço na Candangolândia e o outro pedaço que é na Esplanada dos Ministérios, que chegaria até, até o Senado, no estudo de viabilidade técnica. Então é um metrô praticamente 90% de superfície, entendeu? Que não tem muitas interrupções no estudo de viabilidade técnica que foi feito. Então seria um metrô mais rápido de se construir, porque escavação vocês sabem que demora muito, tem muitas intervenções.

Então eles acreditam que 50% da obra, algumas estações, a gente teria condição de entregar, entendeu? Então acho que é determinação, é correr, é ter— você já imaginou se o ano que vem eu fosse fazer estudo de viabilidade técnica, dura um ano para fazer. Então eu tô me antecipando e eu já mostro isso tudo agora no PDTU. A decisão de política de fazer, de contrair o empréstimo, tem que ser do governador. Ele tem que sair e ir atrás. É isso que a gente tá fazendo.

FGFábio Granner

Uma candidata, a senhora tá falando da questão do empréstimo, de tomar empréstimos, de melhorar a nota do Distrito Federal em termos de contas públicas. Seus adversários aqui, todos eles foram unânimes em criticar a quantidade de cargos comissionados e Todos eles indicaram que um ajuste fiscal deles começaria por aí, embora não me parece que faça tanta economia assim, mas todos eles criticam ter mais de 30 mil cargos comissionados e disseram que a senhora fez um aparelhamento político usando essa quantidade de cargos.

A senhora pretende reduzir o número de cargos? Esse é um problema na visão da senhora ou essa crítica é infundada?

CLCelina Leão

Olha só, os meus adversários nunca vão falar bem da gente, né? Essa é a primeira coisa, eles sempre vão criticar alguma, alguma situação. Eu peguei um governo com muita dificuldade, governo que tinha dois grandes problemas, e um deles era a questão financeira. Eu acho que eles me ensinarem a fazer alguma coisa tá errado, porque o governo do PT foi um desastre, deixou as contas públicas aí todas no vermelho, servidor público sem pagar.

O governo do Hollenberg foi um sinônimo de ineficiência, ponte caída, faltando água. Então eles não têm o que me ensinar. Eu acho que eu mostrei que eu tenho capacidade de gestão. Eu assumi o governo com R$5 bi de dívida e a gente ajustou as contas públicas. Mas, governadora, você pode me esperar só terminar um pouquinho? A gente ajustou as contas públicas, nós soltamos o balanço. O balanço foi publicado agora com o gasto inclusive mostrando que nós reduzimos o custeio Por que que eu consegui reduzir o custeio?

Porque eu tive que soltar 3 decretos reduzindo em 25% o custeio e reduzindo aquilo que eu achava que era supérfluo, entendeu? Então assim, eu reduzi um reequilíbrio que eu peguei. Isso foi um choque de gestão. Você acha que as pessoas acharam bom quando o prestador de serviço chegou falando que eu tinha que reduzir em 25% os contratos? Não é nada agradável no momento de campanha. Mas nós fizemos.

FGFábio Granner

E os cargos comissionados?

CLCelina Leão

Os cargos comissionados tem que reduzir, mas como é que você faz isso no meio de um momento eleitoral, entendeu? Você é muito complicado você mexer com isso. Eu tenho 10 partidos que estão conosco na nossa coligação.

FGFábio Granner

O seu governo, a senhora planeja reduzir?

CLCelina Leão

Sim, a gente, olha, a gente quer trazer os concursados. Eu fiz isso, fiz alguns gestos importantes mostrando isso, trocando temporários por concursados na educação.

IPIsadora Peron

A senhora falou que os seus candidatos, seus adversários criticam a gestão, mas a senhora critica a gestão do Ibanez?

CLCelina Leão

A senhora critica a gestão do Ibanez? Eu critico algumas ações que o Ibanez deixou acontecer. Eu acho que você quer falar sobre a gestão do Ibanez? A gestão do Ibanez foram 26 mil crianças fora, é, que foram atendidas por creche. A gestão do Ibanez tem cartão material escolar Você tinha que comprar o material escolar. A gestão também tem uniforme, uniforme também que você não tinha antes dele. A cesta básica era dada fisicamente.

Hoje você tem o Prato Cheio e o DF Sem Miséria. Então tem muitas ações na gestão dele.

IPIsadora Peron

Mas tem uma área que é muito criticada, que a senhora também acho que coloca aí como um dos problemas, que é a saúde. Fora a questão da fila, a gente tava procurando aqui, tinha uma promessa de 5 hospitais que não saíram do papel, nenhum saiu do papel. Então, e a senhora fazia parte desse governo, de um governo que prometeu 5 hospitais e nenhum saiu do papel.

BMBernardo Melo Franco

Aliás, no plano atual apresentado pela candidata tem novamente a promessa desses 5 novos hospitais, né? Então não saiu na gestão passada Por que que é isso?

IPIsadora Peron

Por que que o eleitor tem que acreditar que agora, dessa vez, vai sair?

CLCelina Leão

Se a senhora era vice, olha só, gente, eu não era governadora do Ibanez.

FGFábio Granner

O seu governo não é de continuidade dele?

CLCelina Leão

De jeito nenhum. Meu governo tem autonomia, tem identidade. Eu falei isso, que sucessão não é submissão. Eu reconheço os avanços que tiveram, e foram muitos, porque nós pegamos essa cidade abandonada, delegacia fechada, segurança pública um lixo. Mas eu tenho, eu tenho identidade, identidade para começar a obra do São Sebastião, que começou agora na minha gestão. Vai lá, tá sendo fechado todo o canteiro, sendo construído. O Hospital do Recanto das Emas está na segunda laje.

Eu não sei por que que também as pessoas não falam aquilo que tá acontecendo. Eu estou construindo 7 novas UPAs, 5 eu entrego este ano ainda, determinação minha. 5 eu entrego este ano ainda. Capacidade de atendimento de 700 mil pessoas. Desde quando eu virei governadora, eu contratei 20 mil cirurgias no privado, 200 mil consultas também no privado, porque eu tenho filas dos 3 últimos governos que passaram, dos 3 últimos governos.

Porque o tal da cirurgia eletiva, se eu não viesse com uma medida diferente para cuidar desse problema, iria passar o governo inteiro enxugando o gelo. Então eu contei com o privado, mantei um projeto para Câmara Distrital que chama SUS Candango, e estamos atendendo essas pessoas, pessoas com cirurgias eletivas. Governadora, e a porta de emergência? A porta de emergência é contratar médico. Desde quando eu virei governadora também ampliei a contratação de médicos.

Só nessa semana tomaram posse 300 novos médicos, né? Então assim, você não consegue resolver o problema da saúde, que é um problema estrutural, da noite para o dia. Mas em 5 meses as pessoas já começam a sentir a nossa gestão. Por quê? Porque eu tiro, eu chamo pessoas para o privado, eu começo a fazer procedimentos. Eu assinei com a APAI essa semana o atendimento de 13 mil crianças TEIA, que era inclusive, né, um problema para nós que não prestávamos esse serviço.

Eu não tinha como laudar, eu não tinha como cuidar, a rede focada. Nós assinamos com a PAE para fazer esses atendimentos, são 13 mil atendimentos que foram contratados conosco. Então eu acho que a nossa gestão ela mostra um pouco de inovação, o jeito da Celina fazer, o jeito dela pegar do começo, meio e fim para fazer.

BMBernardo Melo Franco

Agora, governadora, por que esse novo jeito ainda não conseguiu resolver, por exemplo, o descaso da farmácia de alto custo?

CLCelina Leão

Olha só, melhorou bastante, né?

BMBernardo Melo Franco

As filas ainda continuam, mas melhorou bastante. Todos os dias aqui relatos de pessoas que passam o dia.

CLCelina Leão

O problema, o problema da fila de alto custo, a gente tá até vendo se a gente faz uma parceria com o próprio BRB, que já é importante para nós fortalecermos o BRB. A fila de alto custo, nós temos um sistema, o sistema, as pessoas ainda não aderiram muito para o sistema, que antes você fazia as 3 etapas fisicamente lá. Nós subimos as 3 etapas para o sistema. Então assim, o sistema que a gente colocou para o cidadão, não é todo mundo que aderiu.

Pessoas muito simples que ainda preferem ir lá na fila, mas melhorou muito. Mas a ideia é que o próprio BRB, né, que já faz algum tipo de distribuição para nós, possa fazer esse serviço também.

BMBernardo Melo Franco

Eu acho interessante a senhora citar o BRB, porque em propostas de outros candidatos e dos adversários a ideia de enxugar as atribuições do BRB. A gente tá até voltando esse assunto, mas para não deixar passar, que hoje tá no Cartão Mobilidade, tá em diversos outros projetos aqui do governo do Distrito Federal. Diante dessa situação, também não seria a hora de enxugar as atribuições do banco em vez de dar mais uma?

CLCelina Leão

Claro que não. Nossa visão é grande para o BRB. A gente quer um banco que realmente cuide das áreas sociais aqui, os programas sociais têm que estar no banco, no banco do BRB, não tem que estar em outro banco. Os candidatos pensam pequeno. Se eles estão falando isso, eles estão falando contra o banco. Como é que eu vou tirar a bolsa? Como é que eu vou tirar o cartão material escolar da mão do BRB, que é o nosso banco público? Que o cara chega lá na padaria, lá no, lá na, dentro da Hoje a gente dá papelaria para comprar, né?

FGFábio Granner

Pode ser feito por qualquer banco.

CLCelina Leão

Na minha visão, não, tem que ser feito pelo BRB, porque é o nosso banco público. Porque se eu tenho um banco, por que que eu vou contratar outro? Ele tem que ser feito no BRB. Eu trago, eu trago giro, negócio, liquidez, cliente para o BRB se esses programas sociais estão no BRB. Vou dar um outro exemplo para vocês importante. Nós tínhamos 97% da nossa merenda industrializada em governos passados. Nós conseguimos hoje ter uma merenda, 95% da merenda é de produtos aqui comercializados aqui.

Tudo isso é comprado com cartão do BRB, só que obriga o produtor rural a ter a conta no BRB. Isso é um mercado que fortalece o banco, que é um banco público. O banco público, ele é diferente do privado.

IPIsadora Peron

A senhora citou aqui, é bom, com bons exemplos do seu governo, a questão da educação, mas a gente teve um um resultado muito ruim no IDEB. Isso tem sido trazido aqui, a gente tem conversado sobre propostas com outros candidatos, como aumentar escola integral. Enfim, qual é, quais são as suas propostas e como é que explica esse mau resultado no IDEB no seu governo?

CLCelina Leão

Eu acho que o governo não se preparou para essa prova. O IDEB é uma prova, ele não focou na parte de aprendizagem para prova do IDEB, tanto que nós temos outros índices de educação Quando é medido outro tipo de conceito ou de índices, ele está melhor. E tem outra coisa que também no Distrito Federal nós não aderimos àquilo de não reprovar alunos. Nós reprovamos, né? Com duas matérias você reprova o aluno. Outros estados não reprovam os alunos.

Então quando você faz o IDEB, você calcula alunos, né, reprovados, e isso conta muito para o IDEB.

BMBernardo Melo Franco

Mas a hora pretende mudar esse critério?

CLCelina Leão

Então não, eu não pretendo mudar o critério, eu pretendo melhorar a aprendizagem para que esses alunos consigam fazer a prova do IDEB e focar naquelas matérias que são cobradas no IDEB. Era isso que deveria ter sido feito, foi por isso que eu fiz a troca do secretário. Eu trouxe uma pessoa que é especialista, em todos os lugares que ele passou ele tirou os IDEBs de uma posição inferior e levou para os 3 primeiros lugares de IDEB.

Então assim, eu sou muito franca, ao mesmo tempo de reconhecer os avanços, saber onde que precisa de melhorar. Nós precisamos de melhorar para prova do IDEB, nós vamos melhorar. Eu trouxe uma pessoa que é especialista nisso, que vai, que está cuidando, já tá fazendo um planejamento para que a gente possa melhorar aí o nosso índice de IDEB.

FGFábio Granner

Qual é a meta de melhoria para o primeiro e até o fim do governo?

CLCelina Leão

Até o fim do governo, no meio do governo nós temos uma meta bem, bem traçada. No meio do governo ele acha a gente estaria entre os 10 já melhores do Brasil no IDEB no meio do governo, os 2 primeiros anos. E no último ano a gente estaria entre os 5.

FGFábio Granner

E como que vai fazer isso?

CLCelina Leão

Ele tem toda uma técnica, né, para isso, mas é investir na aprendizagem, investir nessa prova, capacitar esses alunos nossos para essa prova, capacitar os professores para esse, para esse tipo de conteúdo. E algumas escolas aqui no Distrito Federal, as escolas cívico-militares Elas foram os primeiros lugares no IDEB, elas se prepararam muito para isso. Só que isso não pode ser isolado, isso tem que vir da gestão central, e foi essa nossa determinação.

FGFábio Granner

Mas a senhora entende que o IDEB é uma questão de preparação para prova e não um problema estrutural de má educação no DF?

CLCelina Leão

O problema do IDEB, ele tem vários índices que são contabilizados, e isso é medido em prova. Quando se mede em prova A pessoa não tá aprendendo matemático, não tá aprendendo português. Isso é o índice que tá no IDEB. Então o primeiro problema do IDEB é aprendizagem. Então quando eu reprovo o aluno, eu tô contabilizando ele negativamente para o IDEB. Isso é um índice, entendeu, de reprovação. Isso contabiliza. Então quando você faz essas contas, é por isso que eu tenho falado, nós temos que investir na prova e na aprendizagem para aquilo.

IPIsadora Peron

Governador, nos últimos anos, acho que é um fenômeno que a gente observa aqui em Brasília, né, no Distrito Federal, mas muito no plano piloto depois da pandemia, é a quantidade de moradores de rua, né. E uma das propostas, um dos programas que vocês têm colocado aí, que é a internação involuntária, tem sido bastante criticada aí pelos adversários, por especialistas, enfim. A senhora pretende manter esse, ampliar?

CLCelina Leão

Vou ampliar. Tá muito antenado com a vontade da população. Eu sou uma governadora que anda. Eu planejei meu governo, meu governo tem entregas. O que tá subindo a propaganda eleitoral são coisas que eu fiz, porque como eu ando, eu conheço a necessidade das pessoas. Vou contar um dado para vocês: nós tínhamos 450 pontos obstruídos. Na cidade toda. Quando eu falo pontos obstruídos, são acampamentos mesmo. Eu já desmobilizei 410, mas antes de fazer isso eu mandei um projeto de lei para Câmara, aonde que eu me obrigo a várias ações assistenciais de cuidados.

E um dos artigos eu falo sobre internação involuntária humanizada, que aliás, né, governadora, é apontado como um mecanismo que já existia né?

BMBernardo Melo Franco

E que de todas as ações que foram feitas com a população em situação de rua, a gente tem poucos exemplos, um ou dois casos que foram noticiados, de pessoas que realmente acabaram entrando no protocolo de internação involuntária. Não acaba sendo uma questão de vender uma solução de internação involuntária, sendo que esse não é o principal mecanismo para tirar ou resolver a situação das pessoas?

CLCelina Leão

Tem nada de vender, Bruno, nem nada de falar que isso é o principal mecanismo. Na lei tá escrito, tem mais de 30 artigos na lei, um artigo fala sobre isso.

BMBernardo Melo Franco

Mas é porque quando a gente vai falar sobre isso, a senhora diz que tem a internação voluntária, que seus adversários criticam a internação voluntária. Fica parecendo que essa é a grande política.

CLCelina Leão

Essa não é a grande política, não é. Se é isso que os meus adversários estão falando, é porque eles não leram a lei e não leram a regulamentação da lei. Antes de implementar a lei, Bruno, Nós tivemos que ampliar os nossos serviços para poder atender essas pessoas com qualidade mesmo, para ter a prestação de serviço a essas pessoas. Só que o seguinte, o governo tem que tomar decisão. Antes eu chegava num acampamento igual aquele da Asa Norte, que nenhum governador teve coragem de cuidar.

A senhora fala ali no final da Asa Norte próximo ao NB, próximo ao NB, e posso falar também do lado do Ceúbe, os dois maiores aqui do plano piloto. Você chegava lá, você perguntava se a pessoa tava precisando de alguma coisa, não tomava providência. Hoje eu chego: você quer auxílio, aluguel, moradia? Você quer um lugar para ficar? Você precisa de ajuda? Não, não quero nada disso. Tudo bem, mas nós vamos desobstruir esse lugar.

E nós tiramos toda a parte imobiliária que tava lá, mas acolhemos essas pessoas que queriam acolhimento. Agora, eu não posso não deixar a cidade toda obstruída. Eu fui no lugar que chamava Buraco do Rato, que era o ponto focal de distribuição de drogas dentro do plano piloto, setor comercial, setor comercial sul. Nós desobstruímos lá. Ninguém achava que a gente teria coragem de desobstruir, porque lá é um ponto de tráfico de drogas.

E outra situação que nós achamos que O tráfico de drogas, por saber que essas pessoas ficavam lá e tinham, né, não tinha uma legislação que poderiam abordá-los e poderiam fazer a remoção daquelas estruturas, não havia uma legislação para isso, o tráfico de drogas se instalava no mesmo local ali ao lado. Agora, a pesquisa é muito simples, vai perguntar para a população da Asa Norte, da Asa Sul, o cara que é vizinho lá da onde que eu desmobilizei, o cara lá da Ceilândia que eu tirei, Vai perguntar para ele o que que ele tá achando.

O programa funciona. E o que tá errado do que os meus adversários falam é que a internação involuntária humanizada, ela é a situação mais crítica disso. Porque eu vou te falar uma coisa só para você entender rapidinho.

IPIsadora Peron

A senhora tem dados?

CLCelina Leão

Tem, tem. Ela é a situação mais crítica de tudo isso, porque, por exemplo, se você Tem uma pessoa que está em surto, tá? E você tem 3 tipos de pessoas que estão nas ruas hoje. Vulnerabilidade, esse é o mais fácil de tirar. Quando você gera uma oportunidade, ele sai na hora, é porque ele tá ali, porque ele não tem para onde ir. Você tem a pessoa que tá com problema de drogas, é mais difícil, é bem mais complicado, porque a pessoa que tá no vício, ele perde o controle dele próprio.

E o terceiro, você tem pessoas com saúde mental. Você tem 3, esses 3 perfis que você tem hoje que lidar com isso. O que que aconteceu? Quando você cria um protocolo, você vira a chave. É isso que as pessoas não entenderam, que a gente precisa de informar. O protocolo não foi para sair internando todo mundo na rua, não, não senhor, não é isso. Isso não é o objetivo da lei. O protocolo humanizado involuntário é no caso extremo, aonde a pessoa coloca em risco a vida dele, dele próprio, e a vida da população.

Então ele só vai ser usado em último caso, quando chegar a esse ponto. E outra coisa, com a autonomia das pastas. Vou te dar um exemplo: aquele, aquele morador em situação de rua que chutou uma criança. Ele foi levado para delegacia, acionado o protocolo, foi levado para saúde. O médico disse que ele não precisava de internar. Eu não tenho poder de fazer uma interferência na gestão do que o médico falou. Tem um laudo, mas o médico falou que ele não tava, que ele não tava em crise, em nada, e liberou.

Ou seja, outros casos foram analisados que sim, que eles colocavam que ele precisava de ficar interditado um tempo, para serem estabilizados. Então assim, quando a gente fala nesse enfrentamento, nesse planejamento que nós fizemos, nós estamos acolhendo esse Renova que vai ter agora. O próximo Renova vai ser o maior Renova com pessoas em situação de rua que nós já tivemos.

BMBernardo Melo Franco

Eu acho que até entra talvez no balanço que a Isadora citou, esse caso em específico ali no final da Asa Norte eu conheço bem porque eu passo ali sempre, e realmente foi desmobilizada as construções ali daquele local e as pessoas não voltaram mais até o momento. A minha dúvida é: todas aquelas pessoas aceitaram algum tipo de ação acolhedora? Elas foram destinadas para algum local? Onde estão essas pessoas?

CLCelina Leão

Algumas pessoas aceitaram. Nós temos relatórios sobre tudo isso, a gente tem prestado muitas informações para o Ministério Público, para todos os órgãos de controle. As pessoas que aceitaram acolhimento tiveram acolhimento.

IPIsadora Peron

As pessoas conseguem, talvez não em números, mas em porcentagem, de quantos aceitam acolhimento, quantos precisam ser internados?

CLCelina Leão

Muitos deles resistiram muito num primeiro momento porque já estavam lá há muitos anos, mas quando viram que nós iríamos desmobilizar, eles aceitaram. Então muitos deles, principalmente os mais vulneráveis. O mais complicado que a gente tem mesmo é cuidar das pessoas que estão com uso de drogas, né, porque o vício, ele é muito difícil de você convencer uma pessoa a ir para um lugar para fazer um tratamento. Né? Isso a gente não pode intervir, tem legislações sobre isso, direito da pessoa de ir e vir, a autonomia do cidadão, nós não podemos intervir.

Então quando as pessoas têm o entendimento que vai ter a desmobilização, eles acabam aceitando. E nós vamos fazer a transferência agora do Centro Pop. E aí eu acho que é o conceito do que nós estamos pegando. O conceito que eles achavam que estava certo não era do cuidado. Quando eu pego uma pessoa que tá em surto, que tá botando a vida dele em risco— teve uma dessas pessoas que nós acolhemos que ele teve uma parada cardiorrespiratória dentro do SAMU.

Se ele não tivesse sido acolhido por nós, ele teria morrido no meio da rua. O ano passado nós perdemos 5 pessoas em situação de rua nesse formato. Eu tô virando um pouco a chave da segurança pública, para área da saúde pública. Esse é o grande entendimento do programa, não é higienização social e nunca foi. Até porque eu sou uma pessoa que não tenho esse perfil. Eu acho que se você tem que chegar para acolher principalmente as pessoas que mais precisam, essas pessoas precisam de uma segunda chance.

IPIsadora Peron

Quando começou esse projeto, foi junho?

CLCelina Leão

Foi assim que eu virei governadora, eu mandei a lei para Câmara, aí depois eu regulamentei.

IPIsadora Peron

Tá, eu fiz um decreto e até hoje a gente tá com quantas pessoas que foram internadas nesse modelo involuntário?

CLCelina Leão

Agora, o objetivo não é sair internando gente. Eles estão errados quando eles me criticam desse jeito. Não é isso não, é devolver a cidade, a infraestrutura da cidade para as pessoas que moram com tranquilidade e cuidar dessas pessoas, é acolher essas pessoas nos locais certos, entendeu? É isso que nós estamos fazendo. O centro que nós estamos mudando agora essa semana. A gente já, inclusive, eu recebo a obra essa semana, que já tem hoje, vou passar lá para ver.

A gente vai mandar os mobiliários e tudo. Nós estamos mudando um pouco o conceito do centro pop. Quando falava centro pop, o povo arrepiava, né? Falava, meu Deus, tal. A gente quer um lugar aonde que a gente tenha saúde lá dentro, aonde que eu tenha treinamento, onde que eu tenho um refeitório decente para esse cara tomar uma refeição, um espaço de atividade física. Não é um lugar só para pessoa passar, é um lugar para que a gente tenta, tente realmente dar uma segunda chance de verdade.

Um lugar bonito, acolhedor. Vocês vão ver o que nós vamos fazer, tanto que nós vamos mudar o nome, né? Vai chamar Na Hora Social, que a gente já tem um Na Hora, para tirar um pouco desse preconceito assim que as pessoas têm. Isso é um lugar de acolhimento.

FGFábio Granner

Vou voltar aqui no tema da saúde. Tem uma promessa da senhora de fazer 7 novas UPAs. Eu queria saber quanto a senhora estima de custo para fazer isso, quantas unidades a senhora pretende fazer já no primeiro ano, e UBS, em quanto a senhora pretende aumentar as UBS no Distrito Federal no primeiro e nos 4 anos?

CLCelina Leão

Essas UPAs, elas ampliaram o tamanho das UPAs antigas, né? As UPAs antigas eram menores, essas são bem maiores. Custo dessas UPAs vai dar uns R$80 milhões mais ou menos.

FGFábio Granner

Cada uma?

CLCelina Leão

Não, todas, tá? R$80 milhões mais ou menos. Só que eu não tenho custo só da obra, né? Você tem um custeio também. Então nós estamos colocando aí até o final do ano, porque eu consigo abrir 5 esse ano ainda. Então tem um pouco gasto ainda esse ano, porque eu pego 2 meses, 1 mês de gasto. A gente colocou para custeio R$15 milhões para esse final de ano funcionar, essas 5 que eu entrego, né? Mas o custeio dessas UPAs para o ano que vem vai se juntar com as UPAs com o recurso do IGES.

O recurso de IGES é mais de R$1 bilhão por ano, né, que nós repassamos para o IGES.

BMBernardo Melo Franco

E o IGES continuaria gerindo também essas novas UPAs?

FGFábio Granner

E o BSX, quantas a senhora pretende fazer?

CLCelina Leão

O BSX, a gente vai entregar ainda 6 UBS. A gente já tá com construção de 6 novas UBS, né, para a gente entregar. E no ano que vem entregar mais, né. Acho que a gente teria umas quantas, umas 15 que estão no plano de governo para a gente entregar o ano que vem. Mas assim, o mais importante sobre essa parte estrutural, que é uma coisa que eu tenho essa percepção, é reforçar as UBS que a gente já tem, sabe, de mão de obra. De ter toda, eu tenho uma meta número 1, ter toda a equipe básica de saúde completa.

Porque hoje é uma inversão. Quando o cidadão vai na UBS, não tem médico, ele vai para UPA. E aí já inverteu tudo. Ele tinha que estar fazendo atenção básica onde? Na UBS, né? E se ele chegar lá, não tem médico, ele vai para UPA. Aí a UPA para de cumprir a missão dela, que é urgência e emergência. Então assim, o meu olhar principal, que foi quando eu cancelei o aniversário de Brasília, qual foi o primeiro médico que eu contratei?

Foi médico da atenção básica, daquele concurso de 114 médicos que a gente, que a gente fez foi para contratar para atenção básica. Agora, desses 300 que tomaram posse essa semana foram para urgência e emergência, para diminuir aquele tempo de espera. Outra coisa também que nós fizemos agora essa semana foi ampliar. Eu coloquei telemedicina em todas as UPAs, porque o cara que pega a senha verde é o cara que fica nervoso, que briga na porta da UPA, que reclama.

Então eu agora tenho telemedicina a partir das 19 horas também, que eu tinha só até às 19. Então ela entra na madrugada e fica final de semana também.

FGFábio Granner

Isso vai ser mantido?

CLCelina Leão

Vai ser mantido também. Isso tá sendo rapidinho. Gente, eu tô nem contando.

IPIsadora Peron

Não, eu só queria saber uma pergunta que eu fiz aqui.

BMBernardo Melo Franco

Até 57, eu tenho que reservar 2 minutos para as considerações finais.

IPIsadora Peron

Eu queria só perguntar que eu perguntei aqui para todo mundo, o festival de cinema que quase foi cancelado por falta de verba. Que a senhora pretende manter?

CLCelina Leão

Gente, eu pretendo manter. O que que aconteceu? Todos os eventos Fonte 100, todos os eventos, todos, todos, todos, a gente não tinha dinheiro para fazer. Só que o festival de cinema, ele já tinha sido licitado, ele não era um evento para ser Fonte 100, ele tinha sido licitado 3 anos Então ele tava na nossa previsão de pagar. Quando nós descobrimos que nós tínhamos orçamento e dinheiro para isso, nós pagamos, entendeu? Então assim, eu acho que a cultura é algo importante.

A cultura de um povo é o que determina, né, o que que é aquele povo significa. Então não tenho, não há uma perseguição à área cultural, pelo contrário, entendeu? Vai continuar o festival de cinema, entendeu? E agora a gente precisa de democratizar cada vez mais o acesso ao nosso FAQ, Para que a cultura local, para que o hip-hop da Ceilândia, para que a cultura de Planaltina, as nossas festas juninas, as quadrilhas juninas, para que todo mundo tenha acesso a isso de forma mais democrática.

Eu acho que Brasília, por ser a capital da República, ela precisa de resgatar algumas coisas da área da cultura. Por exemplo, eu vou fazer o Corpo de Baile, tô com projeto pronto, só que a gente tá na vedação, não posso mandar agora, para criar o Corpo de Baile, concurso para o corpo de baile. Como é que a capital da República não tem um corpo de baile? Nós temos a orquestra, que é a coisa mais linda do mundo, e não temos um corpo de baile. Joinville tem.

BMBernardo Melo Franco

Governadora, para cumprir o nosso horário, tem que reservar agora 2 minutos para as considerações finais, por favor.

CLCelina Leão

É, primeiro eu quero agradecer que todo, né, o grupo, quero agradecer muito a Isabela, o Fábio, o Bruno, a todo mundo que nos ouviu. Quero falar a quem tá acompanhando que eu tenho 4 mandatos nessa cidade, né? E em 5 meses eu pude mostrar um pouquinho da nossa gestão. Em 5 meses eu fiz 17 GDFs na sua porta, eu dei 1.700 ordens de serviço nessas cidades, foram mais de R$200 milhões investidos. Eu criei 2 novas cidades, 26 de Setembro e Ponte Alta. 26 de Setembro chegando o asfalto, nós estamos iluminando o equivalente a 200 mil pessoas sendo beneficiadas por novas iluminações, áreas que não tinham luz, né, aí como Dorothy, Morro da Cruz e muitas outras áreas bem carentes também.

Nós contratamos 200 mil consultas no privado para melhorar o tempo de espera. Nós contratamos 20 mil cirurgias no privado para melhorar o tempo de espera. Eu ocupei o centro administrativo nesse tempo também. Né, com muita economicidade, sem comprar móveis novos. Eu reequilibrei as contas públicas do Distrito Federal e eu tô buscando uma saída viável para o BRB, com muita transparência, com muita lisura. E acho que nós estamos planejando um governo aonde que tem gestão, aonde que tem economia e aonde que tem resultado.

Eu subo em 5 meses o que alguns governadores tiveram por 4 anos e não souberam. Eu acho que é a oportunidade da gente ter uma mulher como governadora, que é gestora, que teve 4 mandatos, que tem experiência política para passar crises difíceis, muitas delas que eu já enfrentei aqui no Distrito Federal, como a crise do dia 8 de janeiro, e trouxe essa cidade novamente à estabilidade. Uma governadora que escuta, que anda, que aceita ouvir crítica, que tem coragem, governadora, e que tá pronta para mudar. É 11, vou pedir, né?

BMBernardo Melo Franco

Eu agradeço a participação da governadora e candidata Celina Leão, aproveitando aqui para agradecer as parcerias, Isadora, com Fábio. Até uma próxima oportunidade. E dizer que as entrevistas, as sabatinas com todos dos participantes candidatos ao governo do Distrito Federal estão disponíveis nas nossas plataformas digitais. Muito obrigado pela audiência e até uma próxima.

CLCelina Leão

CBN Eleições 2026.

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