Tensão entre PF e gabinete de André Mendonça expõe disputas dentro do governo
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Oi, Maria Cristina, boa tarde.
Boa tarde, Tati, a você, aos ouvintes.
Bom, eu dizia aqui para os ouvintes que hoje você analisa o que tá sendo chamado de tensão entre a Polícia Federal e o gabinete do ministro André Mendonça, e citava aqui dois ingredientes que pensei da coluna da Miriam Leitão hoje no Globo. Um, a nota assinada pelos superintendentes regionais da Polícia Federal, e outro, uma reunião entre o ministro André Mendonça e o ministro da Justiça, Maria Cristina.
Pois é, e que foram concomitantes, né, Tati? Acho que não à toa, né, esta carta saiu quando esta reunião foi marcada. É uma disputa que está em curso, não é de hoje, já tem alguns meses, entre o diretor-geral da Polícia Federal, André Rodrigues, e o ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, que ontem se materializou nesta carta de 27 superintendentes da polícia, superintendentes indicados pelo Andrei. Uma carta em que eles defenderam autonomia da instituição e a independência técnica de seu trabalho.
Não tinha nesta carta, não tinha o nome nem do Andrei nem do André Mendonça, mas é uma carta em defesa do do Andrei em defesa do diretor-geral da Polícia Federal, porque no mesmo dia o ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, levou o ministro da Justiça para um encontro com André Mendonça. Este encontro estava já marcado para acontecer, uma vez que a PF acionou a Advocacia-Geral da União. A Advocacia-Geral da União entra em casos quando é para defender as prerrogativas dos entes federativos e mesmo até dos ministros do Supremo.
Lá é a AGU que defende o ministro Alexandre de Moraes, por exemplo, nos Estados Unidos, na, contra a Lei Magnitsky. Então a PF acionou a AGU para questionar determinações do André Mendonça que foram vistas como interferência na Polícia Federal, como por exemplo que fossem remetidas ao Supremo todas as peças de investigação da Operação Sem Desconto, que é a operação no âmbito do inquérito que apura os desvios do INSS, e também de que o ministro André Mendonça deveria ser comunicado— ele escreveu isso numa decisão— deveria ser comunicado previamente de qualquer afastamento ou troca de delegados responsáveis pela condução da operação.
O ministro, por outro lado, também tem queixas em relação ao remanejamento de delegados das operações que são autorizadas nos âmbitos dos inquéritos que ele preside. Notadamente os do INSS. E esta Operação Sem Desconto, ela é tensa porque foi a partir de seus achados que foram abertos esses 3 inquéritos do Supremo, 2 dos quais em posse do André Mendonça, sob a relatoria do André Mendonça, e o terceiro sob a relatoria do ministro Flávio Dino.
E são inquéritos em que o filho do presidente, o Fábio Luiz Lula da Silva, é investigado por suposto favorecimento de interesses privados no governo. O que pouca gente sabe, Tati, é que além da disputa entre Andrei Rodrigues e André Mendonça, há uma disputa dentro do próprio governo entre o ministro da Justiça e o diretor-geral da Polícia Federal, desde que o senador Jacques Wagner entrou na mira do inquérito do Master, inquérito do qual André Mendonça também relatou.
Ouvinte essa hora já deve estar maluco de tanto puxa e encolhe, mas é que esta é a briga. E tentar aqui explicar da maneira mais simples possível. O ministro da Justiça, Wellington Limi Silva, por que que ele saiu em defesa do Jacques Wagner? Ele foi procurador-geral de Justiça, que é o principal cargo do Ministério Público Estadual na Bahia, quando Jacques Wagner foi governador, e foi indicado por ele, Wagner, ao Ministério da Justiça quando o Ricardo Lewandowski deixou o posto.
E Wagner se queixa, também se queixa de vazamentos da operação, como por exemplo aquele de foto, aquelas fotos de dólares e euros que ele diz que são dólares e euros que ele recebeu para missões como senador, e ele guardava e usava cartão de crédito. E haveria aí queixas em relação ao Andrei Rodrigues. E quem é o Andrei Rodrigues aí nessa novela toda? Bem, o diretor-geral da Polícia Federal tá lá desde o início do governo Lula.
Ele foi colocado neste cargo depois de chefiar a segurança pessoal do presidente na campanha presidencial de 2022. Então ele tem a confiança pessoal do Lula, ele está no cargo, ele já atravessa 3 ministros: Dino, o Lewandowski, agora é Lima e Silva. Dino sempre, desde o início, entendeu qual era a relação dele com o Lula, que é muito próxima, e nunca se avorou aí atravessar no meio desse caminho. Mesma coisa para o Lewandowski.
E com Lima e Silva, em função dessa indicação pelo Jacques Wagner, a relação é um pouco mais difícil. O André Rodrigues, o André Mendonça, durante a tramitação da indicação do Jorge Messias, ministro da AGU, ele foi de um, foi de grande apoio, foi de grande suporte para essa indicação. Ambos são evangélicos e o André Mendonça queria, porque queria emplacar contra o, aliás, toda a base bolsonarista queria emplacar o Jorge Messias no Supremo Tribunal Federal.
E o Jorge Messias é um dos que advoga no governo que o governo deveria procurar uma aproximação com o ministro, porque há alas do governo que vê o ministro André Mendonça como o principal adversário do Lula no Supremo Tribunal Federal. Então no governo ainda esta divisão. E para completar, aliados entre os aliados ali do Jorge Messias, há quem atribua a Jacques Wagner, digamos, corpo mole na sua indicação para o Supremo. Ele era, ele é o líder do governo no Senado.
E na época, não sei se o ouvinte lembra, havia, houve, circularam muitas fotos do Jacques Wagner confabulando ali com Davi Alcolumbre, onde pela leitura labial o Davi Alcolumbre apostava no placar da votação e ele acertou em cheio. A votação que impediu Jorge Messias de vir a ser ministro do Supremo. Então, no meio de toda essa confusão, a única coisa que dá para ter certeza, Tati, é que quem tá esfregando as mãos de satisfação nessa guerra toda são o candidato do PL, Flávio Bolsonaro, e os líderes do Centrão que estão metidos até o pescoço nesse escândalo do Master, que são Ciro Nogueira e Davi Alcolumbre, que estão aí quietos na moita vendo o resto dessa turma aí se engalfinhar.
Perfeitamente. Maria Cristina Fernandes conosco todos os dias em Tudo É Política. Obrigada, Maria Cristina, bom fim de semana, até segunda.
Para você também, Tati, para os ouvintes, até segunda.