Episódios de Política

Disputa entre André Mendonça e Polícia Federal ameaça investigações sensíveis

07 de agosto de 20269min
0:00 / 9:42
Lauro Jardim afirma que o embate entre o ministro do STF e a direção da Polícia Federal é motivado por disputas de protagonismo e desconfianças mútuas na condução dos inquéritos do Banco Master, do INSS e de Lulinha, e avalia que uma solução para a crise ainda está distante.

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Participantes neste episódio3
C

Cássia

HostJornalista
M

Milton Castro

Host
L

Lauro Jardim

ComentaristaJornalista
Assuntos3
  • Conflito PF e STFAndré Mendonça·André Schwenning·Polícia Federal·Supremo Tribunal Federal·Investigações
  • Investigações Lulinha· PoliticaBanco Master·INSS·Ludmilla·Fraudes
  • Desinteresse e rejeição· SociedadeVazamento de informações·Autonomia técnica·Proteção de políticos
Transcrição13 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
?Voz A

Plantão Lauro Jardim.

?Voz B

Bom dia para você, Lauro Jardim.

LJLauro Jardim

Bom dia, Milton. Bom dia, Cássia. Bom dia, ouvintes.

?Voz D

Bom dia, Lauro.

?Voz B

Lauro, vamos voltar a falar sobre este, essa disputa que está ocorrendo no momento entre o diretor da Polícia Federal, André Rodrigues, e o ministro do STF, André Mendonça. Que que você apurou a propósito dessa, desse atrito?

LJLauro Jardim

Pois é, Milton, já tem algum tempo que essa disputa tá esquentando, que essa briga entre dois personagens muito poderosos que que representam instituições igualmente poderosas e que deveriam, para o bem de todos, conviver em harmonia, essa disputa só escala. Mas não é só o que a gente tá vendo nesses atritos frequentes entre o diretor-geral da Polícia Federal, o André Rodrigues, e o ministro André Mendonça. Que tá acontecendo.

São atritos que nos bastidores, Milton, já começaram há alguns meses, mas que ontem eles ficaram muito, muito nítidos para o público por causa de dois eventos. Primeiro, teve uma reunião que ocorreu entre o ministro André Mendonça com os ministros da Justiça e da Advocacia-Geral da União para tentar baixar a bola dessas divergências. E o outro foi uma nota pública de apoio ao diretor da Polícia Federal, que foi assinada por por todos os 27 superintendentes regionais da Polícia Federal.

Bom, para o nosso ouvinte entender melhor o que tá por trás disso, Milton, acho que eu posso resumir todo esse embrólio dizendo o seguinte: é uma briga por poder, por protagonismo nas investigações de dois dos escândalos mais graves do Brasil no momento, que são o caso do Banco Master e o caso das fraudes do INSS. E também, sobretudo, um atrito movido por desconfianças mútuas. O ministro André Mendonça há tempos acha que a Polícia Federal tá andando muito devagar no inquérito que investiga o Lulinha, o filho do Lula, porque é um inquérito por tráfico de influência e corrupção, de uma investigação que é um desdobramento nas apurações do caso do INSS.

E também ele desconfia que a Polícia Federal estaria andando devagar para proteger o filho do presidente, ou em última instância o próprio presidente Lula, de eventuais desgastes. Já na Polícia Federal, Milton Encárcia, a desconfiança é que as informações sigilosas dos inquéritos do caso do Master e também do INSS têm vazado quando são enviados ao gabinete do ministro André Mendonça, e também tem a desconfiança de que o ministro André Mendonça teria alvos específicos nessas duas investigações e que protegeria políticos de quem ele seria mais simpático.

E para piorar tudo isso, o ministro André Mendonça recentemente determinou medidas que tiram a autonomia técnica e administrativa do chefe da PF, o André Rodrigues. Eu vou citar aqui apenas 3, mas são várias. Tem, as medidas vão desde a proibição da Polícia Federal de remanejar policiais das investigações sem o ok do André Mendonça, até o veto para cúpula da PF acessar os dados das investigações, passando também pela exigência de envio ao Supremo dos dados brutos recolhidos das apurações sem que eles tenham sido sequer analisados pelos agentes da PF.

Bom, e aí o que que o chefe da EPF fez, Milton de Castro, quando recebeu essas determinações do André Mendonça? Bom, no fim de julho, no fim do mês passado, ele pediu para AGU, que é a instância que de fato ele tem que pedir, pediu para AGU para recorrer ao próprio Supremo para caçar essas medidas. Só que a AGU não fez isso ainda, pelo visto não vai fazer, o que eu apurei incomodou tremendamente a Polícia Federal. A AGU preferiu tentar resolver esse clima ruim justamente por meio de uma conversa.

E aí que surgiu a ideia da reunião de ontem entre o ministro André Mendonça, o chefe da AGU, o Jorge Messias, e o ministro da Justiça, Wellington Silva. É impossível dizer hoje com 100% de certeza que a reunião de ontem vai dar em alguma coisa. Vai solucionar as divergências, vai esfriar os ânimos. Ainda tem um desdobramento dessa reunião, que é uma nova reunião que agora vai ser entre o ministro da Justiça e o chefe da Polícia Federal para tentar botar as coisas nos eixos.

Mas como ele vai fazer isso? Como ele vai tentar, vai conseguir botar as coisas nos eixos, Milton, sem que o ministro André Mendonça recue das determinações recentes que ele fez e que tolheu de fato autonomia da Polícia Federal. Eu não sei se é simples, assim como não sei se é simples que o ministro André Mendonça recue. Eu diria que é muito difícil esses dois lados se entenderem de fato. A corda esticou muito ali, as reclamações mútuas são grandes.

E sobretudo também, Milton Cássia, porque nesse momento As investigações estão avançando, descobrindo podres de personagens bastante poderosos, e tudo isso em pleno processo eleitoral. Então não dá para imaginar que de uma hora para outra um lado passe a confiar no outro e passe a trabalhar em harmonia, o que é lamentável em todos os sentidos.

?Voz D

Sem dúvida. Agora, Laura, até onde pode chegar essa desavença, já que até o momento essas reuniões, esses encontros que estão que estão sendo feitos para tentar colocar aí um fim nessa situação não estão surtindo efeito. Quem poderia de alguma forma fazer aí uma gestão dessa crise? De repente outros ministros do Supremo, ou ninguém tá se envolvendo nisso?

LJLauro Jardim

Por enquanto ninguém tá se envolvendo nisso, até porque tem uma ala do Supremo bastante poderosa que no fundo vê com bastante satisfação esses problemas que o ministro André Mendonça vem passando. É uma ala que tem ali ministro Flávio Dino, o ministro Alexandre de Moraes, o ministro Gilmar Mendes. Então, e no Supremo ninguém tá se envolvendo nisso, tá só o ministro André Mendonça. E essa ontem reunião também tem que ver a efetividade dela, porque, por exemplo, eu citei aqui que vai ter uma reunião agora, que é desdobramento da reunião de ontem, entre o ministro da Justiça e o chefe da Polícia Federal, André Mendonça, para tentar baixar a bola.

?Voz A

Eu não sei exatamente onde é que chegar.

LJLauro Jardim

Até porque isso é importante para o ouvinte entender: o ministro da Justiça, Wellington Silva, ele é formalmente, hierarquicamente superior ao chefe da PF. Só que neste caso não é bem assim, porque o chefe da PF, Andrei Rodrigues, ele foi nomeado pelo Lula. Já, já tá no terceiro ministro da Justiça do governo Lula. Já teve Flávio Dino, já teve o Ricardo Lewandowski, agora Wellington Silva. E nesses 3 casos ninguém mexeu no André Rodrigues.

Ele é muito ligado ao Lula, então ele é só formalmente chefe, ele não pode determinar nada ao André Rodrigues. E de novo, tanto o André Rodrigues quanto o ministro André Mendonça, ambos estão muito agastados um com o outro. Eu não vejo solução, pelo menos a curto prazo. O que É lamentável porque prejudica sim essas duas investigações muito importantes que estão em curso, a do caso do Banco Master e a do escândalo do INSS.

?Voz B

Lauro Jardim, muito obrigado pelo seu comentário, suas informações aqui no Jornal da CBN.

LJLauro Jardim

Bom dia para você, bom fim de semana para você, Milton, para você também, Cássia, para os ouvintes, e até segunda.

?Voz D

Bom fim de semana, Lauro.