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Vice de Flávio mostra a dificuldade do bolsonarismo em fazer alianças, afirma professor

06 de agosto de 202617min
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A incapacidade do bolsonarismo de fazer alianças políticas explica a indicação do deputado federal Alfredo Gaspar para a vice-presidência na chapa de Flávio Bolsonaro, avalia Bruno Bolognesi. Segundo o cientista político da Universidade Federal do Paraná, o candidato do PL tentou outros três nomes, priorizou a escolha de uma mulher, mas acabou aceitando o que foi possível.

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Participantes neste episódio1
B

Bruno Bolognesi

ConvidadoCientista político
Assuntos6
  • Flávio Bolsonaro· PoliticaAlfredo Gaspar·Incapacidade de aliança do bolsonarismo·Trindade Cristã·Michelle Bolsonaro·Estratégia de escolha de vice
  • Polarização Eleitoral· PoliticaEngajamento pelo ódio·Rejeição eleitoral·Ciclo de polarização·Peru
  • Pesquisa Eleitoral Presidencial· PoliticaIntenções de voto·Lula·Flávio Bolsonaro·Indecisos
  • Corrupção· PoliticaHistórico de corrupção do PT·Casos de corrupção no bolsonarismo·Sérgio Moro·Dallagnol·Valdemar Costa Neto
  • Revisão de candidaturas e neutralidade do Centrão· PoliticaPosicionamento do MDB·Composição de chapa progressista·Desenrola Brasil·PSDB·Custo financeiro de campanhas
  • Centrão· PoliticaRonaldo Caiado·Romeu Zema·Silvio Santos·Dinâmica do PSD·TDAH
Transcrição21 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro

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?Voz A

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?Voz D

Muito bem, aqui no CBN Madrugada, espaço para a gente falar um pouco mais aí sobre a conjuntura política, sobre eleições. Nesta quarta-feira saiu mais uma pesquisa para a presidência da República, pesquisa Quest, mostrando que a diferença entre o presidente Lula e o candidato Flávio Bolsonaro caiu de 8 Caiu de 8 para 5 pontos. Agora o Lula tem 44% das intenções de voto e o Flávio tem 39%. A gente vai conversar aqui no CBN Madrugada com o professor Bruno Bolognese, que é cientista político da Universidade Federal do Paraná. Bruno, muito bom dia, é um prazer tê-lo conosco aqui na CBN.

BBBruno Bolognesi

Bom dia, Ramon, bom dia, ouvintes, prazer é todo meu.

?Voz D

O que poderia explicar essa queda na diferença de 8 para 5 pontos? Ou seja, um um ligeiro crescimento do Flávio, uma ligeira queda do Lula, hein?

BBBruno Bolognesi

Basicamente duas coisas. A primeira coisa é que a quantidade de indecisos diminuiu, né? Então, se a gente acompanhar a série histórica da Quest, a gente vai ver que a quantidade de indecisos, aqueles eleitores que não sabiam em quem iam votar, diminuiu. Então isso tende a migrar para alguém, né? Nesse caso O Lula perdeu um pontinho ali e o Flávio subiu um pouquinho. Então você tem um Flávio conquistando um pouco mais indecisos do que o Lula.

A segunda coisa que explica, o segundo fator que ajuda a explicar essa aproximação dos dois, é os votos da direita não bolsonarista, essa direita independente, né, que a Quest classifica, que é uma direita não bolsonarista, que ela tende a ser mais antilulista do que bolsonarista propriamente dito. Isso vai acontecendo, Galvão, vai acontecendo conforme a gente vai chegando perto da eleição e conforme as coisas vão se definindo, né?

Então Flávio definiu seu vice, ainda que a pesquisa tenha rodado bem hoje, ontem, né? Então você tem aí uma pesquisa bem recente com os candidatos todos em evidência. Depois das convenções partidárias, apoios conquistados, tal, isso faz com que as pessoas também se decidam, tem mais visibilidade para o seu voto, e acaba você tendo aí, se aproximando de um, do que se espera que vai ser o dia da eleição propriamente dita.

?Voz D

Bom, você falou da definição aí do candidato a vice do Flávio Bolsonaro. Foram muitas semanas aí de indefinição, né? Muito se falou aí na possibilidade da ministra Tereza Cristina. Lá atrás, antes das brigas, né, falava-se até na possibilidade da Michele Bolsonaro. Muita gente defendendo que fosse uma mulher. E nesta quarta-feira ficou definido o deputado federal Alfredo Gaspar. O que explica? Qual a estratégia do Flávio Bolsonaro ao escolher um deputado federal de Alagoas, hein, professor Bruno Bolognesi?

BBBruno Bolognesi

Eu acho que tem aí uma anti-estratégia, né? Então assim, o Flávio tá apelando para aquilo que é possível, né? Então assim, tentou sempre uma mulher, o que seria uma conquista importante para o Flávio, porque ele tem uma rejeição alta nesse segmento, né? Então seria fundamental ter uma mulher na chapa para diminuir essa resistência. Foi tentando 1, 2, 3 nomes, não conseguiu nenhum deles, brigou com a família no meio do E as pesquisas foram consolidando o Lula com maior potencial de vitória.

Então você tem duas coisas centrais aí, né? Primeiro, a incapacidade de aliança política do bolsonarismo, que é uma coisa clássica. A gente sabe que, por exemplo, no eventual governo Bolsonaro do Flávio, né, do Flávio Bolsonaro, Os partidos vão ter menos espaço, como foi no governo Bolsonaro pai, né? Então é mais difícil fazer aliança. E você tem uma perspectiva, um potencial de vitória do Lula um pouquinho maior do que Bolsonaro.

Então isso faz com que as grandes alianças possíveis, né, o PP, União, o MDB, o PSD, esses grandes partidos que poderiam ser aliados para ocasião, acabam se afastando. E aí acho que a alternativa que restou foi chamar alguém do Nordeste, que é um jeito de também diminuir alguma frente de resistência, que é justamente onde o Lula tem a maior certeza de voto, entre recebedores do Bolsa Família e entre eleitores do Nordeste. 66% para as duas, para os dois destaques, né?

Então acho que essa escolha do Flávio de ter um candidato nordestino é importante, é razoável, é um modo de você, é estratégia viável do momento que foi possível.

?Voz D

Bom, Alfredo Gaspar do PL, mesmo partido do senador Flávio Bolsonaro, e os outros 3 candidatos do centro ali, da direita, também escolheram uma candidatura a vice chamada de puro-sangue, mesmo partido. Ronaldo Caiado com Gilberto Kassab, que é o presidente do partido. Romeu Zema com Eduardo Girão no Novo, né, o Caiado no PSD, né. E o Renan Santos com o Haroldo Medina. O que revela essas candidaturas puro-sangue sobre a disputa, sobre esse momento político do nosso país, hein?

BBBruno Bolognesi

Então eu acho que, com exceção do Missão, que é um partido novo, perdão, no momento muito ideológico, muito tentando impor a sua agenda, etc., com exceção do Missão, que não tem chance de ganhar, mas eu tenho a impressão que pode surpreender na votação aí, fazer uma votação lá maior do que partidos novos fazem, com exceção do Missão, o caso do PSB É um caso clássico de partido que tá cavando a sua posição no governo, seja o governo do Lula, seja o governo do Bolsonaro.

Ainda que o Caiado seja o governador com aprovação mais alta do Brasil, junto aqui com Ratinho Júnior aqui do Paraná, ele acha que ele tem consciência que as chances dele ganhar são pequenas, são reduzidas. Então nada mais inteligente do do PT, você tem uma chapa puro-sangue que vai negociar o segundo turno, né? Então ele vai ver quem tem mais chance de ganhar no segundo turno e vai apoiar provavelmente o candidato com maior chance de vitória no segundo turno.

Além disso, isso é um modo também de não estabelecer nenhuma aliança prévia para um futuro governo, ocupar ministério, tá em cargos no primeiro, segundo escalão da burocracia. Então acho que o PSD mira isso. Já o PL é um partido que ficou isolado pelo baixo potencial de, baixo potencial de vitória do Flávio, né? Na medida em que as pessoas foram identificando que o Lula tem mais chance de ganhar, o PL teve que fazer uma chapa puro-sangue, né?

Eu tenho certeza que não era a ideia do Flávio inicialmente ter uma chapa vertical com PL, mas é o que é possível, né? E não duvide que o Valdemar, numa derrota do Flávio, não vá para o governo Lula no dia seguinte.

?Voz D

A gente tá conversando aqui no CBN Madrugada com Bruno Bolognesi, cientista político da Universidade Federal do Paraná. Bruno, partidos do chamado Centrão, né, estão declarando um atrás do outro neutralidade nessa corrida à presidência da República: MDB, Progressistas, União Brasil, Republicanos, Podemos, o PSDB, o Cidadania. Por que esses países, esses partidos, alguns até que tiveram uma enorme projeção no passado recente, como PSDB, como MDB, por que esses partidos não têm um candidato à presidência nesta eleição? O que que explica essa, essa posição de neutralidade, hein?

BBBruno Bolognesi

São duas coisas, né, Galvão? A primeira coisa é que são partidos que têm dificuldade de ter uma candidatura unificada, né, de ter um nome de expressão que seja capaz de ganhar eleição, né. Então assim, para vocês, a gente lembrar aqui, né, o MDB nunca ganhou uma eleição presidencial e sempre foi o maior partido do Brasil até 10 anos atrás, né. Então junto com PT ali competia com o maior partido do Brasil até 10 anos atrás. E nunca conseguiu ter um candidato que unificasse o partido para ser o nome presidenciável.

Ocupou a presidência da República, sim, mas sempre com vice quando o titular caiu, né? Então esse partido tem uma dificuldade imensa de ter um nome centralizado, unificado, para lançar para presidente com chance de vitória. A segunda coisa é que cada vez mais ser candidato presidencial é um custo financeiro altíssimo, na medida em que as regras de distribuição de recursos, principalmente do fundo partidário e do fundo eleitoral, migraram ou passaram a ter mais peso na contagem de votos para o Legislativo.

Tá se tornando cada vez mais imperativo o investimento em campanhas legislativas. Os partidos Precisam cumprir cláusula de desempenho, precisam cumprir cotas do quociente eleitoral, não pode mais fazer coligação proporcional. Então, se você pegar dados de financiamento, você vai ver uma migração de recurso de eleições majoritárias para proporcionais. Então, os partidos têm tido um alto custo para eleger deputado. Então, esses partidos menores que não tem um nomão, né, um grande nome para lançar presidente, É muito mais interessante concentrar voto em candidatos federais que vão garantir a sobrevivência do partido no próximo governo.

E por último, todo mundo acha muito bom embarcar em governo, né? Então assim, nada melhor do que ser caroneiro, né? Nada melhor do que ficar independente, ficar neutro, e no eventual governo, tanto faz se um governo à esquerda, um governo à direita, você ocupar o ministério, ocupar uma burocracia estatal, ganhar uma autarquia federal, né? Então os partidos vão negociar isso, né? São todos partidos aí fisiológicos, que a gente chama de, né, partidos que estão em busca de posições no governo.

Então essas três coisas eu acho que ajudam a gente a entender esse comportamento aí.

?Voz D

Estamos conversando aqui no CBN Madrugada com Bruno Bolognese, cientista político da Universidade Federal do Paraná. Esse aspecto, Bruno, a gente destaca muito aqui no CBN Madrugada, né? O Centrão tá no centro porque é o lugar mais próximo de ir para direita ou para esquerda, dependendo das conveniências do momento, né? E a gente tá vendo que caminhamos para um segundo turno que mostra exatamente o que aconteceu na eleição passada.

Eu tenho falado bastante sobre isso também. Uma pesquisa, um estudo muito interessante da Universidade de São Paulo, pessoal lá de São Carlos, que mostra o engajamento pelo ódio, né, como muitos eleitores estão votando num determinado candidato não porque acreditam no plano de governo daquele candidato, mas porque não querem o outro. E o que nos parece é que estamos caminhando para isso no segundo turno, já que a rejeição dos dois candidatos que lideram de forma disparada a corrida é enorme, né, por volta de metade da população dos eleitores rejeita os candidatos.

Então tudo indica que a gente vai ter de de novo, né, esse embate aí por rejeição e não por apoiar efetivamente a candidatura. O que fazer para quebrar esse ciclo, hein, Bruno?

BBBruno Bolognesi

Olha, não há receita mágica, né? Então assim, tem vários colegas, o estudo desse colega aí, que é um cara, um grande, grandíssimo cientista político, amigo meu, muito competente, mas é um estudo que mostra uma tendência no Brasil que se repete no mundo todo. Então todos os países polarizados têm acontecido isso, né? Estados Unidos tá assim, Alemanha tá assim, Alemanha menos, mas tá bastante polarizada por sistema partidário alemão.

Então você tem aí um monte de países em que a polarização vai subindo, a temperatura da polarização vai subindo. Isso infelizmente, eu como cidadão, como eleitor, Fico consternado tanto quanto te ouvi, no sentido de que isso demora acabar. Para isso acabar, primeiro a gente vai ter que ter uma mudança no topo do sistema eleitoral, né, no topo dos cargos-chave. Então vamos ter que esperar o Lula se aposentar, sair da política, a família Bolsonaro se desgastar a ponto de não conseguir eleger mais ninguém.

E ainda há uma chance de repente disso tudo voltar, como aconteceu no Peru agora. Mas primeiro tem que ter uma mudança de cima para baixo, né? Então, se você não tiver uma mudança da elite política conduzindo essa diminuição da fervura, é muito difícil de acabar com polarização. Todos os assuntos do Brasil são polarizados, né? Desde chinelo de dedo até detergente, tudo já polarizado. Então é preciso que a gente espere um pouco e torça para que essa reserva democrática, às vezes de parte das elites, de parte do Judiciário, parte dos deputados, parte dos membros do Poder Executivo, se mantenha para a gente não correr o risco de ter uma medida ou de uma situação mais grave do que a gente tem.

?Voz D

A gente tem mais 2 minutos aqui, Bruno, para a gente fechar o nosso papo. Queria saber, na sua opinião, como é que o tema corrupção vai estar presente aí nas próximas semanas antes das eleições, se houver debates com a participação dos dois principais candidatos, né? Porque ambos já estão dizendo que talvez não irão participar, mas imaginemos um debate entre Lula e Flávio Bolsonaro. Como é que o tema corrupção vai estar presente nesse embate, hein?

BBBruno Bolognesi

Olha, ainda que eu acho que outros temas parecem mais urgentes, como segurança, por exemplo, eu acho que corrupção vai entrar na agenda, vai entrar com força por dois motivos. Primeiro, porque o PT tem histórico de corrupção muito longo, né, muito longo, muito intenso. Isso não tá acabando de jeito nenhum. Banco Mastercard, o careca do INSS. Então tem um monte de pequenos escândalos que não deixam esse assunto morrer. Por outro lado, os supostos guardiões da moral e dos bons costumes também estão envolvidos, né?

Então tem o caso do Dark Horse, do Flávio, tem o caso do gabinete das rachadinhas. Você tem aí, você tem aqui no Paraná o caso do Sérgio Moro, que tá abraçado com o Valdemar Costa Neto, que lembremos foi preso no Mensalão. Então eu acho que assim é um tema que a gente não consegue sair. E nesse sentido eu tenho a impressão E o fato do Sérgio Moro e do Dallagnol terem politizado o debate foi uma pá de cal num possível combate à corrupção.

A gente vai seguir nesse ciclo infinito, ai de náusea, até a gente enjoar de quanto o debate sempre vai ser retomado de um lado ou do outro.

?Voz D

Muito bem, professor Bruno Bolognese, cientista político da Universidade Federal do Paraná. Bruno, muito obrigado mais uma vez pela gentileza com a CBN.

BBBruno Bolognesi

Um bom dia e até uma próxima oportunidade. Eu que agradeço por ter lembrado do meu nome. Uma ótima manhã para vocês.

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